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Jorge Pereira Filho

TV pública e espaço público em transformação

abermas * participação cidadã% .Resumo: Refletir sobre as transformações do conceito de espaço público. destacando o papel 'ue a participação da sociedade pode ter em sua materiali(ação% Palavras-chave: )spaço público * comunicação pública * J+rgen . bem como relacionar esse processo com o contexto atual dos pro etos de comunicação pública !como as redes de tele"isão# $ nosso ob eti"o% & proposta $ le"antar um debate sobre os no"os desafios de iniciati"as desse tipo.

h/ tamb$m bens públicos. essas 'uestões não contemplam respostas simplistasA em sociedades democr/ticas.abermas redarguiu6 >as h/ dom=nios "itais "ulner/"eis 'ue n:s não podemos expor aos riscos da especulação financeira% 0%%%1 ?o )stado constitucional democr/tico.abermas. o fil:sofo J+rgen . ornalista fe( um contraponto6 . cu a linha editorial se 1 & entre"ista foi publicada no li"ro Sobre a constituição da Europa% 2 ?ão nos parece 'ue a comunicação pol=tica não distorcida se a um hori(onte fact="el. e a escolha da direção $ fre'uentemente crucial%2 Raymond Williams !34456748# )m uma entre"ista publicada pelo ornal alemão Die Zeit em 3449 sobre a crise financeira internacional. 34736773# 7 @ poss="el extrair desse coment/rio do fil:sofo alemão duas pro"ocações atuais 'ue se relacionam com o estudo da comunicação pública6 a insufici<ncia da informação direcionada pela racionalidade financeira no 'ue se refere ao atendimento da necessidade dos cidadãosA a <nfase dada ao entretenimento por parte dos grupos pri"ados de comunicação%3 )"identemente. dada a sub eti"idade inerente de todo processo comunicacional% Bem aprofundar essa 'uestão. foi publicado em um seman/rio alemão. tal"e( a comunicação pol=tica ancorada na cidadania se a uma premissa mais efeti"a% . pr:prio coment/rio de . de um grupo pri"ado. de "ariadas mati(es% . como a comunicação pol=tica não distorcida.abermas criticou os processos de pri"ati(ação nos )stados .Burocracias estatais podem simplesmente não ser rentáveis do ponto de vista econômico 2% .abermas.-. os meios de comunicação compõem um ecossistema complexo. 'ue englobaram ser"iços como pre"id<ncia e saúde. 'ue não podem ser talhados conforme as expectati"as de rendimento de in"estidores financeiros% & necessidade de informação dos cidadãos não pode ser satisfeita pela cultura de canapés promo"ida por uma tele"isão pri"ada disseminada por todos os cantos% !. assinalando 'ue tal pol=tica não combina com os princ=pios igualit/rios pr:prios de um )stado democr/tico de direito% .s sentidos intermedi/rios 0de comunicação1 * tornar comum a muitos e partilhar * podem ser lidos em 'ual'uer uma das direções.nidos. por exemplo.

para considerar 'ue se tornaram -estruturas indispens/"eis C articulação entre as diferentes arenas e atores dos processos deliberati"os nas sociedades contemporHneas2.abermas re"iu sua teoria. NpúblicoN $ coloni(ado pelo Npri"adoNA No interesse públicoN $ redu(ido C curiosidade a respeito das "idas pri"adas das figuras públicas. limitando a arte da "ida pública C exposição pública dos casos pri"ados e das confissões públicas de . algumas ressal"as% )ntendemos 'ue esse referencial * ao lado de outros estudos não citados a'ui * pode contribuir com o aprimoramento de um sistema público de comunicação% ?ão h/ dú"ida de 'ue as decisi"as transformações da sociedade contemporHnea. como a 'ue por exemplo ?oam EhomsF e )dGard . relacionandoIos com um pro eto de sistema público de comunicação% ?ão se pretende apresentar uma exausti"a discussão bibliogr/fica a respeito.abermas. por$m.erman apresentaram em Manu acturin! "onsent# $%e &olitical Economy o $%e Mass Media' )sta tem/tica em particular. ocorridas a partir da segunda metade do s$culo JJ. mediante. mas sim esboçar um debate explorat:rio. não $ a <nfase deste texto.caracteri(a por fomentar um debate plural e 'ualificado sobre os acontecimentos locais e internacionais% & re eição das respostas mani'ue=stas nos parece tão necess/ria 'uanto a cuidadosa apreciação da cr=tica Cs limitações do interesse econDmico na "eiculação de informações por grupos pri"ados. 'ue procura refletir sobre alguns traços contemporHneos da teori(ação sobre o espaço público. $ por'ue são as preocupações e os interesses dos indi"=duos (ua indi"=duos preenchem o espaço público. para futuramente poder lhe fornecer contornos menos urgentes% Eompartilhamos da premissa le"antada por &ngela >ar'ues !3449# de 'ue . alteraram (ualitativamente o espaço público% Eomo registra o diagn:stico feito pelo soci:logo KLgmunt Mauman% Be o indi"=duo $ ho e o pior inimigo do cidadão. complementandoIa com uma bibliografia selecionada. e se a indi"iduali(ação significa problema para a cidadania e para as pol=ticas baseadas na cidadania. por$m. pretendendo ser seus únicos ocupantes leg=timos e expulsando todo o resto do discurso público% . a partir da re"isão feita pelo pr:prio . calcada inicialmente em um olhar eminentemente cr=tico dos meios de comunicação.

com a troca de mercadorias em larga escala e com um sistema de comunicação de longa distHncia% Restrito a 'uestões liter/rias no in=cio. ignorando 'uestões "erdadeiramente !ou supostamente# públicas% Procuraremos ao longo do texto assinalar aspectos dessa transformação na "isão de 'uem primeiro desen"ol"eu o conceito de espaço público% O espaço público burguês )m Mudança estrutural da es era p)blica* li"ro publicado originalmente em 7PO7. 34476O9# Be a origem do espaço público. est/ na passagem das 'uestões pri"adas. relacionandoIa ao florescimento de um ideal de humanidade% Qsso ocorre na esteira do desen"ol"imento da economia mercantil capitalista. os clubes. primeiramente para ambientes de con"i"<ncia como os salões.abermas. pública. restringeIse a uma esp$cie de voyeurismo coleti"o. Mauman assinala o in"ersoA ho e o interesse público se des"anece na "ida pri"ada. enfim.abermas analisa a "ida pública e pol=tica dos s$culos JVQQ e JVQQQ at$ meados do s$culo JJ na Qnglaterra.sentimentos pri"ados !'uanto mais =ntimos melhor#% &s N'uestões públicasN 'ue resistem a tal redução se tornam incompreens="eis% !Mauman. para uma arena mais ampla. transformando as ra(ões dos su eitos de mercado em contrapartes das ra(ões de )stado% !Mucci. sociedade e )stado% )m linhas gerais. como pro eção das relações de mercado. França e &lemanha. a in"estigação interdisciplinar habermasiana elege a dinHmica do espaço público como categoria central para compreender o surgimento das sociedades modernasA a obra discorre sobre a transformação da intimidade e da sociabilidade promo"ida no Hmbito interno da fam=lia burguesa. 3477# Rilson Somes !7PP5# propõe uma definição sint$tica de esfera pública6 . passam a compartilhar informações e a formar opiniõesA e suas necessidades indi"iduais ganham no"o rele"o% & esfera pública nasce. com desta'ue para as no"as relações entre economia. 'ue ganham ressonHncias públicas no interior do )stado. o espaço público $ a extrapolação dos assuntos relacionados C fam=lia burguesa. pr:prias do ambiente particular da fam=lia burguesa. as casas de ch/ ou caf$% )sses su eitos burgueses !propriet/rios#. por meio de pessoas pri"adas. reunidos coleti"amente em um espaço comum. em . J+rgen .

abermas escre"eu6 -Perante a esfera pública ampliada. mais o seu princ=pio. 'ue surgiu como um espaço público de discussão e exerc=cio da cr=tica. & esfera pública dominada pelos meios de comunicação de massa e infiltrada pelo poder tornaIse um cen/rio de manipulação da busca por legitimidade% & esfera pública. tais como o poder. . a discussão critica mediante ra(ões de um público de pessoas pri"adas autDnomas. li"res e iguais% . 347U# Eomo assinala Jorge &driano VubenoG !3478#. h/ de se submeter apenas Cs regras internas ao processo de con"ersação ou debate público% Eomo explica Tenilson Rerle. o espaço público $ formado por um público de pessoas pri"adas 'ue se reuniam para debater racionalmente 'uestões da "ida pri"ada. da administração pública e da regulação das ati"idades ci"il% >as não se pode atribuir a ele uma ambição de se tornar o pr:prio poder estatal% & esfera pública burguesa não "isa"a a con'uista direta do poder do )stadoA antes.abermas deu o nome de -refeudali(acão2 da sociedade% !Rerle. aos 'uais não se pode. o dinheiro e as hierar'uias sociais% & pública argumentação 'ue nela se reali(a constringe por princ=pio os parceiros do debate a aceitar como única autoridade a'uela 'ue emerge do melhor argumento% & esfera pública como 'ue impõe uma paridade inicial entre os su eitos de pretensões at$ 'ue a sua pr:pria posição se torne discursoA depois disso. os pr:prios debates são estili(ados num s%o-% & publicidade perde a sua função cr=tica em fa"or da função demonstrati"a6 mesmo os argumentos são per"ertidos em s=mbolos. mas como su eitos autDnomos 'ue se opõem criticamente a ela% !Rerle. por sua "e(.$ um Hmbito da "ida social protegido de influ<ncias nãoIcomunicati"as e nãoIracionais. busca"a a racionali(ação do poder pol=tico.m certo público de pessoas pri"adas passa a se compreender não mais como o mero ob eto passi"o da autoridade pública. o fil:sofo alemão constata 'ue o espaço público florescente na ordem burguesa entra em franca decad<ncia sob o )stado de bemIestar social e as democracias de massa do capitalismo tardio% .abermas assinala a contradição crucial da esfera pública moderna6 paradoxalmente. e $ articulada com fins manipulati"os%8 3 Bobre a espetaculari(ação da not=cia. . $ reorientada para algo como NpublicidadeN !no sentido da &ubli+it.t en'uanto NpropagandaN#. 'uanto mais ela se expande. parece perder sua força por'ue ustamente "ão desaparecendo seus fundamentos no Hmbito pri"ado% @ essa mudança estrutural . procurando estabelecer no"as bases de legitimação para sua origem e seu exerc=cio6 o consentimento racional entre pessoas autDnomas. 347U# )m Mudança estrutural'''.

se no per=odo concomitante C esfera pública burguesa. de um contrapro eto para o mundo hier/r'uico da dominação. os meios de comunicação estimula"am a emancipação. retomada periodicamente. em um texto C parte. assinalariam a passagem do tempo% . subculturais ou espec=ficas de uma classe. 347Ub# .abermas.ma das primeiras re"isões $ a da exist<ncia de não -apenas uma2 esfera pública burguesa. os coment/rios 'ue. . mas apenas com identificações2 !. mas tamb$m de outras -esferas públicas2 concorrentes. e não no processo de troca pública de ra(ões% & m=dia seria. um dos fatores respons/"eis pela perda da capacidade cr=tica do público e pelo decl=nio da esfera pública% Para .abermas $ com relação C participação das mulheres no espaço público. no per=odo posterior passam a atuar estrate!icamente. 3449# Autocrítica e reformulações Tr<s d$cadas depois da publicação da obra. os problemas impostos pelos meios de comunicação C constituição e ao fortalecimento de uma esfera pública "oltada para o esclarecimento rec=proco e para a troca de opiniões entre um público letrado esta"am locali(ados não no per=odo inicial de criação da imprensa. ficou tentado a modificar passagens. com premissas pr:prias e não negoci/"eis% . frisando 'ue a exclusão das mulheres da se responder com argumentos. antes de mais nada. ele confere contornos mais dram/ticos para essa lacuna.abermas apud >ar'ues. mas sim em sua fase posterior de mercantili(ação e abertura do espaço interno dos ornais aos anunciantes% !>ar'ues.. alterando ou suprimindo trechos% &o perceber 'ue seria obrigado a reescre"er a obra no"amente. assim. aspecto ignorado na escrita da obra% Tr<s d$cadas depois. o car/ter dial:gico comunicacional. opta por apresentar. Rabelais und Seine Welt 0Rabelais e seu mundo1% @ e"idente 'ue essa cultura popular não era de maneira alguma apenas um pano de fundo. isto $.abermas re"isitou Mudança estrutural para uma no"a edição% Eomo ele pr:prio admite.abermas entende 'ue.abermas. uma moldura passi"a da cultura dominanteA era tamb$m a re"olta "iolenta ou moderada. 'ue me abriu os olhos para a dinHmica interna de uma cultura popular foi o monumental trabalho de >% MaFhtin. 3449#% . com suas festi"idades oficiais e suas disciplinas cotidianas% !. fabricando uma opinião não pública 'ue tem origem na imposição de "ontades particulares.utra ponderação de . foi a primeira "e( 'ue releu o li"ro% ) como ningu$m banhaIse num mesmo rio duas "e(es.

sobretudo. mas foi determinada tamb$m em termos de g<nero em sua estrutura e sua relação com a esfera pri"ada% !. ele afirma ulguei de forma muito pessimista a capacidade de resist<ncia e.abermas 'uestiona a <nfase 'ue atribuiu ao poder dos meios de comunicação de massa na sociedade moderna. o autor reflete sobre o uso 'ue fe( a respeito do conceito de opinião pública.abermas. o ob eti"o da democrati(ação radical $ definido muito mais pelo deslocamento de forças no interior de uma -separação de podres2 mantida em princ=pio% . embora possua uma unidade de grande(a contrafactual na teoria normati"a da democracia. no"o e'uil=brio de poder não de"e ser produ(ido entre os poderes do )stado. ainda mantenho a intenção 'ue orientou a in"estigação como um todo% Begundo a autocompreensão normati"a das democracias de massa do )stado de bemI estar social. -nas in"estigações emp=ricas da pes'uisa dos meios de comunicação e da sociologia da comunicação. se afastou de referenciais cl/ssicos das concepções de alienação e apropriação das forças ob eti"as essenciais. pouco a pouco. 347Ub# . 'ue em seus h/bitos culturais começa"a a superar as barreiras de classe% !. considerando 'ue se trata de uma ficção do )stado de direito e 'ue. essa unidade / se dissol"eu h/ muito tempo2% )ssas re"isões. no sentido de 'ue esta foi dominada pelos homens não apenas de modo contingente.all.deu de maneiras distintas da 'ue ocorreu em relação aos trabalhadores. 347Ub# Por fim. 'uando re eita a possibilidade de autotransformação do )stado% -.abermas. 347Ub# . por$m. camponeses e C plebe% TornaIse patente nisso 'ue a exclusão das mulheres foi tamb$m constituti"a para a esfera pública pol=tica. muito di"ersificado internamente. mas entre diferentes recursos da integração social%2 Para ele.abermas acrescenta 'ue. o potencial cr=tico de um público de massa pluralista. não o fa(em abandonar o pro eto de efeti"ar os pressupostos normati"os da aspiração iluminista% ?ão obstante. 'uando escre"eu 'ue a m=dia propicia a passagem de -um público 'ue discute a cultura para um público 'ue consome a cultura2% Eitando os estudos de Btuart .abermas. estas somente podem se "er como uma continuidade dos princ=pios do )stado de direito liberal se assumirem seriamente o imperati"o de uma esfera pública politicamente ati"a% !.

. com <nfase nas 'uestões de deliberação% &inda assim. capacidade cogniti"a e atenção do público constituem uma fonte extremamente escassa 0%%%1 a apresentação de not=cias e coment/rios segue conselhos e receitas dos especialistas em propaganda% & personali(ação de 'uestões ob eti"as. ob eti"o não $ mais simplesmente a -superação2 de um sistema econDmico capitalista autDnomo e um sistema de dominação burocr/tica autDnomo. campanhas etc% .abermas. 'ue operam fora do sistema pol=tico ou fora das organi(ações sociais e associações. tais mensagens são submetidas a estrat$gias de elaboração da informação. 'ualidade t$cnica e apresentação pessoal% &o passo 'ue os atores coleti"os. em meio a um aprimoramento de suas teorias. mais centrada na problemati(ação dos aspectos normati"os dos sistemas democr/ticos modernos. a elaboração epis:dica e a fragmentação de contextos formam uma s=ndrome 'ue promo"e a despoliti(ação da comunicação pública% !.s produtores de informação impõemIse na esfera pública atra"$s de seu profissionalismo. pouco flex="el e limitada centristicamente% &ntes de serem postas no ar. mas a contenção democr/tica da interfer<ncia coloni(adora dos imperati"os sist<micos nos dom=nios do mundo da "ida% !.abermas.abermas apud VubenoG. t<m normalmente menos chances de influenciar conteúdos e tomadas de posição dos grandes meios% Qsso "ale especialmente para opiniões 'ue extrapolam o le'ue de opiniões da grande m=dia eletrDnica. a mistura entre informação e entretenimento. as 'uais se orientam pelas condições de recepção ditadas pelos t$cnicos em publicidade% ) dado 'ue a disposição de recepção. Mudança estrutural''' lançou bases conceituais 'ue influenciaram uma geração de in"estigações na /rea de comunicação% ?a obra Direito e democracia !7PP3#. 347Ub# Produções posteriores @ bem "erdade 'ue o tema espec=fico dos meios de comunicação de massa não ocupa lugar central na obra de . 3478# . $ poss="el di(er 'ue a imagem pol=tica constru=da pela tele"isão compõeIse de temas e contribuições 'ue / foram produ(idos para a publicidade e lançados nela atra"$s de confer<ncias..abermas "olta a tratar da tem/tica da esfera pública. 'uando reformula a relação sistemaImundo da "ida e altera as caracter=sticas da esfera pública% RessalteIse 'ue mant$m profundamente cr=tico com relação ao papel dos meios de comunicação de massa para a esfera pública% )m geral. -e'uilibrada2. esclarecimentos.

ocupam a posição mais fraca% T s públicas Be hou"e. uma sociedade ci"il inclusi"a precisa conferir poder aos cidadãos. na "isão de . . fa( uma inflexão em sua construção te:rica. se comparados aos pol=ticos e aos lobistas.abermas propõe duas condições para 'ue a m=dia exerça efeti"amente uma dinHmica de mediação entre diferentes arenas e atores c="icos e pol=ticos6 a# independ<ncia do poder econDmico e pol=ticoA b# instaurar mecanismos ade'uados de eedbac/ entre esses diferentes atores e as arenas comunicati"as% )m primeiro lugar. $ representati"o 'ue em . abdica de algumas pressuposições pr:prias da )scola de FranFfurt e entende os meios de comunicação como um espaço lim=trofe poroso entre os diferentes espaços 'ue compõem o centro !elite pol=tica# e a periferia !sociedade ci"il# do sistema pol=tico% )m "omunicação pol. ao mesmo tempo 'ue estabeleça conexões entre a comunicação pol=tica desen"ol"ida na esfera pública.abermas tamb$m considera 'ue a representação da sociedade ci"il na realidade retratada pela m=dia $ insuficiente. esses discursos não podem se degenerar em um modo coloni(ador da comunicação% Bob o segundo aspecto. os representantes de sistemas funcionais e de grupos de interesse especiais usufruem tamb$m de um certo acesso pri"ilegiado aos media% )les se encontram em uma posição na 'ual podem utili(ar t$cnicas profissionais para transformar o poder social em pot<ncia pol=tica% Srupos de interesse público e ad"ogados tendem tamb$m a empregar m$todos gerenciais de comunicação coorporati"a% ?esse sentido. no entanto.abermas.abermas.tica na sociedade midiática. de modo 'ue eles possam participar de discursos públicos e responderIlhes% )m contrapartida. a sociedade ci"il e o centro do sistema pol=tico% )m segundo lugar. um sistema medi/tico autorregulador de"e manter sua independ<ncia frente aos sistemas 'ue o rodeiam. uma transformação da esfera pública na passagem do per=odo burgu<s para as democracias de massa. ressalteIse 'ue . comparati"amente% Tado o alto n="el da organi(ação e dos recursos materiais. os atores da sociedade ci"il..

incorporando tamb$m r/dio e internet% ?esse contexto de reflexões e disputas./ um processo de con"erg<ncia. o pro eto das tele"isões públicas surge. na Qnglaterra os grupos pri"ados 'uestionam a atuação da icDnica ME na internet * 'ue nasceu como empresa pri"ada em 7P33 e se tornou pública e independente a partir de 7P35 !&rroLoA MecerraA Eastille oA Bantamar=a. em uma tentati"a de lançar iniciati"as reguladoras 'ue garantissem a 'ualidade do espaço público ou de um debate plural 'ue não se submetesse ao ugo do poder econDmico% ?ão nos cabe discorrer sobre a complexidade dessa experi<ncia * 'ue. a ponto de conseguirem a anu<ncia do )stado de 'ue agir/ para redu(ir a presença da empresa pública na Geb% ?a França. sobretudo a disseminação dos ser"iços de informação pela internet. 'ue aponta para um setor público de comunicação. em uma operação contro"ersa. se tornou anacrDnico% . com peculiaridades e leituras espec=ficas% & 'uestão $ 'ue ho e esses pro etos de alguma maneira se encontram em re"isão% Podemos decir 'ue en todo el mundo.n debate 'ue se produce en el marco general de la reflexi:n * m/s amplia * sobre el espacio público 'ue se est/ lle"ando a cabo en Vatinoam$rica en los últimos aWos L 'ue se articula en diferentes L nue"as f:rmulas de con"i"encia entre )stado. como tamb$m no então chamado campo socialista. encampado sobretudo pela socialdemocracia europeia. consistiu em -uma pol=tica pública de efic/cia "erific/"el. 3473# *. se est/ reflexionando sobre 'u$ lugar deber=an ocupar en el ecosistema plural de medios 'ue toda sociedad democr/tica debe construir L alimentar% . mas limitada2 * implementada não apenas em pa=ses do mundo ocidental. isoladamente. segundo )ugenio Mucci !3477#. pero con especial $nfasis en &m$rica Vatina. donde desde hace algún tiempo se ha rea"i"ado el debate en torno a cu/l deber=a ser su funci:n L su misi:n. 3473# & concentração econDmica em curso entre os grupos pri"ados 'ue atuam no setor e o impacto das transformações tecnol:gicas.sua pr:pria teoria percebamIse constantes tentati"as de atuali(ações dessa conceituação conforme as pr:prias mudanças da sociedade% ?o decorrer desse per=odo. o presidente ?icolas BarFo(L pro=be a $élévision 0rance de "eicular . estão reconfigurando o neg:cio midi/tico sem 'ue se "isuali(e um ponto de chegada% &o mesmo tempo. mercado L sociedad% !&rroLoA MecerraA Eastille oA Bantamar=a. o pro eto de uma tele"isão pública.

entre elas#. em tese fa"or/"eis ao "eto comercial * de 'ue a medida beneficia"a ustamente grandes apoiadores de sua campanha presidencial. e com pro etos / existentes re"igorados com aportes significati"os de "erbas% & esse respeito. 'uanto o limite para o monop:lio e o oligop:lio dos meios de comunicação social% & <nfase do 'uestionamento. sob a acusação feita por seus cr=ticos * reunindo at$ mesmo integrantes da Viga Eomunista Re"olucion/ria. com no"as empresas sendo criadas no )'uador. no sentido de garantir sua pluralidade e sua efeti"idade com "istas a um sistema democr/tico% )xemplos de medidas nesse sentido seriam tanto as garantias e os direitos constitucionais relati"os C informação. pelas redes públicas de comunicação. na Vene(uela. nesse texto. 3477# @ de se ressaltar 'ue. as reflexões cr=ticas de )ugenio Mucci !3477# nos ser"em de bali(as para repensar.publicidade comercial no hor/rio nobre. C liberdade de opinião. recai na e2clusividade de atribuir aos ser"iços públicos de tele"isão o papel de garantir a 'ualidade da esfera pública% . a condição de arena permanente capa( de barrar tanto os "=cios absolutistas 'uanto os excessos sel"agens do capitalismo6 eis a s=ntese do car/ter ut:pico dos pro etos de tele"isão pública da socialI democracia% !Mucci. em um contexto de reconfiguração da esfera pública. a esfera pública moderna iria atingir. a comunicação pública seria a solução para os dilemas da sociedade no 'ue se refere a liber/Ila dos constrangimentos do mercado e do interesse go"ernamental% ?ascida contra o absolutismo e a desumani(ação da sociedade. no entanto. o autor ressal"a 'ue considera poss="el contribuir institucionalmente para a esfera pública. entre outros. no Mrasil. as emissoras pri"adas !a TF7. a &m$rica Vatina "i"e ustamente um per=odo de renascimento do sistema público de comunicação. as possibilidades de cr=tica da utopia da tele"isão pública% !"tre mitos e reali#ações )m 1 telespaço p)blico. de expressão e de organi(ação. Mucci analisa 'ue um hori(onte irreal permeou a tentati"a de tornar a tele"isão pública ordenadora da esfera pública% Deus e23mac%ina. 'ue herdariam a receita pri"ada da tele"isão )m paralelo.

ou de suas conclusões% . teria sido no passado e ainda $ no presente a mais ambiciosa poss="el. e em lugar nenhum.ma leitura apressada.m dos argumentos apresentados $ 'ue. com todos os seus "=cios inerentes. mas. em termos ob eti"os. a tele"isão comercial pode ser mais sens="el Cs demandas do público 'ue a tele"isão estatal ou mesmo pública. os grupos pri"ados reali(am tarefas 'ue os ser"iços públicos de comunicação não reali(aram% )m momentos extremos. ou en"iesada. debateIse entre f:rmulas de financiamento mais ou menos estatais e outras mais ou menos comerciais% . com "istas C sua "iabili(ação% . propunham !e propõem# uma interlocução 'ue oscila"a !e oscila# entre dois discursos6 o estatal e o comercial% ?os bastidores. consistiramIse num campo 'ue era disputado tanto pelo poder 'uanto pelo dinheiro% Tiante do telespectador. 'ue Mucci propõe $ um a uste das expectati"as dos pro etos de uma tele"isão pública. de modelo e de gestão na )uropa e tamb$m no Mrasil% Mucci afirma 'ue as experi<ncias hist:ricas mostram 'ue os "ariados pro etos oscilaram entre ustamente os dois p:los a 'ue esta"am predestinados a combater6 a influ<ncia do poder e a do dinheiro% em nenhum momento. uma "e( 'ue na pr/tica a m=dia pri"ada se mostrara mais eficiente% ?ão nos parece o caso% . em termos fact="eis. pro eto re'uer emissoras públicas 'ue se ocupem mais da 'ualidade da comunicação e menos de suas conse'u<ncias. com raras exceções. no mundo inteiro.. a TV pública. 'ue resta para o pro eto das emissoras públicas $ ustamente o de proporcionar espaços públicos protegidos da l:gica posta pelo sistema de anunciantes da comunicação comercial. o 'ue pode ser garantido por ordenamentos públicos% Parece uma pretensão menor. muitas "e(es. desde 'ue sem sal"acionismos% . as redes públicas escaparam C condenação de promo"er um e'uil=brio tortuoso entre o )stado e o mercado% &ntes de abrir um -terceiro termo2. poderia indicar o abandono de 'ual'uer possibilidade de efeti"ação do ser"iço público de comunicação. 'ue se encontram em crise de identidade. a interação do público com a m=dia comercial pode ser tão -politi(ada2 'uanto a'uela 'ue a socialIdemocracia espera"a 'ue o telespectador manti"esse com a tele"isão pública% ).

negros. Moa"entura Bousa Bantos e Veonardo &"rit(er fa(em uma bre"e an/lise da constituição dos sistemas democr/ticos modernos. com o assentimento dos atores en"ol"idos a partir de processos racionais de discussão e deliberação% Eonsistiria. com a procura de uma no"a institucionalidade da democracia2 !Moa"enturaA &"rit(er. trabalhadores. ou do eedbac/. assim. precisa contar. cu a origem est/ na di"ersidade das formas de "ida existentes nas sociedades contemporHneas. 344863O#% Tal procedimentalismo social e participati"o.abermas abriu espaço para 'ue o procedimentalismo passasse a ser pensado como pr/tica social. minoriais raciais * podem problemati(ar em público uma condição de desigualdade na esfera pri"ada2 !Moa"enturaA &"rit(er. em uma modalidade de exerc=cio coleti"o do poder pol=tico. considerando 'ue a -esfera pública $ um espaço no 'ual indi"=duos * mulheres.s autores concluem 'ue a democracia participati"a constitui uma no"a -gram/tica hist:rica2. 344863X#% Moa"entura e &"rit(er destacam 'ue J+rgen . e não como m$todo de constituição de go"ernos. afirmando 'ue a preocupação das contraIhegemDnicas $ -a <nfase na criação de uma no"a gram/tica social e cultural e o entendimento da ino"ação social articulada com a ino"ação institucional. consideramos 'ue refletir sobre os contornos em 'ue ocorre a participação da sociedade em um pro eto público sinali(a não re"i"er a ut:pica caminhada rumo a mundo fantasioso. da m=dia.Retomando a pro"ocação feita por .m dos en'uadramentos 'ue adotamos para estudar essa participação cidadã est/ nos conceitos de democracia participati"a% )m -Para ampliar o cHnone democr/tico2. cu a base estaria assentada em um processo de li"re apresentação de ra(ões entre iguais% . isto $.abermas sobre a condições de circularidade. para ser plural. contrapondo discursos hegemDnicos e contraIhegemDnicos a respeito de suas problem/ticas% . mas sim atuali(ar as possibilidades 'ue tal iniciati"a poderia se reali(ar% $ue participaç%o& .

)% Manu acturin! "onsent6 a Propaganda >odel% ?eG YorF6 Pantheon.Y. &% S%A B&?T&>&RZ&..EEQ. $largit les hori(ons et permet C chacun de mieux se comprendre en comprenant le monde et les autres% & radiot$l$"ision publi'ue se d$finit comme un lieu de rencontre oa tous les citoLens sont in"it$s et consid$r$s sur une base $galitaire%2 Tispon="el em6 bhttp6ccGGG%cmrt"%orgcradioIpubli'uecradioIpubli'ueIhistori'ueIfr%htmd.)R>&?. 3443% . K% 6 sociedade individuali+ada% Rio de Janeiro6 Kahar. .>B[Y. >%A E&BTQVV)J. organi(ação não go"ernamental !. )ug<nio% )m torno de um conceito preliminar de telespaço público% Qn6 M)?)VQT)B. >% V% de >%A M)RE.nesp. E% de !. S%A >)V. 3449% p%8PPIU39% E. acesso em 74 ago% 3473% .?S# criada para promo"er a radiodifusão pública a radiotele"isão pública se destina a cada um dos cidadãos% )ncora a o acesso e a participação na "ida pública% Tesen"ol"e os conhecimentos.% "a4as má4icas# el renacimiento de la televisi5n p)blica em 6mérica 7atina% >adrid6 Tecnos. 3447% M.)ntendemos 'ue pressupostos pr:ximos bali(am a caracteri(ação de ser"iço público de radiodifusão feita pelo Eonselho >undial de R/dioITele"isão !E>RTV#. "emos 'ue a "igorosa apropriação da sociedade ci"il $ "ital para a efeti"ação de um pro eto de "erdadeiramente plural e democr/tico% Referê"cias bibliogr'ficas &RR. 347Ua% ]]]]]% Pref/cio C no"a edição% Qn6 ]]]]]% Mudança estrutural da es era p)blica% Trad% Tenilson Rerle% Bão Paulo6 )ditora .nesp. 347Ub% 4 -E^est la radiot$l$"ision du publicA elle s_adresse C chacun en tant 'ue citoLen% )lle encourage l_acc`s et la participation C la "ie publi'ue% )lle d$"eloppe les connaissances. J% Mudança estrutural da es era p)blica% Trad% Tenilson Rerle% Bão Paulo6 )ditora .. entendemos 'ue a incorporação de instHncias de interlocução efeti"as com a sociedade podem contribuir considera"elmente para um pro eto dial:gico de tele"isão pública% ?ão desconsideramos a'ui a crucial importHncia de outros aspectos para a efeti"ação de um pro eto de comunicação deste tipo * com desta'ue para a independ<ncia editorialIadministrati"a e para o financiamento% Por$m.VQEQ..rgs#% Direitos %umanos* democracia e Rep)blica6 . amplia os hori(ontes e permite a cada um compreender melhor o mundo e os outros% & radiotele"isão pública se define como um lugar de encontro onde todos os cidadãos são con"idados e considerados sobre uma base igualit/ria%U )m nosso estudo.omenagem a F/bio [onder Eomparato% Bão Paulo6 \uartier Vatin do Mrasil. 3473% M&. ?%A .&M)R>&B. V%A M)E)RR&..>&?.

&M)R>&B.s meios de comunicação na esfera pública6 no"as perspecti"as para as articulações entre diferentes arenas e atores% 7.nesp. n%37.0orm. "%77. Bet%cTe(%.)B. J% Mudança estrutural da es era p)blica% Trad% Tenilson Rerle% Bão Paulo6 )ditora .abermas. >ar=lia.bero. &% .B. M% B%A &VRQTK)R. 3473% S. 3448% R)RV). Bão Paulo.R. 347U% RQVVQ&>B. Rilson% )sfera pública pol=tica e media% Eom .bero.abermas% 6nais do 89 Encontro anual da "1M&:S.>)B. T% Qntrodução C edição brasileira% Qn6 . 3449% B&?T.6ção. n% 8. J% V% & esfera pública X4 anos depois6 esfera pública e meios de comunicação em J+rgen . contra .]]]]]% Eomunicação pol=tica na sociedade medi/tica6 o impacto da teoria normati"a na pes'uisa emp=rica% 7. "%77. 3473 >&R\. n%37.M)?. V% -Para ampliar o cHnone democr/tico2% Qn6 ]]]]]% !org%#% Democrati+ar a democracia% Porto6 &frontamento. p% 79PI334. 7PP5% V. R% &alavras3c%ave6 um "ocabul/rio de cultura e sociedade% Bão Paulo6 Moitempo. 3449% ]]]]]% Sobre a constituição da Europa% Bão Paulo6 )ditora . "% 8X.nisinos. 3445% . Bão Paulo.abermas% $rans. .nesp.