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Encontros e conversas – pela cultura da paz e superação da violência doméstica

CARTILHA DE ESTUDOS E CELEBRAÇÕES
As Igrejas dizem NÃO à violência contra a mulher

2007
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© IECLB – Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil Rua Senhor dos Passos, 202 – 40 andar Caixa Postal 2876 90001-970 Porto Alegre/RS Tel.: (51) 3221-3433 Fax: (51) 3225-7244 secretariageral@ieclb.org.br presidencia@ieclb.org.br www.luteranos.com.br

Organização: Elaine Gleci Neuenfeldt Revisão: Susanne Buchweitz, Carlos Gilberto Bock e Elaine Gleci Neuenfeldt Foto da capa: Susanne Buchweitz Arte-finalização: Jair de Oliveira Carlos Impressão: Con-Texto Gráfica e Editora

ISBN: 978-85-7733-028-7

Rua João Batista de Freitas, 558 Cx. Postal 1051 – Bairro Scharlau Fone/Fax: (51) 3568-3225 93121-970 São Leopoldo/RS contexto@cebi.org.br

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Sumário
Apresentação ...................................................................................... 4 Motivação e engajamento ................................................................... 7 25 de novembro: Dia Internacional de Combate à Violência contra contra as Mulheres ............................................................................. 9 Amor além das barreiras .................................................................... 12 Uma realidade a ser transformada ..................................................... 16 Liturgia de acolhimento e auxílio ...................................................... 21 Paz, é possível!? .................................................................................. 26 Família e Violência Doméstica ........................................................... 34 Encontros e conversas que dizem NÃO à Violência contra as mulheres . 37 Celebração: Vencendo a Violência: falar e não mais silenciar ............ 41

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Apresentação
Walter Altmann
Pastor Presidente da IECLB

No plano de ofertas da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) há a previsão de uma oferta nacional para o “trabalho com mulheres e coordenação de gênero”. O termo gênero, mesmo que já seja usado de forma relativamente ampla, em diferentes setores da sociedade, ainda não é conhecido de uma forma mais geral, também na IECLB, e muitas vezes tem sido alvo de interpretações distorcidas. Qual é, então, o significado de gênero? O dicionário Houaiss traz a seguinte definição: “conceito geral que engloba todas as propriedades comuns que caracterizam um dado grupo ou classe de seres ou de objetos”. E complementa: “conjunto de seres ou objetos que possuem a mesma origem ou que se acham ligados pela similitude de uma ou mais particularidades”. Em geral, quando usamos o conceito gênero, o fazemos para designar o que caracteriza as mulheres e os homens nas suas diferenças, mas também a forma como mulheres e homens desenvolvem suas relações entre si. A novidade desse conceito está na compreensão de que os atributos masculinos e femininos não são definidos somente pela biologia (nossa herança genética), mas são também moldados e construídos historicamente, nos diferentes contextos sócio-culturais. Dito de outra forma, o que define o ser homem e o ser mulher não são apenas as suas características sexuais, mas uma gama de informações que recebemos desde o nascimento, e que nos informam sobre as atitudes que se esperam de nós enquanto representantes do sexo masculino e do sexo feminino. A esse conjunto de valores e de informações biológicas, culturais e religiosas que ajudam a conformar a nossa identidade, seja feminina ou masculina, designamos de gênero. Esses valores, por sua vez, são reproduzidos ou moldados através da educação que recebemos na família, na escola, na igreja e através dos meios de comunicação. Gênero é, assim, um importante elemento constitutivo de nossas relações sociais. Na medida em que as sociedades vão se transformando historicamente,

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na nossa sociedade. Do ponto de vista de gênero. em muitos casos. que coíbe a violência doméstica e familiar contra a mulher. A incidência da violência doméstica é ainda altamente preocupante na nossa sociedade. portanto. Em 2006. com este atual cenário das relações de gênero. Entre os aspectos favoráveis deste atual cenário há que se mencionar a possibilidade de se desenvolverem relações de maior autonomia e de maior reciprocidade entre homens e mulheres. são as significativas transformações nas relações interpessoais entre homens e mulheres. ela denuncia o agressor só depois da décima agressão. não por último. Como comunidade cristã nos deparamos. Outra tendência significativa que podemos constatar na cultura atual. sexual ou mesmo religiosa. 11340. com a promulgação da Lei Maria da Penha (Lei nº. As estatísticas e os registros disponíveis revelam que 70% das práticas de violência acontecem dentro de casa. Contudo. as mulheres são discriminadas socialmente. trata-se de uma realidade ainda restrita a uma parcela da população. psicológica. e enfrentam maiores dificuldades para o pleno desenvolvimento de suas capacidades. as mulheres são as maiores vítimas de agressões. Essas transformações se refletem. são igualmente impedidos de desenvolver sua existência de forma mais plena. Na maior parte das vezes. A promulgação da nova lei é um forte incentivo a que as mulheres rompam o silêncio. que podem se expressar de forma física. tapas. as omissões e 5 . Entretanto. A cada quatro minutos. que é o maior aliado da violência e da impunidade. uma mulher sofre violência e. nas relações conjugais e nos atuais modelos de famílias. nossa cultura atual fomenta e possibilita uma maior igualdade de direitos entre mulheres e homens. Mas também os homens. na medida em que ficam reféns de um modelo machista. de 07/08/2006). mas que também nos alerta para os riscos. sendo agressor o próprio marido ou companheiro. Mais de 40% destas ações violentas resultam em lesões corporais graves decorrentes de socos. entre os aspectos negativos há que se destacar. a ausência de diálogo e o uso da violência. queimaduras. Não raras vezes. deu-se um passo significativo em nosso país no enfrentamento à violência contra a mulher. Há efetivamente muitas adversidades que precisam ser superadas para que possamos alcançar relações mais justas. espancamentos e até estrangulamentos. em média.também as relações de gênero sofrem mudanças ao longo das gerações. entre homens e mulheres. a dificuldade em assumir compromissos mútuos. como forma de exercer coerção sobre a outra pessoa. que oferece novas e ricas possibilidades. chutes. do ponto de vista de gênero.

A comunidade cristã. obviamente uma referência não às diferenças biológicas. Esse compartilhar de estudos e experiências não parou. No poder do Espírito. O mesmo foi amplamente distribuído para ser lido. que sistematiza reflexões desenvolvidas em nossas comunidades. O apóstolo Paulo nos lembra que “em Cristo” já não há “homem nem mulher” (Gálatas 3. que continuam existindo. sobretudo o grupo assessor de Gênero e o Fórum da Mulher Luterana. proclamamos a reconciliação. estudado e compartilhado em grupos comunitários. desta forma.as evidentes distorções. em nossas comunidades e em nossa sociedade. neste sentido. a viver e testemunhar o seu amor nas nossas relações interpessoais e na vida em sociedade. a observância do mandamento do amor (amor a Deus e ao próximo como a si) igualmente nos leva a confessar pecados e pedir perdão por relações injustas. Agradecemos o esforço de diferentes grupos e pessoas. discriminatórias e que cerceiam as potencialidades de homens e mulheres. com vistas a alcançar relações mais amorosas e de maior reciprocidade. no dia-a-dia. Como IECLB. Mas. é um espaço privilegiado para auxiliar as pessoas a identificar e rever os valores que norteiam as relações de gênero. E um deles é a presente cartilha.28). No discipulado cristão. Em 2005. mas a qualquer diferenciação sócio-cultural discriminatória. 6 . publicamos o documento produzido pela Federação Luterana Mundial. recomendar a sua divulgação e o seu uso nos grupos comunitários. Que Deus nos capacite cada vez mais a praticar o ministério da reconciliação em nossas famílias. A sua publicação tem por objetivo alcançar um público ainda mais amplo da IECLB. criados à sua imagem e chamados. O ministério da reconciliação para o qual fomos chamados por Cristo abarca todas as dimensões da vida. Somos chamados a reconhecer e a render ações de graças a Deus quando constatamos que em nossa cultura há também sinais de que o amor está sendo promovido nas relações entre as pessoas e na sociedade. participamos junto com as demais igrejas da ecumene. confessamos que somos filhas e filhos de Deus. pelo batismo. na Década Ecumênica: As Igrejas em Solidariedade com as Mulheres – 1988-1998. que estiveram envolvidos no planejamento e na produção deste caderno. também as relações familiares e as relações de gênero. mas continua dando impulsos. Esse é o Tema do Ano que acompanha a nossa reflexão em 2007 e vai nos acompanhar ainda em 2008. As igrejas dizem NÃO à violência contra a Mulher. Esse documento exorta a que se chame a violência pelo seu nome: pecado. Queremos.

angústias e ansiedades. tenhamos qualidade de vida é essencial que sejamos respeitadas e que a violência seja eliminada – e não sufocada. abafada. para acompanhá-las nas reuniões. de comunidades. desejam desafiar as lideranças femininas a se engajar na organização de encontros sinodais. suas decepções. Curitiba (PR) As mulheres da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Na mesma revista. social ou cultural. paroquiais. dentro de uma perspectiva biopsicossocial. que representam o Fórum de Reflexão da Mulher Luterana. Na edição número 15 da Revista Novolhar (Maio/Junho 2007). percebe-se claramente o significado de seguir a fé cristã e que esta quer quebrar barreiras de preconceito racial. a conversa não flui. Lembramos que no preconceito cultural está a diminuição do valor da mulher e a prática de violência 7 . o “fuxico”. de grupos de OASE. Deve-se levar em conta sua família. como por exemplo. Aceitemos o desafio do artigo: “É nosso desejo que a tênue luz que acendemos também ilumine algumas de suas dúvidas. Façam uso desta cartilha como um manual. Samia Aguiar Brandão Simurro. Não há necessidade de complicar. um artesanato. de JE e diversos outros que estejam preocupados com o bem estar e a importância da qualidade de vida. mas se fizermos um trabalho manual. Para que nós. Muitas vezes. mas todo o contexto em que ele está inserido. mulheres.Motivação e engajamento Ana Maria Brackmann Coordenadora do Fórum da Mulher Luterana. pergunta-se o que é qualidade de vida. mui querido. No item 4 do Tema do Ano da IECLB. a atenção se desviará das pessoas e estas se sentirão mais livres para falar de si. Reúnam-se para falar de seu cotidiano. se considerado não apenas o indivíduo. afirma que só é possível entender as barreiras para a promoção de saúde. no artigo: “As barreiras individuais à promoção de saúde e qualidade de vida” a psicóloga e vice-presidente de Expansão e Relações Internacionais da Associação Brasileira de Qualidade de Vida. animando-as a irem em busca do que é qualidade de vida para você”. seu ambiente de trabalho e sua cultura.

Deus. quer. o desprendimento. situações sufocadas em nosso meio. é servir. transformar este mundo. A intenção do Fórum de Reflexão da Mulher Luterana. é amável. tão bem trabalhado no material da Federação Luterana Mundial: “As igrejas dizem NÃO à Violência contra a Mulher”. que nos anima a servir às outras pessoas. 8 . é criativo. através de seu amor. como também Deus nos serviu em Cristo. por meio das nossas fraquezas.contra a mesma. limitações e omissões. não encontra limites. é algo que pode surpreender. colocando-se à disposição das lideranças e deixando brotar o fruto da fé. E este serviço não tem fronteiras.

pois aprenderam a crer que seu único valor está em seus corpos. em Israel. a cada três dias uma mulher é morta pelo seu companheiro. as mulheres são transformadas em objetos e seus corpos são expostos e associados a bens de consumo. Na África. ao lado de produtos como bebidas e automóveis. segundo o governo francês. na República Dominicana. insultos e ironias. No âmbito social. como assédio sexual. de mobilização e de denúncia intensa do desrespeito dos direitos e da dignidade das mulheres. Minerva e Maria Teresa). as mulheres decidiram definir o dia 25 de novembro como dia de homenagem às irmãs Mirabal (Patria.25 de novembro: Dia Internacional de Combate à Violência contra as Mulheres Anete Roese Pastora da IECLB. de deflagração e visibilização da violência praticada contra mulheres mundo afora. entre 40 a 70% das mulheres assassinadas são mortas pelo seu marido ou companheiro. a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu a firmou este dia como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. em 1960. Mais tarde. Na Austrália. estupro. violência conjugal. no Canadá. Seria um dia especial de luta pela conscientização social desta realidade. Na França. ativistas políticas que foram assassinadas pela ditadura de Rafael Leonidas Trujillo. As próprias mulheres participam passivamente dessa exposição. quando foram feitas inúmeras denúncias sobre a violência suportada por mulheres. a violência contra as mulheres passa pelas mutilações genitais. inclusive torturas e abuso de mulheres prisioneiras. agressões verbais. crimes de honra ou casamentos forçados. Não se trata somente de agressão física. realizado em Bogotá/Colômbia. no I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe. mas aí estão incluídas as humilhações. Belo Horizonte (MG) A história do Dia 25 de novembro começa em 1981. na África do Sul e nos Estados Unidos. espancamentos. Neste encontro. em 1999. sofridas 9 . piadas que ofendem a dignidade das mulheres. castigos.

segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT). os suicídios de jovens adolescentes diante de casamentos forçados estão aumentando. No Sudeste Asiático. 18 fev 2002. 15 agos 2003. realizada pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos. São 5 mil mulheres por dia. De cada 100 brasileiras assassinadas. 70 o são no âmbito doméstico.por 130 milhões de meninas no mundo. crimes de honra e discriminações são o dia-a-dia de muitas mulheres. em um cargo onde ocupam a mesma posição. no mundo todo. além de uma questão de saúde pública. a cada 15 segundos uma mulher é espancada.fpabramo. No Brasil. mesmo tendo formação superior a dele. Síntese dos resultados do censo IBGE 2000. “No Brasil. Mulheres negras sofrem ainda maior discriminação do que as mulheres brancas.3% dos acusados de homicídios de mulheres são seus parceiros. http:// www. A violência doméstica é uma questão de saúde pública. segundo a ONU. o governo gasta milhões no tratamento e na recuperação de mulheres que foram agredidas física e moralmente. A casa já não é mais um lugar seguro e de proteção. a violência contra a mulher já é considerada uma epidemia. o lar é hoje o principal palco de violência contra a mulher. 2 Segundo investigação feita pela Human Rights Watch (“Injustiça Criminal x Violência contra a Mulher no Brasil”). versão revista e ampliada. Os casamentos forçados representam entre 60 a 80% das uniões. Recebem salários ainda menores que estas. No Afeganistão. segundo a ONG alemã Medica Mondiale. As mulheres chegam a receber 30% menos que o homem. tem ainda menos acesso à educação. mais de 2 milhões de mulheres são vítimas de prostituição e tráfico sexual no mundo. Muitas destas morrem.org. ela é um problema da sociedade toda e é. Dados da ONU demonstram que a violência doméstica é a principal causa de lesões em 1 A MULHER BRASILEIRA nos espaços público e privado: como vivem e o que pensam as brasileiras no início do século XXI. Treze por cento das mulheres brasileiras são abusadas e estupradas pelos próprios maridos. Como tal.br.”1 A ONU afirma que.2 A pesquisa Primavera já Partiu. São mais pobres. 10 . um problema sócio-cultural e religioso. Quanto à prostituição. a violência doméstica é a principal causa de lesões em mulheres na idade entre 15 e 44 anos. revela que 66. A cada ano. Disponível na Internet. segundo a comissão independente de defesa dos direitos humanos afegã.

ao Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher. e que resulta de um sistema que chegou ao seu limite e ao fracasso total.mulheres entre 15 e 44 anos no mundo. A violência doméstica compromete 14. para saber como poderiam aprender a ser mulheres mais perfeitas. melhores esposas. 65-93. 3 De acordo com pesquisa realizada pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (“Primavera já Partiu”). que só se salvará. cuidado e acompanhamento de meninos. meninas e mulheres. E que só será curado. Anete Roese. 2005. conforme lhes foi ensinado através da culpa imposta à Eva. O sagrado e o processo de re-imaginação da corporeidade e das relações de gênero. n. com reeducação. Uma grande iniciativa é aderir.6% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e 10. In: Rhema. que sofrem deste desvio relacional e de comportamento resultante da educação e cultura de gênero. elas buscam encontrar saídas para entender e suportar melhor o homem que bate nelas. que é uma patologia social. nas comunidades. Uma espécie de “patologia de gênero”. As mulheres continuam acreditando que elas apanham “porque não são boas o suficiente”. O convite à reconciliação já foi feito por Jesus Cristo e Ele espera pela nossa ação. melhores mães e donas-de-casa. em geral heterossexuais. precisam decidir se querem realmente ver. fruto da perversão a que chegou a estrutura relacional da sociedade moderna.5% do PIB do Brasil’. 4 Cf.4 As igrejas precisam se posicionar. conversão de mentalidade e de postura de mulheres e homens. e a partir daí pensar modos novos de agir e ser pessoa e comunidade cristã no mundo. 11. homens. Com esse pedido de socorro. 11 . Uma doença social que já trouxe todas as conseqüências possíveis para mulheres e para homens. V.3 Muitas mulheres procuram ajuda em aconselhamentos. Assumem sozinhas os pecados da humanidade. E acreditam que deveriam ser ainda mais submissas e obedientes. Revista de Filosofia e Teologia do Instituto Teológico Arquidiocesano Santo Antônio. sendo que no Brasil uma a cada quatro mulheres já foi vítima de violência doméstica. As mulheres não percebem que este comportamento violento a que se submetem é uma espécie de doença. 38. p. ouvir e lançar mão das denúncias proféticas e de ações educativas para a salvação de meninas e mulheres vítimas de tantas formas de violência.

A experiência mostra que o impacto de ver o vaso quebrando é tão forte quanto a participação na sua reconstrução. presenteou Jesus com paixão e compaixão. pode-se cantar também “toma conta de ti” e “toma conta de nós”) Oração: Deus de compaixão. Santo Ângelo (RS) Palavras introdutórias O encontro de hoje foi inspirado pela mulher que amou além das barreiras. dois vasos de barro e cola quente (ou qualquer cola de secagem rápida). Move através de nós para que reconheçamos a força que existe em viver a vida com paixão e compaixão. tu nos convidas a tocarmos e curarmos. Acolhida: Sejam bem-vindas e bem-vindos a este encontro! Canto: Espírito de Deus. dificultando a sua colagem. Bíblia. Ambiente: É importante preparar o lugar do encontro com um altar no chão ou sobre uma pequena mesa com velas. ela quebrou costumes e tradições que a excluíam e a marginalizavam. flores. toma conta de mim! Espírito de Deus. panos coloridos. os pedaços ficam muito pequenos. Na hora de escolher o vaso. cruz. pois quando ele é quebrado. Ao quebrar o vaso que ela trazia cheio de perfume e ao ungir Jesus. é importante observar que esse não seja muito fino. Muito pelo contrário. Espírito de Deus. toma conta de mim!” (Míria Therezinha Kolling. Não desanime pensando que é uma tarefa muito difícil e que as pessoas não vão se envolver. Ao mesmo tempo. Amém. História da nossa vida: (enquanto fala segure o vaso vazio nos braços) 12 . número 5) (repetir várias vezes. Um vaso deve estar vazio e o outro com perfume (chá ou água com pétalas de flores). toma conta de mim.Amor além das barreiras Marcia Blasi Pastora da IECLB. Coleção Miriã 2. A proposta de hoje também inclui a quebra de um vaso ou pote de barro e a sua colagem.

Ela. procurando os pedacinhos. teve a sensibilidade de tocá-lo. mesa certamente rodeada por homens. isso foi literalmente imposto às mulheres: seja bonita e sirva. carregue e cure. São como vasos arranhados. A mulher oferece um ato profético de graça e beleza. toma conta de mim!” (Míria Therezinha Kolling. E até parece que não há mais jeito. Quando isso acontece. Jesus reconhece a grandeza do presente que a mulher lhe oferece e o recebe com graça. ele deixa claro o seu carinho por aquelas pessoas 13 . quebrado aqui no chão. E muitas mulheres-vasos vão ficando carregadas e sobrecarregadas.7). entre todas as presentes. quando chega uma pessoa que não foi convidada nem tinha a permissão de estar ali. nosso cuidado e vamos nos colocar a serviço de Deus. toma conta de mim! Espírito de Deus. Infelizmente. Ao tocar Jesus. Mas não precisa ser assim.3-9) Jesus está sentado à mesa com homens. pode-se cantar também “toma conta de ti” e “toma conta de nós”) História da vida de Jesus: (Ler Marcos 14. ela revela que sabe da dor que ele sente e mostra seu desejo de curar essa dor. recebem repreensões e críticas. que a vida se foi. pisado por nós ou até jogado fora? Ou vamos unir nossas mãos. tentando achar o seu lugar? Vamos abandonar o vaso ou vamos colá-lo novamente? Qual é a nossa resposta? (incentivar as pessoas a colar o vaso) Canto: Espírito de Deus. Ao receber o presente que ela lhe oferece. Os seres humanos-vasos foram criados por Deus para serem bonitos e para servir conforme o dom que receberam. Procuram por alguém que as ajude a segurar todas as partes da sua vida. não vale mais nada? Este vaso vai ficar aqui. Muitas vítimas de violência doméstica afastam-se da Igreja. de preferência calada.O profeta Isaías compara a vida do ser humano a um vaso (Is 64. até que um dia elas se quebram ou ainda pior. Ela não só traz um bálsamo. parece ser a única a sentir o que Jesus precisa. como ela mesma se torna um bálsamo para as feridas de Jesus. Uma mulher aparece rompendo as barreiras da mesa. número 5) (repetir várias vezes. Muitas vezes. deixe o vaso cair). de todas as pessoas ali presentes. machucados e quebrados. Espírito de Deus. voam pedaços para todo lado. toma conta de mim. são quebradas por quem se considera dono delas (neste momento. Coleção Miriã 2. pois não encontram ali o refúgio e o apoio de que precisam. alegrando-se que pelo menos uma pessoa. Procuram um Deus que as acolha. Este vaso.

. ofereceu seu carinho e afeto. Alguém que ouça a estória de cada pedacinho e que possibilite que elas.” Mesmo assim. não humilha. estraçalhadas pelo chão. amar e curar. pois muito provavelmente ela também teve experiências de morte em sua vida. A mulher quebrou o vaso e com o perfume ungiu Jesus. são usados textos de cartas paulinas para negar a igualdade das mulheres e até mesmo para excluí-las da comunhão plena. ainda hoje. A Boa Nova de Jesus Cristo nos 14 . Elas precisam de alguém que as ajude a juntar os pedaços. Uma fé saudavelmente teimosa que as faz caminhar na busca de Deus que é amor. Ela trouxe diante de Jesus tudo o que era e tudo o que tinha. são excluídas das questões financeiras e familiares e. São mulheres-vaso quebradas. Fomos sabia e belamente moldadas e através do Batismo somos chamadas ao serviço. Todas nós somos como vasos. ofereceu-se a si mesma. Essa mulher. Ela também era como aquele vaso. “não tem lugar à mesa”? Elas são excluídas das decisões sobre a sua vida. juntem todos os pedaços e se tornem plenas e belas novamente. Ele é a nossa porta de entrada. por exemplo. para além das barreiras que outras pessoas impõem. muita coragem.que tem a coragem de tocar. Este vaso-mulher que surge é o resultado de muita dor. com o perfume. Quantas mulheres. muita criatividade. Nossa tarefa é fazer uma re-leitura destes textos. muitas vezes. muita fé. o que esta mulher fez será lembrado em memória dela. É preciso que tenhamos clareza de que a base da fé luterana está no Evangelho de Jesus Cristo. Misturando nossas histórias. E amor não machuca. não quebra ninguém. mas mesmo assim ela teve coragem de dizer a Jesus que ele não estava sozinho. são excluídas de ter sua própria espiritualidade. agora oferece a ele o mesmo carinho e compaixão. Em determinadas ocasiões. nós muitas vezes esquecemos da vida daquela mulher e de seu ato de compaixão para com Jesus. cola e dá coragem para viver. mas nunca igual como antes. Ela sentia o que Jesus estava sentindo. Isto não quer dizer que somos chamadas para a servidão. sua sexualidade. que um dia talvez esteve em pedaços e se sentiu restaurada por Jesus. no seu tempo. A história bíblica e a nossa história se misturam.28. Ela sabia que o ato de quebrar o silêncio tem suas conseqüências. e enfatizar Gálatas 3. Ela.. Mas amor une. A gratidão de Jesus é tão grande que ele promete que “em todo o lugar em que o evangelho for proclamado.

Bênção: Deus te abençoe. Oramos por todos os homens que lutam contra o machismo e a discriminação e por todos aqueles que nem conseguem perceber que há violência. como é bom sabermos que tu não nos abandonas e que sempre estás ao nosso lado. Oração: Deus de amor. Deus te proteja. O que podemos fazer: • Ser um espaço seguro para mulheres que precisam desabafar e encontrar apoio. por isso oramos em conjunto Pai Nosso que estás no céu. Deus te dê a paz. como comunidade e como pessoa. Não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos.compromete a testemunhar com coragem e ousadia a igualdade de direitos de todas as pessoas.. 15 . Deus te dê a paz. Oramos por todas as crianças que sofrem com a violência em seus lares e por todas aquelas que crescem achando que violência é normal. • Incluir nas liturgias. que. Oramos por todas aquelas que lutam pelo fim da violência e por todas aquelas que nem percebem a violência. as pessoas que estão liderando a reflexão ungem a cabeça dos e das participantes com o perfume da jarra. a nos comprometermos para o fim da violência contra a mulher. celebrações e encontros a experiência das mulheres. em resumo quer vida digna para todas as pessoas. • Orar pelas vítimas da violência doméstica em culto. Nós oramos por todas as mulheres que sobreviveram à crueldade da violência doméstica e por todas aquelas que ainda vivem sua dor em silêncio. Canto e unção: enquanto repetimos a canção “Espírito de Deus toma conta de mim” diversas vezes.. Ó Deus. • Ter como ponto de partida para nossas reflexões o Evangelho de Jesus Cristo. Tu nos amas com paixão e compaixão e nos convidas a amar para além das barreiras de costumes e tradições que não promovem vida digna para todos os teus filhos e tuas filhas. Deus nos chama.

. vamos refletir sobre a violência que experimentamos todos os dias. enxada. Eles causam exploração e muito sofrimento. O reformador Martin Luther disse: “Ali onde colocares o teu coração. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus. instrumentos de trabalho (avental. esconder: Vela. Cruz . Bíblia. Sobre estes.2: “Não vivam como as pessoas deste mundo. Porém. espelho e adornos (enfeites). causada pelo nosso modelo econômico. bebidas e cigarro. Abentroth e Vilmar Abentroth Pastora e pastor da IECLB. produtos de beleza. Queremos perceber como estamos nos deixando dominar. baralho. literatura religiosa da prosperidade. Dinâmica inicial: Convidamos para que vocês circulem entre os altares colocados e percebam que sentimentos. Sob uma mesa (coberta até o chão). As cadeiras podem estar em círculo. este é o teu deus”.Uma realidade a ser transformada Anelise L. Acolhida: Leitora 1: Saúdo a todas com carinho. perfeita e agradável a Ele. A música de fundo pode ser eletrônica. Água.” Leitora 2: Neste encontro. com a palavra bíblica de Romanos 12. colocar vários panos coloridos que formam pequenos “altares”. (Dar um tempo. pensamentos e sensações eles causam. No centro. para podermos reagir e propor mudanças. Horizontina (RS) Ambiente: Acolher as pessoas com música ambiente. estes deuses não podem nos ajudar. colocar: cédulas de dinheiro. que é boa. mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança das suas mentes. rock ou funk) Compartilhar: • O que chamou mais a atenção? • O que chocou? 16 . Terra e Flores. carteira profissional). Nossa sociedade tem criado outros deuses para serem adorados e obedecidos..

quem mais sofre as conseqüências 17 . Em nosso País. empregadas. Leitora 1: Quem de vocês lembra ou participou de algum movimento grevista feito por trabalhadores no País? Por que as greves e manifestações diminuíram? Podemos apontar vários fatores. onde a terra.• Com o que me identifiquei? • Passei depressa por algo? • Fiquei mais tempo olhando para algum objeto? Leitora 1: Por que estes elementos foram colocados em altares? São objetos bem conhecidos. pode significar o seu fechamento. Quando a empresa é pequena e tem patrão. em creches. Muitas não conseguem trabalho por estarem em idade fértil. no comércio. nosso País está transferindo os recursos naturais. via de regra. a maioria dos trabalhadores e trabalhadoras de grandes empreendimentos não sabe mais quem é o patrão. São vários e moram em vários países. escolas. Leitora 2: E lá na outra ponta. Certamente estão presentes em nosso cotidiano. hoje. Estamos vivendo numa sociedade que se transformou muito rapidamente. arrendatários. nos últimos tempos. financeiros e de conhecimento para estes grandes grupos econômicos que dominam o mercado mundialmente. De uma sociedade rural. ela está com tantas dificuldades que exigir mais. Este é o processo chamado de globalização: são as corporações transnacionais e seus interesses privados que estão tirando a força e o papel dos governos e das instituições nacionais. o sistema econômico exige que homens e mulheres estejam “liberados” para se dedicarem de corpo e alma para o trabalho. para a produção. bóiasfrias). as mudanças aconteceram em menos de meio século. Leitora 2: A industrialização mudou o cenário. conselhos tutelares. O mercado de trabalho. é o Estado que precisa cuidar das crianças. empregados. a produção e a colheita era o que determinava a vida das famílias (de proprietários.. Agora. em serviços gerais. Homens e mulheres passam a trabalhar nas fábricas. meeiros.. O período da gravidez e da amamentação é um grande problema para as mulheres. mas um deles é que. se modifica. Cada vez mais. dos familiares idosos e doentes. da horta. Ele não tem nome. O modelo familiar baseado na figura do pai como provedor e ator social e da mãe como cuidadora da casa. mais de 80% da população foi atraída para as grandes e médias cidades. dos filhos.

A sobrecarga. que fora escravo no Egito. Pediram a Arão que fizesse para eles um deus fundido de ouro. em regime de escravidão. a realidade das mulheres pouco mudou. Ainda há disparidade nos salários recebidos por mulheres e homens que fazem o mesmo trabalho. mãe. a sua dignidade. recursos e tempo para se preparar. tem se tornado o valor máximo na vida das pessoas. É por isto que elas ainda são maioria em setores ligados ao universo feminino. na forma de um bezerro. Deixaram de guardar o sábado. que possuem os meios de produção em suas mãos. a honra e se tornam corruptas ou são corrompidas. As estatísticas mostram que famílias lideradas por mulheres crescem ano a ano. em muitas casas. as crianças. A que deus nós estamos adorando? Desde pequenas somos levadas a acreditar que o que importa na vida é ganhar dinheiro. este deus tem as suas exigências e estabelece sacrifícios. encontramos a história do bezerro de ouro. preferiram trabalhar mais. dobrou ou triplicou. as mulheres têm recebido incentivo. no capítulo 32. O povo de Israel. famílias. Porém. os idosos. a verdade. Um deus copiado dos outros povos. Conta o texto que muito rapidamente o povo foi se esquecendo de Deus. O sistema econômico baseado no LUCRO – na apropriação de uns poucos do trabalho e das riquezas geradas por muitos – criou uma sociedade desigual. foi libertado por Deus e peregrinou até uma nova terra. Por dinheiro. alimentação de filhos.são as mulheres. baseada em classes sociais. as pessoas vendem o seu corpo. para que dê tempo para tudo? Quem ainda é responsável pelo cuidado. Leitora 1: Olhemos novamente para os altares aqui colocados. Ali poderiam viver e se organizar de forma diferente para nunca mais sofrerem maus tratos e a exploração do seu trabalho. com o seu poder. A mão de obra feminina continua sendo explorada. filhas. Cada vez se exige mais qualificação para o mercado de trabalho: estudo. Leitora 2: No Livro do Êxodo. Leitora 2: Em nosso País. alimentação. mas a sua renda diminui. para ganhar mais. pai. E eu pergunto: porventura. tais como educação. apoio de suas famílias para estudar e se qualificar? Como estão divididos os afazeres domésticos. há um pequeno número de pessoas. competitividade. sogro e sogra idosos? (Tempo para conversar) Leitora 1: Como constatamos. serviços gerais ou linhas de montagem. O dinheiro. É a chama- 18 . educação.

trabalho esporádico. 19 . Desde pequenas acostumadas a viverem amarradas às cordas e estacas que as mantêm sempre na mesma situação. Mas a grande maioria da população brasileira é pobre. Logo em seguida. ela descobriu que este animal cresceu com a corda no pescoço. que trabalham para esta classe A . São estes que hoje pagam cerca de 40% de impostos para manter a máquina do Estado funcionando. As mulheres são as mais visadas para revenderem produtos de beleza.da classe alta. pessoas que estudaram e têm empregos bem remunerados. Ela pensou: “Por que este animal. Se soubesse. Isto tudo faz com que a renda das famílias lideradas por mulheres seja menor e mais vulnerável. Também são os médios comerciantes. recebendo apenas uma porcentagem do produto vendido. Ele não sabe da força que tem. confecção de roupas e calçados) e pagam por peça produzida. Vendem sua força de trabalho. famílias. É a chamada classe média. São os grandes proprietários de terra. amarrada a uma pequena estaca de madeira. sem nenhum direito trabalhista ou assistência previdenciária. utensílios domésticos. Essa história pode ser a história de muitas mulheres. com a força que tem. Sem deixar de lembrar que as mulheres já estão morrendo mais cedo. roupas. vem boa parte de pessoas. empresários e proprietários de terra. Vivem de “bicos”. Já na entrada. que exportam a produção e os donos ou acionistas dos grandes grupos econômicos (indústrias e comércio). São empregados e empregadas. Leitora 1: Podemos refletir: Por que as mulheres e os homens se submetem a este sistema social? Quem dá a ordem para que todos sigam este modelo? Não há outra forma da sociedade se organizar? O que diz a nossa fé no Deus da vida. porque elas não sabem da força e do potencial que têm. assalariados ou em atividades informais. Médias e grandes empresas terceirizam o trabalho feminino. infeliz. no Deus libertador? A que deus estamos servindo? Leitora 2: A pergunta que nos fazemos é: dá para mudar tudo isto? O que é preciso fazer? Compartilho uma pequena história: certa vez uma pessoa foi a um circo que se instalou na cidade. não ficaria naquele espaço restrito e vivendo de forma sempre igual. Permitem que as mulheres trabalhem em suas casas (tecelagem. ela avistou um enorme elefante com uma corda no pescoço. Ela é composta por profissionais liberais. As cordas não são rompidas. não se livra desta corda?” Conversando com o tratador do elefante.

É o Santo Espírito que recebemos no Batismo que nos faz sentir e perceber que a violência que sofremos hoje não tem a última palavra sobre nós.20). Vamos trazer ao altar os elementos que identificam esse nosso Deus. as Flores. de mãos dadas ao redor da mesa do altar. Ela pode e deve ser vencida. no serviço de amor. não temas e nem te espantes. Este espaço de comunhão que aqui temos. nossa força.. a Água. na partilha. especialmente as mulheres. Nossa força vem de Deus. quer nos motivar a encaminhar propostas para que mudanças aconteçam. Porque o Teu Deus é contigo. da liberdade. Benção: Sê forte e corajosa. Nosso socorro. o céu a terra e tudo o que existe. a Cruz. O pecado está naquilo que a sociedade faz com as pessoas. por onde quer que fores E por onde quer que andares. O que podemos propor? Oração final e Pai Nosso. há muitos textos que relatam mulheres que viviam aprisionadas pela sua condição social e econômica: viúvas. Sobre a mesa colocaremos a Bíblia. doentes. Assim te abençoe o Pai e Mãe amorosa. Esse Deus quer uma prática e uma organização social baseada na solidariedade.. mães desamparadas. o Filho e o Espírito Santo. filhas dependentes do pai ou de maridos. ao se despedir disse: “Eis que estou com vocês todos os dias até a consumação dos séculos” (Mateus 28. nossa vida não vêm dos deuses colocados sobre estes altares. As atitudes de Jesus em relação a essas mulheres mostram que todas as pessoas são iguais em valor e dignidade diante de Deus. A todas elas. Em alegria e dor.Convido para ouvirmos a leitura de um Salmo.Leitora 1: No Novo Testamento. Leitora 2: Nosso Deus é o Deus da vida. exclui e explora a maioria. a Vela. amanhã e para todo o sempre. quando valoriza uns. a Terra. Esse Deus age diferente. a quem pertence tudo. da justiça e do amor. prostitutas. Amém 20 . Leitora 1: Salmo 121: Olho para os montes e pergunto. Hoje. que têm no lucro e na exploração a sua forma de dominar. Leitora 2: O Deus da vida enviou ao mundo o seu único Filho para mostrar que as forças do pecado e do mal que hoje nos dominam e governam não são maiores do que o seu poder de vida e de ressurreição. Jesus se faz solidário e se coloca ao lado. na justiça. E Jesus.

– O altar pode ser colocado no centro do círculo ou como uma de suas partes. Senhor. criadas à sua imagem e semelhança. expressamos nosso desejo de transformar situações que causam dor e sofrimento e nos comprometemos com essa transformação. psicológica ou sexual. Cada uma de nós traz consigo as marcas de alegrias e de dificuldades de sua história.. Pelas mulheres que sofrem violência física. Por isso nós pedimos: C: Tem. Senhor. colocar um arranjo de flores naturais. Substituir as velas envelhecidas por velas bonitas. Por isso nós pedimos: C: Tem. piedade! 21 . Através da comunhão em grupo. Coloquemo-nos diante de Deus orando em favor de quem grita por misericórdia. Amém. piedade! Pelas mulheres que sofrem discriminação por seu sexo. sua raça ou sua classe econômica. formar semicírculos –. Deus acolhe a cada uma aqui presente. para cada participante. Canto (O povo canta) Elas estão chegando 136 – sugestão Kyrie Ao orarmos. Prelúdio Saudação e acolhida Chegamos aqui como filhas de Deus. assim. queremos compartilhar o amor e o carinho do Trino Deus. conforme nos relata Gn 1.27. Três de Maio (RS) Ambiente: Arrumar o ambiente em círculo – se houver um grande número de pessoas. refletindo sobre o tema da violência doméstica e. – Entregar uma fita ou cordão vermelho. medindo entre 20cm e 30cm. na entrada do ambiente de celebração.Liturgia de acolhimento e auxílio Karen Bergesch Pastora da IECLB. demonstrar nossa solidariedade para com as mulheres que sofrem.

capacitador e libertador. Dá que o ciclo da violência seja rompido para que possamos todos – homens. Estamos aqui. de agir e de lutar pela vida em situações adversas. sensibiliza-nos para a solidariedade. pois ele vem. C: Glória a Deus nas alturas (Mirian 16) Oração do dia Deus de Jesus Cristo. mulheres e crianças – viver o teu amor e a tua paz. sofrem com a violência. tocando e dançando. Primeira leitura: Êxodo 1.Pelas mulheres que lutam por uma vida digna.15-21 Vamos acolher a palavra do Evangelho nos colocando de pé e cantando Aleluia (O texto das parteiras Sifrá e Puá foi escolhido para demonstrar a capacidade de decidir. 25-34 22 . Juntemo-nos a elas e glorifiquemos a Deus. demonstrando amizade e solidariedade entre si e para com seu povo. Amém. C: Amém. Senhor. ambas permanecem unidas. como corpo de Cristo. nos orienta com sua Palavra e nos fortalece. que nos chama para vivermos uma vida de dignidade e de respeito mútuo. para solidarizarmo-nos com pessoas que sofrem violência doméstica. Por isso nós pedimos: C: Tem. Senhor. C: Tem.) Evangelho: Marcos 5. piedade! Pelas mulheres que. Glória O Antigo Testamento nos relata que a profetisa Miriã tomou um pandeiro e todas as mulheres a acompanharam. Graças te damos por este encontro em comunidade. piedade! Pelas mulheres que desejam romper o ciclo da violência doméstica. No enfrentamento ao rei. Senhor. louvando ao Deus capacitador e libertador. Senhor. juntamente com seus filhos e suas filhas. Leituras bíblicas Vamos nos preparar para as leituras bíblicas de hoje cantando “A tua palavra é semente”. Por isso nós pedimos: C: Tem. piedade! Por tua graça.

1. Portanto. 2. quebrando com os preconceitos culturais e religiosos de sua época. respeito e dignidade. porque ele permite refletir sobre o tema da violência doméstica a partir de vários aspectos. Fundamental nesse processo é saber da rede de apoio existente em cada cidade (delegacia da mulher. Por vezes. 23 . Em contrapartida. Jesus demonstra solidariedade. estaremos gerando mais violência e não promovendo cura e solidariedade. Da mesma forma. desviam o foco do problema. rompendo o ciclo da violência doméstica (tensão – explosão – lua de mel). 4. amor ao próximo. colocando a responsabilidade da agressão no álcool. Essa situação permite a comparação com o desejo de muitas mulheres de colocar fim à violência. Todos necessitam de auxílio para que o ciclo da violência doméstica seja rompido. não é possível ignorar a realidade de violência nas casas que atinge mulheres. Ao curar. A oportunidade de “cura” deve ser oferecida para homens e mulheres. é necessário ressaltar que a mulher hemorrágica desejava curar-se e busca cura. mas não consegue. psicológico e de discriminação há vários anos. divulgam uma idéia de que a mulher gosta de “apanhar” ou de que esse é um assunto de esfera privada e. era discriminada socialmente). Portanto. fato que rompe a separação entre a esfera pública e privada. Esse fato é importante. nas drogas ou. ainda. hoje. por isso. ela não foi forçada por terceiros a buscar cura. Por fim. a ética do Evangelho prega paz.Mensagem O texto da mulher hemorrágica foi escolhido para esse encontro. A cura ocorre em local público. É uma atitude que parte dela. 3. A situação de violência doméstica é cercada por tabus e por preconceitos. centros de apoio/informação e casa de abrigo) a fim de que um trabalho em rede possa salvar a vida de mulheres e crianças. Portanto. pois desafia à reflexão para o comportamento guiado pela ética do Evangelho em ambas esferas. é necessário respeitar o tempo de cada mulher para romper o ciclo da violência. crianças e idosos. A mulher está em sofrimento físico. se assim não o for. como era a questão do sangue no povo de Israel (a mulher que sangrava era considerada impura e não podia tocar em nada nem ser tocada. pois. Os ditados populares. Deseja curar-se. não se deve interferir. Assim. no stress do trabalho (ou algum outro problema). A solidariedade somente é possível a partir da informação. mas sem auxílio não conseguem.

. Por isso.. C: Ouve nossa oração e atende nossa súplica. Deus do amor. que tinha mulheres discípulas.. Como sinal de nossa solidariedade e na busca pelo fim da violência doméstica.. que criou mulher e homem à sua imagem. coloquemos nossa gratidão e nossas súplicas diante de Deus.. Creio em Jesus Cristo.. C: Ouve nossa oração e atende nossa súplica. que a Igreja seja um lugar de paz e um lugar para divulgar a paz a partir do respeito pela igualdade. Criador do universo. Deus do amor. que escutava e valorizava as mulheres e as protegia contra os seus acusadores. Canto (O povo canta) Elas 128 – sugestão Oração de intercessão Como comunidade reunida. Creio em Deus. Deus da paz. Creio no Espírito Santo. entregou aos dois o cuidado do mundo e viu que isto era muito bom. que anima a comunidade da Igreja cristã em direção à igualdade. pedimos que a Igreja seja sempre um lugar seguro para todas as pessoas. Pedimos por coragem para superarmos preconceitos e a violência contra a mulher. tudo o mais que está em nossos corações e pensamentos queremos pedir a ti através da oração que teu Filho nos ensinou. 24 . somos chamados a servir ao próximo pela oração. vivermos segundo o Evangelho. (Hulda Hertel).Confissão de fé Como expressão da nossa vontade de.. que foi derramado sobre homens e mulheres no dia de Pentecostes. Deus do amor. Creio no Espírito Santo. pois todos. Filho de Deus. graças te damos pela solidariedade e por nos capacitar para enfrentarmos situações difíceis. pelas pessoas fragilizadas (. convido todos e todas a confessarmos a nossa fé com as palavras do Credo da Mulher. amarremos o cordão/fita vermelha em nossos pulsos. nascido de Maria de Nazaré. Oremos. pelas pessoas que se encontram em solidão (. que apareceu primeiro a Maria Madalena e às mulheres e as enviou para levar a mensagem da Ressurreição aos discípulos de Jesus. são um em Cristo Jesus. homens e mulheres. oramos pelas pessoas enfermas (.. a cada dia. que o seguiam e serviam.).).). C: Ouve nossa oração e atende nossa súplica.

E perdoa-nos as nossas dívidas. para se oporem a tudo que escraviza a vida de crianças. Bênção Vão. Vão.Pai nosso que estais nos céus. Seja feita a tua vontade. compassivo. Vão. que nos presenteia seu Espírito. Canto 25 . santificado seja o teu nome. umas às outras. assim como nós também perdoamos aos nossos devedores. o poder e a glória para sempre. O pão nosso de cada dia nos dá hoje. jovens. Amém. em nome do Deus vivo. mas livra-nos do mal. Deus abençoe vocês! C: Amém. Pois teu é o reino. E não nos deixes cair em tentação. Vão. mulheres e homens. para alegrarem-se por termos uns aos outros. para festejar a nova vida que emana do Espírito de Deus. Venha o teu reino. assim na terra como no céu.

Por Jesus Cristo nosso Senhor. Para louvar e adorar Pra bendizer seu santo nome Pra agradecer e orar Estamos aqui. Varno Senger Pastor da IECLB. Queremos construir relações de vida que estejam alicerçadas no Evangelho. Amém 26 . Canto: HPD II – 337 – Reunidos aqui. cruz. Dom Pedrito (RS) Ambiente (o ambiente pode ser preparado de acordo com o interesse do grupo): Colocar uma mesa central com Bíblia. Fomos chamados e aceitamos o convite de Deus. IECLB. Sejam bem-vindos. Jesus nos chama para vivermos seu amor em gesto e atitude de paz. em nome do Filho. Em nome do Espírito Santo Aqui nos reunimos. Canto: Em nome do Pai (Ernani Luis) Em nome do Pai. Oração de chegada (oração pode ser dirigida por alguém do grupo): Querido Deus. é possível!? Presidente da Associação Nacional de grupos da OASE – Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas. Dom Pedrito (RS) Ani Cheila Kummer P. para que o nosso encontro nos fortaleça na fé e nos ajude a edificar a paz. Cuide de nós e derrame sobre nós o Teu poder. Iniciamos na presença e sob a orientação do trino Deus. Acolhida (dirigente acolhe os presentes): Que bom que podemos estar aqui. lenços de mão (estes podem ser na quantidade do número de participantes) e outros elementos que possam simbolizar gestos e atitudes de pessoas para superação da violência.Paz. queremos te agradecer por podermos estar aqui e pela comunhão em torno de Tua Palavra. vela e flores.

muitas novida- Reflexão 27 . casou-se. E vem a pergunta: Numa sociedade violenta. como exercitar uma cultura de paz? Esta resposta. respeito.Introdução ao tema Dirigente: Somos convidados a refletir sobre o tema: “violência contra a pessoa”. entre pais e filhos. Mas a violência emocional e psicológica também é causadora de seqüelas.. discutida. dona de casa. ainda muito jovem. Jesus Cristo assumiu na cruz toda nossa violência. valores como tolerância. ou reação contra alguém. provocando guerras cruéis.12-17 Leitor: Irmãos e irmãs. equilíbrio. paciência. bem como.pessoa Joana. que evocam o amor e a paz? A violência é uma ação.. com Walter e era mãe de três filhos. Não tem limites. que represente os desejos das pessoas. Pode ser pessoal ou coletiva. mulher. que tem como conseqüência a ruptura e a dor. Não é possível viver em paz sem a comunicação do conteúdo desses valores entre as pessoas. urge resgatar. estará constatada a violência. é vivenciada pelas pessoas. psicológica.. pelas ruas. suas causas e conseqüências. Assim. Sofreu dor e derramou seu sangue para nos salvar. Canto: HPD II – 381 – Pela Palavra de Deus. onde alguém domina outro alguém. A paz é resultado de uma fala de consenso que. . nas relações entre marido e mulher. a violência é a física e sexual. mulher. dona de casa. oprimindo. No âmbito pessoal.. esposa.. intelectual. a paz é construída a partir de um exercício de comunicação. E para nos mostrar o caminho da paz.   Fato da vida: Joana. moral ou fisicamente. dividir povos e nações. Se houver ruptura na construção deste caminho. expressa abuso e dominação. deixou o ensinamento do Seu Evangelho. No início do casamento. queremos construir juntos. que são difíceis de serem superadas. Neste sentido. pode se estender para os locais de trabalho. Pode começar dentro de casa.. Como podemos contribuir para a construção de relações de convivência. conversada e aceita.. Texto bíblico: Jó 15. que agora queremos ouvir. onde um não se sobrepõe ao outro.12-17 Canto: HPD II – 438 – Quando se abate a esperança. mas estabelece uma relação de respeito e igualdade. conforme Jó 15. geralmente. Do Evangelho de Jesus Cristo. dentro da diversidade que sustenta uma convivência de paz. mãe..

Quando falava com o marido. começando em sua própria casa. começando pelos mais próximos. ela sentiu coragem para tomar algumas decisões. sonhos e alegrias. da pequena horta e ao cuidado com o marido e com os filhos. quando ia descansar após o almoço. que até então eram deixadas de lado ou não valorizadas. limpar a casa e servir-me quando eu solicitar”. pois aprendera de casa que a esposa deve servir bem o marido e que dela depende a boa convivência no lar. resolveu enfrentar os conflitos. Walter. vieram os filhos e outras tantas preocupações. Joana participava com suas amigas das reuniões da OASE. Tal esforço não a deixava feliz e realizada. Quando Joana ponderava sobre o assunto. foi se libertando e estabelecendo limites em torno de si. Para começar. após alguns dias. Com o passar do tempo. exigiu mudanças de 28 . Joana. Tinha necessidade de quebrar alguns paradigmas. Seu esforço e dedicação não eram notados pelo marido e pelos filhos. Walter dizia. Tinha o desejo de colocar em prática o que aprendia.des. acumulava conteúdo e aprendia coisas novas. que iriam interferir nas relações de convivência com o marido e com as crianças. Somava-se a isto os seus problemas de saúde. Esta nova postura. sempre autoritário e poderoso. Walter exigia muito de Joana. que não deitasse mais a em cima da cama com a roupa do trabalho. com o passar do tempo. Nos encontros. já as havia esquecido. sempre dedicada às tarefas da casa. Pedido também foi feito às crianças. deves tirar tuas botas sujas e colocar os chinelos antes de entrar na casa”. se fazer respeitar no trabalho. dizendo: “esta é a tua obrigação como dona-de-casa e como esposa. Joana. pessoa. era arrogante e grosseiro. Não aceitou mais ser a mulher que limpava e fazia tudo. Descobriu que era gente. que o cuidado para não ter filhos é responsabilidade da mulher – e assunto encerrado. e a esposa deveria sempre estar a seu serviço. O conflito estava armado. Joana continuava a sua tarefa. partilhando suas dificuldades. especialmente os relacionados com os medicamentos contraceptivos. Joana também pediu ao marido. com necessidades e desejos e que merecia respeito e consideração. não se importou muito com as novas normas de convivência colocadas por Joana e. como valorizarse a si mesma. Walter reagia. Joana procurava responder aos pedidos do marido. Um dia. Joana colocou os chinelos do marido na porta e disse a Walter: “de agora em diante. Tal postura gerou conflito e discussões. Triste e desencantada. Mas Joana sempre ficava com medo da reação do seu marido.

Mas. Ajudada pelas amigas e pelos conteúdos assimilados nos encontros da OASE. especialmente. segundo. Por isso. ficou doente. também tem enorme capacidade de impor domínio a quem é. chorava enquanto realizava suas tarefas no lar. aberta para o mundo. Foi obrigada a abandonar as reuniões da OASE. nos grupos. sobretudo no modo de ser e de agir do outro. e a quem pensa diferente. Seu egoísmo. Comentário Dirigente (dirigente pode ou não ler o comentário.hábitos e interferiu nas relações entre as pessoas que com ela conviviam. pois foi a partir daí que. Neste sentido. que os seres humanos não são 29 . suas amigas. não havia possibilidade para o diálogo e para partilha. abre seus horizontes e descobre-se como pessoa. perdeu sua fé. Este domínio. que debochava de sua audácia e. começaram surgir os problemas. nas famílias. podemos afirmar. a agredia. a sociedade é violenta. na relação com o marido e com os filhos. Realmente. para a construção de uma relação de igualdade e de paz. criatura amada por Deus. as conseqüências foram enormes e ela não conseguiu alcançar seu intento. crescer em conteúdo e em valor de vida. na sociedade. Walter. para as possibilidades. As relações de convivência entre as pessoas são norteadas pelo poder e pelo domínio. Com ele. tendo como base a liberdade do outro aceitar ou não. E era com este que Joana estava convivendo. na prática. Por outro lado. ela não consegue viver esta descoberta. sua auto-estima. Foi humilhada pelo marido. muitas vezes. sua falta de tolerância e respeito. pode deixar o grupo produzir): Existe um ditado popular que diz: ”Galho velho não se dobra”. que desemboca numa cultura de paz. triste. Isto aconteceu com Walter. Fechado em si mesmo. entrou em depressão e. o tornava arrogante e violento. Joana. Não consegue viver seus desejos e sonhos pela ação poderosa e violenta do marido e acaba sucumbindo. o ser humano interfere na vida. acabou esmorecendo e sucumbindo. justiça e vida plena. e não pela partilha e pelo gesto de amor. Tem imensa capacidade de amar e partilhar este amor. Na convivência. nas comunidades. apenas guardava consigo seus medos e ensinamentos adquiridos na infância. geralmente. de igualdade. é uma ação violenta. Joana. não se preocupou em se desenvolver. Esta descoberta mexe com Joana e exige dela uma nova postura de vida. Sente-se valorizada como mulher. A vida que Jesus Cristo veio nos trazer e ensinar é a que cria espaços para uma cultura de paz na vida das pessoas. O seu mundo era de domínio e de poder.

Comunidade). sofrimentos e lacunas de vida digna. O que Jesus tem a nos ensinar. Somos resultado das relações interpessoais que vão se estabelecendo na vida. ou conhece algum caso que gostaria de partilhar? 6. na partilha da experiência e na obstrução de qualquer tipo de manifestação violenta. nos grupos. paz. É necessário. o Seu amor a todas as pessoas violentadas e causadoras de violência. violência e dor. A bandeira deve ser o amor incondicional. estas pessoas podem ser ajudadas nas suas feridas. ou para a desgraça. para homens. bondade. carinho. Você vive. quando lemos o texto Jó 8. Somos organismos interativos. que pode ser para o bem. Por isso. Situações como a de Joana. (OASE. com Joana? 5. como também. ajustar. nas famílias. só com atitudes baseadas no amor. Qual o comprometimento das amigas e do grupo. O que fazer quando nos deparamos com situações como a de Joana? 4. estabelece uma ação de causa e efeito entre as partes. mulheres. estão presentes nas relações entre patrões e empregados.1-11? O que podemos aprender? Estamos agindo conforme a vontade de Jesus. oração. O cristão tem como responsabilidade. Não há outro jeito. perdão. que um cirurgião ideal pode tocar e consertar. não há modelo pronto. onde existe inclusão. povos e culturas. que representa um caminho de vida. para a felicidade. fé e direitos iguais. Cabe a Igreja a tarefa de levar a Misericórdia de Deus.máquinas de fios soltos ou válvulas queimadas. peregrinar no caminho que denuncia atos violentos e injustiças causadoras de dor e sofrimento. retirar ou reconectar.? Somos seus instrumentos na valorização do ser humano e na edificação da paz? 30 . O Amor de Cristo. vizinhos. Perguntas motivadoras (podem ser respondidas em grupos): 1. A construção da paz se dá no dia-a-dia das pessoas. pois todos são resultado de um sistema social que fracassou. nas comunidades. ajudar a diminuir e sanar sofrimentos e dores causados por atitudes más e violentas entre as pessoas. toda relação com outra pessoa. Por isso. muitas vezes. A vida que Jesus Cristo veio nos trazer e ensinar é a que cria espaços para uma cultura de paz na vida das pessoas. que reagem àquilo que acontece ao nosso redor ou dentro de nós. Porque Joana não teve êxito na sua proposta de mudança de vida? O que faltou? 3. O que aconteceu com Joana? Ela sofreu violência? 2. na sociedade. entre colegas de trabalho.

e muito menos. pedimos para que distâncias entre as pessoas sejam diminuídas. Que pais e filhos. Senhor. Senhor. Amém. Pois. as ações da humanidade que geram guerra.. Intercedemos pela paz nas relações familiares. carinho. de incentivo.20: “aquele que disser que ama a Deus e não amar o seu irmão. o respeito. Como contribuir para uma cultura de paz? Canto: HPD II – 423 – Ao orarmos Senhor. tenha piedade de nós. para que encontrem caminhos de superação. conforme I Jó 4.7. possam vivenciar o amor. E. liberdade. é mentiroso”. de ajuda. Que possamos viver o Teu Evangelho de Paz. mas não nos preocupamos com a pessoa que está ao nosso lado. para que as pessoas sejam mais tolerantes.. Senhor. Oração de intercessão (o grupo pode realizar orações de intercessão. diferença. possam ser transformadas em atitudes que provocam e geram paz. Se alguém é desconhecido. Que possam ser apoiadas por outras pessoas e instituições. Senhor escute a nossa oração. intercedemos pela humanidade. Ajude. 31 . mais compreensivas. com a vontade de Jesus. E ser indiferente também é um sinal de violência. no exercício do bem e na igualdade de direitos entre todos. umas com as outras. especialmente. Amar a Deus e virar as costas para o outro não corresponde com o desejo de Deus. nem mesmo perguntamos seu nome. em todos momentos e lugares. enfocando situações que estejam presentes na realidade local): Senhor. que em Jesus sofreste violência para nos mostrar o amor e nos ofertar salvação. Intercedemos pelas pessoas que sofreram e sofrem violência. na cruz. direitos iguais. que consigam se libertar. quando em nossas ações. Que haja apoio aos projetos e ações que lutam contra a violência. sempre declaramos nosso amor a Deus. Amar o próximo é ter para com ele um gesto de carinho. em prol de uma cultura de paz. continuamos a pregar Cristo. Gesto da paz Dirigente: Temos problema de divisão em nosso grupo em nossa Comunidade? Em nossas orações. de afeto. marido e esposa. com aqueles que são e tem opiniões diferentes. nosso Deus. Somos indiferentes. ajude-nos a sermos agentes de transformação. tolerância.

para grupos e organizações sociais. que ajude a preservar a paz e que afaste a violência. Conhecer leis. o grupo vai sentindo-se desafiado a realizar algo. Então. de viver sua própria história. de modo a serem divulgadores e parceiros da proposta. Vamos nos perguntar. ao seu ser mulher. uma ação concreta. crueldade. nos grupos de jovens. ainda está pouco inserida neste processo de discussão. Urge fazer algo para modificar as relações entre as pessoas. Quanto menos ocupar espaços e menos se conhecer a si e seus direitos. É tempo de se dar oportunidades. Aqui os lenços podem ser entregues um ao outro. Às vezes. Capacitar-se e transformar o meio. para servir como agentes de prevenção. onde todos conhecem o lugar onde querem chegar e se respeitam na caminhada. de senhoras. O que é necessário para viver uma cultura de paz? Envolver-se de forma continuada na temática. discórdia e agressão. a não ser violência. 2. ocupar espaços de liderança e de trabalho. Isto só será vencido através da fé e da união em torno de um mesmo objetivo. como podemos ser instrumentos de Deus para transformar as realidades de violência?. Necessitamos sair desta realidade. somos poucos corajosos e muito tímidos. Levar a proposta à escola. A mulher da OASE. Joana exercitou. estudar o assunto.) Compromisso com a paz – contra a violência Dirigente: As pessoas não suportam mais ouvir e falar em violência. acaricie a pessoa ao lado e deseje paz. Mas é necessário sermos persistentes na construção da dignidade e da paz. abrace. mas não conseguiu prosseguir. beije. se assim for do interesse do grupo) 1. Necessita abrir-se mais para assuntos que dizem respeito a sua vida. a possibilidade de ser ela mesma. direitos. É tempo de não se calar. Trabalhar na formação das pessoas. a mulher luterana. Todos os dias as manchetes da imprensa estão a relatar agressões. 32 . A seguir alguns aspectos que podem ajudar o grupo a descobrir como agir. desrespeito.(Faça um gesto. discutir e realizar. por um instante. Parece que não temos nada mais a apresentar como sociedade. Levar a proposta para dentro da Igreja. entre outros. que compromisso queremos assumir para sermos instrumentos de uma cultura de paz? (Com o estudo e envolvimento com o tema. mais vulnerável está e mais aberta para ser vítima da violência.

Que tenhamos forças para afastar de nós e de nosso redor.3. queremos agradecer pelo nosso encontro. Que nossa voz. Te proteja no teu caminho. nosso Senhor. do amor e da paz. pelos ensinamentos. nosso Deus. quando caíres. mesmo quando estamos resistentes. pelo crescimento que tivemos.. para sermos o ombro amigo aos violentados e protege nosso andar para permanecermos firmes na fé e servirmos com amor na defesa da paz e da justiça. ajude-nos a levantar e continuar a servir. Em Jesus Cristo. os que são oprimidos e violentados.. de forma que o círculo se feche): Deus da vida . te abençoe. direitos humanos. Por Jesus Cristo. quando falhamos. Obrigado por nos ensinares. Dá-nos Tua paz. 4. Renova-nos com Teu Espírito Santo e ajuda-nos a permanecermos juntos na luta contra a violência.. Estudar a Legislação. quando sobre ti se abater a escuridão. Perdoa-nos. Canto: HPD II – 432 – Se caminhar é preciso. Te dê o ouvido amigo. ECA. Pai Nosso. Benção (cada participante do grupo coloca sua mão na cabeça do seu vizinho. Dá-nos Tua mão. Verificar sinais de violência entre os participantes do grupo e em torno do grupo e ver formas de eliminá-la. ecoe por todos os lugares e seja um grito de indignação e de testemunho. 5. Oração final (A oração pode ser espontânea): Senhor. Amém. Te fortaleça. diante da tua solidão.. Utilizar meios de comunicação para divulgar a proposta. quando estiveres fraco. a Tua vontade. Denunciar as violências constatadas. Te dê a Sua luz. Que tenhamos capacidade de ajudar os que sofrem maus tratos. Te ampare. 6. 33 . Amém. os que perdem o direito à liberdade. pela Tua presença. lei Maria da Penha. apáticos e confusos. Quando fraquejarmos. tudo aquilo que gera violência. sem violência. 7. Tu nos fazes acreditar que é possível construir um mundo de paz. Te inclua na comunhão dos que lutam pela paz. Envolver-se com a proteção às vítimas de violência.

Mas 90% dos agressores em caso de violência doméstica são homens. Ela adormeceu no sofá da sala e quando acordou. Professora da Faculdades EST. Ele começou a sair com colegas e voltava tarde da noite. a ponto de nem visitar mais a sua família. mas ele voltou de madrugada. Certa noite. o questionou sobre a hora de voltar. é que Dílson começou a mudar de comportamento: não queria que ela visse suas amigas e achava que todas a levavam para o mau caminho. Infelizmente. dizendo que não agüentava mais viver assim. Apenas depois do nascimento da primeira filha. Tinha vergonha que alguém pudesse ver os hematomas no seu rosto e corpo. Ângela caiu no chão e ele continuou chutando e esbofeteando-a. São Leopoldo (RS) No início do casamento. assim como há irmãos que matam irmãs ou filhos que abusam dos pais ou avós. Dílson deu um tapa no rosto e continuou batendo nela. quando alcoolizado. Ângela nunca deu muita atenção ao fato. Dílson pediu desculpas e Ângela tinha certeza que ele nunca mais faria isso. Ângela e Dilson estavam muito felizes.Família e Violência Doméstica Valburga Schmiedt Streck Psicóloga. enquanto que Ângela pedia para ele parar. As crianças acordaram e começaram a gritar. Claro que também há mulheres que abusam de homens e de crianças. A violência doméstica cresce em todo o mundo de forma alarmante e se sabe que 75% dos abusadores de mulheres e crianças são pessoas do círculo mais íntimo das vítimas: maridos. irmãos. 34 . o lar é para muitas mulheres e crianças um lugar mais inseguro do que caminhar numa estrada escura durante a noite. Ângela estava cada vez mais deprimida e isolada. Ângela percebeu que o consumo de álcool mudava o seu comportamento e que. Ângela o esperou com a janta. Ela retrucou. a agredia verbalmente cada vez que tinham um argumento. pais. Dílson respondeu que estava cheio das reações dela e que havia mulheres muito mais carinhosas do que ela. padrastos. ao ver o marido entrar na casa. Apesar de que durante o namoro ele a tenha humilhado. No dia seguinte. namorados. Passaram os anos e a violência de Dílson aumentou.

No entanto. numa noite. Maria ficou meses no hospital e nunca mais recuperou sua saúde. Quando Maria disse a Pedro que queria a separação. pode significar que ele seja desmoralizado perante seus companheiros ou que perca o seu trabalho. Depois de um casamen- 35 . Entre as razões que as vítimas acham para não denunciar a violência doméstica se encontram as seguintes: não perder a casa e o meio ambiente em que a gente vive. não tirar o pai das crianças. a depressão é tão grande que a gente nem consegue mais imaginar uma vida diferente. A violência doméstica acontece em todas as classes sociais. ele imediatamente perguntou com quem estava dormindo. Afinal. Muitas mulheres não têm coragem para denunciar o companheiro. mas quando estão sob efeito do álcool se tornam violentos. E aí começa. as mulheres vítimas de violência têm entre 30 e os 50 anos. como por exemplo. casou com Ana. ele a obrigou a ter sexo com ele. Entretanto. um ciclo que muitas vezes acaba de forma trágica. em geral. contratar um advogado para as defender. Muitos agressores são pessoas bem pacíficas e bem relacionadas. o fim do casamento nem sempre significa que a mulher e os filhos estarem livres da agressão.Em geral. Quando se tem uma baixa auto-estima é comum escolher uma pessoa que demonstra segurança e firmeza nas decisões. A vida de Maria virou um inferno e. questões financeiras. Se a mulher ou companheira denuncia o homem que a agrediu. mas nunca muda e nunca vai mudar. o fato de ter sido vítima de abuso durante a infância faz com que mais facilmente se entre numa relação de abuso. muitos homens dizem que nenhum deles quer ter uma mulher mandona em casa. Carlos era o rapaz mais admirado entre os rapazes da turma e tinha como fãs todas a moças da turma. Por outro lado. as mulheres da classe média e alta em geral têm mais recursos à mão. Para muitos homens. bonito e esportista. Por isso. sendo a maioria casada e geralmente com dois ou mais filhos. a idéia de que vão perder o poder sobre a sua companheira traz uma grande insegurança. Pedro casou com outra mulher com quem tem três filhos. Jovem. porque ele sempre promete mudar. Quem manda no terreiro é o galo! Isso é bem comum ouvir no nosso contexto. depois que o casal voltou de uma festa. perfurando o pulmão. Após anos de humilhação e violência. uma moça tímida e insegura que mal conseguia acreditar que foi a garota escolhida por Carlos. Maria se negou e ele enfurecido a esfaqueou várias vezes. questões religiosas (Deus quis esta união e o que Deus abençoou o ser humano não deve separar) ou ainda questões culturais.

o Estado. até que um agressor é denunciado.to de 15 anos. a Igreja. A violência doméstica faz parte de um ciclo de violência dentro do nosso contexto social. melhor. Nos últimos 40 anos. como homem e mulher. Proteger o agressor não ajuda nem a vítima nem ao agressor. A própria palavra família significa: todos os que estão sob o pátrio poder. onde outros tipos de violência acontecem. e formando redes de apoio para acabar com a violência doméstica bem como em outros níveis. ou todas as pessoas que estão sob o poder do pai. é importante que as vítimas não se calem. Quanto mais cedo. Infelizmente. como a violência econômica. culturas ainda hoje se diz que. a escalada da violência pode ter graves conseqüências. Assim. Eles podiam exercer a força física para obter o direito matrimonial. a escola. 36 . ela está em nível de igualdade com o sexo oposto. Por isso. quanto mais o homem é violento com a sua esposa. Quem estava sob o poder do pai? A mulher. Durante muito tempo. Em muitos lugares no nosso contexto ainda se acha que as mulheres devem ser submissas aos homens e que elas são inferiores a eles. Não sendo mais vista como propriedade do homem. são passos importantes para que mulheres e homens possam viver em parceria. Por isso. devem ser encontradas. a violência contra o meio ambiente. mais ele gosta dela. continuam entendendo que a mulher deve ser submissa ao homem e que as velhas estruturas de opressão não devem mudar. É importante que as mulheres e também os homens apóiem a denúncia contra a violência doméstica. os filhos. Isso significa que novas formas de viver junto. porque assim podemos quebrar esse ciclo. a nossa sociedade passou por grandes mudanças e as mulheres conquistaram um espaço como nunca tinham anteriormente. mas denunciem para que também o agressor possa ser ajudado. Durante alguns mil anos os homens tiveram o direito sobre as suas mulheres. Ana acabou no hospital com graves fraturas e finalmente admitiu para a polícia que Carlos a agrediu. as leis defendiam os maridos para castigar fisicamente as suas mulheres. os empregados e parentes que viviam junto na mesma casa e dependiam dele. a violência contra crianças etc. Mas não adianta só isso se as instituições como a família. denunciar estruturas de poder e opressão. ou para ter relações sexuais com elas. Em algumas. A mulher deixa de ser submissa e considerada inferior ao homem. o casamento era uma questão de propriedade e de política.

Dobrar duas vezes o círculo ao meio para que o pedaço de pano vire um triângulo. da costura e da montagem da flor conversar sobre: • quais as situações de violência que eu enfrentei na vida? • qual é a minha percepção sobre o tema? Como me afeta a discussão do assunto? • quais os caminhos e possibilidades que são vislumbradas pelo grupo no enfrentamento e superação da violência contra as mulheres? 37 . São Leopoldo (RS) Introduzindo o tema Violência contra as mulheres é um tema que deve seguir fazendo parte da agenda dos grupos de mulheres da Igreja. São as cinco pétalas da flor. Dinâmica do fuxico Em pequenos grupos: Recortar pedaços de tecido em forma de círculo. Depois. Costurar as bordas. costurar as cinco pétalas umas nas outras para formar a flor. Enquanto faz a dinâmica do corte dos panos. Conversar sobre o tema no espaço da Igreja oportuniza que o mesmo saia do âmbito doméstico e se misture com os assuntos da vida comunitária. Professora da Faculdades EST. A igreja não pode se omitir diante da responsabilidade de falar abertamente sobre o tema da violência contra as mulheres e assim romper o silêncio cúmplice do sofrimento de tantas mulheres. permite que o assunto saia do âmbito do cochicho e entre nos espaços públicos e assim responsabilize e comprometa as pessoas em atitudes que busquem a transformação desta situação.Encontros e conversas que dizem NÃO à Violência contra as mulheres Elaine Gleci Neuenfeldt Pastora. Fazer cinco triângulos destes.

os medos. a amizade. cantar.. uma vez que tudo aquilo que afeta um dos membros do corpo de Cristo. chorar. Subsídios para o estudo Por que falar sobre este tema dentro da Igreja? Este é um assunto que tem a ver com a nossa vida de fé? (Baseado no documento: As Igrejas dizem NÃO à violência contra as mulheres. machucadas em seu corpo e tendo a sua integridade física ameaçada e que o silêncio continue a reinar nas nossas igrejas. por medo. a solidão. Então. podemos seguir algumas propostas: Aprender a chamar a violência pelo seu nome: pecado. é um assunto que tem a ver com as igrejas. A igreja tem sido o espaço de denúncia para muitas situações de injustiça e de dor. Para tanto. o carinho. da Federação Luterana Mundial) Seguramente que sim..Partilha Partilhar as conversas dos grupos em plenária. e leve também a cura. Já não queremos e não podemos mais ficar com os olhos fechados ou fazendo de conta que não escutamos os gemidos das nossas irmãs que sofrem. o assunto da violência contra as mulheres precisa ser tratado em nossas reflexões. as tristezas. Não é possível pensar que mulheres continuem sendo espancadas. por não encontrarem lugar e espaço para falar da sua dor.. em nossos grupos de estudo.. Soprar para fora do círculo – que o sopro leve as dores. muitas vezes em silêncio. Se quisermos ser igreja que segue o exemplo de Jesus Cristo. 38 . amarrando algumas questões e cuidando para que o clima seja de confiança e de cuidado afetivo.. orar. Para encerrar. é necessário que se tome uma atitude profética também no assunto da violência contra as mulheres. o afeto. por vergonha.. afeta a todo o corpo. As pessoas que coordenam devem ir sistematizando. abraçar. Ler o salmo 55 como voz de mulheres que sofrem violência. Encerrando.. a vergonha..

espaços seguros e de confiança onde as mulheres podem abrir seu coração contando suas dores.. sofre. como Pai. que são imagens masculinas. • Ensaiar novas formas e metodologias de trabalhar com textos bíblicos. 39 . Dialogar sobre como ajudar as vítimas • Buscar em conjunto medidas que podem ser tomadas quando uma mulher conta que foi vítima de violência • Estabelecer redes de ajuda: colocar em contato e reunir diversas organizações que trabalham com vítimas de violência.. textos de terror. Senhor. Uma forma de abordar estes textos é entendê-los no âmbito do testemunho da história de dificuldades e limitações que são enfrentadas pelo povo de Deus. a filha do rei Davi. A violência sexual que Tamar. Juiz.. • A violência muitas vezes se cimenta sobre um modelo de família baseado em valores patriarcais. etc. Precisamos recuperar. Rei. dando supremacia a esta forma de nomear a divindade. • Oferecer espaços de conversa. O uso literal de alguns textos dificulta uma compreensão mais contextualizada da palavra de Deus. Desafiar para trabalhar textos que tratam da violência contra a mulher na Bíblia. Imagens de Deus que refletem a experiência masculina. sobre como se misturam vida e texto bíblico. como força presente na vida cotidiana das pessoas.Refletir sobre as diferentes características que a violência contra a mulher adquire na sociedade e na igreja. delegacias. Exemplo: Trabalho de um texto bíblico específico: 2 Samuel 13.. então. especialmente como luteranas. a capacidade de leitura e estudos de textos bíblicos. A metáfora masculina para Deus imprime um gênero para o sagrado. e limitantes em relação às mulheres • Perceber quais os efeitos que a modernização e a globalização da economia têm sobre as situações de violência contra as mulheres • Analisar como os meios de comunicação contribuem para intensificar e normalizar a violência Propostas práticas para as igrejas • Exercitar uma linguagem mais inclusiva para referir-se a Deus. Podemos promover reflexões comunitárias que ampliam nossos entendimentos sobre os textos bíblicos. falar de Deus como mistério. Torna-se uma tarefa desafiadora. texto difíceis.

21-24. Is 40. de paróquias. pregar ou lembrar em ações ou orações as vítimas e as implicações da violência contra a mulher.14-16.• Promover grupos de ajuda mútua.14-16. 17. confirmandos etc para ampliar a idéia de que podemos nos relacionar sem violência. 43. 13.28-30.7. falar. 55. 62. • Prever em orçamento de comunidades. Jo 14. 41. Mt 11. 40 . sem medo de que sua vida vai ser levada para fora dali. 9. 31.1-3. • Refletir sobre violência com grupos de jovens. de sínodos. cursos e palestras sobre o tema da violência contra a mulher. Lc 11. Jó 21.27. 6. que se reúnem para refletir sobre assuntos que tem a ver com o jeito como foram construídos e educados em seu ser de homem.18-25. refletindo sobre o tema da violência contra as mulheres. Ro 8. 12. • Nos dias destacados do calendário litúrgico ou normal. Textos bíblicos que podem servir de consolo: Sl 7.1013.1-4. 2-7.15. Liturgias – orações – espiritualidade • Incluir imagens femininas e outras imagens e metáforas que vão além dos gêneros para falar sobre Deus. 10. 8-11. O que pode ser feito com os homens agressores? Como trabalhar para que os homens aprendam relações de não-violência? • Promover grupos de homens nas comunidades.5-13. • Promover conversas pastorais com homens agressores. 49. e celebrar este dia. onde as mulheres podem falar abertamente. • Pensar em um dia de solidariedade com as mulheres. 16.

C. em nome de Jesus Cristo que nos ensinou a viver o amor e em nome do Espírito Santo que nos impulsiona a buscar relações de justiça e dignidade. A tua graça./ que poderemos te dar? Um simples coração/ e uma vontade de cantar. Maria (Milton Nascimento) Acolhida D. pelas muitas faces da violência em nosso cotidiano. Senhor. Recebe o nosso louvor/ e a tua paz vem nos dar. Jaraguá do Sul (SC) Claudete Beise Ullrich Prelúdio (Sugestão: Maria. tem compaixão de nós e perdoa-nos! 41 . Amém. (Pessoas – entregam um copo de água fresca.: Ó Deus da vida. De água boa a jorrar / Para nossa sede estancar. Confissão de Pecados D.: Ó Deus.: Estendemos as nossas mãos e repartirmos um copo de água fresca com todas as pessoas que buscam forças para vencer a violência tão presente entre nós. enquanto as pessoas vão estendendo as suas mãos em forma de saudação) Hino de Entrada: Água (Simei Monteiro/Albete Monteiro) Aqui chegando.: Estamos reunidos e reunidas em nome do Deus da vida. melhor que a vida será E o teu amor em nós será manancial. D. pedimos perdão. Senhor.CELEBRAÇÃO Vencendo a Violência: falar e não mais silenciar Pastora da IECLB.

bendita e irmanada co’a justiça. por isso o trago como leitura coletiva pela comunidade reunida. e eu confio em ti. tem compaixão de nós e perdoa-nos! Momento de oração silenciosa Kyrie – Pelas dores deste mundo (Letra e música: Rodolfo Gaede Neto) C.: Confessamos que cresce entre o índice de violência contra as mulheres. abrace o mundo inteiro. 1 – Deus livrará você de perigos escondidos e de doenças mortais. perdão bondoso Deus. Tem compaixão. A um só tempo geme a criação. 2 – Ele cobrirá você com as suas asas. Apressa-te com tua salvação. A tua paz. 42 .. O racismo.: canta: Pelas dores de mundo. Teu reino venha a nós! Kyrie eleison! Palavra de confiança. 1 Num momento de aconselhamento pastoral à uma mulher vítima da violência doméstica. pois a violência também se mostra em nossas comunidades e famílias cristãs. Tu és o meu Deus. tem compaixão de nós e perdoa-nos! D. segundo a Bíblia na Linguagem de Hoje.: Ó Deus. Elas sofrem violência doméstica. O teu poder sustente o testemunho do teu povo. e debaixo delas você ficará seguro. ó Senhor. psíquica.: Ó Deus. C. A fidelidade de Deus o protegerá e defenderá. segurança e proteção: Leitura Responsória do Salmo 911 1 – Aquele que procura segurança no Altíssimo Deus e se abriga na sombra protetora do Todo-poderoso pode dizer ao Deus Eterno: 2 – Tu és o meu defensor e o meu protetor. sexual. C. imploramos piedade. a discriminação e a exclusão são algumas das faces de como a violência se mostra entre nós. 1 – Você não terá medo dos perigos da noite nem dos assaltos durante o dia. Teus ouvidos se inclinam ao clamor desta gente oprimida..: Pedimos perdão.D. ela me contou que buscava forças para sua vida no Salmo 91. emocional. perdão Deus da vida e da justiça. Ainda existe muito silêncio em torno da violência entre nós. física.

Palavra não foi feita para dominar. Destino da palavra é a eternidade. 1 – Deus mandará que os seus anjos cuidem de você para protegê-lo em todos os momentos da sua vida. Hino: Palavra não foi feita (Irene Gomes) Estr. leões ferozes e cobras venenosas. 1 – Com os pés você esmagará leões e cobras. Destino da palavra é união. Palavra é uma ponte onde o amor vai e vem. Palavra não foi feita para opressão. Palavra não foi feita pra cair no chão. eu responderei e estarei com eles nas horas de aflição. para que nem mesmo os seus pés sejam machucados nas pedras. 1 – Você fez de Deus o seu protetor e do Altíssimo o seu defensor. Onde o amor vai e vem. você não sofrerá nada.2 – Não terá medo da peste que se espalha na escuridão nem dos males que matam ao meio-dia. 2 – Deus diz: Salvarei aqueles que me amam e protegerei os que me conhecem como o Deus Eterno. 2 – Por isso nenhum desastre o ferirá.: Palavra não foi feita para dividir ninguém. Destino da palavra é o coração. 2 – Eles vão segurá-lo com as suas mãos. 1 – Ainda que mil pessoas sejam mortas ao seu lado. 43 . 2 – Você olhará e verá como os maus são castigados. Todas/os: Como recompensa eu lhes darei vida longa e mostrarei que sou o seu Salvador. leões e cobras. 1. e dez mil ao seu redor. Destino da palavra é dialogar. Palavra não foi feita para a vaidade. 2. e nenhum mal chegará perto da sua casa. 1 – Quando eles me chamarem.

buscando formas alternativas na superação da violência... Somente assim é possível curar as marcas roxas escondidas nos corpos de mulheres.1-30 Pequeno comentário – Este texto aponta para as marcas da violência sexual.. moral.” Vençamos o silêncio!) Ponderai nisso. água fresca que nos orienta na caminhada. chorar e encontrar meios para a cura transformadora deste mal que é a violência. a humilhação. apáticas.30 c) é um desafio para as nossas práticas comunitárias e cristãs. física. Palavra não foi feita para semear A dúvida. No entanto. tristes. chamando a atenção para que esta situação não mais se repita. a tristeza e o mal-estar. para acontecer transformação.. nada é dito.. considerai e falai (Jz 19. o que ela fazia. O silêncio em reina em relação à história de vida desta mulher: como ela era. o texto nos convida a sairmos do silêncio (as pessoas tiram os panos de suas bocas. Deus nos oferece a sua Palavra. Não mais silenciar. O texto quer ajudar na reflexão sobre o ocorrido. psíquica. Vencendo o silêncio: falar e não mais calar (Entram pessoas com a boca tampada com um pano. Destino da palavra é a construção De um mundo mais feliz e mais irmão. nos convoca a não mais ficarmos quietas. emocional. É necessário vencer o silêncio. considerai e falai. Falar sobre a violência é um dos primeiros passos para que a mesma não se repita. Buscar ajuda. crianças. 44 . a dor. Precisamos criar espaços para falar. o que ela sonhava. mudam o seu semblante apático e dizem felizes em conjunto: “ponderai nisso.3. o texto traz a memória o sofrimento. não conversam entre si.) Leitura Pausada do Texto de Juízes 19. a violência sofrida por esta mulher.. Falar sobre as múltiplas faces da violência. sentam no altar. O nome da mulher que sofre em seu corpo as marcas da violência não é mencionado. sair do anonimato são formas de impedir a continuidade da violência em nosso cotidiano. assim como eles e meditamos no texto de Juízes. Ao mesmo tempo. A Palavra de Deus.

) Hino: Canto de Esperança (Esther Cámac e Edwin Mora) 1. Permaneçam firmes. Que força e vitória lhe concederei. Vê teu irmão engajado que transforma A vida com sangue e suor. Pedimos-te que restaures a sua dignidade como seres humanos amados e criados a tua ima- 45 . Deus da vida. E a teu irmão vai unir-te.: Cantemos ao nosso Deus.) (Estender as mãos abraçar-se. Estr. Quando se abate a esperança Ele se achega e nos fala: Bem junto a mim continuem. Ele é o Senhor. 2. repartindo novamente um copo de água fresca.(Momento de Partilha: situações de violências no contexto da comunidade. Quando se abate a esperança Ele se achega e nos fala: Vai procurar tua irmã Para juntar-te a ela no esforço da paz. 3. Ele se achega e nos fala: Olha a tua irmã que caminha E luta buscando um mundo melhor. Oração em conjunto Querido Deus. que firme estarei. Fiquem comigo na luta. Vai alentando a esperança E veio a este mundo conosco lutar. crianças e pessoas conhecidas e desconhecidas que levam no seu corpo marcas visíveis e invisíveis da violência. Na luta da vida que o mundo refaz. Quando se abate a esperança. fonte de vida: colocamos na tua presença mulheres.

no descanso. fonte da vida. Amém.. jorrando águas vivas sobre o chão que vieres a pisar.. Em nome de Jesus Cristo. Pai-Nosso de mãos dadas Bênção Deus.. abençoe o teu viver...inverno. na produção. Mostra-lhes o caminho da cura. Na alegria..no luto. na escuridão das trevas. Faça com que a nossa comunidade seja um lugar de aconchego e de acolhimento. no cair da chuva..na criação.... para que a tua vida seja plena..... restaurando a confiança e a esperança.verão.. abençoe o teu viver. fonte da vida....na festa.. no brilho do sol.... abençoe o teu viver. Deus.. 46 ..no lazer.no iluminar das estrelas e da lua... fonte da vida. dando-te prazer e alegria naquilo que fazes..... em todas as estações da vida... Amém. Primavera. Na tristeza...... para que sejam “curtidos” como graça da eternidade! Deus.gem e semelhança. nas horas de trabalho.durante a noite. Encoraja-lhes a falar e não calar diante da opressão. que acolhe e vem ao encontro de todas pessoas. abençoe o teu viver.na doença. Outono.. Deus.. durante o dia... fonte da vida. fonte de bênçãos. Deus. Na saúde.. fonte da vida. abençoe o teu viver. Que Deus te ajude a falar e não silenciar diante das muitas faces da violência.