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MÓDULO 3.

1: O CAMPO MAGNÉTICO DO SOL
Apesar do Sol e a Terra estarem distantes cerca de 150 milhões de quilômetros, ou seja, 1 UA (Unidade Astronômica), ambos estão intensamente conectados por meio do campo magnético. O dinâmico campo magnético do Sol é responsável por uma gama de fenômenos deslumbrantes, como ejeções do plasma da superfície solar, que é eventualmente direcionado à Terra. A ocorrência de eventos como esses podem gerar importantes efeitos a longo prazo no nosso planeta Terra, como mudanças climáticas, assim como eventos mais repentinos, como problemas em satélites e em redes de alta tensão. Pesquisas sobre o sistema Sol-Terra são importantes tanto para efeitos práticos na sociedade, quanto para satisfazer o anseio científico que muitos de nós temos sobre a nossa estrela. Você sabe como é a estrutura do Sol? Assim como a Terra, o Sol é dividido em camadas e de modo análogo também produz um campo magnético por um processo de dínamo natural. O raio do Sol é de aproximadamente 700.000 quilômetros, cerca de 110 vezes o raio da Terra. O Sol é dividido, internamente, em três regiões principais: o núcleo, a zona radiativa e a zona convectiva (Figura 1). No núcleo do Sol ocorre o processo de FUSÃO NUCLEAR do hidrogênio em hélio, numa condição de altíssimas temperaturas, densidade e pressão. Estima-se que a temperatura do núcleo é de cerca de 15.000.000oC. Envolvendo o núcleo existe a zona radiativa, na qual o transporte da energia gerada no núcleo ocorre por RADIAÇÃO. Da base para o topo da zona radiativa, a temperatura vai de aproximadamente 7.000.000oC até 2.000.000oC, e a densidade varia entre 20g/cm3 (similar à densidade do ouro) e 0.2 g/cm3 (inferior à densidade da água). Entre a zona radiativa e a zona convectiva existe uma região chamada de tacóclina, na qual ocorrem mudanças abruptas no padrão de velocidade do plasma. É nesta interface que parte do processo do dínamo solar opera e, consequentemente, o campo magnético do Sol é gerado. Já a zona convectiva é a região onde o transporte de energia ocorre por CONVECÇÃO, fazendo com que o material mais quente na base da zona convectiva, menos denso, seja levado até a superfície do Sol.

Figura 1. Estrutura do Sol, mostrando as principais camadas: núcleo e zonas radiativa e convectiva.

O conjunto de partículas carregadas que escapam da atmosfera externa do Sol (coroa solar) é chamado de vento solar e desloca-se, próximo da Terra, com uma velocidade média de 400 km/s. Entretanto, essa velocidade varia de forma significativa: de 300 km/s até 800 km/s nos buracos coronais, que são áreas mais escuras e frias na coroa solar, geralmente ligadas às manchas solares.

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como mostrado na Figura 3. para documentar a passagem dessas manchas escuras na superfície solar. Ao perder calor. Figura 3. Neste processo ocorre uma grande liberação de energia. o campo magnético solar é classificado segundo fenômenos de grande ou pequena escala. RADIAÇÃO: termo genérico para propagação de partículas e ondas eletromagnéticas. Neste caso. um volume de material mais quente nas camadas inferiores fica mais leve e move-se para em direção à superfície. A energia gerada no núcleo do Sol é transportada por fótons. esta mancha solar era maior do que a Terra (que está em escala na figura) Depois desta descoberta. ejeções de massas coronais.FUSÃO NUCLEAR: reação nuclear onde dois ou mais núcleos atômicos se juntam formando um único núcleo. Manchas solares. A energia liberada pelo Sol provém da fusão nuclear dos núcleos de hidrogênio em hélio e neste processo ocorre uma grande liberação de energia. que o astrônomo americano chamado George Hale descobriu que as manchas solares estavam intrinsecamente relacionadas a intensos campos magnéticos. O campo magnético de grande escala é definido como aquele observado em escalas comparáveis ao raio solar. As Manchas Solares e o ciclo solar As manchas solares (Figura 2) são observadas desde o início do século XVII. A mais obvia manifestação deste campo é a aparição de manchas solares na superfície do Sol. ou seja. o telescópio. ou sul). em “A” mostrando o Sol com grupos de manchas solares e em “B” um “zoom” em uma mancha solar e o tamanho relativo à Terra. O vento solar causa uma ampla gama de fenômenos magnéticos que variam em questão de minutos a centenas de anos. A fusão nuclear acontece desde a origem do Sol e dentro de aproximadamente 7 bilhões de anos irá cessar dando lugar ao processo de morte da estrela. que são absorvidos e reemitidos pelos íons do plasma solar. não é necessário um meio físico para se deslocar. Chegando à superfície solar. 2 . fica mais pesado e desce. os fótons são emitidos em todas as direções e essa radiação eventualmente vai em direção à Terra. continuando o processo convectivo. A B Figura 2. ou norte) e outra para dentro (negativa. foi somente em 1908. CONVECÇÃO: no Sol. Entretanto. Ilustração das linhas de campo magnético nas manchas solares. observou-se também que as manchas solares praticamente sempre apareciam em pares com polaridades magnéticas invertidas: uma com as linhas do campo magnético apontando para fora da superfície solar (positiva. A radiação eletromagnética pode se deslocar no vácuo. quando Galileo utilizou uma nova invenção. Em termos de grandezas espaciais. etc. O dinamismo do campo magnético do Sol é responsável pelo aparecimento das manchas solares.

da ordem de 4 graus. A Figura 4 também mostra esta inclinação. por exemplo. Note que para cada ciclo de 11 anos. ou seja. Amarelo. as manchas mudam de polaridade (positivo para negativo e vice-versa) a cada 11 anos aproximadamente. no alinhamento dos pares de manchas solares em relação ao equador. Hale descreveu como as manchas solares se comportavam em termos da sua polaridade magnética: um par de manchas solares aparece no hemisfério norte e outro par no hemisfério sul com polaridades opostas nos dois hemisférios. as cores representam a porção da área ocupada diariamente pelas manchas solares. 3 . Ilustração das Leis de Hale e Joy. em torno de ±8o. As polaridades são opostas (positivo/negativo) em cada “asa” e se alternam entre um ciclo e outro. Esse campo de grande escala das manchas solares segue uma distribuição espaço-temporal muito específica: no início do ciclo solar as manchas aparecem em latitudes de cerca de ±27o e no decorrer do ciclo o aparecimento das manchas migra para latitudes menores. Esse padrão é representado no chamado “diagrama da borboleta” (Figura 5A). onde “A” mostra a polaridade positiva (vermelho) e negativa (azul). com a mancha chamada de “líder”. sempre mais próxima ao equador. Figura 5. No diagrama da borboleta. lembrando a forma das asas de borboletas. Diagrama da borboleta em “A” e média diária da área ocupada pelas manchas solares em “B”. as manchas migram das maiores latitudes em direção ao equador. Este diagrama mostra a variação latitudinal do aparecimento das manchas solares no decorrer do tempo. Outra lei similar e importante sobre o campo magnético do Sol é a “Lei de Joy” que indica que há uma inclinação sistemática. 100% sendo a área total visível do Sol. dos processos que formam as manchas solares no decorrer do tempo. Estas características resumem a lei empírica conhecida como “Lei da Polaridade de Hale” (Figura 4). com as polaridades invertidas em relação ao ciclo anterior. “B” ilustra o ciclo seguinte. representa episódios em que quase 1% da área visível do Sol estava ocupada por manchas solares. O diagrama da borboleta é um diagnóstico do dínamo solar. Não obstante.Figura 4. a primeira em relação a direção de rotação do Sol. A Figura 5B mostra a porcentagem média da área ocupada por manchas solares em relação a área total visível da superfície solar.

como é mostrado na Figura 6. observa-se uma EMC por semana aproximadamente. Já próximo ao máximo do ciclo 4 . temporal na coroa solar pode ser analisada em detalhe. A freqüência na qual ocorrem as ejeções varia de acordo ciclo solar. Estas observações foram feitas em um coronógrafo. Há grupos de pesquisa no mundo fazendo previsões do ciclo solar 24 (veja mais no módulo 4). Figura 7. O círculo branco indica onde o Sol apareceria se não estivesse coberto. as EMCs observadas pelo coronógrafo estão mostradas juntamente com uma imagem do Sol visto com um filtro de luz ultra-violeta. ocorreu entre 2000 e 2002. mostrando a coroa solar no dia 30 de julho de 2004. a variação Figura 8: Miscelânea de imagens tiradas pelo satélite SOHO. Na imagem.Há ciclos solares com diferentes características. uma previsão da NASA para o atual ciclo. Por exemplo. sobrepondo um disco à telescópios com o intuito de observar apenas a atmosfera mais externa do Sol (veja exemplo na Figura 7). grandes bolhas de gás ionizado são ejetadas do Sol durante horas. Mas como os cientistas determinaram este exato dia? O dia do início do ciclo solar 24 foi determinado porque satisfez dois critérios principais: as manchas solares ocorreram em altas latitudes (30oN) e com a polaridade magnética reversa à do ciclo anterior (ciclo 23). As EMCs são explosões na coroa solar que expelem partículas juntamente com o vento solar (Figura 8). O atual ciclo 24 iniciou no dia 04 de janeiro de 2008. Durante o mínimo de atividade solar. Figura 6: Previsão do ciclo solar 24. Ejeção de massa coronal (EMC) do Sol As primeiras evidências sobre as ejeções de massa da coroa solar (em inglês: “Coronal Mass Ejection”. que é um instrumento que produz um eclipse artificial. Imagem de um coronógrafo. fenômenos agrupados na categoria de atividade solar. sendo estas. juntamente com as manchas solares.CME) vieram de observações entre 1971 e 1973. o pico do ciclo solar número 23. Nesses eventos. evidenciando as regiões de intensa atividade magnética (regiões claras). com picos (máximo de manchas solares) ocorrendo em diferentes tempos e com distintas durações. As linhas pontilhadas mostram a previsão e as linhas cheias correspondem aos números de manchas solares já observados. Por meio do coronógrafo.

J. A.nasa.3). 2012.shtml Homepage do satellite SOHO: http://sohowww.gov/CMEs. sejam eles estelares. Living Rev. E. no intuito de se conseguir fazer previsões confiáveis dos grandes eventos solares para poder minimizar suas consequências.nascom. Numa era em que a humanidade é cada vez mais depende de uma tecnologia. 3. Ossendrijver.shtml Homepage sobre assuntos científicos variados: http://www. Editores: Gubbins.gov/interior.nasa. M.. Living with a variable Sun.msfc. que por sua vez é cada vez mais sensível às tempestades eletromagnéticas. podendo vir a gerar “apagões” (ou “blackouts”) e interferência ocasionando imprecisões nos sistemas dependente de comunicação por satélites. o entendimento do ciclo solar se lança como um grande desafio a ser esclarecido pela comunidade científica no futuro próximo. yp P áginas Interessantes da Internet Homepage da NASA sobre a física do Sol: http://solarscience.gov/ 5 . The solar dynamo.windows2universe. as manchas solares e EMCs se tornarão mais freqüentes. 2005. Como no momento estamos em um período próximo ao máximo de atividade solar. de certa maneira pode ser uma chave para a compreensão sobre toda a gama de dínamos naturais que se apresentam no Universo. planetários (como o geodínamo) e galácticos. 2005.msfc. Magnetic Field of Sun Em: Encyclopedia of Geomagnetism and Paleomagnetism. 2003. 287-367 Steven. D.nasa. Physics Today. F. Essas explosões na coroa do Sol são responsáveis pelos eventos mais extremos do clima espacial. observa-se EMCs com uma freqüência de duas a três vezes ao dia. Coronal Mass Ejections: Observations.. Webb. Springer.org/sun/cmes. como o GPS (saiba mais sobre o assunto no tópico 3. R eferências Bibliográficas Lean. Tobias... D. Solar Phys. June. O entendimento dos processos envolvidos no dínamo solar. M. 2007. T. The Astron Astrophys Rev. 9.html Homepage da NASA sobre a física do Sol: http://solarscience.de atividade solar. e Howard. & HerreroBervera. assim como as tempestades magnéticas. como as tempestades magnéticas.

html Figura 8: http://apod.nasa.html 6 .gov/vision/universe/solarsyste m/solar_cycle_graphics.html Figura 6: http://science.F ontes das F iguras Figura 1: http://outreach.html Crédito: Naval Research Laboratory. autor: M.windows2universe.ac.nasa. Springer. 2003.gov/apod/ap070206.au/education/senior/as trophysics/stellarevolution_mainsequence. Inglis.php/2 006/08/the-sun-and-its-11-year-cycle/ http://www.co.csiro.stand.html Figura 4: http://www-solar. Figura 2: http://www.html Figuras 3 e 5: http://www.nasa.mcs.uk/index.gov/science-news/science-atnasa/2008/10jan_solarcycle24/ Figura 7: http://sohowww.gov/classroom/glo ssary_middle.nascom.nasa.picturesandwords.atnf.org/sun/images/s unspots_earth_size_big_jpg_image.uk/~alan/Inaugural/6/index9. Adaptado do “Observer's Guide to Stellar Evolution”.