4- 1

4 Aplicações I

4.4 Solução analítica
Vamos retornar à Equação de Schrödinger e buscar uma solução analítica da Eq. 1 da seção 4.1. Vimos que é conveniente expressá-la em termos da variável adimensional z = 1/x0 · x = (ħ/mω)-1/2· x = (mω/ħ)1/2 · x = (mK/ħ2)1/4· x (usa-se muito a variável α := 1/x02). Para o parâmetro da energia usamos w = E/E0 com E0 = ħω/2. Obtemos ψ''(z) + (w - z2)·ψ(z) = 0 (1) Essa equação (veja Eq. 4 na seção 4.1) parece ser fácil a resolver, mas não é tão assim. Consideremos, primeiro, o caso de valores muito grandes de |z|, ou seja de |x|. Pois para qualquer valor finito da energia total E, podemos sempre encontrar um valor de x, o suficientemente grande, para poder fazer desprezível w = E/E0 em comparação a z2. A Eq. 1 se torna, assim, ψ''(z) = z2·ψ(z), |z|∞ A solução geral dessa equação diferencial é ψ(z) = A exp(-z2/2) + B exp(z2/2) (3) (2)

(Veja seção 2.1, Eq. 13). A e B são constantes arbitrárias. Calculando as derivadas ψ' e ψ'', podemos verificar que a Eq. 3 é uma solução da Eq. 2. Obtemos ψ''(z) = A(z2 - 1) exp(-z2/2) + B(z2 + 1) exp(z2/2)

Já que as autofunções devem permanecer finitas quando |z| ∞. 1822 . 6. 3. supomos que H( z ) = m= 0 ∑ am zm = a0 + a1 z + a2 z2 + K ∞ (7) .A z2 exp(-z2/2)·H(z) = 0 Esta equação pode ser simplificada. Isto é.2z H'(z) + (w . então. para |z|∞. A análise do oscilador quântico se reduz. 2 identicamente.4.2 Como. 1. Para determinar H(z). a forma das autofunções para |z| muito grande deve ser ψ(z) = A exp(-z2/2). utiliza-se a técnica das séries de potência na variável independente z. isso é basicamente ψ''(z) = z2 (A exp(-z2/2) + B exp(z2/2)) = z2·ψ(z) o que satisfaz a Eq. introduzimos a função H(z) com a esperança de que a relação ψ(z) = A exp(-z2/2)·H(z) (5) vai produzir funções de onda aceitáveis sobre -∞ < z < +∞. obtemos A exp(-z2/2) (-H(z) + z2 H(z) .A z exp(-z2/2)·H(z) + A exp(-z2/2)·H'(z) ψ''(z) = A exp(-z2/2) (-H(z) + z2 H(z) .1901).2z H'(z) + H''(z)) Substituindo ψ(z) e ψ''(z) na Eq. B deve ser zero.. Para resolvê-la.1)H(z) = 0 (6) Eq. à solução da Eq. |z| ∞ (4) Para estender esta solução para incluir também pequenos valores de |z|. na Eq. dando a seguinte equação diferencial para a determinação de H(z): H''(z) . é evidente que. calculamos ψ'(z) = . 6 chama-se de equação de Hermite (Charles H. Portanto.2z H'(z) + H''(z)) + + w A exp(-z2/2)·H(z) .

até agora. a2. eles são... . Nas derivadas calculamos os termos um a um H'(z) = ∑1.2m) am = 0 ou am+ 2 = − ( w − 1 − 2m) ⋅ am (9) (m + 1)(m + 2) A relação (9) é uma relação de recorrência que nos permite calcular.2·1) a1 = 0 3·4 a4 + (w . .2·2) a2 = 0 4·5 a5 + (w .1 . H''(z) = ∑2. + (w-1) a0 + (w-1) a1 z + (w-1) a2 z2 + ..2·2 a2 z2 . os coeficientes pares a2. Isso era...∞ (m-1) · m · am·zm-2 = 1·2 a2 + 2·3 a3 z + 3·4 a4 z2 + . a Eq.. Temos.3 Para determinar os coeficientes a0. e os coeficientes ímpares a3.. aliás. substituimos (7) em (6).1 . a6.... então. de esperar. temos para o coeficiente de zm a relação (m + 1)(m + 2) am+2 + (w .2·3) a3 = 0 (8) Em geral. a4.. sucessivamente. . 6 toma a seguinte forma 1·2 a2 + 2·3 a3 z + 3·4 a4 z2 + 4·5 a5 z3 + .2·1a1 z .1 . pois a solução geral da equação diferencial de segunda ordem (6) deve conter duas constantes arbitrárias.. 1·2 a2 + (w -1) a0 = 0 2·3 a3 + (w .2·3 a3 z3 . em termos de a1.. Mas (9) não diz nada sobre os coeficientes a0 e a1.. . a soma dos coeficientes de cada potência de z deve anular-se..1 ... Isso significa que a solução geral contém duas séries independentes. Após a substituição. a7.. em termos de a0. = 0 Como isto deve ser válido para todos os valores de z. a1.4. indeterminados.∞ m · am·zm-1 = 1·a1 + 2 a2 z + 3 a3 z2 + . a5.

em ambos os casos.(w . Eles podem diferir dos termos da série ímpar de H(z) por z vezes outra constante C´. Por exemplo. Se a1 for zero.. pois segundo a Eq. Então escolhemos a1 = 0 e a série (7) tomará a forma de um polinômio par de ordem seis H6(z) = a0 + a2z2 + a4z4 + a6z6 (12) .1 . ou seja.. Os coeficientes de (7) calculamos a partir da relação (9): am+2/am = . Mas. o que não é aceitável para uma autofunção.. temos de calcular para cada série a razão entre os coeficientes de potências sucessivas de z para m grande. já que a3 = a5 = . serão zero. Uma solução deste problema consta em cortar as séries.4 Se a0 for igual a zero.. pois ambas as séries que resultam com a0 ou a1 igual a zero se comportam como exp(z2) para grandes valores de m. . = 0. = 0. comparando (7) com a expansão da função exp(z2) em série de potências: exp(z2) = 1 + z2 + z4/2! + z6/ 3! + .. (10) Para poder fazer a comparação.. supomos que o valor de w for tal que w . permanecerá um problema sério. |z| ∞ (11) Isso significa que a função de onda (5) se tornará infinita quando |z| ∞.2m)/[(m+1)(m+2)] ≈ 2m/m2 = 2/m para m grande. todos os coeficientes an+2. A mesma razão obtemos para a série (10): 1/(m/2 + 1)! · (m/2)!/1 = (m/2)!/[(m/2+1)(m/2)!] = 1/(m/2 + 1) ≈ 1/m/2 = 2/m Sabemos assim que os termos de alta potência de z na série de exp(z2) podem diferir dos termos correspondentes na série par de H(z) por apenas uma constante multiplicativa C. Para |z| ∞.1 . tomamos a1 = 0 para eliminar todas as potências ímpares de z na Eq... os termos de potências baixas em z não são importantes na determinação do valor de qualquer dessas séries.. Se isso ocorrer para n = par. 7. procurar que os coeficientes am se tornam zero a partir de um certo índice mmax.4. ou seja. quando w = 2n + 1. 9 teremos a2 = a4 = a6 = . Isso podemos verificar.. Se para certo valor n := mmax o numerador da relação (9) é zero. an+4. + zm/(m/2)! + zm+1/(m/2+1)! + . a série (7) somente conterá termos ímpares.2m = 0 para n = 6. Concluímos que H(z) = a0 C exp(z2) + a1 C´z exp(z2). a série (7) somente constará de termos contendo potências pares.

confira Eq. a4 e a6 determinamos por meio de (9) em termos de a0. se n = 0. mmax = n = 7.. As autofunções correspondentes a Hn(z) são. . 5. Veja os exemplos mais adiante. . assim. Tal escolha de w fará com que a série H(z) termine no n-ésimo termo. f = (2π)-1 (K/m)1/2 = freqüência de oscilação clássica. p. 4. vemos que a restrição de valores possíveis de w é equivalente a uma restrição em valores possíveis da energia total: En = (n + 1/2) hf.. 2. 3.2m = 0 para n = ímpar. Vemos. 1.1 . se n = 1. então. . tomamos a0 = 0 e H(z) será um polinômio de potências ímpares de z: H7(z) = a1z + a3z3 + a5z5 + a7z7 (13) (12) e (13) são chamados polinômios de Hermite de ordem n = mmax. ex.. . 3. Além disso.. que podemos obter autofunções aceitáveis para tais valores de w que cumprem à relação w = 2n + 1 (14) n = potência mais alta no polinômio Hn(z). deve-se tomar em conta que a0 = 0.5 Os coeficientes a2. do espectro contínuo permitido por la mecânica clássica. n = 0. O espectro de valores de energia (16) é discreto e distinto. Se o valor de w for tal que w . 5..4. 2. 2 ψ n ( z ) = A n ⋅ e − z / 2 ⋅ Hn ( z ) (15) Utilizando a definição w:= E/E0 = 2E/ ħω. a1 = 0. (16) Estes são os níveis de energia (autovalores) de uma partícula num potencial de oscilador harmônico simples..

2/3·z3) = 8 z3 . H0(z) = a0 .(3-1-2·1)/(1+1)(1+2) · a1 = 0·a1 = 0 e a5 = a7 = . a1 = 2 3.(5-1-2·0)/(0+1)(0+2) · a0 = -2·a0 H2(z) = a0 + 0·z -2·a0·z2 = a0(1-2·z2) = 4z2 ...2 para a0 = -2 4.4.. sendo o valor de a0 arbitrário. Os valores de a0 e a1 podemos determinar por meio da normalização das autofunções (15). w = 2·1+ 1= 3. w = 5. w = 2n + 1 = 1. por ex.12 z) para a1 = -12 . a3 = .2/3 ·a1.2/3 ·a1·z3 = a1(z .. n = par a1 = 0 e a0 = arbitrário a2 = . H0(z) n = 0. n = ímpar a0 = 0 e a1 = arbitrário a3 = . H1(z) n = 1. H3(z) n = 3... a2 = 0 H3(z) = 0 + a1·z + 0·z2 . 2. 1. = 0 Com a1= 0 obtemos da rel. a0 = 1. = 0 Então. = 0 Então. n = par a1 = 0 e a0 = arbitrário. p.. H1(z) = a1·z.(1-1-2·0)/(0+1)(0+2) · a0 = 0·a0 = 0 a4 = a6 = .6 Exemplos: Calculemos os primeiros polinômios de Hermite. w = 7.. (9) a2 = 0 e a4 = a6 = . = 0 Já que a0 = 0. ex. (9) a3 = 0 e a5 = a7 = .(7-1-2·1)/2·3 · a1 = . obtemos da rel. n = ímpar a0 = 0 e a1 = arbitrário. De acordo com a relação (9) temos a2 = . H2(z) n = 2.

(23) da seção 4.z) (17) com H(0.2 H(3.7 Todos os polinômios de Hermite podemos calcular com a seguinte fórmula de recorrência (veja Eq. Por exemplo: ∫|ψ3(z)|2dz = A32·∫ (8z3 . Com a substituição z = x/x0 podemos escrever as autofunções em termos de x ψn(x) = x0-1/2· An · exp(-z2/2)·Hn(z) ∫|ψn(x)|2·dx = 1 As integrais que se devem avaliar são da forma ∫0.2.z) = 2z H(n-1.z) .z) = 2z Por exemplo: H(2.12z)2·exp(-z2)·dz = 1.∞ xne-axdx = Γ(n + 1)/an+1 para a>0 e n>-1.3. Compare também com D.2(n-1) H(n-2.2(2-1)·1 = 4z2 . A função Gama foi introduzido no curso de Mecânica. 7. 15.4. .z) = 2z·2z .S.z) = 2z·(4z2-2) .12z etc.5) H(n.2 e a próxima seção 4.2·2·2z = 8z3 . Elementary Quantum Mechanics.z) = 1 e H(1. onde ψn(z) = An·Hn(z)·exp(-z2/2).Saxon. veja Eq. Com estas funções e com os fatores de normalização An = (2n·n!·π1/2)-1/2 obtemos para as autofunções do oscilador harmônico simples +∞ −∞ ∫ | ψn ( z) | 2 dz = 1. onde ψ3(z) = A3·(8z3-12z)·exp(-z2/2). Appendix 1.

obtemos dHn(z)/dz = 2n{(2z)n-1 .1 Propriedades dos Polinômios de Hermite Alguns autores definem os polinômios de Hermite de uma maneira um pouco diferente. n 2 n z2 d Hn ( z ) = ( −1) e e − z (Fórmula de Rodrigues) (1) n dz A Eq. empregando a fórmula de Rodrigues que é uma ferramenta muito útil no estudo das propriedades dos polinômios de Hermite...4) d2u/dz2 . (3) e (4) na equação diferencial de Hermite (Eq..4. 1 pode ser usada para calcular a integral de normalização.2zdu/dz + 2nu = 0 obtemos 4n(n-1)Hn-2(z) . 6 de 4.2z·2nHn-1(z) + 2n Hn(z) = 0 ou Hn(z) = 2z Hn-1(z) -2(n-1) Hn-2(z) (5) Esta fórmula de recorrência aplicamos já várias vezes. resulta d2Hn(z)/dz2 = 2n dHn-1(z)/dz = 2n[2(n-1)] Hn-2(z) = 4n(n-1) Hn-2(z) (4) Substituindo (2). Isso quer dizer que .. } = 2n Hn-1(z) (n ≥ 1) (3) Diferenciando outra vez.+∞) um conjunto ortogonal (dito de outra forma: os polinômios de Hermite são ortogonais no intervalo (-∞. Agora vamos demonstrar que as funções Hn(z) exp(-z2/2) formam sobre (-∞.(n-1)(n-2)(2z)n-3/1! = . Outra definição dos polinômio de Hermite é a série Hn(z) = (2z)n .+∞) com relação a exp(-z2/2)).4.8 4. (2) Diferenciando (2) termo a termo.n(n-1)(2z)n-2/1! + n(n-1)(n-2)(n-3)(2z)n-4/2! + .

já que (-1)2n = 1. já que exp(-z2) e todas as suas derivadas são zero para z = ± ∞. 7.2 da lição anterior. Demonstração: 1. pois dn-1exp(-z2)/dzn-1= -Hn-1(z) exp(-z2). 1 ou Eq. usando Eq.+∞ é zero. Usando Eq. . 1 obteremos para m≠n (-1)n ∫ HmHnexp(-z2) dz = (-1)2n ∫Hm dn exp(-z2)/dzn dz = ∫Hm dn exp(-z2)/dzn dz . 24 da seção 4. (Na segunda integral escolhemos u:= Hm e dv:= dnexp(-z2)/dzn dz.∫ dz·dHm/dz · dn-1exp(-z2)/dzn-1 (7) A expressão dn-1exp(-z2)/dzn-1|-∞.+∞ + (-1)n-1∫ dHn(z)/dz · dn-1exp(-z2)/dzn-1·dz O termo (-1)n Hn(z) dn-1exp(-z2)/dzn-1|-∞.9 +∞ −∞ ∫ e − z Hn ( z)Hm ( z)dz = 2n n! π ⋅ δmn (6) 2 Esta expressão foi mencionada como Eq. Repetindo a integração por partes. Integrando por partes. ou seja ∫ HmHnexp(-z2) dz = (-1)n+1 2m ∫ Hm-1 · dn-1exp(-z2)/dzn-1·dz. obtemos (-1)n ∫ HmHnexp(-z2) dz = ∫Hm dnexp(-z2)/dzn dz = Hm dn-1exp(-z2)/dzn-1|-∞. na última integral tomamos du = dHm = dz dHm/dz e v:= dn-1exp(-z2)/dzn-1) Substituindo dHm/dz por 2mHm-1 na Eq. obtemos finalmente ∫ HmHnexp(-z2) dz = (-1)n+m 2m m! ∫ H0(z) · dn-mexp(-z2)/dzn-m·dz = (-1)n+m2mm! [dn-m-1exp(-z2)/ dzn-m-1]-∞.+∞ é zero.+∞ . 3. obtemos (-1)2n ∫ HmHnexp(-z2) dz = (-1)n+1 ∫ 2m Hm-1 · dn-1exp(-z2)/dzn-1·dz.4.+∞ = 0 (8) Agora m = n: ∫ [Hn(z)]2exp(-z2)·dz = ∫ Hn(z) (-1)n dnexp(-z2)/dzn·dz = (-1)n Hn(z) dn-1exp(-z2)/dzn-1|-∞.

Por meio da Eq. Eq. ou seja <z2> = (n + 1/2) ·ħ/mω = (n + 1/2) ·ħω/mω2 (12) Isso podemos escrever como <z2> = E/K ou E = K<z2> com K = mω2. como vimos na figura 4 na seção 4. Veja o exemplo final na seção 4. 18 em 4.2.3 .4. comprovado que as funções {ψn} = { (2nn!√π)-1/2Hn(z)exp(-z2/2)} formam um conjunto normalizado e ortogonal. Classicamente temos E = K/2 · A2.zero.10 Podemos outra vez substituir dHn/dz por 2nHn-1 e repetir a integração por partes (n-1) mais vezes. A probabilidade para este processo vamos calcular no parágrafo 4. (11) pois ∫-∞.2. de modo que as relações para a energia vem dadas por expressões parecidas. assim. na forma z Hn = n Hn-1 + 1/2 ·Hn+1 (10) podemos comprovar que o valor esperado <z> de z é zero ∫-∞.+∞ exp(-z2) Hn(z) [n Hn-1(z) + 1/2 Hn+1(z)] dz = = n ∫ exp(-z2) Hn(z) Hn-1(z) dz + 1/2·∫ exp(-z2) Hn(z) Hn+1(z) dz = 0. que podemos escrever.3 da lição anterior. 5. 10 por z. Um oscilador quântico pode transgredir os limites ± A.+∞ Hn(z) z Hn(z) exp(-z2) dz = 0. (Os pontos de retorno dum oscilador clássico são dados por U(x) = E.4. a integral tornará <z2> = α-3/2 (α/π)1/2/2nn! · (n+1/2) ∫-∞.2.+∞ [Hn(z)]2exp(-z2)·dz = 2n n! ∫-∞. já que ambas as integrais são -veja Eq. obtendo ∫-∞. Multiplicando Eq. substituindo n por n+1. ou seja eles ficam em x = ± A = ± √2E/K.+∞ Hn(z) z2 Hn(z) exp(-z2) dz Já que somente os termos em Hn contribuem. 8.+∞ [Hn(z)]2 exp(-z2) dz = (n+1/2)/α. podemos deduzir z2 Hn = nzHn-1 + 1/2 z Hn+1 = n[(n-1) Hn-2 + 1/2 Hn] + 1/2 [(n+1) Hn + 1/2 Hn+2] e o valor esperado de z2 será (sendo α = x0-2) <z2> = α-3/2 (α/π)1/2/2nn! · ∫-∞.+∞ exp(-z2) dz = 2nn!√π (9) Temos.

temos c = 0 e c' = 1 e o sistema encontra-se outra vez num estado estacionário de onde emissão dipolar é impossível. que. Estamos. Esta regra de seleção podemos agora comprovar analiticamente para o sistema OHS.3 da lição anterior falamos da emissão e absorção de moléculas e vimos que somente são permitidas mudanças entre estados com câmbios do número quântico por ∆n = ± 1. resulta da oscilação harmônica de uma carga. t ) = cψn ( x )e − iEn t / h + c' ψn' ( x )e − iEn' t / h (14) A função de onda é uma mistura de funções de onda associadas a dois estados quânticos. haverá emissão de radiação (fóton). O sistema tem. Durante a transição. O momento de dipolo elétrico se define pela relação e <x> = e ∫-∞. um elétron).4. metaforicamente dito. correspondentes a dois níveis de energia En e En'. Escolhemos os números quânticos n e n' para construir a superposição Ψ( x. estes coeficientes mudam com o tempo. 14 é a descrição de um estado transitório. tratando o análogo quântico da emissão dipolar.t)|2 = |ψ(x)|2 e não pode haver radiação. um pé no estado n e outro pé no estado n'. o coeficiente c é igual a um e c' é zero. classicamente. Após da transição. cujas autofunções acabamos de determinar.11 4. Vamos supor que En > En'. pois a função de onda (14) descreve probabilidades simultâneas para encontrar o sistema em estados de energias diferentes.t) é dada por uma superposição de estados estacionários. (O tipo de emissão mais simples é a da radiação dipolar elétrico. Antes da transição. ele emite ou absorve radiação da mesma freqüência ω. A Eq.) Já na seção 4.t)|2 dx (13) (Num estado estacionário temos |ψ(x.) Um sistema radiante corresponde à situação onde ψ(x. ex. mantendo a soma de |c|2 e |c'|2 igual a 1. .+∞ x |ψ(x. Se um oscilador clássico com carga efetua uma oscilação harmônica simples com freqüência angular ω. Já que o sistema quântico tem um momento de dipolo elétrico. aqui.4. ou seja (14) descreve um sistema quântico em transição entre os estados n e n'.2 OHS e probabilidade de transição Considere as oscilações de um OHS quântico carregado (p.

. pois calculando |ψ(x. oscila com a freqüência ω = (En . Rutherford a Niels Bohr do ano 1913 mostra a dificuldade que se tem quando se quer descrever um processo quântico com termos e imagens da física clássica: There appears to me one grave difficulty in your hypothesis. c*c'.+∞ ψn* ψn' dx (16) (Obtivemos (15) por meio da regra para números complexos |a + b|2 = (a + b) (a + b)* = (a + b) (a*+ b*) = aa* + bb* + ba* + ab*) Já que a soma dum número e do seu complexo conjugado é duas vezes a parte real do número. varia só lentamente com o tempo e somente é diferente de zero durante a transição quando ambos os coeficientes c* e c' são não-zero.En')/ħ. que é a freqüência do fóton emitido. which I have no doubt you fully realise. namely. podemos escrever para o momento de dipolo elétrico e <x> = 2 Re[(c*c')·D0·eiωt ] (17) Esta equação é o análogo quântico do dipolo radiante da eletrodinâmica clássica. O fator D0 determina a intensidade da radiação e é chamado de "overlap integral" (integral da sobreposição). O primeiro fator. how does an electron decide what frequency it is going to vibrate at when it passes from one stationary state to the other? It seems to me that you would have to assume that the electron knows beforehand where it is going to stop. O seguinte extrato duma carta de E.En')/ħ e a grandeza D0 = e ∫-∞. ou seja cos(ωt).t)|2 obtemos e <x> = c*c e∫x |ψn|2 dx + c'*c' e∫x |ψn'|2 dx (a) (15) + c*c' e∫x ψn* ψn' dx exp(i(En-En')t/ħ + cc'* e∫x ψn' ψn'* dx exp(-i(En-En')t/ħ = c*c' D0 eiωt + (c*c' D0 eiωt)* (b) (c) (d) O termo (c) é o complexo conjugado de (b). A parte real do último fator.12 Durante a transição.4. Introduzimos ω = (En . 13 consta de partes dependentes e independentes do tempo. a densidade de probabilidade na Eq.

4. com z = (mK/ħ2)1/4·x. p.+∞ Hn'(z) z Hn(z) exp(-z2) dz. Quantum Mechanics.2. Rinehart and Winston.13 O cálculo das integrais na expressão de e <x> é normalmente muito envolvido. Holt. (19) = regra de seleção. Aplicando a fórmula de recorrência (5). e o momento dipolar será e <x> = 8eL/π2 (n n'/(n2 . A integral ∫-∞. As integrais são zero para n' ≠ n+1 e n' ≠ n-1. Então. Rapp. 504 . Daqui resulta que transições dipolares somente são possíveis para n' = n ± 1 (19) n + 1 para absorção. Lembremo-nos que as autofunções deste modelo são escritas em termos dos polinômios de Hermite como Hn(z) exp(-z2/2). mas para o oscilador harmônico simples temos já todo calculado e é só usar os resultados do parágrafo anterior. por isso faltam as *). somente pode haver transições entre níveis adjacentes. a energia dos fótons é E = ħω em todas as transições dipolares.n'2) (20) D. podemos escrever Hn+1(z) . ver seção 2. obtemos como regra de seleção que n + n' = par. já que as autofunções são ortogonais. só existem transições entre níveis cujos números quânticos n diferem de uma unidade. Resumo: No caso do OHS com carga e. chegamos. É claro que não pode haver emissão desde o estado fundamental. No caso duma partícula carregada numa caixa. pois não há nenhum estado de menor energia com o qual o estado fundamental se pode misturar para formar uma função de onda da forma (13).1 para emissão.∞ ψn'(x) x ψn(x)dx é proporcional a ∫-∞. às integrais ∫ ψn'(x) ψn+1(x) dx + 2n∫ ψn'(x) ψn-1(x)dx (as funções ψn são reais. Sendo os níveis de energia do OHS todos separados por ħω. 1971.2zHn(z) + 2nHn-1(z) = 0 (18) Substituindo zHn(z). n .

3 O estado fundamental do OHS Sobre o estado fundamental do oscilador harmônico simples pode-se falar muito. Logo precisamos também da seguinte fórmula ∫-∞. Já em 4.+∞ ψ0*· ħω/2 z2 · ψ0 dz = ħω/(2√π) ∫-∞.+∞ exp(-x2)dx·∫0.+∞ exp(-x2) dx.t) = ψ0(z) exp(-iE0t/ħ) = π -1/4 exp(-z2/2)·exp(-iE0t/ħ) (21) O operador da energia potencial é.1.π/2 dθ ∫0.2. (12).+∞ exp(-z2/2) z2 exp(-z2/2) dz = ħω/(2√π) ∫0.+∞ exp(-a2z2) dz = 2 ∫0. Comecemos com a autofunção do estado fundamental do OHS ψ0 (z. quadrante exp(-(x2+y2))·dxdy.2. veja 4.4. .+∞ z2 exp(-a2z2) dz = 2 ∫0.+∞ exp(-y2) dy = ∫∫1. a > 0 (23) Isso é valido.+∞ exp(-a2z2) dz = 1/(2a)·√π.1 da lição 4 foi calculado o valor esperado da energia potencial: <U0> = ħω/4. +∞ = π/4 O resultado final será: J = 1/2·√π (25) ). +∞ r dr exp(-r2) = π/2 · (exp(-r2)/(-2))|0. Então <U> = ∫-∞.4. Agora usamos coordenadas polares J2 = ∫0.+∞ z2 exp(-a2z2) dz = 1/(2a3)·√π. a > 0 (24) Para avaliar a integral J = ∫0. podemos transformá-la primeiro numa integral de área (note que o valor duma integral não depende do nome da variável do integrando) J2 = ∫0. O cálculo não foi pormenorizado. já que o integrando é uma função par. Eq. por isso vamos dedicar aqui alguns minutos a este assunto.14 4. ou seja <U> = <Ep> = ħω/4 = E0/2 (22) Usamos a fórmula ∫-∞.+∞ exp(-z2) z2 dz = ħω/(2√π)·2· √π/4 . Uop = ħω/2 · z2.

utilizando o operador de p: pop = -iħ∂/∂x.1 da lição anterior. resulta <Ek> = ħω/4 = E0/2 (27) Resumindo.ħ2 ∂2f(x)/∂x2. Por isso temos Ek. ou seja pop(pop f(x)) = pop (-iħ∂f/∂x) = -iħ∂/∂x (-iħ∂f/∂x) = . Mas será instrutivo calcular o operador de Ek = p2/2m. Sendo o produto duma constante real por um operador hermitiano um novo operador hermitiano. O operador da energia cinética é o produto duma constante real pelo operador pop2. O complexo conjugado de ψ0 é ψ0* = π -1/4 exp(-z2/2) exp(+ iE0t/ħ) e <Ek> é <Ek> = ħ2/(x02m√π) [ ∫0.4. também cada potência de pop será hermitiano.2. Para a derivada obtemos ∂2ψ0/∂z2 = π -1/4 (z2exp(-z2/2) .∫0.z2) dz ] Usando os valores (23) e (25) para as integrais. onde o "quadrado" do operador pop significa a aplicação de pop(pop) sobre uma função f(x).15 Para calcular o valor esperado da energia cinética.+∞ exp(-z2) dz .op = 1/2m · (-iħ∂/∂x)2. podemos escrever <E> = <Ek> + <Ep> = hf/2 = ħω/2 = E0 (28) como já vimos em 4. veja seção 3.op = -1/2m · ħ2 · ∂2/∂x2 (26) Confira sobre pop2 também seção 3. O operador de Ek será Ek. podemos usar a fórmula (16) da seção 4. exemplo 2.1. +∞ z2 exp(.3. . pois todos os operadores da mecânica quântica devem ser hermitianos. podemos concluir que Ek. (Mais adiante vamos falar sobre a importância de um operador ser hermitiano.+∞ ψ0* ∂2ψ0/∂z2 dz onde utilizamos ∂/∂x = 1/x0 · ∂/∂(x/x0) = 1/x0 · ∂/∂z.) O valor esperado de Ek será então <Ek> = -ħ2/2mx02 ∫-∞.op é um operador hermitiano.exp(-z2/2)) exp(-iE0t/ħ).2 e obter <Ek> = ħω/4. Como pop é hermitiano.

traçamos a densidade de probabilidade para o estado fundamental com n = 0 e para os estados excitados n = 1 e n = 2. as integrais dela foram tabuladas.+1 ψ0*ψ0 dz = π -1/2 ∫-1.16 Pode-se demonstrar que a relação (28) é válida para todos os números quânticos. como mostra a Fig. Mas nós podemos calcular ∫0. oscilador harmônico N:=1. Mas. A probabilidade de ficar no intervalo (-1.0:H:=0.8426938745 .+1 exp( -z2) dz Em virtude da importância da função exp(-z2).01: f:=exp(-z^2): z:=N: fN:=f://último valor z:=0: f0:=f://primeiro valor s:=0: for z from 0 to N step H do s:= s+f: end_for: s:=s-(f0+fN)/2: integral:=float(2*s*H/sqrt(PI)). temos para o oscilador quântico bastante chance de encontrar a partícula afora dos limites clássicos.A) = ∫-1. 1.+1 exp(-z2) dz = 2 π -1/2 ∫0. ou seja entre z = -1 e z = +1. 3.+1 exp( -z2) dz numericamente com a Regra do Trapézio que utilizamos já na lição anterior (Programa 2). ou seja <Ek> = <Ep> = En/2 (29) Na lição anterior.// área entre -1 e +1 0. Programa 1 (Regra do Trapézio) • reset()://densidade de prob. Fig. O movimento clássico com energia ħω/2 é somente possível entre os limites -A e +A.4.1) vem dada pela integral P(-A.

3 0. 1 A área entre -1< z < +1 (limites clássicos) é igual a 0. Color = RGB::Green)://n=0 U1 := plot::Arrow2d([-1.5 0.8427 = 0.2 unidades.1 unidades.4 = 0.5 1.8 unidades.0. podemos tirar da Fig.0.0. Podemos ver que a partícula no estado fundamental pode ser encontrada afora dos limites clássicos com uma probabilidade de P = 1 . oscilador harmônico A0:=0.17 Programa para o gráfico de |ψ0|2 do OHS: Programa 2 (densidade da probabilidade do estado fundamental do OHS) • reset()://densidade de prob.4. Os dois triângulos dão 0. z = -2. (Sem fazer cálculos rigorosos.) O MuPAD calcula a integral 2 π float(erf(1))= 0.U1.8427 e foi calculado com o Programa 1.5 0.4])) |Psi(z)|^2 0.1573 ≈ 16%.2/2 = 0..2].1 -2.0 -1. O triângulo entre 1 e 2 tem uma área de ≈ 1x0.[-1. plot::Text2d("n=0".0]. 1 que a área entre as setas tem que ser ≈ 2x0.0].Color = RGB::Blue): plot(Psi0.2].0 -0.0. por exemplo ."|Psi(z)|^2"].5 2.z exp( -t2) dt com erf(z). AxesTitles=["z".8427 -1/2 ∫0.0 1.Color = RGB::Blue): U2 := plot::Arrow2d([1.0 z Fig.[1.0 0.4 n=0 0. ≈ 20%.5 -1.[1.7511: psi0:=z->A0*exp(-z^2/2): Psi0 := plot::Function2d(psi0^2(z).2.U2.2 0.