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Universidade Federal do Pampa

CURSO DE SERVIÇO SOCIAL

CÁSSIA PILAR SALGADO

A ARTE E O SERVIÇO SOCIAL: EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL NO SERIADO CHAVES E NO LOTEAMENTO MARIA CRISTINA

São Borja, RS 2014

CÁSSIA PILAR SALGADO

A ARTE E O SERVIÇO SOCIAL: EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL NO SERIADO CHAVES E NO LOTEAMENTO MARIA CRISTINA

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado ao curso de Serviço Social da Universidade Federal do Pampa como requisito parcial para obtenção do Título de Bacharel em Serviço Social. Orientador: Prof. Dr.Cesar Beras

São Borja 2014

CÁSSIA PILAR SALGADO

A ARTE E O SERVIÇO SOCIAL: EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL NO SERIADO CHAVES E NO LOTEAMENTO MARIA CRISTINA

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado ao curso de Serviço Social da Universidade Federal do Pampa como requisito parcial para obtenção do Título de Bacharel em Serviço Social.

Trabalho de Conclusão de Curso defendido e aprovado em: ______/______/______

Banca examinadora:

______________________________________________________ Prof. Dr. Cesar Beras Orientador UNIPAMPA

_____________________________________________________ Prof.ª Jane Cruz Prates PPGSS/PUC-RS

______________________________________________________ Prof.Me. José Wesley Ferreira UNIPAMPA

______________________________________________________ Prof. Dr. Tiago Martinelli UFRGS

O Teatro Mágico .Borboleta parece flor Que o vento tirou pra dançar Flor parece a gente Pois somos semente do que ainda virá Sonho de uma flauta .

e o loteamento Residencial Maria Cristina Surreaux Vargas Pereira. expressões da questão social. que começou a se passar no inicio da década de 1970. assim. As políticas públicas de habitação. Arte e os seriados de TV. Para o estudo. Sendo assim. realizado no Residencial Maria Cristina. Seriado A Turma do Chaves. Depois. onde fomos abordar o seriado de televisão A Turma do Chaves. Para embasar este trabalho foram realizadas reflexões teóricas sobre Arte. a territorialização da questão social e o trabalho do assistente social na habitação. mostraremos o capítulo dos dados e por último as considerações finais. que se materializou em outubro de 2013 na cidade de São Borja/RS e. buscamos verificar se a dinâmica do capitalismo continua se atualizando e por consequência se manifestando nas expressões da questão social. Capitalismo e Urbanização. Nesse sentido.RESUMO O presente trabalho versa sobre Arte e Serviço Social. contextualizando tanto o seriado quanto o loteamento e apresentando as possíveis atualizações do sistema capitalista. Palavras-chave: Loteamento Residencial Maria Cristina. capitalismo. traremos a experiência ocorrida durante o Estágio Supervisionado em Serviço Social II. Emancipação e Serviço Social. . utilizar-se-á o método comparativo e para as técnicas de pesquisa documental e a observação participante.

contextualizando tanto la serie de TV como la asignación. que comenzó a transmitirse a principios de los años 70. Arte y series de TV. . traemos la experiencia adquirida durante la Pasantía Supervisada en Trabajo Social II. políticas públicas de vivienda. donde buscaremos hacer una comparación entre ambos. buscamos verificar si la dinâmica del capitalismo continúa actualizándose. realizada en la Residencia Maria Cristina. capitalismo. Así mismo. Capitalismo y Urbanización. En ese sentido. utilizamos el método comparativo y para las técnicas de investigación. y el trabajo del trabajador social en la vivienda.expresión de los problemas sociales. Emancipación y Trabajo Social. Para el estudio. las conclusiones. discutiremos la serie de televisión "El Chavo del ocho". y en consecuencia manifestando se en la expresión de los problemas sociales. Serie "El Chavo delocho" . y La Asignación Residencial Maria Cristina Surreaux Vargas Pereira. territorialización de los problemas sociales. Para esto. y presentando las posibles actualizaciones que ofrece el sistema capitalista. Para apoyar este trabajo fueron realizadas reflexiones sobre Arte. Así. que se concreto en octubre del 2013 en la ciudad São Borja/RS.RESUMEN El presente trabajo trata sobre el arte y el Trabajo Social. Luego pasaremos al capítulo de los datos. y finalmente. Palabras-clave: Asignación Residencial Maria Cristina. el documental y la observación participativa.

.......... 95 .................................................................... 75 Tabela 2: Condições de habitabilidade ....................................... 88 Tabela 5: Problemas de sociabilidade ...................... 85 Tabela 3: Problemas sociais ........................................................................................................ 90 Tabela 6: Quadro comparativo situações x episódios I .......................................... 93 Tabela 7: Quadro comparativo situações x episódios II ............................................................... 94 Tabela 9: Quadro comparativo situações x episódios IV ................................................ 93 Tabela 8: Quadro comparativo situações x episódios III ........................................................... 87 Tabela 4: Condomínio ...................................................................................................................................................LISTA DE TABELAS Tabela 1: A Turma do Chaves e Loteamento Maria Cristina .................................................................

...... 29 3..... A TERRITORIALIZAÇÃO DA QUESTÃO SOCIAL E O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL ............................................................................................ 43 4 A ARTE E OS SERIADOS DE TV ....................... 29 3.. 56 5........................1 Técnicas de pesquisa ..3 O Trabalho do Assistente Social na habitação ....2 Método e Metodologia................................................................. 75 6............................................................................... 71 6....................... 37 3.............................. 71 6..............2 A arte................A Turma do Chaves: os principais personagens e suas características .......................... 15 2.............1 As políticas públicas de habitação: O Surgimento do Programa Minha Casa Minha Vida56 5.......................2... 32 3............................... 40 3.......................................... 29 3.........2...... 38 3.......................3 Como se atualizam as expressões da Questão Social no capitalismo..........................................1 Problema e hipóteses ...2 Hipóteses de pesquisa ..................................... 70 6.............................................................. 47 4.................................................................................................2............ 71 6................................................ 74 6...................... 23 3 CAPITALISMO....................................... 73 6.........2 Seriados de TV ...............................................1 Emergência da televisão como forma de produção cultural .................................................. sobram problemas” .. A urbanização no capitalismo........... 61 5.................................................... 84 ............................................................................................. EMANCIPAÇÃO E SERVIÇO SOCIAL .......................................................................1...................................... URBANIZAÇÃO E AS EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL ...4........................................... 64 6 COMPARANDO O SERIADO DE TV “A TURMA DO CHAVES E O LOTEAMENTO “MARIA CRISTINA”: AS EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL EM DADOS ....1....2 O que é a Questão Social e suas expressões ......SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...1 Arte e Emancipação Humana ..........2................................................................ 9 2 ARTE.... Condições de habitabilidade e o episódio “Falta água.................3 Objeto: Seriado de TV “A Turma do Chaves” e o Residencial Maria Cristina Surreaux Vargas Pereira.................. 73 6........ a emancipação e o Serviço Social .......2 Técnicas de Análise .....................2...................... A Questão Social como objeto do Serviço Social ................... 47 4....................................... 84 6.........................................1 Capitalismo e Urbanização ......2 A Territorialização da Questão Social ..........................1.1.....................................1 As expressões da Questão Social e sua dinâmica ...1.................... 50 5 AS POLÍTICAS PÚBLICAS DE HABITAÇÃO.........................................2.................4 Comparando o seriado e o loteamento: a atualização das expressões da questão social............ 15 2....................................1 Problema de pesquisa ............................... Características centrais do capitalismo: focando o Manifesto do Partido Comunista .......................................1...............

..................... 86 6.....................................................................6.................................4...................................................................................105 Anexo 4: Retorno da caixinha . 98 ANEXOS ................................... 106 ..................................... 88 6...................................................................................................................3 Condomínio caro e o episódio “O Despejo do Grande Campeão”.......Encontros da Boa Vizinhança .......................................................4 Existem situações de problemas de sociabilidade e o episódio “As calças do Seu Madruga” .........................................................................4............................... 104 Anexo 3:Mini Flyer........................................................................................... 103 Anexo 2: Cartaz – Encontros da Boa Vizinhança .............. 103 Anexo 1: Cartaz – A pracinha é nossa ........................................................................4.......... 89 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..2 Existem problemas sociais e o episódio “O ladrão da vila” ...................................................................... 92 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................

no Residencial Maria Cristina que foi materializado em outubro de 2013. consideramos as expressões da questão social atuais. tanto as expressões da questão social que. nos hábitos. tentando responder as hipóteses acima. os condôminos vieram tanto da zona rural quanto da zona urbana. causando estranhamento e discrepância nas relações sociais. . As políticas públicas não conseguem romper com a dinâmica do capitalismo e por consequência devido o deslocamento de moradias anteriores para o Residencial Maria Cristina. Outro elemento que foi levado em contas através das hipóteses é que se as políticas públicas em seu processo de configuração do território provocam mudanças. desigualdades sociais. Nesse sentido formulamos o seguinte problema: Por que a Questão Social se manifesta no seriado de TV “A Turma do Chaves” e no loteamento Maria Cristina?”. geram também.9 INTRODUÇÃO O presente trabalho aborda a comparação entre Arte e Serviço Social. Assim buscamos compreender se o capitalismo continua com uma dinâmica inexorável. partindo do capitalismo. ou seja. B) Sim. no material e no imaterial. nos costumes. A partir da formulação dessas duas hipóteses.através do programa do Governo Federal “Minha Casa. que começou a passar na televisão há 40 anos atrás. nos condomínios. pois. na cidade de São Borja-RS. Assim. uma outra forma de territorialização. e inclusive. não somente no concreto no visível. nosso objetivo central foi mostrar se as expressões da questão social do seriado “A Turma do Chaves”. Com isso. enfim. tendo costumes. ou seja. onde a consequência disso tudo se dá através da propriedade privada. assim. diferentes culturas. sendo elas: A) Sim. produzindo um outro espaço social. são atuais. parte do Programa Minha Casa Minha Vida configurando dessa forma os elementos para uma tentativa de comparação da expressão artística com a realidade. hábitos. sem políticas previamente definidas para dar conta disso. ocorre o processo de desterritorialização de re-territorialização. onde a classe dominante possui os meios de produção. Minha Vida”. se ele tem um movimento ininterrupto ou permanece estático. que enquanto sistema produtivo promove incessantemente a desigualdade visível nas expressões da questão social. A partir do problema exposto tentamos respondê-lo com duas hipóteses. em que se desfazendo do espaço onde estão. logo. temos enquanto objeto de pesquisa o seriado de TV “A Turma do Chaves” e o loteamento Residencial Maria Cristina Surreaux Vargas Pereira. como por exemplo. Porque as expressões artísticas do seriado demonstram uma dinâmica inexorável do sistema capitalista. como por exemplo.

tanto da zona urbana. indo para a dimensão pedagógica do Serviço Social. O segundo foi desvelar as expressões da questão social no loteamento Maria Cristina com o intuito de identificar e compreender os conflitos sociais existentes. desvelar as expressões da questão social no loteamento Maria Cristina. ou seja. compreendermos os conflitos existentes e compará-los com o Seriado de TV “A Turma do Chaves” e fazermos a relação de ambos. do ensino no Curso de Serviço Social e não somente dos componentes obrigatórios de graduação como os . problematizar a realidade na qual as pessoas vivem com o objetivo de mostrar a função social da arte e instrumental. por último. O projeto buscou trabalhar as relações sociais e teve dois encontros um político. pode servir de elemento comparativo para buscarmos compreender tal realidade. analisar a Política Pública “Minha Casa Minha Vida”. Dessa forma. pois. verificarmos como se davam as relações sociais. Descobrir como o Serviço Social pode. cultural. e relatar a experiência do Estágio Supervisionado em Serviço Social II trazendo o projeto de intervenção “Encontros da Boa Vizinhança”. por meio da arte. E. O terceiro foi analisar a Política Pública no programa “Minha Casa Minha Vida” com o objetivo de mostrar os impactos que causam o processo de des-territorialização e reterritorialização nos condomínios. dentro de um lugar onde o espaço social produzido se torna novo e vivido coletivamente. pois. quanto da zona rural e assim. mudando os hábitos e os costumes de alguma forma. a partir dos componentes curriculares. A partir do exposto acima. relatar a experiência do estágio em Serviço Social II trazendo o Projeto de Intervenção “Encontros da Boa Vizinhança”. trabalhando de uma forma interdisciplinar/multidisciplinar. ou seja. os moradores vieram de espaços diferentes. partindo para dimensão sócio-político e outro. iremos abordar os seguintes elementos que justificam a nossa pesquisa. ou seja. no momento que uma de suas expressões. o Trabalho de Conclusão de Curso é de extrema importância enquanto formação acadêmica. nesse processo mostra-se a bagagem de aprendizado que ocorreu durante a graduação. Primeiro.10 Especificamente objetivamos quatro questões: descobrir como o Serviço Social pode se expressar através da arte. no caso o seriado.

podem gerar uma grande discussão. esse trabalho contribui para a academia. cultural. dessa forma olhando a totalidade. congressos. e sim. começa-se a edificação da identidade profissional. Foi o momento em que se pode. pois. não dando respostas de imediato à sociedade. contextualizando com o social. algo que procure responder as demandas dos usuários. tem sua escassez nas bagagens teóricas do Curso de Serviço Social. . de criticidade. 1 Dessa forma podendo complementar a graduação em Serviço Social. ou seja. Política da Cultura e Sociologia do Rock que são dos cursos de Comunicação Social. como também. econômico. se envolver em componentes curriculares de outros cursos. no que diz respeito ao curso. pois. a partir de pesquisas sobre a temática pode-se dizer que não se tem muitos estudos sobre. encontros. a experiência enquanto representante discente de extensão da universidade. logo. nos trazendo a oportunidade de colocarmos em prática tudo o que se foi discutido até então. servirá para aprofundarmos o que realmente são expressões da questão social. a partir da leitura da realidade do campo de estágio. fazer a intervenção. aguçados. podendo. ressaltando que não de uma forma imediata. que logicamente envolve os territórios que por consequência traz consigo a cultura. temos a universidade enquanto o espaço em que estamos construindo conhecimento e esse trabalho vem juntamente com esse processo de vivência. os eventos dentro e fora da universidade (seminários. se há de deixar claro que o Serviço Social trabalha na perspectiva dos processos.11 complementares1. entretanto. em nosso processo de formação tem-se o componente curricular obrigatório de Estágio Supervisionado no currículo do curso. pode-se surgir outras ideias para se trabalhar com a arte. como foi no caso do Loteamento Maria Cristina e do seriado de TV “A Turma do Chaves”. tanto as desigualdades sociais. essa mescla com a arte. momento esse de propor algo. o objeto de trabalho do Serviço Social que é a questão social e suas expressões e usando a arte enquanto problematização da realidade. também foi possível durante esse tempo. a extensão. ou seja. portanto. Em segundo. mostrando a mescla de Serviço Social e Arte. logo. ou seja. Em quarto. mas. para além do ensino. destaca-se a pesquisa. como por exemplo. tendo em vista que. como da permanência. o que pode contribuir tanto para a academia. Em terceiro. mostrando assim. simpósios). quanto a habitação. o envolvimento no movimento estudantil participando nas lutas para a melhoria da universidade tanto na questão do acesso. sendo inovador para o Curso. mostrarmos a nossa criticidade via expressões artísticas. quanto para a sociedade. usada tanto para a intervenção quanto para processos pedagógicos e pesquisas. com os olhos de observador. assim. podemos visualizar na arte. Portanto. articulado com a leitura do real. Temos assim a oportunidade de expor isso através deste trabalho.

quanto do ouvir. do olhar. compreendendo o sistema capitalista. descobrimos que não temos muitos trabalhos relacionados ao assunto. dessa forma . fazendo-se assim. o que contribui para as possíveis formas de prevenção. na sala de aula e deixa-se claro aqui. pois. nos filmes. como também. Logo. Capitalismo e a atualização das expressões da questão social. onde se pode expor as ideias. nos projetos de extensão. tem-se relevância para a sociedade e no entanto. a necessidade que se tem de fazer essa articulação nesses espaços. Adorno. Bonduki. nas esculturas. Para dar conta destes desafios organizamos a seguinte discussão teórica como forma de embasar nossa reflexão usando nos capítulos autores como: Marx. aonde a questão territorial vem também com hábitos. para o Serviço Social. na novela. costumes. nas pinturas. Prates. Em quinto. no teatro de rua. a contribuição para a sociedade que se traz. de estratégia e de criação para a academia. onde se pode encontrar nas ruas. Portanto. nos videogames. para a intervenção do Serviço Social não necessariamente pode ser visualizado somente nas expressões da questão social compreendidas claramente no cotidiano. Hobsbawm. nas pesquisas. A partir do loteamento Maria Cristina. Haesbaert e Guerra. Na primeira discussão iremos abordar sobre a importância de trazer a arte para o Serviço Social. fazer reflexões. a partir dos levantamentos de Jesus. a maioria na região sudeste e norte. podemos construir conhecimento dos condomínios que fazem parte do Programa “Minha Casa. a sociedade. Assim. ou seja. nos grafites. Engels. mostrando a questão social e suas diferentes expressões que podem dar-se também através do processo de exclusão social quando há des-reterritorialização. luzir as ideias. ouvir e refletir. tanto da imagem. assim fazendo uma analogia com o Seriado de TV “A Turma do Chaves”. Machado. Minha Vida” e as possibilidades de sociabilidades que elas trazem. no que diz respeito à arte. Iamamoto. nos documentários. como também na arte. na música. uma bela forma de se trabalhar de uma maneira prazerosa e construtiva. Santos e Nascimento (2010) foram contabilizadas 28 produções. A Arte e os Seriados de TV e As políticas públicas de habitação e a territorialização da questão social e o trabalho do assistente social. o que se pode trazer tanto dos clássicos até os atuais. visto Serviço Social e Arte. nos desenhos animados. ou seja. Vázquez. cultura nos loteamentos e formas de sociabilidade. utilizar-se mais dela nos projetos de intervenção.12 assim. O trabalho está dividido em quatro discussões teóricas: Arte e Serviço Social. assim. Na primeira seção iremos discutir Arte e Emancipação Humana. se torna apresentar o espaço dividido por vários moradores. Este capítulo terá duas seções. trabalhar em cima de território. a forma como ele se atualiza.

Na segunda abordagem iremos discutir o Capitalismo. mostrando as possíveis formas de atuação profissional.13 buscando o papel da arte na sociedade. até chegar na nossa última seção que tem como objetivo verificar como as expressões da questão social se atualizam. traz “A Turma do Chaves” e uma prévia da história dessa expressão artística. passando pela Era Vargas e chegando no programa do qual o loteamento Maria Cristina faz parte. a Questão Social e suas diferentes expressões onde traremos o conceito e a partir de então discutiremos. trazendo território nos seus processos de des-territorialização e re-territorialização. fazendo uma contextualização desde os cortiços. trazendo a reprodução do ser social desde seu processo de alienação até a forma que ela pode contribuir como um dos elementos constitutivos para a emancipação do homem e. Num primeiro momento o Capitalismo e Urbanização onde traremos as características centrais do capitalismo e deixando como foco os contornos do Manifesto Comunista construído no século XVIII e respondendo várias de nossas inquietações da atualidade. Outro ponto será o objeto de trabalho do Serviço Social. como também. Na segunda seção vamos abordar A Arte. assim como a televisão voltada para a indústria cultural. Enquanto técnicas de pesquisa . Na primeira seção traremos As políticas públicas de habitação: O surgimento do Programa Minha Casa Minha Vida. ele se tornar um ser genérico. Após as reflexões teóricas resgataremos nossa metodologia de pesquisa que se expressa em: metodologia de coleta de dados e de análise. mostrando a sua dinâmica especifica de atualização. a urbanização e a Questão Social e suas expressões. Na terceira discussão serão trazidos A Arte e os Seriados de TV. Na primeira seção veremos: A Emergência da televisão como forma de produção cultural. como processos de exclusão social e por último e de extrema importância O trabalho do assistente social na habitação.A Turma do Chaves: os principais personagens e suas características” explica o que são seriados de televisão e o seu surgimento. Na seção intermediária abordaremos A Territorialização da Questão Social. sendo então. Na quarta e última reflexão teórica discutiremos As políticas públicas de habitação. ou seja. assim. possíveis de se identificar com a sociedade. a territorialização da questão social e o trabalho do assistente social. A segunda e última seção “Seriados de TV . a arte levada para os telespectadores. assim. a emancipação e o Serviço Social verificando a relação entre Arte e Serviço Social e suas possibilidades de ser uma ferramenta de intervenção onde nos possibilite pensar a emancipação enquanto centro da intervenção do assistente social. como os principais personagens e as suas características. essa parte tem por objetivo compreender a relação e a manifestações artísticas mostradas a partir da televisão.

Projeto de Intervenção. enquanto método comparativo. Desta forma estruturamos nosso trabalho em sete partes sequenciais: além da presente introdução. mesmo que minimamente no processo de discussão teórico-metodológica sobre a relação entre a Arte e o Serviço Social. . Buscamos assim refletir.14 utilizadas duas técnicas de pesquisa: observação não participante (artificial) a partir da experiência em Estágio Supervisionado em Serviço Social II e pesquisa documental a partir Caixinha de Críticas e Sugestões Diários de Campo. Análise Institucional. os quatro capítulos teóricos. elaborada para o Trabalho de Conclusão de Curso. Relatório Final de Estágio II e os seriados de TV da Turma do Chaves que foram escolhidos aleatoriamente e analisados para cada fase do quadro comparativo que foi a nossa técnica de análise. discutir e apresentar elementos que nos permitam avançar . mais o capitulo de metodologia e apresentação dos resultados da pesquisa e por ultimo nossas considerações finais.

A emancipação humana pressupõe o caráter coletivo. como homem individual . Santos e Nascimento. assim. De acordo com Marx: Somente quando o homem individual real recupera em si o cidadão abstrato e se converte. Nesse sentido devemos superar a questão dos chefes com seus subordinados tanto intelectualmente quanto economicamente. que reconheçam as próprias forças sociais e as tornem inseparáveis como força política. as relações sociais se tornam corroídas. Prates e Vasquez. Iamamoto. 2. como também. como também a educação que não permite a capacidade de criticidade de pensar. em seu trabalho individual e . vamos discutir a arte e o Serviço Social. a emancipação e o Serviço Social. em ser genérico. livre das pressões das necessidades econômicas. andando junto com igualdade e justiça social. onde serão discutidos os espaços de atuação profissional. uma nova forma de sociabilidade. Scherer. a privatização do conhecimento científico. o governo para poucas pessoas e a falsa verdade da democracia que privilegia a classe burguesa nas decisões. formado por relações sociais verdadeiras. Dialogaremos com Prates. a emancipação humana e os seus elementos constitutivos de acordo com Marx articulando-o com as reflexões de Scherer. EMANCIPAÇÃO E SERVIÇO SOCIAL Neste capítulo iremos abordar duas seções: a primeira sobre Arte e Emancipação Humana e a segunda sobre a Arte.1 Arte e Emancipação Humana Para uma concepção marxista a emancipação dos trabalhadores será construída pelos próprios trabalhadores onde se buscará por uma sociedade transformada. com participação realmente de todos e não o contrário. Jesus. de intervir dos alunos. Na segunda e última parte.15 2 ARTE. A primeira parte deste capítulo abordará sobre. Conceição e o Código de Ética do Serviço Social. podendo também sofrer emancipação o dono da propriedade privada que também sofre com a alienação no modo de produção capitalista. onde a sociedade se encontra formada por grupos de pessoas individualistas os quais o sistema as pressionam e que por consequência disso. de propor. onde buscará reconduzir o homem a voltar para o mundo humano. a arte enquanto um dos elementos constitutivos para chegarmos à emancipação humana através da profissão. A emancipação visa que os seres humanos tenham vida enquanto seres coletivos.

sabendo separar um do outro. porém. o homem que influencia na religião e não o contrário.. (MARX. Na obra citada acima. entre o trabalhador e o cidadão. 19). de um lado. p. Conforme Marx (2005). 42) De acordo com Marx (2005) a emancipação humana acontecerá somente quando o homem tiver reconhecido e organizado as próprias forças em forças sociais. 2005. a expressão da miséria real [. isto é. p. Para Marx (2005.] a religião é o soluço da criatura oprimida. De acordo com Marx. 88). 2005. a emancipação política ainda não é a emancipação humana. 31) “[. quando o Estado se reconhece muito bem como tal. a emancipação do homem de um lado mostra o ser egoísta independente do qual a sociedade o transformou. afirmando que “a miséria religiosa é.22). do cristão e do homem religioso em geral é a emancipação do Estado do judaísmo. portanto já não separa de si a força social sob a forma de força política. o Estado se emancipa da religião ao emancipar-se da religião de Estado. enquanto fizessem parte do judaísmo. 2005. Conforme Marx (2005): A emancipação política do judeu. somente então se processa a emancipação humana..]”. (MARX. p. “a diferença entre o homem religioso e o cidadão é a diferença entre o comerciante e o cidadão. A emancipação política da religião não é a emancipação da religião de modo radical e isento de contradições da emancipação humana.] e emancipação do Estado em relação à religião não é a emancipação do homem real [.. o espírito de uma situação carente de espírito. Conforme Marx (2005) a emancipação política não representa a emancipação humana. Para Marx (2005.. sendo então. De modo peculiar à sua essência como o Estado. A religião causa entorpecimento moral no momento em que ela domina o ser humano e a pobreza da religião seria a própria manifestação da pobreza da vida real. da religião. Segundo Marx (2005) o homem deve fazer a religião e jamais deixar que ela o faça. o homem conhecer as “condições de existências materiais dos indivíduos que determinam as suas relações sociais” (MARX. o coração de um mundo sem coração. entre o indivíduo vivendo e o cidadão [. o que para Marx seria possível haver a emancipação mesmo que estejam vinculados à religião. quando o Estado como tal não professa nenhuma religião.. 48).. p. 2 Próprias forças .]”. não precisará de religião para tomar decisões políticas. pois essa acaba por ratificar o individualismo e a propriedade privada. entre o latifundiário e o cidadão. para o filósofo. em geral. mascarada em uma igualdade formal perante o Estado.16 em suas relações individuais.. ou seja. Bauer ressaltava que os judeus não se emancipariam politicamente. do cristianismo e.. 2005. É o ópio do povo” (MARX. somente quando o homem tenha reconhecido e organizado suas “forces propres2” como forças sociais e quando. p. como já pontuamos acima. no Estado que realmente houver democracia. p.

buscando por liberdade. como empecilho a existência da propriedade privada que gera competição e por consequência a desigualdade entre as pessoas não se reconhecendo no cotidiano. os processos de alienação são fundamentais no sistema capitalista para que seja possível uma melhor exploração do trabalhador. Após caracterizar rapidamente alguns aspectos da emancipação humana podemos passar para a segunda discussão desta seção. Assim. Esse processo de estranhamento chamado alienação do qual foi discutido acima. p. Dessa forma. Acabamos. por estar em um estado de alienação. portanto. impedindo-lhe de entender os processos de exploração e manipulação em que está inserido. sendo o trabalho artístico um trabalho que faz a diferença e produz um valor de uso. (SCHERER. pois: [. além do mais. para verificarmos a sua possibilidade de servir como ponto de partida. cidadania. para se afirmar na sociedade. porém.. a presença do homem como ser criador. Porém. a questão da arte. o homem deve saber distinguir a vida religiosa da vida de cidadão e. onde todos têm os direitos garantidos. que a propriedade burguesa deverá ser abolida. por cooperativismo. em todos os aspectos da vida. para a afirmação de uma perspectiva emancipatória para a sociedade. é o homem enquanto um ser estranho que não se reconhece e não pensa de forma crítica. onde busca satisfazer as necessidades humanas. antes de tudo. no dia a dia.] Esse processo de estranhamento da vida genérica do homem faz com que ele se torne um espectador da sua própria vida. Assim de acordo com Scherer (2013) os processos de alienação são fundamentais numa sociedade capitalista para que se viabilize cada vez mais a exploração do trabalhador. cidadãos abstratos. para se comunicar.. não tendo possibilidades de pensar de maneira crítica o seu cotidiano e os processos nos quais se insere. assim. através de um objeto concreto-sensível. ou seja. 2013. Para Vázquez (2011) o produto artístico é uma nova realidade que testemunha. faz com que o homem não se reconheça enquanto ser coletivo. Se o homem é homem na medida em que é capaz de elevar-se sobre o que tem de mera natureza para se tornar (como diz Marx nos Manuscritos de 1844) um ser . enquanto instrumentalidade profissional. Os homens em sua totalidade deveriam de ser humanos-genéricos. jamais deixando de ser cidadão. sendo sujeitos coletivos e individuais para conhecer e se conhecer. como afirma Marx. 55). o que temos numa sociedade de classes. sejam para se expressar.17 Nesse sentido como já referido acima. seres genéricos que se emancipam enquanto trabalhadores e se realizam para transformar a sociedade.

pois. onde se enriquece incessantemente fazendo com que tenhamos claridade da nossa realidade. entendidas como próprias de um indivíduo que é. Graças à arte. ou seja. Marx (2008) compreende que uma atividade objetivada não se desenvolve apenas por um indivíduo. a arte faz com que o homem se torne humanizado.] Na relação estética. essa realidade formada através do trabalho. graças à arte. em outros termos. é sobretudo um ser criador. A arte pode ser um dos meios de atividade do qual o homem pode se humanizar. e o fazer artístico tem sempre algo de aventura. ela se dá em torno de um trabalho humanizador. e o objeto se torna sujeito. nesse sentido. ou o que só satisfaz de modo limitado. na relação do homem com a criação (de objetos que satisfaçam o homem. por essência.se amplia e se enriquece sem cessar. explicita-se toda a potência de sua subjetividade.faz fluir as necessidades que tem de se expressar. fazendo do próprio trabalho algo novo. criador. através de objetos humanos. (VÁZQUEZ. como ser verdadeiramente humano. se expressa toda a subjetividade.. das próprias forças enquanto ser social. ela precisa estar baseada em alguma atividade humana produzida historicamente. (VÁZQUEZ. uma atividade feita a partir do reflexo da realidade. em outras relações com o mundo. que gera outra realidade e a arte faz o aprofundamento da nossa relação com o real. pois. a arte é uma esfera onde essa potência de criação se explicita renovada e ilimitadamente . por sua vez. 2011. de se afirmar na sociedade. 49). E. 2011. o sujeito através da arte . 46) “o poder de criação de homem explicita-se na criação de objetos humanizados e de sua própria natureza. como pode ser compartilhada. um ser social. O homem quando se reconhece através do próprio trabalho. Ou.. a arte é a atividade na qual precisamente o homem eleva a um nível superior esta sua capacidade específica de humanizar tudo o que toca.18 natural humano. É criação. tem a arte como um dos elementos que podem contribuir para que se fortaleça essa criação. para Vázquez: Na relação estética do homem com a realidade. se o homem. quando já fixada no objeto por outros sujeitos. 100). ou relação estética criadora do homem com a realidade. enriquece-se e aprofunda-se nossa relação com a realidade. assim. que tenha sentido para ele. O homem sendo um ser humano e também. por meio de objetivações de outras gerações que também criaram história. Na relação estética do ser humano com o real. O homem já é criador desde que produz objetos que satisfaçam as necessidades humanas” e. se reconhece ao transformar a natureza e se transforma ao reconhecer as suas próprias forças. de suas forças humanas essenciais. p. [. o subjetivo materializa uma criação que se . mas instauração de uma nova realidade. sobrevivendo a seu criador. p. Na criação artística. o subjetivo se torna objetivo (objeto). mas um sujeito cuja expressão já objetivada não só supera o macro da subjetividade. ele deve se sentir livre para tal. o homem satisfaz a necessidade de expressão e afirmação que não pode satisfazer. criando objetos que alimentem a necessidade humana espiritual). Segundo Vázquez (2011. não somente reflexo do real. porém. se sente realizado. de um mundo de objetos humanos ou humanizados.

sentidos e significados atribuídos aos fenômenos pelos sujeitos que os vivenciam e interpretam. ampliando o olhar de homem e de sociedade. Temos a arte como forma de expressão de valores. assim. mas também com todos os sentidos. se torna sem sentido. quando nossa sensibilidade é alienada.] A arte. na escultura. p. se expressa objetivações. sobre nós mesmos. Exprimimos – através do traço. social. cultural. o . o contexto histórico. destaca que o desenvolvimento dos sentidos é um trabalho de toda a história universal até nossos dias e que “o sentido que é prisioneiro da grosseira necessidade prática tem apenas um sentido limitado”. podemos dar como exemplo a correria do dia a dia. na arquitetura. da cor. Contudo. destacando a miséria e a pobreza da sociedade que tem por base a propriedade privada. Prates (2007) ao usar Marx refere que temos os nossos sentidos.. do stress diário. também pode se ter alienação manifestada neste processo de expressão das subjetividades. e afirma que o nosso sentido se limita pelas necessidades diárias que vivemos no sistema capitalista. A arte pode ser um ponto de partida para refletirmos sobre as concepções. 04).. expressa também processos de alienação que compõem estas subjetividades. do horário para chegar ao trabalho. os nossos costumes. modos de vida. modos de ver o mundo. reduzimos também o sentido estético. 75) “uma vez que a arte é uma forma de conhecimento do mundo”. econômico. No entanto. onde enquanto resultado o homem pode dilatar a própria realidade. p. em parte histórica e socialmente construídas. na dramatização. valores. Ora. paixões. Conforme Prates: A arte é importante instrumento de reprodução do ser social. ou ouvir algo. portanto. a arte além de enriquecer o mundo humano ao mesmo tempo ela colabora para que se amplie a expressão através da comunicação. nossas objetivações. na música. a vida. indignações. (PRATES. que quando não nos sensibilizamos para ver. costumes. do som. De acordo com Prates: [. para Vázquez (2011. para Scherer (2013. de formas de viver e de significados expressos nos fenômenos que a sociedade vivencia e interpreta. como bem aponta Marx. hábitos. para Vázquez (2011). destacava que o homem se afirma no mundo objetivo não apenas no pensar. possibilitando que sejam apreendidas pela razão e sensibilidade do outro. o gozo humano do belo. em parte histórica e socialmente determinadas. dos gestos – sentimentos. do bom. pois dessa forma o abstrato já está transformado em concreto e atingindo os demais. mas. Marx já dizia nos Manuscritos Econômicos e Filosóficos que o olho que não aprende a ver não enxerga. na culinária. do confortável. o mundo do qual fizemos parte. por outro lado. E ressaltando a importância dos sentidos. na dança. a nós mesmos e materializamos na pintura. expressa valores e concepções históricas. a ideologia e a emoção do ser humano. 2007. que para o ouvido não-musical a mais bela música não tem sentido. político. p.que é a esfera mais alta da expressão do concreto humano”. Por exemplo. manifestando o nosso pensamento e compreensão sobre as relações sociais. Ao mesmo tempo em que se tem a objetivação (onde o homem exterioriza suas próprias forças).19 tornou objetiva. 110) “num mundo em que tudo que se quantifica e abstrai a arte.

os valores. grande parte da população não tem acesso e nem como realizar produções artísticas. Conforme Carbonari (2013) a arte se torna essencial. uma verdade real ou imaginária. tatuagens). o seu tempo se torna cada vez mais escasso. assim como não tem a possibilidade de produzir arte. esporte (ex: jogo de futebol). quer nos chame ou nos afaste. uma vez que . 3 Jogo de Estratégia . p. o seu valor de troca. pintura (desde obras de arte. dessa forma. novela. a de se ressaltar que. vivemos num sistema no qual nem todos podem experimentar o belo e o bom. existe o pensamento de que a arte serve somente como coisa. quando possível. arquitetura. um sentido. desenhos (desde animados a inanimados). Como visto acima. que faz com que os indivíduos possam se reconhecer na sociedade e repensar nos processos nos quais estão inseridos. Nesse sentido. para além de nós mesmos. não existe olhar puro. por meio de traços. como também. (PRATES. histórias em quadrinho. ele está na forma como olhamos algo. A maioria das pessoas não tem acesso a produções artísticas. filme. devido às oportunidades. Dessa forma. ainda hoje. como também. literatura. videogames (arte gráfica. atender às suas necessidades humanas. de medo. nos realizarmos com um todo e dessa forma fazendo nossas reflexões. Conforme Prates (2007). além de não serem dadas as oportunidades para os indivíduos participarem deste processo. 2013. (SCHERER. se constrói junto à sociedade a ideia de que a arte é apenas uma forma de lazer. Porém. em que a arte é transformada em valor de troca. nós e o mundo. p. carregamos toda uma cultura que faz com que tenhamos visão sobre o mundo e através da arte. de se construir em agentes partícipes do processo de produção artística. consciente ou não. De acordo com Scherer: Neste contexto. despertamos nossas formas sensoriais nos mostrando o Belo que não se dá somente através de felicidade. 04). pois. 2007. o ser social pode se reconhecer através da arte. dando um significado. portanto. 81). nos relacionamos com a sociedade. dança. passando pelo processo emancipatório seja em música.20 comerciante de minerais não vê sua beleza e peculiaridades senão somente o seu valor comercial. teatro. reconhecer-se naquilo que está se fazendo. a grafites. devido à longa jornada de trabalho a qual grande parte das pessoas devem se submeter para conseguir . de que os indivíduos se reconheçam numa sociedade de classes onde. war3). temos por objetivos nos entreter. cores. assim. dentro das condições temporais e concretas. sons que trazem os sentimentos. escultura. as formas de ver o mundo. como algo para passar o tempo. pois. cada um visualiza de uma forma diferente. seriados de TV. no momento em que lemos algum livro. Nega-se todas as possibilidades deste elemento de sociabilidade humana. ouvimos alguma música e olhamos algum filme. jogosxadrez. ao tempo. existe a negação de se socializar a arte. o mundo e nós. um “passatempo de rico”. Segundo Boal (2009) o dono do olhar faz parte de uma sociedade de classes e.

Criando novos objetos. ideias. a primeira se torna oposição da segunda. ou seja. Por mais originária que seja qualquer tipo de arte. p. porque o artista. valores. no entanto. que. graças à sua atividade prática. que conforme o autor seria uma das forças de o homem . 107). “realidade das forças essenciais humanas”. (VÁZQUEZ. que possui cargas. o homem ampliou consideravelmente. As qualidades dos objetos são percebidas como qualidades estéticas quando são captadas sem uma significação utilitária direta. já que a própria arte é um fenômeno social. e a sociedade nega o homem. entre o criador e outros membros da sociedade. primária e essencialmente. material. 2011. O sentido estético aparece quando a sensibilidade humana se enriqueceu a tal ponto que o objeto é. (VÁZQUEZ. com sua carga emocional ou ideológica. sendo proveito da história da humanidade. enfim. contribui para elevar ou desvalorizar neles certas finalidades.é sempre uma ponte. Vázquez (2011) diz: A sensibilidade estética surge nesse processo de afirmação do ser humano.por mais originária que seja sua experiência vital. é uma das formas mais elevadas de afirmação do homem no mundo objetivo. realidade humana. ela é uma analogia da sociedade que contribui ou não. a relação estética com as coisas é fruto de toda a história da humanidade e.21 O dia a dia corrói o ser humano. A relação entre arte e sociedade não podem ser evitadas. o horizonte dos sentidos e enriqueceu e elevou a consciência sensível até o ponto de converter-se em expressão das forças essenciais do ser humano. 2011. sua objetivação nela. ideias ou valores. descobrindo novas propriedades e qualidades deles. sim enquanto expressão do ser humano. é uma força social que. um traço de união. como expressão da essência do próprio homem. sendo que a arte é um dos principais elementos constitutivos de uma sociedade. sacode ou comove aos demais. terceiro. vender a força de trabalho para alimentar de primeiro momento as subsistências. enquanto sentido estético pode vir a ser um elemento central no processo de busca da emancipação humana. se tem e deve-se ter enquanto princípio recorrer para atender as necessidades básicas humanas. que afetam de alguma forma os demais. deixando-o. Ninguém continua a ser exatamente como era depois de ter sido abalado por uma verdadeira obra de arte. Em primeiro lugar. Para Vázquez (2011) a qualidade de um objeto artístico ocorre quando não tem função utilitária direta e. 75). ideológicas. por sua vez. bem como novas relações entre as coisas. se tornará o mesmo. sejam emocionais. para diferentes tradições. A sensibilidade. Conforme Vázquez (2011) a arte e a sociedade se contradizem. em geral. limitado. Foi justamente a atividade prática dos homens que criou as condições necessárias para elevar o grau de humanização das coisas e dos sentidos até o nível exigido pela relação estética. O sentido estético surge quando o objeto consiste em ser a realidade humana. De acordo com o autor: Arte e sociedade não podem se ignorar.é um ser social. dado que a obra afeta aos demais. seja para melhor ou para pior. por mais intensa e de tamanha concretude. ou seja. em segundo. porque sua obra. além de alienado.por mais profunda que seja a marca nela deixada pela sua plasmação. ou seja. A criação artística e. nenhum ser humano depois de ser atingido por algum tipo de arte. p.

22 se humanizar..] entretanto não resolverá todas as mazelas de uma sociedade como um bálsamo mágico para enfrentamento das expressões da Questão Social. Segundo Boal (2009) temos que reconquistar a Palavra. que som não é ruído. 4 Para Vázquez (2011) A atividade prática sensível se dá através do biológico relacionado com o desenvolvimento histórico-social da criação. gestos. podemos dizer que temos dois tipos de pensamento. no que diz respeito ao pensamento sensível: O pensamento sensível. nos faz transcender a nossa forma de conhecer. o pensamento organiza o conhecimento e passa a ser ação.. Som e Imagem. O conhecimento sensível se dá quando se recebe informações e se projeta no pensamento sensível. o pensamento sensível vem como uma forma de evitar que a repressão ocorra. Conforme Boal (2009) em meio à sensibilidade.. Através dos símbolos que envolvem -palavras -e da sensibilidade que envolve.ambos se tornam desiguais quando postos por alguma ideologia de dominação. só assim surgirá. o homem foi se expandindo devido à sua atividade concreta. da Imagem e do Som que se pode também oprimir e então.som e imagem.. uma vez que tais expressões são fruto de um sistema que se baseia na exploração e na desigualdade. ou seja. Boal ressalta que a arte não é enfeite. 2009. é através da possessão da Palavra. como por exemplo. amplia e profunda sua capacidade de conhecer. Para Scherer a arte.] palavras ao vento não deixam registro [. o pensamento sensível faz com que se comande o conhecimento Sensível e ambos dependem um do outro. 2009. um dia. dessa forma enriquecendo os sentidos e transformando as suas forças essenciais.sensível e simbólico. p. novas relações entre as coisas. metamorfoseála. 29).podemos chegar à nossa condição digna humana. uma real democracia.podemos nos tornar lúcidos da realidade do qual estamos e assim. mas que também não sejamos opressores. Só com cidadãos que. da objetivação. De acordo com Boal (2009). material. 19).. O pensamento sensível nos faz mergulhar. se tornam conscientes da realidade em que vivem e das formas possíveis de transformá-la. convencer e dominar. sendo que a atividade prática4 dos homens que contribuiu para a humanização na medida em que iam transformando a natureza e se transformando. fala. . é essencial para a libertação dos oprimidos. p. Conhecimento é Memória e Pensamento é ação (BOAL. por todos os meios simbólicos (palavras) e sensíveis (som e imagem). para o autor “[. temos mais o pensamento simbólico que é formando por palavras.. que por meio dos três poderes – Palavra. [. Para o autor. (BOAL. que as imagens podem falar. a poesia que vem do pensamento sensível. inventando novos objetos. que a palavra não se é absoluta. na sua criação.] sons ecoam. que produz arte e cultura. a Imagem e o Som e além do mais.

23 Colocar a arte como um elemento de “salvação”.07).]” (PRATES. (SCHERER.2 A arte. funciona somente se tiverem pensamentos felizes. Representa uma abordagem que limita e reduz o papel da arte no enfrentamento dos processos de alienação. Ao mesmo tempo não se pode querer compreender a arte como fragmentada. históricas e processuais objetivas. na perspectiva da construção coletiva de projetos societários mais justos e igualitários. primeiro o que relaciona arte como representação do mundo e que mostra a configuração das relações sociais. desassociada de uma leitura mais ampla da questão política que a arte pode articular. servindo apenas para algo isolado. cultural. individual e descontextualizando-a do contexto social. sentimentos. p... é reducionista analisar a arte apenas como algo instrumental . onde podemos inferir que.. 2007. seus valores. no que diz respeito aos processos de desalienação. ou seja. ou seja. por qualquer canto do mundo. de forma fragmentada . abstraindo-a da vida humana. analisando o real por um prisma ingênuo.. porém. a emancipação e o Serviço Social Verificamos em Prates (2007) dois processos simultâneos. E.como um toque de mágica. pois. esse elemento constitutivo. para viajarem para onde quiserem. . De acordo 5 Termo usado pela fada Sininho do filme A Terra do Nunca para designar o nome de um pó mágico onde faz os personagens adquirem poderes para voar. a arte.ela serve como um dos principais elementos constitutivos. ela constitui a realidade que nos rodeia “[. p. sozinho.] a arte expressa em cada época histórica. político. para projetar uma sociedade transformada. em busca de uma nova sociedade. sacralizar a arte. entretanto o autor alerta que. percebendo-a meramente como um meio para solucionar problemas individuais .. isto se torna algo errôneo e limitado. 86). Da mesma forma. p. Conforme Scherer (2013.. um “pó de pirlimpimpim” 5. Esse pó de certa forma contribui para a amenização dos conflitos existentes e melhora a sensibilidade das pessoas. suas concepções. econômico. 86).que são fruto do sistema capitalista. constitui -se por uma ação que desconsidera a totalidade da realidade. o segundo processo conforme a autora é que a arte atribui significado aos fenômenos e pode se expressar por objetivações de cunho emancipatório ou de forma alienada.. a arte “[. trazer uma grande contribuição para a emancipação humana.. a representação que os sujeitos fazem do real. não irá solucionar as expressões da questão social da nossa sociedade. 2. carregado de um romantismo utópico. arte pode nos possibilitar avanços emancipatórios que são fundamentais para o reconhecimento do homem e assim. como já dissemos acima. suas percepções [.]”. 2013.] é um elemento da vida humana que tem grandes possibilidades. bem como as possibilidades emancipatórias [.

de peças teatrais. no movimento social e comunitário. econômico. haver a necessidade mínima de algum conhecimento específico). Santos e Nascimento (2012) a arte colabora para que o homem tenha liberdade social e de acordo com Prates (2007) o Serviço Social pode ser um grande contribuinte para isto. de obras literárias. desde que esteja contextualizada em seu meio social. de videogame. nos textos dos jornais. Faz-se necessário afirmar que: [. 2010. p. sendo trabalhadas de uma forma prazerosa onde se tenha a possibilidade de fazer reflexões. nas poesias. críticas. de poesias.pode a partir da arte buscar desvelar a realidade. de literatura. onde se possam trazer ideias. 2007. A arte contribuirá para a formação do futuro assistente social.] a reflexão apresentada aqui quanto à atuação do profissional de Serviço Social ligada à arte não tem como finalidade a formação de artistas e nem que o profissional o seja necessariamente (apesar de. na vida da comunidade. 07). nas letras de música. nas mais variadas formas. no judiciário. pois este desvendamento (e ressalte-se: histórico e processual) é condição para planejarmos estratégias de intervenção. A arte como referida no início da seção. geográfica e ideologicamente. no entanto. pois: [. como também. nos filmes. para desvendar as refrações da questão social. sejam por meio de jornais. com o objetivo de haver o feedback entre as usuárias e as profissionais ou mais pessoas que estão envolvidas nesses espaços. sejam eles nas universidades.24 Jesus. e. enfim. no silêncio e demais expressões dos sujeitos. nos movimentos sociais. nos documentos institucionais. de seu objeto.cultural..] o Serviço Social. na fala. (CONCEIÇÃO. na literatura. como em qualquer prática. (PRATES. político.. de seriados de TV. nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). 12). para Guareschi (2005.. podendo ser usada tanto através de músicas. no espaço da instituição. de pintura. p. trazer demandas. nos condomínios habitacionais. poderá fazer parte nos diversos campos de atuação. não pode ser descontextualizada. para que sejam trocadas. na provocação de um para o outro. onde representa a realidade do ser humano e dessa forma o Serviço Social que tem como objeto de trabalho – questão social e suas múltiplas expressões . nos diversos espaços de atuação profissional. A expressão dos sujeitos através da arte é importante material para a análise do Serviço Social. de teatro. A leitura dessas expressões. dá-se o verdadeiro .. no entanto vamos reafirmar importância da arte. nas Organizações Não Governamentais (ONG´s). pois é localizada histórica. 108) nessa reciprocidade. nos mais diversos espaços de atuação. de documentários. social. sendo essa reciprocidade de contato de extrema importância para desvelar o real. precisa decifrá-las a partir do acesso às múltiplas fontes onde ela se expressa – na sala de aula. nos hospitais. nas residências dos usuários. nas peças de teatro. sugestões. na casa dos usuários. faz parte de períodos históricos.

que estejam contextualizados no social. p. no cultural. que se reconhecesse enquanto ser coletivo numa sociedade. seria a arte gráfica..25 diálogo que leva ao crescimento mútuo. a consciência e estabelece práticas sociais transformadoras. assim. onde pode ser trabalhado. Conforme Prates.07). que nada mais são que uma forma mais leve de nos suspendermos do cotidiano e colocarmos 6 Nos termos de Marx pode ser visto no segundo capítulo. no econômico. (JESUS. buscando a transformação social. o concreto. outro exemplo que pode ser citado aqui também.] o conhecimento e a compreensão da arte patenteiam novas formas de intervenção do assistente social sobre determinadas expressões da questão social e assim contribui para qualificar a atuação profissional. de uma forma que busque emancipar a sociedade e buscar o ser abstracto6. contribuindo para desvelar as expressões da questão social e estimular tais reflexões com o coletivo.. (PRATES. a pobreza. 2007. éticos e políticos que são ferramentas para o conhecimento crítico do real. SANTOS e NASCIMENTO. estas fontes podem ser transformadas em estratégias e utilizadas como instrumentos para o desenvolvimento de processos sociais que instiguem processos reflexivos e mediações com realidades similares. onde as cenas do dia a dia podem fazer com que grupos reflitam os preconceitos e as dificuldades expressar no cotidiano do trabalho. p. que. o profissional trabalha a inclusão social.2010. como também a utilização de filmes. Santos e Nascimento. porém. São nessas formas que podemos levar os nossos olhos ao longe e contribuir também para a mediação. de fotografias. visando à ampliação da consciência crítica e a prática da cidadania. como exemplo da música onde se torna possível analisar em diversas letras as reivindicações. O profissional assistente social tem a formação fundamentada nos princípios teóricos. pois.. fundamentais à realização de uma intervenção consequente. o respeito. [. o autor ainda afirma que os conhecimentos são diferentes e podem ser trocados. trabalhando com a arte. a partir da arte podemos desvelar a realidade. a disciplina. ou seja. o videogame. a disputa pelo território.. a prostituição. [. Conforme Jesus. no político. 02). Deste modo. assim.. . de letras musicais. tudo isso pode ser utilizado enquanto estratégia. a dramatização. seja no que diz respeito à violência.. são elementos que podem nos levar a pensar sobre a realidade. através das expressões artísticas.] para além da análise e interpretação. na totalidade e nas particularidades. estimular a reflexão coletiva acerca do trabalho profissional que utiliza a arte como mediação e instrumento de transformação social [. Prates (2007) nos traz em um dos exemplos.] no tocante a uma intervenção social emancipadora dos sujeitos que lutam pela conquista de direitos e cidadania dentro de uma sociedade capitalista excludente em sua essência. Segundo Prates (2007) usar a arte fazendo a relação com os conteúdos teóricos de modo apropriado é válido para o Serviço Social. ou seja.

10). mediação. a dinâmica do cotidiano profissional. a democracia.. a participação dos sujeitos. sem dúvida. estratégia pedagógica. fazendo essa comparação entre Serviço Social e Arte. De acordo com Jesus. leve. [. Santos e Nascimento (2010) se é importante discutir a arte. por fim.. Contudo. 2010. (CONCEIÇÃO. p. 12). enquanto as ações voltadas para a educação e desenvolvimento do usuário acabam sendo tratadas como “segundo plano”. acontece também que nas instituições a educação. pois. 2010. o que pressupõe o necessário reconhecimento de que. 2010. o direito do usuário. trazê-la também enquanto instrumentalidade e debater sobre a cidadania. tendo a reciprocidade de trocarmos isso e mais ainda. p. (PRATES. todas as estratégias que possam contribuir para o desenvolvimento de processos sociais. Conforme Conceição: O uso da arte enquanto instrumento de trabalho do assistente social pode contribuir para que se atinjam os objetivos profissionais de maneira prática e prazerosa. seja como instrumentalidade. ampliando nossas cadeias de mediação. ou alongar o olhar. não avançamos em processos que se queiram transformadores. de articular a razão e a emoção. que dentre estes processos. sem a articulação entre razão e sensibilidade. vai para (pessoal do levantamento) “articulando a universalidade nas condições sócio-histórica da profissão. é um direito também atendê-lo com qualidade e acompanhá-lo. se tem que respondem a outras atividades. o assistente social assim. 15-16). podendo aumentar a possibilidade de mediação. Assim. por vezes contribui para que os profissionais priorizem práticas referentes às necessidades básicas e emergenciais. E. pois. p. como a liberdade. Segundo Prates (2007) se faz fundamental usarmos as diferentes estratégias para a atuação profissional seja em qual espaço for. uma forma de transpirarmos mentalmente o que sentimos e levá-los para a sociedade. a particularidade na relação Estado/Sociedade Civil e a singularidade na relação com o usuário e novas demandas da contemporaneidade na profissão” (JESUS. uma potencial alternativa para o trabalho do assistente social. A arte também podendo ser utilizada enquanto instrumento de trabalho do profissional de Serviço Social contribui para que a atuação se de por meio de uma prática sensível. tendo a sensibilidade como ponto forte para a emancipação humana podendo trabalhar os princípios éticos do Serviço Social. o acompanhamento com o usuário fica interditado. No primeiro dos princípios fundamentais do Código de Ética do Assistente .26 o nosso ponto de vista. a análise das expressões dos sujeitos materializadas na arte – como matéria-prima – e pela arte – como estratégia pedagógica e de exposição – são. com grande número de demandas.] precisamos nos valer de todas as estratégias que possam aguçar nossa sensibilidade para desvendar a realidade concreta. Dessa forma. O empecilho em meio à essa prática se dá devido a carga de demandas fazendo com que os profissionais deem prioridade para certas demandas. SANTOS e NASCIMENTO.

] o conhecimento não é só um verniz que se sobrepõe superficialmente à prática profissional. 2009. é um meio pelo qual é possível decifrar a realidade e clarear a condução do trabalho a ser realizado. igualitária. ou seja. algo de recíproco ficou se aprendeu. onde tome decisões. Podemos perceber que o assistente social não atua somente no material. como também. que. pois.. serão os mesmos. de equidade. se estranha. naquilo que é concreto. p. por exemplo. obviamente que tem as suas particularidades. emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais” (COLETÂNEA DE LEIS. onde haja uma sociedade que realmente se transforme. se aliena. na cultura e que causam efeitos na vida dos usuários. não se reconhece. o conjunto de conhecimentos e habilidades adquiridos pelo Assistente Social ao longo . O Serviço Social enquanto uma profissão que trabalha na perspectiva de uma sociedade justa. p. têm efeitos reais interferindo na vida dos sujeitos. faz-se um profissional que atua diretamente no conhecimento. Conforme Iamamoto (2012): [. De acordo com Iamamoto (2012. se perde. 26). mas. nem o assistente social.. o direito de todos os cidadãos que concentram a renda na propriedade burguesa e perdem os seus direitos ou obtêm o mínimo que tenta garantir uma vida digna. podendo ser dispensado. fazer com que o homem se reconheça enquanto um ser que pode sim ter liberdade como seu valor principal. Como já foi abordada a emancipação na seção anterior aonde vimos que ela se propõe para que o ser humano se reconheça enquanto um ser genérico. pode realmente ter as escolhas que contribuam para que ele se torne realmente humano.] o assistente social não trabalha só com coisas materiais. (IAMAMOTO. conforme a autora: [. 2012. 62) “a noção estrita de instrumento como mero conjunto e técnicas se amplia para abranger o conhecimento como um meio de trabalho”. p. opine se reconheça e se reconheça enquanto autônomo para as próprias decisões e político no sentido de trabalhar a cidadania. 68). por sua vez. da cultura. o homem sendo livre. a partir da troca de conhecimentos. Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas políticas a ela inerentes.autonomia. Nessa perspectiva. tem como o primeiro princípio fundamental no atual Código de Ética. enquanto indivíduo político. que seja a sociedade emancipada do qual o Serviço Social luta nos diversos espaços de atuação e onde podemos e ter a arte como contribuição para o reconhecimento do homem. cidadão abstracto do qual perceba que o homem é um ser coletivo..27 Social temos: “I. pois. mas que constrói uma riqueza produzida socialmente e em meio à isso tudo. dos valores.. nem o usuário. dos comportamentos. Tem também efeitos na sociedade como um profissional que incide no campo do conhecimento.

temos que nos aprofundar sobre essa discussão. 62). a partir de reflexões. p. do século passado. (CARBONARI. buscando assim adensar e complexificar nossa pesquisa. com o intuito de perceber novas demandas e novas possibilidades de atuação do assistente social. todo o conhecimento. A partir do exposto acima. por exemplo. Conforme Carbonari (2013). .. 2013. temos a lógica mercadológica da educação. [. podemos verificar que não existem tantas produções sobre a arte e que ainda tem que ser bastante explorado no Serviço Social. Portanto. sobre a importância dela na formação acadêmica. No próximo capítulo. ainda é um tema inovador. da transformação social que ela poderá causar. toda a carga teórica que o assistente social conseguir carregar servirá como um meio para o trabalho. o que são Questão Social e as suas expressões e sua dinâmica de atualização. apenas 01 apresenta a arte como mediação. nos guiar na prática profissional. olharmos como que se caracterizam a realidade social. pois. O conhecimento. (IAMAMOTO. num total de 346 dissertações. houveram trabalhos que também mostraram que se deve buscar o aprofundamento da categoria mediação. No que diz respeito à academia. vimos que a arte se torna um dos elementos constitutivos para que possamos nos sensibilizar. olhando ela enquanto um produto histórico e recriando ela com novas ideias. por exemplo. de acordo com Scherer (2013) não há muitas produções teóricas sobre arte e ainda. seja do ano passado. na dimensão pedagógica. do período de 1981 a 2013. portanto é uma forma do qual podemos desvelar a realidade. por meio da pesquisa a autora também pode verificar que existem mais trabalhos que tem como foco a mediação no Serviço Social frisando que o papel do assistente social está apontando para a participação e as discussões políticas. Podemos através das manifestações artísticas. num total de 107 concluídas no período de 2001 a 2013.] toma-se como unidade de análise o Programa de Pós-Graduação em Serviço Social (PPGSS) e verifica-se. fazer a dialética. da década passada. p. vamos discutir a dinâmica do capitalismo e em particular a dinâmica de urbanização dentro deste sistema. para perceber que não se tem tantos debates sobre a arte. Conforme Carbonari. da inquietude que ela traz. teatro e cinema como temática central para mediação do trabalho profissional do assistente social. apenas 04 a arte. que pode ser e deve ser utilizado o nosso pensamento crítico histórico visto através de uma totalidade. que dispensa a arte enquanto dimensão da vida humana.28 do seu processo formativo são parte do acervo de seus meios de trabalho. que. 2012.. assim. em relação às teses de doutorado. 33). começando na universidade as possibilidades para debater sobre o assunto. através de um levantamento das produções (dissertações e teses) disponibilizadas pela secretaria do programa.

1. . analisando assim. apontando as diferenças sócio históricas com o surgimento da burguesia. Os autores demonstram como isto se dá. na urbanização. ou seja. desde o inicio dos tempos existem classes antagônicas. como também a construção do espaço social. ou seja. qual a sua dinâmica e sua centralidade para a análise e trabalho do profissional em Serviço Social.1. da cidade a dessa forma verificando também as suas principais características. Na seção dois a partir do já exposto. ou seja. A partir daí poderemos fazer a analogia com a arte7. iremos identificar a Questão Social e suas diferentes expressões. Na terceira e última seção iremos focar nos processo de atualização das expressões da questão social. como as expressões da questão social se complexificam e se movimentam. 7 Foi visto no primeiro capítulo.29 3 CAPITALISMO. verificando a dinâmica do capitalismo na construção social. Na seção um a relação entre capitalismo e urbanização onde focaremos quais os elementos dinamizadores que atualizam o capitalismo.1 Capitalismo e Urbanização Nesta primeira seção abordar-se-á dois elementos essenciais para a nossa pesquisa: a dinâmica do sistema capitalista e os processos de urbanização dentro dessa economia. URBANIZAÇÃO E AS EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL Neste segundo capítulo iremos realizar três discussões teóricas fundamentais para nossa pesquisa. como a lógica estrutural de desigualdade e concentração de renda do capitalismo se manifesta no processo sócio histórico. 3. a partir. de dois elementos. o processo de luta de classes (opressora e oprimida) e sua alternativa comunista. Buscaremos identificar os principais elementos do processo de atualização nesse sistema econômico. Características centrais do capitalismo: focando o Manifesto do Partido Comunista Conforme Marx e Engels (2007). sua gênese. com foco especial no processo de urbanização. centro de nosso objeto de pesquisa empírica. 3. opressoras e oprimidas. suas principais características. as principais características.

Numa palavra. sentimentos dos religiosos. substituição da liberdade pela liberdade de comercio. de outra forma: Onde quer que tenha conquistado o poder. ou seja. do sentimento pequeno-burguês nas águas geladas do cálculo egoísta. em lugar da exploração que as ilusões políticas e religiosas mascaravam. assim como os meios de comunicação. pagamento a vista pelas próximas terras desejadas. Afogou os sagrados frêmitos do êxtas e religioso. que ao invés de ser dividido. a burguesia destruiu todas as relações feudais. do entusiasmo cavaleiresco. (MARX e ENGELS. 2007. p. Fez da dignidade pessoal um simples valor de troca e. onde ele pode colocar preço na propriedade privada. não sendo mais enquanto troca e sim. direta e brutal. . idílicas. se torna propriedade privada. tendo o dinheiro como exigência principal. porém. Verificamos a partir dos autores termos cinco elementos constitutivos desta destruição: laços afetivos e dinheiro. no lugar das inúmeras liberdades tão duramente conquistadas. despudorada. implantou uma exploração aberta. enquanto. transformação da dignidade em valor da troca e restruturação da exploração de velada para aberta. o comércio começou a se desenvolver de uma forma muito rápida. a máquina a vapor e a manufatura começaram a se expandir. acabando com a igreja e com o povo medieval. troca-se aos poucos uma prestação de contas para os senhores feudais e começa-se a dar satisfações para a burguesia. cavalheiros e pequeno-burguês. Assim: Em primeiro destruiu os laços afetivos entre os homens. Verificamos o centro do processo da transição do feudalismo para o capitalismo do qual a burguesia destrói as relações sociais. assim. Dilacerou sem piedade todos os complexos e variados laços que uniam o homem feudal e a seus superiores naturais para não deixar subsistir.30 O primeiro é que a condição de existir a classe dominante que se dá através da acumulação de riqueza nas mãos de poucos. trocados por cálculos egoístas. outro vínculo senão o frio interesse. implantou a única e implacável liberdade do comércio. patriarcais. entre homem e homem. pois no feudalismo tínhamos a mesma exploração. onde o dono da terra não mais vive de troca e sim. Em segundo o sistema capitalista destruiu também o sentimento do religioso. O segundo Marx coloca que começa-se os mercados nas colônias fazendo a divisão do trabalho. do cavalheiro feudal e do pequeno-burguês do qual tinha o lote de terra para trabalhar para a subsistência e que com o sistema capitalista. 50). transformado as relações sociais em relações monetárias. as duras exigências do “pagamento em dinheiro”. o que impera nas novas relações sociais é o calculo egoísta. Para Marx e Engels (2007) a burguesia moderna é fruto de um processo das revoluções dos modos de produção e também da troca.

Para finalizar esta parte sobre as principais características do capitalismo. mas para acontecer a derrubada da classe opressora deve haver a organização da classe dominada. das horas de trabalho extras que geraram “mais-valia” para o dono da propriedade privada. A partir daí podemos verificar que a classe dominante capitalista continua se atualizando. do trabalho assalariado. estando presente nas diversas partes. a exploração que era feita pelos senhores feudais e também pela igreja de uma forma mascarada. reduziu todas as liberdades conquistadas e que eram referencias para a dignidade do ser humano em liberdades comerciais. estão em constante luta de classes. a burguesia vive em atrito com ela mesma e está em constante concorrência. que. pois. onde a primeira visa o lucro com base na exploração da segunda.31 Em terceiro. isso quer dizer que. começa-se então. Ou seja. cria riquezas coletivas. movendo as relações de produção e montando o conjunto das relações sociais. a exploração do trabalho do homem. ou seja. Verificamos então. o que inicia de forma efetiva um processo de fetichização dos seres humanos que vão acabar se reduzindo a mercadorias Em quarto a dignidade humana e sentimentos como honra. que a classe dominante detém como sua propriedade privada. tanto o fracasso da burguesia quanto a sua continuidade ou não. Percebe-se. a burguesia e o proletariado. um elemento constitutivo central do capitalismo: sua dinâmica de globalização. vamos agora entrar na discussão da alternativa possível: o comunismo. a exploração aberta. orgulho. também destruidora e árdua do sistema capitalista. se transformam objetivamente em valor de troca. estabelecendo suas relações. suas produções. por consequência vai a prol da lucratividade. que. pouse a moral e a ética metamorfoseiam-se em mercadorias. pois. Em quinto e último lugar. seguida do processo de constante inovação tecnológica que vai aumentando a capacidade de produção e ininterruptamente se alastrando para todas as partes do globo terrestre como forma de permanente ampliação do mercado e logo do consumo. assim. . com o esforço do trabalho. a classe proletária deve liquidar com a burguesia e uma das formas de se chegar a isso se dá através do comunismo. sempre procurando manter-se forte no mercado com o objetivo de constantemente manter a concentração de renda e ampliar o lucro. assim. espalhando-se nos mais diversos lugares. Para os autores. que a divisão de classes é a base do sistema capitalista. a partir da competência individual na dinâmica do comércio. lealdade e etc. ou seja. de acordo com Marx e Engels (2007). A burguesia começa a ocupar cada vez mais os espaços. a classe dominante produz a própria cova. são inevitáveis.

32 Conforme Marx e Engels (2007) o comunismo é a união dos operários em prol do extermínio da propriedade privada. vamos refletir sobre o processo de produção do espaço urbano e o constante processo de urbanização que ocorre dentro do sistema econômico capitalista que vem seguido dessa lógica de capital. Agora. de acordo com Marx e Engels (2007) os comunistas devem lutar pelos seus interesses. Para Marx e Engels (2007): Os comunistas se recusam a dissimular suas opiniões e seus projetos. se movimentando através de partidos. para realmente haver o comunismo. Que as classes dominantes tremam diante de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder a não ser suas cadeias. a total influência nas relações sociais. A ideia de abolir as relações de propriedade não é uma característica do comunismo. Desse modo. . 3. onde isso deve se expor diretamente para os operários. o processo da luta de classes e a alternativa da revolução comunista. como também. De acordo com os autores. o trabalho viria para favorecer os operários. onde se materializa a desigualdade social. 2007. Conforme Marx e Engels (2007) o que caracteriza o comunismo.91). a dignidade humana e a exploração entre os homens. e dessa forma. deve se ter a organização da classe. A existência da classe dominante e da propriedade privada são características do capitalismo. despertar consciência de uma forma clara dessa luta de classes. a falsa liberdade. Proclamam abertamente que seus objetivos não podem ser alcançados senão pela derrubada violenta de toda a ordem social passada.1. pelos interesses da classe operária. mas para isso. é abolição da propriedade burguesa. porém. a fim de destruir a classe dominante e logo. p. a competitividade. na sociedade burguesa. exemplo disso na Revolução Francesa em que foi abolida a propriedade feudal em prol da burguesia. (MARX e ENGELS. Têm um mundo a ganhar. A urbanização no capitalismo Para Castells (2011). o trabalho vivo seria um meio para acumular e na sociedade comunista. O comunismo não tira das pessoas a apropriação dos produtos sociais. quer suprimir o trabalho escravo. Dessa forma sintética procuramos identificar as principais características do capitalismo. unir as forças para abolir a propriedade privada.2. podemos analisar a urbanização nas formas sociais a partir de quatro processos. a destruição dos laços afetivos entre os homens.

sabe-se que a classe de ordem vigente que com capital concentrado. no caso de uma indústria sobre o tipo de residência e. em particular. Por exemplo. 3. organizará o espaço. e. seja rural ou urbana. no processo de urbanização derivado do crescimento industrial . sobre o meio sociocultural formado pela conjunção de indústrias e de moradias. Mas podemos igualmente descobrir. comercial e industrial. O tipo de sociedade. o crescimento da indústria influenciará diretamente na moradia do operário e claro. tanto a classe dominante quanto a classe proletária irão buscar espaço. o grau de autonomia da camada burocrática política em relação aos interesses exteriores. consequentemente. como também o meio sociocultural devido as suas conjunções. tem formatos espaciais diferentes. . que dependem da concordância entre os grupos rurais e urbanos. (CASTELLS. que: caracteriza-se então pelos traços seguintes: população urbana sem medida comum com o nível produtivo do sistema: ausência de relação direta entre emprego industrial e crescimento urbano. p.2011. que vão marcar o espaço com a dinâmica de suas relações contraditórias. conforme sua estrutura agrária seja feudal ou tribal. Mais concretamente. falta de empregos e de serviços para as novas massas urbanas e. a indústria atingirá não somente o espaço em que o operário residirá. às vezes. a influência de uma burguesia e de um proletariado nacional . da classe dominante. 88). 2011. O tipo de sociedade agrária na qual o processo de urbanização se desenvolve . o impacto que causará na sociedade. É o caso dos aglomerados industriais latino-americanos dominados pela presença de manufaturas ou de minas. em particular. como vivemos num sistema de luta de classes. reforço da segregação ecológica das classes sociais e polarização do sistema de estratificação no que diz respeito ao consumo. os aglomerados industriais. Por exemplo. O tipo de relação de dependência mantido e. os tipos de relação de dependência ou autonomia dependem das dominações: colonial. p. conforme o processo de retrocesso ou avanço relacionando logicamente com a economia. 99). conforme a maior ou menor concordância de interesses entre grupos dominantes rurais e urbanos. varia as estruturas. 4. nas relações sociais determinadas pelo trabalho. comercial e industrial. e em meio à isso tudo. aceleração crescente do processo de urbanização. (CASTELLS. Castells nos traz a urbanização na América Latina. em especial. grande desequilíbrio na rede urbana em benefício de um aglomerado preponderante. Castells (2011) nos mostra que ao analisarmos a urbanização podemos verificar que ela está envolvida diretamente com a história política da formação da sociedade e relacionada aos interesses econômicos de acordo a economia de cada classe econômica da sociedade. É o caso dos aglomerados industriais e de moradias. 2. O contato entre eles. porém. as formas espaciais serão diferentes.colonial. A história política da formação social na qual a cidade (ou sistema urbano) está inserida.33 1. exemplo disso. conforme sua decomposição seja mais ou menos adiantada. no movimento das relações paradoxais. a articulaçãoconcreta dos três tipos de dominação. O impacto autônomo da industrialização própria à sociedade dependente.

tais relações que vão gerar os elementos constitutivos da dinâmica de urbanização capitalista. Segundo Lojkine (1997) os modos de produção do sistema capitalista implicam na indústria moderna que tendem ao crescimento da aglomeração populacional. o crescimento incessante de todo processo de urbanização. Castells afirma que “[. à concorrência anárquica entre os diferentes agentes que ocupam ou transformam o espaço urbano. a ausência de emprego. . do planejamento urbano. haver o congestionamento e a ampliação da aglomeração (megalópoles. 1997. a população não tem o mesmo nível da produção fazendo com que haja um vazio no que diz respeito à relação entre emprego e crescimento urbano. faz num outro lado. com a indústria moderna. imprimem uma tríplice limite a qualquer organização racional. a aglomeração na cidade “[. temos a divisão social do trabalho e nisso. 159) não obter o aumento da produtividade do trabalho juntamente com a socialização das riquezas geradas pelos meios de produção é um dos elementos constitutivos da urbanização.]” (CASTELLS.] a história do desenvolvimento econômico e social da América Latina e consequentemente de sua relação com o espaço. por exemplo). ao mesmo tempo que provocam. .. p.. para Lojkine: As relações de produção capitalista.. onde alguns são mais equipados e outros não. 175). seriam as zonas de residência da classe dominante e as zonas da classe trabalhadora mais descentralizada e com tendência cada vez de ficar mais distante do centro. . Para o autor.. é a história dos diferentes tipos e formas de dependência que se organizam sucessivamente em sociedades [. a urbanização está diretamente ligada com capitalismo. . um limite proveniente da própria propriedade privada do solo. p. por conseguinte. A partir dessas aglomerações pode-se perceber as diferenças nos espaços. De acordo com Castells.]” (Lojkine... 2011. 1997.Enfim.] não é de modo algum um fenômeno autônomo sujeito a leis de desenvolvimento totalmente distintas das leis de acumulação capitalista [. pois.Um limite ligado ao financiamento dos diferentes elementos que conferem à vida urbana capitalista o caráter que lhe é próprio. (LOJKINE.Um limite ligado à divisão social do trabalho no conjunto do território e. os meios de circulação materiais.. limite demarcado da propriedade privada. desequilíbrio esse que contribuirá para a aglomeração da população.. a forte segregação – desigualdades sociaisonde nem todas as classes podem consumir. onde se limita. alguns serão vinculados diretamente para os negócios. socializada . a concorrência. Lojkine (1997) afirma que o aumento do subdesenvolvimento das regiões onde possuem os meios de consumo coletivos. conforme Castells.100).34 A partir daqui iremos focar a nossa discussão na aglomeração e na segregação que. uma tendência crescente à aglomeração urbana.

que no espaço. e a periferia. comércios. provocando o espalhamento das residências “[.2011..] a integração ideológica da classe operária na ideologia da dominante caminho junto com a separação vivida entre atividade de trabalho [. . zonas de moradia. para o capitalismo exacerbado. além do trabalho. Segundo Castells “[. causa a real segregação. simbólico. gerando os diferentes lugares ocupados na sociedade. indústrias. se estendendo por um vasto território. podemos visualizar a renda da família de acordo com a localização onde mora e. num segundo momento o crescimento da separação das zonas mais reservadas. a nosso ver. Castells (2011) ressalta que as relações de produção. 2) Uma separação crescente entre as zonas e moradias reservadas às camadas sociais mais privilegiadas e as zonas de moradia popular. resulta numa verdadeira segregação em termos de status. separa e “marca” os diferentes setores residenciais. moradia. o trabalho assalariado se encontra em certa massa uniforme do crescimento da população e assim.] seja no isolamento do barraco ou na solidão dos grandes conjuntos [. das mais burguesas e das mais isoladas. p. ou seja.. etc. 1997.. que se tornou o local de desdobramento simbólico..35 [. o zoneamento.. no espaço. onde afasta e marca os diversos espaços residenciais. assim. 189). onde se têm os centros. É o que a política urbana sistematizou e racionalizou sob o nome de zoneamento. ou seja. no que diz respeito ao lugar ocupado nas relações de produção (assalariadas) faz-se acompanhar de uma diversificação de níveis de uma hierarquização no próprio interior desta categoria social. onde interferem diretamente nas relações sociais e de segmentos de interesses sob estratégias particulares. por exemplo. etc. O papel-chave dos efeitos de aglomeração explica.. das proletárias. p..]” (CASTELLS. (CASTELLS. p. onde o preço do solo é o mais alto.. também a residência e a atividade de lazer. (LOJKINE.. para Lojkine (1997) podemos perceber a diferença dos três principais tipos de segregação urbana: 1) Uma oposição entre o centro. o centro acaba sendo o centro de convivência para o consumo. 57). 56). 57). a importância dessa “renda de acordo com a localização”.] a uniformização de uma massa crescente da população. a dificuldade de deslocamento). zona industrial. que nada mais é do que diferentes zonas de: escritórios. disseminadas em zonas geograficamente distintas e cada vez mais especializadas: zonas de escritórios... nos bairros mais afastados do centro urbano e assim. as periferias (onde temos visivelmente o esfacelamento generalizado. ocupando o largo território que fica sendo. 2011. E no terceiro momento. Lojkine (1997) afirma num primeiro momento que o pedaço de terra se torna mais caro na parte central do que na periferia. criase a importância da classe média e a dominação do individualismo.]” (CASTELLS. 2011. 3) Um esfacelamento generalizado das “funções urbanas”.que. ou seja.

Para Lojkine (1997): A cidade aparece assim como efeito direto da necessidade de economizar as falsas despesas de produção. passou por três processos: formação. noutro momento o comércio e os bancos faziam a realização da mais-valia e por último a distribuição. 32). o centro urbano desempenha um papel cada vez mais importante. ao elevar a composição orgânica do capital social. Em contrapartida. o sistema comercial e bancário das cidades sempre foi o órgão da realização da mais-valia. Nos três aspectos da mais-valia. p. onde amplia e duplica o capital. Lefebvre (2008) nos traz que a mais-valia surgiu na zona rural e que depois foi se distribuindo. a prazo.]. no entanto. maior. O sistema econômico capitalista freia e seleciona. do artesanato. em retorno. o valor da mão de obra perde a valorização. porque todo desenvolvimento da produtividade. portanto. 1997. onde a classe dominante . Nesses três pontos citados o centro urbano se define como a centralidade do modo de produção do sistema capitalista. não tendo relação alguma com as forças produtivas e o modo de produção. porque a necessidade de cooperação dos diferentes agentes de produção no espaço urbano é contrariada [. O que torna inexata a afirmação segundo a qual a cidade de outrora e atualmente o centro urbano são apenas superestruturas. os mestres da cidade sempre tentaram dela reter uma grande parte (maior que o lucro médio de seus investimentos). onde luta para suportar o crescimento. de aumentar o período em que o capital é valorizado. as despesas de circulação e as despesas de consumo a fim de acelerar a velocidade de rotação do capital e. onde a classe dominante concentra a riqueza. O primeiro processo formou as sedes da produção. de freageme de “seleção” do desenvolvimento das forças produtivas. sua realização e sua distribuição. Na sua distribuição . Mas concluir daí que o desenvolvimento urbano é de certa forma assegurado pela necessidade constante que tem o capitalismo de aumentar a produtividade do trabalho social é duplamente errôneo: por um lado. desconhecida (despercebida). a tendência à baixa da taxa de lucro e provoca uma reação. 175). da centralidade urbana no modo de produção capitalista. A cidade se torna um lugar de consumo. De acordo com Lojkine (1997) na cidade os donos dos meios de produção que estão em suas cidades de origem têm menos gastos com o transporte e na maioria das vezes. 2008. p. por outro lado. reforça. realização e distribuição. A mais-valia formou-se inicialmente no campo. as empresas costumam pagar menos. Podemos verificar que vivenciamos a contradição de classes. De acordo com Lefebvre (2008) o centro urbano que faz parte da cidade. a disputa pelo lucro se torna cada vez.36 Agora iremos discutir a emergência da cidade. pois. pois: A teoria marxista da mais-valia distingue a formação da mais-valia. Essa formação deslocou-se para a cidade na medida em que esta se transformou na sede da produção.. (LEFEBVRE. desenvolve um papel cada vez de maior importância. O que define uma função essencial e. depois da indústria. (LOJKINE. da arte e da indústria..

1997. iremos realizar duas reflexões. a urbanização segue de acordo com a lógica do capital. nem todas as pessoas podem consumir. tendo agora como foco as expressões da questão social. com a sua dinâmica. conforme Lojkine (1997): Definimos a cidade capitalista como produto de uma dupla inicialização: a das condições gerais da produção e a do espaço.37 de um lado busca o lucro e por outro. . etc. portanto.a respeito do impacto global das atividades urbanas sobre a economia capitalista. Queremos com isso dizer: . a primeira sobre o conceito e a dinâmica das expressões da questão social e a segunda discutindo a Questão social e suas diferentes expressões como objeto de trabalho do profissional assistente social. O espaço em decorrência do sistema econômico do qual vivemos e está divido em aglomeração e segregação. no entanto.2 O que é a Questão Social e suas expressões Na seção anterior abordamos a dinâmica do capitalismo e a dinâmica especifica da urbanização neste sistema. ou seja. seguiremos analisando todos os impactos que ocorrem na cidade. inversamente.de agentes urbanos individuais (construtores de prédios de moradia. a um objeto material particular. de acordo com as necessidades da acumulação capitalista”. e então. efeitos de aglomeração que são apenas o produto indireto da justaposição de meios de produção ou de reprodução e não estão ligados. de fábrica. . 176). podemos afirmar também que a cidade em sua forma capitalista tem o lado da produção e o do espaço. de escritórios. moldada conforme a precisão da economia burguesa. Para Lojkine (1997. efeitos úteis produzidos pelos meios de circulação e de consumo concentrados na cidade. dessa forma. Os efeitos úteis que no caso. (LOJKINE. 3. Lojkine (1997) nos traz a questão da cidade ser local de consumo que por consequência faz girar o lucro. a classe proletária busca a sobrevivência a partir de uma mão de obra nada valorizada. coletiva: é uma combinação socialconsciente ou não.de efeitos de aglomeração urbana. é de livre escolha usufruir. desde que se tenha meios para o consumo. onde as pessoas consomem melhor nas cidades. porém. onde tem por finalidade o lucro. como os efeitos anteriores. de comércio. seria a qualidade de vida. Seria assim possível falar. 185) “a cidade desempenha. vai ao encontro com o capitalismo. papel fundamental econômico no desenvolvimento do capitalismo mas. formulada. a urbanização é moldada. este se torna limitado. onde iremos ter acesso as mercadorias.por outro. pois. A cidade8. deliberada ou não. pois. modelada. 8 No próximo capítulo iremos abordar sobre a Política de Habitação. o processo de territorialização e o trabalho do assistente social na habitação. se torna contradição.por um lado. Pode-se dizer que sua produção é de certa forma.). sendo ela. Na cidade se cria o espírito de empreendedorismo.

Se faz necessário compreender a forma como se procede o capital a partir do século XIX. Verificamos. a luta de classes. Assim. Em outros termos. Para Netto (1992) pode-se compreender por questão social um conjunto de problemas. o desenvolvimento. políticos ou ideológicos.. político. sociais e econômicos. vendo-os como um todo que se encontra em contradição. ou seja. 1982 p. onde se tem a burguesia e o proletário e o logo. pois “somente compreendendo o processo de produção do capital pode-se apreender a “questão social” como fenômeno datado a partir do século XIX. podemos entender a questão social no sistema capitalista. Por “questão social”.38 3. o esforço orienta-se no sentido de captar as dimensões econômicas. em seu processo evolutivo. apreender o processo em sua 9 Confira na seção anterior. assim. sociais e econômicos que o surgimento da classe operária impôs no curso da constituição da sociedade capitalista. não podemos nos reduzir em questões econômicas.]” (GUERRA. 13) Conforme os autores acima a questão social existe devido ao conflito capital x trabalho do sistema capitalista. cultural. a ‘questão social’ está fundamentalmente vinculada ao conflito entre o capital e o trabalho” (CERQUEIRA FILHO.. De acordo com Iamamoto (2012) A questão social é a expressão do processo de produção e reprodução da vida social na sociedade burguesa. políticas e ideológicas dos fenômenos que expressam a questão social. de todo um contexto econômico. Ao contrário. queremos significar o conjunto de problemas políticos. ou não. políticos. de captá-los. da totalidade histórica concreta. no sentido universal do termo. A perspectiva de análise da questão social aqui assumida recusa quaisquer reducionismos econômicos. pois que o nexo real que sustenta o conceito se dá a partir de situações objetivas de desigualdade: pobreza. afetando a classe operária. . políticas ou ideológicas. a questão social abrangendo como também os aptos.2. onde a classe burguesa detém os meios de produção. o surgimento. ou seja. social. mas sim. ORTIZ. para o trabalho. sendo então. estando presentes no sistema capitalista e assim. resguardando a fidelidade à história.p. período no qual era clara a extensão do pauperismo a um espectro cada vez maior de indivíduos [. de entendê-los e sabendo sobre a sua história. concentrando a riqueza. 03). ou seja. 2007. tendo a propriedade privada e assim.1 As expressões da Questão Social e sua dinâmica Partimos do princípio de que para compreender a questão social se faz fundamental entender a dinâmica do capitalismo9. VALENTE E FIALHO. mas que tem universalidade e a particularidades que fazem parte de uma totalidade. Para Iamamoto (2012) a questão social é a própria expressão de produção e de reprodução da vida na sociedade burguesa.

A gênese da questão social encontra-se enraizada na contradição fundamental que desmarca esta sociedade. com a realização da desigualdade. que está em todos os lugares. assumindo roupagens distintas em casa época: a produção. Mas. na esfera da razão. deve preservar a importância e a necessidade que se tem de fortalecer os movimentos de resistência. nacionalidade. da pauperização que atinge a maioria da população . na maioria das vezes não podendo se apropriar do que se desenvolveu através da própria força de trabalho. (IAMAMOTO.em seus recortes de gênero. somente entendendo e compreendendo que se torna possível avançar para a transformação da realidade. O berço da questão social está presente na contradição que temos no sistema capitalista. (IAMAMOTO. ou seja. Vivemos numa sociedade onde os direitos são contraditórios e dessa forma contribuindo para a desigualdade social de classes. de suas condições e seus frutos. reproduzindo. contraditoriamente. o eixo da profissão. de religião. faz crescer a distância entre a concentração/acumulação de capital e produção crescente da miséria. também. Como podemos verificar estamos numa contradição que faz parte do sistema capitalista. das condições e frutos do trabalho. as formas de resistência e rebeldia com que são vivenciadas pelos sujeitos sociais. hoje. Segundo Iamamoto (2012) é importante sabermos decifrar os determinantes e as múltiplas expressões da questão social. decifrar. que se contrapõe a apropriação privada do trabalho. a sociedade se modifica. à cultura. o movimento da realidade em suas dimensões universais. eixo fundante da profissão. 2012. de outro lado e na sua contra face.entre o trabalho coletivo e a apropriação privada da atividade. enfim. sendo esta. vendendo a mão de obra para o capitalismo que. Para Iamamoto (2012) Decifrar os determinantes e as múltiplas expressões da questão social. à ciência. a força de trabalho que gera as forças produtivas se põe em contradição com a apropriação dos frutos do trabalho. pois.de classes. é um requisito básico para avançar na direção indicada. particulares e singulares. religião. de um lado. ao mesmo tempo em que o homem pode ter acesso à natureza que é o lugar do qual ele transforma e se transforma e assim. dar conta da questão social.está na origem do fato de que o desenvolvimento nesta sociedade redunda. Essa contradição fundamental da sociedade capitalista. porém. que também fazem parte do paradoxo que presenciamos no sistema capitalista. Uma sociedade em que a igualdade jurídica dos cidadãos convive. 114). 2012. entre outras. onde a produção se torna diariamente mais coletiva. desenvolver as forças produtivas do trabalho social. onde as forças produtivas estão cada vez mais fragilizadas. em uma enorme possibilidade de o homem ter acesso à natureza. de raça. meio ambiente etc. raça. a propriedade privada fica sob o poder da classe dominante. cada vez mais social.39 totalidade contraditória. Assim. inclusive nos países considerados como países desenvolvidos. para Iamamoto (2012). o homem se torna longínquo da acumulação de capital e contribui para o aumento da miséria. assim. é decifrar as desigualdades sociais. etnia. 114).

de propriedade e do poder. 3. que andam juntas com a violência. focando na sua subjetividade e entendendo como um ser humano singular. naqueles considerados “primeiro mundo”. de resistência material e simbólica acionadas pelos indivíduos sociais à questão social. O que se persegue é decifrar.2. Mas decifrar a questão social é também demonstrar as particulares formas de luta. de invenção e de reinvenção da vida que são construídas diariamente. onde se trabalhava a individualização do cliente. econômico. A Questão Social como objeto do Serviço Social De acordo com Simionato (1998) o Serviço Social sendo uma profissão que faz parte da especialização do trabalho sofre influência das grandes transformações societárias tem a questão social como eixo fundante que deve ser entendida como categoria da própria sociedade capitalista onde eclodiu no marco da Revolução Industrial.40 nos vários países. as desigualdades sociais são inseparáveis da concentração de renda. . exemplo disso. Para Iamamoto. da pauperização e das formas de discriminação ou exclusão sociais. p. Desigualdades indissociáveis da concentração de renda. das diversas formas em cada sociedade. da propriedade privada e do poder. político. tal como historicamente foi encarada no Serviço Social. como historicamente na profissão foi entendida dessa forma. o que devemos desvelar é a gênese das desigualdades sociais. a pauperização e as mais diversas formas de discriminação. muito menos como “situação social problema”. quando tivemos o Estudo de Caso da Mary Richimmond (influência norte-americana). cultural onde temos a acumulação do capital e assim. Conforme a autora. reduzida a dificuldades do indivíduo. Outro ponto bem importante para ser destacado nessa seção é que para Iamamoto (2012) a questão social não deve ser entendida somente enquanto desigualdade social entre pobres e ricos e menos ainda compreendida como “problema”. 27-28). Para Iamamoto (2012) entender e compreender a questão social é uma forma de também poder desvelar as múltiplas formas de pressão social. como também a exclusão social. Importa deixar claro que a questão social não é aqui focada exclusivamente como desigualdade social entre pobres e ricos. (IAMAMOTO. se fazendo parte em diferentes períodos históricos. que são o verso da violência. 2012.2. pois é no hoje que estão sendo inovadas outras formas de viver e que indicam um futuro diferente. p.59). 2012. como também a fenomenologia. a gênese das desigualdades sociais. no século XVIII. inclusive (IAMAMOTO. este se desencontrando da equidade. num contexto social. em um contexto em que acumulação de capital não rima com equidade. em primeiro lugar.

é a questão social. 203) “[. que precisa e se faz importante a ação profissional para atuar juntamente com à criança e ao adolescente. especializado. vai se formulando e reformulando a partir das necessidades históricas. etc. no judiciário. a habitabilidade. a luta pela terra etc. aqui considerado.] assim seu significado social depende da dinâmica das relações entre as classes e dessas com o Estado nas sociedades nacionais em quadros conjunturais específicos. e. causarmos transformações societárias. a drogadição. no enfrentamento da ‘questão social”. [. Segundo Iamamoto: O objeto de trabalho. na assistência social. 62). é parte e expressão da história da sociedade.. desigualdade social). derivadas da prática das classes sociais no ato de produzir seus meios de vida e de trabalho de forma socialmente determinada [. resistência.. rompimento. que de acordo com Iamamoto (2012) devemos pesquisar e conhecer a realidade da matéria-prima do trabalho do qual temos como objetivo provocar transformações. ..] mas como um organismo capaz de mudar e que está em constante mudança. Sabemos então que para decifrarmos as expressões da questão social (rebeldia. tornando-se condição do mesmo. em suas múltiplas expressões. alienação. Nos termos de Marx A profissão é aqui compreendida como um produto histórico. em menor medida. sendo decorrente das contradições das classes sociais para Iamamoto (2011. (IAMAMOTO. Os assistentes sociais usam suas competências e atribuições para intervir nas inúmeras expressões da questão social que se expressam no cotidiano “dia a dia”. É na implementação de políticas sociais. 203). do conhecimento do objeto junto ao qual incide a ação transformadora ou esse trabalho. como na saúde.]. ao se constituir em expressão de necessidades históricas.. Essas expressões da questão social são a matéria-prima ou o objeto de trabalho profissional. adquire sentido e inteligibilidade na história da sociedade da qual é parte e expressão. É ela. O Serviço Social afirma-se como uma especialização do trabalho coletivo. Pesquisar e conhecer a realidade é conhecer o próprio objeto de trabalho.. que ingressa o Serviço Social. inscrito na divisão sociotécnica de trabalho.41 O Serviço Social atua nas múltiplas expressões da questão social. A profissão que de acordo com Iamamoto (2012) faz parte do trabalho coletivo. o conhecimento da realidade deixa de ser um mero pano de fundo para o exercício profissional. tais expressões da questão social são a matéria-prima do trabalho profissional. e. que provoca a necessidade da ação profissional junto à criança e ao adolescente. (MARX.. Nesta perspectiva. ao idoso. ao idoso. 2012. como tal. junto ao qual se pretende induzir ou impulsionar um processo de mudanças. 2012. na habitação. a violência. na educação. ou seja. O Serviço Social é um produto histórico. p. na sua formulação e planejamento. a situações de violência contra a mulher. p.. estando na divisão sociotécnica do trabalho. temos que fazer a leitura de realidade para assim.

da sociedade. p. pois. p. políticos. para Guerra (2007): Está solidamente estabelecido no Serviço Social que as sequelas da “questão social” se constituem na matéria sobre a qual o exercício profissional vai se realizar. porém. sociais. Dada a sua dimensão estrutural. como a sociedade burguesa. sociais. lutando por uma sociedade emancipada. busca pela garantia de direitos enquanto –realmente – verdadeiros cidadãos. também ela não se conforma como um “cristal sólido” (IAMAMOTO.tais como no país nas duas últimas décadas.] Destarte.203). Particularmente no tocante ao Serviço Social. para entender essa relação entre Serviço Social e questão social se faz necessário compreender as mediações do Estado e das políticas sociais. p. pois.. A partir de Guerra (2007) verificamos três particularidades na relação entre o Serviço Social e a questão social: a) o esclarecimento do sentido da profissão na ordem burguesa. assim. a “questão social” atinge a vida dos sujeitos nas suas requisições pela garantia de direitos civis. e esta está em constante transformação. (GUERRA. diante de alterações sociais substantivas. do sujeito. ela se envolve diretamente com a sociedade. remetendoos à luta pela “cidadania”. dessa forma visando à manutenção dessa ordem vigente. 2007. b) a necessidade da importância das mediações do Estado e das políticas sociais e c) o papel dessas mediações na manutenção da ordem burguesa. nas suas demandas pelos direitos sejam civis.(GUERRA.07). Para Guerra (2007) a questão social em seu surgimento tem a importância para mostrar o entendimento do seu papel e sentido na ordem burguesa. 2012. não podemos entender o Serviço Social como uma profissão pronta. humanos e que. estática.01). a relação do Serviço Social com o Estado e as políticas . através das políticas sociais que atua o Serviço Social na formulação e planejamento “[. 2007. onde estamos numa modalidade sócio-histórica que necessita ser compreendida por meio dos seus momentos históricos determinados pela classe dominante. portanto. Conforme Guerra (2007) a matéria do Serviço Social se encontra nas expressões da questão social que atingem a vida dos sujeitos. a “questão social” surge como um importante elemento para o entendimento do papel e sentido desta profissão na ordem burguesa. Portanto para podermos decifrar as expressões da questão social devemos compreender o sistema capitalista. Mas não se pode compreender a relação Serviço Social e “questão social” sem as necessárias mediações do Estado e das políticas sociais.42 É. estas como a modalidade sócio-histórica através da qual o Estado enfrenta a “questão social” em momentos historicamente determinados visando a manutenção da ordem burguesa..a profissão viu-se obrigada a se redefinir. econômicos. portanto. políticos e humanos. dessa forma considerando as formas de produção e de reprodução do profissional.

de acordo com Iamamoto (2012) [. déficit de lugares ocupáveis na sociedade. estabilidade. 2012. conforme o que podemos chamar de elementos dinamizadores. (IAMAMOTO. classe trabalhadora polarizada. E por último nesta breve reflexão verificamos a necessidade de decifrar novas mediações das expressões da questão social. hoje. proteção social.sua produção e reprodução ampliada.. precárias condições de trabalho. na atualidade. o que é de extrema importância para o Serviço Social tanto para poder se apreender quanto para podermos projetar diferentes formas de resistência. as desigualdades sociais. Há determinados fatores sócio-históricos que. como se produzem e se reproduzem. p. o social e o histórico. menor qualificação. para compreendermos a gênese da questão social na atualidade.. ocultas no dia a dia da população que depende do trabalho para a sobrevivência. a primeira para que se possam entender as diferentes expressões na atualidade. E a segunda vem para criar formas de resistência que às vezes já existem. Portanto. De acordo com Iamamoto (2012) a cada . é de fundamental importância para o Serviço Social em uma dupla perspectiva: para que se possa tanto apreender as várias expressões que assumem. efeitos desastrosos (qualificação.] decifrar as novas mediações por meio das quais se expressa a questão social. logo que atualizam as expressões da questão social.quanto projetar e forjar formas de resistência já presentes. vamos sumariar brevemente os que identificamos como centrais para efeito deste trabalho: O primeiro elemento que abordaremos é o da contradição expresso na busca da qualidade total no processo de produção capitalista. 3. Dessa forma. Segundo Guerra (2007) nós temos que identificar as alterações na sociedade. busca por melhores salários. submissão das oscilações das demandas no trabalho). podendo ser possível mostrar os elementos constitutivos que fazem parte desse processo: qualidade total. desemprego e flexibilidade. estão invisíveis.43 sociais. assim. 28). que sofre alterações que são decorrentes dos momentos históricos que vivemos. porém. sabendo o profissional assistente social desvelar as expressões no cotidiano profissional. decifrar novas mediações é um dos fatores importantes no Serviço Social por duas questões. Na próxima seção abordaremos como que essas expressões se atualizam no sistema capitalista.3 Como se atualizam as expressões da Questão Social no capitalismo Iremos apresentar nesta seção como as expressões da Questão Social se atualizam no sistema capitalista. por vezes de forma parcialmente ocultas. na atualidade. dessa forma tentando entender e compreender elas dentro da ordem burguesa. no cotidiano dos segmentos majoritários da população que dependem do trabalho para a sua sobrevivência.

subcontratados.. para gerar maior lucratividade. os subcontratados que se encontram num nível ainda mais subalterno. p. etc. ou seja. assim. 32). já a grande maioria da população está numa precarização no mundo do trabalho. dotada de força de trabalho altamente qualificada e com acesso a direitos trabalhistas e sociais e uma larga parcela da população com trabalhos precários.32). a subcontratação. dessa forma prejudicando as condições dignas de vida e de trabalho da classe trabalhadora. para Iamamoto (2012): Fala-se cada vez mais em qualidade total. (IAMAMOTO. sem distinções. onde se exige do trabalhador a polivalência. afetando todo um contexto. se passa a ideia de que existe uma preocupação com a qualidades de vida da classe operária. afetando radicalmente as condições de vida e de trabalho do conjunto dos trabalhadores. são trabalhos que não dispões de condições dignas para se exercer seja no que diz respeito à estrutura. pois. para produzir mais e mais. todas as partes. temporários. de fato. p. (IAMAMATO. a terceirização. 2012. a produção se volta para o trabalhador. p. O terceiro elemento constitutivo são as precárias condições de trabalho atingem as mais diversas áreas. 49). quanto ao salário. ou seja. todavia. a rentabilidade do capital investido. onde temos um menor número da população com emprego estável. apontadas por inúmeros estudiosos. porém o foco real se encontra no investimento do capital. vem sendo as tendências do mercado de trabalho. se tem prazos no trabalho e por consequência atinge os planos profissionais e assim. . 2012. a terceirização. com a força de trabalho qualificada. que é apresentada como “qualidade das condições de trabalho e de qualidade de vida”. para Iamamoto (2012) A polivalência. indicam uma classe trabalhadora polarizada. etc. a subcontratação. com menor custo o que por consequência causa mais lucro. pois. o aumento dos contratos temporários o que prejudica o profissional. a ampliação de contratos de trabalho temporários. tendo a garantia dos direitos trabalhistas com carteira assinada ou geralmente concursados públicos. mas visa. a queda de padrão salarial. ora. 2012. com salário fixo. (IAMAMOTO. como também. com uma pequena parcela com emprego estável. que afeta “os outros”. o desemprego são dimensões constitutivas da própria feição atual do Serviço Social e não uma realidade alheia e externa. voltada para o trabalhador produzir mais com menor custo. como o desemprego. a subalternidade dos salários. O segundo elemento da dinâmica de atualização da Questão Social se dá em relação à classe trabalhadora polarizada que.44 dia se aborda mais a questão de os trabalhadores terem qualidade no que diz respeito as próprias condições de trabalho o que nesse sentido se torna contraditório. para Iamamato (2012): As tendências do mercado de trabalho.

mas jovens demais para se beneficiarem da aposentadoria. para Castel: Quando.45 O quarto elemento constitutivo e a relação entre o emprego primário e secundário. 2010. da menor qualificação e a submissão das oscilações das demandas.o conhecimento para manuseio e a habilidade (flexibilidade interna). todos que se fazem parte da sociedade capitalista buscam posições no mercado de trabalho.]. treinamento de pessoal. melhor protegidos e mais estáveis-. E o último elemento constitutivo da dinâmica de atualização do capitalismo. 2010. a empresa entende adaptar as qualificações dos trabalhadores às transformações tecnológicas. pois. temos duas divisões de emprego: o primário e o secundário. pois. precarização do trabalho. não é de total exclusividade da empresa e da economia. os demasiados. o movimento de atualização produz efeitos desastrosos “[. p. também para polivalência. seriam as formas de flexibilidade10 onde cada vez mais devido as tecnologias se busca trabalhadores que atendam essa demanda no mercado de trabalho.. de melhores salários. p. 524). Conforme Castel (2010) parece que essa situação não se encontra estática. como subcontratações imediatas (flexibilidade externa). já o segundo tem a composição da precarização. pois de acordo com o autor. menos qualificado. .. onde ambos podem se relacionar de acordo com a variação da demanda e da oferta de trabalho e ainda mais. Há realmente dois “segmentos” de emprego. por exemplo. há relação de complementaridade entre os dois setores [. onde verificamos os efeitos desastrosos que. que o trabalhador esteja apto para diferentes tarefas.constituído por pessoal precário. 519). as mudanças tecnológica.. alguns sujeitos passam pela questão da invalidação onde se tem que fazer apelo por uma vaga no 10 De acordo com Castel (2010) a flexibilidade exige. em período de crescimento e de equilíbrio entre a demanda e a oferta de trabalho.]. Esquematicamente. mas convida a radicalizar suas conclusões” (CASTEL. ficando cada vez mais seletivo o processo de inserção no mercado de trabalho.os riscos do desemprego.. O resultado é a invalidação dos “trabalhadores que estão envelhecendo”. a formação permanente pode funcionar como uma seleção permanente. e um mercado “secundário”. O primeiro se constitui de qualificação. Segundo Castel (2010). de proteção social e de estabilidade. diretamente submetido às flutuações da demanda. (CASTEL. no contexto da busca da “flexibilidade interna”. a situação pode ser interpretada a partir das análises da dualização do mercado do trabalho. demasiado idosos ou não suficientemente formados para serem reciclados. a sociedade salarial sofre um abalo.formado por elementos qualificados. À primeira vista. melhor pagos. 2010. onde estão os inválidos. Mas as relações entre esses dois setores não são estabelecidas de uma vez por todas. p.523). (CASTEL. um mercado “primário” . seria possível dizer que. porém.

na luta por conseguir trabalhar na sociedade capitalista. assim. analisando as alterações. mas percebendo que continuam tendo os fundamentos. entendo-a como histórica.46 mercado de trabalho. o Serviço Social mostra para a sociedade o seu papel na sociedade burguesa. para Iamamoto (2012) é de total importância decifrarmos a atualidade das expressões da Questão Social que são a centralidade da profissão. tanto nas suas desigualdades sociais em suas resistência. salientar que. faz com que saiamos da naturalização e que nos implique ao senso crítico nos enfrentamentos e rebatimentos que o Serviço Social enfrenta. econômicos. compreender esse conflito é perceber as mais diversas formas construídas no dia a dia. como objeto de trabalho. pela luta de classes. já que tem tal acima. Voltaremos no próximo capitulo à discussão sobre a arte que em nosso estudo se expressa através do seriado de TV “A Turma do Chaves” que se passou há 40 anos atrás e na atualidade se tem a possibilidade de nos sensibilizarmos e fazermos a comparação com o desenvolvimento do capitalismo. sociais. por exemplo. podemos repensar e reinventar novas formas de viver. ou seja. ou seja. nos mais diversos antagonismos. Portanto. acima de tudo capital e trabalho. vamos . Essa busca incessante por fundamentar a profissão. sejam eles. finalizando a seção. Logo. culturais. pois. para além da compreensão e do entendimento da profissão. faz-se necessário verificar as alterações históricas que ocorrem e que movimentam a questão social na atualidade. onde ambas podem estar ocultas o que devem serem problematizadas a partir da realidade dos usuários. no que diz respeito ao Serviço Social. no entanto. as expressões da questão social ditas por Iamamoto (2012). . como também a Questão Social de Castel (2010) dão entendimento para a profissão. Após ter apresentado os elementos constitutivos básicos que podem vir a atualizar as expressões da questão social. parece que buscando a solidariedade moral dos seres humanos que estão na mesma dinâmica. as bases na ordem vigente. com as décadas anteriores e com a atual. assim. marcada por contradições. tendo Arte e Serviço Social nos desafiando para refletirmos sobre a emancipação humana.

A segunda parte explica o que são seriados de televisão e o seu surgimento. possíveis de se identificar com a sociedade. cinema. e é neles que triunfam todos os seus meios característicos. onde os estrangeiros invadiam o mundo. A primeira parte desse capítulo será usada a obra do historiador Hobsbawm . sendo então. para assim. podermos melhor compreender a sua relação e as manifestações artísticas mostradas a partir da televisão. sobretudo o cinema. Utilizaremos Machado e Joly. seja. câmera. como Adorno (1985) nos traz que a arte ainda consegue sobreviver por meio da indústria cultural..que traz os diversos momentos históricos relacionando com a arte. pintura.Era dos Extremos. fotografia. contextualizando a história com a arte. o rádio. como também. a arte levada para os telespectadores. cinema. 1985.47 4 A ARTE E OS SERIADOS DE TV O presente capítulo nos traz a Arte e os Seriados de TV. (ADORNO.. de acordo com o autor. Hobsbawm (1995) faz a associação com obras de arte. De acordo com Hobsbawm (1995) movimentos que não eram tradicionais começaram a surgir em diversos países europeus no final do século XIX. como os principais personagens e as suas características. tecnológicas e industriais. etc. onde “a tendência do liberalismo a deixar caminho livre a seus homens capazes [. disco e rádio. devido à rápida transformação das sociedades com o boom11 do capitalismo. enfim. desenhistas. A dialética do Esclarecimento. a partir de pintores. p. como a imprensa. 109). como também Adorno em. p. ora. “não é à toa que o sistema da indústria cultural provém de países industriais liberais. o jazz e as revistas”. a partir desse período vêm à tona as dominações das artes populares. 11 Explosão . 1985. teatro. reagindo ao liberalismo. o autor mostra a ironia no que diz respeito aos “homens capazes”. sendo a maioria.1 Emergência da televisão como forma de produção cultural Em diversos momentos históricos que tivemos como a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Thuler e Franco para embasar estas reflexões.]” (ADORNO. como se no liberalismo todos pudessem trabalhar com liberdade e fazendo o que realmente se gosta. 109). música. Nesses elementos que o autor traz podemos verificar que a arte está ligada diretamente com a economia. a Revolução Cultural. 4. músicos. cineastas. trazendo o seriado “A Turma do Chaves” uma prévia da história dessa expressão artística.

de fato.. para o autor “[. Ela está tão completamente submetida à lei da troca que não é mais trocada. Para Adorno (1985) a massa cultural se torna idêntica e os meios de comunicação como o cinema e o rádio não precisam mais se mostrar enquanto arte. mais todo-poderosa ela se torna. hoje.]” (ADORNO.. (ADORNO. p. Quanto mais destituída de sentido esta parece ser no regime do monopólio.. a cultura se encontra numa contradição onde se vai liquefazer com a publicidade. É por isso que ela se funde com a publicidade. 1985. 1985. De acordo com o autor “[. os governantes e os vendedores não demoraram muito para usar a propaganda política e a publicidade. eles próprios são definidos. ou melhor.. Dificilmente será possível recapturar a simples linearidade ou sequencialidade de percepção anteriores aos dias em que a alta tecnologia tornou . p... se deu também o rádio como uma incrível ferramenta para a informação de massa. 1985.. Eles se definem a si mesmos como indústrias. Para Adorno (1985).. para Hobsbawm (1995): [.] a indústria só se interessa pelos homens como clientes e empregados e. Os motivos são marcadamente econômicos. pois. pois. 121). a mais valia que os diretores gerais recebem respondem a “necessidade” que tem de se ter tais produt os. reduziu a humanidade inteira [. 131)..] O cinema e o rádio não precisam mais se apresentar como arte.] a tecnologia não apenas tornou as artes onipresentes. no que se encontra um passo à frente de outras corporações [. para o autor: A cultura é uma mercadoria paradoxal. seu viés se direciona para fins econômicos. enquanto indústria e o montante.100). O autor ainda afirma que: Sob o poder do monopólio toda massa é idêntica. mas transformou a maneira como eram percebidas. onde “[. e seu esqueleto... que inclusive.48 Conforme Adorno (1985) a indústria cultural levou a arte para a esfera do consumo.]” (ADORNO. a ossatura conceitual fabricada por aquele. (ADORNO. melhor.]” (ADORNO. A verdade de que não passam de um negócio. eles a utilizam como uma ideologia destinada a legitimar o lixo que propositalmente produzem.. Hobsbawm frisa o surgimento do fotojornalismo do qual segundo ele. todos estão sendo negócio. o rádio nada mais é do que um retardatário progressista da cultura de massas. começa a se delinear [. era possível de ver a realidade através das lentes das câmeras. p. e assim.. 1985. 1985. p. 134). que quanto menos sentido e monopolizada estiver. p. e as cifras publicadas dos rendimentos dos seus diretores gerais suprimem toda dúvida quanto à necessidade social de seus produtos. Segundo o autor. 111). Ela se confunde cegamente com o uso que não se pode mais usá-la..] quem a lastima como traição do ideal da expressão pura está alimentando ilusões sobre a sociedade [.] ele é um empreendimento privado que já apresenta o todo soberano...

com a finalidade mercadológica e se fazendo parte da classe dominante.]” (HOBSBAWM. multiplicando os produtos. guardando a arte que se apresentou posteriormente e.. Para o Hobsbawm (1995). o noticiário. técnicas de democracia de massa e a inovadora ideologia de barbarismo irracionalista [. 485). as pessoas sabiam o que as outras tinham escutado. devido à tecnologia ela se encontra presente em quase todos os lugares. Então. No próprio mercado. Só a obrigação de se inserir incessantemente. como citado acima. o final do século XX começou com “[. mesmo que o comprador tivesse pouco conhecimento sobre o assunto.] a combinação de valores conservadores. na vida dos negócios como um especialista estético impôs um freio definitivo ao artista. neste sentido. sob a mais drástica das ameaças.49 possível percorrer em alguns segundos toda a gama de canais de televisão existentes [... aos quais essas instituições foram legadas como herança do absolutismo. p. tinham visto na noite passada. como por exemplo. porém. pois: [. também se criou a esfera pública. o Estado e as municipalidades. (ADORNO.. como o lazer. foram uma transformação intensa na vida das pessoas. Podemos verificar que antes da televisão já era existente a relação de dominação com os meios de comunicação. uma forma de estruturar a vida em horários. orquestras e museus estavam protegidos. embora os veículos centrassem o indivíduo e a família.] Os poderes políticos.121)..] (HOBSBAWM. Adorno. onde tinham os grandes teatros. garantiam respeito. nos traz o sistema de educação alemão ligado com as universidades. Conforme o historiador. assim. 1995. por sua vez. assim.. assim.. o programa favorito de humor. Adorno. houve um grito econômico movido pela revolução tecnológica. governando não apenas o trabalho. 1985. p. que os príncipes e senhores feudais haviam assegurado até o século dezenove.110). p. a literatura e a música que enquanto decentes. o tributo a uma qualidade sem utilidade e ainda sem curso converteu-se em poder de compra: é por essa razão que editores literários e musicais decentes puderam cultivar por exemplo autores que rendiam pouco mais do que respeito do conhecedor. Para Hobsbawm (1995). nos traz a televisão enquanto mais um dos elementos constitutivos dos meios de comunicação que transformou a forma como a arte era percebida. a arte aparecendo enquanto resistência e no mercado era visada enquanto a própria qualidade e o fato de comprar se dava a partir da qualidade.. 1995. os poderes ao quais as universidades forneciam eventos artísticos ficaram preservados até o século XIX. esses mecanismos e ainda por cima a televisão que aqui ele inclui principalmente a novela e todos os tipos de seriado. haviam preservado para elas uma parte daquela independência das relações de dominação vigentes no mercado. a televisão atua diretamente . o jogo de futebol. Hoje. Isso resguardou a arte em sua fase tardia contra o veredicto da oferta e da procura e aumentou sua resistência muito acima da proteção de que desfrutava de fato.

4. à televisão. p. até o surgimento do vídeo e do videocassete. por exemplo. No que diz respeito ao rádio. sua sucessora. 09). associar o gosto pela televisão na maioria das vezes. se torna mais “intelectual” dizer que a literatura ou cinema. são as melhores opções. incluindo algumas temáticas. Contudo. que intervém nas relações sociais. que daí em diante governou não apenas a esfera do trabalho.2 Seriados de TV . a televisão — embora essencialmente centrado no indivíduo e na família. que jamais tinham se conhecido. 1995. o que eles são e. os personagens e as principais características. refinamento e elevação do espírito. Mas por que as coisas são assim? (Machado. pois: É difícil reconhecer as inovações da cultura do rádio. a sociedade não considera “saudável”. seja pelo programa de humor do sábado à noite. o videocassete (VHS) até a posterioridade que foi a televisão no elemento público. o programa de entrevistas com celebridades. a novela. criou sua própria esfera pública. (HOBSBAWM. pois: De fato. p. esse veículo — e. mais tarde. “A Turma do Chaves” conduzida como categoria (seriado). o programa humorístico favorito. o noticiário. dentro do trabalho. em geral. Tais inovações possibilitaram a invasão da privacidade e da estrutura da vida do ser humano. pode não parecer algo inteligente na atualidade. Dessa forma. quando não de equilíbrio mental. Pela primeira vez na história pessoas desconhecidas que se encontravam provavelmente sabiam o que cada uma tinha ouvido (ou.50 dentro do espaço familiar. não soa muito inteligente dizer-se apaixonado pela televisão. na vida familiar. desde o vídeo. . o discurso de Winston Churchill. ora. aos seriados de TV é difícil reconhecermos as novidades da cultura. mas a do lazer. pois. através de horários programados tanto no trabalho quanto em casa. 2005.A Turma do Chaves: os principais personagens e suas características Segundo Machado (2005) afirmar que se gosta de assistir à televisão. pois muito daquilo que ele iniciou tornou-se parte da vida diária — o comentário esportivo. seja pelo discurso de um grande noticiário. pessoas que jamais tinham se encontrado. seja por meio do futebol de domingo à tarde. o conteúdo do noticiário. dentro de algum espaço que transforma de qualquer forma.125). visto) na noite anterior: o grande jogo. curiosamente. Na próxima seção vamos ver os seriados de TV. A mais profunda mudança que ele trouxe foi simultaneamente privatizar e estruturar a vida de acordo com um horário rigoroso. sabiam uma da vida da outra. a paixão pela televisão é. Se a confissão de amor pela literatura ou por quaisquer outras formas sofisticadas de arte funciona como uma demonstração (às vezes também uma impostação) de educação. interpretada como sintonia de ignorância. e também todos os tipos de seriado. na sequência.

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Conforme o autor, a banalização se dá devido à industrialização cultural que se estende, não somente para a televisão, como também para as livrarias e também para o cinema, pois, o mercado da cultura está em todos os lugares e ainda afirma que existe, sim, vida inteligente na televisão “[...] tudo é uma questão de mudança de enfoque. Em lugar de prestar atenção apenas às formas mais baixas de televisão, a ideia é deslocar o foco para a diferença iluminadora, aquela que faz expandir as possibilidades expressivas desse meio [...]” (MACHADO, 2005, p. 11), a televisão pode contribuir para processos de construção de conhecimento, de interpretação, tendo potencial transformador, não podemos esquecer que a televisão não deve explicar de ingênua e rápida e também não se tem como objetivo criar um mar de mediocridade,
O público mais careta, por exemplo, que está constantemente reivindicando restrições à exploração de sexo, violência e palavrão na tela, também chama de “qualitativa” a televisão que eles querem: uma televisão asséptica,destilada dos problemas e desligada da vida real. (MACHADO, 2005, p. 13).

Sendo a televisão um dos meios de comunicação de maior extensão, ou seja, sendo assistido sejam quais programas pela maioria da população, não podemos esquecer que devemos saber o que estamos discutindo sobre ela e não esquecer que existem diversas formas de olharmos, não somente apontando os nossos dedos questionadores, mas também, sabendo valorizar o que ela nos proporciona. De acordo com Machado (2005) devemos pensar a televisão em uma nova maneira, pois:

Televisão é um termo muito amplo, que se aplica a uma gama imensa de possibilidades de produção, distribuição e consumo de imagens e sons eletrônicos: compreende desde aquilo que ocorre nas grandes redes comerciais, estatais e intermediárias, sejam elas nacionais ou internacionais, abertas ou pagas, até o que acontece nas pequenas emissoras locais de baixo alcance, ou o que é produzido por produtores independentes e por grupos de intervenção em canais de acesso público. (MACHADO, 2005, p. 20).

Ainda temos tempo de resgatar então, a inteligência perdida, a arte negligenciada. No que diz respeito ao canal aberto e dialogando com o autor, podemos verificar que para Machado (2005) a serialidade é uma exposição descontínua e fragmentada de televisão, de acordo com o autor, os seriados existiam antes da televisão, eram vistos em cartas, nos sermões, em folhetins, inclusive na radionovela e depois a primeira versão audiovisual com os seriados do cinema, sendo este mesmo que subsidiou os primeiros modelos básicos de seriados. Para ele existem três relevantes categorias sobre os seriados de televisão:
Essa “estética de repetição” acontece numa variedade quase infinita de possibilidades, mas para efeitos de um estudo mais genérico, vamos agrupar as

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tendências predominantes em três grandes categorias: aquelas fundadas nas variações em torno de um eixo temático, aquelas baseadas na metamorfose dos elementos narrativos e aquelas estruturadas na forma de um entrelaçamento de situações diversas. (MACHADO, 2005, p. 90).

Para Machado (2005) as estéticas de repetição possuem três importantes categorias: a primeira são aquelas que mudam as suas variações em torno de uma temática que parece estática, mas que mudam durante as séries; o segundo tipo de seriado se baseia nas diversas transformações dos elementos que fazem parte da narração e o terceiro e último elemento são o envolvimento de diversas situações, seja no que diz respeito as temáticas, ao estilo, as narrativas. Logo, podemos encaixar o seriado de TV “A Turma do Chaves” na primeira das três grandes categorias, ou seja, as fundadas nas variações em torno de um eixo temático. Segundo Machado (2005) cada emissão é uma história completa e autárquica com começo, meio e fim e o que se repete no próximo episódio são os personagens principais em uma mesma situação narrativa. Para Machado (2005) esse segundo tipo de seriado, que gira em torno de um eixo temático e, por exemplo, os personagens continuam os mesmos, por exemplo, se o personagem principal sofreu ferimentos no próximo episódio já não haverá vestígio algum e continuará como se nada tivesse acontecido, é importante destacar que também não existe ordem para a exibição dos seriados, sendo eles de curta duração, assim, chamando a atenção do telespectador. De acordo com Joly, Thuler e Franco (2005)
Nenhum programa que resista mais de duas décadas na TV brasileira à base praticamente de reprises deve ser visto como uma atração qualquer. Não. Chaves tinha, e tem, algo de especial que precisava mesmo ser deslindado. (JOLY, THULER e FRANCO, 2005, p. 11).

O seriado ao se tornar repetitivo faz com que o público consiga fixar e muito para, além disso, ele realmente conseguia e consegue manter os telespectadores atentos. As primeiras exibições da Turma do Chaves começaram a se passar no México, no início dos anos 70 e rapidamente foram se espalhando pelo país. Já no Brasil, o seriado vem uma década depois, sendo o sucesso da criançada. Conforme Joly, Thuler e Franco (2005) o programa criado por Bolaños12 vai para além de um programa humorístico, o estereótipo dos personagens exibem uma relação com a pobreza da América Latina. E mais ainda, os autores afirmam que:
Ainda existem, obviamente, os que abominam o programa, ou ainda, os que não admitem que já assistiram. Alguns sentem vergonha e acabam não dando o devido valor ao que representa o Chaves no Brasil. Costumamos ignorar a maneira com que o seriado entra em nossas vidas e por vezes influencia nossas decisões. Se já é
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Roberto Gómez Bolaños - autor e intérprete do personagem Chaves

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comum para alguns ter uma certa “vergonha” de admitir ver Chaves, ainda mais comum é ouvir alguém dizer que não gosta, ou que somente vê quando está “trocando de canal”. (JOLY, THULER e FRANCO, 2005, p.17).

Podemos verificar que o Chaves representa não somente o Brasil, como vários países da América Latina e dos demais continentes, sendo um seriado que por mais humorístico que seja, deve ser levado a sério, podendo ser trazido para diversas reflexões e intervenções do cotidiano. Com as repetições e com as características dos personagens da Turma do Chaves, os autores13 Joly, Thuler e Franco (2005) resgatam a série, como por exemplo, trazendo a questão de os moradores não poderem ter animais de estimação na vila,das más condições habitacionais e em meio a isso tudo, com essa obra que expõe de uma forma bem detalhada o cortiço, os autores trazem o perfil de cada personagem, dentre eles:  Chaves - É um garoto órfão, pobre, que sempre procura uma forma de se alimentar, já

trabalhou como, por exemplo, de garçom, de engraxate e vendendo sucos de tamarindo. Há de se ressaltar também que o personagem vive sendo agredido pelos moradores da vila. Podemos dizer que, o personagem, expressa a questão social através do abandono, da violência, do trabalho infantil, da fome e também das más condições habitacionais por morar em um barril.  Kiko - É o menino “riquinho” que mora na vila e em vários episódios ele aparece

comendo algo, além de estar sempre exibindo os seus brinquedos novos para os amigos que, por consequência, todos acabam brigando. E, ainda por cima, não se conforma por não ter a tal da bola quadrada. O personagem expressa a desigualdade social quando exibe os brinquedos novos para os amigos, com isso, gerando sempre algum tipo de violência.  Chiquinha - Vive pedindo dinheiro para o pai, querendo comprar doces. Além de não

respeitar os mais velhos, colocando apelidos em todos, acaba sempre se metendo em encrenca, pegando os brinquedos dos amigos. Podemos dizer que a personagem expressa a questão social através da desagregação familiar, da violência, pois quando a personagem faz com que os moradores sofram uma forma de bullyng ,com os diversos apelidos que ela coloca nos moradores.  Ihonho - É um garoto que é filho do proprietário da vila, portanto, o menino vai ao

cortiço para passear. Segundo Joly, Thuler e Franco (2005) ele é aplicado na escola e tem boas relações com os amiguinhos da vila, busca dividir as suas refeições com o Chaves, porém, Kiko e Chaves costumam falar do peso do menino, o que acaba o deixando chateado e fazendo chantagens e retirá-los da vila. Vale lembrar que todas as crianças estudam na mesma
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Livro elaborado para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) por três acadêmicos do Curso de Comunicação Social – Jornalismo das Faculdades Integradas Alcântara Machado – FIAM.

o baixo nível de escolaridade. pedreiro. normalmente sendo chamado pelas crianças por mestre linguiça. leiteiro. um ex-marinheiro. Portanto. depois da aposentaria ele se mudou para a vila. quando quer excluir os moradores da vila. O personagem expressa a questão social a partir de ser um idoso num trabalho precário. não aceita a ideia de o Seu Madruga não trabalhar. pois. “quer evitar a fadiga”.  Seu Furtado14.  Jaiminho . Podemos dizer que o professor é vítima de bullyng escolar. gentalha!”. O mestre sempre leva buque de rosas para a Dona Florinda.É uma senhora idosa e solitária. nunca tem dinheiro. tanto que em um dos episódios ela vende churros. como o famoso “mestre linguiça” que sempre tenta ensiná-los.  Dona Clotilde . já trabalhou como carpinteiro. dentre outras funções. Thuler e Franco (2005) a mãe do Kiko. conforme os autores ela passa grande parte de seu tempo em função da culinária. a personagem vive como se ainda tivesse bem financeiramente. além de agredi-lo em praticamente todos os episódios. ele joga o ferro no barril do personagem Chaves. a Chiquinha. os autores afirmam que ele nunca teve a oportunidade de estudar e sofre arduamente para pagar o aluguel. fotógrafo.Possui pouca ou nenhuma instrução escolar. os diversos trabalhos informais e sua resistência pela luta da terra (moradia). o 14 Personagem eventual que se tornou lenda. quanto inúmeras vezes chama o Seu Madruga de “gentalha. as crianças não a chamam de outra coisa. Aparece em 2 episódios que são reprisados no Sistema Brasil de Televisão (SBT). treinador de boxe. outra moradora que também é vítima dos apelidos das crianças. A personagem é vítima de violência e preconceito.  Dona Florinda. Podemos afirmar que o personagem expressa a questão social com o desemprego. Podemos dizer que o personagem é vítima de bullyng extraescolar e usa a resistência em relação a isso. que vive da renda do falecido. quando os moradores avistam.  Girafales . A personagem expressa a questão social na violência. mas na maioria das vezes acaba sendo levando na brincadeira. pois. além de culpá-lo por tudo que acontece com seu filho.  Seu Madruga .54 escola. . vive doente.É um senhor idoso que trabalha como carteiro e consecutivamente pede para as pessoas procurem as cartas.É uma senhora viúva de classe média.O personagem vai visitar a vila e rouba um ferro de passar roupa.É o professor das crianças. sem acesso à saúde. também se fazendo parte dos moradores. isso para poder pagar o aluguel a dar subsídios para a sua filha. mais conhecido. Conforme Joly. pois. a não ser de “Bruxa do 71”.

THULER e FRANCO. podemos verificar as características dos personagens. então. no pobre do Chaves. que sempre acaba levando uns cascudos. a quem deve mais de 14 meses de aluguel. pois. (JOLY. na maioria dos episódios aparece as crianças fazendo peripécias. as diferenças entre as classes. a violência. Outro episódio foi “Tienda Del Chavo”16 onde Chaves e Kiko estavam vendendo sucos numa total disputa para ver quem vendia mais. Podemos perceber que o seriado traz várias situações do dia a dia. Barriga. 15 16 Expressão usada por Dona Florinda para ofender Seu Madruga (ralé). o culpado fica sendo o Seu Madruga que. o trabalho infantil. Joly. o desempregado. o idoso no mercado de trabalho. um seriado que começou a se passar 40 anos atrás e que nos traz expressões da questão social são tão atuais.55 personagem expressa a questão social a partir da fome. p. Através das expressões artísticas. Seu Madruga também tem de se esquivar dos tabefes que recebe de Dona Florinda. A partir das exposições dos personagens acima pode-se afirmar que o seriado acaba mostrando a realidade. Thuler e Franco (2005) nos trazem outros episódios. como também nos episódios. como por exemplo. o trabalho informal. como por exemplo. Sua raiva acaba sendo descontada. 2005. de acordo com os autores: Além de viver fugindo do Sr. onde temos o abandono. de acordo com os autores o Kiko provoca o Chaves e com o objetivo de vingança. acaba acertando no Seu Madruga que aparece nos momentos impróprios e na sequência surge a Dona Florinda que visa proteger o filho e como de costume. queria se alimentar por isso decidiu furtar . Temos assim. que o culpa de todo mal que acontece com seu filho Kiko. desconta toda a raiva no Chaves. o dono da propriedade privada. Nas tramas Seu Madruga também não paga o aluguel. A Tenda do Chaves .124). um que a Dona Florinda diz em alto tom que seu filho foi morar em outra cidade para não ter mais que se fazer parte do mesmo espaço que a “gentalha15”.

o trabalho do assistente social. p. (BONDUKI. que tinha seu espaço . a especificidade do processo de trabalho. focando em especial a atuação profissional na área da habitação. pois. as questões materiais e imateriais. 2011. a territorialização e o trabalho profissional do assistente social na habitação. por último. a discussão sobre a instrumentalidade. A partir daí podemos perceber que no final do século XIX começam as primeiras segregações espaciais. como na territorialização. Na segunda parte deste capítulo vamos discutir sobre a concepção de território. começava o crescimento da cidade e o acúmulo de trabalhadores não ia de acordo com a mesma qualidade habitacional para a burguesia. Com estas discussões concluímos o embasamento teórico necessário para responder nosso problema de pesquisa: Por que a Questão Social se manifesta no seriado de TV “A Turma do Chaves” e no loteamento Maria Cristina? 5. garantindo à elite áreas de uso exclusivo. na des-territorialização e na re-territorialização.56 5 AS POLÍTICAS PÚBLICAS DE HABITAÇÃO. A TERRITORIALIZAÇÃO DA QUESTÃO SOCIAL E O TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL Neste capítulo serão abordadas as políticas públicas de habitação juntamente com o Programa Minha Casa Minha Vida. além de uma apropriação diferenciada dos investimentos públicos.1 As políticas públicas de habitação: O Surgimento do Programa Minha Casa Minha Vida Antes de discutirmos sobre uma breve história da habitação. o espaço do qual ele faz parte. 20). E. a habitação na Era Vargas. Se a expansão da cidade e a concentração de trabalhadores ocasionou inúmeros problemas. a intervenção estatal e o inicio do Programa Minha Casa Minha Vida. Conforme o autor: O problema de habitação popular no final do século XIX é concomitante aos primeiros indícios de segregação espacial. a segregação social do espaço impedia que os diferentes estratos sociais sofressem da mesma maneira os efeitos da crise urbana. como também os cortiços. se torna importante salientarmos que de acordo com Bonduki (2011) o crescimento da cidade se deu tanto a partir do mercado industrial quanto a excedente quantidade de imigrantes que iam para a cidade em busca de emprego. Na primeira seção focar-se-á sobre o problema de habitação popular no final do século XIX. livres da deterioração.

geralmente sem energia elétrica. criação de legislação de uso de controle do solo. 3) pela carência de prévio saneamento do terreno onde se acham construídos.] (BONDUKI. longe das mazelas e com investimento público. por fim.. da ausência de habitação. 2011. vinda de remunerações mal pagas. Conforme Bonduki (2011) mesmo que existissem várias ideias para demolir com algumas habitações tidas como insalubre.] nunca o poder público pôde levar a lei ao pé da letra pois isto significaria deixar ao desabrigo boa parte dos trabalhadores urbanos [. distribuição de água. p. vinda do desemprego.. pela precariedade de saneamento nos terrenos e pela falta de higienização dos lugares onde eles se encontram.. “[. 39). etc. porém de acordo com Bonduki (2011): A construção barata era uma exigência intrínseca ao negócio. os níveis de remuneração dos trabalhadores não permitiam aluguéis elevados. o que poderiam usufruir que ia de acordo com a remuneração eram os cortiços.]” (BONDUKI. era uma forma de mostrar uma iniciativa em favor da melhoria da habitação dos pobres. quase sempre sem luz e sem a necessária ventilação. p. 2011. 4) finalmente. 39). poder público e empreendedores. Os cortiços geralmente se localizam num espaço do tamanho de um quarteirão e possuem algum ponto de venda. p.. pois aumentariam seus lucros.57 garantido. essenciais para a reprodução da força de trabalho a baixos custos [. visavam novas condições urbanas em meados da década de 1890. Para estes. os estímulos à iniciativa privada foram sempre muito bem aceitos por todos: higienistas. por exemplo. pela falta de aposentos e pela falta de distribuição correta. As características dos cortiços se dão pela ausência de qualidade e construções impróprias. O aspecto econômico era um elemento fundamental que viabilizava as condições habitacionais da população como construir casas com valores baixos e aluguéis com baixo preço. mesmo que os resultados fossem pífios. 24). como eram o caso dos cortiços. onde se contavam com obras de saneamento. pelo desprezo das mais comezinhas regras de higiene doméstica. Bonduki afirma que a precarização das condições de vida do trabalhador na cidade. era a oportunidade de difundir o padrão de habitação recomendável. 2) pela falta de capacidade e má distribuição dos aposentos. para os higienistas. Os cortiços e as casas coletivas eram. . As primeiras intervenções. (BONDUKI. na maioria das vezes que em grande maioria eram resididos por trabalhadores. por exemplo. 2011. conforme o autor: Adotados por todos os níveis do governo e regiões do país. portanto.. que. coleta de esgoto. por exemplo. para o poder público.. a vantagem era óbvia. fez com que o poder público começa-se a intervir. pois. Bonduki (2011) traz que as principais características são: 1) pela má qualidade e impropriedade das construções.

a forma de adquirir ou de construir a casa. p.58 Nesse contexto. Posto pela ordem sanitária que se posicionava perante problemas sociais. não há como negar a especificidade da intervenção estatal. mesmo que fossem de baixo valor os resultados de lucros eram uma forma de através da privatização. se daria por meio de créditos do qual daria mais acessibilidade aos interessados. para os sanitaristas. (BONDUKI. a Câmara Municipal fazia a proposta de gestão juntamente com o Congresso Legislativo Estadual e o Congresso Federal. onde estava fazendo parte de um Estado liberal de oligarquia e de . impondo limites à ação de promotores de cortiço. postura coerente com sua abordagem dos problemas sociais. o Estado liberal-oligárquico tratou a questão de um ponto de vista sobretudo repressivo. Para Bonduki (2011): Foram essas as mais significativas formas de intervenção do Estado no setor da habitação até a década de 1930. ditado pela ordem sanitária. (BONDUKI. Entretanto. e ao Congresso Federal para que autorizasse as Caixas Econômicas a empregar um quinto de seus fundos em seus empréstimos hipotecários ás sociedades construtoras de casas baratas e higiênicas e às sociedades de crédito que facilitassem a compra ou construção dessas casas. até o fim da década de 30. A meta a ser atingida desde à época do Império. inclusive isenção de impostos de importação de materiais. Em São Paulo havia uma lei que regulamentava a isenção de impostos do município onde pontuava sobre o padrão de perimetral das construções. melhorar a habitação da classe subalterna e a higienização. o ideal a ser atingido. para que este tomasse medida semelhante. Para Bonduki (2011) a vila operária foi incentivada para beneficiar os trabalhadores e beneficiou mais os investidores. Sob o controle da burguesia cafeeira. considerando-se que a regra era o Estado manter-se afastado do âmbito privado. pois. p. No que diz respeito a classe operária. autorizasse as Caixas Econômicas para garantir parte dos fundos de empréstimos de hipotecas para construir residências de baixo custo e de alta higiene. a Câmara Municipal reafirmava a legislação anterior e propunha-se fazer gestões junto ao Congresso Legislativo estadual. requisitava que a primeira tomasse medidas para que isso não ocorresse e que a segunda. Em São Paulo. foram propostas várias leis de estímulo à construção de vilas operárias. (BONDUKI.41). Segundo Bonduki (2011) essas foram às principais intervenções estatais no que diz respeito à habitação. a lei 493/1900 previa a isenção dos impostos municipais para as vilas operárias construídas conforme o padrão da prefeitura e fora do perímetro central. Nesse dispositivo. surgiram incentivos. O poder público apoiava a iniciativa privada e que era aceita também pelos higienistas e obviamente pelos empreendedores. para facilitar sua construção. 2011. incentivo reforçado. em 1908. para Bonduki (2011): Baseada na casa unifamiliar.41). a vila operária era o modelo de habitação econômica e higiênica.41). 2011. onde era visado a isenção de impostos para importar materiais para colaborar com maior facilidade para que houvessem as construções. pela lei 1098. p. Desde o Império . 2011.

porém. geraria desenvolvimento econômico e seria uma grande estratégia de industrialização para o país e em segundo que seria vista como formação ideológica. produção rendista. de ascensão social e de estabilidade da família desde a Era Vargas até os desafios que deverão de ser enfrentados no século XXI. que vimos um tanto da trajetória histórica habitacional. responsabilizando Vargas pela sua falta de comprometimento com o trabalhador. durante quase vinte anos de intensa urbanização e de agravamento do problema da moradia. no Brasil. se torna impossível negar que o Estado deixa limitado os que realmente tinha interesse em promover seus cortiços. A partir dos instrumentos do Estatuto da Cidade (2010) temos um resgate da Constituição Federal de 1988 e do Estatuto da Cidade de 2001. Lei do Inquilinato que nada mais é do que a avaliação das produções de moradia entre o proprietário da propriedade privada e o inquilino.59 repressão ao mesmo tempo era posto que o Estado devesse se manter longe do privado. vinha de um intenso consenso com a elite. compatibilizando com os salários. o governo Vargas tinha enquanto um de seus objetivos que o homem fosse visualizado enquanto “trabalhador”. Agora. e os empreendedores. Bonduki (2011) nos trouxe as perspectivas de ilusão. pois. (BONDUKI. o autor. perpassa pelo processo de urbanização. tendo como base o princípio da função da cidade na sociedade e a propriedade. aliando interesses coletivos. No ano de 2004 temos a aprovação da Política Nacional de Habitação que de acordo com o Ministério das Cidades (2004). de maneira geral. política e moral do trabalhador. visando. pois. pois. que a habitação deveria de fazer parte da força de trabalho. mostram que. Conforme Bonduki (2011) a intervenção estatal na habitação a partir do Governo Vargas se responsabilizava por garantir um espaço habitacional para os trabalhadores da cidade. as formas de desenvolvimento. sucessivos governos revelaram-se incapazes de formular uma proposta para atender ao leque cada vez mais diversificado de necessidades habitacionais do país. os cidadãos. dessa forma. a produção estatal de moradias. primeiro. A trajetória da Fundação da Casa Popular e. desemprego. exclusão social. produção Estatal. porém. 2011. como também o Banco Nacional de Habitação (BNH) que foi uma empresa pública que financiava nos mesmos moldes que a Caixa Econômica Federal faz hoje. Em resumo. a ideia era que os preços dos salários não aumentassem. a questão nunca esteve no centro das preocupações dos governos populistas. vamos partir para o Programa Minha Casa Minha Vida. industrialização. p. Conforme Bonduki (2011) o projeto nacional-desenvolvimentista tinha dois pontos como principais. regular as relações estabelecidas entre o Estado.125). um dos principais objetivos é garantir condições de . vulnerabilidade.

Essa necessidade direta de participação deve se dar não somente com o poder público como também com a população. A partir do livro Trabalho Social em Programas e Projetos de Habitação de Interesse Social (Curso a distância. Parcelamento.22). Para que o Programa Minha Casa Minha Vida construa moradias adequadas e bem localizadas é essencial a participação ativa dos municípios mobilizando instrumentos em seus Planos Diretores que favoreçam a disponibilidade de bons terrenos para o programa. p. ressalta-se as obras. instrumentos. conforme a Cartilha “Como produzir moradia bem localizada com os recursos do Programa Minha Casa Minha Vida! Implementando os instrumentos do Estatuto da Cidade!” (2010) cada cidade definirá como se darão os processos de acesso a terra para produção de moradia. 2010. se nos envolvermos e planejarmos juntos para termos mais firmeza. além de democratizarmos as decisões. Compulsórios – PEUC IPTU Progressivo no Tempo. Edificação e Utilização. Segundo a Cartilha já citada é a oportunidade de os municípios verem. em ressalto constam na Cartilha (2010) que se deve haver o planejamento participativo onde a população tem o direito de se fazer parte nas decisões. como são chamados. e aqui.60 moradia com qualidade para todas as camadas da população. dentre eles: Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS). o Programa Minha Casa Minha Vida tem como meta abranger um milhão de habitações. Desapropriação com Títulos da Dívida Pública. poderá se materializar se tivermos experiências. Após o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no ano de 2007 que tem a meta de promover os recursos econômicos. Em 2006 cria-se o Plano Diretor de cada cidade que. Consórcio Imobiliário. que. Ainda segundo a Cartilha. 2010). inclusive no que . é em 2008 que surge o Programa do Governo federal Minha Casa Minha Vida pretendendo abranger famílias com até 10 salários mínimos. Para Bonduki (2011) esse processo de se pensar e concretizar as políticas urbanas não é da noite para o dia. em ressalvo para os que possuem renda baixa. O programa visa que a população com renda mensal de até 10 salários mínimos adquira a própria casa. (CARTILHA. planejarem as melhores formas habitacionais. mas. diz-se que é necessária a participação direta dos municípios nos Planos Diretores para favorecer terrenos de qualidade. De acordo com a Cartilha: O Programa Minha Casa Minha Vida tem como finalidade criar mecanismos de incentivo à produção e compra de novas unidades habitacionais pelas famílias com renda mensal de até 10 salários mínimos. que residam em qualquer município brasileiro. Este Programa tem como meta construir um milhão de habitações. a partir de documentos urbanísticos. especialmente para famílias com renda de 0 a 6 salários mínimos.

] quando analisamos as condições técnicas e normativas criadas . transportes.. são resultados de disputas políticas entre os Estados e municípios que exigem outras fábricas e transferem as que possuem. O território é o chão e mais a população. O território é a base do trabalho. sobre os quais ele influi (SANTOS. o município tem o papel fundamental nesse processo que é o de produzir moradias adequadas e bem localizadas. onde o autor afirma que as mudanças de localização desse ramos. por exemplo. para a sociedade como um todo. pois.. p. das trocas materiais e espirituais e da vida. visto como unidade e diversidade é uma questão central da história humana e de cada país e constitui o pano de fundo do estudo das suas diversas etapas e do momento atual [.61 diz respeito à localização dos futuros projetos habitacionais.2 A Territorialização da Questão Social Seria praticamente impossível falarmos de programas habitacionais.20). No que diz respeito à nova divisão do trabalho industrial podemos afirmar que faz parte das novas divisões geográfica. A questão territorial é mais que o espaço físico. material elétrico e comunicação.. Nesse sentido. um alto custo e produz uma alienação advinda da extrema especialização urbana e . papel e papelão.]” (Santos. que tivemos uma prévia sobre a habitação no Brasil. segundo Santos “[. Agora.] no período da globalização.. ela vista enquanto forma de exclusão social conforme os autores Medeiros e Haesbaert... da residência. sobre a produtividade espacial: [. isso de acordo com Santos (2001) dizendo que: O território não é apenas o resultado da superposição de um conjunto de sistemas naturais e um conjunto de sistemas de coisas criadas pelo homem.]” (SANTOS. uma identidade. de emoções.. 5. podemos afirmar que o território influi diretamente na nossa vida. p.96). iremos abordar a territorialização da questão social e sua concepção na visão de Milton Santos. sem irmos para as concepções de território. é temerária [. carregamos bagagens desde materiais à imateriais e ali nos reinventamos.. que de acordo com Santos (2012) isso se encontra nos pontos de trabalho como: metalurgia. materiais plásticos. determinando mudanças de usos. mecânica.] o território.. a velocidade com que os pedaços do território são valorizados e desvalorizados. Para Santos “[.. 2002. 2012. indústria química. o fato e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence. isto é. 112). nos renovamos. como também. entendemos que esse processo de criação de valor acaba tendo. p. é considerado também o espaço de sentimentos. pois quando saímos de um lugar e nos direcionamos para outro. 2001.

Santos afirma que a substituição rápida de atividades agrícolas. onde se torna possível mostrar o que se sabe fazer. por exemplo. no lugar. 130). É o império . sob ameaça de um deslocamento. A cidade começa a perceber que certas produtividades se tornam inviáveis. de lucro. afirmando dessa forma o espaço do qual se está. a [. pois. este é continuamente extorquido. pois. Segundo Santos (2012) os processos de produção são especializados e exigidos a serem eficientes. por sua vez. faz com que se criem limites de produção onde se exige valor alto e em muitas vezes. se torna algo estranho para a sociedade. de um saber-fazer ancorado num dado arranjo de objetos destinados à produção. atrai o capital. dos gostos.62 regional numa produção exclusiva . p.não é duradoura e. velhas e que o mercado pede inovação. tornam-se irracionais face aos interesses da maior parte da população. Conforme Santos (2012): . Assim a divisão territorial do trabalho se encontra em diversos espaços. p. assim. foi exemplo disso. nem fazem parte dos costumes deles. quando envelhece. ampliando o espaço de produção. rotatividade e consumo. 2012. alimenta a especialização do trabalho. assim. E. a ideia do sistema econômico capitalista nada mais é do que a produção ao mesmo tempo as empresas pensam numa forma de garantir território no espaço com o objetivo de se fixar no lugar. (SANTOS. O lugar deve. pois. 2012. onde mesmo que não interessasse verdadeiramente para a população. os espaços territoriais exigem a necessidade de venda. a cidade descobre que essa produtividade espacial. 116).Mais tarde. p. conceder mais privilégios. sendo uma disputa de espaço entre as empresas e o lugar do qual estão se fazendo parte deve de possuir atrativos para que assim.] nova divisão territorial do trabalho aumenta a necessidade do intercâmbio. espaços reservados para essas novas culturas de exportação e. de modo a assegurar um enraizamento do capital que é sempre provisório. assim. Afirma-se uma especialização dos lugares que. (SANTOS. reservas de espaços para uma dada agricultura. por exemplo. como um capital globalmente comandado não tem finalidade ao lugar. para Santos (2012): A substituição rápida de atividades agrícolas.. 135). mesmo que seja estranho para a população. consigam chamar o público com os seus diferentes atrativos. pois. fora dos costumes. ao mesmo tempo. Isso vem talvez nos mostrar ao lado mais ativo da mencionada divisão territorial do trabalho. 2012. como ocorreu em boa parte do espaço brasileiro. que agora se dá em espaços mais vastos.. assim. Conforme Santos (2012) a produção exclusiva de cada cidade. (MILTON. o lugar é chamado a criar novos atrativos para o capital. Mas as empresas também convocam o resto do território a trabalhar para seus fins egoístas. esforçadamente criada . criar permanentemente vantagens para reter as atividades das empresas. certos produtos. Por isso muitos dos usos do território. a cada dia. mas também inconstantes. cria condições novas para a demanda num mercado tornado caótico. Haveria. nesta modernidade contemporânea .

Para Santos (2012) para além de território. a informação especializada e convergente.63 O relativo barateamento dos transportes. Assim. entre os seres vivos. de política. p. que. 2012. De acordo com Medeiros (2007) quando nos deslocamos de um espaço do qual habitávamos. a presença de força de trabalho treinada. econômicas. social. no concreto. a construção do futuro. 05). 136).. as informações. que viabiliza o deslocamento de insumos e produtos acabados. que não é somente quando pessoas se desapegam de uma base física. Conforme a autora: De certa forma. e nas transparentes. surgem também enquanto particularidades territoriais que se dão a partir de condições técnicas e sociais. implicando para que haja o processo de re-territorialização do qual o homem se dá de impacto com outro tipo de costume. construindo e desconstruindo suas relações.esse sentimento de exclusividade limite ultrapassa a raça humana e prescinde da existência de Estado. Conforme Haesbaert (2006). pode ser o espaço onde vivemos. seja no concreto. O processo de desterritorialização. 2007. política. O impacto. o processo de desterritorialização apresenta um viés econômico muito forte à medida que nega a reprodução de um determinado grupo em uma porção específica do território. Mas a territorialidade humana pressupõe também a preocupação com o destino. como também da precarização do espaço de vida do qual existe a negação de um determinado grupo social em alguma parte específica do território. fazendo com que ocorra seu deslocamento e a tentativa de re-territorialização (econômica. a produção. ou seja. 2012. nos sentimentos. Nesse sentido. essa ideia de territorialidade se estende aos próprios animais. o que. as condições técnicas e sociais. políticas atuam como elementos de manutenção. Mas o sentido da palavra territorialidade como sinônimo de pertencer àquilo que nos pertence. a disputa de interesses e as reivindicações. portanto são nas permutações materiais. . as máquinas. com situações diferentes que antes não vivia. Santos (2012) afirma que: Por território entende-se geralmente a extensão apropriada e usada. São os fatores técnico-sociais de localização no período contemporâneo. p. forças sociais. (SANTOS. como sinônimo de área de vivência e de reprodução. sofremos o processo de desterritorialização.. temos a territorialidade que nos dá certo significado de pertencimento. 19).e não mais naturais. expulsão ou atração (quando no processo de reterritorialização) de grupos envolvidos (MEDEIROS. a força de interesses e reivindicações surgidas de um trabalho comum constituem. de cultura. é privilégio do homem. o treinamento da força de trabalho. do homem se reproduzindo enquanto ser social. (SANTOS. seja no abstrato. onde os animais vivem e se reprodução. a existência de maquinário. para além de um Estado. cultural) em outro lugar. para além do material. nas espirituais. p.que determinam as especializações territoriais. onde se exige uma localização no mundo contemporâneo. Em ambos os processos (desterritorialização/reterritorialização). entre outras.

por exemplo.. dissolução das distâncias. são necessários 17 É importante ressaltar que esse assunto foi abordado amplamente no cap. não tendo o território em sua base material. o território gera certa crise de identidade. p. de pertencimento de algum lugar. é um processo de exclusão social. trazendo o processo de trabalho do profissional. onde demarcam as relações das empresas com outras empresas. com outras empresas.. ou seja. Partiremos então. que segundo Santos (2012): A instabilidade do território é uma das consequências dos processos acima descritos e deve sua origem à própria turbulência do mercado global. que a cada momento é diferente da desordem precedente e da desordem seguinte [. como também o Projeto Ético-Político e os limites e possibilidades de atuação nesse espaço. ou melhor. 5. exigindo readaptações tanto no que diz respeito ao mercado quanto ao seu redor. promovido por um sistema econômico altamente concentrador. de imaterial. 2012. como algo fixo. (SANTOS.64 desterritorialização. Vamos partir para o Serviço Social e o processo de trabalho em que se insere o assistente social. é o principal responsável pela desterritorialização (HAESBAERT. [. p. . assim. isto é.].] Na sociedade contemporânea. Cria-se assim uma permanente produção de desordem. as frações do território assim atingidas acabam por manifestar uma verdadeira crise de identidade. assim.3 O Trabalho do Assistente Social na habitação Sabemos que o objeto de trabalho do assistente social é a questão social e suas expressões17. com toda sua diversidade. Portanto. a partir dos giros econômicos do mercado. da economia acumulada. conforme Haesbaert (2006) é o principal responsável por esse processo de desterritorialização. gerando a inquieta crise de identidade. Tal instabilidade marca as relações da empresa com o seu entorno. instituições e o território do qual se está. Conforme Iamamoto (2012) a prática é um dos elementos constitutivos do processo de trabalho que vem a ser o próprio trabalho e para haver a prática. portanto. II /seção II. O resultado já sabido é que. para o Serviço Social na área da habitação. físico ou abstrato. ou melhor. a partir de sua origem exógena. A desterritorialização para além de material. Contudo. de precarização socioespacial. também é processo de exclusão social. que. de excluir do espaço em que se está. de exclusão socioespacial.. deslocalização de firmas ou debilitação dos controles fronteiriços. já que existe uma contínua necessidade de readaptação ao mercado e ao entorno. todo o processo instável do território se dá a partir da globalização. as instituições e o próprio território. girando em torno do sistema capitalista.67). antes de significar desmaterialização. 2006. também é processo de extrair.. logo.299). não resta dúvida de que o processo de “exclusão”.

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os meios de trabalho e a matéria-prima que dão significado a esse processo devido às condições, as relações sociais, ao seu significado sócio-histórico. Para Iamamoto (2012):

[...] os resultados ou os produtos dos processos de trabalho em que participam os assistentes sociais situam-se tanto no campo da reprodução da força de trabalho, da obtenção das metas de produtividade e rentabilidade das empresas, da viabilização de direitos e da prestação de serviços públicos de interesse da coletividade, da educação sociopolítica, afetando hábitos, modos de pensar, comportamentos, práticas dos indivíduos sociais em suas múltiplas relações e dimensões da vida quotidiana na produção e reprodução social, tanto em seus componentes de reiteração do instituído, como de criação e reinvenção da vida em sociedade. (IAMAMOTO, 2012, p. 111-112).

Os resultados – e cabe aqui ressaltar que não deixamos nada pronto, pois, estamos numa sociedade, que vive em constante movimento – ou produtos do processo de trabalho como se refere à autora, são partícipes da reprodução da força de trabalho do sistema capitalista, das metas de produção e de renda das empresas, da garantia de direitos e da prestação de serviços públicos de interesse da coletividade, da educação em sua dimensão de sociedade e suas discussões políticas e assim, provocando as formas de pensar, os hábitos, nas práticas de sociabilidade que estão presentes nas relações determinadas do dia a dia e que afetam na produção e reprodução do ser social, tanto no que diz respeito a reafirmação do mundo do trabalho, criando e reafirmando a vida em sociedade. De acordo com as Diretrizes Curriculares da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (2009) que é uma especialização do trabalho e a prática se dá por meio de instrumentos que são utilizados para intervir na questão social e suas expressões, levando o profissional a dimensões constitutivas do fazer profissional tendo a matéria-prima que se quer a transformação, os meios de trabalho (instrumentos) sejam materiais ou imateriais e a atividade do sujeito como finalidade, o trabalho. Conforme a ABEPSS (2009):

As estratégias e técnicas de operacionalização devem estar articuladas aos referenciais teórico-críticos, buscando trabalhar situações da realidade como fundamentos da intervenção. As situações são dinâmicas e dizem respeito à relação entre assistente social e usuário frente as questões sociais. As estratégias são, pois, mediações complexas que implicam articulações entre as trajetórias pessoais, os ciclos de vida, as condições sociais dos sujeitos envolvidos para fortalecê-los e contribuir para a solução de seus [...] questões (ABEPSS, 2009, p.52).

Contudo, o profissional deve seguir a Teoria Social Crítica que é uma das dimensões do fazer profissional que, “[...] dialoga com a direção social da categoria, pois é subsidiado por ela que se busca traçar estratégias de intervenção na realidade [...] se fortalece e materializa as dimensões ético e políticas do Projeto Ético-Político [...]” (BAIRRO, 2013, p.28) para que por meio dela possa utilizar/criar estratégias e técnicas para operacionalizar o

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trabalho, dessa forma visando atuar na leitura de realidade, onde o profissional perceba também, o contexto social, econômico, político, cultural e assim, ter a base para a intervenção, os momentos estão em constante movimento e se relacionam entre o assistente social e o usuário e as estratégias servem de mediações que vão articular os trajetos particulares, as fases da vida do usuário, as condição que ele se encontra, e então, a mediação vem para fortalecer as expressões da questão social. Vimos, portanto, que as situações são dinâmicas, pois, estamos falando de sociedade, que se movimentam, são relações sociais, não tendo algo pronto e sempre em construção, que implicam na vida dos sujeitos, são trajetórias, são ciclos, são condições sociais que o profissional intervirá. O assistente social deve atuar de acordo com os pilares do Projeto Ético- Político18(2009): Lei de Regulamentação (1993), o Código de Ética (1993) e as Diretrizes da ABEPSS (1996) que foi citada no parágrafo acima. A Lei nº 8.662/3, ou seja, a Lei de Regulamentação da Profissão do qual constitui as competências19 e as atribuições privativas20 do assistente social. De acordo com Iamamoto (2012)

[...] projeto profissional comprometido com a defesa dos direitos sociais, da cidadania, da esfera pública no horizonte da ampliação progressiva da democratização da política e da economia na sociedade. Projeto político profissional que se materializou no Código de Ética Profissional do Assistente Social, na Lei de Regulamentação da profissão de Serviço Social (Lei 8662/93), ambos de 1993, assim como na proposta de Diretrizes para o Curso de Serviço Social [...]. (IAMAMOTO, 2012, p. 113).

De acordo com Iamamoto (2012) o Projeto Ético-Político tem o comprometimento com os direitos sociais, com a cidadania, com a esfera pública, com a incessante busca pela democratização da política (participativa e transparente) e da economia opressora do sistema capitalista da sociedade. O projeto profissional se materializa por meio do Código de Ética, da Lei de Regulamentação e das Diretrizes Curriculares da ABEPSS. O Projeto Profissional para Bairro (2013) quebra com o conservadorismo e se torna mais madura a categoria profissional, mais esclarecida a direção ética e política “[...] isso subsidia os Assistentes Sociais a defenderem um novo modelo de sociedade, tendo um posicionamento teórico-metodológico que alie teoria e prática [...]” (BAIRRO, 2013, p.26), dessa forma os profissionais terão maior autonomia nas intervenções do dia a dia, baseados
18 19

Foi discutido no conjunto do trabalho do cap. I e II. São encontradas no art. 4º, onde dispõe-se que qualquer profissional pode fazer, como por exemplo: Realizar estudos socioeconômicos; Prestar assessoria para aos movimentos sociais; Prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população, dentre outras atividades. 20 São encontradas no art. 5º, onde dispõe-se que somente o profissional assistente social, como por exemplo: Planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço Social; Dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas, dentre outros.

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pela formação profissional que farão o enfrentamento das expressões da questão social baseadas nas desigualdades sociais, como na resistência em meio à sociedade oprimida, assim, mantendo os compromisso: ético, crítico e propositivo. No que diz respeito à instrumentalidade21, Guerra (2007) afirma que:
Foi dito que a instrumentalidade é uma propriedade e/ou capacidade que a profissão vai adquirindo na medida em que concretiza objetivos. Ela possibilita que os profissionais objetivem sua intencionalidade em respostas profissionais. É por meio desta capacidade, adquirida no exercício profissional, que os assistentes sociais modificam, transformam, alteram as condições objetivas e subjetivas e as relações interpessoais e sociais existentes num determinado nível da realidade social: no nível do cotidiano. Ao alterarem o cotidiano profissional e o cotidiano das classes sociais que demandam a sua intervenção, modificando as condições, os meios e os instrumentos existentes, e os convertendo em condições, meios e instrumentos para o alcance dos objetivos profissionais, os assistentes sociais estão dando instrumentalidade às suas ações. Na medida em que os profissionais utilizam, criam, adequam às condições existentes, transformando-as em meios/instrumentos para a objetivação das intencionalidades, suas ações são portadoras de instrumentalidade. Deste modo, a instrumentalidade é tanto condição necessária de todo trabalho social quanto categoria constitutiva, um modo de ser, de todo trabalho. (GUERRA, 2007, p.2).

Conforme Guerra (2007), a instrumentalidade é um dos processos constitutivos para o processo de trabalho do assistente social, tendo a capacidade de criar, de recriar, de inventar as formas como se podem trabalhar as formas para intervir na realidade social. Sousa (2008) nos traz que a partir dos conhecimentos advindos da instrumentalidade podemos conhecer a realidade e intervir, sem usarmos neutralidade, tendo críticas e proposições perante a realidade. Sendo a instrumentalidade que faz parte da dimensão técnico operativa, de acordo com Fávero, Melão e Jorge (2008) os instrumentais sejam eles a visita domiciliar, a escuta, a observação, o estudo social, o parecer social, são formas que se tem para fazer um trabalho articulado, que busque a efetivação dos direitos, desvendando o objeto e sabendo utilizar os instrumentos garantindo a competência e a atribuição do assistente social. Conforme Iamamoto (2012) podemos utilizar o conhecimento como um dos meios de trabalho, como umas das dimensões do técnico- operativo que “[...] nessa perspectiva, o conjunto de conhecimentos e habilidades adquiridos pelo Assistente Social ao longo do seu processo formativo são parte do acervo de seus meios de trabalho [...]” (IAMAMOTO, 2012, p.63). A partir de então, podemos obter um mero apanhado sobre o trabalho do assistente social, profissional que atua nas mais diversas áreas. Indo ao encontro com a primeira parte desse capítulo que nos traz as políticas habitacionais, sabe-se que o profissional atua na
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Foi discutido no Cap. I/Seção II.

que se manifestam diretamente na vida dos sujeitos.] reunir os esforços dos governos (União. 04). p. ir além do entendimento de que o combate ao déficit habitacional está restrito à construção de unidades habitacionais. deve se preocupar para além de como estão materializadas as unidades habitacionais. devendo contribuir também para a inserção social das famílias. como a política de habitação” [.68 política de habitação. contribuindo com informações que possam fortalecer formulação e gestão das políticas. Esse Sistema busca “[. Estados e Municípios) e do mercado privado. Conforme o Ministério das Cidades (2010) os assistentes sociais atuam na Política de Habitação por meio do trabalho social.. de acordo com Brasil (2009): Viabilizar o exercício da participação cidadã e promover a melhoria de qualidade de vida das famílias beneficiadas pelo projeto. portanto implicando a participação de todos. 2013.] implica lidar com a questão provisão habitacional em seus diversos aspectos.. A visão multidimensional da realidade impõe que o trabalho social na habitação extrapole os limites da ação localizada. pois.] (CARLOTO. que favoreça a organização da população. sendo um investimento público. para enfrentar o déficit habitacional” (MINISTÉRIO DAS CIDDADES. incluindo as formas como as famílias irão se inserir em tais espaços habitacionais. a gestão comunitária e o desenvolvimento de ações que. que é compreendido como um elemento essencial principalmente em ações relacionadas à habitação de interesse social.. o Brasil possui um Sistema Nacional de Habitação previsto na Política Nacional de Habitação (PNH). para que todos possam lutar. Sujeitos esses que acessam políticas sociais. para se inserir no âmbito das políticas públicas. no direito à cidade e ao acesso a novos patamares de cidadania e qualidade de vida. acesso aos direitos sociais. p. aos direitos e deveres. 61). Conforme o Ministério das Cidades: A forma predominante de inserção dos profissionais de Serviço Social na Política de Habitação acontece através do trabalho social. O assistente social sendo um profissional que visa garantir direitos e condições dignas de vida.. com as cooperativas e ações da população para fazer os enfrentamentos das deficiências da habitação. 2010. devendo-se. para todos.. De acordo com o Ministério das Cidades (2010): [.. visando garantir condições de moradia para a população. p. 32). conforme o MCidades (2010) os assistentes sociais podem contribuir no fortalecimento da coletividade. a condições de qualidade de existência. “percebe-se a falta de moradia como uma das expressões da Questão Social. onde a Política Nacional de Habitação se articula com o mercado. de acordo com as necessidades das . a educação sanitária e ambiental. além de cooperativas e associações populares. mas implica também. 2010. de uma forma democrática. Posto que. mediante trabalho educativo. para a inserção urbana dos empreendimentos e para a gestão democrática dos investimentos públicos (MINISTÉRIO DAS CIDDADES. para também com os novos empreendimentos. sendo ela um direito à cidade também. portanto.

apesar de ainda as áreas do saber estarem estruturalmente fragmentadas.70). p. (PRATES. expressões da questão social e urbanização. que as áreas percam sua identidade ou não tenham suas particularidades.] configura-se como processo de trabalho em territórios determinados.]” (MCidades. Arte e os seriados de TV. dos fenômenos. ou que não tenham suas especificidades. fazendo com que o desenvolvimento de ações correspondam as necessidades familiares e assim. que não podem ser tratados de forma efetiva. pois: [. devemos caminhar para algo único. da sociedade.. mas sim que reconheçam a unidade dos sujeitos. que efetiva um amplo leque de ações. em hipótese alguma. 02). reconhecemos que nenhuma área pode sozinha. Portanto e segundo Prates (2007) área alguma pode responder à todas as demandas sozinhas. As políticas públicas de habitação. mas que sejam reconhecidas enquanto suas singularidades. onde suas totalidade se tornam dialéticas. a gestão comunitária.. mas que fazem parte de um contexto. como unidades dialéticas.] Felizmente. p. facilitem seu acesso ao trabalho e melhoria da renda familiar (BRASIL. dessa forma podendo o profissional alternar para parcerias interdisciplinares. Agora que vimos Arte.... p. onde vão e voltam e se modificam. emancipação e Serviço Social. Capitalismo. 2007. caminhamos para a unidade na interdisciplinaridade.69 famílias. permeado por uma perspectiva socioeducativa e política [. mesmo que as áreas sejam diferentes e estejam fragmentadas. podendo ser por meio de trabalho educativo. 3). iremos para o capítulo dos dados. algo interdisciplinar e não quer dizer que as profissões percam a sua identidade. dar conta da complexidade destes fenômenos e. valorizando a democracia e a justiça social. que favoreça o ambiente. De acordo Prates (2007) torna-se necessário usar estratégias criativas para a intervenção. hoje. onde mostraremos toda a nossa metodologia e o nosso quadro comparativo entre “A Turma do Chaves” e o “Residencial Maria Cristina Surreaux Vargas Pereira”. contribuindo para um melhor acesso ao trabalho profissional e a renda das famílias. a não ser como totalidades. a cidadania em prol da melhoria da qualidade de vida das famílias que são beneficiadas com projetos habitacionais. pois. 2009.. . Isso não significa. sendo que ela faz parte da afirmação do Serviço Social enquanto profissão que interventiva. a territorialização da questão social e o trabalho do assistente social. “[. Segundo Brasil (2010) se torna necessária a participação. 2010.

E por último. assim expondo a aproximação com o objeto de estudo.70 6 COMPARANDO O SERIADO DE TV “A TURMA DO CHAVES E O LOTEAMENTO “MARIA CRISTINA”: AS EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL EM DADOS O presente capítulo tem o objetivo de responder ao nosso problema de pesquisa. a metodologia utilizada. o loteamento Maria Cristina e o que foi feito durante a intervenção do projeto Encontros da Boa Vizinhança. 22 O Estágio Supervisionado em Serviço Social II é um componente curricular obrigatório no currículo do curso da UNIPAMPA-Campus São Borja. onde pretendemos mostrar os pontos em comum a serem discutindo e assim. . Na segunda parte abordar-se-á o método comparativo e metodologia utilizada onde podemos verificar a observação participante e a pesquisa documental. o Residencial Maria Cristina e todos os procedimentos para o processo de intervenção. será feita a comparação entre o loteamento e o seriado. no caso. a discussão das hipóteses: comparando o seriado “A Turma do Chaves” e as expressões da questão social do loteamento Maria Cristina. a descrição de nosso objeto de pesquisa e o processo de intervenção a partir do Estágio Supervisionado em Serviço Social II e por último. 23 Veremos a seguir. que a dinâmica do capitalismo continua se atualizando e assim. afirmando as expressões da questão social. Na terceira parte será descrito o seriado chaves. Na primeira parte iremos expor o problema da nossa pesquisa e apresentaremos as duas hipóteses. a partir da experiência no Estágio Supervisionado em Serviço Social II22 que foi realizado na Equipe Volante23 onde a intervenção ocorreu no Residencial Maria Cristina Surreaux Vargas Pereira do qual se buscou articular Arte e Serviço Social que vem ser o seguinte: Por que a Questão Social se manifesta no seriado de TV “A Turma do Chaves” no loteamento Maria Cristina? O capítulo está dividido em quatro partes: a apresentação do problema de pesquisa e as correspondentes hipóteses.

p. “o problema. perceber a realidade do loteamento. abaixo: 1) Sim.71 6. os moradores acabam dividindo o mesmo espaço em condições inadequadas. provável e provisória”. consideramos as expressões da questão social atuais. tivemos como problema de pesquisa: Por que a Questão Social se manifesta no seriado de TV “A Turma do Chaves” e no loteamento Maria Cristina? 6. Outra expressão da questão social é o roubo. Porque as expressões artísticas do seriado demonstram uma dinâmica inexorável do sistema capitalista. assim. exemplo disso. no loteamento existe furto tanto de lâmpada e demais materiais expostos.129). logo.1 Problema e hipóteses 6. Então. no Residencial Maria Cristina existe uma alta taxa de valor sobre o condomínio o que por consequência faz com que os moradores deixem o lugar. pois. pode ser identificado no loteamento como por exemplo. isto também. uma hipótese. pois. temos o aluguel como outro exemplo. goteiras. Dessa forma queríamos descobrir se as expressões da questão social visualizadas na Turma do Chaves ainda faziam parte da dinâmica de atualização da sociedade capitalista. pois.1. isto é. com a certeza de ser cientificamente válido. mais conhecida como “Bruxa do 71”. No seriado de TV “A Turma do Chaves” podemos dar inicio fazendo a analogia com a habitação. falta de pintura. consiste em um enunciado explicitado de forma clara. no seriado quando houve o roubo de um ferro de passar roupa da Dona Clotilde. Apresentaremos nossas hipóteses. compreensível e operacional.1. p. e. Portanto. cujo melhor modo de solução ou é uma pesquisa ou pode ser resolvido por meio de processos científicos”. podemos ter essa visibilidade no .1 Problema de pesquisa Conforme Marconi e Lakatos (2009. respostas provisórias. 129) “uma vez formulando o problema. o seriado se passa num cortiço. que enquanto sistema produtivo promove incessantemente a desigualdade expressa na questão social. assim.2 Hipóteses de pesquisa Conforme Marconi e Lakatos (2009. o nosso problema de pesquisa buscou fazer o enunciado da relação entre Arte e Serviço Social do qual teve como objetivo fazer a analogia entre o seriado que surgiu há 40 anos atrás e o Residencial Maria Cristina que começou a ser habitado em outro de 2012. pisos na escada. propõe-se uma resposta “suposta.

em Estágio Supervisionado em Serviço Social II. tendo costumes. como foi materializado no Projeto de Intervenção “Encontros da Boa Vizinhança”. a churrasqueira. buscando espaço no varal e em consequência disso. da multidisciplinaridade. acaba-se gerando a violência entre os dois. busca sua autopreservação e logo. pois. enfim. As políticas públicas não conseguem romper com a dinâmica do capitalismo e por consequência devido o deslocamento de moradias anteriores para o Residencial Maria Cristina. ou seja. causando estranhamento e discrepância nas relações sociais. afirma constantemente as desigualdades sociais. ou seja. assim. logo. como também. tais questões uma vez comparadas e considerado a diferença temporal permitem-nos apontar para a atualidade das expressões observadas. Os problemas de sociabilidade são extremamente visíveis tanto nos Condomínios quanto no seriado. ocorre o processo de desterritorialização de re-territorialização. por exemplo. por sua vez. mas sua intensificação a partir do aumento das contradições fruto do processo de apropriação privada do lucro em detrimento a classe trabalhadora.72 seriado de TV quando o personagem Seu Madruga ainda pode ficar devendo 14 meses de aluguel. com tentativa de despejo do morador. o Kiko e a Chiquinha. pois. A atualização neste caso não significa a repetição das expressões da questão social. a área da Comunicação Social para aproximar os moradores. hábitos. os condôminos vieram tanto da zona rural quanto da zona urbana. entre o Chaves. os condôminos do Maria Cristina têm que dividir os mesmos espaços principalmente os de lazer o que acaba gerando conflitos entre eles. na busca incessante por lucro. pois a dinâmica do sistema. 2) Sim. usando. Assim. pode-se ver no seriado como em um dos episódios que o personagem Seu Madruga e a Dona Florinda acabam divergindo. Isto acontece. como o playground. ambos. o que acaba negando as necessidades humanas ao invés de afirmá-las. sem políticas previamente definidas para dar conta disto. . logo. como também a área de Ciências SociaisCiência Política para fazer assessoramento nas discussões políticas. o pátio. exemplo disso. dificulta e aponta desafios para o profissional do Serviço Social que necessita então do trabalho em equipe. Isto. diferentes culturas. trabalhar coletivamente. entre as crianças.

73 6.2. assim. como o Diário de Campo do qual encontram-se os registros do dia a dia do estagiário. bem como pelos profissionais de Serviço Social. que conforme Carloto (2013): A Análise Institucional constitui-se em um importante instrumento do processo interventivo dos assistentes sociais. (CARLOTO. Para a presente pesquisa utilizamos fontes escritas primárias retrospectivas. Para além dos Diários de Campo que servem como registros a partir das atividades nos espaços de atuação profissional têm-se também a Análise Institucional. 69). ou depois. p. 196) “consiste a participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo. confunde-se com ele”.1 Técnicas de pesquisa Foram utilizadas duas técnicas de pesquisa: observação não participante (artificial) e pesquisa documental. profissional. Estas podem ser feitas no momento em que o fato ou fenômeno ocorre. realizado num espaço sociocupacional. onde o assistente social poderia atuar e em consequência propor intervenções. constituindo o que se denomina de fontes primárias. Ele se incorpora ao grupo. ocorrida através do Estágio Supervisionado em Serviço Social II no Residencial Maria Cristina24. escritos ou não. A elaboração deste documento emerge da 24 Será apresentando no item 5. ou seja. 2013. (MARKONI e LAKATOS. relacionado com a teoria que conforme Carloto (2013): Os Diários de Campo consistem em documentos de registro utilizados pelos Estagiários. A segunda técnica utilizada foi por meio de pesquisa documental que de acordo com Marconi e Lakatos: A característica da pesquisa documental é que a fonte de coleta de dados está restrita a documentos. p. . sendo.3 onde apresentaremos o objeto de pesquisa. em que são registradas as ações e as percepções destes acerca de determinadas situações vivenciadas cotidianamente nos espaços sociocupacionais onde estão inseridos.176).2 Método e Metodologia 6. 2009. Essa pesquisa se deu através da observação participante artificial onde o pesquisador faz parte de algum grupo para conseguir informações. A primeira técnica utilizada foi por meio do uso da observação participante que conforme Marconi e Lakatos(2009. p.

que após a realização. Será explicada na próxima parte do capítulo. p. de ontem ou os de agora com os passados. assim como para estudos qualitativos (diferentes formas de governo) e quantitativos (taxa de escolarização de países desenvolvidos e subdesenvolvidos)..logo usando a arte enquanto comparação para o Serviço Social. p. O método visa fazer comparações e logo. Dentro do Projeto Encontros da Boa Vizinha utilizou-se a Caixinha de Críticas e Sugestões26 do qual foi elemento essencial para retiramos os dados para a comparação de nossa pesquisa. 2013. Conforme Marconi e Lakatos (2009): [. pode ser usado com grupos de hoje. (CARLOTO. explicando essas diferenças. vivenciado pelo estudante” (CARLOTO.2 Técnicas de Análise Esse estudo elaborado para a Conclusão do Curso de Serviço Social. ou entre os existentes e os do passado. De acordo com Marconi e Lakatos (2009): [. tendo como problema (Por que a Questão Social se manifesta no seriado de TV A Turma do Chaves e no loteamento Maria Cristina?). nas suas diferentes fases. A Análise Institucional serve para se aproximar do espaço de atuação. com a finalidade de verificar similitudes e explicar divergências. quanto entre sociedades de iguais ou diferentes estágios de desenvolvimento. 69). 2009.. em grupos semelhantes ou iguais. Neste sentido.] este método realiza comparações. se utiliza do método comparativo que conforme Marconi e Lakatos (2009) faz analogias de traços em comum. será elaborado o Relatório Final de Estágio que de acordo com Carloto “consiste em uma reflexão e explanação do processo de Estágio Supervisionado em Serviço Social. . por exemplo. O método comparativo é usado tanto para comparações de grupos no presente. conhecer a instituição e os integrantes de tal espaço para assim fazermos. o projeto de intervenção 25. 69). Os seriados da Turma do Chaves serviram como dados secundários e foram escolhidos aleatoriamente. futuro e/ou presente..2.] É empregado em estudos de largo alcance (desenvolvimento da sociedade capitalista) e de setores concretos (comparação de tipos específicos de eleições). para explicar algo. 107). p. no passado. usaremos o método comparativo.. Pode ser utilizado em todas as fases e níveis de investigação: num estudo descritivo pode 25 26 Será abordado na sequência. 2013.74 necessidade de pesquisar e conhecer a realidade da instituição onde o assistente social irá desenvolver sua intervenção. 6. (MARCONI e LAKATOS. tanto relacionado com pretérito.

pode. a porcentagem de escolarização de países.75 averiguar a analogia entre ou analisar os elementos de uma estrutura (regime presidencialista americano e francês). visitas domiciliares. Para Marconi e Lakatos (2009) o método comparativo serve para estudos que trabalhem profundamente sobre o sistema econômico atual.3 Objeto: Seriado de TV “A Turma do Chaves” e o Residencial Maria Cristina Surreaux Vargas Pereira O seriado A Turma do Chaves28 foi escolhido após as várias idas no Residencial Maria Cristina onde podemos fazer algumas analogias. 107-108). 2009. (MARCONI e LAKATOS. com base em questões levantadas pelos moradores. como também comparando eleições. nas classificações. na primeira fizemos as observações e dependendo da autonomia que o supervisor de campo nos dá podemos começar a participar ativamente de entrevistas. 28 Abordado no cap. A partir do método comparativo. III . Dona Clotilde) Roubo/episodio do ladrão (Seu Furtado) Pagar o aluguel. até certo ponto. Dona Florinda) Loteamento Maria Cristina Más condições de habitabilidade (forma como foi entregue. p. e situações encontradas no seriado A Turma do Chaves: Tabela 1: A Turma do Chaves e Loteamento Maria Cristina A Turma do Chaves Habitação /cortiço . aplicamos o projeto de intervenção. permite a construção de tipologias (cultura de folk e civilização). ou ficamos somente observando. onde : 27 Torna-se válido ressaltar que o Estágio Supervisionado em Serviço Social I ocorreu em outro campo. na época do Estágio Supervisionado em Serviço Social II27. Dona Florinda. as qualidades das inúmeras formas de governo. No Curso de Serviço Social da UNIPAMPA temos duas fases de estágio. Chaves. Jaiminho. Kiko. por exemplo. forma como usam) Existem problemas sociais Condomínio caro Existem situações de problemas de sociabilidade 6. de acordo com Kaschner (2006). Varal (Seu Madruga. Chiquinha. apontar vínculos causais entre os fatores presentes e ausentes. como já falamos é que realizamos a nossa pesquisa. dentre outros. o seriado se passa numa vila.más condições de habitabilidade (Seu Madruga. Seu Madruga. Para auxiliar neste processo montamos uma ferramenta para a análise comparativa. finalmente em nível de explicação. já na segunda fase depois da aproximação com a realidade.

III podemos descrever nosso campo de estágio ou outro elemento da comparação que pretendemos. porém foram escolhidos de forma aleatória quatro episódios: o primeiro que traz a questão das más condições de habitabilidade. que congelou o preço dos aluguéis. De acordo com o site da Prefeitura de São Borja (2013) o Programa Minha Casa Minha Vida que conforme o site da Caixa Econômica Federal (2013) esse programa é gerido pelo Ministério das Cidades e Operacionalizado pela Caixa. o outro sobre os problemas sociais “O ladrão da vila”. menos movimentada e geralmente sem saída. com a calçada na frente das casas. já no México elas tem os corredores como ligação entre as casas. já adensada no cap.Foi criado tendo enquanto objetivo garantir segurança para as famílias e uma vida com dignidade. os condôminos passaram a não manter adequadamente as propriedades alugadas e o nível social dos habitantes foi caindo. P. o terceiro sobre o condomínio caro “O Despejo do Grande Campeão” e por último as situações de problemas de sociabilidade “As calças de Seu Madruga”. De acordo a parte I da Introdução do Manual a documentação referente ao projeto habitacional está arquivada na Secretaria de Obras do Município. podemos ter conhecimento dela. Conforme o Manual de Uso e Manutenção do Imóvel (2010)29 o loteamento tem a localização na Rua Aristides Teló. 29 Material disponibilizado pelo Sindico do Residencial Maria Cristina. por constituírem patrimônio histórico da Cidade do México. nº 70. podemos afirmar que foram assistidos vários episódios. sendo que os recursos vêm a partir do Orçamento Geral da União (OGU) articulado com o Ministério da Fazenda. com a lei Renta Gelada. Os episódios serão melhores descritos na última parte desse capítulo que trará o método comparativo. ou seja. Ou seja.76 As vencidades mexicanas se formaram nas décadas de 1930 e 1940.52. nomeado como “Falta água. As Equipes Volantes de acordo com a Tipificação de Serviços Socioassistenciais (2009) foram criadas para atender as famílias com território de baixa densidade demográfica. ficavam no centro da cidade e inicialmente eram ocupadas por pessoas de classe média. Bairro Maria do Carmo. Conforme Kaschner (2006) no Brasil as vilas são construídas de uma forma mais diferente. sobram problemas”. . No entanto. (KASCHNER. 2006). por isso “Vizinhança” seria a melhor definição. Em geral. através das respectivas cópias que estão com o sindico do Residencial e que podem ser acessadas a quem tiver interesse. Indo mais de encontro com os episódios escolhidos. como também. Agora vamos identificar o nosso outro objeto de estudo. A partir desta breve descrição. o Residencial Maria Cristina Surreaux Vargas Pereira. Em outubro de 2012 concretizou-se o Residencial Maria Cristina para residir 360 famílias. hoje em dia o Senhor Barriga certamente iria à falência. Atualmente essas vencidades vêm sendo restauradas pelo governo mexicano.

2013). ele afirma. comunidades indígenas.77 como também nas situações de dispersão proporcional como áreas rurais. hoje. O Resumo Executivo das Orientações técnicas do CRAS (2009) traz que as equipes devem executar os serviços de Proteção Social Básica nos lugares que a população tenha difícil acesso. Ao dialogar com um idoso. Assistência Social e Cidadania (SMTASC). outros gostam de ouvir música com o volume máximo. conforme Salgado (2013): Esse mundo está se acabando. Podemos perceber que todos sentem dificuldades nas relações sociais. alguns brinquedos. assentamentos. disputando quem tinha ou não. Estou aqui cheio de dores. como o mercado da vila. a casa da vizinha sendo visitada durante muitos anos e cotidianamente ou até mesmo os parentes que moravam ao redor. adultos danificaram alguns brinquedos da pracinha. Os vizinhos quebram as coisas e nós que temos que pagar. provavelmente variam para o pátio em suas casas. alguns vizinhos colocavam o lixo de suas casas onde bem entendiam. vim morar na favela. moro no 4º andar do prédio. alguns têm animais de estimação. Fizemos uma leitura de realidade daquele espaço e vimos que a convivência com o grande número de pessoas se tornou difícil. os animais invadem o playground das crianças. ouvindo os sons em volume como lhes dava vontade. Conforme Salgado (2013) pode-se verificar briga de crianças. (SALGADO. como também a disputa pelos brinquedos do playground30. Muitos aqui compram apartamentos e vendem. valemos o que temos e não quem somos. como também alguns moradores que reclamavam dos pouquíssimos horários . foi possível perceber que alguns moradores faziam parte da zona rural. ela ao se aproximar do Residencial Maria Cristina fez alguns Recadastramentos da Habitação. vizinhos fazem a limpeza do apartamento e eliminam a sujeira para a porta do outro vizinho. pode-se verificar que alguns moradores moravam na zona urbana outros na zona rural. 2013). tendo suas criações de animais. os idosos tinham os seus hábitos. A Equipe Volante da cidade de São Borja ocorre através da Secretaria Municipal de Trabalho. De acordo com Salgado (2013) as pessoas se deslocaram de zonas diferentes do qual se faziam parte. e também a falta de os moradores tinham dos espaços utilizados anteriormente. por meio deste. pois. Conforme Salgado (2013): A partir da atuação da equipe volante no Residencial Maria Cristina. como também a criação de animais ou animais de estimação. o impacto sonoro e principalmente o território habitacional. alguns são idosos e se sentem desconfortáveis com a situação. alguns que antes moravam em casa com pátio. estão se fazendo presentes de apartamento com área de lazer coletiva. idosos estão se mal localizados. minha filha. por dividir o mesmo espaço coletivo que antes não estavam acostumados e que inclusive. e outros não têm onde morar (SALGADO.

ou seja. . podemos perceber as confusões que se dão sobre o papel do sindico. Outro adentro também diz respeito as representações do condomínio. dessa forma acabou-se despertando mais criticidade nas crianças. ofensas e a falta de informação sobre o papel do sindico. trabalhamos a partir de um contexto histórico. o projeto em relação à pracinha não visa a culpabilização sobre a danificação dos brinquedos e sim a restauração. diz respeito ao playground. em zelar o espaço coletivo com as crianças e não apontamentos de quem fez algo ou não. pois. inclusive as crianças queriam que tivessem mais lixeiras naquele espaço. de acordo com Salgado (2013) “em um dos encontros com o sindico do residencial foi debatido a questão de esclarecer o seu papel. pois. porém. 2013). dessas diferenças de hábitos. econômica. um se encontra sem a roda e o outro sem os balanços. Dentre os conflitos das relações sociais. (SALGADO. sobre o meio ambiente. Numa conversa com as crianças. pois. buscando o entretenimento.. os moradores. feitas a partir da leitura da realidade foram sobre a pracinha.]”. Outro adentro de demandas. sendo que também não se tem uma lixeira no local. a criticidade dos pequenos quanto à preservação do espaço tanto nas ferramentas de entretenimento quanto ao meio ambiente. que conforme Salgado A importância do Projeto ENCONTROS DA BOA VIZINHANÇA se dá devido a esses conflitos nas relações sociais entre moradores.. conforme Salgado: No que se refere ao zelo. onde fazemos a análise social. chega até o sindico as inúmeras reclamações. facilitando que os moradores joguem no chão o que acham ser descartável. as crianças afirmam que devido aos cachorros permanecerem na areia da pracinha. já o sindico afirma que foram os adolescentes. Conforme Salgado (2013)“pensei em articularmos com a Santa Ignês”. os moradores têm a ideia de que ele é desde encanador até segurança. De acordo com a colocação acima. pois. vários moradores pensam que sindico é encanador. playground é o local destinado a recreação infantil. portanto. os brinquedos estavam estragados e a ideia não era culpabilizar quem estragou ou não. Para Salgado (2013) um das principais demandas. dificulta o espaço para eles brincar e também os lixos em volta do playground. pois. 2013). eles afirmaram que adultos usaram os brinquedos e por isso estava estragado. Sendo que no Rio Grande do Sul ainda usamos muito a palavra “pracinha”. não trabalhamos no imediatismo. 31 Conforme o Dicionário Online de Português (2013). o que seria importante o Serviço Social partir para a sua dimensão sócio-política e procurar esclarecer essas representações. jogos. cultural como um todo. a partir dessas divergências. do subsíndico e dos demais representantes do loteamento. carpinteiro e dentre inúmeras funções [.78 que o ônibus passava. pode-se trabalhar na dimensão pedagógica. política. atividades físicas. também foi possível perceber que os 2 playground´s31 das crianças estavam danificados. podendo conter brinquedos. (SALGADO. segurança. pois.

ou seja. de mostrar aos moradores o Regimento Interno do Programa Minha CasaMinha Vida (2010). 2013). totalidade. contradição. Isso. ou seja. de preferência todos. onde percebeu-se a necessidade de trabalhar com os representantes e com os demais moradores do loteamento. pois outras não. o projeto tinha enquanto objetivo “promover a integração entre os moradores do Residencial Maria Cristina. pudessem se fazer presentes. 32 Esse projeto teve foi construído juntamente com a supervisora acadêmica MariléiaGoin e com as opiniões vivenciadas no Estágio Supervisionado em Serviço Social da assistente social que foi a supervisora de campo Mariele Leiria. Segundo Salgado (2013): O projeto ENCONTROS DA BOA VIZINHANÇA terá 2 encontros que ambos se direcionarão a partir da Teoria Social de Marx. afinal o documento é o mesmo para todo o Brasil. numa forma coletiva. a fim de estimular a socialização de informações. Conforme Salgado (2013). de uma forma onde a maioria. numa forma participativa e democrática. a criticidade e a cultura de zelo pelo espaço coletivo” (Salgado. entretanto. não se pensando na questão cultural dos moradores. 2013). Isso e Zas e Zas . o projeto visava trabalhar através de reuniões para se chegar num consenso. a partir de documentos mostrados pelo sindico. assim como foi possível também perceber no Residencial Maria Cristina. . sendo assim. deixando frisado a ideia do projeto ser crítico. a participação. se encontra explícito que nas reuniões as decisões devem ser consensuais. participativa e democrática.79 De acordo com Salgado (2013) o projeto de intervenção Encontros da Boa Vizinhança32. De acordo com Salgado (2013) Há necessidade de esclarecer o papel do sindico e os anseios dos moradores. A partir de então serão zelados os valores éticos. pois busca promover relações sociais visando “a boa vizinhança”. Podemos perceber que aqui estamos relacionando seriado de TV.é referente ao Festival da Boa Vizinhança do Programa “A Turma do Chaves”.expressões do personagem Chaves) com o objetivo de preservar o lugar e promover a integração entre as crianças. assim. referente a tarde cultural feita para trabalhar diretamente com as crianças. Buscamos34 trabalhar as relações sociais a partir da dimensão sócio-política do Serviço Social que envolve discutir o papel dos representantes do Residencial. é importante ressaltar que no documento Cadernos do Condomínio (2011) que tem por objetivo auxiliar o trabalho dos técnicos sociais nos residenciais. buscando colocar em prática o Método Dialético Crítico do qual tem as seguintes categorias: historicidade. mediação e negação da negação. Em um dos ENCONTROS DA BOA VIZINHANÇA terá a restauração na pracinha como o nome: A PRACINHA É NOSSA (Isso. Projeto Encontros da Boa Vizinhança. (SALGADO. ressaltando que algumas normas são válidas. A Turma do Chaves33 que se passava num cortiço com o loteamento Maria Cristina. como também.

outro do preço do condomínio então foi perguntando o seguinte: O que vocês imaginam que tinha dentro da Caixinha? Sobre a Caixinha os 5 pontos mais destacados foram: Preço do Condomínio. Barulho. para fazer um documentário. Conforme Salgado (2013) nesse encontro foi explicado para os moradores o que era o projeto e como ele se desenvolveria. foi explicado o que era esse projeto e através de como ele se desenvolveu. onde foram colados cartazes (anexo 1 e 2) criados por dois acadêmicos do Curso de Publicidade e Propaganda tendo como objetivo a divulgação do encontro. ela servirá para os moradores falarem as suas críticas e sugestões. (SALGADO. os representantes (sindico. conforme Salgado. começaram as discussões. um breve resgate histórico do residencial e também entrevistando a assistente social da equipe. o Encontros da Boa Vizinhança visou promover dois encontros. ou seja. sempre deixando bem claro que manteremos a ética. 07). para exporem as suas inquietações. Na segunda-feira dia 27 de maio pela parte da tarde. pois os condôminos que não quiserem se manifestar pessoalmente tem a oportunidade de participar através da caixinha. ou seja. presidente. que de acordo com Salgado. assim. 2013. onde anteriormente. outros do lixo. Lixo. ali fica o segurança e. Conforme Salgado (2013): O “Encontros” se deu através de um círculo de conversas.80 propositivo e interventivo. com uma caneta e um bloco de notas na portaria do Maria Cristina. Foi feita uma reunião com 2 acadêmicos do Curso de Relações Públicas da UNIPAMPA (lembrando que todos os acadêmicos do projeto são da mesma universidade). Começamos mostrando para os moradores o vídeo e após isso. assim pedirmos para ele que divulgue para os moradores sobre a caixinha. evitar divergências. 2013). independente do número de encontros formais e informais. vice e secretária) e também os moradores. (SALGADO. Na filmagem o acadêmico de jornalismo preferiu deixar em off. No dia do encontro político se fizeram parte os acadêmicos do Curso de Jornalismo para mostramos o minidocumentário (minidoc). ou seja. o acadêmico do Curso de Jornalismo se deslocará juntamente com a estagiária e a supervisora de campo. Nesse braimstorm35 tivemos a ideia de deixar uma caixa de papelão enfeitada. (SALGADO. . construído a partir das filmagens que foram feitas com os moradores e esteve presente um acadêmico do Curso de Ciências SociaisCiência Política também da UNIPAMPA. Portanto. Alguns moradores trouxeram a questão das drogas. A partir do exposto acima. Além de ter enquanto convidado o acadêmico do Curso de Ciências SociaisCiência Política para participar das discussões e fazer os assessoramentos políticos. Compareceram 20 moradores no loteamento. p. Conflitos com os Representantes. somente as imagens do Maria Cristina e a voz dos moradores. pois. pois. para fazes os assessoramentos nas discussões políticas. 2013). Uso/ Venda de drogas. 35 O brainstorming é um método de geração coletiva de novas ideias através da contribuição e participação de diversos indivíduos inseridos num grupo. em decorrência do tempo. subsíndico. o primeiro seria o encontro político.

assim. foram entregues com piso. ambos os documentos construídos pela Caixa Econômica Federal. para os moradores. além de um rádio. O sindico ia esclarecendo as dúvidas também. Os moradores afirmaram que não sabiam desses documentos e que no dia de assinarem a documentação na Caixa. 2013). conflito com os representantes. um deles disse que foi entregue rápido. um morador disse que em Canoas são 800 apartamentos e que eles possuem piso. com o grupo de representantes. ou seja.] anterior à isso. o alto valor do preço do condomínio. devido às eleições. vamos verificar as inquietações que se encontram dentro da caixinha.81 [. assim. 2013. Conforme Salgado: . como as drogas que estão sendo vendidas e usadas no Residencial. tinham inúmeros papéis e eles não tiveram tempo de ler nada. Foi exposto para os moradores o minidoc e foram ouvidas as demandas dos usuários. ou seja. Conforme Salgado (2013) de acordo com os moradores o barulho deve ser discutido. uso e venda de drogas. que foram furtados do Maria Cristina. uma intervenção no que diz respeito as drogas e sobre o condomínio. de lâmpada de luz. (SALGADO. sobre as drogas... também extintores. quando surgiu a pergunta sobre os extintores. p. somente de assinar. também foi debatido através destes os pontos mais emergentes no momento. como por exemplo. não sabem se quem tem que colocar é a Caixa ou a Prefeitura. (SALGADO. esse informativo será criado pelos acadêmicos de Publicidade e Propaganda. jogos de partidos políticos e quem sofre o impacto são os moradores. sendo alguns moradores despejados por não ter dinheiro muito menos para a parcela dos apartamentos. o lixo que além de não haver lixeiras acaba sendo jogando em diversos lugares do espaço coletivo. existe medo dos moradores que isso se reproduza e precisa-se de apoio. o que ainda estão inquietos em relação ao piso do Residencial. Conforme os moradores acontecem muitos furtos no Residencial. No dia 3 de junho juntamente com o sindico. barulho e lixo. Foi mostrado o que tinha dentro da Caixinha de Críticas e Sugestões e os pontos mais destacados foram: preço do condomínio. trazer ideias depois de ler o projeto a fim de contribuir nessa dinâmica política do nosso encontro. No encontro oficial serão distribuídos informativos sobre o papel do sindico e do grupo. o que a supervisora acadêmica e o assessor propuseram. percebendo que isso realmente possa caber para a Prefeitura. Segundo Salgado (2013) foi apresentado para os moradores os Cadernos do Condomínio e as Normas Internas. para amenizar o conflito nas relações sociais. A Caixinha ficou exposta na frente do loteamento durante uma semana onde se obteve 50 papéis com as colocações dos condôminos. quase todos os que estavam se fazendo presentes não sabiam da existência destes. 08). subsíndico. Segundo Salgado.

não estão pagando. assim. músicas. uma moradora disse que gostaria que a água fosse individual e por consequência todos na reunião concordaram.no braimstorm feito com os acadêmicos do Curso de Relações Públicas tivemos a ideia de nesse dia. Foram encaminhados ofícios através da UNIPAMPA para a Secretaria de Esporte e Juventude encaminhar para os Serviços Urbanos da Prefeitura com o objetivo de pedir apoio para a restauração da pracinha. Conforme Salgado (2013) no encontro cultural éramos 3 acadêmicos para trabalhar com quase 80 crianças. No que se refere ao minidoc deixamos uma cópia com cada representantes que depois poderia ser repassado para os demais. mais por causa da água. fazermos gincana. levar os palhaços da alegria. conforme o assessor nas discussões políticas deveríamos fortalecer as mobilizações no Maria Cristina e dar continuidades a essas discussões com a finalidade de alcançar os objetivos do coletivo. Depois. Usamos microfone com a caixa de som. Para a divulgação dessa tarde da pracinha. as que eles disseram que gostam no nosso encontro informal. pais. até infarto já tiveram. mas alguns já comentaram que se sentem preocupados. buscará nesse dia colocar as músicas preferidas das crianças. estiveram na frente da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) e pediram ajuda para a água ser individual. pensamos na possibilidade de pedir apoio e levar doces no dia.ISSO ISSOISSO E ZAS E ZAS. pois. a agente de saúde que é moradora do Residencial disse as consequências na saúde que isso se dá. não que seja somente pelo condomínio. como também. ou seja. O sindico e o subsíndico esclareceram que o condomínio custa caro. das gravuras da Turma do Chaves recortadas que foi o que sobraram ... está caro e não tem como pagar. sendo assim.] foi comentando que alguns moradores sofrem de ansiedade. Distribuímos tinta guache para as crianças pintarem a pracinha da forma que elas queriam. essa tarde será lúdica e direcionada para o playground. teatro (árvores vivas para explicar o que acontece com elas quando jogamos lixo no chão. como balas e pirulitos. onde foi possível trabalhar a coletividade. caso não consigamos. por meio de uma tarde lúdica. (SALGADO. através dos desenhos. conforme Salgado (2013): O segundo encontro oficial será A PRACINHA É NOSSA. 09). das canetinhas trocadas. a ideia de oficializarmos as reuniões com atas. tinta guache para os pequenos pintar a pracinha. pois. assim preservando não somente os brinquedos. Segundo Salgado (2013) os representantes afirmam que o movimento deles deve se fortalecer. (SALGADO. mostrando para eles as demandas. responsáveis e quem quiser se fazer parte. será feito cartazes com personagens em forma de desenho da Turma do Chaves. divulgando o evento e chamando as crianças. assim. assim se fazendo parte. como também. p. Os representantes afirmaram que 10% dos moradores estão inadimplentes. 2013. colocamos as principais demandas apresentadas pelos moradores através da Caixinha (anexo 4) no mural de entrega do loteamento. será enviado para o quartel. além dos miniflyers (anexo 3) do qual dizia o papel de cada um. No que se refere ao encontro cultural. 2013).82 [. . como o meio ambiente). essa divulgação ocorre no final do 1º encontro oficial. teremque ser expulsos de lá. de pressão alta. por exemplo.

15-16). p. O Encontros da Boa Vizinhança teve como objetivo. teríamos que abraçar a pracinha. Fizemos o momento do desenho. enfim. nos ajudaram. Eles faziam questão de mostrar as pinturas. a participação. com os materiais possíveis trabalhamos a divisão deles com a coletividade. isso. a criticidade e a cultura de zelo pelo espaço coletivo.(SALGADO. No . mas no momento foi a única forma de dizer que somente crianças poderiam brincar. Potencializar a autonomia dos sujeitos é o caminho para quem deseja uma sociedade mais livre revelando a importância do trabalho do assistente social. de preservar. para isso os pais. trocarem as cores. como também. p. passávamos com o microfone por eles e eles iam explicando os seus desenhos. Então o processo de restauração da pracinha com uma ação mais lúdica. além de desenhos. tios. de cuidar da pracinha para poder brincar nela e também de jogar lixo no chão. era para emprestar as tintas e os pincéis. Para desenharmos. os pequeninos pintaram a pracinha com tinta guache. 2013. bem como a necessidade de condições de trabalho. nos trazendo a questão de cuidar do meio ambiente.83 dos cartazes que forma colocados nos blocos. No final. avós. envolvendo as crianças e os demais moradores na reflexão conjunta sobre os cuidados necessários sobre um bem que é de todos foi bastante válida. conseguimos tecidos para o boné e para o suspensório do personagem numa loja de tecido da cidade e o que tínhamos levado de fantasias. perguntando o que mudou na pracinha. de colagens de gravuras. (Salgado. também de conseguir materiais que eram por meio de ofícios. com o intuito de estimular a socialização de informações. que todos poderiam pintar colorido se trocassem as canetas com o colega. assim vieram e se sentiram também se sentiram parte. Segundo Salgado: No Encontros da Boa Vizinhança: A PRACINHA É NOSSA!!! Isso. o Chaves levou sanduíches de presunto e também suco de tamarindo com gosto de limão e suco de groselha com gosto de uva. 14). largamos um papel pardo dentro do Salão de Eventos do Residencial e distribuíamos canetinhas. pensei que estivesse impondo algo. 2013.] afirmamos que não tínhamos tinta para todos e que só tínhamos 2 pincéis. como também. Ressaltando que confeccionamos o boné do Chaves na hora. íamos enfeitando o ambiente. dizendo à eles que teriam que dividir.. juntamente com o Chaves. com pintura. perguntamos aonde eles iam jogar os papéis e os copos. isso e zas. O objetivo era fazer com que eles se sentissem. ou seja. promover a integração entre os moradores do Residencial Maria Cristina. autonomia. num primeiro momento. gravuras.. Conforme Salgado (2013) a acadêmica do Curso de Serviço Social que participou do encontro. ampliação da democracia e consolidação da cidadania). Percebeu-se a dificuldade de deslocamento. pintando da forma que eles queriam. a resposta foi rápida e clara: no lixo. pois: [. trabalhamos a preservação da pracinha e do meio ambiente com a criançada através do lúdico. nós íamos conversando. se estava melhor e também afirmando que até 12 anos poderia brincar na pracinha. afirmou que “A pracinha é NOSSA” são ações que tenham como objetivo fomentar discussões referentes a demandas coletivas são essenciais para a qualidade de vida das pessoas (conquista de direitos. após. portanto quando quanto ouvissem um apito. as pinturas. se tornassem parte do espaço.

3) Comparar as duas caracterizações na perspectiva de verificar as possíveis atualizações da dinâmica do capitalismo em relação quatro situações colocadas tendo como ponto de partida a busca da comprovação ou não de nossas hipóteses. 2) Caracterizar as situações encontradas no loteamento. Condições de habitabilidade e o episódio “Falta água. Dessa forma. 6. mas com o objetivo de emancipar. mostrando as situações do cortiço. onde focaremos quatro situações: as más condições de habitabilidade. conforme já descrito na seção anterior.1. num primeiro momento faremos o contraste das más condições de habitabilidade e assim. relacionando um episódio da Turma do Chaves. os problemas sociais.4. o condomínio caro e os problemas de sociabilidade. como ocorreu através dos desenhos e das colagens de gravuras.84 desvelamento da Caixinha de Críticas e Sugestões (sugerida pelos acadêmicos do Curso de Relações Públicas). identificados a partir da nossa intervenção no loteamento em nosso Estágio Supervisionado em Serviço Social II. seja por causa das representações. onde todos possam se fazer parte e também. utilizaremos o método comparativo entre o seriado de TV “A Turma do Chaves” e o loteamento “Residencial Maria Cristina Surreaux Vargas Pereira”. Dessa forma. seja por causa da água.4 Comparando o seriado e o loteamento: a atualização das expressões da questão social Agora. partiremos para a nossa analogia. Realizamos uma seleção aleatória entre diferentes episódios buscando situações que nos permitam a comparação com o loteamento. mobilizando e fortalecendo a coletividade para a transformação societária. As situações identificadas no Residencial advêm de bilhetes que foram deixados em uma caixa de sugestões. de tornar fortificado um movimento coletivo. trabalhando a emancipação humana de modo a contribuir. quando da oportunidade de nosso estágio realizado no local. a partir da dimensão pedagógica do encontro cultural trabalhar de forma educativa o espaço coletivo juntamente a coletividade entre as crianças. 6. sobram problemas” Portanto. discutimos os pontos emergentes e a possibilidade de transformações no espaço. começando pelo espaço social onde estamos. conforme o quadro abaixo: . Como metodologia realizamos três procedimentos: 1) Caracterizar no seriado as possíveis situações focadas.

Seu Barriga (dono da propriedade privada) visita a vila e Chiquinha diz que ninguém pagará o aluguel se o encanamento não for arrumado. essas reclamações vem de uma habitação nova. Se analisarmos a hipótese 1. com situação de más condições de habitabilidade. Devido o contrato que a Caixa Econômica faz com os moradores. afirmando que o encanamento está velho. telhado e manutenção. afirmando que em um dos blocos. gera as desigualdades sociais. mas ouvia os moradores ao dizerem que não pagariam o aluguel enquanto os encanamentos não fossem consertados. atualmente residem 350. Verificamos a partir de nossas hipóteses que na realidade empírica dinâmica do capitalismo continua se atualizando. todo furado e afirma que todos os inquilinos estão de acordo em não pagar aluguel até que conserte todos os encanamentos. como por exemplo. eles têm problemas com as bombas de água. Já no loteamento.85 Tabela 2: Condições de habitabilidade A Turma do Chaves Habitação /cortiço . mas como os moradores tinham o termo de garantia da financiadora. No que diz respeito ao Residencial Maria Cristina são 360 famílias. que já venceu e 5 anos. de 6 meses à 1 ano para: torneira. os cortiços de antes. forma como usam). contribuindo para o aumento das contradições. eles tem direito da garantia de algumas coisas. investir no social . para: prédio. são os novos loteamentos de hoje. eles exigiram dela a arrumação do encanamento. tendo a política pública como algo que não consegue dar conta. Nesse episódio. Seu Madruga mostra os inúmeros baldes com água que tiveram que carregar. porta. pois estourou um dos canos. Os moradores reclamam das condições como o loteamento foi entregue pela Caixa Econômica Federal. abertura. O encanamento de um dos blocos não estava estragado quando chegaram. sempre tendo que alguém ir consertar. mesmo assim. Fazendo a relação entre o seriado e o loteamento pudemos verificar que no seriado o cortiço era velho já fazia algum tempo que os moradores estavam nele e quando havia algum problema falavam diretamente com o Seu Barriga que reclamava que não tinha dinheiro.já sofrem precarizações. pois. a partir dela podemos comprovar que o capitalismo continua com sua busca incessante pelo lucro e que por consequência disso. que. pois.más condições de habitabilidade Loteamento Maria Cristina Más condições de habitabilidade (forma como foi entregue.

Seu Furtado chega até a vila e rouba a calça de Dona Florinda que está no varal. imagina para quem não teve nem acesso à educação. sendo de total gasto investir em condições habitacionais mais adequadas. onde existe a negação das necessidades doravante em todos os tempos. como é a situação de vários moradores do Maria Cristina. Seu Madruga pede para a Dona Clotilde o ferro de passar roupa emprestado e então eles vão até a casa dela buscar.86 custa caro e ainda mais para quem ter renda até 3 salários mínimos como é no caso do loteamento Maria Cristina. onde focamos os problemas sociais na questão do roubo: . como o espaço social que eles mesmos produziram. podemos verificar que as políticas públicas se tornam insuficientes perante o capitalismo. assim. assim como os cortiços em algumas épocas eram feitos para trabalhadores. Se percebermos houve o processo de des-territorialização e de re-territorialização. 6. Dona Clotilde e Seu Madruga ficam se questionando e perguntando sobre o ferro de passar roupa. No seriado de TV os moradores vieram de vários lugares e mesmo depois de anos. quando eles abrem a porta da casa. além de roubar também a espingarda de Seu Madruga. as pessoas moravam em suas casas. onde se quer um trabalhador polivalente. No loteamento. como no Maria Cristina através do financiamento público e para a Caixa Econômica Federal. devido também a precarização do mundo do trabalho que faz com que se tenha cada vez mais exigências. Fazendo a constatação da hipótese dois. Para realizar a comparação iremos utilizar o quadro abaixo. Kiko ao procurar Chaves encontra o ferro dentro do barril. Quando ele avista Chiquinha ele joga o ferro dentro do barril do Chaves.2 Existem problemas sociais e o episódio “O ladrão da vila” Nesse episódio. sofrem com as suas dificuldades de espaço. hoje nem podemos dizer isso. Hoje têm que zelar pelo espaço coletivo e bater de frente com a decorrência da política pública até que se consiga o conserto de tudo que acontece com os materiais dentro do loteamento. onde nem mesmo quem tem graduação consegue emprego. percebemos que de qualquer forma os moradores estão pagando para estarem naquele espaço. Seu Furtado coloca a mão na janela e rouba o ferro. tanto na zona rural quanto na zona urbana e caso houvesse problemas com as condições de habitabilidade ficava a critério deles ao arrumar. seja no seriado quando os moradores pagam para o dono da propriedade privada. Porém. Nisso chega Chaves e ele fica tentando fazer com que o menino não entre no barril e vai embora.4. Ao analisarmos a hipótese.

Na segunda hipótese podemos perceber a insuficiência da política pública. onde se torna concentrada a riqueza e não sendo repartida com os demais. independentemente da década. pois. em situações normais. ela é financiada. havendo o enfrentamento das classes subalternas em suas diferentes formas e inclusive o que foi possível verificar no estágio. tendo que se submeter ao roubo para obter algo material que necessitam. inclui-se quem recebe somente o Programa Família. além de ter somente uma parte contribuída pelo governo. pois no cap. Podemos verificar que com a atualização do capitalismo as expressões da questão social em sua desigualdade são visíveis tanto seriado quanto no loteamento.00 mensais e a parcela . mas sabe que sumiu no loteamento e nas câmeras que tem no Residencial não apareceu nada. na situação de quem tem zero de remuneração. na situação de Seu Furtado não aparece ele vendendo. não descobriram quem foi. tende a desigualdade social. constou-se na caixinha de sugestões sobre os roubos. em que o homem detém o meio de produção. Podemos trazer a primeira hipótese. pois. Fazendo a relação do seriado com o residencial. que acontecem no condomínio e que a partir disso ocorrem vendas. Pelo contexto econômico de alguns moradores. os moradores possuem diferentes situações econômicas. porém. trabalho terceirizado e. mas furtando. muitas vezes.87 Tabela 3: Problemas sociais A Turma do Chaves Roubo/episodio do ladrão (Seu Furtado) Loteamento Maria Cristina Existem problemas sociais Assim. se encontra precarizado nos seus diferentes elementos constitutivos. portanto. pode correr o risco de furto. onde temos a vulnerabilidade tanto na arte quanto na vida real. onde então os moradores não se sentem à vontade para deixar os seus pertences materiais expostos. podemos verificar que em ambos. que em grande parte das visitas domiciliares. II discutimos sobre a propriedade privada. como contratação. eles ficaram em lugares que não conseguiriam ficar antes. acontece o roubo. a falta de oportunidades nos espaços de trabalho. Mas justificamos isso através do processo de atualização do capitalismo que em seu constante movimento. percebeu-se que muitas famílias recebem R$ 100. como já houve o de um aparelho de som de uma Kombi. onde mesmo assim. o desemprego. Para a seleção dos apartamentos a Caixa Econômica Federal fez esse loteamento como um dos critérios que foi de as famílias receberem de zero até 3 salários mínimos. subcontratação. pois. como também para vender e ter algo para seu sustento em troca. no que diz respeito ao Residencial Maria Cristina.

desde R$ 25. ou seja. Loteamento Maria Cristina Condomínio caro No Residencial Maria Cristina vários moradores são despejados por não pagar as parcelas do apartamento. mas. Os moradores através do Cadastro Único e das inscrições para os apartamentos.00. 00 até R$ 81. O financiamento é de no máximo 10 anos e as parcelas variam de acordo com a renda familiar. sendo que é proibido a venda. se torna mais propício ao furto. onde muitos também não conseguem pagar o condomínio pelo alto valor da taxa. um mês e Seu Madruga.00 ou seja. Seu Barriga dá prazo de uma semana. o que não quer dizer que as pessoas vivam somente desse programa. não aceita e afirma que vai embora. por não ter dinheiro para pagar o aluguel. que através dessa vulnerabilidade social. como também alguns vendem os apartamentos onde moram. 36 Informações cedidas por uma moradora do qual fizemos visita domiciliar durante o Estágio Supervisionado em Serviço Social II.88 mínima36 dos apartamentos é de R$ 25. o despejo tanto dele quanto dos moradores do loteamento que surgiu no final de 2012 são os mesmos. afirma que deve 15 meses. que ocorreram através de sorteio foram morar no Residencial. podemos verificar que em ambos há despejo por falta de pagamento. Segue o quadro abaixo: Tabela 4: Condomínio A Turma do Chaves Pagar o aluguel. Seu Madruga. pelo menos antes de 5 anos de pagamento. mas honrado. Jaiminho.00. Seu Madruga afirma ser pobre. Seu Madruga ao afirmar que é “pobre” afirma a sua expressão da questão social. a pobreza que há 40 anos atrás já se afirmava. e ainda foi cobrar o aluguel de todos. 6. seja da parcela do apartamento. Nesses espaços podemos ver a existência da vulnerabilidade social. seja do aluguel do cortiço. onde o proprietário do cortiço. se tirarmos disso sobra somente R$ 75. .4. Fazendo a comparação do seriado com o loteamento. pelo mesmo motivo. Dona Florinda pergunta se Seu Madruga realmente vai embora da vila e o proprietário diz que sim. portanto irá embora.3 Condomínio caro e o episódio “O Despejo do Grande Campeão” Nesse episódio Seu Madruga diz que vai embora para nunca mais voltar e que talvez essa noite não tenha por teto se não as estrelas e tudo por não ter dinheiro por não pagar os 14 meses de aluguel.

na pobreza. no episódio. O Residencial se encontra num local mais isolado da cidade e longe do grande centro. todos discutem sobre as partes de cada um no varal. onde quem ganha espaço são as relações monetárias. podemos verificar que a política pública não consegue responder todas as demandas. Nesse procedimento de se readaptar verificamos que mesmo estão em apartamentos. são 360 famílias. ou seja. nas diferenças econômicas de cada um e na resistência dos moradores. sabemos que liberdade não existe no sistema capitalista do qual somos privados. no loteamento o Departamento de Habitação avisa. onde eles teriam mais liberdade. limitados. 18 blocos. com sua posição social. as vezes prejudica outro. menos de 1500 pessoas. mas combinaram que cada um usaria uma parte do varal. muitos gostariam de estar em outros espaços.89 por se encontra numa situação social onde não podem adquirir um espaço para habitar. Seu Madruga aparece estendendo a calça no varal. pois. em uma casa. sabemos que a política tenta dar conta do mínimo e que o sistema capitalista escolhe onde as pessoas morarão. 6. de acordo com sua renda. por exemplo. Dona Florinda joga a calça do Seu Madruga e diz que estava no varal dela e afirma que ela comprou o fio. pois vivemos num sistema onde temos o dinheiro como a principal exigência e as relações afetivas destruídas pelas relações econômicas. Dona Florinda afirma que lava mais roupa do que os dois juntos e.4 Existem situações de problemas de sociabilidade e o episódio “As calças do Seu Madruga” Nesse episódio Dona Florinda reclama para o Seu Madruga por causa de uma caixa cheia de garrafas que estão no meio do pátio. que muitas vezes levam ao despejo. Trazendo a primeira hipótese podemos verificar que o capitalismo continua com sua dinâmica inexorável. quando fazem o enfrentamento para consertarem o espaço onde eles estão. os moradores tentam se acostumar nos lugares onde estão. Na segunda hipótese. pois. inclusive econômicas. No episódio o dono da propriedade privada avisa o despejo. se estraga algo em um espaço. muitas vezes de estarmos onde gostaríamos. como por exemplo. Seu Madruga afirma que foi a Dona Clotilde quem comprou e quem na verdade deu dinheiro para ela foi Seu Barriga. Temos a visibilidade das expressões da questão social que se encontram nas desigualdades sociais. porém. mesmo já havendo o sistema capitalista e no Maria Cristina as relações de afetividade realmente são corroídas. Nesse processo de reterritorialização. tendo as suas diferenças. portanto. tem direito para que lhe deem mais .4. porém.

Na primeira hipótese podemos constatar que essa consequência da disputa pelo espaço. como também o varal. portanto tem se um varal coletivo no fundo do loteamento. o salão de eventos. Seu Madruga ironiza com ela. pois. as crianças brigam e se chamam pelo suposto desagradável apelido quando estão disputando algum espaço. muitas vezes causa brigas e que se expressam sim. onde uns esperam a roupa secar para outros estender. pois. o espaço na área de lazer e também o do varal. o mesmo acontece com as crianças no loteamento e não somente com eles. tem famílias que possuem muitos filhos e o espaço não dá conta. Fazendo a comparação entre A turma do Chaves e o Residencial Maria Cristina. as crianças disputam o espaço no playground . a questão social. porém. onde tanto no cortiço quando no loteamento existe a disputa pelo espaço e que por consequência disso. E durante todo o episódio os moradores brigam e ficam disputando o varal. se expressa em qualquer ato de violência seja física ou psicológica. . E ainda manda ele dá próxima vez. por exemplo. E também. que por vezes. as vezes. o que inclusive. Tanto na arte expressa quanto na vida real. como com os adultos. onde Seu Madruga ri e é agredido por Kiko e ela.90 corda. A ideia dos moradores era que em cada apartamento cada um tivesse o seu varal. verificamos que a consequência da disputa pelo espaço gera conflitos nas relações sociais e inclusive “fofocas” como os moradores trouxeram. foi uma das reclamações dos moradores na caixinha de sugestões. duas pessoas querem usar o espaço onde fica a churrasqueira ou até mesmo. fazendo com que muitas vezes haja algum tipo de “briga”. podemos verificar Dona Florinda e Seu Madruga divergindo e no loteamento os moradores afirmaram que um vizinho briga com o outro. No episódio. acaba gerando conflito nas relações sociais. Dona Florinda) Loteamento Maria Cristina Existem situações de problemas de sociabilidade No Residencial Maria Cristina os moradores reclamam quando os lixos estão jogados no chão. e então ela vai bater nele e nisso chega o Kiko e o “tapão” pega nele. pendurar as calças no nariz da sua avó. Conforme o quadro segue a analogia: Tabela 5: Problemas de sociabilidade A Turma do Chaves Varal (Seu Madruga. muitas vezes acaba gerando briga. por exemplo. por exemplo. No episódio.

podemos afirmar que o capitalismo continua com sua dinâmica de atualização de forma inexorável repondo cotidianamente as expressões da questão social. onde passam pelo processo de exclusão social. Assim pudemos demonstrar e comprovar nossas duas hipóteses construídas para orientar nossa pesquisa sobre a relação entre Serviço Social e Arte. com novas relações sociais impostas pelo sistema capitalista. Dessa forma. e então. em outros espaços. que a dinâmica do capitalismo continua se atualizando. pois em ambos os lugares. pois. costumes e inclusive de sentimentos. os moradores criam os seus modos de produção social. mais precário. a partir das condições econômicas que possuem. se desfazendo de alguns hábitos. são excluídos do espaço onde estão e passando pelo processo de re-territorialização. Pudemos afirmar assim que fazer a comparação do seriado de TV que é uma expressão artística com o Programa Minha Casa Minha Vida que faz parte de uma política pública. ou seja. pois. alguns da zona rural. o primeiro que se passou há 40 anos tem vários pontos em comum. segregação socioespacial. No loteamento houve um processo de desterritorialização onde os moradores se deslocaram de diversos lugares.91 Na segunda hipótese verificamos que há sim. Concluímos a partir dos quatro elementos constitutivos apresentados acima. ou seja. tendo que se adaptar com outras pessoas. alguns da zona urbana. mas talvez. tanto nas más condições de habitabilidade quanto no que diz respeito às relações sociais determinadas num mesmo espaço social produzido. os moradores dividem o espaço. . estão ali de acordo com a renda. poderiam estar em outro lugar. mostra que. com o outro que começou em outubro de 2012 na cidade de São Borja-RS.

hábitos. nos seus hábitos. criando a propriedade privada e fazendo a concentração dos meios de produção juntamente com a classe dominante. buscamos apresentar. ou seja. o segundo são a existência de problemas sociais em comum. que sua objetivação é baseada em uma subjetivação criada a partir da realidade. cultura. passando pelo processo de desapego de um espaço que não se torna algo vago. mas se adentrarmos em arte. nos colocando de frente com as nossas diferenças correspondentes ou não. onde ocorre todo um processo de estranhamento e discrepância nas relações sociais. A nossa outra hipótese vinha afirmando que as políticas públicas não conseguem romper com o movimento do capitalismo e em consequência disso. sem políticas públicas que deem conta de tudo isso. E assim. A Turma do Chaves comparada com o Residencial Maria Cristina a partir do que acontece em 4 pontos: o primeiro são as más condições de habitabilidade tanto do cortiço quanto do loteamento. o roubo. o terceiro diz respeito a pagamento do aluguel no seriado e ao condomínio caro no loteamento e . deixando não somente a base física como a base abstrata e nos readaptando. discutir. verificamos que ela nos mostra a realidade. pois. Na nossa pesquisa onde nos propúnhamos a fazer a comparação do seriado de TV com o loteamento. refletir e comprovar nossas duas hipóteses de trabalho que buscam responder ao seguinte problema de pesquisa: Por que a Questão Social se manifesta no seriado do TV A Turma do Chaves e no loteamento Maria Cristina? Diante da discussão realizada podemos afirmar que as expressões da Questão Social do seriado de TV “A Turma do Chaves” ainda são atuais e dessa forma fazendo a analogia com o Residencial Maria Cristina. os moradores do Residencial Maria Cristina sofreram impactos nos seus costumes. fizemos a identificação das expressões da questão social que constam em dados. pois. não são somente sentimentos. podemos utilizar o Manifesto Comunista tanto para explicar o sistema quanto para explicar a atualização.92 CONSIDERAÇÕES FINAIS No presente trabalho onde abordamos o tema da relação entre Arte e Serviço Social. A primeira hipótese que nos dizia a respeito sobre a dinâmica inexorável do sistema capitalista se confirma. como exemplo disso. que gera uma desigualdade na apropriação dos frutos do trabalho. mas como também. A diferença é que o seriado é uma expressão artista e o loteamento a expressão do real. como também algo concreto. havendo um processo de des-territorialização do qual saímos de onde estamos. nossa primeira hipótese se confirma ao promover sua incessante busca de lucro. as casas onde estavam na zona urbana ou zona rural.

 Se percebermos houve o processo de desterritorialização e de reterritorialização. precárias. . pois. como vimos nos casos concretos o aumento das contradições sociais. Em relação à hipótese dois. gera e atualiza as expressões da questão social e isto aumenta. Tabela 7: Quadro comparativo situações x episódios II Situações no loteamento e episódios Existem problemas sociais e o episódio “O ladrão da vila” Hipótese 1  A vulnerabilidade ocorre tanto na arte quanto na vida real. pois. mesmo com o pagamento dos moradores e a precarização do espaço onde estão. nesta comparação. Sintetizando a discussão realizada no capitulo anterior. O capitalismo continua com sua busca incessante pelo lucro. onde os moradores possuem diferentes situações. também foi comprovada partir de dois elementos centrais. Contribuindo para o aumento das contradições. sobram problemas”    Hipótese 1 Hipótese 2  As políticas públicas se tornam insuficientes perante o capitalismo que de qualquer forma os moradores estão pagando para estarem no loteamento. as políticas públicas insuficientes. verificamos que podemos afirmar a pertinência de nossa hipótese 1 sobre a atualização do capitalismo a partir de três grandes elementos que dialetizam entre si e que. como a existência de problemas de sociabilidade no que diz respeito ao espaço coletivo do loteamento. muitas vezes. No quadro comparativo abaixo: Tabela 6: Quadro comparativo situações x episódios I Situações no loteamento e episódios Condições de habitabilidade e o episódio “Falta água. entregue em más condições. Hipótese 2  A insuficiência da política pública. investir no social custa caro e ainda mais para quem ter renda até 0 à 3 salários mínimos. ela é financiada. Podemos verificar os elementos comparativos do loteamento com o seriado e as nossas duas hipóteses.93 por último e não menos importante. além de ter somente uma parte contribuída pelo governo. centralmente esse sistema econômico busca o lucro de forma incessante que por sua vez.  Verificamos a constante atualização do capitalismo. a disputa pelo espaço do varal no seriado. Gera as desigualdades sociais.

por necessidade de algo material. podemos verificar que a política pública não consegue responder todas as demandas. Em relação à hipótese dois. pois. nas diferenças econômicas de cada um e na resistência dos moradores.  . fazendo com que haja o enfrentamento das classes subalternas. tendo as suas diferenças. quando fazem o enfrentamento para consertarem o espaço onde eles estão. na pobreza. menos de 1500 pessoas.  Havendo o enfrentamento das classes subalternas em suas diferentes formas e inclusive o que foi possível verificar no estágio. quem paga são os moradores: Tabela 8: Quadro comparativo situações x episódios III Condomínio caro e o episódio “O Despejo do Grande Campeão”  O capitalismo continua com sua dinâmica inexorável.  Na segunda hipótese. ou seja. O Residencial se encontra num local mais isolado da cidade e longe do grande centro. à falta de oportunidades nos espaços de trabalho. são 360 famílias. inclusive econômicas. ocorre o furto. vimos a insuficiência do Programa Minha Casa Minha vida do qual contém parte apenas contribuída pelo governo e a outra parte sendo financiada pela Caixa Econômica Federal.  Nesse processo de reterritorialização. pois vivemos num sistema onde temos o dinheiro como a principal exigência e as relações afetivas destruídas pelas relações econômicas. verificamos na hipótese 1 que a vulnerabilidade ocorre tanto na arte quanto na vida real e a constante atualização do capitalismo onde cada vez mais se aprimora das forças produtivas produzidas e das riquezas que são construídas coletivamente.  Temos a visibilidade das expressões da questão social que se encontram nas desigualdades sociais. sabemos que a política tenta dar conta do mínimo e que o sistema capitalista escolhe onde . Nesse sentido. às vezes prejudica outro. que muitas vezes levam ao despejo. 18 blocos. onde as parcelas.94 onde tende a desigualdade sociais. onde muitas vezes. pois. os moradores tentam se acostumar nos lugares onde estão. se estraga algo em um espaço. o desemprego.

dividir os espaços que antes não eram divididos e por não terem esse costume e já terem seus hábitos. as políticas públicas escolhem os moradores de acordo com a renda e assim. com sua posição social. pois em ambos os lugares. muitas vezes. nas Madruga” expressões da questão social. os modos de produção social. que por não ter renda o suficiente. melhorar. pois. O loteamento está localizado distante da área central. colocá-los nos lugares mais distanciados. que ainda afeta nas relações sociais afetivas. Dessa forma os moradores criam os seus modos de produção social. se expressa em qualquer ato de violência seja física ou psicológica. . estas já se transformaram em relações monetárias. a partir das condições econômicas que possuem. onde existem as diferenças econômicas das classes sociais e nisso. seja verbal. segregação socioespacial. vem o reflexo da agressão seja física. que se expressa em violência física e/ou psicológica. de acordo com sua renda. os moradores dividem o espaço. que os condôminos criam devido à situação financeira que se encontram. pois. Na nossa hipótese II verificamos a segregação socioespacial. Os condôminos tentam se acostumar nos espaços do qual estão inseridos. Verificamos que há sim.95 as pessoas morarão. temos a visibilidade da resistência dos moradores quanto tentam consertar. vistas na pobreza. movimentar o espaço onde estão. Podemos afirmar nessa pesquisa que o capitalismo continua se atualizando onde temos o dinheiro como a essência para viver no sistema capitalista. Temos. muitas vezes. Nesse sentido podemos afirmar na nossa hipótese I que a disputa pelo espaço gera conflitos nas relações sociais. Na segunda hipótese percebemos a insuficiência de responder todas as demandas perante menos de 1500 pessoas. Tabela 9: Quadro comparativo situações x episódios IV Existem situações de  A consequência da disputa  problemas de pelo espaço. pois. são despejados. muitas vezes sociabilidade e o episódio causa brigas e que se “As calças do Seu expressam sim. . a visibilidade das expressões da questão social. onde os moradores tem que além de se acostumar com o novo lugar.

Ressaltamos que temos os processos de trabalho e que o assistente social tem o seu processo de trabalho juntamente nos espaços do qual ele se insere que se encontra assim como toda a sociedade em constante movimento. mesmo que o Manifesto Comunista tenha sido escrito no século XVIII. Os desenhos e as pinturas feitas pelas crianças onde elas puderam expor suas ideias em relação à pracinha. em seus distintos elementos temporais percebemos que o capitalismo continua se manifestando nos diferentes espaços. que o sistema capitalista não se manteve estático. assim. poderíamos. sempre se movimentando com força e se apropriando cada vez mais das forças coletivas no qual a riqueza deveria ser dividida coletivamente. dessa forma percebendo que existe a necessidade de aprofundamento. de criticidade e proposição. Certamente nosso trabalho não conseguiu dialogar com todos os elementos na profundidade necessária. onde a classe dominante ainda fala mais alto. ter aprofundando mais sobre as Políticas Públicas. Consideramos. Porém.96 A partir do quadro exposto acima percebemos que as expressões da questão social realmente continuam se atualizando. buscamos fazer essa comparação e trazer o conhecimento como um dos pontos bem fortes. começaram-se os primeiros contatos de Arte/ Serviço/ Habitação. utilizou-se do tema do seriado para trabalhar as relações sociais. por exemplo. afinal estamos trabalhando com uma profissão interventiva. Dessa forma percebe-se a importância da formação continuada e o quanto ainda temos que nos aprimorar mesmo que o aprendizado seja algo constante. afirmamos que vivemos permanentemente na luta de classes. a partir dos quatro elementos constitutivos apresentados acima. além disso. Contudo ao afirmarmos que a atualização do sistema capitalista se torna constante. Podemos afirmar que fazer a comparação do seriado de TV com o Programa Minha Casa Minha Vida nos faz afirmar que o capitalismo se inventa e reinventa. Podemos afirmar que desde então. o seriado A Turma do Chaves tenha começando no inicio da década de 70 e o loteamento Maria Cristina se concretizado em outubro de 2012. pois. . Quando abordamos Marx. como Iamamoto (2012) nos traz que devemos ser profissionais do qual devemos cair sobre o campo do conhecimento. Foi possível mostrar os processos interventivos realizados durante o Estágio Supervisionado em Serviço Social II do qual se pode ter as primeiras aproximações com a arte. tarefa que buscaremos realizar em um futuro mestrado. estamos no inicio de um trabalho onde tivemos como base raríssimos trabalhos que abordem a relação Arte e Serviço Social. como também de exploração desse tema. como também em seu uso com a arte.

embasamento e inclusive para defendermos a nossa profissão do errôneo entendimento que muitas vezes se tem sobre a teoria marxista. Os quatro anos na graduação são somente a base para levantarmos o nosso alicerce e construirmos a transformação. logo.97 por exemplo. . O Serviço Social quer e necessita de profissionais críticos. estamos discutindo e desafiando um assunto do qual foi estudado durante 40 anos pelo filósofo. precisamos estar com sustentação. mas que saibam interpretar e compreender o contexto social e para isso. a emancipação humana. não vamos compreendê-lo da noite para o dia e para isso. devemos tentar não cair na tentação do imediatismo que corrói a profissão diariamente.

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103 ANEXOS Anexo 1: Cartaz – A pracinha é nossa .

104 Anexo 2: Cartaz – Encontros da Boa Vizinhança .

105 Anexo 3: Miniflyer .

acham? Se sim.Presidente Secretária  Volnei Marcos Magda Arlete Elizete   Barulho Colabore! O seu outro vizinho quer dormir. pegue o seu! Como também. pois. quem limpa é o vizinho do andar de baixo! Imagine se fosse com você?!Colabore e evite atritos!  .106 Anexo 4: Retorno da caixinha O QUE TINHA NA CAIXINHA DE CRÍTICAS E SUGESTÕES? VEJAM O QUE DEBATEMOS NOS “ENCONTROS DA BOA VIZINHANÇA”  Preço do Condomínio Conversamos sobre os preços dos condomínios e soubemos no encontro o porquê que eles estão saindo caros. peça a ele e verifique! E vamos juntos nessa. pois. Conflitos com os Representantes O sindico poderá dar satisfação das contas. pois somente 5 representantes não podem dar conta de 360 famílias. consulte na internet sobre a Lei do Condomínio. vamos juntos nessa. algo que venha a contribuir para evitarmos essas reproduções. serão distribuídos flyers sobre o papel de cada um. pode até ter problema de saúde. se manifestem! Drogas Precisamos de uma intervenção em relação às drogas que estão sendo usadas dentro do espaço do Residencial e vamos tentar articular com projetos que trabalhem a prevenção. é um direito seu. se não. reuniões para eles e conversem de uma forma coletiva e com objetivos incomuns! Veja os 5 representantes do Residencial Maria Cristina: Sindico Subsíndico Presidente do Conselho Vice. como também. como também. estamos pensando na ideia de tentarmos na CORSAN que a água seja individual. proponha assembleias. ou precisa trabalhar ou quer descansar! Colabore!!! Lixo Cuidar para NÃO jogar lixo do andar de cima. às vezes. os moradores que foram na reunião acham melhor e vocês também.