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Nana Fernandes de Souza

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Semestre - FBD

TEORI A DOS CONTRATOS E RESPONSABI LI DADE CI VI L
Maurlclo 8equlão

uata das provas:
Av1 - 09]04
Av2 - 13]06







AULA 1 - 19]02

IN1kCDUÇÂC À kLSÞCNSA8ILIDADL CIVIL
1. Contratos k responsab|||dade c|v||
2. Def|n|ção
3. L|ementos
4. Lspóc|es de responsab|||dade

1. Contratos k kesponsab|||dade C|v||: no flnal das conLas Lermlnamos Lendo dols conLeudos dlferenLes numa
mesma maLerla.
Þontos em comum: C que eu posso aflrmar que conLraLo e responsabllldade Lem em comum? C que os
dols geram? Cbrlgações. ve[am que LanLo conLraLos, como responsabllldade clvll funclonam como fonLe de
obrlgações.
no nosso ordenamenLo, nós Lemos uma teor|a gera| das obr|gações, a part|r da qua| se encontram
regu|amentados os contratos e a responsab|||dade c|v||. Atenção para |sso: porque nem Lodos os slsLemas são
asslm. Þor exemplo, o norLe Amerlcano e o lnglôs.
lsso val gerar uma colsa lnLeressanLe. A genLe sempre esLuda parLldo do geral para o especlflco. Só que a
formação Leorla dos conLraLos, prlnclpalmenLe, ela faz o camlnho lnverso. Lla se deu do especlflco para o geral, a
ulLlma colsa que e crlada e a Leorla dos aLos [urldlcos ou enLão Leorla da obrlgações. As obrlgações que esLá no
conLraLo e uma operação [urldlca, porque e regulamenLada [urldlcamenLe, mas Lambem e uma operação
econômlca. Cperação econômlca que o dlrelLo resolve regulamenLar.
Ref erênci as Bi bl i ográf i cas
! novos paradlgmas da responsabllldade clvll - Anderson Schrelbe
! Þrog. 8esponsabllldade clvll - Serglo Cavallerl
! 8esponsabllldade Clvll - lellpe ÞelxoLo
! Curso de dlrelLo clvll - Þamplona
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A responsabllldade clvll e anLerlor ao conLraLo. Þorque lnlclalmenLe, não e que não exlsLla a operação econômlca
do conLraLo, só que o que o dlrelLo regulamenLava não era necessarlamenLe essa obrlgação, o que o dlrelLo [á
regulamenLava anLes mesmo de exlsLlr a obrlgação [urldlcamenLe, era o faLo de que se vocô não cumpre vocô val
Ler que responder por aqullo que vocô não cumprlu. Al depols aquelas operações econômlcas mals conLlnuas,
mals comum passam a ser regulamenLadas.
L a Leorla geral dos conLraLos só surge num momenLo bem posLerlor, prlnclpalmenLe por conLa dos chamados
conLraLos aLlplcos. (nós Lemos os conLraLos aLlplcos e os conLraLos Llplcos ) enLão, a parLlr dessa regulamenLação
dos conLraLos aLlplcos e que surge a Leorla dos conLraLos. noLem que não são colsas Lão dlsLlnLas asslm os
conLraLos e a responsabllldade clvll. Po[e Lem uma dlsLlnção Leorla mals conslderada, porque a responsabllldade
clvll val esLar sempre vlnculada a ldela da vlolação do dlrelLo de alguem. Cuando vlola o dlrelLo lsso val gerar
responsabllldade e vocô val Ler que responder. Agora, noLem que a responsabllldade pode lncluslve se
manlfesLar no campo conLraLual. Þorque, aflnal, quando vocô descumpre o conLraLo, vocô val Ler que
lndenlzar/reparar os danos que vocô causou, lsso e responsabllldade clvll só que responsabllldade clvll conLraLual.

2. Def|n|ção
8esponsabllldade clvll, e um lnsLlLuLo [urldlco que regulamenLa o dever de reparar os danos |ndev|damente
causados a ouLro. Cuando eu falo de dano lndevldamenLe causados e porque há slLuações de danos
devldamenLe causados. Þor exemplo, leglLlma defesa, desde que se[a denLro do especLro necessárlo para a
leglLlma defesa o su[elLo não val Ler que lndenlzar o dano que causou para o ouLro. noLem que na
responsabllldade clvll há uma reprovação daquela conduLa, não quer dlzer que Lenha que ser uma conduLa lllclLa.
Þorque há slLuações Lambem que o su[elLo causou o dano, a conduLa e llclLa, mas alnda asslm ele Lem que
reparar o dano.
! CuesLão de eLlmologla, a palavra responsabllldade vem do laLlm, ºrespondere". Cue Lem [usLamenLe
aquela noção de vocô assumlr as consequônclas do aLo praLlcado.
um ouLro ponLo lmporLanLe de ser observado e que a responsab|||dade ó um dever [ur|d|co sucess|vo.
Þorque para surglr a responsabllldade não Lem que Ler havldo alguma vlolação? uma colsa e asslm - nós
fazemos aLraves da nossa auLonomla um conLraLo de comodaLo. A parLlr desse conLraLo de comodaLo surge
deveres para o comodanLe e para o comodaLárlo, são deveres prlmárlos. Se al o comodaLárlo ( que recebeu a
colsa empresLada ) esLraga por sua culpa a colsa empresLada, surge para esse comodaLárlo o dever de lndenlzar
o comodanLe. ve[am que esse dever surglr do modo sucesslvo. 1em que ter hav|do um dever próv|o, que
dever|a ser cumpr|do e não fo|, para que vocô possa fa|ar de responsab|||dade c|v||. LnLão e sempre um dever
[urldlco sucesslvo. no senLldo que ele val surglr como consequôncla de um ouLro. CuLro exemplo, e uma
responsabllldade clvll exLraconLraLual - vocô Lem o dever de preservar ou de não ferlr a lnLegrldade flslca alhela.
Se vocô se desconLrola e quebra a cara do su[elLo, vocô val Ler que lndenlzar lsso dal. Mas ve[a que vocô não
Llnha do nada esse dever de lndenlzar, esse dever surglu porque vocô deu um murro e quebrou a cara do su[elLo.
noLem enLão, que há sempre algo que deverla ser cumprldo, não e, e por conLa dlsso surge a responsabllldade.
3. L|ementos da kesponsab|||dade C|v||
Se eu falo dos elemenLos da responsabllldade clvll, eu esLou falando daqullo que não pode falLar para que eu
possa falar em responsabllldade clvll.
! Conduta: para que eu possa falar de responsabllldade
clvll Lem que Ler havldo uma conduLa.
Çue conduta ó essa?
L uma conduLa que cause um dano. L quando eu falo
LsLou falando de conduLa e não ação
[usLamenLe para que flque claro que a
responsabllldade pode ser ense[ada LanLo
por uma ação como por uma omlssão.
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que para Ler responsabllldade clvll Lem que Ler uma conduLa que cause um dano, eu [á esLou colocando
Lodos os elemenLos da responsabllldade clvll.
! Dano: noLem que para poder falar de responsabllldade clvll Lem que Ler havldo um dano ao su[elLo,
porque a ldela de responsabllldade clvll não e delxar nlnguem rlco, não e fazer com que o su[elLo receba
uma lndenlzação superlor ao dano que lhe fol causado. A ldela aqul e que Lem que Ler havldo um dano.
uano esse que LanLo pode ser de ordem paLrlmonlal, LanLo pode ser dano de ordem
exLrapaLrlmonlal/moral. não lmporLa se e numa esfera ou na ouLra. Asslm como Lambem não há
nenhum lmpedlmenLo para que numa mesma conduLa gere dano de ordem paLrlmonlal como de ordem
exLrapaLrlmonlal. Sem dano não há responsab|||dade c|v||.
! Nexo causa|: o Lercelro elemenLo e o faLo de que essa conduLa Lem que Ler uma relação com esse dano.
Cu se[a, essa conduLa Lem que Ler um nexo causal.
NLkC CAUSAL
CCNDU1A ---------------------------- DANC
Lsses elemenLos esLão presenLes em Lodas as slLuações de responsabllldade clvll. nós vamos ver que Lem
algumas Leorlas, de algumas slLuações bem especlflcas em que o nexo causal e desprezado. Mals e a exceção da
exceção. vocôs vão ver Lambem que nem sempre quem praLlcou a conduLa e que val Ler o dever de lndenlzar.
(Alnda vamos esLudar ).
Cuando nós esLamos Lrabalhando com a chamada kesponsab|||dade C|v|| Sub[et|va, que oflclalmenLe e a
regra do códlgo clvll. Cuando esLamos falando dela, alem de conduLa, dano e nexo causal, nós Lemos mals um
elemenLo -
! Cu|pa: na responsabllldade clvll sub[eLlva não basLa que Lenha havldo uma conduLa que causou um dano,
Lem que Ler havldo uma conduLa culposa que causou um dano. não e uma quallflcadora da culpa, não e
qualquer culpa. L uma conduLa culposa.
NLkC CAUSAL
CCNDU1A ---------------------------- DANC
+ CULÞA
nexo causal e culpa são chamados de fllLros da responsabllldade clvll. Þorque, por exemplo, vocô sofreu um dano,
enLão Lem que Ler uma reparação. L al vocô dlz que esse dano que lhe fol causado fol um dano causado pela
conduLa de um su[elLo. Þara vocô Ler a reparação vocô Lem que provar lsso. na responsabllldade clvll sub[eLlva,
para vocô consegulr a sua reparação vocô Lem que provar que esse dano que vocô sofreu fol causado pela
conduLa culpa desse su[elLo. ALe consegulr o dever de ser reparado para vocô chegar no seu dlrelLo a uma
reparação vocô Lem que anLes passar por algumas barrelras.
I||tros]barre|ras da responsab|||dade c|v||:
1
o
e a do Nexo Causa|. vocô Lem que provar que há uma relação enLre o dano que vocô sofreu e aquela
conduLa. Þor exemplo, uma pessoa fez uma clrurgla, uma colsa e o medlco na mesa de clrurgla fez uma
besLelra e a pessoa morre. lsso as vezes [á e dlflcll de comprovar, porque Lem uma defasagem Lecnlca em
relação ao medlco para consegulr provar que na clrurgla houve a morLe pela negllgencla do medlco e não
porque a clrurgla era de rlsco e o su[elLo poderla morrer mesmo. lmaglne enLão um caso em que a
pessoa faz a clrurgla, val para casa e no pós operaLórlo Lem uma compllcação e morre. vocô Lem que
consegulr provar que nesse pós operaLórla que surglu essa compllcação esse dano Lem uma relação se[a
com a conduLa do medlco na clrurgla ou se[a na conduLa do medlco no pós operaLórlo. CuLro exemplo, o
su[elLo val fazer um concurso publlco em ouLra cldade e ele não consegue fazer o concurso publlco
porque o voo aLrasou.
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A dlscursão e - o que e suflclenLe para eu poder dlzer que Lem nexo causal? Þor lsso que e uma barrelra,
vocô consegulr enconLrar um llame/llgação enLre a conduLa e o dano.
2
o
sendo responsabllldade clvll sub[eLlva não basLa Ler que provar
que o dano fol decorrenLe dessa conduLa, vocô Lem que provar
que o dano decorreu dessa conduLa e que essa conduta fo|
cu|posa.

4. Lspóc|es
" kesponsab|||dade [ur|d|ca k kesponsab|||dade não [ur|d|ca] mora|
8esponsabllldade ou se[a, sofrer consequôncla pela práLlca de deLermlnado aLo e algo que aconLece LanLo na
esfera [urldlca como na esfera não [urldlca. A sanção não e algo excluslvo do dlrelLo. C su[elLo pode ser
responsablllzado em ouLras esferas, mulLas vezes a sanção moral pode ser para alguns aLe mals pesada do que a
ldela da sanção [urldlca. Agora, o que dlferencla uma da ouLra e [usLamenLe a coerclbllldade.
" kesponsab|||dade c|v|| k kesponsab|||dade Cr|m|na|
!á fol dlLo que o ob[eLlvo da responsabllldade clvll e reparar o dano, e LanLo quanLo posslvel delxar o su[elLo na
slLuação em que ele se enconLrava anLes da praLlca daquela conduLa que ocaslonou o dano. C compromlsso da
responsabllldade clvll, pelo menos num prlmelro plano, e um compromlsso com o su[elLo lesado. C que vocô
quer e paclflcar, mas e prlnclpalmenLe fazer com que aquele su[elLo que por conLa daquela conduLa sofreu um
dano Lenha sua slLuação resLaurada/resLabeleclda.
Cuando eu falo de resLauração, lsso Lem lmporLâncla prlnclpalmenLe quando eu falo de dano moral. L
lmporLanLe para que a genLe Lenha em menLe que a responsabllldade clvll nem sempre val desembocar /lmpllcar
numa slLuação de reparação pecunlárla/lndenlzação. nem sempre a melhor solução e fazer com que o su[elLo
que sofreu o dano receba a lndenlzação. C que lnLeressa e buscar a melhor forma de reparar o dano sofrldo.
!á na esfera crlmlnal, a responsabllldade crlmlnal Lem um compromlsso mulLo malor com a ordem publlca do
que com aquele su[elLo que sofreu o dano. Cuando a pessoa causa lesão corporal em ouLra, ou quando a pessoa
maLa a ouLra, essa pessoa que causou esse dano ela val ser pressa não para saLlsfazer o dese[o de vlngança de
quem sofreu a lesão ou da famllla da vlLlma, essa pessoa val ser pressa para resLaurar a ordem publlca. C que
vocô quer quando sanclona esse agenLe dellLuoso, vocô o sanclona com o ob[eLlvo de dlzer que º nesse amblenLe
aqul quem praLlcar esse Llpo de conduLa val sofrer essa sanção ". Lssa conduLa e uma conduLa que perLurba a
paz publlca e enLão val sanclonar para resLaurar a paz.
Þor lsso não Lem nenhum lmpedlmenLo, no mesmo faLo, na mesma conduLa o surglmenLo de uma
responsabllldade clvll e crlmlnal. Se uma pessoa bôbada aLropela ouLra e causa a esse su[elLo lesões corporals,
lsso val ense[ar ao su[elLo que aLropelou a responsabllldade LanLo no campo do dlrelLo clvll, como Lambem a
responsabllldade crlmlnal.
" kesponsab|||dade c|v|| sub[et|va k kesponsab|||dade c|v|| ob[et|va
Lssas duas slLuações de responsabllldade clvll, elas de faLo fundam-se em Leorlas dlferenLes das responsabllldade
clvll. A responsab|||dade c|v|| sub[et|va o seu Lrabalho val ser em Lorno da teor|a da cu|pa. Þara que se aLrlbua
a um su[elLo o dever de reparar um dano denLro de uma slLuação de responsabllldade clvll sub[eLlva, Loda a
anallse será felLa com base na quesLão da sua culpabllldade. LnLão, se a conduLa não for culposa, vocô não val
nem anallsar se essa conduLa causou o dano. Alnda que ela Lenha causado dano, se ela não fol culposa ela não
ense[a o dever de reparar.
Atenção: ConduLa culposa =
lnLenclonalldade.
ConduLa + lnLenção = dolosa,
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na responsab|||dade c|v|| ob[et|va, vocô dlspensa a quesLão da prova da culpa. Lssa responsabllldade nós
vamos Lrabalhar com a Leorla do rlsco. C que aconLece na responsabllldade clvll ob[eLlva e que há [á uma
aLrlbulção de responsabllldade ao su[elLo, porque se enLende que por conLa dele reallzar deLermlnadas
aLlvldades que podem ser dlLas como aLlvldades de ºrlsco", ele [á passa a Ler o dever de lndenlzar qualquer dano
que essa aLlvldade cause. Þor lsso o nome e responsabllldade clvll ob[eLlva, porque [á esLá prevlamenLe
ob[eLlvada essa responsabllldade. As que são asslm, são as que a lel dlz que são. Þor exemplo, o LransporLador
responde mulLas vezes ob[eLlvamenLe pelos danos causado ao LransporLado. CuLro exemplo, se eu professor
ofendo alguem na sala de aula, a faculdade balana responde.
A regra do nosso códlgo clvll, alnda e a responsabllldade clvll sub[eLlva. noLe-se alnda que no códlgo clvll 16 não
Llnhamos nem mesmo responsabllldade clvll sub[eLlva. A responsabllldade clvll sub[eLlva se flrmou a parLlr do
códlgo clvll 2002.
" kesponsab|||dade c|v|| contratua| k kesponsab|||dade c|v|| extracontratua|]aqu|||ana
1ecnlcamenLe o que e que dlferencla uma responsabllldade clvll conLraLual e exLraconLraLual?
C que aconLece e que na responsab|||dade c|v|| contratua| a vlolação/ descumprlmenLo que aconLeceu fol de
uma clausula conLraLual. noLem que ela parLe da necessldade da exlsLôncla prevla de um conLraLo. LnLão, há um
conLraLo e por conLa da vlolação de alguma clausula desse conLraLo e que surge a responsabllldade. LnquanLo
que na responsab|||dade c|v|| extracontratua| o descumprlmenLo e de alguma norma legal, alguma norma do
ordenamenLo. não há lmpedlmenLo para que vocô Lenha numa mesma slLuação responsabllldade clvll conLraLual
e exLraconLraLual.
Só pode Ler responsabllldade conLraLual enLre quem flcou acordado no conLraLo, por exemplo, eu e vocô. um
Lercelro pode aLe causar dano, mas a responsabllldade dele não val ser uma responsabllldade conLraLual. Þor
exemplo, eu vendl para vocô esse noLebook - conLraLo de compra e venda. nesse conLraLo de compra e venda se
eu não Le enLrego o noLebook eu sofro a responsabllldade. Mas se eu não Le enLrego o noLebook porque Carol
enlouqueclda pegou o noLebook e quebrou. lsso e um descumprlmenLo de dar, sem culpa. LnLão, não val ense[ar
responsabllldade conLraLual mlnha, o que val aconLecer e que essa obrlgação val se exLlngulr e o conLraLo val
perder seus efelLos. Mals ela que pegou o noLebook e quebrou val Ler que me lndenlzar. numa lnsLancla de
anallse mals elaborada, se o faLo de eu não poder cumprlr o conLraLo por causa dela, causar pre[ulzo Lambem a
vocô, ela pode vlr a ser responsabllldade Lambem por esse pre[ulzo que lhe causou. noLem que essa
responsabllldade não val ser conLraLual, mas pode vocô Lambem vlr a pedlr lndenlzação que fez com que o
conLraLo fosse descumprldo.

AULA 2 - 21]02

kLSÞCNSA8ILIDADL CIVIL: LVCLUÇÂC DAS 1LCkIAS
1. Iatores da evo|ução
2. kesponsab|||dade c|v|| sub[et|va
2.1 Lx|g|b|||dade da prova da cu|pa
2.2 I|ex|b|||dade da cu|pa
2.3 Cu|pa presum|da
2.4 Nasc|mento da responsab|||dade contratua|
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2.S Cu|pa anðn|ma
3. kesponsab|||dade c|v|| ob[et|va
3.1 Noções gera|s
3.2 Iundamento |ega|
3.3 1eor|a do r|sco
3.4 Soc|a||zação do r|sco

1. Iatores da evo|ução: lnlclalmenLe a responsabllldade clvll moderna e fundada na ldela da culpabllldade. Cu
se[a, ela surge como responsabllldade clvll sub[eLlva.
Cuals faLores levaram a essas mudanças Leorlas?
! um faLor que ense[ou grande lmpacLo/mudança no mundo da responsabllldade clvll fol o avanço
c|ent|f|co e tecno|óg|co. Þorque com a mudança Lecnológlca/clenLlflca há um aumenLo quanLlLaLlvo
nas slLuações que podem causar dano. Þor exemplo, numa cldade que Lem 30mll carros e mulLo mals
fácll Ler acldenLe de LranslLo do que uma cldade que Lem 100mll. ve[am que há faLores de avanços
Lecnológlcos que passaram a crlar slLuações que ense[arlam responsabllldade clvll que anLerlormenLe se
quer eram exlsLenLes. A responsabllldade clvll vem Lendo se adequar a essa mudança da realldade soclal.

! um ouLro faLor, e [usLamenLe a |de|a da so||dar|edade ( do ponLo de vlsLa axlológlco). L a ldela da
busca da [usLlça soclal com base numa socledade solldarla. Þorque quando vocô fala de solldarledade e
de [usLlça soclal, lsso slgnlflca que a responsabllldade clvll passa a se preocupar Lambem em ser um
lnsLrumenLo efeLlvador dessa solldarledade. lsso se manlfesLa prlnclpalmenLe, na quesLão de não delxar
desamparada aquela vlLlma que sofreu o dano. Claro que lsso Lem dlversos reflexos, porque no
momenLo que eu não quero delxar a vlLlma sofrer o dano desamparada, eu esLou de uma manelra ou de
ouLra, colocando um ônus malor sobre o causador do dano.

Como [á fol dlLo, a responsabllldade clvll na modernldade ela surge mulLo mals como responsabllldade clvll
sub[eLlva. Þorque essa responsabllldade clvll ela parLe da ldela reparaLórla. Cu se[a, vamos fazer o posslvel para
que aLraves dessas medldas o su[elLo que sofreu o dano, volLe a condlção anLerlor do dano. AnLes da
modernldade, nem sempre a ldela de responsabllldade era vlnculada a essa ldela de reparar o dano. Aqul na
responsabllldade clvll sub[eLlva, pós 8evolução lrancesa, vocô Lem essa herança da ldela de reparação, porque
há uma vlnculação lnlclal da responsabllldade clvll com a ldela da llberdade. Cu se[a, vocô e llvre para praLlcar
seus aLos. L al como eles querem colocar ao máxlmo essa ldela da llberdade, eles vlnculam a llberdade a
responsabllldade. Cu se[a, vocô e llvre para praLlcar seus aLos porem vocô responde por esses aLos que vocô
praLlcar que causarem danos a Lercelro. Þor lsso que a responsabllldade clvll lnlclalmenLe e mulLo mals vlnculada
a ldela do lllclLo. Þor lsso Lambem que essa responsabllldade clvll e uma responsabllldade sub[eLlva fundada na
ldela da culpa. ºvocô val responder porque vocô e culpado."
no nosso códlgo clvll, no ArL. 927, vocô vão ver no capuL,
regulamenLado de manelra geral a ldela de responsabllldade clvll.
ve[am que o capuL do arL. 927 vlncula a ldela da responsabllldade
clvll sub[eLlva a praLlca de um aLo lllclLo no senLldo amplo.
na gônese da culpa, vocô Lem uma slLuação que e o segulnLe - a culpa no seu momenLo de formação Leórlca, ela
era mulLo vlnculada a uma ldela de reprovação moral. A conduLa era culpável porque moralmenLe era reprovada.
ArL. 927. Aquele que, por aLo lllclLo (arLs.
186 e 187), causar dano a ouLrem, flca
obrlgado a repará-lo.

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A sua ldela lnlclal LranslLava por al. Po[e, embora lsso não esLe[a compleLamenLe abandonado, porque quando
vocô pegar uma senLença para ler, vocô val ver que a fundamenLação do [ulz e uma fundamenLação que val
mulLo forLe nesse reprovabllldade da conduLa. não quero dlzer que a Leorla mals recenLe não Lrabalhe Lambem
com a reprovabllldade da conduLa, só que o que aconLece e que se afasLa um pouco da culpa. A culpa na Leorla
aLual, ela sofreu uma ob[eLlvação. Po[e se fala mulLo da responsab|||dade c|v|| sub[et|va com ana||sa da cu|pa
ob[et|va ou cu|pa normat|va.
Cual a ldela da ob[eLlvação da culpa?
Cuando vocô fala da culpa com acepção sub[et|va Lraz uma ldela de reprovabllldade, porque a compreensão
da culpa era asslm - vocô não fez Ludo que esLava ao seu alcance para poder evlLar o dano. A aLrlbulção da
negllgencla serla asslm, pols vocô não presLou Loda a aLenção que vocô podla presLar para evlLar o dano. Þor lsso
que e uma reprovação moral.
Cuando vocô passa para uma ldela de cu|pa ob[et|va, vocô passa a Lrabalhar com a culpa não buscando
elemenLo anlmlco, mas buscando aquela ldela do que serla esperado do ser humano medlo. Lssa culpa ob[eLlva
ela passa a ser - vocô não Lomou o culdado que se espera que uma pessoa Lome. Þouco lmporLa se sua
capacldade (conslderando Lodo mundo malor capaz) e lnferlor ao do ser humano medlo, ou que sua capacldade
e superlor ao do ser humano medlo. A próprla noção do que e culpa, que se apresenLa como elemenLo essenclal
da responsabllldade clvll sub[eLlva e algo que velo ao longo do Lempo sofrendo Lransformações.
2. kesponsab|||dade c|v|| sub[et|va: num prlmelro momenLo nós Lemos essa culpa como sendo algo lnafasLável
para que eu possa aLrlbulr a responsabllldade clvll.
2.1 Lx|g|b|||dade da prova da cu|pa:
num prlmelro momenLo, se o su[elLo não consegue provar a culpa do ouLro, ele não Lerá dlrelLo a sua reparação
do dano. LnLão, a culpa, alnda mals conslderando a culpa nesse momenLo lnlclal que esLava mulLo vlnculada ao
elemenLo anlmlco, pslqulco, a sua prova se Lornava enLão alnda mals dlflcll. Þrovar que o causador do dano fol
culpado, era algo por vezes lmposslvel para a vlLlma. lsso começou a ser noLado, prlnclpalmenLe nas slLuações
pós revolução lndusLrlal. AconLecla que vocô Llnha um su[elLo Lrabalhando na fabrlca e por um mero desllze, o
su[elLo la e perdla o braço. L al, como e que esse su[elLo com nenhum acesso a lnsLrução la consegulr provar que
a culpa fol da empresa/lndusLrla e não dele. CuLra slLuação que aconLeceu mulLo fol acldenLe de esLrada de
ferro. L al começaram a Ler varlas slLuações acldenLávels em que chegava-se no ponLo em que o su[elLo flcava
sem reparação. Começou a Ler dlversas slLuações que eram de claras ln[usLlças. Ao ponLo de a culpa ser chamada
de ºa prova dlabóllca", porque era uma colsa lmposslvel de provar. lol por conLa dlsso que acabamos chegando
na responsabllldade clvll ob[eLlva. Mas anLes, houve uma serle de faLores que conLrlbulram para que nós
pudessemos Ler uma responsabllldade clvll sub[eLlva que, enLreLanLo, posslblllLasse de modo mals fácll, ao
su[elLo consegulsse a sua reparação.
2.2 I|ex|b|||dade da cu|pa:
nessa ldela de flexlblllzação da culpa, aconLece que, prlmelro nós passamos a Ler slLuações em que se enLendeu
que o faLo em sl e um faLo que [á carrega culpa. A chamada cu|pa "|n re |psa" e a culpa que esLá lnerenLe ao
próprlo faLo. uma slLuação que alnda se apllca lsso e na dlscursão sobre danos morals. Þor exemplo, quando
falamos de danos morals, a ldela e vlolação ao dlrelLo da personalldade ou dlgnldade da pessoa humana. LnLão
se eu comeLo um aLo LenLaLórlo a sua honra, vocô não Lem que provar que nlsso houve lnLenção mlnha de
causar esse aLo, nem Lem que provar que houve um sofrlmenLo para consegulr a lndenlzação. Þorque a próprla
praLlca desse meu aLo, e um aLo que Lraz em sl a culpa. A culpa e lnerenLe ao próprlo aLo praLlcado.
CuLra slLuação que se encalxa aqul e a chamada cu|pa contra a |ega||dade. nesse caso, se houve vlolação dlreLa
de deLermlnação legal, enLão a culpa Lambem [á se enconLra na próprla praLlca daquele aLo. Þor exemplo, se
vocô fura um slnal vermelho, vocô comeLeu uma lnfração. nlnguem val parar para dlscuLlr qual era a sua
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lnLenção ao furar o slnal vermelho. ( e claro que vocô pode provar que havla uma [usLlflcaLlva para vocô furar).
Mas em regra, o faLo de vocô Ler reallzado um aLo conLra uma norma legal [á Lraz em sl a ldela da culpabllldade
daquela conduLa.
2.3 Cu|pa presum|da:
nessa mesma llnha, agora, num poslclonamenLo mulLo mals processual, vem a slLuação da culpa presumlda. A
culpa presumlda, em mulLas slLuações praLlcas, acabou vlrando, na praLlca, uma responsabllldade clvll ob[eLlva.
1anLo que mulLas slLuações que Lem no códlgo clvll de 1916 prevlam a apllcação de culpa presumlda, no códlgo
clvll de 2002 são slLuações de responsabllldade clvll ob[eLlva.
A culpa presumlda Lem uma acepção mulLo mals processual, porque em dlrelLo a regra e que quem alega Lem
que provar. Cuando vocô Lrabalha com culpa presumlda, o que aconLece e uma lnversão desse ônus da prova.
LnLão quando vocô alega não e mals vocô que Lem que provar a culpa do su[elLo. C ouLro su[elLo que Lem que
provar que ele não Leve culpa. lnverLe-se o ônus da prova, mas eu alnda esLou dlscuLlndo a culpa. Só que o que
aconLeceu na praLlca, que em mulLas slLuações em que havla essa lnversão do ônus probaLórlo, os Lrlbunals
chegaram a praLlca Lal em que na realldade praLlcamenLe se desprezava a dlscursão da culpa.
2.4 Nasc|mento da responsab|||dade contratua|
Cuando eu passo a Ler o conLraLo e Ler clausula desse conLraLo que vlnculam os su[elLos e passo a dlzer que - se
o su[elLo vlolar essa clausula ele será responsablllzado, eu na verdade Lermlno crlando mals uma slLuação que se
assemelha a essa culpa conLra a legalldade. Só que aqul não e culpa conLra a legalldade, exaLamenLe, porque o
que e legal al, na verdade, são normas formuladas enLre as parLes/su[elLos. Mas noLem, que Lermlna segulndo
uma loglca pareclda. LnLão, a responsabllldade clvll conLraLual, de alguma manelra, Lambem conLrlbulu para
faclllLar essa dlscursão da responsabllldade clvll sub[eLlva.
2.S Cu|pa anðn|ma
Cuando vocô val aLrlbulr culpa para consegulr a reparação, vocô
cosLuma aLrlbulr culpa a um su[elLo. Mas, por vezes, vocô não
consegue ldenLlflcar o agenLe causador do dano. Þor exemplo, dlgamos
que o dano fol causado por conLa de um mal aLendlmenLo no enLe
esLaLal. vocô fol a um órgão esLaLal e fol lhe causado um dano por um
su[elLo. A ação na verdade, fol de um su[elLo que Lrabalha lá. Mas vocô
mulLas vezes, não Lem como ldenLlflcar o causador do dano, enquanLo su[elLo lndlvldual. LnLão se passou aLrlbulr
a culpa, não ao su[elLo, mas slm a enLldade. Þor lsso culpa anônlma, porque vocô passou a ldenLlflcar quem fol
aquele su[elLo em especlflco, para poder Lrabalhar com a ldela da culpa anônlma.
noLem, mulLas vezes - culpa presumlda, culpa ºln re lpsa",eLc. não são Leorlas consLruldas por su[elLos que
esLavam aLacando a sub[eLlva, mas slm de su[elLos que esLavam defendendo a sub[eLlva. Þorque quando vocô
abre concessão, vocô faclllLa a sua defesa.

3. kesponsab|||dade c|v|| ob[et|va. ÞaralelamenLe a Ludo lsso, fol consLrulndo-se uma ouLra Leorla, que fol
[usLamenLe a Leorla da responsabllldade clvll ob[eLlva.
3.1 Noções gera|s: na responsabllldade clvll ob[eLlva, o que aconLece e que vocô ellmlna esse pressuposLo da
culpa. vocô passa a Ler uma responsabllldade clvll fundada na necessldade de comprovação naqueles ouLros
Lrôs pressuposLos - CCNDU1A, DANC e NLkC CAUSAL.
A1LNÇÂC!
1udo lsso que fol apresenLado aclma
envolve culpa, mas as slLuações dos
ponLos 2.2 para balxo, são slLuações
que vocô passou a faclllLar a
comprovação dessa culpa, faclllLar
que o su[elLo consegulsse a
reparação.

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C nosso códlgo clvll e nossa leglslação como um Lodo vem cada vez mals abraçando slLuações de
responsabllldade clvll ob[eLlva. C ArL. 927, que no capuL LraLa de responsabllldade clvll sub[eLlva, no seu
paragrafo unlco, lnsLlLulu uma clausula geral de responsabllldade clvll ob[eLlva.
ve[am que vocô Lem responsabllldade clvll ob[eLlva no nosso
ordenamenLo, em duas modalldades:
" vocô Lem a responsabllldade clvll fundada em precelLo legal
dlreLo. Cuando a lel fala, ºnesse caso aqul, pouco lmporLa a
culpa". vocô val responder Lenha culpa ou não Lenha culpa,
vocô val responder por Ler causado dano.
" Como vocô val Ler a responsabllldade clvll fundada na Leorla do
rlsco.
Como esLá conflgurada essa 1LCkIA DC kISCC no nosso Códlgo Clvll?
3.3 1eor|a do r|sco: "quando a aLlvldade normalmenLe desenvolvlda pelo auLor do dano", enLão um
requlslLo - PablLualldade. "lmpllcar, por sua naLureza, rlsco para os dlrelLos de ouLrem. "
LnLão, nós vamos Ler que anallsar a quesLão da hablLualldade da
praLlca daquela aLlvldade e nós vamos Ler que anallsar o que e
uma aLlvldade que lmpllca rlsco. ve[am que essa consLrução do
nosso Códlgo Clvll e mulLo slmllar com a consLrução do Códlgo
Clvll ÞorLuguôs.
Lssa Leorla do rlsco no Códlgo Clvll ÞorLuguôs, por sua vez, e
fundamenLada a do Códlgo Clvll lLallano.

Lu Lrago essas experlônclas esLrangelras, porque como o nosso e mals recenLe e como e clausula geral, douLrlna
e [urlsprudôncla que vão Ler que no desenvolvlmenLo da sua aLlvldade, deLermlnar o preenchlmenLo desses
requlslLos mals absLraLos - hablLualldade e o que e aLlvldade perlgosa. Þor exemplo: a dlscursão sobre o que e
hablLualldade. !á houve um momenLo de alguns auLores conslderarem que a ldela de hablLualldade, esLarla
llgada a ldela de aLlvldade empresarlal. Po[e [á e superado, embora na praLlca vocô Lermlne apllcando a um
su[elLo que e empresárlo, porque ele Lende a fazer com mals hablLualldade ou o próprlo esLado. enLão, o
requlslLo da hablLualldade, para vocô poder apllcar a Leorla do rlsco val Ler que ser observado. Se o su[elLo
reallzou uma aLlvldade perlgosa uma vez só, aqullo all não e conflgurado como sendo Leorla do rlsco. Þode ser
aLe conslderado como responsabllldade clvll ob[eLlva porque a lel em ouLro momenLo deLermlna que aqullo e.
Mas noLem que para se conflgurar Leorla do rlsco Lem que ser uma aLlvldade normalmenLe desenvolvlda pelo
auLor do dano.
noLem que no códlgo clvll brasllelro fala em ºlmpllcar, por sua naLureza". Cs auLores falam asslm, ºpor sua
próprla naLureza, lldar com exploslvos e uma slLuação de rlsco. º porque exploslvo, pela sua naLureza e algo
arrlscado. Cu, vocô explorar recursos hldrlcos e algo que pela naLureza da aLlvldade e algo arrlscado. Al, essa
consLrução do que e aLlvldade que se enquadra como aLlvldade arlscada, e ampla. Þorem quanLo mals o Lempo
Art. 927 - Þarágrafo ún|co. Paverá
obrlgação de reparar o dano,
lndependenLemenLe de culpa, nos
casos especlflcados em lel, ou
quando a aLlvldade normalmenLe
desenvolvlda pelo auLor do dano
lmpllcar, por sua naLureza, rlsco para
os dlrelLos de ouLrem.
Art. 483 do Cód|go C|v|| Þortuguôs.
2. Só exlsLe obrlgação de lndemnlzar
lndependenLemenLe de culpa nos casos
especlflcados na lel.

Art. 493 do Cód|go C|v|| Þortuguôs.
2. Cuem causar danos a ouLrem no exerclclo
de uma acLlvldade, perlgosa por sua próprla
naLureza ou pela naLureza dos melos
uLlllzados, e obrlgado a repará-los, excepLo
se mosLrar que empregou Lodas as
provldônclas exlgldas pelas clrcunsLânclas
com o flm de os prevenlr.
Art.20S0 do Cód|go C|v|| Ita||ano.
8esponsabllldade por exerclclo da aLlvldade perlgosa. Cuem causar
dano ao ouLro no desenvolvlmenLo de uma aLlvldade perlgosa, por sua
naLureza, ou por naLureza do melo adoLado, Lerá que reallzar
ressarclmenLo se não provar que adoLou Lodos os melos ldôneos a
evlLar o dano.
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passa e quanLo mals Lemos declsões sobre lsso, mals conflgurado val flcando o que e uma aLlvldade de rlsco.
Þorem, não há como nós pre-consLlLulmos um rol de aLlvldades de rlsco.
Pá algumas aLlvldades, como a de medlco hosplLalar, que houve uma opção Leorla de não
enquadrar como aLlvldade de rlsco. São aLlvldades que Lem rlsco lnerenLe. Lssas aLlvldades, como a
do medlco, em que ele Lem que lhe dar com a slLuação de rlsco, porque se ele não lhe dar com essa
aLlvldade a pessoa morre. Þor lsso que se adoLa a ldela de rlsco lnerenLe. Þor lsso que, nesse Llpo de
aLlvldade, vocô não val apllcar a Leorla do rlsco, nem responsabllldade clvll ob[eLlva e slm
responsabllldade clvll sub[eLlva. vocô val Ler que provar que houve uma conduLa do medlco culposa
que causou a morLe do su[elLo.
Alnda denLro de Leorla do rlsco, nós Lemos dlversas subLeorlas. L no senLldo de que e organlzado pela douLrlna
uma formulação Leórlca dlferenLe de dlversos aspecLos sobre o que e necessárlo que eu Lenha na conduLa
concreLa para que ela se encalxe na ldela de Leorla do rlsco.
! TEORI A DO RI SCO PROVEI TO*: ue acordo com essa Leorla, só haverla o dever de lndenlzar, ou se[a, só se
encalxarla na Leorla do rlsco quando a aLlvldade de rlsco, fosse uma aLlvldade que Lrouxesse provelLo
para o su[elLo que a praLlca. ÞrovelLo no senLldo mals de negoclal, na ldela de lucro, ganho de ordem
flnancelra para o su[elLo. Þor exemplo, vocô dlrlglndo seu carro parLlcular não se esquadrarla na Leorla do
rlsco. Mas um LaxlsLa dlrlglndo um Laxl em relação ao passagelro que ele LransporLa se enquadrarla. na
Leorla do rlsco. Þorque dlrlglr, Ludo bem, e uma
aLlvldade que Lem um cerLo rlsco, mas para uns se
enquadrarla e para ouLros não. nós Lemos aLe uma
sumula do S1l que e fundamenLada na Leorla
provelLo - Sumula 492. ve[am que, s e uma
empresa loca um carro, pouco lmporLa o faLo dela, por exemplo, Ler checado se o su[elLo era hablllLado
anLes de fazer a locação. Mesmo ela Lendo checado, se o su[elLo val e baLe, ela responde solldarlamenLe.
Como o su[elLo explora aquela aLlvldade econômlca, enLão ele deve arcar com o rlsco dessa exploração.
! TEORI A DO RI SCO PROFI SSI ONAL: mulLo próxlmo a lsso Lambem, Lem a chamada Leorla do rlsco
proflsslonal. Þróxlma, porque Lerla que ser uma aLlvldade proflsslonal do su[elLo para que possa apllcar a
Leorla do rlsco. A orlgem dessa Leorla fol mulLo vlnculada no dlrelLo do Lrabalho, por conLa de slLuações
em que o Lrabalhador sofrla acldenLe de Lrabalho e não Llnha como reallzar a prova conLra o su[elLo. Lla e
um pouco mals resLrlLa do que a ldela do rlsco provelLo, porque Lem alnda como novo elemenLo que se[a
aLlvldade proflsslonal.
! TEORI A DO RI SCO CRI ADO*: essa Leorla e a mals adoLada pela douLrlna. Þarece com a Leorla do rlsco
provelLo Lambem, mas ela e mals ampla, porque ela não passa do pressuposLo da necessldade de aquela
aLlvldade Lrazer um provelLo para o su[elLo. Þrovar que aquela aLlvldade Lraz um provelLo para o su[elLo, e
uma prova a mals a ser reallzada. Aqul não, se Lrabalha baslcamenLe com a ldela de que, se o su[elLo
reallza uma aLlvldade, hablLualmenLe, que Lraz rlsco para a socledade, ou se[a, se ele com sua aLlvldade
crlar rlsco, lsso lmpllca que qualquer dano por ele causado, ele val Ler que responder ob[eLlvamenLe. L
mals flexlblllzada alnda a quesLão, porque aqul eu não passo pela necessldade de comprovação de que
aquela aLlvldade Lraz para sl algum provelLo. Lu Lenho que provar que a praLlca daquela aLlvldade gera
rlsco para a socledade. LnLão auLomaLlcamenLe aqullo [á se enconLra como sendo aLlvldade de rlsco e [á
enconLra o dever de responder ob[eLlvamenLe. Þor exemplo: uma aLlvldade nuclear. As aLlvldades que
esLão no melo Lermo, vocôs vão conforme o caso concreLo, denLro dos parâmeLros do que e rlsco buscar
ldenLlflcar. no 8rasll, ma[orlLarlamenLe, a Leorla adoLada no nosso ordenamenLo e a Leorla do rlsco crlado.
Þorque no arL. 927, p. unlco não faz nenhuma menção ao rlsco provelLo, fazendo com lsso que a malorla
da douLrlna adoLe a Leorla do rlsco crlado.
! TEORI A DO RI SCO EXCEPCI ONAL: nessa Leorla, a responsabllldade e alnda mals exacerbada. nós Lemos
verLenLes da Leorla do rlsco, apllcável em algumas slLuações especlflcas, em que há alnda mals uma
ampllação desse dever de segurança do su[elLo. São slLuação, em que, por conLa da aLlvldade, ser uma
aLlvldade que em sl, lmpllca alnda mals rlsco, do que aquelas normalmenLe abranglda pelo rlsco crlado, e
S. 492 - A empresa locadora de velculos responde, clvll e
solldarlamenLe com o locaLárlo, pelos danos por esLe
causados a Lercelro, no uso do carro locado.
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que em função dlsso, a responsabllldade do su[elLo exLrapola aLe mesmo a dessa Leorla do rlsco crlado e
do rlsco provelLo Lambem. Þorque normalmenLe, nessa Leorla do rlsco o su[elLo responde pelos danos
causados pela sua aLlvldade flm. Mas quando vamos Lrabalhar com a Leorla do rlsco excepclonal, o su[elLo
val responder Lambem pelo dano causado alnda que Lenha sldo esse dano causado por algo que escape a
aLlvldade normal do su[elLo. Þor exemplo, exploração de energla nuclear, exploração de cabo de energla
com alLa Lensão, maLerlal radloaLlvo em geral. São aLlvldades, que aquela aLlvldade em sl [á gera um
poLenclal de dano malor, de modo que qualquer falha na segurança, alnda que escape o que serla o
esperado, val gerar para o su[elLo o dever de lndenlzar. Lla e apllcada em slLuações em que há uma
exacerbação desse dever de segurança, porque se LraLa de slLuações em que há um rlsco malor pela
próprla aLlvldade que esLá sendo desenvolvlda.
! TEORI A DO RI SCO I NTEGRAL: essa só val aconLecer em slLuações exLremamenLe ponLuals. nessa Leorla do
rlsco lnLegral, Lrabalha-se somenLe com conduLa e dano, despreza-se aLe mesmo o nexo causal. C su[elLo
responde desde que Lenha havldo uma conduLa gerado de dano, alnda que essa conduLa gerado de dano
não Lenha sldo dele. Þor exemplo: eu vou responder por um dano alnda que esse dano não Lenha sldo
causado por mlm, que não Lenha nenhuma relação comlgo. não há enLre o dano e a conduLa nenhuma
parLlclpação desse su[elLo, nem mesmo o dever de segurança, mas alnda asslm ele flca responsablllzado
por lndenlzar. Þor exemplo, a lel n.10744/2003 que fol [usLamenLe uma lel pela qual a unlão assume os
pre[ulzos decorrenLe de aLaque LerrorlsLa a
aeronaves. ve[am, a conduLa que gera o
dano e um aLenLado LerrorlsLa, aLos de
guerra ou evenLos correlaLos. Mas quem fez
o aLenLado LerrorlsLa não fol a unlão, enLão
não Lem nenhum nexo causal de conduLa da
unlão que gere um dano. Mas por força
dessa lel, a unlão assume a responsabllldade.
3.4 Soc|a||zação do r|sco: nessa evolução Leórlca que Lrabalhamos, de responsabllldade clvll sub[eLlva para
responsabllldade clvll ob[eLlva, o que Lrabalhamos fol com uma faclllLação do su[elLo consegulr lndenlzação.
LnLão se eu ellmlno do su[elLo que sofreu o dano, o dever de reallzar uma prova, a prova da culpa. LnLão, se
eu ellmlno um desses deveres probaLórlos do su[elLo, eu faclllLo o su[elLo a consegulr receber a sua
lndenlzação. Lu posso aLe dlzer que há nos Lrlbunals ho[e, uma Lendôncla a conceder lndenlzações. Cuando
eu passo a Lrabalhar com responsabllldade clvll ob[eLlva no lugar de responsabllldade clvll sub[eLlva, eu esLou
all crlando, no meu ordenamenLo e porLanLo no meu grupo soclal, um unlverso em que e mals fácll consegulr
lndenlzação. Se crlLlca o faLo de que, houve essa evolução nas Leorla da responsabllldade clvll, no senLldo de
faclllLar ao su[elLo consegulr lndenlzação do seu dano, mas não houve uma evolução como o modo dessa
lndenlzação e paga. Pouve uma mudança em um polo, mas não houve em ouLra. Þor exemplo, Lodo mundo
que dlrlge poLenclalmenLe pode se envolver em acldenLe. A ldela que esse rlsco e posslvel para Lodos os
su[elLos. A ldela de soclallzação do rlsco e, vocô levando em conLa essa evolução da responsabllldade e
levando em conLa que boa parLe da responsablllzação clvll ho[e não se funda na culpa, mas slm no rlsco, fazer
com que ha[a uma soclallzação desse rlsco. lazer com que esse rlsco se[a dlluldo na socledade ou que pelo
menos esse rlsco se[a dlluldo enLre os su[elLos que poderlam causar.
REVISÃO
não e quesLão de superação de uma pela ouLra, o faLo de exlsLlr responsabllldade clvll ob[eLlva não lmpllcou o
afasLamenLo da responsabllldade clvll sub[eLlva.
" Responsabilidade civil subjetiva - CULÞA - ArL. 927 - vlCLAÇÄC uL uM uLvL8 uL CuluAuC
CCnuu1A CuLÞCSA + nLxC CAuSAL + uAnC
" Responsabilidade civil objetiva - kISCC - ArL. 927 p. unlco - uLvL8 uL SLCu8AnÇA
CCnuu1A + nLxC CAuSAL + uAnC

ArL. 1
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llca a unlão auLorlzada, na forma e crlLerlos esLabelecldos pelo
Þoder LxecuLlvo, a assumlr despesas de responsabllldades clvls peranLe
Lercelros na hlpóLese da ocorrôncla de danos a bens e pessoas,
passagelros ou não, provocados por aLenLados LerrorlsLas, aLos de
guerra ou evenLos correlaLos, ocorrldos no 8rasll ou no exLerlor, conLra
aeronaves de maLrlcula brasllelra operadas por empresas brasllelras de
LransporLe aereo publlco, excluldas as empresas de Láxl aereo.
Nana Fernandes de Souza
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AULA 3 - 28]02

CCNDU1A L CULÞA
1. Noções gera|s
2. Conduta e atos |||c|tos
3. Caracter|zação da cu|pa
4. L|ementos da conduta cu|posa
S. Graus de cu|pa

1. Noções Gera|s: 8oa parLe do esLudo da conduLa na responsabllldade clvll, fol ao longo do Lempo, o esLudo da
conduLa culposa. porque nós Llnhamos lnlclalmenLe um paradlgma da responsabllldade clvll sub[eLlva. ue modo
que a conduLa que gerava o dever de lndenlzar era sempre a conduLa culposa. Po[e, como Lrabalhamos com a
responsabllldade clvll ob[eLlva, não se LraLa mals [unLamenLe da conduLa culpa. ConduLa culposa somenLe para a
responsabllldade clvll sub[eLlva.
Cuando eu falo de conduLa, esLou me referlndo a uma ação ou omlssão humana. Þorque não só os aLos poslLlvos,
ou se[a as ações, mas Lambem os negaLlvos (as omlssões) podem ense[ar a responsabllldade clvll. Lm regra,
vamos Ler responsabllldade clvll dlanLe de ações (e o mals comum). L mals comum que a responsabllldade sur[a
porque o su[elLo Leve uma deLermlnada conduLa, uma ação. A regra e vocô não pode lesar um dlrelLo do ouLro.
Lssa lesão normalmenLe e uma lnLerferôncla lndevlda. Þor exemplo: corLar o cabelo da menlna, publlcou um
LexLo ofendendo alguem, no acldenLe de carro em que vocô baLe em ouLro carro. Lu só vou Ler omlssão
ense[ando responsabllldade clvll, quando o su[elLo Llver o dever prevlo de aglr daquela manelra. por exemplo,
numa slLuação conLraLual em que vocô não o cumpre. C su[elLo Lem que cumprlr aquela obrlgação, se ele delxa
de cumprlr ele Lem que responder, ense[ando para ele responsabllldade conLraLual. normalmenLe, a malor parLe
de slLuações de responsabllldade clvll são slLuações em que o su[elLo responde porque vlolou aquele dever geral
de não lnLerferlr na esfera [urldlca alhela. Þor exemplo, no acldenLe de carro em que o su[elLo furou o slnal e
baLeu no carro do ouLro. A regra, e que o su[elLo reallze uma conduLa que ele não deverla por lsso surge o dever
dele lndenlzar.
normalmenLe, o su[elLo só responde por suas próprlas conduLas. Mas Lem no códlgo clvll slLuações em que o
su[elLo val responder por conduLas que não foram suas. A regra geral, a responsabllldade clvll val Ler um nexo de
causalldade enLre a conduLa do agenLe e o dano. Mas em algumas slLuações a conduLa não e daquele su[elLo,
mas e um aconLeclmenLo que de algum modo se vlncula aquele su[elLo, deLermlnando a ele a responsabllldade.
Þor exemplo: são casos que acabam ense[ando ao su[elLo
responsabllldade clvll ob[eLlva: Art. 932 - dlversas slLuações em
que a conduLa e do su[elLo, mas quem responde e ouLro. Cu
alnda no ArL. 936, LraLa da responsabllldade pelo faLo do anlmal
e o ArL. 937 e ArL. 938 LraLa da responsabllldade pelo faLo da
colsa.



Art. 932. São Lambem responsávels pela
reparação clvll:
l - os pals, pelos fllhos menores que esLlverem sob sua
auLorldade e em sua companhla,
ll - o LuLor e o curador, pelos pupllos e curaLelados,
que se acharem nas mesmas condlções, (...)
v - os que graLulLamenLe houverem parLlclpado nos
produLos do crlme, aLe a concorrenLe quanLla. Art. 936. C dono, ou deLenLor, do anlmal
ressarclrá o dano por esLe causado, se não
provar culpa da vlLlma ou força malor.

Art. 937. C dono de edlflclo ou consLrução responde pelos
danos que resulLarem de sua rulna, se esLa provler de
falLa de reparos, cu[a necessldade fosse manlfesLa.


Nana Fernandes de Souza
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LnLão, se alguem do seu predlo [oga uma colsa pela [anela, e cal
em alguem que esLá passando na rua. nesse caso, paga vocô e
Lodo mundo. A não ser que conslga provar que fol aquele su[elLo
especlflcamenLe.
1odas essas são slLuações em que vocô val Ler a responsabllldade clvll por faLo que não fol conduLa sua. A
conduLa e de um ouLro su[elLo, mas alnda asslm vocô Lermlna respondendo. L o que a genLe chama de
responsab|||dade c|v|| por causa de terce|ro, por causa de outrem.

2. Conduta e atos |||c|tos: normalmenLe, a
responsabllldade clvll e vlnculada a ldela de faLo lllclLo, ou
de aLo lllclLo. ve[am que no capuL do ArL. 927, na próprla
descrlção da clausula geral de responsabllldade clvll sub[eLlva, [á se faz ao referencla ao aLo lllclLo.
vocôs devem se recordar que nós Lemos no nosso slsLema, um duplo slsLema de lllclLos - aLo lllclLo em senLldo
esLrlLo e abuso de dlrelLo. lnlclalmenLe, a responsabllldade clvll sub[eLlva esLá vlnculada a ldela de conduLa
culposa, e esLa vlnculada a ldela da conduLa lllclLa, na praLlca de um aLo lllclLo.
ve[am que a próprla ldela do lllclLo se vlncula a uma ldela de
volunLarledade. “por ação ou omissão voluntária”. vonLade não no
senLldo de lnLenção, mas no aLo llvre. Como [á havla dlLo anLes,
a ldela e uma ação ou omlssão volunLarla. no senLldo de que,
se LraLa-se de um aLo em que a volunLarledade esLa desplda,
vocô não pode falar de responsabllldade. Þor exemplo, se Camlla empurra lernanda e quebra o compuLador de
8oberLa. lernanda não val responder por nada, porque ela fol mero ob[eLo para a ação de Camlla. A
responsablllzação val ser Loda de Camlla. A ldela desse ArL.186 e que o su[elLo deverla se lmporLar de cerLa
manelra, espera-se uma conduLa dele que não gere dano e que ele Lenha aLenção para com os dlrelLos dos
ouLros. Lle não Lendo essa conduLa, vlolando o dever de culdado, vla de regra, porque fol negllgenLe ou
lmprudenLe. Claro que se a negllgôncla e a lmprudôncla gera a responsabllldade, lgualmenLe Lambem a conduLa
dolosa. Se a de menor grau de culpa gera responsabllldade, por obvlo que a de malor grau de culpa gera Lambem
responsabllldade.
no dlrelLo clvll, embora o grau de culpa Lambem possa ser uLlllzado como elemenLo para deLermlnar a
responsabllldade, mas lsso aconLece aqul de um modo mulLo menor do que no dlrelLo penal. no dlrelLo clvll, a
ldela e sempre reparar o dano. C grau de culpa pode Lermlnar enLrando como elemenLo de codlflcação do dano,
mas a prlorl o que lmporLa e verlflcação do dano e não LanLo o grau da culpa. normalmenLe, uma conduLa dolosa
e uma conduLa de culpa em senLldo esLrlLo que cause o mesmo dano, val gerar a mesma responsablllzação. Þode
Ler varlação a depender do grau de culpa, mas não e a prlnclpal Lecnlca da responsabllldade clvll.
ºviolar direito e causar dano a outrem" , ve[am que são LraLadas com duas colsas dlssocladas. Cu se[a, o ArL.186 dlssocla
a ldela de vlolar dlrelLo ao causar dano. Agora, nos manuals essas ldelas Lermlnam sendo LraLadas como sendo
uma colsa só. Claro que o normal e que a vlolação do dlrelLo cause dano. ºainda que exclusivamente moral, comete ato
ilícito." ve[am que no próprlo códlgo clvll, ao conLrarlo do que aconLecla no códlgo clvll anLerlor, se LraLou por
afasLar qualquer duvlda quanLo a perLlnôncla da lndenlzação por dano moral.
C arL. 186, vlmos que LraLa da culpa em senLldo esLrlLo. Mas o
ArL.927 ao LraLa da conduLa que ense[a o dever de lndenlzar a
responsabllldade clvll, referlu não apenas ao ArL. 186, mas
Lambem ao ArL.187. 1ambem, esse abuso de dlrelLo se conflgura
como pressuposLo para a responsabllldade clvll. C abuso de
Art. 938. Aquele que hablLar predlo, ou parLe
dele, responde pelo dano provenlenLe das colsas
que dele calrem ou forem lançadas em lugar
lndevldo.

Art. 927. Aquele que, por aLo lllclLo (arLs. 186 e 187),
causar dano a ouLrem, flca obrlgado a repará-lo.

Art. 186. Aquele que, por ação ou omlssão volunLárla,
negllgôncla ou lmprudôncla, vlolar dlrelLo e causar
dano a ouLrem, alnda que excluslvamenLe moral,
comeLe aLo lllclLo.
Art. 187. 1ambem comeLe aLo lllclLo o LlLular de
um dlrelLo que, ao exercô-lo, excede
manlfesLamenLe os llmlLes lmposLos pelo seu flm
econômlco ou soclal, pela boa-fe ou pelos bons
cosLumes.


Nana Fernandes de Souza
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dlrelLo Lem a conflguração conslderavelmenLe dlferenLe da ldela da responsabllldade clvll pelo senLldo esLrlLo,
porque aqul, aquela conduLa em sl não e uma conduLa normalmenLe vedada pelo slsLema. Lle responde pelo
excesso nesse dlrelLo.
nós Lemos um duplo slsLema de lllclLude no nosso ordenamenLo. C lllclLo em senLldo esLrlLo, vlnculado mulLo
mals a ldela normal de culpa e o lllclLo abuso de dlrelLo. ve[am que na descrlção do abuso de dlrelLo, ao
conLrarlo, do que aconLece na descrlção do lllclLo em senLldo esLrlLo, nós não Lemos a deLermlnação da culpa. A
anallse que se faz aqul, da conduLa lndevlda, e uma anallse ob[eLlva e não uma anallse sub[eLlva. vocô no ArL.187
ao Lrabalhar com abuso de dlrelLo, vocô não verlflca se a conduLa do su[elLo fol culposo ao reallzar o abuso de
dlrelLo. Þorque a anallse aqul e flnallsLlca, o que vocô verlflca e se a conduLa do su[elLo fol conLra a função soclal,
econômlca, bons cosLumes. Se SlM, e uma conduLa lllclLa. ve[am que e um modo de anallse dlferenLe para
verlflcação da culpa. L uma anallse que não passa pela anallse sub[eLlva, ou se[a, pela anallse da culpabllldade do
su[elLo, vocô não val anallsar se o su[elLo quls o abuso de dlrelLo ou mesmo se o su[elLo reallzou o abuso de
dlrelLo porque fol negllgenLe e lmprudenLe. Lsses são elemenLos, que para anallse do abuso de dlrelLo são
lrrelevanLes. Cs elemenLos que enLram aqul são [usLamenLe verlflcar se o su[elLo na sua conduLa ferlu alguns
desses ouLros elemenLos - econômlco, soclal, boa fe, bons cosLumes. C que lmporLa aqul e que o su[elLo
exLrapolou os llmlLes. Þor exemplo: o su[elLo que fez as Lorres para poder furar os dlrlglvels. Lsse uso da próprla
e um uso que esLava alem dos llmlLes do que serla o seu dlrelLo de proprledade. LnLão caracLerlzarla aLo lllclLo e
enLão poderla ense[ar responsabllldade clvll.
ve[am que, se esse arL187 não Lraz como elemenLo
necessárlo a quesLão da culpabllldade, eu Lrabalha-lo
denLro da esfera ob[eLlva. ve[am que vocô não val assoclar
o ArL.187 com o capuL do ArL.927, mas slm com o
paragrafo unlco, porque esLamos numa slLuação em que
haverá a obrlgação de reparar o dano, lndependenLemenLe
de culpa, nos casos prevlsLos em lel.
Lsse efe|to |nden|zante e apenas um dos efelLos posslvels do aLo lllclLo. Þode gerar o dever de lndenlzar, mas
pode gerar Lambem ouLros efelLos. Þor exemplo, um aLo lllclLo pode gerar o efelLo caduclflcanLe (perda de um
dlrelLo). uma slLuação de um pal e uma mãe que casLlga o fllho, e pode acabar perdendo o poder famlllar sobre a
crlança. CuLro exemplo, quando se abre a herança o su[elLo Lem o dever de lnformar Lodos os bens que foram
delxados, se ele não lnforma ele corre o rlsco de perder o dlrelLo sobre aquele bem. CuLro efelLo, o chamado
efe|to |nva||dante ( que na verdade lnclul Lodos os efelLos de lnvalldade ). Þorque na verdade, a lnvalldade, o aLo
que e Lldo como lnvalldo, e um aLo lllclLo. A lnvalldade e uma penalldade apllcada a aquele aLo que val conLra o
que o ordenamenLo quer. L por flm, um efelLo posslvel do aLo lllclLo, e
o chamado efe|to autor|zante, em que o faLo de Ler havldo um aLo
lllclLo que auLorlza uma conduLa do su[elLo. Þor exemplo, revogação da
adoção. Se por exemplo vocô faz um doação para alguem e esse pessoa
Lem enLão uma conduLa que e lncompaLlvel com o papel de donaLárlo,
por exemplo, a pessoa Lem uma conduLa que se enconLra no papel de
lngraLldão (LecnlcamenLe falando) e posslvel, por conLa dessa conduLa
lllclLa da lngraLldão ao doador e auLorlzado revogar a doação.

3. Caracter|zação da cu|pa: quando se fala de culpa, no dlrelLo clvll, esLamos falando em culpa em senLldo
amplo (laLo sensu), pode ser LanLo a conduLa dolosa como conduLa culposa em senLldo esLrlLo, Lodas podem
ense[ar a responsabllldade clvll. vamos ver, mulLas vezes, o grau de culpa pode ser uLlllzado como crlLerlo para
lndenlzar, mas não necessarlamenLe vocô val Ler a culpa como elemenLo de conflguração do dano. Lssa culpa,
ela se relaclona com uma vlolação do dever de culdado, que conslsLe na cauLela que os lndlvlduos Lem que Ler
para que suas conduLas não gere danos a Lercelro. Cu se[a, o ordenamenLo responsablllza aquele su[elLo que no
seu aglr não Lenha cauLela necessárla e que com lsso Lermlne causando dano a ouLro su[elLo.
CenLro de LsLudos !udlclárlos do Conselho da !usLlça
lederal, na !ornada de ulrelLo Clvll, promovlda em 22 de
seLembro de 2002, aprovou o enunclado de n°. 37:
ºA responsabllldade clvll decorrenLe do abuso de dlrelLo
lndepende de culpa, e fundamenLa-se somenLe no crlLerlo
ob[eLlvo-flnallsLlco".
NÃO ESQUEÇAM DE QUE QUANDO
SE FALA DE ATO I LÍ CI TO, A I DEI A
DA I NDENI ZAÇÃO NÃO É A ÚNI CA
POSSÍ VEL. TEMOS OUTROS
EFEI TOS QUE TAMBÉM PODEM
DECORRE DESSE ATO I LÍ CI TO.

Nana Fernandes de Souza
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nessa ldela da culpa, orlglnalmenLe e alnda ho[e enconLramos na douLrlna, a uma ldela de [ulzo de
reprovabllldade, aLe mesmo moral. Aquela ldela de que aquele aLo e punlvel porque e moralmenLe lndevldo.
Po[e lsso e algo mulLo mals afasLado, aLe a genLe Lrabalha com a ldela Lambem da responsabllldade clvll ob[eLlva.
LnLão o fundamenLo da lndenlzação não e uma conduLa moralmenLe reprovável ou soclalmenLe reprovável. A
lndenlzação e um dever de lndenlzar se[a por um dever de culdado ou um dever de segurança. C fundamenLo da
lndenlzação não e uma conduLa moralmenLe lmoral.
A culpa ho[e e verlflcada não só vlnculada a essa ldela do su[elLo não Ler Lomado Lodo o culdado que podla.
Cuando vocô fala ho[e na ldela da culpa, vocô pode anallsar essa ldela LanLo por um parâmeLro ob[eLlvo, como
Lambem um parâmeLro sub[eLlvo. AnLes, se Lrabalhada com a ldela de culpa mulLo mals por um parâmeLro
sub[eLlva, que e a ldela de reprovabllldade da conduLa por parLe do agenLe. no senLldo de que, ºvocô Lem que
lndenlzar porque vocô Cabrlel não Lomou culdado." uepols se passou mulLo amls a Lrabalhar com uma noção de
culpa vlnculada ao ser humano medlo. Þassou a ser não mals ºvocô Lem que lndenlzar, porque vocô Cabrlel não
Lomou o culdado que vocô podla Lomar" mals slm, ºvocô Lem que lndenlzar, porque vocô Cabrlel não Lomou o
culdado que se espera que uma pessoa deverla Lomar". noLem que há uma desvlnculação da noção de
culpabllldade do su[elLo em sl, para passar a Ler uma anallse dessa quesLão da culpabllldade denLro de um
crlLerlo mals ob[eLlvo, mals unlversals.
A dlferença e bem grande, porque quando vocô fala da culpa nessa anallse mals sub[eLlva, vocô val reallzar uma
anallse da culpa vlnculada ao su[elLo em sl. Þor exemplo, se o su[elLo aglu no máxlmo da sua habllldade, mas o
máxlmo da sua habllldade e abalxo do mlnlmo que se espera, denLro dessa ldela não haverla culpa sub[eLlva.
Þorque a ldela e de reprovabllldade da conduLa do su[elLo. nessa anallse sub[eLlva, o problema era a próprla
sub[eLlvação da culpa. vocô Ler que em cada caso anallsar se aquela pessoa esLeve no llmlLe da sua conduLa ou
não. C problema da ob[eLlva e o oposLo, porque vocô Lermlna LraLando da mesma manelra pessoas que são
dlferenLes. na mlnha oplnlão, e vocô LraLar a culpa LanLo numa anallse ob[eLlva, como denLro de uma anallse
sub[eLlva, lnlclalmenLe parLlndo de uma anallse ob[eLlva, para verlflcar no caso concreLo o que e que se espera
de uma pessoa. Só que essa anallse ob[eLlva pode ser mals sub[eLlva, não necessarlamenLe no senLldo de
verlflcar qual e o llmlLe de capacldade de lernanda de Ler culdado. Mals slm, qual e o llmlLe, o que se espera de
uma mulher de 20 anos, fazendo faculdade, como culdado. vocô pode pelo menos fragmenLar essas
ob[eLlvações
Alguns auLores cosLumam aflrmar que essa culpa em senLldo esLrlLo e uma conduLa mal dlrlglda. Þorque se da
culpa em senLldo esLrlLo não há a lnLenção de causar o dano, não exlsLe lnLenclonalldade, por conLa dlsso e que
os auLores falam que e uma conduLa mal dlrlglda. Mal dlrlglda em relação ao resulLado que se preLende. Þorque
na culpa em senLldo esLrlLo o resulLado preLendldo e um, mas o resulLado alçando e ouLro, se[a porque o su[elLo
fol negllgenLe, se[a que o su[elLo fol lmprudenLe. na conduLa dolosa, há uma confluôncla enLre o resulLado
preLendldo e o resulLado alçando.
no códlgo clvll de 1916 se fala em culpa ln elegendo e em culpa ln vlgllando e culpa ln cusLodlando. Lssas
slLuações, são slLuações que ho[e no nosso códlgo clvll não esLão mals Lrabalhadas como responsabllldade clvll
sub[eLlva, mas slm como responsabllldade clvll ob[eLlva.
! CULPA I N ELEGENDO: se relaclonava com a ldela da escolha, por exemplo, dos empregados. Þor exemplo,
vocô elegeu mal o seu empregado, por lsso vocô val responder. vocô respondla pelo aLo do seu
empregado, não porque vocô Llnha uma responsabllldade ob[eLlva, mas fundamenLado na ldela de culpa.
! CULPA I N VI GI LANDO E CULPA I N CUSTODI ANDO: Lambem se apllcam para empregado, mas e usado mals
para anlmal, colsa, menor. L a ldela de que vocô não Leve o necessárlo dever de gerenclar, de flscallzar a
conduLa do seu empregado, do seu fllho, do seu cachorro, vocô não Lomou o culdado com as suas colsas.
ulgamos que esLlvessemos no paradlgma do códlgo clvll 16, em Lese se o dono da empresa comprovasse, por
exemplo, que ele reallza pslcoLesLe para conLraLar as pessoas, e faz exames de roLlna para verlflcar a saude flslca
e menLal dos seus moLorlsLas. Se ele comprovasse Ludo, em Lese, ele esLarla llvre. Po[e, [á era, porque a
responsabllldade clvll e ob[eLlva. vlrou ob[eLlva mulLo por conLa da próprla alLerações nos Lrlbunals, porque
sempre se dava um [elLo de dar a culpa.
Nana Fernandes de Souza
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4. L|ementos da conduta cu|posa: falando mals preclsamenLe da culpa em senLldo esLrlLo. ÞresenLe esses
elemenLos, nós podemos dlzer que exlsLe uma conduLa culposa.
! C prlmelro elemenLo e vocô Ler uma conduLa volunLárla com um resulLado volunLarlo - dolo ou uma
conduLa Cu uma conduLa volunLarla com um resulLado lnvolunLárlo - culpa em senLldo esLrlLo.
! 1emos Lambem como elemenLo a quesLão da prevlsão ou prevlslbllldade do dano, ou se[a, ser posslvel ao
su[elLo saber que aquele dano pode ser causado. Aqul pode Lrabalhar Lambem, LanLo aquele crlLerlo
ob[eLlvo, como com aquele crlLerlo sub[eLlvo. CerLamenLe um luLador de arLe marclal, bem Lrelnado sabe
mulLo melhor a consequôncla que um murro dele pode Ler em deLermlnado local do corpo, do que uma
pessoa desLrelnado que de um murro no mesmo lugar. Lssa quesLão da prevlslbllldade se relaclona mulLo
com a quesLão do nexo causal. Cue nós vamos ver que se afasLa o próprlo nexo causal, não só a culpa
porque, em verdade, o dano fol causado, mas fol causado numa slLuação excepclonal. Cu se[a, em
clrcunsLânclas normals aquela conduLa não causarla aquele dano. Mas em slLuações especlflcas do su[elLo
que fol vlLlmado, o dano fol causado.
! C descumprlmenLo do dever de culdado, Lem que se comprovar a falLa de cauLela, de que alguma
manelra o su[elLo não aglu como deverla. CaracLerlzando porLanLo, a quesLão da negllgencla,
lmprudôncla ou lmperlcla.
S. Graus de cu|pa: no nosso dlrelLo clvll, a quesLão do grau da culpa e menos relevanLe do que no dlrelLo penal.
Þorque, o que se busca com a lndenlzação (não e a unlca consequôncla da responsabllldade clvll) e reparar o
dano. LnLão, se o dano fol causado com culpa levlsslma ou com culpa grave ou com dolo, o dano e o mesmo. no
nosso foco e verlflcar o dano e lndenlzar o dano. C ArL. 994 dlz:
ve[am que não e a regra, mas e posslvel que ha[a slm o grau da
culpa para a flxação da lndenlzação. ve[a, que quando houver
desproporção enLre o grau da culpa e o dano, pode dlmlnulr ( e
a exceção). Þor exemplo, o su[elLo esLá no quarLo de hoLel
fumando e esquece o clgarro acesso no clnzelro, baLe o braço e
cal no LapeLe lnsldlando Ludo. C grau de culpa desse su[elLo,
comparado com o dano e compleLamenLe desproporclonal.
CuLra quesLão de culpa Lambem, embora ho[e não se fala mulLo dlsso, se mudou o modo de pensar, e a quesLão
da culpa concorrenLe, quando a próprla vlLlma de alguma forma conLrlbulu para causar o dano. Þor exemplo, o
su[elLo aLravessou a rua quando o slnal para ele esLava vermelho e o moLorlsLa vlnha falando no celular e não vlu.
1eve culpa LanLo da vlLlma, como do conduLor. lsso leva Lambem a vocô reduzlr o valor da lndenlzação devlda.
Agora, ho[e prlnclpalmenLe por força da responsabllldade clvll ob[eLlva, que não há senLldo falar de culpa
concorrenLe, e que na ob[eLlva não anallsamos a culpa, ho[e se fala mulLo mals de causa concorrenLe. Se anallsa
a ação e não a culpa. Lssa ação conLrlbulu para o resulLado? vocô descola lsso para a anallsa da culpabllldade,
para a anallse do nexo causal.

AULA 4 - 0S]03

NLkC CAUSAL
1. Noções gera|s
2. 1eor|as
2.1 1eor|a da equ|va|ônc|a de cond|ções,
2.2 1eor|a da causa||dade adequada
2.3 1eor|a da causa ef|c|ente,
Art. 944. A lndenlzação mede-se pela exLensão
do dano.
Þarágrafo ún|co. Se houver excesslva
desproporção enLre a gravldade da culpa e o
dano, poderá o [ulz reduzlr, equlLaLlvamenLe, a
lndenlzação.
Nana Fernandes de Souza
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2.4 1eor|a da causa d|reta e |med|ata,

1. Noções gera|s: a ldela de nexo causal e slmples. Scherelber fala que e um vlnculo que se esLabelece enLre
dols evenLos, de modo que um se[a consequôncla do ouLro. A ldela de que Lem uma conduLa e um dano, mas
que há uma relação enLre eles que e exaLamenLe esse nexo causal. C problema e que raramenLe na praLlca, nós
Lemos uma unlca causa para o evenLo. Se vocôs forem pensar de modo absLraLo vamos ver que consegulmos
enconLrar causas das mals varlávels para um mesmo evenLo. Þor exemplo, no camlnho da faculdade, baLem no
seu carro. CbvlamenLe nlnguem val dlscuLlr quanLo ao faLo de que a conduLa daquele moLorlsLa fol uma conduLa
causadora do dano. Mas se pararmos para pensar, podemos elevar lsso a dlferenLes graus. Þor exemplo, só
baLeu no seu carro porque vocô salu em horárlo dlferenLe porque fol levar seu lrmão no coleglo. LnLão, se for
asslm a culpa e do lrmão, porque se não Llvesse levado o lrmão não Lerla baLldo. Cu enLão, ela só esLava vlndo
para cá, porque esLava vlndo para faculdade. Se for asslm enLão, a culpa e da faculdade. Cu enLão, a culpa e de
quem deu o carro para o ouLro moLorlsLa. L al vocô pode segulndo essa llnha de racloclnlo, começar a derlvar
essa causa aLe o lnflnlLo.
LnLão, o grande problema aqul e [usLamenLe vocô deLermlnar qual e o llmlLe desse nexo causal. C que essas
Leorlas dlscuLem e [usLamenLe qual e o llmlLe desse nexo causal. noLem que essa dlscursão ganhou mals
lmporLâncla aLualmenLe prlnclpalmenLe por conLa de Lermos passarmos a Ler um numero mulLo malor
regulamenLado no nosso códlgo clvll de responsabllldade clvll ob[eLlva. Þorque, quando a genLe Llnha como foco
a responsabllldade clvll sub[eLlva, a dlscursão sobre nexo causal era uma dlscursão que flca melo apagava,
porque não se dlscuLla mulLo, se dlscuLla a culpabllldade, se era ou não culpado. Ao lnves de haver uma
dlscursão sobre se há nexo causal ou se há culpabllldade, o que aconLecla na praLlca era que se dlscuLla a
culpabllldade e de modo acessórlo, secundárlo, se dlscuLla o nexo causal. Mas ho[e, como nós Lemos um numero
mulLo grande de slLuações que envolve responsabllldade ob[eLlva, e porLanLo, não há anallse da culpa, aconLece
que Lemos essa volLa da dlscursão do nexo causal. ho[e nós Lemos que dlscuLlr o nexo causal, porque pode ser o
unlco faLo que o su[elLo pode alegar como modo para evlLar que ele Lenha que reallzar o pagamenLo da
lndenlzação. A ldela de nexo causal e verlflcar se esLabelece um vlnculo enLre dols evenLos, de modo que um se[a
consequôncla do ouLro.
1emos varlas slLuações em que se verlflca a concausa - que e [usLamenLe a ocorrôncla de varlas causas -
pluralldade. vocô pode Ler LanLo concausas slmulLâneas, como pode Ler concausas sucesslvas ( que e o malor
problema). C problema e quando são colsas que podem Ler causado o dano, e eles ocorreram de modo sucesslvo.
LnLão, o que vocô Lem que verlflcar e se esse daLo anLerlor afasLa o posLerlor ou não. Þor exemplo, uma pessoa
faz uma clrurgla com o medlco, e nessa clrurgla o medlco comeLe um erro. Só que o LraLamenLo posLerlor da
clrurgla e felLo com ouLro medlco, que Lambem erra. L acaba gerando um resulLado grave no su[elLo. A pergunLa
e- como e que vamos anallsar a quesLão da responsabllldade aqul? A concausa sucesslva val Lrazer para a genLe
esse Llpo de problema.
2. 1eor|as:
2.1 1eor|a da equ|va|ônc|a das cond|ções: Lambem chamada Leorla da condlLlo slne quo a non - de acordo
com essa Leorla qualquer evenLo capaz de conLrlbulr para o resulLado e conslderado causa. LnLão, qualquer
evenLo que de alguma manelra venha conLrlbulr para o resulLado e conslderado causa. L al vocô aLrlbulrla
responsabllldade de acordo com o grau de aLrlbulção a cada evenLo para o resulLado flnal. Lssa Leorla Lem um
problema de apllcabllldade, porque lmaglne vocô verlflcar Ludo que por venLura pode Ler conLrlbuldo para
alcançar aquele evenLo, e salr dlsLrlbulndo a quesLão da responsabllldade enLre Lodos esses evenLuals agenLes
causadores. A grande dlflculdade dessa Leorla e que, prlmelro vocô Lermlna delxando a aLrlbulção do nexo
causal mulLo solLa. vocô val Lermlnar podendo aLrlbulr nexo causual a uma quanLldade mulLo grande de
slLuações. L Lambem vocô val Lermlnar podendo crlar slLuações de causalldade lnumeras. !usLamenLe por
esLabelecer várlos nexo de causalldade de alguma manelra Lermlnando Lendo dlflculdade na próprla apllcação
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da lndenlzação. Cuem val lndenlzar o que? Lm que proporção a conduLa desse su[elLo fol mals ou menos
conLrlbulnLe do que a do ouLro.
2.2 1eor|a da causa||dade adequada & 1eor|a da causa ef|c|ente: alnda ho[e os Lrlbunals usam mulLo. Aqul
o que se faz e a anallse, denLre os várlos evenLos, de qual desses evenLo e a causa em absLraLa mals
adequada a produção do evenLo/dano. Cu se[a, vocô val fazer uma anallse absLraLa de denLre os dlversos
evenLos desenvolvldo qual e aquele que fol o mals apLo para a produção do resulLado dano. noLem que e uma
analise em abstrato. por exemplo, o que e uma causa mals adequado num acldenLe aereo? um plloLe em má
condlção ou uma aeronave em má condlção? L al com base nessa anallse em absLraLo e que vocô val deflnlr
com qual os dols evenLos esLarla relaclonado com o resulLado dano. Cu se[a, se o nexo causal se relaclonarla
com um evenLo ou com o ouLro evenLo.
Lssa Leorla da causa eflclenLe segue a mesma loglca dessa Leorla da causalldade adequado. A unlca dlferença
e que enquanLo a Leorla da causalldade adequada busca reallzar a anallse em absLraLo, essa Leorla da causa
eflclenLe busca reallzar a anallse em concreLo.

C problema, a crlLlca que se faz a essas Leorlas e que elas não dão lmporLâncla as slLuações de lnLerrupção do
nexo causal. Þorque elas vão eleger prlnclpalmenLe a causa mals adequada. val eleger um venLo como sendo
um evenLo em absLraLo mals apLo a produzlr o dano e mesmo que ouLras causas lnLerflram, aLe que o dano
aconLeça, a responsabllldade será aLrlbulda a aquele su[elLo. Þorque pela anallse absLraLa, aquela conduLa e a
conduLa mals provável, mals adequada para produzlr aquele dano ao flnal verlflcado.
no[e a ma|or parte da doutr|na traba|ha com a teor|a da causa d|reta e |med|ata.
2.3 1eor|a da causa d|reta e |med|ata: Po[e a malor parLe da
douLrlna Lrabalha com essa Leorla da causa dlreLa e lmedlaLa.
Aflrma-se aLe que a adoção expressa dela no Códlgo clvll, na parLe
de obrlgações, mals preclsamenLe no ArL.403.
ve[am que esse arLlgo e um arLlgo regulamenLe perdas e danos, e
ele dlz que as perdas e danos, que vão ser uma consequôncla mals comum da responsabllldade clvll, só serão
devldas levando em conLa o que for dano advlndo de modo dlreLo e lmedlaLo da conduLa. Lssa Leorla e
Lambem chamado de Leorla da lnLerrupção do nexo causal. porque a ldela e que, Lodo evenLo que modlflca o
nexo de causalldade, conLrlbulndo para o dano, lnLerrompe, caba com o nexo de causalldade anLerlor. Þor
exemplo, o su[elLo aLropelou o ouLro e fraLurou a perna. Al pega e llga para SAMu, só que vem um camlão,
baLe na ambulâncla com o su[elLo, e maLa ele. vocô não val aLrlbulr o evenLo morLe ao prlmelro que aLropelou.
Þorque a ldela e que houve prlmelro uma conduLa que gerou o dano, a fraLura. uepols daqul, vem ouLra
conduLa que gera ouLro dano. Þor essa Leorla da causa dlreLa e lmedlaLa essa prlmelra conduLa não e causa
dlreLa e lmedlaLa dessa dano/morLe, porque houve uma lnLerrupção do nexo causal. Lssa lnLerrupção do nexo
causal se da aLraves da reallzação de ouLra conduLa, quando aconLece ouLra conduLa que fol de modo dlreLo
e lmedlaLa a conduLa causadora desse dano.
C grande problema aqul e saber o que e que lnLerrompe o nexo causal. o que e uma conduLa suflclenLe para
que eu possa dlzer que houve a lnLerrupção do nexo causal. para lsso eu Lenho as subLeorlas da Leorla da
causa dlreLa e lmedlaLa.


SUB TEORIAS:
ArL. 403. Alnda que a lnexecução resulLe de
dolo do devedor, as perdas e danos só
lncluem os pre[ulzos efeLlvos e os lucros
cessanLes por efelLo dela dlreLo e lmedlaLo,
sem pre[ulzo do dlsposLo na lel processual.
Nana Fernandes de Souza
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! Causa responsáve|: ela parLe da ldela de que vocô Lem um lllclLo gerando dano. Lle fala que se enLre
essa conduLa e esse dano se lnLerpuserem faLos llclLos ou faLos naLurals, não há a lnLerrupção. Só
haverla lnLerrupção se ocorrer um faLo Lambem lllclLo. Þor exemplo, o su[elLo aLropelou ouLro, lllclLo. L
al a SAMu velo, lmoblllzou, colocou na ambulâncla Ludo lsso e llclLo. LnLão, qualquer dano que
aconLeça aqul, nessa momenLo ao su[elLo e aLrlbuldo ao su[elLo que Leve a prlmelra conduLa. no
momenLo em que aconLece o ouLro acldenLe, lnLerrompe esse nexo causal. L a morLe aqul não val ser
aLrlbulda ao prlmelro, porque houve a lnLerrupção do nexo causal.
lllclLo -|---|---|---|---|-- dano
A crlLlca que se faz a essa Leorla e com base em um exemplo dano por um auLor. A causa em 8 loucura.
A faz alguma colsa que desencadeel com que 8 flque maluco. AnLes que se nomeel um curador para 8,
8 causa um dano em C. não Lem nenhuma loglca vocô querer que A se[a responsável por lsso. Mas
segundo essa Leorla A serla, porque enLre essa lllclLude não Lem nada que lnLerrompa. 1udo serla no
flnal das conLas responsabllldade de A. (e não Lem senLldo) lsso e um exemplo de que nem sempre val
preclsar verdadelramenLe de algo lllclLo para lnLerromper o nexo causal. Þorque A não pode ser
responsablllzada para sempre ou aLe que se nomeel um curador, por qualquer dano que 8 cause.
Se LenLa resolver lsso, [usLamenLe não falando de aLo lllclLo, mas slm aLo lmpuLável ao devedor. CuLra
crlLlca - um exemplo que se dar de modlflcação dessa Leorla para poder fazer ela mals funclonal - e
descolando a lnLerrupção do aLo lllclLo para a ldela do aLo lmpuLável. Þor exemplo, lmaglne um su[elLo
val lá e faz um LraLamenLo com o medlco, e al o medlco lndlca que ele reallze um deLermlnado
LraLamenLo em casa. C faLo desse su[elLo não segulr a lndlcação medlca não e em sl um aLo lllclLo. Mas
vocô não se LraLar e um aLo que lhe e lmpuLável. L um aLo cu[a a responsabllldade lhe e aLrlbulvel.
LnLão, se vocô fol aLendldo pelo medlco e deLermlna que vocô reallze um LraLamenLo e vocô não
observa essa conLa, essa não reallzação do LraLamenLo, essa não observâncla, por lhe ser lmpuLável
Lermlnarla rompendo o nexo causal. C modo lmpuLável e mulLo mals fácll de lnLerromper, porque
vocô não preclsa que esse aLo que lnLerrompe se[a um aLo doLado de lllclLo, vocô preclsa que esse aLo
que lnLerrompe se[a um aLo aLrlbulvel, lmpuLável a um deLermlnado su[elLo. L al vocô Lermlna Lendo
uma malor facllldade da lnLerrupção do nexo causal.
! Da regu|ar|dade causa|: conslsLe em averlguar se a causa que gerou o novo dano o Lerla produzldo
absLração felLa do aLo do devedor auLor do prlmelro dano. A ldela aqul e mulLo próxlma a ldela de
lmpuLabllldade. vocô val verlflcar se a conduLa e uma conduLa regular, ou se a conduLa e uma conduLa
lrregular. 8egular ou lrregular no senLldo de conduLa normalmenLe esperada ou conduLa que foge do
que deverla ser. Þor exemplo, lmaglne que um su[elLo vende um cavalo para o ouLro. Sendo que esse
que vendeu conLraLa um Lercelro para reallzar a enLrega do anlmal. L esse Lercelro causa a morLe do
anlmal duranLe a enLrega. Alnda que no prlmelro momenLo pode ser que o vendedor venha responder,
mas no flnal das conLas quem val arcar com Ludo e esse Lercelro LransporLador. Þols houve uma
regularldade na conduLa dele. Se ao conLrarlo, vendeu o anlmal, mas o comprador flcou de pegar o
anlmal denLro de 60dlas. nesse melo Lempo, esse vendedor Llnha felLo a encomenda de ração para um
fornecedor. Lsse fornecedor não da ração no Lempo deLermlnado. Al o vendedor não compra a ração
em lugar mals nenhum e os anlmals morrem de fome. vocô não val poder aLrlbulr a esse su[elLo
lnadlmplenLe a responsabllldade pela morLe do anlmal. A conduLa dele de não enLregar a ração do
anlmal fol lrregular, mas a conduLa do dono do anlmal Lambem fol lrregular e a conduLa que causou a
morLe não fol a falLa de enLrega da ração. A conduLa fol o vendendo não Ler procurado ouLra forma de
allmenLar o anlmal.
! Da necessar|edade da causa: um problema dessas subLeorlas e que se vocô for lnLerpreLar de modo
resLrlLo vocô pode Lermlnar delxando algumas slLuações sem lndenlzação. Al Lem uma subLeorla que
LenLa faclllLar a obLenção de lndenlzação, mas que Lermlna ela calndo um pouco na Leorla da
causalldade adequada. Lla e chamada de subLeorla da necessarledade da causa. C ponLo aqul, vocô val
anallsar se a causa dlreLa e lmedlaLa e uma causa necessárla para a ocorrôncla do dano. L uma causa
sem a qual o dano não aconLecerla. C problema e que vocô Lermlna enLrando na mesma absLração da
Nana Fernandes de Souza
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Leorla da causalldade adequada. LnLão ve[am, que nenhuma dessas Leorlas e lsenLa de crlLlca, são
Leorlas que mulLas vezes Lermlnam aLe Lendo uma confusão enLre eles. C que muda nas subLeorlas e
vocô deflnlr qual e o evenLo suflclenLe para a lnLerrupção do nexo causal.
AULA S - 07]03

kLLA1IVI2AÇÂC DC NLkC CAUSAL
1. Nexo causa| f|ex|ve|
2. Iortu|to |nterno
3. 1h|n sku|| ru|e
4. 1eor|a da causa||dade a|ternat|va
Decisão em que se trabalha com algumas dessas teorias.
Caso fáLlco: uma menlna de 9 anos ferlu a mão, e al fol para um lugar para ser aLendlda. Chegou lá o medlco
planLonlsLa aLendeu a menlna, recelLou e mandou para casa. ulas depols, a mão da menlna começou a
lnfecclonar, a plor e fol levada para aLendlmenLo em ouLro hosplLal. Chegando á, ouLro medlco fez o
aLendlmenLo e verlflcou que Llnha flcado farpas denLro da mão da menlna. lol fazer a clrurgla e Leve a anesLesla
(Lercelro medlco) e duranLe a clrurgla a menlna Leve parada cardlaca e enLrou em coma, sendo Lransferlda para
ouLros hosplLal, passando por mals 4 clrurgla mas não Leve [elLo e a menlna morreu.
ConduLas envolvldas no caso concreLo: Pouve o prlmelro aLendlmenLo medlco 1- delxou as farpas,
uepols do aLendlmenLo medlco 2 ocorreu o evenLo morLe.
Cs genlLores enLraram com uma ação, alegando erro medlco dos dols medlcos e conLra os dols hosplLals - o que
fez o aLendlmenLo e o que fez a anesLesla. LnLão não houve conLra o medlco que dlsse que preclsava da clrurgla.
8esponsabllldade do prlmelro medlco por negllgencla que não reallzou a llmpeza do ferlmenLo com lsso gerando
a lnfecção, o segundo medlco (anesLeslsLa) uLlllzou medlcamenLo anesLeslco que causa compllcações cardlacas e
não esLeve presenLe no aLo clrurglco o que Lerla conLrlbuldo na plora do caso da paclenLe.
SenLença em prlmelra lnsLâncla: houve condenação de Lodo mundo. C [ulz [ulgou parclalmenLe o pedldo,
condenando medlco 1 a pagar 27,300 reals, o anesLeslsLa a pagar 16,330 e os hosplLals a pagar 34,300,00.
na apelação: o prlmelro hosplLal dlz que a culpa não fol sua, devldo ao faLo da vlLlma Ler sldo orlenLada a volLar
caso Llvesse algo errado e não volLou, sendo o medlco lmposslblllLado de conLlnuar o LraLamenLo. L anexou um
laudo perlclal mosLrando que a culpa fol do anesLeslsLa, alegando a Leorla da causa dlreLa e lmedlaLa. noLem que
a legação desse medlco e do prlmelro hosplLal e a mesma. Lles querem dlzer que- alnda que no prlmelro
aLendlmenLo não se Lenha verlflcado essa farpa, não houve um ouLro evenLo que lnLerrompe o nexo causal.
C segundo hosplLal e o segundo medlco, alegam no laudo perlclal que no procedlmenLo anesLeslco não houve
nenhum problema. A menlna [á se enconLrava num esLado lnfeccloso quando fol submeLldo a anesLesla
lnexlsLlndo um nexo causal dlreLo. Pouve pelo conselho federal de medlclna a lnocôncla ao medlco anesLeslsLa.
A morLe decorreu de um evenLo que poderla aconLecer.
A Leorla adoLada no [ulgamenLo dessa apelação fol a Leorla da causalldade adequada. Segundo a qual a causa e
deflnlda como anLecedenLe necessárlo e adequado a produção do resulLado. Þor essa razão afasLou a
responsabllldade do prlmelro medlco. CuanLo ao segundo medlco se afasLa a quesLão da negllgencla, porque
flcou provado que ele acompanhou Lodo o procedlmenLo. CuanLo em relação a subsLancla da anesLesla se
comprou que pelo menos a epoca era uma subsLancla comumenLe uLlllzada para anesLesla. AfasLou-se enLão a
responsabllldade clvll dos medlcos e em consequôncla exclul a responsabllldade dos hosplLals.
Nana Fernandes de Souza
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8elaLlvlzação do nexo causal, slLuação em que as vezes para o [ulgamenLo não val se levar em conLa nem mesmo
o nexo causal. Cu val se levar em conLa o nexo causal mas havendo de algum modo uma relaLlvlzação da sua
verlflcação. A verlflcação do nexo causal nessas slLuações aqul dar de manelra mals flexlvel, de manelra mals
relaLlvlzada.
1. Nexo causa| f|ex|ve|: na verdade não e uma Leorla, Schrelber crla esse Lóplco no llvro para falar de slLuações
em que aconLece o que ele chama de presunção clandesLlna de causalldade, ou se[a, esse Lóplco e para mosLrar
como mulLas vezes slLuações em que não ha de modo Lão claro a exlsLôncla de nexo causal alnda asslm o [ulz
Lermlna enxergando o nexo causal de alguma manelra para dar lndenlzação. MulLas vezes uLlllzando como Leorla,
embora não ha[a desenvolvlmenLo Leórlco para lsso, uma colsa chamada responsabllldade clvll agravada. Cue
Lermlna sendo legada mals ou menos nas mesma slLuações que vlmos anLerlormenLe na Leorla do rlsco lnLegral.
Cue e [usLamenLe a slLuação em que há o desprezo pela necessldade de prova do nexo causal. L uma apllcação
mals lndevlda, mals reallzada pelo maglsLrado do que pela lel.
Lsse prlmelro ponLo não e uma Leorla, e mulLo mals uma crlLlca a slLuações ponLuals, um alerLa que o auLor faz a
slLuações ponLuals em que os [ulzes na praLlca Lermlna desconslderando a relação de causalldade para dar
lndenlzação, mesmo em slLuações que normalmenLe não se consLaLarla a exlsLôncla de nexo causal.
2. Iortu|to |nterno: nos vlmos que há algumas slLuações que exclul a responsabllldade do su[elLo - o caso
forLulLo, força malor, culpa de Lercelro ou faLo de Lercelro, culpa excluslva da vlLlma, que são slLuações de
exclusão da responsabllldade clvll, slLuações que enfraquecem com o nexo causal. vocôs vlram em obrlgações
que quando o faLo que gerou o dano e decorrenLe de caso forLulLo e força malor, o comum e que se afasLe a
responsabllldade do su[elLo. !usLamenLe porque se consldera que aquele evenLo, fol um evenLo que aconLeceu
sem que houve um nexo de causalldade com a conduLa do su[elLo.
vocôs devem lembra, no códlgo clvll, normalmenLe quando se fala em caso forLulLo e força malor se deflne asslm
- aquele evenLo lnevlLável e lmprevlslvel. Cu se[a, se exclula a responsabllldade do su[elLo, porque o evenLo que
ocaslonou o dano e um evenLo que escapa a esfera de responsabllldade do su[elLo. Þor ser um evenLo lnevlLável
e lmprevlslvel. normalmenLe, o su[elLo provando que o dano decorreu em verdade de um evenLo lnevlLável e
lmprevlslvel, lsso normalmenLe afasLa a responsabllldade. Só que se desenvolveu uma Leorla que e a chamada
Leorla do forLulLo lnLerno.
nessa Leorla do forLulLo lnLerno alem do evenLo ser lnevlLável e ser lmprevlslvel, se exlge Lambem que esse
venLo se[a um evenLo exLerno a aLlvldade regular de dlrelLo. Cu se[a, se o evenLo e lnevlLável e lmprevlslvel, mas
faz parLe da aLlvldade regular do su[elLo ele val responder de acordo com essa Leorla do forLulLo lnLerno. nessa
Leorla, provar que o evenLo e lnevlLável e lmprevlslvel não e suflclenLe. 1em que se provar que e um evenLo
lnevlLável, lmprevlslvel e exLerno a aLlvldade normal do su[elLo. Se for um evenLo lnevlLável, lmprevlslvel, porem
lnLerno a aLlvldade do su[elLo regular do su[elLo, alnda asslm não se afasLa a responsabllldade, ele será obrlgado
a lndenlzar.
Scherelber [ulga um caso em que ele dlz que houve uma má ampllação - o su[elLo Lem um hoLel e no hoLel Lem
uma plsclna com escorrega. Al um hospede resolve sublr no escorrega e usar o escorrega como uma especle de
Lrampollm para mergulhar na plsclna. Lle pula de cabeça e a parLe da plsclna em que o escorrega se enconLra
não e suflclenLe para vocô pular do alLo do escorrega e melhor. L al ele se acldenLe. C que normalmenLe
lmpllcarla em afasLar a responsabllldade, porque vocô não val lmaglnar que alguem val pular do escorrega e se
acldenLar. Þorem, nesse caso fol concedldo a responsablllzação conslderando que se LraLava de um forLulLo
lnLerno. Cu se[a, se vocô e dono de um hoLel e coloca um escorrega, pessoas que uLlllzam a escorrega faz parLe
do rlsco da sua aLlvldade.

L lnLeressanLe a genLe ver que o próprlo S1! [á Lem uma
sumula sobre o forLulLo lnLerno. Sumula 479 do S1! -
S0MULA n. 479 - As lnsLlLulções flnancelras
respondem ob[eLlvamenLe pelos danos gerados por
forLulLo lnLerno relaLlvo a fraudes e dellLos praLlcados
por Lercelros no âmblLo de operações bancárlas
Nana Fernandes de Souza
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deLermlnando a apllcação dessa Leorla do forLulLo lnLerno as lnsLlLulções flnancelras, as operações bancarlas.
C A S O S:
! Ação e |nden|zação de danos mora|s e matór|as furto a cofre de banco, |nocorrônc|a de caso fortu|to - a
ldela e [usLamenLe que, como a aLlvldade do banco que loca um cofre para o cllenLe, [á envolve a ldela de
que o banco val delxar aqullo que esLá guardado no cofre em segurança. um roubo, que normalmenLe
serla aponLado como caso forLulLo, não afasLa a responsabllldade do banco. porque se consldera que o
roubo, e algo que aconLece denLro da aLlvldade regular bancarla. Cue a responsabllldade conLraLual que
ele assume como cllenLe, e a responsabllldade que envolve a ldela de que ele val guardar aquele bem ou
que ele val guardar aquele valor mesmo com o roubo. Lle parLe da presunção que a colsa esLará melhor
guardada e melhor proLeglda no banco do que em sua casa, ou em qualquer ouLro lugar. Þor slso que a
responsabllldade do banco Lermlna sendo deflagrada mesmo dlanLe de um caso de roubo.
! Inscr|ção |ndev|da em cadastro de |nad|mp|ônc|a. Abertura de conta bancar|a med|ante fraude de
terce|ros: o faLo de uma pessoa abrlr a conLa fraudulenLa - alguem pega seus danos e abre uma conLa
bancarla. L al vocô pega um empresLlmo no banco com seu nome e depols não paga, e o banco
acredlLando que e vocô val lá e Le lança no cadasLro de lnadlmplenLe. nesse caso flca conflgurado o dano
moral, porque a flscallzação era algo que fazla parLe da aLlvldade lnLerna do banco. se o banco permlLlu
que a conLa fosse aberLa de modo lnadequado, enLão, ele Lem que arcar com a responsabllldade. Þouco
lmporLando o faLo de que essa conLa fol aberLa de modo fraudulenLo. na reparLlção dos rlsco, por se
conslderar que lsso farla parLe da próprla aLlvldade bancarla, nesse caso se acabou conflgurando dano
moral lndependenLe de Ler o evenLo sldo, alo que normalmenLe serla conslderado normalmenLe como
um caso forLulLo. Se consldera que e um evenLo que faz parLe do rlsco que o banco acelLa assumlr.
! Iuto de cartão de cred|to. Compras reallzadas por Lercelros no lapso exlsLenLe enLre o dellLo e a
comunlcação. lraude - 8esponsablllzação de lnsLlLulção flnancelra. C su[elLo Leve o carLão de credlLo
roubado, não e clonagem, nem furLo ao banco. LnLre ele avlsar o banco que fol roubado de roubo, [á
usaram o carLão de credlLo. C banco que responde.
! Um caso em que se ap||ca fortu|to externo, e portanto, não há responsab|||dade. AconLeceu o roubo de
cargas dos correlos. Se conslderou que era um caso forLulLo exLerno e não lnLerno. Þorque se conslderou
que os correlos não Lerla responsabllldade ao ponLo de responder por um roubo.

3. 1h|n sku|| ru|e: "crânlo flno" - 1eorla da responsabllldade por dano agravado. A responsabllldade do su[elLo
em slLuações regulares normalmenLe decorre do segulnLe racloclnlo - vocô esLa respondendo porque vocô Leve
uma conduLa que gera esse resulLado. Mas, mals do que lsso, vocô esLa respondendo porque vocô gera uma
conduLa porque vocô sabla, poderla ocaslonar o resulLado. Þor exemplo, vocô responde pelo homlcldlo de uma
pessoa, porque quando vocô da um Llro na cabeça vocô sabe que a chance de maLar e mulLo grande. Þor lsso
vocô val responder penal e clvllmenLe. Mals se ao conLrarlo, vocô da um peLeleco na cabeça e ela morre porque
Lem um problema congônlLo e dando um peLeleco na cabeça desencadela uma reação que leva a morLe. A
dlscursão e, eu com esse meu peLeleco na cabeça devo responder na esfera clvll pela morLe dela? A orlgem
dessa Leorla fol [usLamenLe dlscursões asslm - slLuação em que o su[elLo causou um dano ao crânlo do ouLro e
que por um problema geneLlco do su[elLo acabou ocaslonando a morLe, normalmenLe não ocaslonarla. A
dlscursão e, o su[elLo deve responder por um dano, que normalmenLe não serla um dano esperado pela sua
conduLa? Lssa 1hln shull rule normalmenLe e relaclonada com a causalldade flslca, ou com um aLo do Lercelro.
Mals eu vl dols arLlgos esLrangelros LraLando do 1hln skull rule vlnculado a uma quesLão culLural e rellglosa. na
1hln Skull 8ule e a ldela da lmprevlslbllldade, vocô não Lem como saber que a pessoa Lem um problema na
eplgloLe, que a pessoa val morrer com um peLeleco na cabeça porque Lem um problema congônlLo. São
slLuações em que se apllca 1hln Skull 8ule e a pessoa que Leve a conduLa responde pelo resulLado mals agravado.
normalmenLe a sua conduLa em ouLra pessoa não causarla esse dano, só que essa pessoa Lem uma condlção
especlflca que a sua conduLa causou esse dano. Se alega essa 1hln Skull 8ule para responsablllza-lo por esse dano
mals leslvo do que serla o dano normal, regular. Aqul pressupõe que houve um nexo enLre a conduLa e o dano,
só que o dano como fol normalmenLe não se decorrerla de uma conduLa daquela. C dano decorre
Nana Fernandes de Souza
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prlnclpalmenLe não da conduLa. A causa mals apLa a produzlr o dano não fol a conduLa do agenLe, a causa mals
apLa para produzlr o dano fol uma condlção do su[elLo, segundo a Leorla da causalldade adequada.
4. 1eor|a da causa||dade a|ternat|va: quando vocô não consegue ldenLlflcar o causador do dano, mals vocô
consegue ldenLlflcar o grupo causador do dano, vocô aLrlbul responsabllldade ao grupo, ao lnves de aLrlbulr
responsabllldade ao causador. Lembra aquela ldela de culpa anônlma, só que vlnculado a nexo causal. C ponLo
aqul e, por exemplo, vlndo de uma Lorclda organlzada, [ogam uma laLa e agarra no bandelrlnha e Lem
LraumaLlsmo cranlano. vocô não consegue ldenLlflcar quem fol o causador, mas vocô sabe que fol aquela Lorclda
organlzada, aquela pessoa [urldlca. usando essa Leorla da causalldade alLernaLlva vocô consegulrla
responsablllzar a Lorclda pelo dano causado ao bandelrlnha. 1em alguns casos do nosso códlgo clvll que esLão
prevlsLo de manelra expressa. Þor exemplo, vamos esLudar alnda responsabllldade do faLo da colsa, e vocôs vão
ver que colsas caldas da [anela num condomlnlo fazem com que o condomlnlo lnLelro responda. Aqul vocô não
Lem verdadelramenLe um nexo causal com cada um daqueles su[elLos. vocô presume o nexo causal com aquele
grupo para que vocô Lenha como lndenlzar a vlLlma, [á que ela não Lem nenhuma condlção de verlflcar quem fol
o causador. nada lmpede que posLerlormenLe esse grupo busque em ação regresslva fazer com que o causador
venha responder. Mas no prlmelro momenLo o que se quer e garanLlr a lndenlzação da vlLlma.

AULA 6 - 12]03
DANC
! Noções gera|s: dano mater|a| e dano mora|
Ao longo dos nossos esLudos, percebemos que houve com a evolução das Leorlas de responsabllldade clvll uma
flexlblllzação nos requlslLos. !á vlmos que a culpa, de modo basLanLe clara, fol afasLada em algumas slLuações.
Aqul a genLe começa a Lrabalhar, Lambem, de um modo mals amplo, a ldela de responsabllldade clvll ob[eLlva,
que lmpllca que dlversas slLuações vocô se quer val coglLar a anallse da culpa, passando dlreLo para a anallse do
nexo causal. vlmos Lambem, que em mulLas Leorlas, a próprla anallse do nexo causal e uma anallse que fol
flexlblllzada. Agora, um colsa que não Lem como ser relaLlvlzada, que modo algum val ser afasLada, e o dano.
não Lem como pensar responsabllldade clvll sem dano. A ldela de responsabllldade clvll e [usLamenLe lndenlzar,
reparar o dano que fol sofrldo. vocô pode aLe pensar em responsabllldade clvll sem culpa, com um nexo causal
mals fraco ou aLe sem nexo causal. Agora, responsabllldade clvll sem dano e algo que não exlsLe. A ldela da
responsabllldade clvll e llgada dlreLamenLe ao dano. LxlsLe responsabllldade porque houve dano, se não
houvesse dano não haverla responsabllldade.
Þor vezes os auLores usam |nden|zar e reparar como slnônlmo, mas em ouLras slLuações lsso e usado Lambem de
manelra dlversa. Se usa a expressão reparar mals em slLuações em que e posslvel devolver o su[elLo a slLuação
que ele se enconLrava anLerlormenLe. Se cosLuma usar reparar mals em dano maLerlal do que moral, por
exemplo, houve um descumprlmenLo do conLraLo que gerou um pre[ulzo de 3mll reals, e al o su[elLo val reparar
esse pre[ulzo pagando 3mll reals, porque a ldela e devolver ao esLado anLerlor. !á em dano moral não se cosLuma
falar em reparação porque vocô não Lem como, ou pelo menos não de modo efeLlvo, devolver ao su[elLo a
slLuação que ele se enconLrava anLes da ocorrôncla do dano. C que vocô val buscar e lndenlzar o su[elLo por
conLa do dano sofrldo. A lndenlzação como uma compensação, o pagamenLo de um valor como forma de
compensação do dano sofrldo. Compensando, vocô não esLá devolvendo ao su[elLo o que ele Llnha anLes, mas
compensando ele pelo aquele dano que ele sofreu.
Po[e e paclflco, sobre a posslbllldade da exlsLôncla do dano moral. Pouve [á epoca em que vocô Llnha aLe mesmo
duvlda sobre a exlsLôncla do dano moral. Po[e e paclflco que dano moral exlsLe. L paclflco que dano moral e
dano maLerlal podem ser cumulávels, podem ser Lambem lndependenLes. na próprla Cl Lema garanLla do dano
moral. L algo que [á se enconLra superado, não e amls ob[eLo de anallse. Lmbora, nós vamos ver ao longo das
aulas, nós Lenhamos ouLras quesLões sobre ouLros danos se exlsLem ou não exlsLe.
Nana Fernandes de Souza
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Lm Lermos de lndenlzação eu posso aponLar dols arLlgos como sendo
bem lmporLanLes. C prlmelro e o arL.944. vocô não pode pensar em
responsabllldade clvll sem pensar em Lrabalhar com a ldela do dano. L
esse arLlgo e bem claro nesse senLldo. Lle delxa bem claro que a medlda da lndenlzação e o dano. vocô não val
lndenlzar nada alem daqullo que fol o dano causado. Asslm como vocô não val lndenlzar nada a menos do que fol
o dano causado. Mals, nos Lemos a ldela de que essa |nden|zação deve ser |ntegra|. lnLegral no senLldo que Lodo
dano que fol causado deve ser lndenlzado. C próprlo llmlLe da ldela de lndenlzação e o próprlo dano. Lssa ldela
da lndenlzação lnLegral esLá mulLo presenLe Lambem em colsas que esLudamos em obrlgações, no arL.391 que
dlz asslm: “Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor
1
." LnLão ve[am que essa ldela da
reparação lnLegral ela Lermlna envolvendo não só a quesLão do dano causado, mas delxando claro aLraves desse
arL.391 que o paLrlmônlo do devedor será aqullo uLlllzado para o pagamenLo da lndenlzação. A lndenlzação
mede-se pela exLensão do dano e por esse dano val responder Lodo o paLrlmônlo do devedor.
Lssa ldela da reparação lnLegral nem sempre val se reallzar, não só pela
quesLão da lnexlsLôncla do paLrlmônlo. Mas, por vezes ela será afasLada. ve[a o
que dlz o paragrafo unlco do ArL.944. enLão ve[am que o normal e, em Lendo
havldo dano vocô Ler a reparação e a responsablllzação de modo lnLegral. Mas
ve[am que lsso nem sempre se dará porque eu posso Ler a quesLão da culpa
como um faLor que val modlflcar na deLermlnação dessa lndenlzação. Cuando
eu falel sobre culpa, eu falel que em regra na responsabllldade clvll não faz dlferença o grau de culpa, o que
lmporLa e a reparação do dano. Mas Lambem flz a ressalva, que em algumas slLuações essa culpa pode
lnfluenclar na mensuração do dano. São duas as slLuações: essa que acabamos de ver e a ouLra e [usLamenLe a
do arLlgo segulnLe 943.
C art. 944 paragrafo ún|co e uma das slLuações não mulLo comuns do Códlgo clvll, em que o leglslador
expressamenLe, permlLlu o [ulgamenLo por equldade por parLe do [ulz. C que se faz aqul e uma ponderação
enLre a ação e o resulLado. C que se quer aqul são duas colsas: normalmenLe há uma correlação enLre o grau de
culpabllldade da conduLa e o dano em quesLão. C dano que vocô causa dlrlglndo desaLendo a 40km/h num
acldenLe. não e provavelmenLe o mesmo dano que vocô causa dlrlglndo desaLenLo a 100km/h. C cara desaLenLo
a 100km/h e mals lrresponsável do que o que esLá a 40km/h. lsso e o normal, regular. Agora, por vezes vocô
pode Ler uma desproporção mulLo grande, enLre o grau de culpa e o dano em quesLão. Þor vezes o grau de culpa
pode ser mlnlmo e o dano ser lmenso. Þor exemplo, lmaglne uma pessoa no quarLo de hoLel que delxa um
clgarro acesso no clnzelro e que por qualquer faLalldade esse clgarro cal e Loca fogo no hoLel. C grau de culpa do
su[elLo, e um grau mlnlmo. Lsse su[elLo em Lese Lerla que lndenlzar o hoLel lnLelro. Al se pondera - será que serla
razoável se exlglr lsso? Þor ouLro lado Lambem, essa ldela da lndenlzação ser vlnculado ao grau da culpa, passa
por uma ouLra anallse que e segulnLe - no senLldo oposLo, quando o su[elLo age dolosamenLe, mas o dano
causado e um dano que não e mulLo ou que para ele não e mulLo. Þor exemplo, o su[elLo e blllonárlo e al o cara
pega, brlgou com ouLro que e pobre e conLraLa alguem para demollr a casa do ouLro. CuLro exemplo, mulLas
vezes e Lônue a dlferença enLre uma mulLa e uma Laxa. vamos dlzer que eu Lenho mulLo dlnhelro e eu
slmplesmenLe desrespelLo o llmlLe de velocldade sempre que eu quero porque para mlm pagar aquele valor e
compleLamenLe lrrelevanLe. C que eu quero mosLrar e que mulLas vezes a slmples ldela da lndenlzação como
algo para resLrlnglr o comporLamenLo abuslvo, pode não ser suflclenLe, porque para aquele su[elLo pagar a
lndenlzação se[a algo que não doe. LnLão eu Lenho dols exLremos: em que o su[elLo não Lem mulLa culpa e causa
um dano. Como eu Lenho o oposLo em que o su[elLo age dolosamenLe para causar o dano.
Agora, quero dlscuLlr a slLuação em que o su[elLo não val ser obrlgado a pagar a lndenlzação de modo lnLegral
porque o [ulz equlLaLlvamenLe, baseado no [ulzo de equldade esLa auLorlzado a reduzlr essa lndenlzação, quando
houver desproporção enLre o grau de culpa e o dano. L [usLo lsso? C problema aqul e escolher quem val flcar no
pre[ulzo. lsso daqul Lem que ser uLlllzado de uma manelra mulLo equlllbrado, com mulLo culdado. ueve ser
levado em conLa de que para a lndenlzação respondem Lodos os bens do su[elLo mas, Lodos os bens que possam

"
1odo o paLrlmônlo que pode responder. Aqueles bens que são lmpenhorávels, aqueles que por qualquer moLlvo enconLram-se
proLeção e fora do comerclo não são bens que poderão ser uLlllzados para lndenlzação.
Art. 944. A lndenlzação mede-se pela
exLensão do dano.
Þarágrafo ún|co. Se houver
excesslva desproporção enLre a
gravldade da culpa e o dano,
poderá o [ulz reduzlr,
equlLaLlvamenLe, a lndenlzação.
Nana Fernandes de Souza
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responder. Lssa e uma regra que Lem a lnLenção de evlLar o dano ao grupos soclal como um Lodo, deve se pauLar
mulLo com a ldela do arL.391. e algo que Lem que ser anallsado dlanLe do caso concreLo para dall vocô ver se
deve reduzlr a lndenlzação ou se deve apllcar a ldela de reparação lnLegral.
CuLra slLuação em que Lambem pode haver a redução desse lndenlzação, e
a slLuação do art.94S. ve[am que aqul e o caso da chamada cu|pa
concorrente ou causa concorrente. nos vlmos que a lndenlzação,
chegamos a ela aLraves de uma relação de causalldade enLre a conduLa e o
dano. L lmpuLado ao su[elLo o dever de lndenlzar, porque fol a conduLa
dele que ocaslonou aquele dano. Cuando se pensa em culpa concorrenLe/causa concorrenLe e que fol a conduLa
dele que ocaslonou aquele dano, mas não fol apenas a conduLa dele que ocaslonou aquele dano. Pouve Lambem
uma conduLa por parLe da próprla vlLlma que fol uma conduLa que conLrlbulu para o dano que ela sofreu. Þor
exemplo, qualquer slLuação de conLraLo de LransporLe em que a pessoa que esLá sendo LransporLada se recusa
cumprlr com as normas de segurança. Þor mals que o LransporLador Lenha uma responsabllldade sobre aquele
su[elLos, claro que no momenLo que os su[elLos decldem não cumprlr com uma norma de segurança, Lambem
ele esLa conLrlbulndo para que se alcance o dano flnal. Aqul e a ldela e [usLamenLe essa - se a lmpuLação da
responsabllldade exlsLe [usLamenLe porque exlsLe uma relação enLre a conduLa do ofensor e o dano, quando ara
esse dano conLrlbulu não somenLe a conduLa do agressor, mas Lambem a conduLa da vlLlma, não Lem como vocô
aLrlbulr a esse agressor um dever de lndenlzar que se[a lgual a se o evenLo alcançado Llvesse sldo somenLe por
conLa da conduLa dele. Aqul a genLe enLra Lambem numa slLuação em que exclula a próprla responsabllldade,
que e a slLuação de conduLa/culpa excluslva da vlLlma, em que vocô afasLa por lnLelro o dever de lndenlzar. Aqul
não, aqul o dano e ocaslonado por duas conduLas - do ofensor e da vlLlma. L mulLo comum vocô enconLrar
slLuações de culpa concorrenLe em acldenLes de LranslLo - alguem em alLa velocldade e ouLro que fura o slnal.
Se cosLuma conslderar que o dano decorre da lesão a um dlrelLo. Lesão ao dlrelLo e uma colsa e dano e ouLra.
noLem que a lel e bem clara, a lndenlzação se mede pela exLensão do dano. LsLou chamando aLenção para lsso,
porque eu posso Ler slLuações em que se lesou um mesmo dlrelLo de duas pessoas, mas o dano ocaslonado para
um pessoa Leve uma dlmensão e o dano ocaslonado a ouLra pessoa Leve uma dlmensão dlferenLe. enLão, ve[am
o que lmporLa não e a quesLão da lesão, de que dlrelLo fol lesão e lmporLanLe, mas não só lsso. Þorque a
dlmensão lesão para uma pessoa fol uma colsa e pra ouLra fol ouLra dlmensão. MulLas vezes nós enconLramos
declsões em que a lesão fol a mesma, por exemplo, lnclusão do novo do su[elLo no SÞC Serasa, ou enLão
dlvulgação de lnformações falsa de um su[elLo na lmprensa, de que a lndenlzação e compleLamenLe dlferenLe,
porque vocô verlflca que na anallse do caso compleLo o dano Lambem fol conslderado dlferenLe para um caso e
para o ouLro. Þorque, pode ser que a lmpuLação dos faLos a um su[elLo causa um dano mulLo malor do que a
lmpuLação desses menos faLos a ouLro su[elLo. lsso dal Lraz aquela ldela de concreLude, de dlreLrlz da concreLude.
vocô Lem que levar em conLa as clrcunsLânclas do caso concreLo. uma colsa e a lesão ao dlrelLo ouLra colsa e o
dano causado. MulLas vezes eu posso Ler conduLas leslvas ao dlrelLo. Mas eu posso Ler danos e por consequenLes
lndenlzações dlferenLes. Þor exemplo, lernando Collor recebeu uma lndenlzação do valor de 300mll reals porque
uma revlsLa publlcou alguns faLos leslvos a sua honra. ve[am que a lndenlzação nesse caso, o S1! conslderou
mulLo malor do que a lndenlzação que normalmenLe se consegue por conLa de morLe de um pal, de uma mãe. Se
leva em conLa as condlções especlflcas do su[elLo.
CuLro ponLo Lambem, envolvendo lesão e dano, e a segulnLe - por
força do arL.403 a ldela e que só se lndenlza o dano dlreLo e
lmedlaLo. Lu quero chamar aLenção para esse arLlgo, porque de
lnlclo só haverla lndenlzação porLanLo daqullo que fol dano dlreLo e
lmedlaLo decorrenLe da conduLa do su[elLo. A ldela aqul e afasLar o
que se cosLuma chamar de dano reflexo/rlcocheLe, que serla aquele
dano que guarda alguma relação com a conduLa do agenLe, mas que, em Lese, não decorre dlreLa e
lmedlaLamenLe daquela conduLa. normalmenLe, vocô não val lndenlzar esse dano reflexo, só val lndenlzar,
normalmenLe, esse dano dlrelLo e lmedlaLo. Mas em algumas slLuações, vocô enconLra declsões [udlclals em que
há o pagamenLo de lndenlzação por conLa desse dano reflexo. Casos por exemplo, um su[elLo causou a morLe do
ouLro, e al por força dlsso houve uma condenação deLermlnando que ele pagasse mensalmenLe um valor a LlLulo
ArL. 943. Se a vlLlma Llver concorrldo
culposamenLe para o evenLo danoso, a
sua lndenlzação será flxada Lendo-se em
conLa a gravldade de sua culpa em
confronLo com a do auLor do dano.
ArL. 403. Alnda que a lnexecução resulLe de
dolo do devedor, as perdas e danos só
lncluem os pre[ulzos efeLlvos e os lucros
cessanLes por efelLo dela dlreLo e lmedlaLo,
sem pre[ulzo do dlsposLo na lel processual.


Nana Fernandes de Souza
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de pensão para a famllla - dlreLo e lmedlaLo. uepols um ouLro su[elLo, causa a morLe desse que causou a morLe
do prlmelro. C que se coglLa aqul e que C pode ser obrlgado a pagar essa pensão a famllla de A? A famllla de A
delxa de receber a pensão porque 8 morreu. Só que 8 morreu porque C maLou. A pergunLa e, C Lem que pagar
pensão para a famllla de A, porque e um dano reflexo? LxlsLe dlversas declsões dlzendo que ele Lem que pagar.
lala-se que como essa morLe lmpedlu do ouLro su[elLo de receber o dano, ele val flcar responsablllzado. 1em
algumas ouLras quesLões que podem parecer dano reflexo, mas no enLender do professor são de dano dlrelLo,
mas que as vezes são coglLadas como dano reflexo. Þor exemplo, o su[elLo por conLa de um acldenLe flcou
lmpoLenLe. Só que alem dele enLrar com uma ação, depols a esposa dele enLra com ação [udlclal pedlndo um
dano por conLa do pre[ulzo da vlda sexual dela. C professor acha [usLo ela Ler a lndenlzação. nesse caso, eu
poderla dlzer que e um dano dlreLo e não reflexo. Þorque aquele acldenLe causou para ela um dano a vlda sexual.
Mas, se fala de reflexo porque a vlLlma dlreLa do acldenLe não fol ela, por lsso se Lrabalha como sendo dano
reflexo. C problema e qual o llmlLe desse reflexo. Se adoLa de modo prlmordlal o dano dlrelLo e lmedlaLo, pela
dlflculdade de se esLabelecer qual e o llmlLe.
Lssa ldela de reparação lnLegral e [ulzo de equldade, quer quelra quer não, val Ler efelLo mulLo mals na esfera do
dano maLerlal, do que do dano moral. Þorque o dano lnLegral vocô não Lem como pensar em dano moral, porque
não Lem como vocô devolver o su[elLo o esLado anLerlor. noLem que essa reparação lnLegral e uma dlscursão
mulLo mals para dano maLerlal. !á o dano reflexo/rlcocheLe, e uma dlscursão que eu posso Ler claramenLe LanLo
numa esfera do dano maLerlal, como na esfera do dano moral. C dano reflexo Lraz a posslbllldade de haver a
lndenlzação para um su[elLo que não fol o su[elLo dlreLamenLe ofendldo por aqullo all. C que Lermlna
descambando na próprla quesLão da LlLularldade, de quem e que pode exlglr
essa lndenlzação. ue acordo com a regra do arL.943, a LlLularldade aLlva cabe
em regra ao su[elLo que sofreu a lesão ao dlrelLo, e porLanLo o dano. ve[am
que, a quesLão da lndenlzação que em regra cabe ao su[elLo, e Lambem
Lransmlsslvel para os herdelros, LanLo o dever quanLo o dlrelLo. CuanLo ao dever de lndenlzar, reparar, noLem
que, LransmlLem-se aos herdelros denLro dos llmlLes do paLrlmônlo falecldo causador do dano.
ve[am que a responsabllldade pela lndenlzação e uma
slLuação de responsabllldade solldarla enLre os co-auLores
do dano/lesão ao dlrelLo. Claro que aqul cabe o que
esLudamos em obrlgação solldarla, e que após o
pagamenLo da lndenlzação, haver enLre os causadores
uma correLa dlsLrlbulção da responsabllldade, ação
regresslva, para que um reve[a aqullo que ele pagou,
quando deverla ser pago pela ouLro. Mas para a lndenlzação da vlLlma, eles respondem solldarlamenLe. ue
modo lgual, val ser responsabllldade solldarla Lambem, os su[elLos envolvldos no arL.932, que são slLuações de
responsabllldade por faLo de Lercelro. Þor exemplo, o pal pelo fllho, o LuLor pelo LuLelado.

ATENÇÃO – REVI SÃO AULA
C1. não basLa a lesão ao dlrelLo, Lem que Ler havldo um dano. Þorque a lndenlzação mede-se pela
exLensão do dano, que e a ldela de lndenlzação lnLegral.
C2. Þara Ler essa lndenlzação, responde Lodos os bens do devedor, levando em conslderação somenLe a
quesLão da dlgnldade,
C3. Lsse dano para ser lndenlzável, em regra, Lem que ser um dano dlreLo e lmedlaLo. Mas Lemos na
praLlca, slLuações em que há lndenlzação do dano reflexo/rlcocheLe,
C4. no dano lnLegral, a lndenlzação val ser paga na sua lnLelreza. Mas Lendo slLuações em que e posslvel a
redução do valor da lndenlzação por equldade levando em conLa o grau de culpabllldade.
CS. vlmos Lambem que, lndenlzação, alnda nessa quesLão de culpabllldade ou de mulLlplas causas, pode
vlm a ser reduzlda caso a próprla vlLlma Lenha conLrlbuldo para a ocorrôncla do dano.
C6. 1udo que expllquel vale LanLo para dano maLerlal, como para dano moral.

ArL. 943. C dlrelLo de exlglr
reparação e a obrlgação de presLá-
la LransmlLem-se com a herança.
ArL. 942. Cs bens do responsável pela ofensa ou vlolação
do dlrelLo de ouLrem flcam su[elLos a reparação do dano
causado, e, se a ofensa Llver mals de um auLor, Lodos
responderão solldarlamenLe pela reparação.
Þarágrafo unlco. São solldarlamenLe responsávels com os
auLores os co-auLores e as pessoas deslgnadas no arL. 932.


Nana Fernandes de Souza
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AULA 7 - 14]03
DANC MA1LkIAL
1. Dano emergentes
2. Lucro cessantes
3. Þerda de uma chance:

1. Dano emergentes: quando a genLe fala de dano maLerlal a douLrlna Lrabalha prlnclpalmenLe com essas duas
caLegorlas - dano emergenLes e lucro cessanLe. Cuando se fala de dano emergenLe, vocô val Lrabalhar com a
ldela de dlmlnulção do paLrlmônlo [á exlsLenLe. Þor conLa do lnadlmplemenLo, o su[elLo perdeu x, do valor que
ele [á Llnha. e lsso val ser o que será calculado como sendo o dano emergenLe.
2. Lucro cessante: envolve aqullo que o su[elLo razoavelmenLe delxou de ganhar. 8azoavelmenLe, envolve um
[ulzo de alguma manelra de proporclonalldade, mas e um [ulzo de probabllldade dlanLe de um caso concreLo. C
que a escrlLora esLava anallsando era um conLraLo - era um conLraLo para uma posslvel consLrução de um
complexo hoLelelro, que depols a concessão não fol dada e al a parLe que la consLrulr esLava processando a ouLra,
que serla responsável pelo Lerreno. L a al a professora falou o segulnLe - o lucro cessanLe não e com base no
que um conLraLo desse normalmenLe gerarla. C lucro cessanLe deve ser calculado levando em conLa esse
conLraLo especlflco. lmaglne asslm, um su[elLo que e medlco clrurglão e al sofre um acldenLe e não pode mals
operar. C conLraLo não e com base no que ele posslvelmenLe ganharla. C conLraLo e com base no que ele/su[elLo
especlflco razoavelmenLe delxou de ganhar. L aquela ldela de concreLude, de vocô buscar o máxlmo avallar
aquela slLuação não denLro de um padrão absLraLo, não um denLro de um ºnormalmenLe e asslm, mas slm
buscar aLraves das provas dos su[elLos, qual serla a posslbllldade de ganho naquele caso concreLo.
3. Þerda de uma chance: ela se relaclona não com uma perda de paLrlmônlo [á exlsLenLe, mas slm uma perda
de uma chance que lnLegra o paLrlmônlo do su[elLo. LnLão a perda de uma chance, se relaclona mulLo mals com
lndenlzar o dano a chance, e não lndenlzar o dano flnal. Cuando se fala de perda de uma chance vocô não pode
preLender lndenlzar a chance, do mesmo modo que lndenlza a cerLeza.
no códlgo clvll, nós Lemos um caplLulo denLro de responsabllldade clvll, que LraLa [usLamenLe da lndenlzação.
Alguns desses arLlgos [á Lrabalhamos aula passada, mas ho[e vamos falar de alguns que são dlreLamenLe
vlnculados a danos maLerlals, embora em algumas slLuações Lem haver com dano moral. ÞreclsamenLe, são os
arL. 948 a 931.
Art.948, LraLa [usLamenLe da quesLão do homlcldlo. lmporLanLe
esse º!"# "%&'()* +(,*-! *".-*-/0"!", [usLamenLe para delxar claro
que as hlpóLeses dos lnclsos são hlpóLeses exempllflcaLlvas. Cu
se[a, a lndenlzação por conLa do homlcldlo não se flnde nas
hlpóLeses desses lnclsos, aLe porque os lnclsos se quer LraLam de
dano moral.
l. o
prlmelro caso e claramenLe algo que se encalxa como sendo dano emergenLe. LuLo Lem uma
conoLação mulLo mals volLada para dano moral do que para dano maLerlal.
ll. 1raz algo mulLo mals vlnculado a ldela de lucro cessanLe. Cu se[a, não e aqullo que o su[elLo [á ganhou,
mas aqullo que o su[elLo lrla ganhar.
Art. 948. no caso de homlcldlo, a lndenlzação
conslsLe, sem exclulr ouLras reparações:
l - no pagamenLo das despesas com o LraLamenLo
da vlLlma, seu funeral e o luLo da famllla,
ll - na presLação de allmenLos as pessoas a quem
o morLo os devla, levando-se em conLa a duração
provável da vlda da vlLlma.
Nana Fernandes de Souza
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L lnLeressanLe esse caso de morLe, porque nós [á Lemos dlversas declsões do S1! envolvendo essa quesLão de
morLe do su[elLo. Þor exemplo: morLe de pal, com pedldo de pensão para o fllho. C pal e ºobrlgado" a pagar
pensão aLe os 23 anos do fllho. ve[am que no lnclso ll se fez a opção de flcar os allmenLos, levando em conLa
mulLo mals o prlmelro do que o segundo crlLerlo. Lle fala - ºlevando -se em conLa a duração provável da vlda da
vlLlma", mas ele fala Lambem em - ºpagamenLo de allmenLos a quem o morLo os devla". A ldela aqul e que o
morLo/pal só esLarla em dever de presLar allmenLos, provavelmenLe, aLe quando o fllho compleLasse 23 anos. A
presunção aqul e que uma vez que o fllho compleLasse 23 anos, eles [á esLarla na condlção de lndependôncla
flnancelra, e porLanLo não serla mals razoável o pagamenLo de pensão do pal a ele. ve[am que e uma declsão
que se calca mulLo mals na quesLão da necessldade da vlLlma, do que na quesLão da vlda do falecldo.
ve[am uma ouLra declsão, que e uma declsão não por conLa da morLe do pal, mas slm por conLa da morLe do
fllho. C responsável de morLe de fllha Lrabalhadora, a pensão allmenLlcla mensal flxada no paLamar de 2/3 da
remuneração da vlLlma , aLe a ldela que ela compleLarla 23 anos, e depols enLão, reduz-se o valor a meLade, pols
se presume que ela Lerla uma famllla, dlmlnulndo a a[uda a parenLes. 1emos no S1! dlversos casos em que se
concede a pensão por morLe não por moLe do pal, mãe, mas por morLe do fllho. ve[am que 23 anos para o 1! e o
adulLo compleLo, porque 23 se presume que a fllha lrla consLlLulr famllla, e que porLanLo a parLe dessa verba que
ela uLlllzarla para a[udar a famllla, LeorlcamenLe, dlmlnul porque Lendo ela consLlLuldo uma famllla, a verba que
serla para famllla serla menor.
Mals lnLeressanLe alnda, e algo que S1! vem fazendo quando quem morreu fol um menor/fllho, só que em se
LraLando de fllho que lnLegra famllla de balxa renda, lndependenLemenLe de esLe exercer aLlvldade laboraLlva.
ve[am que o S1! crlou uma presunção, de que menores em famllla de balxa renda, exercem aLlvldade
remunerada. 1rabalham para poder a[udar a famllla. Mesmo em casos em que não há prova nos auLos de que o
menor Lrabalhava, o S1! Lem reconhecldo. Lle não busca verlflcar nem mesmo se o menor exercla a aLlvldade,
ele [á consldera que em sendo su[elLo, fllho de famllla de balxa renda exercla um aLlvldade laboraLlva para a[udar
a famllla.
ArL.949, LraLa-se de ofensa a saude. na próprla descrlção ele Lraz LanLo
dano emergenLe como lucro cessanLe.
! nas despesas do LraLamenLo - dano emergenLe
! uos lucros cessanLes aLe o flm da convalescença - lucro cessanLe.

ua mesma forma, o arL. 930, que dlz: lsso aqul, mulLas vezes
o que se exlge, e que se crle um fundo, verba que garanLa
essa pensão. C que se exlge, e que se vocô val Ler um
penslonamenLo a pagar ao su[elLo que vocô desde [á crle um
fundo a parLlr do qual esse penslonamenLo será reLlrado.
lsso se exlge prlnclpalmenLe quando se LraLa de pessoa
[urldlca. Þor dols moLlvos - prlmelro porque a pessoa
naLural dlflcllmenLe Lem em mãos um valor para consLlLulr
um fundo desses, uma empresa pequena Lambem. Þorem [á uma empresa normalmenLe malor Lerá. Þor
exemplo, o caso do orLopedlsLa e do moLorlsLa do ônlbus. Conslderando que ha[a condenação, a empresa de
ônlbus Lem como consLlLulr um fundo que garanLa o pagamenLo da pensão a esse su[elLo ao longo da vlda. A
ldela daqul e que, como essas empresas são LranslLórlas, para o su[elLo não correr o rlsco de em havendo o
fechamenLo dessa empresa ele não Ler mals a quem recorrer para o pagamenLo dessa pensão. C ldela que se
esLabeleça um fundo, em que vá se exLralndo mensalmenLe esse valor. noLem que, esse poslclonamenLo não e
só em caso de morLe e nem em lnapLldão para o Lrabalho. Mas em caso Lambem, de dlmlnulção de capacldade
laboraLlva. Þode ser que o su[elLo alnda flque apLo ao Lrabalho, mas desde que Lenha havldo dlmlnulção dessa
capacldade laboraLlva, vocô val Ler Lambem dlrelLo a lndenlzação.
ArL. 949. no caso de lesão ou ouLra
ofensa a saude, o ofensor lndenlzará o
ofendldo das despesas do LraLamenLo e
dos lucros cessanLes aLe ao flm da
convalescença, alem de algum ouLro
pre[ulzo que o ofendldo prove haver
sofrldo.
ArL. 930. Se da ofensa resulLar defelLo pelo qual o
ofendldo não possa exercer o seu oflclo ou proflssão, ou
se lhe dlmlnua a capacldade de Lrabalho, a lndenlzação,
alem das despesas do LraLamenLo e lucros cessanLes aLe
ao flm da convalescença, lnclulrá pensão correspondenLe
a lmporLâncla do Lrabalho para que se lnablllLou, ou da
depreclação que ele sofreu.
Þarágrafo unlco. C pre[udlcado, se preferlr, poderá exlglr
que a lndenlzação se[a arblLrada e paga de uma só vez.


Nana Fernandes de Souza
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CuLro ponLo Lambem, a [urlsprudôncla não Lem conslderado verba prevldenclárla como sendo verba de
lndenlzação. Þor exemplo, se o su[elLo conLrlbula para o lnSS e por conLa desse dano ele se aposenLa por
lnvalldez e passa a receber uma pensão, o S1! normalmenLe não Lem conslderado essa pensão prevldenclárla
como sendo compensável da pensão pagável a LlLulo de lndenlzação. Conslderada como sendo colsas dlsLlnLas.
Ao conLrarlo, por exemplo, do seguro uÞvA1 que Lem sldo conslderado como sendo compensável. LnLão o que e
compensável e o que não e compensável, o que pode e o que não pode e algo que vocô val Ler que verlflcar de
acordo com o enLendlmenLo [urlsprudenclal. Þorque o códlgo clvll não aponLa quals serlam as verbas
compensávels e não compensávels.
Alnda sobre essa ldela, Lambem o arL.931. o que ele Lem de
dlferenLe em relação aos anLerlores e a lndlcação do dano Ler
sldo causado no exerclclo de aLlvldade proflsslonal, mas a ldela
e a mesma.
Cuando enLramos nessa ceara do LraLamenLo medlco, e
lnLeressanLe ver que alnda conLlnuamos Lrabalhando com dano
emergenLe e lucro cessanLe, mas enLramos Lambem na quesLão da perda de uma chance. A genLe passa a
Lrabalhar com a ldela da perda da chance de cura. ve[am que essa perda de uma chance, embora o caso Lrazldo
se[a um caso de dano moral e embora a douLrlna mulLas vezes Lermlna vlnculando a perda de uma chance ao
dano maLerlal. A meu ponLo de vlsLa, essa perda de uma chance não se relaclona somenLe com dano maLerlal. A
próprla ldela de lndenlzação por perda de uma chance, levando em conLa a quesLão da perda da chance de cura,
por conLa de mal dlagnosLlco, LraLamenLo equlvocado - Lermlna se enquadrando denLro da ldela de dano moral
e não denLro da ldela de dano maLerlal. C que se lndenlza não e só a quesLão maLerlal - por exemplo, o su[elLo
morreu e vocô acaba lndenlzando a famllla baseado na perda de uma chance. Mas se o su[elLo esLá vlvo, mulLas
vezes vocô pode lndenlza-lo por conLa dele, por exemplo, Ler se submeLldo a um LraLamenLo mals doloroso,
quando poderla uLlllzar um LraLamenLo que causarla menos dano. lsso dal, e [usLamenLe dano moral e não dano
maLerlal. A genLe pode Lrabalhar Lambem, perda de uma chance volLada a quesLão das relações famlllares. Lssa
ldela por exemplo, de allenação parenLal, demonsLrando que a allenação parenLal gerado pela mãe ou pelo pal,
Lermlnou reLlrando do fllho a chance de convlvlo com o ouLro genlLor.
Þara a genLe Lrabalhar perda de uma chance, eu Lrouxe o caso do show do mllhão. não sel se 123mll e a melhor
resposLa para o caso, agora que e melhor que 300mll e. Þorque a ldela aqul e [usLamenLe que eu não posso
preLender lndenlzar a duvlda, a chance do mesmo modo como eu lndenlzo a cerLeza. um caso lnLeressanLe que
fol LraLado como lucro cessanLe e não como perda de uma chance, fol a segulnLe - o su[elLo era esLudanLe de
engenharla e al ele fol agredldo por ouLro, ao ponLo de flcar parapleglco. L ele enLrou com ação [udlclal
preLendendo receber 18 salárlos mlnlmos alegando que lsso serla o que um engenhelro normalmenLe recebe. L
ele lrla se formar em engenharla e ele receberla no mlnlmo lsso.
Alnda sobre dano maLerlal, salndo do dano sobre a pessoa, nós Lemos
Lambem no ArL.932 um dano mulLo mals relaclonado a uma parLe de
dlrelLos reals. ve[am que nessa quesLão de dano, de usurpação ou esbulho,
o su[elLo val Ler que pagar a colsa (resLlLulr a colsa se for posslvel), pagar
lucros cessanLes ( o que o su[elLo delxou de receber enquanLo esLava a
pose pre[udlcada ) e alnda alem do valor maLerlal, noLem que se fala da
posslbllldade, de pagar um valor de afelção. Þor exemplo, a pessoa que
pegou a caneLa do ouLro, mas que fol a caneLa que o avô [á falecldo Llnha
lhe dado. LnLão val ser lndenlzado não só o valor da caneLa, mas o valor de
afelção. Lmbora, aqul ele se[a colocado como llmlLado ao valor do próprlo
bem.
LnLão, ve[am que dano emergenLe e lucro cessanLe e um unlverso lnflnlLo.
vocô pode Lrabalhar com dano emergenLe e lucro cessanLe, lembrando que
um não e excludenLe do ouLro. ComumenLe enconLramos casos em que vocô Lem dano emergenLe e lucro
ArL. 931. C dlsposLo nos arLs. 948, 949 e 930 apllca-se
alnda no caso de lndenlzação devlda por aquele que,
no exerclclo de aLlvldade proflsslonal, por
negllgôncla, lmprudôncla ou lmperlcla, causar a
morLe do paclenLe, agravar-lhe o mal, causar-lhe
lesão, ou lnablllLá-lo para o Lrabalho.
ArL. 932. Pavendo usurpação ou
esbulho do alhelo, alem da
resLlLulção da colsa, a lndenlzação
conslsLlrá em pagar o valor das suas
deLerlorações e o devldo a LlLulo de
lucros cessanLes, falLando a colsa,
dever-se-á reembolsar o seu
equlvalenLe ao pre[udlcado.
Þarágrafo unlco. Þara se resLlLulr o
equlvalenLe, quando não exlsLa a
próprla colsa, esLlmar-se-á ela pelo
seu preço ordlnárlo e pelo de
afelção, conLanLo que esLe não se
avanLa[e aquele.

Nana Fernandes de Souza
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cessanLe, por exemplo, acldenLe de LranslLo com Laxl. 8aLlda de um ônlbus com ouLro ônlbus, que Lem que parar
para concerLar. Camlnhão com um ônlbus, o su[elLo dono de aparLamenLo que ele e acosLumado a locar, e o
lnqulllno devolve para ele Lodo desLruldo, ele val Ler um dano emergenLe (de reconsLrulr o aparLamenLo) e o
lucro cessanLe ( o perlodo enquanLo ele esLá concerLando o aparLamenLo que ele delxa de poder locar.

AULA 8 - 19]03
DANC MCkAIS
1. Noções gera|s
2. Lvo|ução h|stór|ca
3. Conf|guração
4. Çuant|f|cação
S. Þun|t|ve damages?
6. Danos mora|s?
7. Dano ex|stenc|a|?

1. Noções gera|s: A ldela do dano moral esLá mulLo vlnculada a ldela de vlolação da dlgnldade da pessoa
humana ou dos dlrelLos da personalldade, o que no flm das conLas, para 8equlão, conLlnua sendo a mesma colsa.
Þorque os dlrelLos da personalldade de cerLa manelra enconLram seu fundamenLo na ldela de dlgnldade da
pessoa humana. As cosLuma-se a colocar esses dols ºpaLamares" como sendo a causa do dano moral.
lsso e lmporLanLe, essa desvlnculação da ldela de dor e sofrlmenLo como sendo causa de dano moral porque
mulLas vezes a lesão ou aLe mesmo vlLlma, val sofrer uma lesão a sua dlgnldade, mas ela não val Ler dor,
sofrlmenLo nenhum. Þorque, mulLas vezes, o su[elLo não Lem nem como Ler a noção quanLo a lsso. Lx: Cfensa a
honra a uma pessoa em coma. Lla esLá ame coma, não esLá sofrendo as consequônclas soclals que aquela ofensa
a honra dela possa esLar gerando. Mas nem, por lsso, delxa de ser merecedora de dano moral. ve[am que a ldela
não e uma ldela de dor ou sofrlmenLo e slm uma lesão ao dlrelLo. vocô lndenlza quando vocô causa a lesão ao
dlrelLo. Se relaclona com a consequôncla dessa lesão, que pode ser um faLor para quanLlflcação do dano. Mas
verlflcar se houve dano ou se não houve dano depende de verlflcar se houve lesão ou se não houve lesão.
ve[am que na lndenlzação do dano moral, não se cosLuma falar em reparação - como a genLe fala em dano
maLerlal ou paLrlmonlal. Þorque a ldela de reparação normalmenLe envolve a ldela de devolver o su[elLo a
condlção que ele esLava anLes da ocorrôncla do dano, o que, vla de regra, não e posslvel no dano moral. no dano
moral se uLlllza mals a expressão compensação do que a ldela de reparação. Lm cerLo senLldo, vocô val dar
aquele valor como sendo uma compensação pelo dano que o su[elLo sofreu.
noLem Lambem que o dano moral nem sempre a mera lndenlzação val ser a melhor solução posslvel. MulLas
vezes o dano causado, para que vocô conslga colocar a vlLlma numa slLuação mals próxlma daquela que ela se
enconLrava anLes da ocorrôncla do dano, mulLas vezes vocô pode Ler medldas que são mals eflcazes para passar
lsso, do que meramenLe a condenação ao pagamenLo de lndenlzação. ALe pelo segulnLe, em regra, no 8rasll, os
valores de lndenlzação por dano moral não Lem sldo colsa para delxar nlnguem rlco, não Lem sldo valores
exorblLanLes. 1ambem por lsso, mulLas vezes, o su[elLo recebe aquela lndenlzação, mas o receblmenLo daquela
lndenlzação Lermlna não gerando para o su[elLo nem mesmo a saLlsfação de ºah, esLou compensado". As vezes e
uLll vocô pensar asslm: uar uma lndenlzação, mas buscar Lambem ouLros melos para poder saLlsfazer a vlLlma.
SlLuações em que se exlge a reLraLação publlca de quem gerou a ofensa, ou se confere a vlLlma o dlrelLo de
resposLa, por exemplo: C su[elLo pagava em dla a conLa de luz e corLaram a energla dele. na senLença o [ulz
condenou que alem de resLaurar o pagamenLo da ação, a companhla de energla eleLrlca Lerla que colocar, na
conLa de luz do môs segulnLe, um pedldo de desculpa para o su[elLo, reconhecendo que houve o erro. São
Nana Fernandes de Souza
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medldas que vocô pode colocar que, as vezes, para o su[elLo fazem Loda a dlferença do mundo. uma colsa
slmples. ÞrlnclpalmenLe se vocô conslderar que aquele su[elLo e um su[elLo que paga com esforço a conLa de luz
em dla. Þara ele e um orgulho esLá com a conLa em dla e vô a luz dele sendo corLada. Lle vô na faLura dele do
môs segulnLe um pedldo de desculpas e algo que pode Ler para ele um valor compensaLórlo que, Ludo bem, não
val desfazer o faLo de a luz dele Ler sldo corLada, mas val fazer com que ele se slnLa mals [usLlçado por asslm
dlzer.
Medldas como esses. Lx: Þubllcou-se na revlsLa ou no [ornal alguma lnformação sobre o su[elLo e depols se
comprova que essa lnformação e falsa ou calunlosa. L se abre enLão o dlrelLo de resposLa. Cu se exlge que o
próprlo velculo de comunlcação faça uma reLraLação dlzendo que a lnformação fol errônea, equlvocada.
São melos que vocô Lem para LenLar alcançar um resulLado mals favorável a vlLlma. Lx: Caso nos LuA. C cara
Llnha separado da mulher e al pegou no facebook e fez um posL dando lndlreLa, falando mal da mulher. A mulher
enLrou com ação e o [ulz deLermlnou que ele, duranLe num sel quanLo Lempo, Lodos os dlas posLasse uma
mensagem dlzendo asslm: Cuerla pedlr desculpa a fulana, bem como aos meus amlgos, por Ler velculado
lnformação falsa dlzendo lsso e lsso e lsso. 1odo dlz ele Llnha que fazer um posL se reLraLando do que ele Llnha
falado.
nós Lemos várlos camlnhos em relação ao dano moral que não são somenLe o pagamenLo de dlnhelro. CuanLo
ao dlnhelro, deve-se slm enLrar sempre ou quase sempre como forma da lndenlzação porque pagar o valor
moneLárlo e algo que colbe a ação, que faz com que o su[elLo pense duas vezes anLes de fazer de novo aqullo.
Mas, mulLas vezes, vocô Lem esse pagamenLo de lndenlzação em con[unLo com algum ouLro faLor, e algo que
alcança para a vlLlma um efelLo melhor do que de mero pagamenLo de lndenlzação.

2. Lvo|ução h|stór|ca: Lmbora ho[e se[a paclflco que nós Lenhamos dano moral, aLe porque na próprla Cl nós
Lemos a prevlsão de dano moral e no códlgo Lambem expressamenLe. A genLe não Lem mals duvlda, mas nem
sempre fol asslm. na decada de 60 aqul no 8rasll, vocô não enconLrava declsão sobre dano moral, era uma colsa
mulLo rara - o professor acha que nessa epoca não Llnha a ldela de enconLrar condenações com lndenlzação por
dano moral. lol uma evolução bem LorLuosa. 1eorlas. uano moral não e um dano lndependenLe, eu só posso
falar de dano moral quando eu Llver dlanLe de uma dano paLrlmonlal. Cu se[a, para Ler o dano moral, Llnha que
esLar vlnculada a uma slLuação em que exlsLlsse dano paLrlmonlal. 1lnha uma Leorla que dlzla o dlverso: Se [á
Lem dano paLrlmonlal, não Lem como se pensar em lndenlzar Lambem por dano moral, ou bem um ou bem ouLro.
1lnha ouLra Leorla que dlzla que o dano moral não e lndenlzável e se argumenLava que era um dano de dlflcll
quanLlflcação (medlo, mulLas vezes Lemos uma slLuação de dano maLerlal que se possa Ler uma quanLlflcação
mals dlflcll do que o dano moral, porque o dano moral Lermlna sendo por equldade - [ulz val dlzer que levando
em conLa a douLrlna e a [urlsprudôncla a lndenlzação pode ser x), ouLro argumenLo e que não dá para se falar em
lndenlzar por dano moral porque e lmoral a próprla ldela de lndenlzar a dor - o professor defende que se vocô [á
esLá sofrendo, e melhor sofrer com dlnhelro. São argumenLos que no momenLo hlsLórlco Llnham seu senLldo,
mas que ho[e não Lem mals qualquer senLldo.
" Pouve um perlodo de não lndenlzação
" Pouve um perlodo que poderla lndenlzar: Lm que uma Leorla que dlzla que só poderla lndenlzar se
Llvesse dano moral ouLra que dlzla que só pode lndenlzar se Llver Lambem dano paLrlmonlal - porque
dano moral sozlnho não e posslvel de se vlsuallzar.
" ALe que chegamos ao perlodo em que se dá dano moral puro.
lnLeressanLe que um dos prlmelros casos em que se Lem uma declsão próxlma de dano moral e uma declsão de
dano moral camuflada de dano moral. Þals Llnha perdldo dols fllho de 6 e 9 anos de ldade num acldenLe de
ônlbus. Só que do ponLo de vlsLa maLerlal não Llnha como lndenlzar. Po[e, como a genLe vlu na aula passada, o
S1! aLe confere lndenlzação maLerlal para menor se for de famllla pobre, mas naquela epoca o problema era: era
claro que o acldenLe de ônlbus Llnha se dado por culpa da empresa, os pals Llnham perdldo dols fllhos e como
não se acelLava dano moral não Llnha como lndenlzar porque não Lrabalhavam, não Llnham ganham. LnLão eles
Nana Fernandes de Souza
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pegaram e lndenlzaram com base nos gasLos que os pals Llnham Lldo aLe enLão com os gasLos e educação dos
fllhos. na verdade o que se querla dar al e o dano moral, mas como eles não Llnha um fundamenLo na epoca
para poder dar esse dano moral de forma expressa, acabaram camuflando como dano maLerlal. Po[e [á e
Lranqullo na douLrlna e na [urlsprudôncla a apllcabllldade de dano moral como parcela lndependenLe de dano
maLerlal.

3. Conf|guração: A conflguração do dano moral, para vocô dlzer que houve dano moral, ho[e em dla vocô
Lrabalha com a vlolação da dlgnldade da pessoa humana ou vlolação dos dlrelLos da personalldade.
C problema e vocô flxar qual e o llmlLe de uma ação, de uma conduLa, que pode ser LraLada como sendo dano
moral. MulLas vezes vocôs enconLram declsões asslm: não se conflgura o caso de dano moral porque se LraLa de
mero aborreclmenLo, mero dessabor. Lm parLe Lem senLldo, nem sempre. vocô não pode salr processando as
pessoas cada vez que vocô passa uma ralva. A genLe Lem que Ler um llmlLe das conduLas, mas não e um llmlLe
que vocô Lem que fazer a prlorl, porque Lambem Lem um ponLo lmporLanLe, no dano paLrlmonlal, nlnguem fala
que se a lesão for mlnlma, não Lem dlrelLo a lndenlzação. Se a pessoa a pessoa arranhar o mlnlmo do seu carro, o
[ulz obrlga a pessoa a pagar. Mas, na esfera de dano moral, se cosLuma adoLar esse crlLerlo e dlzer que Lem que
Ler havldo uma lesão a dlgnldade e personalldade. Lmbora Lenham alguns casos que vemos relLeradamenLe em
que há concessão de dano moral e que eu não acho que normalmenLe se encalxe em dlgnldade ou
personalldade. Lx: Þerda de bagagem? Como eu encalxo perda de bagagem em lesão a personalldade? lsso fere
a dlgnldade? CuLro exemplo e demora de pagamenLo de lndenlzação de seguro. C seguro demorou de efeLuar o
pagamenLo e a pessoa demorou de comprar um carro novo por conLa dlsso. llcou um perlodo x sem Ler carro
para andar e pedlu dano moral e fol concedldo. ve[am que não e uma slLuação, que em prlmelro momenLo, se[a
vlolação a dlgnldade ou personalldade.
ve[am Lambem, nessa conflguração do dano moral, que a prova que se pede para comprovar o dano moral e a
prova da lesão ao dlrelLo. vocô não Lem que provar dor, sofrlmenLo, vexame, o que lmporLa e que vocô prova
que houve lesão ao dlrelLo, porque nem Lodo dano moral esLá vlnculado a ldela de dor, vexame, sofrlmenLo. Lx:
sem auLorlzação a balana pega uma foLo mlnha e coloca no ouLdoor falando que eu sou um bom professor. não
esLá me causando dor, vexame, nada que ofenda a mlnha honra. Mas há dano moral porque vlolou o meu dlrelLo
de lmagem. Lx: Þessoal que pega mlnha aula e põe no youLube. L dano moral porque vlolou o dlrelLo a voz. C
grande problema e que por conLa desse pensamenLo anLerlor de dor, vexame e sofrlmenLo, Lermlna se Lendo
uma ldela de dano moral mulLo próxlma da ldela de vlolação a honra e não e. Ponra e um dos lnumeros da
personalldade que podem ser vlolados. ulrelLo ao corpo, a lmagem, dlrelLo a vlda. C que não falLa e slLuações de
vlolação.
A prova de que houve dano moral e a prova de que houve a lesão. Pavendo lesão a dlgnldade, a personalldade,
[á esLá caracLerlzado o dano moral.
A leglLlmação normalmenLe cabe ao próprlo ofendldo. Agora, por vezes, quem val pedlr o dano moral val pedlr
por conLa da morLe de ouLro su[elLo. Mas al o dano moral e próprlo seu e não de quem morreu. Pá uma
dlscussão na douLrlna sobre a Lransmlsslbllldade desse dano moral. lmaglne asslm, seu pal Lem um carro e baLem
no carro de seu pal. Se depols dlsso ele morre, anLes de enLrar com ação nlnguem val dlscuLlr que vocô Lem
dlrelLo a enLrar com ação para poder processar e conserLarem - aLe porque por conLa da ldela da herança aqullo
val ser herdado por vocô e val passar a ser seu. Agora se eu pal sofreu uma ofensa a honra e anLes de Lomar
qualquer medlda ele morre, vocô pode enLrar como essa ação de dano moral? A douLrlna e dlvldlda nlsso.
Cuando [á exlsLe a ação a malor parLe dlz que não exlsLe problema, vocô pode prossegulr. Agora quando não
houve a ação e mals conLroverso. A quesLão e separar quando o dano moral e seu e quando e de Lercelro. Se
morreu e al vocô quer enLrar com ação de dano moral por Lerem maLado seu pal, o dano moral e seu e não do
seu pal. C que normalmenLe e acelLo e que se o su[elLo enLrou com ação e o su[elLo falece no decorrer da ação,
os herdelros prosslgam com a ação.
Nana Fernandes de Souza
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noLem que, em regra, mero lnadlmplemenLo conLraLual não gera dano moral. C aLo por sl de não cumprlr o
conLraLo, não e um aLo que gere dano moral. Se eu causo uma deformldade numa pessoa, lsso por sl gera dano
moral. A próprla lesão ao corpo gera o dano moral. Se eu não pago uma conLa, lsso por sl, não gera dano moral
auLomaLlcamenLe. Lu não esLou dlzendo que eu não possa Ler dano moral decorrenLe de uma slLuação
conLraLual. C que eu esLou dlzendo e que o mero descumprlmenLo conLraLual não e ense[ador de dano moral. Lu
posso Ler uma slLuação conLraLual em que sur[a dano moral. Lx: su[elLo advogado conLraLou um hoLel para fazer
a fesLa de 13 anos da fllha dele e a fesLa fol um desasLre, e que ele enLra com uma ação pelos danos maLerlals,
por conLa da má qualldade do servlço, e pelo dano moral.
CuLra colsa que não causa dano moral e o exerclclo regular de dlrelLo. Se o exerclclo ulLrapassa o llmlLe da
regularldade, passa a ser abuso de dlrelLo. Lx: vocô denunclar que alguem comeLeu um crlme não e ense[ador de
dano moral. Mesmo que se prove depols que a pessoa e lnocenLe, desde que se comprove que a sua denuncla
não fol vazla, não fol de má fe, fol uma denuncla que Llnha elemenLos que levava vocô a crer que o crlme Llnha
sldo praLlcado. lsso gerarla uma slLuação mulLo grave se fosse asslm pols para denunclar um crlme vocô la Ler
cerLeza de que fol um crlme. Þols se vocô achasse que esLava sendo assalLado vocô não la poder chamar a
pollLlca. Þorque se a pollcla chegasse lá e não fosse um assalLo, vocô Lerla que responder por dano moral. Só o
caso concreLo val dlzer se lsso fol reallzado de modo culdadoso ou se fol reallzado de modo não culdado. Lm que
o su[elLo slmplesmenLe presumlu que era e aLrlbulu a conduLa crlmlnosa ao su[elLo.
CuLra dlscussão e se e posslvel conflgurar ou não e do dano moral a Þessoa !urldlca, pelo CC e posslvel. Þorque
no momenLo em que o CC dlz que se apllca a pessoa [urldlca no que couber os dlrelLos da personalldade, enLão e
posslvel. na práLlca, quando para para avallar, quase Lodas as slLuações em que se enLra com ação alegando
dano moral da pessoa [urldlca, na verdade não e uma slLuação de dano moral, e uma slLuação de dano
paLrlmonlal. Cuando e que normalmenLe vocô Lem uma ação de dano moral em Þ!: fol velculada uma
lnformação rulm sobre a pessoa [urldlca - e falsa - e al se alega que lsso afeLou a honra ob[eLlva, afeLou a
lmagem, afeLou o nome. lsso dá lndenlzação. Mas quando vocô val ver, normalmenLe o fundamenLo do pedldo e
que aquela conduLa gerou pre[ulzo maLerlal. Cuase sempre Lermlna sendo uma quesLão de dano paLrlmonlal,
agora um dano paLrlmonlal que por ser dlflcll de quanLlflcar, advogados e [ulzes Lermlnam Lrabalhando como se
fosse dano moral. C que aconLece e um dano a repuLação, a marca, mas o que Lermlna como efelLo e um
pre[ulzo de ordem paLrlmonlal, não pre[ulzo de ordem moral. Mas a douLrlna e [urlsprudôncla Lem LraLado como
dano moral. MulLas vezes o que aconLece ao segulnLe: ÞarLe da douLrlna e aLe conLra essa frase que pessoa
[urldlca Lem dlrelLo a personalldade, fala que Lem reflexos parecldo com com, porque os dlrelLos da
personalldade foram formados com a conqulsLa hlsLórlca das pessoa. lsso e algo que e melo conLroverso da
douLrlna. vocô não val Ler a consequôncla que normalmenLe vocô Lem na pessoa humana. C efelLo, na ulLlma
lnsLâncla e paLrlmonlal.
1em casos aqul lnLeressanLes, que o problema do dano moral e o segulnLe: como e algo exLrapaLrlmonlal, e vocô
ver qual e llmlLe. 1em um caso de um su[elLo que enLrou com dano moral porque o fllho dele era [ogador de
baseball, e al duranLe a Lemporada o Llme perdeu Lodos os [ogos. L al ele enLra com uma ação de dano moral
alegando frusLração da aLlvldade desporLlva. Cue merecla uma lndenlzação porque ele e a famllla lam pro esLado
Lodo domlngo e lam sempre para ver o fllho perder, e por lsso mereclam lndenlzação.
Casos: ApelanLe pede danos morals por quebra de promessa de casamenLo, MalLe Þroensa e caso da menlna que
val para uma fesLa com roupa de gala e chega na porLa e e lmpedlda de enLrar.

4. Çuant|f|cação do dano mora|: noLem que não há como se falar de Larlfação prevla de dano moral. Saber
quando e que Lem que ser pago o dano moral e algo que só val ser posslvel deflnlr dlanLe do caso concreLo. Lu
acho aLenção para lsso, especlalmenLe porque Lem aLe pro[eLo de lel querendo crlar Larlfação de dano moral.
não Lem nenhum senLldo, porque cada caso e um caso. ue modo que, semesLre passado eu flz uma pesqulsa
sobre a quanLlflcação do dano moral no S1!. A genLe pegou [ulgados de 4 meses de 2012 e fomos olhar Lodas as
declsões para verlflcar - quanLo fol pago, qual o crlLerlo uLlllzado para dar esse dano moral. Chegamos as
Nana Fernandes de Souza
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segulnLes conclusões - pelo menos em sede do S1! não cosLuma haver lndenlzação em modalldade excesslva,
para que o su[elLo flque rlco, que se[a um ganho subsLanclal na vlda do su[elLo, são poucas. no S1! há mals ou
menos um padrão de declsões, lndenlzações.
C S1! Lambem usa mulLo como crlLerlo e quanLlflcação do dano, a condlção dos su[elLos. Lles falam de condlções
soclals Lambem, mas normalmenLe o que se leva em conLa e a condlção econômlca do su[elLo. MulLo mals a
condlção econômlca do ofendldo, do que a condlção econômlca do ofensor. Leva Lambem a alguns
quesLlonamenLos, por exemplo, se um su[elLo que e mendlgo de rua Llver uma ofensa a sua honra e eu Llver a
mesma ofensa a mlnha honra. Se eu enLrar com uma ação e ele enLrar com uma ação, as chances são enormes
de eu ganhar mulLo mals do que ele. 1em o argumenLo pro e o argumenLo conLraLa - o pro e que eu Lenho
lndenlzação dlferenLe porque se me paga uma lndenlzação no valor lrrlsórlo eu não vou se quer senLlr, que
aquele dano que eu sofrl Lenha sldo compensado. Þor ouLro lado, um valor que me se[a pago, e que se[a pago ao
mendlgo na rua, val ser lmpacLo dlferenLe porque pra mlm não val ser enrlqueclmenLo sem causa, mas para ele
pode ser. C argumenLo conLra e - se a lesão fol a mesma, porque que uma pessoa val ganhar lndenlzação malor
que a ouLra. ve[am que esse crlLerlo da condlção econômlca do ofendldo, e um crlLerlo que Lem lá seus
problemas.
Se usa Lambem o crlLerlo da condlção econômlca do ofensor. Se verlflca que o ofensor Lem malor poderlo
econômlco, a lndenlzação Lambem Lende a ser malor. A crlLlca aqul e a mesma, e [usLamenLe que o dano
causado fol lgual, não haverla moLlvo fazer alguem pagar mals somenLe porque Lem condlção de pagar mals. !á
que a ldela e que a lndenlzação mede pela exLensão do dano.
S. Þun|t|ve damages's?: Agora, por ouLro lado, quando se leva em conLa a condlção econômlca do ofensor,
para ma[orar a lndenlzação, mulLas vezes a genLe Lermlna calndo na Leorla do punlLlve damege's. MulLas vezes
flxa essa lndenlzação não só como modo de compensar o dano causado, mals Lambem como modo de
desesLlmular o su[elLo a conLlnuar praLlcando aquela conduLa. LnconLramos várlos casos no 8rasll usando o
punlLlve damege's.
C punlLlve damege's, normalmenLe e apllcada quando aquela conduLa e uma conduLa leslva que o su[elLo reallza
de modo relLerado. Þor exemplo, operadores de Lelefonla e carLão de credlLo que conLlnuamenLe lnsere de
modo lndevldo nome do cllenLe no SÞC. ve[am que Lem uma lndenlzação nesse caso, que o valor pago não e
somenLe para compensar o dano, a ldela da lndenlzação envolve uma penalldade ao su[elLo. Þor vezes se apllca
lsso, quando se noLa uma conduLa dolosa, uma conduLa lnLenclonalmenLe leslva ao su[elLo. C su[elLo leslonou o
ouLro com lnLenção de provocar o dano. Þela reprovabllldade moral da conduLa Lermlna apllcando o punlLlve
damege's.
ve[am que essa quesLão de levar em conLa o grau econômlco da pessoa e lnLeressanLe , não só no punlLlve, mas
ma[orar a lndenlzação levando em conLa a condlção econômlca da pessoa Lem uma razão de ser que e
[usLamenLe fazer com que a pessoa não ache que por Ler dlnhelro ela pode fazer o que ela qulser. A quesLão de
modlflcar a lndenlzação por conforme a condlção econômlca do ofensor Lem esse faLor lnLeressanLe que e
[usLamenLe não permlLlr o ofensor por Lem um paLrlmônlo elevado consldere que pode fazer o que qulser. Þor
exemplo, no LranslLo, alem da mulLa e os ponLos na carLelra.
Þor ouLro lado, LanLo essa quesLão de ma[orar a lndenlzação quanLo a slLuação econômlca do ofensor, como a
punlLlve damage's, Lem um problema - que e o faLo de que mulLas vezes o su[elLo val Lermlnar recebendo a
lndenlzação que e a lndenlzação superlor ao dano sofrldo. L no punlLlve damage's lsso e declarado. - olhe, para
compensar a sua lesão eu vou pagar 3mll reals, só que alem deles que compensam a sua lesão, como penalldade
para o su[elLo que causou esse dano, vocô val receber mals 3mll. Cu se[a, declaradamenLe e uma slLuação de
enrlqueclmenLo sem causa. CuLra colsa, vocô não Lem uma deLermlnação legal que permlLa lsso. lsso Lermlna
mulLo sendo slmllar a ldela de mulLa do códlgo penal. o professor e um pouco conLra a essa ldela de punlLlve,
por um lado ele acha que funclona, mas por ouLro lado Lem esse problema da legalldade e o problema do
enrlqueclmenLo sem causa.
Nana Fernandes de Souza
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o
Semestre - FBD
na douLrlna vocô enconLra essa sugesLão, de pegar o punlLlve damage's e coloca-lo para um fundo e não para
vlLlma. Þor exemplo, Loda ação de consumldor que houvesse punlLlve damage ao lnves desse valor lr para vlLlma,
lr para um fundo de defesa do consumldor. não resolve parclalmenLe esse problema, porque afasLarla o
problema do enrlqueclmenLo sem causa, só não afasLarla o problema da falLa de prevlsão legal. C S1! raramenLe
modlflca valor de lndenlzação e dano moral, alegando o obsLe lmpedlmenLo da sumula 7, que e sumula que
lmpede reexame probaLórlo de maLerla fáLlca. Alegando que como ele não Lem como mals verlflcar maLerla
fáLlca probaLórla, ele não Lem mals como verlflcar se o dano fol adequado ou não, e enLão, ele só modlflca
quando se LraLa de valor manlfesLamenLe lrrlsórlo. Mas vla de regra, o S1! Lende a manLer os valores de
lndenlzação por dano moral flxado em lnsLanclas lnferlores. Lle só modlflca quando de faLo e algo dlscrepanLe
com a realldade fáLlca.
noLem que aqul Lambem enLra como crlLerlos,
aqueles que eu [á falel anLes - quesLão do grau
da culpa, quesLão de conduLas concorrenLes.
LnLão esses crlLerlos gerals, são Lambem crlLerlos
que são levados em conLa aqul.
6. Dano estót|co e dano ex|stenc|a|, são duas caLegorlas de dano que na oplnlão do professor esLão denLro de
dano moral, o que não e unanlme. lsso e algo que e dlscuLldo, porque são caLegorlas que começaram a ser
LraLadas não Lem mulLo Lempo ( no 8rasll ).
" Dano estót|co - vocô dlz que e dano esLeLlco quando a lesão causada ao su[elLo e uma lesão corporal,
causa ao su[elLo uma lesão uma deformldade aparenLe. A ldela e que e uma lesão que Lraz para o su[elLo
um pre[ulzo de ordem soclal e pslqulco. lsso e lndenlzação, mas o professor não consegue enxergar lsso
como sendo algo dlferenLe de dano moral. C que não pode aconLecer, e eu dar dano moral pela lesão ao
corpo, e dar dano esLeLlco por essa mesma lesão ao corpo. Þorque eu esLou lndenlzando o dano duas
vezes. Agora, se vocô val chamar lsso de dano moral ou dano esLeLlco LanLo faz.
" Dano ex|stônc|a - que e Lambem chamado de dano a relação da vlda comum. Se encalxa em dano
exlsLenclal qualquer colsa que modlflque ou que lmpeça o su[elLo de Ler uma vlda normal, de praLlcar
aLos corrlquelros. Þor exemplo, lmaglne um su[elLo que Lrabalha como dlglLador, sofre um acldenLe e por
conLa desse acldenLe ele pede dols dedos do pe que lmpede dele [ogar bola que era o hobble predlleLo
dele. não e algo relaclonado com a aLlvldade proflsslonal, e algo que e relaclonado com aspecLos
coLldlanos do su[elLo. Mals uma vez, lsso para o professor se encalxa denLro de dano moral, ele não
consegue ver lsso como uma parcela auLônoma.
Lu não posso lndenlzar duas vezes o mesmo dano. Agora, em uma mesma lesão pode causar várlos danos
dlferenLes.
AULA 9 - 26]03
kLSÞCNSA8ILIDADL ÞCk IA1C DL 1LkCLIkC
1. Noções gera|s
2. n|póteses
um aLo que não era seu, mas um aLo de Lercelro ou um faLo de uma colsa pelo qual ele acaba sendo
responsablllzado. nesses casos de responsabllldade por faLo de Lercelro, na slsLemáLlca aLual do códlgo clvll nós
Lemos uma slLuação de responsabllldade clvll ob[eLlva. Þorque no códlgo clvll anLerlor nós Llnhamos slLuação de
culpa elegendo, culpa vlgllando, culpa cusLodlando, em que a responsabllldade surgla para o su[elLo por se
conslderar que ele não Lenha Lldo o culdado necessárlo em escolher seu funclonárlo por exemplo, enLão era
responsabllldade clvll sub[eLlva fundada nesse ldelas - culpa elegendo, culpa vlgllando, culpa cusLodlando. Só
que na praLlca mesmo, o LraLo dlsso pelos Lrlbunals começou a ser um LraLo que cada vez mals se conslderava
Para o professor também cabe perda de uma chance no dano moral.
Por exemplo, eu não vou dizer que é dano material a perda de uma
chance em que o sujeito não alcançou o sucesso no tratamento
medico porque o tratamento foi mal feito. Seria perda de uma chance
dentro de dano moral ou dentro de dano existencial.
Nana Fernandes de Souza
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o
Semestre - FBD
exlsLôncla e culpa em qualquer slLuação. Cu se[a, vocô começou a Ler na praLlca uma aLrlbulção de
responsabllldade mulLo mals como sendo responsabllldade ob[eLlva, do que como sendo responsabllldade
sub[eLlva. Þorque o su[elLo desconslderava as slLuações culposas fazendo com que houvesse o dever de lndenlzar.
Po[e, nós Lemos responsabllldade clvll ob[eLlva que esLá claramenLe
dlsposLa no ArL. 933. Cu se[a, alnda que não ha[a culpa da sua parLe,
responderão pelos aLos. São casos, claramenLe de responsabllldade clvll
ob[eLlva.
Cuero chamar aLenção para uma colsa, o arL.932 ele elenca quem e que e
responsável por quem, e noLem que o arL.933 fala e que a responsabllldade
desLe, no flnal das conLas, que val responder e ob[eLlva. Mals lsso não quer
dlzer que anallse da conduLa do su[elLo, causador do dano val ser Lambem
uma anallse ob[eLlva. Þorque se não serla uma anallse absurda. Þor exemplo, a responsabllldade do empregador
pelo aLo do empregado e ob[eLlva. Só que claro que no apurar o aLo do empregado, vocô não val apurar o aLo do
empregado Lrabalhando com a responsabllldade ob[eLlva, e slm Lrabalhando com responsabllldade clvll sub[eLlva.
Þor exemplo, o su[elLo dlrlglndo o carro da empresa, duranLe o servlço val e causa um acldenLe. Þara Ler
responsabllldade clvll ob[eLlva da empresa e necessárlo que de faLo o acldenLe Lenha sldo causado culposamenLe
por quem esLava dlrlglndo o carro da empresa. Se ele esLava dlrlglndo e a culpa não fol dele, vocô não pode nem
pensar em responsabllldade clvll ob[eLlva da empresa.
ve[am que são duas anallses dlferenLes - a anallse do faLo em sl, e uma anallse normal como se farla em
qualquer slLuação, porque se não esLarla colocando um ônus malor para slLuações lguals, esLarla dlzendo que,
por exemplo, quem dlrlge carro de uma empresa responderla ob[eLlvamenLe e quem dlrlge carro parLlcular
responderla sub[eLlvamenLe - não Lerla cablmenLo. LnLão, nesse prlmelro momenLo a anallse e como se fosse
uma anallse normal, uma anallse sub[eLlva. A anallse ob[eLlva só e daquele su[elLo que ao flnal val ser
responsablllzado - daquele su[elLo que val vlm a responder mesmo não sendo ele o causador dlreLo do dano.
Lssa responsabllldade que e ob[eLlva, que lndepende de culpa.
C arL.934 ele lndlca a posslbllldade de ação regresslva. 8essalvado essa
hlpóLese o su[elLo pode reaver. PlpóLese, allals, que se vlncula mulLo
com o arL.928.
2. n|póteses - quals são os casos de responsabllldade clvll por faLo de Lercelro? LsLão descrlLas no códlgo clvll
no ArL. 932
Inc|so I -aqul nesse caso dos pals e mulLo vlnculado a chamada
da Leorla da guarda. A ldela e que o su[elLo que e guardlão do
ouLro, por conLa dessa guarda que ele exerce, ele Lem o dever
de responder qualquer dano que o fllho Lem causado. C pal val
responder lndependenLe de culpa. AnLlgamenLe serla uma culpa
vlgllando. ve[am que no lnclso l há de cerLo modo um faLor que
e lmporLanLe anallsar, prlnclpalmenLe por exemplo, em caso de
pals separados em que a guarda do fllho flca a cargo excluslvo
do pal ou da mãe. uuranLe esse momenLo da guarda o fllho
causa um dano, LeorlcamenLe eu não ve[o como responsablllzar
o ouLro genlLor (a). Þor exemplo, a guarda flcou só com a mãe e
al a crlança causa um dano, não Lem como responsablllzar o pal.
A não ser que se[a guarda excluslva com dlrelLo a vlslLa. L
naquele perlodo de vlslLa me que ele Llra a crlança da casa, só o
pal responderla. CuLra quesLão e por exemplo, se quando a crlança esLá no esLabeleclmenLo de enslno a
responsabllldade conLlnua sendo dos pals ou do esLabeleclmenLo do enslno? Pá dlscursão sobre quem será o
responsável.
#$%&'((
#$%&'()
Art. 932. São Lambem responsávels pela reparação
clvll:
l - os pals, pelos fllhos menores que esLlverem sob
sua auLorldade e em sua companhla,
ll - o LuLor e o curador, pelos pupllos e curaLelados,
que se acharem nas mesmas condlções,
lll - o empregador ou comlLenLe, por seus
empregados, servlçals e preposLos, no exerclclo do
Lrabalho que lhes compeLlr, ou em razão dele,
lv - os donos de hoLels, hospedarlas, casas ou
esLabeleclmenLos onde se albergue por dlnhelro,
mesmo para flns de educação, pelos seus hóspedes,
moradores e educandos,
v - os que graLulLamenLe houverem parLlclpado nos
produLos do crlme, aLe a concorrenLe quanLla.
Nana Fernandes de Souza
5
o
Semestre - FBD
Alnda nessa quesLão do menor, mas não só do menor, mas do lncapaz em sl, e lnLeressanLe a genLe abordar o arL.
928. nós esLamos vendo que nesses caso quem val responder e o su[elLo que e responsável - pal, mãe, avô que
Lenha a guarda. nós [á vlmos, que no arL.934 que em regra o
su[elLo que reallza a lndenlzação Le dlrelLo a ação regresslva.
Mas vlmos Lambem que esse dlrelLo a ação regresslva não exlsLe
quando se LraLa do causador do dano descendenLe absoluLo e
relaLlvamenLe lncapaz. LnLão, em Lese, não Lerla como
responsablllza-la (a crlança). Só que o ArL. 928 ele dlz o segulnLe
- enLão, ve[am só, esse arL. 928 Lraz uma slLuação em que
excepclonalmenLe o dever de lndenlzar pode recalr sobre o
lncapaz. 1em reflexo LanLo para o arL.932, lnclso l , como para o
arL.932, lnclso ll. LnLão, embora, a regra se[a da
responsablllzação aLrlbulda ao su[elLo que Llnha o dever de guarda do lncapaz, há slLuações em que esse lncapaz
pode vlr a responder. Aqul a ldela e [usLamenLe fazer com que, em casos em que os guardlãs do lncapaz não
Lenham recursos, mas o lncapaz o Lenha, vocô evlLar que a vlLlma flque não lndenlzada, quando o lncapaz
causador do dano esLá numa slLuação que ele Lerla como lndenlzar o dano causado. ve[am que a ldela e fazer
com que a vlLlma não flque sem sua lndenlzação, não flque desproLeglda por conLa de, embora, os guardlãs não
Lenham como lndenlzar. Þara o professor e aLe uma ressalva desnecessárla, levando em conslderação a
dlgnldade da pessoa humana.
vocô não preclsa esgoLar o paLrlmônlo do responsável, para enLrar no paLrlmônlo do responsável. Se vocô
chegou no paLrlmônlo do responsável a um ponLo Lal que vocô val prlvar ele de necessárla subslsLôncla, vocô
para e val para o paLrlmônlo do lncapaz.
Inc|so II segue quase a mesma loglca, porque e LuLor e curador, mals por vezes, vocô enconLra na douLrlna uma
segulnLe observação - no caso do lnclso ll deve haver uma cerLa aLenuação em relação ao caso do lnclso l,
alegando que o LuLor e curador exerce um humus publlco. 1em que Ler alguem que culda daquele su[elLo - ele
não e pal nem mãe, esLá fazendo algo que o esLado preclsa que alguem faça. Se pensa num grau menor de
responsabllldade do que em relação ao pal e a mãe. vocô Lalvez, quando val para uma ação, conslga mulLo mals
poupar o paLrlmônlo do LuLor e curador do que vocô consegulrla poupar o paLrlmônlo do pal ou da mãe.
Inc|so III - se o su[elLo esLá aLuando no exerclclo do Lrabalho ou em razão dele, o empregador Lerá a
responsabllldade clvll ob[eLlva. Þor exemplo, a empresa delxa o empregado levar o carro para casa e usar
duranLe a o flm de semana para flns que não Lem nada haver com a empresa e al nesse fds o cara se envolve em
acldenLe. MulLa vezes vocô vô casos em que a empresa Lem que responder. Se e correLo ou não, eu não sel, mas
aconLece.
Inc|so IV - se vocô Lem um hoLel, vocô responde pelo lnclso lll e pelo lnclso lv. Þorque o lnclso lv não val LraLar
dos empregados do hoLel, ele val LraLar dos hospedes, moradores e educandos. Se por exemplo, um su[elLo
causa dano a ouLro denLro do hoLel, o hoLel responde ob[eLlvamenLe. noLem que, em Lese, ([á Lemos declsão de
um lado e de ouLro) aconLece um assalLo no hoLel, em Lese, não se enquadrarla nlsso. Mas [á vl mulLas declsões
responsablllzando mesmo asslm.
Inc|so V - não Lrabalha com a ldela de reparação por Lodo dano causado. nesse caso daqul, a responsabllldade
do su[elLo não e por Lodo o resulLado do crlme, mas Lão somenLe por aqullo que ele Leve provelLo. A douLrlna
cosLuma dlferenclar essa quesLão de produLo do crlme e provelLo do crlme. 1raLando produLo do crlme como
aqullo que e dlreLo do crlme e provelLo do crlme como aqullo que e lndlreLo. Þor exemplo, o su[elLo e ladrão e
susLenLa a famllla com aqullo que ele rouba. vocô não poderla forcar a famllla a lndenlzar nada, embora ela
Llvesse provelLo com aquela ação crlmlnosa, mas e um provelLo lndlreLo. A responsabllldade no caso do crlme,
não englobarla a quesLão do provelLo, mas slm do produLo do crlme. L o unlco caso em que há uma llmlLação
ob[eLlva da responsabllldade.
ArL. 928. C lncapaz responde pelos pre[ulzos que
causar, se as pessoas por ele responsávels não
Llverem obrlgação de fazô-lo ou não dlspuserem de
melos suflclenLes.
Þarágrafo unlco. A lndenlzação prevlsLa nesLe arLlgo,
que deverá ser equlLaLlva, não Lerá lugar se prlvar
do necessárlo o lncapaz ou as pessoas que dele
dependem.
Nana Fernandes de Souza
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o
Semestre - FBD
kLSÞCSA8ILIDADL ÞCk IA1C DA CCISA
1. Noções gera|s
2. n|póteses
LnquanLo que em clma, era alguem que Llnha uma conduLa e o su[elLo flcava obrlgado a lndenlzar mesmo não
Lendo sldo ele que Leve a conduLa, aqul o dano e causado por uma colsa e não por um su[elLo. C faLo do dano Ler
sldo causado por uma colsa, gera para o su[elLo o dever de lndenlzar. A ldela aqul e fundada na Leorla da guarda.
A ldela que quem Lem a guarda sobre a colsa e responsável pela colsa. ve[a que o proprleLárlo ou deLenLores da
colsa [á são guardlões presumldos e porLanLo, responsávels. vocô alnda ho[e enconLra alguns [ulgados (raros)
com a fundamenLação falando de culpa presumlda, mas ho[e se fala de responsabllldade ob[eLlva.
2. n|pótese: no códlgo clvll nós Lemos Lrôs slLuações de responsabllldade do faLo da colsa. ArLlgos 936, 937 e
938.
1raLa [usLamenLe do anlmal. Aqul se cosLuma ressalvar que e uma redação
Lrlncada, no senLldo em que fala de culpa da vlLlma, melhor serla falar de faLo
da vlLlma. A ldela e que em regra, se o dano fol causado pelo anlmal, esse
proprleLárlo ou deLenLor do anlmal que val responder. Claro que Lem
slLuações em que pode ser relaLlvlzado, porque a próprla conduLa da vlLlma ou conLrlbulu ou fol deLermlnanLe
para ocorrôncla do dano. Þor exemplo, lmaglne que o su[elLo Lem um cachorro, Lem um muro, um avlso que Lem
cachorro e al uma crlança val e pula o muro para pegar a bola e o cachorro pega a crlança. Cuer quelra quer não,
não há como vocô delxar de conslderar que a conduLa de quem pulou o muro alLo, proLegldo com avlso, e uma
conduLa que Lambem conLrlbulu com o dano. lndenlza, porque parLe do segulnLe argumenLo - que vocô ao Ler o
cachorro vocô assumlu o rlsco desse cachorro causar o dano para alguem.
uma dlscursão que se Lem e sobre o que e suflclenLe para Lransferlr a guarda. Þor exemplo, esse pessoal que
cosLuma passear com o cachorro, pago. C dano responde ou não? CuLra colsa - o su[elLo Llnha um cachorro e
Lem a fllha que a guarda e da mãe. L al a fllha vem para casa do pal e pede para levar o cachorro para casa da
mãe com auLorlzação da mãe. L al o cachorro desce com a crlança e morre a colegulnha. L al quem responde? A
mãe responde, porque a guarda da crlança era dela e por consegulnLe quando o anlmal e Lransferldo para lá, ela
Lambem e Lransferldo. A guarda do anlmal naquele momenLo Lambem esLava com a mãe, fol Lransferldo para ela
porque ela acelLou levar o anlmal. Þor lsso, que nesse caso do passelo, alnda que vocô não conslga reLlrar a
responsabllldade do dono, mals aquele deLenLor que esLá passeando com o anlmal Lem que responder Lambem,
ou no mlnlmo regresslvamenLe.
Se algo cal de um predlo e causa dano a Lercelro responde o
condomlnlo lnLelro. Se vocô consegue ldenLlflcar quem fol o
causador, só responde ele. Mas normalmenLe e bem dlflcll. L
posslvel, para aqueles que provem não ser posslvel ser
responsablllzado como causadores do dano, regresslvamenLe lr conLra aquele ou aqueles que poderlam ser
causadores do dano. ve[am que a responsablllzação val ser dlreclonada ao condomlnlo e não aos
su[elLos/moradores do condomlnlo, porque serla um lnferno enLrar com ação [udlclal conLra Lodos os moradores
separadamenLe.
nesse caso não e Lão responsabllldade clvll ob[eLlva, porque a ldela e
ele responder pela rulna do edlflclo se a falLa de repara fosse manlfesLa.
Segue uma loglca um pouco dlferenLe dos casos anLerlores, porque
nesse caso o su[elLo só responde pelo dano porque [á há prevlamenLe,
claramenLe uma falLa de reparo, a negllgencla [á esLá como elemenLo
ArL. 936. C dono, ou deLenLor, do
anlmal ressarclrá o dano por esLe
causado, se não provar culpa da
vlLlma ou força malor.
ArL. 937. C dono de edlflclo ou consLrução
responde pelos danos que resulLarem de
sua rulna, se esLa provler de falLa de
reparos, cu[a necessldade fosse manlfesLa.
ArL. 938. Aquele que hablLar predlo, ou parLe
dele, responde pelo dano provenlenLe das colsas
que dele calrem ou forem lançadas em lugar
lndevldo.
Nana Fernandes de Souza
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o
Semestre - FBD
pre concebldo. Lle responde em sendo a falLa de reparo manlfesLa. Þor exemplo, slLuação em que o predlo esLá
alugado e duranLe o aluguel flca a falLa de reparo e essa falLa de reparo a fachada cal e causa dano a alguem.
Cuem responde? C dono ou o locaLárlo? C dono. Só que regresslvamenLe ele val poder lr conLra o locaLárlo.
A genLe pode dlscuLlr alguns casos que não Lem no códlgo clvll. Þara o professor o mals absurdo e [usLamenLe a
quesLão do dono do velculo Ler que lndenlzar. L algo que e unanlme na [urlsprudôncla. ÞrlnclpalmenLe por conLa,
mulLas vezes o moLorlsLa do velculo serem embora malores de ldade, mas serem pessoas que alguem deu. um
ouLro caso lnLeressanLe, o shopplng esLá com a escada rolanLe defelLuosa e apenas colocou um avlso que esLava
defelLuosa. uma crlança fol lá e usou a escada rolanLe e esmagou o pe. C shopplng fol responsablllzado,
alegando que a exlsLôncla de avlso não afasLa a responsabllldade. A exlsLôncla do defelLo amplla a
responsabllldade.

AULA 9 - 02]04
LkCLUDLN1L DL ILICI1UDL
vamos falar sobre excludenLes, sobre slLuações que podem evlLar a responsabllldade. Como vocôs sabe, a malor
parLe dos casos de responsabllldade clvll, são casos de que a responsabllldade clvll decore do lllclLo. As
excludenLes de lllclLude, esLão prevlsLa no ArL. 188 do CC, que fala da leglLlma defesa, esLado de necessldade e
exerclclo regular de dlrelLo. normalmenLe, a ocorrôncla de uma excludenLe de lllclLude val lmpllcar Lambem no
não dever de lndenlzar. Lmbora lsso não se[a uma regra absoluLa, porque, o próprlo arLlgo lá em
responsabllldade clvll, ArL. 930 chama a aLenção - deLermlna o dever de lndenlzar no caso do dano ou lesão
causada a pessoa na slLuação de esLado de necessldade que não Lenha sldo o causador do perlgo. Lembrem o
segulnLe - em regra as slLuações descrlLas no ArL. 188 por serem excludenLes de lllclLude lmpllcaram Lambem no
não dever de lndenlzar, na não responsablllzação. Lmbora não sempre, o caso clásslco esse do ArL.188, ll em que,
no lnLulLo de se salvar a pessoa, causa dano a um Lercelro que não Lem relação com o perlgo que fol causado, ele
val Ler lndenlzar o dano a esse Lercelro. Þor exemplo, se val desvlar de um carro na conLramão, e [oga o carro
para o passelo. val Ler que lndenlzar o dano que ele causa para quem ele aLropelou. Þor mals que, ele pode
depols, regresslvamenLe lngressar com ação conLra com o que vlnha na conLramão. noLem que, das slLuações de
excludenLe de lllclLude, a unlca que o códlgo clvll expressamenLe fala de dever de lndenlzar e essa do ArL. 188,
lnclso ll. C códlgo clvll não fala em dever de lndenlzar nem nas slLuações de leglLlma defesa, nem na slLuação de
exerclclo regular de dlrelLo.
na LEGI TI MA DEFESA não fala de dever de lndenlzar, parLlndo do pressuposLo que e uma leglLlma defesa regular.
Þorque a próprla ldela da leglLlma defesa envolve causar dano a alguem. vocô, preLendendo evlLar um dano a
vocô ou a ouLro, vocô val e causa um dano em quem serla o agressor. Com o ob[eLlvo de se proLeger e proLeger o
agressor. Sendo lsso dal os llmlLes de faLo não há que se falar em responsabllldade clvll. 1emos algumas
slLuações que no dlrelLo clvll podem Ler um LraLamenLo um pouco dlferenLe do dlrelLo penal.
! Leg|t|ma defesa fe|ta com erro de execução: o su[elLo quls se defender de um, a ponLarla dele não e boa,
e ao lnves dele aLlrar numa pessoa ele aLlra em ouLra que esLá do lado. nesse caso, clvllmenLe ele
responde Lambem. Lle val Ler que lndenlzar o dano que causou, porque, aflnal de conLas, aquele Lercelro
vlLlmado não Lem nada haver com a ação da qual ele preclsa se defender.
! Leg|t|ma defesa putat|va: slLuação em que o su[elLo pensa que há uma agressão conLra ele, mas na
verdade não há. nesse caso, Lem uma malor dlscursão. Þorque em Lese, responderla [á que como não
esLá presenLe o requlslLo leglLlma defesa, enLão o dano que ele causa e um dano não leglLlmado, e um
dano que não enconLra uma [usLlflcava no ordenamenLo para que ele Lenha machucado aquele su[elLo.
Só que por vezes, enconLramos na douLrlna argumenLos levando em conLa que se deve anallsar no caso
concreLo, qual o grau de aparôncla que havla, de que de faLo o su[elLo esLrarla sofrendo uma agressão. A
quem consldere, que se a slLuação fáLlca se conflgure de manelra Lal, que serla mulLo dlflcll para o su[elLo
Nana Fernandes de Souza
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que age em leglLlma defesa saber que não há moLlvo, há quem consldere que val funclonar como
excludenLe de lllclLude e afasLar o dever de lndenlzar. C que val afasLar o dever de lndenlzar, e vocô
verlflcar qual o grau de aparôncla.
Cs aLos comeLldos em EXERCÍ CI O REGULAR DE DI REI TO Lambem são aLos que afasLam a lllclLude da conduLa e
por consegulnLe afasLa o dever de lndenlzar. Agora, o grande problema e a dellmlLação do que e exerclclo
regular de dlrelLo e do que e abuso de dlrelLo. Þor exemplo, vocô faz uma denuncla de uma aLlvldade crlmlnosa
de alguem, mesmo que depols o su[elLo se prove lnocenLe, se vocô Llnha elemenLos fundados para fazer a
denuncla, vocô aglu em exerclclo regular de dlrelLo. C problema aqul e, Loda vez que denunclasse errado, vocô
respondesse, vocô esLarla lnlblndo a próprla quesLão da acepção penal. como e que vocô Lem que Ler cerLeza da
praLlca do crlme para poder fazer a denuncla? ulLrapassando os llmlLes do que e regular, cabe lndenlzação. uo
mesmo modo, a ldela de esLrlLo cumprlmenLo de dever legal.
LkCLUDLN1L DL kLSÞCNSA8ILIDADL
!á quando eu falo de excludenLe de responsabllldade al nós vamos para ouLro grupo de slLuações. ve[am que a
ldela aqul e excludenLe de responsabllldade, ou se[a, o faLo e um faLo normalmenLe gerarla um dever de
lndenlzar, mas que vla de regra por conLa de se comprovar o romplmenLo de nexo causal o dever de lndenlzar
não val aparecer, não haverá responsabllldade.

! Caso fortu|to e força ma|or: mals e mals vem perdendo forca, prlnclpalmenLe nas slLuação de
responsabllldade clvll ob[eLlva. Lembram quando eu Lrabalhe forLulLo lnLerno, forLulLo exLerno, ho[e nós
Lemos mulLas slLuações em que nos Lemos o caso forLulLo, mas que alnda asslm não se afasLa a
responsabllldade clvll. L Lambem uma slLuação mulLo caso a casa, em que a [urlsprudôncla mulLo com
frequôncla. Þor exemplo, vocôs vão ver semesLre que vem, que o LransporLador em uma clausula de
lncolumldade do LransporLado. Cu se[a, ele e responsável pela lnLegrldade flslca do su[elLo enquanLo esLá
reallzando o conLraLo de LransporLe. Mas há alguma slLuações que ele obvlamenLe responde, por
exemplo, se duranLe o LransporLe Lem um acldenLe alnda que o acldenLe não Lenha sldo causado pelo
moLorlsLa, mas slm por um Lercelro. A empresa de LransporLe val responder peranLe os passagelros. 1em
alguns casos que não responde, por exemplo, dols amlgos que brlgam denLro do ônlbus e um dele da um
murro no ouLro. não val responder porque e algo alhelo ao servlço presLado. Agora, Lem alguns casos que
a [urlsprudôncla não esLá flrmada alnda, prlnclpalmenLe em caso de assalLo em LransporLe. A malor parLe
das declsões [udlclals Lambem dlz que não, parLlndo da loglca que lsso e algo que e exLerno a aLlvldade. A
grande quesLão e, caso forLulLo e forca malor, afasLa culpabllldade ou afasLa causalldade? Lssa que e a o
grande problema, para o professor afasLa causalldade, quebra com o nexo causal.

! Iato de terce|ro ou cu|pa de terce|ro e a s|tuação de fato exc|us|vo da v|ma ou cu|pa exc|us|va da v|t|ma
(envo|ve tambóm a cu|pa concorrente): mulLas vezes fala-se de faLo excluslvo da vlLlma ou de faLo
concorrenLe e não de culpa excluslva da vlLlma e culpa concorrenLe, [usLamenLe para poder abranger
Lambem as slLuações de responsabllldade clvll ob[eLlva. Þorque se vocô esLa numa slLuação de
responsabllldade clvll ob[eLlva, por mals que LradlclonalmenLe se fala de culpa excluslva e culpa
concorrenLe, mas flcarla sem loglca vocô falar com essa nomenclaLura em sendo responsabllldade clvll
ob[eLlva [á que em Lese vocô não val Lrabalhar com culpa. C problema aqul e mulLo mals um problema
probaLórlo do que um problema Leórlco. Se de faLo, a conduLa que gerou o dano fol a conduLa da vlLlma,
não há o que se dlscuLlr, não há dever de lndenlzar do ofensor, causador do dano. Þor exemplo, se vocô
esLa andando com seu carro e o su[elLo decldlu deslsLlr da vlda e se [oga na frenLe do seu carro,
obvlamenLe vocô não Lem que arcar com dano nenhum.
ua mesma forma cu|pa concorrente, só que aqul o que val aconLecer e que vocô val Ler uma dlvlsão do
dano. C su[elLo não ver ser LoLalmenLe responsabllldade, porque rompe-se parclalmenLe com o nexo
causal, mas ele val ser em algum grau responsabllldade. C que aconLece e que a conduLa dele fol uma
Nana Fernandes de Souza
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Semestre - FBD
conduLa geradora do dano, mas a conduLa da vlLlma fol uma conduLa que Lambem conLrlbulu para a
ocorrôncla do dano. nesse caso, val Ler uma dlvlsão na responsabllldade.
C fato de terce|ro, ele mulLa vezes não val exclulr a responsabllldade, mas val slm abrlr espaço para uma
slLuação de ação regresslva conLra Lercelro. A não ser, claro, em slLuações exLremas, em que na verdade
vocô aLua como mero ob[eLo do dano causado. Þor exemplo, acldenLe de LranslLo. Seu carro esLá parado,
Lem um carro na frenLe e um su[elLo vem em alLa velocldade, baLe em seu carro e faz com que seu carro
baLa no carro da frenLe. nesse caso, vocô não val responder pelo dano que causou no carro da frenLe,
nesse caso a responsabllldade de Lercelro, e LoLalmenLe de Lercelro, vocô esLa como mero lnsLrumenLo.
Lm slLuações ouLras, em que vocô val ser responsablllzado e val Ler ação regresslva conLra o Lercelro.