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PROPOSTA DE APLICAÇÃO DOS TÓPICOS DE GRAVITAÇÃO BASEADA NA PESQUISA DE MINERAIS

Amauri Marques dos Reis Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

RESUMO: Este artigo propõe a criação de um material didático complementar para o ensino de tópicos de gravitação nos cursos técnicos de Mineração e Geologia, ao buscar o desenvolvimento de um conjunto de aplicações teóricas baseadas em trabalhos profissionais que se utilizam da Gravimetria, parte da Geofísica que estuda a relação das rochas com o campo gravitacional terrestre. Para exemplificar a possibilidade de integração da prática escolar apresenta-se aqui como se dá a relação do campo terrestre com a deformação da mola de um gravímetro e também a visualização de mapas e perfis gravimétricos relacionados com a densidade das rochas A proposta almeja que novos materiais didáticos de apoio aos professores possam se associar aos conhecimentos de gravitação já existentes nos livros tradicionais de Física do Ensino Médio, contextualizando-os com situações profissionais existentes na pesquisa de recursos minerais valiosos.

PALAVRAS-CHAVE: Gravimetria; Transposição Didática; Tópicos de Gravitação.

1- Introdução

Nos livros didáticos do Ensino Médio tradicional, encontra-se normalmente a análise histórica dos conceitos de gravitação, mostrando as descrições do sistema solar desde a Antiguidade, culminando com a Lei da Gravitação Universal feita por Newton e finalizando com algumas de suas aplicações. Para o detalhamento dessa lei, os textos encontrados nos livros didáticos, em sua maioria, usam os exemplos do campo gravitacional nas proximidades da superfície da Terra e a análise de corpos em órbita, sempre baseando em exemplos bem elaborados, mas que não são contextualizados com as questões vividas no universo profissional dos técnicos de mineração ou de geologia. A proposta de associar as aulas de Física dos cursos técnicos de mineração e de geologia com os conhecimentos de Gravimetria baseia-se na possibilidade de criar um material contextualizado com a pesquisa de minerais valiosos. A pesquisa mineral é uma das vertentes profissionais que os técnicos poderão ocupar no futuro. Consequentemente é apresentada uma proposta para demonstrar que os conhecimentos presentes nas aulas de

Física tradicionais podem ser sintonizados com o mundo profissional, e esta é uma necessidade trazida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96 (BRASIL, 1996). Esse material didático complementar proposto busca estudar os conceitos dos tópicos de gravitação com exemplos retirados de dados da superfície da Terra, de modo que os alunos possam visualizar aplicações das medidas do campo gravitacional e relacioná-las com a densidade das rochas do interior do planeta. Durante o decorrer do artigo são elaborados alguns exemplos para mostrar situações contextualizadas com ensino de gravitação, tais como:

A relação do campo gravitacional com a deformação da mola de um gravímetro (aparelho de grande complexidade e precisão), na qual este é tratado como uma mola simples que obedece a Lei de Hooke, mostrando a dependência linear do valor do campo gravitacional com a deformação da mola usada para medi-lo; O tratamento do campo gravitacional em relação a um ponto de referência, mostrando um mapa gravimétrico de uma região, que possibilita comparar os valores das densidades das rochas abaixo da superfície a partir do campo gravitacional externo a superfície; A possibilidade de se obter a profundidade dos corpos rochosos, a partir da sinuosidade das curvas geradas por corpos rochosos baseados em modelos esféricos; A análise de três perfis esquemáticos baseados em modelos de camadas planas, nos quais é possível perceber como estruturas rochosas ficam representadas pela relação entre campo gravitacional em função da distância.

2- Referenciais teórico-pedagógicos

No decorrer dos últimos anos houve uma grande contribuição ao processo educacional, principalmente após a implantação do Programa Nacional do Livro Didático para o Ensino Médio (PNLEM), que recomendou coleções didáticas sintonizadas com a política educacional vigente, priorizando o conteúdo de qualidade. Ainda assim, os livros recomendados pelo PNLEM não estabelecem relação com as características específicas de cada localidade, uma vez que estas devem estar envolvidas nas rotinas de sala de aula, conforme orientação de Núñez:

O professor deve desenvolver saberes e ter competências para superar as limitações próprias dos livros, que por seu caráter genérico, por vezes, não podem contextualizar os saberes como não podem ter exercícios específicos para atender às problemáticas locais. É tarefa dos professores complementar, adaptar, dar maior sentido aos bons livros recomendados pelo MEC. (NÚÑEZ, 2003, pág.3)

Por razões como a citada acima, as propostas apresentadas neste artigo para suprir parte das carências dos livros didáticos são baseadas nos conceitos de Aprendizagem Significativa de David Ausubel e de Transposição Didática de Yves Chevallard, que fornecem teorias para o entendimento da estrutura cognitiva dos alunos e como elaborar materiais didáticos a partir de um conhecimento não acessível, de maneira imediata, aos estudantes. A teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel (2003) preconiza que os alunos conseguem mais facilmente adquirir novos conhecimentos pela interação dos conteúdos apresentados em classe com os conceitos já existentes na estrutura cognitiva dos alunos (conceitos subsunçores), para que estes sirvam como âncoras para a aprendizagem. As premissas básicas de tal teoria são: o aluno deve ter uma pré-disposição em aprender e a ele deve ser oferecido material significativo. A hipótese apresentada pela proposta é que os alunos dos cursos técnicos de mineração e de geologia se interessam pela Gravimetria, a qual poderá servir como organizador prévio do estudo dos tópicos de gravitação. Organizadores prévios são materiais introdutórios com um nível mais alto de abstração, generalidade e inclusividade, para servir de ponte entre o que o aprendiz já sabe e o que deveria saber, cuja relevância é mostrada na citação a seguir:

  • 1. A importância de se possuírem idéias relevantes, ou apropriadas, estabelecidas, disponíveis

na estrutura cognitiva, para fazer com que as novas idéias logicamente significativas se tornem potencialmente significativas e as novas idéias potencialmente significativas se tornem realmente significativas (i.e., possuírem novos significados), bem como fornecer-lhes uma ancoragem estável.

  • 2. As vantagens de se utilizarem as idéias mais gerais e inclusivas de uma disciplina na estrutura

cognitiva como idéias ancoradas ou subsunçores, alteradas de forma adequada para uma maior particularidade de relevância para o material de instrução. Devido à maior aptidão e especificidade

da relevância das mesmas, também usufruem de uma maior estabilidade, poder de explicação e capacidade integradora inerentes.

  • 3. O fato de os próprios organizadores tentarem identificar um conteúdo relevante já existente na

estrutura cognitiva (e estarem explicitamente relacionados com esta) e indicar, de modo explícito, a relevância quer do conteúdo existente, quer deles próprios para o novo material de aprendizagem. (AUSUBEL, 2003, p. 12)

Entretanto os tópicos de gravitação tratados rotineiramente em sala de aula são distintos dos temas abordados na Gravimetria. Uma consequência de tal fato reflete-se na impossibilidade de se estudá-la diretamente nas aulas de Física com os alunos dos cursos técnicos. Por isso, para que se possa fazer a ligação entre conhecimentos é necessário fazer uma re-contextualização, tornando os conhecimentos de Gravimetria possíveis de ser assimilados pelos alunos.

Para fazer a mudança dos saberes científicos é bom ter o conhecimento do conceito de transposição didática de Yves Chevallard, que parte da mudança do saber científico ao saber ensinado em sala de aula. Chevallard (apud BROCKINGTON e PIETROCOLLA, 2005) faz uma distinção entre três esferas do saber: o Saber Sábio, o Saber a Ensinar e o Saber Ensinado O Saber Sábio está relacionado ao mundo dos cientistas, logo uma percepção necessária para elaboração deste trabalho é que o conhecimento de Gravimetria aplicado à pesquisa de minerais de valor econômico encontra-se com os geólogos, geofísicos e com outros profissionais que trabalham no estudo real da superfície da Terra. Esse conhecimento de ponta em alguns casos não é publicado por sigilo e, em outros, está restrito a publicações em revistas especializadas, anais de congressos e periódicos científicos. O Saber a Ensinar trata da primeira mudança do conhecimento científico. Reflete-se na literatura oferecida aos professores e aos alunos para uma linguagem mais próxima da realidade destes. O conhecimento passa a ter novas estruturas, que devem conter a forma didática para apresentá-lo aos alunos. Esses textos modificados vão aparecer em materiais como os livros didáticos, os roteiros de estudo, os guias de laboratório, dentre outros materiais educacionais (PAIS, 2008). Finalmente, o Saber Ensinado, que é a parte final da transposição didática, não coincide com aquele apresentado pelos professores e recebido pelos alunos, o Saber a Ensinar. Consequentemente, os saberes ensinados na escola são formulados pela interação entre o sistema escolar, o conhecimento científico e o entorno social. Portanto, para elaboração desta proposta foi levado em conta a noosfera, a qual pode ser entendida a partir da análise da citação a seguir:

O estudo da trajetória percorrida pelo saber escolar permite visualizar as influências recebidas do saber científico, bem como de outras fontes. São influências que moldam não só o aspecto conceitual como também didático, em consequência da defesa do pressuposto que as praxeologias matemáticas e didáticas são indissociáveis. O conjunto das fontes de influências que atuam na seleção dos conteúdos que deverão compor os programas escolares e determinam todo o funcionamento do processo didático recebeu de Chevallard, o nome de noosfera, da qual fazem parte cientistas, professores, especialistas, políticos, autores de livros e outros agentes da educação. O resultado do trabalho seletivo da noosfera resume-se não só à determinação dos conteúdos, como também influencia a estruturação dos valores, dos objetivos e dos métodos que conduzem a prática de ensino. (PAIS, 2008, p. 16)

Espera-se que a partir dos conceitos tratados neste artigo, os professores possam criar materiais alternativos e de apoio didático para que seus alunos retenham mais facilmente as informações referentes ao estudo dos tópicos de gravitação na sua estrutura cognitiva. A seguir, apresentam-se quatro possibilidades de integrar o conhecimento existente hoje nos livros didáticos e o conhecimento científico relacionado à Gravimetria em um novo

material didático para os cursos técnicos em mineração e geologia: “Determinando experimentalmente a aceleração da gravidade”, “Gravidade relativa”, “Análise de um perfil gravimétrico” e “Associação de perfis gravimétricos e rochas abaixo da superfície”

Essas possibilidades para integrar os conhecimentos profissionais transpostos ao ambiente escolar têm finalidades como:

Mostrar que a formulação da Lei de Atração dos Corpos da Gravitação Universal é usada por profissionais da pesquisa mineral; Apontar a importância de pequenas flutuações dos valores do módulo do campo gravitacional para a vida profissional de trabalhadores que pesquisam rochas e minerais valiosos.

3- Determinando experimentalmente a aceleração da gravidade

Em trabalhos práticos, para analisar pontos internos à superfície deve-se levar em conta a necessidade de instrumentos que dêem respostas a perguntas como:

Qual a grandeza que se pode medir na superfície que dê informações sobre o que há abaixo da superfície? Como interpretar os seus resultados? Para responder a primeira pergunta pode-se afirmar que as rochas possuem propriedades elétricas, magnéticas, dentre outras, que podem ser medidas através de interações de campos elétricos e magnéticos gerados artificialmente ou mesmo campos de origem natural. Como a variação do campo gravitacional em um ponto da superfície terrestre depende da densidade nas rochas abaixo do solo, uma grandeza a ser medida na superfície para estimar o valor da densidade das rochas é o módulo do campo gravitacional. A resposta para a segunda pergunta se dá a partir das análises e interpretações de mapas e perfis que são comparados a outros que têm configurações já conhecidas. No caso da Gravimetria serão gerados mapas e perfis criados através da medida do campo gravitacional na superfície e corrigidos para uma mesma latitude e altitude. Para a determinação do campo gravitacional com pouca precisão, existem várias maneiras como o movimento harmônico de um pêndulo simples e o tempo de queda-livre de um objeto, porém nos trabalhos gravimétricos são necessários valores do campo determinados com rapidez e precisão, razões pelas quais se usa o gravímetro. O gravímetro possui uma montagem bastante complexa, mas pode ser esquematizado por uma mola de constante elástica K. Assim, para medir o campo gravitacional, o gravímetro

é colocado no ponto da superfície que se deseja determinar o campo, verificando a deformação X da mola, como no esquema a seguir:

1)

é colocado no ponto da superfície que se deseja determinar o campo, verificando a deformação X
é colocado no ponto da superfície que se deseja determinar o campo, verificando a deformação X

Posição de equilíbrio desconsiderando o campo gravitacional.

2) Mola deformada pelo peso da massa.

Figura 1: Deformação da mola pelo campo gravitacional.

Fonte: Reis (2010)

Para simular a leitura do gravímetro, na figura anterior, fica representada na situação 1 a posição de equilíbrio da mola sem a atuação do campo gravitacional, enquanto na 2 é mostrado o sistema em equilíbrio pela ação da força peso, de modo que a resultante das forças (peso e elástica) é nula. Uma conseqüência dessa representação de equilíbrio é que o módulo da força elástica é igual ao do peso da massa. O conjunto de equações anteriores, à direita do desenho, mostra que a aceleração da gravidade g pode ser medida diretamente, constituindo-se em uma relação linear da deformação da mola X, em que constante de proporcionalidade é a razão entre a constante elástica da mola K e a massa de prova m. A partir destas equações é possível calibrar a mola, de modo que ela possa fazer a leitura direta do módulo do campo gravitacional. Uma unidade normalmente utilizada nas medidas em estudos gravimétricos é o miliGal, que é a milésima parte do Gal, nome dado em homenagem a Galileu Galilei, constituindo na unidade de medida do campo gravitacional no sistema c.g.s (1Gal=1cm/s²). Como se pode perceber pela unidade de trabalho acima, para fazer a leitura de valores do campo gravitacional com tamanha precisão, a mola do gravímetro deve ter grande sensibilidade e estar acoplada a outros mecanismos que permitam seu equilíbrio para leitura do campo gravitacional absoluto. Porém, nos trabalhos de pesquisa mineral, nem sempre o que se quer saber é o valor absoluto do módulo do campo gravitacional em um ponto, mas sua configuração espacial e confrontar com valores de pontos de referência, por isso são feitas várias medidas em toda a área da pesquisa mineral. Em seguida serão criados mapas com curvas de mesmo valor de gravidade relativa, como poderá ser visto no próximo tópico.

4- Gravidade relativa

O campo gravitacional em um ponto é devido à soma vetorial das parcelas geradas por todas as massas ao seu redor. Consequentemente, o campo gravitacional em um ponto da superfície terrestre tem seu valor dependente de todas as massas que estão presentes desde a superfície até a parte central da Terra. O tópico anterior mostrou que é possível medir o campo gravitacional a partir da deformação de uma mola e sugeriu que é interessante trabalhar com valores relativos do campo gravitacional. O tratamento pelo valor absoluto deve ser evitado porque como o campo varia na ordem de grandeza do miliGal, os mapas gerados a partir dos valores absolutos ficariam sobrecarregados de informações que dificultariam a visualização e a análise dos mesmos. Para a facilitação da análise de mapas gravimétricos, os geofísicos usam valores de gravidade relativa, que é a diferença dos valores do campo entre os pontos da região e outro de valor conhecido, que servirá de referência para os trabalhos. Uma forma de entender a necessidade do uso do conceito de gravidade relativa é através de um modelo esférico do planeta, como mostrado a seguir, em que os centros de gravidade das massas m 1 a m 4 são concêntricos e a massa m 5 é colocada para representar uma descontinuidade portadora da riqueza mineral.

4- Gravidade relativa O campo gravitacional em um ponto é devido à soma vetorial das parcelas
4- Gravidade relativa O campo gravitacional em um ponto é devido à soma vetorial das parcelas

Figura 2: Representação esquemática da Terra Fonte: Reis (2010)

No modelo, para a determinação do módulo do campo gravitacional usa-se nos cálculos os valores das massas dos materiais do núcleo interno (m 1 ), núcleo externo (m 2 ), do manto (m 3 ), da crosta terrestre (m 4 ) e da descontinuidade (m 5 ). Em cálculos simplificados pode-se até desprezar a massa m 5 , porém é justamente ela a procurada na pesquisa mineral, uma vez que é a portadora da riqueza mineral e que mostrará a

anomalia procurada no campo gravitacional, logo é necessário obter o valor de pequenas variações do campo gravitacional. Essas pequenas variações são materializadas nos valores da gravidade relativa, a qual tem a sua determinação representada pelo desenho a seguir, nos quais são feitas medidas em um ponto com o valor do campo gravitacional g 2 e compará-la a outro ponto cujo campo é g 1 . Observa-se que na situação 2 é colocada uma maior quantidade de massa para gerar um maior campo gravitacional em tal ponto, podendo assim comparar os valores como nos cálculos a seguir:

anomalia procurada no campo gravitacional, logo é necessário obter o valor de pequenas variações do campo
anomalia procurada no campo gravitacional, logo é necessário obter o valor de pequenas variações do campo
anomalia procurada no campo gravitacional, logo é necessário obter o valor de pequenas variações do campo

Figura 3: Esquema para o cálculo da gravidade relativa Fonte: Reis (2010)

em que g é denominado gravidade relativa, K é a constante elástica da mola, X a deformação e m a massa de prova. Essa equação mostra que é possivel fazer a leitura direta do valor da gravidade relativa, deste modo pode-se adotar o valor da gravidade do ponto de referência como sendo zero. Uma consequencia são que pontos que possuam maiores massas, como corpos rochosos de maiores densidades darão valores de gravidade relativa positivos, enquanto os de menores densidades darão valores negativos. Tomando-se valores de gravidade relativa em diversos pontos dos alvos em que se faz a pesquisa mineral, similarmente como se traçam curvas de nível quando se faz mapas altimétricos, faz-se mapas de linhas de mesmo valor da gravidade relativa. Esses mapas mostram um plano hipotético que considera os valores de gravidade relativa corrigidos para uma mesma altitude e latitude, possibilitando a comparação entre eles, como mostrado no mapa a seguir:

Figura 4: Mapa de linhas de mesmo valor do campo gravitacional. Fonte: Adaptado de Pinto; Ussami;

Figura 4: Mapa de linhas de mesmo valor do campo gravitacional. Fonte: Adaptado de Pinto; Ussami; Côgo de Sá (2007)

É possível notar que existem linhas com o valor da gravidade relativa negativo. Isso implica que nesta região deve haver rochas próximas a superfície de menor densidade que o valor de referência. Analogamente, nas curvas com valores positivos está associada com rochas mais densas. Uma consequencia para a pesquisa mineral está no fato que se os profissionais quizessem pesquisar rochas com densidades menores deveriam concentrar seus trabalhos na região de gravidade relativa negativa, em caso contrário na região de gravidade relativa positiva. Esses mapas são as bases para os perfis gravimétricos, os quais são elaborados a partir das curvas e permitem inferir a profundidade e as massas dos corpos rochosos, desde quando comparados com formas de corpos rochosos já conhecidos, como veremos no próximo tópico.

4- Análise de um perfil gravimétrico

Para analisar as respostas de corpos de massas e profundidades diferentes em um perfil gravimétrico, pode-se analisar o esquema a seguir de uma seção de uma superfície, obtidos através de distâncias horizontais iguais (L=10m). Há então a simulação das medidas do campo gravitacional para dois corpos, um de massas m 1 e outro m 2 =4m 1 , sendo que o corpo de massa m 2 está a uma profundidade duas vezes maior do que o de massa m 1 . A análise do campo gravitacional é mostrado a seguir:

um ponto campo gerado por uma massas a A distância das logo ·, o dado por
um ponto campo gerado por uma massas a A distância das logo ·, o dado por
um ponto
campo gerado por uma
massas
a
A distância das
logo
·,
o
dado
por
consequentemente
da superfície é
massa esférica é
e
um ponto campo gerado por uma massas a A distância das logo ·, o dado por

Figura 5: Representação da prundidade das massas m 1 e m 2 Fonte: Reis (2010)

Uma vez que usa-se o gravímetro na vertical, não interessa para fins de pesquisa mineral a variação do campo gravitacional com a horizontal, portanto a análise é feita para a componente vertical do campo. Vê-se a seguir a decomposição e o cálculo da componente vertical do campo gravitacional:

Em que g é a componente vertical do campo gravitacional em um ponto da superfície, m
Em que g é a componente vertical do campo gravitacional em um ponto da superfície, m

Em que g py é a componente vertical do campo gravitacional em um ponto da superfície, m é a massa geradora do campo, h é a profundidade do centro de gravidade da massa e α é o ângulo entre h e r.

um ponto campo gerado por uma massas a A distância das logo ·, o dado por

Figura 6: Componente vertical do campo gravitacional Fonte: Adaptado de Reis (2010)

Caso fosse feita a análise para o ponto P 5 , seria verificado que a razão entre as massas e os quadrados das distâncias a esse ponto é a mesma para ambas as massas. Consequentemente, o campo gravitacional em tal ponto não traria informações precisas de qual das massas produziria tal campo. Para ter mais informações sobre a profundidade da massa, usa-se a configuração espacial do campo devido a massa abaixo da superfície. É possível notar que à medida que se afasta do ponto P 5 , a razão entre as massas e o quadrado da distância varia mais lentamente para a massa mais profunda, logo o campo variará similarmente.

Objetivando materializar as observações acima foram lançados em planilha eletrônica

os seguintes dados relativos aos pontos Pi da figura 5: m 1 =10 6 kg, m 2 =4x10 6 kg, h=10m, a

constante gravitacional G=6,7x10- 11 N.m 2 /kg² e L=10m.

Deste modo foram obtidos dois perfis

gravimétricos, enquanto a curva inferior refere-se a massa m 1 , a superior é obtida pelos

valores de m 2 .

Figura 7: Perfis gravimétricos de m e de m Fonte: Adaptado de Reis (2010) Como se

Figura 7: Perfis gravimétricos de m 1 e de m 2 Fonte: Adaptado de Reis (2010)

Como se percebe pela figura anterior o módulo da componente vertical do campo gravitacional devido a qualquer uma das duas massas em P 5 possui o mesmo valor. Porém, a medida que se vai afastando em direção aos demais pontos o valor do campo gravitacional devido a maior massa (m 2 ) varia mais suavemente. Considerando que a densidade das rochas mineralizadas sejam maiores que as rochas encaixantes, elas oferecerão uma curva com a convexidade para cima, sendo a curvatura mais suave quanto mais profunda estiver a rocha.

4- Associação de perfis gravimétricos e rochas abaixo da superfície

Os três esquemas a seguir representam associações rochosas com seus devidos perfis gravitacionais.

Esquema 1

Esquema 2

Esquema 3

Esquema 1 Esquema 2 Esquema 3
Esquema 1 Esquema 2 Esquema 3
Esquema 1 Esquema 2 Esquema 3
Esquema 1 Esquema 2 Esquema 3
Esquema 1 Esquema 2 Esquema 3

Figura 8: Modelos de perfis gravimétricos Fonte: Adaptado de Reis (2010)

O esquema 1 mostra uma camada rochosa aproximada por uma placa horizontal infinita, pois tem seu comprimento e largura muito maiores que sua espessura e a parte analisada está longe das borda. A equação usada para calcular o módulo do campo gravitacional gerado na superfície por esse tipo de camada segundo Cargnelutti (2007) é:

Esquema 1 Esquema 2 Esquema 3 Figura 8: Modelos de perfis gravimétricos Fonte: Adaptado de Reis

onde g é o módulo do campo gravitacional, ρ é a densidade média estimada das rochas e h é a espessura da camada rochosa. Consequentemente, na parte superficial se puder considerar a densidade e altura da camada constantes, o campo resultante também será constante como no gráfico do esquema 1. O esquema 2, aproxima-se mais das rochas existentes e tem um bom nível de aproximação de algumas ocorrências rochosas encontradas na natureza, tais como a sobreposição de camadas de rochas sedimentares, falhamentos e dobramentos. A figura mostra a superposição de dois planos de massas diferentes (m 1 e m 2 ) e densidades (ρ 1 e ρ 2 ) diferentes superpostos. Assim o campo à esquerda sofre uma maior influencia da massa m 1 , aproximando da curva de uma única camada horizontal, passa a aumentar gradualmente na parte central pela influência da massa m 2 , chegando à direita novamente com a configuração similar a inicial, porém gerada por duas camadas. O esquema 3 mostra uma associação rochosa comum na prospecção de petróleo, que é bem conhecida pelos geólogos. O petróleo é associado na com frequência aos domos salinos (material composto essencialmente por cloreto de sódio) que tem menor densidade do que as rochas sedimentares em suas proximidades. O gráfico então mostra a queda do módulo do campo gravitacional nas proximidades do domo salino.

A partir destes esquemas e outros mais sofisticados, há a associação do campo gravitacional com as rochas que estão abaixo da superfície e os pesquisadores poderão tomar as decisões dos lugares nos quais deverão ser concentrados os futuros trabalhos de pesquisa mineral.

5- Conclusões

Espera-se que os professores, a partir dos conceitos apresentados nesta proposta sejam capazes de reorientar sua prática educativa, podendo contextualizar os temas abordados em sala de aula com os trabalhos profissionais, neste caso, em especial em estudos relacionados a pesquisa de recursos minerais valiosos pela Gravimetria. Como se presume que os técnicos de mineração se interessam pela pesquisa mineral, esta proposta possibilita algumas aplicações profissionais no conteúdo de Física, que poderá fornecer aos professores a possibilidade da criação de exercícios embasados na Gravimetria, relacionando principalmente o campo gravitacional externo com as rochas abaixo da superfície terrestre.

Referências

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