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Das exceções à impenhorabilidade do “Bem de Família” (21/09/2011) Recentemente, em virtude de publicações equivocadas em jornais, revistas e sites na Internet, n o especiali!adas, e consequentemente sem o necess"rio con#ecimento t$cnico, muitos questionamentos tem sur%ido a respeito do c#amado &'em de (am)lia*+ In,eli!mente, muitos problemas tamb$m sur%iram, em virtude de uma m" interpretaç o deste instituto jur)dico+ - .ei /009/90 ,oi criada com o ,im prec)puo de con,erir aplicabilidade ao 0rincipio da 1i%nidade 2umana, insculpido na 3onstituiç o (ederal 'rasileira de 19//+ Re,erido princ)pio trata da di%nidade como um todo, entendendo que n o apenas o direito 4 moradia, mas educaç o, sa5de, cultura e liberdade, entre outros, s o pontos ess6ncias 4 caracteri!aç o de uma vida di%na+ -ssim, em especial no que tan%e 4 impen#orabilidade, ,oi lapidado o 0rinc)pio da 7anutenç o da Resid6ncia e da (am)lia+ 1esta ,orma, com base na principiolo%ia citada, criou8se a .ei /009/90, que determina em seus primeiro e se%undo arti%os que: -rt+ 1; < im=vel residencial pr=prio do casal, ou da entidade ,amiliar, $ impen#or"vel e n o responder" por qualquer tipo de d)vida civil, comercial, ,iscal, previdenci"ria ou de outra nature!a, contra)da pelos c>nju%es ou pelos pais ou ,il#os que sejam seus propriet"rios e nele residam, salvo nas #ip=teses previstas nesta lei+ 0ar"%ra,o 5nico+ - impen#orabilidade compreende o im=vel sobre o qual se assentam a construç o, as plantações, as ben,eitorias de qualquer nature!a e todos os equipamentos, inclusive os de uso pro,issional, ou m=veis que %uarnecem a casa, desde que quitados+ -rt+ 2; ?@cluem8se da impen#orabilidade os ve)culos de transporte, obras de arte e adornos suntuosos+ 0ar"%ra,o 5nico+ Ao caso de im=vel locado, a impen#orabilidade aplica8se aos bens m=veis quitados que %uarneçam a resid6ncia e que sejam de propriedade do locat"rio, observado o disposto neste arti%o+ 1estaca8se que a .ei em comento, como todas as demais, n o visa con,erir direitos ou vanta%ens a nin%u$m, mas %arantir que a pessoa que, em virtude de problemas reais, encontra8se em di,iculdades ,inanceiras, possa manter um teto sobre a sua cabeça e, di%namente, viver+ Importante ,risar que a impen#orabilidade abarca, ainda, os bens que %uarnecem a casa, desde que quitados+ Aeste sentido, temos uma e@ceç o objetiva, isto si%ni,ica que uma cobrança, por e@emplo, oriunda do n o pa%amento de uma %eladeira, pode %erar a

inclusive tipi. corol"rio l=%ico. uma obra de arte valiosa ou lustres de cristal para viver di%namente. anteriormente citada+ ?sta e@ceç o encontra respaldo no mesmo 0rinc)pio da 1i%nidade 2umana. n o pode ser prejudicada no recebimento daquilo que l#e $ devido sob a ale%aç o de que o local no qual prestou serviço $ um bem de . que determina que tal instituto pode ser oposto (ale%ado/utili!ado) em qualquer tipo de processo de e@ecuç o. considera8se que a pessoa que trabal#ou em uma resid6ncia e. de .am)lia+ II 8 pelo titular do cr$dito decorrente do .unç o do respectivo contratoD .orma contribuiu para o seu enriquecimento em sentido amplo. j" citado.icando tal conduta como crime+ Aeste sentido. isto porque uma pessoa n o precisa de um carro. do contr"rio.inanciamento destinado 4 construç o ou 4 aquisiç o do im=vel. di%amos. a pessoa utili!ou8se de seus recursos para adquirir bens que. ao inv$s de saldar suas d)vidas. de al%uma . obras de arte e adornos suntuosos e repete a re%ra do bem quitado.pen#ora dessa %eladeira. no limite dos cr$ditos e acr$scimos constitu)dos em . tem se tornado cada ve! mais comum a pen#ora e venda de im=veis (mesmo que caracteri!ados pela lei como 'em de (am)lia). a n o ser: I 8 em ra! o dos cr$ditos de trabal#adores da pr=pria resid6ncia e das respectivas contribuições previdenci"riasD < tratamento que o 'rasil d" ao trabal#o escravo $ de completo rep5dio.orma.am)lia previstas no arti%o terceiro da lei.ato. poder" ter esse apartamento pen#orado e vendido para pa%ar essa d)vida. n o s o essenciais 4 vida do dia8a8dia+ 1e toda . por serem muito caros+ <u seja.00. no 0rinc)pio da 0roporcionalidade. o mal intencionado mobiliaria sua casa e n o pa%aria nada por isso+ < arti%o se%undo.00 que reside em um apartamento de. s o as e@ceções 4 impen#orabilidade do bem de . RB1+900+000. sendo que estes bens denotam que. nen#um credor pode ser prejudicado pela opç o do devedor em viver lu@uosamente+ Aeste mesmo sentido.)cio para n o pa%ar as suas d)vidas e nem %arantir" o lu@o em detrimento do preju)!o de terceiros+ A o menos importantes. pois $ poss)vel vender este apartamento e o restante do valor au. ao seu turno. um devedor de RB100+000.erido ser utili!ado na aquisiç o de uma moradia mais #umilde+ <u seja. ve)culos de transporte. tra! como e@ceç o 4 re%ra do arti%o primeiro. $ de suma importCncia que o cidad o entenda que a lei que criou o 'em de (am)lia n o servir" como arti.

primeiramente. sendo o direito a vida in. no entanto.icaç o do #omem. ela dever" arcar com as suas obri%ações tribut"rias+ 1esta . predial ou territorial.unç o do im=vel . seja em decorr6ncia da propriedade (I0EH.lito principiol=%ico+ <bviamente que todo ser #umano necessita de um lar para poder viver com di%nidade. a ale%aç o de bem de . ou seja.-qui.$ objetiva. e depois ale%ue que a casa n o pode ser pen#orada+ Aeste caso. no 'rasil.a! a ressalva de que o bem deve ter sido entre%ue pelo casal. ta@as e contribuições devidas em . acarreta no pa%amento de al%um tributo. obri%atoriamente. o n o pa%amento de um tributo inerente a um im=vel.undamentar tal e@ceç o no princ)pio da boa8. ve! que o ne%=cio teria se reali!ado mediante uma %arantia ine@eqI)vel+ 2" de ser observar que a lei .raude. n o pa%ue tais d)vidas. aplica8se o mesmo racioc)nio desenvolvido em relaç o aos bens que %uarnecem a casa+ A o seria l=%ico permitir que uma pessoa contraia d)vidas para a construç o de sua casa.erecido como %arantia real pelo casal ou pela entidade . teria ocorrido uma . seja no ato da compra. pois n o se pode aceitar que a coletividade (os demais contribuintes) pa%ue por tudo o que o propriet"rio do im=vel utili!a e de todos os bene. que ele se alimente+ < bem mais precioso e@istente $ a vida+ Eodo ato que atente contra a vida $ objeto de severas punições+ -ssim. para que uma pessoa possa manter sua condiç o de propriet"rio de um im=vel. I0F-.initamente mais importante que o direito de propriedade e sendo a alimentaç o o menor dos requisitos de di%ni.am)lia jamais poder" ser utili!ada para . muitos ne%=cios s= se concreti!am porque uma das partes apresentou a %arantia requerida pela outra+ -ssim. isto porque um bem s= pode ser vendido ou onerado com o consentimento do casal (ou entidade . o entendimento $ de que ela est" abrindo m o do direito de impen#orabilidade do im=vel+ 1e .am)lia. se uma pessoa d" um im=vel em %arantia. uma ve! que o devedor teria aumentado seu patrim>nio atrav$s do empobrecimento da pessoa diretamente li%ada a este enriquecimento+ III 8 pelo credor de pens o aliment)ciaD -presenta8se. podemos . em observCncia ao princ)pio da boa8. por e@emplo)+ -ssim.ato.orma.amiliarD Ger propriet"rio de al%o.ins de n o pa%amento de pens o aliment)cia+ IF 8 para cobrança de impostos. a entre%a de um im=vel como %arantia impede a ale%aç o de bem de . aqui.amiliarD Aeste caso. um con.$ (que deve ser observado em qualquer tipo de contrataç o) e a vedaç o ao enriquecimento sem causa. do contr"rio. muitos contratos s= s o celebrados. poder" %erar a sua perda. no caso de uni o est"vel)+ . ele tem de sobreviver e isso requer.amiliar.)cios que %o!a+ F 8 para e@ecuç o de #ipoteca sobre o im=vel o.

ora adquirido com produto de crime (din#eiro roubado ou conse%uido pela venda de produtos roubados.iador em uma locaç o e s= tem o bem onde mora.im. o instituto do 'em de (am)lia $ um %rande avanço social. dentro do Cmbito criminal (1ireito 0enal) que impõe que o criminoso indeni!e a v)tima de al%uma . estas decisões e@istem e podem.FI 8 por ter sido adquirido com produto de crime ou para e@ecuç o de sentença penal condenat=ria a ressarcimento.impen#orabilidade do bem de . a casa $ a %arantia.orma ou perca bens+ Aeste caso. n o $ incomum que al%umas empresas ten#am a sua sede. a situaç o onde a pessoa aceita ser o %arantidor de uma d)vida. j" . sua proteç o enquanto bem de .ins)+ 0or outro lado.$ dos devedores+ -pesar de serem poucas. aceita a %arantia esperando que esta pessoa ter" condições de pa%ar a d)vida+ <u seja. contando com a %arantia. se o bem n o . e pen#ora total do bem. o trabal#o escravo (n o remunerado) $ repudiado e combatido pela le%islaç o e tribunais brasileiros+ ?m todo caso. muitos ju)!es trabal#istas tem determinado pen#oras parciais dos bens e. venda de produtos ile%ais e a.am)lia permaneceria+ 0orem.am)lia nestes casos+ < entendimento destas decisões $ que a pessoa que contrata e recebe a %arantia.am)lia tamb$m n o poder" ser ale%ada se este bem . ainda que n o esteja prevista no arti%o citado acima. posto que. se ela n o tin#a mais nen#um bem para %arantir a d)vida.uncione em uma parte da resid6ncia ou at$ que o pr$dio da empresa e a resid6ncia do empres"rio dividam o mesmo terreno+ 3omo tais situações tem se tornado corriqueiras. se uma pessoa aceitar %arantir o pa%amento. arque com o preju)!o do n o pa%amento dos alu%u$is+ 0or . pois o credor n o pode ser prejudicado pela m"8. como dito anteriormente. mas n o d" o bem em %arantia+ ?m tese. #" al%uns tipos de sentença. no endereço da resid6ncia do empres"rio propriet"rio ou mesmo que a empresa . $ porque ela pode pa%ar+ -ssim.eridas al%umas decisões que desconsideraram o bem de .oram pro.am)lia. n o $ justo ou aceit"vel que a pessoa que alu%ou o im=vel. pois se a pessoa se obri%ou como . a impen#orabilidade tamb$m n o poder" ser ale%ada+ FII 8 por obri%aç o decorrente de .iança concedida em contrato de locaç o+ < mesmo racioc)nio declinado quanto ao inciso &F* se aplica aqui.oi dado em %arantia. os tribunais tem e@arado entendimentos que acabaram por criar mais uma e@ceç o 4 impen#orabilidade do bem de . se tornar um entendimento majorit"rio+ 0or outro lado. indeni!aç o ou perdimento de bensD . em especial os Eribunais Erabal#istas+ 0odemos citar. pelo menos documentalmente. um dia. em casos e@tremos. mas n o $ a t"bua de salvaç o de qualquer devedor e deve ser empre%ado com precis o e con#ecimento+ .

JJJJJ -rtur 0rates de Re!ende K -dvo%ado da "rea de 1ireito Gociet"rio e 3onsultivo 3)vel do escrit=rio 1uarte e Eonetti -dvo%ados -ssociados em G o 0aulo. 0=s8%raduado em 1ireito ?mpresarial pela ?scola 0aulista de 1ireito+ 0alestrante na "rea do 1ireito ?mpresarial+ .