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Webinar: Ferramentas Básicas de SIG Aplicadas ao Licenciamento Ambiental

Msc. Hélio Beiroz Imbrosio da Silva
Laboratório de Geotecnologias – LABGIS/UERJ hbeiroz@labgis.uerj.br

Introdução – Licenciamento Ambiental

Ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente, estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental.

Introdução – Sistemas de Informação Geográfica

Conjunto de ferramentas, atualmente, em geral, computacionais, utilizado para armazenar, recuperar, transformar, analisar e visualizar dados espaciais acerca do mundo real, integrando-os em um ambiente de respostas a questionamentos, com potencial de suporte a decisões.

e prevê instrumentos econômicos e financeiros para o alcance de seus objetivos. o suprimento de matéria-prima florestal. a exploração florestal. . áreas de Preservação Permanente e as áreas de Reserva Legal. o controle da origem dos produtos florestais e o controle e prevenção dos incêndios florestais.Introdução – Código Florestal Brasileiro Estabelece normas gerais sobre a proteção da vegetação.

o que não ocorria até então.771). 1989: A Lei 7. incluindo o Bioma do Cerrado na obrigatoriedade.Marcos da História do Código Florestal Brasileiro • 1934: Primeira Legislação Florestal a ser considerada como Código Florestal. • .511 modifica a reserva florestal e aproxima as APP de corpos hídricos do mecanismo atual. já considerando a região geográfica de localização do imóvel. estabelecendo limites para desmatamento em propriedades e obrigatoriedade de medidas com vistas à preservação de recursos hídricos. então com o nome de Florestas Protetoras. introduzindo os termos APP e Reserva Florestal (hoje Reserva Legal). • 1965: Código Florestal vigente até recentemente é criado (Lei n° 4.803 passa a obrigar proprietários a formalizar as áreas já chamadas de Reserva Legal. semelhantes às APP de corpos hídricos. • 1986: Lei Federal 7.

que estabelece categorias e parâmetros para criação.985). 2008: Aumento da rigidez na punição a crimes ambientais relacionados ao descumprimento das normas de Reserva Legal e APP. 2000: Criação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza – SNUC (Lei 9. implantação e gestão de unidades de conservação. com base na medida Provisória 21667-67. traz pressões para a reformulação do Código Florestal.Marcos da História do Código Florestal Brasileiro • 1998: É aprovada a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9. transformando muitas das condutas que antes eram consideradas infrações em crimes. 2001: São alterados os limites de Reserva Legal e APP.605). • • • .

sofre duras críticas de diversos setores da sociedade. a proposta de 2010 foi sofrendo diversas modificações. os ambientalistas e a comunidade científica. porém mais complacente do que os ambientalistas defendiam. especialmente pela retirada da obrigatoriedade de recuperação de APP e Reservas Legais desmatadas de maneira irregular e anistia de diversas multas e outras penas por crimes ambientais. é que o Novo Código Florestal ficou mais rígido do que os ruralistas pretendiam. em geral os debates tinha como defensores e acusadores das alterações quatro grupos: a bancada ruralista.Marcos da História do Código Florestal Brasileiro 2010: Aprovação da proposta de um novo Código Florestal. 2011: Em trâmites pelo Plenário da Câmara dos Deputados e Senado. 2012: Após diversas propostas. o poder executivo federal. • • • . o texto chega a sua versão final e a impressão final. de maneira geral. apesar de aprovada por comissão especial na Câmara dos Deputados. ajustes e vetos.

Para as apresentações a seguir e os exemplos práticos do presente Webinar. estaremos calcados no texto do Novo Código Florestal. aprovado recentemente. .

Objetivos do Licenciamento Ambiental Objetivo: agir preventivamente sobre a proteção do bem comum (o meio ambiente). . também conhecida como Lei da Política Nacional do Meio Ambiente. O licenciamento é um dos instrumentos de gestão ambiental estabelecido pela lei Federal n. compatibilizando sua preservação/conservação com o desenvolvimento socioeconômico. Meta → cuidar para que o exercício de um não comprometa o outro (preservação/conservação e desenvolvimento socioeconômico). essenciais para a sociedade.º 6938. de 31/08/81.

.Tipos de Licenciamento Ambiental Para cada etapa do processo de licenciamento ambiental. se faz necessária a licença adequada Licença Prévia LP Licença de Instalação LI Licença de Operação LO LP: Anterior ao início do empreendimento. LI: Necessária para a instalação/obras do empreendimento. LO: Necessária para o funcionamento do empreendimento/atividade e sujeita à renovação periódica.

.Tipos de Licenciamento Ambiental Licença Prévia . Define medidas mitigadoras e compensatórias.  Compromisso assumido pelo empreendedor de que seguirá o projeto de acordo com os requisitos determinados pelo órgão ambiental. Aprova sua localização e concepção. Atesta viabilidade ambiental do empreendimento.LP  Solicitada na fase preliminar do planejamento. Define as condições com as quais o projeto se torna compatível com a     preservação do meio ambiente que será afetado.

Quando concedida o órgão competente autoriza o início das obras. • Fixado as condicionantes da licença de instalação (medidas mitigadoras e/ou compensatórias)‫‏‬ .  Estabelecido medidas de controle ambiental. . com vistas a garantir que a fase de implantação do empreendimento obedecerá aos padrões de qualidade ambiental estabelecidos em lei ou regulamentos.Tipos de Licenciamento Ambiental Licença de Instalação . Verificado o atendimento das condicionantes determinadas na licença   prévia.LI  Solicitada na fase de detalhamento do planejamento.

.LO  Autoriza o início da operação das atividades ou empreendimento.Tipos de Licenciamento Ambiental Licença de Operação .  Contém as medidas de controle ambiental que servirão de limite para o Estabelece condicionantes para a continuidade da operação (sob pena funcionamento do empreendimento. Verifica o efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores  (prévia e de instalação)‫‏‬ .  de suspensão ou cancelamento da operação)‫‏‬ ..

Tipos de Licenciamento Ambiental LP. LO não eximem o empreendedor da obtenção de outras autorizações ambientais específicas dependentes da natureza do empreendimento e dos recursos naturais ambientais envolvidos (CONAMA 237/97)‫‏‬ . como autorização para explorar centrais hidrelétricas até 30MW (Resolução ANEEL 395/98). transporte e comercialização de produtos florestais. LI. construção e autorização para operação de instalações nucleares. a qual institui a Política Nacional de Recursos Hídricos)‫‏‬ . . queimada controlada em práticas agropastoris e florestais. Concessões das agências reguladoras.433/97. Ainda outras nos casos de: desmatamento. supressão de área de preservação permanente. Exemplos: Utilização de recursos hídricos → outorga de direito do uso destes recursos (Lei 9.

. Ao comportamento empreendimentos.Órgãos Públicos Responsáveis pelo Processo de Licenciamento Em linhas gerais a definição do órgão público está relacionada a 3 fatores: • • Ao comportamento espacial dos empreendimentos. espacial dos impactos ambientais dos • À natureza dos empreendimentos.

ficam sujeitos aos Órgãos Estaduais de Meio Ambiente (OEMAS). quanto de seus impactos.Órgãos Públicos com Jurisdição/Responsabilidade sobre o Licenciamento Quanto ao comportamento espacial. aqueles que ultrapassam os limites estaduais. junto ao maior detalhamento dos critérios e a citação da legislação de referência. mencionadas nos slides seguintes. Já os que se mantém nos limites de um único município estão sujeitos aos órgãos municipais de meio ambiente. ou nacionais estão sujeitos ao licenciamento pelo órgão federal (IBAMA). tanto dos empreendimentos. Os que não ultrapassam limites estaduais. Contudo existem exceções. . mas ultrapassam limites municipais.

fauna e flora é competência comum da União. e licenciamento para empreendimentos com significativo impacto ambiental. IBAMA substitui os órgãos estaduais e municipais. e preservar florestas. de âmbito nacional ou regional (Art 4º Resolução CONAMA 237/97)‫‏‬ .Órgãos Públicos com Jurisdição/Responsabilidade sobre o Licenciamento – Federal/IBAMA Proteger o meio ambiente. cujos impactos se projetem sobre mais de um estado. ou para além do território nacional. estados. Incluindo aqueles realizados em mais de um estado. em sua ausência ou omissão. . combater a poluição. Distrito Federal e municípios.

mediante parecer da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)‫‏‬ . observada a legislação específica. Atividades. Empreendimentos destinados a pesquisar. ou que utilizem energia nuclear em qualquer de suas formas e aplicações.Órgãos Públicos com Jurisdição/Responsabilidade sobre o Licenciamento – Federal/IBAMA Também é jurisdição do IBAMA/ICMBio casos em que os impactos se projetem sobre Unidades de Conservação (UC) federais de qualquer tipo e Florestas Públicas da União. bases ou empreendimentos militares. em qualquer estágio. quando couber. ou armazenar material radioativo ou dele dispor. .

dos órgãos ambientais estaduais. em regra. dependerá de prévio licenciamento. promulgada pelo Decreto 76. com texto aprovado pelo Decreto Legislativo 54/75. tanto de domínio público como de domínio privado. .623/75. Mas será de responsabilidade do Ibama quando se tratar de: Exploração de florestas e formações sucessoras que envolvam manejo ou supressão de espécies enquadradas no Anexo II da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de ExtinçãoCITES.284/06): exploração de florestas e formações sucessoras.Órgãos Públicos com Jurisdição/Responsabilidade sobre o Licenciamento – Federal/IBAMA Pela Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei 11.

supressão de florestas e outras formas de vegetação nativa em área maior que: • Dois mil hectares em imóveis rurais localizados na Amazônia Legal.Órgãos Públicos com Jurisdição/Responsabilidade sobre o Licenciamento – Federal/IBAMA Exploração de florestas e formações sucessoras que envolvam manejo ou supressão de florestas e formações sucessoras em imóveis rurais que abranjam dois ou mais estados. Supressão de florestas e formações sucessoras em obras ou atividades potencialmente poluidoras licenciadas pelo Ibama. Manejo florestal em área superior a cinquenta mil hectares. . • Mil hectares em imóveis rurais localizados nas demais regiões do país.

Órgãos Públicos com Jurisdição/Responsabilidade sobre o Licenciamento – Estadual/OEMAS Situações em que a competência pelo licenciamento recai sobre os órgãos estaduais e distritais (Art. 5º Resolução Conama 237/97): • Localizados ou desenvolvidos em mais de um município ou em unidades de conservação de domínio estadual ou do Distrito Federal. estaduais ou municipais. • Delegados pela União aos estados ou ao Distrito Federal por instrumento legal ou convênio. 2º da Lei 4. • Cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais de um ou mais municípios.771/65 e em todas as que assim forem consideradas por normas federais. . • Localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação natural de preservação permanente relacionadas no art.

• . Empreendimentos sobre os quais houve delegação de jurisdição quanto ao licenciamento pelo estado por instrumento legal ou convênio. que não ultrapassem os limites municipais.Órgãos Públicos com Jurisdição/Responsabilidade sobre o Licenciamento – Municipal/Secretarias Municipais de Meio Ambiente Aos órgãos ambientais municipais compete o licenciamento ambiental: • Empreendimentos e atividades de impacto ambiental local.

tal estrada possui um trecho que atravessa área indígena IBAMA Situação 4 .a estrada está restrita a apenas um município.a estrada e seus impactos ambientais diretos estão limitados a um único estado órgão estadual Situação 5 .Órgãos Públicos com Jurisdição/Responsabilidade sobre o Licenciamento .a estrada atravessa mais de um estado IBAMA Situação 3 . Cartilha de Licenciamento ambiental. 2007. .Exemplos Pretende-se construir uma estrada Situação 1 . mas atravessa uma unidade de conservação de domínio da União IBAMA Fonte: TCU Ibama.a estrada e seus impactos ambientais diretos estão limitados a um único município órgão municipal Situação 2 .

os empreendimentos e atividades alvo do processo de licenciamento ambiental por si próprios terem um comportamento espacial.Exemplos Não obstante. diversos mecanismos relacionados ao licenciamento ambiental estão relacionados à geração de recortes espaciais/territoriais. constituem também objetos e fenômenos passíveis de serem expressos e analisados através de dados espaciais. .Objetos Espaciais e Recortes Territoriais Relacionados ao Licenciamento Ambiental no Código Florestal . em ambiente de SIG. obviamente não esgotam o conjunto de elementos espaciais atrelados ao licenciamento. Passaremos a alguns exemplos no slides seguintes. De tal forma. que.

a paisagem. coberta ou não por vegetação nativa. inciso II: “área protegida. com a função ambiental de preservar os recursos hídricos. em seu art.APP O conceito de Área de Preservação Permanente é dado pelo Código Florestal (Lei nº 12.Áreas de Preservação Permanente . de 25 de maio de 2012).651. facilitar o fluxo gênico de fauna e flora. 3º. a estabilidade geológica e a biodiversidade. proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas” .

Áreas de Preservação Permanente - APP Segundo o artigo 4º do Código Florestal considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei: As faixas‫‏‬marginais‫‏‬de‫‏‬qualquer‫‏‬curso‫‏‬d’água‫‏‬natural‫‏‬perene‫‏‬e‫‏‬ intermitente, excluídos os efêmeros, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima de: • 30 (trinta)‫‏‬metros,‫‏‬para‫‏‬os‫‏‬cursos‫‏‬d’água‫‏‬de‫‏‬menos‫‏‬de‫‏‬10 (dez) metros de largura; • 50 (cinquenta)‫‏‬metros,‫‏‬para‫‏‬os‫‏‬cursos‫‏‬d’água‫‏‬que‫‏‬tenham‫‏‬de‫‏‬10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; • 100 (cem)‫‏‬metros,‫‏‬para‫‏‬os‫‏‬cursos‫‏‬d’água‫‏‬que‫‏‬tenham‫‏‬de‫‏‬50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; • 200 (duzentos)‫‏‬metros,‫‏‬para‫‏‬os‫‏‬cursos‫‏‬d’água‫‏‬que‫‏‬tenham‫‏‬de‫‏‬200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; • 500 (quinhentos)‫‏‬metros,‫‏‬para‫‏‬os‫‏‬cursos‫‏‬d’água‫‏‬que‫‏‬tenham‫‏‬largura‫‏‬ superior a 600 (seiscentos) metros.

Áreas de Preservação Permanente - APP As áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais, em faixa com largura mínima de: • 100 (cem)‫‏‬metros,‫‏‬em‫‏‬zonas‫‏‬rurais,‫‏‬exceto‫‏‬para‫‏‬o‫‏‬corpo‫‏‬d’água‫‏‬com‫‏‬ até 20 (vinte) hectares de superfície, cuja faixa marginal será de 50 (cinquenta) metros; • 30 (trinta) metros, em zonas urbanas. As áreas‫‏‬no‫‏‬entorno‫‏‬dos‫‏‬reservatórios‫‏‬d’água‫‏‬artificiais,‫‏‬decorrentes‫‏‬de‫‏‬ barramento‫‏‬ou‫‏‬represamento‫‏‬de‫‏‬cursos‫‏‬d’água‫‏‬naturais,‫‏‬na‫‏‬faixa‫‏‬definida‫‏‬ na licença ambiental do empreendimento. As áreas‫‏‬no‫‏‬entorno‫‏‬das‫‏‬nascentes‫‏‬e‫‏‬dos‫‏‬olhos‫‏‬d’água‫‏‬perenes,‫‏‬qualquer‫‏‬ que seja sua situação topográfica, no raio mínimo de 50 (cinquenta) metros.

Áreas de Preservação Permanente - APP As restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues. Os manguezais, em toda a sua extensão. Em veredas, a faixa marginal, em projeção horizontal, com largura mínima de 50 (cinquenta) metros, a partir do espaço permanentemente brejoso e encharcado. As bordas dos tabuleiros ou chapadas, até a linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais.

APP As encostas ou partes destas com declividade superior a 45°. nos relevos ondulados. as áreas delimitadas a partir da curva de nível correspondente a 2/3 (dois terços) da altura mínima da elevação sempre em relação à base. qualquer que seja a vegetação. As áreas em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros. sendo esta definida pelo plano‫‏‬horizontal‫‏‬determinado‫‏‬por‫‏‬planície‫‏‬ou‫‏‬espelho‫‏‬d’água‫‏‬adjacente‫‏‬ ou. montes. pela cota do ponto de sela mais próximo da elevação. . com altura mínima de 100 (cem) metros e inclinação média maior que 25°. equivalente a 100% (cem por cento) na linha de maior declive.Áreas de Preservação Permanente . montanhas e serras. No topo de morros.

Áreas de Preservação Permanente .APP Exemplo de mapeamento de APPs em margens de rios e nascentes .

Áreas de Preservação Permanente .APP Exemplo de mapeamento de APPs por declividade do terreno .

é obrigatória a recomposição da área de APP. salvo no caso de áreas rurais consolidadas. Art.Recuperação de APP em Áreas de Uso Rural Consolidado No caso de haver atividades não compatíveis com a APP. 61-A). a extensão a ser recuperada é definida em função do número de módulos fiscais que compõem o imóvel. . No caso de imóveis com áreas rurais consolidadas sobrepostas à APP. mais ele é obrigado a recuperar (Lei 12.651. de maneira que quanto maior o imóvel. Adiante exemplificaremos os critérios para APP de margem de rios. ou desmatamento da mesma.

benfeitorias ou atividades agrossilvipastoris”. define área rural consolidada como sendo a “área de imóvel rural com ocupação antrópica preexistente a 22 de julho de 2008. um módulo fiscal geralmente varia de 5 a 110 hectares.Módulo Fiscal e Áreas Rurais Consolidadas . Os imóveis de até 4 módulos fiscais são considerados. inciso IV. 3º. com edificações. pequenas propriedades rurais.Definições O módulo fiscal corresponde à área mínima necessária a uma propriedade rural para que sua exploração seja economicamente viável. O Código Florestal Brasileiro em seu art. segundo a legislação vigente. A depender do município. .

• Para imóveis com mais que 4 módulos fiscais a recomposição respeitará o estabelecido no Programa de Regularização Ambiental (PRA). II) . estados e Distrito Federal. com o mínimo de 20 e máximo de 100 metros (Lei 12. § 4º. a ser implantado pela União. recomposição de faixas marginais de 5 metros. 61-A. • Para imóveis com mais que 1 e até 2 módulos fiscais.651. • Para imóveis com mais que 2 até 4 módulos fiscais. Art. recomposição de faixas marginais de 15 metros. recomposição de faixas marginais de 8 metros.Critérios de Recomposição de APP em Áreas de Uso Rural Consolidado para Margens de Rios • Para imóveis de até 1 módulo fiscal.

não pode ultrapassar: • 10% da área total do imóvel para imóveis com até 2 módulos fiscais. • 20% da área total do imóvel para imóveis com mais que 2 e até 4 módulos rurais . no caso de imóveis rurais.Critérios de Recomposição de APP em Áreas de Uso Rural Consolidado para Margens de Rios Deve-se observar que a extensão da área de recomposição.

em seu art.RL O conceito de Reserva Legal é dado pelo Código Florestal (Lei nº 12. bem como o abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa” . inciso III: “área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural. auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade. de 25 de maio de 2012). 3º. com a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural.651.Reserva Legal .

em área de campos gerais. 12. I e II): • 80% da propriedade rural localizada na Amazônia Legal. • 20% nas propriedades rurais localizadas nas demais regiões do país. • 35% da propriedade rural localizada na Amazônia Legal.Reserva Legal .RL Atualmente. em área florestal. constam no Código Florestal (art. em área de cerrado. • 20% da propriedade rural localizada na Amazônia Legal. no Brasil temos 3 contextos gerais de parâmetros para a extensão da RL. .

no caso abordado.938. . sobre a área excedente. e Cota de Reserva Ambiental. ou física. nos termos da Lei no 6. que não tenha cumprido as exigências quanto à área de Reserva Legal. de 31 de agosto de 1981. 13 do Código Florestal. exploração ou supressão de recursos naturais existentes. parágrafo 1º o proprietário ou possuidor de imóvel rural que mantiver Reserva Legal conservada e averbada em área superior aos percentuais exigidos poderá instituir Servidão Ambiental sobre a área excedente. em caráter permanente ou temporário. A situação de Servidão Ambiental constitui a renúncia voluntária.Servidão Ambiental Segundo o art. A área sob tal regime pode ser arrendada para outra pessoa jurídica. total ou parcialmente. a direito de uso.

sendo responsabilidade do órgão responsável pela administração da unidade estabelecer normas regulamentando a ocupação e o uso dos recursos da ZA. . Os limites da ZA e as respectivas normas poderão ser definidos no ato de criação da unidade ou posteriormente. XVIII).ZA As zonas de amortecimento correspondem ao “entorno de uma unidade de conservação.Zona de Amortecimento . com o propósito de minimizar os impactos negativos sobre a unidade” (SNUC. art. 2000. onde as atividades humanas estão sujeitas a normas e restrições específicas. 2.

. quando definidas formalmente. Nº 428.Zona de Amortecimento . caso não haja plano de manejo contendo a delimitação precisa da mesma. não podem ser transformadas em zonas urbanas. de 2010 reduziu para 3km a partir dos limites da UC a faixa correspondente à ZA (anteriormente de 10km). Destaca-se ainda. que a resolução não faz menção a alterações no artigo 49º do SNUC (2000) que determina que o interior de UCs de proteção integral são consideradas. zona rural e que as ZAs de tais UCs.ZA A resolução do CONAMA. para os efeitos legais.

Zona de Amortecimento .ZA Exemplo de mapeamento de ZA de UC .

ou interferem no comportamento de algum objeto/fenômeno que tem comportamento espacial. ou dos fenômenos em que ele interfere. intensidade e duração dos impactos ambientais. ou o fenômeno influenciado por ele. para extrair informações e modelos numéricos acerca da extensão.Análise Espacial de Impactos Ambientais pra Licenciamento Ambiental Todos os impactos ambientais possuem um comportamento espacial. necessitamos de dados espaciais oriundos da medição das variáveis que representam os impactos . Para isso. É possível analisar o comportamento espacial dos impactos. .

entre outros objetivos. como o principal documento de avaliação de impactos de empreendimentos. obrigatório para empreendimentos que necessitam de licitação ambiental. ele deve definir os limites da área geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos impactos. .Análise Espacial de Impactos Ambientais e o EIA A análise espacial de impactos ambientais é um dos conteúdos principais do Estudo de Impactos Ambientais (EIA). Definido pela Resolução Conama 01/86.

. em linguagem acessível. de modo que se possa entender as vantagens e as desvantagens do projeto e todas as consequências ambientais de sua implementação.Análise Espacial de Impactos Ambientais e o RIMA A análise espacial de impactos ambientais também é relevante para o Relatório de Impactos ao Meio Ambiente (RIMA). quadros. que oferece informações essenciais para que a população tenha conhecimento das vantagens e desvantagens do projeto e as conseqüências ambientais de sua implementação. ilustradas por mapas. cartas. gráficos e demais técnicas de comunicação visual. O RIMA deve ser apresentado de forma objetiva e adequada à compreensão do público em geral.

O processo de interpolação consiste em obter o valor (estimado) de uma variável para toda a extensão da área sob análise com base em amostras de extraídas de algumas localidades dentro dessa área. posto que a variação do comportamento dos objetos (impactos. ou outros) ocorre em função de fatores variados. como distância. densidade espacial.Análise Espacial de Impactos Ambientais Entre os diversos métodos possíveis de análise espacial. intensidade da fonte. Há diversos interpoladores. os baseados em interpolação. etc. correlação espacial. da maioria das interpolações é um modelo numérico que expressa o gradiente de variação ao longo de uma superfície. . destacamos. para análise de impactos ambientais. O resultado. Vejamos a seguir um exemplo.

Análise Espacial de Impactos Ambientais Exemplo de interpolação da diferença de nível de ruído. com objetivo de estimar o comportamento do impacto ambiental por poluição sonora da construção de uma nova via autoestrada Amostras Limites de Bairros .

onde há poucas amostras (pontos pretos). as áreas às margens da imagem ao lado.Análise Espacial de Impactos Ambientais Uma boa interpolação depende de uma boa amostragem. Todo modelo necessita de validação. . não apresentam valores confiáveis.

Não-espacial – o que é (descrição). Temporal – quando. Composto por três componentes: o o o o Espacial – onde está (localização). .O que é o dado espacial/geográfico? o “Caricaturas”‫‏‬de‫‏‬fenômenos‫‏‬observados‫‏‬na‫‏‬superfície‫‏‬ da Terra.

Universo de Representação.O paradigma dos quatro universos para representação da informação geográfica A representação computacional do espaço é um típico problema da Ciência da Geoinformação. divide-se o problema em quatro universos: o o o o o o Universo Real. . Para melhor se entender o processo. ao contrário do mundo real. já que o ambiente computacional possui grande formalismo e é discreto (limitado). Universo de Implementação. Universo Conceitual.

Universo Real o Também chamado de universo do mundo real. É matematicamente contínuo (natureza). Representação via medidas e referência espaçotemporal – essas medidas dão origem aos dados. As medições podem ser qualitativas ou quantitativas. o o Nele se encontra os fenômenos que queremos representar e medir. o o .

edificações.Tipos de superfícies físicas – Universo Real o Há três tipos de superfícies que os fenômenos geográficos apresentam: o o o Discreta: facilidade de localizar as bordas (ex: rua. Contínua: dificuldade de localizar ou ausência de bordas (ex: vegetação. . zona de influência). zona eleitoral. Abstrata: Bordas não existem fisicamente. poste. solo. geralmente definidas descritivamente (ex: município. temperatura). rio). altimetria.

o o . Autores apresentam algumas classificações conceituais das informações geográficas. a OMT-G – Object Modeling Technique for Geographic Applications (referências ao final da apresentação). vejamos a seguir um das mais aplicadas. Modelos conceituais são elaborados nesse processo – quais informações medir e quais os relacionamentos entre estas informações.Universo Conceitual o Neste universo são definidos os conceitos do mundo real a representar.

OMT-G – classificação conceitual Classe Georreferenciada Não Espacial Geo-Campo Geo-Objeto TIN Amostra Polígono Adjacente Isolinha Tesselação Sem Topologia Com Topologia Polígono Linha Ponto Arco Unidirecional Arco Bidirecional Nó .

Não espacial: possui apenas duas componentes: o que e quando (informações não geográficas). . As classes são dividas em dois tipos: o o o Georreferenciada: possui as três componentes: onde. toda a informação geográfica pertence a uma classe – um grupo de informações que representam um mesmo conceito do mundo real.OMT-G – classificação conceitual – 1º e 2º nível o OMT-G é um modelo baseado na orientação à objetos. o que e quando (geoinformações). desta forma.

apresentam a distribuição espacial de uma variável contínua. Geo-objeto: São entidades do mundo real discretas/individualizáveis. relevo. temperatura. teor de minerais no solo. árvore. o . ou seja. rio. umidade. que apresentam limites definidos e características próprias.OMT-G – classificação conceitual – 3º nível o As classes georreferenciadas são dividas em: o Geo-campo: Representam variáveis contínuas no espaço. município. solos e geologia. Exemplos: rua. em outras palavras. unidade de conservação e poste. edificação. Exemplos: pressão. vegetação.

uso do solo e classificação climática. é gerada uma superfície interpolada composta por triângulos irregulares. geologia. Isolinhas: são linhas onde todos os pontos que as compõem possuem o mesmo valor da variável contínua: curvas hipsométricas. em cada célula é realizada uma medição da variável: imagens de satélite e altimetria ou declividade gerada por interpolação. Tesselação: a área é subdivida em células de tamanho igual. medições de estações meteorológicas e amostras de solo. Elas são divididas em: o o o o o Amostras: são pontos amostrais da variável contínua como pontos cotados. TIN (rede triangular irregular): geralmente por meio de isolinhas ou amostras. isotermas (temperatura) e isoietas (chuva).OMT-G – classificação conceitual – divisão de geo-campo o o As classes do tipo geo-campo sempre representam a distribuição espacial de uma variável contínua. Polígono Adjacente: divide-se a área de estudo em regiões segundo um critério de classificação: vegetação. .

rede de esgoto.OMT-G – classificação conceitual – divisão de geo-objeto o As classes do tipo geo-objeto podem ser dividas em: o Com topologia: o objetivo é representar a localização geográfica e conectividade entre os objetos. o . rede de energia. Sem topologia: o objetivo é representar a localização geográfica dos seus limites: rio definido pelas margens e fazendas representadas por seus limites. geralmente expressam sistemas conectados complexos como rede viária. entre outros. rede de drenagem.

o o . Polígono: a localização geográfica do objeto é apresentada de forma bidimensional. Linha: a localização geográfica do objeto é apresentada de forma unidimensional.OMT-G – classificação conceitual – divisão de geo-objeto sem topologia o As classes do tipo geo-objeto sem topologia podem ser dividas em: o Ponto: a localização geográfica do objeto é apresentada de forma adimensional.

A conexão pode ser dar de A para B como também de B para A. Nó: representa os objetos conectados pelos arcos. o o o Os arcos são representados por linhas e nós por pontos. O arco tem um fluxo associado que indica se a conexão se dá de A para B ou B para A.OMT-G – classificação conceitual – divisão de geo-objeto com topologia o As classes do tipo geo-objeto com topologia podem ser dividas em: o Arco bidirecional: expressa uma conexão entre dois nós A e B. . Arco unidirecional: expressa uma conexão entre dois nós A e B.

linhas e áreas através de conjuntos finitos de coordenadas. Vetorial: define-se pontos. Há duas formas de representação dos conceitos sobre o mundo real no SIG: o o o o Matricial: divide-se a área em uma grade/matriz de células regulares.Universo de Representação o Neste universo. Um mesmo conceito pode ser representado de maneiras diferentes no computador. . se escolhe a estratégia de representação da informação no ambiente computacional.

Representação Vetorial o Representa entidades por meio pontos. linhas e polígonos. Os objetos vetoriais não preenchem necessariamente todo o espaço. Linhas e polígonos são conjuntos de pontos (coordenadas) ligados em forma de segmento. o o .

Vértice Nó Vértice .Primitivas vetoriais Feições vetoriais são definidas espacialmente por: Ponto .uma seqüência de pontos conectados por segmentos de retas.y.z.um conjunto fechado de linhas.coordenadas x.y1) Linha .y ou x. (x1. Nó Polígono .

por exemplo. Geralmente cada objeto vetorial possui um conjunto de atributos alfanuméricos como. na forma tabular. Relativamente mais compacto do que a representação matricial.Características da representação vetorial o Melhor para expressar topologia. o o o . O‫“‏‬átomo”‫‏‬da‫‏‬representação‫‏‬vetorial‫‏‬é‫‏‬o‫‏‬ponto.

Tabela de atributos comumente associada a representação vetorial Campos (colunas) Registros (linhas) .

Cada célula contém um único valor – possibilidade de conexão relacional com outra tabela. tipo de solo.. altimetria e etc.. A matriz descreve um dado fenômeno – exemplo: temperatura. O‫“‏‬átomo”‫‏‬desta‫‏‬representação‫‏‬é‫‏‬o‫‏‬pixel ou célula. Toda a área tem que estar referenciada.Representação Matricial o Toda a área é subdivida em célula (pixels) de tamanho regular. o o o o .

Exemplo de representação matricial Célula origem da matriz Tamanho da célula Número de Linhas NODATA (X.Y) Número de Colunas Definição de uma malha (grid) em um SIG .

Comparação entre as representações Vetoriais Matriciais Mundo Real .

Comparação entre as representações – primitivas vetoriais x pixel .

Entretanto o conceito nos impõe maiores restrições à informação como. isolinhas hipsométricas (geo-campo) não podem se cruzar. existem conceitos que admitem bem as duas representações como. Por exemplo. os polígonos adjacentes (geo-campo). Em suma. ponto (geo-objeto sem topologia) e nó (geo-objeto com topologia) podem ser representados por pontos vetoriais.Um conceito influencia no tipo de representação. Observe que amostras (geo-campo). e representação de geo-objeto com topologia nos aponta para representação vetorial.. Há conceitos que influenciam na adoção da representação. por exemplo. mas ruas (geo-objeto linha) podem.. a matricial seria quase impraticável. . por exemplo. a tesselação na sua definição é similar a representação matricial. Todavia. conceitos diferentes podem possuir a mesma representação.

gpx. não necessariamente todo o formato de arquivo tem a capacidade de representação necessária. jpeg. algoritmos e afins pertencem a este universo. svg) e matriciais (tiff. bmp). precisamos definir como ela será implementada no computador. Há grande variedade de implementações de representações vetorias (shp. o o o . png. dwg. img. kml. dxf. A escolha da implementação é importante. Formatos de arquivo.Universo de Implementação o Um vez escolhida a representação da informação geográfica. estrutura de dados. dwg.

. 3) Rede de drenagem: um arquivo dwg implementa a representação vetorial do conceito de arco unidirecional sobre rios de uma bacia hidrográfica no mundo real..um arquivo shapefile implementa a representação vetorial do conceito de isolinhas do relevo do mundo real. 2) Imagem de satélite: um arquivo TIFF implementa a representação matricial do conceito de tesselação sobre a reflexão da radiação eletromagnética (REM) na superfície do mundo real.Ligando os universos. o conceito e nem o que estamos representando sobre o mundo real. Exemplos: 1) Curvas de nível . . Podemos converter o DWG do item 3 para shapefile (SHP) que não vamos alterar a representação.

br/ccivil_03/leis/L9985.br/gilberto/livro/analise/ .planalto.htm Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza http://www.gov.inpe. http://www.br/ccivil_03/leis/L8629.br/ccivil_03/leis/L9605. http://www.planalto.inpe.dpi.dpi.planalto.htm Regulamentação dos Dispositivos Constitucionais Relativos à Reforma Agrária http://www.br/gilberto/livro/introd/ Livro: Análise Espacial de Dados Geográficos.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Lei/L12651.Referências de Material Consultado e Sugestões Código Florestal Brasileiro http://www.htm Lei de Crimes Ambientais http://www.gov. Brasília.planalto. INPE.htm Livro: Introdução à Ciência da Geoinformação. EMBRAPA. 2004.gov.gov. 2004.

uerj.br .Obrigado Hélio Beiroz hbeiroz@labgis.