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Condução Neural do Estímulo Acupuntural Estudos realizados em Nanjing mostraram que a denervação dos membros inferiores em coelhos, através da remoção dos nervos ciático e femoral impedia a indução do efeito analgésico por acupuntura quando as agulhas eram inseridas nesta área. Já em Xangai o mesmo foi observado quanto ao efeito antiinflamátorio da acupuntura. Foram realizados estudos em que se provocava uma apendicite experimental em cachorros através da oclusão do ceco e da injeção de uma cultura mista de estafilococos e estreptococos neste local. Em seguida aplicava-se o tratamento por acupuntura. Os tecidos removidos dos animais tratados e dos de controle eram comparados histológicamente após o quarto dia de tratamento. A reação inflamatória era muito intensa no grupo não tratado (controle), enquanto que no grupo tratado era apenas leve ou moderada. No entanto se os gânglios simpáticos e as raízes nervosas fossem secionados em ambos os lados da coluna vertebral de T5 a T12, não se conseguia mais produzir o efeito antiinflamátorio da acupuntura. O estudo dos nervos ativado pela estimulação por acupuntura vem ajudar a esclarecer o papel do sistema nervoso neste contexto. A experiência mais direta de todas é o registro dos impulsos nervosos relacionados à indução analgésica por acupuntura. O efeito da acupuntura tem sido o mais escolhido para ser estudado porque é o mais fácil de ser avaliado, já que a redução ou aumento do limiar álgico é um parâmetro bem objetivo. Pomeranz e Paley, registrando a atividade de aferentes do ponto IG 4, Hegu, situado sobre o músculo primeiro interósseo dorsal, em camundongos, descobriram que os aferentes tipo II eram suficientes para produzir a analgesia por acupuntura. Evitaram deliberadamente a ativação de fibras álgicas, tipo III e IV, no camundongo em vigília, para não ocorrer indução analgésica por estresse. Resultados semelhantes foram obtidos por Toda e Ishioka, mostrando que as fibras aferentes Tipo II eram suficientes para induzir a analgesia por acupuntura no rato, uma vez que a associação das fibras Tipo II com as Tipo IV não acentuou o efeito analgésico. É bom lembrar que o sistema somatossensorial tem uma organização dermatométrica e é constituído por troncos nervosos formados por fibras sensoriais de quatro tipos, três mielinizadas e uma amielínica, identificadas segundo seu calibre (diâmetro) e velocidade de condução. Cada tipo é responsável por determinadas formas de sensibilidade. Assim temos a seguinte classificação:

CLASSE Tipo I Tipo II Tipo III Tipo IV

DIÂMETRO 13 – 20 mm 6 – 12 mm 1 – 5 mm 1 mm ou menos

VELOC. CONDUÇÃO 70 – 110 m/s 25 – 70 m/s 3,5 – 20 m/s Menos de 1 m/s

MIELINA Sim Sim Sim não

FUNÇÃO Comprimento muscular Receptores tendinosos e táteis Trato; dor rápida; frio Dor lenta; prurido; temperatura

e envia mensagens ao cérebro para liberar substâncias neuroquímicas (endorfinas. por exemplo). Além disso. No entanto estes fenômenos se situam num contexto dermatomérico. O mesmo fenômeno acontece em animais. e também o efeito analgésico da acupuntura. quando a injeção era subcutânea o deqi ocorria.1% bloqueava as fibras Tipo IV e não influenciou o efeito analgésico. É claro que a acupuntura atua a nível segmentar. Organização Dermatométrica A ligação entre áreas cutâneas e órgãos está bem evidenciada pela existência de fenômenos como a dor referida. fundamental para a produção da analgesia por acupuntura. Mesmo assim. Lu mostrou que os aferentes do Tipo II e III eram importantes na analgesia por acupuntura em coelho e gatos. Todos os bloqueios foram monitorados através do registro direto da atividade elétrica dos nervos bloqueados. era mediada por aferentes musculares. Um dos primeiros e mais preciso trabalho realizados sobre este assunto foi publicado eminente fisiologista chinês Chiang. enquanto que o bloqueio isquêmico ou o bloqueio anódico das fibras II e III aboliam o efeito analgésico da acupuntura. observou-se o seguinte: os aferentes musculares do Tipo II produziram dormência. e neste caso não se conseguia induzir a analgesia por acupuntura. como demonstram suas experiências de monitorização das respostas viscerais à estimulação das agulhas nos pontos de acupuntura.2 O que os dados eletrofisiológicos nos indicam atualmente é que a estimulação de fibras aferentes musculares do Tipo II e III produz as sensações do deqi. Ao se obter o deqi. Para eliminar a possibilidade de o efeito analgésico ser devido à ação de substâncias liberadas localmente para a circulação sangüínea pela acupuntura. o deqi pôde ser evocado. do Instituto de Fisiologia de Shangai. Neste trabalho ele mostrou que a sensação do deqi. assim como os pontos auriculares dos pulmões e o Shenmen para analgesia torácica dificilmente se encaixariam num modelo . Num trabalho mais recente. cortisol. ou ID 3 (Houxi) para dor lombar. Injetando procaína a 2% nos pontos IG4 e IG10. ele empregou um torniquete no braço que sofria a estimulação da agulha. conclui-se que os principais componentes do deqi são transmitidos pelas aferentes Tipo II e III (fibras aferentes musculares mielinizadas e de pequeno calibre). Talvez a melhor experiência dentre estas foi realizada em humanos através do emprego de microeletrodos para registrar a atividade do nervo mediano enquanto a acupuntura era aplicada distalmente. em humanos. monoaminas. uma solução de procaína a 0. em 1973. Como a sensação de dolorimento é indesejável no deqi. diversos estudos comparativos sobre o papel do tracto de Lissauer e dos reflexos intersegmentares demonstraram que os dermátomos não têm limites tão rígidos quanto se pensara anteriormente. ele observou que. enquanto os do Tipo IV (fibras amielínicas) eram responsáveis pela sensação de dolorimento. o qual é insuficiente para explicar os efeitos clínicos da acupuntura. Mas o emprego de pontos como VB 37 (Guanming) para doenças oculares. os pontos gatilho ou os reflexos somatoviscerais. mas não quando a injeção era intramuscular. os do Tipo III produziram a sensação de peso e de relaxamento. e os chineses já o sabiam há muito tempo. Portanto as fibras Tipo II e III participam na mediação da analgesia por acupuntura nestas duas espécies.

o impulso passa. quando fechado. particularmente o tracto espino-talâmico. ou eferentes. Já conhecemos alguns dos mecanismos de ação da acupuntura. Hoje diríamos que a acupuntura exerce um efeito modulador sobre diversos aspectos de nossa fisiologia e que esta modulação tanto pode ser aferente quanto eferente. . No entanto. Vias Medulares do Estímulo da Acupuntura Experiências realizadas com gatos. E. via tracto córtico-espinhal. Chang Hisiangtung. O estudo experimental da acupuntura e a criação de modelos teóricos dentro dos preceitos científicos proporcionarão uma nova leitura dos conceitos clássicos da MTO. por sua vez não teve qualquer influencia sobre a analgesia por acupuntura. poderíamos dizer que os pontos nos mapas de acupuntura assinalam os locais onde estas fibras seriam mais facilmente ativadas. o impulso não passa. na Faculdade de Medicina de Nanjing. Na modulação aferente. ou aferente. e previa um portão a nível medular. mas também as fibras espinoreticulares. na Teoria do Portão da Dor. O mecanismo de modulação do impulso nervoso tem sido comparado ao funcionamento de um portão: está aberto. empregavam a transeção dos funículos dorsal e lateral da medula espinhal para observar o seu papel na transmissão do estímulo analgésico da acupuntura. as fibras aferentes musculares do Tipo II e Tipo III. demostrou que tal mecanismo ocorre no tálamo. assim também como poderão ampliar a nossa compreensão de certos aspectos da fisiologia humana. A transecção do funículo posterior. no tônus muscular ou na peristalse. pelo menos no que diz respeito a seu efeito analgésico. Este mecanismo de controle álgico foi proposto inicialmente por Melzack e Wall. na vasomotricidade. Atualmente sabemos que este mecanismo está presente em diversos níveis do SNC. Na medula espinhal o impulso da acupuntura segue por vias do funículo lateral: tracto espino-talâmico e fibras espino-reticulares. Foi demonstrado que a via aferente da analgesia por acupuntura seguia o funículo lateral da medula espinhal. o que nos leva pensar nas vias centrais do estímulo da acupuntura. Os impulsos da acupuntura seguem da periferia para o SNC por vias bem definidas. principalmente no que diz respeito a seu efeito analgésico. que irão modular o sinal álgico em seu trajeto ascendente. sendo assim. Tomemos como exemplo o fenômeno álgico. os estímulos da acupuntura em seu trajeto aferente interferem com o sinal álgico também em seu trajeto ascendente no SNC. Conclusão Fica evidente a importância da integridade do sistema nervoso para o sucesso da aplicação da acupuntura.3 segmentar espinhal. ainda estamos muito longe de compreender como a acupuntura atua nos processos inflamatórios. por exemplo. por exemplo. principalmente a parte ânterolateral. Na modulação eferente o estímulo da acupuntura chega a centros supra-segmentares do SNC de onde são enviados sinais descendentes. no nucleus parafascicularis e no nucleus centralis lateralis. em 1965.