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DIREITO DE OPOSIÇÃO À COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS.

A nossa Constituição Federal, quando trata de matérias sindicais, nos artigos 8º a 11º, preserva, da velha organização sindical anterior, dois institutos frontalmente incompatíveis com a linha de ampla liberdade preconizada pela Convenção 87 da OIT: a) o princípio da Unicidade Sindical – existência de apenas um sindicato da categoria, numa mesma base territorial; b) a Contribuição Sindical compulsória, correspondente ao desconto de um dia de remuneração de todos os trabalhadores, em favor do Sindicato da Categoria. Não deixa de ser uma contradição ao princípio segundo o qual “ninguém é obrigado a filiar-se ou manter-se filiado a sindicato”. Ao recepcionar o comando legal de cobrança compulsória, não só legitimou um imposto a favor de uma entidade privada, como consagrou a filiação compulsória, pois, o empregado, contra a vontade, e sem a opção de informar qual sindicato o representa, sofre o desconto da contribuição sindical; por conseqüência, está compulsoriamente filiado a uma entidade sindical. A questão é mais delicada quando o sindicato impõe a cobrança, dentre outras, da Contribuição Assistencial e da Contribuição confederativa a todos os empregados de sua base de representação. Regulamentando as duas situações há o Precedente Normativo 119, do TST e a Sumula 666, do STF. Os dois institutos consideram ofensiva à liberdade sindical cláusulas em Instrumento Coletivo de Trabalho estabelecendo cobrança de Contribuições sem o direito de oposição dos não sindicalizados. Dentro desse tema, queremos tecer considerações a respeito da Carta de Oposição em si. Antes, porém, permitamnos relacionar as Contribuições hoje cobradas pelas entidades sindicais:

somente podem ser cobradas de não filiados se tiverem eles o direito de oposição. 8 IV da Constituição Federal.a) Contribuição Estatutária. hoje. A contribuição associativa ou mensalidade o empregado só paga se filiar-se ao sindicato. A ela o empregado não pode se opor. à federação e a confederação). Já as Contribuições Assistenciais e Confederativas. no valor de um dia de trabalho. No entanto. Essas duas contribuições – Assistencial e Confederativa – são criadas e determinadas em assembleias dos trabalhadores. do TST e a Súmula 666. por todos os empregados. é estabelecida em assembléia geral e visa custear o sistema confederativo (ou seja. quando não apenas os membros da diretoria. ou seja. nos períodos de negociações de Acordos e Convenções Coletivas. de poder exercer o direito de não autorizar o desconto. 513 letra e) da CLT – visa a cobrir despesas do Sindicato nas negociações coletivas. b) Contribuição Assistencial ou Taxa Assistencial – prevista no Art. . mas fundamentada no art. A Contribuição Sindical compulsória é descontada pela empresa anualmente e o empregado não tem o direito de se opor. c) Contribuição Confederativa – sem previsão legal. seu valor é distribuído entre o sindicato. não conseguem quorum. d) Contribuição Sindical compulsória – prevista no art. as cláusulas prevendo o Direito de Oposição fazem exigências de entrega da Carta na sede do Sindicato. filiados ou não. em razão de sua filiação ao sindicato. do STF. as Assembleias sindicais. 579 da CLT – paga anualmente. Associativa ou Mensalidade sindical – paga mensalmente pelo empregado. segundo o Precedente Normativo 119. Comparecem a algumas delas uma meia dúzia de trabalhadores. De regra.

ou. ou se deve criar um único procedimento de fácil exequibilidade. imaginem-se as situações acima.Tentam justificar o fundamento de tal exigência pelo princípio da soberania das decisões da Assembleia. Portanto. com sede num dos municípios. não é um procedimento razoável. nas cláusulas de previsão de Direito de Oposição ao desconto de Contribuições um leque maior de alternativas ao exercício de tal direito. ou se deve inserir. quando o Sindicato tem base municipal. para empregados fora da sede. pela impossibilidade de deslocamento físico. . A nosso ver. o princípio da razoabilidade estaria bem atendido se o empregado pudesse exercer seu Direito de Oposição com a simples entrega da Carta de Oposição ao Setor de Pessoal da Empresa onde trabalha. obrigando-o a apresentá-la na Sede do Sindicato. a flagrante falta de representatividade compromete a legitimidade das decisões. e ainda escrita do próprio punho. quando a abrangência territorial da entidade sindical ultrapassa a área de um município. perguntamos: é justo e razoável o empregado se deslocar de sua cidade para entregar a Carta numa outra? E sendo estadual ou interestadual? E sendo de base nacional? Ora. Por qual motivo os trabalhadores aprovariam uma cláusula tão desfavorável? A previsão da entrega de Carta de Oposição na sede do Sindicato. Vejamos. não se sustenta do ponto de vista da razoabilidade. como alternativa única. Porém. endereçando ao sindicato a Carta. Sendo o sindicato com abrangência de território intermunicipal. Em muitos casos. sequer se discute esse assunto em assembleia. já é oneroso aos trabalhadores de bairros distantes se deslocarem à Sede da entidade. pelo Correio. se o problema é complicar. Como se faz atualmente. com Aviso de Recebimento e apresentando o comprovante de postagem ao Setor de Pessoal da empresa.

O critério atual de só se permitir o exercício do direito de oposição na sede do sindicato é uma forma de dificultar o exercício de tal direito. pelo princípio da Isonomia. no artigo 614. § 1º . Do empregado não deveria ser exigido tal sacrifício. bem como o principio da livre autonomia das partes. nas Assembleias. Outro ponto é o prazo para o exercício do Direito de Oposição. todos deviam entregar a Carta de Oposição ao Setor de Pessoal da empresa. não há como fazê-lo dentro dos dez dias geralmente previstos nos Instrumentos Coletivos de Trabalho. Não são absolutos os princípios da não intervenção e interferência na organização sindical. mesmo porque a própria CLT prevê o procedimento de publicação dos Instrumentos Coletivos de Trabalho. Sendo o Sindicato presumidamente uma entidade democrática.Logo. nos casos de exigência para deslocamento à sede do Sindicato. A grande maioria dos trabalhadores sequer sabe como funciona o processo de elaboração de Instrumentos Coletivos de Trabalho e não tomam conhecimento do início de vigência em tempo hábil de exercer o Direito de Oposição. não poderia se opor: a) ao direito do empregado de apresentar a Carta de Oposição à cobrança de contribuição ao Setor de Pessoal de sua empresa. nos impelem a tentar construir uma linha de entendimento mais justa e razoável. b) ao exercício desse direito a qualquer tempo e não em período limitado de 10 dias antes da data do desconto de cada mês. Nas situações de cobrança escalonada. chega-se ao ponto de exigir uma Carta de Oposição a cada mês de desconto. c) À eficácia da Carta de Oposição para descontos de todos os meses e não uma Carta para cada mês de desconto.Passarão a vigorar após três dias do depósito no . mas tão somente uma única Carta de Oposição com eficácia para todos os descontos escalonados. A carência de razoabilidade e a onerosidade excessiva. em vários meses. Ainda mais quando se constata a falta de representatividade.

o início do exercício do direito de oposição só deveria ser contado depois de. para informação aos interessados e se aceite a entrega de Carta de Oposição no Setor de Pessoal da empresa. Então.§ 2º. Cópias dos Instrumentos Coletivos de Trabalho deverão ser afixadas na sede do sindicato e das empresas dentro de cinco dias da data do depósito no TEM. às vezes. são esvaziadas. a presença somente da diretoria. de fato. os órgãos de defesa dos direitos dos trabalhadores não deviam se imiscuir nessas questões privadas. quando muito. oito dias depois do depósito do Instrumento Coletivo no MTE. mediante o argumento de existir. Os estatutos preveem a legitimidade da assembleia com qualquer quorum. parece um ardil para dificultar o exercício do direito. hoje. Ainda. a Assembleia Geral tivesse oportunidade de discutir o assunto e o aprovasse com quorum majoritário. escrita do próprio punho e dentro de um limite de tempo de 10 dias. na linha da não intervenção e interferência. Por conseguinte. as entidades sindicais não se interessam em dar conhecimento da publicação de instrumentos coletivos firmados. as assembleias. tantos dias após a homologação do Instrumento Coletivo no Sistema Mediador. criese um site. De regra. ainda. com. se. poderse-á invocar a competência de o Sindicato poder criar normas e o princípio da livre autonomia. Não teríamos nenhuma objeção a tal argumento. hoje. faça-se a comunicação ao empregado por meios mais eficazes. meios mais modernos.Ministério do Trabalho . para cada desconto mensal. Exigir a apresentação da Carta na Sede do Sindicato e. Logo. pessoalmente. como já registramos acima. O fato de o trabalhador desconhecer o procedimento da negociação e formalização dos Instrumentos Coletivos também . Alguém poderá questionar a razoabilidade da exigência de afixação de cópias nas sedes das entidades envolvidas. pelo menos. Por exemplo. Contudo. do Ministério do Trabalho.

Os trabalhadores ainda não têm a consciência de sua importância como membro de uma Categoria organizada em . a desistir do exercício do direito de oposição.como apresentar o atestado médico dentro do prazo de 48 horas. confundindo-o com empresa ou órgão público. e sim tem a ver com induzi-lo a perder prazo. Isso seria legítimo. como exigir a assinatura do cartão de ponto. ao final do dia. é inaceitável. para deixar a empresa obrigada a efetuar o desconto. na condenação de tais práticas. a defesa da democracia. ou seja. Vai de encontro às bandeiras irrenunciáveis de luta do sindicato. como muitas vezes alegam. mesmo com a opção de qualquer pessoa levá-lo. Até podemos relevar essa questão. devendo retornar à empresa e não ir direto para casa. pois a consequência imediata de dificultar o procedimento do exercício do direito à oposição de desconto de contribuições sindicais não tem nada a ver com criar uma oportunidade de contato com o trabalhador para convencê-lo a se manter filiado e aceitar o desconto. Quando a empresa cria qualquer dificuldade ao trabalhador . Digo isso porque. A situação pode ser diferente. da transparência e da boa fé nas negociações. constata-se a falta de informação dos trabalhadores sobre a natureza jurídica do sindicato. Agora. em cada região do país. aproveitar-se dessa circunstância. se a decisão saísse de uma assembleia com presença significativa. na sede da empresa. em pesquisa. caindo em profunda contradição. para dificultar o exercício de um direito. se o empregado trabalha em atividade externa. imantando-a de legitimidade ou se estivéssemos num país de trabalhadores com nível de instrução razoável. e quais suas competências.não costuma ser levado em conta. repito. como atrasar o cumprimento de qualquer obrigação trabalhista – o sindicato logo se arvora titular das funções de carrasco intransigente. junto a trabalhadores de segmentos econômicos variados. mas o diagnóstico de crise grave é a mesma.

filiando-se. sem sintonia política com a base de representação.como órgão de representação de importância inestimável. passa a pagar a Mensalidade sindical (só paga se filiar-se). brigue para provocar mudanças. . esses ardis agravam ainda mais a antipatia e a ojeriza dos trabalhadores. não há perspectiva de mudanças. Em resumo: a) O trabalhador é o personagem mais importante. tentando a sobrevida com artifícios como a exigência do procedimento oneroso do exercício do direito de oposição. da titularidade de poder normativo (de criar normas) – depende dos trabalhadores. A Assembleia Geral é a instância mais importante. até por conta disso. na organização sindical. c) Se não quiser pagar a Contribuição Assistencial. a ponto de revestir-se. espontaneamente. por força de comando constitucional. a estrutura administrativa da entidade sindical é: a) Diretoria Executiva. bem como a Contribuição Confederativa. deve fazer sua Carta de Oposição. esta formada pelos trabalhadores da Categoria. Os trabalhadores desconhecem sua importância dentro da organização sindical e. participe das assembleias. Nesse ambiente de desinteresse. Caso ache o procedimento de pedido de oposição difícil – porque mora noutra cidade ou em razão do curto espaço de tempo (10 dias) para exercer o direito. não estão motivados a participar.sindicato. b) Conselho Fiscal e c) Assembleia Geral. os dirigentes se perpetuam. b) Somente se filia ao sindicato se quiser. junte-se com outros trabalhadores. Atualmente. conforme as regras estabelecidas em Acordos ou Convenções Coletivas de Trabalho. Mas os trabalhadores não se motivam a participar A recuperação da credibilidade do sindicato . escreva ao sindicato. quando o número de presentes é expressivo. Pode desfiliar-se quando quiser. por décadas.

Exigibilidade .DJ de 9/10/2003. V. se for Convenção Coletiva.CONTRIBUIÇÕES SINDICAIS INOBSERVÂNCIA DE PRECEITOS CONSTITUCIONAIS. p. 2. 4. A Constituição da República.24/09/2003 .Filiação a Sindicato Respectivo . 4. p.gov. convenção coletiva ou sentença normativa estabelecendo contribuição em favor de entidade sindical a título de taxa para custeio do sistema confederativo. Precedente Normativo nº 119 do TST . siga os seguintes passos: 1. clique em Instrumentos Coletivos Registrados.d) Para obter cópia do Acordo ou Convenção Coletiva de sua Categoria. em seus arts. XX e 8º.Aberto o Sistema. tornam-se passíveis de devolução os valores irregularmente descontados. ou do seu sindicato ou da empresa. assistencial. revigoramento ou fortalecimento sindical e outras da mesma espécie. DJ de 13/10/2003.Entre no Site: www. obrigando trabalhadores não sindicalizados. p. A seguir.br. DJ de 10/10/2003. assegura o direito de livre associação e sindicalização. se for Acordo Coletivo. 3.mte. 4.’ STF Súmula nº 666 . Sendo nulas as estipulações que inobservem tal restrição.No campo previsto para o CNPJ. É ofensiva a essa modalidade de liberdade cláusula constante de acordo.Localize: Mediador – Registro de Instrumentos Coletivos e clique. o Precedente Normativo 119 do TST e a súmula 666 do STF. 4. Contribuição Confederativa . insira o do Sindicato (patronal ou dos trabalhadores). 5º.

só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo. da Constituição. 8º. Francisco das Chagas Oliveira Rodrigues .A contribuição confederativa de que trata o art. IV.