You are on page 1of 36

Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.

Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

Referências Bibliográficas

1. ARAÚJO, L.S.A; NICOLAIEWSKY, E.A.; FREIRE, D.D. C. Gerenciamento de Resíduos Sólidos
em Refinarias de Petróleo”. Anais do IX Congresso Brasileiro de Energia, v. l I. p. 39-45
2002.
2. BOND, R.G., STRAUB,C.P.- HANDBOOK OF ENVIRONMENT CONTROL; SOLID WASTE, 1973
– Cleveland, Ohio CRC Press.
3. BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental. São Paulo: Prantice Hall, 2002.
4. CALDERONI, S. Os bilhões perdidos no lixo. 2ª ed. São Paulo: Humanitas Editora,
5. CETESB/ASCETESB.,1985 - “Resíduos Sólidos Industriais“. Vol I, São Paulo, SP.
6. D’ALMEIDA ET AL, 2000 – Manual de gerenciamento integrado , IPT/CEMPRE/SP.
7. Introduction Environmental Engineering - Mackenzie L.Davis & David A. Cornwell -
MacGraw Hill - Second edition - 1991.
8. OLIVEIRA, L. B., ROSA, L. P. Brazilian waste potential: energy, environmental, social and
economic benefits. Energy Policy, Brasil, v.31, p.1481-1491. 2003.
9. PENIDO, J.H. Compostagem de resíduos sólidos urbanos. Trabalho técnico; 1995
10. PENIDO, J.H., 2002, - Avaliação dos resultados da pesquisa nacional sobre saneamento
básico PBSB-2000. Trabalho técnico, www.resol.com.br
11. Resíduos Sólidos Industriais, Volume I, CETESB, São Paulo, 1985.
12. SISINNO, C. L. S. E OLIVEIRA, R.M, 2000 – Resíduos sólidos, ambiente e saúde – uma
visão multidisciplinar., Editora Fiocruz, RJ.
13. TCHOBANOGLOUS, G, THEISEND,H. VIGIL,S., 1993 – Integrated solid waste management.
Engineering principles and management issues. Singapora, Mc Graw-Hill.
14. VALVERDE, M. 1995 - , Avaliação dos métodos de disposição final de resíduos Dissertação
de mestrado PPE/COPPE/UFRJ.
15. VOIGT, N. et al. Gestão ambiental de Resíduos. Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ.
16. BARROS, Bettina. Cimenteira troca coque por "lixo" nos fornos e reduz custo.
Disponível em http://www.abc.gov.br/lerNoticia.asp?id_Noticia=259. Acesso em 28 set
2007.
17. BEL, Diógenes Del. Políticas públicas para resíduos industriais – A visão do setor de
tratamento. Abetre – Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos. 2007.
Disponível em www.senado.gov.br/web/comissoes/cma/ap/. Acesso em 30 set 2007.

18. CESAR, Prof. Julio. Como tratar Resíduos Industriais em Co-processamento.
Disponível em http://www.clickmacae.com.br/?sec=256&cod=554&pag=coluna, acesso
em 26 de set 2007.


Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente


2)Técnicas baseadas em materiais pozolânicos(não incluindo Cimento)

Cinzas, poeiras de forno de cimento ou escória de alto forno –produtos residuais
com pequeno ou nenhum valor comercial.

3) Técnicas baseadas em termoplásticos

Os resíduos são secos, aquecidos e dispersos através de uma matriz plástica
aquecida, mistura esta normalmente disposta em uma contenção secundária
(p.ex., tambor de aço).

4) Técnicas de polímeros orgânicos
Sistema uréia-formaldeído(UF).

Resíduos secos ou úmidos são misturados com um pré-polímero. Adiciona-se um
catalisador e vaza-se a mistura para um container. O material polimerizado não se
combina quimicamente com o resíduo, mas forma uma massa esponjosa que
captura as partículas sólidas


5) Técnicas de encapsulamento

Encapsulamentopropriamente dito é aquele no qual os resíduos são
inicialmente aglomerados e, a seguir, envoltos por uma camisa de material
inerte (em geral o polietileno).

6) Técnicas de auto-solidificação (cal)

Resíduos industriais proveniente da dessulfurizaçãoou os lodos de limpeza de
exaustão. Estes resíduos contêm grandes quantidades de sulfato ou sulfeto de
cálcio.

Resíduo é parcialmente desidratado e hidratado novamente para a
formação de uma agamassa

Exigências para uma Solidificação/Estabilização

Testes de estabilidade dos resíduos encapsuladosUm processo de fixação
ideal torna os constituintes nocivos quimicamente não reativos ou estáveis,
de forma a se obter uma disposição final segura, sem qualquer contenção
secundária. Para ser completamente eficaz, o processo de tratamento deve
gerar um produto final com boa estabilidade dimensional, resistência às
intempéries, ao ataque de agentes biológicos e elevada capacidade de
suporte.NBR 10.004, 10.005, 10.006

Compatibilidade dos Resíduos e Aditivos

Como em qualquer operação de manuseio de resíduos perigosos, devem
ser tomados cuidados durante os processos de estabilização/solidificação,
evitando a mistura de materiais que possam reagir entre si de forma
danosa.









Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

A homogeneização, responsável pela melhora do contato entre os contaminantes e os
microrganismos, assim como uma maior interação com o oxigênio, é realizada através de aragem
por meio de tratores.
Para acelerar e otimizar o processo, nutrientes (fontes de nitrogênio, fósforo e potássio - NPK) e
corretivos de pH devem ser periodicamente analisados e adicionados conforme a necessidade e
relações pré-estabelecidas.
Todo um preparo da área das células de tratamento é exigido, a fim de que se reduza, ao mínimo,
os riscos de contaminação dos lençóis freáticos por lixiviação de poluentes. O material lixiviado é
passível de recirculação, tratamento em outra unidade e/ou coleta para posterior retirada de
compostos orgânicos voláteis.

O custo envolvido no processo depende das condições especificas do local, da exigência ou não de
impermeabilização, da extensão da área de escavação requerida e da obrigatoriedade ou não do
tratamento da água e dos compostos orgânicos voláteis emitidos.
Tipicamente, o período de tratamento varia entre 2 e 6 meses.
Sendo bem monitoradas e operadas, as células de “landfarming” podem oferecer elevadas taxas
de biodegradação de ampla faixa de compostos orgânicos.
NBR – 13894 – Tratamento no Solo (landfarming) ABNT – junho de 1997. Fixa as condições
exigíveis para o tratamento no solo de resíduos sólidos industriais suscetíveis à biodegradação.




Solidificação


Técnicas de Fixação Química e Solidificação

•Atentar para a Compatibilidade dos Resíduos e Aditivos

Tecnologias Desenvolvidas e Aplicadas

1)Técnicas baseadas em cimento

Adição de cimento Portland ou outros produtos inorgânicos semelhantes. Devido
ao pH obtido na mistura, diversos cátions são convertidos em carbonatos e
hidróxidos insolúveis.
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

Landfarming

O solo possui, naturalmente, diversos microrganismos com atividades metabólicas bastante
variadas. Sendo assim, uma das maneiras mais simples de se proceder no tratamento de um
resíduo consiste em misturá-lo ao solo e deixar que a flora microbiana nativa atue.
Esse procedimento, conhecido como landfarming, é amplamente utilizado pela indústria de
petróleo no tratamento de seus resíduos, mas, também pode ser utilizado na descontaminação de
solos contaminados por petróleo e derivados (WONG et al., 1997).
Técnica empregada para tratamento de resíduos sólidos, onde se adicionam nutrientes e espalha-
se a mistura sobre o solo.

Microrganismos: contidos em camada superficial (15-20 cm) de solo não contaminado.
Processos envolvidos: decomposição, lixiviação dos componentes solúveis em água, volatilização e
incorporação à matriz do solo.
Aplicação: resíduos da indústria petroquímica e solos contaminados com petróleo e derivados.
Resíduos não devem conter componentes como microrganismos patogênicos, componentes
radiativos, tóxicos ou altamente reativos.
Operação: necessidade de revolvimento ou misturas periódicas para aerar o solo e promover o
contato entre o resíduo e o solo. O pH deve ser controlado e, se necessário, adiciona-se cal.

Landfarming - Tem sido praticado pela indústria petroquímica há bastante tempo na disposição de
resíduos sólidos oleosos (borra depetróleo).
As principais vantagens deste método de disposição de resíduos sólidos são:
1. Efetividade a um custo razoável
2. Relativa segurança ambiental
3. Uso de processos materiais que reciclam o resíduo
4. Relativa simplicidade de processo, não requerendo equipamento que necessitam de constante
manutenção ou que sejam à prova de falhas
5. Possível melhoramento da estrutura e fertilidade do solo.

Essa tecnologia pode apresentar algumas desvantagens:
· Deficiência dos solos - pois, apesar de disponibilizar quantidades apreciáveis de carbono capazes
de sustentar uma numerosa população microbiana, os solos, geralmente, apresentam baixos
teores de nitrogênio e fósforo (além de outros nutrientes inorgânicos). Por isso, freqüentemente,
utilizam-se fertilizantes para suprir a deficiência do solo.

· O problema de espaço, pois no landfarming aproveita-se apenas os 20cm superiores do solo,
exigindo grandes extensões de terra.

Condições climáticas - o tratamento é altamente dependente das condições climáticas
(temperaturas baixas inibem o processo, umidade e vento também afetam) e do tipo de solo.

· Os contaminantes voláteis, como os solventes, devem ser pré-tratados, para evitar a emissão
destes para a atmosfera, causando assim a poluição do ar.

· O “landfarming” vem levantando preocupações quanto ao risco de contaminação de águas
subterrâneas e liberação de odores.

A maior vantagem dessa técnica é o baixo custo com equipamentos, construção e operação.
Como o consumo de oxigênio aumenta de acordo com a quantidade de carbono orgânico
disponível e a taxa de difusão do oxigênio através do solo é muito baixa, podendo não haver
oxigênio suficiente para sustentar a atividade aeróbia dos microrganismos.
Para contornar esse problema, o solo deve ser revolvido, promovendo a aeração de todo o seu
volume. Um outro fator limitante desse processo é a umidade, pois pode ocorrer um ressecamento
na superfície.
Desta forma é necessário que se adicione água ao sistema para manter níveis de umidade
propícios à atividade microbiana. O solo pode ser tanto irrigado, através de dispersores, ou
drenado, se a umidade for excessiva.

Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

O sistema duplo de impermeabilização deverá ser instalado de forma a cobrir toda a área útil do
aterro, inclusive as paredes laterais de cada célula do aterro, de modo que o percolado não entre
em contato com solo natural. O percolado drenado e removido da área do aterro, deverá atender
às normas de lançamento de efluentes em corpos receptores (CIMM, 2005). A figura 3 apresenta
o desenho esquemático de um sistema de impermeabilização inferior para resíduo classe I
(perigoso).

Figura . Desenho esquemático de um sistema de impermeabilização inferior para resíduo classe I
(perigoso).

Na implantação da impermeabilização de aterros, deverão ser considerados os seguintes aspectos:
preparação de uma base de assentamento estável; execução da impermeabilização segundo a
melhor tecnologia disponível para cada material empregado e execução de uma proteção eficiente
contra esforços mecânicos e intempéries (CIMM, 2005). Um sistema de impermeabilização deverá
possuir os seguintes requisitos: estanqueidade; durabilidade; resistência mecânica; resistência a
intempéries e compatibilidade com os resíduos a serem aterrados (CIMM, 2005).

Impermeabilização Superior (Cobertura Final) de Aterros Industriais

Quando do fechamento de cada célula de um aterro industrial, a impermeabilização superior a ser
aplicada deverá garantir que a taxa de infiltração na área tão pequena quanto possível. Desta
forma, esta impermeabilização deverá ser no mínimo tão eficaz quanto o sistema de
impermeabilização inferior empregado (CIMM, 2005).
O sistema de impermeabilização superior deverá compreender as seguintes camadas, de cima para
baixo:
1. Camada de solo original de 60 centímetros, para garantir o recobrimento com vegetação nativa
de raízes não axiais;
2. Camada drenante de 25 centímetros de espessura, com coeficiente de permeabilidade maior ou
igual a 1,0 x 10
-3
cm/s;
3. Manta sintética com a mesma especificação utilizada no sistema de impermeabilização inferior
e
4. Camada de argila compactada de 50 centímetros de espessura, com coeficiente de
permeabilidade menor ou igual a 1,0 x 10
-7
cm/s (CIMM, 2005).





Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

1. Resíduos inflamáveis ou reativos, a menos que sejam previamente tratados (neutralização,
absorção, etc.), de forma que a mistura resultante deixe de apresentar essas características;
2. Resíduos com menos de 30% de sólidos totais (em massa);
3. Resíduos que contenham contaminantes que podem ser facilmente transportados pelo ar, a
menos que sejam previamente tratados;
4. Resíduos ou mistura de resíduos que apresentem solubilidade em água superior a 20% em
peso, a menos que sejam devidamente tratados de forma a reduzir sua solubilidade;
5. Resíduos constituídos por compostos orgânicos halogenados e não halogenados e
6. Resíduos incompatíveis entre si. Estes não devem ser dispostos em uma mesma célula, a
menos que se tomem as devidas precauções para evitar reações adversas.

Localização de Aterros Industriais Classe I (Perigosos)

Deverão ser selecionados, preferencialmente, áreas naturalmente impermeáveis, para construção
de aterros de resíduos industriais. Estas áreas se caracterizam pelo baixo grau de saturação, pela
relativa profundidade do lençol freático e pela predominância, no subsolo, de material argiloso
(CIMM, 2005). O subsolo não deverá ser constituído essencialmente por material com coeficiente
de permeabilidade (k) maior que 1x10
-4
cm/s.
Não é possível instalar aterros industriais em áreas inundáveis, de recarga de aqüíferos, em áreas
de proteção de mananciais, mangues e habitat de espécies protegidas, ecossistemas de áreas
frágeis ou em todas aquelas definidas como de preservação ambiental permanente, conforme
legislação em vigor (CIMM, 2005).
Deverão ser respeitadas as distâncias mínimas estabelecidas em norma, a corpos d’água (300
metros), núcleos urbanos (1000 metros), rodovias e ferrovias (50 metros), quando da escolha da
área do aterro (CIMM, 2005).
A construção de aterros em ares cujas dimensões não possibilitem uma vida útil para o aterro
igual ou superior a 20 anos, não deverá ser executada (CIMM, 2005).
Na seleção da área do aterro, deverão ser considerados os seguintes aspectos: grau de
urbanização; valor comercial do terreno; condições de acesso; caracterização hidrogeológica;
potencial de contaminação das águas superficiais e subterrâneas e localização quanto a mananciais
de abastecimento de água (CIMM, 2005). A seguir serão mostradas algumas considerações
geológicas adequadas para um subsolo: deverá ser constituído por um depósito extenso e
homogêneo de solo argiloso, com coeficiente de permeabilidade menor ou igual a 1 x 10
-7
cm/s;
deverá apresentar uma porcentagem superior a 30% de partículas passando pela peneira n
0
200;
deverá apresentar um pH maior ou igual a 7 e não sofrer alterações na sua permeabilidade em
função dos resíduos (CIMM, 2005).


Impermeabilização Inferior de Aterros Industriais

Os aterros industriais deverão possuir sistema duplo de impermeabilização inferior composto de
manta sintética sobreposta a uma cama de argila compactada, de forma a alcançar coeficiente de
permeabilidade menor ou igual a 1,0 x 10
-7
cm/s, com espessura mínima de 60 centímetros,
devendo ser mantida uma distância mínima de 2 metros entre a superfície inferior do aterro e o
nível mais alto do lençol freático (CIMM, 2005). Sobre o material sintético deverá ser assentada
uma camada de terra com espessura mínima de 50 centímetros (CIMM, 2005). Na escolha da
manta sintética a ser aplicada, deverão ser observados os seguintes aspectos: resistência química
aos resíduos a serem dispostos, assim como o envelhecimento à ozona, à radiação, à ultravioleta e
aos microorganismos, essas características devem ser comprovadas através de ensaios de
laboratório; resistência à intempéries para suportar os ciclos de umidecimento; secagem;
resistência a tração, flexibilidade e alongamento, suficiente para suportar os esforços de instalação
e de operação; resistência à laceração, abrasão e punção de qualquer material pontiagudo ou
cortante que possa estar presente nos resíduos e facilidade para execução de emendas e reparos
em campo, em quaisquer circunstâncias (CIMM, 2005).
O sistema duplo de impermeabilização deverá ser construído de modo a evitar rupturas devido a
pressões hidrostáticas e hidrogeológicas, condições climáticas, tensões da instalação, da
impermeabilidade ou aquelas originárias da operação diária (CIMM, 2005).
O sistema duplo de impermeabilização deverá ser assentado sobre uma base ou fundação capaz
de suportá-lo, bem como resistir aos gradientes de pressão acima e abaixo da impermeabilização
de forma a evitar sua ruptura por assentamento com pressão ou levantamento do aterro (CIMM,
2005).
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

mínimo três furos para sondagens de reconhecimento e um furo com amostra
indeformada.


MÉTODO CONSTRUTIVO DO ATERRO: determinação da forma do aterro

Uma vez determinadas e analisadas as características da área e dos resíduos, deve-se proceder à
determinação da forma do aterro. Existem 3 formas:

Método Trincheira - Consiste na abertura de trincheiras no solo onde o resíduo é disposto
no fundo, compactado e posteriormente coberto com solo.

Método Rampa - Conhecido também como método de escavação progressiva, é
empregado em áreas planas onde o solo natural oferece boas condições para ser
escavado e utilizado como material de cobertura. Usado em terrenos secos e planos onde
se procura mudar a topografia através de terraplanagem construindo-se uma rampa onde
se coloca os resíduos formando células. A rampa é escavada no próprio solo e o resíduo é
disposto e compactado pelo trator, operando no sentido ascendente, formando assim a
célula e posteriormente coberto com solo. O método é vantajoso pois economiza o
transporte de material de cobertura de fora do sistema.

Método da Área – Empregado em locais de topografia irregular e lençol freático no limite
máximo. A formação da célula exige o transporte e aquisição de terra para cobertura.
Usada onde o terreno já apresenta características favoráveis e não é necessário nenhum
trabalho de preparo e pode-se aproveitar para recuperar alguma área degradada.

Os aterros industriais para resíduos Classe I e II, não são muito difundidos no Brasil, devido a dois
fatores principais: o atraso geral que o Brasil apresenta quanto as soluções para os resíduos
industriais e a síndrome do “nimby” (not in my backyard) onde a tentativa de implantar aterros
industriais é recebida com hostilidade pelas comunidades locais e com reserva pelos órgãos
ambientais.

É absolutamente essencial determinar o volume, a taxa de produção, as propriedades físicas e
químicas do resíduo. Os resíduos devem ser compatíveis, isto é, não devem tornar-se explosivos,
corrosivos, reativos ou tóxicos, ou liberarem gases perigosos quando misturados. (ver norma NBR
13896/1997).
Forma de disposição final especialmente projetado e implantado para a disposição de resíduos
sólidos industriais, garantindo um confinamento seguro em termos de poluição ambiental e
proteção à saúde pública. Este aterro possui, no mínimo, todas as infra-estruturas de um aterro
sanitário. Para resíduos perigosos, o conceito construtivo é o de contenção total, o que significa
impermeabilizar tanto a parte inferior (no caso, com impermeabilização dupla) quanto à parte
superior do aterro.

Resíduos que não devem ser dispostos em aterros

Nem todos os resíduos podem ser dispostos em aterros industriais, a seguir serão mostrados os
resíduos que não devem ser dispostos em aterros industriais:

Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

• Ter jazidas acessíveis de material para cobertura.
• Ter solo de baixa permeabilidade, caso contrário o terreno deve ser preparado com
uma camada de argila ou outro material inerte.
. Operar todos os sistemas de drenagem e de monitoramento normalmente durante pelo
menos 20 anos após o encerramento.
•Apresentar posicionamento adequado em relação a ventos dominantes.
. Impedir o acesso de pessoas não autorizadas
. Garantir a operação do aterro sob quaisquer condições
• Discussão com a comunidade.


Aterros I ndustriais

Os aterros para resíduos, tanto domésticos quanto industriais são obras de disposição final mais
baratas e de tecnologias mais conhecidas no Brasil. Entretanto deve-se ter em mente que esses
aterros não servem para disposição de todos os tipos de resíduos industriais.
Existem três correntes básicas que norteiam a concepção dos aterros:

• A primeira, oriunda dos EUA, afirma que os efluentes de um aterro não devem nunca
atingir as águas subterrâneas. Isto implica em aterros completamente confinados ou,
então em aterros completamente drenados.
• A segunda, que vem da Inglaterra, afirma que os solos tem uma capacidade de atenuação
de poluentes e sua utilização deve ser permitida. Isto implica em aterros parcialmente
confinados, podendo uma parcela do percolado ir parar nas águas subterrâneas, após ter
atravessado uma camada do solo.
• A terceira, que se originou na Suíça , recomenda que se drenem as águas do freático
juntamente com os líquidos percolados para posterior tratamento.

No Brasil se da preferência ao primeiro tipo, porém e aceitável uma outra concepção, desde que
seja justificada através de uma análise de impacto ambiental.
A escolha da área mais apropriada é um processo que permitira sensível diminuição de custos de
investimentos e também minoração dos efeitos adversos sobre o meio ambiente.
Além das características do solo (elevado teor de argila (56 – 30%), baixa permeabilidade (6,4 x
10
-4
– 7,1 x10
-6
)), para escolha procede-se uma analise econômica onde serão avaliados os
custos: do terreno, de implementação de acessos, e de transportes. Aquela que apresentar menor
custo total por unidade de volume ou de massa deve ser a escolhida.
Uma vez escolhida a área do aterro, determinam-se todas as condicionantes necessárias à
execução do projeto. Desse modo deve-se obter dados sobre os resíduos a serem dispostos, dados
topográficos, dados de sondagem do terreno e dados meteorológicos da região.

1. Resíduos - os resíduos devem ter suas características físicas, físico-quimicas, químicas e
infecto-contagiosas muito bem definidas. Esse conhecimento condicionara a escolha da
forma do aterro, dos materiais (que devem ser compatíveis com os resíduos), o projeto
dos sistemas de impermeabilização, de coleta e tratamento do percolado, do
monitoramento, os planos de seguranca e a própria operação do aterro.

2. Topografia – é necessário que pelo menos duas plantas sejam feitas em escalas de 1:1000
ou 1:2000 e outra em 1:5000, com curvas de nível mostrando os detalhes significativos do
terreno.

3. Sondagens – e necessário para se obter dados sobre as características do solo (curva
granulométrica, umidade, massa especifica, porosidade, coeficiente de permeabilidade) e
distância do lençol freático. Não existe uma regra geral para se determinar o numero ideal
de furos de sondagem, quanto menor a área e mais homogêneo for o subsolo, menor será
o numero de furos necessários para a sua caracterização. Entretanto, recomenda-se no
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

técnica de tratamento se denomina de aterro sanitário celular quando se opta pela construção e
operação do aterro em unidades separadas de tratamento, a saber, as células.

Forma de disposição final de resíduos sólidos urbanos, fundamentado em critérios de engenharia e
normas operacionais específicas, proporcionando o confinamento seguro dos resíduos e evitando
danos à saúde pública e minimizando os impactos ambientais. Esses aterros possuem as
seguintes infra-estruturas: cercamento; cinturão verde; guarita; balança; escritório; refeitório;
vestiário; drenagem de águas pluviais; impermeabilização da base, drenagem e tratamento de
percolados, drenagem de gases, e poços de monitoramento;

























Algumas Vantagens:

• No caso de se dispor de terrenos baratos é o método mais econômico.
• Devido a decomposição do lixo se obtém um terreno rico em "humus" e após 2-5 anos do
encerramento do aterro sanitário, pode-se utilizar o terreno para parques, jardins, estágios
esportivos, etc.

Algumas Desvantagens:

• Problema social-comunidade.
• Não se recupera os subprodutos (quando não se realiza coleta seletiva e
reciclagem de materiais .
• Tem que haver uma vigilância rigorosa.
• Possibilidade de contaminação das águas e do solo.
• Produção de biogás (~ 60% metano - Pode passar a ser vantagem, desde que
seja feita a recuperação dos gases).

Condições necessárias para implantação de um aterro:

•Estar afastado de aeroportos .
•Estar afastado no mínimo 2 Km de zonas residenciais.
•Estar próximo da zona de coleta (+/-30 Km p/ida e volta – (5 a 20 Km)).
• Apresentar vias de acesso em boas condições de tráfico para os caminhões.
• Estar afastado de cursos d'água, nascentes e poços (no mínimo 200 metros,
minimizar problemas com contaminação).
. Garantir que os recursos hídricos superficiais ou subterrâneos não sejam atingidos.
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

Fase Líquida

A fase líquida, isoladamente, caracteriza a umidade do solo e é representada pela água ou solução
do solo, contendo íons como H
2
PO
4
-
, SO
4
2-
, NO
3
-
, Na
+
, K
+
, Cl
-
, Ca
2+
, H
+
, NH
4
+
etc.
A disponibilidade da água é o fator físico-químico que mais afeta os microrganismos do solo, os
quais requerem uma alta atividade de água (a
w
) para seu desenvolvimento.
Atividade de água pode ser definida como a razão entre a pressão de vapor do ar em equilíbrio
com a substância ou solução e a pressão de vapor da água pura.


Fase Gasosa

A fase gasosa caracteriza a porosidade de aeração do solo ou porosidade livre de água, a qual
contém gases como CO
2
, O
2
, NH
3
e vapor de água.

Como o ar e a água dividem os mesmos espaços entre os micro hábitats, a composição gasosa do
solo pode ser facilmente manipulada pela alteração no conteúdo de água.

C Ca ar ra ac ct te er rí ís st ti ic ca as s M Mi ic cr ro ob bi io ol ló óg gi ic ca as s

O solo contém uma grande população de bactérias, fungos, algas, protozoários, nematóides e
vírus. A flora microbiana do solo está distribuída em todos os tipos de solo com ligeiras
modificações: os microrganismos são cosmopolitas e sua distribuição apresenta algumas variações
de acordo com o tipo de solo e com a profundidade do mesmo.

Nesse hábitat heterogêneo, ocorrem interações biológicas intensas e processos bioquímicos
associados à degradação da matéria orgânica, além de ocorrerem transformações de elementos
minerais, importantes para a nutrição das plantas como N, P, S, Fe e Mn.

As bactérias, que formam o grupo de microrganismos mais abundante nos solos, são seres
unicelulares, procariontes e possuem parede celular. São os organismos mais comuns no planeta,
presentes em todas as regiões.

A At te er r r r o o C Co om mu um m o ou u L Li i x xã ão o

D’ALMEIDA e VILHENA, 2000 definem aterro comum ou lixão como a forma mais inadequada de
disposição dos resíduos sólidos, se resumindo a simples descarga sobre o solo, sem a preocupação
dos impactos gerados por essa atividade tanto ao meio-ambiente quanto à saúde pública.
Esse tipo de disposição pode ser considerado como o mais primitivo, onde não se há controle
algum do que está sendo depositado, nem mesmo ocorre uma separação dos resíduos sólidos
urbanos, dos de saúde e dos industriais.

Essa forma de disposição facilita a proliferação de vetores, a geração de maus odores, e a poluição
das águas superficiais e subterrâneas pelo percolado (mistura do líquido gerado pela degradação
da matéria orgânica com a água da chuva). É, sob todos os aspectos, a pior forma de disposição
de resíduos sólidos;

A At te er r r r o o C Co on nt tr r o ol l a ad do o Segundo Bidone e Povinelli,1999 aterro controlado é uma forma de disposição
final de resíduos sólidos urbanos no solo, na qual preocupações tecnológicas executivas adotadas
durante o desenvolvimento do aterro, como recobrimento dos resíduos com argila, aumentam a
segurança do local, minimizando os riscos de impactos ao meio ambiente e a à saúde pública.
Embora seja uma técnica preferível ao lançamento a céu aberto, não substitui o aterro sanitário; é
uma solução compatível (não completamente adequada) para municípios pequenos, que não
dispõem de equipamentos compactadores e de recursos para implementação de sistemas de
drenagem adequados.
A At te er r r r o o S Sa an ni i t tá ár r i i o o

Pode-se definir um aterro sanitário de resíduos sólidos como sendo a forma de disposição final de
resíduos sólidos no solo, segundo normas operacionais específicas, de modo a evitar danos ou
riscos à saúde pública e à segurança, minimizando impactos ambientais, ABNT,(1984). Esta
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

Os solos podem ser caracterizados de acordo com suas propriedades físico-químicas e
microbiológicas.

Fase Sólida
Fração Mineral - originada da desintegração das rochas, corresponde a menos de 50% do volume
do solo: e contribui, juntamente com a matéria orgânica para a formação de agregados e para a
estruturação do solo. Essa fração exerce grande importância na disponibilidade de nutrientes, na
aeração, na retenção e movimento da água.

As partículas sólidas minerais do solo são divididas em três frações texturais: areia, silte e argila.
Existem uma série de classificações adotadas, para definir as escalas de tamanho dessas
partículas, as duas mais adotadas são: a escala proposta pela Sociedade Internacional de Ciência
do Solo (ISSC), que segue a escala originalmente proposta por Atterberg, e a escala proposta pelo
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) adotada pela Sociedade Brasileira de
Ciência do Solo (SBCS).


A fração mineral do solo é constituída quimicamente por aluminosilicatos, óxidos, carbonatos,
sulfatos e minerais argilícos. Apresenta propriedades químicas e atividades variáveis de acordo
com o tamanho das partículas.

Dentre esses materiais que constitui a fração mineral, as argilas apresentam maior reatividade, e
uma complexa constituição química. A areia e as outras partículas minerais são formadas por
quartzo, feldspatos, micas e outros silicatos. Sua atividade química é quase nula e se decompõe
lentamente liberando seus elementos constituintes.

A argila é constituída por silicatos e óxidos de Al e Fe que caracterizam-se por apresentar
propriedades coloidais, com predomínio de cargas eletrostáticas negativas. São formadas por
minerais secundários (decomposição) do grupo da montmorilonitas, ilitas, caolinitas, etc.

Fração Orgânica - Matéria Orgânica - Materiais orgânicos de origem animal ou vegetal,
decompostos por atividade microbiana, constituem a matéria orgânica presente no solo.

A população microbiana produz enzimas tais como desaminases, fosfatases e sulfatases, as quais
atuam na liberação de nitrogênio, fósforo, enxofre e outros nutrientes que estejam presentes como
constituintes de moléculas orgânicas.

Diferentes tipos de matéria orgânica presentes no solo estão associados a diferentes composições
da microfauna e da microflora. A matéria orgânica que não é completamente degradada contribui
para a formação de húmus.

,002 0,05 0,1 0,25 0,5 1,0 2,0 mm

muito
fina
fina média grossa muito
grossa
argila silte
Areia
cascalho
Segundo USDA


0,002 0,02 0,2 2,0 mm

fina grossa argila silte
areia
cascalho
Segundo ISSC

Figura 2.1 – Principais escalas (emmm) de tamanhos de partículas
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

Na seleção manual são empregadas correias transportadoras planas (esteiras rolantes), de onde
são retirados materiais não fermentáveis e aproveitáveis, como vidros, latas, peças de alumínio,
zinco, chumbo, níquel e cobre, plástico, trapos, etc.

O material separado é encaminhado para prensagem e ensacamento e, quando possível, posterior
comercialização.

2) Fermentação:
2.1) Fermentação clássica/natural ou fermentação em leiras com reviramento:
Processo muito utilizado, no qual o resíduo fresco triturado e selecionado é disposto em áreas
preferivelmente pavimentadas, em montes/pilhas ou em leiras. Em regiões frias ou úmidas, é
conveniente que o local de disposição das leiras seja coberto.

A temperatura de fermentação é regulada pela quantidade de oxigênio nas leiras, que, por sua
vez, é adicionado simplesmente pelo reviramento das leiras.
As experiências realizadas na UFV indicam que um ciclo de reviramento satisfatório deve ser feito
a cada três dias, na fase de degradação ativa e na fase de maturação as leiras não devem ser
reviradas. Cabe ressaltar que este procedimento pode sofrer modificações em função da qualidade
dos resíduos, processamento utilizado e de fatores ambientais.

O reviramento pode ser manual ou mecânico, com escavadora ou equipamento especialmente
projetado para isto.

A temperatura é medida por sonda termométrica todos os dias a 50 - 60 cm da superfície no
centro da leira.
Quando a temperatura cai abaixo de 50
o
C, é necessário virar as leiras. Quando, após o
reviramento, a temperatura não sobe mais, considera-se que o composto está pronto, o que
ocorre em torno de 75 a 90 dias.

É sugerido que as leiras devam ter seção triangular, com as seguintes dimensões:
- largura da base = 2,40 m e 3,60m (4–5 m)
- altura = 1,20 m e 1,60 m (2 m)
- comprimento em torno de 100 m.


Disposição final


Entende-se como disposição final à colocação dos resíduos industriais em aterros sanitários ou
industriais, sem duvida são os processos ainda mais utilizados no mundo, apesar das diretrizes
apontadas pela Agenda 21 em 1992.

É indispensável no desenvolvimento de projetos de aterros, algum conhecimento sobre as
propriedades do solo, principalmente quando se considera o solo como atenuador de poluição.
Alem disto, uma serie de outras propriedades devem ser conhecidas para garantir um projeto de
aterro dentro das normas vigentes pela legislação, tais como: massa específica aparente e
aparente seca, textura, granulometria, forma dos grãos, plasticidade, troca irônica, coesão,
estrutura das argilas, porosidade, percolação das águas.


PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DOS SOLOS

O solo pode ser definido como um sistema multicomponente constituído por três fases: sólida,
líquida e gasosa. Juntas, as fases líquida e gasosa chegam a ocupar uma grande parte do volume
do solo e compõem a porosidade total.
A fase sólida é constituída de partículas minerais e de substâncias orgânicas. Esses compostos
orgânicos e os minerais sólidos constituem o que se chama matriz do solo e apresentam-se de
várias formas e tamanhos com diferentes composições químicas.
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

Tabela 3 – Resumo da classificação do processo de compostagem



Quanto à biologia
Aeróbio – presença de O
2,
temp. de decomposição elevada,
desprendimento de CO
2
e vapor d’água;
Anaeróbio – ausência de O
2,
temp. de decomposição baixa,
desprendimento de CH
4
e H
2
S e outros gases
Misto - combinação dos dois processos (processo chinês)
Quanto à temperatura Psicofílica – temperatura normal ambiente
Mesofílica – 35 –55
o
C
Termofílica – 55 –70
o
C
Quanto ao ambiente Aberto – céu aberto, pátio de maturação
Fechado – digestores, bioestabilizadores, biorreatores (possui
melhor controle das fases)

Classificação

da

compostagem
Quanto ao processa-
mento
Natural – revolvimentos peródicos
Acelerado – Dinâmico- reatores
Estático – leiras com sistema de aeração
forçada


M Mi ic cr ro ob bi io ol lo og gi ia a d do o p pr ro oc ce es ss so o

A compostagem é uma bio-oxidação da matéria orgânica conduzida por uma variedade de
microrganismos. A diversidade, sobretudo de bactérias, fungos e actinomicetos favorece uma boa
compostagem.
- Bactérias: sempre presentes no processo, predominantes na fase de degradação dos
compostos biodegradáveis, desenvolvem-se rapidamente no início do processo, liberam
energia na forma de calor, necessitam de umidade e são ativas numa larga faixa de
pH.
- Fungos – dominantes quando existe uma alta relação C/N no meio (materiais
celulosicos), suportam baixos teores de umidade e larga faixa de variação de pH (2-9)
- Actnomicetos – atacam as substâncias não degradadas por bactérias e fungos (baixa
relação C/N), desenvolvem-se sobretudo na fase final da maturação.
-
Para um bom rendimento nas diferentes etapas da compostagem e para a obtenção de um
composto aceitável, o processo, deve ser feito em uma sequência de 4 fases:
- tratamento preliminar dos resíduos sólidos, com triagem e seleção de materiais aproveitáveis;
- fermentação propriamente dita;
- tratamento secundário do produto fermentado;
- armazenamento e fermentação lenta do composto obtido.

1) Tratamento preliminar do resíduos sólidos:
Na entrada de uma usina de compostagem, os caminhões contendo os resíduos sólidos são
pesados e, a seguir, vazam a carga nas fossas de recepção.

Das fossas de recepção, o resíduo é transportado fresco através de correias transportadoras para o
tratamento primário que consiste de:
- crivagem para eliminação de elementos de maior dimensão, que prejudicam os processos
posteriores;
- trituração e homogeneização, para facilitar a fermentação;
- triagem e seleção mecânica ou manual de elementos aproveitáveis.

Os crivos geralmente são peneiras vibratórias, que deixam passar o material pequeno, geralmente
decomponível por fermentação .

A trituração é conseguida, com o emprego de moinhos de martelo, que tem como objetivo obter
uma granulometria uniforme para a massa do resíduo, que será enviada à fermentação.

A seleção mecânica á realizada por separadores eletromagnéticos, que separam as latas e chapas
ferrosas, e por flotadores, que recuperam os papéis e outros materiais celulósicos.

Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

Inconvenientes:
- necessita de mais espaço que a incineração;
- a descarga do lixo libera odores que devem ser eliminados por instalações para ventilação;
- a qualidade do composto varia em função da composição do lixo fresco;
- devido aos grandes gastos com transporte no preço final do composto, sua venda ainda é
limitada.
• É afetada por diversos fatores (pH, temperatura, aeração, umidade, tamanho das
partículas, concentração de nutrientes e segregação de materiais (coleta seletiva))
• É um processo ainda lento ⇒ até 60 dias.
• É sensível à produtos tóxicos ou não biodegradáveis (Ex.:celulosídicos), e não processa
metais pesados
• Caso não haja rigoroso controle do processo, poderão surgir impactos ambientais, com
emanação de odores e produção de chorume
• Exige boa coleta seletiva e análise da matéria-prima antes do início do processo
• Necessita de espaço


L Le eg gi i s sl l a aç çã ão o

As características dos materiais comercializados como fertilizantes devem obedecer às
especificações da legislação existente, que dispõem sobre a inspeção e a fiscalização da produção
e comércio de fertilizantes e corretivos agrícolas e aprovam normas sobre especificações, garantias
e tolerâncias.
• Decreto-lei 86.955 de 18/12/82
• Portaria MA 84 de 29/3/82
• Portaria 01 da Secretaria de Fiscalização Agropecuária do MA de 4/3/83

O O c co om mp po os st to o o or rg gâ ân ni ic co o é é e en nq qu ua ad dr ra ad do o n na a l le ei i c co om mo o f fe er rt ti il li iz za an nt te e o or rg gâ ân ni ic co o o ou u m ma ai is s e es sp pe ec ci if fi ic ca am me en nt te e c co om mo o
f fe er rt ti il li iz za an nt te e c co om mp po os st to o. .

Tabela 2 – Valores estabelecidos como parâmetros de controle para o composto orgânico,
conforme legislação brasileira.




Parâmetro

Valor

Tolerância

pH

Mínimo de 6,0

Até 5,4

Umidade

Máximo de
40%
Até 44%

Mat. Org.

Mínimo de 40%

Até 36%

Nitrogênio total

Mínimo de
1,0%
Até 0,9%

Relação C/N

Máximo de 18/1

Até 21/1


Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

F Fa as se es s d da a c co om mp po os st ta ag ge em m

Fase I - fase inicial – início da decomposição da matéria orgânica, apresenta aquecimento rápido,
desprendimento de calor e vapor d’água, fitotoxicidade com formação de ácidos
(acético, fórmico, propriônico, butírico, capróico e cáprico - queda do pH ~4,5) e
toxinas de curta duração – 12 a 24 horas.

Fase II - fase de semicura ou bioestabilização – degradação ativa – é nesta fase que ocorre as
reações bioquímicas mais intensas. É uma fase essencialmente termofílica (65
o
C) –
tempo duração: 24 horas a 8 dias (biorreatores) , 45 – 70 – 90 dias (leiras), depende de
fatores ambientais, natureza dos resíduos, tamanho e natureza da população
microbiana, balaço de nutrientes e do tipo de processo escolhido.

Fase III - fase de resfriamento – tempo duração: 2 a 5 dias

Fase IV - fase de cura, maturação ou humificação (formação de ácidos húmicos) e de mineralização
- tempo duração: 30 a 60 dias



A compostagem não pode ser empregada sozinha. Para um bom rendimento, e para a obtenção de
um composto aceitável, o processo, então, é feito em uma sequência de 4 fases:
- tratamento preliminar do lixo, com triagem e seleção de materiais aproveitáveis;
- fermentação propriamente dita;
- tratamento secundário do produto fermentado; e
-armazenamento e fermentação lenta do composto obtido.


Vantagens:
- aproveitamento do lixo para se obter um produto final útil para o solo;
- é o meio mais econômico para se produzir um composto húmico;
- não ocorre a contaminação do ambiente durante o processo;
- necessita de área muito menor que os aterros sanitários;
- pode tornar-se rentável ao se conjugar a venda do composto com a coleta de lixo municipal.

• Baixo Custo Operacional e de Instalação, em comparação a outros processos (por ex:
incineração)
• Pode ser realizado na própria fonte geradora do resíduo, evitando despesas com o
transporte.
• Pode ser uma boa solução para destinar o lodo produzido nas ETE`s.
• Possui a flexibilidade de processar volumes grandes ou pequenos de resíduos
• Produz um composto com excelente aplicação na agricultura.
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

Bactéria Mínima* Ótima* Máxima*
Mesofílica 15 a 25 25 a 40 43
Termofílica 25 a 45 50 a 55 85

pH
Na fase inicial da compostagem, a acidez do material tende a aumentar em virtude da formação de
ácidos orgânicos, atingindo valores de pH próximos de 4,5. A partir daí, o processo toma o sentido
inverso, observando-se um crescente aumento do pH, que chega a atingir valores superiores a
8,0. Normalmente deve ser mantido na faixa de 8,0 a 9,0;

Umidade
A faixa ideal de operação fica entre 40- 60%, abaixo desta poderemos ter inibição do processo
microbiano, pois os microrganismos necessitam, para sua plena atividade metabólica, de uma
certa quantidade de água, que funciona como importante veículo de nutrientes e via de excreção
dos metabólitos e acima podemos favorecer o processo anaeróbio.
Aeração
Deve ser tal que seja fornecida a quantidade de oxigênio necessária para que o processo de
oxidação-redução transcorra favoravelmente com a liberação da energia necessária;

• A compostagem deve ser um processo essencialmente aeróbio.
• Má aeração favorece a formação de chorume e vetores.
• A aeração pode ser por revolvimento das leiras ou forçada.
Relação C/N
Os microrganismos para manterem ativo o processo de compostagem exigem, além do substrato
orgânico, uma quantidade mínima de outros elementos necessários à sua constituição celular.
Entretanto, suas maiores necessidades são o carbono, como fonte de energia e o nitrogênio, como
importante formador da estrutura celular. Para o início do processo, aceita-se como ótima uma
relação de 30 partes de carbono para cada parte de nitrogênio (30 : 1);

• Sofre grande variação no decorrer do processo.
• Inicialmente, o ideal está em torno de 30/1, terminando o processo com cerca de 10/1.
• Se a relação estiver alta é corrigida, deve ser feita uma correção adicionando fonte de N (ex:
lodo ou fertilizantes)
• Se estiver baixa ocorre liberação do N na forma de amônia.
• Desta forma, é muito importante que o composto aplicado no solo esteja realmente
maturado, C/N 10/1.

T Ti ip po ol lo og gi ia a d do os s r re es sí íd du uo os s
Tipos de resíduos sólidos que podem ser utilizados no processo de compostagem: restos agrícolas,
estercos de animais, resíduos urbanos (fração orgânica), resíduos agro-industriais e lodos gerados
em plantas de ETE’s separados ou combinados com agentes estruturantes.
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

Histórico:
A compostagem é praticada desde antigüidade, principalmente pelos orientais, as técnicas
empregadas eram artesanais e o composto orgânico obtido empregado na produção de cereais.
Só após 1920, Sir Albert Horward desenvolveu o processo Indore, na Índia, definindo
procedimentos para o estudo da fermentação de resíduos sólidos, resultando na utilização de leiras
sobre o solo.
Uma série de outros processos foram surgindo:
• 1922 - Giovanni Beccari - reduziu o período de fermentação de 180 para 40 dias
• 1929 – Jean Bordoim propôs modificações no processo Beccari
• 1932 – O holandês Van Manhen, propôs modificações no processo Albert
A partir de então, surgiram inúmeros processos: Dumfries, Windrow, Dano, Frazer-Eweson, Riker,
Jersey, Earp-Thomas, Triga, Kneen, Prat, Nusoil, dentre outros.
A avanço tecnológico permite que muitos dos atuais sistemas instalados sejam totalmente
operados e controlados por computadores.

Definição: “É um processo aeróbio e controlado de decomposição biológica e estabilização da
matéria orgânica em condições que permitam o desenvolvimento de temperaturas termofílicas
(65
o
C) resultantes de uma produção calorífica de origem biológica, com obtenção de um produto
final estável, higiênico, rico em compostos húmicos e cuja utilização, no solo, não ofereça riscos ao
meio ambiente”.

O fato da decomposição do resíduo ser controlada é que difere a compostagem da putrefação
natural, sendo esse controle em suma, o objeto de todos os estudos sobre o assunto.

C Co om mp po os st to o o or rg gâ ân ni ic co o
• “O vocábulo “compost”, da língua inglesa deu origem à palavra composto, usada para indicar
um fertilizando orgânico preparado a partir de restos vegetais e animais através de um
processo denominado de compostagem”.
• “É um produto homogênio obtido por um processo biológico, pelo qual a matéria orgânica
existente em resíduos é convertida em outra mais estável pela ação de microrganismos. Os
resíduos podem se restos agrícolas, estercos de animais ou resíduos urbanos, separados ou
combinados”.
• “É formado de húmus e proteínas resultantes da compostagem da matéria orgânica”.
“É a denominação genérica dada ao fertilizante orgânico resultante do processo de compostagem”.

Fatores que Afetam a Compostagem
Temperatura
• O processo de compostagem ocorre em diversas temperaturas. Seu controle é
absolutamente necessário. Para melhores resultados, deve ser mantida entre 50 e 55
o
C
nos primeiros dias e entre 55 e 60
o
C no restante do período de compostagem. Se deixar
aumentar a temperatura acima de 70
o
C por um período significativo de tempo, a atividade
biológica será reduzida.

Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente



Fig. – Processo de co-processamento
Fonte: CIMPOR Brasil (Oliveira, 2006)

Resumindo, o coprocessamento em cimenteiras apresenta as seguintes vantagens:
• Altas temperaturas e longos tempos de residência: mais de 5" > 1800 °C
• Elevado índice de destruição: Orgânicos totalmente destruídos; Metais incorporados e
fixados no produto final
• Dupla valorização de produtos orgânicos e minerais
• Alta eficiência e Recuperação: total 1 MJ resíduo = 1 Mj fuel tradicional
• Redução das emissões globais: CO2 global é reduzido

Compostagem

A crescente preocupação com os problemas ambientais, associada à escassez de recursos naturais
tem levado o homem a pensar mais seriamente sobre a questão dos resíduos sólidos.

A compostagem é considerada um método de tratamento com aproveitamento de resíduos sólidos
orgânicos, embora seja uma prática remota, surge atualmente como fonte de produção de um
fertilizante orgânico/ composto/condicionador de solos para a agricultura.

A crescente procura de produtos mais saudáveis e produzidos sem a adição de fertilizantes
químicos provoca certos estímulos na agricultura mundial, tornando o composto orgânico uma
alternativa viável e conciliatória para dois grandes problemas mundiais: a produção de alimentos e
a poluição ambiental.

Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

A vantagem do blend é ser um produto homogêneo, preparado fora das instalações da industria
que utiliza o produto, eliminando os problemas ambientais e operacionais do co-processamento. As
desvantagens são os custos e a redução dos ganhos da cimenteira.

Caracterização dos fornos de cimento

Os fornos de cimento reúnem algumas características que os recomendam como possíveis
instalações para a eliminação de resíduos perigosos, principalmente se esses resíduos forem
combustíveis e puderem ser destruídos por reação com o oxigênio atmosférico. Dado o seu caráter
perigoso a queima destes resíduos tem de ser realizada de modo que a sua remoção e destruição
(DRE- Destruction and Removal Efficiency) seja elevada. Usualmente as Normas para o tratamento
térmico de resíduos perigosos impõem DRE melhores que 99,99% (ou 99,9999% para
dioxinas/furanos).

Fig. – Sistema de filtração
Fonte: CIMPOR Brasil (Oliveira, 2006)

Os gases no forno de clínquer atingem temperaturas máximas de 2000 ºC no queimador principal
e permanecem a temperaturas acima dos 1200 ºC por períodos de 4-6 segundos. Por sua vez o
clínquer sai do forno a temperaturas na ordem dos 1450 ºC. Estas temperaturas são das mais
elevadas encontradas em qualquer processo industrial e o tempo de residência dos gases a alta
temperatura é também bastante superior ao conseguido em outros processos de combustão
alternativos, como a incineração dedicada. Assim um forno de clínquer é um local com condições
ótimas para uma queima ou destruição eficaz de qualquer resíduo orgânico que se possa
oxidar/decompor com a temperatura.

Devido à quantidade elevada de matéria prima existente no interior do forno, este tem uma inércia
térmica superior ao de muitas outras instalações industriais a alta temperatura. Esta característica
é vantajosa quando se queimam substâncias com composição e poder calorífico variável como são
os resíduos industriais.

É necessário tomar algumas precauções em relação ao modo como o material é adicionado ao
forno. O local de injeção mais apropriado é o queimador principal junto à saída do clínquer, porque
nestas condições a temperatura e o tempo de residência são maximizados. Substâncias líquidas ou
sólidos triturados são normalmente queimados neste ponto do forno.
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

Mecanismo de operação de um sistema de incineração.
O forno de fluxo descendente é composto por duas câmaras, a primária e a de pós-combustão,
que oferecem tempo de residência total de 4 segundos a 1.200ºC. Entre as duas câmaras há uma
restrição que melhora a turbulência dentro do forno de modo a garantir uma boa mistura entre o
combustível, constituído pelo próprio resíduo em processo de carbonização, e o ar. No topo do
forno ficam dois queimadores e, na sua parte inferior, um terceiro.
Ao final do percurso formado pelas duas câmaras o resíduo orgânico é transformado em CO e CO2.
Restam os resíduos organoclorados, a esta altura em forma de gases clorados. Esses gases, à
medida que o processo avança, são parcialmente absorvidos pela própria água de resfriamento e
da absorção resulta uma solução contendo cerca de 15% de ácido clorídrico.
Os clorados contidos nos gases quentes chegam ao Quencher, onde sua temperatura, mediante
contato com a resfriadora solução de ácido clorídrico, é reduzida de 1.250ºC para cerca de 90ºC,
aumentando, paralelamente, o teor de ácido clorídrico na solução. O HCl e Cl2 persistentes na
forma gasosa são retidos na torre de absorção. A seguir são neutralizados com soda cáustica e
tratados com uréia industrial e sulfito de sódio, removendo-se o material particulado. O gás
neutralizado segue para um tanque onde ocorre a separação das partículas líquidas e se impede
por um separador de névoa o arraste de partículas menores.

Co- processamento

O Co-processamento de resíduos sólidos, utiliza a decomposição térmica, via oxidação, com
finalidade de tornar o resíduo atóxico através de sua incorporação química às matérias-primas, ou
ainda, elimina-lo sob a forma de gás carbônico e água, através de sua queima.

A prática do Co-processamento de resíduos sólidos vem sendo amplamente explorada e
incentivada como forma de destruição térmica de resíduos perigosos e não perigosos em vários
países do mundo.

Co-processamento, à princípio, pode ser realizado em qualquer indústria desde que esta prática
seja capaz de aproveitar os compostos inorgânicos dos rejeitos e destruir os orgânicos, detendo as
condições operacionais para o processo e seu controle sem alterar a qualidade do produto final.

No Brasil, o co-processamento de resíduos vem sendo praticado, principalmente em fornos
cimenteiros nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

O Co-processamento tem se apresentado como uma das alternativas tecnológicas mais viáveis no
gerenciamento de resíduos, por ser um processo fechado, custo relativamente baixo, destruição de
resíduos e retenção de cinzas na matriz do clínquer.

TIPOS DE RESÍDUOS QUE PODEM USADOS NO CO-PROCESSAMENTODados da literatura
apresentam como uma alternativa de tratamento o co-processamento para os seguintes os
resíduos industriais:
· Resíduos oleosos: borras, lodos, óleos e graxas· Catalisadores gastos· Materiais de
refino e resíduos de refinarias de petróleo· Pneus· Lodos de ETE· Solventes·
Plásticos· Madeira· Tintas, vernizes, resinas, corantes· Substâncias inorgânicas·
Produtos fora da especificação e da validade· Resíduos sólidos municipais ·
Resíduos ambulatoriais

Pela Resolução CONAMA Nº 264 DE 26/08/99, excetua-se do processo de licenciamento de
forno rotativo de produção de clínquer, para atividades de co-processamento de resíduos, os
resíduos domiciliares brutos, resíduos de serviço de saúde, radioativos, explosivos,
organoclorados, agrotóxicos e afins.
O “blend” energético é uma evolução do co-processamento, na sua modalidade de resíduos com
conteúdo energético. Nesse caso, uma empresa especializada, coleta os resíduos com teores
energéticos acima de 3.000 kcal/kg e prepara uma mistura energética que pode ser admitida como
combustível auxiliar nos fornos cimenteiros.

Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

• destruição total da parcela orgânica dos resíduos
• monitoramento on-line de todo o processo
• flexibilidade na forma de recebimento dos resíduos (tambores, bombonas, caixas, fardos,
sacos e big bags)•redução do volume•recuperação energética;
•alternativa para não recicláveis

Desvantagens:
•custos•pessoal especializado•possível emissão de gases tóxicos•metais pesados (cinzas e
gases)
Legislação
• NBR 11.175 (Teste de queima, Padrões de emissão: HCl, HF, CO, SOx, NOx e material
particulado, Monitoramento)
• Resolução CONAMA No. 316, 29/10/2002 (Dispõe sobre procedimentos e critérios para o
funcionamento de sistemas de tratamento térmico de resíduos)

A regulamentação brasileira se baseia na norma NBR 11.175, de dezembro de 1989, de padrões
de desempenho de incineração de resíduos perigosos. Na norma, por exemplo, estão os padrões
de emissão de HCl , HF, CO, SOx, NOx, e materiais particulados. Também define o monitoramento
contínuo, requisitos de operação e orienta a respeito do chamado teste de queima.

No teste de queima, normalmente feito de dois em dois anos, o incinerador opera sob as piores
condições. “Se nesse teste a empresa conseguir ter seus padrões de emissão dentro dos limites,
em qualquer outra operação ela diretamente estará apta”, afirmou o gerente do setor de ar, ruído
e vibrações da Cetesb, Carlos Eduardo Komatsu. O resíduo utilizado no teste será então de baixo
poder calorífico e com alta emissão de material particulado e dos outros poluentes. “Ele deverá
provar que consegue aliar o controle de emissões com capacidade de destruição”, completa. Caso
passem no teste, realizado também quando são ampliados, os incineradores recebem atestado de
eficiência de 99,9999%.


Figura- Foto de um sistema de incineração.

O controle sobre a formação de dioxinas e furanos (compostos organo-clorados) é feito em um
equipamento chamado Quencher, capaz de reduzir em menos de 1 segundo a temperatura de
1.200ºC, dos gases finais da incineração, para 80ºC. A medida evita originar compostos
cancerígenos, normalmente produzidos em temperatura na faixa dos 700ºC. Evitando-se a
formação das dioxinas e furanos pelo resfriamento lento, impossível de ocorrer em razão da
rapidez do Quencher, que opera com grande quantidade de água.

Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente



Capacidade total está sendo ampliada para 7000 t/ano
Os sete incineradores comerciais do Brasil estão operando a plena carga e quase não dão conta da
demanda de cerca de 50 mil t/ano de resíduos perigosos. Concentrados em São Paulo, Rio, Bahia e
Alagoas, a procura pelos serviços desses fornos rotativos e fixos para destruição de sólidos,
líquidos e pastosos tem aumentado em proporção direta às exigências das leis ambientais. Diante
desse quadro, vários proprietários começam a anunciar ou planejar ampliações de capacidade.
No caso da Teris, o incinerador está para ser licenciado pela Cetesb para poder queimar as
polifenilas bicloradas (PCBs), o famoso ascarel, óleo isolante para transformadores elétricos. Até o
momento, apenas a Cetrel, a Cinal e a Bayer podem fazer o mesmo.

O investimento nessa área é muito alto tanto na isntalaçao como na operação dos incineradores,
cobrando preço médio oscilante de R$ 1,50 a R$ 3,00 por kg de resíduo incinerado.

O preço médio cobrado pelos incineradores, de acordo com Bert Neumeier, varia principalmente
conforme o poder calorífico da carga (quanto menor mais energia demanda), a quantidade de
resíduo, de cinza gerada, de cloro e de enxofre. E em seu preço estará embutido não só a queima,
mas também os custos com análises químicas, com embalagens para os resíduos (fibra de papelão
e plástico reciclado) e com a disposição em aterros da escória (residual inorgânico classe II) e das
cinzas (classe I).


RESÍDUOS PASSÍVEIS DE INCINERAÇÃO
• resíduos sólidos, pastosos, líquidos e gasosos
• resíduos orgânicos clorados e não-clorados (borra de tinta, agrodefensivos, borras oleosas,
farmacêuticos, resíduos de laboratório, resinas, entre outros)
• resíduos inorgânicos contaminados com óleo, água contaminada com solventes, entre
outros)
• resíduos ambulatoriais

RESÍDUOS NÃO-PASSÍVEIS
• radioativos
• resíduos totalmente inorgânicos
• resíduos hospitalares (centro cirúrgico)

VANTAGENS DA INCINERAÇÃO
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente


TRATAMENTO DE RESÍ DUOS SÓLI DOS

Define-se tratamento de resíduos como qualquer processo que altere suas características,
composição ou propriedades, de maneira a tornar mais aceitável sua disposição final ou
simplesmente sua destruição. Estes métodos se processam por uma ou mais das seguintes
formas:

• convertendo os constituintes agressivos em formas menos perigosas ou insolúveis;
• destruindo quimicamente produtos indesejáveis;
• separando da massa de resíduos os constituintes perigosos, com conseqüente redução do volume
a ser disposto; e
• alterando a estrutura química de determinados produtos, tornado mais fácil sua assimilação pelo
meio ambiente.

T Ti i p po os s d de e t tr r a at ta am me en nt to o

No Brasil, têm sido utilizados os seguintes métodos de tratamento e /ou disposição final:

Resíduos urbanos Resíduos Industriais
Aterros controlados Incineração
Vazadouros Co-processamento
Compostagem natural Blend energético
Usinas de compostagem Aterros
Reciclagem

Outros (land-farming, incorporação
em cerâmica, estocagem, lixões)

Um breve histórico sobre os métodos de tratamento e/ou disposição final.

I ncineração

“Processo de tratamento que utiliza a decomposição térmica de resíduos, em elevadas
temperaturas, com objetivo de tornar um resíduo menos volumoso e menos tóxico.”

Nesta tecnologia ocorre a decomposição térmica via oxidação à alta temperatura da parcela
orgânica dos resíduos, transformando-a em uma fase gasosa e outra sólida, reduzindo o volume, o
peso e as características de periculosidade dos resíduos.
Todos os materiais provenientes deste processo são tratados com as mais modernas tecnologias
antes de sua destinação final.
As escórias e cinzas são dispostas em Aterro próprio, os efluentes líquidos são encaminhados para
estação de tratamento, onde 100% retorna ao processo, e os gases oriundos da queima são
tratados e monitorados on-line, sob os seguintes parâmetros: vazão, temperatura, níveis de O
2
,CO
e também índices de NO
x
, SO
x
e materiais particulado.
A incineração vem sendo praticada, principalmente para resíduos perigosos líquidos com poder
calorífico acima de 3.000 kcal/kg. A maioria dos incineradores disponível no país é de propriedade
de empresas multinacionais, e foram construídos principalmente para resolver o problema próprio
de cada empresa. Essas empresas procuram vender para outras indústrias a sua capacidade de
incineração excedente.

OS INCINERADORES DE RESÍDUOS PERIGOSOS DO BRASIL
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente


O filtro opera em regime de batelada. O lodo quimicamente condicionado é bombeado para dentro
dos espaços entre as placas. Pressões de 100 - 150 psi são aplicadas. Os sólidos preenchem o
espaço entre duas placas enquanto o líquido é forçado através do meio. Ao término do período de
desidratação, as placas são separadas e a torta de lodo removida.

Aplicados na filtração de lodos municipais e de industrias de polpa de papel, ou de lodos contendo
água e óleo. A pressão é suficiente para prevenir o entupimento do filtro por finos. Filtros prensa
60 - 70 % de umidade.

S SE EC CA AG GE EM M D DO O L LO OD DO O

Secagem natural se dá em unidades denominadas leitos de secagem.VANTAGENS
É o método mais simples e mais barato utilizado em secagem de lodos, devendo ser escolhido
sempre que possível.
DESVANTAGENS
Dependência de condições climáticas favoráveisNecessidade de grandes áreas disponíveisEmprego
de mão de obra para remoção do lodo secoSó pode receber lodo estabilizado.
Leitos de secagem compreendem tanques rasos de piso drenante, geralmente retangulares,
projetados para receber lodo úmido até uma altura de 30 cm. A perda de umidade de água ocorre
através de 2 mecanismos:
* percolação através da camada drenante * evaporação através da superfície exposta ao ar

CAMADA SUPORTE –

É constituída de tijolos maciços assentados com afastamento de 2 a 3 cm, preenchido com areia
grossa.


MEIO FILTRANTE –

É constituído de camadas de pedras de granulometria diferentes e arrumadas, de modo que a
camada inferior tenha granulometria maiores do que as da camada superior
SISTEMA DE DRENAGEM –

É constituído de canalizações convenientemente dispostas, abaixo do meio filtrante, de modo a
recolher o líquido drenado que é enviado à entrada da ETE. Em condições normais de secagem, o
lodo poderá ser removido depois de um período que varia de 20 a 40 dias, cuja umidade atinge
valores de 70 a 60 %.
SECAGEM ARTIFICIAL
A secagem artificial do lodo pode ser feita em equipamentos do tipo moinhos rotativos,
evaporadores de multi-efeito e de leito fluidizado. O teor de sólidos pode alcançar até 90%.

Em março de 2004 foi realizado no Rio de Janeiro um encontro sobre Tratamento de lodos –
utilização de tratamento térmico para secagem de lodos.
Foi apresentado o primeiro secador de lodos em operação no Brasil, solução já adotada na Europa,
nos Estados Unidos e no Japão e que segundo os palestrantes oferece várias vantagens
econômicas e técnicas relacionadas com a economia de espaço de instalação, facilidade e
versatilidade de operação .
O Secador Térmico apresentado é da firma italiana Pieralisi é do tipo de troca térmica direta, ou
seja, os gases quentes provenientes da combustão entram em contato com o lodo para aquece-lo
e remover a água, podendo operar continuamente ou intermitentemente.A desinfecção ou
higienização do lodo é uma operação necessária se seu destino for à reciclagem agrícola, já que os
processos de digestão anaeróbia ou aeróbia podem não reduzirem o nível de patógenos a
patamares aceitáveis.




Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

A desidratação do lodo tem um importante impacto nos custos de transporte e destino final do
lodo, já que o comportamento mecânico varia com o teor de umidade, e a diminuição de volume
otimiza o transporte do lodo para seu destino final, visto que na maioria dos países, incluindo o
Brasil, as estações de tratamento de esgoto/efluente têm como principal meio de locomoção da
carga de lodo, o sistema rodoviário e a utilização de frota de caminhões.

D De es si id dr ra at ta aç çã ão oO propósito da desidratação é remover líquido suficiente do lodo espessado de forma
a produzir uma torta com conteúdo de sólidos e propriedades de manuseio ótimos para
subsequente processamento ou disposição.

CentrifugaçãoUma centrífuga de sólidos consiste de um tambor rotativo que concentra e
desidrata o lodo, separando em uma torta e uma corrente diluída. A torta se forma no interior do
tambor e é descarregada deste por intermédio de um parafuso condutor, que gira dentro do deste
a uma velocidade levemente menor.

O fluido sobrenadante corre para a extremidade oposta do tambor onde é coletado. A capacidade
da centrífuga está relacionada com seu tamanho (diâmetro e comprimento do tambor).
Através da centrifugação pode-se obter um lodo com teor de umidade na ordem de 70 - 80%.

F Fi il lt tr ra aç çã ão o à à v va ac cu uo o
Um típico filtro à vácuo consiste de um tambor rotativo parcialmente submerso em um vaso
contendo a lama. Filtros à vácuo 70% de umidade. Os dois tipos de filtros á vácuo mais comuns
são o de tambor rotativo e o de correia rotativa. Desde o desenvolvimento da filtração contínua, o
filtro à vácuo com tambor convencional tem sido mais usado . Isto se deve principalmente à sua
flexibilidade operacional e habilidade para manusear várias qualidades de lodos.

A principal desvantagem destes filtros é o progressivo processo de colmatação do meio filtrante.
Quando esta colmatação alcança um ponto crítico, o meio deve ser substituído ou regenerado com
uma lavagem ácida ou alcalina.Um outro problema é a descarga da torta. Ela deve ter uma
espessura mínima e secura suficiente para ser desgarregada por completo. Pode ter uma zona de
sopro antes da descarga. O uso de filtros do tipo correia rotativa elimina ou reduz bastante os
problemas de colmatação e espessura da torta.

O meio filtrante é uma correia sem fim que atravessa do tambor para um rolo de descarga da torta
e, então,para uma câmara de lavagem onde sprays de alta pressão borrifam fluido em ambos os
lados do tecido.

A descarga da torta se dá pela passagem do meio filtrante por um rolo de menor diâmetro, o que
muda abruptamente o raio de curvatura do meio causando o despreendimento da torta.
F FI IL LT TR RA AÇ ÇÃ ÃO O e em m P PR RÉ É- -C CA AM MA AD DA A
A filtração à vácuo em pré- camada é usada para aplicações de difícil filtração em que sérios
problemas de descarga da torta são esperados ou quando as características da alimentação variam
consideravelmente.
O filtro de pré-camada é semelhante ao filtro à vácuo de tambor rotativo. Uma torta do material
de pré-camada (como terra de diatomácea) é formada sobre o meio filtrante . A filtração
prossegue continuamente pela raspagem de uma porção da pré-camada sobre o filtro junto com a
torta de lodo. À medida que a filtração continua, a lâmina de raspagem avança em direção à
superfície do tambor. A pré-camada pode durar por várias horas ou dias, dependendo das
condições operacionais.

Filtração em correia horizontal.
Filtros de correia horizontal são melhor aplicados a lamas contendo sólidos granulares que forma
tortas rapidamente e têm altas taxas de desidratação. O sistema permite a lavagem contínua da
torta e da correia, minimizando problemas de colmatação. As vantagens deste método sobre os
outros métodos são a simplicidade operacional e o baixo consumo de energia.

Filtração sob pressão.
Filtros prensa do tipo placa e quadro ou placas paralelas consistem de uma série de placas
retangulares arranjadas face a face na vertical. O meio filtrante é disposto sobre a face de cada
placa. As placas são comprimidas e /ou parafusadas para se manterem juntas durante a
desidratação.
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

de contribuir substancialmente para o aumento de volume do lodo, o que acarreta problemas na
desidratação. Os floculantes orgânicos (polieletrólitos) podem ser classificados como: catiônicos,
aniônicos ou não-iônicos. Eles são mais específicos e eficazes, porém são também, mais sensíveis
as alterações de pH e são mais caros.

E Es sp pe es ss sa am me en nt to o o ou u A Ad de en ns sa am me en nt to o

O adensamento ou espessamento é um processo físico de concentração de sólidos e consiste em
basicamente reduzir o volume do lodo, pela redução de sua umidade, o que facilita as etapas
seguintes de tratamento.

As taxas de espessamento dependem:
• propriedades da alimentação,
• concentração de sólidos na alimentação,
• tempo de retenção,
• qualidade requerida na alimentação da desidratação e
• qualidade do sobrenadante requerida para disposição ou reciclo.
Geralmente o espessamento por sedimentação gravitacional ou flotação.
S Se ed di im me en nt ta aç çã ão o

A configuração mais comum é um tanque circular com profundidade de 3 m e diâmetros de 3 - 4,5
m.

As unidades são semelhantes a decantadores primários. Equivale a uma decantação cujo objetivo
principal não é a clarificação do líquido sobrenadante, porém a concentração dos sólidos no fundo.

A eficiência depende muito do lodo. Lodo primário pode ser espessado por gravidade até cerca de
90% de umidade, enquanto lodo misto é de 95 a 92%.O espessamento de lodos orgânicos
(particularmente de lodo ativado) é complicado pela ação anaeróbica. Se a temperatura for
propícia, as bactérias no lodo começam a decompor a matéria orgânica, liberando gases. Isto
acarreta problemas de flotação, impede a compactação e cria odores desagradáveis.

F Fl lo ot ta aç çã ão o O espessamento por flotação é empregado para lamas contendo sólidos que:
•flutuam melhor que decantam,
• têm baixas taxas de decantação ou pobre compactação.
•A maioria dos espessadores por flotação usa a pressurização do reciclo. A alimentação do flotador
é misturada com o reciclo pressurizado na entrada do mesmo. Podem ser retangulares
(usualmente para pequenas aplicações) ou circulares. Ambos os tipos são equipados com
escumadeiras na superfície e raspadores no fundo. As escumadeiras removem o material
flutuante do tanque de espessamento para um reservatório. Os raspadores removem os sólidos
mais pesados que não podem flotar.

E Es st ta ab bi i l l i i z za aç çã ão o
A estabilização visa a atenuar o mau odor no tratamento e manuseio do lodo. Redução de
organismos patogênicos e redução de volume de sólidos voláteis.
A estabilização biológica do lodo, que é praticada com frequência antes da desidratação ou
disposição, pode ser anaeróbia ou aeróbia.
A digestão anaeróbia têm as vantagens de baixo consumo energético e produção de metano.
As bacias de digestão aeróbia, com tempo e retenção de 10 -20 dias, reduzem em até 40 % os
sólidos voláteis.

Na digestão anaeróbia os orgânicos do lodo são reduzidos a CH
4
, CO
2
, NH
3
e H
2
S. O CH4 pode
ser recuperado e aproveitado para geração de energia ou outros propósitos. A digestão depende
da temperatura, na faixa mesofílica (0- 35 ºC), o tempo de digestão é de 20 -55 dias, enquanto
que na faixa termofílica (38 - 60 °C), o tempo é de 15 - 20 dias.

A fase subseqüente é a desidratação ou desaguamento do lodo, que pode ser realizada por
métodos naturais ou mecânicos, tendo como objetivo remover água e reduzir ainda mais o
volume, produzindo um lodo com comportamento mecânico próximo ao dos sólidos.

Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente



Lodos gerados nas ETE’s

O termo “lodo” tem sido utilizado para designar os subprodutos sólidos do tratamento de Estações
de Tratamento de Esgotos ou de Efluentes Industriais.

Nos processos biológicos de tratamento, parte de matéria orgânica é absorvida e convertida,
fazendo parte da biomassa microbiana, denominada de lodo biológico ou secundário, composto
principalmente de sólidos biológicos, por isso é denominada de b bi io os ss só ól li id do o; porém para este termo
ser adotado é necessária uma estabilização do lodo, tornando as características químicas e
biológicas compatíveis a uma utilização, como por exemplo na agricultura.

No Brasil, já temos exemplos concretos da utilização de Biossólido como fertilizante em plantações
de milho em pesquisa realizada pela Embrapa, na região de Jaguariúna SP; porém ainda não
temos uma legislação específica para permitir e normalizar a utilização de biossólido na
agricultura.
T Tr r a at ta am me en nt to o d de e l l o od do o
O gerenciamento de lodo proveniente de estações de tratamento é uma atividade de grande
complexidade, responsabilidade e alto custo, e se for mal executado pode comprometer os
benefícios ambientais e sanitários esperados do sistema. Portanto a gestão do lodo prevê a
redução de sua produção e o aumento máximo da reutilização e da reciclagem.
A arte de gerenciar está em combinar as diferentes soluções possíveis de maneira que resulte
numa seqüência de processos de baixo custo e boa confiabilidade. Se falhar o tratamento, a
disponibilidade de locais de armazenagem se esgotará rapidamente e a eficiência depuradora da
estação fica reduzida pela necessidade de descarregar lodo com o efluente.Todo o esforço feito
para tratar os efluentes líquidos pode ser comprometido por um tratamento inadequado do lodo
gerado nesses processos. O lodo é considerado um resíduo sólido (semi-sólido)
Na estação de tratamento fica retido um lodo aquoso, cuja quantidade pode ser avaliada em cerca
de 1% a 2% do volume total de esgoto/efluente tratado por isso é importante se achar uma
utilização economicamente viável, pois o custo com o lodo pode ficar entre 20% e 60% do total
gasto com a operação de uma estação de tratamentos.
O lodo biológico produzido em unidades (lagoas aeradas, lodo ativado ) tem um teor de sólidos de
0,5 - 1,5 % após descarga do decantador secundário. Espessamento é essencial para reduzir este
volume antes das operações de desidratação. Se o tratamento primário produz um volume de lodo
muito maior que o do tratamento secundário, os lodos podem ser misturados e desidratados
juntos. Contudo, são frequentemente mantidos separados para um melhor controle da
desidratação e disposição.

Os lodos primários variam amplamente em densidade, estabilidade química e biológica,
solubilidade, toxidez e tamanho de partícula. Já o lodo secundário, é geralmente semelhante para
todas as indústrias.

O lodo primário removido do decantador tem cerca de 97% de umidade.

Quantidade de Lodo
A quantidade de lodo produzida por uma estação assim como as características físicas e químicas
deste lodo dependem diretamente: do tipo de ação, ou melhor, da seqüência de processos
unitários empregados no tratamento como um todo.
P Pr ré é- -t tr ra at ta am me en nt to o
Coagulação química (condicionamento químico) O condicionamento é um processo de preparação
de lodo, através da adição de produtos químicos (coagulantes e polieletrólitos) para aumentar sua
aptidão a desidratação e melhorar a captura de sólidos nos sistemas de desidratação do lodo.

A maioria dos lodos requer um condicionamento químico anterior ao espessamento e desidratação.
A adição de coagulantes químicos facilita a coalescência das partículas mais finas do lodo
melhorando sua filtração. Os coagulantes mais comuns são o cloreto férrico, cal e polieletrólitos.

Coagulação química (condicionamento químico ) Os coagulantes inorgânicos são amplamente
utilizados e, na maioria dos casos, capturam com eficiência os colóides. Eles têm a desvantagem
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

As normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) cobrem bastante bem as
definições dos resíduos e os cuidados com o seu manuseio, transporte e estocagem. Essas normas
são complementadas pelos documentos federais e estaduais referentes a padrões de emissões
para incineradores, requisitos mínimos para a localização, construção e operação de aterros
industriais e transporte de resíduos.

A legislação ambiental para transporte de resíduos perigosos soma-se àquela referente ao
transporte de substancias perigosas publicada pelo Ministério dos Transportes, sendo que a
atuação dos órgãos ambientais tem se dado em articulação com as autoridades rodoviárias, com
relativo sucesso.






Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

Com relação ao gerenciamento de resíduos sólidos são necessárias, inicialmente, a identificação da
fonte de geração com qualificação e quantificação através da caracterização por amostragem,
análise e classificação. Após essa fase inicial, o procedimento abrange as seguintes etapas:

Medidas preventivas:
• Geração da menor quantidade possível – minimização na geração;
• Segregação em local adequado para evitar a diluição dos materiais pelas águas de chuva e
que fiquem dispostos ao tempo;
• Rótulos e etiquetas para a identificação;
• Separação dos resíduos entre si, para evitar a contaminação dos menos perigosos com os
outros e para que não ocorram reações químicas entre os diferentes materiais.

Medidas corretivas
• Identificação do tipo de tratamento a ser utilizado. As diretrizes para o tratamento de
resíduos consiste em :
o Definição de processos de produção, tendo em vista as características qualitativas
e quantitativas dos resíduos resultantes;
o Desenvolvimento dos estudos de tratabilidade para avaliação dos possíveis
tratamentos;
o Conceituação dos processos tendo-se em vista a eficiência de remoção de
poluentes e o impacto que irão provocar ao meio ambiente.

• Identificação das empresas que realizarão serviços de tratamento, análise e transporte;
• Elaboração de um plano de tratamento que é enviado ao Órgão Ambiental, junto com o
laudo de caracterização do resíduo, para que o Órgão emita a autorização;
• Transporte do resíduo por uma empresa devidamente licenciada, que terá a
responsabilidade de encaminhar, junto com o resíduo, a documentação necessária;
• Recebimento do resíduo pela empresa de tratamento, retirada de uma amostra
testemunha e pesagem;
• Tratamento;
• Emissão do comprovante de destinação final do resíduo emitido pela empresa;
• Arquivamento por um período de 5 anos das notas fiscais de transporte e do comprovante
de destinação final do resíduo.

Cada resíduo deve ter o seu gerenciamento desde a fase imediatamente após a geração
até a disposição final, de forma a garantir a minimização de riscos à saúde pública e ao
meio a ambiente.

Cabe ao gerador de resíduos assumir a responsabilidade de assegurar que empresas terceirizadas,
responsáveis pela disposição final, tratamento, compra e reciclagem estejam de acordo com as
normas ambientais vigentes.

Vale salientar que todo o gerenciamento não é definitivo, devendo ser reformulado dependendo
das circunstâncias e das necessidades do momento.

As relações entre países, no que se refere aos problemas ambientais provocados por produtos e
resíduos, têm sido objeto de tratados que visam estabelecer novos padrões nas relações
internacionais. Alguns dos tratados atuais que interferem na questão dos resíduos são:

• Protocolo de Montreal, para controle das substâncias que destroem a camada de ozônio
• A Convenção da Biodiversidade, que regula as condições de acesso a recursos biológicos
entre os signatários.
• A Convenção da Basiléia, que proíbe a movimentação de resíduos perigosos, entre
fronteiras, para países não participantes da convenção, e estabelece regras para a
movimentação entre os países signatários.

Concluindo, a legislação brasileira para a caracterização e a gestão do problema ao nível de ação
governamental é bastante completa e segue os modelos adotados nos países industrializados, em
especial, EUA e Alemanha, países com os quais os técnicos brasileiros têm mantido maior
intercâmbio no assunto resíduo industriais.

Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente


ESTOCAGEM
∗ definir o local e a capacidade disponível para cada tipo de resíduo;
∗ definir os procedimentos de manuseio entre as áreas de estocagem e tratamento ou
disposição final;
∗ definir o treinamento necessário ao pessoal envolvido;

Os resíduos sólidos deverão sofrer tratamento ou armazenamento adequado preferencialmente no
próprio local de produção e nas condições estabelecidas pelos órgãos responsáveis de controle da
poluição e de preservação ambiental. Entretanto, a maior parte dos resíduos, principalmente
aqueles caracterizados como perigosos são geralmente tratados ou dispostos em locais distantes
do seu ponto de geração, o que necessita de transporte do ponto de geração ao local de
tratamento ou disposição, envolvendo coleta, condicionamento e transporte.

Uma vez havendo a impossibilidade técnico-científica e econômica do tratamento e disposição dos
resíduos sólidos próximos ao local de sua geração, o transporte deve ser feito em veículos
apropriados, compatíveis com as características dos resíduos, atendendo as condicionantes de
proteção ao meio ambiente e a saúde pública.
O transporte de resíduos não perigosos (por exemplo sucatas de ferro, lixo de restaurante, etc.)
não apresenta grandes implicações quanto ao treinamento de motorista e ajudantes, estado de
conservação do caminhão e burocracia com relação aos órgãos ambientais regionais.
Para o transporte de Resíduos Perigosos a indústria é obrigada a seguir uma série de
procedimentos para que se cumpram todas as leis e regulamentações dos órgãos ambientais
envolvidos no transporte deste tipo de material, com relação a documentações, licenças etc. Além
do cumprimento deste procedimento, deve exigir também das empresas transportadoras o seu
enquadramento às normas referentes ao transporte de resíduos perigosos, e atuar como
fiscalizadora, já que a mesma se encontra no papel de co-responsável deste processo.
Os veículos de transporte de carga ou produtos perigosos só poderão transitar por vias públicas ou
rodovias, se preencherem os requisitos de simbologia estabelecidos pela Norma Brasileira. Os
produtos devem estar acondicionados para suportar os riscos de carregamento, transporte,
descarregamento e transbordo. Devem evitar o uso de vias que atravessem ou estejam próximas
de áreas densamente povoadas, de áreas de proteção de mananciais, reservatórios de água ou
reservas florestais e ecológicas para carregamento, transporte e descarregamento de produtos
perigosos. O transporte de produtos perigosos somente será realizado em veículos cujas
características técnicas e estado de conservação possibilitem segurança compatível com o risco
correspondente ao produto transportado.

No caso dos resíduos serem transportados ou terem de ser estocados até terem um tratamento
adequado, eles devem ser cuidadosamente manuseados, coletados e armazenados. O
acondicionamento e/ou estocagem de resíduos pode ser realizado em: tambores, a granel,
caçamba, tanque, fardos, sacos plásticos ou outras formas.

Os veículos de transporte de carga ou produtos perigosos só poderão transitar por vias públicas ou
rodovias, se preencherem os requisitos de simbologia estabelecidos pela Norma Brasileira. Os
produtos devem estar acondicionados para suportar os riscos de carregamento, transporte,
descarregamento e transbordo. Devem evitar o uso de vias que atravessem ou estejam próximas
de áreas densamente povoadas, de áreas de proteção de mananciais, reservatórios de água ou
reservas florestais e ecológicas para carregamento, transporte e descarregamento de produtos
perigosos. O transporte de produtos perigosos somente será realizado em veículos cujas
características técnicas e estado de conservação possibilitem segurança compatível com o risco
correspondente ao produto transportado.

Geralmente o gerenciamento interno é de exclusividade da empresa, mas o externo, muitas vezes,
fica por conta de empresas contratadas, o que dificulta o trabalho da empresa sendo a mesma
responsável por todas as fases. O conhecimento do responsável pela manipulação, remoção,
transporte, armazenamento, disposição e controle dos resíduos sólidos também é indispensável.
Outro fator vital é a questão do cumprimento da legislação pertinente e dos objetivos traçados
pela empresa, para assegurar esse programa de gerenciamento.
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente










Em se tratando de um resíduo industrial, a fonte geradora geralmente conhece a composição e a
quantidade dos seus resíduos, no entanto, o gerenciamento desse tipo de resíduo pode ser
bastante problemático. Uma vez que a geração dos resíduos industriais é diretamente dependente
das ações de minimização praticadas pelas indústrias, demonstra que o início do Gerenciamento de
Resíduos Sólidos começa antes da geração.

Na Agenda 21, os programas considerados importantes para o equacionamento da poluição por
resíduos perigosos (RP) são:
• Promover a minimização da geração de RP
• Promover e fortalecer a capacitação institucional para o gerenciamento de RP
• Promover e fortalecer a cooperação internacional para o gerenciamento da movimentação
de RP entre fronteiras
• Impedir o tráfico internacional ilegal de RP

Também faz parte do gerenciamento, o coleta, classificação, segregação, armazenagem,
transporte, reciclagem, bolsa de resíduos, levantar as alternativas de tratamento e disposição final
destes, considerando aspectos de treinamento de pessoal, manuseio e procedimento de
emergência, dentro de critérios de garantia da proteção ambiental e da saúde pública. Além disto,
se necessário, realizar um processo de recuperação dos locais contaminados pela disposição
inadequada.
As áreas e as formas de armazenamento deverão ser previamente submetidas ao órgão ambiental
para apreciação e parecer. O local para o armazenamento de resíduos deverá estar situado a
distâncias mínimas de residências, hospitais, clínicas, centros médicos, de escolas, clubes
esportivos e de outros equipamentos de uso comunitário, de rodovias, vias de acesso público e
corpos d’água. Os procedimentos de coleta e estocagem a serem seguidos são:

COLETA
∗ definir os equipamentos adequados para coleta e segregação dos resíduos sólidos;
∗ definir os locais para os recipientes para coleta e para segregação;
∗ descrever o processo de transporte;
∗ descrever o processo de manuseio;
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

IV – Serviços de Saúde e Hospitalar – constituem os resíduos sépticos, ou seja, aqueles que
contêm ou potencialmente podem conter germes patogênicos, oriundos de locais como hospitais,
clínicas, laboratórios, farmácias, clínicas veterinárias, postos de saúde etc. Estão também nessa
categoria os resíduos assépticos destes locais, constituídos por papéis, restos da preparação de
alimentos, resíduos de limpeza gerais e outros materiais.
V - Portos, Aeroportos e Terminais Rodoviários e Ferroviários – constituem-se de materiais de
higiene, asseio pessoal e restos de alimentos;
VI – Industrial – aquele originado nas atividades dos diversos ramos de indústria como a
metalúrgica, química, petroquímica, papeleira, alimentícia etc. O resíduo sólido industrial é
bastante variado, podendo ser representado por cinzas, lodos óleos, resíduos alcalinos ou ácidos,
plásticos, papéis, cerâmicas etc.
VII – Agrícola – são resíduos sólidos das atividades agrícolas e da pecuária. Incluem embalagens
de fertilizantes e defensivos agrícolas, rações, restos de colheita etc.
VIII – Entulho – são os resíduos da construção civil, composto por materiais de demolições, restos
de obras, solos de escavações diversas etc.

D’Almeida et al (2000) indica ainda a responsabilidade pelo gerenciamento dos resíduos descritos
acima e ilustrados na Tabela 1:

Tabela 1 – Responsabilidade pelo gerenciamento dos resíduos
Origem do resíduo Responsável
Domiciliar Prefeitura
Comercial Prefeitura
1

Público Prefeitura
Serviços de Saúde Gerador (hospitais, etc)
Industrial Gerador (indústrias)
Portos, aeroportos e terminais ferroviários e
rodoviários
Gerador (portos, etc.)
Agrícola Gerador (agricultor)
Entulho Gerador

1
A Prefeitura é responsável por quantidades pequenas, geralmente inferiores a 50kg, de acordo
com a legislação municipal específica. Quantidades superiores são responsabilidade do gerador.


O levantamento das quantidades de resíduos industriais é feito utilizando a metodologia dos
inventários, que consistem em questionários enviados as indústrias consideradas potencialmente
importantes como geradoras de resíduos.

Gerenciamento dos resíduos sólidos

No vigésimo primeiro capítulo da Agenda 21, estão estabelecidas as diretrizes para o
gerenciamento dos resíduos sólidos de forma compatível com a preservação ambiental.

Um novo estilo de vida, com mudanças nos padrões de consumo, nos padrões de
produção e de geração de resíduos se impõe para a humanidade. O estabelecimento
desses novos padrões comportamentais e culturais depende de um trabalho de educação
e conscientização e deve ( deveria) ser tarefa da atual geração e das próximas, na
construção de um novo modelo de mundo.

A Agenda 21 define áreas-programa que permitem o estabelecimento de uma estratégia de
gerenciamento de resíduos sólidos compatível com a preservação do ambiente.

Minimização da produção de resíduos, Maximização de práticas de reutilização e reciclagem
ambientalmente corretas, Promoção de sistemas de tratamento e disposição de resíduos
compatíveis com a preservação ambiental, Extensão da cobertura de coleta dos serviços de coleta
e destino final.



Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente



Segundo D’ALMEIDA ET AL, 2000 (IPT), resíduo sólido, pode ser classificado como:

I – Domiciliar – aquele originado na vida diária das residências, constituídos por restos de
alimentos, produtos deteriorados, jornais, garrafas, embalagens em geral, papel higiênico, dentre
outros, além de alguns resíduos considerados tóxicos.
II – Comercial – aquele originado nos diversos estabelecimentos comerciais e de serviços, como
supermercado, lojas, bares, restaurantes etc. O lixo destes locais tem grande quantidade de papel,
plástico e embalagens diversas.
III – Público – aquele originado dos serviços de limpeza pública urbana, incluindo-se todos os
resíduos de varrição das vias públicas; limpeza das praias; limpeza das galerias, córregos e
terrenos; restos de poda de árvores, corpos de animais etc. Inclui-se também nessa categoria os
resíduos da limpeza de áreas de feiras livres, constituídos por restos de vegetais diversos,
embalagens etc.
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente


Resíduos classe IIA – Não inertes: Aqueles que não se enquadram nas classificações de resíduos
de classe I ou classe IIB. Aqueles que podem ter propriedades, tais como: biodegradabilidade,
combustibilidade ou solubilidade em água.
Resíduos classe IIB – Inertes: Quaisquer resíduos amostrados de uma forma representativa,
segundo a NBR 10.007, que submetidos a um contato estático ou dinâmico com água destilada ou
deionizada, à temperatura ambiente, conforme NBR 10.006 (Solubilização) não tiverem nenhum
de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de
água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor (anexo G).
As decisões técnicas e econômicas em relação a todo o gerenciamento dos resíduos sólidos
(manuseio, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte e disposição final), deverão
estar fundamentadas na classificação dos mesmos. Contudo essa identificação é bastante
complexa em determinados casos, e são poucos laboratórios que realizam este serviço.

A amostragem do resíduo é uma operação fundamentalmente importante, como já foi dito
anteriormente existe uma norma a NBR 10007 que orienta sobre a forma de se realizar um
processo de amostragem, porém quanto mais heterogêneo é o resíduo, mais crítica é a sua
amostragem.

Realizar uma determinação das características de resíduos que possa ser considerada
representativa não é tarefa simples e depende de um bom programa de amostragem e da correta
preparação das amostras.

A ausência de uma padronização nos métodos de determinação das características fisico-químicas
e microbiológicas dificulta a comparação de resultados e é, atualmente, um dos problemas da
discussão entre especialistas na área de resíduos.




Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

Resíduos Classe I – Perigosos

Esses resíduos apresentam periculosidade, característica que função de suas propriedades físicas,
químicas ou infecto-contagiosas, pode apresentar riscos à saúde pública e ao meio ambiente
quando manuseados e destinados de forma inadequada.

Resíduos sólidos que constem nos anexos A ou B ou que apresentarem pelo menos uma das
características quanto a inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade.

Por exemplo, um resíduo é: Reativo (...) se possuir em sua constituição CN
-
ou S
2-
em
concentrações maiores que 250 mg de HCN liberável/kg de resíduo ou de 500 mg de H
2
S
liberável/kg de resíduo. Patogenico: (...) se contiver ou houver suspeita de conter
microrganismos patogênicos, proteínas virais, ADN ou ARN recombinantes, organismos
geneticamente modificados, plasmídios, cloroplastos, mitocôndrias ou toxinas capazes de produzir
doenças em homens, animais ou vegetais.

Listagem 1 - Resíduos perigosos de fontes não
específicas
Indústria Código Resíduo perigoso Código de
periculosidade
Genérica F 001 Os seguintes solventes
halogenados gastos utilizados
em desengraxe:
tetracloetileno, ..........e
fluocarbonos clorados e lamas
provenientes da recuperação
(T)
F015 soluções exauridas de banhos
contenho cianeto provenientes
das operações de extração de
metais de minérios.
(R,T)


Listagem 2 - Resíduos perigosos de fontes
específicas
Indústria Código Resíduo perigoso Código de
periculosidade
K048 Sobrenadante de separadores
tipo DAF, nas indústrias de
refinação de petróleo
(T) Refino
de
petróleo
K049 Sólidos da emulsão de óleo
residual da indústria de
refinação de petróleo
(T)


É importante frisar que todo material em contato com resíduo perigoso fica contaminado
e passa também a ser considerado como resíduo perigoso.

Qualquer outro resíduo que se suponha tóxico e que não conste nas listagens da norma, deverá ter
sua classificação baseada em dados bibliográficos disponíveis.
Gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos e industriais.
Prof. Denize Dias de Carvalho
Engenharia do Meio Ambiente

R RE ES SÍ ÍD DU UO OS S S SÓ ÓL LI ID DO OS S

“A questão dos resíduos sólidos é atualmente, um dos temas centrais para aqueles que
se preocupam com ambiente na perspectiva de garantir a existência das gerações
futuras”.

D DE EF FI IN NI IÇ ÇÕ ÕE ES S

Primeiramente, devemos conceituar a palavra resíduo, uma vez que este inclui não apenas os
materiais sólidos, mas também inclui outros tipos de materiais de diferentes estados físicos, além
de uma variedade de significados.

É usual na área ambiental, utilizar a palavra resíduo associando a idéia de materiais sólidos ou
semi-sólidos, como também se associa efluentes com materiais líquidos e emissões com materiais
gasosos.

Além disso, o termo resíduos sólidos (urbanos) é tido praticamente como sinônimo de lixo e é
usado de forma geral pela população.

Segundo SABETAI CALDERONI (1998), o conceito de lixo e de resíduo pode variar conforme a
época e o lugar. Depende de fatores jurídicos, econômicos, ambientais, sociais e tecnológicos. Para
alguns lixo está associado ao poder público e resíduo ao setor industrial. Para Calderoni resíduo é
um material que tem valor comercial, e lixo é um material descartado que não tem valor
comercial.

Culturalmente, podemos definir resíduo sólido como o conjunto de produtos não aproveitados
oriundos de atividades humanas - doméstica, comercial, industrial, de saúde entre outros tipos, ou
gerados pela natureza, como folhas, terra etc.

TCHOBANOGLOUS et al, 1993 considera que resíduo sólido engloba todo o material sólido e
semi-sólido que o possuidor não mais considera valioso a ponto de retê-lo. Já segundo o
HANDBOOK OF ENVIRONMENT CONTROL; SOLID WASTE (1973), compreende-se por
resíduos sólido “todo material sólido putrescível, combustível, rejeitado pelas atividades industrial,
comercial, agrícola e da comunidade; aí não estão incluídos, porém, os materiais sólidos
dissolvidos no esgoto domésticos ou resíduos industriais aquosos”.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) editou um conjunto de normas para
padronizar, a nível nacional, a classificação dos resíduos:
NBR 10.004 - Resíduos Sólidos
NBR 10.005 - Lixiviação de Resíduos
NBR 10.006 - Solubilização de Resíduos
NBR 10.007 - Amostragem de Resíduos

A NBR 10.004 Resíduos Sólidos – Classificação (ABNT/04) define resíduos sólidos como:
resíduos no estado sólido e semi-sólido que resultam de atividades da comunidade de origem:
industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos
nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em
equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas
particularidades tornem inevitável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d’água,
ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia
disponível.

A NBR 10.004 classifica os resíduos sólidos segundo o grau de periculosidade, em duas categorias:
Classe I – Perigosos, Classe II – Não Perigosos (Classe IIA – Não Inertes e Classe IIB – Inertes)

Obs: Os resíduos radioativos não são objeto desta Norma, pois são de competência exclusiva da
Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).