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Diversidade e educação especial em diálogos: reflexões sobre os discursos da inclusão

Diversidade e educação especial em diálogos: reflexões sobre os discursos da inclusão
Antônio Carlos do Nascimento Osório* Tatiana Calheiros Lapas Leão**

Resumo
Este artigo trata de questões referentes à produção dos discursos sobre a inclusão, tendo como ponto de apoio aqueles direcionados aos alunos da educação especial no processo de escolarização, nas escolas ditas comuns. O aporte teórico e metodológico tem como base os referenciais de Michel Foucault e suas possibilidades epistemológicas de compreensões, enquanto uma problematização cercada por um imaginário social sobre as possibilidades de uma inclusão. Para Foucault (1975), a valorização da diversidade se imbrica na formação do conceito de anormalidade, com os princípios de verdade e justiça, no grotesco exercício da mecânica do poder, saber em vista a um sujeito dito diferente. Estabeleceu-se como objetivo, nesta discussão, uma reflexão de alguns arquivos que antecederam as orientações dos subsídios do documento elaborado como Política Nacional de Educação Especial. Nessa reflexão, sob a perspectiva da inclusão, são demonstrados suas possibilidades e seus limites de transgressão, deixando evidente que isto não se limita aos aspectos relacionados às práticas pedagógicas e sim, às práticas sociais demarcadas por um arsenal de preconceitos. Os resultados revelaram que, no momento atual, os discursos produzidos sobre a inclusão escolar, contidos nesses arquivos, trazem o exame como estratégia de aglutinação, permitindo um melhor controle das diferenças e que as instituições escolares, embora não venham dando conta nem daqueles alunos ditos normais, são responsáveis por essa correção social. Tais condições geram uma variedade de diferentes desafios à estrutura escolar, fruto de distorções acumuladas pelo desvio de seus propósitos, como sendo campo de conflitos e espaço para reforço das diferenças sociais.

Palavras-chave: Diversidade; Educação Especial; Discursos e Inclusão.

* Professor Doutor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil. ** Doutora em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação do Centro de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (PPGEdu/CCHS/UFMS). Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil.

Revista Educação Especial | v. 26 | n. 47 | p. 685-698 | set./dez. 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www.ufsm.br/revistaeducacaoespecial>

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de outros interesses e problematizações do que vinha sendo observado. 685-698 | set. sendo estes geradores de acontecimentos e. na época. as field of conflicts and strengthening of social differences. as reflexões ganham corpo pelas dinâmicas de poder.ufsm. por seus resultados. 26 | n. demonstravam. knowledge concerning a subject seen as different. fomos nos aproximando. the discourse on school inclusion in these files bring the exam as a strategy for agglutination. The theoretical and methodological framework is based on references of Michel Foucault and his epistemological possibilities of understanding as a problematization surrounded by a social issue about inclusion possibilities. a diversidade e a educação especial. como produtoras de discursos. que. assim. in the grotesque exercise of the mechanics of power. o tempo comprovou o contrário. allowing a better control of the differences and that the schools that have not been able to care for those students considered normal are now responsible for this social correction. making it clear that this is not limited to the aspects relating to teaching practices and. Revista Educação Especial | v. under the inclusion perspective. Da base epistemológica enunciada. indícios de uma consolidação. gradativamente.br/revistaeducacaoespecial> 686 . 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www. dissertações e teses. saber e sujeito em suas relações institucionais dimensionadas pelas práticas culturais e sociais.e outras percepções dos mesmos fatos.caminhos para a investigação ./dez. como foco. Entretanto. valuing diversity is enmeshed in the formation of the concept of abnormality. For Foucault (1975). The results revealed that. their possibilities and limits of transgression are demonstrated together. aglutinando outras linhas de pesquisas e programas de pósgraduação. In this reflection. Nos últimos anos. gerando outras questões . exigindo.Antônio Carlos do Nascimento Osório – Tatiana Calheiros Lapas Leão Diversity and special education in dialogues: reflections about the inclusion discourse Abstract This article addresses issues related to production of discourses on inclusion of special education students within the schooling process in regular schools. A partir dos resultados das pesquisas. with the principles of truth and justice. Special Education. neste artigo. temos desenvolvido estudos a partir dos referenciais teóricos e metodológicos de Michel Foucault e projetos¹ de pesquisas. results from accumulated distortions by the deviation of these purposes. nowadays. but to social practices marked by an arsenal of prejudices. Discourse and Inclusion. a priori. servindose de seus resultados como suporte para elaboração de relatórios de monografias. a necessidade de novos aprofundamentos em compreensões de uma forma mais pontual. essencialmente em relação aos fundamentos. Keywords: Diversity. The objective in this discussion is to do a reflection on some files which preceded the orientation of subsidies of the document produced as National Policy on Special Education. Such conditions create a variety of different challenges to school structure. 47 | p.

os discursos de inclusão. Especificamente na educação especial o princípio é de integração. os reconhece. pelas condições históricas. envolvendo aspectos mais de ordem emotiva do que de Revista Educação Especial | v. tendo um valor. outras verdades. associados ao gênero. como uma modalidade de ensino destinada a um grupo social em risco composto de filhos e filhas da diversidade social. os valoriza e os exclui. neste momento. marcam desvios que. à cor. Abrem-se. à assistência. Este pode ser traduzido por um “ajustamento” da pessoa com deficiência ao processo de escolarização. poderão ser de condutas ou de aparências. Foucault (1966) explica que há uma ordem na disposição das coisas. visando à outra ordem social. nesse caso. que não se limita ao anunciado até aqui. pois as condenações já estão estabelecidas em penalidades. a possibilidade do paradoxo da inclusão passou a significar uma ruptura.ufsm. São como objeto da história. Passam a ser um campo minado. necessariamente. em uma prisão sem grades com os limites no próprio corpo. entende-se que os discursos apenas são possíveis pelas práticas sociais presentes na sociedade. 685-698 | set. superação das diferenças e dos conflitos. Estas o reforçam. cuja diferença é compreendida como risco e atentado ao pudor da ordem vigente . por isso. reforçados na última década. direcionou-se a uma concentração das fontes utilizadas. Acima de tudo./dez. pelo conjunto ou isolados. ganhando uma especificidade por justificativas de todas as ordens em cada instituição. Com isso. por suas características pessoais. pela suspeita. 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www. ao mesmo tempo. por isso emerge e passa a ocupar um espaço de verdade. porém. que vêm caracterizando a educação especial. outras brechas. um avanço em relação aos movimentos adotados até então. só podem ser analisados como um paradoxo. um significado. ao individual. emergindo outros discursos.Diversidade e educação especial em diálogos: reflexões sobre os discursos da inclusão Dessa forma. entre as quais. Nessa rede de relações. Eles indicaram outros elementos. naquilo que alguns denominam de escolas comuns. O que se busca. não se autoexplicam e se alinham a outras redes de discursos voltados para mudanças. No caso da diversidade. das diferenças. selecionaram-se alguns arquivos que foram analisados na época dos estudos. com outras tecnologias de poder. e que nada mais é do que o discurso de cada época. que. provocando um défice social. uma comprovação. assim. e a condicionam pelas práticas culturais. é compreender a emergência desses discursos marcados por dimensões que levam alunos à condição de sujeitados a sua própria existência. para o saber. e não sendo preciso. na medida em que as dimensões desses embates se localizam a partir das lutas de raça. ao uso do corpo como um todo e projetados às condições institucionais. diante de um modelo clínico (deficiência na doença pela doença). na condição de uma anomalia.br/revistaeducacaoespecial> 687 . permite afirmar que os mecanismos latentes na organização da sociedade se instituem exatamente pelos perigos e atentados que poderão se submeter pelas anomalias produzidas pelas diferenças. produzido pelas práticas culturais. Com isso. 26 | n.a própria segurança da sociedade. 47 | p. a partir de outras informações. ao atendimento.

Para isso. exigindo compreendê-lo pela objetividade de suas relações. Marcada. Esses discursos marcados por justiça permitem localizar as possibilidades de inclusão. centrada em um sujeito./dez. seja pelas limitações no processo de aprendizagem dos alunos ou por seus comportamentos. baseando-se no princípio de que a diversidade deve não somente ser aceita como. então. Todavia. programas. pelas suas bordas. referendado por leis. de desejos. p. Sua operacionalidade aponta para uma reestruturação do sistema educacional. embora em sua maioria não ocorresse. é necessário que ela se torne um espaço democrático e competente para trabalhar com todos os educandos.br/revistaeducacaoespecial> 688 . Esta só poderá Revista Educação Especial | v. a delimitar a educação especial. muitas vezes sem nenhuma competência profissional. Isto extrapola a redução de que ela ocorre em espaço exclusivo. a educação especial passa a ser compreendida em seus extremos. 26 | n. institucionalmente. sendo apenas um depósito. produzindo deficiências e um arsenal de outros delitos. Diante disso. no sentido de respeitar as diferenças. desprazeres e frustrações. mais de cunho ideológico do que de respeito à própria diversidade. deixava evidente a possibilidade de aprendizagem. reforçando os interesses e domínios das diferentes dinâmicas seletivas. a seletividade social presente em outras relações institucionais. para nossas análises. nem que fosse a espaços isolados nas próprias instituições escolares. transfere para a estrutura do sistema educacional (leis. também. ocorre por esse espaço pedagógico. Diante disso. 1996. privilegiado para aprender ou ensinar. respaldados pela própria sociedade . tendo como foco o ensino regular e o propósito de fazer com que a instituição escolar se torne inclusiva. sendo “substituído” por discursos voltados à igualdade e aos mesmos direitos e tendo em seu contraponto a exclusão. o paradoxo da inclusão emerge pela possível exaustão do movimento integracionista. embora perverso. de construção e desconstrução. gênero ou características pessoais. centrado em um sujeito pelas suas limitações. classe. Ele os classifica em todas as etapas pedagógicas. até então. Contraditoriamente.Antônio Carlos do Nascimento Osório – Tatiana Calheiros Lapas Leão potencialidades para aprendizagem. este determina e reforça as características de cada um. mas de reforçar. a um espaço criado pela sociedade. embora elas sejam uma consequência das práticas culturais exercidas. por meio da escolarização. 47 | p. programas. se a produção da diversidade. sem distinção de raça. 685-698 | set. pelas condições de cada aluno.responsável pela uniformização de atitudes. de possibilidades e limites. o movimento da inclusão. de diferentes formas. instituição escolar) a responsabilidade de aceitar a matrícula desses alunos (acesso) em classes comuns e determina uma radical transformação de suas práticas pedagógicas. pois exigia do aluno seu enquadramento no processo de escolarização. com possibilidades de aquisição do conhecimento numa relação do diferente com o dito normal. angústias. 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www. Isso nos remete. desejada demarcando um discurso ideológico (BRASIL.ufsm. movimentos sociais. como oposto ao movimento da integração. Ora. 26).

que visam à exclusão negando as condições históricas do próprio conhecimento na vida de cada um. das circunstâncias atenuantes. concebida no momento atual como constitutiva de um direito de todos – políticas de inclusão escolar. a inclusão deve ser entendida pelos eventos que circunscrevem o processo de existência coletiva e individual. a partir das práticas culturais. por diferentes concessões impostas pela necessidade de sobrevivência. 26 | n. essencialmente pelas diferenças presentes na sociedade. produzidas pelo preconceito. Os anormais (filhos da diversidade).a escolarização. Encarrega-se do corpo e da vida de sua prole. desde seu surgimento. por essa mesma sociedade. no grotesco exercício da mecânica do poder e saber. pelos conflitos e desajustes a partir de sua própria organização.ufsm. por um arsenal de mecanismos.br/revistaeducacaoespecial> 689 . Nesse sentido. Diagnosticar a atualidade pela história exige um sutil cruzamento de uma fina erudição. conteúdos. costurado em micropoderes. Foucault (1975) diria que a valorização da diversidade se imbrica na formação do conceito de anormalidade. das relações possíveis entre verdade e justiça. visando o sujeito. a construção ou adequação de estratégias de controle. Essa sua legitimação e seu reconhecimento criam vácuos. 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www. com o princípio da convicção íntima. uma questão permanece e sobrevive à história. Essa relação ocorre em redes tecidas em uma composição de diferentes fios. objetivos. em seu apaziguamento. com diferentes formas de estruturação celular.Diversidade e educação especial em diálogos: reflexões sobre os discursos da inclusão ser observada por estratégias e mecanismos. a escolarização em uma prática social. podendo ser permanentes ou provisórios. pelas tentativas de normalização e regularização da diferença. produzindo um conjunto de possibilidades calcadas em suas contradições. pelo próprio capital. traduzidas como práticas pedagógicas específicas. em sua “defesa”. Isto torna. produtoras de verdades instituídas. a religião e os demais espaços institucionais. adotados naquilo que denominamos como síntese dessa compreensão . pela própria sociedade. legitimidade seletiva fundada nos interesses da própria sociedade. propiciando. 685-698 | set. pelo ordenamento legal de regras e normas produtoras não tão peculiares. pelos fios dos diagnósticos. preocupações e novos discursos. nem que sejam só pela mídia. que circula e se aloja em cada sujeito como uma condição oriunda das diferenças no coletivo. como um poder atribuído e referendado. de um engajamento pessoal e de um trabalho sobre o acontecimento. não necessariamente promovendo uma transgressão da precarização contida nessas relações de seletividades presentes e. nem nas características do indivíduo. Ao pinçar a constituição da família. buscando. no caso. sempre pelo princípio de separação. a família. um grande domínio de ingerência torna-se necessário à intervenção do Estado. Isso se dissolve na cumplicidade entre o Estado. na medida do possível. explicando sua legitimidade seletiva. embora em um contraponto das expectativas geradas. 47 | p. avaliações. reguladas em seus limites./dez. Revista Educação Especial | v.

Ao dimensionar os discursos sobre a inclusão. independente das condições em que isso ocorrera e as violências que possa sofrer. tem em vista a inclusão.ufsm. “saúde” e “alimentação” de sua prole. mas. traz. ao mesmo tempo. Explica-se assim a infância. A garantia passa a ser o maior número de horas que ali possa ser guardada. o que e como ela aprende. 26 | n. Com isso. 47 | p. Isso redimensionou as construções teóricas da psiquiatria da segunda metade do século XIX. não garantindo a mudança do revelado.o preconceito. uma composição formatada por contradições. entre outros. o acesso aos bens e serviços. Como discursos emergentes. por conta disso. se a criança aprende ou não. produzindo analfabetos funcionais. margeados por valores de cunho cultural e social. Ao retornar à família. destaca-se que ela está conectada. essencialmente. merece destacar que a expressão inclusão contém a qualidade de existir em si a sua própria negação (exclusão) e uma não existe sem a outra. não se discute. nesse espaço. calcados pela indignação (desajuste) de um determinado grupo ou indivíduo e se localizam no campo emocional. é o que se encontra disponível como direito de todos. leis. provenientes de diferentes origens. sem considerar outros aspectos. associadas a outros campos. requer ter clareza. que ele surge de relações distintas e até antagônicas.br/revistaeducacaoespecial> 690 . a partir do momento em que ela não mais se responsabiliza pela “educação”. por conta de se objetivar em redes de relações. essencialmente voltado à assistência. essa normalização e. em si. psiquiatria e defesa social. mas sim a compaixão ou indignação. fruto de uma condição histórica da generalização do saber e do poder psiquiátrico. como qualquer indivíduo. Ao aproximar de suas raízes. pelos reduzidos espaços que a própria família tem em atuar junto a sua prole. esses direitos fornecem estrategicamente pautas oriundas das fontes de políticas. mobilidade profissional. A psiquiatrização da infantilidade e a constituição de uma ciência das condutas normais e anormais situam essa etapa da vida como um problema mais de ordem social do que familiar. e cabe ao Estado./dez. a partir de sua condição de problematização multifacetada. Tem como marco geral o rápido e desordenado processo de urbanização. 685-698 | set. ao novo modelo de sistema de controle e poder. independentes de agrupamento partidário. e ganham corpo. movimentos sociais e sindicais. Isso exige explorar um pouco mais os discursos sobre inclusão. o importante passa a ser a vaga nessa instituição e não os processos que ela constrói ou destrói. mas se têm evidências das condições em que ocorrem as produções pedagógicas. as condições propiciadas pelo Estado são marcadas pela precariedade do acesso ao saber. O estranho é que. o que nos difere. visando à universalidade de direitos pelas diferenças. 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www.Antônio Carlos do Nascimento Osório – Tatiana Calheiros Lapas Leão Em se tratando da escolarização. Tornam-se aceitáveis à família. na atualidade. pois. como psiquiatria e racismo. desigualdades de renda. planos e programas governamentais. Revista Educação Especial | v. É um processo em curso que atinge cada vez mais todas as camadas sociais . e. o comprometimento ao direito à educação e também onde se quer matricular os alunos da educação especial.

até uma distorção. historicamente têm sido regrados pela segregação e asilo. ignoram a prática cultural sobre eles. menos ainda viram ser operacionalizados. desde a chegada dos portugueses ao Brasil. sobre suas práticas educativas. os quais nunca leram. antes de se pensar a educação especial. em seus exercícios. uma reflexão do conjunto de saberes produzido sobre a inclusão relacionada à educação especial. nos quais deixam evidentes que. adotando como dispositivo um conjunto de orientações normativas e uma adequação da instituição.br/revistaeducacaoespecial> 691 . marcado por discursos de inclusão. Por outro lado. que talvez nunca tenham saído de utopia. base de sua consolidação. Instituída pela periferia do sistema de ensino. Tanto uma como a outra. se explicitam mais pelas práticas culturais em relação à deficiência. determinando as condições existenciais e a própria constituição de si. Em 2006. é necessário compreender que a educação se insere em um projeto social em longo prazo. 26 | n. começaram a circular alguns discursos sobre a definição de uma política nacional de educação especial./dez. 47 | p. estão presentes na vida de cada um. ignorando a escolarização e enfatizando o atendimento (assistência). por não ter atingido aquilo que valorizam como conhecimento. outras referendadas pela própria sociedade. pelas suas condições de aprendizagem e não por um protótipo de aluno que nem os ditos normais cumpriram e não asilá-los por décadas. embora em pontos extremos. É necessário pôr em pauta a terminalidade de escolarização de seus alunos. acusando o seu não cumprimento ou defendendo. Essa rede. em políticas de Estado e não deriva de um projeto partidário conduzido pelo poder prévio personalizado. Tinha como perspectiva a inclusão escolar. cabe explorar um pouco as dinâmicas da exclusão. Isto para recuperar os aspectos da escolaridade formal. revigorados pelas diferenças e por interesses pontuais. Revista Educação Especial | v. proposto pelo modelo de saúde (psiquiátrico) e referendado por um discurso carregado por elementos de uma prática pedagógica.ufsm. só ouviram falar. Mas tomam posições. a educação especial tem suas origens em modelos não tradicionais. A proposta passa a ser. em substituição ao atendimento e assistência propagada durante várias décadas. contida em relatórios de estudos e nos próprios regulamentos. ocorre por conta que muitos comentam sobre determinados direitos. como é o caso da instituição escolar. 685-698 | set. 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www. na medida do possível. por assim afirmar. Porém. a partir deste momento. Esses mecanismos. frutos das práticas culturais mais perversas possíveis. tomando alguns aparatos reguladores – arquivos.Diversidade e educação especial em diálogos: reflexões sobre os discursos da inclusão Com isso. as condições históricas do momento e das atribuições sociais redirecionam a educação especial a uma exaustão de sua compreensão de quaisquer procedimentos. pois elas sempre são sutis ou até silenciadas. marcada por discriminações.

Abrese na sociedade as brechas pela instituição escolar.não só do mundo das ideias. como identificá-lo e caracterizá-lo. Eis porque os discursos de inclusão surgem e se revigoram pela diversidade. Foucault (2005) coloca a sua gradativa substituição pelo modelo da inclusão. planos de ensino.] repartição diferencial” (quem é ele. Foucault (2005) analisa os procedimentos tomados pelo poder público na Idade Média em relação aos leprosos e aos doentes da peste. conhecer. mas não sabem como.] instâncias de controle individual funcional num duplo modo: o da divisão binária e da marcação (louco-não louco.. É um modelo já saturado e perigoso para a própria sociedade.br/revistaeducacaoespecial> 692 . Mesmo considerando que o modelo de exclusão sempre estará ativo. Isso nos remete. por esquemas diferentes. respondem umas às outras. apenas os “usam” e dizem o que fazer. Passa a ser necessário incluir e dar acesso para melhor examinar. Esses processos. a penitenciária. na medida do possível.ufsm./dez. Para o autor. Tal análise passa a ser feita na direção . e o da “[.. de maneira individual. é aquele poder que. Sobre isso. Com isso. das lutas. então. a entender. enfatiza o autor: “[. na direção dos comportamentos.. normalizar e regularizar. modelo adotado pelo Estado brasileiro. 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www. 47 | p. a casa psiquiátrica. tendo um valor representado por diferentes discursos de inclusão e interesses contidos em todas as instituições (exclusão). não informam o que pensam. dos conflitos. por excelência.. para produzir melhor os efeitos e as novas tecnologias de exclusão (FOUCAULT. controlar. uma vigilância constante. Revista Educação Especial | v. como o asilo. como classificá-lo e como isolá-lo).. o estabelecimento de técnicas da educação vigiada (regimentos. as creches. sem respeitar a diversidade. normal-anormal)”. como também do melhor ou pior. perigoso-inofensivo. onde deve estar. a inclusão concebida na atual conjuntura se encaminha para o controle da população vítima da peste na Europa do século XVII pelo exame das possibilidades. os discursos pelos quais as pessoas são pertencentes à condição de diversidade. os incluídos. a exclusão é o poder negativo. punitivo. Não há mais espaço para governar pela exclusão. pois não estão preparadas emocionalmente. pela casa própria e assim adentrem os “anormais” ao circuito dos mesmos direitos referidos por Foucault (2005). marginaliza. instigando perguntas e olhares entre as pessoas “ditas” normais. acompanhados de mecanismos e estratégias. p. deramse pela criação de espaços sociais que aos poucos foram se institucionalizando por necessidades de segurança coletiva. por conta da estrutura econômica capitalista selvagem. currículo. 176): “[. Continua Foucault (2005. a casa de correção. e a inclusão é o poder que inclui para governar.] como exercer sobre ele. Os primeiros eram os considerados excluídos e os segundos. 685-698 | set. pela saúde. 2005). avaliação) da escola e outras entidades (assistência).”.. 26 | n. nem que seja para reforçar os próprios mecanismos de exclusão. etc.Antônio Carlos do Nascimento Osório – Tatiana Calheiros Lapas Leão Sobre as possibilidades dos processos de exclusão e inclusão dos indivíduos. e endividar assim se compreende o sentido das políticas de inclusão. das decisões e das táticas.

685-698 | set. sua existência contraditória perante os acontecimentos. de superação. na mediação entre as relações autoritárias Revista Educação Especial | v. sua permanência e seu esgotamento. identidades e ideários coletivos. levam a sociedade. é que se alinhava a inclusão como paradoxo de uma concepção histórico-social./dez. da existência acumulada dos discursos reguladores da diferença que incluem e excluem a escolarização como um dos centros de reflexão. deixando evidente que esta última funciona na privação. Afirma que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do homem. em formatos de “guetos”. Foucault (2005) chama esse procedimento de arqueologia. 9). muitas vezes pessoais ou de grupo. com foco na educação especial. sabe-se que “[. para um possível domínio. no sentido de estabelecer espaços democráticos. nas relações de estabelecimento de poderes e saberes. Ao tomar alguns documentos para analisar a compreensão dos discursos como princípios de inclusão.. calcados em procedimentos reativos ou de resistência. explicitadas pelas diferentes formas que os atores se relacionam em suas práticas sociais. o mais familiar também é a interdição [. p. Porém. os jogos das suas regras que. conhecemos.Diversidade e educação especial em diálogos: reflexões sobre os discursos da inclusão São as estratégias dos discursos de uns em relação aos outros. porque ele também é fruto de outras relações de poderes e saberes.br/revistaeducacaoespecial> 693 . demarcados por interesses. até previstos. como é o caso da escolarização. 2000. da justiça e da paz no mundo”. postas em ação por práticas sociais em um determinado momento. É uma das estratégias de controles sociais configuradas e readequadas nos diferentes níveis de concessões. Com isso. essencialmente as diferentes formas e níveis de engajamento social. procedimento de exclusão. Tanto em um caso como em outro. colocando a instituição escolar como um espaço de fracasso. é certo. 47 | p. independente de suas condições existenciais. visando suas sobrevivências. para o enfrentamento. 5). constituindo os fundamentos “da liberdade. dificilmente cumpridos. neste caso. são táticas empregadas para chegar à verdade. O mais evidente. conduziram a atos de barbárie que revoltam a consciência da humanidade. é importante mencionar que suas origens ocorrem pela “Declaração Universal dos Direitos Humanos” (1948. o conflito aflora pelas utopias diversas de interesses ou pretensões e frustrações individuais e coletivas.]” (FOUCAULT. Esses elementos contextuais. que explicam ou não que tal fato é verdadeiro ou falso. cada vez mais. São essas regras. Nesse discurso. frutos dessas questões.. refletem concepções de homem e mundo. Assim. p. 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www. mas também social. construindo ou destruindo. a partir dos direitos humanos. que apresenta em seu preâmbulo considerações em relação à “dignidade inerente a todos e dos seus direitos iguais e inalienáveis”. o objetivo passa a ser o estudo do arquivo. de superação de dificuldades. 26 | n. em uma prática cultural.ufsm. marcadas por diferentes discursos. não só pedagógico.a inclusão.] em uma sociedade como a nossa. a ter iniciativas individualizadas. nos direitos à educação.. como a análise do discurso em sua modalidade de arquivo . determina o seu aparecimento e o seu desaparecimento..

Isto em função dos espaços gerados pela omissão do próprio Estado e de suas responsabilidades educativas e sociais. de 20 de dezembro de 1961. 685-698 | set.] proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto-realização. das mais diferentes ordens.Antônio Carlos do Nascimento Osório – Tatiana Calheiros Lapas Leão presentes e na busca de novos elementos que valorizassem não mais a padronização de atitudes dos indivíduos. seus efeitos. eximindo-se também de quaisquer responsabilidades com a educação especial. então. as suas características como sujeito de suas condições humanas. Embora a Lei nº 4. que independente da “Declaração Universal dos Direitos Humanos” (1948). organizações não governamentais. numa perspectiva oposta a esta afirmação: “[. Sua intervenção ocorre por meio de estratégias de concessão e em parcerias com essas entidades. no universo social e pedagógico. 1º contenha os objetivos. A educação especial continuava às margens da própria organização da educação nacional. condições de eficiência escolar. embora o art. 1º e no Título II . de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL. 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www. tentando.. ela manteve concepções discriminatórias. seja no sentido de garantia de direitos de um grupo específico. não se propagaram pois o preconceito se faz presente por diferentes mecanismos sociais. 1971). Revista Educação Especial | v. O sujeito é constituinte e não constituído. um apaziguamento das crises que essas questões geraram historicamente no interior da sociedade. embora em seu art. Pode afirmar-se. por meio de associações. tendo o caráter de campanhas emergenciais e pontuais. 47 | p. Como o caso das pessoas com deficiência. Reitera ainda os serviços de assistência educacional que assegurem aos alunos necessitados. Nesse contexto.692. cabendo aos Municípios promover. como critério básico norteador dos estudos (Título I – Dos Fins de Educação. nem que sejam para financiar disfunções institucionais dessas instituições. movimentos sociais. sem um processo pedagógico que visasse à escolaridade articulada ao seu público-alvo. Isso exige analisar um pouco o papel do Estado brasileiro. anualmente. apontando uma guerra constante. as iniciativas públicas e privadas são marcadas por concepções de padrões voltadas à assistência. qualificação para o trabalho e preparo para o exercício consciente da cidadania”. visando ao recolhimento de recursos financeiros da sociedade. A Lei nº 5.Do Direito à Educação).024.ufsm. tenha representado um avanço significativo em busca de princípios orientadores e unificados para o território nacional. em seu art. no Brasil. 11 de agosto de 1971 (BRASIL. de tal maneira que. mas sim. o levantamento da população que alcance a idade escolar e proceder à sua chamada para matrícula”. 26 | n. 1961). embora preservados e garantidos por ele.br/revistaeducacaoespecial> 694 . o que não seria para todos./dez. 20 garanta: “O ensino de 1º grau será obrigatório dos 7 aos 14 anos. seja em suas especificidades de atendimento. na medida do possível. Isso pode ser observado também nos marcos regulatórios das Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a Constituição Federal de 1988.. Isto gera um número significativo de entidades de caráter filantrópico. absorve a prática da cultura vigente. ao estudante fossem assegurados “igualdade de oportunidades”.

não eram a educação. mas as possibilidades de outras estratégias de domínios e por outras formas de seleção. 208). 26 | n. durante o período da ditadura. anos após se torna signatário da mesma. como a educação infantil (creches e pré-escolas) como primeira etapa da educação Revista Educação Especial | v. Meados dos anos 1980. retomam discussões que se iniciaram nos anos 1960. no Capítulo III – “Da Educação. a área de educação infantil e da saúde. a mobilização da sociedade brasileira em torno de reivindicações e direitos sustados. O princípio que orienta esse movimento foi o da integração. interrompidos pelo golpe de 1964. muitas incentivadas pela própria Lei em vigor e pela prática normativa reacionária do Estado.. fundamentados na promoção do bem de estar social de todos. entre eles a “Declaração Mundial de Educação para Todos” – “Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem” (Conferência Mundial de Educação para Todos -1990) reafirmando: “[. Em termos de educação. 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www. Passou-se a defender rupturas das formas de controle centralizado e do disciplinamento.ufsm. Passa a ser de responsabilidade do Estado a educação e será efetivada mediante a sua garantia.]”.. de 1996 ao Art. A atual LDB (Lei 9394/96) tem como princípio do direito universal à educação para todos.Diversidade e educação especial em diálogos: reflexões sobre os discursos da inclusão O direito à educação continuava sustado por alternativas. raça. cor. 685-698 | set. da Cultura e do Desporto” Seção I – “Da Educação”. embora as práticas culturais vigentes nessa década mantivessem o autoritarismo como regra de controle das diferenças.] toda pessoa tem direito à educação [. em essência. sendo objeto de negociação entre alguns segmentos da sociedade civil e dos militares. Paralelamente. os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa”. em seu Art 205. o movimento mundial pelos direitos humanos. (Emenda Constitucional nº 14. que: “A República Federativa do Brasil constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos: a cidadania. sem preconceitos de origem. é reforçado por meio de um conjunto de dispositivos.. As discussões se alojaram a partir das possibilidades de incorporação na Carta Magna de 1988./dez.] um direito de todos e dever do Estado e da família” visando o pleno desenvolvimento da pessoa. apesar dos esforços realizados na maioria dos países. das correções das distorções sociais e educacionais acumuladas até então.. Após quarenta anos. promovido pelo Estado. ficavam “garantidos” os princípios contidos na “Declaração Universal dos Direitos Humanos” (1948). O Brasil não participou desta Conferência. com ênfase maior.. como tentativa de superação da realidade caótica caracterizada naquela década. a dignidade da pessoa humana. idade e quaisquer outras formas de discriminação.br/revistaeducacaoespecial> 695 . fomentadora dos mesmos princípios das práticas culturais vigentes que. 47 | p. Desde modo.. garante como sendo “[. Eram tentativas de radical mudança nos valores e garantias de direitos civis. além de outras mudanças se comparada às leis anteriores. 1º. seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. ficou garantido em seu Art. durante o governo militar. sexo.

br/revistaeducacaoespecial> 696 .” e “II . em instituições próprias”. em suas modalidades de arquivos. Em seu Título I. Especificamente. inciso II). se relaciona diretamente ao acesso a matricula no “ensino comum”.. mas não garante a aprendizagem do aluno. além de alterar sua regularização. de uma arqueologia inicial. Há graus diferentes dessas possibilidades em cada pessoa. o jogo das suas regras que. Foucault (1989) chama esse procedimento de pinçar elementos. reforçando a expansão de espaços segregados. na convivência humana. neste caso. métodos. que explicam ou não que tal fato é verdadeiro ou falso. 685-698 | set. a partir das necessidades pessoais (integração) e interesses de seus alunos (inclusão)..] (Art. demarcados por interesses. na instituição escolar. muitas vezes pessoais ou de grupo. em seu Art. demarcadas pelos discursos . na rede regular de ensino.. no Capítulo V – Da Educação Especial. como essas Leis.] currículos.] predominantemente... 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www.] classes. postas em ação pelas práticas culturais em um determinado momento. serviços de apoio. define como uma modalidade.. para educandos portadores de necessidades especiais. 1º “A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar. se propondo de quando houver necessidade. recursos educativos e organização específicos..] a sua efetiva integração na vida em sociedade [. que nas leis anterior detinham um caráter universal da educação. Cabe aos sistemas de ensino garantir aos educandos com necessidades especiais (Art. sempre que. já conhecidos como “classes de excepcionais” ou “classe especial”. detalhando que será feito em “[. para atender às suas necessidades. em função das condições específicas dos alunos..a integração. da Educaçao em seu Art.. 58. agora incluso em ‘salas comuns’. delimitando-o ao campo da escolarização a ser desenvolvido “[./dez. técnicas. Isso nos permite afirmar que a perspectiva de inclusão da forma em que se coloca. por tentativas de regularização. inciso I) “[. e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados” com vistas “[. São essas regras.Antônio Carlos do Nascimento Osório – Tatiana Calheiros Lapas Leão básica. propiciando a continuidade dos estudos e sua terminalidade. que ainda merecem outros aprofundamentos e correlações. em uma prática cultural com vista a uma inclusão.. por meio do ensino.terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental.ufsm. Resistência determinante dos sistemas de ensino em propiciar essas relações inviabilizando qualquer mudança diferenciada das praticadas até então. Art. oferecida preferencialmente. com ou sem deficiência e é preciso reconhecê-las e dar a cada uma delas o tratamento necessário para sua transgressão. 1º). 47 | p.. em virtude de suas deficiências. escolas ou serviços especializados. determinando a sua emergência frente a exaustão dos acontecimentos. não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular”. (§ 1º e § 2º).]”. cabendo a instituição escolar organizar situações de aprendizagem.. nas instituições de ensino [. 59. (§ 1º. porque ele também é fruto de outras relações de poderes e saberes. Revista Educação Especial | v. 26 | n. no trabalho. 59. para atender as peculiaridades dos alunos.

ufsm. Disponível em: <http://www. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil.692. tit. Constituição da República Federativa do Brasil. Referências BRASIL. de 11 de Agosto de 1971. 4. 1996. As palavras e as coisas: uma arqueologia das ciências humanas. de convicções. Revista Educação Especial | v. [trad. 208. Fixa as diretrizes e bases da educação nacional.htm>. ______. Tailândia: UNICEF. 2000. retificada em 18 ago. Brasília. de 20 de Dezembro de 1961. ao mesmo tempo. Les Mots Et Les Choses de 1966] 8.br/revistaeducacaoespecial> 697 .024. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Emenda Constitucional nº 14. Salma Tannus Muchal. Rio de Janeiro: Graal.gov. 1985. 1999. Brasília. e dá outras providências.Diversidade e educação especial em diálogos: reflexões sobre os discursos da inclusão A inclusão depende. Disponível em: <http://www. 60 do ato das disposições constitucionais transitórias. Reafirma-se então que os aparatos regulatórios perdem suas eficácias. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. São Paulo: Martins Fontes. O que importa é garantir o acesso à matrícula. enquanto mecanismos possíveis de resistências de elaboração.394.planalto. ______. Vigiar e punir: nascimento da prisão. 1971.gov. compromisso e disposição política com uma transformação social. DECLARAÇÃO MUNDIAL DE EDUCAÇÃO PARA TODOS: satisfação das necessidades básicas de aprendizagem. p. 15. Ed. 685-698 | set.gov. Petrópolis: Vozes. a partir das Leis e outros dispositivos.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc14. a partir de atitudes concretas. Constituição (1988).br/ccivil_03/Leis/L4024. acima de tudo. ______. enquanto direito. 13 set. 1971. O que ocorre a partir daí é a luta de sobrevivência de cada um. 11429. Brasília. 34. Ed.htm>. Enquanto um paradoxo encontra seus limites nas práticas culturais. 26 | n. de resistências para uma sobrevivência frente aos preconceitos instituídos. Disponível em: <http://www. p. ______. Modifica os arts. visando efetivamente a possibilidades de justiça e respeito à diferença de forma individual e coletiva. em função das práticas culturais exercidas. 27 dez. 1988. de 12 de setembro de 1996. M. Brasília. 1961. por exercer preconceitos de todas as ordens com vista a diferentes formas de seleção. Lei No 5. não há interesse por parte do Estado em compreender os processos instituídos.18109. 47 | p. Lei N. Microfísica do poder. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. 211 e 212 da Constituição Federal e dá nova redação ao art. Fixa diretrizes e bases para o ensino de 1° e 2º graus. 1990. ______. da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948. Lei Nº 9. htm>. que vão à contra-mão de seus postulados e. DF: Senado. ______. de 20 de Dezembro de 1996. Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III). 12 ago. FOUACULT. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www.br/ccivil_03/Leis/ L5692./dez.planalto.planalto. Jon Tien.

/dez. Campo Grande.br/revistaeducacaoespecial> 698 . 2013 Santa Maria Disponível em: <http://www. E-mail: antonio. Porto: Gráfica Firmeza. Bairro Amambaí. 47 | p. 1975. coordenado pela antiga Secretaria de Educação Especial/MEC e hoje se encontra na Secretaria Educação Continuada. Nietzsche. e o segundo. com apoio do Programa de Apoio à Educação Especial/Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior/Ministério da Educação (PROESP/CAPES/MEC). 685-698 | set. Paraguai e Uruguai) com financiamento da Organização das Nações Unidas para a Educação. Chile. M. a Ciência e a Cultura (UNESCO) (20002005) e o Projeto “Direito à Educação e a Diversidade Social” (2005-2008). seus subsídios foram referência para a Política de Educação Especial na perspectiva da Inclusão Escolar (2008). Brasil. O primeiro teve seus resultados como suporte para implementação do Programa Direito à Educação” (2002).osorio@ufms.com Recebido em 20 de março de 2013 Aprovado em 15 de junho de 2013 Revista Educação Especial | v. Alfabetização. Diversidade e Inclusão/MEC. Mato Grosso do Sul.br – tatianacalheiros@hotmail. CEP: 79005030. 26 | n. Notas ¹ Este projeto envolveu pesquisadores dos paises do Cone Sul (Argentina. 1918.Antônio Carlos do Nascimento Osório – Tatiana Calheiros Lapas Leão FOUACULT.ufsm. Correspondência Tatiana Calheiros Lapas Leão – Rua Vinte e seis de agosto. Freud e Marx: theatrum phisosoficum.