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A SAÚDE ENTRE OS ASPECTOS RELEVANTES PARA SE TER QUALIDADE DE VIDA: A FALA DE MOTORISTAS DE ÔNIBUS URBANO DE CAMPO GRANDE

Elaine Cristina da Fonseca Costa Pettengill1 Lucy Nunes Ratier Martins2 Resumo Este artigo apresenta os resultados de pesquisa realizada com motoristas de ônibus urbano no que se re!ere " sua percep#$o sobre o que se%a importante para se ter qualidade de &ida' ( trabal)o destes pro!issionais em Campo *rande + caracterizado por condi#,es que o!erecem risco " sua sa-de e qualidade de &ida como carga )or.ria e/cessi&a distanciamento entre prescri#$o de tare!as e a realidade com que os motoristas se deparam na pr.tica de seu trabal)o manuten#$o insatis!at0ria dos &e1culos preocupa#$o constante com o cumprimento do tempo de tabelas de bordo que muitas &ezes encontram2se desatualizadas e desproporcionais "s atuais demandas de seu trabal)o entre outros aspectos' ( recorte qualitati&o possibilitou o acesso ao ob%eto de estudo por meio de entre&ista semi2estruturada realizada indi&idualmente com &inte pro!issionais de duas das cinco empresas de transporte urbano de Campo *rande' 3 an.lise de conte-do !oi o recurso utilizado para o tratamento dos dados' Como resultados obte&e2se que a sa-de na opini$o dos entre&istos est. entre os aspectos mais importantes para que possam &i&enciar qualidade de &ida estando &inculada principalmente " necessidade de ter boas condi#,es de trabal)o como a possibilidade de ter tempo para se dedicar " &ida pessoal e !amiliar o que muitas &ezes se torna in&i.&el em raz$o de sua carga )or.ria e/cessi&a de trabal)o' Mel)oria salarial cuidados com a manuten#$o dos &e1culos atualiza#$o de tabelas de bordo recon)ecimento da c)e!ia e dos passageiros por seu trabal)o s$o e/emplos de condi#,es de trabal)o apontadas pelos motoristas de ônibus como importantes em sua pr.tica pro!issional' 3 aten#$o dos empres.rios e das autoridades go&ernamentais a esse respeito pode trazer contribui#,es " qualidade de &ida dos motoristas " qualidade dos ser&i#os prestados " popula#$o al+m de proteger e promo&er suas condi#,es de sa-de' Pala&ras2C)a&e4 5ualidade de &ida' 6a-de' Motoristas de ônibus'

Psic0loga Especialista em Psicologia do 7r8nsito9 Mestre em Psicologia da 6a-de pela :C;<9 Pro!essora na F3C6:L'
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Psic0loga ;outora em Psicologia pela P:CC3MP9 Pro!essora na :C;<'

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Estudos em Sa de do T!a"a#$ado!
( conceito de sa-de tem sido tema de muitas discuss,es na literatura cient1!ica tendo em &ista sua comple/idade e a di!iculdade de se c)egar num consenso' 3 (M6 =(rganiza#$o Mundial da 6a-de> de!ine sa-de como ?um status de completo bem2estar !1sico mental e social e n$o apenas a aus@ncia de doen#a ou en!ermidade? =(M6 1ABC apud FLECD 2EEF>' Por+m o termo ?completo bem2estar? pode se colocar em desacordo com a natureza )umana que con!orme estudos de Freud =1A2E> + marcada pela insatis!a#$o %. que so!re a inter!er@ncia permanente do princ1pio do prazer estando sempre em busca de obter mais prazer' ;essa !orma a sensa#$o de completo bem2estar !icaria comprometida pois o indi&1duo pode em determinado momento da &ida estar satis!eito com as condi#,es de sa-de relacionadas ao seu corpo mas n$o satis!eito com sua realidade s0cio2econômica e dessa maneira podendo so!rer pre%u1zos em seu bem2estar ps1quico' E mesmo que num outro momento de sua &ida sinta2se satis!eito com a realidade social pode n$o estar em ?plenas condi#,es? !1sicas ou psicol0gicas para poder des!rutar dessa realidade' Ent$o quando se !ala em sa-de de&e2se ter em mente a condi#$o bio2psico2s0cio2ambiental do ser )umano na qual cada uma dessas inst8ncias e/erce uma sobre a outra in!lu@ncia na sua !uncionalidade =6(:G3 e *:HM3RIE6 1AAA>' 3 de!ini#$o de sa-de proposta por 3reias =2EEJ> &em de certa !orma ao encontro deste ponto de &ista re!erindo2se " sa-de como um processo )ist0rico multideterminado sendo que o organismo )umano + concebido como um sistema &i&o cu%os componentes est$o ligados e interdependentes e + parte integrante de sistemas maiores onde ocorre pro!unda e comple/a in!lu@ncia de um !ator sobre o outro' Para ;e%ours =1AFC> n$o ). como se re!erir ao termo estabilidade quando o assunto + sa-de pois o ser )umano est. em permanente busca por seu bem2estar encontrando2o e perdendo2o sucessi&amente numa constante' 3 sa-de para este autor + uma conquista que diz respeito a cada indi&1duo9 + o resultado de seus en!rentamentos dos desa!ios di.rios e dos modos como lida com as di!erentes realidades que a ele se apresentam' Maslac) e Leiter =1AAA> sugerem o desequil1brio entre as necessidades do trabal)ador e as demandas da organiza#$o como um !ator importante no desen&ol&imento das &i&@ncias de desgaste !1sico e emocional do indi&1duo atribuindo como poss1&eis causas desse desequil1brio o e/cesso de trabal)o a !alta de controle sobre o pr0prio trabal)o !alta de

K

recompensa de uni$o equidade e a e/ist@ncia de con!lito de &alores entre a organiza#$o e os princ1pios pessoais do trabal)ador' Em nossa sociedade o e/erc1cio de uma ati&idade pro!issional !unciona como um mediador de integra#$o social se%a por seu &alor econômico =subsist@ncia> se%a pelo aspecto cultural =simb0lico> tendo assim import8ncia !undamental na constitui#$o da sub%eti&idade no modo de &ida e portanto na sa-de !1sica e mental das pessoas =;H36 et al' 2EE1>' ( trabal)o enquanto um importante &e1culo para a manuten#$o do equil1brio ps1quico do indi&1duo e participante ati&o na constitui#$o e !ortalecimento de sua identidade tem sido argumentado por di!erentes autores =M3RL 1FFK9 FRE:; 1A2E9 ;3MHE6 e 6N3CDLE7(N 1AJJ9 ;EO(:R6 1AAB9 C(;( 63MP3H( e NH7(MH 1AAK9 MEN;E6 2EEF>' No entanto determinadas modalidades de organiza#$o do trabal)o di!icultam ou mesmo impossibilitam que ele e/er#a tais !un#,es' Mendes e Cruz =2EEB> sugerem indicadores de sa-de relacionados ao trabal)ador em sua rela#$o com o trabal)o4 prazer satis!a#$o bem2estar decorrentes da organiza#$o das condi#,es de trabal)o que en&ol&em a ati&idade as rela#,es s0cio2pro!issionais e o apoio institucional' 3!irmam que ainda que os pesquisadores ele%am indicadores positi&os ou negati&os para in&estigar a sa-de no conte/to das organiza#,es + consenso na literatura a multicausalidade dos antecedentes e consequentes do bem2estar e do mal2estar bem como os parado/os que os ambientes laborais retratam n$o )a&endo lugar para dualidades e dicotomias sendo a perspecti&a dial+tica a mais pertinente para e/plicar a comple/idade do processo sa-de2adoecimento' Para Ferreira e 3ssmar =2EEB> quando as e/ig@ncias do trabal)o e/cedem o controle do mesmo isto + quando as demandas s$o altas e o controle bai/o grandes s$o as c)ances de o trabal)ador ter sua sa-de a!etada' Con!orme a opini$o destes autores a sa-de no trabal)o assim como a satis!a#$o pode ser a!etada por !atores disposicionais =estrutura e din8mica de personalidade )ist0ria de &ida> e e/0genos =pro&enientes da realidade do trabal)o>' (s !atores disposicionais &$o inter!erir no modo como as pessoas ir$o perceber as situa#,es ad&ersas en!rentadas no ambiente de trabal)o e na !orma como a elas ir$o reagir' 6e a realidade das condi#,es de trabal)o en!rentadas pelo trabal)ador bem como os aspectos re!erentes ao conte/to organizacional ir$o por assim dizer ?a!etar? a sua sa-de bem2estar e a percep#$o de sua qualidade de &ida no trabal)o isso de&e2se em grande

B

parte "s possibilidades da organiza#$o do trabal)o em o!erecer condi#,es !a&or.&eis ao indi&1duo para a trans!orma#$o do so!rimento em &i&@ncias de prazer bem2estar satis!a#$o e consequentemente sa-de =;EO(:R6 1AAC9 6ELH*M3NN26HLM3 1AAB9 MEN;E6 1AAA 2EEF9 M3R7HN6 2EEF>' (s processos de sa-de no trabal)o t@m seu in1cio a partir do momento em que o trabal)ador come#a a sentir que o seu trabal)o tem &alor tanto por parte dos seus pares quanto de outras )ierarquias' 3 conscientiza#$o do &alor de sua ati&idade pro!issional !a&orecida por esse espa#o coleti&o de trabal)o permite ao trabal)ador o resgate do sentido de e/ercer sua pro!iss$o =;EO(:R6 1AA2 1AAC>'

Qua#%dade de V%da &QV'
5ualidade de &ida re!ere2se portanto " percep#$o que cada pessoa tem !undamentada em sua )ist0ria de &ida nos &alores apreendidos socialmente em sua sub%eti&idade a respeito do que se%a imprescind1&el na tra%et0ria de seu &i&er para des!rutar de bem2estar' Esta compreens$o est. de acordo com o conceito de qualidade de &ida elaborado pela (M6 =(rganiza#$o Mundial de 6a-de>4 ?a percep#$o do indi&1duo de sua posi#$o na &ida no conte/to de sua cultura e dos sistemas de &alores nos quais &i&e e em rela#$o "s suas e/pectati&as ob%eti&os padr,es e preocupa#,es? =7NE PN(5(L *R(:P 1AAQ>' N$o ). um consenso na literatura cient1!ica at+ o momento sobre o conceito de qualidade de &ida mas e/iste uma razo.&el concord8ncia a respeito de tr@s caracter1sticas desse constructo4 a sub%eti&idade a multidimensionalidade e bipolaridade =;3N736 63P3;3 e M3LER<( 2EEK9 FLECD 2EEF>' 5uanto " sub%eti&idade ainda que uma pessoa apresente na opini$o da !am1lia e dos amigos uma &ida !eliz e satis!at0ria esta percep#$o de&e partir dela tamb+m porque de acordo com este aspecto a percep#$o da pr0pria pessoa de estar saud.&el e satis!eita com sua &ida =e con!orme suas e/pectati&as> + que &ai indicar sua qualidade de &ida' 3 multidimensionalidade re!ere2se " percep#$o do indi&1duo de sua condi#$o na &ida nas dimens,es !1sica psicol0gica nas rela#,es sociais que estabelece e no meio ambiente

Q

do qual !az parte' 3 bipolaridade diz respeito aos aspectos positi&os e negati&os na &ida da pessoa em termos de presen#a ou aus@ncia de dor de depend@ncia medicamentosa ou a!eti&a entre outros e/emplos que demonstrem presen#a ou aus@ncia de descon!orto ou pre%u1zo para a pessoa em rela#$o a qualquer aspecto de sua &ida =6EH;L e G3NN(N 2EEB>' Esta concep#$o de que o signi!icado de qualidade de &ida para uma pessoa perpassa pelo campo de sua sub%eti&idade &em ao encontro do que Maz =1AA1> a!irma sobre o processo de apreens$o do mundo pelo )omem que se d. a partir da media#$o que !az entre a realidade ob%eti&amente percebida e aquilo que sub%eti&amente percebe dessa realidade de acordo com o resultado da intera#$oRcomunica#$o entre seu corpo sua psiqu@ e seu esp1rito' *ill e Feinstein =1AAB> a!irmam que qualidade de &ida re!ere2se " maneira como a pessoa percebe e reage ao seu status de sa-de e outras .reas n$o m+dicas de sua &ida compartil)ando de certa !orma a id+ia da multidimensionalidade apesar da @n!ase sobre a sa-de' Para Pil)eim e ;+aS =1AJE apud 6(:G3 e *:HM3RIE6 1AAA> a 5M + a sensa#$o de bem2estar do indi&1duo' Este bem2estar + proporcionado pela satis!a#$o de condi#,es ob%eti&as =emprego renda ob%etos possu1dos qualidade da )abita#$o> e de condi#,es sub%eti&as =seguran#a pri&acidade recon)ecimento a!eto>'

( ob%eti&o desta pesquisa !oi con)ecer e compreender a percep#$o de motoristas de ônibus urbano de Campo *rande acerca de sua 5M e da 5M relacionada ao trabal)o que e/ercem' Neste artigo ser$o apresentados os resultados re!erentes " percep#$o dos motoristas sobre sua 5M geral cu%a sa-de est. entre os principais aspectos apontados pelos pro!issionais'

Co(s%de!a)*es so"!e a Metodo#o+%a: 3dotou2se para este estudo a abordagem qualitati&a de pesquisa e/aminando2se os dados coletados com o au/1lio da 3n.lise de Conte-do'

C

Pa!t%,%-a(tes: Foram entre&istados &inte motoristas de duas das cinco empresas de ônibus urbano de Campo *rande denominadas no estudo como empresas 3 e <9 dez motoristas da empresa 3 e dez da <'

I(st!ume(to:
Entre&ista semi2estruturada elaborada pelas pesquisadoras a partir dos

re!erenciais te0ricos de 5M propostos pelo grupo de 5M da (M6 =(rganiza#$o Mundial de 6a-de 1AAQ> e outros autores &oltados a esta tem.tica' P!o,ed%me(tos: 3p0s apro&a#$o do pro%eto de pesquisa pelo Comit@ de Ttica em Pesquisa da :C;< U :ni&ersidade Cat0lica ;om <osco em dezembro de 2EEA !oram iniciadas as entre&istas com os motoristas9 abordou2se aleatoriamente os motoristas =com a a%uda dos pro!issionais do tr.!ego> na garagem das empresas entregando a cada um uma carta de esclarecimento sobre os ob%eti&os da pesquisa e seus aspectos +ticos al+m do termo de consentimento li&re e esclarecido para que pudessem assinar caso concordassem em participar das entre&istas indi&idualmente' Resu#tados e D%s,uss.o:
Com rela#$o aos dados obtidos da an.lise tem.tica as respostas dos motoristas conduziram "s seguintes unidades tem.ticas =7abela 1>4

que !oram realizadas

J

Ta"e#a / 0 Pa!a 1o,23 Qua#%dade de 1%da 4555 U(%dades tem6t%,as N7 de Moto!%stas em -e!,e(t%s 7er boas condi#,es de trabal)o 7er tempo para a &ida pessoalR!amiliar 7er sa-de 7er um emprego Manter a &ida !inanceira organizada 6er recon)ecido no trabal)o pela dedica#$o ao mesmo Estar !eliz 7er determina#$o e persist@ncia na &ida ( estilo de &ida de uma pessoa 1EEV 1EEV JQV KEV 1EV EQV EQV EQV EQV

(s motoristas entre&istados n$o concebem qualidade de &ida sem !azer alus$o " sua qualidade de &ida no trabal)o %. que passam grande parte de seu tempo no ambiente pro!issional4 2 "Um serviço que não é muito puxado; uma carga horária que não interfira no psicológico do trabalhador". 2 " ...! "er um bom trabalho também né# isso a$ eu acho que é importante". P =Pesquisadora>4 ( que + um bom trabal)oW "%cho que é ter tempo pra sua fam$lia# pra descansar um pouco..."er um salário ra&oável". 2 "'o caso eu que sou motorista de (nibus# eu trabalho bastante... )orque o certo mesmo é trabalhar sete horas# mas a gente acaba sempre fa&endo hora extra. *ntão# precisava assim de um salário maior# pra gente não ter que fa&er hora extra né+ )ra que a gente não precisasse trabalhar mais duas horas além das sete que é a carga horária normal. ,sso sim seria

F

qualidade de vida pra mim ...!". E&idencia2se nesta !ala o descon!orto do motorista com rela#$o " sua carga )or.ria e/cessi&a de trabal)o que parece estar diretamente relacionada " insatis!a#$o com o sal.rio que recebe por seus ser&i#os gerando a pr.tica de trabal)ar em )oras e/tras' 7rabal)ar em )oras e/tras por sua &ez parece comprometer sua 5M' 7er um emprego !oi citado por KEV dos entre&istados como aspecto !undamental para se ter qualidade de &ida uma &ez que conquistas de bem2estar nas demais es!eras da &ida parecem depender diretamente do que o trabal)o possa proporcionar4 - ". voc/ tá bem empregado né+ )orque se voc/ tá bem empregado# voc/ consegue as suas metas. %cho que todo ser humano quer dar o melhor pros seus filhos né+ 0uer dar um bom la&er# estudo# sa1de# um bom plano de sa1de... *ntão tudo isso c/ só consegue tando empregado". - " ...! 2 fato de voc/ tá trabalhando voc/ tem uma perspectiva de melhorar a sua fam$lia# o seu dia-a-dia# voc/ dar mais conforto pra sua fam$lia ...!". Con!orme ;e%ours =1AFC> a possibilidade de ter esperan#a + !undamental para a preser&a#$o da sa-de mental e para este entre&istado estar trabal)ando + um !ator que mant+m esta esperan#a e a perspecti&a de dias mel)ores do ponto de &ista s0cio2econômico' 6omado " satis!a#$o de condi#,es ob%eti&as proporcionadas pelo trabal)o os motoristas tamb+m demonstraram que o !ato de estarem trabal)ando repercute de modo positi&o em sua auto2estima contribuindo para o !ortalecimento de sua identidade %. que se sentem &alorizados =por si mesmos e pelos outros> pelo poder de proporcionar o sustento " !am1lia con!irmando ao mesmo tempo os pap+is sociais que desempen)am enquanto pai esposo !il)o entre outros aspecto tamb+m apontado por ;a&ies e 6)acSleton =1AJJ>9 Codo et al' =1AAK>9 Codo e 6ampaio =1AAQ>' ( trabal)o como o centro da &ida das pessoas e constituinte da identidade !oi considerado por Mendes e Cruz =2EEB>' 7odos os entre&istados demonstraram que ter boas condi#,es de trabal)o =e/ercer um trabal)o que n$o pre%udique a sa-de9 que possibilite equilibrar &ida pessoalR!amiliar e tempo dedicado ao trabal)o9 estabilidade9 bom sal.rio> re!lete de modo decisi&o em sua percep#$o de 5M corroborando com os estudos de Pil)eim e ;+aS =1AJE apud 6ouza e *uimar$es 1AAA>9 Castellanos =1AAJ>9 Fran#a =1AAA>9 *oulart e 6ampaio =1AAA>4

A

2 ". voc/ trabalhar de uma maneira segura# de uma maneira que voc/ não está se pre3udicando fisicamente nem mentalmente ...!". - ". ter boas condiç4es de trabalho né+ )orque se a pessoa pega um (nibus com manutenção ruim né# a$ fica dif$cil pra trabalhar... * isso vai afetar a qualidade de vida dela". - "0ualidade de vida eu entendo voc/ fa&er aquilo que voc/ gosta# de modo que o que voc/ fa& te faça bem# sustente a sua fam$lia# e que c/ fique firme nesse serviço né+". 2 ". ter um espaço pra tá com a fam$lia né+ 0ue nem minha filha nasceu# cresceu e agora eu tenho uma neta né# e não vi elas crescerem# então eu acho que eu não tive né# qualidade de vida". - " ...! *ntão qualidade de vida pra mim# seria eu ter um salário maior# um bom plano de sa1de# tipo Unimed ...!". Poder e/ercer uma pro!iss$o que n$o gere adoecimento ps1quico ou !1sico !oi apontado pelos motoristas como elemento de de!ini#$o de 5M em &irtude de que sua realidade de trabal)o parece acarretar grande desgaste tanto pelas demandas cotidianas =especialmente no contato com o p-blico> quanto pela carga )or.ria e/cessi&a de trabal)o o que di!iculta uma maior dedica#$o " &ida pessoal e !amiliar pre%udicando desta !orma sua 5M' 7er sa-de !oi considerado aspecto importante para se ter qualidade de &ida por JQV dos entre&istados &indo ao encontro do pensamento de *ill e Feinstein =1AAB> quando a!irmam que 5M re!ere2se " maneira como a pessoa percebe e reage ao seu status de sa-de' 3 preocupa#$o com a sa-de &em acompan)ada do dese%o de poder des!rutar de um bom plano de sa-de que possa se estender " !am1lia uma &ez que as empresas de ônibus urbano n$o o!erecem este Xbene!1cioY aos motoristas que em sua grande maioria buscam os ser&i#os do 6:6 =6istema Znico de 6a-de> quando se !az necess.rio' 3 demora no atendimento deste sistema de sa-de gera muitas &ezes a desist@ncia dos motoristas em serem atendidos em seu mal2estar =!1sico ou ps1quico> %. que n$o podem se ausentar por muito tempo do trabal)o n$o tanto por e/ig@ncia da empresa =que n$o se op,e " sa1da do pro!issional para cuidar da pr0pria sa-de> mas porque cada )ora que !icam sem trabal)ar dei/am de receber acr+scimos em seu sal.rio4 2 " ...! . trabalhar# ter sa1de# ter um plano de sa1de... ,sso é qualidade de vida".

1E

- " ...! *ntão qualidade de vida pra mim# seria eu ter um salário maior# um bom plano de sa1de# tipo Unimed; a empresa poderia negociar com a gente pra gente pagar uma parte e ela outra parte# por exemplo# pra poder ter um plano de sa1de# porque a gente não tem. *ntão isso pra mim seria ter qualidade de vida". 2 P4 Como &oc@ considera a sua qualidade de &ida no momentoW "*u gostaria de descansar mais# via3ar mais# poder adquirir mais bens materiais# ter mais tempo pra cuidar da sa1de# ter um plano de sa1de...". Nota2se que o tema sa-de aparece &inculado ao dese%o de ser mel)or remunerado o que possibilitaria a satis!a#$o de necessidades que na opini$o de ;e%ours =1AFC> tamb+m est$o relacionadas " sa-de uma &ez que proporcionariam maior bem2 estar ao indi&1duo neste caso poder usu!ruir de lazer adquirir bens materiais e des!rutar de um plano de sa-de particular' ( conceito de sa-de mani!esto pelos motoristas em suas !alas corresponde " de!ini#$o de 3reias =2EEJ> que re!ere2se " mesma como o resultado da intera#$o de &.rios !atores sendo o organismo )umano concebido como um sistema cu%os componentes est$o ligados e interdependentes e + parte integrante de sistemas maiores como o sistema s0cio2 econômico onde o indi&1duo est. inserido' 6ouza e *uimar$es =1AAA> tamb+m !azem alus$o " sa-de neste sentido en!atizando o car.ter bio2psico2s0cio2ambiental do ser )umano e a inter2 rela#$o entre estes aspectos in!luenciando a percep#$o de bem2estar e de 5M do indi&1duo' Estar !eliz !oi apontado por EQV dos entre&istados como aspecto rele&ante para sua percep#$o de qualidade de &ida sendo uma conseq[@ncia da possibilidade de se trabal)ar com aquilo com o qual se identi!ique e de des!rutar de sa-de4 ". c/ fa&er o que c/ gosta# se alimentar bem né# comer comida saudável# dormir bem# praticar exerc$cios né# estar feli& né+... *star num momento bom da tua vida né# porque c/ não tando bem psicologicamente# c/ não tá com boa qualidade de vida". 3 capacidade de determina#$o e persist@ncia que uma pessoa possa ter na &ida !oi considerada por EQV dos motoristas4 ")ra mim# qualidade de vida é voc/ saber se organi&ar# saber formular seu plano de vida# voc/ ter um pro3eto e seguir nele fa&endo# procurar uma vida bem melhor pra voc/ e pra sua fam$lia# isso é qualidade de vida pra mim". Freud =1A2ER1AAC> !az re!er@ncia em seus estudos a esta capacidade )umana de en!rentar e superar a !rustra#$o do adiamento da satis!a#$o de um dese%o ou da descarga pulsional em

11

prol das demandas da realidade como !orma de obter conquistas e realiza#,es que do contr.rio =pela e/ig@ncia de satis!a#$o imediata> n$o o seria poss1&el' ( estilo de &ida sugerido por EQV dos entre&istados como aspecto relacionado ao conceito de 5M !oi de!inido como 5tudo o que a pessoa fa& na vida; o modo de vida que ela tem# se estuda# se trabalha# se fica em casa...6 Esta no#$o de 5M enquanto modo condi#,es e estilos de &ida !oi tamb+m pensada por Castellanos =1AAJ> que agrega a esta no#$o id+ias de desen&ol&imento sustent.&el ecologia )umana democracia e direitos )umanos e sociais constituindo2se em um conceito poliss@mico de 5M' Co(s%de!a)*es F%(a%s: Nota2se que a sa-de enquanto aspecto rele&ante para se ter 5M na opini$o dos motoristas est. &inculada principalmente " necessidade de ter boas condi#,es para se trabal)ar =como &e1culos em condi#,es satis!at0rias e tabelas de bordo compat1&eis com a demanda de trabal)o> e " possibilidade de ter tempo para se dedicar " &ida pessoal e !amiliar' ;esta !orma ter sa-de implica em ter tempo para dedicar2se aos cuidados com o pr0prio corpo e mente como a possibilidade de praticar e/erc1cios !1sicos alimentar2se

adequadamente e consultar os ser&i#os de sa-de sempre que sentir necessidade' (s motoristas apontaram a necessidade de poder usu!ruir de um bom plano de sa-de que na sua percep#$o de&e ser um plano particular pois os ser&i#os o!erecidos pelo 6:6 =6istema Znico de 6a-de> demandam um tempo de espera superior ao que eles t@m para dedicar2se a isto' 6ugeriram aos empres.rios que proporcionem a eles o pagamento de QEV de um plano de sa-de particular enquanto eles se responsabilizam pelo pagamento dos outros QEV do plano a !im de que se torne &i.&el a eles o acesso a esse tipo de ser&i#o' 3 considera#$o por parte dos respons.&eis pelo trabal)o dos motoristas de ônibus urbano em rela#$o a esta sugest$o dos trabal)adores seria de suma import8ncia uma &ez que isto acarretaria em um maior monitoramento dos pr0prios motoristas acerca de suas condi#,es de sa-de por meio de consultas e e/ames que seriam acess1&eis a eles contribuindo para a pre&en#$o de in-meras doen#as e transtornos que tendem a le&ar o trabal)ador a abster2se do trabal)o' 3 satis!a#$o e/perimentada pelos motoristas !rente a esta conquista =este Xbene!1cioY> %. poderia !uncionar como um !ator de prote#$o ao adoecimento tendo em &ista sua percep#$o de estar sendo respeitado em sua sub%eti&idade e de ser recon)ecido pelo &alor do seu trabal)o'

12

Cuidar da pr0pria sa-de na opini$o dos entre&istados en&ol&e tamb+m a possibilidade de encontrar tempo para ati&idades de lazer e dedica#$o " !am1lia o que se torna muitas &ezes in&i.&el em raz$o de sua carga )or.ria e/cessi&a de trabal)o' Re!erem que sua carga )or.ria normal de trabal)o n$o ultrapassaria sete )oras di.rias9 no entanto a !im de que consigam atender a necessidades sub%eti&as e n$o apenas aquelas relacionadas a sua subsist@ncia precisam praticar )oras e/tras permanecendo por mais tr@s ou cinco )oras =al+m das sete )oras> no e/erc1cio de sua !un#$o' T !undamental neste sentido que o pagamento de um sal.rio mel)or aos motoristas =condizente com as e/ig@ncias e desa!ios de seu trabal)o> possa ser considerado pelas empresas do transporte p-blico contribuindo assim para a diminui#$o da pr.tica de )oras e/tras =aspecto que traz pre%u1zos " sua 5M> e o !ortalecimento da auto2estima destes indi&1duos por meio do recon)ecimento do &alor de seu trabal)o !a&orecendo paralelamente a prote#$o e promo#$o de sua sa-de e seu maior comprometimento com a qualidade do ser&i#o que o!erecem " popula#$o'

Re8e!2(,%as B%"#%o+!68%,as 3REH36 M' E' 5' Psicologia da 6a-de e dor lombar' Hn4 *R:<H76 6'9 *:HM3RIE6 L' 3' M' =(rgs'> Ps%,o#o+%a da Sa de: especi!icidades e di.logo interdisciplinar' 6$o Paulo4 Metor 2EEJ p' 1AQ U 2EQ' C367ELL3N(6 P' L' Epidemiologia sa-de p-blica situa#$o de sa-de e condi#,es de &ida4 considera#,es conceituais' Hn4 <3R373 R' <' =(rg'>' Co(d%)*es de 1%da e s%tua).o de sa de5 Rio de Oaneiro4 3brasco K12JQ 1AAJ' C(;( P'9 63MP3H( O' O' C'9 NH7(MH 3' N' I(d%19duo3 t!a"a#$o e so8!%me(to: :ma abordagem interdisciplinar' Petr0polis U RO4 Editora Mozes 1AAK' C(;( P'9 63MP3H( O' O' C' So8!%me(to -s9:u%,o (as o!+a(%;a)*es: sa-de mental e trabal)o' Petr0polis4 RO4 Mozes 1AAQ' ;3N736 R' 3' 6'9 63P3;3 N' ('9 M3LER<( M' <' Pesquisas sobre qualidade de &ida4 Re&is$o da produ#$o cient1!ica das uni&ersidades p-blicas do Estado de 6$o Paulo' Re1%sta Lat%(o< ame!%,a(a de E(8e!ma+em3 11=B> QK22QKF 2EEK' ;3MHE6 ;' R'9 6N3CDLE7(N M' O' Cu!so "6s%,o de Ps%,o#o+%a4 Psicologia e trabal)o' :nidade E Molume E1' Rio de Oaneiro4 Ga)ar Editores 1AJJ' ;EO(:R6 C' Por um no&o conceito de sa-de' Re1%sta B!as%#e%!a de Sa de O,u-a,%o(a# KB=B> J211 1AFC'

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;EO(:R6 C' A #ou,u!a do t!a"a#$o4 Estudo de Psicopatologia do trabal)o' 6$o Paulo4 Cortez U (bor+ 1AA2' ;EO(:R6 C' :ma no&a &is$o do so!rimento )umano nas organiza#,es' Hn4 CN3NL37 O' F'9 7\RRE6 (' L' 6' =(rgs'> O %(d%19duo (a o!+a(%;a).o: dimens,es esquecidas' 6$o Paulo4 3tlas &ol' 1 1AAC p' 1QE U 1JK' ;EO(:R6 C' ( trabal)o como enigma' Hn4 L3CM3N 6'9 6GNELP3R L' =(rgs'>' C$!%sto-$e De=ou!s: ;a Psicopatologia " Psicodin8mica do trabal)o' <ras1lia4 Paralelo 1Q 1AABR2EEB p' 12J U 1BE' ;H36 E' C' et al' Doe()as !e#a,%o(adas ao t!a"a#$o: manual de procedimentos para os ser&i#os de sa-de' <ras1lia4 Minist+rio da sa-de do <rasil 2EE1 p' 1J U 2C' FERREHR3 M' C'9 366M3R E' M' L' Cultura satis!a#$o e sa-de nas organiza#,es' Hn4 73M3]( 3' et al' Cu#tu!a e sa de (as o!+a(%;a)*es5 Porto 3legre4 3rtmed 2EEB p' 1E2 U 12K' FLECD M' P' 3' A a1a#%a).o de :ua#%dade de 1%da: guia para pro!issionais da sa-de' Porto 3legre4 3rtmed 2EEF' FR3N^3 3' C' L' Hndicadores empresariais de 5M74 :ma proposta de conceitos crit+rios e !un#,es para a#,es e programas empresariais' Hn4 63MP3H( O' R' =(rg'>' Qua#%dade de 1%da3 sa de me(ta# e Ps%,o#o+%a So,%a#: Estudos contempor8neos' 6$o Paulo4 Casa do Psic0logo 1AAA p' JA2AB' FRE:; 6' A#4m do -!%(,9-%o do -!a;e!5 Hn4 (bras completas' Rio de Oaneiro4 Hmago &ol' LMHHH 1A2ER1AAC' *HLL 7' M'9 FEHN67EHN 3' R' 3 critical appraisal o! t)e quality o! li!e measurements' >ama 2J2=F> C1A2C2C 1AAB' *(:L3R7 H' <'9 63MP3H( O' R' 5ualidade de &ida no trabal)o4 :ma an.lise da e/peri@ncia de empresas brasileiras' Hn4 63MP3H( O' R' =(rg'>' Qua#%dade de 1%da3 sa de me(ta# e Ps%,o#o+%a So,%a#: Estudos contempor8neos' 6$o Paulo4 Casa do Psic0logo 1AAA p' 1A2KC' *:HM3RIE6 L' 3' M'9 *R:<H76 6' S4!%e sa de me(ta# e t!a"a#$o5 6$o Paulo4 Casa do Psic0logo &ol' 1 1AAA' M3R7HN6 6' R' 7empo antes do adoecer4 Rela#,es entre sa-de e os processos psicodin8micos do recon)ecimento do trabal)o' Hn4 MEN;E6 3' M' =(rg'>' T!a"a#$o e sa de: ( su%eito entre emancipa#$o e ser&id$o' Curitiba4 Ouru. 2EEF p' CA U FF' M3RL D' O ,a-%ta#: cr1tica da economia pol1tica' Mol' E1' Rio de Oaneiro4 Ci&iliza#$o <rasileira 1F1F U 1FFKR1AAF' M36L3CN C'9 LEH7ER M' P' T!a"a#$o: Fonte de prazer ou desgasteW 6$o Paulo4 Papirus 1AAA' MEN;E6 3' M' Va#o!es e 1%12(,%as de -!a;e!<so8!%me(to (o ,o(te?to o!+a(%;a,%o(a#5 7ese de doutorado' <ras1lia4 :N< 1AAA'

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MEN;E6 3' M'9 CR:G R' M' 7rabal)o e sa-de no conte/to organizacional4 &icissitudes te0ricas' Hn4 73M3]( 3' et al' Cu#tu!a e sa de (as o!+a(%;a)*es5 Porto 3legre4 3rtmed 2EEB p' KA U Q2' MEN;E6 3' M' T!a"a#$o e sa de: ( su%eito entre emancipa#$o e ser&id$o' Curitiba4 Ouru. 2EEF' 6EH;L E' M' F'9 G3NN(N C' M' L' C' 5ualidade de &ida e sa-de4 aspectos conceituais e metodol0gicos' Cade!(o de Sa de P "#%,a3 2E=2> QFE2QFF 2EEB' 6ELH*M3NN26HLM3 E' Des+aste me(ta# (o t!a"a#$o dom%(ado5 6$o Paulo4 Cortez 1AAB' 6(:G3 O' C' R' P'9 *:HM3RIE6 L' 3' M' I(s@(%a e :ua#%dade de 1%da5 Campo *rande4 :C;< 1AAA p' 11J U 1KQ' 7NE PN(5(L *R(:P' 7)e Porld Nealt) (rganization 5uality o! Li!e assessments =PN(5(L>4 position paper !rom t)e Porld Nealt) (rganization' So,%a# S,%e(,e a(d Med%,%(e B1=1E> 1BEK21BEA 1AAQ' M3G N' C' L' A(t!o-o#o+%a F%#osA8%,a5 6$o Paulo4 Edi#,es Loyola &ls' 1 e 2 1AA1'

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