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ESCOLA TÉCNICA ELETRO-MECÂNICA DA BAHIA

MÁQUINAS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS II EMI 202

CURSO DE ELETROTÉCNICA

Elaboração e montagem: Eng. Eletricista Dêdison Santos Moura Coordenação e Revisão: Prof. Fernando José de Azevedo

2ª. Rev. Out/2012

EEEMBA

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SUMÁRIO
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO AOS GERADORES ....................................................................................... 1 1.1 1.2 1.2.1 1.2.2 1.2.3 1.2.4 Produção da Eletricidade por Meio do Magnetismo .................................................. 1 Fontes de energia mecânica para acionamento dos geradores. ................................ 1 Energia Hidráulica ...................................................................................................... 2 Energia Térmica .......................................................................................................... 2 Energia Eólica ............................................................................................................. 3 Motor de combustão interna ou Grupo gerador ........................................................ 4

CAPÍTULO II – GERADOR DE CORRENTE ALTERNADA ............................................................................. 5 2.1 2.2 2.3 2.3.1 2.3.2 2.3.2.1 2.3.2.2 2.4 2.5
2.5.1 2.5.1.1 2.5.1.2 2.5.2

Conversão de Energia Mecânica em Energia Elétrica ................................................. 5 Geração da corrente alternada .................................................................................. 5 Tipos de Geradores de Corrente Alternada................................................................. 7 Alternador de Rotor Girante ou de pólos externos ..................................................... 8 Alternador de Campo Girante ou de pólos internos ................................................... 8 Alternadores de Pólos Salientes .................................................................................. 9 Alternadores de Pólos Lisos ........................................................................................ 9 Velocidade do Gerador ............................................................................................. 10 Excitação do enrolamento de campo ....................................................................... 10
Excitação Dinâmica ................................................................................................................. 11 Excitação com gerador de corrente continua ou Excitatriz. ................................................... 11 Excitação com gerador de corrente alternada ou sem escovas. ............................................. 12 Excitação Estática ................................................................................................................... 13

2.6
2.6.1 2.6.2 2.6.3

Agrupamento em Paralelo de Alternadores. ............................................................ 13
Necessidade do Agrupamento em Paralelo dos Alternadores ............................................... 14 Sincronização .......................................................................................................................... 14 Divisão de cargas entre geradores sincronizados ................................................................... 18

CAPÍTULO III – GERADOR DE CORRENTE CONTÍNUA ............................................................................ 20 3.1 3.2 3.3 3.4 Construção básica do gerador de corrente contínua ................................................ 20 Princípio de Funcionamento do Gerador .................................................................. 20 Melhoramento da Tensão de Saída do Gerador ....................................................... 22 Tipos de Excitação de um Gerador CC ...................................................................... 23

3.4.1 Excitação Independente ......................................................................................................... 24 3.4.2 Auto-Excitação Série ............................................................................................................... 24 3.5.2.1- Saturação .................................................................................................................................. 25 3.5.2.2- Magnetismo Residual ................................................................................................................ 25 3.4.3 Auto-Excitação em Paralelo .................................................................................................... 26 3.4.4 Gerador com auto-excitação composta ou mista. .................................................................. 27

3.5 Regulação de Tensão ................................................................................................ 28 3.6 Reação do rotor no gerador de corrente contínua ................................................... 28 3.7 Interpolos e Enrolamento Compensador .................................................................. 29 3.7.1 Enrolamento de Compensação ................................................................................. 29 3.7.2 Interpolos .................................................................................................................. 30 Questões: ................................................................................................................................ 31 CAPÍTULO IV – MOTOR DE CORRENTE CONTÍNUA ............................................................................... 33 4.1 4.2 Introdução - Motor de Corrente Contínua ................................................................ 33 Princípio de Funcionamento do Motor de Corrente Contínua .................................. 33

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4.3 4.3.1 4.4 4.4.1 4.4.2 4.5 4.5.1 4.5.2 4.5.3 4.5.4 4.5.4.1 4.6 4.1 4.2 4.3 Reação do rotor no motor de corrente contínua ...................................................... 34 Relações entre conjugado e potência. ...................................................................... 35 Tipos de Enrolamento do Rotor ................................................................................ 35 Enrolamento Imbricado ............................................................................................ 35 Enrolamento Ondulado............................................................................................. 36 Tipos de excitação dos motores CC. .......................................................................... 36 Motor CC com excitação Independente .................................................................... 37 Motor CC com auto-excitação em Paralelo .............................................................. 38 Motor CC com auto-excitação Série ......................................................................... 38 Motor CC com auto-excitação Composta ................................................................. 39 Grau de Compostagem ............................................................................................. 39 Inversão do Sentido de Rotação. .............................................................................. 40 Aplicações práticas dos motores de corrente contínua ............................................ 41 Motor série de corrente alternada ........................................................................... 41 Rendimento............................................................................................................... 42

2

CAPÍTULO V – MOTOR DE PASSO ......................................................................................................... 43 5.1 5.1.1 5.1.2 5.1.2.1 5.1.2.2 5.1.2.3 5.2 Motor de Passo ......................................................................................................... 43 Funcionamento dos Motores de Passo ..................................................................... 43 Tipos de Motores de Passo ....................................................................................... 43 Relutância variável ................................................................................................... 44 Ímã permanente ....................................................................................................... 44 Híbridos ..................................................................................................................... 44 Modos de Excitação .................................................................................................. 44

CAPÍTULO VI – TRANSFORMADOR PARA INSTRUMENTOS ................................................................... 46 6.1 6.1.1 6.1.2 6.2 6.2.1 6.2.2 6.2.2.1 6.2.2.2 6.2.2.3 6.2.2.4 6.2.2.5 6.3 6.3.1 6.3.2 6.4 6.5 Transformador de Potencial - TP .............................................................................. 46 Transformador de Potencial Indutivo ....................................................................... 47 Transformador de Potencial Capacitivo.................................................................... 48 Transformador de Corrente – TC .............................................................................. 49 O secundário de um TC nunca deve ficar aberto ...................................................... 49 Tipos de TC ................................................................................................................ 49 TC tipo Barra ............................................................................................................. 50 TC tipo Enrolado ....................................................................................................... 50 TC tipo Janela ............................................................................................................ 50 TC tipo Bucha ............................................................................................................ 51 TC tipo Núcleo Dividido ou núcleo aberto ................................................................. 51 Critérios para especificar um TP e um TC ................................................................. 51 Especificação de TP ................................................................................................... 51 Especificação de TC ................................................................................................... 52 Exemplo prático sobre TP ......................................................................................... 52 Exemplo prático sobre TC ......................................................................................... 53

BIBLIOGRAFIA ...................................................................................................................................... 55 ANEXO I- TABELAS DE TP E TC .............................................................................................................. 56

uma tensão induzida surge em seus terminais”.1 pode ser contruído usando os materiais e procedimentos a seguir. ela é definida da seguinte forma: “Quando uma bobina feita de material condutor é deslocada em relação a um campo magnético ou o campo magnético é deslocado em relação à bobina.Verificar a deflexão do ponteiro do voltímetro.Em seguida faz-se o imã variar próximo ao centro da bobina (para cima e para baixo) 3.2 Fontes de energia mecânica para acionamento dos geradores. A figura a seguir mostra uma representação simples do principio da geração da eletricidade através de um gerador manual. Os geradores que estudaremos adiante dependem de uma fonte de energia mecânica para acionar a máquina primária capaz de fazer girar o rotor do gerador para gerar a energia elétrica. Figura 1.Primeiro liga-se os terminais da bobina nos terminais do voltímetro 2. O gerador manual mostrado na figura 1. .EEEMBA CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO AOS GERADORES 1. Geração manual. 1 bobina de material condutor. Isto nos leva a definir o gerador de eletricidade como sendo um conversor de energia mecânica em energia elétrica. 1. mais raras e mais caras economicamente bem como não raras vezes mais agressivas ao meio ambiente. Material: 1 Imã. As fontes de energia mecânica naturais são em geral mais abundantes e de menor custo.1. 1 voltímetro Procedimento 1. do magnetismo e do movimento relativo entre o campo magnético e o condutor ou do movimento do condutor em relação ao campo magnético. portanto. Outras fontes de energia mecânica requerem maiores investimento em tecnologia sendo.1 Produção da Eletricidade por Meio do Magnetismo 1 Toda geração da eletricidade é baseada na lei de Faraday ou lei da indução magnética. Vimos no parágrafo anterior que para gerar eletricidade necessitamos do condutor.

As turbinas podem também ser usadas no acionamento de um equipamento industrial. etanol. Esquema de geração em uma Hidroelétrica 1. entretanto o homem tem buscado outras fontes não para substituição. .2. gás natural) 2 1. ou de um gerador elétrico.2. A fonte de energia hidráulica mais comum em todo o mundo é proveniente dos rios.2 Energia Térmica O processo básico de funcionamento de uma usina termoelétrica está baseado na conversão de energia térmica em energia mecânica. mas como fontes alternativas. gasolina. A título de exemplo citamos algumas em uso ou em estudo: a) Energia das marés – maremotriz em operação na França b) Energia das ondas . Essa energia térmica para ser gerada utiliza diversos combustíveis com o objetivo de produzir calor para aquecer a água até transformá-la em vapor para acionar as turbinas a vapor (máquina primária) que estão diretamente ligadas ao gerador elétrico para produzir eletricidade.EEEMBA Fontes de energia mecânica primária: a) b) c) d) Hidráulica Térmica Eólica Motor de combustão interna (Motor diesel. como um compressor. com a finalidade de prover energia elétrica para uma rede de energia.1 Energia Hidráulica A energia hidráulica (energia potencial da água) pode ser convertida em energia cinética (rotação de um eixo) através de turbinas hidráulicas ou moinhos de água.Portugal c) Energia das correntes marítimas – em estudo na Inglaterra Figura 1. A figura abaixo mostra um esquema de uma usina de geração hidráulica.2.

Os parques eólicos. acoplada a um aero gerador. como carvão mineral. biomassa proveniente da avicultura ou suinocultura dentre outros. .2. As chamadas usinas nucleares têm característica semelhante a uma usina térmica. urânio e plutônio. a) Nuclear. Esquema de geração em uma Termoelétrica 1. Essas turbinas têm a forma de um cata-vento ou um moinho onde a pá da turbina (nacele) pode atingir 30m de diâmetro e altura da torre que pode chegar a 42m. A figura abaixo mostra um esquema para a geração de energia eólica. A energia eólica é utilizada para mover a turbina eólica colocada em lugar onde o vento tem velocidade moderada abaixo dos 100 km/h. as termoelétricas que utilizam fontes renováveis. Tem a vantagem de utilizar fonte renovável. a diferença está no combustível que neste caso é o urânio ou plutônio (radioativos). Existem também. embora possam ser usados isoladamente. necessários para que a produção de grandes volumes de energia elétrica se torne rentável.3 Energia Eólica A energia eólica é a energia que provém do vento. para alimentar localidades remotas e distantes da rede de transmissão. pois utilizam uma turbina a vapor para acionar o gerador de energia.EEEMBA 3 Essas usinas podem ser movidas por fontes não-renováveis. Figura 1. b) Solar-térmica Esta tecnologia mais recente em experiência na China utiliza a energia emanada do sol em um campo de espelhos os quais são dirigidos para um reservatório apropriado onde a água é aquecida para produzir o vapor necessário para acionar a turbina a vapor. gás natural. não-poluente. palha de arroz. óleo diesel ou outros derivados do petróleo. carvão vegetal. como bagaço de cana. porém com a desvantagem de depender diretamente das condições climáticas. concentram vários aero geradores.3. A figura abaixo mostra um esquema de uma termoelétrica.

2. Os motores utilizados variam apenas quanto ao combustível utilizado. Figura 1. eólica ou mesmo a vapor para a geração da eletricidade.EEEMBA 4 Figura 1. gasolina. Esse tipo é chamado de grupo gerador por estar o alternador e o motor de combustão interna ligados ao mesmo eixo. escolas etc.5. podendo ser o óleo Diesel.4. Esses grupos geradores têm aplicação restrita. grandes lojas e supermercados. assim toda energia mecânica produzida pelo motor é transferida para o alternador e convertida em energia elétrica. teatros. Geração de Energia Eólica 1.4 Motor de combustão interna ou Grupo gerador Um motor de combustão interna também é utilizado como máquina primária para acionar o alternador quando não se dispõe da fonte de energia hidráulica. etanol e gás natural. pelo custo operacional. Grupo gerador constituído de motor de combustão e alternador . Nos veículos automotores os alternadores são acionados por meio de correias acopladas ao motor do veículo. edifícios residenciais ou comerciais. sendo adotados nos sistemas de emergência em hospitais.

Figura 2. Esta máquina denomina-se de gerador elétrico o qual pode ser de corrente alternada ou de corrente continua dependendo da saída. Quando este fenômeno ocorre há conversão de energia mecânica em energia elétrica. Vemos que para gerar eletricidade necessitamos de um campo magnético que pode ser produzido por um ímã. gerando uma tensão induzida. e um condutor que possa se movimentar dentro do campo magnético. Gerador de Corrente Alternada Elementar: espira girando num campo magnético A espira esta se movimentando em um campo magnético constante com uma velocidade linear v.EEEMBA CAPÍTULO II – GERADOR DE CORRENTE ALTERNADA 2. Para entender o seu funcionamento considere-se o esquema da figura 2. estas conversões resultam dos seguintes fenômenos: 1. O comprimento l é o comprimento efetivo da bobina. onde uma espira gira dentro de um campo magnético. onde realmente surgirá o efeito de indução magnética. ou seja.2 Geração da corrente alternada Um gerador de corrente alternada funciona com base na indução de força eletromotriz num condutor em movimento dentro de um campo magnético.1 Conversão de Energia Mecânica em Energia Elétrica 5 Nas três máquinas (Corrente continua. Indução e Síncrona) são usados exclusivamente os princípios de conversão de energia elétrica em mecânica ou vice-versa.1.1 Onde: .1.Quando um condutor se move em um campo magnético. 2. uma tensão é induzida nesse condutor. A tensão induzida nos terminais da espira é dada por: = 2.

A tensão induzida é máxima e.EEEMBA − ã ( ) : () − çã é : = 2 − : − : = 6 Para n espiras. No instante t3 o movimento dos condutores corta as linhas de fluxo perpendicularmente (ângulo de 90°) e a variação do fluxo é máxima. portanto. o movimento dos condutores corta as linhas de fluxo magnético em um determinado ângulo e uma tensão menor é induzida.2. Em t4. a tensão induzida é igual a do instante t2. Como o ângulo é complementar a θ. Geração de Corrente: (a) primeira meia volta da espira.1. teremos a seguinte equação: = 2. nenhuma tensão ou corrente é induzida. . dado pela regra da mão direita. Em t1 os condutores a e b estão se movimentando paralelamente ao fluxo magnético (com sentidos opostos). (b) forma de onda do sinal gerado. o movimento dos condutores já corta as linhas de fluxo magnético em um determinado ângulo θ e uma tensão é induzida e esta proporciona uma corrente induzida com o sentido indicado. Figura 2.2 A figura 2.2(a) ilustra. Neste ponto. há o pico de corrente induzida. a indução de uma corrente na espira do gerador de corrente alternada elementar da figura 2.2(b). a primeira meia volta da espira produziu a forma de onda de corrente induzida apresentada na figura 2. O eixo horizontal indica os instantes de tempo ou o ângulo do movimento da espira no campo magnético. Em t5 os condutores a e b estão novamente se movimentando paralelamente ao fluxo magnético (com sentidos opostos) e nenhuma tensão ou corrente é induzida. Como nenhuma linha de fluxo é cortada θ=0°=180°. No instante t2. passo a passo. O eixo vertical indica o módulo da tensão induzida (ou da intensidade da corrente induzida em cada instante.

4. pelo mesmo processo anterior.4.EEEMBA 7 A figura 2. O primeiro é chamado de Alternador de rotor girante e o segundo de Alternador de campo girante.3. a cada 360°. conseqüentemente. do instante t5 para t6 a direção na qual o condutor corta o fluxo é invertida. o sentido da corrente é alternado. como indica a figura 2. Figura 2. O primeiro em que o campo varia com relação à bobina e a segunda em que a bobina varia em relação ao campo. tem a forma senoidal. . Geração de Corrente: (a) segunda meia volta da espira. 2. no gerador estudado. Nota-se que. Portanto. a polaridade da tensão induzida é invertida e. isto é. (b) forma de onda do sinal gerado. o semi-ciclo negativo da forma de onda. A corrente alternada resultante do processo de indução magnética. Gráfico da corrente produzida pelo gerador. a partir daí. formando.3 representa a segunda meia volta da espira. a corrente varia no tempo periodicamente tanto em intensidade como em sentido.3 Tipos de Geradores de Corrente Alternada Como foi falado no primeiro capítulo há duas formas de geradores. Figura 2.

No motor síncrono o estator foi alimentado com uma tensão trifásica a qual criou um campo . Figura 2. a figura a seguir mostra com maiores detalhes um gerador simples de rotor girante.5.1 Alternador de Rotor Girante ou de pólos externos 8 Como o próprio nome já diz. Construtivamente este tipo de gerador é semelhante ao motor síncrono diferindo apenas. Alternador de rotor girante.3. Como já comentado em EMI 1. as escovas aumentam o custo a manutenção devido ao desgaste normal e aquecimento nos anéis devido corrente.EEEMBA 2. o que gira é um campo que está no rotor.2 Alternador de Campo Girante ou de pólos internos Com a intenção de eliminar as escovas (fonte de problemas) utiliza-se o alternador de campo girante. que estão ligados ao circuito externo através de escovas. Nesse tipo de gerador a bobina onde será induzida a tensão fica fixa no estator da máquina. 2.3. em alternador de rotor girante o rotor giram em um campo magnético constante. A figura a seguir mostra um alternador de campo girante.6. Alternador de campo girante. O rotor gira. Figura 2. Os terminais dos enrolamentos são conectados a dois anéis. fazendo alternar o campo magnético nas bobinas do estator induzindo tensão nas mesmas possibilitando a ligação direta com a carga sem auxilio de escovas. pois aqui a energia mecânica é convertida em energia elétrica. quanto à aplicação.

1 Alternadores de Pólos Salientes A razão do nome pólos salientes é o fato de que entre um pólo e outro há uma espaço de ar considerável.3. Figura 2.8. Fotos de um rotor de pólos lisos e esquema de um gerador de 2 pólos .2. Este gerador é também chamado de máquina síncrona ou alternador síncrono. Fotos de um rotor de pólos salientes e esquema de um gerador de 4 pólos Na geração de energia hidrelétrica. Pela equação 2. entre 50 e 300 rpm.1 é possível se observar que para o rotor girar em baixas velocidades ele deve ter um grande número de pólos. 2. a fim de obter-se o máximo desempenho do aproveitamento hidráulico.2 Alternadores de Pólos Lisos Nos alternadores de pólos lisos o entreferro é pequeno (espaço entre o rotor e o estator como mostrado na figura a seguir).2. Figura 2. agora a tensão é gerada no estator que alimenta a carga.7.3. a maioria das turbinas hidráulicas trabalham com baixa velocidade de rotação. Baixa rotação geralmente caracteriza um diâmetro D do rotor elevado e comprimento axial L pequena em relação ao diâmetro Estes tipos de geradores são utilizados na geração hidráulica de energia (Hidroelétricas) eles são chamados de hidrogeradores. 2.EEEMBA 9 magnético girante. Este gerador tem um pequeno número de pólos (entre 2 e 4) e conseqüentemente altas velocidades de rotação (1500 a 3600 rpm).

para formar os pares de pólos.4 Velocidade do Gerador A velocidade de um gerador é definida pela velocidade de rotação do campo girante. as de pólos lisos geralmente tem diâmetro D pequeno e comprimento axial L grande. a relação D / L sempre será menor que 1. as freqüências mais usuais e a velocidade do gerador em rpm. Tabela 2. ou seja. a qual depende do número de pólos (p) e da freqüência (f).1.EEEMBA 10 Diferentemente das máquinas de pólos salientes.5 Excitação do enrolamento de campo O rotor de um gerador síncrono possui um enrolamento de campo. Na tabela 2.) 2.3 − () − ê ( 60) ( ) − ú ó ( . Ao contrário das de pólos salientes.Relação N° pólos. Esse campo magnético é criado por uma fonte de tensão continua que alimenta por meio de anéis o enrolamento de campo localizado no rotor. A velocidade de giro do rotor do alternador é dada por: = 60 120 = ( ) ( . 2. que se distribuem alternadamente (um “norte” e um “sul”) ao longo da periferia do estator. responsável pelo campo magnético do mesmo.) − ú ó Note que o número de pólos da maquina terá que ser sempre par. . O enrolamento do estator pode ser construído com um ou mais pares de pólos. onde esta relação sempre será maior que 1. Freqüência e Velocidade do Alternador (rpm) Número de pólos 2 4 6 8 10 12 Freqüência em Hz 60 50 3600 3000 1800 1500 1200 1000 900 750 720 600 600 500 2.1 mostra os valores que relacionam o número de pólos. esta fonte é chamada de excitação.

como o nome sugere. cuja tensão contínua gerada alimenta o enrolamento de campo do alternador.5. CARGA + Fonte Primária Gerador Síncrono Gerador cc Anéis do enrolamento de campo Estator do GS Figura 2. Esse tipo de excitação utiliza um gerador de corrente continua acoplado no eixo do gerador síncrono.5. onde seu enrolamento de campo é alimentado por um gerador de corrente continua acoplado em seu eixo. podendo ser de dois tipos: Excitatriz com gerador de corrente continua e Excitatriz com gerador de corrente alternada sem escovas.9.Excitação estática 2. 2. As tensões de fornecimento do campo variam de 50 a 1500 V e suas potências situam-se entre 1 e 5% da potência da máquina.1. .Excitação dinâmica Gerador de corrente continua ou Excitatriz Gerador de corrente alternada ou Brushless 2. ou Brushless. A figura a seguir mostra um gerador síncrono.1 Excitação com gerador de corrente continua ou Excitatriz. possibilitando a geração da tensão alternada e ainda compensar a queda de tensão com aumento da corrente de excitação. Gerador síncrono com uma excitatriz rotativa cc. Esse dispositivo rotativo deve fornecer uma corrente contínua aos terminais do enrolamento de campo do rotor para criação do campo magnético. é realizada a partir de um dispositivo rotativo.EEEMBA 11 Figura 2.10.1 Excitação Dinâmica Nesse tipo de excitação. Máquina síncrona de 4 pólos A excitação das bobinas de campo pode ser de duas formas principais: 1.

2. e a alimentação do campo principal em corrente contínua é feito por meio de um conjunto de diodos girantes (circuito retificador). Esse tipo de excitação utiliza um gerador de corrente alternada do tipo rotor girante e campo magnético fixo.12. que são fontes de problemas.12 mostra uma foto da excitatriz Brushless. Um esquema dos componentes montados no rotor de uma máquina com excitação brushless encontra-se na Figura 2.1. Este conjunto de diodos recebe tensão alternada do rotor da excitatriz. A figura 2. Esse gerador sendo de porte menor recebe o nome de excitatriz.2 Excitação com gerador de corrente alternada ou sem escovas. há necessidade da utilização de anéis e escovas. Foto de uma Excitatriz Brushless . Gerador síncrono com excitatriz sem escovas (Brushless) Figura 2.11.5. tensão esta induzida pelo estator da excitatriz (campo da excitatriz). também montado no eixo do gerador principal por isso chamado de sem escovas ou Brushless. Figura 2.11. alimentado com corrente continua proveniente do regulador de tensão. O regulador de tensão monitora constantemente a tensão de saída do gerador e atua no estator da excitatriz mantendo a tensão de saída do gerador constante. O rotor desse gerador é montado no próprio eixo do gerador principal.EEEMBA 12 Na excitatriz por gerador de corrente continua.

essa tensão é retificada e alimenta o enrolamento de campo do gerador fazendo com que ele crie uma tensão maior. não há elementos giratórios na geração da tensão continua que alimenta a bobina de campo do alternador síncrono por meio de anéis coletores. estas condições são: 1234Mesma forma de onda Mesma tensão de saída Mesma freqüência Mesma seqüência de fase (para máquinas trifásicas) . Esse processo de realimentação acontece até um ponto estável de tensão gerado que é determinada pelo regulador de tensão.5. Para que o paralelismo entre máquinas seja feita de forma eficiente e segura é necessário que se cumpra algumas condições. CARGA Retificador + - Fonte Primária Gerador Síncrono Estator da MS Anéis do enrolamento de campo Figura 2. isto deverá ser feito sem que haja corrente de circulação entre as máquinas. 2.13 mostra de forma ilustrativa o que foi dito anteriormente. Gerador síncrono com excitatriz estática. Essa tensão maior é novamente retificada e alimenta novamente o enrolamento de campo. Neste caso a tensão de alimentação é provida inicialmente do magnetismo residual do gerador.13.EEEMBA 2. A figura 2.2 Excitação Estática 13 Na excitação estática. Quando um alternador e acoplado em paralelo com outro ou com a rede. como o próprio nome sugere. criando uma pequena tensão.6 Agrupamento em Paralelo de Alternadores.

em qualquer instalação prática. O número de alternadores em paralelo depende da quantidade de potência a ser suprida e da importância do sistema elétrico. amperímetros e mais um conjunto de três lâmpadas indicadoras de sincronismo no circuito do alternador G2.2 Sincronização Na figura 2. apresentamos um diagrama trifilar simplificado da ligação de dois alternadores G1 e G2 em paralelo. 2. trabalha com carga reduzida e conseqüentemente com baixo rendimento.15. nos períodos de pequena demanda. mesmo com carga reduzida.6. entretanto é melhor que cada um trabalhe com carga normal e apresentando bom rendimento. Desta forma. por não ser necessário em razão da redução da demanda de energia elétrica em determinado período. O conjunto das três lâmpadas sincronizadoras na figura 2. onde se incluiu a ligação de alguns instrumentos básicos de medição: voltímetros. Para evitar tais inconvenientes. além de vários relés de proteção. 2. ou ainda. por existirem três maneiras possíveis de ligação aos terminais dos alternadores. de tensão. São duas as razões básicas que indicam a necessidade de se usar mais de um alternador: a) a falha no único alternador impossibilita alimentar as linhas alimentadoras. . b) o uso de um único alternador de grande potência. O alternador a ser agrupado em paralelo deverá suprir o excesso de demanda e repartir com o(s) outro(s) alternador(es). Paralelo entre dois Geradores. agrupados em paralelo quando necessário ou retirados de linha quando por falha ou manutenção de uma unidade. a tensão e a freqüência não devem ser alteradas. não devem perturbar o sistema em operação. prefere-se instalar vários alternadores de pequena potência.15 está destacado.EEEMBA 14 G1 G2 Figura 2. As manobras realizadas com objetivo de agrupar dois ou mais alternadores em paralelo bem como a retirada de qualquer alternador de serviço.1 Necessidade do Agrupamento em Paralelo dos Alternadores A necessidade de sincronização entre alternadores surge quando a demanda de energia elétrica supera a capacidade do alternador em serviço ou para garantir a permanência no funcionamento do sistema elétrico suprido por um único alternador. Obviamente. ainda que por pequenos períodos de tempo.6. outros instrumentos de medição são incluídos.14. nas instalações de grande potência ou onde requeira constância no fornecimento de energia como é o caso das usinas geradoras de grande porte. reguladores de velocidade.

Suponha que queremos fazer o paralelo do alternador G-2 com o alternador G-1. A igualdade nos valores eficazes das tensões nos dois alternadores ainda não permite que a chave Ch2 seja fechada. dos voltímetros (V). Na figura 2. o diagrama mostra a localização dos amperímetros (A).EEEMBA 15 sinalizadores diversos destinados à monitoração e aviso. o alternador G1. correspondente ao dobro da tensão . Atuamos no circuito de excitação para que a tensão gerada seja igual à tensão do alternador G-1. Diagrama trifilar simplificado de dois alternadores ligados a uma mesma barra. para cada um dos alternadores quanto das barras e dos circuitos auxiliares de emergência e para excitação. No diagrama trifilar de ligação dos dois alternadores apresentado na figura 1. Figura 2. enquanto que o alternador G2 está fora de serviço. chave Ch2 aberta.15. note-se que a chave Ch1 está fechada. conforme figura 2. acionamos o alternador G-2 fazendo com que este alcance a velocidade normal.16. com a chave Ch2 aberta. note-se ainda a existência de três lâmpadas ligadas entre os terminais de Ch2. Para efeito didático. Estando as senóides defasadas de 180o. mostra-se as senóides das tensões instantâneas geradas por cada um dos alternadores e para simplificar apresenta-se apenas as tensões geradas por uma das três fases. cuja finalidade é indicar a condição de sincronização e a velocidade de rotação do alternador G-2 em relação a G-1. está em funcionamento. proteção contra incêndio.16. no instante correspondente a amplitude máxima das tensões geradas pelos alternadores. processo idêntico ocorrerá simultaneamente nas outras duas fases. tanto das barras quanto dos alternadores e as chaves seccionadoras (Ch 1 e Ch2). lembrando que sendo o alternador trifásico. pois pode ocorrer que os valores instantâneos das tensões nos dois alternadores sejam diferentes por estarem as mesmas defasadas.

a diferença entre as tensões instantâneas geradas pelos dois alternadores será igual a zero.17.17 Figura 2.EEEMBA 16 instantânea.15 só poderá ser fechada. em qualquer instante. perturbação do sistema. Figura 2. Senóides representativas das tensões instantâneas geradas por G-1 e G-2. Deste modo. A chave Ch2 na figura 2. conforme figura 2. A representação senoidal pode ser substituída pela representação vetorial ou fasorial conforme apresentado na figura 2. aparecimento de ações mecânicas e térmicas no alternador G2.16. conforme figura 2. O momento de fechamento da chave seccionadora Ch2 pode ser visualizado por meio das lâmpadas sincronizadoras após o processo de regulagem da velocidade e da tensão . O avanço ou atraso de 90o das tensões instantâneas geradas pelo alternador G-1 ou G-2. o fechamento da chave Ch2 provocará: correntes intensas entre alternador e linha. quando as senóides correspondentes às tensões instantâneas geradas pelos dois alternandores estiverem exatamente em fase. pois os semi-ciclos das senóides encontram-se em oposição.16a.16b. corresponde a uma diferença de potencial entre as tensões instantâneas em qualquer instante considerado. Enquanto persistir a defasagem entre as tensões instantâneas geradas pelos alternadores.16c. conforme figura 2.

as lâmpadas estão ligadas aos vértices de um triângulo eqüilátero constituído pelas tensões do alternador G-2 e do alternador G-1. (Velocidade hipossíncrona) Se a velocidade do alternador G-2 superior a do alternador G-1.15 pode ser fechada sem qualquer perturbação dos alternadores ou das linhas alimentadas pelos mesmos. conforme figura 2.19. Se a velocidade do alternador G-2 for inferior a velocidade do alternador G-1. Teremos neste caso o que se denomina de velocidade ou rotação hipossíncrona. V’A. no sentido de adiantamento dos fasores. Teremos agora o que se denomina de velocidade hipersíncrona. Mantida esta condição. As três lâmpadas acendem e apagam ciclicamente no sentido horário. conforme figura 2. V’B e V’C. VB e VC da linha que o alternador G-1 alimenta e as tensões fornecidas pelo alternador G-2. conforme figura 2.18 Pode-se ver claramente que a lâmpada L1 alimentada pela tensão VA – V’A. enquanto as lâmpadas L2 e L3 alimentadas pelas tensões VB – V’C e VC – V’B permanecerão acesas e com mesmo brilho por estarem sob a mesma ddp. Imaginemos as lâmpadas ligadas aos extremos dos vetores que representam as tensões VA. ou seja. no sentido do atraso dos fasores. as lâmpadas acenderão e apagarão ciclicamente no sentido anti-horário. ou seja.20.19 Figura 2. abaixo da velocidade síncrona. a chave seccionadora Ch2 mostrada na figura 2. ou seja. Figura 2. observemos a figura 18. permanecerá apagada porque não há ddp entre os fasores. . ou seja. as três lâmpadas acenderão e apagarão ciclicamente no sentido horário. nesta. Para analisar o funcionamento das lâmpadas.18. acima da velocidade síncrona.EEEMBA 17 quando a lâmpada L1 permanecer apagada e as lâmpadas L2 e L3 permanecerem acesas durante um período suficientemente longo para garantir o sincronismo entre os alternadores.

porém a vazio. observe-se a figura 2. Para transferir potência reativa do alternador G-1 para o G-2. Esta manobra deve ser repetida até quando cada um dos alternadores esteja fornecendo a metade do total da potência ativa que estava sendo fornecida pelo alternador G1. Os alternadores devem fornecer à linha potência ativa e potência reativa. Lentamente reduz-se a velocidade do alternador G-1 e na seqüência aumenta-se também lentamente a velocidade do alternador G-2. no regulador de velocidade de ambos alternadores. restringiremos nosso estudo a um dos métodos mais simples.3 Divisão de cargas entre geradores sincronizados Estando os alternadores sincronizados. posto que a carga não é dividida automaticamente. atua-se na excitação de ambos. os dois alternadores devem fornecer a mesma intensidade de corrente. no entanto neste trabalho. Para efetuarmos a “divisão de cargas” é necessário atuar inicialmente. (Velocidade hipersíncrona) Na prática as lâmpadas são substituídas pelo sincronoscópio. . Esta operação é feita com o objetivo de transferir parte da potência ativa fornecida à carga pelo alternador G-1 e transferi-la para o alternador G-2. sendo mantidos o nível da tensão e a freqüência. Durante esta operação não se deve perder de vista a freqüência de ambos os alternadores para que não saiam do sincronismo. sem fornecer potência à carga. onde são mostradas através dos fasores as etapas acima relatadas. continuará gerando a mesma tensão e trabalhando na mesma freqüência.20.EEEMBA 18 Figura 2. Realizada a manobra anterior cada um dos alternadores fornece potência ativa. As três lâmpadas acendem e apagam ciclicamente no sentido anti-horário. Neste ponto. Para ilustrar as manobras de divisão das cargas ativa e reativa entre os alternadores. Lentamente. Esta operação deve ser repetida até quando cada um dos geradores esteja fornecendo a metade do total da potência reativa que estava sendo fornecida pelo alternador G-1.6. ou seja. aumenta-se lentamente a excitação do alternador G-2. o alternador G-2. reduz-se a excitação do alternador G-1 e na seqüência. Efetuada a divisão das cargas. é importante efetuar a divisão de cargas entre os alternadores. as variações que ocorrerem no sistema serão absorvidas por ambos geradores. porém eficiente para a sincronização de dois ou mais alternadores. frequencímetro e voltímetros para indicar o momento de sincronismo entre geradores. porém apenas o G-1 fornece potência reativa.21. 2.

Divisão de potência ativa e reativa entre alternadores sincronizados.21.EEEMBA 19 Figura 2. .

1. Figura 3. No gerador CC a tensão gerada também é alternada.1 Construção básica do gerador de corrente contínua Um gerador elementar de corrente continua idêntico ao gerador de corrente alternada (alternador) com a diferença da tensão de saída. 3. isso faz com que seja gerado na bobina uma fem. No alternador a saída é alternada. Gerador de Corrente Contínua elementar. a diferença se localiza na saída da tensão que é retificada mecanicamente no coletor constituído por duas lâminas seccionadas chamada de comutador. alternada senoidal. as variações de fluxo do pólo norte e do pólo sul sucedem-se na rotação.EEEMBA CAPÍTULO III – GERADOR DE CORRENTE CONTÍNUA 20 3. .2 Princípio de Funcionamento do Gerador Tendo-se uma bobina gerando em um campo magnético. A figura abaixo mostra um gerador de corrente continua elementar.

corta perpendicularmente o campo magnético. Dessa forma a escova A será sempre positiva e a escova B sempre negativa.2. Por esse motivo usa-se um coletor formado por lâminas de cobre isoladas entre si. Como podemos ver na figura abaixo. Posição II – Nesse ponto a bobina girou de 90o e a parte preta que é positiva. Funcionamento de um gerador elementar Posição I – A força eletromotriz induzida é E = 0. para retificar a fem.EEEMBA 21 Figura 3. enquanto for mantida a rotação indicada e o sentido do campo magnético. esta será positiva e a fem. os terminais da bobina são ligados a dois semicírculos isolados entre si. alternada induzida.3. Mesmo quando a parte branca tocar a escova A. Gerador de corrente contínua elementar Ficou evidente que é impossível gerar fem contínua diretamente por intermédio de bobinas que giram dentro de um campo magnético. . pois além das escovas estarem curtocircuitando o coletor. induzida será máxima. Figura 3. o contato com a escova B. A figura abaixo mostra mais detalhadamente o que acontece durante uma rotação completa do rotor. as duas partes da bobina recebem o mesmo efeito do campo magnético.

corta perpendicularmente o campo magnético. Posição V – Idêntica à posição I quando o rotor completou um giro de 360°. O que necessitamos é que o gerador forneça uma tensão com polaridade constante e a amplitude seja aproximadamente constante. a força eletromotriz induzida faz com que havendo uma carga conectada entre as escovas A e B. porém. porém. 3. Pelo que podemos observar na figura acima. o contato com a escova B. pulsativa. a fem induzida é E = 0. a corrente que circularia através da carga seria contínua. e a parte branca que é negativa.EEEMBA 22 Posição III – A bobina girou de 180°. Figura 3. cada qual ligada a uma das lâminas do comutador fazendo com que a tensão de saída fique constante. sendo. Saída de tensão nas escovas .4.5. Um gerador desse tipo não teria aplicação prática. as duas partes da bobina recebem o mesmo efeito do campo magnético. induzida será máxima. Geração de corrente contínua com comutador de várias lâminas.3 Melhoramento da Tensão de Saída do Gerador Para solucionar esse problema da tensão pulsante foi colocada uma grande quantidade de espiras. esta será positiva e a fem. Figura 3. o inverso da posição I. pois além das escovas estarem curtocircuitando o coletor. As figuras abaixo mostram um comutador com varias lâminas e a forma de onda da tensão de saída linear. Posição IV – A bobina girou de 270°. assumindo posição oposta a figura do ponto II.

. Figura 3. no entanto não é possível variar a velocidade de giro do rotor indefinidamente. Vimos que a tensão gerada é proporcional a velocidade do giro do rotor e a intensidade do campo magnético aplicado as bobinas.7. senda agora possível variar a intensidade do campo variando a corrente da bobina que compõe este eletroímã. Gerador de Corrente Contínua com enrolamento de campo. A figura abaixo mostra essa substituição. Como é impossível variar as partes físicas do gerador a única forma de variar a tensão de saída é aumentando a intensidade do campo magnético. e à medida que a carga aumenta a tendência da tensão é cair. Esta bobina é chamada de bobina de campo. Por isso o campo de imã permanente é substituído por um eletroímã. Na prática. Rotor de um gerador de corrente contínua 3. sua intensidade não pode ser modificada. ou seja. pois o controle da velocidade é definida pela máquina primária.4 Tipos de Excitação de um Gerador CC Até o momento o campo magnético do estator foi considerado um imã permanente.EEEMBA 23 Figura 3. os geradores alimentam cargas variáveis.6.

4.9. Gerador CC com Excitação Independente.1 Excitação Independente Nos geradores com excitação independente o enrolamento de campo não depende da tensão gerada.EEEMBA 24 Esta bobina de campo pode ser alimentada de varias formas formando assim os tipos de excitação do gerador de corrente continua. É possível observar que no gerador com auto-excitação série toda a corrente necessária para alimentação da carga passa pelo enrolamento de campo. Por este fato a . o enrolamento de campo é colocado em série com o rotor. desta forma o campo magnético independe da tensão gerada. Gerador CC com Excitação Série. A figura a seguir mostra o circuito de um gerador de corrente contínua com excitação independente. 3.4. Estes tipos de excitação são: Excitação independente Auto-excitação  Série  Paralelo  Composto • Subcomposto • Normal • Hipercomposto 3. É possível verificar na figura acima que não há ligação elétrica entre o campo e o rotor.8. I2 Fonte CC Bobina de campo CARGA Figura 3.2 Auto-Excitação Série Como o próprio nome já diz. I Enrolamento Série CARGA Figura 3.

nem todos os microimãs ficam desarrumados. Figura 3. esses micro imãs se arrumam para aumentar a intensidade do campo magnético. No entanto.2. 3. A figura abaixo ilustra dois casos: o da esquerda ainda há micro imãs para serem arrumados e o da direita já não há mais nenhum micro imã a ser arrumado.11. chega-se a um ponto que não se consegue mais aumentar a intensidade do campo magnético.5. deixando o núcleo imantado com uma baixa intensidade de campo. O limite dessa tensão é determinado pela saturação do núcleo. Por outro lado.Saturação Os eletroímãs são compostos por micro imãs internos. 3.10. assim não adianta mais aumentar a corrente com a intenção de aumentar o campo magnético. Figura 3.2.EEEMBA 25 bobina de campo série é composta por um pequeno número de espira e um condutor de grande seção para suportar a corrente da carga. A figura abaixo mostra alguns microimãs alinhados o que representa esse fenômeno. quando a corrente de campo é retirada.5. restando alguns poucos alinhados.2. Nesse tipo de gerador. Aumento corrente que circula na bobina de campo. quanto mais se aumenta a carga maior será a tensão gerada. Característica da Tensão Gerada em um Gerador CC com auto-excitação Série. Essa imantação é responsável pelo passo inicial no processo de geração e é chamado de magnetismo residual. . caracterizando nesse caso a saturação. A aplicação mais comum desse tipo de gerador é como máquina de solda elétrica. chega-se a um ponto em que todos os micro imãs estão arrumados. Característica da Saturação.Magnetismo Residual Vimos que quando se aumenta demasiadamente a corrente de campo. A curva que representa a tensão gerada em um gerador série tem a característica da figura mostrada abaixo.1.

4.3 Auto-Excitação em Paralelo No gerador com auto-excitação em paralelo. A figura a seguir mostra um gráfico da tensão de saída a vazio e a plena carga no gerador paralelo.13. esta tensão alimenta o enrolamento de campo aumentando sua intensidade. esse processo é limitado pela saturação. No inicio a rotação do rotor gera uma pequena tensão devido o magnetismo residual. Figura 3. Tensão a Vazio e com carga nominal de um gerador CC auto-excitação em paralelo . essa tensão alimenta novamente o enrolamento de campo criando um campo ainda maior.14. 3. Magnetismo Residual. e consequentemente gerando mais tensão. assim quanto maior for a carga. Um caso prático de magnetismo residual é a imantação de uma chave de fenda que fica algum tempo em contato com um imã permanente.12. Desta forma podemos dizer que o gerador com excitação em paralelo é um gerador de tensão aproximadamente constante.EEEMBA 26 Figura 3. aumentando a intensidade de campo aumenta-se a tensão gerada. enrolamento de campo é colocado em paralelo com o rotor. A corrente que é produzida no gerador é dividida para a carga e para o enrolamento de campo. I1 I2 Enrolamento Paralelo I CARGA Figura 3. maior será a corrente gerada e maior será a corrente que alimentará o enrolamento de campo. Gerador CC com auto-excitação em Paralelo.

No caso normal. um em série e outro paralelo. consequentemente esses dois enrolamentos são diferentes. para se adequar da melhor forma as cargas a serem atendidas. O gerador composto pode ser ligado de duas formas diferentes que são: O composto curto e o composto longo. assim chegamos à conclusão que um gerador composto possui dois enrolamentos de campo.EEEMBA 27 O enrolamento de campo de excitação em paralelo possui pequena secção do condutor e um grande número de espiras para que a reatância desse enrolamento seja alta e ele não consuma grandes quantidades de corrente. .15. 3. essas excitações são: • • • Subcomposto Normal Hipercomposto No subcomposto a tensão de saída do gerador sem carga é maior que a tensão do gerador a plena carga.4. Como podemos ver nas seções anteriores o enrolamento de campo série tem grande secção do condutor e o enrolamento de campo paralelo tem pequena secção do condutor. a tensão de saída do gerador sem carga é igual a tensão a plena carga. O gerador composto possibilita três formas diferentes de excitação para alimentar cargas diferentes. I1 I1 I2 Enrolamento Série Enrolamento Série Enrolamento Paralelo CARGA Enrolamento Paralelo I I I2 CARGA Figura 3. Gerador Composto. A figura a seguir mostra esses dois tipos de ligação.4 Gerador com auto-excitação composta ou mista. O hipercomposto a tensão de saída sem carga é menor que a tensão de saída à plena carga. Esses dois enrolamentos de campo podem ser associados para criar o gerador com auto-excitação composta ou mista. A figura a seguir mostra um gráfico de comparação entre os três casos de excitação de um gerador composto.

16. Na figura 3. que no gerador acompanham o sentido de rotação do rotor.2 % = −6. . Nota-se que o campo magnético principal é enfraquecido nos lados opostos dos pólos e é reforçado nos lados opostos dos pólos no mesmo sentido de rotação.17a. Características do Gerador Composto. No gerador de corrente contínua em carga o enrolamento do rotor produz um campo magnético transversal conforme figura 3.17b. Determine a regulação de tensão desse gerador e informe qual o tipo de excitação.6 Reação do rotor no gerador de corrente contínua Sem carga.EEEMBA 28 Figura 3.17c. enrolamento de excitação do gerador de corrente contínua produz um campo principal. 3. vê-se que a interação entre esses dois campos produzem um deslocamento nas linhas do campo principal.68% Como a tensão a plena carga é maior que a tensão sem carga. A regulação de tensão é definida pela seguinte equação. que se distribui uniformemente pelos pólos conforme figura 3. 3. a tensão do gerador sem carga é de 220V e a plena carga é de 235V. Solução: % = 220 − 235 × 100 235 − × 100 3.5 Regulação de Tensão A regulação de tensão porcentual é diferença em entre a tensão gerada sem carga e a tensão a plena carga. este gerador é do tipo hipercomposto. % = − ã − ã Exemplo: Um gerador de corrente contínua composto alimenta uma determinada carga.

17. 3.Campo magnético principal no gerador de CC Linha neutra original N + S Fig. 3.7 Interpolos e Enrolamento Compensador O efeito de reação de armadura pode ser eliminado através de um projeto e construção adequada das máquinas (Enrolamentos de compensação e interpólos). O valor do ângulo de deslocamento depende da reação do rotor e esta da carga. 3. O centelhamento ou faiscamento produz enegrecimento. e tanto menor será o deslocamento quanto menor a carga. as escovas devem ser deslocadas de acordo com a variação da carga e no sentido da rotação.17c .EEEMBA 29 Considerando que o deslocamento do campo magnético principal é proporcional à corrente de carga. Ele é ligado em série com o rotor a fim de ser percorrido por uma corrente . sem centelhamento ou faiscamento.1 Enrolamento de Compensação Os efeitos do deslocamento do campo magnético na região polar podem ser compensados ou neutralizados por meio de um enrolamento compensador encaixado em ranhuras na face polar e tendo uma polaridade oposta à do enrolamento de armadura adjacente.17 a . Ele pode ser provocado por condições mecânicas defeituosas (trepidação das escovas. Uma importante limitação no funcionamento satisfatório de uma máquina CC é a sua capacidade de transferir a corrente de armadura através do contato das escovas no comutador. O deslocamento do campo magnético deve ser evitado por provocar centelhamento acentuado nas escovas do gerador. Linha neutra original N + S Fig. significa que quanto maior a carga maior será o deslocamento. corrosão e o desgaste destrutivo do comutador e das escovas. ou gasto irregularmente) ou por problemas elétricos (reação do rotor). aumentando o desgaste e o aquecimento do coletor por efeito Joule. ou seja.7. comutador áspero. Reação do rotor no gerador de CC 3. 3.17b .Deslocamento do campo magnético principal no gerador de CC Figura 3.Campo magnético transversal no rotor do gerador de CC Linha neutra original α Nova linha neutra N + S Fig.

Os enrolamentos de campo dos Interpolos são ligados em série com o rotor a fim de ser percorrido por uma corrente proporcional a corrente de carga. A figura abaixo mostra a localização dos Interpolos e do enrolamento compensador. 3.18.7. Interpolo e enrolamento compensador . A principal desvantagem da utilização destes enrolamentos é o custo.EEEMBA 30 proporcional a corrente de carga. A polaridade de um interpolo deve ser a polaridade do pólo seguinte para gerador e precedente para motor. Figura 3.2 Interpolos Os efeitos do deslocamento da linha neutra na zona de comutação podem ser compensados ou neutralizados por meio de pequenos e estreitos pólos colocados entre os pólos principais.

Quais os tipos de excitação composta? 19. O que é reação do rotor? 23. Determina à freqüência da tensão gerada e quanto deve ser aumentada a velocidade do rotor para que a freqüência gerada seja de 60Hz? . Qual a função do comutador no gerador de corrente contínua? 12. 9. O que representa a regulação de tensão? 20. o de pólos salientes ou o de pólos internos? Qual dos alternadores tem mais pólos. 4. o que acontece com a tensão gerada? 15. qual o tipo de excitação do gerador? 22. Quando a regulação de tensão é zero. Qual a principal aplicação do gerador série? 21. Um alternador de 6 pólos é acionado por uma máquina primária que faz o rotor do alternador girar a 1000RPM. 5. Descreva a função do Interpolos e do enrolamento compensador em um gerador de corrente contínua.EEEMBA Questões: 1. O que é a saturação? 18. 3. Como pode ser eliminada a reação do rotor? 24. 6. Exercícios: 25. Quais os principais elementos de um gerador de corrente contínua? Explique o seu funcionamento? 11. o de pólos lisos ou o de pólos internos? Explique sua resposta. Quais os tipos de excitação de um gerador de corrente contínua? 14. Quais os tipos de alternadores? Qual dos alternadores apresenta menor velocidade. O que se deve fazer para melhorar a forma de onda de um gerador de corrente contínua? 13. O que limita a tensão gerada nos geradores série e paralelo? 17. Quais as formas de excitação de um alternador? Explique cada uma delas? Quais as diferenças entre a excitatriz com gerador de corrente continua e a excitatriz sem escovas (Brushless)? Qual delas é mais utilizada e por quê? Porque se utilizam geradores em paralelo? O que se deve ter em comum no paralelismo entre dois alternadores? 10. 7. Um gerador de 4 pólos gera tensão a 60Hz a que velocidade a máquina primária deve movimentar o rotor do gerador para que a freqüência seja de 60Hz? 26. Em um gerador série a carga é aumentada. 2. Quais os tipos de excitação de gerador de corrente contínua? 16. 31 Quais as principais fontes de energia mecânica para o acionamento de geradores elétricos? Descreva o principio de funcionamento de um alternador. 8.

Determina a regulação de tensão desse gerador e qual deve ser a tensão gerada para que a tensão a plena carga seja de 220V. 60Hz. Determine também o tipo de gerador. Um gerador de corrente contínua apresenta tensão gerada 220V sem carga e 200 a plena carga. Determina a tensão do gerador sem carga e qual o tipo de excitação desse gerador? . 900RPM. O gerador da questão anterior apresenta regulação de tensão de -4%. A regulação desse gerador é 7% . 28. Um gerador tem os seguintes dados nominais 127/220V. 29. Um gerador de corrente contínua alimenta uma carga que tem resistência de 5 Ω e consome uma corrente de 25A. Determine a tensão do gerador sem carga e o tipo de gerador? 30.EEEMBA 32 27. Determina o numero de pólos desse gerador e seu tipo.

1 Introdução .Motor de Corrente Contínua Os motores de corrente contínua não se diferenciam em sua construção dos geradores de corrente contínua. . ou seja. sendo a força resultante nula. Desta forma o motor funciona perfeitamente.1. A figura 4. A força de giro do rotor (conjugado) depende do campo magnético. Torna-se então. do comprimento do condutor e da intensidade de corrente. Este problema é resolvido pelo comutador forçando a inversão da corrente no rotor a cada vez que os campos se defrontam. representa o motor mais simples que pode existir. A principal característica dos motores de corrente contínua é a facilidade de controle da velocidade e o desenvolvimento de torque de partida elevado.2 mostra o sentido das forças que atuam sobre uma espira. sem saltos. Para se obter um conjugado constante durante todo um giro do rotor utilizam-se várias espiras defasadas no espaço e montadas sobre um tambor de material ferromagnético e conectadas ao comutador. 4. não dá continuidade ao movimento.2 Princípio de Funcionamento do Motor de Corrente Contínua O motor elementar mostrado na figura 4. conforme a seguir: = Onde: F = força eletromagnética em N (Newton) B = indução magnética em T (Tesla) l = comprimento co condutor em m (metro) i = corrente em A (Ampère) 4. quando ocorre a confrontação do campo magnético na espira (rotor) em relação ao campo produzido pelos pólos. constitui-se de dois pólos e uma única espira tendo na extremidade duas lâminas apenas como coletor ou comutador. A corrente que entra no rotor tende mover o condutor num sentido que depende do sentido do campo principal e da corrente no rotor (regra da mão direita).EEEMBA CAPÍTULO IV – MOTOR DE CORRENTE CONTÍNUA 33 4.1. Sob a ação da força a espira movimenta-se até a posição X-Y. necessário a inversão da corrente na espira para que tenhamos um movimento contínuo.1 Figura 4. Motor elementar.

3b . 4.2. como vimos no estudo do gerador.Campo magnético principal no motor de CC Linha neutra original N + S Fig. Quando o motor funciona.3 Reação do rotor no motor de corrente contínua No motor a reação do rotor depende também da intensidade de corrente no rotor.3.Campo magnético transversal no rotor do motor de CC Nova linha neutra α Linha neutra original N + S Fig.3c . Reação do rotor no motor de CC Com o deslocamento dos condutores da armadura no campo surgem tensões induzidas (força contra-eletromotriz . além da ação motora ocorre simultaneamente ação geradora. atuando no sentido contrário ao da tensão aplicada. A força contra-eletromotriz é proporcional à velocidade e ao fluxo magnético. Linha neutra original N + S Fig.3.EEEMBA 34 Figura 4. 4. Forças que atuam em uma espira imersa num campo magnético. fazendo com que o deslocamento do campo magnético ocorra no sentido contrário ao de rotação do rotor conforme figura 4.Deslocamento do campo magnético principal no motor de CC Figura 4.2 . 4.3a . a qual depende da carga no motor.fcem). = + × Onde: = ã () = Força contra-eletromotriz ( = ) = 4. 4.

teremos que: = = 4.1 Enrolamento Imbricado No enrolamento imbricado o inicio de uma bobina é ligado no final da outra na lamina adjacente do comutador.736kW 2.5 7024 × 9555 × = = Para um melhor entendimento das relações de transformação mostras acima é necessário saber as seguintes transformações: 1. 4. tiramos o valor da corrente no rotor. a potência desenvolvida depende do conjugado e da velocidade de rotação como já foi relacionado anteriormente para velocidade em rad/s.4 Tipos de Enrolamento do Rotor A máquina de corrente continua (motor ou alternador) pode ter dois tipos de enrolamentos. ao campo magnético e ao tamanho do rotor.3 Observando-se a equação acima. pode-se comprovar que na partida a corrente é elevada se considerarmos Ec = 0. Neste enrolamento o número de ramos em paralelo e de escovas depende do número de pólos. CV e kW são: = 716 × 974 × = 4.1CV=736W=0. dividindo a corrente de entrada por todas as bobinas do rotor.EEEMBA = Da equação acima. Utilizado em máquinas de baixa tensão com corrente elevada. No motor de corrente continua as formulas que relacionam torque.4. potência e velocidade são as mesmas dos motores de corrente alternada.8N 4. Sendo o torque proporcional à corrente no rotor. . potência e velocidade em RPM. Quando a energia mecânica é aplicada sob a forma de movimento rotativo.4 4. As equações que relacionam conjugado.1 Relações entre conjugado e potência. conforme a seguir: 35 − 4. o imbricado e o ondulado que tem aplicações diferentes a depender da carga alimentada.3.1kgf=9.

EEEMBA

36

Figura 4.4. Enrolamento Imbricado

4.4.2 Enrolamento Ondulado No enrolamento ondulado as bobinas são ligadas em série. Uma espira é ligada em duas laminas do comutador diametralmente oposta. Este enrolamento independe do número de pólos, necessitando de duas escovas apenas, constituindo um circuito série. Utilizado máquinas de alta tensão e corrente baixa.

Figura 4.5. Enrolamento Ondulado

4.5 Tipos de excitação dos motores CC. Os tipos de excitação do motor de corrente continua são os mesmos do gerador de corrente continua. A diferença nas curvas características do motor depende do conjugado e da velocidade.

EEEMBA

37

Figura 4.6. Máquina CC excitação independente.

4.5.1 Motor CC com excitação Independente No motor CC com excitação independente fig. 4.5, o enrolamento de campo é alimentado por uma fonte externa, ou seja a corrente no rotor não altera o campo de exicitação da máquina. A rotação do motor pode ser alterada mantendo o fluxo (ɸ) constante e variando a tensão de armadura (controle de armadura), ou mantendo a tensão de armadura fixa e alterando o fluxo (controle pelo campo).
I1 I2

Bobina de campo

Fonte CC

Figura 4.7. Máquina CC excitação independente.

CARACTERÍSTICAS  É aplicado em casos que á variação de carga;  Pode ser ligada a vazio;  A velocidade é mantida constante com a variação da carga;

Fonte CC

EEEMBA
4.5.2 Motor CC com auto-excitação em Paralelo

38

No motor CC com auto-excitação em paralelo fig. 4.7, o rotor e o enrolamento de campo estão ligados na mesmo fonte. À medida que se aumenta a carga aumenta também a corrente no rotor e na bobina de campo paralela, mantendo a velocidade praticamente constante. Este tipo de motor tem a mesma curva característica do motor cc com excitação independente.
I1 I2
Enrolamento Paralelo Fonte CC

I

Figura 4.8. Máquina CC excitação em paralelo.

CARACTERÍSTICAS  É aplicado em casos onde há variação de carga  Pode partir a vazio  A velocidade é mantida constante com a variação da carga 4.5.3 Motor CC com auto-excitação Série Na figura 4.8. pode-se verificar que a corrente de armadura passa pelo enrolamento de campo, sendo responsável pelo fluxo gerado. Enquanto não é atingida a saturação magnética, a velocidade do motor diminui de forma inversamente proporcional à intensidade de corrente de armadura.
I
Enrolamento Série

Figura 4.9. Máquina CC excitação Série

Portanto o motor série pode trabalhar em regime de sobrecarga, sendo o aumento do consumo de corrente relativamente moderado. Esta propriedade é essencialmente valiosa para a tração elétrica, acionamentos de guindaste, etc. Deve-se ter em conta que no caso da redução da carga, a velocidade do motor se torna tão grande que as forças centrífugas podem destruir o seu induzido. Por isso, quando a tensão é nominal, não se deve colocar em funcionamento o motor com uma carga muito reduzida. CARACTERÍSTICAS  É aplicado em casos alto torque em baixas velocidades  Velocidade variável com a carga

Fonte CC

Aumentando o valor da resistencia em série o motor composto assume a caracteristica do motor série. Este tipo de auto-excitação é ideal para acionamentos com variações bruscas de carga (ex.10.EEEMBA  Não pode partir a vazio. um série e outro paralelo (Figura 4. Aumentando o valor da resistencia em paralelo o motor composto assume a caracteristica do motor paralelo. 4. É esta a característica do motor de excitação composta.5. Diagrama elétrico de uma máquina CC de auto-excitação composta. Este motor possui dois enrolamentos.4. I1 I1 I Enrolamento Série Enrolamento Série Enrolamento Paralelo Enrolamento Paralelo I2 I2 I Fonte CC Fonte CC Composto Curto Composto Longo Figura 4. Curva aracterística do motor de excitação composta. com perigo de disparar.4 Motor CC com auto-excitação Composta 39 Muitas vezes desejamos um motor com características intermediárias. Podem se ligados do tipo longo ou curto. Na maioria dos casos os dois enrolamentos são acoplados de forma que os fluxos magnéticos se adicionem.1 Grau de Compostagem O motor composto pode assumir características tanto de um motor série quanto de um motor paralelo.5. Figura 4. 4. A depender do ajuste desses resistores o motor composto pode assumir a característica do motor sério ou do motor paralelo. Para que se possa alterar esse grau de compostagem é inserido em paralelo com as bobinas série e paralelo um resistor variável.: prensa). A figura a seguir mostra o circuito equivalente de um motor composto curto em que se pode ajustar o grau de compostagem.11. . a depender do grau de compostagem.9). e para se obter um comportamento mais estável da máquina (Figura 4.10).

paralelo e composto pode ser realizado invertendo-se o sentido da corrente no rotor ou na bobina de campo. 4.EEEMBA Reostato Série 40 IRS I I1 Enrolamento Série ICS I2 Figura 4.6 Inversão do Sentido de Rotação. Para inverter o sentido de rotação de um motor de corrente continua é necessário inverter o sentido da corrente na bobina de campo ou no rotor. Invesão do sentido de rotação no motor CC série. A figura a seguir mostra as duas ligações para os dois sentidos de rotação em um motor série. Nos motores série. 2 Enrolamento Série Reostato Paralelo 1 I 2 1 Enrolamento Série I Fonte CC Figura 4. CARACTERÍSTICAS  Pode assumir a característica do motor série ou do motor paralelo.  Pode ser ligado a vazio mesmo quando a característica do motor série que não irá disparar devido a bobina paralela. Fonte CC Fonte CC ICP Enrolamento Paralelo IRP . Esta mudança nas ligações pode ser feita por meio de uma chave reversora.12.13. Diagrama elétrico do motor de auto-excitação composta com reostatos de controle. Se o sentido da corrente for invertida no rotor e no enrolamento de campo simultaneamente o sentido de rotação do motor não será alterada. A inversão do sentido de rotação nos motores cc série. paralelo e composto o sentido de rotação não é invertido alterando-se apenas a polaridade da fonte de alimentação. Para inverter o sentido de rotação de um motor cc independente basta inverter a polaridade de uma das fontes de alimentação (campo ou rotor).

estando os campos em fase produzem alto torque na partida e em funcionamento podendo ser utilizado como motor universal. A razão para o baixo torque deve-se a elevada indutância do campo paralelo enquanto o rotor é altamente resistivo. entretanto o conjugado na partida ou de funcionamento é muito baixo. A sua utilização mais comum está nos eletrodomésticos. como universal.14. Motor Universal O motor cc em paralelo também poderia funcionar com corrente alternada.2 Motor série de corrente alternada Como foi visto anteriormente que o motor cc série não altera o sentido de rotação com a mudança da polaridade da fonte. exaustores.EEEMBA 4. Máquinas operatrizes em geral Bombas a pistão Torques de fricção Ferramentas de avanço Tornos Bobinadeiras Mandrilhadoras Máquinas de moagem Máquinas têxteis Guinchos e guindastes Pórticos Veículos de tração Prensas Máquinas de papel Tesouras rotativas Indústria química e petroquímica Indústrias siderúrgicas Fornos. podemos afirmar que o motor cc série pode ser alimentado por uma fonte de tensão alternada. No motor cc série sendo a mesma corrente no rotor quanto na bobina de campo. assim esse motor é também chamado de motor universal. conforme a seguir: Fonte CA Fonte CC .1 Aplicações práticas dos motores de corrente contínua 41 Os motores de corrente contínua são aplicados onde haja necessidade de regulagem precisa de velocidade. separadores e esteiras para indústria cimenteira e outras 4. I 2 Enrolamento Série 1 Alimentação em CA ou CC Figura 4. Os motores cc série de pequeno tamanho e de potencias fracionárias podem trabalhar tanto em CC quando em CA. provocando um defasamento muito grande entre tensão e corrente produzindo por conseqüência o baixo torque. O motor universal é utilizado em uma infinidade de aplicações. O motor cc série pode ser alimentado com tensão continua ou alternada.

. Variação do Rendimento em função da Carga e Rotação. O rendimento define a eficiência com que é feita esta transformação.EEEMBA      42 Liquidificador. Maquina de cortar piso.3 Rendimento O motor elétrico absorve energia elétrica da linha e a transforma em energia mecânica disponível no eixo. 4.15. Chamando potência útil (Pu) a potência mecânica disponível no eixo e potência absorvida (Pa) a potência elétrica que o motor retira da rede. Ventilador. conforme mostrada na figura abaixo: Figura 4. ou seja: = ƞ 1000. Eletrodomésticos em geral que necessitem de torque elevado e velocidade variável com a carga. o rendimento será a relação entre as duas. Furadeira. () ( ) = × () O rendimento varia com a carga e com a rotação.

apresentam boa relação peso/potência. O que difere o motor de passo do motor comum são suas características próprias: a) o motor de passo funciona como dispositivo posicionador.1 Motor de Passo 43 Basicamente a função do motor de passo é converter a energia elétrica em energia mecânica como qualquer motor comum na forma de torque. pois pode parar em qualquer posição controlada. ou seja. Existem motores cujo passo é 0. 5. Essas características fazem com que o motor de passo se torne singular nas aplicações em informática. cada passo corresponde a 2. robótica. São motores que apresentam uma gama de rotação muito ampla que pode variar de 0 rpm até 5400 rpm ou mais. um circuito eletrônico.1 graus e o rotor tem a capacidade de mover-se apenas estes 2.1.1 graus. c) O motor de passo pode ter seu eixo posicionado em um ângulo proporcional ao número de impulsos de entrada. Mover o motor passo a passo significa o seguinte: se um determinado motor de passo possuir 170 passos. f) As respostas à partida. à parada e à reversão são muito rápidas. podem mover-se passo a passo.2 Tipos de Motores de Passo Os tipos de motores de passo são: 1) Relutância variável 2) Imã permanente 3) Híbrido . possuem ótima frenagem do rotor. é necessário que sua alimentação seja feita de forma seqüencial e repetida. 5. eletrônica. alguns motores possuem precisão de 97%. ou seja. Não basta apenas ligar os fios do motor de passo a uma fonte de energia e sim ligá-los a um circuito que execute a seqüência requerida pelo motor. b) O motor de passo pode também funcionar como motor de velocidade perfeitamente controlada. e) O uso de sinais digitais para o seu funcionamento possibilita um controle de realimentação. permitem a inversão de rotação em pleno funcionamento. porém são muito pequenos e não cumulativos.EEEMBA CAPÍTULO V – MOTOR DE PASSO 5. quando energizado numa determinada ordem. d) No posicionamento do eixo do motor de passo podem ocorrer erros. mecatrônica e em controles automatizados diversos.1.1 Funcionamento dos Motores de Passo Para que um motor de passo funcione.36 graus. isto significa que cada volta do eixo do motor é dividida 170 vezes.

o sistema de controle se baseia em um circuito oscilador onde seria gerado um sinal cuja freqüência estaria diretamente relacionada com a velocidade de rotação do motor de passo. Um terminal é comum às 4 bobinas e os demais terminais (4 terminais) são ligados às respectivas bobinas. O motor de passo tem 5 terminais. 5.1. Figura 4. pois os passos variam o o de 45 a 90 .2. 5. O rotor deste tipo é feito de ferro maciço.  UMA FASE . Esta freqüência seria facilmente alterada (seja por atuação em componentes passivos seja por meio eletrônico) dentro de um determinado valor.  DUAS FASES .2 Ímã permanente Este motor gira quando as bobinas são energizadas criando um campo magnético que interage com o campo magnético do rotor. Didaticamente falando. assim. A vantagem neste tipo é a precisão dos passos que podem variar de 200 a 1000 o passos (1.EEEMBA 5.2 Modos de Excitação Para que se obtenha uma rotação constante é necessário que a energização das bobinas seja periódica.Quando duas bobinas são energizadas simultaneamente.8 a 0. Esta periodicidade é proporcionada por circuitos eletrônicos que controlam a velocidade e o sentido de rotação do motor. Os modos de excitação são mostrados a seguir. . o motor apresentaria uma rotação mínima e uma máxima.2.16.2. Sua aplicação é apropriada quando não se exige precisão.3 Híbridos Neste tipo tanto o rotor quanto o estator são multipolares. enquanto o estator é multilaminado.1.1 Relutância variável 44 Neste tipo de motor as bobinas estão distribuídas no estator e o rotor é constituído de vários pólos (multipólo).36o). 5.Quando apenas uma bobina é energizada.1.

EEEMBA 45  UMA-DUAS FASES . quando as bobinas são energizadas por níveis de tensão diferenciados.18.Quando uma ou duas bobinas são energizadas isoladamente ou simultaneamente. permitindo o posicionamento do rotor em pontos intermediários. . Figura 4. Figura 4.17.  DUAS FASES OU MICRO-PASSO – Também chamado Wave.

cujo enrolamento primário é ligado em série com o circuito alimentador e o secundário destinado a alimentar bobinas de corrente dos instrumentos elétricos de medição. em seu circuito primário (entrada) é conectada a tensão a ser medida. 2º. Uma função importante dos transformadores para instrumentos é a de isolação. – Transformador de potencial – TP É um transformador para instrumento. abaixador de corrente. abaixador de tensão. controle ou de proteção. cujo enrolamento primário é ligado em derivação com o circuito alimentador e o secundário destinado a alimentar bobinas de potencial dos instrumentos elétricos de medição. permitindo o trabalho de operadores em níveis de tensão e correntes mais baixos e permitindo o afastamento seguro de partes do sistema elétrico com níveis de tensão e correntes mais elevados. – Transformador de Corrente – TC É um transformador para instrumento. Existem dois tipos de transformadores para instrumentos: 1º. controle ou proteção. ou seja. . Sua principal aplicação é na medição de tensões com valores elevados. com menor custo e maior segurança. Assim. Os transformadores para instrumentos TP e TC construídos conforme as normas da ABNT podem apresentar as seguintes classes de exatidão conforme tabela abaixo: Tabela 1 6.EEEMBA 46 CAPÍTULO VI – TRANSFORMADOR PARA INSTRUMENTOS Os transformadores para instrumentos são dispositivos projetados e construídos especificamente para alimentarem instrumentos de medição. sendo que no secundário (saída) será reproduzida uma tensão reduzida e diretamente proporcional a do primário. pode-se conectar o instrumento de medição no secundário. controle ou proteção.TP O Transformador de Potencial (TP) é um equipamento usado principalmente para reduzir a tensão do circuito primário mais elevado para níveis compatíveis com a máxima suportável pelas bobinas de potencial dos instrumentos de medição e proteção.1 Transformador de Potencial .

A potencia nominal e a classe de isolação dos transformadores de potencial são padronizadas pela ABNT. Assim a relação nominal do TP será: = 1 1 = 115 2 5. a tensão primária será a mesma do circuito onde o TP será instalado. A tensão reduzida do circuito secundário do TP também é usada para alimentar. e bobinas voltimétricas de aparelhos eletrodinamométricos (como Wattímetros.são aqueles projetados para ligação entre fases.são aqueles projetados para ligação entre fase e neutro de sistemas onde não se garanta a eficácia do aterramento. Figura 5.1 TP é usado para alimentar.  São basicamente os do tipo utilizados nos sistemas de até 34.EEEMBA 47 A razão (divisão) entre a tensão no primário sobre a tensão apresentada no secundário de qualquer transformador é uma constante chamada de relação de transformação (RT). Wattímetro integrador e Cossifímetro). os circuitos de proteção e controle.5 kV. de forma igualmente segura.TP. permitindo assim que a indicação no voltímetro apresente uma incerteza de medição muito pequena.1. Transformador de Potêncial . ou seja.  Grupo 3 .  Grupo 2 . A tensão de saída padronizada no TP é de 115 V. voltímetros. conforme as tabelas no Anexo I. 6.1.  Os transformadores enquadrados neste grupo devem suportar continuamente 10% de sobrecarga. .são aqueles projetados para ligação entre fase e neutro de sistema diretamente aterrados.1 Transformador de Potencial Indutivo Os TP indutivos são construídos da mesma forma que os transformadores de potencia. frequêncímetros. sendo dividido em três grupos:  Grupo 1 . pois são fabricados de forma a apresentar uma RT com boa exatidão. Os transformadores de potencial podem ser considerados especiais. uma pequena variação na tensão do primário causará uma variação proporcional também no secundário.

Transformador de Potêncial Capacitivo .1. o qual fornecerá a tensão V2 aos instrumentos de medição e de proteção ali instalados. onde se vê que o primário constituído por um conjunto C1 e C2 de elementos capacitivos em série. O esquema básico do TP. Transformador de Potêncial Indutivo 6. havendo uma derivação intermediária B.EEEMBA 48 Figura 5. correspondente a uma tensão V da ordem de 5 kV a 15 kV.3.2 Transformador de Potencial Capacitivo O transformador de potencial capacitivo basicamente utiliza dois conjuntos de capacitores que servem para fornecer um divisor de tensão.2. para alimentar o enrolamento primário de um TP tipo indução intermediário. É ligado entre fase e terra. Figura 5. São construídos normalmente para tensões iguais ou superiores a 138 kV.

= 1 2 = 5 1 5. As correntes primárias padronizadas variam entre 5A a 8000A Quando o TC é percorrido pela corrente primária nominal a corrente secundária padronizada é de 5A. relés de corrente. portanto. não haverá o efeito desmagnetizante fazendo com que a corrente de excitação fique igual à corrente primária. etc.2 Tipos de TC Os transformadores de corrente podem ser construídos de diferentes formas e para diferentes aplicações: . c) Caso o aquecimento não danifique o TC a elevação brusca da forte magnetização alterará suas características de funcionamento e precisão.2 6. bobinas de corrente de medidor de energia elétrica ativa e reativa. A relação de transformação de um TC é dada pela equação a seguir. por exemplo). bobinas de corrente de wattímetros.EEEMBA 6. Transformador de Corrente Um transformador de corrente (TC) é um dispositivo no qual o enrolamento primário é constituído de poucas espiras (duas ou três.). zero. Isto tem por conseqüência o seguinte: a) Aquecimento excessivo do TC.2. Os transformadores de corrente são utilizados para alimentarem instrumentos elétricos de baixa impedância (amperímetros. 6. b) Elevação da tensão secundária colocando em risco o operador (risco de morte). provocando sua destruição e podendo causar em contato entre primário e secundário e com a terra. são transformadores que trabalham quase em curto-circuito.4. A corrente primária do TC corresponde com a corrente máxima do circuito onde será instalado.1 O secundário de um TC nunca deve ficar aberto Como foi dito anteriormente a corrente primária do TC depende da carga ligada ao circuito externo.2 Transformador de Corrente – TC 49 Figura 5. Existem TC onde um único condutor é utilizado como primário. corrente secundária.2. portanto se o circuito secundário é aberto.

TC tipo enrrolado 6.1 TC tipo Barra 50 É aquele cujo enrolamento primário é constituído por uma barra fixada através do núcleo do transformador.EEEMBA 6.3 TC tipo Janela É aquele que não possui um primário fixo no transformador e é constituído de uma abertura através do núcleo. por onde passa o condutor que forma o circuito primário.6. Figura 5. Figura 5.2. Figura 5.2.2. conforme abaixo.2 TC tipo Enrolado É aquele cujo enrolamento primário é constituído de uma ou mais espiras envolvendo o núcleo do transformador. conforme ilustrado abaixo.2.7. TC tipo janela .2. conforme mostrado abaixo.2.5. TC tipo Barra 6.

EEEMBA 6. TC tipo bucha 6. . disjuntores.4 TC tipo Bucha 51 É aquele cujas características são semelhantes ao TC do tipo barra.). que funcionam como enrolamento primário.2.2.9. etc. Figura 5.3. Conhecer a finalidade da sua aplicação.8. porém sua instalação é feita na bucha dos equipamentos (transformadores.5 TC tipo Núcleo Dividido ou núcleo aberto É aquele cujas características são semelhantes ao amperímetro alicate.2. TC de núcleo dividido 6. A tensão máxima de operação do sistema no qual o TP será instalado. de acordo como mostrado abaixo.1 Especificação de TP Para especificar corretamente um TP é necessário o seguinte: 1. As perdas dos instrumentos a serem ligados de acordo com informação do fabricante dos instrumentos. 2.3 Critérios para especificar um TP e um TC 6.2. A tensão primária na qual o TP será alimentado. em que o núcleo pode ser aberto como uma garra para permitir envolver o condutor que funciona como enrolamento primário. conforme mostrado abaixo. 3. 4. Figura 5.

freqüência 60Hz.2 Especificação de TC Para especificar corretamente um TC é necessário o seguinte: 1) Conhecer a finalidade da sua aplicação. O fabricante dos instrumentos a serem utilizados. Com os totais acima. tensão primária nominal 69. encontrando-se o valor de 72. respectivamente. conforme tabela 1. 3) A tensão máxima de operação do sistema no qual o TC será instalado. Especificação do TP: Transformador de potencial para medição.5 kV.4 Exemplo prático sobre TP 52 Especificar um TP para medição de energia elétrica. calcula-se a carga no secundário do TP: = (17.10 Comparando-se o resultado obtido com a tabela 3.000 V para 115 V. forneceu o seguinte quadro de perdas em 115V. a classe de exatidão indicada é 0. carga nominal ABNT P75. na tabela 4 verificamos a classe de isolação do TP. 6. verifica-se que o TP de 69. Medidor de energia elétrica reativa (kVAr) sem indicador de demanda.000 V.3. Voltímetro. Watt e VAr. Na mesma tabela 5. classe de exatidão ABNT . relação nominal 600:1.3. verificamos o grupo de ligação que neste exemplo é 1. tem relação de transformação de 600:1. 60Hz. 2) A corrente primária na qual o TC será submetido. Amperímetro e Wattímetro. onde serão ligados os seguintes instrumentos: a) b) c) d) e) Medidor de energia elétrica ativa (kWh) com indicador de demanda.1)2 onde = 27.EEEMBA 6. Na tabela 5. para faturamento a um consumidor alimentado em 69kV. verifica-se que o TP indicado é o de 75 VA.0)2 + (21. SOLUÇÃO: Por tratar-se de medição para faturamento. Agora. 4) As perdas dos instrumentos a serem ligados de acordo com informação do fabricante dos instrumentos para definição da carga do TC.

verifica-se que o TC indicado é o de 25 VA. Agora.: Usualmente os condutores utilizados na ligação do secundário do TC aos instrumentos são de 4. para cada caso deve-se verificar com o(s) fabricante(s) do(s) instrumento(s) os valores corretos.3 -P75. O fabricante dos instrumentos a serem utilizados. 60Hz. cuja corrente na linha chegará a 95 A no primeiro ano de funcionamento. 6. Medidor de energia elétrica reativa (kVAr) sem indicador de demanda.56 Comparando-se o resultado obtido com a tabela 6. para faturamento a um consumidor alimentado em 69kV. grupo de ligação 1. SOLUÇÃO: Por se tratar de medição para faturamento. atingindo cerca de 175 A a partir do segundo ano. as tensões suportáveis nominais à freqüência industrial e de impulso atmosférico. (exemplo para este caso. Com os totais acima.: Os dados das perdas dos instrumentos aqui fornecidos são meramente ilustrativos. forneceu o seguinte quadro de perdas em 5 A. Voltímetro. encontrandose o valor de 72. tensão máxima de operação 72. a) b) c) d) e) Medidor de energia elétrica ativa (kWh) com indicador de demanda. Obs. . 140 e 350 kV respectivamente). Os instrumentos elétricos de medida que serão utilizados ficarão a 35 metros do TC e serão ligados ao secundário deste através de fio de cobre de 4 mm2: Obs. conforme tabela 1. calcula-se a carga no secundário do TC: = (14.5 kV.EEEMBA 53 0.9)2 onde: = 15. na tabela 4 verificamos a tensão máxima de operação do TC.3.5 Exemplo prático sobre TC Especificar um TC para medição de energia elétrica. uso exterior. 6 ou 10 mm2.5 kV.4)2 + (5. verificar norma atualizada da ABNT. nível de isolação: tensão nominal 69 kV. Watt e VAr respectivamente. Amperímetro e Wattímetro. a classe de exatidão indicada é 0.

5 e não C 25 que é o correto. teríamos: = (4. classe de exatidão ABNT 0. Especificação do TC: Transformador de corrente para medição.3 – C 25. uso exterior. carga nominal ABNT C 25. verificar norma atualizada da ABNT. freqüência 60Hz. Daí constata-se a considerável influência do comprimento do condutor no secundário do TC. o TP deve possuir dois enrolamentos primários. (exemplo para este caso. Obs.2. tensão máxima de operação 72. b) Caso não fosse considerado o comprimento do fio de cobre que liga o secundário do TC aos instrumentos.9)2 onde: = 7.7)2 + (5. nível de isolação: tensão nominal 69 kV. relações nominais 20 x 40:1. C 12. .54 O TC desta forma seria especificado erradamente. portanto. prefere-se a utilização de um TC com possibilidade de duas correntes primárias 100 e 200 A. correntes primárias nominais 100 x 200 A (ligação série/paralela no primário). tensões suportáveis nominais à freqüência industrial e de impulso atmosférico.5 kV. (ver tabela 7). : a) Os dados das perdas dos instrumentos aqui fornecidos são meramente ilustrativos.EEEMBA 54 Sabendo-se que o consumidor terá as correntes primárias de 95 e 175 A. com ligação série/paralela. 140 e 350 kV respectivamente). para cada caso deve-se verificar com o(s) fabricante(s) do(s) instrumento(s) os valores corretos. fator térmico 1.

Edição – Rio de Janeiro – Ed.Editora Globo. [2] Anzenhofer. .brequacional) .weg.feiradeciencias. [4] SEN. João – Manual de Equipamentos Elétricos – 2ª. 1983. LTC-Livros Técnicos e Científicos. – Indústria de motores. – Fábrica de motores e transformadores (www. 5 . Edição – Rio de Janeiro – Ed. [7] Mamede Filho.Eletricidade Básica – Tradução de Paulo João Mendes Cavalcanti . Van. Inc. [3] Martignoni.com. 1982.Editora Mestre Jou.sagesse. Edição – Rio de Janeiro – Ed. [6] Medeiros Filho.Máquinas Elétricas e Transformadores . Karl.br). 1980. Walfredo Schmidt – 3ª Edição – São Paulo .br) [3] Equacional Elétrica e Mecânica Ltda.Tradução de Felipe Luiz Ribeiro Daiello e Percy Antonio Pinto Soares – 7ª. [2] Feira de ciências – destinado aos alunos do ensino médio e técnico (www. Principles of Electric Machines And Power Electronics. 2ª edição. Irving L.com. John Wiley & Sons. A.: New York USA. Ao Livro Técnico S.Vol. 1994. 1987. transformadores e conversores (www.A. Paresh Chandra. Globo. Solon de – Medição de Energia Elétrica – 3ª. 1970. Sítios recomendados [1] WEG S. 1997.Eletrotécnica para Escolas Profissionais – Tradução de Eng. . Guanabara. 55 [5] Kosow. Máquinas de corrente alternada – Porto Alegre .EEEMBA BIBLIOGRAFIA [1] Valkenburgh.com. Nooger & Neville Inc. . Alfonso.Rio de Janeiro – Ed.

TABELAS DE TP E TC Tabela 1 – Classes de exatidão de TP e TC 56 Tabela 2 – Perdas dos instrumentos de medição elétricos Tabela 3-Cargas nominais padronizadas de TP .EEEMBA ANEXO I.

Tensões máximas de operação do TP (kV) 57 Tabela 5-Tensões primárias nominais e relações nominais para TP .EEEMBA Tabela 4.

Cargas nominais padronizadas para TC 58 Tabela 7.Correntes primárias nominais e relações nominais para TC .EEEMBA Tabela 6 .