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DISCIPLINA DE CÁLCULO OPERACIONAL Trabalho sobre Aplicações das equações diferenciais na Engenharia

DECAIMENTO RADIOATIVO 1. INTRODUÇÃO

Equações

Diferenciais

Ordinárias

(EDOs)

representam

uma

parcela

importante na graduação de um curso de engenharia. Entretanto algumas vezes é difícil se perceber uma aplicação prática referente à esta teoria. Desta maneira, este relatório apresenta uma aplicação deste tipo de equações em uma parte muito importante na área da Engenharia Geológica, a geocronologia. A geocronologia baseia-se no conceito de decaimento radioativo dos elementos, onde o elemento com um núcleo instável emite energia a fim de atingir estabilidade. Esta energia é eliminada a partir de partículas alfa (α) e beta (β) e radiação gama (γ), gerando taxas exponenciais de decaimento radioativo. A partir desta taxa de decaimento radioativo é possível se descobrir a idade dos elementos que compõe o objeto de estudo. E essa descoberta somente se torna possível através da utilização de EDOs. Este método é usual na área de Engenharia Geológica para determinar a idade de rochas e minerais, em estudos petrogenéticos para a identificação de processos geológicos e entendimento de fontes magmáticas e na determinação de áreas para prospecção mineral. Desta maneira, o intuito do relatório é explicitar uma aplicação prática das EDOs na área de Engenharia Geológica através da datação por decaimento radioativo de isótopos radiogênicos, aliando estas equações com conhecimentos geológicos e químicos, bem como exemplificar a aplicação da teoria de EDOs na área da geocronologia.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1. Processos de decaimento radioativo

O fundamento da geocronologia moderna foi elaborado no início do século XX por Rutherford e Soddy (1903) em elementos naturais radioativos. Eles mostraram que o processo de decaimento radioativo é exponencial e independente das

usadas para medidas do tempo geológico. Alguns elementos leves possuem apenas poucos isótopos enquanto que os elementos pesados possuem vários. Partículas α e β são partículas de alta velocidade. A radiação γ (raios gamma) consiste de ondas eletromagnéticas similares as características do raios-X. A radioatividade pode ser definida como um ajustamento espontâneo de um núcleo de átomos instáveis para um estado mais estável. partículas e/ou raios liberados. meia vida e nuclídeos resultantes estão expostos na figura 1. A radiação é o resultado de mudanças no núcleo pelos átomos. As taxas de decaimento podem ser assim. Alguns exemplos de elementos instáveis. correspondendo ao núcleo do hélio e seus elétrons. Alguns átomos. liberando partículas α e β e emitindo radiação γ. processos nos quais há um rearranjo da configuração dos nucleons no núcleo. sendo de maior energia e menor comprimento de onda quando comparadas as do raios-X. . tendem a se transformar em átomos com estado de menor energia. que possuem um estado de grande energia. respectivamente. decaindo para um estado mais estável. Isótopo é definido como uma variedade do mesmo elemento químico (átomos como o mesmo número atômico Z) que possuem uma variedade no número de nêutrons e variando o peso atômico (M). Núcleos instáveis tendem a se aproximar de uma configuração estável pela emissão de certas partículas alfa (α) e beta (β). Alguns núcleos têm uma combinação de prótons e nêutrons que não leva a uma configuração estável.condições físicas e químicas do ambiente.

utiliza-se a equação diferencial deduzida. [1] é linear. a equação diferencial que descreve o problema deve também. ou problemas de valores iniciais (P.I. 2. Etapas de estabilização de um elemento instável: modo de desintegração tempo de meiavida e nuclídeo resultante. função y e as suas derivadas têm exponenciais inteiras de no máximo 1 e no mínimo 0. Modelo matemático utilizado O modelo matemático deve ser formulado de acordo com a natureza do fenômeno ou situação analisada. satisfeitas tais condições.Figura 1. Para descrever o decaimento de um nuclídeo radioativo qualquer. assim como o modelo a ser dedutível no presente trabalho.) bem definidos. esses modelos devem apresentar valores de contorno. Desta forma.V. ser dita linear: ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) [2] São descritas como lineares as equações . dada por Bassanezi e Ferreira Jr.D. (1978) [1] Utilizando um modelo linear. Em alguns casos particulares.2.O. Tais . conclui-se que a E. em que todos os coeficientes são funções de x.

denominado meia-vida. A partir daqui. Uma determinada quantidade de um elemento radioativo se reduz à metade depois de transcorrido um tempo t = ln2/ . portanto desenvolvem importante papel nos estudos aplicados. A desintegração de um dado número de núcleos de qualquer nuclídeo radioativo (elemento radioativo em desintegração) pode ser expressa pela equação geral: ( ) Onde: N = número de nuclídeos do instante t = número de nuclídeos inicial do átomo = representa a constante de desintegração [3] O parâmetro (lambda) é denominado de constante de desintegração. enquanto a segunda será a clássica aplicação apresentada em [1]. e Z representa o elemento estável. sendo que.718. respectivamente. aproximadamente a metade do valor do número inicial. Suponhamos que uma série radioativa é descrita esquematicamente por: X Y Z Onde = < 0 e = < 0 são as constantes de decaimento da substância X e Y. o número de nuclídeos fica reduzido a 1/e 1/2. depois de transcorrido um tempo igual a 1/ .valores de contorno influenciarão na precisão dos resultados encontrados. serão realizadas duas abordagens para a modelagem do decaimento radioativo. além dos conceitos de Cálculo Numérico. a primeira resultará no sistema linear de três equações diferenciais de primeira ordem. . Para execução da modelagem matemática foram utilizados conceitos de cálculo diferencial e integral para resolução das equações diferenciais deduzidas.

parte da própria formulação matemática de Bassanezi e Ferreira Jr. > 0 é a constante de desintegração radioativa. A segunda maneira de abordagem do problema. remanescente no instante t.Suponhamos também. que modela o processo de decaimento radioativo pelo número de átomos radioativos e pode ser descrita da seguinte forma: ( ) Onde: ( ) corresponde ao número de átomos radioativos presentes na amostra no instante T. que x(t). Sendo Z um elemento estável. Y e Z. Nesta abordagem consideremos o termo ( ) que representa o número de desintegração do elemento por tempo por massa do elemento no tempo ( ). [5] e [6]. que pode ser obtida experimentalmente. Como já definido anteriormente. a equação [7] é caracterizada como uma equação linear de [7] . respectivamente. y(t) e z(t) denotem a quantidade das substâncias X. este está unicamente ganhando átomos do decaimento do elemento Y: [6] Finalmente. O decaimento do elemento X é descrito por: [4] Já a taxa de decrescimento do elemento Y é dada por: [5] Percebe-se que Y está ganhando átomos do decaimento de X e ao mesmo tempo perdendo átomos em decorrência do próprio decaimento. tem-se um modelo da série de decaimento radioativo dos três elementos. (1978). representado pelo sistema linear de três equações diferenciais de primeira ordem [4].

tem-se: ( ) ( ( ) ) ( ) [7] Se considerarmos que ( ) temos a equação [1]: [1] Uma equação linear de ordem homogênea que pode ser resolvida por: ( ) ∫ ( ) . Observar a forma padrão: ( ) ( ) 2. Multiplicação da forma padrão pelo fator integrante: ∫ ∫ ( ) 4. Integração: ∫ ∫ ( ) ( ) Logo. utilizaremos o método de fatores integrantes: 1.primeira ordem. Para chagarmos a solução dessa equação diferencial [1]. Fator integrante: ∫ ( ) ∫ 3.

a informação de ( ) pode ser facilmente calculado tendo por base apenas . sendo uma delas a geocronologia. . determinando a lei da desintegração radioativa admitindo que:  1 . Scheweidler em 1905 estabeleceu a lei capaz de reger os fenômenos radioativos baseado em hipóteses probabilísticas. ( ) Para ( ) ( Logo. Deseja-se ter 30 gramas do isótopo no final de 30 dias.A desintegração é um processo probabilístico. aplica-se:  Um isótopo radioativo tem uma meia-vida de 16 dias.Sendo P(x) = e ( ) ( ) ∫ Resultando na equação [3] explanada no início da seção: ( ) [3] A equação [3] é solução analítica clássica de [1]. . Solução: Seja:   ( ) a quantidade presente no instante t. A partir dessa solução para a equação diferencial [1]. a partir de informações de Utilizando a solução encontrada. e 2. ainda. mais especificamente datação de rochas por decaimento radioativo. Aplicações Existem diversas áreas do ramo das geociências onde as equações diferenciais podem ser aplicadas. ( ) a quantidade inicial. ou.3. ) ( ) . Calcule a quantidade inicial do isótopo.

Muitos trabalhos científicos se utilizam deste método de datação para montar uma coluna estratigráfica. Qual a idade da rocha? Solução: Se Nk0 átomos de potássio estavam presentes no tempo em que a rocha foi formada pela solidificação de magma lunar. Um exemplo que utiliza as equações diferenciais será mostrado conforme o enunciado a seguir: A análise espectrométrica dos átomos de potássio e argônio de uma amostra de rochas da Lua mostrou que a razão entre o número de átomos do presente e o número de átomos do 40 40 Ar (estável) K (radioativo) é 10.Probabilidade de se desintegrar em um Δt muito pequeno é proporciona a ele p= λ Δt. (1978)): Onde:  = constante de desintegração Pela fórmula: dN = -dt  dN/N = -dt Integrando: [ln N] = -[t]  N/N0 = e-t  N = N0. portanto: q = 1 . demonstrando quais rochas são mais recentes e/ou mais antigas.A probabilidade de um átomo radioativo se desintegrar é igual para todos os átomos de uma mesma espécie. 2 .λ Δt A partir desta equação pode-se chegar a conclusão que a equação diferencial deduzida para descrever o decaimento de um nuclídeo radioativo qualquer é dada por (Bassanezi e Ferreira Jr.3.25 10 9 anos. para este decaimento foi determinada como 1.A desintegração ou não independe de sua vida anterior.  4 .  3 . o número de átomos de potássio remanescentes no tempo da análise é: .e-t Com esta equação é possível fazer a datação de rochas através dos elementos radioativos presentes nela. Suponha que todos os átomos do argônio foram produzidos pelo decaimento dos átomos do potássio e que a meia-vida.

Assim. temos: ) = ln e t = t. temos: )}/  = { ln ( t = { ln ( )}/{ln 2/t} = {ln(10. e t . mas ou Agora e- t Þ Aplicando logarítmo de ambos os lados. o número de átomos de argônio presentes no tempo da análise é: NA = Nk0 . 3. 4. Considerações finais Observa-se então que apesar de algumas vezes perceber a aplicação prática referente à teoria das EDOs é um pouco complicado. ln ( (NA/Nk) é a razão medida. A geocronologia tem embasamento no decaimento radioativo dos isótopos radiogênicos que possuem núcleos instáveis através da liberação de partículas alfa . este tipo de equação é bastante utilizada e muito relevante na pesquisa de um Engenheiro Geológico quando esta pesquisa depende da utilização da geocronologia.Nk = Nk0 e- t Onde: t: idade da rocha Para cada átomo de potássio que decai.Nk Não podemos medir o Nk0. situação rotineira nesta profissão.3 + 1) x 1.37 109 anos Ou seja.37 bilhões de anos. Assim. um átomo de argônio é produzido.25 109}/ ln 2 = 4.

Prova-se desta maneira. da quantidade deste elemento e. a idade do elemento pode ser descoberta. Sabendo-se que os átomos de argônio provêm dos átomos instáveis de potássio. a meia vida dos elementos e a razão entre estes átomos.. Uma aplicação prática disto é a datação de rochas oriundas da lua.. nível de alteração e tipo de intemperismo que o material está exposto.. .. a importância da utilização das EDOs na profissão de um Engenheiro Geológico. Esse decaimento.37 bilhões de anos. quando quantificado. Através das características próprias de cada elemento analisado. independentemente do local.e beta e raios gama. que podem fornecer informações que ajudam a entender até mesmo a origem do Planeta Terra. Esta datação foi feita a partir da análise átomos de potássio radioativo (40K ) e argônio estável (40Ar) com um espectrômetro de massa. geralmente rochas. as variáveis da EDO utilizada são atribuídas e. pode-se identificar a idade da rocha. de 4. permite que se descubra a idade dos elementos que compõe o alvo da pesquisa. As EDOs possuem uma significativa relevância porque são as equações utilizadas para que se quantifique este decaimento radioativo.