Coautoria Ocorre co-autoria (no Direito penal) quando várias pessoas participam da execução do crime, realizando ou não o verbo núcleo

do tipo. Todos os co-autores, entretanto, possuem o co-domínio do fato. Todos praticam fato próprio. Enquanto o co-autor participa de fato próprio, o partícipe contribui para fato alheio. Três são os requisitos da co-autoria: 1) pluralidade de condutas; 2) relevância causal e jurídica de cada uma; 3) vínculo subjetivo entre os co-autores (ou pelo menos de um dos co-autores, com anuência ainda que tácita do outro ou dos outros co-autores). A co-autoria, como se vê, conta com uma parte objetiva (concretização do fato) e outra subjetiva (acordo explícito ou tácito entre os agentes). Não se confundem: 1’) o co-autor intelectual: que tem o domínio organizacional do fato e, desse modo, organiza ou planeja ou dirige a atividade dos demais. É também chamado de "co-autor de escritório" ou autor de escritório; 2’) o co-autor executor: é quem realiza o verbo núcleo do tipo (ou seja, quem realiza a ação descrita no tipo legal); 3’) o co-autor funcional: que participa da execução do crime, sem realizar diretamente o verbo núcleo do tipo. É co-autor funcional tanto o participante do fato que tem o seu co-domínio (quem segura a vítima para que o co-autor executor venha a desferir o golpe com o punhal), como o autor qualificado nos crimes próprios (que exigem uma especial qualificação do agente). No peculato, por exemplo, o funcionário público que participa do delito é, no mínimo, co-autor funcional, caso não realize o verbo núcleo do tipo (apropriar-se,v.g.). Regras e limitações básicas da co-autoria 1ª) Só se pode falar em co-autoria nos crimes dolosos. 2ª) A todos os co-autores são imputadas reciprocamente todas as contribuições individuais. 3ª) Há tentativa desde o momento em que qualquer um dos co-autores dê início à execução do delito. E, iniciado para um, está iniciado para todos. 4ª) A co-autoria exige que todos os co-autores tenham o mesmo comportamento? Não. Cada um dá sua contribuição, podendo-se distribuir tarefas (aliás, é isso que normalmente acontece numa empreitada criminosa). 5ª) Para a adequação típica da co-autoria é dispensável o art. 29 do CP ("Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida da sua culpabilidade")? No que se

. v. então surge a possibilidade de co-autoria. todos respondem pelo resultado morte (por homicídio doloso).) em regra não se pode falar em co-autoria porque o verbo núcleo do tipo exige atuação pessoal do agente. Quanto aos demais. Co-autoria da mulher no crime de estupro: diante da moderna teoria do domínio do fato. v. praticam o peculato). Deliberam os três voltar ao primeiro local e furtar mais objetos. não há nenhuma dúvida que a mulher pode ser co-autora do crime de estupro. Um deles será co-autor executor. Várias pessoas disparam contra a mesma vítima. Todos vão responder pelo delito. essa elementar alcança o particular.g. 29 (que é norma penal de extensão da tipicidade e da punibilidade). Levam tudo para a residência de "C". Qualquer um dos dois que executar o ato. enquanto o outro é co-autor funcional. Desse modo. o faz como obra comum. desde o princípio. "A" e "B" furtaram objetos de uma casa. 30 do CP. Pode ser co-autora intelectual (se planeja e dirige a atividade dos demais). 7ª) Nos crimes próprios (que exigem uma qualidade especial do agente – peculato. sem saber qual dos disparos causará o resultado morte. simultaneamente. v. por exemplo (e será co-autor funcional). entretanto. o produto final é de responsabilidade de todos os coautores (independentemente de quem tenha sido o efetivo executor). que atuam coletiva e alternadamente. 6ª) Nos crimes de mão própria (falso testemunho.) são coautores todos os que realizam o verbo núcleo do tipo (dois funcionários. desde que participe da execução do crime. "A" e "B" combinam a morte de "C" e cada um deles fica numa das saídas autônomas do edifício. impedindo o ingresso de qualquer pessoa nesse . em razão da conjugação das vontades. Caso a ação verbal possa ser praticada pelo autor de mão própria e ainda por um terceiro. Co-autoria sucessiva: ocorre co-autoria sucessiva quando o agente ingressa no desenvolvimento de um fato criminoso já iniciado. porém desconhecendo-se ab initio qual delas efetivamente alcançará o resultado pretendido. Co-autoria aditiva: ocorre quando várias pessoas participam da execução do delito. Mas um terceiro pode segurar a criança. Exemplo: no infanticídio. Co-autoria alternativa: ocorre quando o resultado combinado pode ser alcançado por qualquer um dos membros do grupo. co-autora executora (do verbo constranger) ou coautora funcional (fica na porta de um banheiro. a tipicidade e punibilidade só se tornam possíveis em razão do disposto no art.relaciona com os co-autores executores sim. unindo esforços para alcançar o objetivo comum. o ato de matar o próprio filho é necessariamente da mãe (porque se trata de crime de mão própria). por exemplo. como houve acordo homicida entre eles (ou pelo menos adesão subjetiva de vários deles em relação à conduta do outro).g. Co-autoria com resultado incerto: no exemplo das várias pessoas que efetuaram disparos contra a vítima. Espécies de co-autoria Co-autoria conjunta: ocorre quando todos os co-autores atuam. Na co-autoria. Por força do art. que tinha ciência dela.g. conjuntamente. mesmo que não se descubra quem foi o autor do disparo fatal. também o particular pode ser co-autor.

No crime multitudinário. temos dois crimes autônomos (colaterais). Só não pode evidentemente ser co-autora executora do verbo manter conjunção carnal. é certo que a jurisprudência brasileira (discutivelmente) continua admitindo co-autoria em crime culposo. Não há co-autoria: (a) nos crimes omissivos próprios ou impróprios (porque o dever de agir é pessoal. Co-autoria societária e multitudinária: há duas modalidades especiais de co-autoria (ou de autoria coletiva) que merecem referência: (a) crime societário (é o crime cometido coletivamente dentro de uma sociedade ou de uma pessoa jurídica – pode-se falar aqui em co-autoria societária) e (b) crime multitudinário (crime cometido em multidão). No crime multitudinário há um objetivo comum (toda a torcida de uma equipe avança com o árbitro da partida). (b) nos crimes culposos (a co-autoria exige acordo de vontades. personalíssimo). onde está ocorrendo o estupro). Nisso é distinto do delito de rixa (que não conta com objetivo comum). . Apesar dessa orientação doutrinária. que não existe nos crimes culposos). pode-se falar em co-autoria multitudinária. caso dois médicos venham a omitir socorro conjuntamente.local.