Terapia comunitária ajuda a combater medos e angústias

06/02/2009-Diario Web-Saúde 01:38 - Desfazer crenças pré-estabelecidas, restabelecer o eu interior, abraçar, cantar e como não poderia deixar de ser numa terapia, promover o autoconhecimento. Além disso, na terapia comunitária (TC) o agente aprende para se permitir ajudar o outro naquilo que ele mais precisa num momento difícil, ou seja atenção e apoio consistente. Em parte, é isto o que faz um terapeuta comunitário quando se propõe a agir em uma comunidade necessitada. Foi com este ideal que nasceu o pólo formador regional, de Rio Preto, há alguns anos, e que no dia de ontem, reuniu mais de 400 pessoas na Paróquia Menino Jesus de Praga para acompanhar um workshop promovido pela Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), com o professor cearense Adalberto de Paula Barreto, professor da Universidade Federal do Ceará e doutor em Psiquiatria pela Universidade René Descartes de Paris e membro da Associação Brasileira de Terapia Comunitária, que é quem norteia as ações destes agentes. Ali, centenas de pessoas puderam acompanhar de perto o trabalho exercido por Barreto. Durante o evento, há uma integração tal, que, dificilmente, alguém sai da mesma forma que entrou. “A intenção é que ao final da vivência, cada um leve um pouco do que ouviu e reflita sobre como isto pode ajudar a mudar sua vida para melhor”, explica Barreto. Tudo isto dito entre uma música, uma poesia, ou depoimentos feitos pelos presentes, desencadeados seja por uma frase ou um comentário. O que torna tudo muito dinâmico. A técnica, hoje, já se estende por todo o País e tem modificado a vida de inúmeras comunidades. Segundo a assistente social e terapeuta comunitária Maria Aparecida Trazzi Vernucci da Silva (Tida), de Rio Preto, que atua em duas comunidades na cidade - no loteamento Marisa Cristina com famílias e no Eldorado, com adolescentes e família - há cerca de três meses. Ela conta que ao chegar com o projeto para o local, percebeu muita resistência, mas hoje estão todos envolvidos e muito satisfeitos. “É comunidade sofrida, que lida com baixa autoestima, problemas com fofoca, violência e medo, muito medo. Mas hoje já temos depoimentos de mudança e você vê que já é uma agregação espontânea”, diz. Outra que reforça a importância do projeto de terapia comunitária é a assistente social Mari Elaine Leonel Teixeira, professora da Unesp, que integra o pólo regional, e afirma ser notória a revolução provocada pelos agentes, que ajudam na formação de vínculos. “Após a intervenção dos agentes, é possível encaminhar as pessoas para uma ajuda especializada, quando se constata a impossibilidade de reduzir o sofrimento mental daquela pessoa”, diz. Por outro lado, para que o agente tenha eficá cia em sua atuação, antes, necessita passar por um curso de formação como terapeuta comunitário, cuja duração é de 360 horas (equivalente a dois anos), que ocorre em geral, no Hotel Thermas de Ibirá. “O curso tem quatro módulos, divididos em 4 dias, entre um e dois meses, e depois disso, passa um ano fazendo supervisão, para só então ir para a comunidade. Hoje, estamos no terceiro módulo deste e com uma turma de 40 alunos”, explica Mari. O curso conta com o reconhecimento da Abratecom e também já recebe o apoio do Ministério da Saúde,graças a indicadores de redução de medicamentos e danos nas comunidades onde há a terapia comunitária, já que contam muitas vezes, não apenas com apoio, mas integram o orçamento de algumas prefeituras, que disponibiliza o agente para ir atuar junto à comunidade. O psiquiatra Adalberto Barreto define a terapia comunitária como um instrumento que permite construir redes sociais solidárias de promoção da vida, que mobilizam os recursos e as competências dos indivíduos, das famílias e das comunidades. Enquanto muitos modelos centram suas atenções na patologia, nas relações individuais e privadas a terapia comunitária convida a uma mudança de olhar, de enfoque, sem querer desqualificar as contribuições de outras abordagens, mas ampliar seu ângulo de ação. O que é ser terapeuta comunitário:

:: Ir além do unitário para atingir o comunitário :: Sair da dependência para a autonomia e co-responsabilidade :: Ver além da carência para ressaltar a competência :: Sair da verticalidade das relações para a horizontalidade :: Da descrença na capacidade do outro, passar a acreditar no potencial de cadaum :: Ir além do privado para o público :: Romper com o clientelismo para chegarmos à cidadania :: Romper com o modelo que concentra a informação para fazê-la circular Fonte - Adalberto de Paula Barreto, psiquiatra e terapeuta comunitário Fique por dentro:

:: Para atuar como terapeuta comunitário é preciso estar ciente que não é umlugar cômodo nemde facilidades. É preciso ter

Em com um. multiplicidades de saber e fazer :: Para tanto se exige participação permanente e qualificada. integrada a outros movimentos sociais e organizações atuantes no âmbito profissional ou social. para quem está disposto a assumir :: A meta é buscar a via da diversidade para organizar e formarumespaço de contribuição e atuação. possibilidades. pensar e agir coletivamenteem umasociedade individualizante e competitiva. só há o desejo de compartilhar experiências. é uma tarefa exigente. isto é.Abratecom .coragem e ousadia.emmeio a um cotidiano que se atropela de inúmeros compromissos :: Como norteadora. ou seja. uma ação sempre associativa. por meio de metodologia compartilhada no ambiente interno e na relação com as comunidades Fonte . fortalece e amplia as possibilidades de intervenção terapêuticas.