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1. INTRODUÇÃO.
Quem cala sobre teu corpo Consente na tua morte Talhada a ferro e fogo Nas profundezas do corte Que a bala riscou no peito (...) Quem cala morre contigo Mais morto que estás agora Relógio no chão da praça Batendo, avisando a hora. Que a raiva traçou No incêndio repetindo O brilho de teu cabelo Quem grita vive contigo1

A epígrafe acima trata de um acontecimento específico, a morte do estudante carioca Edson Luís, em 23 de março de 1968. Ele tinha 16 anos quando foi morto se transformando em símbolo na luta contra a Ditadura Civil Militar (1964-1985), fato este que provocou intensas manifestações contra o regime (FREITAS, FILHO, FREIXO, p.26, 2008) 2. Os estudantes contrapunham-se a Reforma Universitária implementada pelos governos militares, protestavam por melhores condições no restaurante Calabouço, local onde ocorreu o assassinato, e contra o aumento de preços. Por não concordarem com a política educacional imposta pelos governos militares e a atuação truculenta do reitor Silveira Neto, segundo Edilza Fontes (2007, p. 54) o ano de 68 na UFPA foi marcado pela ocupação das faculdades, ocorrendo imediata reação dos policiais e falta de diálogo entre os estudantes e a reitoria. Por isso, a epígrafe, também, pode ser relacionada ao contexto do episódio do pavilhão Fb-23, ocorrido em 1981, quando o estudante paraense César Moraes Leite foi assassinado dentro da sala de aula, enquanto assistia uma aula de E.P.B (Estudos de Problemas Brasileiros). A referida disciplina foi inserida no currículo universitário pela reforma que os estudantes combateram em 1968. Dois eventos, tanto o de 1968, quanto o de

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Menino, música de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Edson Luís foi assassinado em um confronto com polícia militar, durante uma manifestação estudantil que reivindicava melhorias no restaurante universitário Calabouço. Conhecido como Calabouço, por ter abrigado escravos presos no Império, o enorme restaurante era uma espécie de patrimônio dos estudantes, custeado pelo Ministério da Educação. Por ser subsidiado, o preço da refeição era muito baixo, mas tinha fama de ser de péssima qualidade. Ver: CINTRA, André; MARQUES, Raissa Luísa de Assis. UBES, Uma Rebeldia Consequente — A História do Movimento Estudantil Secundarista do Brasil. 2009. 3 BRITO, Luciano. O episódio do pavilhão fb-2: ditadura militar e movimento estudantil na UFPA (1964 – 1980). TCC, Belém, 2005.

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1981, são faces distintas de um mesmo processo histórico, a reforma universitária de 1968. Apesar dos protestos, a Reforma Universitária de 1968, expressa na lei nº 5. 540/684 foi aprovada sem vetos, o congresso teve um papel de manutenção do espírito da lei5. O texto desta lei tem a seguinte estrutura: os fins, as funções, a organização e as modalidades de ensino dos cursos superiores (art. 1 aos 30); orientações sobre o corpo docente (art. 31 aos 37); sobre o corpo discente (art. 38 aos 41) e disposições gerais e transitórias (art. 42 aos 59). Após, a Reforma, durante ―os anos de chumbo‖6 o ensino de história pautou-se por uma concepção conteudista, somada a uma postura patriótica e moralista, que acabou ensejando práticas criativas e alternativas engenhadas no ambiente escolar 7. A educação brasileira em tempos de reforma educacional alterou a concepção de reestruturação do ensino no Brasil, possuindo diferentes visões sobre o processo. Como destaca o historiador Thomas Skidmore(1989, p.154), ―vitualmente todos concordavam [estudantes e governo] com a necessidade de uma reforma universitária, inclusive uma reformulação do sistema de admissão. Mas também havia profundas divergências sobre o que exatamente deveria ser modificado‖. Segundo Alzira Abreu (2001), após o movimento político-militar de 1964, o Estado assumiu a bandeira da reforma universitária, limitando seu campo à modernização administrativa e pedagógica, de acordo com o modelo norte-americano. Contando com a assistência técnica e financeira da United States Agency for International Development (USAID), o Ministério da Educação começou a promover mudanças nas universidades federais que foram sendo difundidas para as demais. Há na

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BRASIL. LEI Nº 5.540, de 28 de novembro de 1968. Fixa normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1968. Disponível em http://www.prolei.inep.gov.br/prolei/ Acesso em Outubro de 2013. 5 SAVIANI, Dermeval. Política e Educação no Brasil. Editora Autores Associados, 1987. 6 Ficou conhecido como ―anos de chumbo‖ o período qu e o general Emílio Garrastazu Médici manteve-se no poder (1969-1974). Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período. A repressão à luta armada cresce e uma severa política de censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressões artísticas são censurados. Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. ―O DOI-Codi (Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna) atua como centro de investigação e repressão do governo militar.‖ Ver: Castro, Celso; D'Araújo, Maria Celina; Soares, Gláucio Ary Dillon. Os anos de chumbo: a memória militar sobre a repressão. Riode Janeiro: CPDOC. 1994. 7 NETO, Antônio. Ensino de História e cultura escolar: fontes e questões metodológicas. Revista Brasileira de História da Educação, n° 22, p. 141-167, jan./abr. 2010.pp.166

Um aspecto importante da pesquisa será a atenção especial que será dada para o curso de História. considero tão importante quanto desenvolver a pesquisa sobre a Reforma Universitária na UFPA. 28. 10 A disciplina foi implantada na Universidade Federal do Pará em sua 7ª sessão do Conselho Superior de Ensino e pesquisa. A Reforma Universitária de 1968: 25 anos depois.militar brasileira. provocou no ensino superior na Universidade Federal do Pará (UFPA). 065 de 19719. Editora UFPR. p. BOMENY. . com o incidente do Pavilhão Fb. Curitiba. que são a morte de dois estudantes Edson Luís (1968) e Cesar Leite (1981) em tempos de implementação da reforma na cidade do Rio de Janeiro e a sua consolidação na universidade federal do Pará. acarretando sérios conflitos no ensino de história e nas ciências humanas. 11. p. A pesquisa sobre a E. nas escolas de todos os graus e modalidades dos sistemas de ensino no País. Partindo da implantação da Reforma Universitária e a publicação do decreto-lei nº 68.htmn acessado em 10/10/2013. n. 17-36. Geografia. implementada em 1968. pois. 9 Regulamenta o Decreto-lei nº 869. 2006.planalto. as diversas práticas pedagógicas e os procedimentos didáticos que constitui o saber histórico escolar em tempos de Ditadura Civil Militar no Brasil. RBCS. de 12 de setembro de 1969. que dispõe sobre a inclusão da Educação Moral e Cívica como disciplina obrigatória.br/ccivil_03/leis/l5764. Educação Moral e Cívica. como já foi dito um das disciplinas mais afetadas durante o regime militar. Helena. buscar compreender a lógica da formação de professores. Organização Social e Política do Brasil e Estudos de Problemas Brasileiros. na gestão do reitor Aracy Barreto. que englobava as disciplinas História. O saber histórico durante a ditadura militar teve o seu ofício limitado a um título genérico de Estudos Sociais. atuava em todos os graus de ensino (FREIXO e FREITAS. FÁVERO. e dá outras providências. http://www.3 historiografia um debate profícuo sobre este tema8. Maria de Lourdes de Albuquerque. Neste momento ocorreu uma desvalorização da historiografia e de reflexões sobre a realidade. que teve modificações em resolução nº 556 de 02 de Abril de 1979. realizada no dia 29 de março de 1971.Associação Nacional de PósGraduação e Pesquisa em Ciências Sociais. a reforma universitária de 68 e o processo de reestruturação da UFRGS (1964-1972): uma análise da política educacional para o ensino superior durante a ditadura civil. 2008). B terá como intenção também fazer uma reconstrução histórica sobre dois momentos importantes de resistência aos governos militares. este projeto de pesquisa propõe a análise dos impactos que esta Reforma. dentro da área das humanidades.P. A universidade no Brasil: das origens à reforma universitária de 1968.gov.Educar. 8 A tese de Janaína Dias. Pois. buscando refletir sobre os caminhos percorridos pela disciplina Estudos de Problemas Brasileiros no currículo desta Universidade10.

o campo da História Cultural colocou os estudos escolares sob uma perspectiva culturalista. 2013). 26). 1992. Silva. ampliando o horizonte sobre as reflexões que historiadores devem fazer sobre o conhecimento histórico escolar (ZAMBONI.9. criado em 1993. Recentemente tem crescido a preocupação dos historiadores. Monteiro. 1992). Davies. não se limitando a questões historiográficas ou práticas metodológicas (LIMA e FONSECA. principalmente. 2006. No âmbito da historiografia. seminários. 12 Por exemplo. 2001. ou seja. A pesquisa que este projeto propõe pretende responder a algumas inquietações. sobre a trajetória que esse campo de conhecimento percorreu em torno das disciplinas escolares (FERREIRA. sobretudo das disciplinas escolares. Os estudos de currículo ganharam nova concepção desde a década de 70 como campo de investigação. Gasparello. 2007. há escassez de pesquisas entre os historiadores em relação ao caminho percorrido pelos cursos de graduação e pós-graduação nas universidades brasileiras. encontros estaduais e simpósios12. 41). a utilização do livro didático. 2000. 1993. González. Resnik. em compreender o seu ofício a partir de reflexões sobre sua disciplina. Magalhães. p. 2011. 1992/93. as linguagens no ensino de História e o uso de metodologias no processo de ensino-aprendizagem. 2009. Gontijo. ainda assim. Rocha. 2013. sendo um objeto de pesquisa bastante debatido nos fóruns. 2007. Percebese neste sentido que ocorreu um aumento considerável de profissionais preocupados em estudar temas relacionados à formação de professores. as tecnologias de informação. raramente suscitou o interesse dos pesquisadores apresentando uma lacuna na historiografia educacional (CHERVEL. p. 2011. que adotava novas perspectivas com relação à história cultural e a educação. sob a coordenação da professora Elza Nadai e o Encontro Nacional de Pesquisadores de Ensino de História (1999) sob a coordenação da professora Ernesta Zamboni e o fórum específico sobre a temática que é a Sociedade Brasileira de Ensino de História. entender os sentidos. A história dos conteúdos do ensino primário ou secundário e. Magalhães. 2003. Oliveira. 2009. Zamboni. Resnik.4 O ensino de história tem uma produção historiográfica consolidada no Brasil11.7. Carretero. ao estágio supervisionado. 2007. . p. 2009. Cerri. p. 1993. 2005. Rosa.328). Contudo. Nadai. o envolvimento dos historiadores com pesquisas de temas referentes à história da educação ainda é recente. Maria. Monteiro. temos o Seminário Nacional de Perspectivas de Ensino de História (1988). Abud. Rocha. 1999. Monteiro. Bittencourt. os significados que as memórias dos discentes e dos docentes possuem sobre os tempos de ditadura militar na UFPA: qual o impacto da reforma universitária? Qual era a concepção de reforma universitária na UFPA? Como 11 Sobre a produção em relação ao ensino de História ver Fonseca. p. apresentando-se como alternativa para compreender o conhecimento escolar a partir da relação educação e cultura (FALCON. que pesquisam o ensino. Isto significar dizer que. Fonseca. Mattos.

P. tendo como objeto de análise a disciplina E. com destaque para os possíveis impactos e modificações na educação superior a partir da inserção da disciplina EPB no curriculum desta universidade.B. OBJETIVOS  Geral: Este projeto tem como objeto de pesquisa a implementação da Reforma Universitária de 1968 na Universidade Federal do Pará.P. em sessão extraordinária do Conselho Superior de Ensino e Pesquisa dia 13 de janeiro de 1971.P.5 as administrações pensaram a relação reforma universitária e ensino superior? Como os professores ministravam a disciplina E. B e as humanidades. em resposta ao parecer foi determinado ministrar a referida disciplina. . pretendemos compreender a trajetória desta disciplina. 3. B? Qual era o seu currículo? Qual a sua importância para o ensino superior13? Qual o impacto que a disciplina EPB provocou no (curso) e no ensino de história? Quem ministrava a disciplina? Qual a sua reflexão sobre os problemas brasileiros? Quais as dificuldades de lecionar a disciplina? Qual o seu material didático? O que continham os livros didáticos sobre as temáticas referentes à disciplina que proponho investigar? Quais são suas referências bibliográficas? Quais as limitações para ensinar a disciplina? Havia uma coordenadoria ou Departamento específico na UFPA para a organização curricular? São estes os questionamentos que esta pesquisa pretende responder. acredito que o desenvolvimento deste projeto de pesquisa é um caminho importante que levará a ampliação das possibilidades de estudos sobre as disciplinas escolares no Pará. Neste sentido. ajudando a construir uma história do ensino de História. Problemática: O projeto de pesquisa tem como problemática compreender o contexto histórico educacional do ensino superior da Universidade Federal do Pará a partir da implementação da Reforma Universitária de 1968. A partir das memórias de docentes e discentes. com destaque para o curso de História e os movimentos sociais de resistência ao regime em dois momentos importante que são: o de 1968 e o de 1981. 2. tendo como perspectiva as disciplinas escolares pensadas pelos governos militares. dentro do contexto de reforma 13 Em procuração nº 14729/70 o Centro de Educação da UFPA fez uma solicitação ao CONSEPE requerendo a validade da disciplina E.

III – INVESTIGARde que modo à disciplina Estudos de Problemas Brasileiros (E. Ao abordarmos a história da EPB.PERCEBER quais são os impactos desta disciplina para a historiografia ensinada após a reforma universitária de 68.B.) na tentativa de controle do movimento estudantil na UFPA.P. SNI. o AI-5. II – COMPREENDER o ano de 1968 no Brasil/mundo como um ano ímpar da ditadura civil-militar. e seus impactos para a história ensinada. a revolução cultural. a reforma universitária de 68.  Específicos: I – ESTUDAR a relação UFPA e os governos militares. IV – ENTENDER como a disciplina E.6 supracitada. o levantamento de problemas educacionais pelo SNI). esperamos contribuir o aprofundamento acerca do debate sobre os governos militares na região amazônica. dentro de um contexto importante que é a consolidação do regime autoritário (morte de Edson Luís.B) consolidou-se na UFPA e a atuação de órgãos oficiais do regime (ASI. dialogando com a noção de poder local e suas relações com o poder central em tempos de reforma universitária.ANALISAR a atuação dos reitores em relação aos órgãos oficiais do regime em relação àreforma universitária nas administrações:Aloysio da Costa Chaves (19691973) e Clóvis Cunha da Gama Malcher (1973-1977) e Aracy Barreto (1977-1981). . etc. V . DSI. VII. tendo como um dos objetos de investigação as aulas de E. a rede de espionagem e a institucionalização das ―comunidades de segurança e informações‖.B fincou os seus rastros na memória dos discentes como percurso na área de humanidades na Universidade Federal do Pará.P. a polícia política ―revolucionária‖ de repressão aos estudantes. VI .FAZERuma reflexão sobre os caminhos percorridos pela disciplina Estudos de Problemas Brasileiros na Universidade Federal do Pará.P.

como Telebrás. professores e alunos sofreram constrangimentos. Layse deSalles. Neste sentido. A pesquisa sobre os governos militares no Estado do Pará e sua atuação dentro das instituições 14 Este projeto tem 30 depoimentos que são de professores.multimidia. aprovado pelo Departamento de História. aposentadorias compulsórias e tiveram seus direitos violados pela ação de órgãos do regime militar na UFPA. Netuno Mendes. sendo coordenado pela professora Edilza Fontes. que também extinguiu o Serviço Nacional de Informações (SNI) e os órgãos equivalentes a entidades da administração federal indireta e fundacional‖. FRANCO & SOUZA. . Willian Calvacante. de 15 de março de 1990. temática que até o momento carece de uma pesquisa historiográfica mais aprofundada17. este projeto busca reconstruir. migrações e partidos políticos e não há uma pesquisa em relação à história das instituições. entrevistas15. Maria Celeste Miranda. (ISHAQ. o tema ainda é pouco explorado. Ruy Antônio Barata. 17 Em um levantamento realizado no Laboratório de História em consulta de monografias. a História da Universidade Federal do Pará. Sandra Leite. Edilza Fontes). Sérgio Carneiro. documentos oficiais em arquivos do CSN – Conselho de Segurança Nacional em Brasília e no Rio de Janeiro sobre a ASI16-UFPA). fui selecionado para participar do projeto de pesquisa ―A UFPA e os anos de Chumbo: memórias. 15 As entrevistas estarão disponíveis no repositório UFPA multimídia no site http://www. Humberto Cunha. Carlos Bolção.61. Margareth Refkalefsky. de 1967. As ASIs e DSIs foram extintas pela medida provisória n. As assessorias foram organizadas pelo decreto nº 60. Hecilda Mary Ferreira Veiga. tem somente uma monografia que apresenta a educação durante o regime militar na cidade de Belém como foco a disciplina Educação Moral e Cívica (EMC).150. silêncios e cultura educacional (1964-1985)‖ 14 . período em que. pp. A partir de uma ampla pesquisa documental (jornais. Júlio Ribeiro.br/jspui/ 16 Assessoria de Segurança e Informações (ASI) era o ―tipo de órgão setorial de informação existente dentro das universidades. segundo os depoimentos coletados.7 4.940. traumas. Petrobrás. 2012). em relação a uma perspectiva educacional. por exemplo. fundações e empresas públicas. servidores e ex-alunos da UFPA que tiveram participação durante os anos de Chumbo na universidade. percebi que sobre a temática há uma produção historiográfica sobre temas específicos como: o movimento estudantil.pois. atas do CONSUN. dissertações e teses. Amarílis Izabel Alves Tupiassu AntônioPrince Boez. A ideia de desenvolver uma pesquisa que mescla o estudo da Reforma Universitária de 1968 e a implementação e trajetória da disciplina Estudos de Problemas Brasileirossurgiu da percepção de que havia necessidade de aprofundar os estudos sobre os governos militares no Pará. JUSTIFICATIVA Em 2012. a igreja católica. que também criou órgãos vinculados a Divisões de Segurança e informações (DSI).ufpa. Alcyr Boris de Souza Meira. na medida do possível. objetivando analisar os impactos da ditadura civil militar nesta instituição. Roberto Correa. este projeto de mestrado é um desdobramento deste projeto de pesquisa. José Miguel Veloso) e os entrevistados de 1980 (Arnaldo Jordy. Correios. para este projeto serão analisados depoimentos sobre dois momentos que são: os entrevistados de 1968 (Aloísio Lins Martins.

visto que dentre os objetivos da reforma educacional de 1968. . O que ocorreu foi que este campo de estudo libertou da filosofia. Michel. porém que a abertura a novos problemas. tornandoos homens aptos para o controle dentro do Estado. ela admite que não seja amplo o debate sobre ensino de história. afetando o saber histórico. a história das disciplinas escolares. a historiografia e a história ensinada. é necessário aprofundar o debate sobre a reforma educacional de 68 no Pará. fontes e objetos. tenha ampliado os estudos da história da Educação. O projeto tem a Universidade Federal do Pará como um micro espaço de poder. que atuaram na docência dos anos 90. Microfísica do Poder. Igreja. Segundo Saviani (2002. Podemos colocar em destaque na produção historiográfica sobre o ensino de história no Pará. 236) é admitir que a ―educação é um tema/objeto de investigação necessário à compreensão da formação cultural de uma sociedade‖. estava limitar os conhecimentos na área das ciências humanas.a autorafaz algumas reflexões sobre os paradigmas que a ciência história adquiriu nos anos 80 e quais foram os seus impactos nas aulas de História do Ensino Médio.25) nos propõe fazer uma reflexão e admite que este seja ―um campo que os historiadores se mostram 18 O livro lançado em 2007. [Organização e tradução de Robert Machado]. utilizando-se métodos historiográficos em determinada pesquisa. propondo-se a compreender os conflitos que envolveram diferentes sujeitos — professores universitários e discentes à época — na formatação dos saberes escolares. tendo como metodologia de pesquisa o uso da história oral. elementos detentores de grande influência nas atitudes humanas. p. p.FOUCAULT. etc. característica da renovação historiográfica. adotando a ideia de que o historiador pode fazer algumas reflexões possíveis sobre a história cultural e a educação. Rio de Janeiro: Edições Graal. contribuindo para uma aproximação a História e a Educação. Tendo como recorte geográficopara análisea cidade deBelém. p. no entanto. haja vista que o livro possui 2 textos que suscitam um debate sobre as administrações durante os governos militares mas não com o enfoque de analisar as disciplinas escolares. o trabalho da historiadora Stela Morais (2002) sobre a prática de ensino dos professores de História em escolas públicas e particulares. Este projeto tem como referência teórica a historiografia educacional. 1979. 12) é forçoso admitir. UFPA 50 anos: Histórias e memórias faz uma breve síntese sobre a história da universidade. fazendo um debate sobre sua relação com os governos militares19. Sobre o conceito de disciplinas escolares Ivo Goodson (1995. O diálogo profícuo entre esses dois campos de conhecimento segundo Francisco Falcon (2006. 19 Michel Foucault fala sobre os ―micro poderes‖ (família. imposta pelos governos militares. neste sentido. não se limitando ao período do regime militar. a história cultural e os estudos sobre currículo prescrito no campo das políticas educacionais.8 públicas é ínfima18.).

Ao fazer uma breve reflexão sobre a importância das disciplinas escolares como objeto de pesquisa para o historiador. é perceber como as práticas pedagógicas estão inter-relacionadas com o discurso político do poder produzido pelo estado. os métodos de ensino e os percursos de estudo. 2008. pois. a partir de suas configurações curriculares. 20 Frago. A história das disciplinas escolares. no sentido de exercer o controle ideológico e eliminar qualquer possibilidade de resistência ao regime autoritário.9 inclinados a ignorar: os conteúdos escolares. segundo Frago apud Young20. física. a autora afirma que durante o regime civil. legitima saberes e o conhecimento escolar. limitando o conhecimento sobre a reflexão em relação ao presente. tendo como referência a trajetória de disciplinas escolares é o atual debate que envolve os pesquisadores de currículo. buscando nos procedimentos internos da escola pistas para analisar as complexas relações entre escola e sociedade‖. nos remete a ideia de que ocorreu durante o regime militar um processo homogeneizador no sistema educacional brasileiro e que tiveram consequências imensuráveis nas ciências humanas. Um campo de investigação que. em um dado processo histórico que foi o pós-64 no Brasil. Pensar a cultura escolar. p.12) ao analisar o estado de São Paulo em tempos de reforma curricular durante a ditadura civil-militar. e deve ser tratado como um produto sócio histórico. quando nos remete a ideia de que: Após 1964 o ensino de História se viu combinado com medidas restritivas à formação e à atuação de professores e com uma redefinição ideológica dos objetivos da educação. geografia.militar adotou-sepostura acrítica em relação ao saber histórico. No campo da história do ensino de história do Brasil o trabalho de Thaís Nívia de Lima e Fonseca. Antônio. Neste sentido. Revista Brasileira de História da Educação n° 18 set. (LIMA E FONSECA. p. sob a ótica da Doutrina de Segurança Nacional e desenvolvimento. como o resultadode conflitos passados entre grupos adversários que buscam tais matérias deformas diferentes‖. ―atualmente passa por história. ./dez. esta pesquisa quer demonstrar queas disciplinas escolares assumem um papel importante dentro dos estudos historiográficos. nos ajuda a compreender o percurso desta disciplina. Compreender os conflitos que norteiam os currículos escolares.. 2011. pp.etc.181.56). o trabalho de Maria do Carmo Martins (2000. Neste sentido. inglês.

pois. Um aspecto importante da pesquisa será ter uma atenção especial para o curso de História. com o incidente do Pavilhão Fb. 22 MOREIRA. . Esse contexto do ensino de História é algo presente até o período do regime militar. A disciplina História. nº 1. que são a morte de dois estudantes Edson Luís (1968) e Cesar Leite (1981) em tempos de implementação da reforma na cidade do Rio de Janeiro e a sua consolidação na universidade federal do Pará. A disciplina EPB estava enquadrada no núcleo de estudos da Educação Moral e Cívica. O ensino Superior no Pará: apontamentos sobre alguns aspectos quantitativos . que era voltado para o 3º grau. Para a história da Universidade Federal do Pará: panorama do primeiro decênio.B terá como intenção também fazer uma reconstrução histórica sobre dois momentos importantes de resistência aos governos militares. quando os estudos históricos foram limitados a disciplinas. Eidorfe Moreira22 e Cleodir Moraes23 (2007) consideram que a década de 70 é um momento importante na Universidade Federal do Pará. Cleodir. tendo como objetivo constitui-se como disciplina curricular no ensino superior tendo uma projeção mais abrangente que seria denominada Educação Moral e Cívica. ano I. Edilza. 2013. Estudos de Problemas Brasileiros (EPB) e Organização Social e Política do Brasil (OSPB). não é algo exclusivo criado pelos governos militares. pois. como: Estudos Sociais.10 Os trabalhos de Armando Mendes21. 94). Armando. 2007. A Universidade Federal do Pará em tempos de Reforma Universitária.P. A constituição da ciência história como uma disciplina escolar. Editora UFPA. A Educação Moral e Cívica está presente no passado educacional brasileiro e constituía-se como parte ―integrante do elenco de estudos e conhecimentos a desenvolver nos estabelecimentos de ensino‖ (THIAGO.21). tem demonstrado que há uma função social que é a de construir uma identidade nacional entre crianças e jovens (CAIMMI. sendo entrada em vigor com o decreto-lei nº 869 de 1969. Educação Moral e Cívica. Belém: (?). 1977. p. desde a primeira a metade do século XIX. p. In: Fontes. como já foi dito um das disciplinas mais afetadas durante o regime militar. 23 MORAES. 1981. UFPA 50 anos: histórias e memórias. Eidorfe. In: Revista Universidade Federal do Pará. em pequena escala e a área das humanidades em uma escala global seria afetada pelo redirecionamento educacional pensando pelos militares a partir do golpe civil-militar. dentro da área das humanidades. caracterizada como ―fronteira de expansão‖ no Brasil. A pesquisa sobre a E. 1º semestre/1971. FILHO & MARTORANO. correspondeu a consolidação das reformas e a busca de uma identidade regional assumindo sua ―vocação‖ como centro de ensino e pesquisa na região norte. A memória dos discentes que participaram do processo de reforma 21 MENDES. Belém. série 1.

9). e em seu lugar impôs um ensino moralizante. por isso utilizo o campo da história cultural. ―por ser um conjunto de práticas. p. 2013. Nos últimos anos os cursos universitários e temas afins tornaram-se objetos de estudos de pesquisadores tanto na área de educação como por especialistas em história das ciências (FERREIRA. O ensino de História durante a ditadura militar recebeu um verdadeiro golpe.B na região amazônica. 2013).11 universitária na Universidade Federal do Pará em 1968 pode ser uma importante fonte para compreender.P. que segundo Barros (2008. reprodutivo e laudatório. Hobsbawm diante dos estudos da história social nos permite pensar em uma escala micro um dos temas importantes historiografia educacional. as práticas e as instituições educacionais. A história da historiografia adquire uma importância como um campo de estudo que ―não constituem um campo dos mais frequentados pelos historiadores‖ (FALCON. os sujeitos. normalmente reguladas por regras tácita ou abertamente aceitas. 1997. A abordagem historiográfica que se pretende fazer com este trabalho parte da perspectiva história cultural e educação – com ênfase no estudo das disciplinas escolares. p.96) destaca a história cultural como um caminho em que as novas vertentes historiográficas permitem uma nova visibilidade para a história da educação. p. Sergipe. que é a construção social dos currículos escolares (OLIVEIRA. o historiador ao analisar as práticas culturais realizadas pelos seres humanos em relação aos outros e na sua relação com o mundo. Paraíba. p. 2008). 37. p. a partir da História. Rio Grande do Norte e recentemente o Rio de Janeiro desenvolveram trabalhos acadêmicos sobre este campo de conhecimento. permite perceber a pluralidade de culturas que existe dentro de uma determinada sociedade. somente em alguns estados brasileiros como: São Paulo. 68). que limitava as possibilidades de crítica ou questionamento ao poder instituído. este balanço historiográfico indica a relevância da temática que este . (NETO. 2010. No âmbito da historia da educação Warde (2000. Percebemos que o currículo seria uma tradição inventada. por que os educadores entenderam que. qual a concepção de ensino para a área de humanidades adotada pelo regime militar como a disciplina E. Porto Alegre.11.143). a cultura é indiscutivelmente um bom lugar para inscrever os objetos. P. p. O projeto pretende analisar como os atores sociais dão sentido a suas práticas. As análises deste historiador podem ser utilizadas em uma escrita sobre a história do currículo. tais práticas seriam de natureza ritual ou simbólica‖ (RANGER & HOBSBAWM.59).

alguns destes já se encontram disponíveis no repositório multimídia da Universidade Federal do Pará. 2013. atas do CONSUN. 25 anos de ensino superior regionalizando o Pará sob a coordenação da professora Edilza Fontes. A pesquisa que será desenvolvida a partir deste projeto. além das entrevistas.ufpa. estudos e planos) que se encontram disponíveis no Arquivo Nacional (RJ) e na Coordenação 24 Esta entrevista foi concedida para o projeto Universidade Multicampi. tendo a memória como fonte privilegiada. . é relevante na medida em que. além de terem sido desenvolvidos em nível de graduação. têm como fontes o uso de jornais. durante a gestão dos reitores Aloysio da Costa Chaves (1969-1973) e Clóvis Cunha da Gama Malcher (1973-1977) e Aracy Barreto (1977-1981). 5. durante recorte temporal que a pesquisa propõe.12 projeto de pesquisa problematiza e fornecem novos dados e sugestões para abordagens ainda pouco exploradas pela historiografia paraense. O critério para a seleção dos entrevistados para a pesquisa que será desenvolvida a partir deste projeto é os discentes terem cursado a disciplina Estudos de Problemas Brasileiros. A pesquisa apresentada por este projeto. o incidente do Pavilhão Fb. esta pesquisa inserirá novos sujeitos sociais no estudo da temática proposta. tendo como discussão os seguintes temas: a reforma universitária de 68. tendo sido preso e torturado durante o Regime Militar24. documentos do gabinete do reitor. tem como fonte as análises da documentação oficial publicada pelo governo à época (relatórios. O exemplo da entrevista do professor Romero Ximenes que participou o processo de reforma universitária em 1968. Os trabalhos que existem na historiografia paraense sobre a ditadura civilmilitar. no entanto. não se tem o uso da memória como análise destes processos históricos. se utilizaráda memória de docentes e discentes que tiveram um papel importante no processo de implantação e consolidação das reforma universitária na Universidade Federal do Pará.multimidia. se utilizará de fontes orais. o movimento estudantil em 1968. como já explicitado. A pesquisa que este projeto propõe. Disponível no endereço eletrônico: http://www. Neste sentido. o critério será terem atuado como professores na Universidade Federal do Pará. para podermos perceber como foi sua formação dentro do contexto educacional na UFPA. revista da UFPA. Serão coletados 30 depoimentos. METODOLOGIA e FONTES.br/jspui/handle/321654/1024 Acesso dia 8 out. o primeiro decênio da UFPA (1967-1977). Quanto aos docentes.

p.CONSEPE e Conselho de Administração . o contexto educacional de 68 e o movimento estudantil. que são o Conselho de Ensino. ou seja.13 Regional do Arquivo Nacional em Brasília. seriam capazes de desvelar o nível básico das relações sociais‖ (CALONGA. durante a administração dos reitores Aloysio da Costa Chaves (1969-1973) e Clóvis Cunha da Gama Malcher (1973-1977) e Aracy Barreto (1977-1981). tendo como finalidade entender os impactos da reforma Universitária implementado pela lei nº 5. a documentação oficial do Ministério da Educação e Cultura do período analisado pela pesquisa de 1968 a 1981. eles possuem uma representação para o historiador. Tendo claro que este é um ―instrumento de manipulação de interesse e de intervenção na vida social‖ (PRADO.81). 540/1968. Também utilizaremos os jornais como suporte desta pesquisa histórica. a revista da UFPA publicada entre 1971 a 1975 e atas do Conselho Universitário – CONSUN e de seus órgãos membros. a Universidade Federal do Pará. pois seu papel relevante na manutenção ou constituição de uma dada . não como algo neutro em veicular informação e nem tampouco isolado político-social. p. mesmo que ela (memória) selecione o que deve ser lembrado e o que deve ser esquecido. ela precisa ser compartilhada. A memória é um importante registro sobre um determinado processo histórico. e a análise do Informativo da UFPA que fora veiculado na instituição entre 1971 a 1975. Por meio da imprensa. ditaduras militares ou guerras mundiais que deixam marcas duradouras ou sequelas em determinadas sociedades. e o jornal Resistência sobre os seguintes temas: os governos militares. 1974).CONSAD). mas antes. consideraremos a posição da universidade. Pretendemos utilizar a memória como fonte privilegiada. 2010. com o uso de notícias dos jornais. entendendo que ao mesmo tempo é fonte histórica e objeto de estudo por parte do historiador. Segundo Rousso (2006. as correspondências dos reitores com os órgãos oficiais. que foram veiculadas na grande imprensa (A província do Pará e O Liberal).Universidade Federal do Pará. Pesquisa e Extensão . como um ―discurso da imprensa e uso de uma linguagem que não se restringem apenas a um conjunto de vocabulários. 94) a memória é a presença do passado. permitem com que o historiador do tempo presente estude os acontecimentos próximos como as revoluções. o acervo é referente à Assessoria de Segurança e Informações . Todas estas fontes serão utilizadas para entender o clima educacional em relação à construção de uma opinião sobre a reforma universitária. o impacto do AI-5. e terá destaque neste projeto de pesquisa.

o que durante muito tempo foi objeto de rejeição no mundo acadêmico.14 sociedade. Mario. .199) o tempo presente ainda sofre resistências quanto a sua afirmação e legitimação. apud Ferreira e Amado. Alberto. a primeira coisa que percebemos. p. como no mundo. In: Carretero. Ensino de História e Memória Coletiva. 171-172) sobre a história oral no Brasil nos afirma que: Dentro dessa visão de uma metodologia pós-moderna. espaço e metodologia de pesquisa. Os historiadores dedicaram-se em definir o tempo presente. Segundo a historiadora Ana Maria Monteiro (2011. p. Ensinar História em tempo de memória. Mario. 25 CARRETERO. redimensionando as concepções de tempo. e não deve ser interpretada como uma informação absoluta: é um documento parcial e limitado. A limitação do documento é que ele só diz aquilo que está escrito. p. 68) os debates sobre os tempos sombrios da ditadura militar no Brasil permitiram reacender as concepções historiográficas sobre a história do tempo vivido e que não passa diante dos traumas causados. com muito pioneirismo. as mesmas categorias e referências. a entrevista concedida a professora Maria Celina pela historiadora Aspásia Camargo (1999. Neste sentido. O projeto trabalha com a concepção de uma história do tempo presente. omitindo informações. Eu mostrava que a entrevista não é uma fonte menor de informação. foi que o holismo era talvez uma das coisas mais importantes que uma entrevista podia nos dar. a visão da história tradicional para quem o documento escrito tem valor porque ninguém pode mexer nele. somente a memória nos ―permite imaginar futuros melhores. Porque era essa. Eu fiz um trabalho de consolidação de uma metodologia pioneira.256) a define como ―a história do seu próprio tempo‖. pois. mesmo que também. 216) é o pesquisador contemporâneo de seu objeto e divide os que fazem a história. ao fazê-lo. corramos o risco de escolher as lições que podem ser apreendidas via escrutínio do que não é cômodo registrar e nem lembrar‖ 25. Artmed. 2007. seus atores. O obstáculo teórico de fazer da ciência história um caminho objetivo e de que a memória não possui uma validade como fonte para pesquisas historiográficas é um debate antigo dentro dos estudos históricos. não diz nem mais nem menos. Quem disse que uma pessoa escreve só a verdade para a outra? Ela pode estar mentindo. ROSA. Segundo Fico (2012. principalmente no Brasil. e ainda é. A entrevista como documento é limitada como qualquer outro documento. não só no Brasil. p. interpretando o que lhe convém. p. já para Chartier (1996. Eric Hobsbawm (2011. porque não é sujeito à interpretação. dando informação falsa. por exemplo. Porto Alegre.

correspondência do gabinete dos reitores para fazer uma compreensão sobre a universidade federal do Pará em tempos de reforma universitária. silêncios e cultura educacional (1964-1985)‖–acervo disponível para acesso no repositório Multimídia da UFPA.br/jspui/handle/321654/1069# 26 Em reunião do dia 20 de Setembro de 2013. foi aprovada no Conselho Universitário (Consun/UFPA) a proposta de criação da Comissão César Leite de Memória e Verdade. Considero que o tempo presente é o objeto de pesquisa e um período histórico desafiador para os historiadores. p. são sujeitos históricos fundamentais para análise e debate com outras fontes do período. como: atas do CONSUN. com variáveis para a análise que não podem ser previstas ao se estudar processos não finalizados? Neste sentido. p. Fontes 1. 109) seria a seguinte pergunta. 108).   Entrevista Entrevista com com Zélia Nilza Amador Fialho de de Deus.multimidia. como lidar com eventos não terminados e. consequentemente.15 O presentismo neste sentido entrou na ordem do dia entre os historiadores. como diz Hobsbawm ―é necessária fazê-la. disponível disponível em em http://www. Depoimentos concedidos ao projeto ―Universidade Multicampi: 25 anos do projeto de interiorização da UFPA‖ e ao projeto ―A UFPA e os anos de chumbo: memórias. Os desafios da história do tempo presente segundo as reflexões da professora Marieta Ferreira (2012.multimidia. que estudaram a disciplina Estudos de Problemas Brasileiros. . O novo regime de historicidade teve a concepção de compreender que ―o passado é relevante para o presente e é por ele – pelo presente – constituído‖ (MONTEIRO. levanta questões importantes entre os historiadores no que se refere ao seu papel frente a esse tipo de Comissão26. o novo órgão terá como missão o levantamento de informações sobre fatos e circunstâncias das violações de direitos humanos. jornais.ufpa. traumas. 200). sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 2011 e a Comissão da Nacional da Verdade no Brasil. documentos oficiais. entre o período de 1º de abril de 1964 a 5 de outubro de 1988. 2012. o projeto tenta desenvolver um debate com testemunhos de estudantes à época na UFPA.ufpa.br/jspui/handle/321654/1071. criada em novembro de 2011. da Universidade Federal do Pará. perseguições políticas. Andrade. http://www. funcionamento dos mecanismos repressivos e das formas de resistência que ocorreram na UFPA. 2012 p. Não há escolha‖ (apud Ferreira. A recente aprovação da lei de acesso à informação.

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ACERVO da SEGE. Pronunciamentos do presidente. ______. Tomo I. que estabelecem normas para a implantação e funcionamento da disciplina ESTUDOS DE PROBLEMAS BRASILEIROS na Universidade Federal do Pará. sob a denominação Estudos de Problemas Brasileiros. regulamenta a disciplina Estudos de Problemas Brasileiros como disciplina curricular para o 3º grau. Brasília: Secretariade Imprensa e Divulgação. Lei 5. 1983. Pronunciamentos do presidente. de acordo com o decreto lei nº 68. Pronunciamentosdo Presidente. Brasília: Secretaria de Imprensa e Divulgação. em Juiz de Fora (Minas Gerais).Brasília: MEC/Departamento de Imprensa Nacional. 1979. ____________. lei da reforma universitária. Parecer 94/71. Discurso proferido no Colégio Técnico Universidade. In: BRASIL.O Terceiro segmento da Educação Moral e Cívica foi consubstanciado pelo decreto-lei nº 869 de 1969. ______. Grupo de Trabalho para a Reforma Universitária.540 11 de Novembro de 1968. Relatório daEquipe de Assessoramento ao Planejamento do Ensino Superior EAPES (Acordo MECUSAID). Máquinas e Motores. Mensagens presidenciais: 1964-1979. Tomo III. Atas do CONSEPE e CONSAD (1969-1980) . que regulamentou o decreto lei nº 869/69. ______. 1983. Mensagens presidenciais: 1947-1964. Sofia Lerche. Discurso proferido na cidade de Belém. 6. do CONSEPE. COSTA E SILVA.   Atas do CONSUN (1968-1980). Arthur da. 1968. Brasília:Secretaria de Imprensa e Divulgação.Relatório Geral do Grupo de Trabalho para a Reforma Universitária. Brasília: Câmarados Deputados/Centro de Documentação e Informação. Resolução nº 556 de 02 de Abril de 1979.17 ______. Estado do Pará.1982. a 22 de outubro de 1968. a 24 de agosto de 1966. Presidente (1967-1969: Costa e Silva). Brasília: Câmarados Deputados – Centro de Documentação e Informação. 3v. Decreto-lei nº 68. revoga as resoluções 206/74 e 388/76. ______. do CFE e Portaria nº 505/77 – MEC. Presidência da República. Pronunciamentos dos presidentes. Presidência da República. 1978. O (dis) curso da reforma universitária. Presidência da República. 5. ____________. Ministério da Educação e Cultura.Presidente (1967-1969: Costa e Silva). Presidente (1967-1969: Costa e Silva).065 de 1971. In:VIEIRA. 1969. Ministério da Educação e Cultura. Diretoria do Ensino Superior. Fortaleza: Edições UFC. In:BRASIL.065/71. Brasil na encruzilhada da evolução social e política. 1983. Missão e responsabilidade da juventude universitária. ______. comoparaninfo da turma de formandos nos cursos de Eletrotécnica. Brasília.

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