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Universidade do Estado do Rio de Janeiro Instituto de Artes Estética e teoria da arte III Professor Luís Cláudio da Costa

ENQUADRAMEN !"# Análise da o$ra de Diane Ar$us a %artir da leitura de O que vemos, o que nos olha

Natália Nic&ols Calv'o (lávia "antos

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ois "oula/es Diane Ar$us foi u0a fot1/rafa norte2a0ericana cu3a o$ra dei4ou u0 le/ado artístico 0uito %eculiar5 "eu tra$al&o es/ar. mesmo diante de situações ditas cotidianas sua lente capturou ou transfor0ou fi/uras ordinárias e0 e4trava/antes a$erra. Como o inconsciente.a5 Ar$us discute o %ar@0etro da nor0alidade ao nos defrontar co0 fi/uras %eculiares $uscadas e0 locais su$3u/ados6 ditos su$0undos5 Lan.adora de %ersonalidades estran&as5 Es%ecialista e0 encontrar e4c:ntricas fi/uras e0 locais co0o $ailes de travestis e &otéis %o%ulares5 U0 /i/ante 3udeu do .ou os li0ites do nor0al6 nor0alidade tal 7ue na vis'o da artista n'o %oderia ser encarado de for0a convencional5 A o$ra de Diane Ar$us e4%lora a vasta diversidade identitária e4istente na sociedade ocidental5 "o$re isso "oula/es afir0a6 8a nor0alidade revelou2se co0 Ar$us t'o anor0al 7uando a anor0alidade95 Ar$us era assu0ida0ente u0a ca.ando 0'o de u0 %adr'o convencional de $ele>a reali>a retratos 7ue intri/a0 %or oferecer . tornar presente para sempre o passado. ela ignora o tempo e a contradiç o. (ran.ENQUADRAMEN !" Fotografar é tentar agir contra o tempo: deter o tempo.<es5 U0 0anic=0io6 %or e4e0%lo6 foi o lu/ar onde Diane fe> suas foto/rafias 0ais %ertur$adoras5 8A fot1/rafa escol&e a estran&e>a6 a %erse/ue6 a en7uadra6 a revela6 a intitula59 se/undo "onta/5 "ua %es7uisa nos coloca e0 contato co0 o 0undo concreto de for0a anacr=nica e universali>ante6 n'o %or acaso suas foto/rafias s'o refer:ncias %ara discutir o %?$lico e %rivado5 ! universo %?$lico é u0 lu/ar 7ue a artista fa> 7uest'o de discutir6 a 7uest'o se a/u.<es %ara o irreal6 eterni>ando o ol&ar dessas fi/uras 7ue encara0 os es%ectadores co0 toda a fran7ue>a e se/uran. como ele. um mundo em imagem.a ao encarar0os e0 suas foto/rafias faces 7ue nos ol&a0 de volta6 %ois os %ersona/ens se0%re se encontra0 e0 %ose6 /o>ando de consci:ncia diante do ato foto/ráfico5 Dessa 0aneira ela conse/ue criar novas caracteri>a.ron46 u0 an'o 0e4icano e0 u0 7uarto de &otel e0 Nova Ior7ue6 u0 al$ino en/olidor de es%ada durante u0 carnaval em Maryland. a imagem fixa está fora do tempo. transformar um instante em eternidade.

'o de re%ulsa e recon&eci0ento5 "uas foto/rafias a%ela0 a fisicalidade6 revela0 cor%os distintos6 for0as n'o co0u0ente ine4%loradas e0 i0a/ens6 $usca seus retratos e0 locais considerados a 0ar/e0 do retratável6 se3a %or seu caráter ordinário ou %or esca%ar a estes %adr<es convencionais5 Por esta via6 %ode0os identificar e0 sua o$ra o %ro$le0a da i0a/e0 dialética tra$al&ado %or Aeor/es Didi2Bu$er0an e0 8! 7ue ve0os6 o 7ue nos ol&a9 onde o autor de$ate a i0a/e0 a %artir de sua cis'o5 Didi2Bu$er0an e4%lana 7ue o ato de ver u0a i0a/e0 i0%lica e0 u0 ro0%i0ento da 0es0a6 u0a %arti.'o e4%<e o$3eto e e4%ectador6 retrato e o$servador ao for.ar instantanea0ente u0 co0%arativo5 Esta co0%ara.'o da realidade co0 a 8re%resenta.'o 7ue a divide e0 duas revelando u0a aus:ncia5 A vis'o 3á carre/a e0 si u0a lat:ncia de 0orte6 7uando ve0os u0a i0a/e0 o va>io é o 7ue nos ol&a de volta5 ! %r1%rio 0eio da o$ra de Ar$us6 a foto/rafia6 3á nos $astaria %ara revelar u0a aus:ncia5 odavia esta aus:ncia anunciada %elo su%orte foto/ráfico e0 si está 0ais %r14i0a C teoria estética 7ue "artre co0enta e0 sua %u$lica.'o6 a revela.'o direta co0 a foto/rafia5 Portanto ca$e a7ui u0a análise da o$ra de Diane Ar$us de for0a 0ais es%ecífica6 co0o ocorre no livro co0 JoDce ou EafFa6 %or e4e0%lo5 "ua %oética e4%<e a cis'o do ver %rodu>indo u0a i0a/e0 dialética 7ue6 nos ter0os de Didi2Bu$er0an6 83o/a co0 o fi095 Ao revelar seus %ersona/ens e4c:ntricos ao %adr'o convencional da nor0alidade a artista reali>a u0a du%la e4%osi.'o 7ue nos re0ete a u0 fi0 está %resente e0 8! 7ue ve0os6 o 7ue nos ol&a95 Dito isto se %ode concluir 7ue diante de 7ual7uer foto/rafia6 inde%endente do o$3eto6 encontra2se a dialética6 a cis'o6 ou se3a6 o va>io da 0orte5 A%enas esta a%ro4i0a.'o 8! i0a/inário96 7ue ao %ro%osto %or Didi2Bu$er0an6 contudo %ode02se encontrar a%ro4i0a.<es e0 a0$as as teorias5 ! aconteci0ento 7ue se %retende eterni>ar na %elícula i0%re/nando u0 o$3eto físico co0 u0a es%écie de 0e01ria de u0 te0%o es%ecífico nos revela tanto a aus:ncia do o$3eto6 7uanto C finitude da %r1%ria a vida5 Esta consci:ncia te0%oral da vida6 a rela.'o através do 0eio n'o seria o $astante %ara 3ustificar a escol&a da referente artista6 0ais coerente seria neste caso ela$orar u0a rela.'o9 Ginsiro a7ui as%as %or conta da d?vida 7ue a artista nos condu> a res%eito de seus 0odelos6 %ois n'o &á certe>a da e4ist:ncia real destas fi/uras6 o 7ue n'o %er0itiria o e0%re/o do ter0o 8re%resenta.si0ultanea0ente u0a situa.'o9H nos salta aos ol&os %ela :nfase na fisicalidade6 os retratos .

ressoniano %r1%rio da foto/rafia 0oderna5 A d?vida 7ue %er0eia a frui.a6 %oré0 o fato de nos co0%arar0os 3á nos en/lo$a nu0a 0es0a 8cate/oria96 se0 identifica.'o de sua o$ra e0 a0%la 7uantidade tra> a tona u0a nuance ficcional5 odos os retratos s'o reali>ados e0 %oses a%arente0ente %lane3adas6 o 7ue dis%ensa de sua o$ra u0 caráter de fla/rante .'o6 este a 0eu ver é o fator &u0ano 7ue se revela %ela :nfase no cor%o5 I 3usta0ente neste fator &u0ano 7ue reside o 3o/o co0 o fi05 A evid:ncia cor%1rea 7ue nos une e0 carne6 0atéria %erecível6 7ue se encontra e4%licitada nas foto/rafias de Diane Ar$us nos ol&a de volta do @0a/o da 0orte6 eis a cis'o da i0a/e06 eis o va>io5 Para alé0 da %ro$le0ática a res%eito do 0ini0alis0o6 Didi2Bu$er0an co0%le0enta o estudo da i0a/e0 dialética funda0entando a cis'o do ol&ar através da 0etáfora da %orta5 No ca%ítulo conclusivo de sua %u$lica.a6 e confere certo %ertenci0ento5 Co0o es%ectadores nos confronta0os co0 a diferen.'o n'o aconteceria nen&u0 ti%o de rela.e4%<e0 a fisiono0ia de cada %ersona/e06 e é neste @0$ito 7uase for0al 7ue nos identifica0os e nos distancia0os da o$ra5 Nos distancia0os %or identificar nestas %essoas as%ectos 7ue os caracteri>a0 co0o %artíci%es de certa for0a C 0ar/e0 de u0 ti%o co0u0 de re%resenta.'o da o$ra ocu%a 0etaforica0ente o 0es0o lu/ar da %orta no conto de EafFa5 U0 entre0eio de onde se vee0 a0$os os lados se06 contudo6 ser %er0itido atravessar5 Da 0es0a 0aneira se %ode a$ordar o caráter dialético de %ertenci0ento e n'o %ertenci0ento6 identifica.'o de Ar$us %ode0os encontrar re%resentada esta 7uest'o da %assa/e0 interro0%ida5 ! %ro$le0a do entre6 si0$oli>ado %or Didi2Bu$er0an %elo li0iar6 %ode ser inter%retado a7ui %elo li0ite entre o real e o ficcional5 Ar$us nos a%resenta u0a te0ática a%arente0ente real6 u0a leitura rá%ida de seu tra$al&o nos revelaria u0a tentativa a%enas re%resentar este 0undo C 0ar/e05 Poré06 a visuali>a.'o o autor a%resenta u0a %assa/e0 de EafFa no 7ual seu %ersona/e0 %er0anece diante de u0a %orta a$erta intentando se0 sucesso atravessá2la5 I essa inacessi$ilidade diante da %orta a$erta 7ue o autor utili>a %ara introdu>ir o conceito de eterno li0iar da i0a/e05 !l&ando %ara a %rodu.'o social6 ti%o co0u0 ao 7ual 3ul/a0os %ertencer5 Esta es%écie de re%ulsa é %r1%ria aos 0es0os 0otivos 7ue 0ar/inali>a0 estes ti%os 7ue trans$orda0 Cs re%resenta.'o entre o eu o outro6 %resente nas foto/rafias5 .<es convencionais5 Por outro lado6 esse 0es0o fator de al/u0a for0a &u0ani>a esta diferen.

E0 seu tra$al&o Ar$us coloca todos ao 0es0o te0%o C 0ar/e0 e ao centro do 0undo construindo desta 0aneira u0 0undo inteira0ente novo6 no real e no %lano %ict1rico ficcional6 0ais aut:ntico6 até as7ueroso e assustador5 E0 u0 ato coerente co0 sua o$ra6 e0 7ue o 0ais i0%ortante era ter o %oder de fi4ar o 0undo Ga 0ar/e0H e0 u0 0undo6 ocu%ando o lu/ar do eterno li0iar6 Diane Ar$us se suicida5 al 7ual o conto6 a artista 0orre se0 talve> nunca ter saído do entre 0undo 7ue seu %r1%rio tra$al&o %ro%=s5 N'o restando 7ual7uer d?vida 7ue controlar até 0es0o o 0o0ento de sua e4ist:ncia co0%actua co0 o li0ite do insu%ortável fi4ado na &ist1ria e na %r1%ria vida dos 7ue ainda vive05 .

I.ERMAN6 Aeor/es5 ! 7ue ve0os6 o 7ue nos ol&a5 "'o Paulo# Editora .LI!ARA(IA# "!ULAAE"6 (ran..ois5 Estética da foto/rafia# %erda e %er0an:ncia5 "'o Paulo# Editora "ENAC "'o Paulo6 )*+*5 "!N AA6 "usan5 "o$re foto/rafia5 "'o Paulo# Co0%an&ia das Letras6 )**J5 DIDI2BU.'o5 "'o Paulo# Editora Mtica6 +KKN5 .J6 +KKL "AR RE6 Jean2Paul5 ! I0a/inário# Psicolo/ia feno0enol1/ica da i0a/ina.