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1 DIANA DOMINGUES: INTERAÇÃO NA OBRA/PROJETO I’MITO ZAPPING ZONE.

Nara Cristina Santos1, Greice Antolini Silveira2 RESUMO A pesquisa desenvolvida trata de uma abordagem sobre a vida de Diana Domingues3 e seus projetos artísticos que utilizam tecnologias digitais. Neste estudo busca-se realizar uma análise da ciberinstalação I’Mito Zapping Zone, que explora a fabricação de novas identidades sintéticas partindo de uma base de dados de mitos pré-selecionados. Visamos compreender a maneira como a artista explora a interatividade nesta obra/projeto através das possibilidades de interação do visitante e, de possíveis aproximações das obras pela análise de como ocorre a criação, a produção, a disponibilização, a visualização e a manutenção neste trabalho.

Entre os artistas gaúchos que se dedicam a explorar o campo das tecnologias digitais destacamos a artista, professora e pesquisadora Diana Domingues. Seus trabalhos, na maioria, produzidos a partir dos anos 90 tratam de instalações multimídia, envolvendo vídeos, sons e ambientes repletos de elementos que englobam o interator, onde se modifica o espaço para criar um novo meio que irá proporcionar diferentes modos de percepções e ações. A escolha da obra/projeto I’Mito Zapping Zone se deve à sua exposição na 5ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, Porto Alegre/RS, 2005. Em um primeiro momento buscamos compreender a relação proposta entre objetos e figuras presentes no espaço da instalação, para realizar uma análise crítica, baseada na maneira como é abordada a interatividade nesta obra, a partir das teorias de Edmond Couchot e das cinco possibilidades de aproximação de projetos
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Profª do Departamento de Artes Visuais/CAL/UFSM. Acadêmica do Curso e Artes Visuais/CAL/USFM. 3 Diana Maria Gallicchio Domingues (1947 -), Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP e mestra em Artes pela ECA/SP; dedica-se a Universidade de Caxias do Sul onde é professora, pesquisadora e coordenadora do Laboratório Novas Tecnologias nas Artes Visuais - NTAV e do Grupo Artecno.

Elvis Presley. Quando selecionados permitem ao interator construir seu próprio mito. . Mensagens de texto podem ser enviadas para telefones celulares. a disponibilização. um videoclip com sons e fragmentos de imagens referentes aos mitos. com óculos de estereoscopia. Um novo indivíduo é gerado. a produção. emoldurada por gráficos de néon. objetos e sons. Gandhi entre outros. Na instalação. Van Gogh. onde estão distribuídos itens contendo código de barras com características particulares de cada mito. combinados. há uma tela onde o público pode interagir através do toque sobre o monitor. possuindo um código genético próprio formado por um 4 Análise feita a partir da obra/projeto exposta na 5ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul. Nela encontram-se um conjunto de termos divididos nas categorias de substantivos. as imagens dos objetos modelados em 3D. a criação. verbos. Trata-se de uma sala com as paredes amarelas e o piso vermelho onde foram distribuídos objetos de consumo que identificam os personagens. adjetivos. Che Guevara. Há uma caixa/mesa de acrílico. Após a escolha e leitura do código de cada objeto. imagens são geradas pelo código genético de dois mitos que.2 envolvendo as mídias digitais. A partir do código genético elaborado de cada um explora a fabricação de novas identidades sintéticas. geram um terceiro indivíduo mutante. propostas por Nara Cristina Santos. Carmem Miranda. imagens. 2005. na primeira tela. Na segunda tela podem ser vistos. lugares. O leitor é responsável por enviar os dados para as telas de projeção. a visualização e a manutenção. Madona. Ayrton Senna. I’ MITO ZAPPING ZONE4 Nesta ciberinstalação Diana apropria-se de características e objetos referentes a mitos brasileiros e internacionais: Cleópatra. Estas são lidas sobre os rostos fundidos dos personagens nas projeções. Na sala há objetos desenhados por gráficos de néon. Pelé. frases são capturadas na internet e trazidas em tempo real contendo termos para caracterizar os mitos.

passando-os pelo leitor de códigos de barra. Após serem lançados os dados no sistema ele seleciona aleatoriamente características formando um novo indivíduo segundo sua „vontade‟. A interatividade endógena ocorre entre homem/sistema e sistema/sistema. . o sistema responde em tempo real..3 conjunto de termos utilizados na busca de textos que representem este novo indivíduo. Para realizarmos estas análises e questionamentos a respeito da interatividade no trabalho de Diana. Além da interação do visitante através dos dispositivos. In: Arte e Vida no Século XXI. M. BRET. Neste projeto ocorre a interatividade exógena e endógena. A Tecnologia na Arte: da fotografia à realidade virtual. onde o visitante interage através de interfaces e. A interação sobre a tela de toque e. UNESP. A segunda interatividade. são modos de interação com esta obra. Após a seleção de dois objetos. UFRGS. do toque na tela. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE A PARTIR DE CINCO MOMENTOS 5 COUCHOT. E. onde classificam a interatividade com exógena e endógena. 6 COUCHOT. iremos fundamentar estas questões na teoria de Edmond Couchot5 e no artigo dele com Michet Bret e Marie Hélène Tramus6. A INTERAÇÃO NA OBRA DE DIANA DOMINGUES A obra I’ Mito Zapping Zone é uma ciberinstalação e. POA: Ed. 2003. A interatividade exógena caracteriza-se pela troca homem/sistema computacional. M. p. da seleção dos objetos e do envio de mensagens via celular. o computador adquire comportamentos fazendo com que o sistema estabeleça um meio de troca de dados com ele mesmo. o envio de mensagens pelos celulares. São Paulo: Ed.. podemos classificá-la como um projeto com vida e inteligência artificial que propõe interatividade com o público. Edmond. TRAMUS. assim como as frases buscadas são selecionadas e lançadas na tela pelo sistema computacional. 27-38. A possibilidade de interação do usuário se dá através do uso dos óculos de estereoscopia. 2003. será gerado um novo indivíduo. Em direção a novas práticas artísticas.

A produção. . objetos de consumo. funcionamento do leitor de códigos. A produção ocorre em meio analógico e digital. disposição dos objetos. o que parcialmente é exposto aqui através da análise da obra escolhida. limpeza e conservação do espaço da instalação. A disponibilização é o ambiente no qual está inserido o trabalho. realizando trocas sensíveis e. a manutenção. programas. entre o sistema computacional e o interator. disponibilização e manutenção destes projetos. A visualização e a disponibilização ocorrem no espaço da instalação. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste estudo. A visualização. é a verificação dos dados. assim como os materiais e técnicas que serão utilizados. sonoridade. realizada por uma equipe. celulares. são percebidas de maneira particular por cada participante. e das possibilidades de interpretação da criação. Nesta obra o processo de criação parte da idéia de uma instalação para gerar “emoção artificial” contrapondo elementos reais com artificiais . produção. através de gráficos de neon. projeções de imagens e softwares. a conservação do espaço físico e dos objetos que integram a instalação. E. leitor de códigos de barra. a qual se dá pela atualização dos programas.4 A pesquisadora Nara Cristina Santos defende cinco momentos para analisar os projetos que envolvam arte e tecnologia: a criação. baseada nas tecnologias digitais. que corresponde ao modo como o projeto é dado a ver. telas de projeção. realizada por uma equipe. através das considerações sobre a interatividade. que trata do modo como será executado o trabalho. reconhecemos diferentes maneiras de interagir. visualização. A manutenção. as sensações embora necessitem do conjunto para ocorrerem. Demonstramos maneiras diferenciadas de abordagem dos projetos de Diana e do Grupo Artecno. iluminação. Acreditamos ter ressaltado a importância de Domingues no contexto da arte contemporânea. Nestes projetos artísticos o modo de apreciá-los torna-se individualizado e. mesa de acrílico. monitores de computadores. em tempo real. que corresponde à idéia inicial do artista como possibilidade para um projeto artístico.

I’Mito Zapping Zone . DOMINGUES.Diana (org. @rte e mídia: perspectivas da estética digital . UFRGS.). São Paulo: Senac. São Paulo: Ed. DOMINGUES.Vol. S (org).5 Esta pesquisa contribui para ampliar as discussões e divulgar novas maneiras de produção artística no campo da arte e tecnologia. Acesso em: agosto/2005 a maio/2007. A Tecnologia na Arte: da fotografia à realidade virtual.br/5bienal. Arte no Século XXI.Disponível em Acesso em: março/2005 a http://www. Arte e vida no século XXI.Diana (org.bienalmercosul.1 (2005).. Nara Cristina. 1998. 2003. São Paulo: Hucitec. VENTURELLI. Julio. Criação e poéticas digitais. São Paulo: Ed. Processos criativos com os meios digitais eletrônicos: poéticas digitais. Arte e Tecnologia: considerações sobre o percurso histórico. Centro de Artes e Letras.art. . SANTOS. Arte (e) Tecnologia em sensível emergência com o entorno digital. DOMINGUES. Tese de Doutorado UFRGS. D. RS: Educs. Priscila.ucs. UNESP.). COUCHOT. UNESP. . 34-42. TAVARES. Mônica.5ª Bienal do Mercosul 2005 . P.Disponível em http://artecno.br. 2004. PLAZA. Edmond. Caxias do Sul. 2005. SANTOS.1997. novembro/2005. 2005. REFERÊNCIAS ARANTES. In: EXPRESSÃO/Universidade Federal de Santa Maria. Nara Cristina. POA: Ed. REFERÊNCIAS DIGITAIS Diana Domingues/Laboratório Novas Tecnologias nas Artes Visuais/Grupo Artecno . 2003.

Doutora em Artes Visuais/HTC. .Diana Domingues: um marco na história da arte e tecnologia no RS. 36 . Santa Maria. Professora do DAV/CAL/UFSM. In: Apreciando. 2005 . In: 21ª Jornada Acadêmica Integrada/ UFSM. F. UFSM.6 CURRÍCULO RESUMIDO Nara Cristina Santos. França. 01 jun. PAVIN. 01 dez. p. p. 2004 .Simpósio Arte Visualidade/UFSM. Apreciando. G. . 2006. 2006 . 2001. 2004. de Glênio Bianchetti. G. p. . . In: 20ª jornada Acadêmica Integrada UFSM. 2006 . In: 20ª Jornada Acadêmica Integrada UFSM. . N. C. 2006 . Coordenadora do Laboratório de Pesquisa em História e Teoria da Arte. UFSM. UFSM. 22 .3584 .Simpósio de Integração entre Artes.59 .O Seminário Franciscano no município de Agudo: dados e histórias. Diana Domingues: interatividade e possibilidades de aproximação da obra/projeto INSN(H)AK(R)ES. 2006 . C. A. Produção bibliográfica 2006 .Representação do Sul: Trançando. UFSM. A.1° Simpósio de Arte Contemporânea/UFSM. 2005 . História e Educação/UFSM. .3593. sob orientação da Prof. M. 2006 . Revista Expressão. Arte e Tecnologia: considerações a partir de Anne Cauquelin.II Seminário Internacional Artes Visuais e Ensino/UFSM.78 . 2006 . OLIVEIRA.SILVEIRA.V Jornada de Educação e Arte I Encontro de Formação de Professores de Artes Visuais/UFSM.12.A percepção estética redimensionada no projeto Trans-E: my body.62. my blood de Diana Domingues In: III Simpósio Nacional de História Cultural. B.Diana Domingues: um marco na história da arte e tecnologia no RS. 2006 . Tecnologia e Mídias Digitais e Grupo de Pesquisa Arte e Tecnologia/CNPq. 2005 . 2004 . Doutorado Sanduíche na Université Paris VIII. Integra do Grupo de Pesquisa Arte e Tecnologia/CNPq Participação em eventos 2007 . Tecnologia e Mídias Digitais: história da arte contemporânea em ambiente digital.Arte. bacharelado e licenciatura. Acadêmica do Curso de Artes Visuais/UFSM. 2005 . p.80. v. CURRÍCULO RESUMIDO Greice Antolini Silveira.Seminário Internacional Artes Visuais e Ensino Tendências Atuais/UFSM. Santa Maria. pelo PPGAV/IA/UFRGS. Florianópolis/ ANPUH-SC /Clicdata Multimídia.27.ª Drª. A.39. SILVEIRA. In: Revista Apreciando. p. Coordenadora do PPGART/Mestrado em Artes Visuais/UFSM. Nara Cristina Santos.SANTOS. Santa Maria."Photographie & Corps Politiques" . 2006 . A. S. VIEIRA.Conferência com François Soulages/UFSM.Ciclo de Palestras/UFSM. bolsista PIBIC/CNPq.