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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA SOCIOLOGIA DO DIREITO Prof. Eurico Antonio G.C.

dos Santos Aluno: Leonardo de Souza Santos Matrícula: 13/0120219 Resenha referente ao texto de KELLY, J. M. Uma breve história da teoria do direito ocidental. Cap. XIX. Tradução Marylene Pinto Michael, São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010.

No capítulo 8 de “Uma breve história da teoria do direito ocidental”, “O século XIX”, o autor busca construir um panorama geral e amplo do contexto social, político e jurídico da Europa ocidental nesse século, abarcando os fenômenos de codificação e o fortalecimento da corrente positivista do direito, as reformulações do utilitarismo pelo trabalho de Stuart Mill, o crescimento da importância do direito internacional, os fenômenos de unificação da Alemanha e Itália, a importância da propriedade, altamente influenciada pelo pensamento liberal de Locke, a escola histórica e, também, o pensamento marxista vinculado ao direito. Inegavelmente, há outros tópicos que foram tocados pelo desenvolvimento da exposição de Kelly, mas julga-se aqui que foram tais os principais. Em 1815, após a derrota efetiva de Napoleão pela coalização formada por Inglaterra, Prússia, Rússia e Áustria, o Congresso de Viana realizou um acordo que preceituava a estabilidade e equilíbrio geral entre as nações europeias nos negócios políticos e econômicos comuns, garantindo um século XVIII de relativa paz, que só foi ameaçada por alguns pequenos conflitos, como a Guerra da Crimeia (1853 – 1856). Todavia, nada que se comparasse aos conflitos que veria o mundo no século seguinte. A Inglaterra, elevada ao patamar de nação de maior potência econômica mundial pela Revolução Industrial, assistiu à sua urbanização crescente, gerando um acúmulo excessivo de pessoas em cidades que cresciam sem qualquer projeto prévio, gerando subúrbios, cortiços, que serviam de instrumento para a propagação de doenças pela

embora quando ele ainda estave em vida relativamente pouco efeito tenha produzido no universo e na mentalidade jurídicos ingleses e. em 1804. John Austin defendia o primado do direito estritamente positivo frente a todas as demais formas de direito. preponderou as teoria de natureza liberalista. como na atribuição de leis penais e sua severidade. sobretudo. em contraposição ao pensamento liberalista. Os processos de codificação. Não obstante. Para Austin. movidos pela confiança no dogma da completude. o Direito. aproximadamente no mesmo período. inicialmente concebidos como positivação de leis naturais derivadas de uma razão universal. pouco tempo depois acabaram por mostrar-se. estabelecidos por uma autoridade politicamente soberana. altamente influenciado pela filosofia hegeliana e o seu processo dialético. dominando o pensamento jurídico do commonwealth até o século XX. que em A Riqueza das nações condensou os princípios de seu pensamento econômico que o tornaria um dos economistas de maior relevo da história. Karl Marx. o ordenamento jurídico estatal possuía todos os recursos necessários para a resolução da infinidade de problemas emergidos do universo fático. os comandos jurídicos. consequentemente. Mais importante foi a sua obstinação em abstrair-se de teorias de cunho metafísico (direito natural). em verdade. propondo. O pensamento de Bentham. portanto. a revolução do proletariado e a instauração de uma ditadura por um tempo até que a própria necessidade de existência de um Estado findasse. Com a Revolução Industrial. como alternativa única. Na Inglaterra. operava o princípio in claris cessat interpretatio. na prática legislativa em geral etc. a vitória do positivismo. um instrumento que servia apenas a dominação de uma classe (a burguesia) sobre a outra (o proletariado). sobretudo com o surgimento da École de l’exégèse. que têm como exemplo típico o Code Napoleon. ou também do fervor . viu suas teorias influírem consideravelmente nos movimentos de reforma do direito inglês. dentre as quais pode destacar-se como uma de maior relevo a de Adam Smith. o juiz) “escavar” corretamente o código que encontraria a resposta.população. como o “comitê executivo da burguesia”. não podiam prescindir de um elemento. influenciado pelo pensamento de Bentham. europeus. definia o Estado e. preponderante – a sanção. Neles. Para eles. e bastava ao exegeta (o intérprete. deixando pensar-se que com eles se via a consolidação do direito natural.

virtude. a sua essência. visto que. uma tradição que buscava analisar o fenômeno jurídico não meramente como Direito posto no momento presente. por sua vez. John Stuart Mill. Assim. para Savigny. muitos países. incorporam consideráveis parcelas de ordenamentos jurídicos de outros Estados. semelhante teoria encontrou o seu fracasso. no século XX. Algum tempo depois. como a necessidade de manutenção da justiça. percebendo na filosofia utilitarista de Bentham alguns problemas. cuja ausência podia ser identificada pela vivência do sentimento de ressentimento. passando a abarcar com ela o universo valorativo. Entretanto. que tanto terror infundia na consciência europeia à época. seu principal teórico. o “espírito do povo” (Volksgeist). Além disso. uma vez que conferiam notável importância à questão da liberdade individual. Assim. mas como uma formação histórica contínua para cujo entendimento o pesquisador deveria investigar as raízes do povo.revolucionário dos jacobinos. propôs-se reformulá-la em alguns pontos. igualdade. princípios como justiça. as instituições do Estado deveriam ser emanadas “naturalmente” do povo. a máxima do “prazer para o maior número de indivíduos” era limitada por outros princípios fundamentais. no pós-guerra. A Alemanha. e apenas incorporadas de outros ordenamentos quando estes se achavam em consonância com o espírito do povo. viu elevar-se a escola histórica do Direito. . suas ideias coadunaram perfeitamente com o espírito inglês do período. após a descolonização ocorrida em África e Ásia.