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S O C I O L O G I A D A C I Ê N C I A

D I A LÉ T IC
Casos de fraude em ciência são aparentemente raros e sempre ganham publicidade, tanto na imprensa leiga quanto nas publicações científicas. Dois fatores se reforçam nesses casos: a publicidade reitera a idéia de raridade e a alegada raridade justifica que as fraudes sejam tão exploradas.
Jesus de Paula Assis Especial para Ciência Hoje/ SP Em todas as atividades humanas existem compromissos. Damos a eles diferentes nomes, como ‘relação custo-benefício’, ‘adaptação de metas’, ‘remanejamento de resultados’, ‘alteração de expectativas’ etc. Quase tudo o que nos cerca tem seu valor relativo calculado com base nesses compromissos. E isso vale também para coisas mais abstratas – não localizáveis espacialmente, como um carro ou uma casa. Vale para objetos de arte, idéias inovadoras, estratégias, relatórios e serviços em geral. Mas, longe dessa vida prática, existe um ideal, uma exceção, um ponto de concórdia universal. Desde fins do século 17, essa atividade (ou melhor, esse campo, já que atividade sugere mutação, o que não

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poder) e devem ser apresentados com nome e endereço. aí fora. e exigem trabalho adicional. s. um tribunal imparcial e eternamente aberto ao escrutínio geral. Dada uma teoria astronômica. mas no método. não é necessário. Sem o desvio. metódicos. São apresentadas como um desvio do ideal de método. quando existem. em ciência. Os experimentos ou dão resultado positivo. quando há motivação. 2001 R A UDE se coordena bem com aquilo que se supõe atemporal) é apresentada como ciência. sempre à mão para os que forem talentosos. perseverantes e. rigor. e não razão. quando há necessidade de alocar recursos escassos em prioridades subjetivas. Mas. patentes. Contra essa imagem – que de forma nenhuma é uma impostura cínica por parte dos cientistas a uma sociedade pouco educada – é que aparecem as fraudes. pois todo mundo sabe (assim se supõe) que a ciência bem feita compensa e vale o esforço. – raciocínio lógico que. Existe uma natureza. ou negativo. mesmo no desvio. assim. a b r i l d e 2 0 0 3 • C I Ê N C I A H O J E • 33 . bem entendido. Não existem meios-eclipses ou quase-eclipses ou o eclipse-que-épara-mim-mas-não-para-você. persistência e sujeição total à natureza. Com base nessa imagem – que nasce com um Galileu injustamente perseguido por uma Igreja fanática e retrógrada –. a ciência se torna uma espécie de religião laica e democrática. Mas não a ciência. e permitindo que qualquer ser humano seja seu profeta e não somente um eleito pelo Altíssimo. Dicionário da Língua Portuguesa. prevê-se que amanhã haverá um eclipse a tal hora. está fundamentado em idéias apenas prováveis. Por prova direta. baseada não em fé. embora coerente em seu encadeamento interno. um objetivo importante: são as oportunidades que a comunidade científica tem para mostrar (por contraprova) sua competência e rigor. esses indivíduos vis. não existem conflitos.S O C I O L O G I A D A C I Ê N C I A Dialética. existe a verdade. e por esta razão traz sempre em seu âmago a possibilidade de sofrer uma refutação Antonio Houaiss. Cumprem. que ocupam tanto a mídia leiga como as revistas especializadas. de desleixo ou de limitações técnicas. Não existem também motivações. para execração pública e purgação da comunidade. acima de tudo. Os cientistas têm motivações. como reafirmar a regra? Daí o título deste artigo. sempre se oferecendo para quem a quiser perscrutar. Resultados intermediários. Compromissos existem quando há conflito de interesses. Os fraudadores. são prova de medição A descuidada.f. esses arroubos subjetivos que empanam a visão correta da realidade. têm sempre más intenções (querem promoções rápidas.

Mas é claro que ele deixou de informar a audiência que não havia de fato enxerto. Na verdade. Notemos o contínuo entre Summerlin. candidato óbvio a um Nobel. uma medida Fraude é uma palavra dura. pela cor diferente – viviam perfeitamente com a nova pele. contra o ano de publicação do trabalho que fazia a predição. Fraude sem apelação. depois de uma comissão do Bell Labs constatar que pelo menos 16 de 24 resultados publicados teriam sido forjados. E os co-autores não achavam estranhas essas amostras invisíveis. o fato de ele conseguir aquelas curvas ótimas só quando estava longe do Bell. Mas o fato é que nenhum dos artigos de impacto de Schön foi publicado com ele como único autor. O físico tentou se defender. as curvas perfeitas. com as quais se poderia fazer transistores de um único elétron. Como podia. Por exemplo. a norteamericana Journal of Surgical Oncology e a inglesa British Journal of Urology) nas quais os trabalhos haviam sido publicados. alegando erro honesto. finalmente. para que os testes fossem repetidos nos Estados Unidos e. Confronting Nature. suas anotações básicas desapareceram devido a um problema em seu disco rígido (sem backup. ela é a única que define certos casos de improbidade científica. pois estavam muito felizes em acompanhar essa jovem superestrela da física. Difícil de acreditar. mostrou ter resolvido o problema de rejeição de transplantes? Prova? Ratos brancos – com pedaços de pele enxertados bem visíveis. foi fraqueza. em uma reversão retórica fantástica. mas apenas pintura com caneta hidrográfica. em outubro do ano passado. às vezes. e assim por diante. pois quase tudo depende desses pequenos engenhos. sem matizes. haver a mesma curva? Aí começaram a rolar os fatos. O que dizer do imunologista norte-americano William Summerlin. em arranjos distintos.. em 1974. Não se sabe de editor que tenha perdido o emprego. The Sociology of SolarNeutrino Detection. na Alemanha. na década de 1970. A curva decrescente sugere uma correlação entre as predições cada vez mais baixas e a necessidade de financiamento das pesquisas. a suíça Oncology. T. que. Reidel. Mas 60? Não só isso encerrou sua carreira. notou semelhanças entre gráficos produzidos por Schön em situações muito diferentes. B. Um caso mais recente. Plagiar um trabalho inteiro? É bem grave. 3 2 • n º 1 9 2 . claro). Jovem. depois de muito tempo e dinheiro tentando reproduzir os resultados. o que era uma carreira prodigiosa rumo ao Nobel tornou-se uma fábrica irresponsável de papers. que. instituição reconhecida pela excelência científica e pelo desenvolvimento de grandes projetos militares financiados pelo governo norte-americano. ‘todas’ as amostras tinham ido parar no lixo. do ano passado. É óbvio que os ratos não rejeitavam a própria pele. Copiar alguns resultados? Vá lá. Schön começou seu descenso quando Paul McEuen (da Universidade Cornell). agitou o Bell Labs. hoje na Universidade Técnica de Zurique (Suíça). mas Alsabti se foi para sempre. Um físico alemão – Jan Hendrik Schön – anunciou em 2001 ter produzido moléculas orgânicas 60 50 40 SNU semicondutoras. pelo menos como pesquisador em física. o mesmo comitê que acabou com a carreira de Schön isentou seus colaboradores da acusação de fraude. um feito com implicações óbvias em computação. as medições que dispensavam os registros básicos? Parece que não. O mesmo pode ser dito do médico iraquiano Elias Alsabti. com apenas 32 anos. foi descoberto quando já publicava seu sexagésimo trabalho copiado. E. telecomunicações e o que mais passar pela cabeça de um homem de hoje. 1986] 34 • C I Ê N C I A H O J E • v o l . excesso de pressão ou um descuido. Alsabti e Schön. A carreira de Schön terminou. com sua demissão sumária. depois de testadas. o segundo pôde contar com a leniência de uma série 30 20 10 0 1962 1964 1966 1968 1970 1972 1974 1976 1978 1980 Predições quanto ao fluxo de neutrinos solares. como chamuscou os editores das revistas (entre elas. então no Sloan-Kettering Institute. Enquanto o primeiro não resistiu a uma demonstração pública e foi condenado sozinho. um tanto canhestramente: não havia cadernos de laboratório.S O C I O L O G I A D A C I Ê N C I A Para cada peso. Batlogg. questionando levemente a responsabilidade do chefe da equipe. [Publicado pela primeira vez em PINCH. E melhor: tratava-se de um transplante lavável. devia-se ao fato de as amostras serem frágeis e não poderem ser transportadas.

parar no primeiro suposto culpado? Tais julgamentos deixam demasiado espaço para critérios subjetivos. dificilmente conseguiria verbas. Ray Davis conseguiu levantar fundos e montar uma piscina olímpica de cloro em uma mina abandonada. Isso. Quem der ênfase à ciência de ponta. Se a teoria que diz que as estrelas obtêm sua energia da fusão nuclear estivesse correta. em que contexto institucional e a qual custo. em 1964. Quem der ênfase à caça às verbas. efeitos mínimos e necessidade de conseguir verbas muito elevadas. pois senão ficarão expostos aos raios cósmicos. O passo seguinte nesse contínuo já nos levaria direto para dentro do cotidiano da ciência. Como neutrinos quase não interagem com matéria. e a situação de um grupo de pesquisadores nesse contínuo depende de bem mais que apenas avaliação técnica de resultados. Na época. misturado aos ruídos inevitáveis nesse tipo de arranjo). Com os primeiros testes – e as primeiras decepções –. Mas Davis (os detalhes estão em Collins e Pinch. os periódicos em que publicou (Science e Nature na lista). que irão atrapalhar o experimento. com o mesmo equipamento e com teorias que se sucediam na mesma velocidade dos decepcionantes resultados (reformular as predições era trabalho do teórico da equipe. pp. com pesquisadores que tentavam detectar neutrinos solares. que nem por isso perderam suas carreiras. de queda de teoria. O projeto era deixar que os neutrinos passassem pela piscina e reagissem com o cloro. Um caso interessante aconteceu entre 1964 e foi categórico: 40. Se ele dissesse menos. Mas os tanques têm de estar profundamente enterrados. Já o terceiro implicou colaboradores. pois os físicos considerariam o valor muito baixo e sujeito a erros (isto é. (Robert Proctor “Cancer Wars”. em erro experimental. O ideal e a prática “A ciência tem um rosto. Para convencer potenciais financiadores. em 1966. Por que. Aí. O que seria dito de um experimentador que. o experimento custou fantásticos US$ 600 mil (fora os salários dos pesquisadores. E A SITUAÇÃO DE UM GRUPO DE PESQUISADORES NESSE CONTÍNUO DEPENDE DE BEM MAIS QUE APENAS AVALIAÇÃO TÉCNICA DE RESULTADOS 1967. de revolução científica. em que entram em ação. Entender essas coisas pode nos dar um insight de por que o instrumental científico pode ser afiado para alguns tipos de problemas e completamente cego para outros”. abril de 2003 • CIÊNCIA HOJE • 35 . No ano seguinte. decepou 3/4 das expectativas. poderá falar em fraude. fundos para bolsistas etc. em seguida.). Davis afirmou. onde os limites entre maus resultados. em todos os casos. o jeito de os detectar é tentar aprisioná-los em tanques contendo algum material com o qual reajam. dizendo que obteria 40 de alguma coisa e. resultados nãoreproduzíveis e fraude estão completamente misturados e dependem de julgamentos ainda mais subjetivos que nos casos anteriores. Quem der ênfase aos efeitos mínimos poderá falar em experimentos mal-concebidos. É claro que esse é um caso limítrofe. ciência de ponta. afirmando que 10 estava bom? Nada. era “só” contar quanto argônio apareceu e extrapolar para quantos neutrinos o Sol expelia em um segundo. falará de crise de paradigma. uma casa e um preço. 19 e. 10 (figura). O que é importante frisar aqui é a questão da ênfase e sublinhar que existe um contínuo entre ciência bem-feita e fraude.S O C I O L O G I A D A C I Ê N C I A de editores científicos. um certo tanto de neutrinos deveria ser expelido do Sol e uma fração desse tanto chegaria à Terra. Davis passou a afirmar que 30 SNU era o máximo detectável. é importante perguntar quem está fazendo ciência. apud. formando argônio. laboratórios em dois países e. Davis permaneceu como pesquisador de alto nível e os teóricos que o cercaram absorveram o problema como uma anomalia por ser explicada O QUE É IMPORTANTE FRISAR AQUI É A QUESTÃO DA ÊNFASE E SUBLINHAR QUE EXISTE UM CONTÍNUO ENTRE CIÊNCIA BEM FEITA E FRAUDE. que seu equipamento seria capaz de detectar 40 SNU (unidades de neutrinos solares) em cada experimento. ao mesmo tempo. em 1968. nada foi dito. claro. John Bahcall). Rampton e Stauber). 121-138).

tais encaminhamentos deveriam ser feitos em sistema de duplo-cego: 36 • C I Ê N C I A H O J E • v o l . a parte filosófica foi cristalizada por Karl Popper e a parte sociológica pelo norte-americano Robert Merton. é claro. tudo irá bem. depois compare e. se não houver relatórios a ser apresentados a financiadores. Quer aprovar uma droga junto ao FDA [agência norte-americana que supervisiona fármacos e alimentos]? Então. Na perspectiva de um país periférico. quando os cientistas vão contar a história racional de como as coisas aconteceram. EXERCIDA EM UNIVERSIDADES E CENTROS DE PESQUISA. precisamos ter em mente onde ela acontece e a que interesses atende. Se todos agirem assim e se todos professarem alguns princípios básicos de convivência. 3 2 • n º 1 9 2 . (Como. ciência é um luxo. apóie. ciência é algo um pouco diferente.S O C I O L O G I A D A C I Ê N C I A QUANDO FALAMOS EM CIÊNCIA. ou seja. Em seguida. os dados testam a teoria. A relevância dos fatos é dada pela experiência anterior do cientista. ela só existe de fato na reconstrução das atividades científicas. sempre será possível reunir um tanto que prova que “x” é um veneno. do registro definitivo. Com isso. raciais ou religiosos. Uma vez que os resultados são sempre limítrofes. sempre será possível reunir um certo tanto de material que prova que o fármaco “x” é uma essência da saúde. depois teste. em ambientes reais. Mas existe um problema: tais princípios têm de ser implementados por pessoas. muito depois. não se deixar levar por desvios ideológicos. da documentação do resultado perante toda a comunidade. É claro que isso não ocorre e. Quanto à seqüência teorize-teste-compare. mas também dependem dela. exercida em universidades e em centros de pesquisa. No momento em que a ciência é feita. a regulação se dá pelo método de revisão entre pares (peer-review). Quanto à formação. Idealmente. Um artigo é recebido para publicação. financie. É aconselhável só usar resultados obtidos por terceiros depois de os duplicar? Sim. Esses princípios têm a ver com não aceitar resultados sem antes os repetir. se os diferentes grupos tiverem os mesmos equipamentos etc. Tudo. pelo contrário. PRECISAMOS TER EM MENTE ONDE ELA ACONTECE E A QUE INTERESSES ATENDE. mas só tudo o que for realmente bom e útil. compre (isto é. é essencial que os cientistas ajam de acordo com um código que pode ser caracterizado como: teorize. os cientistas têm uma solução de compromisso: aceitam resultados de centros consagrados e duvidam de resultados obtidos por equipes mais periféricas. e publicar tudo o que tiver sido apurado. No século 20. se não houver pressão para publicação. E VISA BASICAMENTE À FORMAÇÃO DE PESSOAL Quando falamos em ciência. idealmente. sim. no tempo real e com objetivos bem reais (no mínimo. Compromisso? Opa. se houver muito tempo. ou siga adiante com a teoria ou jogue-a fora. ciência é o ganha-pão de muita gente e lutar para sobreviver é básico). É um mercado de argumentos. com a boa intenção de não deixar um dado obviamente mal obtido atrapalhar a compreensão de toda a teoria que quer provar. e visa basicamente à formação de pessoal. é remetido para uma comissão. patrocine.) A regulação ética desse mercado acontece na formação dos cientistas e no momento da publicação dos resultados. NA PERSPECTIVA DE UM PAÍS PERIFÉRICO. que não hesita em jogar fora um dado desviante não por má intenção mas. Na hora da publicação. incentive) pesquisa relevante naquela área. mas isso existe em ciência? Parece que sim. vai também pelo ralo aquele ideal de publicar tudo. No centro do capitalismo. que diz se pode ou não ser publicado na forma em que está. assim. CIÊNCIA É UM LUXO.

em letras pequenas. menos sujeitas à pressão por resultados convenientes que existe nos grandes centros). ou seja. há 26 anos (v. 829). Concretizando: boa parte das verbas de seu laboratório vem da indústria de cigarros. MAS REVISORES TAMBÉM. UMA SAÍDA SERIA MANTER O PROCESSO DE REVISÃO ENTRE PARES COMO ESTÁ. os revisores não têm acesso ao nome dos autores e os editores distribuem os trabalhos para avaliação por um sistema de sorteio. Você será imparcial? Como? A conseqüente ausência de imparcialidade não deve ser equacionada simplesmente com desonestidade intelectual. ou seja. 70%”. outros óleos. no mesmo ano. mas o fato é que. mas revisores também. pp. lenta. 100% puro. mas não os autores. os revisores são anônimos. os princípios e práticas sobre os quais está assentado o caráter de exceção da ciência simplesmente não têm como ser exercidos. patrocinados. Mas alguns deles (os financiados. “composição: azeite de oliva. 759-760): “O problema com a revisão entre pares é que temos boas evidências de duas deficiências e poucas de seus benefícios. depois de um asterisco. Isso. mas em uma proporção fenomenalmente baixa. Os artigos científicos correm no interior das comunidades relevantes: físicos lêem física. A explicação vinha. é claro. antes de mais nada. sujeita a desvios. 04/05/01. zoologia etc. Daí não haver nenhuma contradição entre o que dizia o rótulo e a composição do produto. Sabemos também que os artigos que emergem do processo são na maior parte das vezes muito deficientes. apoiados. A questão é se o sistema funciona. 1977.5%. lembro-me de ver uma lata de azeite barato que trazia no rótulo algo como “azeite de oliva 100%” e. medicamentos. escreveu. E não só autores. é claro. É difícil imaginar que um revisor financiado por uma dada linha de interesse não se deixe influenciar por essa fonte e faça um julgamento inteiramente isento de pré-juízos. exis- artigos publicados em 1997 em 181 revistas com revisão entre pares e só encontraram declarações sobre as ligações financeiras dos autores em 327 deles. Richard Smith. no verso. mas as evidências deles são ‘poucas’). E NÃO SÓ AUTORES. Uma saída seria manter o processo de revisão entre pares como está.S O C I O L O G I A D A C I Ê N C I A os autores não sabem quem são os revisores. mas obrigando os autores a explicitar a origem dos financiamentos de suas pesquisas. ISSO JÁ ACONTECE. Ou seja. Nas três décadas seguintes. 292. Isso também existe. acreditamos no que fazemos e tendemos a julgar de acordo com o que acreditamos e tendemos a acreditar em quem nos garante a continuidade de nossas vidas. Pesquisadores da Universidade Tufts examinaram 61 mil O mundo encantado das relações públicas Há muitos anos. embora só seja exigido dos autores. MAS OBRIGANDO OS AUTORES A EXPLICITAR A ORIGEM DOS FINANCIAMENTOS DE SUAS PESQUISAS. p. 30%. então editor do British Medical Journal. Dados independentes mostraram que. convenientemente. Na maioria das revistas. dificilmente acontece. MAS EM UMA PROPORÇÃO FENOMENALMENTE BAIXA te a questão adicional do financiamento da pesquisa. zoólogos. Sabemos que é cara. salvo em condições muito especiais (pesquisas absolutamente desligadas de interesses industriais ou comerciais ou pesquisas realizadas na periferia do sistema. as relações públicas (RP) refinaram essa técnica e a ciência não ficou de fora desses avanços. possivelmente avessa às inovações e incapaz de detectar fraudes. EMBORA SÓ SEJA EXIGIDO DOS AUTORES. aberta a abusos.” Além desses problemas reconhecidos (existem méritos. pelo menos 1/3 dos trabalhos em biologia tinham financiamentos provenientes das indústrias de biotecnologia. Isso já acontece. 315. 0. incentivados) são o que constitui o grosso das verbas destinadas a pesquisa científica e são eles que mantêm em pé o sistema unia b r i l d e 2 0 0 3 • C I Ê N C I A H O J E • 37 . A essas dificuldades de regulação que acabamos de examinar soma-se a arte das relações públicas. e os editores sempre sabem que trabalho mandar para quem. e dizia que o azeite de oliva que entrava na composição (ou seja. os 30%) era ‘realmente’ de oliva. engenharia genética e alimentos transgênicos (Science. v. Você é chamado para revisar um artigo que descreve um novo malefício causado pelo hábito de fumar.

flexibilizado estrategicamente). perdão. o dinheiro continua fluindo. Examinaram artigos do NEJM publicados em 1979 e os dividiram em dois grupos: os que receberam cobertura jornalística no . Mas pelo menos um resultado mostra que não. 32 • nº 192 O passo seguinte desse esforço de pesquisa e linguagem é colocar os resultados à disposição do público. SEJA COMO ARTIGOS DE ESPECIALISTAS. cujo endereço está muito mais disponível e a agenda tem muito mais tempo livre do que a do pesquisador universitário independente (ou dependente de outra linha de financiamento)... Mas isso. Eles aproveitaram um período de 12 semanas. poder-se-ia argumentar. 38 • CIÊNCIA HOJE • vol. E um primeiro passo de adequação é alterar a linguagem. E é assim que as opiniões vão lentamente se formando. a questão do financiamento). Só assim poderá funcionar. prontos para ser publicados seja como relatórios científicos. minam aquela imagem do cigarro como algo maléfico para a saúde. 1991). 325 (16). Mas todo esse arsenal de RP não é simplesmente aposto a produtos científicos independentes. p. artigos que expressam que fumo passivo e cân- ‘descartável’ vira ‘de uso único’. É claro que seria inconveniente mandar todo esse material como releases de imprensa. pouco a pouco. 17). O QUE CHEGA ÀS REDAÇÕES (TANTO DE JORNAIS LEIGOS COMO DE REVISTAS ACADÊMICAS) SÃO ARTIGOS CONVENIENTES. nos artigos editoriais assinados dos jornais de grande circulação. os convidados a falar estarão sempre entre os especialistas mais confiáveis. em parceria com algum departamento prestigioso de uma universidade. E como. de agosto a novembro de 1978. embora os dados para câncer sejam um pouco mais vagos. 1180-1183. Assim. E onde está o lixo? Desapareceu. que só o confundiriam). pp. o pessoal de RP já trabalha a imagem do ‘centro público de recepção de material secundário pós-consumo’. nas edições dominicais. ‘lixão’ vira ‘centro público de recepção de detritos’ e ‘lixo’ passa a ‘materiais secundários pós-consumo’. reaparecem nas propagandas. relatórios. Ele vem do trabalho do sociólogo norte-americano David Phillips e colaboradores (The New England Journal of Medicine. O método foi o seguinte. tabelas e dados que serão usados na promoção dos interesses de seus financiadores. Assim. no qual estão universidades. vol. na imaginação do leigo (aquele sujeito desinformado e a quem é inútil dar números complicados. Assim. O produto de toda essa gente é argumentação. ‘queima de lixo’ se torna ‘termotratamento de detritos’. que não chegaram às bancas. é impacto externo do trabalho científico (tirando. assim. É preciso que o resultado já venha. quando o The New York Times esteve em greve e os jornalistas fizeram edições normais. o que chega às redações (tanto de jornais leigos como de revistas acadêmicas) são artigos convenientes. Esses são os artigos que entram no mercado e servem de base para argumentação. e vale a pena examiná-lo com cuidado. os artigos que tentam desligar fumo passivo e câncer tornam-se especialmente valiosos pois. Quando o assunto ganha relevo e chega à TV. mudando os termos do discurso de forma a que o resultado possa ser distorcido como os patrocinadores quiserem (distorcido não. O fumo passivo causa doenças? Sim. enquanto uma pesquisa financiada por uma indústria de compósito de lixo. seja como artigos de especialistas. você só percebe uma lenta mudança em suas opiniões” (Rampton e Stauber. E. desde a fonte. É um mercado disputado. NAS EDIÇÕES DOMINICAIS cer não têm ligação são especialmente apoiados por grupos ligados à indústria do tabaco e estão sempre à disposição das cortes quando aparece mais um caso de fumante x indústria.S O C I O L O G I A D A C I Ê N C I A versitário norte-americano. institutos de pesquisa governamentais e institutos independentes (os think-tanks). com alguns ajustes de relações públicas. “a melhor RP termina se parecendo com notícia. nas entrevistas de especialistas dadas nos programas vespertinos de TV e. PRONTOS PARA SER PUBLICADOS SEJA COMO RELATÓRIOS CIENTÍFICOS. é claro. Ou seja. somente para registro. em formato adequado. conclui que não há problemas para a saúde em ter um lixão vizinho de casa. é problema extramuros. Você nunca sabe quando uma agência de RP está sendo eficiente. fumo e câncer é a ligação mais importante. É assim que ‘chuva ácida’ passa a ‘precipitação parcamente tamponada’.

. Os autores mantêm um site (www. O SCI congrega muitas revistas secundárias. mas a ideologia convencional. Encomendada é. viver segundo regras práticas. Tarcher/ Putnam. a pesquisa que nos contradiz. Para aquele grupo social para quem ciência é algo vagamente ligado a guerra e destruição do meio ambiente. e PINCH T. edição.. mas de relevância limitada. Para os cientistas. Pode não ser intencional. consistentemente. oposta. portanto. então. todo ano eram mais citados que os do grupo-controle (a pesquisa de citações foi feita no Scientific Citation Index. evidentemente. de separar os cobertos dos não-cobertos) revelou que a cobertura não fazia diferença nas citações posteriores. 1998. e WADE N. o que existe. distanciando-se de um ideal que não tem mesmo como ser atingido. por raciocínios tortuosos (mas não inteiramente desonestos). eles escolheriam para cobertura aqueles artigos superiores. Será que o efeito seria verificável se se restringisse a pesquisa a revistas de altíssimo impacto. com um capítulo especial dedicado à ciência]. Restava um refinamento. Deverá ser publicado em português ainda este ano. [Um dicionário de termos usados em relatórios produzidos por firmas de RP. ou seja. na maioria das vezes. mas o sujeito que pintou a pele de um ratinho ou que diz que conseguiu um novo transístor. na greve. seriam mais citados. de RP. em alterar a linguagem. aqueles 73% a mais eram efeito da cobertura jornalística. sim. ou seja. estritamente falando. tais dados sobre o funcionamento da comunidade científica (pelo menos a mais capitalizada e influente) são vistos como um desmascaramento. 1983. Não há dúvida. Assim.. Mas não foi o caso: a comparação de artigos publicados no NEJM no período da greve do Times (novamente usada a mesma metodologia.] COLLINS H. a reação é. Isso é. nada mais.. o mesmo experimento feito no período da greve deveria mostrar os mesmos resultados. como Science ou Nature? Resultado: o percentual a mais de citações subia de 73% para 93%. 2001. 1999. we´re experts.S O C I O L O G I A D A C I Ê N C I A NYT e os que não a receberam. Um comentário final Infelizmente. Não que estes não sejam fraudadores. então ganhar os jornais é importante para ganhar credibilidade científica perante e entre os próprios cientistas..” I Sugestões para leitura LUTZ W.] BROAD W. 2000. Canto. de forma a parecer menos ou mais agressivo. em usar a imprensa para avaliar idéias científicas etc.prwatch. Betrayers of the truth. Se fosse assim. assim. em selecionar amostras para ressaltar um resultado. Ou seja. a fraude é um fenômeno que ocorreu em toda a história da ciência e não é menos evidente hoje. Touchstone. Isso torna os jornalistas peer-reviewers? De certa forma. Ela lida com a fraude apenas negando-a e afirmando ser um fenômeno pouco prevalente ou significativo. Mas esmiuçar publicamente esses procedimentos poderia ter um desfecho desagradável: a perda da credibilidade. E o que ocupa na mídia (leiga e especializada) o espaço do desvio acadêmico? Os sérios problemas de financiamentos interessados. e STAUBER J.] abril de 2003 • CIÊNCIA HOJE • 39 . dados como os mostrados tendem a ser recebidos com o calor dos fãs. Doublespeak Defined. [Muitos casos de fraude e uma primeira tentativa de análise do fenômeno. RAMPTON S. de patentes. The Golem. [Um exame de como a ciência funciona em vários contextos e especialidades. que a comunidade científica se pauta pelo jornalismo diário.] LATOUR B. como prova de que algo muito errado está sendo feito com o dinheiro público somado ao poder das transnacionais. O público termina lendo obras de divulgação que evitam esses temas difíceis. Assim. SCI). em pedir financiamentos em troca de parcerias com objetivos (resultados) determinados ou superestimados. Não há fraude. de qualquer forma. Na verdade. Determinar qual o limite a partir do qual deixamos de chamar uma pesquisa de séria e passamos a chamá-la de encomendada é muito subjetivo. Não é a fraude que deve ser dispensada. Unesp. mas não deixa de ser uma espécie de fraude. Tudo o que foi dito será admitido como existente. um dos principais lastros da comunidade científica para assegurar rigor? Se aparecer em um jornal leigo pode chegar a render o dobro de citações acadêmicas. Se a citação maior se devesse apenas ao mérito dos artigos e se esse mérito fosse a causa da cobertura jornalística. [Um antropólogo examina o fazer científico. Terminando com uma citação de William Broad e Nicholas Wade: “A ideologia convencional da ciência não pode explicar satisfatoriamente o fenômeno da fraude. simplesmente. Ciência em Ação. a avaliação da produção acadêmica acaba sempre sendo tratada como instanciação técnica de um debate político interno e é eternamente postergada. Os que receberam cobertura tiveram 73% mais citações nos 10 anos seguintes. de revisão entre pares? Não. os que. a diferença deveria se manter. Isso poderia ser explicado simplesmente pelo fato de os jornalistas saberem o que tem mais impacto. [Casos e mais casos de guerras industriais travadas com artigos científicos.org) que atualiza os dados do livro. Trust us. mesmo sem cobertura (para o público). os graves problemas da revisão entre pares e da ideologia científica desaparecem da ribalta. Mas não estão sozinhos e certamente não são os maiores. E como fica. que só causariam confusão na cabeça do leigo (e contribuinte). Não é fraude. então. 2a. Harper.

pois na maioria dos casos as propostas pouco ortodoxas não dão certo.S O C I O L O G I A D A C I Ê N C I A ERROS.FRAUDES e ACERT Caio Lewenkopf Instituto de Física. 32 • nº 192 rigoroso foi desenvolvido para minimizá-las. Por outro lado. Por vezes é fácil detectar tal erro. muitos experimentos. Esses são alguns dos problemas com os quais os cientistas já aprenderam a conviver. pois ajudam a dimensionar um problema e a planejar experimentos melhores. mesmo usando todo conhecimento tecnológico disponível. é muito interessante a discussão do experimento de Ray Davis de física de neutrinos. se bem feita. seja na farmácia. Neste caso se quer extrair o máximo de informação dos instrumentos de medida. O então jovem teórico John Bahcall. Quem nunca desconfiou do bom funcionamento de uma balança. parecem inconclusivos. Concluímos que a precisão de tal medida. Esses resultados também são úteis. Como resultado. agora em Princeton. o experimento de Davis é um marco na física de neutrinos. Davis apresentou estimativas muito otimistas para seu experimento. Freqüentemente o instrumento necessário para uma medida está além do conhecimento tecnológico disponível. no supermercado ou na feira? Uma medida feita com um instrumento descalibrado ou defeituoso dá origem a um erro sistemático. explorando os limites de sua precisão. que acabaram não sendo confirmadas. Imagine que queiramos medir a altura de uma pessoa com precisão de fração de centímetro. Histórias como essa não são muito freqüentes. Ainda assim. e experimentos que não cumprem seus objetivos iniciais são financiados. deve ser de centímetros. ganhou projeção ao analisar os dados de Davis e mostrar que a teoria na qual se baseavam as estimativas iniciais era imprecisa. da ciência é o seu financiamento. Até aí nada de mais. Rapidamente notamos que qualquer pequeno movimento tanto da pessoa quanto do aparelho de medida facilmente alteram a leitura na casa dos milímetros. Propostas experimentais inovadoras e pouco ortodoxas são menos apoiadas do que propostas mais conservadoras. relatado no artigo anterior. A noção de precisão por trás desse exemplo simples aparece também em experimentos científicos de fronteira. mas em experimentos que contêm dezenas de medidas com aparelhos distintos é bem mais difícil. e menos discutido. . Tal análise permite expressar os resultados de uma experiência fornecendo seu intervalo de confiabilidade. Nesse sentido. Na proposta original. Um aspecto muito importante. Incertezas em medidas fazem parte do dia-a-dia das ciências e por isso um tratamento estatístico 40 • CIÊNCIA HOJE • vol. Por vezes estimativas otimistas sobrevivem à análise de comitês de especialistas. a análise desses ‘erros inerentes’ e inevitáveis de um experimento possibilitam aprimorar experimentos subseqüentes. Outro tipo de problema ocorre quando algo não funciona como deveria. Universidade do Estado do Rio de Janeiro A tarefa de medir ou quantificar com precisão uma grandeza da natureza nem sempre é simples. tanto do ponto de vista conceitual quanto de resultados. outras vezes instrumentos são desenvolvidos especialmente para uma experiência.

dos pesquisadores e laboratórios que investiram tempo e dinheiro investigando um resultado fictício e das revistas que o publicaram. em particular em trabalhos de colaboração. Qual a responsabilidade da pessoa que produziu as amostras para um experimento de supercondutividade a altas temperaturas onde um erro aconteceu na leitura da temperatura? Aparentemente nenhuma. onde se dá um passo para estabelecer responsabilidades. Para a tristeza de todos os cientistas. Dependendo da área de atuação.5 m/s2. Trata-se da mesma armadilha em que caiu Hendrik Schön. Ou que houve um pico de tensão na rede elétrica que modificou alguma característica de operação de um amperímetro em uma medida de precisão. envolvendo um grupo relativamente pequeno de pesquisadores. Há também a discussão mais ampla e importante sobre o que pode ser feito para melhorar o processo. Se as situações reais fossem tão simples quanto esses exemplos. A tentação para ignorar alguns dados fica grande. padrões e procedimentos.S O C I O L O G I A D A C I Ê N C I A OS Problemas são criados quando os erros ocorrem devido a procedimentos experimentais descuidados. Além do parecer de uma comissão de investigação que teve acesso às notas de laboratório. A noção é que o ensino das práticas de laboratório (com honrosas exceções) valoriza excessivamente a obtenção do resultado ‘esperado’. tocando também na forma como é ensinada a prática de POR MAIS QUE A CIÊNCIA ESTEJA RELACIONADA A UM IDEAL DE VERDADE ABSOLUTA E PERFEITA. O que podemos aprender de um episódio lamentável como esse? Há um debate óbvio sobre os prejuízos da Lucent. E o que dizer do chefe da equipe? Seu crédito no trabalho é grande. Um acerto foram os dois fóruns de debate promovidos pela Sociedade Norte-americana de Física ao final do ano passado. colaborações são formadas envolvendo dezenas e até centenas deles. É mais garantido obter uma boa nota medindo uma aceleração da gravidade igual ao valor de 9. NÃO DEVEMOS ESQUECER QUE ELA EVOLUI ATRAVÉS DO ESFORÇO DE CIENTISTAS E EQUIPAMENTOS IMPERFEITOS laboratório. ficou estabelecido que os semicondutores orgânicos descobertos pela Lucent Technology. estimulando o desrespeito com os dados experimentais. Em cada área foram desenvolvidos mecanismos de controle específicos para garantir a confiabilidade dos resultados. digamos. eram uma fraude. mas será sua responsabilidade verificar cada etapa? O outro fórum foi dedicado a outra questão mais interessante ainda: como melhorar a educação de ética profissional. I abril de 2003 • CIÊNCIA HOJE • 41 . Trata-se de uma questão nada trivial. não estaríamos escrevendo sobre o assunto. esse fato é real e fez com que fosse criada uma série de procedimentos (nem sempre padrão) para que novos resultados científicos sejam validados. da Lucent. como qualquer grupo. possuem diferentes graus de habilidade e competência. dando origem a resultados de grande impacto. Embora expresso de uma forma simplista. Talvez um pequeno esforço na formação de recursos humanos também possa ajudar bastante a boa ciência. com uma isca menor. O que acontece se misturarmos ‘erros inerentes’ com erros por descuido em pesquisa de ponta. um valor honesto e possível diante das limitações dos aparelhos e do procedimento utilizado. 10. mas seu crédito é também restrito. Ele é autor do trabalho. não confirmados por experiências subseqüentes? Inevitavelmente nos defrontamos com a pergunta: foi erro honesto ou fraude? Por mais que a ciência esteja relacionada a um ideal de verdade absoluta e perfeita. Experimentos modernos envolvendo dezenas ou centenas de operações requerem com freqüência equipes compostas por muitos pesquisadores. Imaginem que a temperatura de um laboratório aumentou. O primeiro foi dedicado a estabelecer um guia de conduta profissional para pesquisadores. alterando a taxa de uma reação química. Cientistas. não devemos esquecer que ela evolui através do esforço de cientistas e equipamentos imperfeitos. Schön.8 m/s2 (encontrado em livros-texto) do que. e ninguém notou. os grupos experimentais de Delft (Holanda) e IBM (Estados Unidos) não conseguiram reproduzir os resultados obtidos por H.