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RESPONSABILIDADE CIVIL DECORRENTE DE CRIME: PONTUANDO O TRAJETO DA SENTENÇA PENAL NO JUÍZO CÍVEL ALINE SANTANA MOREIRA MOURA1 1 INTRODUÇÃO

Na conjuntura atual, observa-se que o direito evoluiu consideravelmente em relação à reparação dos danos decorrentes de ilícitos civis e penais. Desse modo compreende-se que o Estado chamou pra si o jus puniendi em relação aos ilícitos penais, impedindo que os cidadãos se utilizassem da vingança privada. Nessa perspectiva, considera-se que a maior parte dos ilícitos penais desencadeia também um prejuízo no âmbito civil, seja moral ou material. Assim, este artigo trata da importância da ação civil ex delicto pra o direito brasileiro. Abordando detalhes e particularidades acerca da legitimidade ativa e passiva, dos efeitos civis da sentença, o conteúdo das diferentes sentenças penais. A primeira seção aborda a situação atual da responsabilidade civil no Brasil. A segunda confronta a responsabilidade jurídica e a responsabilidade moral. A terceira relaciona a responsabilidade civil e a responsabilidade criminal distinguindo-as e estabelecendo as suas relações. E a última discute a ação civil ex delicto, seus objetivos, a legitimidade a competência e sua relevância para o ordenamento jurídico pátrio.

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A

RESPONSABILIDADE

CIVIL

NA

ATUALIDADE:

UMA

SISTEMATIZAÇÃO JURÍDICA, MORAL E CRIMINAL

A

palavra

responsabilidade

se

origina

do

verbo

latino

respondere,

correspondendo ao dever que alguém tem de assumir as consequências jurídicas decorrentes de seus atos. Essas consequências poderão variar (reparação dos danos e/ou punição pessoal do agente que causou o dano) conforme os interesses dos lesados. A responsabilidade, em vista disso, é um dever jurídico derivado da ocorrência de um fato jurídico.

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Advogada especialista em ciências criminais pelo Centro de Ensino Unificado de Teresina (CEUT). Professora da Faculdade de Tecnologia do Piauí (FATEPI). Aluna do curso de Especialização com acesso ao Mestrado em direito pela Universidade Autônoma de Lisboa - UAL

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Em consonância com o tema aqui abordado, o Dicionário Jurídico da Academia Brasileira de Letras Jurídicas apresenta o seguinte verbete:

RESPONSABILIDADE. S.f (Lat., de respondere na acep. de assegurar, afiançar) Dir. Obr. Obrigação, por parte de alguém de responder por alguma coisa resultante de negócio jurídico ou de ato ilícito. OBS. A diferença entre responsabilidade civil e criminal está em que essa impõe o cumprimento da pena estabelecida em lei, enquanto aquela acarreta a indenização do dano causado (ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS JURÍDICAS, 1995, p. 679).

A ninguém é licito causar lesão ao direito de outrem - neminem ladere de Ulpiano, cujo expoente jurídico indica três preceitos como princípios fundamentais do direito: viver honestamente (honest vivere), não lesar outrem (neminen laedere) e dar a cada um o que é seu (suum cuique tribuere). Este é um princípio geral do direito que serve de inspiração na elaboração de normas de comportamento. O direito positivo dedica-se a criar regras de convivência social, infligindo penas àqueles que as deixem de cumprir. A responsabilidade civil sempre foi tida como a obrigação de reparar o dano causado a terceiro. Com a constitucionalização do âmbito civil advindo da Constituição Federal de 1988, houve uma socialização dos danos. Antes, a reparação civil era analisada somente na óptica da culpa e da reparação dos danos. Atualmente, em virtude de princípios constitucionais – como o da solidariedade –, a responsabilidade civil consiste num arcabouço de medidas jurídicas com o objetivo de evitar a ocorrência do dano, e caso este já tenha ocorrido, nasce o dever de repará-lo. A fonte geradora da responsabilidade civil é a necessidade de restauração da harmonia quebrada pelo dano patrimonial ou dano moral ao lesado, movida pela ação ilícita do autor da lesão ou provocada pelo risco. Em outras palavras, a responsabilidade civil deriva da transgressão de uma norma jurídica pré-existente, por força de um contrato ou decorrente de lei, conferindo ao infrator a conseqüente obrigação de indenizar. Dados históricos atribuem ao direito romano o incremento do tema: leis das doze tábuas, Lex aquilliae. A idéia de reparação não está ligada apenas ao ato ilícito, isto porque existem atos lícitos que também poderão acarretar o ressarcimento, ou seja, nem toda

visto que esta prescreve deveres que não dão origem a direitos subjetivos e escapa às sanções organizadas. aqui não nos deparamos com a coercitividade característica da responsabilidade decorrente da violação de uma norma jurídica. Porém. Tema bastante recorrente e problemático da atualidade jurídica. oriunda de transgressão à norma moral. aplicando-se a todos os demais campos do direito.: perda da carta de habilitação . p. 2008. obrigação esta que. o agente que cometeu o ilícito tem a obrigação de reparar o dano patrimonial ou moral causado. enquanto. ao afirmar que: Na responsabilidade civil. restritiva de direitos (ex. se não for mais possível. O ato praticado em estado de necessidade é um ato rigorosamente lícito. pela responsabilidade penal ou criminal. a responsabilidade civil é um fenômeno jurídico que desponta a todo instante. repousa na seara da consciência individual. 929 e 930 do Código Civil de 2002. apesar da licitude da conduta.3 responsabilidade civil nasce de ato ilícito. 23). A moral ocupa-se expressivamente com o foro íntimo enquanto que o direito se ocupa das ações exteriores ao homem. a exemplo do direito penal. como gênero. pois só se cogita da responsabilidade jurídica quando há prejuízo. Nas palavras de Maria Helena Diniz: A responsabilidade moral. A responsabilidade moral é limitada à consciência ou ao pecado. deve o agente sofrer a aplicação de uma cominação legal.: prisão). administrativo e tributário. A maior diferença entre a responsabilidade jurídica e a responsabilidade moral reside na falta de coercitividade da norma moral. I. se o bem jurídico sacrificado pertencia a um terceiro. não se restringe ao direito civil. Podemos citar como exemplo os artigos 188. de modo que o ofensor se sentirá moralmente responsável perante Deus ou perante sua própria consciência. devido convivência conflituosa do homem. A ideia de responsabilidade. A responsabilidade no âmbito moral tem o campo de ação muito mais amplo do que o do direito. haverá o dever de reparar o dano. que pode ser privativa de liberdade (ex. como observa-se no argumento de Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona Filho. buscando restaurar o status quo ante. conforme seja ou não um homem de fé (DINIZ. é convertida no pagamento de uma indenização (na possibilidade de avaliação pecuniária do dano) ou de uma compensação (na hipótese de não se puder estimar patrimonialmente este dano).

2001. Já o ilícito penal é praticado por aquele que por ação ou omissão transgride direito tipificado em lei. viola direito e causa dano a outrem. nulla poene sine lege. 2002. á mesma ordem jurídica repugna que o agente reste incólume em face do prejuízo individual. culpável. p.: multa) (GAGLIANO. de um fato típico. A diferença entre a ilicitude civil e penal reside basicamente entre a gravidade do mecanismo sancionatório.462). como estrutura de princípios de favorecimento á vítima e de instrumentos montados para ressarcir o mal sofrido (PEREIRA. Este fato deve necessariamente estar previsto na lei penal. negligência. A responsabilidade penal sobrevém em face de uma transgressão de um tipo penal caracterizando um crime ou uma contravenção penal. de maneira que a vítima poderá pleitear a reparação do prejuízo sofrido. tem como base o interesse de restabelecer o equilíbrio jurídico atingido pela lesão. Na responsabilidade penal teremos uma submissão pessoal do autor à pena que lhe será imposta pelo órgão competente. Vendo no agente um fator de desequilíbrio. p. O lesado não se contenta com a punição social do ofensor. mesmo que esse dano seja exclusivamente moral. a ordem jurídica não se compadece com o fato de que uma pessoa possa causar mal a outra pessoa. não se pode aludir responsabilidade penal. estende uma rede de punições com que procura atender às exigências do ordenamento jurídico. partindo do sentido de cada uma das implicações da violação do bem tutelado. e a tipicidade . como observa Caio Mario da Silva Pereira: Como sentimento social. vez que a resposta penal é mais gravosa. não havendo bis in idem. PAMPLONA FILHO.4 de motorista) ou mesmo pecuniária (ex. A responsabilidade civil por assim dizer.11). Como sentimento humano. Nasce daí a ideia de reparação. Esta satisfação social gera a responsabilidade criminal. isto é. além de social. Pode-se observar que um mesmo fato poderá vir a mais de uma forma de responsabilização. ou seja. antijurídico. O ato ilícito civil é empreendido por aquele que por ação ou omissão voluntária. de um fato punível. imprudência ou imperícia. Sem a prática de um delito. por isso as normas penais são consideradas de direito público. O direito penal tutela os bens jurídicos mais importantes e tipifica os ilícitos considerados mais lesivos à sociedade.

3 AÇÃO CIVIL EX DELICTO: DO RESSARCIMENTO DO DANO PATRIMONIAL À REPARAÇÃO DO DANO MORAL Não se pode confundir ação penal com ação civil ex delicto. pois ambos constituem uma violação da ordem jurídica. e a penal . o mesmo fundamento. do mesmo modo que um só. seu representante legal. a única sanção adequada é a imposição da pena. O código civil tão somente impõe norma geral. objetivando a satisfação do dano. por ser a resposta penal mais severa. quer por sua gravidade ou intensidade.17).5 exigida pelo direito penal. restituição in specie. ensina Tourinho Filho: Em regra quando alguém transgride a norma penal. nas duas espécies de responsabilidade analisadas. como a reparação do dano moral. com antijuridicidade. ou seus herdeiros. comete ato ilícito civil. 186. execução forçada etc. Todo aquele que pratica um ato conforme o art. acarretando. surgem duas pretensões: a civil. no ilícito civil. pode constituir crime e ato ilícito passível de indenização. Nesse sentido. é o dever jurídico. Existe. para obter a reparação do dano provocado pela infração penal. por ser menor a extensão da perturbação social. são suficientes as sanções civis (indenização. É importante salientar que tanto a responsabilidade civil quanto a criminal decorrem. 1995. O objetivo da ação penal é realizar o direito penal objetivo – que visa à aplicação de uma pena ou de uma medida de segurança ao ator de um delito. de grau ou de quantidade(VALLER.). na sua essência. culpabilidade e lesividade. Mas. Abrange tanto o ressarcimento do dano patrimonial. de um ato ilícito (ressalvadas as hipóteses de indenização por ato lícito). em conseqüência um estado de desequilíbrio social. o mesmo ato ou a mesma conduta. Nesse sentido. enquanto o ilícito penal acarreta uma violação da ordem jurídica. Wladimir Valler. em regra. apud Nelson Hungria: A ilicitude jurídica é uma só. tão somente. qual seja a infração de um dever preexistente e a imputação do resultado à figura do agente. de maneira que para o mesmo ato pode ocorrer persecução criminal e a ação de ressarcimento. a diferença entre o ilícito civil e o ilícito penal é. assim. P. Em seus aspectos fundamentais há uma perfeita coincidência entre o ilícito civil e o ilícito penal. Já a ação civil ex delicto é proposta no juízo cível pelo ofendido. Como já demonstrado. anulação do ato.

como fato injusto que produz dano (TOURINHO FILHO. no seu art. p. Em havendo óbito ou ausência. ilícito civil. pois a existência da defensoria pública dispensa a atuação do parquet. atua como substituto processual. 32. IV do Código Penal. e a requerimento desta. 5°. 2010. 927 preceitua a obrigação de reparação dos danos por parte do gerador do ilícito.099/95. o artigo contempla de forma mais extensa no caso de sucessão. porque o crime não é somente não é somente a violação de um bem ou interesse penalmente protegido. b. nem sempre é assim. 65. ainda que exclusivamente moral. dispondo a Constituição Federal em seu art. § 1° do Código de Processo Penal. 68 do Código de Processo Penal. a legitimidade caberá aos herdeiros. 134 que . o Código Civil no art. ascendente. o legislador implementou mecanismos capazes de cuidar dos interesses privados atingidos pelo crime. A conduta criminosa poderá trazer sérias repercussões no patrimônio do ofendido. ainda. 3. assim sendo. pois a lei contempla todos os eventuais herdeiros. descendente e irmãos. há quase sempre um ilícito civil. parágrafo único. mas também. é assegurada a indenização pelo dano material e moral. 258). 89. 186 afirma que aquele que causar dano a outrem. nomear um advogado dativo. art. art. III. IV do Código De Processo Penal. 63. considera-se pobre na forma da lei a pessoa que não puder prover as despesas do processo sem privar-se dos recursos indispensáveis ao próprio sustento ou da família. enquanto que no art. § 1°. a legitimidade ativa para ação civil ex delicto é da vítima ou do seu representante legal. de acordo com o art. 63 do Código de Processo Penal.6 que enseja a ação penal.1 Legitimidade ativa e passiva Em conformidade com o art. Havendo um ilícito penal. V. Para efeitos processuais penais. I. 68 e 387. pratica ato ilícito. § 2°. 83. a ação de conhecimento ou a execução será promovida pelo Ministério Público que. Como se observa na redação dos artigos 91. o preceito que legitima o Ministério Público para a proposição da ação civil encontra-se em desuso. 78. pois não se limitam ao cônjuge. Para a maioria da doutrina. Desta maneira. 297 do Código de Transito Brasileiro. No mesmo sentido. caso aquela seja menor de 18 anos ou doente mental. I da Lei 9. O juiz pode. art. Partindo da Constituição Federal. arts. Em se tratando de vítima pobre.

Ainda com relação ao responsável civil é bastante tormentosa a questão do que poderá ser argüido em sua defesa.7 compete à Defensoria Pública a orientação jurídica e a defesa. A questão relativa à existência e autoria do fato estará fora de seu alcance desde que passada em julgado a sentença condenatória (OLIVEIRA. é baseado no princípio de que res inter alios judicata aliis neque prodesse neque nocet potest. ou os seus herdeiros. em todos os graus. o STF admite a inconstitucionalidade progressiva do dispositivo em análise. a existência do fato e a autoria. 1. não sendo admitida a execução da sentença penal condenatória. p. Dessa forma. pois – segundo entendimento . será unicamente aquela atinente á existência. dos necessitados. 935 do código civil). 188). quando seria possível ao responsável civil aduzir sobre toda a matéria em seu favor.587 do Código Civil. Ressalva-se apenas a chance da ação civil ser postulada antes do trânsito em julgado da sentença na esfera penal. 2004. pois esta faz lei entre as partes. por ato ilícito praticado por seus empregados. Poderia ele rediscutir a autoria e materialidade do crime que já estão resolvidos na esfera penal? Acerca do tema surgem dois caminhos: De acordo com Pacelli. entre ele e o agente do crime. 933 co código civil. Em conformidade. onde se estabelece a responsabilidade objetiva – independentemente na culpa – do empregador e do comitente. No caso do responsável civil. a ação civil ex delicto deverá ser proposta contra o autor do crime. não seria possível o responsável civil rediscutir questões já decididas no processo penal: Por força do disposto expressamente no art. a matéria de defesa reservada ao terceiro. ou seja. O segundo entendimento. na hipótese de já haver decisão condenatória em face do agente do delito (reconhecendo. nos termos do art. portanto. quem não foi parte no processo não poderá ser prejudicado e nem beneficiado pela coisa julgada. Esse também é o entendimento do doutrinador Nestor Távora (TÁVORA. situação condicionada à implementação das defensorias em todo o país. ou não. E no caso dos herdeiros terá que ser respeitada a força da herança nos termos do art. 215). o responsável civil. No pólo passivo. responsável civil. admite-se que o responsável civil chame todos os argumentos que lhe forem convenientes no bojo da ação indenizatória. que é o que vem prevalecendo. p. serviçais e prepostos. 2011. de relação jurídica (contratual ou legal). este só poderá ser sujeito passivo da ação de conhecimento.

Esse é o entendimento de Tourinho Filho (TOURINHO FILHO. 2005. com base no parágrafo único do art. Nesse sentido é majoritária a corrente que. sem vínculos com a definição da competência penal. uma penal outra civil. Ao juízo civil caberá decidir a respeito do litígio . Dessa lógica. 100 do Código de Processo Civil. Fredie Didier Jr. Ao final as duas ações serão julgadas em apenas uma sentença. precedida da competente liquidação.3 Sistemas de reparação do dano advindo de infração penal Em cada ordenamento jurídico. p. No pedido encontra-se ao mesmo tempo a condenação e a reparação dos danos. 2003. havendo concorrência de foros. contra responsáveis diversos. c) Sistema da livre escolha – a parte opta se pretende deduzir a pretensão de indenização diretamente no processo penal ou na esfera civil. os sistemas descritos a seguir. 2006. o foro competente para o ajuizamento da ação civil ex delicto será o do juízo cível correspondente. os pedidos são necessariamente cumulados.149) – não seria razoável que o mesmo fosse prejudicado por decisão emanada de processo penal em que não foi parte. p. 3. é possível observar um determinado sistema de reparação oriundo de infração penal.(DIDIER JUNIOR. 2004. devendo as ações serem propostas de forma separada. ou na executória. desenvolvidas em ação única (ação de natureza dúplice) no juízo criminal. 155). 126) e Capez (CAPEZ. d) Sistema da separação ou independência – neste sistema há uma divisão entre juízo civil e penal. podendo ser movidas por pessoas distintas. p. afirma que cabe à vítima optar entre ajuizar a ação civil em seu domicílio ou no local do fato. basilares do direito comparado são: a) Sistema da confusão – neste sistema. perante o respectivo juízo competente.8 compartilhado por Mirabete (MIRABETE. Porém nada impede que a ação seja proposta na no domicílio do réu. Temos duas pretensões.2 Competência na ação reparatória Seja na ação de conhecimento. 3. p.205-206). b) Sistema da solidariedade ou da união – neste sistema existem duas ações. De acordo a escolha do demandante as ações podem tramitar em apartado ou em conjunto na justiça criminal. civil e penal.

Pontua-se que o Código de Processo Penal prevê nos artigos 118 a 120 a chance de restituição ao ofendido de coisas apreendidas em juízo criminal. porém. possível a satisfação do dano na esfera penal. quando as questões se acharem decididas no juízo criminal”. por exemplo. executá-la no juízo cível. Nesta ceara. 387 do Código de Processo Penal foi atribuído ao juízo criminal fixar na sentença penal condenatória. não se podendo questionar mais sobre a existência do fato.9 civil. que deu nova redação ao inciso IV do art. De acordo com a lei 11. Nesse sistema não há qualquer vinculação entre os juízos. na realização da composição civil dos danos. inclusive na fase do inquérito policial. nos termos do art. será ela exeqüível na esfera civil. e sim o quantum debeatur. Ressalta-se nesse entendimento que no ordenamento o brasileiro. há certa mitigação – de forma que cada ação deveria tramitar na justiça competente. além da pena. 33 da lei 11. A parte ofendida.719/08. Ao juízo criminal. se desejar. Ademais. preconiza o art. poderá intentar ação para a satisfação do dano somente na esfera civil. 125 usque 144 do Código de Processo Penal. caberá decidir o aspecto penal. onde não mais se questionaria o an debatur. sem . em havendo uma sentença penal condenatória com trânsito em julgado. o art. 935 do código civil: “A responsabilidade civil é independente da criminal. o sistema adotado é o da separação ou independência.340/06 (lei Maria da Penha) prevê que “enquanto não estruturados os juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher” haverá o acúmulo de competência civil e penal nas varas criminais. ou sobre quem seja o autor. Como exemplo da aplicação do sistema da separação ou independência de forma mitigada observa-se matéria civil que se desenvolve excepcionalmente perante o juízo criminal como. devendo então o ofendido ou seu representante. Assim. Nesse contexto é. Outro exemplo é o que ocorre nos Juizados Especiais Criminais. contudo. acolhendo ou não a pretensão punitiva. arresto e a hipoteca legal que pode se valer o juiz penal. Existe ainda a multa reparatória em favor da vítima no código de transito brasileiro. sendo impossível ingressar em sede criminal para postulá-la. é permitido ao juiz criminal a adoção de várias medidas cautelares no âmbito da satisfação do dano – a exemplo das providencias do seqüestro. valor mínimo de indenização pelo dano causado à vítima do crime.

110 parágrafo único do Código de Processo Civil preceitua que. IV. se a ação penal não for intentada no prazo de trinta dias contados da intimação do sobrestamento da demanda civil. Desta maneira. o art. 64 do Código de Processo Penal c/c art. se for o caso. Parágrafo único. A propósito. o feito irá prosseguir. No sentido da obrigatoriedade da suspensão da ação civil. 64. com o objetivo de evitar decisões contraditórias. a e § 5° do Código de Processo Civil. contra o autor do crime e. o art. 3. o juiz da ação civil poderá suspender o curso desta. mas não de forma absoluta. mesmo que ainda esteja em curso ação penal contra o autor. 158) que a suspensão seria impositiva. Neste caso. Intentada a ação penal. 63 do Código de Processo Penal.4 Suspensão da demanda civil e a influência da jurisdição penal sobre a civil É assegurado à vítima ou os seus legitimados o direito pleitear no juízo cível o ressarcimento decorrente de crime em ação de conhecimento instaurada contra o agente ou responsável civil. conforme estabelecido no parágrafo único do art. surge então o questionamento se suspensão da ação civil em face da prejudicial penal é obrigatória ou facultativa. o Brasil adota o sistema da independência. evitando-se as consequências desastrosas de se abrir o flanco e oportunizar a existência de decisões contraditórias. Observando que em nenhuma hipótese essa suspensão poderá exceder o prazo de um ano. . uma vez que a separação das jurisdições não se opera de forma completa. até o julgamento definitivo daquela. É possível também. p. contra o responsável civil. entende o doutrinador Tourinho Filho (TOURINHO FILHO. Sem prejuízo do disposto no artigo anterior. é admitido que o juiz cível determine a suspensão do curso da ação indenizatória e aguarde o trânsito em julgado da sentença criminal. a ação para ressarcimento do dano poderá ser proposta no juízo cível. 1999. 265.10 prejuízo da liquidação para que se averigúe o dano efetivamente suportado conforme norma insculpida no art. Porém. 64 do código de processo penal dispõe que: Art. a situação em que ainda que a ação penal não tivesse sido intentada a ação civil poderia ser suspensa.

incluirá pensão correspondente à importância do trabalho para que se inabilitou. está-se julgando inexistente o fato. . Com base nessa situação. Dessa forma. ou da depreciação que ele sofreu. Ou seja. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão. o ofensor indenizará o ofendido das despesas do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da convalescença.5 Quantum indenizatório: múltiplas variações em conformidade com o dano O valor da indenização a ser paga irá depender do ato ilícito praticado. francês. quando o juiz penal em sentença reconhece a materialidade do fato e a existência da autoria (diz quem cometeu o delito). Art. estando em andamento a ação penal. na esfera de conveniência em conformidade com a formação do seu convencimento. em caso de lesão corporal serão observados os artigos 949 e 950 do Código Civil: Art. o bom senso sinaliza pela suspensão obrigatória da demanda na esfera cível evitando decisões irreconciliáveis de consequências calamitosas. deve o juiz sobrestar a ação civil para evitar decisões contrapostas. Em sentido oposto. Entretanto. pois. direcionam para o entendimento de que a suspensão da demanda civil é uma faculdade da autoridade judicial. a indenização. por exemplo. ou se lhe diminua a capacidade de trabalho. torna-se certa a obrigação de indenizar o dano resultante do ilícito. entre outros. É o que se pode observar no ordenamento italiano. 2009) e precedentes do STJ.11 Com o mesmo entendimento Nucci (NUCCI. Por exemplo. quando na esfera penal. Pacelli (OLIVEIRA 2009) entende que o termo “poderá” é hipótese de discricionariedade. 949. se o ofendido preferir ingressar com a demanda civil. 2008) leciona que para evitar tais consequências seria indesejável que o juiz cível condenasse alguém a indenizar outrem pela prática de um delito. “somente a partir do exame do estágio de desenvolvimento procedimental de um e outro processo (a ação civil e penal) é que se poderá avaliar a conveniência de se suspender o processo no cível”. português. além de algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido. 3. transitada em julgado tal decisão. Pacelli (OLIVEIRA. além das despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da convalescença. 950. a fixação do quantum indenizatório deve ter como parâmetro a mesma proporção do dano causado.

p. Já o dano moral alcança os bens personalíssimos. assegura o art. sem excluir outras reparações. levando-se em conta a duração provável de vida da vítima. Nos crimes contra a dignidade sexual é observada a regra geral de arbitramento. e segundo suas necessidades. deve abarcar todo o dano sofrido efetivamente e também os lucros cessantes. a satisfação do dano dar-se-á por arbitramento. 948. Nesses termos. Neste sentido. 954 do Código Civil. com o seu funeral e com o luto da família. conforme asseguram Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona: . na apuração do prejuízo sofrido. deverá o ofensor arcar com o estrago causado à vítima em toda a sua extensão.98). o que dará respaldo para o juiz fixar o valor mínimo da indenização. ainda que haja que dar somente segundo a obra do autor. não terá influência na apuração do montante do prejuízo.6 Dano moral: discurso sobre a esfera personalíssima Uma infração penal pode resultar em dano material e/ou dano moral. ainda que a culpa seja levíssima. A doutrina costuma classificar o dano em patrimonial e moral. dessa maneira. ao computar-se seu patrimônio. Na hipótese do crime de cárcere privado aplica-se o parágrafo único do art. O dano patrimonial reflete lesão aos bens e direitos economicamente apreciáveis. Carvalho Filho assevera que: A indenização é. que a indenização consiste no pagamento das despesas com o tratamento médicohospitalar da vítima. não havendo culpa. Sem embargo tampouco aqui é justo dar a todos o mesmo. 952 do Código Civil. na prestação de alimentos às pessoas a quem a vítima os devia. ou havendo ligeiro descuido como é a culpa. Nos crimes contra o patrimônio observa-se o parágrafo único do art. plena quando se devem suportar todas as consequências em relação causal juridicamente relevante. conter a análise do dolo na prática do delito que gerou a lesão. vem a ser a lesão de interesses não patrimoniais. a liquidação deve. O grau de culpa do agente. A indenização que objetiva. 3. assim. Caso não seja nenhuma dessas situações. restaurar a vida do ofendido ao status quo ante da infração delitiva. 2003. A natureza da obra do autor exclui a possibilidade de atenuar a responsabilidade quando há dolo. na medida do possível. compete que os juízes atenuem equitativamente as indenizações no caso (CARVALHO FILHO.12 Tratando-se de homicídio.

p. Se veiculada por meio de rádio. Em outras palavras. 265). honra e imagem. 186 do Código Civil. Se estivesse como poderia haver proporcionalidade sem previsão de parâmetros: um mínimo e um máximo. em análise do art. 5°. V da Constituição Federal: Para nós com a devida vênia. De acordo com o entendimento do Tourinho Filho. assim como se dá com as penas cominadas às infrações penais? (TOURINHO FILHO. esta será publicada tal como a ofensa. 2010. como por exemplo. V da Constituição Federal. admitida expressamente no art. 3. dando margem a especulações desonestas. pois da forma em que se encontra hoje. com 25 minutos de duração a resposta poderá ser dada em igual tempo. só haveria de se falar de danos morais nos crimes contra a honra. assim como previsto no art. seria necessário que houvesse. Se a ofensa foi publicada em negrito no editorial. não nos parece que a lei maior esteja se referindo à indenização. 2008. é tranquilo o entendimento doutrinário e jurisprudencial acerca da possibilidade da fixação da indenização por danos morais feita pelo juiz. se publicada na primeira pagina ocupando uma coluna inteira. podemos afirmar que o dano moral é aquele que lesiona a esfera personalíssima da pessoa (seus direitos da personalidade). p. Para o respeitado doutrinador acima citado. No caso dos demais crimes. cabe ao magistrado fixá-los. por exemplo. Esta deve ser proporcional ao agravo. Contudo como já foi citado. PAMPLONA FILHO. A doutrina majoritária e a jurisprudência brasileira abrigam de forma pacífica a indenização por danos morais. os parâmetros para a fixação dos danos morais. de forma expressa na lei. no crime de homicídio. evidente que em face do direito de resposta. O ponto controvertido é a delimitação dos parâmetros para a quantificação. violando. que muitas vezes transformam a indenização por danos morais em uma fonte de enriquecimento sem justa causa. 5°. vida privada.13 O dano moral consiste na lesão de direitos cujo conteúdo não é pecuniário. nem comercialmente redutível a dinheiro. bens jurídicos tutelados constitucionalmente (GAGLIANO. Nisso consiste a proporcionalidade. sua intimidade. o texto constitucional ao usar a expressão “proporcional agravo” refere-se ao direito de resposta. 55).7 Execução da sentença penal condenatória .

entendendo que o valor arbitrado pelo magistrado é insuficiente. são causas impeditivas da ação civil. Se a absolvição se basear na falta de prova quanto à existência do crime (inc. a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido. II). o que por consequência inviabilizará uma ação indenizatória. esta terá validade de título executivo judicial. 2003. conforme os ensinamentos de Nucci (NUCCI. este será previamente liquidado conforme art. Neste caso a absolvição é obrigatória. ou porque o fato não constitui crime (inc. liquide a sentença penal condenatória. em tese. haja vista tal sentença se dar em condições excepcionais em que não há a necessidade de aplicação de pena ao agente. conforme aponta o inciso IV do art. 63. 2007. aquela é considerada meramente declaratória. No entanto. No caso de sentença que concede o perdão judicial. p. e a execute. 3. este será fixado no mínimo. 387 do CPP. porém o dano subsiste reconhecido judicialmente. não sendo mais possível a rediscussão da matéria no âmbito civil. p. categoricamente. . ou não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal (inc. 66 do Código de Processo Penal: “Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal. não há que se falar em responsabilidade penal. fixando a autoria e a materialidade e tornando certa a obrigação de reparar o dano. 157) seria possível a execução da sentença que concede o perdão judicial. reconhecida a inexistência material do fato”. Se a absolvição se der nos termos do inciso I (inexistência do fato) ou IV (o réu não foi o autor da infração).14 Com o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. não poderia ser executada. Dessa forma. a sentença penal absolutória que proclama a inexistência do fato ou as causas excludentes da ilicitude. parágrafo único CPP. com observância da Súmula n° 18 do STJ. VII) a ação indenizatória terá cabimento. Caso não seja fixado o valor. ou não houver prova suficiente para a condenação (inc. V). 386 do Código de Processo Penal traz o rol de situações de absolvição do réu as quais respectivamente repercutem no âmbito civil.8 Sentença penal absolutória: Quando da inexistência do fato Nos preceitos do art. porém nada obsta que o ofendido. 208) e Mirabete (MIRABETE. O art. Contudo o título poderá ou não estabelecer o quanto é devido. não teria os consequentes efeitos penais e. Na hipótese em que o juiz tenha condições de estabelecer o valor da indenização. III). Sendo assim.

sejam de natureza pública. A infração penal. . Parágrafo único. No caso do inciso II. o ato será legitimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário. motiva o direito à satisfação do dano. como ilícito civil. Na hipótese do inciso II. terá direito a indenização. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para que exista uma sociedade equilibrada. não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. se a pessoa que sofreu a lesão ou o dono da coisa deteriorada ou destruída não foi o causador do perigo. isso porque o crime além de ser uma violação de um bem protegido é também fato injusto que produz um dano. para obter o valor por ele pago. provoca a implementação de uma pena e. De forma geral. 65 do Código de Processo Penal: Art. sejam estas de natureza particular. No direito brasileiro encontramos dispositivos que permitem a restauração do bem jurídico tutelado que sofreu prejuízo decorrente de ato ilícito. a fim de remover perigo eminente. faz-se coisa julgada no âmbito cível. No entanto. existindo um ilícito penal. Alcança tanto o ressarcimento do dano patrimonial como a reparação do dano moral.15 Em o juiz tendo absolvendo o réu por ter reconhecido a existência de excludentes da ilicitude. Não constituem atos ilícitos: I. seu representante legal ou seus herdeiros. subsistirá a indenização civil. De forma excepcional mesmo a conduta estando respaldada por uma das excludentes. 188 do Código Civil brasileiro em consonância com o art.a deterioração ou destruição da coisa alheia. terá que indenizar. 930. com fulcro no art. há quase sempre um ilícito civil. ele poderá intentar ação regressiva contra o causador do perigo.os praticados em legitima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido. Assim sendo. 188. II. podendo ela ser proposta no juízo cível pelo ofendido. em regra. é necessário que o ordenamento jurídico disponha de normas a fim de disciplinar as relações. ou a lesão a pessoa. como demonstra o art. A ação civil ex delicto trata da obtenção de uma reparação do dano provocado pela infração penal. o agente que atuou em estado de necessidade e foi absolvido no âmbito criminal. desta forma.

. mas também a reparação no âmbito civil minimizando os prejuízos causados à vitima ou aos seus herdeiros. não apenas no campo criminal. pois possibilita a reparação do dano causado por ilícito penal.16 A ação civil ex delicto é um instrumento muito importante. promovendo a satisfação social e do Estado.

Código civil. Eugênio Pacelli. Min. – Resp 47246/RJ. 2004.. Ed Salvador: JusPODIVM. 12. 2011. Curso de direito processual civil: teoria geral do processo e processo de conhecimento. Processo penal 15. 2003. São Paulo: Atlas. Disponível em: <http://www. atual.. Processo Penal.1ª T.Rel. 12.3ª T. Ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária. ed.RE 147. 6. v. Fernando. PAMPLONA FILHO. de 1 de janeiro de 1916. 3.17 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS JURÍDICAS.. São Paulo: Saraiva. Novo curso de direito civil – Responsabilidade Civil.DJ 19/05/1998 STJ. GAGLIANO. Dicionário Jurídico.071. MIRABETE. Caio Mario da Silva. Eugênio Pacelli. Curso de processo penal.br/ccivil_03/Leis/L6938. Lei n. rev.. 2004. Maria Helena. Rodolfo. OLIVEIRA. Indenização por equidade no novo código civil. 1995. 2. 2009. STF. Brasília. Curso de processo penal.. BRASIL. NUCCI. Pablo Stolze. e ampl. Curso de processo penal. 2008. PAMPLONA FILHO. Ed. Manual de processo penal e execução penal. 2006. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil. Responsabilidade Civil. São Paulo: Saraiva. São Paulo: RT. Ed.São Paulo: Saraiva. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Rio de Janeiro : Lumen Juris. CARVALHO FILHO. Manual de processo penal e execução penal. CAPEZ. ed.. Ed Belo Horizonte: Del Rey. Rodolfo.7. Ed. São Paulo: Saraiva. III. Ed. Novo curso de direito civil – parte geral. São Paulo: Atlas. 3. OLIVEIRA. 2001. DINIZ. Julio Fabbrini. 22ª ed. PEREIRA. ed. atual. GAGLIANO. 2002. ed. 5. vol. Pablo Stolze. MIRABETE.gov.htm> Acesso em: 27 set. I. 6ª ed. 2008. I. 2007.planalto. 3. 3. 2005. 6 ª tir. Guilherme de Souza. DIDIER JÚNIOR. V. 2008. 14. 1916. Milton Paulo de. DF 1 jan. Costa Leite – DJ 30/08/1994 . Sepúlveda Pertence.Rel. v.776-SP. São Paulo: Atlas. Julio Fabrini. Min. 2003. Fredie. 9. NUCCI. Guilherme de Souza.

Rosmar Rodrigues. Manual de processo penal. TOURINHO FILHO.. São Paulo : Saraiva. 1999. São Paulo: Saraiva. Manual de processo penal. 5 ed. 2010. 3. Ed. Curso de direito processual penal. 5. São Paulo: Saraiva. TOURINHO FILHO. A reparação do dano moral no direito brasileiro. TOURINHO FILHO. Fernando da Costa. V. 13. 5ª edição. .1. Wladimir. Ed. VALLER. Editora. ed. Nestor. Ed. Campinas. Código de processo penal comentado. 1995. JusPodivm 2011. Fernando da Costa. V. 2003. ALENCAR. Fernando da Costa.SP: E.18 TÁVORA.

também poderá se concretizar em ilícito civil. mas de um ilícito penal. ou seus herdeiros. Ilícito penal. trazendo para a vítima pretensões de natureza indenizatória. A actio civilis ex delicto trata-se de uma ação civil proposta pelo ofendido. que tem por objetivo precípuo a satisfação do dano decorrente de uma infração criminal.19 RESUMO Um único fato poderá repercutir em várias searas do Direito. Uma conduta tipificada na esfera penal. de modo que o lesionado tem o direito de pleitear a reparação do dano sofrido. Pode acontecer que o prejuízo sofrido por determinada pessoa seja provindo não de um ilícito civil. alterada por uma lesão. por seu representante legal. Reparação. A responsabilidade civil tem como objetivo reequilibrar a relação entre os indivíduos. Palavras-chave: Responsabilidade civil. .

whose main purpose is the satisfaction of a damage following a criminal infringement. or by his heirs. but from a criminal illicit. Actio civilis ex delicto.20 ABSTRACT A single fact can echo in various fields of Right. Key-words: Civil responsibility. bringing reparatory pretension to the victim. Actio civilis ex delicto is a civil procedure proposed by the offended. altered by a damage. The object of civil responsibility is to balance the relationship among individuals. A conduct typified in the criminal sphere can also materialize as a civil illicit. by his legal representative. It may happen that the loss suffered by someone may not come from a civil illicit. Reparation. . Criminal illicit. so that the damaged has the right to demand reparation of the damage done.