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PROPRIEDADES E CARACTERÍSTICAS DO CARVÃO VEGETAL


1. FRIABILIDADE


A friabilidade do carvão vegetal expressa a sua resistência à abrasão e queda,
pois durante todo o processo produtivo, o mesmo sofre uma degradação, gerando os
chamados finos do carvão vegetal. Grande parte desses finos não é utilizada em
processos industriais ou mesmo domésticos, devido à incorporação de impurezas. Os
finos com baixos teores de impurezas são submetidos a processos de aglomeração
(briquetagem) ou são utilizados em processos de injeção direta nas indústrias
siderúrgicas e cimenteiras.
Desde a sua produção até o uso final, o carvão vegetal vai gerando finos em
torno de 25%. Na TABELA 1, observa-se a geração de finos do carvão em todas as
suas etapas produtivas.

TABELA 1. GERAÇÃO DE FINOS (ABAIXO DE 10mm) DO CARVÃO VEGETAL,
DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO E MANUSEIO.

ATIVIDADE GERAÇÃO DE FINOS (%)
ABAIXO DE 10mm
Na carvoaria 3,7
Carregamento e transporte 5,3
Peneiramento 9,7
Armazenamento 6,3
Total 25
Fonte: OLIVEIRA, 1977.

Para se avaliar a geração de finos de um determinado carvão vegetal, existe o
teste de tamboramento, o qual visa simular o manuseio do carvão e
consequentemente, sua maior ou menor friabilidade. É através deste teste que se
pode comparar carvões vegetais de diferentes espécies ou fabricados em diferentes
condições de carbonização. Desta forma pode-se selecionar espécies e processos de
carbonização que originem carvões vegetais menos friáveis.
O teste de tamboramento é realizado no tamborímetro, o qual é submetido a
uma determinada rotação por um determinado período de tempo. Suas dimensões,
número de rotações e velocidade de rotação, variam de acordo com as diferentes
normas existentes para o teste. O teste mede a porcentagem de finos abaixo de uma
determinada granulometria, como por exemplo, 13mm.
Na FIGURA 1, observa-se um modelo de tamborímetro, desenvolvido pelo
CETEC (1.982a), baseado num modelo desenvolvido na Suécia. É constituído por um
tambor de chapa de aço, com 30cm de diâmetro e 25cm de comprimento, com uma


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tampa de 12 x 22cm. Este tambor é acoplado a um mecanismo de transmissão que
permite um movimento rotacional em velocidades de 25, 35 e 46 RPM.




FIGURA 1. MODELO DE UM TAMBORÍMETRO. FONTE: CETEC, 1.982a.


1.1 FATORES QUE INFLUENCIAM NA FRIABILIDADE DO CARVÃO VEGETAL


1.1.1 Umidade da madeira


Quanto maior for a umidade da madeira, maior será a geração de finos. Isto
pode ser explicado pelo fato de que quanto maior for o teor de umidade da madeira,
maior será a formação de trincas internas no carvão, o que provocará uma maior
geração de finos. Na TABELA 2, um estudo realizado por CETEC, 1.982c com
Eucalyptus grandis, mostra claramente esta tendência.

TABELA 2. GERAÇÃO DE FINOS (%), EM TESTE DE TAMBORAMENTO DE
CARVÃO VEGETAL DE Eucalyptus grandis, EM FUNÇÃO DO TEOR
DE UMIDADE DA MADEIRA CARBONIZADA.

TEOR DE UMIDADE
DA MADEIRA (%)
% DE FINOS
ABAIXO DE 13mm
< 20 11,2
20 - 30 13,5
> 30 15,5
Fonte: CETEC, 1982b







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1.1.2 Temperatura de carbonização


A temperatura de carbonização é um fator importantíssimo no que diz respeito
às propriedades físicas e químicas do carvão vegetal. Na TABELA 3, é demonstrado a
influência de três temperaturas finais de carbonização. Observa-se que a geração de
finos aumenta quando a temperatura é modificada de 300 para 500
o
C, diminuindo
quando esta aumenta para 700
o
C. A explicação para isto é que a 500
o
C a perda de
voláteis é maior que a 300
o
C e a contração do carvão não acompanha
proporcionalmente esta perda, tornando-o mais poroso e consequentemente mais
friável. Na temperatura de 700
o
C, a perda de voláteis é maior ainda, porém, nesta
temperatura, ocorre uma grande contração do carvão, o que o torna menos poroso e
friável.

TABELA 3. VALORES MÉDIOS EM TESTE DE TAMBORAMENTO PARA CARVÃO
PRODUZIDO DE MADEIRA DE Eucalyptus grandis DE MESMA IDADE
COM MESMO TEOR DE UMIDADE.

TEMPERATURA DE
CARBONIZAÇÃO (
o
C)
% DE FINOS ABAIXO DE
13mm APÓS O TESTE
300 13,2
500 14,6
700 12,9
Fonte: CETEC, 1.982c



1.1.3 Diâmetro e comprimento da madeira


O diâmetro é um fator de grande influência na geração de finos em um
determinado carvão. Isto é facilmente explicado pela impermeabilidade do cerne. De
modo geral, quanto maior for o diâmetro de uma madeira, maior será a sua quantidade
de cerne. Em função da sua maior permeabilidade, o alburno seca rapidamente e o
cerne, em função do acúmulo de substâncias dentro das fibras, tem dificuldade em
perder umidade. Desta maneira, a pressão de vapor dos gases aumenta no interior
das fibras, causando a ruptura das mesmas, desenvolvendo trincas.
Pode-se concluir que a não formação do cerne reduz o aparecimento de trincas
no carvão. Consequentemente, a utilização de lenhas mais jovens (diâmetros
menores), reduz a formação de finos.
No que diz respeito ao comprimento da lenha, quanto maior for este, maior
será a porcentagem de finos de um carvão. Como a perda de umidade da madeira se
dá em maior proporção no sentido longitudinal, o centro da peça terá dificuldades em


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perder umidade. desta forma, as extremidades da peça secarão rapidamente e o
centro da peça ainda estará muito úmido, provocando fortes gradientes de umidade,
os quais causarão maior quantidade de trincas internas no carvão. Na TABELA 4,
observa-se a forte influência do comprimento da madeira na geração de finos.

TABELA 4. INFLUÊNCIA DO COMPRIMENTO DAS PEÇAS (DIÂMETROS ENTRE 1
E 6cm) NA FORMAÇÃO DE FINOS ABAIXO DE 13mm.

COMPRIMENTO
DA PEÇA (cm)
% DE FINOS
ABAIXO DE 13mm
22 - 24 8,48
48 - 50 14,24
100 - 160 17,78
Fonte: CETEC, 1.982c



1.1.4 Velocidade de aquecimento


A velocidade de aquecimento exerce influência não só na friabilidade, mas em
muitas outras propriedades do carvão, além da influência no rendimento em carvão e
subprodutos.
Em relação à friabilidade, quanto mais rápida for a carbonização, ou seja,
quanto maior for a taxa de aquecimento, mais friável será o carvão. Portanto, o carvão
produzido em retortas (carbonizações mais rápidas) tende a ser bem menos estável
que o carvão produzido em fornos de alvenaria. Na TABELA 5, observa-se a influência
de duas velocidades de carbonização no teor de carbono fixo e na quantidade de finos
gerados.

TABELA 5. INFLUÊNCIA DA TAXA DE AQUECIMENTO NA GERAÇÃO DE FINOS DE
CARVÃO VEGETAL.

TAXA DE
AQUECIMENTO (
o
C)
TEOR DE
CARBONO FIXO (%)
% DE FINOS
0,1 78,02 11
3,4 78,51 18
Fonte: CETEC, 1.982c



2. RESISTÊNCIA À COMPRESSÃO


A resistência de um carvão vegetal à compressão longitudinal e transversal é
muito importante. Quanto mais resistente for um determinado carvão vegetal, melhor


5
será o seu comportamento dentro de um alto forno siderúrgico, quando submetido a
uma carga de compressão. Um carvão com maior resistência, apresenta menor
degradação dentro do forno.
Como na friabilidade, a temperatura final de carbonização também exerce uma
grande influência na resistência à compressão. Da mesma forma, há uma queda de
resistência à compressão entre 300 e 500
o
C, em função da maior extração de voláteis
e consequente aumento da porosidade do carvão, pois o mesmo não sofre contrações
significativas. Nesta faixa de temperatura, o número de fibras por unidade de área
permanece constante. Portanto, nesta faixa de temperatura, aumenta a porosidade
sem aumentar o número de fibras por unidade de área, fazendo com que ocorra uma
queda na resistência à compressão. A partir de 500
o
C, aumenta a resistência ao
esmagamento, pois começa a ocorrer uma contração significativa nas dimensões do
carvão. Esta contração pode estar relacionada a um possível rearranjo estrutural do
carbono residual (TABELA 5).
O aumento na resistência do carvão vegetal à compressão a partir de 500
o
C
pode estar relacionado aos seguintes fatores:

✵ Diminuição radial ➭ aumento do número de fibras por unidade de área.
✵ Rearranjo estrutural do carbono ➭ formando uma estrutura de maior
resistência.


3. DENSIDADE


No carvão vegetal a densidade é um fator muito importante, pois é ela que
determina o volume ocupado pelo termo-redutor nos aparelhos de redução e de
gaseificação.
A densidade do carvão vegetal é a metade da densidade do coque siderúrgico,
portanto, seu volume dentro de um alto forno para uma mesma quantidade de carbono
fixo é pelo menos o dobro. Isto faz com que o volume do forno seja menos utilizado
pelo minério de ferro e mais por carvão vegetal. Além disso, em função da menor
densidade, a carga metálica permanece mais tempo dentro do alto forno, diminuindo o
seu rendimento. estes são alguns motivos que fazem com que um carvão vegetal seja
o mais denso possível.
A medição da densidade varia de acordo com a técnica utilizada. Tem-se a
densidade a granel (bulk density), que é o peso do carvão contido em 1m
3
. Para esta
medida pode-se utilizar uma caixa de 1m
3
de peso conhecido. Enchendo-se a caixa
com carvão e pesando-a posteriormente, tem-se a densidade a granel, que para


6
carvão vegetal é em média 250 kg/m
3
. Este método é o mais simples e mais utilizado
pelas siderúrgicas, porém, tem um inconveniente que é o fato de seu valor ser afetado
em função da granulometria do carvão, umidade do carvão e dimensões do recipiente
utilizado na determinação do volume, além daqueles fatores que afetam também a
densidade verdadeira como processo de carbonização (temperatura final e taxa de
aquecimento), madeira de origem, comprimento, diâmetro, etc.


3.1 FATORES QUE INFLUENCIAM NA DENSIDADE


3.1.1 Temperatura final de carbonização

Entre 300 e 500
o
C ocorre um a perda de massa, devido à liberação de
voláteis, sem entretanto, ocorrer uma redução significativa nas dimensões do carvão.
Portanto, um carvão produzido a 300
o
C é mais denso que um carvão produzido a 500

o
C. De 500 a 700
o
C, ocorre uma maior perda de massa, porém ocorre também, uma
contração bastante significativa nas dimensões do carvão vegetal. Portanto, o efeito
de contração do volume é maior do que o efeito de perda de massa.

3.1.2 Velocidade de aquecimento


Quanto mais rápida for uma carbonização, menos denso será o carvão vegetal.
Na TABELA 6, observa-se em duas carbonizações, com velocidades de aquecimento
distintas, que a carbonização rápida (2 horas) gerou um carvão com densidade relativa
aparente bem mais baixa que a do carvão produzido com uma taxa de aquecimento
menor.
TABELA 6. INFLUÊNCIA DO TEMPO E TAXA DE CARBONIZAÇÃO NA
DENSIDADE RELATIVA APARENTE DO CARVÃO VEGETAL.

TEMPO DE

CARBONIZAÇÃO
( HORAS)
TAXA DE
CARBONIZAÇÃO
(
O
C/min.)
DENSIDADE
RELATIVA
APARENTE
TEOR DE
CARBONO FIXO
(%)
71 0,1 0,70 78,02
2 3,4 0,46 78,51



4. COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO CARVÃO VEGETAL

A composição química do carvão vegetal pode ser determinada por pelo menos
duas madeiras: análise química elementar e análise química imediata.


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Na análise química elementar se faz a determinação do carbono, do oxigênio e
do hidrogênio contidos no carvão vegetal. Na análise química imediata se faz a
determinação dos teores de matérias voláteis, carbono fixo, cinzas e umidade.
O efeito da quantidade de carbono fixo num determinado carvão vegetal é
refletido na utilização do forno por volume, ou seja, quanto maior for a quantidade de
carbono fixo, menos volume do forno será ocupado por carvão, sobrando mais volume
para o minério.
Em relação ao teor de cinzas do carvão vegetal, este é muito baixo, não
representando um volume significativo.
Os materiais voláteis têm grande importância, pois a sua eliminação modifica a
estrutura do carvão. Esta modificação estrutural acarreta uma modificação nas
características físicas do carvão vegetal como porosidade, diâmetro médio dos poros,
densidade, etc., aumentando a friabilidade e diminuindo a resistência à compressão, o
que altera o comportamento do carvão dentro do alto forno.
A umidade afeta, entre outros fatores, o volume de carvão utilizado. Quanto
maior for o seu teor, maior será a quantidade de carvão necessária para redução do
ferro. Desta forma, o excesso de carvão ocupa um lugar no forno que poderia ser
utilizado pela carga metálica, diminuindo a produtividade do aparelho de redução.


4.1 ANÁLISE QUÍMICA IMEDIATA


A análise química imediata apresentada a seguir é com base na metodologia
descrita pelo U.S. Forestry Products Laboratory (1961).


4.1.1 Preparação da amostra

Para a análise ter valor e significado, é necessário se selecionar uma amostra
representativa. A seleção pode ser feita de acordo com o método ASTM para
amostras de carvão (D-271-48; D-346-35). As amostras devem ser secas
normalmente ao ar. Para a determinação do conteúdo de umidade do carvão, a
amostra deve passar por uma tela grosseira n
o
20 U. S. Standard Sieve. O carvão
utilizado para a amostragem deve ser moído rapidamente (aproximadamente 5
minutos) em moinho com uma tela de 1mm. Deve-se evitar moagens em tempo maior,
com telas mais finas ou facas escuras para não ocorrer excesso de calor, o qual pode
causar a perda de material volátil. Moagens em excesso também produzirão uma
maior quantidade de finas partículas (menores que malha 100, U.S. Standard Sieve).


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Estas pequenas partículas podem ser arrastadas para fora do cadinho durante a
rápida evolução dos gases na determinação da matéria volátil, consequentemente
incorrendo a erros. Partículas de tamanhos maiores também podem resultar em
baixos valores de voláteis. Portanto, partículas maiores que malha n
o
20 U.S. Standard
Sieve devem ser evitadas. As amostras devem ser estocadas em recipientes bem
vedados e devem ser bem misturadas antes de serem pesadas.


4.1.2 Passos para a análise

É importante salientar que as análises devem sempre serem feitas em
duplicata.
Os equipamentos e passos para a análise são os descritos a seguir:

1
o
➭ É necessário um forno mufla com controle de temperaturas de 750 + 5
o
C e 950 +
5
o
C.

2
o
➭ Na mufla previamente ligada e com temperatura de 750
o
C, coloca-se cadinhos
de porcelana tampados com dimensões de 41mm x 37mm, por 10 minutos. Estes
cadinhos serão utilizados para as análises. Posteriormente, os mesmos devem ser
resfriados em dessecador por 1 hora.

3
o
➭ Pesa-se os cadinhos e adiciona-se uma amostra de aproximadamente 1g de
carvão vegetal, determinado em balança analítica.

4
o
➭ Para a determinação do conteúdo de umidade, coloca-se as amostras em estufa
a 105
o
C por 2 horas. A amostra é considerada seca quando o decréscimo no peso,
em pesagens consecutivas, for de 0,0005g ou menos.

5
o
Remove-se as amostras da estufa e deixa-se esfriar em dessecador por 1 hora,
pesando-se posteriormente.

6
o
➭ Para a determinação dos voláteis, aquece-se a mufla a 950
o
C.

7
o
➭ Os cadinhos que foram utilizados para as determinações de umidade são
tampados e pré-aquecidos. Para o pré-aquecimento, abre-se a porta da mufla e
coloca-se os cadinhos na borda externa por 2 minutos, onde a temperatura é em torno
de 300
o
C. Após isto, coloca-se os cadinhos na borda interna do forno por mais 3
minutos (500
o
C).



9
8
o
➭ Os cadinhos tampados, são removidos para o interior da mufla. Fecha-se a porta
e deixa-os no interior da mufla por 6 minutos. As amostras são vigiadas através de um
pequeno orifício de observação na porta da mufla. Se ocorrem faíscas, os resutados
estarão errados. Se a amostra que faiscou não conferir com os resultados da duplicata
que não faiscou em torno de 0,5%, deve-se repetir a análise.

9
o
➭ Os cadinhos são removidos da mufla e colocados em dessecador por 1 hora e
posteriormente pesados.

10
o
➭ Para a determinação das cinzas, coloca-se novamente os cadinhos tampados
na mufla a 750
o
C por 6 horas.

11
o
➭ Os cadinhos são novamente retirados da mufla, deixados em dessecador por 1
hora e pesados.

12
o
➭ Resultados:
Perda no peso x 100
a) %Umidade =
_____________________________________________
Peso da amostra seca na estufa

Os resultados são determinados com uma casa decimal. Valores de umidade para
duplicatas devem concordar dentro de 0,1%.

Perda no peso x 100
b) %Volátil =
_____________________________________________
Peso da amostra seca na mufla

Os resultados são determinados com uma casa decimal. Valores de umidade para
duplicatas devem concordar dentro de 0,5%.

Peso do resíduo x 100
c) %Cinzas =
_____________________________________________
Peso da amostra seca na mufla

Os resultados são determinados com uma casa decimal. Valores de umidade para
duplicatas devem concordar dentro de 0,1%.
Todos os resultados, exceto o de umidade são relatados na base seca em
forno.

5. PODER CALORÍFICO


O poder calorífico do carvão vegetal é bem superior ao poder calorífico da
madeira. enquanto que na madeira gira em torno de 4.500 Kcal/Kg na base seca, no


10
carvão vegetal pode chegar a 8.000 Kcal/Kg, em função da quantidade de carbono
fixo.
Esta característica do carvão vegetal tem grande importância, principalmente
quando se pretende utiliza-lo como fonte de energia em substituição aos combustíveis
derivados de petróleo.
Como já foi visto anteriormente, a determinação do poder calorífico pode ser
teórica, através da composição química elementar do carvão vegetal ou
experimentalmente, em uma bomba calorimétrica (calorímetro). A determinação
teórica é de pouco uso prático, pois é necessário conhecer-se a composição química
elementar do combustível em questão.
Na bomba calorimétrica, obtém-se poder calorífico superior, sem levar em
conta o calor necessário para vaporizar a água que se forma na combustão do carvão.
descontando-se o calor necessário para vaporizar a água que se forma, obtém-se o
poder calorífico inferior. A água estará em função do teor de hidrogênio no carvão, que
é em torno de 2,5%. Após a determinação do poder calorífico superior, o poder
calorífico inferior é obtido através da seguinte fórmula:

PCI PCS x
H
= − 600
9
100

onde:
PCI = Poder calorífico inferior
PCS = Poder calorífico superior
H = Teor de hidrogênio (para carvão vegetal ➭ 2,5)

Portanto, o PCI pode ser determinado pela fórmula:

PCI = PCS - 135



6. REATIVIDADE


A reatividade é a capacidade que o carvão vegetal tem de regenerar o poder
redutor do gás, ou ainda, o seu comportamento em reações com gases como O
2
, CO
2
,
etc. Como exemplo, pode-se citar a reatividade ao CO
2
, que é a capacidade de um
carvão reagir com o dióxido de carbono, resultando no monóxido de carbono.
O teste de reatividade do carvão, visa medir a sua capacidade de reação com o
dióxido de carbono. Coloca-se uma amostra de carvão num cadinho, o qual é
colocado num reator com determinada temperatura estabilizada. Injeta-se CO
2
a uma
vazão conhecida e mede-se o quanto deste CO
2
reagiu com o carvão, através do seu
constituinte principal, o carbono.


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7. INFLAMABILIDADE


O poder de inflamabilidade do carvão vegetal é diretamente relacionado à sua
densidade e condutividade calorífica, que será maior à medida que a temperatura de
carbonização aumentar.
Os carvões leves, porosos e incompletamente carbonizados, ardem com
chama luminosa, o que é bom. Carvões pesados dão chama curta e depois seguem
ardendo ao ar sem chama. Carvões muito densos ardem com dificuldade e só
continuam ardendo quando estão em contato direto com o fogo ou expostos.


8. HIGROSCOPICIDADE


Logicamente, a quantidade de umidade em um determinado carvão vegetal
exerce grande influência no seu rendimento em todos os processos que é utilizado.
Durante os períodos de grande umidade ambiente (chuvas), o carvão absorve
umidade e perde parcialmente quando exposto ao sol, dependendo da umidade
relativa.
Quando o carvão absorve umidade, sua resistência mecânica dentro de um
alto forno diminui em função do rápido aquecimento, o que provoca um choque
térmico no mesmo.
A capacidade de absorção de água de um determinado carvão vegetal varia de
4 a 16% em função da temperatura de carbonização. Quanto maior for esta
temperatura, menor será o poder higroscópico do carvão (TABELA 7).

TABELA 7. VARIAÇÃO DA HIGROSCOPICIDADE DO CARVÃO VEGETAL EM
FUNÇÃO DA TEMPERATURA DE CARBONIZAÇÃO.

TEMPERATURA DE
CARBONIZAÇÃO
(
O
C)
ABSORÇÃO DE
ÁGUA (%)
150 21
250 7
350 6
450 4
1.500 2
Fonte: LUENGO & EMMERICH










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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


CETEC, Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais. Carvão Vegetal: destilação,
carvoejamento, propriedades, controle de qualidade. Série de Publicações
Técnicas SPT-0061. Belo Horizonte, 1982a. 173p.
CETEC, Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais. Produção e Utilização do
Carvão Vegetal. Série de Publicações Técnicas SPT-008. Belo Horizonte, 1982b.
393p.
LUENGO, C. A. & EMMERICH, F. Fabricação de Carvão Vegetal. Série Tecnológica
Agroindustrial. Governo do Estado de São Paulo. s.d. 81p.
OLIVEIRA, J. C. Análise Econômica do Carvão Vegetal. In: Seminário sobre Carvão
Vegetal. Belo Horizonte, BDMG, 29-30. Ago. 1977.
U. S. FOREST PRODUCTS LABORATORY. Charcoal, Production, Marketing and
Use. U. S. Departament of Agriculture. Forest Service. 1961, 137p.