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MELHORES PRÁTICAS EM ANÁLISE DE VIBRAÇÃO E PERFORMANCE DE LUBRIFICANTES EM EQUIPAMENTOS DE BAIXA ROTAÇÃO

Diogo Carlos de Oliveira José Carlos Gomes Junior

Lubrificantes Sintéticos.RESUMO RESUMO Este estudo de caso aborda a aplicação das melhores práticas em análise de vibração e performance de lubrificantes para equipamentos de baixa rotação. buscamos abordar os conceitos de uma maneira bastante prática e usual. condição operacional. Lubrificação Industrial. Baixa Rotação. Alta Temperatura. Por se tratarem de metodologias muito exploradas teoricamente. O estudo passa pela adequada configuração das medições de vibração. . Palavras Chaves: Vibração. revisão de plano e eficácia da lubrificação. temperaturas de trabalho do cilindro secador. análise de falha em rolamentos e no cilindro secador. Rolamentos. como solução de problemas crônicos por falha de rolamento em cilindro secador de máquina de papel. O entendimento do comportamento vibracional em equipamento de baixa rotação é fundamental para se determinar a melhor maneira de se aplicar o monitoramento de vibração bem como do lubrificante adequado. Análise de Falha.

bem como alimentou a descrença na eficácia da função lubrificação. . Foram revisadas as parametrizações do banco de dados para análise de vibrações em sua forma de medir.”. a 700 m/min. tempo de captura dos sinais.. Este cenário reforçou a descrença no sistema preditivo como ferramenta eficaz para controle de componentes de baixa rotação. Ao longo de vários anos de operação ocorreram falhas em rolamentos principalmente em mancais de cilindros secadores. em componentes com baixa rotação entre 30 RPM a 120 RPM. Foram realizados estudos sobre a eficácia dos lubrificantes. tipos de acelerômetros. metodologia e periodicidade... sem diagnósticos prévios da evolução das falhas. revisados os planos de lubrificação. com características de deficiência de lubrificação como causa das falhas.INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO Este trabalho foi desenvolvido em três máquinas de papel com velocidade linear entre 150 m/min. que foram aplicadas sem sucesso neste período. encontramos em muitas empresas a oficialização da lei: “falha em baixa rotação tem o nosso perdão. bem como o acompanhamento para a perenização das soluções e bons resultados obtidos. interpretação dos espectros em função da freqüência e em função do tempo. periodicidades. etc. Foram realizados aprendizados teóricos e práticos para as equipes comprometidas. estratégias de controle e de gestão. alarmes. filtros para demodulação. Não raro. etc. por parte das diversas estratégias preditivas por análise de vibração. pontos de medição.

.8 a 46.ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO O cilindro secador deste estudo de caso possui as seguintes especificações: Fabricante: Voith Largura: 3000 mm Diâmetro: 1500 mm Rotação de Trabalho: 31. Pressão Máxima Vapor: 10 Kgf./cm2 Temperatura: trabalho ~ 120⁰C. A Figura 2 mostra o cilindro secador e um rolamento danificado no mancal lado de acionamento.8 RPM. Figura 2 – Cilindro Secador e quebra do rolamento.

.ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO Análises Este estudo de caso compreende a análise de falha dos rolamentos e a aplicação de técnicas de vibração em equipamentos de baixa rotação e performance de lubrificante. O monitoramento através das rotas de Termografia Mecânica detectou temperaturas elevadas principalmente no mancal do lado acionamento que atingiram a faixa de 184º C. com a finalidade de se entender o motivo de quebra prematura dos rolamentos do cilindro secador conforme detalhado na Figura 2. pois serve como paraquedas para os problemas relacionados à deficiência ou excesso de lubrificação. essa situação pode ser agravada quando há vazamentos de vapor. Termografia A Termografia mecânica aplicada como rotina nos equipamentos de baixa rotação é uma ferramenta que cada vez mais mostra a sua importância. Termograma do Mancal lado acionamento com 184º C. Em cilindros secadores há uma influência muito grande na temperatura dos mancais o ambiente de trabalho.

Uma configuração específica é aplicada. e em alguns casos somente equipamentos com rotação acima de 600 RPM são monitorados.ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO Análise de Vibração Na maioria das vezes o que se vê é aplicação inadequada da técnica no monitoramento de equipamentos de baixa rotação. principalmente para garantir se o tempo de amostragem de um espectro na forma de onda está adequado para capturar as freqüências de defeito do rolamento aplicado. sendo 125 a 1250 Hz e 1 a 10 kHz. e para demodulado utilizamos 2 filtros.aceleração medida em valor de pico a pico real . Podemos considerar rotações abaixo de 10 RPM como baixíssima rotação Duas Técnicas/Parâmetros de monitoramento são bastante úteis em se tratando de baixas e baixíssimas rotações: . Fig. Muitos ainda não acreditam que possível detectar problemas em equipamentos de baixa e baixíssima rotação através da análise de vibração.demodulado de aceleração valor pico a pico Nos dois casos a forma de demonstrar os espetros é no domínio do tempo. – Configuração padrão de monitoramento .

ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO Os rolamentos aplicados no cilindro secador lado acionamento é um autocompensador de rolos 23036 CDE4 no lado comando um rolamento de rolos cilíndricos 3036 CCK C4. Mancal LA Mancal LOA Esses rolamentos têm as seguintes freqüências de defeito trabalhando numa rotação de 53 RPM – 0.13 seg.88 Hz (1.) Essas freqüências de defeitos dos rolamentos são encontradas no próprio software de Análise de Vibração. .

Após determinarmos o tempo de cada freqüência de falha.) Freqüência de 0.133 seg. Tomando como exemplo a Pista Interna (BPFI) teremos: T = 1 / 7.ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO A fórmula da freqüência é F=1/T e a do tempo é T=1/F. Calculando o RANGE de medição no domínio do tempo para detecção de falha na gaiola do rolamento 23036 CDE4 F = Freqüência (Hz) T = Tempo (seg.54 seg.32 Hz = 0.39 Hz F = 1 / T 0. .39 Hz Tempo = 2. o próximo passo é determinar qual o tempo de amostragem da forma de onde adequada.39 Hz = 1 / T T = 1 / 0.

ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO Para detectar a presença de 1 ciclo é necessário um tempo de amostragem de 4.56 seg.56 seg. x 3 ciclos = 7. Para determinarmos o número de linhas e a freqüência máxima do espectro utilizamos a fórmula: R= L/T Utilizando o número de linhas de 1600 teremos o seguinte resultado. desta forma multiplicamos este tempo por 3 e em seguida calculamos o range adequado. – Forma de onda parâmetro Demodulado . R = 800 linhas / 7.166 segundos. 2. R = 105.52 seg. porém precisamos pelo menos de 3 ciclos.6 Hz Fig.

600 1.672 g pk-pk 36.07 O/All 0.000 03/10/2011 08:59:21 O/All 0.03 0.LA CILINDRO SECADOR 6 .ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO No parâmetro de aceleração pico a pico real quando temos deficiência de lubrificação há o surgimento de alta freqüência randômica com desprendimento do carpete.02 0.04 g pk-pk 0.01 0 0 200 400 600 800 1. Espectro de aceleração pico a pico A tendência abaixo destaca a evolução do valor global.5 0 0.800 3. disparando o Alarme 1.400 2.400 Hz 1. 2º GRUPO SUPERIOR .06 0.Acc Spec/Wfm 3000 Hz "3200L" 03/10/2011 08:59:21 Power (g pk-pk) 1.672 g pk-pk 0.252 RPM Fig.600 2.200 2.000 1.800 2.05 0. .200 1.Horizontal .000 2. provocado pelo atrito causado entre as partes do rolamento.

Horizontal .LA CILINDRO SECADOR 6 . .82%.1 0 10/08/2011 24/08/2011 local date/time 12/09/2011 03/10/2011 Global FFT Quando extraímos o relatório das últimas medições podemos observar uma evolução de 431.6 0.5 g pk-pk 0.4 0.7 0.2 0.Acc Spec/Wfm 3000 Hz "3200L" Global FFT 0. desta forma atingindo o Alarme 2.3 0.ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO 2º GRUPO SUPERIOR .

 Avaliando estas partículas por meio de microscopia  óptica. A fim de caracterizar as partículas foram realizados ensaios de EDX. verificou‐se que se trata de partículas metálicas e fibras cujo tamanho médio varia entre 20 e 35 μm. Após este procedimento foi efetuado a separação por membrana de celulose de porosidade 0.5%) e Hexano (P.ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO Lubrificação Análise do óleo no lubrificante aplicado: 1) Análise por Microscopia óptica (MO): O lubrificante foi submetido à avaliação por filtragem em solução de benzina pura (99. de diversos tamanhos e formatos. .45 μm. Detectaram‐se várias impurezas. (Fotos 1 e 2).A) para  homogeneização.

ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO Lubrificação Análise de óleos no lubrificante aplicado: 2) Análise de umidade por Karl Fischer O lubrificante avaliado apresenta um percentual de umidade acima do recomendado. foi reprovado  este  quesito. Dessa maneira. .

 Elementos como Ferro (Fe) e Cromo (Cr) são provenientes do desgaste do  rolamento. juntamente com a cadeia de Carbono e Hidrogênio (C‐ H) são constituintes típicos do lubrificante. pois o mesmo pode tanto ser  proveniente da aditivação do lubrificante como de uma liga metálica. Ainda. Os elementos Enxofre (S). Fósforo (P). Contudo. O Si (Silício) é um contaminante externo. não temos como avaliar qual a origem do Zinco. o Cobre (Cu) e o Zinco (Zn) são típicos de ligas de latão  utilizadas em separadores. Zinco (Zn) podem ser  usados para pigmentação. aditivos antidesgaste. Óleo ISO VG 1000  . entre outros. o volume ou massa são desconsiderados. e.ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO Lubrificação Análise de óleos no lubrificante aplicado: 2) Análise química por Fluorescência de raios ‐ X (EDX) A análise química por EDX é uma técnica de análise de superfície onde os constituintes avaliados estão compreendidos  em um diâmetro de até 10 mm. Desta maneira.

. Instalação de prolongadores para aplicação de lubrificante em operação.ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO Lubrificação Execução da troca de lubrificantes: Inserção de graxa lubrificante nos elementos rolantes Borras e materiais retirados do fundo da caixa de rolamento durante a limpeza.

que por sua vez foi consensado a ação para elaboração de nova especificação de lubrificante. fatores de processo e dinâmico não atendiam. onde as características físico/químicas do lubrificante aplicado. para substituição do lubrificante aplicado atualmente por outro atendendo as solicitações de trabalho atuais. o qual neste caso passamos o método e lubrificante de banho de óleo. . para graxa. os níveis de vibração e temperatura tiveram uma redução significativa. Após conclusão e estudos da Analise de Falha efetivarmos a troca do lubrificante.ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO Lubrificação Após o estudo do caso foi solicitado participação e apoio dos fornecedores de lubrificantes na analise de falha. em virtude de da condição atual.

após troca do lubrificante .ESTUDO ESTUDO DE DE CASO CASO Parâmetros de Temperatura Temperatura de trabalho registrada 4 dias antes da falha com método de lubrificação banho à óleo: Temperatura de Trabalho no mancal.

dependendo da intensidade. “Análise de Falhas”. como também. Notamos que o aumento da temperatura. de modo a entender a causa raiz da quebra dos rolamentos.CONCLUSÃO CONCLUSÃO Os olhos eram focados inicialmente na quebra dos rolamentos do cilindro secador devido temperatura elevada de trabalho encontrada nos mancais. [3] Engefaz Engenharia Ltda. No que tange a análise de lubrificantes. Vale salientar que a interação com umidade pode ocasionar perdas nas propriedades físico-químicas do lubrificante. Ainda. O estudo se estendeu para uma visão sistêmica da instalação e manutenção. o óleo encontra-se com particulados que podem reduzir a vida e o desempenho do rolamento. “Procedimento Banco Padrão”. . somada a parametrização do banco de analise de vibração deficiente para esta aplicação de baixa rotação. podendo gerar desde o aumento na temperatura de operação. na deficiência da formação do filme lubrificante o que aumenta o contato metal-metal. “Lubrificação Industrial”. Bibliografia. [2] Engefaz Engenharia Ltda. tais contaminantes podem ser oriundos do desgaste e / ou fadiga (desprendimento de partículas metálicas) do rolamento. evolução dos níveis de vibração e a reincidência da falha e os resultados das analises de falha dos rolamentos onde se constatou que a causa raiz era a deficiência de lubrificação. [4] Engefaz Engenharia Ltda. [1] Engefaz Engenharia Ltda. por exemplo. “Apostila Análise de Vibração Nível II”. o favorecimento da fadiga do material. acarretando.