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MONOPÓLIO LEGÍTIMO DA FORÇA COMO PROCESSO CIVILIZADOR: WEBER E ELIAS EM PERSPECTIVA Edson Benedito Rondon Filho GPMSE – UFMT

edsonrondon@yahoo.com Francisco Xavier Freire Departamento de Sociologia da UFMT fxsociologo@yahoo.com.br

Resumo: Este artigo tem por objetivo fazer uma correlação entre os fundamentos do monopólio legítimo da força e o processo civilizador, a partir de uma comparação entre Weber (sociologia compreensiva) e Elias (sociologia histórica). A abordagem é teórica com utilização do método comparativo de maneira a buscar a compreensão do fenômeno violência. Concluiu-se que a civilização gera um mal estar ocasionado pela repressão dos afetos e pelas falácias narcíseas advindas do processo civilizador sistematizado na violência legítima desempenhada pelo aparelho burocrático estatal. Palavras-chave: Monopólio Legítimo da Força – Processo Civilizador – Criminalidade. Abstract: This article has since objective does a correlation between the bases of the legitimate monopoly of the strength and the civilizing process, from a comparison between Weber (understanding sociology) and Elias (historical sociology). The approach is theoretical with use of the comparative method of way to look for the understanding of the phenomenon violence. It was ended that the civilization produces an evil to be caused by the repression of the affections and by the daffodil fallacies resulted from the civilizing process systematized in the legitimate violence fulfilled by the bureaucratic state-owned appliance. Key words: Legitimate monopoly of the Strength – Civilizing Process – Violence.

INTRODUÇÃO As pesquisas científicas voltadas à humanidade tiveram seu marco no século XIX, excetuando-se as poucas obras produzidas nos séculos XV, XVI e XVII, como as dos autores Maquiavel (1469-1527) e Montesquieu (1689-1755). No período mencionado (séc. XIX) as condições materiais do homem se transformaram, imperando o método proposto por Galileu (ciência natural) para estudo dessas condições, em que pese as críticas realizadas na intenção de se propor de uma metodologia que atendesse à experiência humana, ou seja, a matematização das ciências exatas era confrontada com a descrição qualitativa, entendida como pertinente às ciências humanas. A identidade entre as ciências humanas e as exatas gerou a corrente positivista com precedência dos pensamentos de Francis Bacon (1561-1626) e de David Hume (1711-

destacando o comportamento da nobreza na corte em razão das regras de comportamento impostas. de per si. que procuram o relacionamento causal entre os fenômenos. muito bem realizados por Max Weber. As leis dos sentidos comportamentais auxiliam na compreensão das particularidades. Lembramos que o método das ciências da natureza não é. uma pessoa dá a outra um pedaço de papel. 1973) compreende que a Sociologia deve captar os sentidos da ação humana. travestidos no simbolismo do fenômeno observado. a história. (TRAGTENBERG. A tangência nos pensamentos de Weber e Elias reside no monopólio legítimo da força exercido pelo Estado como mola propulsora do processo civilizador. esse fato. O MONOPÓLIO LEGÍTIMO DA FORÇA Max Weber (1997. p. mas visam aos processos permanentemente vivos da experiência humana e procuram extrair deles seu sentido (Sinn)”. identificando as particularidades de suas teorias. 1997. Somente quando se sabe que a primeira pessoa deu o papel para a outra como forma de saldar uma dívida (o pedaço de papel é um cheque) é que se está diante de um fato propriamente humano. mas sim filósofo e historiador.) o modo explicativo seria característico das ciências naturais. O fato em questão não se esgota em si mesmo e aponta para todo um complexo de significações sociais. 7). Destacam-se nesta linha positivista Augusto Comte (1798-1857) e Émile Durkheim (1858-1917). 6). além dos utilitaristas do século XIX. 1. em si mesmo. É óbvio que existia a corrente considerada antipositivista. essa função é reconhecida por uma comunidade maior de pessoas”. usando para tanto a antropologia. além disso. As particularidades ganham um relevo especial em suas análises contextualizadas historicamente. mostra em uma sociologia dos costumes a diferença dos sentidos e significados da palavra ‘civilização’. através de imposição de regras. que não estudam fatos que possam ser explicados propriamente. mais ligada ao idealismo alemão. 1 . Assim. a compreensão ficou associada aos estudos de particularidades sociais. consiste em entender o sentido que as ações de um indivíduo contêm e não apenas o aspecto exterior dessas mesmas ações. personificado em Hegel (1770-1831) e Schleiermacher (1768-1834).. Essa ação é descrita por Weber como “aquela cujo sentido pensado pelo sujeito ou sujeitos é referido ao comportamento dos outros. na medida em que as duas pessoas envolvidas atribuem ao pedaço de papel a função de servir como meio de troca ou pagamento. 2) o controle das emoções e afetos nas relações inter-individuais. Em sua obra “O processo civilizador”. 1997). A distinção apontada acima foi defendida por Dilthey que não era cientista social. extraídas da concretude fenomenal de maneira generalizante e atendente “O método compreensivo. Elias defende duas condições essenciais para mudança dos comportamentos ocidentais: 1) o monopólio estatal da violência com a gênese do Estado moderno e. para essa corrente: “(. orientando-se por ele o seu comportamento” (TRAGTENBERG. Temos por esse caminho a busca do sentido individual da ação. estas merecem ter sua regularidade considerada. ou seja. mesmo assim. suficientemente capaz para captar os sentidos das ações humanas. Se. Já Norbert Elias (1998. Assim é que passaremos para exposição das teses dos autores citados. A compreensão seria o modo típico de proceder das ciências humanas. onde a intencionalidade é o realce da compreensão weberiana 1 . defendido por Weber.1776). p. publicado em 1939 após sua fuga da Alemanha nazista.. Segundo Tragtenberg (1997. o que fez com que resultassem caminhos distintos quanto à aplicação dos termos explicação/compreensão. 1994) enxerga a condição humana de maneira global. por exemplo. a sociologia e a filosofia. é irrelevante para o cientista social. de uma ação carregada de sentido.

é necessário que um conjunto de pessoas (toda a sua população) obedeça à autoridade alegada pelos detentores do poder no referido Estado” (TRAGTENBERG. a citar. b) a carismática e. 3 2 “Para que um Estado exista. uma vez que os meios devem ser adequados ao alcance desse objetivo. Contrapondo tais idéias. “Para que os dominados obedeçam é necessário que os detentores do poder possuam uma autoridade reconhecida como legítima” (idem). diz Weber. Abrimos um parêntese para invocarmos a postura teórica de Karl Marx (18181883) que via no fator econômico o caráter dominante estrutural da sociedade e da cultura. a raça. que se constituem em “um conceito histórico-concreto”. o que favorece à combinação entre elementos racionais e emocionais. o poder político. nunca à verdade ou à falsidade. Weber alerta para a ocorrência de fluidez entre os limite desses tipos. 4 . a topografia. a tipologia complexa se reconstrói na síntese articulada significativamente de abstrações. 3) ação afetiva e. sustentáculo das organizações.. tendendo a uma raridade permeada à impossibilidade de se encontrar ações puras. A ação racional tem em si formulada/o um objetivo claro. dando forma aos ditos “tipos ideais” weberianos. pois a realidade é esvaziada por este tipo ideal.1997. lembrando que a tônica de discussão foi o surgimento e a expansão do capitalismo. fundada na imposição de regras e na racionalidade Estado. Weber procura fugir do estruturalismo fenomênico e realça as diferenças qualitativas dos fenômenos através da verificabilidade das hipóteses levantadas em seus estudos. também. são estudados por Weber com o intuito de entendimento do funcionamento de todo o aparato burocrático estatal. no campo da política de maneira a formular categorias que se consagraram em solidez nas Ciências Sociais. A administração burocrática é um campo fértil para o êxito da dominação. fatores outros inúmeros. Weber não se limitou a estudar o capitalismo. segundo Weber (1997). Os resultados alcançados pelo tipo ideal na ação social voltada a um fim são expostos com a orientação a se atingir única e exclusivamente este mesmo fim. p. No entanto. como é o caso da política. vendo nestas os seguintes modos de autoridade: a) a tradicional. teorizando. Por sua vez. A liderança que não depende de ação estaria imbricada no conceito amplo de política. 14). p. A burocracia é o tipo puro da autoridade legal.. autoridade 3 e legitimidade 4 . são: 1) ação racional em relação a fins. O contraste e a formulação de hipóteses explicativas são formas aplicativas do tipo ideal à realidade. 2) ação racional em relação a valores. 14) é “(. já a liderança exercida no Estado2 se enquadraria na política em caráter restrito. entre outros. sendo uma ampla e outra restrita. também. Weber foi um dos primeiros a estudar a burocracia moderna. valorativo e consistente. como Dilthey e Sombart (1863-1941). O que se busca é a racionalidade ou irracionalidade da ação. vertida em duas acepções por Weber. Ligados ao Estado seus elementos constitutivos. Nas duas primeiras (tradicional e carismática). para Weber (apud TRAGTENBERG. dotadas de relatividade que a conduz a uma validade ou a uma invalidade. sendo o elemento racional representado no tipo legal-racional ou burocrática. Impera aqui a utilidade significativa dos fenômenos investigados. 1997. o clima. outros teóricos.) uma comunidade humana que pretende o monopólio do uso legítimo da força física dentro de determinado território”. O caminho da ação que se destaca é o objetivamente ideal e não o concreto. os elementos representados são os não-racionais.ao rigor comprobatório. A correta interpretação da ação está na compreensão do motivo e da exteriorização da ação relacionados nos seus sentidos. c) a legal-racional ou burocrática. mas. 4) ação tradicional. viam incrustados no determinante estrutural societário não só o fator econômico. somente a teoria weberiana fez frente às formulações de Marx. variadas conforme maior ou menor proximidade. As ações.

ou seja. (SELZNICK. 2000. as próprias autoridades. a Polícia Judiciária Civil e a Polícia Militar. Ibidem. p. estas por sua vez são formadoras do que conhecemos como ciclo de segurança e defesa social. p. Exige-se. É claro que não podemos restringir a violência legítima proposta por Weber de maneira a legitimar qualquer ato de violência por agentes estatais que extrapolem os limites da racionalidade-legalista. seja em aspectos preventivos. inclusive. Por esse silogismo temos a escassez associada à restrição. 8 “Com relação aos bens espirituais. pois o Estado ao restringi-la (violência) rega o florescer de uma sociedade mais humana e democrática. (SCHLUCHTER. fundada na linha de pensamento comando-obediência. somente neste interregno se permite dizer que existe ‘violência legítima’. sendo que estes devem gozar de legitimidade. as pessoas devem obediência fiel à lei e não aos seus feitores (da lei). 1973. facilmente observável na disputa pela aquisição de bens econômicos. porém. 89) “Dominação política versus dominação burocrática”. limitando as condutas objetivamente. 312). c) sua organização interna 7 . Os conflitos são inevitáveis. em linhas weberianas. 312). ou ideais. Destacamos o sistema prisional. nesse viés ocorre uma despersonalização que sofre uma resistência através do excesso aos limites impostos segmentariamente. tensão. ao dizer que Weber prioriza os meios em prejuízo dos fins. procurar ou disputar a hegemonia da produção simbólica” (PORTO. ele não consideraria como legítima uma ação que exacerbe os limites estabelecidos pela lei. O monopólio da força é de competência de algumas instituições. onde apenas alguns obtêm sucesso 8 . seja em aspectos repressivos. p. “Burocracia patrimonial versus serviço público moderno”. disputa. esta última possui algumas características peculiares. lembrando que a palavra monopólio se associa à administração de escassez. as ocasionadas pela personalidade do indivíduo que tem consigo outros hábitos e compromissos que não aqueles ditados pelas regras. o Ministério Público. que no caso da violência tem um papel fundamental. A eficiência deste tipo de administração. logo o que se disputa no jogo de violência é o poder (PORTO. hierarquia e disciplina. quando falamos pessoas.instrumental. 314) diz que é o racionalismo burocrático que determina a competência das organizações e institui por lei os procedimentos de mediação Estado – sociedade. Idem. busca de hegemonia”. 7 “Princípio hierárquico-burocrático versus princípio democrático não vocacional”. 6 5 . Aqui reside o primado da lei. b) como ela á vista pela sociologia da dominação 6 e. p. O Estado moderno tem como uma de suas características a detenção do uso legítimo da força de maneira monopolizada. Porto (2000. Weber tenta apontar as ações racionais e. que por sua vez traz a idéia de “conflito. principalmente quando entra em questão valores. tem sua burocracia analisada pelos seguintes aspectos: a) sua universalidade histórica de maneira globalizada 5 . 2000. por exemplo. 2000. As formalidades não dão conta de um exercício de controle total e podem falhar diante de modificações. Eis a autorização para intervenção estatal. incluímos neste rol. variáveis de indivíduo para indivíduo. Temos certeza de que a escassez mencionada é precedente da desigualdade dos indivíduos. portanto. O homem submetido a essas regras racionais burocráticas que organizam o sistema formal é visto como uma peça que cumpre sua função de maneira cooperativa. significa ter. 33). como fez Yves Michaud. o Judiciário. A lei tenta tolher o arbítrio pessoal. quando se trata de violência praticada pelo Estado. legitimada pela promulgação. portanto. entre elas os pilares de sustentação institucional. na perspectiva do monopólio legítimo da violência. de quem comanda a ‘competência’ ou ‘jurisdição’. p. quando comparadas com as instituições civis.

mesmo que para isso se pratique violência (legítima no caso em questão). 1994. Porto (2000. 324-325). até mesmo as que envolvem a utilização de agentes públicos da ordem como seguranças privados. o que configura situações concretas de uso ilegítimo da violência pelo Estado. o que implica em dizer que a legitimidade ou não do monopólio legítimo da força demanda uma adaptabilidade e até mesmo tensões com múltiplos valores identificados historicamente na sociedade com as dimensões ou esferas sociais. ocorrendo uma coerção externa entre os indivíduos. O processo civilizador. 26).As ordens de vida ou esferas de convivência possuem seus valores ou éticas particulares. amparado na racionalidade-legalista. costumes. p. a racionalidade como advinda do interior da sociedade só existe em decorrência de uma transformação externa interiorizada no indivíduo. tem como característica o controle dos afetos (sentimentos) através da incorporação de regras de civilidade. Em resumo seria a consciência que o Ocidente tem de si e porta características de povos inteiros ou de determinadas classes. a violência policial é o exemplo típico do uso não legítimo da violência pelo Estado. Ocorre uma cristalização da história nesses conceitos que são transmitidos de geração para geração (ELIAS. vale dizer. tipos de maneiras. 2000. Individualmente. p. o que gera novas formas de conduta e interdependência nos contatos sociais estabelecidos. Os sentimentos (afetividade) são reprimidos pelo processo de civilização que os vê como algo animalesco. A psicogênese tem como característica a observação dos comportamentos de maneira sistemática. de separação entre meios de administração e o quadro administrativo. tendente à universalização das condutas realçadas quanto aos seus aspectos de civilidade. urbanidade e humanidade como mecanismo de controle das emoções e da agressividade. As funções do corpo são modeladas em gestos e sensibilidade normatizados em nível coletivo (a sociogênese) e individual (psicogênese). delineada teoricamente por Weber. O PROCESSO CIVILIZADOR O conceito de ‘civilização’ é polissêmico com variáveis acepções que vão deste o nível de tecnologia. desenvolvimento científico. Esse controle de condutas se dá pelo Estado moderno que detém o monopólio legítimo da força e é responsável pela integração do território nacional. Elias entende que não existe razão e sim racionalização. idealizado por Norbert Elias. b) a violência policial autonomiza-se com relação ao sentido original orientador de sua conduta. a destacar: a) a desconcentração do monopólio da violência do Estado é sinônimo de sua privatização em fórmulas múltiplas. c) nesse contexto há uma reificação dessa violência como meio utilizado em proveito dos motivos subjetivos dos agentes. Ou seja. e descaracteriza plenamente a situação típica. Assim. ser preservada pelo Estado. p. Os padrões . (PORTO. entre outros. o qual se vincula à manutenção da ordem em benefício da afirmação de interesses pessoais. privados. 2. tipo de habitações. pois a vida é o maior bem que o ser humano possui e deve de todas as formas. 325) apresenta algumas situações que descreveriam um pouco da violência deslegitimada praticada pelo Estado brasileiro. É o caso das ‘testemunhas de Jeová’ que não permitem a transfusão de sangue que pode ser providenciada por qualquer corpo médico. No campo econômico a divisão do trabalho forma o que Elias denominou de economia psíquica do indivíduo.

p. A guerra justa é outro conceito trabalhado por Elias que a vê não só no âmbito entre Estados como. O controle efetivo da violência deve existir. p. c) fiscal (ELIAS. a irritabilidade. 1994). Engraçado que nessas circunstâncias os indivíduos se identificam com o líder e idealizam nele o objeto pretendido. a impulsividade. que. O caráter belicoso da sociedade foi fator primordial nessa tendência civilizatória. também. caso se rebelem contra a horda primeva. tentarão tomar o lugar de fascínio. independentemente do motivo (lutas de hegemonia. O perigo e o medo têm um caráter circular e espiral. p. libertadores ou mercenários. normalmente. quando deveria se considerar a configuração dos Estados. Destacamos os seguintes monopólios: a) da riqueza. E assim o fazem e se comportam os indivíduos por aceitação à posição de liderados. A figura do líder é de extrema importância na formação e na continuidade do grupo ao qual lidera. com tormento. ao nosso ver. se realizando no desejo realizado por ele. eram utilizados como força de imposição de proibições que se internalizaram como hábitos e se arrazoaram como fator de segurança do país. seria o desejo mais primitivo existente no inconsciente humano (ELIAS. pois os Exércitos. violência e suspeição. chegando sob certas condições o sujeitarem à pulsão de morte. foi alterado com o processo civilizador que impôs uma era de controle moderados e devidamente calculados onde prevalece uma reserva de recato moral e reciprocidade de consideração. fazendo com que os componentes do grupo desejem ser iguais ao líder. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os mais variados grupos existentes nas diversas organizações sociais obedecem a determinados padrões de comportamento e características identificadas e tidas como de importância suma por nós. Já a identificação seria o mais primitivo dos laços afetivos. b) das armas. fundados na divisão do trabalho. O problema não é o Estado que queremos.da sociedade medieval. e seu relacionamento. a sugestionabilidade. pois seus impulsos são movidos por ódio. conflitos de classes ou entre estados. o que . 219). 1994. ditadores. entre outros) e geradores de ‘matadores profissionais’ travestidos em papéis de generais. mas sim o que possuímos. a mutabilidade. no aspecto interno. Na idealização o objeto tomaria o lugar do “eu”. na diferenciação social e formação do quadro administrativo. com destaque à pilhagem. devendo ser realçadas dentre elas: a sensação de poder invencível. seria levada a competir pelo seu espaço de sobrevivência. 13) vê os ciclos de violência com tendência à auto-escala. Já a sociogênese do processo civilizador se formou gradualmente através da livre competição imposta pela burguesia e da monopolização pública e privada. A explicação da origem da violência é. a irresistibilidade. a impetuosidade. o desaparecimento da personalidade consciente. 1994). É a violência sendo trabalhada como processo civilizador sob o risco de se perpetuar sua prática como hábito por se entender não existir outra alternativa (ELIAS. o que levaria à violência e à instabilidade (ELIAS. tortura e mutilação e um ‘ethos’ guerreiro. 1994). violência controlada e alteração nas relações entre vida e morte (ELIAS. Elias (1998. durante os períodos de guerras. Esses grupos exercerão influência sobre o indivíduo. 1998. Tais seres são incontroláveis. Pois. incluindo a relação envolvimento – alienação não é casual quando se trata de humanidade. 190). componente da estrutura e dinâmica estatal. a credulidade extrema e a predominância da vida da fantasia e da ilusão. o contágio. direcionada aos indivíduos. à crueldade e à imposição do sofrimento. pois sem ele cada unidade de poder. sendo uma ‘reabilitação moral’ da violência como forma de apaziguamento de conflitos.

PORTO. Traduções de Maurício Tragtenberg. do desejo de ter e do desejo de ser. mesmo que repentina em contraposição ao sofrimento da infelicidade. Wolfgang. Marilde Loiola de (orgs. 1998. REFERÊNCIAS ELIAS. TRAGTENBERG. Marilde Loiola de (orgs. variáveis de lugar para lugar. Norbert. é o chamado “retorno do recalcado”. p. In: COELHO. conforme Weber. mesmo que ilusória e alcançada muitas das vezes à custa de injustificada violência. 1994). A civilização exige muitas coisas. Lourdes. MENEZES. ciência e cultura em Max Weber. p. 1997). mesmo que inconscientemente. Szmrecsányi. Maria Francisca Pinheiro. BANDEIRA. SCHLUCHTER. BANDEIRA. seja ela praticada pelo Estado que detém seu monopólio. Fundamentos da Teoria de Organização. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.). podendo ocorrer a internalização do objeto (ELIAS. Philip. Volume I. Szmrecsányi. criando-se assim o ideal ilusório. ______________. 30-43. sejam pelas falácias narcísicas seja pela repressão aos nossos instintos em prol de uma malfadada felicidade. Waltensir Dutra. 2v. SELZNICK. todos desejam. Apresentação. MENEZES. M. São Paulo: Atlas. O Processo Civilizador. M. O certo é que toda essa problemática faz parte do processo civilizador. Análise weberiana da violência. Brasília: Editora Universidade de Brasília : São Paulo: Imprensa Oficial do Estado.). controle este exercido pelo monopólio legítimo da força atribuído ao aparelho burocrático racional – legal do Estado moderno (WEBER. Esta agressividade e esta sexualidade estão atreladas a um sentimento de culpa que sustenta sua renúncia com base nos tabus (proibições). Maria Stela Grossi. ciência e cultura em Max Weber. São Paulo: Atlas. podemos dizer que a civilização é construída sobre a renúncia ao instinto primitivo de sexualidade e agressividade ao passo que ela pressupõe exatamente a não-satisfação. Em decorrência disto. Sem sombra de dúvidas. Uma História dos Costumes. Lourdes. Pajuaba. Organizações Complexas: Um estudo das organizações em face dos problemas sociais. 311-329. a civilização tal qual como está causa um certo mal estar. 2000. 1973. TEXTOS SELECIONADOS. Tradução de Ruy Jungmann.efetivamente. Brasília: Editora Universidade de Brasília : São Paulo: Imprensa Oficial do Estado. Organizações Complexas: Um estudo das organizações em face dos problemas sociais. Neutralidade de valor e a ética da responsabilidade.. Envolvimento e alienação. In: ETZIONI. representado no prazer obtido no sofrimento do outro. In: Max Weber. Não poderíamos nos esquecer que insculpido na civilização está o desejo arcaico de onipotência. tal qual propôs Elias. p. 1994. 1973. Calógeras A. seja pelo particular. Maria Francisca Pinheiro. surgidos com o processo civilizador. Tamás J. onde quase toda relação é dotada de sentimentos de hostilidade e afeição. Traduzido do inglês por Álvaro de Sá. Política. Revisão de Cássio Gomes . erotizando o sofrimento a medida que não se entende que o outro exista. O alcance da tão almejada felicidade encontra respaldo na identificação do sujeito com o objeto. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. Maurício. Irene de Q. 1994) serve justamente para controlar esses sentimentos. a ordem e a limpeza sendo estas indesejáveis como fonte de prazer. ocupando local de destaque a beleza. Política. 2000. ETZIONI. O ser humano busca incessantemente a felicidade. Acontece que todas as coisas que você “enterra” voltam com muito mais força quando “explodem”. Veja que tal assertiva retrata a ambivalência tão presente em nossas vidas. F. K. Amitai. O processo civilizador (ELIAS. In: COELHO. 55-109. Amitai.

Título original: Parlament und regierung in Neuordneten Deutschland (Cap. Irene de Q. . IV de Parlament und Deutschland). The “Relations of the Rural community to Other Branches of Social Science” (Congress of Arts and Science. K. Título original: Parlament und regierung in Neuordneten Deutschland (Cap. St. Tamás J. “Wahrecht und Demokratie in Deutschland. Louis. Louis. IV de Parlament und Deutschland). Os três aspectos da autoridade legítima. 1904). 1997 _______________. F. 17-26. TEXTOS SELECIONADOS. 1973. São Paulo: Nova Cultural. “Wahrecht und Demokratie in Deutschland. Max. São Paulo: Nova Cultural. Calógeras A. Universal Exposition. ed. 1997 WEBER. M. Szmrecsányi. St. 1904). The “Relations of the Rural community to Other Branches of Social Science” (Congress of Arts and Science. S. In: ETZIONI. S. M. ed. Waltensir Dutra. p. Revisão de Cássio Gomes (Parlamentarismo e Governo). Szmrecsányi. Amitai. Organizações Complexas: Um estudo das organizações em face dos problemas sociais. São Paulo: Atlas. Pajuaba. Traduções de Maurício Tragtenberg. Universal Exposition.(Parlamentarismo e Governo)..