Trabalho curso de Direito Matéria: Ética Tema: A Ética do Magistrado Professor: Bernardo Aluno: Paulo Roberto Santos Turma

: 5º AN

e deduz tanto o fim quanto os meios. O valor redireciona os estudos da ética superando as duas posições na medida em que o valor tornou-se o problema central da filosofia. Não é demais salientar que a ética pode ser entendida como expressão de idéias dominantes. tanto na política quanto no direito. adquirindo sentido genérico. à qual se subsumem a moral. que significa modo de ser. o certo é que se põe sempre como uma instância superior. como seriam o desejo do prazer ou do útil. Para Miguel Reale diferentemente de alguns juristas a ética tem por fim determinar os valores fundantes do comportamento humano. caráter. ética dos motivos ou fatores determinantes da ação. não obstante. inerentes à natureza espiritual do ser humano. na qual se pode ter em vista tanto a realização de regras morais. Nem se deve olvidar que a experiência moral tem como conseqüência o dever de moralidade. Cabe ponderar que a palavra ética veio. aos poucos. que não se confunde com o de legalidade. à política e ao direito. por seu . como jurídicas ou políticas. quando é indispensável. Alguns pensadores já não entendem assim. enquanto que outros os consideram modelos alcançados pela espécie humana ao longo da experiência histórica. o direito. grupos. correção ou integridade. da natureza do homem. a moral e o direito: ambas tratam de normas. poder-se-ia afirmar que a ética é a parte da filosofia que tem por objeto os valores que presidem o comportamento humano em todas as suas expressões existenciais. que se leve em conta. a necessidade de um vínculo estreito entre a ética e a teoria do direito é determinada pela proximidade do objeto que estudam essas duas ciências. os quais corresponderiam a momentos ou formas subordinadas de agir. Isto posto. Para eles valores éticos fundamentais seriam inatos. a qual se contenta com a adequação da conduta à norma legal. Existem diversas teorias sobre o conceito de ética: Ética dos fins ou meios. para que haja justiça concreta. Na primeira concepção leva-se em consideração que a ciência dos fins a que a conduta dos homens deve dirigir-se e dos meios (móvel. três espécies de normas éticas. ou então ser vista como o resultado de motivos os mais diversos. bem mais extenso do que lhe foi atribuído por Aristóteles. Daí a sua preeminência em relação à moral. lealdade. Destarte a moral encontra o seu apoio na opinião pública e. A outra a que a considera como a ciência do móvel da conduta humana e procura determinar tal móvel com vistas a dirigir ou disciplinar a mesma. É porque Direito e moral se relacionam como normas de comportamento das pessoas e dos grupos. o Direito pressupondo uma força coercitiva do Estado que não teria sentido sem um aparato capaz de obrigar as pessoas a observar as suas normas. motivo) para atingi-los. segundo um critério de Bem e de Justiça. Podemos observar que o jurista Miguel Reale da à ética um sentido lato. comunidades. na vivência da sociedade civil. e a política como ciência e arte do governo dos povos à luz do princípio de cidadania. na sociedade considera-se moral quem segue as normas da moral sem influência extra alguma. Muito embora possa ela ser compreendida sob vários ângulos. o primeiro a estabelecer os fundamentos essenciais dessa matéria. como ciência das relações sociais de natureza bilateral-atributiva.A ÉTICA E O MAGISTRADO A palavra "ética" como sabemos provém do grego "ethos". como teoria das normas de conduta que emergem dos usos e costumes. ou seja. o que emerge de normas morais como exigência de boa fé.uma vez reconhecidos os valores fundantes do comportamento humano – todos os mortais se subordinem a eles. como a de pessoa ou a de liberdade. A Ética busca aquilo que é bom para o indivíduo e para a sociedade. de tal modo que . Sendo assim. nações. A Ética não aparece de forma espontânea ela é fruto de um esforço do espírito humano para estabelecer princípios que guiem a conduta das pessoas. O Bem e a Justiça constituem uma busca.

• Balança . Na magistratura. São os seguintes os símbolos da Justiça: • Espada . significa o desejo de nivelar o tratamento jurídico de todos por igual. O Direito não abrange todo o campo do comportamento das pessoas. a igualdade das decisões aplicadas pela lei. não poderia ser diferente. Nem toda norma jurídica relaciona.simboliza a força. fiel ao patrocínio dos direitos do seu cliente. Seja o profissional da enfermagem ético tratando com respeito o corpo do enfermo. zelo. sem nenhuma distinção. com a evolução da humanidade. Há que se dizer que a imagem original não comportava tal venda. A função de magistrado é uma função sagrada.se com a moral.. Tem o propósito da imparcialidade e da objetividade.Sendo assim toda profissão tem sua ética.. Podemos esclarecer que o Direito sem a balança para pesá-lo é força bruta e irracional. É a afirmação de que todos são iguais perante à lei. regra e aquilo que a razão dita e a coerção para alcançar tais determinações. Seja o advogado ético.Pode ser interpretada como a necessidade de não deixar que nenhum pormenor relevante para a aplicação da lei seja desconsiderado. no entanto. Da mesma forma que a ausência da venda nos olhos lhe retira a imparcialidade. • Deusa de olhos vendados . o Direito sem a espada para obrigar sua aplicação é fraco. Portanto. o equilíbrio. honestidade etc. Toda profissão exige que o seu ocupante exerça as suas atribuições com muito esmero. A diferença está na coerção ou o tipo de coação: estatal ou social.Usualmente uma imagem da deusa romana Iustitia. Seja o motorista reservado quanto ao que ouve dentro do carro quando transporta seus clientes. Os símbolos que representa a Justiça são imagens alegóricas que são utilizadas e difundidas como representações da Justiça ou de sua manifestação. por obra dos alemães.coragem. para que julguem o povo com . elucidam o disposto clara e evidentemente. É desta forma que o Magistrado deve agir se valendo destas alegorias o que torna não o magistrado mas a Magistratura que uma profissão sendo que a ética do Magistrado é mais que uma Ética profissional. Seja o médico ético servindo à vida e procurando minorar o sofrimento humano. Daí a advertência do Profeta Isaías: “Estabelecerás juízes e magistrados de todas as tuas portas. julgar o certo é o errado a fim de que.simboliza a equidade. • Deusa de olhos abertos e sem venda .convencimento íntimo. até porque estamos falando de homens que laboraram o direito de decidir. de forma justa e com equidade possam emitir veredito de forma equilibrada da mesma forma que é reapresentado o simbolo máximo desta ciência. Vamos citar alguns exemplos. que corresponde à grega Diké. esta se faz presente até hoje. Seja o comerciante ético cobrando o justo preço pelas mercadorias que vende. a ponderação. dedicação. uma vez que seus olhos estão vendados. ordem. Cada um deve completar o outro para que a Justiça seja a mais justa possível. avaliar o julgamento de todos os ângulos.

O juiz é respeitado na medida em que é digno. 5) A humildade. a preguiça causa muitos danos às partes. Julgar é um ato de razão. Se o juiz de futebol deve ser criterioso ao marcar faltas. O humanismo pode diminuir esse abismo. Para os advogados. Deve o juiz fugir do vício de utilizar uma linguagem ininteligível. reto. A rigor. Uma toga moralmente manchada envergonha. Diante do juiz. as testemunhas. O magistrado deve tratar as partes. ter boa educação no cotidiano é o mínimo que se pode exigir dele. Finalmente e felizmente podemos afirmar categoricamente que estes homens (magistrados) não são deus do Olimpo. a Lei Orgânica da Magistratura prevê este dever. a imparcialidade é inerente à função de julgar. A todos.retidão de Justiça”. O juiz desonesto prostitui seu nome e compromete o respeito devido ao conjunto dos magistrados. 6) O humanismo. O juiz há de ter a arte de unir razão e coração. o juiz tem o dever de justificar-se perante as partes. fraterno. Jamais o dinheiro pode poluir suas mãos e destruir seu conceito. necessitamos de normas para que estas condutas sejam respeitadas. de compreender as razões que justificam as decisões judiciais. A preguiça é sempre viciosa. até mesmo pela condição da natureza humana. com um linguajar que não roube dos cidadãos o direito. esperando. por si só. os serventuários e funcionários com extrema cortesia. Lamentavelmente. de nada vale. 10) O juiz deve ser honesto. O ofício do juiz exige dedicação. Peço perdão às pobres prostitutas por usar o verbo prostituir. Neste diapasão citarei alguns princípios que suponho devam orientar a ética do magistrado: 1) A imparcialidade. o autoritarismo são atitudes que deslustram o magistrado. Todos devem ser vistos e tratados como seres humanos. O juiz não é o responsável por esse desacerto mas. mas até que pode ser tolerada no comum dos mortais. . 3) A pontualidade. essas mesmas atitudes são absolutamente inaceitáveis quando partem de um magistrado. por mais complexas que sejam. 9) As decisões dos juízes devem ser compreendidas pelas partes e pela coletividade. Nada de proteger ou perseguir quem quer que seja. quando são assumidas pelo cidadão comum. 4) A urbanidade. de modo que o cidadão se sinta pessoa. A toga tem um simbolismo. no que depende dele. deve esforçar-se para que as causas não contem tempo por quinquênio ou decênio. o juiz devia sentenciar de joelhos. Tenha o juiz consciência de sua pequenez diante da tarefa que lhe cabe. É certo que há um acúmulo muito grande de processos na Justiça. probo. 8) A função de ser juiz não é um emprego. A virtude da humildade só engrandece o juiz. mas a toga. indistintamente. assim como não o são os advogados ou a parte que se encontra com o seu "maior e melhor direito". É perfeitamente possível decidir as causas. esperando. como verberou Rui Barbosa. quão mais imparcial deve ser o Juiz de Direito que decide sobre direitos da pessoa. é empréstimo de um poder divino. 2) O amor ao trabalho. raciocínio e sentimento. devem-se respeito e dignidade. A prepotência. O juiz é um servidor da sociedade. Atitudes que podem ser compreendidas. mas é também um ato de coração. no início de uma audiência. O juiz deve ser humano. cordial. numa hipótese como esta. esperando. o zelo pelo cumprimento dos prazos. que lhes cabe. Não é pela petulância que o juiz conquista o respeito da comunidade. A sociedade exige dos magistrados uma conduta exemplarmente ética. No caso dos magistrados. Somente com o suplemento da Graça Divina pode um ser humano julgar. a arrogância. Deve compreender que a palavra pode mudar a rota de uma vida transviada. a norma está na Lei 8906/94. em vez de enaltecer. 7) Razão e coração. Não pode achar que é natural deixar os cidadãos plantados numa sala contígua. O juiz é o fiel da balança. Julgar é missão. Se por qualquer razão ocorre atraso. ou anular gols. tão pessoa e ser humano quanto o próprio juiz. perdoadas ou minimizadas. lógica e amor. o cidadão comum sente-se pequeno. Na magistratura.