1 UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ ÁREA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

ELIZANDRA DIEFENTHAELER

A FORMAÇÃO PERMANENTE EM EDUCAÇÃO FÍSICA DIANTE DA PRÁTICA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

CHAPECÓ-SC, 2010.

2 ELIZANDRA DIEFENTHAELER

A FORMAÇÃO PERMANENTE EM EDUCAÇÃO FÍSICA DIANTE DA PRÁTICA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) apresentada ao curso de Educação Física da Unochapecó, Chapecó, SC, como parte dos requisitos para a obtenção do grau de Licenciada em Educação Física. Orientadora: Profª Ms Lilian Beatriz S. Rodrigues

CHAPECÓ-SC, 2010

3 UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ ÁREA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Esta monografia foi julgada adequada à obtenção do grau de Licenciado (a) em Educação Física e aprovada em sua forma final pelo Curso de Licenciatura Plena em Educação Física da Universidade Comunitária da Região de Chapecó. Chapecó – SC, 15 de julho de 2010.

A FORMAÇÃO PERMANENTE EM EDUCAÇÃO FÍSICA DIANTE DA PRÁTICA PEDAGÓGICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

ELABORADO POR ELIZANDRA DIEFENTHAELER

_________________________________________ Profa. Lílian Beatriz S. Rodrigues – Orientadora Universidade Comunitária da Região de Chapecó - UNOCHAPECÓ

____________________________________________________ Marizete Lemes da Silva Matiello Universidade Comunitária da Região de Chapecó - UNOCHAPECÓ

_________________________________________ Neusa Dendena Kleinubing Universidade Comunitária da Região de Chapecó – UNOCHAPECÓ

4

RESUMO

O presente estudo tem como tema a formação permanente dos professores que atuam na Educação Infantil, mediante sua prática pedagógica. O tema surge em decorrência de estudos realizados durante a minha formação, bem como, de experiências vividas durante os estágios curriculares obrigatórios já realizados. O objetivo deste estudo foi analisar como os professores de Educação Física vem realizando sua formação permanente para atender as demandas de sua atuação no contexto da Educação Infantil. Este estudo caracteriza-se como sendo uma pesquisa descritiva de cunho qualitativo. A amostra foi composta por cinco sujeitos com formação em Educação Física, sendo três professoras e dois professores que atuam em Centros de Educação Infantil pertencentes à rede municipal de ensino do município de Chapecó, SC. O instrumento utilizado foi a entrevista, que foi gravada e transcrita na íntegra. Os dados foram analisados qualitativamente. Os resultados indicam que os professores começaram a atuar na Educação Infantil por conta de vagas existentes somente nesta área, mesmo não sendo sua opção preferência, no entanto, ao longo do tempo vão criando gosto pela área, fazendo dela uma opção intencional hoje em dia. As estratégias utilizadas para suprir as dificuldades, é a confecção e a compra de materiais. Outra estratégia utilizada pelos professores é de adaptar as aulas de Ensino Fundamental para as aulas de Educação Infantil. Relatam que nas instituições em que atuam, não há uma política de formação permanente, o que existe é troca de idéias, e materiais entre os professores. A formação oferecida pela Secretaria Municipal de Educação, que se dá uma vez por mês, não supre as necessidades desses sujeitos, pois é uma formação onde se encontram todos os professores da rede municipal, de todas as áreas. Por isso o foco dessa formação é para o Ensino Fundamental e não para a Educação Infantil. Os sujeitos relatam que formação específica para a Educação Infantil, se dá somente duas ou três vezes por ano, e por isso os mesmos têm que ir buscar a formação individualmente através de pesquisas. A formação permanente recebeu pouca ênfase por parte dos professores ao falarem sobre as estratégias que utilizam para atender suas necessidades advindas de sua atuação na Educação Infantil. Hoje o mundo do trabalho busca profissionais comprometidos com a realidade em que atuam, e não instrutores, por isso, o profissional tem que continuar buscando formação para suprir as necessidades de sua atuação, para que possa realizar um trabalho coadunado com as demandas de seus alunos.

Palavras chave: Formação Permanente, Educação Física, Educação Infantil.

5

Á minha família, principalmente meus pais, pelo apoio que me deram este tempo todo. Sem vocês eu não teria chegado até aqui. Amo muito vocês... Muito obrigada também aos meus

professores. Em especial a Professora Lílian Beatriz S. Rodrigues.

. enquanto conhecimento e valorização pessoal. Rodrigues. outros nem tanto.. pelo apoio que me deram durante todo esse período. Com toda a certeza.. mas que de qualquer forma contribuíram cada um com sua parcela para minha formação.6 AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar agradeço a Deus. Trabalharam dobrado. pela acolhida. Revestiram minha existência de amor. e principalmente pela paciência. Aos meus pais Luiz Carlos Diefenthaeler e Elizabeth Macedo Diefenthaeler. Já por isso seria infinitamente grata. dedicação e solidariedade na construção desse trabalho. mas amigos e companheiros... não foram apenas pais. Com toda a certeza. mesmo nas horas em que meus ideais pareciam distantes e inatingíveis e o estudo.. confiança e respeito às minhas limitações. é a intensidade de tua presença em tudo que faço.. Abriram a porta do meu futuro. um fardo pesado demais. Em especial.. Só posso desculpar-me por minhas falhas e agradecê-los por tudo o que foram. são. Mas vocês não se contentaram em presentear-me apenas com ela. carinho e dedicação. iluminando meu caminho com a luz mais brilhante que puderam encontrar: o estudo. numa união que me incentivava a prosseguir.. à Professora Mestre Lílian Beatriz S. Você foi uma estrela compreensiva. uns com mais intensidade. que contribuíram muito para o processo de minha formação. Aos colegas do curso. Expresso aqui minha gratidão aos Professores e Professoras do curso de Educação Física. amizade. mais importante que o lugar que ocupas em mim. De vocês recebi o dom mais precioso do universo: a vida... que nesse período se fizeram presente em minha vida. pois. e por muitas vezes renunciarem de seus sonhos para que eu pudesse realizar os meus. sacrificaram seus sonhos em favor dos meus. se não fosse o seu apoio eu não teria conseguido. Muito obrigada a todos vocês. Tantas foram às vezes que o meu cansaço e preocupações foram sentidos e compartilhados por vocês. só cheguei até aqui porque vocês me proporcionaram tudo isso. . fizeram e fazem por mim...

........ 15 2...................1 A Atuação dos Professores de Educação Física na Educação Infantil ............. 39 VI ANEXOS .................2 Formação Permanente dos Professores de Educação Física ..... 8 1..........................................................................7 SUMÁRIO RESUMO................... 21 III ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ........ 36 V REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................2................................................. Objetivos e Questões de Pesquisa .......................................................................... 31 IV CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................3 Percurso Metodológico ............................................................................. 25 3.......................3............................................................................... 6 I INTRODUÇÃO ................................................ 10 1.......2 A Formação Permanente Diante da Realidade Pesquisada .................................................1 Contextualização do Estudo ........................................ 11 II REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................ 15 2.........................................................1 Formação Inicial em Educação Física ........................................................................................................................................................................ 25 3....................................................................................................... 45 .. 17 2.......... 8 1........... Educação Física na Educação Infantil ................................................................................................................................

Muitos estudiosos e pesquisadores têm se debruçado sobre o estudo da Infância e das Crianças. por intermédio de atividades que contemplassem a área motora. bem como. o que possibilitaria um maior sucesso na alfabetização. Da mesma forma. dando suporte às aprendizagens de cunho “cognitivo” (RODRIGUES. No ano de 1988. atrelado à proposta políticopedagógica das instituições de ensino.8 1.394/96 (Brasil. a Educação Infantil passou a integrar oficialmente o sistema educacional brasileiro. teve como função instrumentalizar o aspecto psicomotor das crianças. 1996) apresenta a Educação Física como componente obrigatório da Educação Básica e. O tema surge em decorrência de estudos realizados durante a minha formação. Uma delas é a Educação e os espaços e práticas pedagógicas apropriadas à faixa etária. e desde 2005 faz parte da Educação Básica.1 CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO O presente estudo que foi aprovado pelo Comitê de Ética. também passa a fazer parte do currículo da Educação Infantil. 1988). de experiências vividas durante os estágios curriculares obrigatórios já realizados. A Infância é compreendida a partir da concepção ou da representação que adultos realizam sobre um período específico da vida humana nos fala Kuhlmann Jr. A historiografia aponta que a Educação Física ao surgir na Educação Infantil. . surgem necessidades e direitos. diante de sua prática pedagógica. preocupando-se em respeitar as crianças como sujeito de direitos e produtoras de cultura. tem como tema a formação permanente dos professores que atuam na Educação Infantil. com a Carta Constitucional (Brasil. a Lei 9. Na vida concreta desses sujeitos. (1998). sendo que esse período é vivido por um sujeito real e concreto que denominamos de “criança”. INTRODUÇÃO 1. que corresponde a fase inicial.

que durante a realização de seu trabalho de conclusão de curso: “Educação Física na Educação Infantil: Reflexões pedagógicas acerca dos conteúdos veiculados nas aulas de Educação Física na Educação Infantil no município de Chapecó” (2007). A presença da Educação Física na Educação Infantil vem se constituindo muito recentemente. haja vista. os cursos de formação em Educação Física. a Educação Física está presente na Educação Infantil desde 2005. a Educação Física a serviço de outras áreas do conhecimento. Por exemplo. que deveriam contemplar a formação para o contexto escolar. A formação em Educação Física no Brasil teve como ênfase. surgiu a falta de informações e produção teórica disponíveis para suprir as demandas na área. apesar de ter uma disciplina denominada de Educação Física Infantil. esse assunto não será contemplado nesse estudo. segundo a autora. são explorados inadequadamente contribuindo para a desqualificação e . sua ementa esteve voltada à ginástica de 1ª a 4ª séries. entre ginástica e esportes. Fatos parecidos. senão idênticos. também foram observados durante a realização de meu estágio curricular obrigatório na Educação Infantil. Um dos trabalhos realizado por Santos (2009).133.9 2005). quando não. há conhecimentos que tratam da especificidade da infância embora de forma mais superficial e. na 1ª matriz . Marcados pela dicotomia dilema entre especialidades e generalidade. Esta perspectiva de Educação Física vinculava-se aos princípios da Educação Infantil de cunho compensatório. o mundo do desporto e mais recentemente. o mundo do fitness. Entre as reclamações. portanto. objetivou investigar a produção teórica na área em periódicos brasileiros. 2003). especialmente os de licenciatura. muito distante das necessidades da Educação Infantil. Em pesquisas anteriores já realizadas por egressos do curso de Educação Física. perdem-se num rol de conteúdos que. entre teoria e prática. também percebemos esta defasagem. entre eles o que dá conta da defasagem de conteúdos para a infância na Formação Inicial. entre contexto formal e não formal. Olhando para o currículo do próprio curso de Educação Física da UNOCHAPECÓ (Projeto de reordenamento curricular do curso de Educação FísicaCCEF. verificou a existência de limitações e dificuldades por parte dos professores em relação ao trato pedagógico nesse contexto. ou seja. do restante da escola. muita vezes. Por exemplo. fica evidente que os professores de Educação Física ressaltam a dificuldade de trabalhar na Educação Infantil. no Município de Chapecó/SC. Embora um campo amplo para debates.

minha preocupação se volta a pesquisar e compreender a seguinte questão: Quais as estratégias de formação permanente utilizadas por professores de Educação Física para atender as demandas de sua atuação na Educação Infantil? 1. 2005). das interações e da leitura de mundo por parte das crianças. considerando o já produzido no próprio curso de Educação Física da UNOCHAPECÓ. Atualmente. p. .2 OBJETIVOS E QUESTÕES DE PESQUISA Considerando o acima exposto. alguns de nós julgam que valorizam a licenciatura transformando-a numa imensa coleção de disciplinas ligadas a recreação. Nesse sentido. busca-se uma prática pedagógica da Educação Física na Educação Infantil que contribua para ampliação das linguagens. Licenciatura em Educação Física têm fracassado fundamentalmente.. . o objetivo geral foi: analisar como os professores de Educação Física vem realizando sua formação permanente para atender as demandas de sua atuação no contexto da Educação Infantil. O dilema maior é sempre o quê e como trabalhar. esporte. Como objetivos específicos foi elencado: . haja vista as dificuldades encontradas pelos profissionais que tem a sua formação fortemente influenciada pelo modelo do esporte de rendimento. porque seu foco prioritário de estudo não está na pré-escola e nas escolas de 1º e 2º graus. e na utilização de atividades físicas dentro delas.10 desvalorização dos saberes dos professores de Educação Física (RODRIGUES.Identificar na formação inicial dos professores os conhecimentos relativos à Educação Infantil. percebi a dificuldade dos professores em lidarem com esta nova área de atuação da Educação Física. minhas percepções como acadêmica em campo de estágio e a própria literatura brasileira na área. de conteúdos necessariamente superficiais em função dos limites da carga horária. 249-250). mas em outra parte qualquer onde o aluno possa futuramente encontrar emprego [. Isto ocorre segundo Betti (1992.. Também durante meu Estágio Obrigatório realizado na Educação Infantil. porque Equivocadamente. etc. dança.Caracterizar o processo de formação inicial dos professores da Educação Infantil.]”.

Triviños (1987). Molina Neto (1997) afirma: . Diante disso. procurando entendê-las de forma contextualizada.11 . De acordo com Triviños (1987).Quais são as fontes e forma de formação utilizada pelos mesmos? . ou seja. assumo a abordagem qualitativa.Os custos dessa formação são por conta de quem? . auxilia no suprimento das mesmas? . foram elaboradas questões de pesquisa. e interpretação das informações recolhidas durante o processo investigatório.A formação realizada em decorrência das necessidades da prática pedagógica exercida na Educação Infantil.Existe uma política de formação permanente nos Institutos onde os professores atuam ou na rede de ensino da qual fazem parte? 1.Verificar de quais modalidades de formação permanente os professores vêem participando. questões ou perguntas de pesquisa são importantes e necessárias para nortear o estudo proposto. mas na compreensão do fenômeno em questão.Identificar as necessidades teórico metodológicas para a atuação na Educação Infantil. análise.A formação inicial possibilitou conhecimentos necessários para atuar na Educação Infantil? . e que os estudos descritivos exigem do pesquisador uma série de informações sobre o que se deseja pesquisar. . pois esta não ocorre somente a partir da operacionalização de variáveis. afirma que a maioria dos estudos que se realizam no campo da educação é de natureza descritiva. São as seguintes as questões: .Quais são estas necessidades percebidas? .Os professores identificam a necessidade de formação diante de sua prática pedagógica? .3 PERCURSO METODOLÓGICO Este estudo se caracteriza como pesquisa descritiva. Nesta perspectiva. a partir do próprio contexto e toda sua complexidade. A pesquisa descritiva se centra na descrição. compreender o significado do que as pessoas fazem. Pode-se dizer que a pesquisa qualitativa valoriza os procedimentos de coleta de informações que compõe e realidade do fenômeno a ser pesquisado.

me dirigi até a Secretaria Municipal de Educação (SME) de Chapecó-SC. sendo substituída por outra professora. Duas delas tiveram sua formação em uma instituição privada do Rio Grande do Sul. sendo que ambos possuem especialização. A idade do gênero masculino está entre trinta e um e trinta e dois anos. A seguir apresento a população e amostra do respectivo trabalho. A média de atuação no magistério desses sujeitos é de oito anos. A amostra foi composta por cinco professores de Educação Física. para contato com os professores que foram esclarecidos e convidados a participar do estudo. . Todas possuem especialização. para saber quem eram os professores de Educação Física que possuíam mais tempo de serviço na Educação Infantil. Esses professores atuam na Educação Infantil. quatro aceitaram prontamente o convite. que serão identificados ao longo do trabalho por letras do alfabeto.12 (. sendo dois do gênero masculino e três do gênero feminino. sendo que os dois possuem habilitação em Educação Física. Após a indicação por parte SME. Em relação ao gênero feminino são três sujeitos. não aceitou participar do mesmo.. sendo que dos cinco indicados. Todos atuam em outras instituições de ensino. Uma das professoras. tendo realizado sua formação em instituição privada do estado de SC. A atuação dos professores no CEIM pesquisado é de três meses. que vão do A ao E. e a outra teve sua formação em uma instituição privada em Santa Catarina. O primeiro critério de escolha dos participantes da pesquisa foi o tempo de atuação docente na Educação Infantil. no entanto. ou seja.. A pesquisa foi realizada com professores de Educação Física que atuam na Educação Infantil em CEIM’s da Rede Municipal de Ensino de Chapecó-SC. cuja idade varia entre vinte e nove e trinta e um anos. Os mesmos atuam em caráter temporário. Para isso. tendo por referência o tempo de atuação na Educação Infantil. também indicada pela SME. sendo que todas possuem habilitação em Educação Física. dirigi-me aos CEIM’s. possuem contrato por tempo determinado no CEIM onde atuam. habilitados. não sendo concursados. tendo uma carga horária de quarenta horas.) o termo qualitativo é empregado para sustentar um leque de técnicas de investigação centradas em procedimentos hermenêuticas que tratam de descrever e interpretar as representações e os significados em que um grupo social dá à sua experiência cotidiana.

A média de atuação desses sujeitos no magistério é de nove anos. p. Essas professoras atuam na Educação Infantil. O principal motivo deste zelo é a possibilidade de comparação com o mesmo conjunto de perguntas e que as diferenças devem refletir entre os respondentes e não nas perguntas (LODI apud LAKATOS.13 A situação funcional dessas professoras é de caráter temporário. Para uma maior organização. A atuação mínima das professoras no CEIM pesquisado é de três meses. Além da entrevista estruturada eu iria fazer a análise documental. que segundo Bardin (1977. pois os professores não levaram seus históricos na entrevista. compreensão e aprofundamento sobre o objeto de pesquisa foi utilizado como instrumento a entrevista estruturada. segundo a autora: . por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) das mensagens (BARDIN 1977. é aquela onde as perguntas são previamente formuladas e tem-se o cuidado de não fugir a elas. Todas foram gravadas e transcritas na íntegra. que é elaborada mediante questionário estruturado. sendo que quatro foram realizadas no próprio local de trabalho por opção dos próprios participantes e uma ocorreu na casa da entrevistada por opção da mesma. tendo como técnica a “Análise de Conteúdo”. tem como objetivo “estudar as comunicações entre os seres humanos com ênfase nos conteúdos das mensagens”. A partir das informações provenientes das entrevistas foi realizada a análise de dados. por conta da não presença do professor no dia e hora marcada no CEIM. sendo que uma delas atua a cinco anos na mesma instituição. não sendo concursadas. p. Todas atuam em outra instituição de ensino. 51). tendo uma carga horária de quarenta horas. Uma das entrevistas foi agendada por mais duas vezes. 51). Esta analise é constituída por três etapas. 1996). porém tive muita dificuldade. Eles disseram que tinham dificuldade em encontrar seus históricos e acabaram não levando. visando. ou seja. obter indicadores quantitativos ou não. É um conjunto de técnicas de análise das comunicações. As entrevistas foram realizadas com agendamento prévio. Em todas as entrevistas fui muito bem recebida pelos professores. possuindo contrato por tempo determinado.

estabelecer as conexões e idéias possíveis entre a realidade pesquisada e o referencial teórico utilizado.Interpretação inferencial: Esta é a fase na qual os dados que foram recolhidos desde a pré-análise foram interpretados. . .Descrição analítica: caracterizou-se pela exploração dos materiais. .14 . leitura de documentos necessários. procurando aprofundar os fatos. unidades de significado e categorizados a partir das falas dos participantes. explorei-os e organizei em grelhas. Através dos dados recolhidos nas entrevistas.Pré-análise: Destinou-se a organização do material. escolha de referencial e a elaboração do roteiro para a entrevista estruturada.

1 FORMAÇÃO INICIAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA A formação inicial em Educação Física vem passando por um processo de discussões e algumas mudanças. p. 1994). num continuísmo hegemônico”. É reflexo das próprias discussões que passaram a ganhar espaço no cenário da Educação Física brasileira. . Em estudo que também trata da questão da reestruturação curricular nos cursos superiores de Educação Física. A forte influência do Método Francês foi determinante. Esse Método serviu como referência não apenas para a formação militar como também para o sistema de ensino no final da década de 20 (GOELLNER. pois reunia exatamente as duas tendências citadas acima. Mocker (1995. embora apoiadas em um poderoso discurso. principalmente a partir de final dos anos 70/início dos anos 80. 03/87. neste processo.15 2. A Educação Física tem suas origens fundamentais nos domínios intelectual da medicina (daí seu caráter higienista) e empírico dos militares. Porém. 1996). 003/CFE/87. marcas que traz ainda hoje. pouco trouxeram de alterações significativas à realidade das instituições de formação da área (GUNTHER. essas mudanças. somada a outras influências que sofreu ao longo do tempo. que trouxe orientações e princípios para a organização dos currículos e atribuiu às Instituições Superiores de Educação Física a responsabilidade de oportunizar discussões sobre a área que pudessem subsidiar a possível oferta de bacharelado e/ou licenciatura (NASCIMENTO. 2000). 204) aponta para a possibilidade de escolha. por “uma transformação numa perspectiva histórico-social concreta ou por uma proposta reformista. REFERENCIAL TEÓRICO 2. Diante das situações existentes na universidade e também das questões específicas da área. As mudanças curriculares nos cursos superiores de Educação Física passaram a se corporificar a partir da Resolução N. a necessidade de mudança se concretizou através da Resolução nº.

Por outro lado. uma formação voltada para a especialização. As alterações curriculares mais recentes. 1995). em ambos os casos. 1993. como uma divisão em que o bacharel estaria voltado para o estudo acadêmico. Talvez a situação seja melhor caracterizada como reforma do que mudança. de formação humanista. De uma parte. O que tem pautado a formação acadêmica em Educação Física é um saber predominantemente instrumental de caráter funcional. ou ainda. uma fragilidade quanto a este aspecto. não há grandes mudanças nos currículos dos Cursos Superiores de Educação Física (TAFFAREL. DIAS. o resultado é a ausência de reflexão que se estende no exercício da profissão (KUNZ. restringindo a prática pedagógica à seleção e aplicação de procedimentos instrumentais que possibilitem a máxima eficácia nos resultados. ainda tomando o conhecimento de forma fragmentada e sob a mesma forma de organização de trabalho (BRAUNER. 1999). 1999. fundada na reflexão crítica. Há um aumento de carga horária com um conseqüente prolongamento do curso. Esse equívoco poderia ser desfeito mediante um entendimento de que. VERENGUER. o que não significa necessariamente alterações na concepção curricular (VERENGUER. Essa . A formação do professor de Educação Física tem oscilado entre manter o seu caráter tecnicista ou recuperá-lo com uma nova leitura. em diferentes Cursos Superiores de Educação Física. há um empenho na formação generalista. Isso contribui para que o futuro professor venha agir sem uma preocupação maior com o caráter pedagógico de sua prática. 1996). constata-se que. que privilegia a competência técnica da docente. (1992). parecem trazer à mostra que não há sinais mais evidentes de mudanças quanto à concepção curricular. o “fazer ciência”. BRAUNER. 1996.16 A possibilidade da permanência da licenciatura e da criação simultânea do bacharelado foi entendida. de fato. para a fragmentação do saber e centrada no saber técnico. existem duas perspectivas que vem sendo desenvolvidas no sentido de promover mudanças na formação profissional em Educação Física. porém em posições opostas. ganha corpo através do bacharelado. equivocadamente. De concreto. e ao licenciado caberia o papel de consumidor desse conhecimento científico. seriam possíveis a produção de conhecimentos em constante interação com a realidade. Através da leitura de alguns estudos recentes realizados sobre a formação inicial de professores de Educação Física. Uma vez que não lhe foi proporcionado o exercício de análise e reflexão dos conhecimentos adquiridos na graduação. 1999). apenas reordenando as áreas de conhecimento superficialmente. Para Faria Jr.

bem como para mudanças de atitude que estejam defasadas. A expressão reciclagem é dada a sua ampla utilização como sinônimo de formação permanente. foi criada por Bachelard.17 ausência de uma concepção curricular que fundamente a organização das disciplinas e as práticas docentes a elas vinculadas torna as instituições formadoras de professores uma presa fácil de discursos que valorizam os interesses do mercado e a hegemonia da algumas concepções teóricas onde a fragmentação do saber e a manutenção de padrões tradicionais de valores têm lugar central (RODRIGUES. em educação. portanto. . fato que não é diferente na especificidade da Educação Física. 2. formação profissional continuada. com a intencionalidade que a acompanha. de acordo com os objetivos que se tem em mente e. 1997). pode ser entendido como especialistas produzindo conhecimento e professores aplicando-o. Isso. De caráter permanente visa propiciar oportunidades de promoção social. O termo tem sua origem no meio empresarial e caracteriza um treinamento para atualização do profissional em relação aos avanços tecnológicos de sua área de atuação. uma vez que esta visa apenas a atualização nos avanços específicos de cada área. 2005). Não podemos esquecer os aspectos ideológicos que permeiam a elaboração e desenvolvimento do próprio processo formativo. ainda que contenham pequenas diferenças. formação em serviço: termos que podem estar agrupados. 1998). A expressão formação permanente segundo Japiassú (1983). Formação permanente pode ainda ser entendida como aperfeiçoamento. não se constitui somente num processo de reciclagem. fundamentalmente. No campo educacional. A redução da formação permanente ao conceito de reciclagem vem ao encontro de uma visão racionalista em que a aplicação de conhecimentos técnicos avançados está distanciada de sua produção (PÉREZ CÓMEZ.2 FORMAÇÃO PERMANENTE DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA A expressão formação permanente permite uma gama bastante extensa de possíveis significados. isso se traduz na busca de atualização de conhecimentos e atitudes e aquisição de novas habilidades em função dos avanços científicos e tecnológicos (IMBERNÓN.

centrado fundamentalmente na experiência prática e outro enfoque. A questão do pensamento prático vem sendo tratada com bastante profundidade. complexa e que.18 Esse tipo de formação. centrado na idéia de reciclagem. traz em si conflitos de valores que implicam escolhas de caráter ético e político. Nesse sentido. a saber: enfoque tradicional. diretamente relacionado a estas disciplinas ou ao modo como são transmitidas. A formação permanente de professores está vinculada à visão que os professores têm de si mesmos e do papel social da Educação Física. é preciso entender que cada uma delas traz em si uma concepção diferenciada do papel de professor. que pressupõe um diálogo reflexivo do profissional com a situação problemática com a qual se vê envolvido. Cada uma dessas perspectivas está associada a uma concepção de formação permanente com objetivos e contornos diferenciados. Pérez Gómez (1998) propõe quatro perspectivas de formação docente: Perspectiva acadêmica. Perspectiva de reconstrução social. ao contrário de entendê-las como sujeitos capazes de produzir conhecimento e possuidores de uma saber próprio (MOLINA NETO. através do processo de conhecimento na ação e reflexão na ação. À prática docente não é conferida nenhuma relevância. É uma das perspectivas que vem sofrendo uma evolução importante ao longo deste século resultando na formação de duas vertentes distintas. A perspectiva prática toma o ensino como uma atividade peculiar. com resultados imprevisíveis e processos conflituosos. fortemente marcada pelo contexto onde se desenvolve. 1997). que atendam também aos valores sociais que as fundamentam. cuja ênfase recai na prática reflexiva. Perspectiva prática. O conhecimento pedagógico fica então. Perspectiva técnica. Na perspectiva técnica acadêmica ocorre a ênfase na aquisição de conhecimentos produzidos através de investigação científica. A perspectiva técnica privilegia a otimização de resultados que devem ser alcançados através de processos de ensino eficientes e econômicos. mostrar-se um técnico competente na aplicação de conhecimentos científicos devidamente traduzidos em procedimentos técnicos didáticos. que são transmitidos na forma de disciplinas específicas nos cursos. toma os professores como indivíduos carentes de uma complementação que as torne realmente competentes. Para que se possa compreender como e de que se constituem as iniciativas de formação permanente que são oferecidas aos docentes. O processo reflexivo conduz a um questionamento não apenas de técnicas e . neste caso. O professor deve.

mas devem ser dispostos de forma a atender uma práxis pedagógica que se desenvolve em um cenário sociocultural específico. o que caracteriza os professores como profissionais reflexivos. p. 1978. mas também dos próprios princípios e valores aos quais se vinculam seus conhecimentos (SCHÖN. O professor tem de se tornar um navegador atendo à burocracia. uma vez que toda a atividade humana. Schön (1995. principalmente quando se refere às possibilidades de compreensão da prática através de uma reflexão apenas circunscrita à prática docente (GUNTHER. exige um mínimo de ação mental. É sobre esse fundamento que se assenta a capacidade humana de integrar o pensamento com a prática através da reflexão. de fato. Nesse sentido. Dentro dessa perspectiva os professores assumem o papel de intelectuais orgânicos ou transformadores (Gramsci. Estes são os dois lados da questão – aprender a ouvir os alunos e aprender a fazer da escola um lugar no qual seja possível ouvir os alunos – devem ser olhados como inseparáveis. É de grande relevância que os professores possam tomar conhecimento das condições sociais a que estão submetidos no exercício da prática docente. contribuindo para a formação de cidadãos mais críticos frente à realidade em que vivem. intelectuais.. 87) nos diz que: (. 1997. a perspectiva de reconstrução social toma a reflexão como um dos suportes para uma transformação das práticas sociais. . 2000).” Na concepção de reflexão. 1997). entre elas o ensino. com sujeitos concretos (DICKER.. bem como das implicações institucionais que balizam esta prática. mesmo a mais rotineira. Um processo de reflexão bem mais amplo e profundo é apontado como única possibilidade para uma reconstrução social ou uma prática pedagógica transformadora (LISTON E ZEICHNER. E os responsáveis escolares que queiram encorajar os professores a tornarem-se profissionais reflexivos devem criar espaços de liberdade tranqüila onde a reflexão seja possível. 1995). os professores são.) Nessa perspectiva o desenvolvimento de uma prática reflexiva eficaz tem que integrar o contexto institucional. No entendimento de Giroux (1997). 1997) e devem combinar ação e reflexão na sua prática pedagógica cotidiana. Giroux. CONTRERAS. O saber científico e o saber técnico não devem ser excluídos da formação de professores dentro de uma perspectiva crítica. Esta perspectiva vem apresentando as contradições presentes nas idéias de SCHÖN. 1997).19 procedimentos.

O professor pensa e desenvolve sua prática a partir de interesses. tal como nos descreve o autor. da escola. A práxis exercida pelo professor pode-se situar em diferentes tipos ou níveis de consciência sobre a sua prática. indiferente se opta por interesses próprios. segundo Gunther (2000. pode-se buscar o caminho da reflexão na ação. A perpetuação desta relação se dá no cotidiano. científicos ou técnicos são considerados instrumentos de reflexão apenas mediante uma integração significativa. Pensar a prática pedagógica como uma prática social transformadora exige. quando os professores se afastam da Universidade e vão para a prática. dos alunos. como não há prática pedagógicas que seja neutra (FREIRE. Ocorre que o pensar ingênuo só se transforma em um pensar crítico mediante um processo de reflexão constante sobre a prática. quando se estabelece uma relação com a realidade vivida e sobre a qual se atua (PÉREZ GÓMEZ. O que pode resultar a prática espontânea segundo Freire (1997) é o saber ingênuo. que é reforçada na formação do professorado. não há prática desinteressada. tal qual o pensar crítico. Segundo Vázquez (1977). como numa passagem do mundo das idéias para o mundo real. realizada com finalidades já desejadas e articulando diversas ações em um processo consciente. que tem sua origem. 1997). não é possível reduzir a prática pedagógica dessa disciplina à seleção de conteúdos atualizados. desprovida de um trabalho intelectual. A origem desta visão talvez esteja vinculada com o término da graduação. resultando no que este mesmo autor denomina de “práxis espontânea” e “práxis consciente”.20 Essa caracterização de intelectuais. inspirada em Marques(1992) e Freire(1997). Ao contrário. Nesse sentido a formação permanente necessita conjugar alguns fatores. Sob essa perspectiva os conhecimentos acadêmicos. portanto. entre outras coisas. 1997). como . teóricos. Sendo a Educação Física uma prática social. a aceitação de que também os professores estejam imersas no processo de transformação e que se disponham a superar a forma dicotômica como costumam situarse educadores e educandos (FREIRE 1983). que. 36). p. revela uma relação dicotômica entre Teoria e Prática. durante a graduação. enfim. quando os professores de Educação Física que atuam nas escolas percebem seu trabalho como uma atuação prática. a define como atividade de caráter específico. a prática pedagógica pode ser caracterizada como práxis. procedimentos e competência na aplicação dos mesmos. na curiosidade.

Na proposta psicomotora o objetivo é promover o desenvolvimento de . em sentido mais restrito. Um grande salto já foi dado em relação à forma com que a Educação Física era trabalhada com as crianças. 1995). No entanto nem sempre isto ocorre. ficando o processo pautado por procedimentos de caráter funcional. bem como a produção do conhecimento voltada para esse nível. restringindo a prática pedagógica à seleção de procedimentos instrumentais que possibilitem a máxima eficácia nos resultados (KUNZ. A partir da década de 1970. dentro de uma perspectiva de reconstrução permanente da própria prática pedagógica. não são recentes. 2. conforme Charlot (1986) quanto à inserção da Educação Física na Educação Infantil. a preocupação é buscar uma proposta de Educação Física na Educação Infantil que possa contribuir e ser relevante na formação do ser (OLIVEIRA. ou até mesmo. desarticuladas uma nas outras. Na década de 1930 a Educação Física foi enfatizada na perspectiva da recreação através de atividades espontâneas experimentadas pela criança com fim em si mesmo ou como atividades propostas pelo professor. sendo uma solução para o fracasso educacional e. A formação permanente surge como um auxílio para profissionais da Educação. No Brasil. que privilegia a competência técnica do docente. a competência técnico-científica. uma ajuda cuja finalidade é aprimorar ou possibilitar mudanças nas questões de ordem pedagógica. Hoje. a competência comunicativa e da argumentação a fim de contemplar uma adequação aos avanços tecnológicos e científicos e às conquistas sociais. ao fracasso da alfabetização.. reconstrução esta. O que tem pautado a formação acadêmica em Educação física é um saber predominantemente instrumental de caráter funcional. fazer mudanças no seu desenvolvimento e aplicação de conteúdos.] a experiência. a psicomotricidade adentrou esse cenário pedagógico. 2005). desde o século XIX é possível verificar a existência de debates sobre o papel da Educação Física (então denominada ginástica) nas instituições educacionais para crianças de até 6 anos de idade. no entanto.21 [.. que se faz através da reflexão crítica sobre essa prática.3 EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL A presença do profissional da Educação Física na Educação Infantil é um fato recente.

22 todas as potencialidades da criança. sendo essas situações de aprendizagem diferenciadas qualitativamente daquelas que perpassam a vida fora da escola. em processo de desenvolvimento. permitindo a interação da criança com outras pessoas e com o mundo dos fatos e dos objetos socioculturais. é necessário que se saiba quais são as mudanças ocorridas tanto no intelecto. O papel do professor de Educação Física neste momento é dar de muitos aspectos que se relacionam com a criança e que estão envolvidos direta ou indiretamente com seu processo de aprendizagem. Para tanto. Segundo Silva (2005). onde ocorre a mediação do conhecimento na Educação Infantil. em que o movimento. 2005). cria. se movimenta e forma sua cultura (OLIVEIRA. O movimento é considerado o primeiro facilitador do desenvolvimento cognitivo. um ser humano histórico e social. afetivo e psicomotor da criança (ARRIBAS. 1992). como ser que pensa. começa a viver uma nova realidade em sua vida. a Educação Infantil torna-se assim um espaço fundamental para a construção de novos conhecimentos. 2005) a consolidação de quaisquer propostas de Educação Infantil deve considerar o fortalecimento de uma concepção de criança que a considere como ser humano completo. Segundo Debortoli e Borges (apud OLIVEIRA. quanto no físico e no aspecto comportamental neste período (MACHADO. É a vivência no meio humano que permite o desenvolvimento psicológico na criança. Ao final da década de 1980 ganha força também à perspectiva da Educação Física voltada para o desenvolvimento motor. buscando desenvolvê-lo em um todo. A primeira reação da criança quando é levada para o centro de Educação Infantil pela primeira vez é chorar e não querer que o pai ou a mãe vão embora. A Educação Física Infantil deve estar voltada para as especificidades da infância. pois ela não . age. focando a dimensão lúdica do movimento humano. a linguagem e a expressão lúdica estejam no centro das discussões possibilitando que as crianças atuem como sujeitos de suas aprendizagens. inserido numa dada realidade e em determinada cultura. Um projeto de Educação Física para Educação Infantil deve superar o discurso do desenvolvimentismo. A criança na idade da Educação Infantil. É através do convívio social que a criança interage e estabelece contato com outras crianças e adultos. 2000). ao iniciar seu processo de escolarização.

é por essa via que ela experimenta. pois temos um papel muito importante como educadores e em algumas situações à maneira que ele agir com a criança ele vai fazer a diferença para o resto da vida dessa criança. facilitando a realização do movimento. criando situações nas quais a criança se sinta a vontade naquele ambiente e passe a gostar dele. É nessa hora que o professor entra em ação. para o profissional de Educação Infantil. uma prática pedagógica satisfatória para o professor e a criança. assimila e reconstrói seu ambiente sócio-histórico para aprender e desenvolver-se (SILVA. em termos de elaboração de conhecimentos advindos do exercício ativo de papéis sociais. havendo assim. a sua ação tem que ser coerente com o que ele diz. que materializam ação enquanto atividade orientada a objetivos. . pula. em que.23 entende o porquê de ter que ficar ali naquele espaço. O lúdico é importante porque possibilita o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais. A presença do caráter lúdico das atividades a serem desenvolvidas com as crianças da Educação Infantil é de importância relevante. assume papéis sociais. a necessidade de oferecer condições que viabilizem as interações lúdicas tem como suporte o reconhecimento do especial valor dessas interações para as crianças. O professor tem que ter uma postura ética e exemplar. psícosociais e motoras com mais facilidade. sendo o seu principal objetivo. pois ele passa a ser uma referência à criança. subjetividade e objetividade. pega. Para as crianças. corre. Os professores devem proporcionar às crianças. Temos que dar prioridade para essas práticas na Educação Física na Educação Infantil para que as crianças não tenham dificuldades em suas práticas corporais. vivências que dêem subsídio para a sua formação corporal. para facilitar as suas práticas corporais. estabelece vínculos afetivos. dança. os desafios colocados por seu ambiente natural e social são vivenciados como uma totalidade. emoções e imaginações misturam-se e constituem-se concretamente pela via do contato e da expressão corporal. o processo de formação. 2005). conhecimentos estes imprescindíveis ao desenvolvimento da consciência de si e do outro. Segundo Machado (1992). isso facilita o trabalho do professor. A instituição de Ensino Infantil deve ter a intenção de elaborar um planejamento que vise acompanhar e avaliar o desenvolvimento e evolução da criança nesse contexto. com aquelas crianças que ela não conhece.

a livre expressão da criança. a utilização de sua criatividade. De certa forma os professores precisam estar atentos à bagagem cultural.. suas atitudes devem ser as mais corretas possíveis. Por extensão. exercer melhor o seu papel. principalmente. em muitos casos ele é visto como um herói. portanto. ele poderá corrigi-la e cobrar dela um melhor comportamento com toda segurança. de modo a permitir. p. que a criança passa a se superar e acumular novos conhecimentos. a Educação Física. Não podemos deixar de lado o papel de professor que é muito importante nesse processo. tão importante quanto os outros. a vida e ao cotidiano dos alunos. proporcionando o aprendizado de novas formas.24 Nesse sentido. Deste modo é através dessa ação. De acordo com Shigunov e Shigunov Neto (2001). Sem essas interações a escola não é nada mais que uma imensa concha vazia. elas formam raízes e se estruturam no âmbito do processo de trabalho escolar e. Para Tardif e Lessard (2007. além de sua formação. sendo assim. o professor deve saber da importância que ele tem para a criança. Quando o professor passa a criança uma nova brincadeira. instigando-a a um novo conhecimento. assim. uma maior significado à eles. 1999). quando a criança tiver um comportamento indisciplinar. sendo que o mesmo tem como recurso. cuja aprendizagem possa colaborar para que os objetivos da educação escolar sejam alcançados (FREIRE. ele contribui para o desenvolvimento do eu da criança. o repensar da prática docente requer um estudo sobre as questões históricas e filosóficas ocorridas no passado. o novo saber se faz presente. através dos movimentos. então. deve apresentar objetivos claros e um corpo de conhecimentos específicos e organizados. novas regras e. para que possa entender a realidade dos fatos atuais.. 23) [.] a escolarização repousa basicamente sobre interações cotidianas entre os professores e os alunos. para poder assim. para ser reconhecida como um componente curricular. transmitir um conhecimento específico e garantido. do trabalho dos professores sobre e com os alunos. Mas essas interações não acontecem de qualquer forma: ao contrário. .

Vários fatores vêm contribuindo com a situação. A Lei 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases.. [. pois segundo Molina Neto (2005.] com as finalidades. Neste sentido. por isso. Essas ações são movidas por diferentes fatores. ou seja.1 A ATUAÇÃO DOS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL A Educação Infantil vem conquistando maior visibilidade no cenário educacional brasileiro nas últimas duas décadas. que ocorrem ao longo da permanência dos profissionais no seu campo de atuação. 1996) também traz importante contribuição ao incorporar essa faixa etária como sendo a primeira da Educação Básica. 3. mais especificamente em CEIM’s pertencentes à rede municipal de ensino de Chapecó-SC. falar de formação permanente é falar de intenções diferenciadas. a partir da realidade de ser e estar professor e professora de Educação Física na Educação Infantil.. p. quanto em conformidade com os objetivos e a intencionalidade do sujeito que se qualifica por iniciativa própria ou adere às propostas de formação das instituições formadoras. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS A formação permanente compreende um conjunto de ações bastante amplas e por vezes complexas.205) isso tem relação. projetos e atividades de formação permanente para os professores. Fato importante ocorreu por conta da Constituição de 1988 que atribui como sendo um direito da criança de 0 a 6 anos o acesso a Instituições Educacionais.25 3. a presente etapa do trabalho visa apresentar os resultados sobre a formação permanente sob o ponto de vista dos professores. . inspirações ideológicas das instituições que promovem programas.

o professor de Educação Física. Objetivando analisar a presença desse profissional a partir de sua própria percepção sobre sua atuação na Educação Infantil. recreação e aprendizagem motora”. em 2005. nessa etapa da Educação Básica. o outro grupo falou do gosto e da identificação com a área. é bastante recente a presença desse profissional nessa realidade. Todos relatam que em sua formação inicial não tiveram conhecimentos específicos que lhes permita trabalhar com a criança da Educação Infantil de forma mais segura. As respostas apresentaram categorias diferenciadas. Logo. dando ênfase. fazendo com que alguns inclusive solicitam sua dispensa como professores. considerando as necessidades da Educação Infantil. com pós-graduação em nível de especialização. tendo sido inserido na dinâmica curricular em questão. ao conhecimento relativo ao movimento humano. Relatam que tiveram disciplinas que podem contribuir com “alguma coisa”. como anteriormente já apresentado. procurando levantar dados que possam subsidiar informações relevantes para o campo da formação profissional. é bastante grande. de Centros de Educação Infantil. principalmente nos berçários. foco do presente estudo. quando algumas instituições trazem para o interior do currículo escolar. A presença do professor de Educação Física no âmbito da Educação Infantil também é assumida pela Secretaria de Educação do município de Chapecó-SC. Enquanto um grupo falou sobre características pertinentes ao desenvolvimento dessa faixa etária e o papel do professor. O que causa um impacto considerável. somente uma das entrevistadas possui especialização relacionada à infância. Portanto. Todos os docentes entrevistados possuem formação na área. aos participantes. inicialmente. para dar conta dessa especificidade. surge um novo movimento no âmbito da educação brasileira. como “ginástica. (faixa etária de 04 meses a 02 anos aproximadamente).26 A organização curricular da Educação Infantil também ganha nova roupagem com o a aprovação dos Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (1998). ressaltam que a insegurança inicial em trabalhar com crianças. No entanto. . realizei entrevistas com questões abertas. muitos docentes já passaram pelas instituições que atendem as crianças de 0 a 06 anos denominados. Desde então. mais especificamente. Neste sentido. entre outros. como têm percebido sua atuação como professores de Educação Física na Educação Infantil. Optei por perguntar. como o professorado vem realizando sua formação permanente.

) trabalhar com o desenvolvimento motor.. mas também destacam a importância do gosto pela faixa etária com a qual atuem. então tiveram que se adaptar e buscar informações.27 Para o sujeito B sua atuação na Educação Infantil está relacionada ao papel que o trabalho com o movimento tem para o desenvolvimento da criança. melhor seu desenvolvimento”. inclusive já escolhe a Educação Infantil por opção. Porém. logo.) quanto mais estímulo a criança da Educação Infantil tem.. se dá de forma descontextualizada. Os sujeitos C e D falam sobre a identificação com a Educação Infantil. a parte maternal da criança. porque a “gente tem que esquecer essas partes”. Por outro lado. No entanto ele dá ênfase ao papel de “pai para depois ser professor”. é que parece que a linguagem de movimento a ser abordado pelo mesmo. Ambas relatam dificuldades. Acha “primordial (. tiveram que atuar em um espaço que não era sua escolha preferencial. não fizesse parte do ato pedagógico. provações de algumas coisas. porque ela vem com medos. Foram trabalhar com a Educação Infantil porque pela sistemática adotada pela Secretaria Municipal de Educação de Chapecó (processo seletivo no qual os interessados se inscrevem e são classificados de acordo com as normas do edital). Portanto. mais materno mesmo. não tiveram escolha.. é importante lembrar que os entrevistados declaram não terem em sua formação inicial conhecimentos específicos para lidar com crianças dessa faixa etária. então a gente tem que trabalhar primeiro essa parte do emocional da criança para depois atuar” (SUJEITO A). A professora D já atua a cinco anos na Educação Infantil e relata que hoje não optaria por atuar em outra etapa. como se a questão afetiva estivesse longe da Educação Física. . era a única vaga que tinha restado. (. na perspectiva desse professor. Também a professora C diz ter se identificado com a área. Isso ocorre. A preocupação com o desenvolvimento da criança também é destacada pelo sujeito A. O que chama a atenção nessa fala.. salientam que começaram a atuar nesse espaço por acaso. porém depois de algum tempo de trabalho com a mesma. realizar cursos para saber como trabalhar com a Educação Infantil. se referindo ao motor. é compreensível que tal fato tenha chamado a atenção do professor. “É fazer até mesmo a parte de pai e mãe.

Lovisolo (1997) destaca três motivos que explicam a conduta dos mesmos. O sujeito E já destaca outro fator. 1-2). também sentem prazer e querem ficar porque gostam do que estão fazendo. conseguiram superar dificuldades." Esses três elementos podem associar-se ou contrapor-se sob variadas formas e segundo Lovisolo (Ibdem p. porque gostamos e porque obtemos alguma utilidade". 52). Historicamente. o cuidado e a educação de crianças pequenas em instituições educacionais. também tenham declarado sua inexperiência ao iniciar sua atuação com essa faixa etária. é reduzir suas divergências e as tormentas que provocam" (p. Fazendo de seu trabalho um espaço onde podem realizar-se profissionalmente e emocionalmente.28 “Para mim a Educação Infantil foi uma escolha dos últimos anos. ele pôde perceber que os resultados que ele constrói com as crianças são idênticos ao papel desempenhado por professoras. 51 e p. que irá trabalhar com as mesmas. mas que depois com o tempo. hábito ou costume ). b) pretendem alcançar algum objetivo ou finalidade utilitária e c) gostam ou derivam algum prazer daquilo que fazem. embora. Segundo o autor. ou seja.. vou continuar trabalhando com a Educação Infantil por muito tempo” (SUJEITO C). Nessa perspectiva. E mais : "Viver é desenvolver e usar a arte de conciliar os três motivos. “Para elucidar a questão é importante saber que há aproximadamente 94% de mulheres . e eu tenho me encontrado na Educação Infantil. 52) . talvez um mundo feliz. mesmo ao assumirem um espaço para o qual não estavam preparados. De acordo com Sayão (s. regra. que "um mundo humano no qual os três motivos convergissem seria um mundo ideal.d. "a convergência entre os três motivos determinaria uma situação ideal na qual realizamos ações porque a norma assim ordena. tenho percebido minha atuação bem melhor que nas outras áreas do Ensino Fundamental. O que fica evidente nessa fala é a identificação e o prazer que os sujeitos têm de atuar na Educação Infantil. salário. parece que os referidos professores (Sujeitos C e D). as pessoas agem de determinada forma porque: “a) seguem uma norma (lei. Diz ainda. o número de homens atuando na Educação Infantil é bastante reduzido. utilidades e gostos". Fala que primeiramente as crianças têm um choque quando percebem que é um professor “Homem”. sempre foi um papel desempenhado por mulheres. que é a presença masculina no âmbito da Educação Infantil. regulamentação. Se eu puder. porque além de lhes possibilitar a sobrevivência. pois não implicaria em divergências entre normas. Em relação à atuação dos sujeitos em diferentes espaços. p.

como se a creche. como no presente estudo é o caso da Educação Física.d. todos me responderam que a falta de espaço e material adequado é o principal problema encontrado por eles no CEIM onde atuam. “nenhuma disciplina deve diminuir a sua qualidade ou ausentar certos conteúdos por questões estruturais”. É importante lembrar que na construção do projeto político pedagógico da escola ou no caso do estudo. no entanto. Quando questionei os professores se eles têm identificado necessidades e ou fragilidades teórico metodológicas para atuar na Educação Infantil. definidos como a variedade e quantidade mínimas. e como falou (Matos apud Medeiros 2009. o sujeito A.29 que atuam na docência na educação pré-escolar no Brasil”. Esta também deveria ser contemplada. o currículo deveria ser pensado e organizado a partir de suas especificidades. Na Educação Infantil as crianças possuem necessidades diferentes das crianças maiores. 02). Neste caso tanto o papel da instituição como o papel do professor. de um CEI. Essa mesma relação deve ser estabelecida por aqueles que irão atuar por intermédio da Educação Física. 2009. por exemplo. muitas vezes. Além dos fatores acima citados. estas atuações (cuidar e educar) na Educação Infantil devem estar integradas. diz a autora e somente 6% “de homens atuando como docentes em creches e pré-escolas nas Redes públicas de ensino”. s. Ao autor lembra a própria LBD/96 e diz que é obrigação do Estado garantir “padrões mínimos de qualidade de ensino. . uma vez que nos momentos da alimentação. sem diferenciar estas ações. Logo. está cuidando. pois deve cuidar e educar as crianças. higiene o professor está educando. precisam estar bem definidos. A falta de espaços e materiais adequados é um problema da própria educação brasileira. está estimulando a leitura. quando começaram a trabalhar com a mesma. logo.). de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem” (MATOS apud MEDEIROS. em todas as suas etapas. recebem nestas instituições uma educação baseada apenas na maternagem. para promover o desenvolvimento global da criança (OLIVEIRA. por aluno. tiveram muita dificuldade. Quando. a experiência do professor revela uma realidade muito mais ampla do que a do CEIM onde atua. A qualidade das aulas não deveria ser comprometida pela falta de espaço adequado ou materiais necessários. ou a pré-escola fossem uma extensão do lar. 03). e o sujeito E mencionaram que por não terem formação específica na Educação Infantil.

e não possuem a clareza do perfil profissional (professor da educação infantil) como acima já mencionado. questionei-os então. às vezes a gente tem que inventar coisas que nós temos que comprar com o nosso próprio dinheiro. marcado. que estratégias utilizam para suprir tais necessidades-fragilidades para uma melhor organização e atuação na Educação Infantil. muitos problemas que ocorrem com relação à formação inicial do professor de educação infantil afetam o cotidiano das instituições.. disseram que a confecção e a compra de materiais e a criatividade são aspectos fundamentais.d. A partir disso. Considerando a fala dos professores.. predominantemente. está pautada por “procedimentos de caráter funcional”. com objetivos. Em relação aos materiais dizem que. para possibilitar situações significativas para a aprendizagem (OLIVEIRA. Essa forma de proceder dos professores parece que tem relação direta com o seu processo de formação acadêmica. s.). As respostas de quatro sujeitos foram muito parecidas. Segundo Kishimoto (2002). ou seja. então a gente espera demais(.30 O grande entrave está em uma formação inicial que não considera as especificidades da criança pequena. baseando-se nos moldes do ensino fundamental. O papel do professor que trabalha com crianças pequenas é conhecer as necessidades infantis. é possível inferir que as atitudes tomadas por eles. a ação do profissional de Educação Infantil precisa ser intencional. No entanto. se a criança constrói os conhecimentos explorando o ambiente de forma integrada.)” (SUJEITO A). pelo caráter funcional com já disse Kunz . 2002). “Olha. que é tudo por licitação. para organizar situações de aprendizagem a fim de que as crianças ampliem seus conhecimentos e adquiram novas linguagens. planejada. por não ter recurso tanto a nível de estrutura particular ou até mesmo municipal. deixando de atribuir à devida importância as especificidades da educação infantil e a diferenciação das crianças na faixa etária de 0-6 anos A formação do profissional de Educação Infantil precisa levá-lo a compreender que a criança aprende de modo integrado e por isso o ambiente educativo não pode ser organizado de forma disciplinar (Kishimoto. porque decorrem da falta de clareza do perfil do profissional que se deseja formar. e em currículos que não articulam a questão teoria e prática. a formação do profissional também deveria passar por processos similares para facilitar a compreensão do processo de construção do conhecimento.

busca referenciais teóricos que lhe permitem dar um suporte mais consistente para atuar na Educação Infantil. ou como diz Kunz (idem). Como vimos. Diz que procura adaptar as atividades para essa faixa etária a partir das atividades já desenvolvidas nos anos iniciais do Ensino Fundamental: “Com as fragilidades. internet. Outro fator importante é a troca de experiências com seus pares. revistas. adapto elas. no caso dos professores entrevistados. quando fala da necessidade do professor estar imerso no processo de formação. Nesse sentido é importante retomar Freire (1983).31 (1995). A fala desse sujeito faz com que acreditemos que certas atividades que são trabalhadas com os alunos de Ensino Fundamental. Algumas atividades que você trabalha com crianças de primeira a quarta série.. Já o sujeito E fala da utilização de sua experiência de atuação em outras etapas da Educação Básica como possibilidade de resolver alguns de seus problemas enfrentados na Educação Infantil.. e produz com os colegas de trabalho. parece que esta professora tenta buscar outras fontes de informação que não somente sua realidade. eu procuro adaptar elas às atividades que eu utilizava com crianças de Ensino Fundamental. não prejudicando sua faixa etária” (SUJEITO E). A professora C. desde que os professores se proponham a adaptá-las para essa faixa etária e objetivando atender as necessidades específicas da mesma. ou seja. mesmo para aplicar juntamente com outros professores”. se pensarmos a . que poderão lhes possibilitar melhores resultados. 3. confeccionar materiais e inventar “coisas”. vejo elas e realizo uma ou duas vezes pra ver qual é que seria a melhor forma com que a criança consiga se desenvolver. a competência técnica do docente se restringe à seleção de procedimentos instrumentais.2 A FORMAÇÃO PERMANENTE DIANTE DA REALIDADE PESQUISADA A formação permanente recebeu pouca ênfase por parte dos professores ao falarem sobre as estratégias que utilizam para atender suas necessidades advindas de sua atuação na Educação Infantil. Ou seja. uma “máxima eficácia nos resultados” do processo de “dar” aula.) a gente pesquisa bastante em livros. podem ser perfeitamente trabalhadas na Educação Infantil. fala de uma outra estratégia adotada por ela para suprir suas necessidades e que considera relevante e de grande valia: “(.

renovando e trocando idéias com outros professores”. Como nos traz o estudo de Günther (2000. formação em serviço: termos que podem estar agrupados. Para os demais sujeitos. Um aspecto bastante destacado por Nóvoa (1995). pois não podemos mais segmentar a educação”. ou seja: “(. profissional. é necessário que os professores reflitam sobre sua atuação a partir da própria realidade. com suas necessidades. “A partir daquele elemento que você já tem noção. A formação moral. ainda que contenham pequenas diferenças. uma vez que esta visa apenas à atualização nos avanços específicos de cada área. Nesse sentido. Para tal. diz o autor.) não se dá de tempos em tempos. Para os sujeitos C e D. p. Para ele. “formação permanente é a formação com que o professor esteja permanentemente questionando o teu saber e construindo ele. A . cada professor tem que ir atrás de cursos e pesquisas. A formação permanente. gradativamente.. mas para que isso aconteça. visa propiciar oportunidades de promoção social. e ela exige reflexão crítica sobre as práticas e de “(re)construção” permanente de uma identidade pessoal. a experiência é um fator muito importante. A expressão formação permanente segundo Japiassú (1983). não se constitui somente num processo de reciclagem. formação profissional continuada. é a interação que deve existir entre as dimensões pessoais e profissionais para que o processo formativo tenha sentido para os professores. e sim. Assim o papel da Formação Permanente é sempre estar se atualizando. portanto. Formação Permanente é a formação mensal de todos os professores. a formação permanente tem papel relevante. social. deve priorizar aos participantes que estabeleçam nexos com sua realidade. mesmo que se realize fora da escola. todas elas tem a ver com tua formação permanente. 138). a Formação Permanente seria uma capacitação a partir daquilo que o professor construiu. a formação deve vir como um algo a mais para que você consiga desenvolver um trabalho diferenciado e melhor com os teus alunos” (SUJEITO E). Questionei os professores sobre o que entendem por Formação Permanente e qual o papel dela nesse processo.32 prática pedagógica como uma prática social transformadora.. Formação permanente pode ainda ser entendida como aperfeiçoamento.

33 formação permanente é muito importante para preparar o professor para fazer a leitura de onde ele está e para tal não existe uma receita única. pois sempre ficam com dúvidas. o que está ao seu redor (GÜNTHER 2000). tendo que optar por outro espaço. Durante o ano uns dois ou três encontros são feitos só com professores de Educação Física. relataram que essas formações não suprem totalmente as necessidades teórico-metodológicas. perguntei a eles se no CEIM em que atuam. os outros cursos são todos os professores de todas as áreas juntas e as palestras são sobre a educação geral e não especifica para e Educação Física” (SUJEITO D). Quando questionados sobre. “A prefeitura dá uma formação pra gente uma vez por mês. livros e pesquisas. Para finalizar a entrevista. Por exemplo. pois como essa formação são para todos os professores da educação em geral. eles tem que estar sempre se atualizando através de outros cursos. Essa formação oferecida pela Secretaria Municipal de Educação ocorre todos os meses. por intermédio da Secretária de Educação. Então pude perceber a diferença entre esses alunos e ao alunos que estava trabalhando pela primeira vez. quando realizam essa formação e quem custeia ela. O professor deve se preparar para estar apto a ler. e no outro espaço. os professores relataram que a Prefeitura Municipal proporciona a eles uma formação. então nesse outro espaço eu tive a surpresa de ter alguns alunos que eram meus no outro ano. “Eu acredito que tenho conseguido suprir boa parte das necessidades que os alunos teriam. pois é uma formação que ocorre com todos os professores da rede municipal. De acordo com esses fatores. Quem financia essa formação é a Prefeitura Municipal de Chapecó – SC. acham que essa formação supre as necessidades teóricometodológicas. existe uma política de Formação Permanente. questionei-os se a formação realizada em decorrência das demandas de sua prática na Educação Infantil tem suprido suas necessidades teórico-metodológicas. Todos os professores responderam que no . pois conseguem perceber a evolução do trabalho deles com os alunos. Já os demais sujeitos. de todas as áreas. me organizei e fiz com que todos os alunos conseguissem caminhar mais ou menos no mesmo parâmetro”(SUJEITO E). então uma vez por mês a gente não tem aula e faz alguns cursos. eu trabalhava num CEIM no ano passado e acabei por opção da prefeitura. porém não dá conta dos conteúdos da Educação Física. A partir das respostas obtidas. Os sujeitos C e D. mas específicos para a Educação Física não são muitos. com tema abrangentes.

Por isso os professores têm que ir buscar essa formação fora da instituição. e é mais para repasses e recados. Significa possibilitar a articulação entre a atuação do professor na sala de aula e o espaço para reflexão coletiva e o aperfeiçoamento constante das práticas educativas. pois estes encontros em que são repassados recados da secretaria. eu tenho essa sorte de ter duas colegas com que a gente trocar ideias. mas não tem um dia especificamente de parada para realizar uma formação ou um estudo” (SUJEITO D). fica meio dia. O significado para isto é bastante claro: Isso significa recuperar o espaço pedagógico da escola. Esta fala nos faz pensar que ainda há muito que melhorar. .195) O sujeito D destaca a preocupação que a gestora/direção do CEIM em que atua tem. para poder fazer os projetos e planejar suas aulas. Então na verdade. Freitas (1999). Marques (1992) define a escola como o “mundo de referência de todo o processo formativo”. O que existe é uma troca de ideias. um suporte de uma formação permanente que venha ao encontro de suas necessidade. Depende de cada professor o interesse de estar se atualizando e procurando melhorar cada vez mais. refundando-as sempre de novo na produção do saber/competência requeridas. para organização de projetos e repasses da secretaria. livros apostilas e até idéias de novas atividades” (SUJEITO D). trabalhos e atividades com os professores do CEIM. fortalecendo-a internamente e aprimorando as práticas desenvolvidas no âmbito dela. Analisando as ações de formação permanente no âmbito dessas instituições. (p.34 CEIM não tem uma Formação Permanente e sim. Eles não conseguem ter no CEIM em que atuam. “No CEIM. destaca a importância da escola como espaço de formação permanente para o professorado. reuniões uma vez por mês. em fazer com que as professoras de Educação Física possam planejar suas aulas juntas: “A gestora conseguiu fazer um horário onde as professoras de Educação Física possam sentar juntas pelo menos uma vez por semana. por isso a necessidade desse espaço ser o local central de formação. não suprem as reais necessidades dos professores. a gente pára só uma vez por mês.

Um outro fator que chamou a atenção foi que raras vezes os professores fizeram relação da sua prática com o projeto pedagógico da escola. Podemos dizer que o "PPP é um momento do planejamento que vai ficando conhecido como "planejamento participativo" e que busca fazer.35 “Sendo assim. bem como. 1999 p. O Projeto Político-Pedagógico pode ser considerado um processo inacabado. Nesse sentido. Nesse caso. provendo de forma mais intensa. Assim. a escola representa um espaço privilegiado de reflexão em torno das práticas escolares. representa um esforço no sentido de propor ações alternativas. de caráter coletivo. Do mesmo modo compreender criticamente as causas da existência de problemas. atividades que supram as fragilidades da prática pedagógica. há práticas diferenciadas e entendimentos também diferenciados em relação ao processo de formação. ao qual deve juntar-se um diagnóstico para julgar a prática e uma proposta concreta. de grande importância na organização do trabalho pedagógico. suas relações e mudanças. Secretaria Municipal de Educação e gestores dos CEIM’s devem estar comprometidos com as necessidades reais desses espaços. tanto do ponto de vista da escola como da própria comunidade.82) Como vimos. de enaltecer aquilo que de bom acontece em cada espaço. para as instituições cujo primeiro fim é o de contribuir para a construção da sociedade (caso das escolas). também se enquadra o processo de formação dos professores. A reflexão coletiva no próprio local de trabalho viabiliza articulações da contribuição oriunda da participação dos(as) educadores(as) nas mais diversas instâncias de formação. para um tempo de nova prática. 2001). na formação e no desenvolvimento da cidadania (VEIGA. bem como possibilita que a mesma seja contextualizada pela realidade local”. aquilo que o "planejamento estratégico" e o "gerenciamento da qualidade" (GANDIN.15) fazem por outras instituições". parece que tanto professores. qual o resultado da própria organização do trabalho pedagógico em cada instituição escolar. ou seja. . acompanhar sua implementação e avaliar sua execução é fundamental para identificar o tipo de educação que estamos promovendo. o PPP é um dos pilares do planejamento. (p. nesse sentido.

com uma média de nove anos de atuação no magistério. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo teve como objetivo analisar como os professores de Educação Física vem realizando sua formação permanente para atender as demandas de sua atuação no contexto da Educação Infantil. Também foi possível observar que a grande maioria dos sujeitos pesquisados possui especialização na área de Educação Física. pesquisam na internet. não supre as necessidades desses sujeitos. Ao analisar o nível de formação inicial dos professores. As reais necessidades. pois é uma formação onde se . mas de aprender sobre a cultura que os professores vêm formando como profissionais e sujeitos. Alguns entendem a formação como sendo mensal. Os locais da formação dos mesmos são variados. para conseguirem dar conta dessa especificidade. Rio Grande do Sul e Santa Catarina. para que possam suprir essas necessidades-fragilidades. O estudo não representou apenas um momento de juntar dados. que não se dá de tempos em tempos s sim consecutivamente. mas que depende de cada professor ir atrás e estar se atualizando. compram livros. mas concentram-se em dois estados. na maioria das vezes é a falta de espaço e material adequado para trabalhar cm os alunos. trocam ideias. Porém os professores relatam que procuram comprar e confeccionar materiais. pesquisaram em livros e trocaram idéias com outros colegas. Também relatam que na formação inicial não tiveram um suporte didático pedagógico necessário para que pudessem trabalhar com a Educação Infantil. A formação oferecida pela Secretaria Municipal de Educação. verifiquei que todos possuem formação na área. que se dá uma vez por mês. realizando na Educação infantil. Ao identificar o sentido atribuído pelos professores sobre a formação permanente observei que os mesmos buscam atualização de conhecimento e conteúdos fora de suas instituições.fragilidades que os professores encontram em suas aulas.36 4. Por isso foram atrás de cursos. Os entrevistados identificam a necessidade de buscar formação constantemente.

é um processo individual que se funde com experiências individuais de cada professor.78). Trata-se apenas de recusar uma linearidade entre o conhecimento teórico e a ação prática (p. sem desvalorizar a importância dos contributos teóricos. de todas as áreas. que parece estar mais próxima de sua . é necessário incentivar uma aquisição de uma consciência progressiva sobre a prática. A questão dos fundamentos teóricos. e por isso os mesmos têm que ir buscar a formação individualmente através de pesquisas. se dá somente duas ou três vezes por ano. Pelo contrário. Neste sentido. é troca de ideias entre os professores. é ainda uma dificuldade que. de que a teoria é irrelevante. parece estar sendo desmistificada como algo superior ou distante da prática pedagógica cotidiana. uma busca permanente. mas por outro lado. não podemos negar que alguns se apropriarão destes conhecimentos pra reforçar conceitos já estabelecidos. de forma sistemática. no entanto. num permanente ir e vir que qualifique ambas. Também ficou visível nesse estudo que nas instituições em que os sujeitos atuam não existe uma política de formação permanente. A apropriação dos conhecimentos transmitidos nas formações permanentes. A necessidade de existência de uma vinculação entre ambas pode ser um passo em direção a uma relação mais dinâmica entre teoria e prática. Gimeno Sacristán (1995) traz uma importante contribuição a esse respeito: A possibilidade da teoria fecundar a prática é limitada. o impacto dessas formações. Sem dúvida. provocando em cada um deles um impacto diferente. é fundamental. a combinação com uma formação efetiva no interior da escola. lentamente. a consciência sobre a prática surge como idéia-força condutora da formação inicial e permanente dos professores. Não entendo que isso justifique o abandono dessa formação. É possível até se considerar que as participações nestas formações permanentes possam levar os professores a rever algumas de suas concepções. A questão levantada sobre a importância de que a prática pedagógica seja permeada por um processo de reflexão na e sobre a ação também não é algo dado e presente. mas antes. Os sujeitos relatam que formação específica para a Educação Infantil.37 encontram todos os professores da rede municipal. Por isso o foco dessa formação é para o Ensino Fundamental e não para a Educação Infantil. tende a se diluir na prática cotidiana. Esta afirmação não pretende corroborar o sentimento. em uma aparente acomodação. muito corrente no seio dos professores. O que existe.

1995).38 concretização para alguns professores do que para outros. Se as reflexões aqui expressas suscitarem dúvidas. talvez então. ainda inexistente (POPKEWITZ. Provocar reflexões. Para finalizar é importante destacar que não houve uma intenção de criar generalizações que possam ser extrapoladas. . aí seja uma parcela de contribuição dessa investigação. inquietações. Esperar que os professores passem a ser mais reflexivos e ajam com maior autonomia exige que se construa uma tradição de pensamento e de reflexão. mesmo rejeições por parte dos professores e demais profissionais envolvidos com este processo de formação permanente. mais do que prescrever soluções.

Chapecó. BRAUNER. La formación del professorado de educación física en la UFRGS. A formação e a prática do professorado: passado. 1997. CHAPECÓ. presente e futuro da mudança. Perspectivas na formação profissional. UNOCHAPECÓ.39 5. 2003. 1999. DIAS. Laurence. Teresa Leixa. 1997. Projeto de Reordenamento Curricular: Unochapecó. Vicente. 1999. Porto Alegre: Artmed.) Educação Física e Esportes: perspectivas para o século XXI. Porto Alegre. 1992. Bernard. Vera Pereira. M. La autonomia del profesorado. Campinas: Papirus. A educação física de 3 a 8 anos.W (Org. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ARRIBAS. A mistificação Pedagógica: realidades sociais e processos ideológicos na teoria da Educação. Analise de conteúdo. Madrid: Morata. Rio de Janeiro. Porto Alegre. CHARLOT. França: Persona. Tendências teóricas. Curso de Educação Física. 1977 BETTI. Jose Domingo. SC. DICKER. In: MOREIRA W. Que conhecimentos o currículo al da formação inicial possibilita aos jovens professores de educação física trabalhar nas escolas de 1º e 2º graus? Porto Alegre. 2000. 1986. Porto Alegre – Brasil. CONTRERAS. BARDIN. Gabriela. Saulo Mena Barreto e MOLINA NETO.7 ed. . Guanabara.

1999. FREITAS. Métodos e técnica de pesquisa social. 1996. 1997. Ana Lúcia de Souza. 5 ed. Petrópolis. Alfredo Gomes. Consciência e ação sobre a prática como libertação profissional dos professores. 12ed. Amarílio. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Formação Permanente de Educadores: refletindo o processo de constituição da escola por ciclos de formação. São Paulo. FREIRE. Porto: Porto. Educação Física e conhecimento escolar nos anos iniciais do Ensino Fundamental. In: Paixão de Aprender. In: FERREIRA NETO. Vitória: Editora UFES. p. 1995. . Danilo. Porto Alegre. Centro de Educação Física e Desportos. Wagner Wey. Educação Física e Esportes: Perspectivas para o Século XXI. 1999. RJ: Vozes. 78-83. GIL. São Paulo: Paz e Terra. GOELLNER. 1997.11. Gandin. (Org) Profissão Professor. São Paulo: Atlas. E. Pesquisa histórica na educação física brasileira. Paulo. 63-92. Silvana Vilodre. S. Antonio Carlos. Temas para um projeto político pedagógico. Campinas: Papirus. Paulo. GIMENO SACRISTÁN. Henry. A.40 FARIA Jr. Pedagogia do Oprimido. José. FREIRE. In: MOREIRA. Antonio. Os professores como intelectuais – Rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. N. Porto Alegre: Artes Médicas. p. O método Francês e militarização da educação física na Escola Brasileira. Rio de Janeiro: Paz e Terra. In: NÓVOA. 1983. Luís. 1999. GIROUX. FREIRE. 1999. 1992. Perspectivas na formação profissional em educação física. GANDIN.

São Paulo: Cortez. A formação do profissional da educação. T. MARQUES. A relação teoria/prática no ensino/pesquisa de educação física.M. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1997. Encontros e Desencontros na formação dos profissionais de educação infantil. LOVISOLO. IMBERNÓN. Madrid: Morata.). 1998. Barcelona: Paidós. 2002. Porto Alegre. Formación de profesores y condiciones sociales de la escolarización. e ZEICHNER. Motrivivência – Educação Física – Teoria & Prática. Machado (org. JR. MEDEIROS. Ijuí: Editora UNIJUÍ. In: Maria Lucia de A. Elenor. Encontros e Desencontros em Educação Infantil. LISTON. Influências dos Aspectos Físicos e Didáticos Pedagógicos nas Aulas de Educação Física em Escolas Municipais de Belém. Antonio. Francisco. GÜNTHER. (2002). Rio de Janeiro: Imago. 1978. Florianópolis. KUHLMANN. Rio de Janeiro. 2000. In: Revista Científica da UFPA. 7. Maria Lucia A. Hilton. Mário Osório. 1983.107 –116). Amanda Santos de. Pré-escola é não é escola: a busca de um caminho. A pedagogia da incerteza. Disponível em: . KISHIMOTO. 2009. Porto Alegre: Mediação. V. Esporte e Educação Física. Kenneth. MACHADO. JAPIASSÚ. Maria Cecília Camargo. Nº 01.41 GRAMSCI. Formação Permanente de Professores de Educação Física na Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre no Período de 1989 à 1999. M. KUNZ. 1997. 1992. Estética. La formación del professorado. Hugo. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica. Os intelectuais e a organização da cultura. Rio de Janeiro : Sprint 1997. (p. M. Daniel P. 1992. 1995.

Concepção de infância na educação física brasileira: primeiras aproximações. Campinas. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. A elaboração de projeto pedagógica para a formação do profissional de educação física.18. p. PÉREZ GÓMEZ. 1995. n. 1994. NÓVOA. MOLINA NETO.42 http://www.fclar. Maio 2005. Qualidade do ensino e desenvolvimento profissional docente como intelectual reflexivo.php/iberoamericana/article/viewFile/436/316.1997. Formação Profissional : Primeiras Influências. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. In: Motriz. Angel I. 1998. O passado e o presente dos professores. NASCIMENTO. OLIVEIRA.pdf. A formação profissional em educação física e esportes. Avaliação curricular do Curso de Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina. Vicente. Angel I. Formação de Professores.ufpa.) Profissão Professor. São Paulo.br/index. Competências e Saberes para a Atividade Docente na Educação Infantil.br/rcientifica/artigos_cientificos/ed_09/pdf/rev_cie_ufpa_vol7_num1_ cap7. Antonio(Org. v.13-34. Maria Cecília Miranda. Madrid: Morata. Motrivivência – Educação Física – Teoria & Prática.set. PÉREZ GÓMEZ. 1998. Antonio.unesp. Disponível em: http://seer. Nara Rejane Cruz. Revista brasileira de ciências do esporte. Vitor Marinho de. Revista de Educação Física. 1995a. OLIVEIRA. 1997. Porto: Porto. In: NÓVOA. Acessado em 20 de junho de 2010.1. . Florianópolis. Florianópolis. Joana Angélica |Bernardo de. OLIVEIRA. Florianópolis. La cultura escolar em la sociedad neoliberal. Maringá . MOCKER. Acessado em 21/06/2010. Juarez Vieira do.

p. Deborah Thomé. Londrina-PR. 2009. Antonio. Chapecó-SC. Práticas corporais: trilhando e compar(trilhando) as ações de educação física. SP: Atlas. 2001. . Florianópolis. UNOCHAPECÓ. Viktor.43 POPKEMITZ. at al Formação Inicial em Educação Física: O Dizer do Egresso da Unochapecó.org. S. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. LESSARD. NETO. 1993.rtf. Profissionalização e formação de professores: algumas notas sobre a história. SCHÖN. Acessado em 17/06/2010. RJ: Vozes. Thomas. 1995. A formação profissional e a prática pedagógica: ênfase nos professores de Educação Física. TARDIF. TRIVIÑOS. 1987. ideologia e potencial. 1995. Celi Neusa Zulke. Alexandre Shigunov. 2. Formar professores como profissionais reflexivos. Relações de gênero na creche: os homens no cuidado e educação das crianças pequenas. 2005. RODRIGUES. Petrópolis. Relatório de Pesquisa do curso de Educação Física Unochapecó. Lisboa: Dom Quixote. A formação profissional da educação: o processo de trabalho pedagógico e o trato como o conhecimento no curso de educação física. 2007. Os professores e a sua formação. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. SANTOS.35-50. In: NÓVOA. SILVA. Os professores e sua formação. In: NÓVOA. Disponível em : http://www. SC. Claude.ed. Dom Quixote. Campinas. Donald. SAYÃO. Ana Márcia. Monografia entregue ao Programa de Pós-Graduação em Educação Física. A presença da Educação Física na Educação Infantil em periódicos nacionais. Lílian. A. Antonio. N. 3ª Ed.br/reunioes/25/posteres/deborahthomesayaop07. Lisboa. 2005. TAFFAREL. Chapecó. SHIGUNOV.anped. Elenir Soares dos. Maurice.

VEIGA. . VERENGUER.44 VÁZQUEZ.ed. Ima Passos Alencastro. 2001. 2. Projeto político pedagógico da escola: uma construção possível. Rita de Cássia Garcia. In:____. 1977. Formação profissional em educação física: das Leis à implementação dos currículos. Projeto político da escola: uma construção coletiva.Rio de Janeiro: Paz e Terra. Campinas 1996. Campinas: Papirus. Adolfo Sánchez. Filosofia da Práxis.

45 ANEXOS .

46 ANEXO I TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO .

Titulo do projeto: COMO O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA REALIZA SUA FORMAÇÃO CONTINUADA PARA DAR CONTA DAS DEMANDAS DE SUA ATUAÇÃO NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO INFANTIL Pesquisadora: Elizandra Diefenthaeler Telefone para contato: (49) 84094801 Orientadora: Profª: MS. Rodrigues Telefone: (49) 3321-8215 O objetivo desta pesquisa é: Analisar como os professores de Educação Física vem realizando sua formação continuada para atender as demandas de sua atuação no contexto da Educação Infantil. A sua participação na pesquisa consiste em ser entrevistado por mim pesquisadora. sem qualquer prejuízo ou constrangimento para o pesquisado. física ou mental. Após ser esclarecido (a) sobre as informações a seguir. C. SC _____ de______________________ 2010 _______________________________________ Assinatura . assine no final deste documento. no caso de aceitar fazer parte do estudo. Chapecó. Os procedimentos aplicados por esta pesquisa não oferecem risco a sua integridade moral. resguardando sempre a identidade dos participantes. Lilian Beatriz.I___________________________________________ estou ciente da participação no estudo. Caso não queira mais fazer parte da pesquisa. S. favor entrar em contato pelos telefones acima citados. Eu. e para a composição do relatório de pesquisa.___________________________________________________________________. como voluntário em uma pesquisa.47 UNIVERSIDADE COMUNITARIA DA REGIÃO DE CHAPECO – UNOCHAPECÓ ÁREA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Você está sendo convidado (a) a participar. As informações obtidas através da coleta de dados serão utilizadas para alcançar o objetivo acima proposto.

48 ANEXO II ROTEIRO DA ENTREVISTA .

13-Considerando sua pratica pedagógica. vossa participação é muito importante para o desenvolvimento do estudo e desde já agradecemos a colaboração.Gênero ( ) Masculino ( ) Feminino 2-Idade: _________ 3-Local de formação: _____________________________________________________ 4-Ano de formação: ____________________ 5-CEIM em que atua: _____________________________________________________ Município: ______________________________ 6-Efetivo no local de atuação? ( ) Sim ( ) Não 7-Tempo de atuação no magistério? __________________________________________ 8-.Formação continuada: ( ) Especialização ( ) Mestrado ( ) Doutorado ( ) Especialização em andamento ( ) Mestrado em andamento ( ) Doutorado em andamento Área__________________________________________________________ 12-Fale sobre como você tem percebido sua atuação como professora de Educação Física na Educação Infantil.Atua em outros espaços? ( ) Sim ( ) Não Local: _______________________________________ Carga horária: ______________ 11. no CEIM pesquisado: _________ 10. você tem identificado necessidadesfragilidades teórico metodológicas para sua atuação na Educação Infantil? Quais são elas? 14-Que estratégias você tem utilizado para suprir tais necessidades-fragilidades? 15-Qual o papel da formação permanente nesse processo? 16-O que você entende por formação permanente? 17-Como e quando você realiza essa formação? Quem banca essa formação? .Carga horária total.Tempo de atuação nessa instituição de ensino? ______________________________ 9.49 CARACTERIZAÇÃO DO ENTREVISTADO Senhores professores e professoras. 1.

.50 18-A formação realizada em decorrência das demandas de sua pratica pedagógica na Educação Infantil tem suprido suas necessidades teórico metodológicas? Em que medida? 19-Existe uma política de formação permanente em seu CEIM? Fale sobre ela (Como. Quando?). O que.

51 .