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Arthur Schopenhauer

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Arthur Schopenhauer (Danzig, 22 de fevereiro de 1788 — Frankfurt, 21 de setembro de 1860) foi um filósofo alemão do século XIX.1 Seu pensamento sobre o amor é caracterizado por não se encaixar em nenhum dos grandes sistemas de sua época. Sua obra principal é "O mundo como vontade e representação" (1819), embora o seu livro "Parerga e Paralipomena" (1851) seja o mais conhecido. Schopenhauer foi o filósofo que introduziu o budismo e o pensamento indiano na metafísica alemã.1 A influência oriental em sua filosofia o fez aceitar o ateísmo.2 Ficou vulgarmente conhecido por seu pessimismo e entendia o budismo (e a essência da mensagem cristã, bem como o essencial da maior parte das culturas religiosas de todos os povos em todos os tempos) como uma confirmação dessa visão realista-pessimista. Schopenhauer também combateu fortemente a filosofia hegeliana e influenciou fortemente o pensamento de Eduard von Hartmann e Friedrich Nietzsche. Schopenhauer acreditava no amor como meta na vida, mas não acreditava que ele tinha a ver com a felicidade.1

Arthur Schopenhauer

Nascimento

22 de fevereiro de 1788 Danzig Reino da Prússia 21 de setembro de 1860 (72 anos) Frankfurt, Grão-Ducado de Hesse filósofo, professor universitário Influências
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Morte Ocupação Influências Influenciados

Índice
1 Ideias 2 Principais obras 3 Contexto filosófico e cultural 3.1 Pensamentos políticos e sociais 3.1.1 Pensamentos sobre as mulheres 3.1.2 Conceito de Representação e sua relação com a Vontade 4 Cronologia 5 Schopenhauer como personagem literário 6 Referências 7 Ver também 8 Ligações externas

Influenciados

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Magnum opus O mundo como vontade e representação Escola/tradição Idealismo alemão, kantismo Principais interesses filosofia, gnosiologia, lógica, retórica, antropologia, psicologia, ética, direitos dos animais, estética, metafísica, sabedoria religiosa, eudaimonia, política, linguagem e educação vontade como essência radical do mundo, antropologia do egoísmo, pessimismo realista prático, teoria da loucura, vida estética enquanto forma de libertação do egoísmo pela via da arte e/ou do nirvana, teoria da genialidade, moral compassiva, determinismo crítico, direito moral, direitos dos animais, teoria da natureza meramente abstrata-representativa da razão

Ideias notáveis

Ideias

de seus liames. a vontade. pela qual um indivíduo deseja. indiretamente o agente termina por fruir a dita felicidade entendida em termos de anulação do egoísmo. poder-se-ia dizer. figurando como fundamento de todo e qualquer movimento (muito embora Schopenhauer trabalhar com o conceito de vontade metaforicamente. tendendo a encobrir. nos apresenta um grau de "objetidade" da vontade. pelo menos nos aproximar da pura Vontade em seus movimentos próprios. Uma outra possibilidade de escape. assim. se desdobra desde o inorgânico até o homem. A consciência humana seria uma mera superfície. constituído a partir de espaço. radical e íntima do mundo. para Schopenhauer. analogicamente. no sentido de que. O impulso do desejo não se dá de forma consciente: ele. a música. e assim. por outro. na medida em que é a experiência mais imediata. A compreensão da vontade faz aparecer todos os entes desde seu caráter único. por sua vez. ao conferir causalidade a seus atos e ao próprio mundo. conquanto indireta. pelo menos no âmbito da moralidade. há alguns caminhos (estéticos) que possibilitam ao homem escapar da vontade. Segundo Schopenhauer. "o postulado da uniformidade da natureza em dimensão não fenomênica". "uma via para a felicidade pessoal": apenas que. a irracionalidade inerente à vontade. a vontade como que corresponde à coisa-em-si. a realidade não fenomênica. como que o substrato último de toda realidade minimamente experienciável (e minimamente experienciável porque. constantemente. A conduta humana deve voltar-se para a superação do egoísmo. esta mesma vontade presente em todos os seres. esta. para Schopenhauer. a saber. provém da ilusão de individuação. A primeira via é a da arte. rigorosamente falando. o homem se experiencia como um ser movido por aspirações e paixões. é capaz de. mas sim. suposta analogicamente. o princípio ontológico basilar dessa concepção schopenhaueriana. a música é. a própria vontade encarnada. Contudo. momentaneamente. o objeto. trazendo a vontade para diante de nós. deste modo. provocando a dor de ser algo que jamais consegue completar-se.1 Esta conta com dois polos inseparáveis: por um lado. por ser independente de toda imagem externa. Esta noção leva Schopenhauer a postular que o mundo não é mais que representação. no primário e essencialmente (tal qual a arte e a ascese). a felicidade própria (seja a de base egoísta ordinária. Daí a nota pessimista consequente no pensamento de Schopenhauer: o prazer consiste apenas na supressão momentânea da dor. uma vez que lança os entes em uma cadeia perpétua de aspirações sem fim. a um sentimento de compaixão e a uma prática de justiça e caridade . é apontada através da moral. praticando-a. profunda. sem a qual este não existiria. Sendo deste modo compreendida. o filósofo percebe. em especial de sua concepção de fenômeno. não possui status metafísico no sentido clássico de algo situado além e fora da experiência.Assinatura O pensamento de Schopenhauer parte de uma interpretação de alguns pressupostos da filosofia kantiana. uma vez que este afirma a impossibilidade de a consciência alcançar a coisa-em-si. Portanto.o que não significa que. da dor que ela acarreta. significa dizer que. Mas a arte representa apenas um paliativo para o sofrimento humano. nos demais corpos/objetos). Estas constituem a unidade da vontade. De se ver. consegue nos livrar. Partindo da arquitetura como seu grau inferior. Tal contemplação. isto é. sendo. o que leva. a causa de todo sofrimento. a moralidade seja. de certa forma. ao mostrar a resistência e as forças intrínsecas presentes na matéria. Voltando o olhar para a natureza. é a única e verdadeira realidade. uma espécie de status "introfísico". Schopenhauer rompe com Kant. compreendida como o princípio norteador da vida humana. o fenômeno da vontade é o que mais se aproxima e melhor representa a natureza da coisa-em-si). pois. necessariamente. o último patamar desta contemplação reside na experiência musical. primeiramente sendo percebida de forma direta por nós em nós mesmos compreendidos como "complexo intelecto-corporal" e. igualmente. se não nos apresentar. a consciência íntima e subjetiva acerca do mundo. tempo e o princípio de causalidade. ela constitui. dentre todos os fenômenos. suplantar os outros. ao contrário. seja a de . que deseja sua preservação. aos olhos de Schopenhauer. ao tomar consciência de si em nível radical. Contudo. isto é. ao nos lançar em uma pura contemplação de ideias. muito basicamente. depois. Schopenhauer traça uma hierarquia presente nas manifestações artísticas na qual cada modalidade artística. este. indiretamente.

atestada pelo próprio estilo de vida do filósofo. donde o esteticismo schopenhaueriano. porquanto a vontade é insaciável. mediante a prática moral. Schopenhauer foi um homem saudável durante praticamente toda a sua vida. seja ele. sensibilidade estética refinada e razoável disposição moral. diga-se de passagem. Uma outra via para a felicidade sustentável ainda é possível entrever na obra de Schopenhauer e merece crédito por haver sido. somente uma outra via que não a da satisfação pode nos levar a uma felicidade menos frustrante. particularmente no budismo. como algum tipo de nível ou momento da experiência moral (já que o valor moral das ações. A via constatada por Schopenhauer. Há quem diga que a ausência expressa dessa modalidade na tela das ideias de Schopenhauer pode ter tido. é a oposta. Contudo. embora este lograr afastar. dado que limita-se a assistir à vida. ou seja. no desinteresse pessoal em prol do interesse alheio. relativamente rico.sem prejuízo da valorização da prudência para com os negócios práticos do dia a dia. da moral (contemplação da igualdade fundamental que subjaz a tudo e. a da negação da vontade. do bem-estar e dos prazeres saudáveis ligados ao corpo. por motivação. no não se preocupar. Com efeito. teorético e ético . Diferentemente. a suprema felicidade somente pode ser conseguida pela anulação da vontade (isto é. a crer em seus biógrafos. justamente. por mais que Schopenhauer não tenha colocado a questão nesses termos. a julgar pela aparência. o homem alcança a única felicidade real e estável. a experiência do nirvana constitui a aniquilação desta vontade última. pois todo conhecimento que não tem por finalidade atender às demandas do egoísmo faz-se contemplativo. o ascetismo (do modo como ele o concebe) está mais para um tipo de "eudaimonismo espiritual" do que para um "grau da vida moral". intelectualizando-se e espiritualizando-se). como as de caráter estético. o que o coloca bem próximo. por continuar sendo um ideal comprometido com a busca da "felicidade". nos quadros da filosofia schopenhaueriana. a consciência do respeito pelo outro por sabê-lo um igual) ou da ascese (abstenção completa da vontade material de vida. uma vez que o ascetismo relacionado ao escopo da felicidade não pode ser visto. está. com a felicidade própria. Assente isso. talvez. consequentemente. pela ascese). mesmo que por curto período de tempo. Finalmente.base contemplativa) não é a razão de ser ou o motivo premente e imediato da ação do agente. Trata-se da via da "perfeição" ou da "vida integral" (a qual. De fato. faz-se compreensível a brincadeira de Alain de Botton (a propósito de uma série de tevê realizada por ele sobre o tema do amor do modo como pensado por Schopenhauer) a respeito de ter sido o filósofo (comumente tido por pessimista). o sofrimento ligado ao querer egoísta. certa convicção arraigada do filósofo quanto à raridade do tipo aspirante à perfeição. mas com a felicidade do outro) e sim como o caminho mais seguro para quem pretende ter e gozar uma felicidade não tão instável como aquela radicada na satisfação dos desejos e das necessidades. se assim é. uma novidade introduzida por Schopenhauer). A felicidade pela via da satisfação é (para o indivíduo consciente que pensa e diagnostica sua condição existencial) insustentável. do arquétipo do homem saudável e economicamente independente . dotado de extraordinária inteligência (tanto teorética quanto prática). voltada ao trabalho e ao aperfeiçoamento das potencialidades humanas mais nobres. tampouco em termos de "momento" (satisfação). não sendo. para Schopenhauer. nesta. remonta à Antiguidade. vale dizer. seja do ponto de vista da arte (criação e/ou contemplação do belo). a felicidade não é vista em termos de "estado" de quietude (nirvana). Tal anulação é encontrada por Schopenhauer no misticismo hindu. traduzida em termos de conhecimento liberto dos grilhões da vontade egoísta. a qual poderia ser vista como uma espécie de meio-termo entre a via da afirmação alienada da vida e a da negação desesperada). a felicidade de tipo contemplativa ou a bem-aventurança. portanto um conhecimento não mais a serviço da vontade. o homem mais feliz do mundo. pois. ao trabalho de teorizar e tampouco prescrever a via em questão (inobstante o testemunho de sua vida pessoal a favor dessa tese. Numa palavra. não se dando o filósofo. naturalmente. Somente neste estado. reveste-se de suma importância frisar o objeto dessa via ascética. na satisfação da vontade material. o desejo de viver. Portanto. da "bem-aventurança". ao menos em linha de princípio. pois. portanto. toma-se a bemaventurança em termos de "atividade".

não na natureza do "querer". que o marcou profundamente. comerciante da cidade de Danzig. a França. 12. 2. abandonar para sempre os estudos comerciais e voltar-se para uma carreira universitária. esteta e político-moral de outro (o da existência. entre os quais destacam-se: Eduard von Hartmann. 5. 16. 6. A morte do pai (presumivelmente cometeu suicídio) permitiu-lhe. bem como na ignorância quanto à maneira peculiar e complexa do princípio da causalidade próprio à espécie humana. para Schopenhauer. Simmel. onde teve contato com os condenados às galés. diga-se que. visitou o arsenal de Toulon. Nietzsche. foi redigir uma série de considerações melancólicas e pessimistas sobre a miséria da condição humana. 14. Em abril de 1804. induziu-o a empreender uma série de viagens importantes para um futuro comerciante. máxime no campo da ética (moral e direito). isto é. o que remeteria à perspectiva da perfeição ou da integralidade a aristotélica e epicuristatardia. repousando a ilusão da liberdade no fato da natureza fluida do "conhecimento (conjunto de representações)". a Holanda.3 Em 1805. Ele registrou em seu diário suas impressões sobre essa visita. Thomas Mann. na Prússia (atualmente Gdansk. 3. Por isso. De maneira bastante sucinta. A filosofia de Schopenhauer influenciou marcadamente vários pensadores. quando contava apenas doze anos de idade. em 1800. como era . a Inglaterra. digno) de um lado (o da sobrevivência) e teorético. 15. Principais obras 1. ainda. 4. a família nunca se preocupou muito com sua educação intelectual e. 7. 8. a Suíça. Mas seu interesse não foi despertado por aquilo que seu pai mais desejava: o que fez de mais importante. Schopenhauer percorreu a Alemanha. 11. 17. durante essas viagens. Hartmann. contudo. da cultura). a Silésia e a Áustria. 13. na Polônia). Bergson e Freud. o valor das meditações críticas de Schopenhauer sobre a problemática da liberdade e da necessidade. 9.(ou seja. 18. a família fixou-se em Hamburgo e o obrigou a cursar uma escola comercial. não há falar em liberdade (no sentido de livre-arbítrio). As Dores do Mundo Sobre a Raiz Quádrupla do Princípio da Razão Suficiente (1813) Sobre a Visão e as Cores (1815) O Mundo como Vontade e Representação (1819) Sobre a Vontade da Natureza (1836) Os Dois Problemas Fundamentais da Ética (1841) Parerga e Paralipomena (1851) Metafísica do Amor/Metafísica da Morte A Arte de se Fazer Respeitar A Arte de Insultar Sobre o Ofício do Escritor A Arte de Ter Razão ou Como Vencer um Debate sem Precisar ter Razão A Arte de Ser Feliz A Arte de Lidar com as Mulheres Aforismos para a Sabedoria de Vida Sobre a Vida Universitária Sobre o Fundamento da Moral O Livre Arbítrio (Pela Academia Real) Contexto filosófico e cultural Filho de Heinrich Floris Schopenhauer. o filósofo Arthur Schopenhauer estava destinado a seguir a profissão de seu pai. Acentua-se. 10. por ser o homem tão determinado como todos os demais seres.

concluiu sua principal obra. Durante os anos de 1818 e 1819. ingressando no Liceu de Weimar em 1807. sobretudo. Sua revolta dizia respeito menos à quantia desembolsada do que àquilo que sentia como injustiça cometida pelas autoridades. Schopenhauer passou a dedicar-se aos estudos humanísticos. Caricatura de Arthur Schopenhauer. Admitido em 1820. atirou-a escada abaixo. Assim. encarregou-se de um curso intitulado A Filosofia Inteira. em sua grande maioria. Certa noite. acusado por Schopenhauer de ter deliberadamente caricaturado a filosofia de Kant (1724-1804). onde começou a obter progressivo sucesso como novelista e passou a freqüentar os círculos mundanos que Schopenhauer detestava e se esforçava por ridicularizar ao máximo. Schopenhauer afirmava ser incerto o futuro de sua mãe como romancista e que ela somente seria lembrada no futuro pelo fato de ser sua progenitora. tentando “envolver o povo alemão com a neblina filosófica”. assistiu aos cursos dos filósofos Schleiermacher (1768-1834) e Fichte (1762-1814). Nessa época.seu desejo. mas a tentativa redundou em fracasso completo: apenas quatro ouvintes assistiam a suas aulas. renunciou à universidade. As relações entre os dois deterioraram-se a ponto de Johanna declarar publicamente que a tese de seu filho não passava de um tratado de farmácia. Schopenhauer escreveu Sobre a Visão e as Cores. que na época era um dos mais reputados professores da Universidade de Berlim. Como resultado. mas. que reconhecia seu gênio filosófico e sugeriu-lhe que trabalhasse numa teoria antinewtoniana da visão. onde adquiriu vastos conhecimentos científicos. Além disso. Ao fim de um semestre. Schopenhauer freqüentou durante algum tempo o salão de sua mãe. foi processado e acabou sendo condenado a pagar trezentos thalers de despesas médicas. dois anos depois. A partir dessa sugestão. recebidas por Schopenhauer em seus aposentos. mais tarde. Tentando competir com Hegel. ficava obrigado a pagar sessenta thalers anuais. viria causar-lhe periódica crise de depressão psicológica. cujos principais locatários. Em 1819. a Hegel (1770-1831). Em 1813. sua mãe. Essas pensionistas tinham o desagradável hábito de espionar a chegada de supostas amantes. uma vez por ano. valendo-se de seu título de doutor e passando por uma prova que consistia numa conferência. Johanna Schopenhauer. envolveu-se em um acidente que teve desagradáveis conseqüências econômicas e. ou O Ensino do Mundo e do Espírito Humano. Apesar dessas brigas. em contrapartida. estabeleceu-se em Weimar. Durante todo esse tempo. Este último seria. Em 1821. Ali tornou-se amigo de Goethe (1749-1832). publicado em 1816. quatro anos depois. Schopenhauer escolheu o mesmo horário utilizado pelo rival. na Universidade de Berlim. O título do curso devia-se. eram senhoritas de idade avançada. Solicitou então um posto de monitor na Universidade de Berlim. todas as vezes que era obrigado a pagar a pensão. Schopenhauer passou uma temporada na Itália: ao voltar. Em 1811. Schopenhauer entrava em depressão nervosa. quando uma costureira chamada Caroline-Louise Marquet dedicava-se a esse mister. Nessa época. provavelmente. sua situação econômica não era das melhores. Schopenhauer doutourou-se pela Universidade de Berlim com a tese Sobre a Quádrupla Raiz do Princípio de Razão Suficiente. A crítica também não foi favorável à obra. até a morte de Caroline. encontrava-se na faculdade de medicina de Göttingen. perdendo a paciência. Schopenhauer rompeu definitivamente com a família e. haviam sido vendidos apenas cerca de 100 exemplares. que somente veio a falecer vinte anos depois. o filósofo residia numa pensão. por Wilhelm Busch . o livro foi publicado. O Mundo como Vontade e Representação. Em 1814. um ano e meio após. Schopenhauer.

então. no entanto: "as mulheres são decididamente mais sóbrias nos seus julgamentos que os [homens] são" e são mais simpáticas aos sofrimentos alheios. acompanhado por seu cão. embora fosse o único concorrente. o livro não foi premiado. Sua predileção por animais era filosoficamente justificada. somente contrabalançada pela crítica elogiosa a seu O Mundo como Vontade e Representação. a vontade não é dissimulada pela máscara do pensamento. Na França. estilo e metafísica. a notoriedade do autor espalhou-se pela Alemanha e depois pela Europa. texto completo). de Friedrich Nietzsche às feministas do século XIX. Na Alemanha. levou uma vida solitária. Ele argumentou que "está na natureza da mulher obedecer" e se opôs ao poema em honra das mulheres de Friedrich Schiller. a filosofia de Hegel entrou em declínio e Schopenhauer surgiu como ídolo das novas gerações. redigindo e publicando diversos livros. O segundo. Em 1833. Intitulava-se Parerga e Paralipomena e continha pequenos ensaios sobre os mais diversos temas: política. em 1858. muitos filósofos e escritores viajaram até Frankfurt para visitá-lo. O primeiro. Três anos depois.5 A análise biológica de Schopenhauer da diferença entre os sexos. O ensaio oferece dois elogios. escrito para concorrer a um concurso da Academia de Ciências de Trondheim (Noruega). os dois ensaios seriam reunidos sob o título de Os Dois Problemas Fundamentais da Ética e publicados em 1841. entre os cães. Dois anos depois. Schopenhauer empreendeu freqüentes viagens. logo depois de ser publicada em 1851. Foi mais uma tentativa fracassada. a 21 de setembro de 1860. que provocaram escândalo. faleceu. adoeceu por diversas vezes e tentou uma segunda experiência como professor da Universidade de Berlim. moral. filosofia.Entre 1826 e 1833. que deveria completar o segundo livro de O Mundo como Vontade e Representação. 72 anos de idade. intitula-se Sobre a Liberdade da Vontade. publicada no periódico Kleine Bücherschau. As escritas controversas de Schopenhauer influenciaram várias pessoas. "Über die Weiber". vítima de pneumonia. Dedicado exclusivamente à reflexão filosófica. veio a lume o ensaio Sobre a Vontade na Natureza. Posteriormente. Na mesma época. A Universidade de Breslau dedicou cursos à análise de sua obra e a Academia Real de Ciências de Berlim propôs-lhe o título de membro. segundo Schopenhauer. e seus papéis separados na luta pela sobrevivência e reprodução. Arthur Schopenhauer. surgiu a segunda edição de O Mundo como Vontade e Representação. O mesmo não ocorreu com a última obra escrita e publicada por Schopenhauer. Schopenhauer trabalhou intensamente em Frankfurt. os últimos anos da vida de Schopenhauer proporcionaram-lhe um reconhecimento que ele sempre buscou. não teve sucesso. O Fundamento da Moral. Assim. contrariamente ao que ocorre entre os homens.[carece de fontes?] . o filósofo resolveu fixar-se em Frankfurt. A partir daí. A obra alcançou inesperado sucesso. ele expressou sua oposição ao que chamou de "estupidez germano-cristã" sobre questões femininas. entre outros. antecipam alguns argumentos que foram posteriormente ventilados por sociobiologistas e psicólogos evolucionários no século 20. enriquecida com alguns suplementos. literatura. onde permanecera até sua morte em 1860. concorreu ao concurso da Academia de Copenhague e continha verdadeiros insultos a Hegel e a Fichte. Apesar disso. publicado na Inglaterra. Um artigo de Oxford. depois de muitas hesitações. que Nietzsche (1844 – 1900) chamaria "o cavaleiro solitário". deu início à grande difusão de sua filosofia. Contava. "Dignidade das Mulheres" ("Dignity of Women"). Durante os vinte e sete anos que passou na cidade. Pensamentos políticos e sociais Pensamentos sobre as mulheres No "Ensaio de Schopenhauer acerca das mulheres" de 18514 ("Of Women". redigiu também dois ensaios sobre moral. Artigos críticos surgiram em grande quantidade nos principais periódicos da época. Em 1836. que ele recusou.

Tempo e Causalidade. um ser autônomo. então. ou animal. Eu acredito que. . Cronologia 1788 . daí Schopenhauer dizer que a essência do mundo é "irracional" pois não segue o princípio de Razão. 1790 . na obra de Schopenhauer. devido à limitação dos sentidos. Portanto. se uma mulher obter êxito em se retirar da coletividade. em luta com outras vontades. reconhecer-se como Vontade e notar que sua vida é apenas uma sequencia de fenômenos representados que nada tem a ver com a essência do Ser. Logo. e sofre os processos descritos na definição de representação citada acima. A representação é uma tradução que nossos sentidos fazem a partir de informações advindas do "mundo exterior". é a atividade fisiológica que ocorre no cérebro de um animal (que pode ser um humano ou outro animal) ao fim da qual temos a formulação de uma imagem percebida pelo sujeito. leva dentro de si a chave que lhe permite ver a unidade dos fenômenos. os nossos sentidos recebem comprimentos de ondas do mundo exterior (input). e então nosso cérebro (entendimento) trabalha para traduzi-las em cores. Quando a Vontade passa pelos sentidos. na filosofia schopenhauriana. o ser humano não percebe esse processo. 1789 . ele teria dito à amiga de Richard Wagner. O mesmo ocorrendo com sons. individualizado e independente do mundo.Revolução Francesa George Washington é o primeiro presidente dos Estados Unidos. seus pensamentos e sentimentos também são Vontade objetivada. Porém. Isto de certa forma diminuí um pouco o famoso "pessimismo" de Schopenhauer. Kant: Crítica da razão prática. torna-se o mundo que vemos em nossa volta. não deixará de progredir até mais do que um homem. A Vontade. pois ele abre a oportunidade de cada ser libertar-se das amarras da Representação. é uma vontade particular. O espaço e o tempo são como "óculos do entendimento" através da qual percebemos o mundo. Representação. independente. Malwida von Meysenbug: "Eu ainda não fiz meu último pronunciamento sobre as mulheres.Os Schopenhauer se mudam para Hamburgo."6 Conceito de Representação e sua relação com a Vontade O ponto de partida para a compreensão da filosofia de Schopenhauer é o conceito de Representação. uma luta incessante que culmina sempre em sofrimento.. pois o próprio sujeito.Após o já idoso Schopenhauer ter posado para uma escultura de Elisabet Ney. o ser humano deve contemplar a si mesmo. quando então ela pode contemplar a si mesma como representação. Entretanto. A essência da realidade (Vontade) é o próprio cerne do sujeito. num ser humano ou numa pedra. tal construção não se dá de forma aleatória e desordenada. pois ele acredita ser. 1793 . o cérebro traduz ondas sonoras em sons). Há a mesma Vontade em um leão. pode ver a si mesma como num espelho. está além do espaço e tempo e não é regida por causalidade. Para isto.Nascimento de Schopenhauer em Dantzig. tato etc (no caso do som. formas etc. seu corpo. Para superar o sofrimento é necessário o reconhecimento de que há somente uma Vontade. tema recorrente na filosofia de Schopenhauer. é criada a ilusão de que cada ser humano. o ser humano.(output). A Vontade atinge seu mais alto grau da consciência humana. no dia 22 de fevereiro. ou preferir se desenvolver além dela.Kant: Crítica da faculdade de julgar. que não são vermelhas ou verdes em si. Já o mundo "fora de nossas representações cognitivas" ou "mundo exterior" seria a Vontade.. portanto. o mundo que percebemos é uma construção mental. não há distinção entre Sujeito (ser que percebe) e objeto (Vontade representada). livre e essência do Universo. ela tem como a priori três fatores do entendimento: Espaço. Como a Vontade é destituída do princípio de Razão.

Alemanha 1811 .Fichte: Fundamentos da doutrina da ciência em seu conjunto.A dissertação "Sobre o fundamento da moral" não recebe prêmio da Sociedade Real Dinamarquesa de Ciências de Copenhague. 1831 .Schopenhauer começa a lecionar em Berlim com o título de privat-dozent . Local onde Schopenhauer foi enterrado em Frankfurt. 1836 . segunda edição acompanhada de Suplementos.Schopenhauer: Da quádrupla raiz do princípio da razão suficiente (tese de doutorado). 1843 . 1800 .Hegel na universidade de Berlim. O Congresso de Viena reorganiza a Europa sob o signo da Santa Aliança. 1825 . 1813 . 1830 .Schopenhauer estabelece-se em Frankfurt.Derrota de Napoleão em Waterloo. Marx e Engels: A sagrada família ou Crítica da crítica crítica contra Bruno Bauer e sócios.Schopenhauer rompe relações com a mãe e muda-se para Dresden. onde estuda filosofia. Feuerbach: A essência do cristianismo. onde lecionará até a sua morte. 1844 .Destinado por seu pai ao comércio.Schopenhauer recebe um prêmio da Sociedade Norueguesa de Ciências de Drontheim por uma dissertação sobre "A liberdade da vontade". França. 1808 . Isso lhe rende um Diário de viagem e um excelente conhecimento do francês e do inglês.Hegel: A Fenomenologia do Espírito.Kierkegaard: Temor e tremor.Schopenhauer: O mundo como vontade e representação. Schopenhauer renuncia à docência e passa a viver daí em diante com a herança paterna.Schopenhauer: Da vontade na natureza. renuncia à carreira comercial para dedicar-se aos estudos nos liceus de Gota e de Weimar. Nascimento de Kierkegaard. 1816 . 1807 . Napoleão é rei da Itália. 1820 . Suíça. . Goethe: As afinidades eletivas e Fausto (primeira parte).Hegel: Enciclopédia das ciências filosóficas (edição definitiva).Morre Goethe. este permanece em Hamburgo.Morre Hegel.Suicida-se o pai de Schopenhauer. 1833 .Fichte: Discurso à nação alemã. Napoleão é imperador pela Europa. 1840 . 1815 . Napoleão abdica e se retira para a ilha de Elba. 1841 . onde residirá até sua morte. Beethoven compõe a Heróica. Países Baixos.Schopenhauer: Da visão e das cores. 1839 . 1814 . Schopenhauer realiza uma série de viagens pela Europa ocidental: Áustria. 1800-1805 . e sua mãe muda-se para Weimar. Stirner: O único e sua propriedade. Morre Fichte. 1818 . Novo fracasso. 1805 .Schopenhauer publica suas duas dissertações de concurso sob o título de Os dois problemas fundamentais da ética. 1819 . Inglaterra.Schelling: Sistema do idealismo transcendental.Nova tentativa na universidade de Berlim.1794 . 1832 .Ingresso de Schopenhauer na Universidade de Berlim.Schopenhauer: O mundo como vontade e representação. Fracassa.

.0).com.Comte: Discurso sobre o espírito positivo. Este texto é disponibilizado nos termos da licença Atribuição-Partilha nos Mesmos Termos 3. 2. ↑ Feminism and the Limits of Equality PA Cain . 2009.. L. Trad. Página 348. Capítulo 24. Obtida de "http://pt. São Paulo: Unesp. ↑ a b c d Arthur Schopenhauer (http://educacao. 128-129 p. Nascimento de Nietzsche. Uma declaração mais precisa pode ser para um alemão . ↑ Safranski (1990). 2005.br/books? id=tVTHZt0guKIC&lpg=PP1&hl=pt-BR&pg=PP1#v=onepage&q&f=false). MÜLLER. 1989 6. . 1851 .php?title=Arthur_Schopenhauer&oldid=38437642" Categorias: Nascidos em 1788 Mortos em 1860 Arthur Schopenhauer Ateus da Alemanha Filósofos da Alemanha Filósofos ateus Filósofos do século XIX Idealistas Metafísicos Esta página foi modificada pela última vez à(s) 16h23min de 18 de março de 2014.Schopenhauer morre em 21 de setembro Schopenhauer como personagem literário A Cura de Schopenhauer Referências 1. Princípio de compaixão e cuidado. W. L. 1859 .jhtm) (em português). Jair Barboza.Schopenhauer: Parerga e Paralipomena. Gwinner etc.com/c_ansata/wom.wikipedia. 1848 . ISBN 8571395861 (Google livros).ao invés de escritores franceses ou britânicos daquela época .Kiergaard: O conceito da angústia.Ga.Educação.uol. Êxito e primeiros discípulos.google. página 824.Marx e Engels: Manifesto do Partido Comunista. 3. pode estar sujeito a condições adicionais. Página visitada em 21 de setembro de 2012.br/biografias/arthur-schopenhauer.html). 1846 . Capítulo: V.0 não Adaptada (CC BY-SA 3. Revolução na França e na Alemanha. Ver também Esther Vilar Ligações externas O Mundo como Vontade e Representação (http://books.Nasce Freud. Volume 2" (2009). A cena primordial da compaixão: In: BOFF. Arquivado do original (http://geocities. Petrópolis: Vozes. Frauenstädt.Schopenhauer era um honesto e assumido ateu.html) em 27 de Outubro de 2009. ↑ "Encyclopedia of Psychology and Religion. Rev. Rüdiger. 1860 . 4 ed. ↑ ? (http://web. [ligação inativa] 5. ISBN 978-85-326-2414-7 4.Darwin: A origem das espécies. UOL .archive. Consulte as condições de uso .com/c_ansata/wom.com. 1856 . ↑ SAFRANSKI.org/web/20091027102704/http://geocities. Sua correspondência confirma que Schopenhauer desejou e apoiou a repressão em Frankfurt. publicado pela Springer.org/w/index.

.para mais detalhes.