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O REGISTRO DA CAPOEIRA COMO PATRIMÕNIO IMATERIAL NOVOS DESAFIOS SIMBÓLICOS E POLÍTICOS Simone Pondé Vassallo 25

A idéia de patrimônio não é necessariamente a mesma para todos, nem para os órgãos voltados para a sua proteção, e nem para a população em geral. Portanto, não é consensual e nem isenta de conflitos. Por outro lado, o ogo da capoeira tam!ém é alvo de in"meras interpretaç#es, tanto da parte dos próprios capoeiristas, $uanto de diversos outros setores da sociedade, como órgãos p"!licos, a m%dia, a universidade. & registro da capoeira como !em imaterial, reali'ado pelo (P)A* + (nstituto )istórico e Art%stico *acional + , em ul,o de 2--., trou/e 0 tona esses conflitos, relacionados 0s diferentes maneiras de se pensar a capoeira e as pol%ticas de patrimônio. A noção de patrimônio parece estar intimamente relacionada 0 de propriedade, se a ela de um indiv%duo ou grupo social, e tam!ém 0 de ,erança, o $ue implica na sua transmissão e continuidade ao longo do tempo, !em como na própria perpetuação do grupo detentor dos !ens em $uestão. 1e acordo com o antropólogo 2osé 3eginaldo 4onçalves, o patrimônio pode ser pensado como uma categoria universal, presente em diferentes povos e momentos ,istóricos, ainda $ue guardadas as suas especificidades locais. Para o autor, 5todo e $ual$uer grupo ,umano e/erce algum tipo de atividade de 6colecionamento7 de o! etos materiais cu o efeito é demarcar um dom%nio su! etivo em oposição a um determinado 6outro7. & resultado dessa atividade é precisamente a constituição de um 6patrimônio78

94onçalves, 2--:; <-=>. Portanto, a noção de patrimônio pode ad$uirir diferentes significados, em função dos indiv%duos $ue a veiculam e do conte/to em $ue estes se inserem. Assim, grupos de capoeira e agentes de órgãos p"!licos como o ?inistério da @ultura ou o (P)A* podem defender percepç#es d%spares, e até mesmo contraditórias, da idéia de patrimônio e seus desdo!ramentos. 3efletir so!re o patrimônio contém algumas implicaç#es. Se patrimônio di' respeito a propriedade, isto nos remete imediatamente 0 seguinte $uestão; propriedade de $uemA Por sua ve', isto pode rapidamente condu'ir 0 idéia $ue, se pertence a uns, não pertence a outros. ?as como definir esse pertencimentoA B $uais são os atores $ue procuram fa'CDloA *a medida em $ue remete 0 ,erança, algo $ue se ,erda e se transmite, podemos nos perguntar; ,erdaDse de $uemA EransmiteDse a $uemA Fuem estG apto ou ,a!ilitado a transmitiDlo com legitimidadeA *o caso da capoeira, esta seria um patrimônio de $uemA 1os capoeiristasA 1os negrosA 1os !rasileirosA H imposs%vel responder a todas essas $uest#es, considerandoDse a grande diversidade $ue o ogo da capoeira ad$uiriu no mundo contemporIneo. *o entanto, elas ecoam incessantemente nos ouvidos de todos os $ue passaram a lidar, direta ou indiretamente, com as aç#es do Bstado $ue visam a sua salvaguarda. Blas reformulam o de!ate a partir do $ual o Bstado, os capoeiristas e seus teóricos tCm $ue se posicionar e fa'em emergir os novos desafios tra'idos pelo registro. Ve amos alguns aspectos importantes da discussão.

25 Antropóloga e Professora Visitante do Programa de PósD 4raduação em Antropologia Social da Jniversidade do Bstado do 3io de 2aneiroK JB32.

tais como os do médico legista 3aimundo *ina 3odrigues. empen. por cerca de on'e mil.A capoeira africana *o mundo contemporIneo. VGrios pes$uisadores. encarnavam. para eles. $ue a capoeira se a praticada em mais de <5.eterogeneidade. Bstas ra%'es africanas são entendidas como so!revivCncias culturais de um mundo tradicional e atestam a suposta autenticidade das prGticas culturais em $uestão.amDse na consolidação dos estudos so!re o negro no Lrasil e procuram a influCncia africana em diversas prGticas populares. o $ue. Suas definiç#es são imensamente disputadas dentro do próprio universo social e sim!ólico $ue a comp#e. seus pro etos de vida e seu papel na sociedade em $ue vive. Blas carregam consigo algumas $uest#es cruciais. com a emergCncia dos discursos médicoDcient%ficos a respeito da população negra. As prGticas negras em geral. a capoeira se torna uma atividade e/tremamente comple/a. ser com!atida das ruas. G $ue não é praticada por grupos étnicos ou territoriais espec%ficos. pois não . $uando a idéia de 5cultura8 começa a tomar corpo entre os intelectuais !rasileiros.o de arca%smo numa sociedade $ue se moderni'a. Ao longo do século M(M.pa%ses. As atividades mais su!missas ao processo de . então. As origens da capoeira comp#em um tema particularmente su eito a conflitos e alvo das mais acaloradas discuss#es. e tampouco por uma "nica classe ou categoria social. mas uma mir%ade de maneiras de se pensGDla e praticGDla. A partir da década de <=O-. mas tal afirmação gan. . Eudo isso contri!ui para a sua comple/idade e . a africana e a !rasileira.o e. portanto.a uma conotação positiva.#es de pessoas. como a própria identidade dos su eitos envolvidos. a capoeira ainda é vista como um nic. um o!stGculo ao progresso e ao desenvolvimento sadio de uma nação. & discurso so!re a africanidade da capoeira é !astante antigo no nosso imaginGrio nacional. é um motivo de valori'ação das mesmas. esta atividade costumava ser pensada por vGrios segmentos da elite !rasileira como negroafricana e primitiva. essa atividade passou a representar uma patologia numa sociedade $ue aspirava aos ideais de modernidade e civili'ação 2N .G capoeira genérica. BstimaDse. e a capoeira em particular. Bm fins do mesmo século. $ue deveria. e fa' com $ue se a muito dif%cil falar desta atividade num sentido genérico. )G vGrias vers#es para as supostas origens desta atividade. mas iremos nos concentrar nas duas $ue possuem maior adesão. so!retudo folcloristas. Bla estG muito !em disseminada e estruturada não só por todo o Lrasil como pelo mundo afora.

=O. Ne''a per'pec&i+a* (e'&re Bi(4a* o cria)or )a Capoeira Regiona * era cri&ica)o por &er '%po'&a(en&e incorpora)o e e(en&o' )e %&a' e'&rangeira' e* por&an&o* )e'carac&eri-a)o a capoeira# *o in%cio dos anos <=.o *eto. a Capoeira Ango a e a Capoeira Regiona !"# $%n&o ao' 'e&ore' (ai' &ra)iciona i'&a'* e'&a' encarna(* re'pec&i+a(en&e* o p. e VASSAPP&. a cultura negra é pensada como um legado tradicional africano a ser protegido das influCncias da modernidade e da glo!ali'ação. <=2.a a 'e con'agrar co(o a (o)a i)a)e (ai' africana e a 'eg%n)a co(o fr%&o )o proce''o )e (o)erni-a..o. desde $ue pacificada. *o entanto. .ouve autores $ue a definiram a partir da sua mestiçagem e da sua !rasilidade 9como Puis Bdmundo. Para uma maior refle/ão so!re a polari'ação progressiva da capoeira. !em como do papel dos intelectuais nesse processo. 2: Para uma pro!lemati'ação da segmentação da capoeira nessas duas vertentes. ver P(3BS. mas foram muito influentes nas "ltimas décadas do século M(M e nas primeiras do século MM. e P. (nfluenciada por esse novo conte/to.>. su!dividida nas modalidades Angola e 3egional. . essa atividade começa a ser ela!orada a partir de duas novas modalidades. autor anônimo da revista Qosmos. os contornos pol%ticos das e/press#es culturais negroDafricanas tornamDse e/pl%citos e reivindicados pelos 2N Bstas representaç#es não foram . 2--O.a. ao contrGrio. *este mesmo per%odo. $ue passou a ser pensado. 2./o 0%e a&inge progre''i+a(en&e o pa1'# A''i(* o' a%&ore' )e)ica)o' ao' e'&%)o' )o fo c ore )e)ica(2'e 0%a'e 0%e e3c %'i+a(en&e ao $ogo )e Ango a e( '%a' o4ra'# & movimento de resistCncia 0s inovaç#es da 3egional foi progressivamente condensado na figura de mestre Pastin.-.. e outros $ue defenderam sua preservação.sincretismo seriam. como o guardião das 5verdadeiras8 tradiç#es afroD!rasileiras 2. <. 2--O. As produç#es intelectuais dos autores mencionados acima tCm uma enorme repercussão no mundo da capoeira. o )a i(p%re-a# A pri(eira co(e. o )a p%re-a e o p. desprovida de seu carGter violento 9como ?elo ?oraes Ril. ?ais uma ve'. e @oel. no mundo da capoeira. descaracteri'adas.omogCneas. 2--<. <=-N>. a @apoeira Angola passa a ser altamente influenciada pela militIncia negra afrocCntrica e sofre grandes transformaç#es. <=O.. ver Vassallo.@. ou se a.

$ue teriam sido transmitidos sem grandes transformaç#es ao longo do tempo até as novas geraç#es. Bla asseguraria a continuidade de uma 5memória . *esses discursos militantes. @riaDse a sensação de uma relação de continuidade direta entre presente e passado.seus praticantes. ao mesmo tempo em $ue são postas de lado as tantas dissidCncias e rupturas. !em como de seu passado. A valori'ação do legado africano . a @apoeira Angola. $ue levam muitas ve'es os capoeiristas a (%)are( )e (e'&re ao ongo )e '%a' +i)a'* e 0%e fa-e( co( 0%e '%a' &ra5e&.o e. de sua . para os capoeiristas em $uestão. ainda $ue eles acreditem $ue esta prGtica ten.istória. o dos africanos e seus descendentes no Lrasil. a crença na africanidade da capoeira vinculaDa primordialmente a um grupo étnico espec%fico. não se daria mais num plano f%sico. ela passa a ser pensada pelos seus próprios praticantes como uma arma de li!ertação no mundo contemporIneo. assim como o candom!lé e outras atividades culturais consideradas negras encarnam o sa!er. Para o' pra&ican&e' )e Capoeira Ango a* e'&a a&i+i)a)e parece e'&ar in&i(a(en&e re aciona)a ao 'ofri(en&o )o negro e'cra+i-a)o e 8' '%a' %&a' )e re'i'&9ncia !:# E''e 6pa''a)o7* ao (e'(o &e(po africano e )e %&a'* &ran'for(a2'e n%( (i&o )e orige( e( 0%e a capoeira . $ue permitiria aos afroDdescendentes lutar contra as diferentes formas de dominação e e/clusão. nos dias de . pen'a)a co(o %(a for(a )e re'i'&9ncia negra e* ne''e 'en&i)o* in+e'&i)a )e %( enor(e po&encia re)en&or# A capoeira investeDse a$ui de um significado eminentemente pol%tico. mas sim através da conscienti'ação da importIncia da cultura negroDafricana. B esta.a a)0%iri)o no+o' con&orno' no Bra'i # Portanto.ria' n/o 'e5a( nece''aria(en&e &/o 6p%ra'7 0%an&o go'&aria( )e afir(ar# A origem da capoeira tornaDse a$ui um elemento fundamental. a tradição e a ancestralidade dos africanos. é irremediavelmente africana.istórica8 dos afroD!rasileiros. Bsta luta.

A Capoeira Regiona * ne''e' (e'(o' )i'c%r'o' afroc9n&rico'* n/o con&eria a )i(en'/o re)en&ora )e 6 %&a )e re'i'&9ncia7* na (e)i)a e( 0%e n/o &eria perpe&%a)o a' &ra)i. na diversidade. calcado na imagem de um Lrasil mestiço $ue. na pluralidade. é como representante de uma 5civili'ação africana8 $ue o 2ogo de Angola pode integrar o mosaico de culturas $ue comp#em a sociedade !rasileira. esta atividade é essencialmente negra e essa realidade amais deve ser alterada. S imagem de um Lrasil mestiço so!rep#eDse uma outra. $ue condu'iriam os afroDdescendentes a lutarem por uma cidadania plena. se o praticante não tem cor. Assim. mas não na mistura.erdar8 esse 5legado africano8A B $uem estG apto a transmitiDlo 0s novas geraç#esA Para os praticantes de @apoeira Angola. des$ualifica permanentemente tudo o $ue não é considerado 5!ranco8. de lutarem contra a desigualdade e por uma sociedade mais usta.<e' africana'# E a encarna o 'incre&i'(o e a '%4(i''/o ao' +a ore' (o)erno' e oci)en&ai'# Bla reprodu'iria o mito da democracia racial. a capoeira tem. o $ue os une é o fato de militarem em prol da africanidade desta atividade. calcada no multiculturalismo. Para esses adeptos. ou mel. ver Vassallo. ?as $uem pode 5. 2= Para um desenvolvimento da idéia de 5sofrimento8 e de 5luta8 na @apoeira de Angola.permitiria a ela!oração de uma autoDimagem positiva e de uma consciCncia cr%tica. étnicas e sócioDeconômicas. o europeu e o ind%gena> $ue se relacionam entre si. Seus adeptos possuem diversas origens nacionais. mas cu as culturas não se interpenetram necessariamente. no entanto. se o seu envolvimento com esta e/pressão cultural independe da sua cor de pele. 2--: 9no prelo>. em $ue nossa sociedade é composta de diversos povos 9e não apenas o africano. Assim. . esta leitura da capoeira condu' 0 $uestão da identidade. A Cnfase recai na diferença.or. ?as. so! pena de esva'iarDse de seu conte"do pol%tico de resistCncia. o termo 5ancestralidade8 não implica numa descendCncia !iológica ou étnica.

Roi o esp%rito inventivo do mulato $ue a criou. Jm artigo anônimo pu!licado em <=-N na revista Kosmos. como o !o/e inglCs de então. paralelamente ao terror $ue as atividades praticadas pelos negros inspiravam. $ue a viam como a 5nossa luta8. entendida como uma atividade de competição padroni'ada e normati'ada. H nesse momento $ue a idéia de esporte. alguns movimentos ritmados e simiescos do africano e. &s elementos $ue remetem 0 cultura afroD!rasileira são minimi'ados ou negados. gan. ou se a. ela é mulata. uma luta genuinamente !rasileira. e a capoeira gan. Gvidos de s%m!olos de !rasilidade. encarando o inimigo 9P. fruto do nosso personagem mais caracter%stico. nem negra. sua origem é in$uestionavelmente !rasileira. $ue distinguia o Lrasil na arena internacional. prop#e a seguinte . suaves e imprevistos para um lado e para o outro.a corpo e encarna a . a agilidade e a leve'a felina do %ndio com seus saltos rGpidos. mas sim na !rasilidade desta luta. a capoeira representava uma e/pressão da identidade nacional. pois a capoeira não é nem portuguesa. a Cnfase não recai nos africanismos. so!retudo. a naval. o mulato.@. ela é mestiça. ela é cru'ada. o mestiço tendo ane/ado. <=-N>. n"cleo da vanguarda intelectual de seu tempo. *essas representaç#es. cafusa e mameluca. mestiça. Para alguns setores da elite. por princ%pios atGvicos e com uma adaptação inteligente. Para eles.A capoeira 4ra'i eira *o final do século M(M. a capoeira e/ercia um grande fasc%nio em alguns intelectuais nacionalistas.a ares de um esporte moderno e civili'ado. para frente e para trGs.ipótese.. como um tigre real.a do fadista dos !airros mouros de Pis!oa.

é como 5cultura f%sica8 $ue a capoeira dei/a a marginalidade e passa a ser recon. a perspectiva $ue pareceu predominar até pouco tempo foi a da mestiçagem e !rasilidade da capoeira. praticada por malandros e valent#es.própria e/pressão das noç#es de 5modernidade8 e 5civili'ação8. os praticantes do 2ogo de Angola. *esse momento. A capoeira tam!ém fa' parte desse processo e é en$uadrada como uma modalidade ao mesmo tempo mestiça e esportiva. alguns anos depois. 1o ponto de vista do Bstado !rasileiro. o ogo da capoeira é mais uma ve' relacionado 0 nossa identidade nacional. iniciativa $ue condu' 0 progressiva criação de . &u se a. Ao mesmo tempo. ela se moderni'a. G $ue assim atende 0s aspiraç#es centrali'adoras e nacionalistas do Bstado. 1urante os anos <=:-.ecida pelo Bstado. o Cen&ro )e C% &%ra F1'ica e Capoeira Regiona Baiana. o go+erno (i i&ar recon=ece oficia (en&e a capoeira co(o e'por&e )e co(pe&i. Eal iniciativa parece terDse oficiali'ado em <=O:. processo esse $ue tam!ém atinge. H assim $ue mestre Lim!a. a capoeira dei/a de ser progressivamente uma luta de rua. então. para ser ensinada em escolas próprias a essa atividade. 1este modo. Bntão. é so! o prisma da mestiçagem $ue esta atividade pode ser regulamentada. num sentido positivo do termo. o criador desse @entro. G $ue esta representaria o 5nosso8 esporte. $uando 4et"lio Vargas legali'ou a prGtica da capoeira e autori'ou a criação da primeira escola voltada para esta atividade. *a década de <=O-. dG progressivamente origem a toda uma vertente con./o . @omeçam. so! o prisma do esporte e da mestiçagem. e não como um legado cultural negroDafricano. a pol%tica fortemente nacionalista $ue caracteri'a o governo de 4et"lio Vargas promove as e/press#es culturais afroD!rasileiras a s%m!olos de mestiçagem.ecida como 5@apoeira 3egional8. com a ditadura militar. as primeiras tentativas de se definir a capoeira como uma atividade esportiva.

d. vinculadas 0s federaç#es estaduais. a!erto a todos os interessados.federaç#es de capoeira. e. Bstas diferentes instIncias organi'am campeonatos de capoeira e são responsGveis pela formação de técnicos. uniformi'ar e universali'ar esta atividade.ecimento8 92ornal (ro. por fim. *as aç#es do Bstado acima citadas. docentes e Gr!itros especiali'ados nesta prGtica. nesse sentido. $ue poderia condu'ir 0 própria e/tinção desta atividade. re'pon'@+e por (ai' %(a a&i&%)e a &a(en&e po 9(ica no (%n)o )a capoeira# Ne'&e (o(en&o . Bstes vCem esta iniciativa como uma 5desvalori'ação do t%tulo de mestre e de toda uma tradição de transmissão do con.istóricoDcultural.o Rederal de Bducação R%sica. a capoeira vem sendo pensada so! um prisma universali'ante. 0 Piga *acional. . Bste processo culmina com a criação de ligas municipais e regionais de capoeira. treinadores.in. E( >::?* o E'&a)o . Eal iniciativa não possui a adesão de todos e é su eita a in"meras cr%ticas vindas dos capoeiristas $ue não compactuam com esta maneira de se pensar e de se praticar a capoeira. Bsta. por sua ve'. $ue estão em ogo. independentemente de sua cor de pele ou etnia. mas sim a idéia de um esporte moderno. um !em de todos os cidadãos !rasileiros. inclusive dos praticantes do 2ogo de Angola. esses profissionais devem estar registrados no @onsel.>. *ão é a sua dimensão .a e capoeira# Além disso./o f1'ica para &o)o' o' profi''ionai' )e)ica)o' ao en'ino )e a&i+i)a)e' f1'ica'* inc %'i+e )e pr@&ica' co(o ioga* ar&e' (arciai'* )an. s. e nem a sua origem negroDafricana. & o! etivo é o de normati'ar. cria)a a ei :A:A* 0%e in'&i&%i a e3ig9ncia )o )ip o(a %ni+er'i&@rio )e e)%ca. Bsta lei gera fortes protestos de vGrios grupos e praticantes de capoeira. inclusive de competição. nT < N. estG ligada 0 Rederação (nternacional de @apoeira. como um esporte nacional e. ou se a.

visando 0 construção e comunicação de uma identidade nacional ou étnica. européias e até ind%genas. a cultura é pensada como coisa a ser 5possu%da8. 5Assim como a identidade de um indiv%duo ou de uma fam%lia pode ser definida pela posse de o! etos $ue foram 6. a $uestão da !rasilidade da capoeira se comple/ifica. 5restaurada8. A$ui. e assim garante 9em termos imaginGrios> a continuidade da nação ao longo do tempo. 5preservada8. 1e um modo geral.erdados7 e $ue 6permanecem7 na fam%lia por vGrias geraç#es. tam!ém a identidade de uma 6nação7 pode ser definida pelos seus 6monumentos7. Bla favorece a ligação entre passado. dentre as $uais as 5pol%ticas de patrimônio8. A' po 1&ica' )e pa&ri(Bnio &s discursos so!re o patrimônio tam!ém alimentam os de!ates acerca das definiç#es do nacional. fruto de diversas misturas de e/press#es culturais negras e. As pol%ticas culturais. Portanto. são implementadas por estados nacionais e movimentos étnicos. *este sentido. !em como a locali'ação e/ata do seu surgimento em solo !rasileiro. Jm outro aspecto importante no entendimento da categoria patrimônio consiste na sua cap acidade de fa'er a mediação entre diversas temporalidades. ainda $ue os seus grupos étnicos de origem. se am alvo de in"meras controvérsias. em certos casos. para estes. a$uele con unto de 6!ens culturais7 associados ao 6passado7 nacional8 94onçalves. *o conte/to desses discursos nacionalistas. 2--:. a capoeira é antes de tudo !rasileira e mestiça. os praticantes de @apoeira 3egional costumam privilegiar a tese de $ue a capoeira teria nascido no Lrasil. muitos 5!ens culturais8 . presente e futuro. etc.1o ponto de vista dos capoeiristas da atualidade. 2->.

.o8 dessas prGticas $ue as converte em monumentos . no Lrasil. tal como a atual noção antropológica de cultura.istória de uma nação. e tam!ém ao futuro da mesma. religi#es populares. a categoria 5patrimônio8 e/pandiuDse e veio a incluir documentos. 2--N. de sua interação com a nature'a e de sua . Bles são intimamente relacionados 0 identidade e 0 continuidade dos grupos $ue os detCm ao longo do tempo. entre a década de <=O.istórica8 9Pe 4off.amou de 5dilatação da memória . material etnogrGfico. gerando um sentimento de identidade e de continuidade e contri!uindo assim para promover o respeito 0 diversidade cultural e 0 criatividade . $ue se transmite de geração em geração. 2--:>. ErataDse do $ue o . 2--O>. em 2---. 5Bsse patrimônio cultural imaterial. <5D<N>. *o Lrasil. é constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu am!iente.9momento da criação do SP)A*.istória. Portanto. antigo (P)A*> até fins da de <=:-. vGrias formas de ar$uitetura e arte popular. 0 .umana8 9(P)A*K@*R@P.$ue comp#em o patrimônio associamDse ao passado. é como 5testemun. 2--<>.istoriador 2ac$ues Pe 4off c.os do passado8 $ue são valori'adas nesses discursos. &s !ens imateriais são entendidos ao mesmo tempo como pass%veis de transformação e como profundamente relacionados aos diferentes dom%nios da vida cotidiana $ue o comp#em. & patrimônio passa a ser pensado a partir de caracter%sticas dinImicas e relacionais. A partir do fim de <=:-.amados monumentos ar$uitetônicos e o!ras de arte erudita associados ao 6passado7 !rasileiro. artesanato. com a criação do 3egistro de Lens @ulturais de *ature'a (material. antigas tecnologias. A fle/i!ili'ação da noção de patrimônio culmina. festas. etc. o conceito oficial $ue permeou a pol%tica !rasileira de patrimônio restringiaDse aos c. H o 5valor de testemun. através da sua transmissão 94onçalves.istóricos 9Pondres.

mais fle/%vel.cultura. A Cnfase na idéia de preservação permanece. 1iferentemente do tom!amento. 2--N.ecimento e apoio8 9(P)A*K@*R@P. a própria idéia do registro. Bssas aç#es do Bstado entendem as prGticas culturais em sua relação com a $uestão da cidadania e apontam para a 5necessidade de pol%ticas p"!licas $ue promovam a e$uidade O. As novas pol%ticas p"!licas voltadas para os !ens culturais imateriais pressup#em a participação efetiva das comunidades produtoras e detentoras dos mesmos. 2--<. consiste num acompan. mas dotada de um novo sentido.umanas.istórico $ue cada época l.gov. ao menos.e conferiu e $ue ninguém sa!erG perpetuar para além dela própria8 9PeviDStrauss. é preciso. a memória viva de costumes. Pois é a diversidade $ue deve ser salva. 2->. 1e acordo com o diretorDad unto da 1ivisão do Patrimônio @ultural da J*BS@&. através de pol%ticas p"!licas. 5a reprodução e a continuidade dos !ens culturais vivos dependem de seus produtores e detentores. de prGticas e sa!eres insu!stitu%veis $ue não devem desaparecer. & $ue importa é verificar as suas permanCncias e transformaç#es. num mundo glo!ali'ado.AcreditaDse $ue.amento das prGticas e representaç#es em $uestão. 2:>. ao invés de tentar 5congelar8 as prGticas e seus significados em função de conte/tos passados.!r . para $ue a vitalidade das sociedades não se a ameaçada. Assim como se criam !ancos de genes de espécies vegetais para evitar o empo!recimento da diversidade !iológica e o enfra$uecimento de nosso am!iente terrestre. conservar. $ue tende a redu'ir as diferenças e a padroni'ar as aç#es . recon. eles sempre devem ser participantes ativos do processo de identificação. Por isso.Bsta e as pró/imas falas de 4il!erto 4il foram e/tra%das do seu discurso de posse. estas culturas locais e tradicionais estariam ameaçadas e deveriam ser preservadas. . não o conte"do . dispon%vel em UUU.

criado em 2--V.econômica articulada com a pluralidade cultural8 9Vianna.>. & então ministro c. 2--N.omenagear o em!ai/ador Sérgio Vieira de ?ello. <V>. 2--N.eceria essa prGtica 5como %cone da representatividade do Lrasil perante os demais povos8 9UUU. . a toda a sociedade !rasileira. em "ltima instIncia. 4il!erto 4il. Ainda segundo ele. para .gov. a identificação dos !ens culturais imateriais se daria 5a partir de sua a relevIncia para a memória. 2--N>. Eal processo se iniciou em 2--V.!rKscriptsKdiscursos. 2--:>. levou um grupo de capoeiristas a 4ene!ra.istórica a esta manifestação dos africanos escravi'ados no Lrasil8 9idem>. e( >C )e 5% =o )e !DD?. ou se a. e apesar de serem veiculados por grupos dotados de uma especificidade étnica ou cultural.cultura. A idéia de uma identidade !rasileira calcada no multiculturalismo tam!ém gan.istórica.idcAcodigoW<<VO> . *este momento. 4il lançou as !ases de um Programa Lrasileiro e ?undial para a @apoeira 9@astro. o ?inistério da @ultura recon. $uando o então ?inistro da @ultura. *o entanto. H nesse conte/to $ue a capoeira é registrada como um !em imaterial. inclui em sua missão o 5respeito 0 diversidade cultural do Lrasil8 e a 5valori'ação da diferença8 9(P)A*K@*R@P. As prGticas e sa!eres populares pass%veis de serem registrados são pensados a partir de sua dimensão . 4il entende esta atitude como uma 5reparação .a Cnfase. esses patrimônios remetem. para além da perspectiva multicultural. <. são ao mesmo tempo 5ancestrais8 e 5testemun. a partir de então.os8 do passado. segundo o (P)A*. & 1epartamento do Patrimônio (material 91P(>. a identidade e a formação da sociedade !rasileira8 9(P)A*K@*R@P. na Su%ça. morto um ano antes em atentado terrorista no (ra$ue. Assim.amou a atenção para a grande e/pansão da capoeira pelo mundo afora e declarou $ue.

a capoeira deve ser en&en)i)a a par&ir )e '%a orige( africana e e'cra+a. o ideal da nação !rasileira é o 5da convivCncia e da tolerIncia.gov.eróicas do mart%rio do povo negro no Lrasil. .istórias .( 'a4e ao cer&o '%a =i'&. do conv%vio com a diferença e mesmo com o contraditório8. a cultura ad$uire um papel crucial. dispon%vel em UUU.armonia das diferenças8.ria# Ma' parece (e'(o 0%e .cultura. Para 4il. *o entanto. Eemos./o 4e( 4ra'i eira a par&ir )e e e(en&o' africano'* co(o o 'a(4a7# Por&an&o* para Gi * ape'ar )a for&e orige( africana* a capoeira . então. 2--5>. capa' de superar as desigualdades e o desentendimento entre os povos e condu'ir 0 5.egou o momento de potenciali'ar essa prGtica cultural milenar. 5de um Lrasil de todos8O-. da coe/istCncia de seres e linguagens m"ltiplos e diversos. em $ue o 5passado8 da capoeira assume uma relevIncia fundamental para um representante do Bstado. 6Di-e( 0%e a capoeira engra+i)o% e( Ango a* (a' foi na'cer no Bra'i # Ning%.Bsta e as pró/imas falas de 4il!erto 4il foram e/tra%das do seu discurso de posse. @. pois é entendida como o próprio agente da mudança. A cultura seria capa' de superar os desn%veis e contradiç#es. *esse conte/to. 4ra'i eira# A perspectiva defendida pelo ?inistro 4il se en$uadra num pro eto pol%tico mais amplo do governo do Presidente Pula de 5construção de uma nação realmente democrGtica. uma grande guinada em termos de representação. ele acrescenta. em ve' de desapropriar. plural e tolerante8. %(a cria. Fue possamos nós.ori'ontali'ar as relaç#es entre os !rasileiros 9Alencar. O. valori'ar essa !ase cultural imensurGvel8 9i!idem>.!r . vista apenas como esporte. Para 4il. de .5A capoeira dei/a entrever em cada gesto o ogo de lendas e .

Jma cultura diversificada. Para ele. Bla se torna uma metGfora do Lrasil e da nossa cultura. a cultura !rasileira é pensada como mestiça e popular. calcada na idéia de mestiçagem e de conv%vio . assim. o ?inistro 4il acredita numa unidade da mesma. tal como o próprio Presidente Pula e o ?inistro 4il. tal como é tradicionalmente entendido na nossa sociedade. o ideal de mestiçagem. o estereótipo do pa%s da tolerIncia. Ser mestiço encarna a$ui a própria essCncia do !rasileiro e de sua cultura. ou se a. a percepção tradicional da identidade e da cultura !rasileiras. num momento em $ue os conflitos étnicos são tão acirrados pelo mundo afora. ao mesmo tempo.. $ue se tradu' numa suposta capacidade de convivCncia pac%fica com as diferença. 3eprodu'Dse. Sua proposta é a de fa'er do Lrasil um e/emplo de pacifismo para o mundo. Portanto. uma cultura essencialmente sincrética. para além da idéia de pluralidade da cultura !rasileira. tanto no plano nacional $uanto internacional 9Alencar. um 5e/emplo de convivCncia de opostos e de paciCncia com o diferente8. Por$ue.. a capoeira se torna um dos s%m!olos por e/celCncia da cultura !rasileira. a$uela $ue .armonioso dos povos.*o entanto.G uma grande Cnfase na diplomacia e nas articulaç#es internacionais. Bla encarna a própria possi!ilidade de superação das desigualdades e de convivCncia pac%fica das diferenças. essa cultura é uma 9.>8. como o ?inistério da @ultura. 5somos um povo mestiço $ue vem criando. plural + mas $ue é como um ver!o con ugado por pessoas diversas. ao longo dos séculos. *o 4overno Pula . *o 4overno Pula e em seus órgãos representantes. a$ui. em tempos e modos distintos. A mestiçagem passa a ser instrumentali'ada no pro eto pol%tico de !usca das superaç#es das desigualdades. & Lrasil encarna. 2--5>.

a!arca todas as diferenças e aponta para a sua superação pac%fica. no 3io de 2aneiro. JRR.. $ue contou com profissionais das seguintes universidades. o ?inistério das 3elaç#es B/teriores tem promovido a capoeira pelo mundo afora.Bsta e as pró/imas falas de 4il!erto 4il foram e/tra%das do seu discurso de posse. JRLa e JRPe./o 4ra'i eira para o (%n)o* %( e3e(p o )e pacifi'(o para &o)o' o' po+o'# Bm 2--N e 2--:. G como parte das pol%ticas $ue visavam ao tom!amento da capoeira. JR32. palestras e de!ates $ue envolviam capoeiristas.cultura. 1e acordo com o s%tio do (P)A*. so! a supervisão do @*R@P + @entro *acional de Rolclore e @ultura Popular + e do (P)A*. e/clusivamente a esta atividade e promove festas de lançamento nas em!ai/adas !rasileiras de vGrias cidades do mundo. o ?inistério da @ultura lançou o pro eto @apoeira Viva. reali'ada no @*R@P.gov. . H nesse conte/to $ue.3i(o pa''o con'i'&e e( &ran'for(ar a capoeira e( pa&ri(Bnio )a =%(ani)a)e# E a 'eria %(a con&ri4%i. cidades $ue estão na origem desta atividade e $ue contam com importante documentação a respeito. pes$uisadores e representantes do poder p"!lico. dispon%vel em UUU. $ue via am a convite do próprio (tamaratX. Eais eventos contam com a presença de mestres de renome. Para tanto. Den&ro )e''a e'&ra&. As pes$uisas foram reali'adas no 3io de 2aneiro. dedicou um n"mero da sua revista.!r . entre os meses de a!ril e agosto de 2--. o inventGrio $ue condu'iu ao seu registro como !em imaterial cou!e a uma e$uipe multidisciplinar. (ncluiu tam!ém a e/posição 5*a roda da capoeira8. Salvador e 3ecife. intitulada 5Ee/tos do Lrasil8. nos "ltimos meses. $ue distri!uiu recursos financeiros para capoeiristas e pes$uisadores de todo o pa%s. O regi'&ro con&e(p o% a capoeira co(o %( &o)o* eng o4an)o a' (o)a i)a)e' Ango a e Regiona # O of1cio )o' (e'&re' )a capoeira foi O. & processo como um todo contou com encontros.gia po 1&ica )o a&%a go+erno* o pr.

<e' con&i)a' no P ano Sa +ag%ar)a )a Capoeira* po)e(o' )e'&acarE .inc %1)o no Li+ro )o' Sa4ere' e a ro)a )e capoeira in&egro% o Li+ro )a' For(a' )e E3pre''/o# Den&re a' a.

/o F1'ica* (a' 0%e 'e e'&a4e ece co(o acer+o )a c% &%ra pop% ar 4ra'i eira# A propo'&a pre&en)e con&ri4%ir para 0%e (e'&re' )e capoeira 'e( e'co ari)a)e* (a' )e&en&ore' )o 'a4er* po''a( en'inar capoeira e( co . )G ainda o receio de $ue o C/odo de capoeiristas $ualificados para o e/terior se intensifi$ue. A g o4a i-a. Jm dos o! etivos dessas medidas foi o de tentar desvincular a capoeira do @onsel.o Rederal de Bducação R%sica.gio'* e'co a' e %ni+er'i)a)e'7# HP ano )e Sa +ag%ar)a )a Capoeira* !DD?I# *o entanto. o $ue poderia inverter as relaç#es de . Bste registro. consiste na primeira pol%tica p"!lica verdadeiramente voltada para o desenvolvimento desta atividade. 2--:> O< .A> O recon=eci(en&o )o no&. ocorrido recentemente. a partir da idéia $ue 6O 'a4er )o (e'&re n/o po''%i e0%i+a en&e no apren)i-a)o for(a )o profi''iona )e E)%ca./oF L> G( p ano )e pre+i)9ncia e'pecia para o' +e =o' (e'&re' )e capoeiraF @> & esta!elecimento de um programa de incentivo da capoeira pelo mundo.rica' e nacionai' ne''e pa1'# Ape'ar )a i(por&Jncia )o &1&% o nor&e2a(ericano* o acon&eci(en&o aparen&e(en&e pa''o% e( 4ranco no Bra'i 9@astro.rio 'a4er )o' (e'&re' )e capoeira pe o Mini'&.rio )a E)%ca./o )a capoeira &ro%3e con'igo o (e)o )e 0%e a g%( o%&ro pa1'* 'o4re&%)o o' E'&a)o' Gni)o'* rei+in)ica''e a '%a pa&erni)a)e# E &a receio n/o . um dos principais conte/tos motivadores do registro da capoeira foi a penetração massiva desta atividade no mercado internacional de !ens culturais. )e &o)o inf%n)a)o* 5@ 0%e* e( !DD>* o go+erno nor&e2a(ericano conce)e% ao (e'&re 4aiano $o/o Gran)e o a &1''i(o &1&% o )e National Heritage Fellowship HCo(%ni)a)e' )o Pa&ri(Bnio Naciona I* con'i)era)o o (ai' i(por&an&e para o' 0%e i)a( co( ar&e' fo c .

ip. Apesar do s%tio do (P)A* privilegiar uma perspectiva .>. 1e acordo com um dos mais con. muito pelo contrGrio. Cer&o' (e'&re' )e gran)e pre'&1gio rec a(ara( )e n/o &ere( 'i)o con+i)a)o' para par&icipar )e &o)o o proce''o 0%e c% (ino% co( o regi'&ro )e'&a pr@&ica co(o pa&ri(Bnio i(a&eria # O%&ro' )en%nciara( a po%ca par&icipa. De %( (o)o gera * para o' (e'&re'* a capoeira . 5a divulgação e implementação dessa atividade em mais de <5.o e '%a )e)ica. o processo e as negociaç#es $ue condu'iram ao registro da capoeira foram alvo de in"meras disputas em torno das representaç#es e da 5posse8 da capoeira./o 8 9Pemle. eles. Bm "ltima instIncia.ecidos mestres do 2ogo de Angola da atualidade. não pode se limitar 0s aç#es do Bstado. por si só.uma grande atuação positiva nesse processo. & Bstado. &ornar2'e o 0%e .a!ilidade de ensino recon. . segundo eles. compromete a legitimidade deste ato. Segundo o próprio (P)A*.armônica.!r>.ecida8 9UUU. nunca teve nen./o 0%e e'&a a&i+i)a)e a&ra+e''o% o' &e(po' a&. Alguns temem $ue. $ue tiveram a sua . gra.a' ao 'e% e'for. por trGs dessa iniciativa. =o5e# Por i''o* in'i'&e( e( afir(ar 0%e 6a capoeira in)epen)e )e apoio oficia para 'o4re+i+erE )%ran&e '. discutiaDse $uem tin.<e'# Eudo isso. estes mestres parecem acreditar $ue a capoeira é um instrumento pol%tico $ue l. 2--. %(a a&i+i)a)e 0%e =e' per&ence aci(a )e &%)o* 5@ 0%e .c% o'* e a re'i'&i% a%&Bno(a* +a en)o2'e )o 'e% po)er )e (%&a. colocando o Lrasil numa posição periférica em relação a esta prGtica.a legitimidade para definir e veicular a capoeira.an.gov. Apesar de não serem contrGrios ao registro. a capoeira. segundo./o )o' capoeiri'&a' na' negocia. o Bstado !rasileiro este a $uerendo se apropriar da prGtica da capoeira e retirar a responsa!ilidade das mãos dos praticantes.poder.es pertence e $ue gera desconfiança $uando passa para as mãos do Bstado. cria o dese o da re!eldia e da li!erdade. Por isso.pa%ses se deve aos mestres.portal.

!rKv2K.com. deveDse estar atento 0s diferentes transformaç#es dessa arte. Segundo estes. uma ve' $ue a capoeira estG muito glo!ali'ada 9UUU.. conforme vimos.istória.com. a capoeira é uma contraDcultura. $ue foi aluno de Lim!a. ac. a capoeira l. e isso nunca pode ser es$uecido.NO>. Alguns capoeiristas compartil.revistade.8 Eodos ficarão 5sa!endo $ue a$ui é $ue é o lugar da capoeira8 9UUU. Por outro lado.omeKA goWdetal.egemonia da ideologia do !ran$ueamento. por si só. Para mestre (tapoã. $ue não . Podemos perce!er. &u se a. $ue tra' consigo a . Para e'&e'* %(a )a' gran)e' cr1&ica' ao regi'&ro re'i)e no fa&o )a capoeira &er 'i)o recon=eci)a co(o %( 4e( c% &%ra 4ra'i eiro* e n/o afro24ra'i eiro# @onforme vimos eles acreditam tratarDse de uma prGtica essencialmente negroDafricana. diante do medo da apropriação desta atividade por naç#es estrangeiras. 5o mundo inteiro vai sa!er $ue essa é uma manifestação !rasileira. nesse sentido. $ue é uma manifestação nossa.. é ustamente a !rasilidade da capoeira $ue precisa ser afirmada pelo Bstado.istoria. para $ue não perca o seu carGter de resistCncia.eYidW<. Bla pode acol. eles próprios são os $ue tCm autoridade para falar.omeKAgoWdetal. independentemente da cor de peleA Fuem tem legitimidade para condu'ir os seus rumosA Para os capoeiristas.er os !rancos desde $ue estes a udem no com!ate 0 . 1eparamoDnos então com a seguinte $uestão.Para vGrios praticantes do 2ogo de Angola. os mestres do passado e do presente sofreram muito para manter viva essa atividade.es pertence em primeiro lugar. ?estre ?ão Lranca.a $ue o registro da capoeira é uma coisa !oa pois a protege dos oportunistas do e/terior. tam!ém praticante de 3egional. uma forma de ativismo pol%tico e.eYidW<. de $uem é a capoeiraA 1os capoeiristas ou do BstadoA 1os negros ou de todos.istoria.revistade. o sofrimento e a resistCncia do povo negro. 2G para o Bstado !rasileiro e seus órgãos representantes a capoeira é !rasileira. por trGs desses conflitos em torno da 5posse8 da capoeira. pensar e agir em prol da capoeira. os autori'a a tomar decis#es a seu respeito.!rKv2K.am esse ponto de vista.N<>.G consenso em termos do grupo $ue essa atividade estaria . o $ue.

H seu passado. $ue l. $uanto na $ue é sustentada pelo ?inistério da @ultura e pelo (P)A*. a idéia de $ue a capoeira possui uma relação direta de continuidade com o passado. apesar das diferenças de pontos de vista. 2oão 4rande migrou para os Bstados Jnidos na década de <==-. . onde permanece até . 1a% as in"meras disputas de $ue é alvo. e $ue é entendida como um patrimônio a ser preservado. O< ?estre 2oão 4rande é um dos maiores %cones vivos da @apoeira de Angola.a. Bm am!os os casos. Eanto nas diferentes perspectivas defendidas pelos capoeiristas. se a ele !rasileiro ou africano.o e. é fundamental. $ue aprendeu diretamente com mestre Pastin.e confere um valor no presente. intimamente ligados 0s representaç#es so!re a origem e a identidade dos $ue dela se apropriam. a capoeira parece encarnar valores essenciais.representando.

?Grcio. 3osIngela @osta. Bntrevista. anK un 2--5. ano <<.in. so!re as diferentes categories do patrimônio .istórico e cultural no Lrasil8. (n.. . Lras%lia. Gilberto Gil e patrimônio imaterial no Ministério da Cultura 1issertação de ?estrado em Antropologia Social. At. @&BP)& *BE&. #i#a meu mestre $ Capoeira $n%ola da &escola pastiniana' como prá(is educati#a Eese de 1outorado da Raculdade de Bducação. 5& nosso ogo8. Q. 2 3io de . Será que dá samba? Mudança. APB*@A3. JnL. anK un 2--:.o-o Grande entre a . 5)erança. @ASE3&. Lorges. Pivraria @. 3%via 3X]er Landeira de. 2ornal (ro.org. Pui'. s. . A3A[2&. Verena Y A3A[2&. Jniversidade de São Paulo. ?aur%cio Larros de. (n.in. @A*A*(. 1ispon%vel em. (n.a/ia e *o#a 0or1 Eese de 1outorado do 1epartamento de )istória. (n. 2--:. Am%lcar. São Paulo. 3evista em.iro. 5@apoeira. <=2. nZ 2O. de )istória da Li!lioteca *acional. !". 2--5. nZ < N. Jniversidade de São Paulo.a)ar & Porto. 3io de 2aneiro.ena. B1?J*1&.Refer9ncia' 4i4 iogr@fica'E AL3BJ.d. Estudos Históricos.!r . APLB3E(. 5Fual \fricaA Significados da \frica para o movimento negro no Lrasil8.aneiro no tempo dos 4ice5 3eis 3io de 2aneiro. UUU. Hori)on tes $ntropoló%icos. Porto Alegre. 2--V. 1ispon%vel (n. sacralidade e poder.ardon. Aline S. nZ O=. <=O2. mestre (tapoã. *a roda do mundo+ mestre . tradição e identidade cultural8.

UUU. . 2--:.capoeira angola. 1ispon%vel em.!rKv2K. (n. memória e ideologias nacionais. cor. 2osé 3eginaldo. $ntropolo%ia dos ob6etos+ coleç7es.!r .!rKscriptsKdiscursos. mestre ?ão Lranca. 2s sambas. Jnicamp. 2ac$ues. o patrimônio en$uanto categoria de pensamento8. 2--O.UUU. 3evista de )istória da Li!lioteca *acional. dispon%vel em. PB 4&RR. $ntropolo%ia dos ob6etos+ coleç7es.istoria. os bumba5meu5bois $ tra6etória da sal#a%uarda do patrimônio cultural imaterial no . 2--N. pa' no mundo. 5?aestria recon.istoria.portal. UUU. 4il!erto.omeKAgoWdetal.!rKv2K.!rKv2K. as rodas.eYidW<. UUU. 3io de 2aneiro. ?in@K(P)A*K1B?J.N.eYidW<.NO RJ*1A^_& (*EB3*A@(&*AP 1B @AP&B(3A A*4&PA. Bntrevista. (P)A*K@*R@P.eYidW<.gov. 4aramond.ecida8. 1ispon%vel em.N< .cultura. P. (n. História e memória @ampinas. 9:.a. ````. (n. PB?PB.org 4(P.com. (n. 4aramond. UUU. 5Autenticidade.@. ano (((. nZ O. museus e patrimônios 3io de 2aneiro.idcAcodigoW<<VO .revistade.revistade. <=-N.rasil. 1ispon%vel em. ?in@K(P)A*K1B?J.an.ip. 3evista de )istória da Li!lioteca *acional. dispon%vel em. N-7.com. UUU.<5=>>< Lras%lia. Lrasil.revistade. (n. 5& esp%rito e a matéria. maio de 2--N. (n. 51ocumentoK?onumento8. 2--:.com. ?arina.istoria.gov.omeKA goWdetal. o pro!lema dos patrimônios culturais8. 5A capoeira8. 4&*^APVBS. Grupo de Capoeira $n%ola 0piran%a de 8astin/a 1V1 produ'ido pelo @entro apiranga de Pastin.omeKAgoWdetal. museus e patrimônios 3io de 2aneiro. 3e#ista Kosmos.

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A CAPOEIRA COMO PATRIMKNIO IMATERIAL C=ar e' .