Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP

)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Hendricks, Howard G.
O outro lado da montanha / Howard G. Hendricks; traduzido por Carlos Osvaldo Pinto.
– São Paulo: Mundo Cristão, 2005.
Título original: The other side of the mountain.
Bibliografia.
ISBN 85-7325-393-2
1. Envelhecimento 2. Idosos – Vida religiosa 3. Velhice – Aspectos religiosos 4. Velhice
– Ensino bíblico I. Título.
05-3782 CDD–261.83426
Índices para catálogo sistemático:
1. Velhice: Atitudes da Igreja: Cristianismo 261.83426
2. Terceira idade: Atitudes da Igreja: Cristianismo 261.83426
Publicado no Brasil com a devida autorização e com todos os direitos reservados pela:
Associação Religiosa Editora Mundo Cristão
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Editora associada a:
• Associação Brasileira de Editores Cristãos
• Câmara Brasileira do Livro
• Evangelical Christian Publishers Association
A 1ª edição foi publicada em julho de 2005, com uma tiragem de 4.000 exemplares.
Impresso no Brasil
O OUTRO LADO DA MONTANHA
CATEGORI A: ESPI RI TUALI DADE / I NSPI RAÇÃO
Copyright © 2000 por Howard G. Hendricks
Este material foi reproduzido com a permissão da Bibliotheca Sacra do Seminário Bíblico de Dallas (EUA)rvest
House Publishers, Oregon, EUA
Título original: The other side of the mountain
Coordenação editorial: Silvia Justino
Colaboração: Rodolfo Ortiz
Preparação de texto: Renato Potenza
Revisão: Rodolfo Ortiz
Capa: Cláudio Souto
Supervisão de produção: Lilian Melo
Os textos das referências bíblicas foram extraídos da Nova Versão Internacional (Sociedade Bíblica Internacional),
salvo indicação específica.
10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 05 06 07 08 09 10 11 12
s uma r l o
Apresentação 7
Capitulo 1
O outro lado da montanha 11
Capitulo 2
Repensando a aposentadori a 43
Capitulo J
Eu mesmo e meus amanhãs 71
Capitulo 4
As recompensas do mi ni stéri o
na tercei ra i dade 105
Notas 135
apr es ent ação
OFICIALMENTE DEVEREI me aposentar daqui a dez
anos, mai s ou menos. Dadas as condi ções de
vi da da mai ori a dos aposentados em nosso
paí s, o pensamento deveri a me assustar. Al -
guns meses atrás, no entanto, li O outro lado
da montanha, e a aposentadori a perdeu sua face
assustadora. Na verdade, todo o meu concei -
to de aposentadori a mudou.
Este li vro reúne uma séri e de palestras pro-
feri das por Howard Hendri cks nas Conferên-
ci as Gri ffi th Thomas do Semi nári o Teológi co
de Dallas, nos Estados Uni dos (também apre-
sentadas no Semi nári o Pal avra da Vi da, em
Ati bai a). O tratamento do tema esti mulou-me
a consi derar o futuro com mai s oti mi smo e
objeti vi dade: posso exerci tar os dons e as
oportuni dades que Deus me concedeu de ma-
nei ra di ferente.
8 O OUTPO LADO DA MONTANHA
Ai nda que as di fi culdades i nerentes ao pe-
rí odo não tenham desapareceram o com a lei -
tura, o oti mi smo de Hendri cks, baseado no
própri o exemplo, não só me contagi ou como
desafi ou a ver a fase madura da vi da como a
época de col her os frutos e saboreá-l os, na
comunhão, com a geração segui nte.
O Brasi l está se tornando rapi damente um
paí s de i dosos. Al gumas projeções são som-
bri as, e as mai s desol adoras referem-se ao
custo tremendo que a nação terá de pagar para
atender ao grande número de aposentados
daqui a apenas qui nze anos. É admi rável que
os evangél i cos tenham mui to que contri bui r
no que é mai s fundamental — a perspecti va
correta sobre essa fase úni ca da vi da. Entre-
tanto, é tri ste pensar em quão pouco está sen-
do fei to.
Mi nha oração é que, ao l er este l i vro, você
aprovei te a oportuni dade para col ori r seu
futuro com uma mensagem de real i smo oti -
mi s ta do gr ande comu ni cador Howar d
Hendri cks.
APPLSLNTAÇÃO 9
A vocês, lei tores mai s jovens, fi ca o desafi o
de encarar a tercei ra i dade não como uma ter-
ra de ni nguém, mas como o terri tóri o em que
mui ta gente pode ser alcançada para Cri sto e
para uma vi da de produti vi dade e si gni fi cado.
Se nós, I greja de Jesus Cri sto, nos resi g-
narmos a apenas recl amar da si tuação, os
bi ngos tomarão conta. De fato, já o fi zeram
em outros lugares, e começam a fazer aqui .
Temos mui to terri tóri o que reconqui star.
CARLOS OSVALDO CARDOSO PINTO, Ph.D.
Reitor do Seminário Bíblico Palavra da Vida
O outro lado da montanha
1 capl t u| o
QUAL SERI A SUA I DADE se você não soubesse
quantos anos tem? Essa pergunta fei ta por
Satchel Pai ge ati nge o âmago do processo que
chamamos de amadureci mento ou envelheci -
mento, o programa de reci cl agem fei to por
Deus.
Uma árvore brota com folhas, flores e fru-
tos; fi nalmente os frutos amadurecem e caem;
as folhas secam e caem pelo chão — tudo para
nutri r a árvore em sua vi da futura. Essa é uma
i l ustração si mpl i fi cada das pal avras de Davi
no Salmo 103:15,16:
Quanto ao homem, os seus di as são como a
relva; como a flor do campo, assim ele floresce;
12 O OUTPO LADO DA MONTANHA
pois, soprando nela o vento, desaparece; e não
conhecerá, daí em diante, o seu lugar” .
Fei tos à i magem e semelhança do Cri ador, os
humanos possuem uma habi li dade i ncrí vel de
afetar esse decl í ni o. Nossa capaci dade men-
tal atua como um software engenhosamente
desenhado para di tar os rumos e organi zar as
ci rcunstânci as da nossa vi da. O envelheci men-
to é pri nci pal mente uma questão mental ; é
sua ati tude, não a sua i dade. A pessoa tem a
i dade da sua postura mental, e não das suas
artéri as. A ati tude é o vol ante da vi da; uma
pequena curva a l eva a um desti no radi cal -
mente di ferente.
A sra. Si mpson, uma ami ga que mora em
Houston, costumava visitar sua filha em Dallas;
mi nha esposa se l embra del a por ter si do a
pri mei ra prel etora em seu estudo bí bl i co de
senhoras a mencionar o assunto das mudanças
provocadas pela i dade, a parti r de Mateus 5:13:
“ Vós soi s o sal da terra” . Lembro-me del a
numa festi nha de Natal , anos atrás. Ao ver-
me, perguntou com vi vaci dade:
O OUTPO LADO DA MONTANHA 1J
— E aí , Howi e, quai s os últi mos ci nco me-
lhores li vros que você leu recentemente?
Enquanto pensava no assunto, ela olhou à
sua volta e di sse:
— Bom, não vamos fi car aqui nos enfadan-
do com nossas mazel as, vamos di scuti r al -
gum assunto. Se não acharmos nada para
di scuti r, podemos parti r para um bate-boca!
Ági l como uma cabra montesa, ela vi si tava a
Terra Santa regularmente. Certa ocasião eu a vi ,
aos 83 anos, em ci ma de uma torre gri tando
para um grupo de atl etas profi ssi onai s: “ Va-
mos gente, mexam-se!” .
Em Dal l as, enquanto dormi a, o Senhor a
l evou. Sua fi l ha l i gou e quando eu cheguei ,
ela me mostrou um bloco de papel em que a
sra. Si mpson havi a escri to, antes de i r para
a cama, seus objeti vos para os próxi mos dez
anos. Determi nada, vi brante, perspi caz e chei a
de vi da, a sra. Si mpson personi fi cou e me en-
si nou o que a velhi ce pode ser.
A velhi ce deve ser tempo de expectati va, e
não de escape; de senescênci a, e não de seni -
14 O OUTPO LADO DA MONTANHA
li dade. A senescênci a (um si nôni mo para en-
vel heci mento) é uma fase natural ; acontece
com todos nós. Seni l i dade, pel o contrári o, é
uma perda anti natural de nossas facul dades
durante essa fase, e atual mente a seni l i dade
ati nge menos que vi nte por cento dos ameri -
canos.
A velhi ce também deveri a ser um momen-
to na vi da de desenvolvi mento i nteri or clara-
mente vi sí vel, e não de mera deteri oração ex-
terna; momento de crescer em maturi dade, e
não apenas em flaci dez, barri ga e calví ci e.
Há três manei ras faci lmente di ferenci ávei s
de cl assi fi car o i doso, apesar de i ndi vi dual -
mente elas poderem ser largamente vari adas:
a i dade cronológi ca — a medi da da i dade pelo
padrão do tempo decorri do; a i dade fi si ol ó-
gi ca — refleti da nas funções corporai s da pes-
soa e sua condi ção fí si ca; e a i dade psi cológi ca
— baseada no modo como a pessoa se sente
ou reage às pessoas e ci rcunstânci as.
A mesma pessoa, portanto, pode ter três ida-
des diferentes. A velhice não começa em certo
O OUTPO LADO DA MONTANHA 15
ponto do tempo; nós envel hecemos a cada
mi nuto, não a cada ano. Uma mulher de cem
anos foi abordada com a pergunta sobre o que
ela fi zera de sua vi da. Ela então respondeu:
— Ai nda não posso lhe di zer. Ai nda estou
vi va e conti nuo a fazer mi nha vi da.
PAZÕLS PAPA O LSTUDO
Por que esse assunto merece nosso tempo e
atenção? O assunto da vel hi ce consti tui um
i ngredi ente vi tal durante toda a nossa vi da?
Ci nco razões persuasi vas tornam esse estudo
váli do e essenci al.
Em pri mei ro l ugar, cri stãos preci sam de
uma interpretação cristã do processo do enve-
lheci mento. Pesqui sas mui to útei s desse pro-
cesso foram fei tas, mas os estudos carecem
em geral de concei tos bí bl i cos. Há uma ca-
rênci a i mpressi onante de materi al nessa área,
de uma perspectiva eterna, especialmente com
relação ao ministério para idosos na igreja.
A ri queza do nosso progresso tecnol ógi co
é prejudi cada pel a pobreza da nossa l ógi ca
16 O OUTPO LADO DA MONTANHA
pessoal , sempre pronta a presumi r que ve-
lhos não prestam para nada. Esse preconcei -
to se percebe na aceitação geral da desonra aos
idosos, e as caricaturas de adultos enrugados,
encurvados, amputados e combal i dos. Como
resultado, duvi damos do seu valor. Quão i m-
portante para uma pessoa é ser val ori zada,
bem-vi nda e levada a séri o? Tomás de Aqui no
responde: “A graça não supri me a natureza” .
Em segundo l ugar, pessoas com mai s de
sessenta anos fazem parte do segmento que
mai s cresce entre a população de vári os paí -
ses. A Associ ação Ameri cana de Aposenta-
dos observa que no ano de 2030 haverá 70
mi l hões de pessoas aci ma dessa i dade nos
Estados Uni dos,* mai s que o dobro do seu
número em 1996. Enquanto hoje as pessoas
com mai s de 65 anos representam treze por
* As projeções IBGE (Insti tuto Brasi lei ro de Geografi a e
Estatí sti ca) mostram que, em 2005, a população com 60
anos ou mai s corresponde a 8,9% do total . Em 2020,
corresponderá a 12,9% e a 17,1% em 2030. (N. do E.)
O OUTPO LADO DA MONTANHA 17
cento da população, essa porcentagem subi rá
para vi nte por cento em 2030.
1
Em 1996, pessoas que alcançavam a i dade
de 65 anos ti nham uma expectati va de vi da
adi ci onal de 17,7 anos (19,2 para mulheres e
15,5 para homens).
2
Somos ci dadãos de uma nação de i dosos.
Não podemos nos dar ao luxo de nos ali enar
da soci edade à qual Deus nos chamou a mi -
ni strar.
O probl ema da vel hi ce, assi m denomi na-
do, não di z respei to apenas ao i doso. Ele re-
presenta um descaso, um menosprezo em
nosso mundo para com qualquer pessoa que
seja fraca. Pode-se sempre predi zer a queda
de uma cul tura pel o modo como trata suas
cri anças e seus i dosos, e nós estamos maltra-
tando a ambos. Atualmente os Insti tutos Na-
ci onai s de Saúde gastam menos que um
déci mo de um por cento do seu orçamento
em pesqui sa geri átri ca.
3
Nossa reação naci onal ao mandamento bí -
bli co de ajudar os fracos e prover os carentes
18 O OUTPO LADO DA MONTANHA
é vergonhosa, i moral e desumana, levando-se
em conta os recursos de que di spomos. Con-
forme a Soci edade Ameri cana do Idoso, das
nossas 126 facul dades de medi ci na, apenas
uma, Mount Si nai Medi cal School, da ci dade
de Nova York, tem uma escol a de geri atri a.
Outra deverá ser i naugurada no estado de
Arkansas. Apenas treze facul dades de medi -
ci na oferecem aos alunos um curso sobre en-
velheci mento. Menos que a metade de todos
os médi cos tem algum trei namento em tratar
as doenças dos i dosos. Apesar da nação gas-
tar duas vezes mai s que qual quer outra no
cui dado com o i doso, el a ai nda al cança ape-
nas o 24 lugar em longevi dade no mundo.
4
Tercei ro, pessoas mai s velhas representam
o mai or recurso em potenci al e a mai or mão-
de-obra di sponí vel para nossas i grejas, mas
elas são consi stentemente i gnoradas. Devi do
à melhor saúde, aperfei çoamento tecnológi co
e a conseqüente mai or longevi dade, temos ao
nosso al cance uma vel hi ce si gni fi cati va. Os
úl ti mos anos da vi da de um cri stão podem
O OUTPO LADO DA MONTANHA 19
alcançar a máxi ma produti vi dade quando di -
nami zados por oração, ofertas fi nancei ras e
mi ni stéri o pessoal .
Quarto, pastores são chamados por Deus a
pastorear a i greja toda — do recém-nasci do
ao i nvál i do preso a uma cama. Pastores não
devem focali zar qualquer segmento da comu-
ni dade de forma di scri mi natóri a. Deus não
cl assi fi ca pessoas pel a i dade, nem os que o
representam devem fazê-lo. Infeli zmente, po-
rém, a i greja tem segui do a del i nqüênci a da
nossa soci edade. Como resul tado, buscamos
i gnorar as i nqui etações da i dade avançada,
i nundados pela cultura do novo e do belo, ce-
lebrada por toda a parte.
Henri Nouwen fez alguns comentári os pers-
pi cazes com relação a i sso:
Mui tos estudantes passam a mai or parte do
quarto ano da faculdade quase que exclusi va-
mente com seus colegas, i ncapazes de bri ncar
com uma criança, trabalhar com um adolescen-
te, conversar com um adulto, ou ter qualquer
contato com o i doso. Aqueles que se separam
20 O OUTPO LADO DA MONTANHA
para obter educação colocam-se numa situação
em que o contexto educaci onal da vi da lhes é
tirado. É extremamente valioso ter esse conta-
to com os colegas nos anos de formação, mas
quando não exi ste mundo à sua volta para
lembrá-lo de onde vei o e para onde vai , esse
aconchego pode se tornar parali sante em vez
de propulsor. E isso é uma tragédia.
5
A velhi ce é uma parte tão i mportante e si gni -
fi cati va da vontade perfei ta de Deus para nós
quanto a juventude. Ele está i nteressado tan-
to no fl orescer quanto no fenecer da vi da.
Assi m como o potenci al está conti do na ju-
ventude, e mui tas vezes nunca desenvolvi do,
também as pl enas possi bi l i dades da i dade
avançada mui tas vezes permanecem adorme-
ci das e morrem com a pessoa. Nunca é tarde
demai s para se começar a vi ver. O trabal ho
de Deus será grandemente enri queci do quan-
do mai s atenção for dada à li beração e ao uso
desse recurso escondi do.
Quinto, um grave abismo de gerações se de-
senvolveu com a mobilidade e a modernização
O OUTPO LADO DA MONTANHA 21
da nossa soci edade, um vazi o estranho aos
padrões das Escri turas. Devemos entender
que não podemos expulsar os jovens da i gre-
ja a toque de cai xa; o jovem, por outro lado,
também não deve se recusar a abraçar o i doso
na i greja. Preci samos desesperadamente um
do outro, como aconselha Tournier: “ Todos os
diferentes grupos precisam um do outro. O de-
senvolvi mento de cada um é prejudi cado se o
contato com todos não for manti do. I dosos
precisam de adolescentes assim como de crian-
ças; eles preci sam do amor de ambos” .
6
A Bí bl i a é um documento real i sta; el a di z
as coi sas como real mente são. Os fracassos
são tão fi elmente relatados quanto os suces-
sos. Deus nunca pi ntou o cami nho para o céu
como um mar de rosas. Especi almente quan-
do se refere à velhi ce, o Espí ri to Santo retrata
com consi stênci a um vasto contraste entre
aqueles que vi veram com Deus e os que vi ve-
ram sem ele. A chave bí bli ca é ser reali sta e
oti mi sta. Há mudanças progressi vas na men-
te e no corpo, fi si ológi ca e psi cologi camente;
22 O OUTPO LADO DA MONTANHA
e devemos acei tá-las sem exagerar. Devemos
domi nar o processo do envelheci mento, além
de não deixar ele nos dominar. Não temos es-
colha quanto a envelhecer, mas temos um voto
deci si vo em como vamos passar esses anos.
Com respeito à cultura atual, o falecido maes-
tro Leonard Bernstei n observou: “ Metade das
pessoas está se afogando... e a outra metade
está nadando na di reção oposta” .
Se então as nossas ati tudes determi nam o
processo do envel heci mento, podemos ser
velhos aos ci nqüenta anos ou bem jovens aos
noventa. A conqui sta do verdadei ro envelhe-
cer se reflete numa sereni dade de espí ri to, em
um cresci mento contí nuo. Como Pedro escre-
veu: “ Por i sso mesmo, empenhem-se para
acrescentar à sua fé a vi rtude; à vi rtude o co-
nheci mento; ao conheci mento o domí ni o pró-
pri o; ao domí ni o própri o a perseverança; à
perseverança a pi edade; à pi edade a fraterni -
dade; e à fraterni dade o amor” (2Pe 1:5-7; NVI).
Vi vemos numa soci edade e nos envolvemos
com uma igreja; ambos receberam uma lavagem
O OUTPO LADO DA MONTANHA 2J
cerebral com o pensamento esponjoso a res-
pei to do processo do envel heci mento. Preci -
samos questi onar: O que a Bí bli a di z sobre o
envel heci mento? Podemos acabar descobri n-
do que estamos a anos-l uz de di stânci a do
que Deus di z sobre o assunto.
UMA PLPSPLCT|vA 8|8L|CA
As Escri turas nos mostram claramente que a
velhice é uma dádiva divina, uma bênção a ser
val ori zada por toda a comuni dade. Os ci nco
trechos bí bli cos que se seguem, tratam desse
fato.
“Assim, abençoou o SENHOR o último estado
de Jó mai s do que o pri mei ro... Então, mor-
reu Jó, vel ho e farto de di as” (Jó 42:12,17).
Poucos homens sofreram como Jó, mas atra-
vés do sofri mento seu olhar conti nuou fi rme
no seu Cri ador, sem saber por que, mas con-
fi ante em quem planejava sua vi da.
Deus preservou 42 capítulos da história de
Jó para nos ensinar não apenas sobre sofrimen-
to, mas também sobre sua graça consoladora.
24 O OUTPO LADO DA MONTANHA
“ Porque por mi m se mul ti pl i cam os teus
di as, e os anos de vi da se te acrescentarão”
(Pv 9:11). Essas promessas se seguem ao mui-
to menci onado verso: “ O temor do SENHOR é o
pri ncí pi o da sabedori a, e o conheci mento do
Santo é prudênci a” (v. 10). Essa é a fórmula
di vi na para um movi mento fi nal deli berado e
constante em di reção a uma real i zação que
dura a vi da i ntei ra.
“Até à vossa vel hi ce, eu serei o mesmo e,
ai nda até às cãs, eu vos carregarei ; já o tenho
fei to; levar-vos-ei , poi s, carregar-vos-ei e vos
sal varei ” (I s 46:4). Da el oqüênci a de I saí as
vem essa cláusula de garanti a, as mai s doces
palavras que um i doso poderi a ouvi r. Apesar
das duras cal ami dades presentes, há l uz no
fi nal do túnel para a humani dade. O resgate
di vi no aguarda o cri stão.
“ Por i sso, não desani mamos, pel o contrá-
ri o, mesmo que o nosso homem exteri or se
corrompa, contudo, o nosso homem i nteri or
se renova a cada di a. Porque a nossa l eve e
momentânea tribulação produz para nós eterno
O OUTPO LADO DA MONTANHA 25
peso de glóri a, aci ma de toda comparação, não
atentando nós nas coi sas que se vêem, mas
nas que se não vêem; porque as que se vêem
são temporai s, e as que se não vêem são eter-
nas” (2Co 4:16-18).
Os anos podem enrugar a pele, mas a perda
das esperanças e da admiração pela vida traz
rugas à alma. A confiança de Paulo, mesmo sob
as pi ores ci rcunstânci as nos di z, a despei to
de bol eti ns médi cos, que temos um acesso
pri vi l egi ado, i nvi sí vel e i mperdí vel à renova-
ção i nteri or. Os anos podem desgastar o cor-
po, mas a alma confi ante não se dei xa abater.
“ Sabemos que, se a nossa casa terrestre
deste tabernáculo se desfi zer, temos da parte
de Deus um edi fí ci o, casa não fei ta por mãos,
eterna, nos céus” (2Cor 5:1). Essa verdade é a
cartada vencedora no sombri o jogo da vi da e
da morte. Doença? Desapontamento? Tragédia?
Deus nos assegura que sua graça nos basta
(2Cor 12:9) durante o processo da morte física e
sua provisão é uma vida incorruptível. Os auto-
res das Escri turas demonstram ter senti do a
26 O OUTPO LADO DA MONTANHA
aragem fri a da morte se aproxi mando e bus-
caram preencher o desconheci do que nos ater-
rori za.
Os salmos 71,78,92, cada um carregado de
si gni fi cânci a, sussurram maravi l has consol a-
doras para os i dosos.
Uma oração para a velhice: salmo 71
O supli cante do salmo 71 aparentemente era
um i doso mui to atri bulado — porém sem si -
nal de abati mento (v. 20). Mas el e não ora
querendo escapar das di fi cul dades; el e não
pede eterna juventude. Pelo contrári o, o sal-
mi sta busca a presença sal vadora do Senhor
para enfrentar a tri bulação.
Obvi amente ele estava no fi m de suas for-
ças fí si cas. El e ora: “ Não me rejei tes na mi -
nha velhi ce; quando me faltarem as forças não
me desampares” (v. 9). Deus lhe relembra que
ele é fi el e nunca muda. Outro salmo parece
responder sua oração, com a garanti a do cui -
dado de Deus conqui stado por décadas de ex-
peri ênci a: “ Fui moço e já, agora, sou vel ho,
O OUTPO LADO DA MONTANHA 27
porém jamai s vi o justo desamparado, nem a
sua descendênci a a mendi gar o pão” (37:25).
O escri tor do sal mo 71 vi sl umbrou o pro-
pósi to de Deus para sua vi da: “ Não me de-
sampares, poi s, ó Deus, até à mi nha vel hi ce
e às cãs; até que eu tenha decl arado à pre-
sente geração a tua força e às vi ndouras o teu
poder ” (71:18). Deus sempre foi e sempre
será fi el ; portanto podemos servi -l o com con-
fi ança e grati dão, apesar da nossa fragi li dade
humana.
Essa verdade revol uci onári a é boa demai s
para se manter guardada. Por essa razão, o
salmi sta pedi u a Deus permi ssão para di vulgá-
la antes de parti r desta terra. Ele queri a que
seu l egado fosse procl amado enfati camente,
para anunci ar que, qualquer que seja a condi -
ção humana, Deus é o Renovador, Restaura-
dor, e a Fonte da força i nteri or para seu povo.
Mesmo que a força do sal mi sta fal hasse,
ele sabi a que Deus não falhari a com ele (v. 9).
Por i sso el e ansi ava por contar sua hi stóri a
(v. 18). A vi da deve ser vi vi da em di reção ao
28 O OUTPO LADO DA MONTANHA
futuro, mas pode ser entendi da apenas quan-
do refleti mos sobre o passado.
Um sermão da história: salmo 78
Nossa geração mí ope sofre de uma di storção
causada por uma negli gênci a estratégi ca. So-
mos assol ados por uma amnési a hi stóri ca.
Uma das coi sas que aprendemos com a hi stó-
ri a é justamente que nós não aprendemos com
el a. Carecemos de uma postura que abranja
três gerações. Talvez nada seja mai s necessá-
ri o que i sso em nossa soci edade exi stenci al; a
mai ori a não consegue sequer entender o que
i sso si gni fi ca, mas é ati ngi da por esse mal .
As pessoas vi vem saturadas de um epi curi s-
mo* promovi do ao século XXI.
Um anti go escri tor clamou: “ Nada há me-
lhor para o homem do que comer, beber e fa-
zer que a sua alma goze o bem do seu trabalho.
No entanto, vi também que i sto vem da mão
* Sistema filosófico ensinado por Epicuro de Samos, filó-
sofo ateniense do século IV a.C. Epicuro propunha uma vida
de contí nuo prazer como chave para a feli ci dade. (N.do E.)
O OUTPO LADO DA MONTANHA 29
de Deus” (Ec 2:24). Nossa sofi sti cação mo-
derna decl ara: “ O passado é um túmul o; i g-
nore-o. O futuro é hol ocausto; evi te-o. Não
há l ucro no di sci pul ado; não há desti no na
peregri nação. Adqui ra um Deus i nstantâneo;
compre cari sma enl atado” .
7
Asafe, o homem sábi o do salmo 78, anun-
ci ava: “ Não o encobri remos a seus fi lhos; con-
taremos à vi ndoura geração os l ouvores do
SENHOR, e o seu poder, e as maravi l has que
fez” (78:4). Por quê? “ ... a fi m de que a nova
geração os conhecesse, fi l hos que ai nda hão
de nascer se levantassem e por sua vez os re-
feri ssem aos seus descendentes” (v. 6). O cri s-
ti ani smo pode morrer, e geral mente morre,
no espaço de uma geração se os cristãos igno-
ram esse consel ho. Não há espaço para pai s
ou avós serem neutros nesse assunto.
O sal mo 78 descobre um cordão de três
dobras de fé envol vendo confi ança pessoal ,
pensamento i nformado e vontade obedi ente.
Os versos 7 e 8 oferecem uma expressão ao
mesmo tempo positiva e negativa: “ ... para que
J0 O OUTPO LADO DA MONTANHA
pusessem em Deus a sua confi ança e não se
esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe ob-
servassem os mandamentos e que não fossem,
como seus pai s, geração obsti nada e rebelde,
geração de coração i nconstante, e cujo espí ri -
to não foi fi el a Deus” . Westermann denomi -
na essa expressão de “ re[ a] presentação” da
hi stóri a. El e afi rma que a essênci a do que
será transmi ti do está nas palavras do verso 4:
“ ... contaremos à vi ndoura geração os louvo-
res do SENHOR, e o seu poder, e as maravi lhas
que fez” .
8
“ No relato dos gloriosos feitos de Deus” , diz
Westermann, “ abre-se o futuro” .
9
Ao olharmos
para trás, preparamo-nos para olhar adi ante.
Essa repeti ção dos grandi osos fei tos di vi nos
requer a presença de cri stãos proati vos na vi da
de todo jovem, pessoas que i ndi scuti velmen-
te confi am em Deus em termos pessoai s, ca-
pazes de tomar uma deci são i nteli gente sobre
o que é mai s i mportante na vi da. Esse ti po de
compromi sso corajoso de obedecer a Deus,
custe o que custar, i nstrui uma soci edade
O OUTPO LADO DA MONTANHA J1
perverti da mai s efi cazmente que qualquer pro-
nunci amento, e neutrali za o medo do que vem
pela frente. A confi ança é colocada na pessoa
de Deus; a hi stóri a dos seus fei tos comprova
sua capaci dade de cumpri r suas promessas.
Essa premi ssa pressupõe que nós apren-
demos a contar hi stóri as que exaltam a Deus,
não a nós. Ray Stedman costumava contar a
hi stóri a de um meni no que voltou para casa
da Escola Domi ni cal di zendo que a avó de Je-
sus ti nha dado a aula daquele di a.
— Por que você acha que ela era a avó de
Jesus?
— Bom, ela fi cou mostrando fotos de Jesus
e contando o que ele fez.
O sal mo 78 ordena que enfrentemos os
probl emas com consel hos que se apói em no
Deus cuja presença provamos pessoal mente;
que aprendamos a dei xar o Espí ri to Santo
bri lhar através de nós com sua paci ênci a, ale-
gri a e paz enquanto nossa famí li a nos observa
atravessando o pantanal da doença e do sofri -
mento.
J2 O OUTPO LADO DA MONTANHA
Uma canção para o dia de sábado: salmo 92
O salmo 92 se adapta bem à lei tura congrega-
ci onal e ao estudo i ndi vi dual . El e retoma o
tema de louvor ao Senhor apesar dos í mpi os
que sempre parecem estar levando vantagem.
Pl anejado por Deus para ser um di a de
descanso e adoração, o Sábado foi dado a
I srael para recuperação fí si ca, emoci onal e
espiritual. Em suas ternas mi seri córdi as, Deus
separou um di a a cada sete di as, não como
obri gação, mas bênção; algo para ser saborea-
do em vez de suportado; um prazer, não uma
puni ção!
Note o contraste: o povo do mundo é pere-
cí vel; o povo de Deus é permanente.
O inepto não compreende, e o estulto não per-
cebe i sto: ai nda que os í mpi os brotam como a
erva, e florescem todos os que prati cam a i ni -
qüidade, nada obstante, serão destruídos para
sempre [ ...] O justo florescerá como a palmei-
ra, crescerá como o cedro no Líbano. Plantados
na Casa do SENHOR, florescerão nos átri os do
nosso Deus. Na vel hi ce darão ai nda frutos,
O OUTPO LADO DA MONTANHA JJ
serão cheios de seiva e de verdor, para anunciar
que o SENHOR é reto. Ele é a mi nha rocha, e
nele não há injustiça
SALMOS 92: 6,7,12-15
Os piedosos são caracterizados por terem vigor
sem fim. Essa passagem mostra que a sabedo-
ri a, a habi li dade de vi ver bem, é o que deter-
mi na o vi ço da perpétua juventude e o frescor
de amadurecer com propósi to. Pode-se dete-
ri orar fi si camente, i sso é i nevi tável; mas espi -
ri tualmente nossa maturi dade experi mentada
deveri a estar sempre em desenvolvi mento.
O salmo 92 começa: “ Bom é render graças
ao SENHOR e cantar l ouvores ao teu nome, ó
Al tí ssi mo” (v. 1). Lutero traduzi u a pal avra
“ bom” por “ preci oso” . O pensamento é que
um aperfei çoamento ou restauração i nteri or
ocorre por mei o do louvor em adoração. Você
já se encontrou depri mi do ou desencorajado,
e deci di u louvar a Deus assi m mesmo? Uma
transformação maravi l hosa acontece. O l ou-
vor com nossas pal avras l eva ao l ouvor com
nossa vi da. Aqui está o verdadei ro rejuvenes-
J4 O OUTPO LADO DA MONTANHA
ci mento para o vi rtuoso veterano, cansado de
guerra.
Não preci samos ser galhos secos na vi dei -
ra. “ Na velhice darão ainda frutos, serão cheios
de sei va e de verdor” (v. 14). Em Deuteronô-
mi o 34:7 essa promessa se enfati za: “ Ti nha
Moi sés a i dade de cento e vi nte anos quando
morreu; não se lhe escureceram os olhos, nem
se lhe abateu o vi gor” . Em Isaí as 40:31 essa
verdade é rei terada: “ ... mas os que esperam
no SENHOR renovam as suas forças, sobem
com asas como águi as, correm e não se can-
sam, cami nham e não se fati gam” .
Os três salmos nos ensinam que Deus é fiel
(Sl 71), que somos responsávei s (Sl 78), e que
a vi da pode ser i ntei ramente frutí fera (Sl 92).
LXLMPLOS 8|8L|COS
Mas qual é a cara da velhi ce? Pequenas por-
ções das bi ografi as bí bl i cas i l ustram um en-
vel hecer posi ti vo e saudável . Afi nal , o mai s
forte i ncenti vo para se vi ver uma vi da pi edosa
é observar um exemplo dela.
O OUTPO LADO DA MONTANHA J5
Focali ze suas lentes em Si meão. Em Lucas
2:25-35 encontram-se três caracterí sti cas dele:
Si meão era justo di ante de Deus, reconheci do
por sua devoção, e control ado pel o Espí ri to
Santo. Note a relação de causa e efei to entre
essas três caracterí sti cas.
Aqui está o retrato de um homem pi edo-
so, avançado em anos, de quem o Senhor se
l embra. El e sai da sua peregri nação terrena
banhado de glóri a. Sem pesar, sem desapon-
tamentos, sem “Ah-se-eu-pudesse-começar-
de-novo! ...” El e era um senhor sati sfei to,
alerta, chei o de vi da, e di sponí vel para Deus
apesar da sua i dade avançada. Que haja mui -
tos mai s como ele!
Ana aparece nos versos 36-38. “ Ela era uma
vi úva com 84 anos de i dade ou vi úva por 84
anos” , comenta Bock.
O grego ‘até 84 anos’ dei xa dúvi das. Se a ex-
pressão significa que sua viuvez durara 84 anos,
sua i dade talvez fosse 105 anos [ ...] É di fí ci l
deci di r [ ...] Não seri a a pri mei ra pessoa a vi -
ver mai s de um sécul o. I ndependentemente
J6 O OUTPO LADO DA MONTANHA
da i nterpretação, Ana foi uma mulher que es-
colheu servir ao Senhor em vez de procurar novo
casamento, ação muito bem conceituada para a
comunidade religiosa do primeiro século.
10
Seu cálice transbordou cedo de dor e sofrimen-
to, mas em vez de fracassar, ela se fortaleceu.
Ela não desi sti u de vi ver; ela se envolveu com
o trabalho do Senhor. Aprendeu que o Pai nun-
ca provoca lágri mas i nútei s em seus fi lhos.
Ana nos ensi na que a i dade adulta avança-
da, mesmo a vi uvez, pode ser vi vi da de ma-
nei ra frutí fera, graci osa e vi gorosa. Ela nunca
se aposentou; ela orava, jejuava e permaneci a
no templ o. O cl í max da sua vi da (v. 38) se
concentra no louvor a Deus e na proclamação
das notí ci as a respei to de Jesus. Que padrão
perfei to a ser segui do. Como um sargento,
el a nos trei na a concentrar em Cri sto, i nde-
pendentemente da nossa i dade, e nos preo-
cuparmos mai s em reali zar seus propósi tos e
planos em vez de nos compararmos com gen-
te mai s jovem. Sua vi da responde claramente
a pergunta: “ Senhor, o que queres que eu faça
O OUTPO LADO DA MONTANHA J7
com o que me deste, apesar de todas as mi -
nhas l i mi tações?” .
Tanto Si meão como Ana, i dosos tementes
a Deus, eram extraordinariamente encharcados
com a Escri tura proféti ca. Eles havi am focali -
zado seus ol hos espi ri tuai s na promessa de
um Redentor. Consi deravam as promessas li -
teralmente e, crei o eu, i sso transformou suas
vi das corri quei ras. Eles estavam certos de que
Deus comandava fi rmemente a hi stóri a. Para
ele não exi stem aci dentes, seja a perda de um
ente queri do, da saúde ou de uma posi ção.
Corações parti dos são a base para constru-
ções permanentes. Pessoas que nunca sofre-
ram dor, desapontamento ou perda, tendem
a exi bi r um ti po superfi ci al de cri sti ani smo.
A dor forja uma estrutura para nos propor-
ci onar perspecti va.
No entanto, nem todos os servos de Deus
têm si do desprendi dos e produti vos. Noé se
embebedou e aparentemente não fez mai s
nada si gni fi cati vo pelo resto dos seus 350 anos
de vi da. Eli fracassou tanto como pai quanto
J8 O OUTPO LADO DA MONTANHA
como profeta, vi ndo a morrer gordo, acabado,
i nati vo. Salomão dei xou para trás mi l vi úvas,
um rei no di vi di do, e uma nação al i vi ada em
vê-l o parti r.
Wal tke escreve que Isaque “ despencou de
nobre a nada” . El e foi “ um homem pi edoso
até chegar à vel hi ce. [ Então sua] i ndul gente
sensual i dade amadureceu, secou e apodre-
ceu” .
11
Três aspectos desse quadro sombri o
de Isaque merecem atenção: a rebeldi a, a su-
ti leza e a tolerânci a consi go mesmo.
12
Waltke
relembra a seus lei tores o trecho de Provérbi os
19:27: “ Fi l ho meu, se dei xas de ouvi r a i ns-
trução, desvi ar-te-ás das palavras do conheci -
mento” . O fracasso está sempre l atente na
carne.
Até mesmo Asa, um bom rei por quase toda
a vi da, regredi u nos seus úl ti mos anos. Em
vez de Deus, procurou o conselho de outros
rei s e dos chamados sábi os da corte em vez
de Deus. De aproxi madamente cem i ndi ví -
duos sobre os quai s temos i nformação bí bli ca
sufi ci ente, apenas um terço termi nou bem.
O OUTPO LADO DA MONTANHA J9
Para cada Eli e Salomão que falharam, exi s-
te um Si meão e uma Ana que foram bem su-
cedi dos como santos si gni fi cantes. Pessoas que
correm bem toda a prova sem desi sti rem no
fi nal são como aquele coelhi nho da propagan-
da das pi l has Duracel l , que nunca dei xa de
cami nhar na di reção certa. Si meão e Ana de-
safi am todos os estereóti pos de i dosos. El es
vi veram a todo o vapor, cri ati vos, útei s, entu-
si asmados e fi éi s.
A vi são bí bl i ca do envel heci mento col oca
sobre a famí l i a a responsabi l i dade pri nci pal
de fornecer cui dado aos i dosos. Para todos, o
homem exteri or envelhece, mas o homem i n-
teri or não conhece li mi tações, desde que re-
ceba cui dado apropri ado. Deus di z que o
anci ão deveri a ser como o ouro — bem refi na-
do e vali oso.
C. S. Lewi s escreveu estas li nhas: “ Por toda
a sua vi da um êxtase i nati ngí vel pai rou além
do alcance de sua consci ênci a. Vem aí um di a
em que você acordará e descobri rá, contra toda
a esperança, que o alcançou, ou que ele se acha-
va ao seu alcance, mas o perdeu para sempre” .
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40 O OUTPO LADO DA MONTANHA
Alguns de nós deverí amos refleti r na carta
esti mul ante de um frade anôni mo de Ne-
braska, ao fi m de sua vi da.
Se eu ti vesse mi nha vi da para ser novamente
vivida, cometeria mais gafes da próxima vez.
Eu fi cari a mai s à vontade, seri a mai s flexí vel,
seria mais bobo do que fui desta vez.
Sei de poucas coisas que levaria muito a sério.
Viajaria mais, faria algumas loucuras a mais.
Escalaria mais montanhas, nadaria outros rios,
contemplaria mais o entardecer.
Caminharia mais observando a natureza.
Comeria mais sorvete e menos grãos.
Teria mais problemas reais e menos problemas
imaginários.
Sabe, sou um daqueles que vi vem a vi da com
profilaxia e prudência hora a hora, dia a dia.
Oh, eu tive meus momentos, e se eu tivesse de
viver de novo, eu os cometeria mais vezes.
Na verdade, tentari a vi ver nada mai s a não ser
momentos, um após o outro, em vez de vi ver
tantos anos adiante a cada dia.
O OUTPO LADO DA MONTANHA 41
Tenho si do uma dessas pessoas que nunca sai
sem levar um termômetro, uma bolsa de água
quente, pasti lhas para a garganta, uma capa e
guarda-chuva, aspirina e pára-quedas.
Se eu tivesse de viver novamente, passearia, teria
lazer, carregaria menos coisas na mala.
Se eu tivesse outra chance de viver, caminharia
descalço desde mais cedo na primavera até mais
tarde no outono.
Mataria mais aulas. Não tiraria notas tão boas,
exceto por acidente.
Bri ncari a nos carrosséi s; col heri a mai s
margaridas.
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Aqui está um homem que compreendeu o de-
li cado equi lí bri o de não se levar mui to a séri o
porque aprendeu ao l ongo dos anos a l evar
Deus mai s a séri o. A eterni dade mantém a
vida, mesmo no seu final, na perspectiva certa.