A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso

Dezembro/2013

A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso
Fabiane Castro Lopes de Paula - fabianecastro@hotmail.com Pós-Graduação em Iluminação e Design de Interiores Instituto de Pós Graduação – IPOG Goiânia, GO, 5 de Abril de 2013 Resumo Este artigo tem como tema a luz natural, entendida por alguns estudiosos como uma dimensão da própria arquitetura, e tem por objetivo avaliar como a mesma é utilizada pelo arquiteto e percebida pelo usuário nos edifícios de caráter religioso. Através de revisões bibliográficas, apoiadas em referencial teórico, foram apresentados uma breve reflexão sobre a percepção do espaço através da luz natural e uma retrospectiva da arquitetura religiosa desde a antiguidade até a arquitetura moderna, considerando aspectos através dos quais a luz do dia se apresenta diante dos olhos e transmite ao homem a noção do sagrado, do local de culto, através do espaço edificado. Foram analisados também três exemplos de projetos significativos: a capela de Romchamp, de Le Corbusier, a Catedral de Brasília, de Oscar Niemeyer e a Igreja da Luz, de Tadao Ando, com o objetivo de ilustrar a maneira como o arquiteto influencia a interação entre o homem e o edifício através da utilização da luz natural. Concluiu-se que, mesmo partindo de um mesmo pressuposto, a luminosidade dramática associada ao uso religioso, o arquiteto pode chegar a soluções as mais diversas possíveis, transmitindo de forma peculiar, através da arquitetura, a espiritualidade e o sobrenatural. Palavras-chave: Luz natural. Percepção do espaço. Edifícios religiosos. 1. Introdução Nossas vidas estão intimamente ligadas à luz. Literalmente, não podemos viver sem ela. É uma das forças básicas e imutáveis da natureza. Na visão de Millet (1996), a luz é um elemento primário, que anima a vida na terra. A criação do espaço é feita através da luz e a luz é necessária para a percepção desse mesmo espaço. O espaço só pode ser compreendido através da visão e a visão só existe pela ação da luz, que é o elemento orientador da vivência humana. A luz não pode ser tratada como um elemento a parte do projeto arquitetônico, mas como uma nuance da arquitetura. Tem o poder de realçar volumes, evidenciar texturas, conduzir o olhar, influenciar a percepção do espaço edificado e transmitir uma mensagem. “É a luz que produz a sensação de espaço. O espaço é aniquilado pela obscuridade. A luz e o espaço são inseparáveis. Se a luz é suprimida, o conteúdo emocional do espaço desaparece, tornando-se impossível de perceber”(GIEDION, 1986:467). Para Millet (1996), a arquitetura depende da luz. Da mesma maneira como a luz revela as formas arquitetônicas e os espaços produzidos por ela, ela simultaneamente revela o significado e as intenções que são liberadas através do processo de concepção, projeto e
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A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso

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construção. Segundo o Manual do Curso Iluminação, Conceitos e Projetos, um dos objetivos da iluminação é
a utilização da luz como principal instrumento de ambientação do espaço – na criação de efeitos especiais com a própria luz ou no destaque de objetos e superfícies ou do próprio espaço. Este objetivo está intimamente associado às atividades não laborativas, não produtivas, de lazer, estar e religiosas – residências, restaurantes, museus e galerias, igrejas etc. É a luz da emoção (OSRAM, 2012).

É sobre a luz da emoção, que influencia comportamentos, que queremos refletir, buscando entender e exemplificar como, através da sua interação com a arquitetura, se faz a ponte entre o concreto e o abstrato, a conecção entre o material e o espiritual, criando uma atmosfera propícia à introspeccção e o recolhimento inerente ao ato de cultuar. 2. Percepção do espaço: a luz e a arquitetura Segundo Lima (2010), a percepção pode ser definida como a função psíquica que permite ao organismo, através dos sentidos, receber e elaborar a informação proveniente do seu entorno. Entre os fatores que influenciam na percepção de um determinado objeto estão os estímulos sensoriais, a localização do objeto no tempo e no espaço e a influência das experiências prévias dos sujeitos, tais como a cultura e a educação. A percepção da luz ocorre, da mesma forma, a partir das características fisiológicas, dos aspectos históricos e culturais, e da memória pessoal. Um exemplo de como os estímulos sensoriais influenciam no processo perceptivo está na percepção de espaço da pessoa com deficiência visual, que se dá a partir do apoio fundamental das informações táteis e sonoras, em uma “visão” de mundo muito particular. A mensagem transmitida pela luz natural só pode ser percebida e só pode influenciar a percepção do espaço edificado naquele que vê, pois se revela através da visão e de nenhum outro sentido. “A percepção é uma atitude de extremo refinamento que recorre aos depósitos de informação da memória” (LIMA, 2010:25). A atividade cerebral se utiliza de sutis classificações e comparações, tomando uma série de decisões até que os dados armazenados através dos sentidos se convertam em uma percepção consciente do espaço edificado. O estado emocional do indivíduo afeta o processo receptivo, assim como seus valores éticos e morais, sua herança cultural, sua personalidade e suas experiências individuais. Hopkinson (1969), afirma que aquilo que vemos depende não somente da qualidade física da luz ou da cor presente, mas também do estado de nossos olhos na hora da visão e da quantidade de experiência visual da qual temos de lançar mão para nos ajudar em nosso julgamento. “O processo de ver depende também da mente que interpreta os estímulos luminosos, porque o ser humano olha o tempo todo, mas realmente vê somente aquilo que sua mente está interessada em assimilar. Sua experiência de vida, desejos e aversões influenciam

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afrouxam sua tensão e injetam corporalidade no espaço geométrico”. mas da mente que a interpreta. relevos.Goiânia . Tadao Ando em Furuyama (1997:12). seus espaços. a luz revela experiências. Assim. 1996:3). estimulam e inspiram nossa consciência e transformam o espaço uniforme em espaço dramático”. aspecto especial da luz simbólica. esculpindo-a. afirma que “luz e sombra concedem movimento. criando uma atmosfera de recolhimento. No caso do edifício. Na visão de Millet (1996). 2007:8). surgindo dentro de espaços que apresentam simplicidade das formas. A luz simbólica representa frequentemente algo imaterial e a luz divina. como a luz. estabelecendo relações entre a luz e os elementos arquitetônicos envolvidos. Planos diferenciados. esses fatores fazem com que o arquiteto. afeta a orientação espacial e provê orientação. uma vez que a percepção do espaço edificado é dependente da relação que a mesma estabelece entre a estrutura. de acordo com o aspecto conceitual que assume. um espaço ou um evento. texturas e materiais resultam em superfícies que se acentuam e se diferenciam através de gradientes de luminosidade (TRAPANO e BASTOS. aquilo que vemos depende não só da imagem que é focada na retina. suas formas e seus significados. pois a sua hierarquia acentua a identificação de zonas distintas em um mesmo local. revela o espaço. de introspecção. no melhor dos casos. arquitetura revela a luz ” (MILLET. De acordo com Lima (2010:109). A relação entre cada parte no todo é importante para informar à nossa percepção a construção visual do lugar. um local específico ou uma determinada atividade. ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG . ondulações. na medida em que pode nos conectar com uma época. A luz teatral dramatiza um cenário. uma vez que define limites entre interior e exterior.01/2013 –dezembro/2013 .A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 no ato de visualizar o que o rodeia” (BARNABÉ. “A luz revela a arquitetura e. representa o Deus. e revela significados. depressões. Segundo Trapano e Bastos (2006:69). 2006:68). revela formas. o espaço e as suas características físicas e materiais: uma vez que a arquitetura trabalha com formas. A luz revela a edificação. suas intenções. “fenômenos naturais. A luz metafórica sugere a comparação com outro lugar ou conceito. a partir da sua própria bagagem cultural e sensorial imprima no ambiente edificado a sua própria forma de ver e sentir o espaço. A luz pode definir diferentes setores no espaço construído. “a iluminação tem a faculdade de mudar a percepção que temos de um objeto”. A luz contemplativa valoriza a escuridão. a penumbra. da mesma maneira que a arquitetura será capaz de nos revelar a luz.6ª Edição nº 006 Vol. de acordo com a maneira como interage com os materiais e os aspectos estruturais do edifício. A luz é importante enquanto elemento arquitetônico. delimitando caminhos e diferenciando as funções do lugar. a percepção destas formas será revelada pela luz. ao mesmo tempo em que fazem com que cada usuário perceba o espaço de formas diferentes a partir da sua própria história particular.

À medida que se avançava pelo edifício. A sala principal. Segundo Monteiro (2009:19). historicamente. os compartimentos iam escurecendo até chegar ao santuário. que era utilizada normalmente para conferências.01/2013 –dezembro/2013 . À medida que se avançava.C. “a sua presença resulta do seu contato com a massa construída”. tem na sua porta de entrada a metáfora da porta para o céu. em Karnak. Para Zonno (2012:1). era geralmente iluminada por uma clarabóia central.C. um dos principais elementos constitutivos da arquitetura religiosa. em Karnak (1530 a.A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 3. Retrospectiva histórica: a luz natural e o espaço religioso Simbolicamente relacionada ao divino desde a Pérsia. sala epístola e santuário.. Figura 1 – Templo de Ammon.6ª Edição nº 006 Vol. O templo Egípcio divide-se em três partes ao longo de um eixo: pátio com colunas. o Egito e em todas as mitologias. 2009:19).C. projetado por Ictino cerca de 450 a. terminando o percurso na célula fechada do santuário. VI a IV) passa a ser utilizada essencialmente como meio de definição da forma. os espaços iam adquirindo dimensões cada vez mais reduzidas. O Parthenon. recebendo a luz nascente. “é na relação poética entre espaço e luz que o significado da arquitetura religiosa é construído nas suas mais variadas manifestações em todos os tempos”.) já apresentava recursos engenhosos de captação da luz natural e dos raios solares.). ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG . a luz tem sido.Goiânia . A luz tinha essencialmente um carácter simbólico. Esquemas de iluminação Fonte: Laboratório de iluminação da UNICAMP (2012:3) A luz natural na Grécia Antiga (Séc. o grande templo de Ammon. em penumbra (MONTEIRO. Orientado a Leste. e ao belo e ao bem em toda a tradição filosófica. tem a intensidade da luz natural no seu interior suavizada pelo ritmo definido pelas suas colunas e sua implantação no sítio permite que o sol da manhã ilumine as estátuas no interior da edificação. No antigo Egito (2780 a.

Não há qualquer sensação de peso agressivo. difusa. Figura 3 – Panteão Romano. O enorme zimbório parece pairar livremente sobre nossas cabeças como uma segunda abóboda celeste (GOMBRICH.C.6ª Edição nº 006 Vol.A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 Figura 2 – Parthenon Grego. “os Romanos trataram o espaço como uma substância a modelar e a articular. através da qual se vê o céu aberto”.. O Panteão Romano não tem janelas. “seu interior é uma gigantesca rotunda com teto em abóboda e uma abertura circular no topo. em Roma por volta de 130 d. mas todo o recinto recebe luz abundante e uniforme do alto. Grandes especialistas na arte de construir abóbodas. A iluminação zenital provê luz abundante e uniforme. Vista interna Fonte: Laboratório de iluminação da UNICAMP (2012:5) ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG . 2009:17). vinda do alto e refletida nas paredes do templo. construíram o Panteão.C. Para Gombrich (1972:82). Conheço poucos edifícios que transmitam semelhante impressão de serena harmonia.Goiânia .).C. 1972:82). Esquemas de orientação solar Fonte: Laboratório de iluminação da UNICAMP(2012:4) Na Roma antiga (I a. de um modo geral. A luz realça formas e relações espaciais sem.01/2013 –dezembro/2013 . ou templo de todos os deuses. ser exaltada ou mistificada” (MONTEIRO. a II d.

que empurrava o homem pela nave..6ª Edição nº 006 Vol.C. Figuras 4 e 5 – Hagia Sophia – vista interna e esquema de iluminação Fonte: Laboratório de iluminação da UNICAMP (2012:9) A arquitetura Românica (Séc. até ao altar. onde um anel de quarenta janelas faz com que a enorme cúpula pareça flutuar. até mesmo. O movimento em direção ao altar.01/2013 –dezembro/2013 . a luz. as igrejas Românicas encerram uma escuridão quase absoluta no seu interior. IX a XIV) exigia paredes maciças com pequenas aberturas para a sustentação da cobertura. Este movimento. dinâmica. e principalmente. ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG . estavam plenos de um sentimento de fé e piedade. tudo transforma. e a importância da luz neste movimento. Colunas de luz que rasgam a escuridão com o objetivo de realçar elementos ou superfícies. símbolo de Cristo. Assim. determina a concepção do espaço interior na igreja Românica. Estes interiores de fraca luminosidade. é fundamental. A luz é utilizada pontualmente para realçar determinadas formas. transformando o altar num espaço focal.. 2009:18). em tudo penetra. desde o pórtico e o nartex. Hagia Sophia reflete “o desejo de traduzir a grandiosidade religiosa e política (. Do alto da arrojada cúpula. ou Sagrada Sabedoria.A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 O primeiro espaço monumental da Cristandade Bizantina (330 a 1453 d.) é Hagia Sophia. iluminado pontualmente (MONTEIRO. a emoção humana (ZONNO 2012:6)..) em uma experiência espacial expansiva. construída em Istambul por volta de 532 d. inundada de luz espiritual ”.C. que em muitos casos só poderiam receber os fiéis à luz das velas. como mística emanação do divino.Goiânia . lugar de transição do exterior para o espaço sagrado.

Dada a natureza religiosa dos edifícios. o espaço por ela penetrado passa a ser o ambiente do sagrado: no período Gótico.A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 Figura 6 – Igreja de São Miguel. Italia (1100 a 1160) – esquema de iluminação Fonte: Laboratório de iluminação da UNICAMP (2012:10) O período Gótico (Séc. sendo conduzido do mundo terrestre ao celeste”. Na visão de Zonno (2012:7).6ª Edição nº 006 Vol. “o efeito dos grandes vitrais somado à verticalidade transmitiria a ideia de que somente através da condução da Igreja o homo fragilis poderia garantir a sua salvação. elemento arrebatador da arquitectura e do seu espaço.01/2013 –dezembro/2013 . De acordo com Lima (2010).Goiânia . mas uma luz modificada pela cor dos vitrais. conferindo à arquitetura o sentido de transparência. o vão se converte em elemento translúcido e colorido. 2009:19). que era comparada a uma luz sobrenatural. Não era uma luz que penetrava no interior com as suas características físicas originais. tornando-se agente transformador da luz. Pavia. a luz natural transformava o espaço físico num lugar espiritual (MONTEIRO. XII a XIV) foi o pioneiro no uso do vidro. Assim. a luz transforma-se num elemento cheio de força e potência. Figura 7 – Vitrais da Catedral de Chartres Figura 8 – interiores da Catedral de São Vito (Praga) ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG .

ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG . A luz natural invade a nave principal a partir de grandes janelas laterais localizadas na parte superior da igreja. construída entre 1506 e 1626. XV a XVI). e por uma luz difusa vinda de cima refletida nas paredes brancas. Durante o Renascimento foi valorizada a luz natural sem filtros. Florença Fonte: LIMA (2010:113) A basílica de São Pedro. Os corredores laterais recebem uma menor quantidade de luz. possui numerosos e intrincados recursos de captação da luz natural vinda do alto. proveniente de janelas pequenas e redondas. se apresentando como um caminho secundário.01/2013 –dezembro/2013 . São áreas destinadas ao recolhimento e à oração. Os nichos reservados às imagens não recebem iluminação natural e são iluminados apenas pelas velas dos fiéis. que destacam o altar como ponto central das atenções e enfatizam as obras de arte.A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 Fonte: Zonno (2012:7) Fonte: Laboratório de iluminação da UNICAMP (2012:12) A iluminação colorida desaparece na Renascença (Séc. O espaço interior é caracterizado pela simplicidade das formas. em Roma. Figura 9 – Interiores da Basílica de São Lourenço. a luz estabelece uma hierarquia entre os espaços. Conforme descreve Lima (2010). em uma atmosfera de enlevo e arrebatamento. na basílica de São Lourenço.6ª Edição nº 006 Vol. ressaltando a magnitude e a grandeza da igreja. que valoriza a luz branca indireta.Goiânia . em Florença. enfatizando o espaço e destacando a sua importância.

A calibração dos seus efeitos começou a ser o produto de uma extrema técnica.6ª Edição nº 006 Vol. ou muitas vezes dissimulada por mecanismos engenhosos que refletindo a luz horizontal a transformavam em luz vertical.01/2013 –dezembro/2013 . XVII). o advento das novas tecnologias trouxe uma grande mudança na forma da utilização da luz. o controle da luz torna-se um dos temas presentes e principais. 2009:21). A luz natural é frequentemente horizontal e captada a grande altitude. O uso do aço e vidro nos sistemas construtivos revolucionou a indústria da construção e as atitudes diante da iluminação natural.Goiânia .A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 Figuras 10 e 11 – Catedral de São Pedro – esquema de iluminação e vista interna Fonte: Laboratório de iluminação da UNICAMP (2012:14) No Barroco (Séc. Ouro Preto (1772 –1776) Fonte: Laboratório de iluminação da UNICAMP (2012:16) Na Arquitetura Moderna (Séc. Luz difusa e luz incidente são minuciosamente trabalhadas e usadas em conjunto (MONTEIRO. Na Arquitetura Barroca. fundindo luz incidente e luz refletida num mesmo cenário espacial. Figura 12 – Igreja Nossa Senhora do Carmo. XX). a luminosidade se torna o ponto central do projeto e tudo passa a ser idealizado através da luz. trazendo consigo a possibilidade de transparência e de abundância de luz. ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG .

ele foi destituído de seu principal símbolo de comunhão. O edifício. 2012:9). Pennsylvania Fonte: ZONNO (2012:9) 4. Com programa simples. Sinai Transparente. A grande. 1954.01/2013 –dezembro/2013 . no outono de 1944. bem definidos em planta. após a guerra.A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 Frank Lloyd Wright elegeu também a transparência e a leveza do vidro para caracterizar o espaço de uma sinagoga nomeada Sinai Transparente (Beth Shalon Sinagogue. manipula as formas para relacioná-las com as condições do lugar. ou mais comumente Ronchamp. A capela de Ronchamp A capela de Notre-Dame-du-Haut (Nossa Senhora das Alturas). no topo de uma colina . o homem se percebe por ela incluído (ZONNO. porém. que parece uma montanha de luz. Segundo Fracalosi (2012). magistralmente.uma área plana. Pennsylvania. Ao analisar o sítio.6ª Edição nº 006 Vol. 1954). com nave principal. foi projetada pelo arquiteto Le Corbusier e construída de 1950 a 1955 em Ronchamp. atingida por um bombardeamento alemão. É como fenômeno de claridade que o potencial significado de vida. sua igreja. pesada e ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG . Figuras 13 e 14 – Frank Lloyd Wright. Tal é a abundância luminosa que. reúne a expressividade das linhas em concreto à leveza do vidro. a sudeste de Paris. sensivelmente.de forma que o movimento da peregrinação foi todo direcionado pela topografia. o edifício é configurado por quatro muros. e Le Corbusier. Para Baker (1998). no local onde existia uma capela neogótica em ruínas. A arquitetura de Wright é um ícone de grandeza e monumentalidade que traduz de maneira forte e impactante a imagem do templo divino como casa da luz. que conformam suas quatro fachadas e representam os quatro pontos cardiais. o sítio de Ronchamp era há muito tempo um lugar de peregrinação que estava profundamente enraizado na tradição católica.Goiânia . o arquiteto situou a capela em um local de fácil visualização . três pequenas capelas e um altar externo para as cerimônias campais. salvação e de presença do próprio Deus que é luz se realiza. a arquitetura adquire expressão através da forma.

com amplos beirais. acima do telhado. e o escorço noroeste. que contém a Virgem. cujos projetos geralmente apresentam ambientes inundados pela luz diurna. espalham uma luz mágica sobre as paredes curvas da ábside. A penumbra da igreja é fendida para raios de luz radiantes que jorram da fissura estreita.. sem beirais. fazendo flutuar a cobertura cujo peso.. Com essa única exceção.) No ângulo formado pela parede do lado sul e a parede do fundo. (. mas que. E o que parecem aberturas do campanário são.. Segundo Fracalossi (2012).6ª Edição nº 006 Vol. onde a luz é mais brilhante (RASMUSSEN. o que primeiro impressiona é o ambiente estar muito escuro. ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG . janelas que não podem ser vistas do interior. é reforçado pelo tom escuro e aparência tosca do concreto armado em contraste com os muros brancos e espessos que a sustentam. uma faixa de luz entra no interior por frestas horizontais no alto. Gradualmente. convidando o acesso à capela e criando os espaços de congregação.A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 sinuosa coberta de concreto armado aparente é o que dá unidade ao conjunto e é o que evidencia os dois escorços -mais que quatro fachadas.Goiânia .) O que do lado de fora parecem torres – duas voltadas para leste e uma para oeste – são vistas do interior como absides. e demarcados pelas três torres das capelas discretamente separadas dos muros adjacentes (FRACALOSSI. na verdade.sob os quais o edifício foi concebido: o escorço sudeste. existe uma fissura estreita do piso ao teto com um arranjo gigantesco de concreto. O próprio piso é como uma paisagem ondulada de lajes de pedra. defronte do altar-mor e da imagem da Virgem colocada bem acima dele. que tem o objetivo evidente de impedir a entrada de luz direta. no espaço externo. (. formado por dois muros côncavos. é muito pouca a luz que penetra no recinto. Le Corbusier. apercebemo-nos das paredes e começamos a notar que superfícies planas e regularidades não serão mais encontradas no interior do que no exterior do edifício. num padrão irregular. atraindo a atenção dos fiéis para o altar e mais para o alto. Mas a luz que penetra é tanta que chega a atrapalhar os fiéis que tentam concentrar-se em suas devoções. 1959:202).. 2012). o espaço e a luz. Um pequeno grupo de bancos sólidos para os fiéis forma um palalelogramo a um lado do recinto. formado por dois muros convexos. em Ronchamp apresenta uma ambientação baseada na penumbra e na iluminação indireta: ao entrarmos na igreja. semelhante a uma tela ou cortina. ampliações recuadas do recinto.01/2013 –dezembro/2013 . Figura 15 – Capela de Romchamp – vista externa Fonte: Fracalossi (2012) A capela de Ronchamp é um magnífico exemplo para compreender a interação entre o observador.

A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 Figura 16 – Capela de Romchamp – vista interna Fonte: Fracalossi (2012) A parede sul. estabelecendo uma nova tipologia. o púlpito e a Madonna emoldurada na parede leste. Ao sentar no interior da capela.01/2013 –dezembro/2013 . com vitrais coloridos pelos quais penetra a luz do sol. compreendendo todo o espaço interno. através das mutações lumínicas. onde a luz do sol é abundante. é quase um consenso que seja citada a capela de Ronchamp. Conforme o pensamento de Rasmussen (1986).6ª Edição nº 006 Vol. como estimula emoções e sensações ao usuário (TEORIA DA ARQUITETURA. que são a principal chave de iluminação da capela. Le Corbusier. com sua variedade de cores e seus contrastes modulando o espaço: A meticulosa exploração da luz transmite uma forte monumentalidade espacial. o significado não é específico. intensificando a aura do lugar. a Catedral de Brasília. criando uma aura de mistério. foi projetada por Oscar Niemeyer e construída entre 1959 e 1970. através desse templo notável.Goiânia . considerando a obra sem os seus elementos sacros. deu uma nova contribuição para a arquitetura e mostrou de maneira impressionante como a luz do dia e sua distribuição constituem um maravilhoso meio de expressão para o artista. propiciando diferentes jogos de luz que se alternam ao longo do dia. É a luz que confere à capela a dimensão espiritual. onde a parede já não é um limite. 5. sente-se um fluxo de luz cuidadosamente direcionado através dos vãos e dos planos inclinados. formando jogos de luz e sombra diferenciados. o interior da capela transforma -se num espaço de projeção. A Catedral de Brasília Parte do conjunto inicial de edifícios que compõem o Eixo Monumental da capital brasileira. mas sim uma fonte de luz que oferece. As composições lineares que as sombras e os raios solares projetam no interior da capela vivificam a atmosfera do espaço. 2010). Segundo Baker (1998). 2010). e a existência é definida por meio da forma e da luz. Quando se fala em arquitetura e iluminação. O edifício possui planta circular de setenta metros de diâmetro. como o altar. O acesso é demarcado por quatro ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG . com espessura superdimensionada. recebeu nichos piramidais com janelas de diferentes formatos e tamanhos. ou Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida. Desta forma. no contraste. com dezesseis pilares de concreto que se inclinam até tocar uns aos outros. baseada na luz e sombra. novos momentos dentro do mesmo espaço (TEORIA DA ARQUITETURA. A luz em constante mudança não só enaltece a arquitetura. tornando assim a percepção do ambiente única. Esse projeto de Le Corbusier diverge dos seus antecessores.

lembrando o pecado. Figuras 17 e 18 – Catedral de Brasília – nave e túnel de acesso Fonte: Zonno (2012:10) Sobre essa solução singular. Com a galeria de acesso em sombra e a nave colorida ela estabelece um jogo. ele ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG .Goiânia . 1992:65). E. como a nave está um nível abaixo do plano de acesso. comenta Niemeyer (1992:36): “evitei as soluções usuais. representando os evangelistas.A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 esculturas. que remetem à obra de Aleijadinho na igreja de Congonhas do Campo.” E ainda: A Catedral de Brasília é um dos prédios que mais me agradam na arquitetura da Nova Capital. “Niemeyer utiliza a luz natural como instrumento de qualificação de espaços e formas. Figura 19 – Catedral de Brasília – croquis de Niemeyer enfatizando o contraste entre a nave e o túnel de acesso Fonte: Muller (2003:19) Para Barnabé (2002:3).6ª Edição nº 006 Vol. Sobre a Catedral. estreita e escura.01/2013 –dezembro/2013 . em Minas Gerais. e esta toda iluminada. ao contrário. e como quesito de forte expressão e significado”. É diferente de todas as Catedrais construídas. voltada com seus belos vitrais transparentes para os espaços infinitos. colorida. se dá através de uma rampa descendente. e. um contraste de luz que a todos surpreendem: cria com a nave transparente uma ligação visual inovadora entre ela e os espaços infinitos (NIEMEYER. em uma galeria subterrânea. as velhas catedrais escuras. fiz escura a galeria de acesso à nave.

De forma semelhante. depois de alguns metros de caminhada. um efeito sensível e dramático como se pode interpretar a partir do croqui do arquiteto. A sensação no interior do espaço sagrado é de expansão e direcionamento ao alto.A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 afirma: “Niemeyer utiliza declaradamente a luz e a sombra como tema materializado em arquitetura. com piso de granito preto. através de um contraste absoluto entre o túnel de acesso descendente escuro valorizando a nave com uma luz manipulada brilhante se ascendendo aos céus (BARNABÉ. recursos tradicionais como nártex. leva-o abaixo para. Para adentrar em tão belo templo. na Catedral de Brasília. escreveu Fabio Muller: A solução dada ao acesso é recurso original que proporciona um dos mais poderosos efeitos plásticos e psicológicos proporcionados pela arquitetura para a experimentação do sagrado em todos os tempos. tendo percorrido a galeria obscura. Zonno (20012:9). as trevas são deixadas no corredor de acesso. o fiel toma contato com o túnel estreito e escuro. Preferi fazer o contrário. por contraste. a matéria arquitetônica transformando-se em elemento imaterial pelo banho de luz celestial. feitas por Ceschiatti. criando uma atmosfera completamente diversa: leve e de enlevo”. 2003:18). 2002:13)”. 1998:106). ao entrar na nave. A sombra representa o terreno e leva ao recolhimento. como matéria prima da arquitetura: ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG . com as coisas espirituais. No comentário de Barnabé (2002). expressa seu pensamento: “produz-se. ao silêncio. postas em eixo perpendicular com a Esplanada. Dessa maneira. a atração pela altura é tão irresistível como em uma ossatura de catedral gótica. 2007:18). Pode-se concluir que. átrio e a própria porta maciça e visível dos templos de antanho. experimentassem. a luz e a sombra são utilizadas declaradamente. para construir túnel subterrâneo que faz gradual e surpreendente aproximação desde fora ao interior do templo. deliberadamente. uma sensação de paz e de esperança (NIEMEYER. no contraste de luz e de cores. para que os fiéis. alegria e transparência. onde uma rampa. Seguindo o caminho ladeado pelas estátuas dos evangelistas. o exterior luminoso e o interior em penumbra (…) que infundem um senso de penitência e de castigo. assim como o concreto e o vidro. descartou.01/2013 –dezembro/2013 . mesmo o espaço sendo configurado de forma diferente” (BARNABÉ.Goiânia . Niemeyer não poderia lançar soluções que declinassem a já comentada unidade interna e externa. prepara para a experiência da luz que inunda a nave – uma ligação com o céu. ficando a nave plena de luz. Nas palavras de Niemeyer: Não desejava repetir o contraste habitual. “Nesse espaço de luz cristalina entremeada por cores.6ª Edição nº 006 Vol. atingir o recinto esplendorosamente transbordante de luz e cor (MULLER. Também sobre o acesso à nave da Catedral. conectada com os céus.

6ª Edição nº 006 Vol. iniciando complexas inter-relações. em outras palavras. ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG . mas se torna continuamente novo. um facho de luz fratura incisivamente a escuridão. O espaço.01/2013 –dezembro/2013 . O espaço nasce. 6. construída quase em sua totalidade em concreto armado com detalhes em vidro. 1997:471). com cada incremento ou mudança de ângulo na penetração da luz. com orçamento bastante restrito. Contudo. enquanto simultaneamente a luz refletida vai e vem entre eles.A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 disso tudo decorre que uma visita à catedral faz permanecer. Na descrição do projeto pelo arquiteto: Preparei uma caixa com grossas paredes de concreto – uma construção da escuridão. condicionando o estado de ânimo das pessoas e sua percepção geral dos ambientes que vivenciam (BARNABÉ. projetada por Tadao Ando. curvar-se ao descer por uma rampa em penumbra. a forma expressiva e as experiências proporcionadas pela manipulação da luz como diretriz de projeto. A simplicidade na proposta simbólica conduz o usuário a refletir sobre o sagrado. Enfim. nunca está amadurecido. tanto em relação à luminosidade quanto aos ambientes mais escuros. foi executada entre 1988 e 1989. chão e teto cada qual intercepta a luz e sua existência é revelada. Então produzi uma fenda na parede permitindo a penetração da luz – sob condições de severa constrição. visualizar uma possibilidade de redenção no final do túnel e entrar em um espaço de luz mágica. A igreja. pertence à Igreja Unida de Cristo no Japão e está situada num subúrbio residencial a 40 quilômetros de Osaka. uma boa iluminação molda e modifica a realidade. DAL CO. Naquele momento. 2007:18). na memória das pessoas. Parede.Goiânia . A Igreja da Luz A Igreja da Luz. Neste espaço de continuo renascimento. as pessoas estarão aptas a evocar as implicações da vida ressonantes (ANDO Apud. o ser das coisas e suas relações são recriadas.

o arquiteto esclareceu que esta só se converte num elemento maravilhoso a partir do momento em que o fundo é totalmente sombrio.Goiânia . Isto através de um singular recorte em uma das superfícies criando o signo simbólico da cruz entre a luz e a sombra”. É o tipo de luz frequente na arquitetura até ao final do Românico. uma vez mais. Para Monteiro (2009:82).A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 Figuras 20 e 21 – Igreja da Luz – vista interna e modelo Fonte: Zonno (2012:14) Para Monteiro (2009). 2012:14). o potencial evocativo do espaço está na visibilidade ou no sentido de presença da luz justamente porque ela irrompe em meio à escuridão. “A Capela da Luz é o exemplo de como Tadao Ando usa a luz natural com uma intenção plástica e simbólica muito forte. diminuindo as aberturas ao mínimo”.01/2013 –dezembro/2013 . “para Ando. “as alterações que a luz sofre ao longo do dia refletem. Já na visão de Zonno (2012:13). a luz que evidencia os objetos ou espaço em que incide. no século XIII. ela mesma um campo de incertezas. segundo a tradição japonesa)”. Na visão de Paiva (2010:72). e desta com a arquitetura (que é de carácter purificador. ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG . Segundo Paiva (2010).6ª Edição nº 006 Vol. A transformação da aparência da luz nos planos geométricos parece afirmar que a instabilidade é parte da natureza. a relação do homem com a natureza. a propósito da luz utilizada. Tadao Ando usa frequentemente a luz da emoção. mas que tem sido usada ao longo dos tempos por estar associada a um forte efeito plástico. do qual também o homem faz parte” (Zonno. através da redução da quantidade de luz no interior do edifício. “O espaço se altera a partir das relações fenomênicas da luz.

representação simbólica do Divino. serenidade. mas curiosamente tranquilo e propício à meditação. A luz imanada pela abertura em forma de cruz. “embora atualmente tudo esteja envolvido por uma luz homogênea. cuja capacidade reflectora não chega aos 30%. austeridade. criando um efeito e uma disposição psicológica em relação ao espaço construído. Tal como o tijolo. a cada período da história da arquitetura corresponde uma forma particular de utilização da luz. Foi percebido que a cada momento da arquitetura através dos séculos a luz vem sendo utilizada de uma forma característica.01/2013 –dezembro/2013 . Podem-se gerar. Tal fato de dá por ser a luz natural um elemento fundamental e necessário à arquitetura. Assim. a igreja da Luz não tem paralelo com nenhuma outra. De acordo com a vontade do arquiteto. ou deslumbramento. 7. uma caixa fechada com paredes em betão. a luz passa a ser utilizada de forma diferente.Goiânia . 2010:74). Conclusão A arquitetura e a luz natural são temas intimamente ligados. conjugadas. a partir de um projeto. o que acentua o carácter sombrio do espaço). A sensação de profundidade. ISSN 2179-5568 – Revista Especialize On-line IPOG . O processo de concepção em arquitetura é extremamente complexo. Contrariando a tendência da arte moderna . Segundo o próprio Ando. a iluminação diminuta. silêncio. na obscuridade. o concreto ou o vidro.de inferiorização do poder da obscuridade . No caso dos programas religiosos. A luz determina a percepção das texturas e das formas. de forma a atender os novos programas. resulta em um espaço sombrio. que. a forma como a luz interage com o ambiente pode expressar diferentes significados. fascínio. uma construção da obscuridade (PAIVA. Ambas percorreram ao longo dos séculos. transmitem um ambiente místico e religioso (aos quais não é indiferente a monocromia do betão. na medida em que foram utilizados novos materiais ou desenvolvidos novos sistemas construtivos. confere sacralidade ao templo e dá vida ao espaço através de sua constante alteração ao longo do dia. emoções tão diversas como introspecção. gerada não só pela pequena dimensão das aberturas.A luz natural e a percepção do espaço arquitetônico em edifícios de caráter religioso Dezembro/2013 Apesar de podermos observar esses efeitos luminosos relacionados à alteração da luz no decorrer do dia no Panteão Romano ou mesmo na capela de Ronchamp. a luz é um recurso de infinitas possibilidades. como se pretende para uma igreja deste gênero.o arquiteto reconhece-lhe qualidades indispensáveis para a formulação dos seus projetos: a noção de profundidade. enlevo.6ª Edição nº 006 Vol. mas também pelo concreto que pouco a reflete. a luz é matéria prima do projeto arquitetônico e acompanha a evolução da técnica e as necessidades do seu tempo. Como foi visto. silêncio e serenidade são obtidas através da manipulação da luz natural. e hoje ainda percorrem. a minha atenção é atraída pelas relações que subsistem entre luz e obscuridade. nesse sentido. a luz é como uma jóia que se pode ter na mão ”… Imaginava um espaço assim desse gênero quando construí a igreja da luz. êxtase. austeridade. Para Paiva (2010). um caminho trilhado lado a lado.

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