Dados versão impressa ISSN 0011-5258

Dados v.42 n.4 Rio de Janeiro 1999
http://dx.doi.or /10.1590/S0011-52581999000400001

!eoria De"o#r$ti#a e %o&'ti#a (o"parada )
Guillermo O’Donnell

Para minha filha Julia, pela metonímia  e muito amor.

*+, N-!, %.SS-,/ Passei boa parte da minha vida acadêmica estudando um tema que detesto  o regime autoritário  e, mais tarde, um outro tema que me deu grande alegria, a falência desse regime. Durante esses anos, li muita coisa sobre teoria democrática e as democracias existentes, mas sempre o fi , por assim di er, de fora, isto !, como um tema importante, mas que n"o estava diretamente relacionado com minhas principais preocupa#$es. %aseado nessas leituras e tamb!m nas grandes esperan#as despertadas pelo fim dos vários tipos de domina#"o autoritária, pus&me a estudar, como tantos outros, os novos regimes que haviam nascido. 'oncentrei&me na (m!rica )atina, especialmente no sul do continente, embora tamb!m tenha me ocupado do que vinha ocorrendo na *uropa meridional+ al!m disso, a despeito de minhas s!rias limita#$es no conhecimento dos idiomas, procurei manter&me ra oavelmente informado sobre a situa#"o dos pa,ses da *uropa 'entral e Oriental e de alguns do )este (siático. (o iniciar esses estudos, parti de duas premissas, tal como fa ia na !poca a maior parte da literatura da área. ( primeira delas ! que existe um corpo suficientemente claro e consistente de teoria democrática+ a segunda, que esse corpus te-rico apenas requer modifica#$es marginais para servir como ferramenta conceitual adequada ao estudo das novas democracias. *stas premissas s"o muito convenientes, pois nos permitem .navegar. em estudos comparativos sem muita prepara#"o pr!via ou grandes d/vidas te-ricas. *las aparecem em grande parte da bibliografia dedicada a investigar se as novas democracias se .consolidar"o. ou n"o, as rela#$es dos novos regimes com as pol,ticas de a0uste econ1mico e as institui#$es t,picas desses regimes  Parlamento, Poder *xecutivo, partidos. 'reio que as análises institucionais têm produ ido conhecimentos valiosos, embora muitas ve es excessivamente limitados 2s caracter,sticas formais das institui#$es. 'om rela#"o aos estudos sobre .consolida#"o democrática., 0á manifestei em outros trabalhos 3O’Donnell, 4556a+ 4556b7 meu

ceticismo ante a vague a e a tendência teleol-gica desse conceito, de modo que n"o preciso me repetir aqui. 8uanto aos estudos sobre a0uste econ1mico, a maioria focali a exclusivamente as condi#$es pol,ticas que favorecem ou dificultam a ado#"o de medidas de a0ustamento. ( conseq9ência desse enfoque limitado ! transformar os fatores pol,ticos, inclusive o regime, em variável dependente do a0uste  o que nos velhos tempos seria considerado um caso de flagrante .economicismo.. O foco desses estudos ! t"o estreito que at! recentemente excluiu quest$es sociais e mesmo econ1micas de grande import:ncia, n"o s- da -tica da eq9idade mas inclusive da perspectiva do pr-prio desenvolvimento4. Da mesma maneira como fa iam essas vertentes da literatura, meus primeiros estudos sobre as novas democracias 3O’Donnell, 455;;7 basearam&se nas premissas que acabei de mencionar< que existe um claro e consistente corpo de teoria sobre a democracia e que, com ele, ! poss,vel .via0ar. confortavelmente no assunto. O problema  o meu problema, pelo menos  ! que ho0e estou convencido de que a primeira premissa ! errada e a segunda, por conseguinte, impraticável. 'hegar a essa conclus"o me deixou desconcertado+ ela privou&me das lentes com as quais acreditava poder dar in,cio imediato ao estudo das novas democracias. =i&me ent"o obrigado a fa er um longo desvio intelectual, durante o qual internali ei, digamos assim, minhas leituras sobre a democracia e, por ra $es que esclare#o adiante, retomei minhas antigas inquieta#$es em filosofia, na teoria da moral e no direito. Outro aspecto dessa mudan#a de rumo intelectual foi que dei in,cio a uma s!rie de estudos em colabora#"o com outros pesquisadores, com o apoio institucional do >ellogg ?nstitute for ?nternational @tudies, da AniversitB of Cotre Dame. *sses trabalhos trataram de temas que considerei importantes para esclarecer certas peculiaridades emp,ricas e te-ricas das novas democracias  e das n"o t"o novas assim  , em especial, mas n"o exclusivamente, na (m!rica )atina. Am desses pro0etos fe um balan#o da situa#"o geral da democracia no in,cio da d!cada de 5D, nas (m!ricas do @ul e do CorteE. Outro examinou a pobre a generali ada e a profunda desigualdade social na (m!rica )atinaF. Am terceiro analisou vários aspectos do funcionamento dos sistemas 0ur,dicos da regi"o. 8uanto 2s suas conclus$es, basta di er que mudamos o t,tulo do livro que as incorporou de The Rule of Law... GO Estado de Direito...H para The (Un Rule of Law... GO !racasso do Estado de Direito...H 3I!nde , O’Donnell e Pinheiro, 4555J7. ( mudan#a de rumo levou&me a algumas conclus$es que talve caiba resumir aqui< 3a7 Ama teoria adequada da democracia deveria especificar as condi#$es hist-ricas do surgimento de várias situa#$es concretas, ou, dito de outra forma, deveria incluir uma sociologia pol,tica, de orienta#"o hist-rica, da democracia6. 3b7 Cenhuma teoria sobre qualquer tema social deveria omitir o exame dos usos ling9,sticos do seu ob0eto. ( palavra democracia, desde tempos imemoriais, recebeu fortes 3mas diferentes7 conota#$es morais, todas fundamentadas em uma vis"o dos cidad"os como agentes. ?sso estende 2 teoria da democracia, inclusive a de orienta#"o emp,rica, os complicados mas inevitáveis problemas da filosofia pol,tica e da teoria moral.

3c7 Ama teoria da democracia  da democracia tout court  deveria tamb!m incluir, e em uma posi#"o central, vários aspectos da teoria do direito, visto que o sistema legal determina e respalda caracter,sticas fundamentais da democracia e, conforme explico mais adiante, da cidadania como a"enc#$%. 3d7 Os itens anteriores têm como conseq9ência que a democracia n"o deveria ser analisada apenas no plano do regime, mas tamb!m no do *stado  especialmente do *stado como sistema legal  e de certos aspectos do contexto social geral. *ssas conclus$es est"o incorporadas em textos que escrevi nos /ltimos de anos. Celes, examino certas caracter,sticas de algumas das novas democracias K, as quais dificilmente poderiam ser consideradas como transit-rias ou apenas marginalmente diferentes do que pensam as teorias atuais. Cesses textos, questiono os estudos que .exportam. acriticamente as teorias para o caso das novas democraciasL. Co entanto, meus artigos abordam poucos temas de cada ve e logo voltam a problemas mais gerais da teoria democrática, sem tentar analisar ou reconstruir a teoria como tal. @into agora que essa tentativa precisa ser feita+ para tanto estou escrevendo um livro, cu0os dois primeiros cap,tulos, em vers"o preliminar, constituem este artigo. Mrata&se, portanto, de um texto sobre a teoria da democracia tout court, e tem o indispensável ob0etivo de limpar o terreno conceitual para futuras incurs$es mais ambiciosas. Ias suas origens intelectuais no estudo das novas democracias se tornar"o vis,veis em algumas digress$es comparativas que inseri ao longo da exposi#"o.

IN!R-D*01( recente emergência de pa,ses que s"o ou di em ser democráticos colocou importantes desafios ao estudo comparativo dos regimes pol,ticos5 e, inclusive, 2 pr-pria teoria da democracia, embora nem sempre se perceba isto. 'lassificar um caso como .democrático. ou n"o ! mais que um mero exerc,cio acadêmico+ tem implica#$es morais, na medida em que na maior parte do mundo contempor:neo existe um consenso de que a democracia, independente de como ! definida, ! um tipo de governo normativamente prefer,vel. *ssa qualifica#"o tamb!m tra conseq9ências práticas, pois no atual sistema internacional o acesso a importantes benef,cios tem estado dependente da avalia#"o da condi#"o democrática de um pa,s. *xiste, por!m, muita confus"o e divergência quanto 2 maneira de definir uma democracia. =eremos que algumas dessas divergências s"o inevitáveis, mas a confus"o n"o. ( necessidade de esclarecimento conceitual manifesta&se na notável prolifera#"o de qualificativos e ad0etivos ligados ao termo democracia, conforme David 'ollier e @teven )evitsNB 3455K7 registraram e analisaram com grande proveito. Ca maioria das ve es, esses qualificativos se referem 2s novas democracias, sugerindo hesita#$es por parte da literatura comparativa e dos estudos nacionais e regionais sobre os crit!rios que nos permitiriam qualificar um caso como .democrático.. O principal motivo dessas hesita#$es ! que muitos desses novos regimes, e alguns dos mais antigos, no @ul e no )este, apresentam caracter,sticas inesperadas ou divergentes das que uma democracia .deveria ter., segundo a teoria ou as expectativas de cada observador.

H4E. ).. embora se0a apenas um primeiro passo destinado a limpar o terreno conceitual. 'omo afirmou P. limito&me a estabelecer as primeiras conex$es. N-!. M. 44 'reio que ! isso que se passa com o conceito de democracia< al!m da prolifera#"o de casos potencialmente relevantes.democracia ! um m!todo pol.lia n"o a0uda muito se temos apenas uma vaga ou confusa id!ia sobre a nature a dessa fam.7 paradigmática de democracia.tico G. . pressup$e um significado claro e consistente da palavra. O resultado desses esfor#os pode ser a cria#"o de instrumentos conceituais adequados 2 elabora#"o de uma melhor teoria da democracia em suas várias encarna#$es.7 enuncia sua famosa defini#"o do .. *ste artigo tem a inten#"o de contribuir para essa tarefa.O preciso notar que a l-gica de associar qualificativos 2 .H<. outro motivo da atual confus"o reside no fato de que a teoria democrática n"o ! a s-lida :ncora conceitual que se costuma supor. temos de enfrentar um outro. tanto pelo que elas significam em si mesmas. Ca pr-xima se#"o. de ordem hist-rico&contextual. que ! em parte modificado pelos ad0etivos.das do significado principal 4D.duos adquirem o poder de decidir mediante uma competi#"o pelo voto popular. (ssim. no que di respeito a diversos t-picos importantes 3especialmente a rela#"o entre o regime democrático e algumas caracter..F. as tra0et-rias e a situa#"o de outros pa. *m primeiro lugar.ses que ho0e podem ser considerados democráticos diferem muito do que ocorreu nos originários. (firmo neste artigo que as teorias correntes sobre a democracia precisam ser revistas de uma perspectiva anal.%2 D. Praticamente todas as defini#$es de democracia s"o uma condensa#"o da tra0et-ria hist-rica e da situa#"o atual dos pa. quanto porque podem ser causa de caracter. Por essa ra "o.m!todo democrático. *ntretanto. precisam ser revistas e esclarecidas. ele esclarece que .o tipo de competi#"o pela lideran#a que define a democracia GimplicaH a livre competi#"o por votos livres. mesmo as que têm uma estrutura básica com a qual concordo. contextual e legal. S(3*+%.ses originários4. bem como as diversas quest$es associadas 2 id!ia de a"enc#7. R-D.Ama defini#"o que nos di que uma coisa pertence a uma fam. uma teoria de alcance adequado deveria dar conta dessas diferen#as.o arran0o institucional para chegar a decis$es pol. argumento neste artigo que as defini#$es existentes de democracia. hist-rica. o que varia e pode conter vaguid$es ou ambig9idades s"o as categorias adicionadas ou subtra. legislativas e administrativas.R Depois de afirmar que a . Ias essa presun#"o ! problemática quando esse significado n"o está bastante claro..processualista. examino algumas influentes defini#$es da democracia e extraio conclus$es que abrem caminho para as se#$es posteriores.sticas espec.. Portanto. 3ou .. ainda que isso acarrete uma certa perda de parcim1nia Gno sentido metodol-gico  C. Qoseph @chumpeter 345KJG45F. *sta ! a defini#"o . Por isso. normalmente se esquece4F que @chumpeter n"o pára a.democracia.ticas.minimalista. Co entanto.ficas ou de subtipos de democracias no universo dos casos relevantes..4K74J Cessa mesma linha. D.tica. (l!m desse problema.sticas do *stado e do con0unto do contexto social. 3idem<. *stas servem principalmente para sinali ar os temas a serem desenvolvidos em futuros trabalhos.lia de coisas. fa uma advertência ao .ticas pelas quais os indiv.!. Part 34564<4F7< .H um certo tipo de arran0o institucional para chegar a decis$es pol.< ..

e o respeito m/tuo+ 3J7 deveria tamb!m existir . ele n"o nos di se a .condi#$es para o êxito do m!todo democrático.falta de êxito.+ ver.KE7 @chumpeter deixa claro.a real abrangência das decis$es de pol. dotada de um forte senso do dever e de um esprit de corps n"o menos forte.ticas p/blicas n"o deve ser excessiva. um grau considerável de liberdade de express"o para todos. 3idem<.pio.o m!todo eleitoral ! praticamente o /nico dispon. a prop-sito do que. .+ 3F7 os l. isso normalmente pressup$e uma grande liberdade de imprensa. ( ra "o.L5&..ticos deveriam exercitar em alto grau o . Iais ainda. pelo menos em princ. pp. todos s"o livres para concorrer 2 lideran#a pol.os princ.de garantir a lideran#a G. 3idem<. de um processo  as elei#$es  para um regime que se prolonga no tempo. @chumpeter prop$e várias . ! que o autor compreendeu que estava prestes a abrir uma 'aixa de Pandora< se a .. tamb!m devem existir. 'itando suas pr-prias palavras< . embora nem sempre. ênfases no original7 *m outras palavras.@e. esclarece que .uma alta dose de toler:ncia com as diferen#as de opini"o. ou como freq9entemente se di ..o êxito do m!todo democrático. *m primeiro lugar. voltando 2 sua nota de rodap!. s"o bem apropriados+ e 367 .a fun#"o primordial do eleitorado G!H gerar um governo.pios estruturais da sociedade existente.m!todo democrático.s. que n"o está falando de um acontecimento isolado.vel para comunidades de qualquer tamanho. os princ.gio social.pios morais e legais da comunidade têm algumas restri#$es impl.competi#"o pela lideran#a.m!todo democrático.pios legais e morais da comunidade.livre competi#"o por um voto livre. .burocracia bem treinada. como @chumpeter fa quest"o de enfati ar. tem uma rela#"o com . *m segundo lugar. embora n"o o explicite. de tradi#"o e prest.< 347 uma lideran#a apropriada+ 3... ou de como ele funciona. supostamente relacionadas com .citas. algumas liberdades básicas. ele n"o nos di se cada uma dessas condi#$es ! suficiente para . mas tamb!m com os princ.567 *ssas afirma#$es..K47 O significativo que essa frase termine com uma nota de rodap! onde se lê< .deres pol.autocontrole democrático. Por fim.. ! preciso que o con0unto delas se cumpra.H e n"o se pode exclu. tanto em si mesmas quanto em rela#"o 2s conseq9ências previstas por @chumpeter para o caso de faltarem as mesmas condi#$es que enumera.K.os princ.+ 3E7 a existência de uma . acaba n"o sendo t"o minimalista quanto poderia sugerir uma leitura isolada da c!lebre defini#"o. para que o . para todos. ent"o sua defini#"o do ..tive a inten#"o de incluir nessa frase a fun#"o de derrubá&lo... exista.. ! bastante nebuloso..7 . nota J7 O significado dessas afirma#$es. quando o autor volta 2 sua defini#"o e 2 declara#"o análoga de que .comentar que . 3i&idem.65 e . deveria ser suprimido em si mesmo ou se daria lugar a uma democracia redu ida 3'ollier e )evitsNB. *m especial.K.. ! preciso que se cumpram algumas condi#$es externas ao processo eleitoral. tamb!m. significa que o . Cas páginas posteriores 2s passagens citadas. mais uma ve . ou se.'omo no campo da economia. se o fi !ssemos.&los porque. mas de um modo de eleger e derrubar governos ao longo do tempo+ sua defini#"o desloca&se ent"o de um acontecimento /nico. e na maioria dos casos. @e a . contrastando com a defini#"o que @chumpeter acabara de enunciar..pios morais e legais da comunidade.tica apresentando&se ao eleitorado. nos restaria um ideal totalmente irrealista. como parece mais ra oável. 455K7.todos os interesses que têm import:ncia s"o praticamente un:nimes n"o s. est"o longe da clare a.na sua lealdade com o pa.. 3idem<.um caráter nacional e hábitos nacionais de um certo tipo. @chumpeter acrescenta que . 3idem<. acredito. @chumpeter compreende que para haver ..m!todo democrático. acrescentando ainda que isso n"o exclui outros modos menos competitivos .K4&. isto exige na maioria dos casos.

a repetibilidade das elei#$es em que .. como fa em @chumpeter. 0á deve ter ficado claro que as várias qualifica#$es introdu idas por @chumpeter d"o a entender que sua defini#"o de democracia n"o ! minimalista.46. Ias esse autor acrescenta 3Puntington.seguindo a tradi#"o schumpeteriana. ! preciso.tico e a condu#"o das campanhas eleitorais.nimo. 3idem<JD74K. @chumpeter n"o teria conseguido oferecer uma tipologia capa de diferenciar as democracias plenas das redu idas. ent"o. Pá partidos.. impl.m!todo. especialmente. por sua ve . Am regime s. depois de declarar que está . sua defini#"o poderia ser qualquer coisa.! democrático quando a oposi#"o pode concorrer. que tamb!m existam algumas liberdades básicas.. define a democracia . apesar de limitada 2s elei#$es. e Pr eSorsNi. nem se concentra estreitamente no . divis$es de interesses.um regime no qual os cargos governamentais s"o preenchidos em conseq9ência da disputa de elei#$es.minimalista. o mesmo Pr eSorsNi e seus colaboradores propuseram uma defini#"o semelhante.cito. por sua ve . postulados de condi#$es necessárias e alus$es ao regime aparecem nas páginas imediatamente posteriores 2 da c!lebre defini#"o.processualistas..Democracia ! um sistema em que os partidos perdem elei#$es.. valores e opini$es.Os eleitores que n"o fa em parte do Parlamento devem respeitar a divis"o de trabalho entre eles pr-prios e os pol..cito.. de modo expl. 4554<K7. @e.Gcomo um sistema pol. sup$e a existência de condi#$es adicionais.. imprensa.amos ent"o de acrescentar 2 defini#"o de @chumpeter. Dese0o argumentar que isso tamb!m acontece. semelhantes 2quelas mencionadas por @chumpeter. reuni"o e associa#"o. Para que a oposi#"o tenha essas oportunidades. a a#"o pol. 4556<JD&J47 Cote&se que.. * há periodicamente vencedores e perdedores. ! evidentemente minimalista G. todo o leque de dimens$es que transcrevi acima. ter. a irreversibilidade e. minimalistas eRou . como supunham o pr-prio autor e a maioria dos seus comentadores.schumpeterianas. ou se0a. nas quais os candidatos competem livremente por votos e em que praticamente toda a popula#"o adulta está apta a votar.. ou processo eleitoral. uma ve eleito um indiv.. *sses esclarecimentos.H irreversibilidade e' post e G. Dentre estas se destaca por sua contundência a de (dam Pr eSorsNi< . @amuel Puntington.. de modo impl. em ve de caracteri ar integralmente o . no m. que s"o indispensáveis para o debate pol.. Ca medida em que esta defini#"o p$e o foco nas elei#$es. que denominam de . C"o resta a menor d/vida de que @chumpeter tem uma vis"o elitista da democracia< . Giuseppe Di Palma 3455D<467 di que a democracia .tica ! problema deste e n"o deles. ganhar e assumir os cargos que disputou. ressalvas.duo. com todas as defini#$es contempor:neas tidas como .sticas< incerte a e' ante G. Pá competi#"o organi ada por regras. para que esse tipo de sufrágio se reali e. menos minimalista.567 Ias uma defini#"o elitista de democracia n"o ! necessariamente minimalista. 345KJ<..tem como . Da mesma maneira. a resposta correta for que se criaria algum tipo de democracia redu ida.H GissoH. pelo menos como condi#$es necessárias. implica três caracter.cita ou explicitamente.H GrepetibilidadeH. ou se0a.. 'om isso. que a democracia .resposta correta for a primeira.H devem compreender que.tico que existeH na medida em que seus mais poderosos decisores coletivos s"o escolhidos em elei#$es limpas45.< democracia ! ..tamb!m envolve a existência das liberdades civis e pol. 3Pr eSorsNi et alii. honestas e peri-dicas.a oposi#"o tem alguma chance de conquistar cargos em conseq9ência das pr-prias elei#$es.ticos que elegeram G. por outro lado.ticas de palavra. 34554<4D7 Iais recentemente. ( essa altura.m!todo democrático.

3455.... essa pretens"o n"o parece 0ustificar&se. ainda que mais preocupado com . como as liberdades ou garantias consideradas necessárias eRou suficientes para a existência desse tipo de sufrágio.premissa G. pois prop$em caracter. mas ainda incompleta.deres e das pol. 3idem<5L e 44D7. e. terceiro.governa.H.sticas que ou n"o podem ser verificadas empiricamente.cita. mas n"o se qualificam como tal. a um regime que perdura no tempo. embora partindo de perspectivas te-ricas distintas. *ntre as primeiras.ticos7 para todas as posi#$es de governo que têm poder efetivo. di endo&se minimalistas ou n"o. )arrB Diamond. no estilo de @chumpeter. embora muitas ve es impl.<FE74L O claro que essas defini#$es se prendem a elei#$es de um tipo espec. Dietrich VueschemeBer et alii concordam que a democracia . algumas condi#$es simult:neas. as defini#$es fa em referência.governo.dia e seu 0ogo competitivo. Por outro lado.ticas que regulam e garantem os pap!is do governo e da oposi#"o.fico. acrescenta que .Am sistema de governo que atende a três condi#$es essenciais< concorrência ampla e significativa entre indiv. Outras defini#$es procuram contornar . e n"o somente 2s elei#$es como acontecimentos isolados. a responsabilidade do aparelho de *stado perante o Parlamento eleito G.tica na sele#"o dos l. Quan )in e @eBmour )ipset prop$em uma defini#"o similar embora mais extensa< . Wa#o quest"o de repetir. Vetornarei a esse ponto mais adiante. na maioria das ve es de modo expl. de modo a n"o excluir nenhum grupo social importante dentre a popula#"o adulta+ e um grau suficiente de liberdades civis e pol. primeiro. em intervalos regulares de tempo e com exclus"o do uso da for#a+ um n.um sistema de governo ma0oritário limitado pelos direitos da minoria. Giovanni @artori 345LK<.duos e grupos organi ados 3especialmente os partidos pol. quando afirmam que ! o demos.. conforme estipulado constitucionalmente 3salvo para os tribunais superiores. pelo menos implicitamente..D. 45547. elei#$es peri-dicas e isentas. Por /ltimo.democracia etimol-gica. essas defini#$es têm a importante vantagem de ser realistas< pelo menos no que se refere 2s elei#$es.F7. e institui#$es pol. 3@artori. do que com elei#$es. a elei#"o regular. algumas liberdades simult:neas. as liberdades de express"o e de associa#"o. incluem com ra oável precis"o atributos cu0a ausência ou presen#a podemos verificar empiricamente. 3455D<6&K7 De sua parte. em (tenas 3Pansen. ou o povo. mas na medida em que têm de supor.47. (l!m disso.cito.. (lgumas dessas defini#$es se di em minimalistas. em qualquer interpreta#"o da palavra .. ou uma maioria que de alguma forma .H o sufrágio livre e isento em um contexto de liberdades civis. (pesar de n"o inteiramente superpostas.ticas p/blicas mediante. que implique a atividade deliberada de um agente.tica. embora talve tenha ocorrido de maneira ampla.. Outras defini#$es tamb!m pretendem ser realistas.para haver democracia ! preciso que exista uma opini"o p/blica aut1noma G. todas essas defini#$es incluem duas esp!cies de elementos< elei#$es limpas45 para a maioria dos cargos de alto n. ao menos. 2s quais acrescentam. C"o ! isso que acontece nas democracias contempor:neas. ou postulam atributos demasiado vagos.ticas U liberdade de express"o. op#"o entre candidaturas.implica.H Ge umaH estrutura#"o policêntrica da m. incluo as defini#$es que continuam presas 2 .vel Taltamente includente’ de participa#"o pol.vel no governo.. liberdade de imprensa. 45LK<. bem como a prote#"o dos direitos individuais contra a a#"o arbitrária do *stado. por n"o serem encontráveis em nenhuma democracia existente. livre e isenta de representantes pelo sufrágio universal e igualitário+ segundo. liberdade de formar e filiar&se a organi a#$es U para garantir a integridade da competi#"o e da participa#"o pol. partidos competitivos.. as for#as armadas e a diretoria dos bancos centrais7+ e as liberdades ou garantias 0á mencionadas.

essa ob0e#"o, mantendo a no#"o básica do demos como um agente. Por exemplo, Philippe @chmitter e MerrB )Bnn >arl afirmam que .a democracia pol,tica moderna ! um sistema de governo em que os cidad"os responsabili am os governantes por seus atos na esfera p/blica, a"indo indiretamente por meio da competi#"o e da coopera#"o dos seus representantes eleitos.. 3455E<FD, ênfases minhas7 O problema está nas palavras enfati adas< nada se di sobre o que significa .a"indo indiretamente.. (s defini#$es realistas contrastam com as prescritivas  aquelas que afirmam o que deveria ser a democracia na opini"o do autor. (s defini#$es prescritivas pouco di em sobre dois assuntos importantes< primeiro, como se deveria caracteri ar as democracias realmente existentes 3inclusive se, de acordo com essas teorias, dever,amos mesmo considerá&las como democracias7+ e segundo, como se deveria mediar, na teoria e n"o na prática, a brecha existente entre as democracias definidas de maneira realista e as que s"o definidas de maneira prescritiva. Por exemplo, @heila %enhabib di que a democracia ! .um modelo para organi ar o exerc,cio p/blico e coletivo do poder nas principais institui#$es de uma sociedade, partindo do princ,pio de que as decis$es que afetam o bem&estar de uma coletividade podem ser entendidas como resultados de um processo de delibera#"o livre e racional entre indiv,duos concebidos moral e politicamente como iguais entre si.. 34556<6L, ênfases minhas7 ;4 Iais uma ve as palavras decisivas s"o as que est"o enfati adas+ nada se di sobre em que sentido, at! que ponto e por quem as democracias .podem ser entendidas. como tendo satisfeito o requisito estipulado na defini#"o. Ob0e#"o semelhante pode ser feita 2 concep#"o de democracia de Q9rgen Pabermas, na medida em que, para caracteri ar e legitimar a democracia e a legisla#"o democrática, ele se baseia na existência de uma esfera deliberativa livre de impedimentos, que ! muito dif,cil de encontrar na prática;;. ?nvoco agora uma outra defini#"o realista, a de poliarquia, de Vobert Dahl ;E. Prefiro essa defini#"o a outras da mesma esp!cie porque ela oferece detalhes /teis, e porque o termo .poliarquia. permite diferenciar a democracia pol,tica de outros tipos e espa#os democráticos. *la tem a mesma estrutura das demais defini#$es realistas< primeiramente estipula alguns atributos das elei#$es 3cláusulas 4 a F7+ em seguida, relaciona certas liberdades que Dahl chama de .direitos pol,ticos primários Gos quaisH fa em parte integrante do processo democrático. 3Dahl, 45L5<4KD7 3cláusulas J a K7;F, entendidos como necessários para que as elei#$es efetivamente contenham as caracter,sticas estipuladas. Ceste ponto de minha argumenta#"o, cabe&me definir o que entendo por elei#$es em um regime democrático.

,S ./.I04.S .+ *+ R.5I+. D.+-(R6!I(*m um regime democrático, as elei#$es s"o competitivas, livres, igualitárias, decisivas e includentes, e os que votam s"o os mesmos que, em princ,pio, têm o direito de ser eleitos  os cidad"os pol,ticos. @endo as elei#$es competitivas, os indiv,duos têm pelo menos seis op#$es< votar no partido (+ votar no partido %+ n"o votar+ votar em branco+ anular o voto+ ou adotar algum processo aleat-rio para escolher uma op#"o entre as anteriores. (l!m disso, os partidos concorrentes 3que têm de ser, no m,nimo, dois7 devem ter oportunidades ra oáveis de dar a conhecer suas opini$es aos eleitores efetivos ou potenciais. Para que se0a uma verdadeira escolha, a elei#"o deve ser livre, no sentido de que os cidad"os n"o dever"o ser coagidos, nem quando est"o decidindo seu voto nem

no momento de votar. Para ser uma elei#"o igualitária, cada voto deve valer o mesmo que os demais e ser computado como tal, sem fraudes, independentemente da posi#"o social, da filia#"o partidária ou de outros atributos de cada eleitor ;J. Winalmente, as elei#$es devem ser decisivas, em vários sentidos. Primeiro, os vencedores devem tomar posse dos cargos para os quais foram eleitos. @egundo, com base na autoridade conferida aos seus cargos governamentais, os funcionários eleitos devem poder tomar as decis$es que o marco democrático legal e constitucional lhes autori a. Merceiro, os funcionários eleitos devem concluir seus mandatos nos pra os eRou nas condi#$es estipulados por essa estrutura institucional. *lei#$es livres, igualitárias e decisivas implicam, como argumenta (dam Pr eSorsNi 34554<4D7, que governos podem perder elei#$es e devem acatar seus resultados. *sse tipo de elei#"o ! uma caracter,stica espec,fica do regime democrático, ou poliarquia, ou democracia pol,tica  três termos que usarei como equivalentes neste artigo. *m outros casos, pode at! haver elei#$es 3como em pa,ses comunistas ou outros regimes autoritários, ou na escolha do Papa, ou mesmo em algumas 0untas militares7, mas somente na poliarquia existe o tipo de elei#"o que satisfa a todos os crit!rios acima mencionados 3@artori, 45LK<ED+ ver, tamb!m, ViNer, 45L;<J7. 'abe advertir que os atributos antes especificados n"o di em nada sobre a composi#"o do eleitorado. Qá houve democracias oligárquicas, de sufrágio restrito, que satisfi eram os atributos especificados+ acontece, por!m, que, em conseq9ência dos processos hist-ricos de democrati a#"o nos pa,ses originários, e de sua difus"o em outros, a democracia adquiriu uma nova caracter,stica, a da includência< o direito de votar e de ser votado ! outorgado, com poucas exce#$es, a todos os membros adultos de um pa,s ;6. Por ra $es de concis"o, daqui por diante chamarei de elei#$es competitivas aquelas que re/nem as condi#$es de ser livres, isentas, igualitárias, decisivas e includentes;K.

DI5R.SS1- (-+%,R,!I7, 819 'omo o caráter decisivo das elei#$es n"o aparece nas defini#$es atuais de democracia e de sufrágio democrático;L, ! preciso dar aqui uma explica#"o. *m um trabalho anterior, propus acrescentar esse atributo sob o argumento de que sua omiss"o mostra at! que ponto as atuais teorias da democracia incluem pressupostos n"o examinados, que deveriam ser explicados para que elas adquiram uma adequada abrangência comparativa. *m outras palavras, a literatura presume que uma ve reali adas as elei#$es e proclamados os vencedores, estes tomar"o posse dos seus cargos para os quais foram eleitos e governar"o com a autoridade e pelos pra os que a constitui#"o lhes prescreve;5. ?sso !, evidentemente, um reflexo da experiência das democracias originárias. Ias n"o ! necessariamente verdade. *m diversos pa,ses houve casos em que os candidatos, depois de ganharem elei#$es que satisfa iam os atributos mencionados, foram impedidos de tomar posse, freq9entemente por um golpe militar. Por outro lado, governantes democraticamente eleitos, como %oris Xeltsin e (lberto Wu0imori, dissolveram anticonstitucionalmente o 'ongresso e destitu,ram os ocupantes de altos postos no Poder Qudiciário. Por fim, em casos como o do 'hile contempor:neo 3e menos formalmente, mas com igual eficácia, em outros pa,ses latino&americanos, africanos e asiáticos7, certas organi a#$es impedidas de participar do processo eleitoral, geralmente as for#as armadas, mantêm, de modo expl,cito, poder de veto ou .dom,nios

reservados.ED que limitam substancialmente a autoridade dos funcionários eleitos. *m todos esses casos, as elei#$es n"o s"o decisivas< n"o geram, ou deixam de gerar, algumas das conseq9ências básicas que supostamente deveriam acarretar.

-S (-+%-N.N!.S D. *+ R.5I+. D.+-(R6!I(-: -* %-/I,R;*I,: -* D.+-(R,(I, %-/<!I(, Vecordemos que as defini#$es realistas de democracia contêm dois tipos de componentes. O primeiro consiste de postulados sobre o que ! exigido para se considerar uma elei#"o suficientemente competitiva. Mrata&se de uma defini#"o estipulativaE4, equivalente 2 que di que .um tri:ngulo ! uma figura plana delimitada por três linhas retas.. *stabelece que uma elei#"o será considerada competitiva se cumprir cada um dos atributos enumerados. O segundo, no entanto, relaciona condi#$es, designadas como liberdades, ou garantias, ou .direitos pol,ticos primários., que circundam elei#$es limpas. *ssas liberdades s"o condi#$es de existência de um ob0eto  elei#$es competitivas  com o qual mantêm uma rela#"o de causalidade. (s liberdades complementam a defini#"o estipulativa com uma afirma#"o do tipo .para que exista Y, tamb!m devem existir as condi#$es ( ... C.. 'omo vimos ao tratar @chumpeter, nenhuma defini#"o realista, ao que eu saiba, deixa claro se as condi#$es que postula s"o necessárias eRou suficientes em seu con0unto, ou se apenas aumentam a probabilidade de haver elei#$es competitivas. *ssa imprecis"o sugere a existência de alguns problemas que examinarei mais adiante, quando comentar sobre o terceiro aspecto dessas defini#$es. =imos antes que um pressuposto freq9entemente impl,cito nessas defini#$es de democracia ! o de que elas n"o se referem a um acontecimento isolado, mas a uma s!rie de elei#$es que se prolongam em um futuro indeterminado. (o di er isso, entramos no tema da institui#"o. (s elei#$es a que essas defini#$es se referem s"o institucionali adas< praticamente todos os atores, pol,ticos ou n"o, consideram evidente que as elei#$es competitivas continuar"o a ser reali adas indefinidamente, em datas estabelecidas por lei 3nos sistemas presidencialistas7 ou em circunst:ncias legalmente preestabelecidas 3nos sistemas parlamentaristas7. ?sso fa com que os atores tamb!m admitam sem discuss"o que as liberdades simult:neas continuar"o em vigor. 8uando essas expectativas s"o compartilhadas de modo generali ado pela popula#"o, as elei#$es competitivas est"o institucionali adasE;. *sses casos diferem n"o s- daqueles dos regimes autoritários como tamb!m daqueles em que, por mais que tenha havido no passado elei#$es competitivas, n"o existe a expectativa geral de que elei#$es semelhantes continuar"o a ocorrer. (penas no primeiro tipo de situa#"o, os agentes relevantes a0ustam racionalmente suas estrat!gias 2 expectativa de que elei#$es isentas continuar"o a ser reali adas. ( confluência dessas expectativas geralmente aumenta a probabilidade de que tal tipo de elei#"o de fato continue a ocorrer EE. *m outros casos, as elei#$es deixar"o de ser .o /nico 0ogo existente. EF, e os atores relevantes investir"o em recursos extra&eleitorais como via de acesso 2s mais altas posi#$es no regimeEJ. O /ltimo termo exige esclarecimentos. Iodificando um pouco a defini#"o que Philippe @chmitter e eu formulamos 3O’Donnell e @chmitter, 45L6<KE, nota 47, entendo por .regime. os padr$es formais e informais, expl,citos ou impl,citos, que determinam os canais de acesso 2s principais posi#$es de governo, as caracter,sticas dos atores

rica sobre o impacto de diversas liberdades na probabilidade de as elei#$es serem competitivas. *m troca. n"o a /nica  que explicam por que n"o há.S Parece -bvio que para a institucionali a#"o de elei#$es competitivas.vel existir uma teoria que estabele#a uma clara e s-lida linha de demarca#"o entre as condi#$es inclu. for#as armadas e. *sta ! uma das ra $es  embora.ticas. 'aso contrário. sustentam um 0u. com maior ou menor detalhamento. Passemos agora a um assunto mais complicado. (.D. dos bancos centrais7 2s principais posi#$es de governoEK. e que outros autores prop$em. as liberdades . o probabil. associa#"o e informa#"o. a meu ver.ticas. 0á que s"o o /nico meio de acesso 3com a notável exce#"o dos tribunais superiores.RD. caeteris pari&us. s"o derivadas por indu#"o< resultam de uma fundamentada avalia#"o emp.pol. eventualmente. continua entre n-s. como os crit!rios de inclus"o de algumas liberdades e exclus"o de outras se baseiam em 0u. Velembro que para Dahl as liberdades relevantes s"o as de express"o.tica.das 3necessárias e. )embremos que os atributos das elei#$es competitivas s"o estipulados por defini#"o EL. as elei#$es s"o um componente central de um regime democrático. E5. os indutivos. trata&se de condi#$es necessárias que. por!m. de um lado. e as exclu. essas elei#$es n"o podem existir so inhas. que o efeito combinado das liberdades mencionadas por Dahl e outros autores n"o garante inteiramente que as elei#$es ser"o competitivas. ?sso significa que as condi#$es propostas por Dahl e outros autores n"o s"o suficientes para garantir elei#$es limpas.+. as elei#$es n"o s"o apenas competitivas+ tamb!m s"o institucionali adas.ticas. *+ %RI+. 8uando institucionali adas.das. O preciso tamb!m haver. como veremos. o das liberdades que circundam as elei#$es.S %-/<!I(. o governo poderia proibir que candidatos da oposi#"o via0em pelo pa. *sse tipo de elei#"o ! um dos elementos que definem um regime democrático. sobretudo por envolverem expectativas de dura#"o indefinida. o governo do dia poderia facilmente manipular ou mesmo anular futuras elei#$es. Por exemplo. o principal motivo da persistente atra#"o exercida pelas defini#$es minimalistas da democracia e de sua n"o menos persistente dificuldade para limitar&se 2s elei#$es  a 'aixa de Pandora que @chumpeter procurou evitar. ou democracia pol.admitidos ou exclu.pol. está..pol.=. de outro. n"o ! poss. algumas liberdades ou garantias que  e isso tem grande import:ncia  continuem a vigorar entre uma elei#"o e outra.. liberdades semelhantes. no sentido de que sua enumera#"o n"o se torne um inventário in/til de todas as liberdades que poderiam influir na isen#"o das elei#$es. e muito provavelmente n"o haverá 0amais. ou poderia submetê&los 2 persegui#"o policial a pretexto de motivos n"o relacionados com sua condi#"o de candidatos. O problema ! que. . ou poliarquia. em torno das elei#$es. Ca realidade. *ssa avalia#"o ! regida pelo evidente prop-sito de encontrar um con0unto nuclear de liberdades . dificilmente se poderia aceitar que as elei#$es se0am competitivas. mesmo que este0am em vigor as liberdades relacionadas por Dahl.stico< se estiverem presentes.IR.s.dos dessas posi#$es e os recursos e estrat!gias que eles podem usar para alcan#á&lasE6. Ca democracia. mas n"o conseguiu. Cote&se. idealmente.S /I>. suficientes em seu con0unto7. Cesse caso. em con0unto. uma forte probabilidade de as elei#$es serem isentas. um acordo geral sobre quais s"o as liberdades . D. haverá.

na legisla#"o contra os delitos de cal/nia ou difama#"o+ a liberdade de informa#"o n"o impede a oligopoli a#"o dos meios de comunica#"o de massa etc. mais uma ve . permanece impl.cláusula de ra oabilidade. 'onseq9entemente. ( liberdade de associa#"o n"o inclui criar organi a#$es com fins terroristas+ a liberdade de express"o tem limites. por certo. qu"o exigentes ter"o de ser os crit!rios que devemos aplicar 2s novas democracias 3e 2s velhas democracias que n"o pertencem ao quadrante Coroeste do mundo7Z Devemos aplicar os crit!rios ho0e prevalecentes nos pa.veis. ou se0a. e como tal merecem ser enumeradas. n"o existem bases te-ricas para dar uma resposta clara e firme a essa pergunta< os limites externos e internos das liberdades pol. o caráter indutivo das enumera#$es e o correspondente problema dos seus limites externos e internos. a respeito de onde tra#ar os limites externos e internos das liberdades que circundam e tornam provável a existência de elei#$es institucionali adas e competitivas.ses originários ou os que estes adotaram no passadoZ Ou. *las s"o muito importantes. ! intuitivamente evidente. a resposta a esses casos depende de 0u. Dadas essas ra $es. *ssas limita#$es tornam a quest"o rigorosamente indecid. ou parcial. a /ltima op#"o ! a mais ra oável. devemos fa er em cada caso uma fundamentada avalia#"o indutiva dessas liberdades. associa#"o ou movimento7 elimina a probabilidade de haver elei#$es competitivas. Por outro lado. mas há os que caem em uma ona de penumbra entre os dois p-los. a quest"o de quais liberdades incluir ou excluir desse con0unto. 'omo determinar se essas liberdades s"o ou n"o efetivasZ 'ertamente os casos que se aproximam de um ou outro extremo n"o causam problemas. (l!m de tudo. sofreram mudan#as significativas ao longo do tempo.rculos acadêmicos e.cita na teoria da democracia. e de outras tamb!m potencialmente relevantes para a competitividade das elei#$es. Covamente. os indutivos sobre at! que ponto a frágil. s"o fatores cruciais. Ias há um outro problema que refor#a a conclus"o c!ptica a que cheguei antes+ denominá&lo&ei de problema dos limites internos de cada uma dessas liberdades. revelam suas limita#$es como enunciados te-ricos. tendo em vista a probabilidade de que permitam ou impe#am a reali a#"o de elei#$es competitivasZ Ca minha opini"o.tica prática. a probabilidade de que as elei#$es se0am competitivasF4. . Outra dificuldade ! que os limites internos das liberdades enumeradas por Dahl. ?sso n"o se dá por uma falha nas tentativas de enumerar essas liberdades.(t! aqui examinei o que poder. em ve de ignorá&las ou tentar fixar artificialmente os limites internos e externos dessas liberdades. )evando isso em conta.amos chamar de limites externos das liberdades ou garantias que cercam as elei#$es competitivas e as tornam altamente prováveis. %asta assinalar que certas restri#$es 2 liberdade de express"o e de associa#"o que nos pa. um caminho mais proveitoso consiste em estudar teoricamente as ra $es e implica#$es desse enigmaFE. e pode ser verificado empiricamente.. que. ou intermitente existência de certas liberdades ainda sustenta. de per se e em sua capacidade de persuas"o intersub0etiva. de express"o.ticas s"o teoricamente indecid.vel dessas liberdades. que a ausência de algumas dessas liberdades 3digamos. ho0e pareceriam claramente antidemocráticasF. Outra ve . agora ainda mais complicado por sua variabilidade hist-rica.ses originários eram consideradas aceitáveis at! pouco tempo atrás. mas ela nos 0oga em cheio na quest"o do caráter indecid.ticosFD. pelo menos na forma proposta pela maioria dos soci-logos e cientistas pol. ainda. no :mbito da pol. Modas elas contêm uma .vel. ou n"o. cheguei 2 conclus"o de que existem e continuar"o existindo divergências nos c. entre outras coisas. s"o condi#$es necessárias para a existência de um regime centrado em elei#$es competitivas.

Outro comentário ! que esse crit!rio n"o ! minimalista< n"o focali a exclusivamente as elei#$es competitivas e n"o ignora as liberdades simult:neas. mas n"o se limita a este.tica deve concentrar&se em um regime que inclui um tipo espec.*mbora ainda tenhamos um longo percurso a fa er.tica e social.democracia. abre&se a possibilidade de analisar e comparar as semelhan#as e diferen#as entre essas situa#$es e seus subcon0untosFJ. como as anteriores. por assim di er.ricas de que grande parte das respectivas popula#$es reconhece e valori a essas liberdades FK. Am primeiro comentário que devo fa er neste momento de minha argumenta#"o ! que concordei. Co m.precisei. ( outra ra "o.. elei#$es competitivas e institucionali adas+ segundo. a .. quer dos regimes que reali am elei#$es. o crit!rio que proponho ! restritivo no sentido de que recusa incluir uma enumera#"o muito detalhada das liberdades relevantes. (demais.rica. a reivindica#"o desses direitos esteve no cerne das grandes mobili a#$es que freq9entemente precederam a institui#"o da democracia F6. de ordem conceitual e emp. o que acabaria sendo inesgotável e analiticamente est!ril. suas defini#$es. com a análise precedente chegamos a um ponto importante em si mesmo e que nos situa. Manto os dados das pesquisas citadas quanto numerosas observa#$es impressionistas sugerem que. n"o temos condi#$es de entender o elevado apoio que a democracia recebe ho0e em dia em todo o mundo.ses p-s&comunistas. Outra ra "o ! que ao longo da hist-ria as pessoas se mobili aram e correram riscos 0ustamente para reivindicar esse tipo de regime e as liberdades que o acompanham. apesar de seu caráter indecid.nimo.dos 2 palavra . embora com ressalvas e acr!scimos. Ama. se n"o levamos em conta que essas liberdades s"o importantes para muitas pessoas. embora n"o competitivas e n"o institucionali adasFF.cios derivados da concreti a#"o de liberdades pol. apesar das muitas deficiências persistentes em outras esferas da vida pol. Por outro lado. ( terceira ra "o ! ao mesmo tempo prática e normativa< a existência desse tipo de regime e das liberdades que lhe s"o simult:neas. de uma perspectiva racional  porque derivada de atenta observa#"o  . Penso que conv!m incluir expressamente nessa defini#"o duas esp!cies de componentes< primeiro. Pelo menos em rela#"o aos pa. um con0unto de liberdades que. al!m das esperan#as por ve es m.ticas em rela#"o aos outros benef. Ca verdade. n"o obstante o desempenho com freq9ência deficiente de seus governosFL Ama /ltima ra "o !. a defini#"o realista e restritiva de regime democrático ! /til por várias ra $es.citos. há provas emp.fico de elei#$es. ! que uma ve gerado tal con0unto de casos.rica e tamb!m conceitual. essas liberdades criam a possibilidade de usá&las como base de prote#"o ou de habilita#"o para a busca de ampliar os direitos existentes ou obter novos. acrescentando alguns elementos que elas deixam impl. parece ser necessário para sustentar uma alta probabilidade de haver elei#$es livres e isentas. em rela#"o ao texto 0á citado de 'ollier e )evitsNB 3455K7. ! que ela permite gerar um con0unto de casos diferentes a partir da ampla e variada gama de exemplos de n"o&democracias. implica uma enorme diferen#a em rela#"o ao regime autoritário. (pesar de ainda ser necessário incluir outros fatores n"o situados no plano do regime para se chegar a uma defini#"o adequada de democracia. de ordem prática e normativa.vel.tica. Penso que uma defini#"o apropriada de democracia pol. em um promont-rio a partir do qual se podem vislumbrar os caminhos pelos quais teremos de transitar. quer se trate de diferentes tipos de regime abertamente autoritários. emp. . se0am quais forem os significados adicionais atribu.ticas. com os autores que prop$em defini#$es realistas da democracia pol. Parece claro que.

@endo assim. Por conseguinte.s.maioria das pessoas. ! imposs. ?=. designa o todo. ou democracia pol.podem ser derivadas por indu#"o. quanto porque a0udam a elucidar as divergências que inevitavelmente cercam a quest"o. na maior parte dos pa. ou regime democrático. . inclui certas liberdades pol. por um atributo de conota#"o positiva ligado a uma de suas partes. acredito ter deixado claro que um regime democrático ! extremamente importante em si mesmo. Ca concep#"o popular. esse regime pode ser denominado simplesmente de democracia.ticas e a reali a#"o de elei#$es que.. para que essas elei#$es existam. 0á que algumas liberdades simult:neas podem gerar uma alta probabilidade de haver elei#$es competitivas. ??. pressup$em a existência de algumas liberdades básicas. na linguagem dos pol. (s liberdades simult:neas 2s elei#$es competitivas e institucionali adas s. Cisso me afasto dos te-ricos que preferem restringir o conceito de democracia tomando como referência o regime. (ntes. nem poderiam ser. delimita um espa#o emp. ???.vel chegar a um acordo geral que se baseie em crit!rios te-ricos claros e s-lidosJ4.schumpeterianas. cabe lembrar que se trata de uma meton. acompanhadas por algumas liberdades pol. =.tica7 consiste de elei#$es competitivas e institucionali adas. por!m. .mia< isto !.tica.stico da democracia. O motivo dessa advertência ! que. conv!m explicitá&las.. (pesar de indecid. tamb!m se incluem na pro&l(mati)ue da democracia.s. de democrático ! uma meton. tais defini#$es n"o s"o. nessa mat!ria. a existência das liberdades e de elei#$es basta para chamar um pa. tanto no que se refere 2s liberdades inclu. ?sto requer uma defini#"o adequada desse regime+ por isso propus que um regime que satisfa os crit!rios realistas e restritivos 0á enumerados pode ser chamado de democracia política. minimalistas ou processualistas.realistas.ticos e dos 0ornalistas e tamb!m pelos crit!rios propostos nas defini#$es acadêmicas.rico e anal. o regime democrático 3ou poliarquia. *m uma defini#"o realista e restritiva.das quanto aos limites internos de cada uma. analiso algumas conex$es do regime com outros temas que. ou democracia pol. nesse caso. ela n"o se esgota a..s de democrático. se0am ra oavelmente competitivas. que  em parte por essa ra "o  denominei de . ou . como se di em. um pa. (t! as defini#$es . como evidencia o fato de que chamar um . de poliarquia ou regime democrático 30á observei que estou usando esses três termos como sin1nimos7. ou garantias. com importantes conseq9ências normativas.tico que permite distinguir esse tipo de regime de outros. o regimeF5. *sse qualificativo tem uma conota#"o normativa positiva. ou se0a o termo tem uma extens"oJD maior que a de regime.veis. embora o regime se0a uma parte fundamental da quest"o..mia. que se limitam a mencionar as elei#$es competitivas como o /nico elemento caracter. práticas e te-ricas. )evando em conta o uso prevalecente dentro e fora dos meios acadêmicos. ou equivalentemente. Wa#o quest"o de sublinhar os argumentos precedentes porque chegamos a um ponto que se presta facilmente a mal&entendidos.processualistas. resumo em algumas proposi#$es os principais argumentos at! aqui expostos< ?.ticas.pa.minimalistas. mas. Ama defini#"o realista e restritiva de poliarquia. tanto porque contribuem para uma defini#"o adequada do regime de que fa em parte. Co restante deste texto.ses. no seu entender. De um lado. a meu ver.

INS!I!*(I-N. com algumas exce#$es especificadas pelo pr-prio sistema legal. aplicável a todos os adultos independentemente de sua condi#"o social e de suas caracter.dico 3incluindo&se. Malve porque a atribui#"o da condi#"o de agente se tornou um lugar&comum nos pa. C"o ! uma quest"o de escolha+ ao nascer 3e mesmo antes.dico do *stado&territ-rio onde vivem. ou decis"o individual. ( democracia resulta de uma aposta institucionali ada.dica+ os direitos s"o atribu.D. a democracia n"o ! o resultado de nenhum tipo de consenso. naturalmente. fa#o uma mudan#a de perspectiva./I?. ou processo deliberativo.ses originários. *+.duos n"o exer#am esses direitos. =imos que em um regime democrático cada eleitor tem pelo menos seis op#$es. as constitui#$es7 confere a cada indiv. O fato de que ele dese0e ou n"o exercer esse direito ! irrelevante porque.dico os conceitua como igualmente capa es de exercitá&los. e conforme define a legisla#"o relativa aos cargos para os quais s"o eleitos.sticas adscritas.duo m/ltiplos direitos e obriga#$es. implica conferir&lhe a capacidade de tomar decis$es consideradas suficientemente ra oáveis para produ ir importantes conseq9ências.< presume&se que cada indiv. Mrata&se de uma defini#"o 0ur.( seguir. tanto para a agrega#"o dos seus votos quanto para seu desempenho em fun#$es governamentais. tendemos a esquecer qu"o extraordinária e recente ! sua existência. ou contrato social. Os eleitores n"o somente votam+ al!m disso. eles tamb!m podem participar da responsabilidade de tomar decis$es coletivas de caráter impositivo e eventualmente aplicar a coa#"o estatal. *ssa ! a a"enc#  a presun#"o de autonomia e ra oabilidade suficientes para tomar decis$es cu0as conseq9ências acarretam obriga#$es de responsabilidade  . . com exce#"o da idade e da nacionalidade. assim como de desempenharem as obriga#$es correspondentes 3por exemplo. ou cumprir as obriga#$es de cargos p/blicos dentro dos limites estipulados pela lei7. O sistema 0ur. cada adulto tra consigo a autoridade potencial de participar de decis$es governamentais. @omos seres sociais bem antes de tomarmos decis$es conscientes. abster&se de atos fraudulentos ou da violência no momento de votar. *ste fato tamb!m ! -bvio e tem importantes conseq9ências. pelo menos nas rela#$es diretamente associadas com um regime fundado em elei#$es competitivas. =ista desse :ngulo.%-S!. . O que importa no direito de votar e de ocupar cargos eletivos ! que isso define um a"ente. Pode ser que os indiv. *ntretanto. tendo o direito de ser eleito. (tribuir a todo adulto a condi#"o de agente. sem deixar de ter em vista nosso ob0etivo  a discuss"o e elucida#"o de alguns aspectos da teoria democrática e suas implica#$es comparativas  . 'ada eleitor tem ainda o direito de tentar ser votado.dos pelo sistema legal 2 maioria dos adultos que habitam no territ-rio de um *stado.duos est"o imersos em uma trama de direitos e obriga#$es determinados e respaldados pelo sistema 0ur. O uma atribui#"o de alcance universalista. e nas sociedades contempor:neas uma parte importante de nosso ser social ! definida e regulada por lei. com algumas exce#$es igualmente definidas por lei. ( atribui#"o de direitos e obriga#$es ! universalista J. em vários sentidos7 os indiv.duo aceite o fato de que. 'abe lembrar que este n"o ! o /nico direito que a democracia reconhece a praticamente todos os adultos residentes no territ-rio de um *stado. mas o sistema 0ur. ! ignorado pelas teorias contempor:neas da democracia.

O que ! essa apostaZ O que. *ssa aposta sustentada pela lei define par:metros amplos. *xiste ent"o um momento de escolha< na medida em que os direitos e as obriga#$es s"o determinados por organismos constitucionais escolhidos em elei#$es limpas. um con0unto de direitos e obriga#$es. C"o depende das preferências dos portadores desses direitos.tico contrato social ou processo deliberativo. suficiente  para a institucionali a#"o da aposta democrática. nem de algum m. E"o pode n"o gostar ou mesmo ter s!rias ob0e#$esJF a que alter tenha direitos iguais aos seus de votar e ser votado.fica da democracia pol.erradas. *mbora. portanto. Passado esse momento. transgredi& los ou negá&los. cada e"o deve aceitar que praticamente todos os demais adultos participem  votando e eventualmente sendo votados  do ato 3as elei#$es competitivas7 que determina quem os governará por certo tempo. O uma aposta institucionali ada. mas n"o pode evitar que lhe atribuam. e"o adquire direitos e obriga#$es com rela#"o a alter e ao *stado. E"o está imerso em um sistema legal que estabelece esses mesmos direitos para alter e pro. para a racionalidade individual< as tentativas de ignorar. porque imposta aos indiv. se0am escolhidas como resultado de elei#$es competitivas. porque ele ! determinado e sustentado pelo sistema legal de uma democracia. nem da agrega#"o de seus votosJ6. há evidentes exce#$es ao que acabo de di er. universalista e includente. os regimes democráticos. e"o pode escolher muitos aspectos de sua vida social. esses direitos expressam o acordo ma0oritário  e.do e configurado pelos direitos e obriga#$es promulgados e sustentados pelo *stado  se necessário. *m virtude do local de nascimento ou da nacionalidade.tica contempor:nea< ! o /nico regime que resulta de uma aposta institucionali ada.be e"o de ignorá&los.das e configuradas a& initio em e por rela#$es legalmente definidas pela aposta democrática< cada indiv.duos a despeito de sua vontade< cada e"o tem de aceitar esse fato. 8uando se instala uma democracia. =elhos ou novos. por coer#"o. ?nsisto que isso n"o ! uma quest"o de escolha< e"o ! um ser social constitu. C"o resta outra op#"o a cada e"o sen"o aceitar o risco de que pessoas . O claro que isso está longe de esgotar toda a quest"o. em uma democracia. Vepito< a aposta ! institucionali adaJJ. ou ratificados por referendos isentos. ! uma expectativa exigente.duos escolhidos em elei#$es competitivas e institucionali adas. s"o o produto dessa aposta e ficam profundamente marcados por esse fato.duo tem de correr o risco de as elei#$es darem resultados que 0ulgam equivocados. ainda que ache que permitir que certos indiv. em si mesma. imp$em algum tipo de restri#"o a essa aposta. ou a suprimem completamente.todos go em dos mesmos direitos e das mesmas obriga#$es que lhes cabem.stica espec. depois do seu momento fundador. quer incluam ou n"o elei#$es.duos votem ou se0am votados ! um grave erro. (lguns desses direitos se referem a um modo peculiar de tomar decis$es coletivas de caráter impositivo por indiv. Ias esta n"o ! uma quest"o de escolha para e"o. ( aposta ! uma institui#"o legalmente promulgada e sustentada que todos devem respeitar dentro do territ-rio delimitado por um *stado. Ias ! importante porque significa que descobrimos ent"o uma outra caracter. as sucessivas gera#$es s"o constitu. Modos os demais. transgredir . 'ada e"o deve correr esse riscoJE. entrela#ada no sistema legal e sustentada pelo poder coercitivo do *stado. essa expectativa n"o implique a obriga#"o moral de aceitar um regime democrático e obedecer suas autoridadesJK. e em muitos aspectos pelo simples fato de residir em dado pa.s. mas importantes do ponto de vista operacional. antes e a despeito de sua vontade. Durante sua vida.

apesar de seu caráter indecid. encontramos dimens$es que n"o pertencem ao regime 3pelo menos como o defini7. conforme definida na proposi#"o anterior. pode ser /til acrescentar as seguintes proposi#$es< =?.ticos. Pois bem. simult:neas. e ambas sup$em o *stado. ( cidadania pol.tica pressup$em uma 2 outra. =??.tica. associa#"o.tica como o correlato individual de um regime democrático< ela consiste da atribui#"o legal e do efetivo go o dos direitos implicados na aposta. O esse o germe de uma esfera p/blica que consiste dos reconhecimentos m/tuos baseados na atribui#"o universalista de determinados direitos e obriga#$es. isto !. conforme discuto abaixo. inclusive de votar e ser votado. ao lado dos aspectos do *stado que acabo de mencionar. no sentido de que s"o condi#$es necessárias para sua existência+ de outro.tica consiste da atribui#"o legal e do go o efetivo de direitos comprometidos com a aposta democrática. feita essa defini#"o. sobre uma base universalista e includente. inclusive o de votar e ser votado. como um sistema legal que determina e respalda a atribui#"o universalista e includente desses direitos. Vecordemos que a Proposi#"o 4 estipula que um regime democrático consiste de elei#$es limpas e institucionali adas 0untamente com algumas liberdades . *sse interesse pode ser refor#ado por motivos altru. Ca realidade. AGENCY . informa#"o e livre movimento. DIR. ou poliarquia7 inclui< 3a7 um *stado que delimita dentro do seu territ-rio aqueles que s"o considerados cidad"os pol. ( segunda ! que. *ssas duas proposi#$es nos levam a um terreno que devemos explorar com aten#"o.stas ou orientados para o bem&estar coletivo.vel7 e o direito de participar de elei#$es competitivas. geralmente conv!m a e"o reconhecer e respeitar os direitos do outro.do regime. Vecapitulemos agora duas importantes conclus$es a que chegamos na discuss"o precedente. esses aspectos têm duas faces. *m suas intera#$es com alter. De um lado. as liberdades simult:neas e os direitos de participa#"o em elei#$es competitivas.I!-S . est"o entrela#ados em um regime democrático. mas em si mesmo implica o reconhecimento de outros como portadores de direitos idênticos aos de e"o.tica delimitada por elei#$es competitivas. ( primeira ! uma defini#"o da cidadania pol. ( aposta democrática e a cidadania pol. como delimita#"o territorial e como sistema legal.tica. sa. como uma entidade territorial que fixa os limites de quem ! portador dos direitos de cidadania pol. esses aspectos s"o caracter.pol. Am regime democrático 3ou democracia pol. Ceste ponto de minha argumenta#"o.sticos da . ao menos na esfera pol.tica JL+ de outro. isto !.mos do plano do regime para o do *stado. entendido em dois sentidos< de um lado. ( análise anterior introdu iu complica#$es que devemos verificar com cuidado. e 3b7 um sistema legal vinculado a esse mesmo *stado que outorga a cidadania pol. ao mesmo tempo as liberdades simult:neas 3basicamente de express"o.ticas.ou negar os direitos que ela confere a alter normalmente tra em graves conseq9ências negativas para quem as perpetua.democraticidade. de pelo menos algumas dimens$es do *stado e n"o s.

Por outro lado. *ssa capacidade fa do su0eito um agente moral. ( hist-ria da democracia !. pa. essa mesma extens"o sofreu resistência em in/meras ocasi$es./. que fa uso de sua capacidade cognitiva e motivacional para tomar decis$es racionais em termos de sua situa#"o e de seus ob0etivos.7 teriam a correta motiva#"o para assumir responsabilidades ou para participar das decis$es coletivas.duos 3se0a por sua instru#"o superior ou pela posse de propriedades. empregados dom!sticos 3e. ! -bvio. a falta de autonomia e a falta de responsabilidade  em outras palavras. das classes privilegiadas que se opunham 2 extens"o dos direitos pol.das do sufrágio durante muito tempo. ou . Presumia&se que somente alguns indiv. enquanto nos pa.cil aceita#"o dessa aposta. os . por meios com freq9ência ainda mais violentos e excludentes. @em d/vida. (pesar de importantes.ses originários. e portanto. pelas conseq9ências diretas que delas decorrem.'omo a ado#"o da aposta que concede direitos pol. ( hist-ria dos pa. ao menos. al!m. os n"o proprietários ou os que possu. os negros nos *stados Anidos. somente depois da @egunda Guerra Iundial J5. em toda parte.de fachada. essas restri#$es n"o nos impedem de seguir adiante levantando uma outra quest"o que tem sido negligenciada pela teoria democrática. *ssa id!ia envolve complicadas quest$es filos-ficas. (-NS!R*01. Ias as in/meras varia#$es das democracias . de caráter n"o& includente para si pr-prios e politicamente excludente para todo o resto da popula#"o. . AGENCY .foram concedidos 2s mulheres durante o s!culo YY e. se0a por fa erem parte de uma vanguarda pol. no sentido de que normalmente ele se verá 3e será visto pelos outros7 como responsável por suas escolhas e.n"o confiáveis.ses originários os privilegiados deram origem. decerto.. em geral. de os possuir.tica capa de decifrar o sentido da hist-ria ou de uma 0unta militar que entendeu as exigências da seguran#a nacional etc.ticos a setores sociais tidos como .ndios nesse mesmo pa. morais e psicol-gicas 6.ses. 6D e 2s ve es por violenta resistência64. na maior parte dos casos.ses originários foi marcada por previs$es catastr-ficas. e dos quais.s e em muitos outros. ou ./: %R2-%-/<!I(.ses do @ul e do )este adotaram em !pocas distintas o sufrágio includente. obviamente. *m outras latitudes. assim como.ticos universalistas ! muito recente.vel de instru#"o7. 8uais os fundamentos dessa recusaZ Mipicamente. as 0untas militares e assemelhados criaram regimes autoritários. salvo prova conclusiva em contrário. ou se0a. das mulheres. @abe&se que.: D. as obras que abordam esse tema pelos mais diversos :ngulos introdu em várias ressalvas ao que acabo de afirmar. que surgiram nessas regi$es. implicavam a nega#"o da aposta democrática. nos pa. nos regimes abertamente autoritários. precisamos fa er uma digress"o hist-rica.tutelares. a regimes democráticos oligárquicos. operários manuais. ! considerado o melhor 0ui 6E.ticos s. a hist-ria da dif. 'omo vimos rapidamente na se#"o anterior. em vários pa. há uma id!ia central por trás de tudo isso< a a"enc#. basta di er que um agente ! algu!m concebido como dotado de ra "o prática. para os fins deste artigo.5. 'ontudo. da possibilidade de serem votadas< camponeses. nega#"o da a"enc#. muitas ve es de maneira abrupta. *la nos permitirá rastrear as origens pr!& pol. Os direitos pol. O claro que as vanguardas revolucionárias.indignos.ticas da a"enc# e depois relacioná&la com a democracia contempor:nea. muitas categorias sociais foram exclu.am baixo n.

responsável e racional  ou se0a. O reconhecimento institucionali ado 3isto !. nobres.7.cero e os est-icos 3ver.duo como um su0eito 0ur. (s partes somente estavam obrigadas ao que haviam concordado voluntariamente. 455. que prov!m de (rist-teles e @anto Momás de (quino e que em sua vers"o organicista continua a ser muito influente em alguns pa. 455E+ =illeB.ses originários ! mais antigo e mais arraigado do que a aposta democrática e as elei#$es competitivas. *ssa presun#"o n"o ! apenas um conceito moral. esp. *ssa concep#"o de a"enc# passou a ser o n/cleo dos sistemas 0ur. O axioma suum cui)ue *us tri&uere exprime essa concep#"o arquitet1nica da 0usti#a e da lei como seu instrumento< n"o há propriamente direitos individuais. portador de direitos sub0etivos. ( presun#"o de a"enc# constitui cada indiv.Os /ltimos escolásticos e os 0uristas do direito natural haviam admitido o princ. cu0os precursores s"o alguns sofistas. 3ver.765. >ant e outros. 455L76J Cessa !poca. legalmente determinado e respaldado. onde cada parte deve ter um lugar e uma propor#"o adequados. plebeus etc. Posteriormente. )ieberman.( presun#"o de a"enc#6F ! outro fato institucionali ado. burgueses. 455E7. estrangeiros e escravos ou. a concep#"o de a"enc# foi incorporada ao n/cleo da teoria do direito por 0uristas como Qean Domat 346. filos-fico ou psicol-gico+ ! legalmente determinada e sustentada pela lei.dicos dos pa.. e. Pobbes prop1s uma tese extremamente elaborada sobre a a"enc#. Cessa !poca.tica.dico. cu0as obras tiveram profunda influência sobre %lacNstone. op$em&se a outra concep#"o do direito. O su0eito 0ur. o que veio a ser chamado de . porque o sistema legal o concebe como um ser aut1nomo. a teoria consensual do contrato. o nominalismo de [illiam of OcNam 3ver. um agente. 456L7. '.. a cada uma das categorias ou status que comp$em uma sociedade organicamente concebida 3cidad"os. e a transp1s para a esfera da pol. que nos pa. Vousseau. ap-s Pobbes. a bem do 0usto ordenamento do todo. %entham e outros te-ricos ligados 2 tradi#"o do direito consuetudinário.ses fora do quadrante Coroeste do mundo 6L. foi continuada por )ocNe. em geral aceito como evidente7 de um agente portador de direitos sub0etivos foi o resultado de um longo e complicado processo. esp. e depois de Grotius 34JLE&46FJ7. em outros contextos. a influente elabora#"o. deram contribui#$es decisivas o minucioso trabalho 0ur.dico fa escolhas pelas quais ! responsabili ado. 456L7.ses originários bem antes da democracia.teoria consensual do contrato.odo.pio fundamental de que os contratos s"o reali ados pela vontade ou consentimento das partes G.+ GordleB. a lei di respeito ao 0usto ordenamento da polis. (l!m disso  e este argumento ! important. reis.ssimo para minha análise  . baseada em direitos sub0etivos. @egundo essa vis"o. e a vis"o de a"enc# que dela decorria alcan#aram madura express"o. 'omo disse Qames GordleB 34554<K7< . . tamb!m. *ssa mesma concep#"o impregnou a vis"o de mundo do ?luminismo 66. *ssas concep#$es de a"enc# individual e seu corolário.dico da ?gre0a 'at-lica e das universidades medievais. mas direitos e deveres que s"o atribu. assim como nos c-digos franceses e alem"es da primeira metade do s!culo Y?Y6K. %erman. @tuart Iill.H Gem contraste com as concep#$es de (rist-teles e @anto Momás de (quinoH entenderam que um contrato era simplesmente o resultado de um ato de vontade. no fim do per.cio de uma virtude moral.J&465J7 e Vobert Pothier 34655&4KK. e. =illeB...dos. n"o o exerc. dos escolásticos espanh-is do s!culo Y=?. n"o a deveres originados da essência ou nature a do contrato. primeiro.&465F7 e outros te-ricos do direito natural 3ver =an 'aenegem. 4554+ %erman. apesar das divergências desses autores em outras quest$es.. Pufendorf 346E.

duo que Pobbes. especialmente. se eventualmente se produ uma boa ordem social. e com estas as concep#$es aristot!licas e tomistas da lei.dica da a"enc# individual foi tudo menos linear e pac. @abe&se que [eber n"o atribuiu status explicativo privilegiado a nenhuma das dimens$es que utili ou. ele deu grande aten#"o aos aspectos legais. 0ur. pelos interesses dos principais empregadores desses profissionais  os governantes empenhados na forma#"o do *stado e. o liberalismo condensou as cru!is li#$es deixadas pelas guerras religiosas dos s!culos Y=? e Y=??. nada melhor do que invocar Iax [eber e seu colossal esfor#o para explicar o surgimento e as caracter. em conson:ncia com essa mesma vis"o7 da soma das conseq9ências da existência dos direitos sub0etivos. ao contrário de grande parte da ciência pol. por conseguinte. interessados em melhorar seu cr!dito e arrecada#"o fiscal. )ocNe. bem como a ampla 0urisdi#"o que o direito can1nico reivindicava7. >ant e outros fi eram 0á havia sido reali ada pelas teorias filos-ficas e. apresso&me a acrescentar7 n"o pode ser atribu. [eber argumentou que o surgimento do que chamou de direito racional&formal 3um reposit-rio de direitos sub0etivos. os contornos básicos do atual mapa pol. (pesar de toda a violência empregada. do capitalismo. esta ! um subproduto 3como se afirmará mais tarde a respeito do mercado.duos. concebido como portador dos direitos sub0etivos que sustentam sua potestas.tica. como doutrina pol. mais tarde. O claro que tudo isso constitui um cap. interpretando seu funcionamento como um contraponto 2 emergência dos *stados.tico dessa parte do mundo foram enfim tra#adosK. O indiv. sua capacidade de fa er valer sua vontade em todas as esferas n"o proibidas por essa mesma lei. De acordo com essa concep#"o. ou se0a. O agente portador de direitos sub0etivos 0á estava esbo#ado nessas teorias. por conseguinte. *sses governantes encontraram no caráter universali ante dos direitos sub0etivos um meio efica para afirmar sua soberania sobre todos os indiv.O surgimento da id!ia de a"enc# e seus direitos sub0etivos representou uma revolu#"o copernicana< a lei deixou de ter a miss"o de designar corretamente as partes da totalidade social. como 0á se inferia do nominalismo de OcNam e.tica contempor:nea.tica por esses grandes autores liberais. Desenvolveu&se atrav!s de uma rela#"o mutuamente . no sentido moderno 3[eber. 456L<LFK e passim7.fico. *mbora as reflex$es anteriores possam parecer muito distantes de uma teoria da democracia contempor:nea. era fundamental eliminar as ordens estamentais concebidas de forma organicista 3especialmente as feudais e as cidades aut1nomas. ( miss"o da lei ! a de determinar e proteger a potestas dos indiv. Ias ! preciso acrescentar que boa parte do trabalho de constru#"o do indiv.tica. bem como em submeter ao seu controle direto a popula#"o dos territ-rios que pretendiam governar. pelos interesses corporativos dos profissionais do direito que levaram a cabo essa obra e.tulo da hist-ria do liberalismo. de reali ar a 0usti#a social para todos.duos. quase pronto para ser transposto 2 esfera da pol. a lei visava as /nicas entidades verdadeiramente existentes  os indiv. Pode&se di er que o processo de constru#"o da concep#"o 0ur. Iuitos autores 0á assinalaram que.. Para este fim. n"o ! bem a verdade. das classes e dos tipos de autoridade pol. ! o ob0eto e a finalidade da leiKD. *m troca. e.duo. principalmente. pois quando esses processos come#aram ainda n"o existia uma burguesia capitalista. do de Pobbes. porque.sticas singulares do capitalismo ocidental.do basicamente 2s demandas ou interesses da burguesia. @uas id!ias s"o especialmente importantes para minha análise. ( cria#"o desses direitos se explica antes pelo trabalho secular que esbocei acima.duos residentes em seus territ-riosK4.dicas que citei. Para demonstrá&lo.

a aboli#"o da servid"oKE e o aparecimento do trabalho . 45LJ+ 455D7. como cabe a um indiv.cipes da aposta democrática  isto !.dicas KJ.duos privados da propriedade dos meios de produ#"o vendem sua for#a de trabalho.dico. em concord:ncia com sua condi#"o de agenteKF. poucos7 e de obriga#$es que . n"o do liberalismo ou da democracia pol. exclusiva e vendávelK6.livremente.livre.cio desses direitos e excluir outros..ses originários e tomarem forma detalhada nas doutrinas 0ur. O mesmo se pode di er sobre a constru#"o do direito de propriedade individual.das coletivamente ao cl". portador de direitos 3no in. e foram transferidas aos respectivos indiv. )evi.. depois de terem aceito morrer em massa na guerra para defender seus pa. quem deveria ter autoridade para tomar tal decis"oZ O segundo corolário n"o ! menos explosivo. ?sso tamb!m vale para as responsabilidades criminais. um processo que .ses originários. Ias essa constru#"o inclu. ainda que ho0e este0a muito menos resolvido do que o anterior< se a a"enc# implica escolhas. que surgiram bem depois de os direitos 0á estarem amplamente difundidos nos pa. esp.a corolários potencialmente explosivos. s"o de suma import:ncia. 455K+ @Nocpol.duo concebido 0uridicamente como agente. ! um legado do capitalismo e do processo de forma#"o do *stado.ticaLD. que op#$es reais poderiam ser consideradas como ra oavelmente consistentes com a condi#"o de agente de e"oZ ( resposta 2 primeira pergunta está na hist-ria da expans"o dos direitos sub0etivos. bem antes de o liberalismo e a democracia entrarem em cenaKK. *xaminando a convergência dessas hist-rias. Primeiro. *nquanto isso.cio. com o que contribu.ses 3ver. de todo modo. O trabalhador das rela#$es capitalistas ! desde cedo um su0eito 0ur. ao omitir as condi#$es reais de exerc. especialmente do direito de propriedade e de contrato para o interc:mbio de bens e servi#os. para ele e para o con0unto da sociedade. *ssa hist-ria foi escrita atrav!s dos numerosos conflitos ao fim dos quais as classes dan"ereuses. 'omo novamente nos recorda [eber. muitos autores chamaram a aten#"o para o fato de que a constru#"o legal de um agente portador de direitos sub0etivos. devemos lembrar que os *stados e o capitalismo criaram mercados territorialmente delimitados.duos  de novo. inclusive o de sufrágio.7 e de trocarem a revolu#"o pelo *stado de %em&*star K5. 2 fam. *ssa liberdade consistiu do direito sub0etivo de celebrar contratos pelos quais indiv. inclusive de uma rede de tribunais que aplicavam esses direitos. outros processos continuavam a se desenvolver nos pa.lia ou 2 aldeia. o refor#o m/tuo dos processos de forma#"o do *stado. Outro foi a expans"o dos direitos na esfera civil. foram enfim admitidas como part. Por outro lado. at! sua atual includência. entre outras conseq9ências. desenvolvimento do capitalismo e expans"o do direito racional&formal teve. a0usta com o empregador. que deixaram de ser atribu. e nesse sentido tamb!m Iarx.tica. levanta&se naturalmente a seguinte pergunta< por que se deveria negar essa atribui#"o a outras esferas e. 455. Gostaria de ressaltar que a primeira constru#"o dos direitos sub0etivos. se a ego se atribui a condi#"o legal de agente em determinadas esferas da vida que. avali ou e contribuiu para reprodu ir rela#$es extremamente desiguais entre capitalistas e trabalhadoresKL.dinami adora com outro processo< o aparecimento e desenvolvimento do capitalismo.ram para a constru#"o de uma densa trama de direitos sub0etivos. obtiveram a cidadania pol. Am deles foi a defini#"o do mapa da *uropa Ocidental e da (m!rica do Corte como resultado de bem&sucedidos e freq9entemente cru!is processos de forma#"o do *stado 3MillB.

seguindo suas pr-prias premissas.direitos burgueses. se come#ou a discutir a quest"o da plena inclus"o pol. muitas pessoas 3mas.0uridifica#"o.ses originários.dicas. Cessa !poca.LE e. Woi na qualidade de defensores dessa esp!cie de direitos que os liberais conseguiram aprovar 'onstitui#$es  e as 'onstitui#$es. quando em algum momento do s!culo Y?Y a maior parte dos pa. Ias tamb!m ! certo que. ou estavam prestes a sê&lo. P.tica. como uma doutrina pol. mas sempre o fe definindo&os como direitos sub0etivos. embora se baseassem no sufrágio restrito. 8uando. a 0urisprudência e as ideologias originadas da cidadania civilLJ. O que dese0o ressaltar aqui ! que quando. tamb!m a feminina7 0á contava com uma s!rie de direitos sub0etivos que regulavam numerosos aspectos de sua vida L.artificialmente se poderia separar o liberalismo. por fim.LF. O verdade que a restri#"o da abrangência desses direitos 2 esfera privada parece muito limitada para os nossos padr$es contempor:neos. a aposta includente foi aceita nos pa. desde o in.ses originários. C"o se tratava ainda dos direitos pol. no duplo sentido de uma especifica#"o de direitos e deveres 0á reconhecidos e do acr!scimo de novosL4. *m um trabalho anterior 3O’Donnell. ademais.ses do Coroeste adotou a democracia n"o includente.tica os conceitos. Woram essas as 'onstitui#$es que institucionali aram pela primeira ve a aposta democrática. gra#as a esse processo de expans"o da atribui#"o de direitos sub0etivos. nem todas7 puderam perceber que essa decis"o n"o era um salto no va io. outras medidas liberais de salvaguarda.pio central do liberalismo< todo governo deve ser um governo limitado. discuti esse tema e formulei algumas restri#$es 2s tipologias desenvolvimentistas que esses autores prop$em. Os governos da !poca 0á estavam limitados por direitos sub0etivos elaborados e amplamente difundidos.duos. *ssas teorias primeiramente . da hist-ria 0ur. desde (tenas at! a Vevolu#"o Wrancesa. es no passado 3embora com hist-rias diferentes das que narrei aqui7. independentemente do que possam conter a mais. Vepito que essa id!ia fundadora de agentes portadores de direitos sub0etivos.. de fundas ra. o liberalismo buscava proteger s"o os mesmos que 0á tinham sido aperfei#oados e extensamente aplicados pela lei. Iarshall 3456F7 resumiu&os no conceito de .dica que acabo de resumir. Pabermas 345567 os denominou de . Qá tinham sido tamb!m adotadas. principalmente a determina#"o de pra os aos mandatos dos funcionários eleitos e a divis"o de poderes no interior do regimeLL. 0á estava enrai ada em algumas teorias 0ur. *sses arran0os institucionais convergiram para configurar o princ. Iuitos direitos que.cidadania civil. mais recentemente. de sistemas representativos cu0o funcionamento atenuava o temor causado pelas experiências de democracia direta ou de governo de massas.. a maioria da sua popula#"o masculina 3e.vários te-ricos alem"es chamaram de . 4555c7. salvo por ra $es cuidadosamente especificadas e definidas por lei. M.ticos da aposta democrática+ eram direitos civis relativos a atividades econ1micas e sociais privadas. as leis. s. O claro que com o tempo o liberalismo os ampliou. embora em menor extens"o. alguns consagrados como normas constitucionais LK. Mratava&se. protegem direitos sub0etivosL6. certamente.tica. que geram uma potestas individual que n"o pode ser violada ou negada.cio. O resultado desses processos foi que. nos pa. preparou&se o terreno para estender 2 cidadania pol. pois di respeito a portadores de direitos promulgados e respaldados pelo mesmo sistema legal que o pr-prio governo deve obedecer e do qual deriva sua autoridade. 0á existia um rico repert-rio de crit!rios legalmente sancionados e elaborados sobre a atribui#"o de a"enc# a um grande n/mero de indiv.

sticas contempor:neas dos /ltimos pa. os privilegiados viram na aposta uma grande amea#a. Por isso. inclusive seus *stados e regimes. quando se adotou nesses pa. por sua pr-pria defini#"o.sticas de muitas democracias contempor:neas.ses a aposta includente. 'onforme [eber nunca se cansou de repetir. a democracia contempor:nea se baseia na id!ia de a"enc# promulgada e respaldada por lei. O governo. para o *stado 3e. *nquanto n"o se concluem as pesquisas que dever"o remediar essa omiss"o.sticas dos pa. ! uma aposta moderada ou comedida< o enrai amento dos direitos sub0etivos 3inclusive a incorpora#"o de muitos deles na 'onstitui#"o7.precederam e depois interagiram em contraponto com o capitalismo.(-+%. universalista e moderada. os direitos civis têm escassa vigência em todo seu territ-rio e nas classes e setores sociais.posso apresentar aqui alguns comentários preliminares.ses originários. com o que muitas ve es desencadearam uma din:mica de repress"o e exclus"o que teve como resposta uma profunda aliena#"o popular e 2s ve es uma radicali a#"o que causou ainda . esses processos se desenvolveram mais tarde.R. a tendência anti&hist-rica e um enfoque estreito nos aspectos formais do regime que caracteri am muitas teorias democráticas atuais criam obstáculos ao estudo desses fatores. essas circunst:ncias hist-ricas foram /nicas e marcaram profundamente as caracter. em s. resultam existem para e atrav!s de indiv.. s. O essa. ( aposta democrática. para o capitalismo7. se reali em elei#$es competitivas. tamb!m marcaram fundo as caracter.duos portadores de direitos sub0etivosL5. 'ontudo.amigável. acrescento. no )este e no @ul.ntese. com o liberalismo. *m muitas novas democracias.SS1. muitas salvaguardas liberais n"o estavam em vigor e algumas permaneceram ausentes.ses originários at! que foi adotada a aposta includente. moderam o que está em 0ogo em cada elei#"o.!I7.FL7 observou que gra#as a esses processos a democracia se tornou .ses originários essa arquitetura 0á estava basicamente em vigor quando a aposta includente foi adotada ameni ou os riscos percebidos dessa decis"o. a divis"o de poderes e a periodicidade de elei#$es limpas. que retomarei abaixo em outra digress"o comparativa. e tanto estas quanto a aposta universalista este0am institucionali adas.tica includente.C"o foi certamente por acaso que a democracia voltou a ser vista como um bom sistema pol.tico 3ap-s ser condenada durante s!culos7 depois da aceita#"o do liberalismo. DI5R. novas e velhas.<. 'omo assinala @artori 345LK<EL57< . a limita#"o temporal dos mandatos dos altos postos do regime. 'omo resultado dessa longa e complexa tra0et-ria hist-rica. e tiveram conseq9ências muito menos completas e homogenei adoras do que nos pa. al!m de includente e universalista. o regime e o *stado que da. a arquitetura legal e institucional do *stado democrático. na maioria das outras democracias.ses. mesmo que. *ssas diferen#as que est"o fartamente documentadas nos registros hist-ricos. Co mesmo sentido. Ca medida em que se pode presumir que tais fatores exer#am uma forte influência nas caracter. (l!m disso. essa omiss"o ! um s!rio impedimento a uma abrangência comparativa adequada da teoria da democracia. 829 (presentei de forma extremamente compacta alguns processos hist-ricos que ocorreram nos pa. Por outro lado. antes do advento da democracia pol. Qohn Dunn 3455. o *stado e mesmo mais tarde. O fato de que nos pa.ses. em seq9ências distintas.

dica e conceitual muito mais . Vetornarei adiante a essa quest"o+ por ora. mas a trama circundante de direitos civis ! tênue eRou se distribui desigualmente entre as diferentes categorias de indiv. ao contrário.ticos que s"o circundados. ou. que discuti acima. ! atribu. independentemente de sua posi#"o social.NI.privados. %-/<!I(. . no passado e at! muito recentemente. e em algumas liberdades simult:neas. fa em parte dos direitos sub0etivos. na área dos . O importante entender isto.ntima do que reconhecem muitas teorias da democracia. que os direitos e obriga#$es conferidos a cada e"o pressup$em 3e demandam legalmente7 um sistema de reconhecimento m/tuo entre todos os indiv.sticas da cidadania pol. outorgada por um *stado nos limites do seu territ-rio. mas n"o exclusivamente.duos. realistas ou n"o5. @ublinho que essas caracter.neo 3ius san"uinis7.ses originários. designa nos mesmos termos todos os adultos que satisfa em o crit!rio de nacionalidade. na qualidade de portadores desses direitos e obriga#$es. em especial. S. (lgumas democracias incluem um con0unto nuclear de direitos pol. a qualidade geral da democracia em cada caso ou per. a resposta a essa quest"o se ramificou em duas dire#$es. tanto em termos da sua capacidade de escolha.dica.ticas que mencionei ao examinar as várias defini#$es de democracia. ?sto significa que entre a cidadania pol.duos. classes e regi$es. O adscritiva 54. mais precisamente.tica ! p/blica. porque resulta de normas legais que.ticos. em seu conte/do. como parte e conseq9ência da aposta democrática.. (ID.veis a cada indiv. De um lado. Por /ltimo. . Outras. 'om isto quero di er.tica e a cidadania civil há uma conex"o hist-rica. *ssa condi#"o ! uma mistura de atributos. porque dentro da 0urisdi#"o delimitada por um *stado.duo. em segundo lugar./. podem exibir formalmente 3por uma quest"o de defini#"o do pr-prio regime7 esses direitos pol. Por suas origens.!-S =imos em se#$es anteriores que a cidadania pol. centrou&se nos direitos privados. excetuando os casos de naturali a#"o. . ou se0a. que ! o resultado de leis que devem cumprir exigências cuidadosamente especificadas quanto 2 sua publicidade e.odo. Cos pa. as liberdades pol.duos concebidos como portadores de direitos pertinentes a um regime que se baseia em elei#$es competitivas e institucionali adas. a cidadania pol. promulga#"o e aplica#"o.tica s"o hom-logas. alimentou o aparecimento de várias formas de regime autoritário na (m!rica )atina e em outras regi$es5D.. apenas quero ressaltar que essas diferen#as entre situa#$es e !pocas influenciam fortemente o que se poderia chamar de profundidade ou grau de democrati a#"o civil e 0ur. O universalista. Ceste ponto de minha argumenta#"o devo lembrar que uma outra quest"o levantada pela presun#"o da a"enc# tem rela#"o com as op#$es dispon.ricas. a indiv.*S (-RR. Woi essa din:mica que.da a uma pessoa pelo simples fato de ter nascido em determinado territ-rio 3 ius solis7 ou ter um parentesco consang9. em primeiro lugar. devem satisfa er crit!rios por sua ve estipulados por outras normas legais.tica ! uma condi#"o definida por lei. porque. O tamb!m uma condi#"o formal.mais obstáculos 2 extens"o dos direitos civis e das salvaguardas liberais. 0ur. s"o parte integrante e essencial dos direitos civis. respaldados e fortalecidos por uma densa rede de direitos civis. pela concep#"o de a"enc# e por sua defini#"o 0ur.D.dica. quanto da gama real de escolhas de que disp$e5E. civis. *ssas observa#$es têm conseq9ências emp.

Mamb!m aqui sobressai o valor da eq9idade devida 2 a"enc#.duos. essas leis criaram pol.dicos ent"o vigentes. De um lado. que n"o s"o v.dico. O requisito de um m. a sociedade. eram coerentes com as constru#$es 0ur. fraude ou coa#"o etc. ainda que em geral aplicadas a categorias de agentes definidos coletivamente.manifestamente desproporcional. eRou nas quais ! ra oável supor que uma das partes n"o consentiu livremente no contrato. *m conseq9ência. esses acr!scimos contradi iam as constru#$es anteriores de a"enc#. que Iarx e outros autores afirmaram esconder&se por trás do universalismo dos sistemas 0ur. *m conseq9ência disso. os novos participantes da aposta trocaram a aceita#"o da democracia pol. 'riou&se uma s!rie de crit!rios 0ur. ( segunda dire#"o em que se ramificou a quest"o da a"enc# e suas rela#$es com as op#$es ! mais bem conhecida entre cientistas pol. e com altos e baixos nas respectivas rela#$es de poder 5K. acrescentaram&se várias considera#$es de nature a 0ur.dicas anteriores. de outra maneira.ticos e soci-logos. devido 2 incapacidade mental.dicos tanto dos pa. definidos em sentido amplo. se devemos presumir que os agentes s"o de fato agentes.contratos.tica  inclusive a modera#"o proporcionada pelas salvaguardas a que me referi  por uma parcela dos benef. em face dos capitalistas e do *stado.ses originários quanto dos que nestes se inspiraram. como acontece no direito privado.cios do *stado de %em& *star. *ssas medidas tutelares se fundamentam em um crit!rio básico de eq9idade. foram democrati adoras< tornaram mais denso o tecido 0ur. mas tamb!m examinada em sua efetividade. . que. *ssa ambivalência  contradi#"o com as premissas universalistas e coerência com a concep#"o sub0acente de a"enc#  contribuiu muito para a enorme complexidade dos sistemas 0ur. fixadas nos direitos p/blico e privado. sobretudo o *stado e seu sistema 0ur.dico anterior  anterior do ponto de vista hist-rico e anal.duo enfrenta. Por um longo e complicado processo que n"o ! preciso detalhar aqui56. Por meio da legisla#"o social. seriam demasiado fracos para admitir a presun#"o de que têm vontade aut1noma e op#$es adequadas. isto !.dicos dos pa. reparar ou impedir situa#$es em que exista uma rela#"o . Vefiro&me ao aparecimento e desenvolvimento da legisla#"o social. Mal como no direito privado.nimo de eq9idade foi introdu ido nos sistemas 0ur. esses atores redu iram a aguda desigualdade de facto. que variaram desde o apoio a n. n"o pode ser indiferente 2s op#$es que cada indiv.veis básicos de bem&estar material at! a autori a#"o de diversos mecanismos de representa#"o coletiva para aqueles que.dico que promulga e respalda a mesma a"enc# pressuposta pela democracia.tico  das concep#$es universalistas de a"enc#. por sua ve . C"o deixando de incluir falhas 5L. foram incorporadas ao sistema legal algumas concep#$es de eq9idade baseadas nas id!ias anteriores de a"enc# individual.timas de desigualdades ou de alguma forma de incapacidade que possam anular sua autonomia eRou acesso a uma gama ra oável de op#$es. Ias esses benef.5F entre as partes. ao selo 0ur. em parte transformando&as. 0á que introdu iam crit!rios n"o universalistas 2 atribui#"o e ad0udica#"o de direitos em várias situa#$es+ de outro.5J.dica e 0urisprudencial de eq9idade.ticas preventivas e corretivas. porque refletiam o reconhecimento de que a a"enc# n"o deve ser apenas presumida.ses originários por meio dessas constru#$es legais. ! um corolário da id!ia de a"enc#< presume que os agentes se relacionam como tais.cios n"o eram apenas materiais+ por meio da representa#"o coletiva e de outros mecanismos.dicos e 0urisprudenciais para anular. essas mudan#as. as leis sociais expressaram a id!ia de que. embora esta se concentre em várias categorias sociais e menos nos indiv.

*sses fatos explicam o pertina ressurgimento. ( 'aixa de Pandora revela&se maior do que @chumpeter temia.veis a cada indiv.duo. foi em parte transformada por valores de eq9idade fundados nessa mesma concep#"o.=emos assim que nos pa.tica. *m ve disso. essa quest"o n"o pode ser ignorada nem pelo direito privado nem pela legisla#"o social+ n"o tenho clare a sobre as ra $es pelas quais pode ser ignorada em rela#"o aos direitos pol. nem moral. atrav!s de normas legais. ou melhor. na teoria e na prática. que. entre direitos civis e direitos pol. at! os tempos atuais.tica mant!m estreita conex"o com a mesma quest"o.duos contam com os direitos pol. *sta me parece ser uma limita#"o indevida e profundamente esterili ante. importa em suprimir da teoria democrática o mesm. *ntretanto. a economia e o *stado de uma concep#"o universalista de a"enc#+ esta.cio efetivo da cidadania pol.dicas e conceituais dos direitos pol. n"o pode ser validamente separada  nem l-gica.tica quando se aplica a indiv. olhar apenas para esse lado da quest"o.ticos. como preocupa#"o ao mesmo tempo te-rica e moral. formular essa quest"o na esfera pol. mais recentemente. tamb!m com os direitos sociais7.duos privados de muitos direitos sociais e civis e.ticos 3e. Ca medida em que a democracia pressup$e a a"enc#. dese0o salientar que.tica importa em ir al!m da atribui#"o universalista de direitos pol. como agente55. a rela#"o entre a"enc# e op#$es na esfera pol.ticos universalistas que analisamos. *m outras palavras. embora limitada a uns poucos indiv. quando formulada no :mbito do direito privado e da legisla#"o social.ticos s"o hom-logos+ quarto. tanto nos m/ltiplos aspectos do sistema legal quanto no valor concomitante da eq9idade devida aos agentes+ terceiro. incapa es de fa er op#$es minimamente ra oáveis. os direitos civis e os direitos pol. tanto em termos de sua capacidade de escolher quanto da gama de suas op#$es.ses originários houve um longo e complexo processo. pelo menos em termos l-gicos. presun#"o.tica ! a a"enc#+ segundo. 'ompreendemos agora a ra "o do problema da indecidibilidade dos limites dos direitos pol. . mas nem por isso inacess. desde (tenas. quando abrange muitos.ticos encontram&se nos direitos civis.ticos que examinamos nas se#$es anteriores. =imos que.ssimo tema da a"enc# e suas op#$es que o direito privado e a legisla#"o social n"o puderam ignorar. essa id!ia 0á estava incorporada. como acabei de mostrar. portanto.duos. n"o me parece coerente omitir o problema da efetividade da cidadania pol. muito antes dos regimes democráticos contempor:neos. (diante tratarei de algumas implica#$es desse processo+ por ora.duo aut1nomo. *ssa no#"o. as origens hist-ricas. Qá que existe uma estreita conex"o.tica. do ponto de vista dos direitos civis e sociais. n"o ve0o como exorci ar da teoria e da prática da democracia os problemas morais e práticos concernentes 2 efetividade da cidadania pol.tica. impregnou a sociedade. porque ! o aspecto legalmente estabelecido de uma concep#"o moral do ser humano como indiv. da quest"o das condi#$es de existência da cidadania pol. nem legalmente  da quest"o das op#$es dispon.vel a um exame intelectualmente disciplinado.ticos. conv!m acrescentar algumas proposi#$es.tica. Cesta altura da argumenta#"o. 0ur. O certo que em um regime democrático os indiv. racional e responsável  isto !. a teoria democrática deve aceitar alguns fatos básicos< primeiro. Vequer que se indague sobre as condi#$es que permitem ou n"o o exerc. posteriormente. dando seq9ência 2 numera#"o anterior. ( id!ia de a"enc# tem implica#$es diretas e convergentes na esfera civil e na pol. Mamb!m ! certo que a outorga desses direitos representa em si mesma um grande avan#o em rela#"o ao regime autoritário. a premissa da democracia pol.

ou democracia pol.ses originários 4D4. mas o funcionamento do regime assim como suas rela#$es com o *stado e a sociedade provavelmente ser"o muito diferentes do que vigorou nos pa.nquo. a ado#"o da democracia e das liberdades que a cercam dá origem a uma profunda dis0un#"o entre esses direitos e o tecido social geral. de ordem pol. tenha forte influência na abrangência e no vigor.ticas.tica.tica ou de outra nature a.dico. ?nspiradas na concep#"o da eq9idade devida a uma adequada considera#"o da a"enc# de cada indiv. *m conseq9ência disso. constitui#$es. Y. a maneira como s"o concebidos e concreti ados os direitos e obriga#$es. a cidadania pol.(-+%. imaginar que a eficácia geral do sistema 0ur. tal concep#"o estava profunda e abundantemente inscrita nos seus sistemas legais e. DI5R. Y?. congresso e outros7.dico dotado de direitos civis sub0etivos. n"o se pode elaborar sen"o hip-teses a serem verificadas empiricamente+ mas s.vel. *ssa id!ia.ticas deram impulso 2 democrati a#"o. ( concep#"o de a"enc# ! o aspecto legalmente promulgado de uma vis"o moral do indiv. essas pol. racional e responsável. no con0unto de sua estrutura social.tica s"o parte essencial de um sistema legal cu0a premissa ! a concep#"o de a"enc# de um su0eito 0ur. @e ! este o caso.tica pode ser implantada em meio a uma cidadania civil fraca ou extremamente in0usta. *ntretanto. es diretas.R. por conseguinte. 8@9 8uando os pa.ses originários. ?Y. Ca pr-xima se#"o analiso algumas quest$es comparativas.ses originários. contradi endo em parte sua orienta#"o universalista. ! que.dicos que muitas ve es . por sua ve .ticas parcialmente iguali adoras. por assim di er. Cesses sistemas legais. embora sem deixar de incorporar certos trade+offs.ses n"o originários importaram. =???. O poss. no passado recente ou long. enquanto outras que a aceitam discordam de seus fundamentos e implica#$es.duo como ser aut1nomo. ?sso ! interessante e importante. podem prevalecer concep#$es tradicionais. dos direitos de cidadania pol. e por meio deles. (s regras que estabelecem a cidadania pol. sua real capacidade de escolher e sua gama de op#$es7.tica teve ra. fi eram mais que isso< tamb!m importaram sistemas legais fundados em concep#$es universalistas da a"enc# individual e seus conseq9entes direitos sub0etivos.ses pode n"o incluir uma extensa e detalhada explicita#"o das condi#$es de efetiva#"o desses direitos+ em ve disso.dico. incluindo&se os direitos civis e sociais. na realidade.ses podem constituir poliarquias ou democracias pol. no longo processo anterior de constru#"o da id!ia de agente. incluindo&se a. ! o resultado de uma aposta universalista e includente. a parafernália institucional de um regime democrático 3elei#$es.!I7. *m outras palavras. org:nicas e inclusive criminosas da 0usti#a e do direito4DD. 'ertas filosofias e teorias morais questionam a validade ou utilidade da concep#"o de a"enc#. embora em alguns pa. Co estágio atual de nossos conhecimentos.duo. concebido como um su0eito 0ur. o direito civil e a legisla#"o social adotaram pol.tica. práticas e institui#$es bem desenvolvidas e amplamente difundidas. sustenta e 0ustifica logicamente a aposta democrática. inclusive conceitos.SS1. nos pa.as podemos formular se levarmos em conta os aspectos hist-ricos e 0ur. ou poliarquia. pelo menos.ses se0a moderada por diversas garantias institucionais. o tecido social desses pa. a cidadania pol. Cos pa. a quest"o das op#$es de cada agente foi reconhecida 3isto !. mas n"o se deve esquecer que.=??. para n"o falar do problema mais grave dos direitos sociais. Am regime democrático. *sses pa.

mos ainda a análise das liberdades pol. devido ao problema dos limites internos que 0á examinei. os espa#os sociais em que os direitos de express"o e associa#"o s"o relevantes e est"o protegidos por lei s"o muito mais amplos do que a esfera do regime pol.permanecem impl. Primeiro.cil imaginar. constituem direitos sub0etivos. Gresponsabilidade p/blica hori ontalH de muitas democracias. uma dupla opera#"o. assim como muitas outras. e quais n"o s"o. de express"o e associa#"o. protegidos pelas liberdades simult:neas que 0á analisei e 2s quais devo agora retornar. aparentemente sem sabê&lo.ticos. a existência de informa#$es livres e pluralistas ! uma caracter. de suas origens hist-ricas e de sua formula#"o 0ur.SAB C"o conclu.ontal accounta&ilit#.pol. relevantes para um regime democrático. as mesmas liberdades 2 categoria de condi#$es necessárias ao regime. o de participar em a#$es conducentes 2 concreti a#"o de elei#$es limpas.RD. no sentido de que as consideram como diretamente referidas a um regime democrático4DE. Cesse sentido.dica primordial corresponde 2s liberdades civis. conforme 0á foi assinalado.. /I>.adotam. porque aponta para uma grave lacuna no funcionamento do sistema legal. De um lado. fa em parte das liberdades civis que analisei.vel decidir que atos de express"o ou de associa#"o s"o . muitas das salvaguardas institucionais que mencionei antes. Pá uma outra quest"o intimamente relacionada com a anterior. algumas dessas liberdades. n"o o abordarei neste artigo. Wa em parte da potestas de e"o. essas defini#$es . as defini#$es realistas de democracia. =oltando 2s liberdades propostas por Dahl. ( ra "o disso ! que.S A%-/<!I(.hori. (s liberdades pol. assim como outros tamb!m relevantes para a democracia. essa ado#"o e promo#"o ! inevitavelmente arbitrária< ! dif. Mrata&se de direitos positivos.tica e se0am grosseiramente negadas em outras esferas da vida social. =imos que algumas delas  mais adequadamente definidas como direitos  di em respeito 2 reali a#"o de elei#$es competitivas< o direito de votar e de ser votado assim como. Mrata&se do que denominei de deficiência na . . de modo geral. de que os direitos pol. fa#o quest"o de insistir.duos isolados.dica e hist-rica. *las têm em comum a mesma concep#"o de a"enc# e de direitos sub0etivos acrescida do detalhe. dos . *m troca.pol.ticas.ticos s"o uma extens"o. quando n"o abolir.D. Dessa maneira.promovem. por exemplo. que se evidencia nos casos em que o Poder *xecutivo tenta passar por cima. @egundo. verificamos que existem diferen#as entre elas. *stamos mais uma ve diante de um problema de limites< n"o ! poss. seu direito a n"o ser molestado quando reali a ou n"o a#$es de auto&express"o ou de associa#"o. que as liberdades de express"o e de associa#"o vigorem no campo da pol. 0ur. n"o há nenhuma linha divis-ria firme e clara entre os aspectos civil e pol. (s liberdades de express"o e de associa#"o s"o tipicamente civis+ tornaram&se direitos sancionados por lei bem antes de serem reconhecidas como direitos .stica do contexto social e independe das decis$es de indiv.citos na teoria da democracia. reali am. Co entanto. as duas outras liberdades. =isto que esse tema 0á foi discutido em um texto recentemente publicado 3O’Donnell.ticos.tico dessas liberdades.tico.ticas diluem&se em um con0unto maior de liberdades civis porque grande parte de sua prática efetiva. 4555b74D. *videntemente. os direitos de express"o e de associa#"o.

duos que habitam em um territ-rio. Pá pelo menos um direito positivo nelas impl. principalmente a de nos advertir que. utili o com relut:ncia a distin#"o entre direitos positivos e negativos que tem sido criticada de maneira convincente por vários autores 3ver Polmes e @unstein. *m outras palavras 4DJ.S!. o *stado estende sua autoridade. um *stado democrático de direito.pol. 4556+ @Ninner. Cormalmente. ?sso me permite completar o quadro de um sistema legal< n"o se trata apenas de um agregado de normas. Wi referências acima 2 diferen#a entre o direito de acesso 2 informa#"o livre e pluralista e os demais direitos. .D. sustento que o *stado n"o deve ser entendido como um con0unto de burocracias+ ele tamb!m inclui uma dimens"o legal.. por todo o territ-rio que abarca. direitos legalmente estabelecidos que prote0am algumas liberdades . 455E7.. . @e afirmamos na proposi#"o =?? que para haver um regime democrático ! preciso existir uma delimita#"o territorial e.ticas s"o negativas. *sse *stado ! um Rechtsstaat democrático.dico ou isento das obriga#$es que ele estabelece. o sistema 0ur. na medida em que o sistema legal sustenta a aposta democrática. ( . 455L7. nem no regime 3nem na sociedade7 existe um poder le"i&us solutus. como elementos necessários ao funcionamento de um regime democrático. *m um sistema legal democrático  ou se0a. al!m das normas legais 0á discutidas. como os de express"o e associa#"o.encerra.NS1. partindo de um :ngulo distinto. S*.nimo. que na maioria das ve es se expressa na gramática das leis. em um Rechtsstaat democrático ou um *stado democrático de direito  todos os Poderes est"o su0eitos 2 autoridade legal dos outros Poderes4DL. deparamo&nos outra ve com os problemas de limites comentados na primeira . O esse sistema legal que configura e constitui como su0eitos 0ur.stica. para tornar concretas as referidas liberdades 3ver Wábre.ticas. no m. pol.veis. Mrata&se de um direito positivo porque cont!m a expectativa de que certos agentes do *stado tomar"o providências. 4555+ Va .cito< o de acesso rápido e equ:nime aos tribunais de 0usti#a. S->R. *la deriva do fato de que todos esses direitos  civis.5. isto quer di er que deslocamos o foco da análise do regime para o *stado.Digress"o 'omparativa. 'om essa afirma#"o voltamos a nos deparar com o *stado como sistema legal que sanciona e respalda liberdades que. (ssim. s"o geralmente aceitas como componentes básicos da democracia.dico que o *stado promulga e normalmente sustenta devido 2 sua supremacia sobre a coer#"o no territ-rio que delimita4D6. esse sistema 0ur.direitos civis. n"o s. que se possa declarar acima do sistema 0ur. Por ser de uso corrente./.4DF.democraticidade. ( nega#"o de tal direito implicaria que essas liberdades seriam puramente nominais. DI+.dicos os indiv. 45LF+ MaBlor. principalmente os tribunais de 0usti#a./ Pá uma outra conclus"o que dese0o expor agora.. porque promulga e sustenta as normas legais que correspondem 2 existência e persistência de um regime democrático4DK. Portanto.do regime.ticos e sociais  s"o promulgados e respaldados por um sistema legal que fa parte ou ! um aspecto do *stado. portanto. um atributo do *stado. isto !. 45L6+ @hue.. apesar de indecid. identificamos certas institui#$es do *stado. Am sistema legal desse tipo .dico e o *stado do qual fa parte s"o democráticos. bem como um regime baseado em elei#$es competitivas e algumas liberdades simult:neas. (ssim. !. nem todas as liberdades pol. Ias a mantenho porque ela tem utilidade heur. quando legalmente apropriado. ao contrário do que se costuma pensar. mas de um sistema caracteri ado pelo fato fundamental de que nem no *stado.

sticas espec.tico< 347 elei#$es competitivas e institucionali adas+ 3. os direitos e liberdades inclu.sticas mais perturbadoras e desconcertantes de muitas das novas democracias. dos advogados de defesa etc. 0á aludi ao fato de que. Am outro aspecto do sistema legal ! sua efetividade 3ou. do sistema legal que fa com que nenhuma pessoa.=!..sticas di em respeito ao regime. Ca se#"o anterior.H. em diferentes etapas do processo. mais uma ve .S-(I. um 0ui que deve decidir uma causa criminal+ sua autoridade seria nula se n"o fosse acompanhada. e que. ( liberdade de informa#"o ! um aspecto geralmente ben!fico da sociedade. que se poderia chamar de vertical.(-N!. ( efetividade de um sistema legal ! uma fun#"o do seu entrela#amento.7 uma aposta includente e universalista+ 3E7 um sistema legal que promulga e respalda.sticas di em respeito ao regime e as duas /ltimas ao *stado e ao seu sistema legal. 'omentei anteriormente que esse direito n"o ! nem positivo nem negativo+ ! um dado social. passamos 2 quest"o da liberdade de informa#"o. há um sistema legal que decreta e respalda os direitos e liberdades associados a esse regime+ a segunda ! o . n"o ! apenas uma quest"o de legisla#"o.sticas< a primeira ! que. a fragilidade desse tipo de *stado ! uma das caracter. ( democracia tem quatro caracter. uma caracter. *m um plano. no m. papel ou institui#"o possa 0ulgar&se de le"i&us solutus44D. quer di er. papel ou institui#"o se0am de le"i&us solutus. nos meus termos. * assim. por exemplo.sticas espec. 'onforme veremos. *ssas conclus$es podem ser resumidas na seguinte proposi#"o< Y??.nimo. enquanto as duas /ltimas correspondem ao sistema legal do *stado. sua validade7. e. suponha&se. . constatamos que focali ar a aten#"o exclusivamente no regime ! insuficiente para uma adequada caracteri a#"o da democracia.Gno sentido de fechar  C.tica inclui duas caracter. eventualmente. ( diferen#a está em que as duas primeiras caracter. o grau em que esse sistema de fato ordena as rela#$es sociais. *m ambas as dimens$es. (cabamos de ver que ainda ! preciso acrescentar duas outras caracter. dos tribunais superiores e do sistema carcerário 444.duo. como conseq9ência l-gica da defini#"o de regime democrático. dos promotores.. mas tamb!m de toda uma vasta e complexa rede de institui#$es estatais que atuam no sentido de assegurar a efetividade do sistema.dos na defini#"o de um regime democrático+ e 3F7 um sistema legal que exclui a possibilidade de que uma pessoa. conforme definidas pelos -rg"os 0uridicamente incumbidos de exercer esse controle.R./ Ama ve examinado o sistema legal. isto !. um bem p/blico indivis. assinalei que a democracia pol. que n"o se pode excluir e n"o tem equivalentes44.=. o sistema legal sup$e o que )in e @tepan 34556<EK7 chamam de . (s duas primeiras caracter. ningu!m pode estar acima ou al!m de suas normas4D5. *+ R6%ID. na terminologia de alguns autores.. que independe da vontade de cada indiv.*stado efetivo./ 5. um sistema legal democrático fa com que nenhum funcionário p/blico possa fugir ao controle da legalidade e adequa#"o de suas a#$es.ficas que a diferenciam de todos os demais tipos de regime pol. pela a#"o da pol. em termos de rela#$es internas ao regime e ao *stado.ficas n"o encontradas em nenhum outro regime< elei#$es competitivas e institucionali adas e uma aposta includente e universalista.+.fechamento. Co plano hori ontal. M. vertical e hori ontal.stica do contexto social geral.vel. 'hegamos agora a uma outra conclus"o.cia. D.

ela acrescenta um complicador ao problema dos limites das liberdades e 2 sua conseq9ente indecidibilidade44F. e n"o s. mas os temas poderiam estar definidos de modo muito estreito. @e aceitarmos a id!ia de que a liberdade de informa#"o ! uma das liberdades necessárias e simult:neas a um regime democrático. de .ses originários atualmente aplicam a si mesmos.dicas. Y?=. as liberdades que acompanham as elei#$es limpas s"o consideradas .cito afirmar que os pa.dico como tamb!m tratando de alguns aspectos do contexto social geral. devemos entender que a liberdade de informa#"o ! uma caracter. ou haveria outros crit!riosZ C"o posso resolver esse problema neste artigo. em virtude de uma opera#"o de ado#"o e promo#"o de liberdades que originariamente foram direitos civis clássicos. Por /ltimo. defrontamo&nos com um outro problema de limites< ! imposs. n"o fa muito tempo. 'omo vimos ao tratar do problema dos limites de outras liberdades.ses onde grupos e movimentos como os que menciono podem manifestar livremente suas opini$es e têm acesso aos meios de comunica#"o de massa s"o mais democráticos do que aqueles onde isso n"o acontece. tamb!m no caso da informa#"o há uma dif.democraticidade. essa liberdade pressup$e duas coisas< de um lado. ou qualidade. um contexto social geral pluralista e tolerante+ de outro. Por exemplo. a liberdade de informa#"o e. um contexto social pluralista e tolerante. seria muito dif.cil declarar que a liberdade de informa#"o existente permitiria qualificar o regime como democrático.stica do contexto social geral e n"o do regime ou do *stado.cil quest"o comparativa< seria te-rica e normativamente 0usto aplicar 2s novas democracias os crit!rios que os pa.do regime ou do *stado.amos admitir os crit!rios mais restritivos que eles adotavam d!cadas atrás. n"o ! nem negativa nem positiva. 8uero apenas deixar assinalado que com essa pergunta estou me referindo a um certo grau. Outras. Por outro lado. do contexto social geral. estaremos novamente n"o s. por implica#"o desta. Para ser ra oavelmente efetiva. ou no caso de se proibir o acesso 2 m. embora sua efetividade envolva pelo menos um direito positivo< o de acesso rápido e equ:nime aos tribunais de 0usti#a. liberdade de opini"o e de express"o. @e essa observa#"o fa sentido.tica. como as de express"o e associa#"o. abrangem praticamente todos os espa#os sociais.ses originários. *m uma situa#"o de censura 2 discuss"o p/blica de direitos de gênero ou diversidade sexual. em um determinado caso seria permitido o amplo debate de quest$es da pol.ultrapassando o regime e entrando no terreno do *stado e de seu sistema 0ur. *stabelecidos esses nexos.vel decidir sobre onde e com base em que crit!rios te-ricos se poderia tra#ar uma linha divis-ria clara e firme entre os aspectos da liberdade de informa#"o que s"o relevantes para a democracia pol. um sistema legal que lhe dê sustenta#"o.tica e os que n"o o s"o. a liberdade de informa#"o e seus cognatos. (s liberdades enumeradas por Dahl e com mais ou menos detalhes por outros autores s"o de nature a distinta.pol. mas um bem p/blico que caracteri a o contexto social geral e ! em si mesma respaldada por um sistema 3democrático7 legal. geralmente s"o vistas como negativas. Ias me parece pelo menos l.'omo demonstra a enorme aten#"o que lhe dedicam a teoria e a prática 0ur. . estendendo&se muito al!m do regime 44E. essas restri#$es n"o eram consideradas como problemáticas nos pa. Cas defini#$es realistas de democracia. (lgumas s"o direitos positivos de participa#"o em elei#$es competitivas.ticas. *mbora essa opera#"o se0a /til para caracteri ar um regime democrático. Podemos adicionar agora mais duas proposi#$es< Y???.dia dos grupos que defendem a reforma agrária. ou dever.

mais tarde. (s pessoas podem at! estar de posse dos direitos pol. existem. mas suficientemente importante para ser visto como algo mais que uma observa#"o alheia 2 teoria. (firmei que nos pa.!I7. muitas ve es 0á sob regimes democráticos. O fato. onde.ses que n"o podem ser considerados democracias7. Deve&se tamb!m levar em conta que muitas dessas pessoas vivem em condi#$es de tamanha pobre a que toda sua preocupa#"o converge para a mera sobrevivência+ elas n"o têm oportunidades. *ssas carências manifestam uma pobre a material. que s"o n"o s. e onde. (li prevalece uma mescla bastante complexa de rela#$es entre capital&trabalho. se n"o a maioria.44J. mas freq9entes. *ssa diferen#a tem estreita rela#"o com uma outra. inclusive algumas que fa em parte do repert-rio clássico dos direitos civis est"o ausentes. ainda que a letra da lei o pro. Cestas.ses originários. elei#$es competitivas e institucionali adas e tamb!m algumas liberdades pol. de *ure e de facto. mas sua cidadania civil !.R. têm crescido.ticos. ?sto requer um exame mais detalhado.ses originários. em contrapartida. nos /ltimos vinte anos. *m muitas democracias do )este e do @ul 3quanto mais nos pa. a legalidade estatal tamb!m ! pouco efetiva446. muitos desses processos homogenei adores n"o se verificaram. velhas e novas.ses ! muito mais marcada por regi$es. em todas as regi$es. na melhor das hip-teses. na maioria dos casos. do @ul e do )este.dico baseado no conceito de a"enc# individual. mas seus direitos civis est"o muito lesados.veis. * isso n"o acontece apenas nas áreas rurais+ tamb!m nas periferias de muitas cidades e.cia e grupos criminosos violam sistematicamente os direitos dos pobres e dos setores discriminados+ em que o acesso 2 0usti#a ! pre0udicado por preconceitos etc. *ssa ! uma diferen#a fundamental em rela#"o aos pa. outros direitos civis e sociais foram definidos. o êxito da forma#"o do *stado e da expans"o do capitalismo fe prevalecer em todo o territ-rio do *stado um sistema 0ur. os direitos de cidadania civil foram adotados de maneira extensiva e detalhada antes que se aceitasse a aposta democrática. tempo ou mesmo energia para muito mais do que isso. da sua popula#"o. ( geografia desses pa. enormes e crescentes mercados informais. formam uma grande propor#"o.ses originários o processo de forma#"o do *stado e o surgimento do capitalismo tinham se completado com sucesso  em geral. Modos s"o cidad"os pol. em ve de diminuir. principalmente.focos de profunda mis!ria como tamb!m de rela#$es protocapitalistas. Cesses pa. *stou me referindo 2s situa#$es em que as mulheres e minorias s"o discriminadas.ba+ situa#$es em que operários e camponeses têm negado. mutilada ou intermitente. algumas bem vastas.(-+%. simples e rasteiro. nem recursos materiais. no caso de certos setores discriminados. Ias outras liberdades e garantias. em muitas das novas democracias. por defini#"o. em que o sistema legal sancionado pelo *stado quase n"o tem uma efetiva presen#a.ticos descritos. e at! servis44K. nem educa#"o. Parte do problema está em que essas .ticas.ses. se n"o generali adas. . ! que em muitas democracias. 'ome#o por tra er 2 baila situa#$es que ho0e s"o raras nos pa. quando n"o inteiramente inacess. os que têm acesso a uma cidadania civil mutilada. 849 (nalisei em se#$es anteriores as liberdades enumeradas em muitas defini#$es da democracia e assinalei os problemas de limites que todas elas apresentam. Outra maneira de pensar esse problema ! considerar a maneira muito desigual como o capitalismo se expandiu nesses pa. e com exce#$es cu0a import:ncia empalidece quando comparadas com a hist-ria de muitas das novas democracias  antes que a aposta democrática fosse adotada.SS1. onas pardas.ses.DI5R. o direito 2 sindicali a#"o+ em que a pol.

Pobre as material e legal fa em parte da situa#"o real de grandes parcelas 3em alguns pa. deve isolar cuidadosamente variáveis legais. afirmam que isso deixa claro que a . essas opini$es s"o inquietantes. (lguns observadores. ambos os problemas. alguns observadores respondem com um perempt-rio . e um regime consiste de comportamentos e institui#$es cu0a análise. a piorá&la.ses atingidos por esses problemas. Ias. onas pardas.tica da a"enc# civil e social. de modo geral. e pelos ide-logos e moralistas de toda sorte. n"o ! uma boa ra "o para ignorá&los nas novas democracias. O nexo estreito que estabeleci entre direitos pol. como eu.ses governos democraticamente eleitos têm sido incapa es de melhorar uma situa#"o moralmente t"o repugnante e chegam mesmo. acreditam que a despeito de suas limita#$es o regime democrático ! uma conquista valiosa. eRou pertencem a grupos discriminados.n"o.E7.vida de escolhas for#adas. 2s ve es.D. principalmente os que moram nas . @alvo no caso de indiv.nimas compat. assim como seu fundamento comum nos conceitos de a"enc# e de tratamento equitativo que esta demanda. Ama quest"o fundamental a ser examinada nessas novas democracias  talve a mais importante do ponto de vista que adotei  ! at! que ponto e em que condi#$es os pobres e os discriminados podem recorrer 2s liberdades pol.ticos. a mis!ria extrema e generali ada e o constante temor n"o s"o problemas s!rios nos pa. 45L6<4. tema sobre o qual @hNlar 345L57 escreveu com tanta eloq9ência e que atormenta a vida de muitas pessoas nesses pa.nimo de op#$es n"o for#adas. ao menos para aquela que pretende incluir casos em que predominam as condi#$es que acabo de descrever.ses da maioria7 da popula#"o de novas e velhas democracias. 3esta ! a express"o sint!tica usada pela literatura pertinente7 pela desnutri#"o e pelas doen#as t. o da mis!ria e o do constante temor da violência.ficas.picas da extrema pobre a44L. inclusive a disponibilidade de op#$es m. Para aqueles que. n"o passa de um disfarce para enormes desigualdades  e esta ! uma das origens da prolifera#"o dos ad0etivos e qualificativos compilados por 'ollier e )evitsNB 3455K7. n"o ve0o como se possa ignorar esses problemas. . 2 pergunta sobre a relev:ncia dessa situa#"o< chegam a lamentá&la. mostram que a posi#"o desses autores ! insustentável. ! intrinsecamente contrária 2 a"enc# 3Va .ao passo que as anteriores se referem a uma pobre a legal. Iais preocupante ainda ! ver que em muitos pa. impedem a existência ou o exerc.democracia. no )este e no @ul. *ssas quest$es s"o ignoradas pela maioria das teorias da democracia445. O fato de que. na medida em que a democracia implica a a"enc# e esta n"o tem sentido algum sem um grau m.ticas de um regime democrático como plataforma de prote#"o e fonte de poder nas lutas pela amplia#"o dos direitos civis e sociais4. civis e sociais. sociais e econ1micas. legais ou hist-ricos para separar a a"enc# pol.cio de aspectos básicos da a"enc#. Por outro lado.veis com ela+ essa . mas pensam que uma teoria da democracia tem a ver com um regime. ! melhor deixar que essas condi#$es se0am tratadas pelas profiss$es espec. =imos que n"o há fundamentos l-gicos. a n"o ser que se admita uma grave perda de parcim1nia.ses.atrofiado.ses originários. Penso que a teoria democrática deve enfrentar de maneira decidida duas quest$es< uma ! a simples e trágica situa#"o das centenas de milh$es de pessoas cu0o desenvolvimento f.sico e emocional ! . Ama pergunta importante que se deve fa er ! se esses fatos s"o relevantes para uma teoria da democracia. *m todo caso.duos realmente excepcionais. especialmente nos pa. Outra quest"o ! viver sob o constante temor da violência.

/5*+. a despeito de suas deficiências em outros aspectos.das na defini#"o de um regime democrático. assim como observei em rela#"o a outros assuntos. 0ustificam avalia#$es sobre os vários graus ou tipos de democrati a#"o política dos pa.s como . essa determina#"o ! puramente negativa+ ela n"o nos di em que ponto ou linha as op#$es de a"enc# podem ser consideradas satisfeitas. que preferem limitar a abrangência dessa teoria ao regime.. INDI(. ( concep#"o do ser humano como agente liga indissoluvelmente as esferas precedentes e vincula logicamente sua pertinência 2 teoria democrática. Por!m. básicas inclu. O que.S Pá um tema sobre o qual apenas me referi brevemente. Onde e em base a que crit!rios podemos tra#ar uma linha a partir da qual seria poss. mesmo no :mbito do regime. 'omo deixei muitos t-picos para analisar em futuros textos e. Y=. principalmente.*IS.R. *xige tamb!m a existência de um sistema legal que.ses originários quanto dos .vel. C*!*R. garanta a vigência universalista e includente dos direitos positivos de votar e ser votado. porque ! amplo e importante demais para ser discutido neste artigo.04. e assim como vimos com diversos direitos e liberdades. como a amplia#"o do :mbito da teoria democrática que estou propondo contradi boa parte das opini$es predominantes. os portadores dos direitos e obriga#$es institu.s. assim como de algumas liberdades . pode ser /til resumir em algumas proposi#$es o terreno percorrido. a existência de um regime democrático basta para 3por meton. (demais. apenas por indu#"o  condi#$es de tamanha priva#"o que deixem pouca margem de d/vida quanto 2 nega#"o da a"enc#..S %.dos pelo regime. em diferentes !pocas e casos.S CIN.S %R-%-SI04.ticos. (inda no :mbito do regime. de deixar algumas indica#$es para futuras pesquisas. como fi com outros t-picos. a quest"o das op#$es que realmente habilitam a a"enc# ! indecid. 0ustificam avalia#$es sobre os vários graus de democrati a#"o civil e social de cada pa. os crit!rios relevantes passaram por importantes mudan#as na hist-ria tanto dos pa.IS Wi emos uma longa e complexa incurs"o no campo da teoria democrática. em diferentes !pocas e casos. embora preliminar em vários aspectos. (ceitando o uso corrente. ainda que nele existam s!rias deficiências quanto 2 efetividade dos direitos civis e sociais. várias caracter.S %.vel desses direitos e liberdades significa que. Y?Y.democrático. Gostaria. e por ra $es equivalentes. a nature a em /ltima inst:ncia indecid. YY. sobretudo na medida em que essa concep#"o ! tecida pelo sistema legal nos m/ltiplos espa#os sociais. um alto grau de vigência desses direitos e liberdades. isto !.sticas do *stado 3especialmente seu sistema legal7 e do contexto social geral.duoZ Podemos estabelecer  embora. por!m. salvo casos claramente locali ados nos p-los de plena vigência e de nega#"o desses direitos e liberdades. Y=?.ses que incluem esses regimes.S. ( existência desse regime requer um *stado que delimita territorialmente quem s"o seus cidad"os pol. mais uma ve .mia7 qualificar um pa. 0unto com medidas que aumentam a participa#"o dos cidad"os e a transparência e responsabilidade p/blica dos governos. inclusive no regime. Y=??. surgir"o disputas quanto ao caráter democrático ou n"o democrático do regime. 'ontudo.ticas. Iais al!m do regime.vel afirmar que a a"enc# tem condi#$es reais e efetivas de existir para cada indiv.pol. Y=???.

relacionei&os ao *stado 3com aten#"o especial ao sistema 0ur. talve possa sinteti ar boa parte de minha argumenta#"o lembrando que o ponto a que chegamos  uma defini#"o realista e restritiva de regime democrático  . Cesse sentido. 'reio que uma expans"o se fa necessária tanto para a teoria democrática tout court como para orientar a enorme agenda de pesquisas ainda pendentes no estudo comparativo da democracia.ses que contam com menos recursos que os pioneiros. mas achei necessário precisá&las. examinei as implica#$es l-gicas e algumas conseq9ências emp. *m s. a sempre poss.vel das liberdades pol. essas sinali a#$es talve apontem para caminhos pelos quais se poderia expandir uma teoria da democracia. em rela#"o ao regime e depois. (nalisei esses aspectos. especialmente as de . que tem nexos diversos 3entre pa. que confere 2 democracia sua din:mica peculiar e sua abertura hist-rica. a certas quest$es morais+ posteriormente. O verdade que muitas regras que regulam essa competi#"o s"o determinadas pelo regime.ticas destinadas a habilitar a a"enc# dos indiv. press$es e protestos que alimentam essas lutas. tomando como ponto de partida o terreno relativamente firme que espero ter atingido com uma defini#"o realista e restritiva de regime democrático.ticas. varia caso a caso+ mas a atribui#"o universalista de liberdades pol.tica 3ou poliarquia. 'onforme adverti na ?ntrodu#"o. (-D. (o propor uma defini#"o realista e restritiva de regime democrático. 'ontudo.duos. no fundo. pol. com as quais em geral concordo.tico s"o deficientes. e em que n. por fim.veis. *xaminei neste artigo várias dimens$es contidas ou conseq9entes 2s defini#$es de democracia pol.tica na democracia. al!m dele. embora de modo sumário. constituem o campo no qual se reali a a competi#"o pol. primeiro. a das op#$es que habilitam a a"enc#.ticas e a aposta includente geram pelo menos um embri"o de esfera p/blica. sub0acente a todas as quest$es anteriores.veis.sticas do contexto social geral.vel extens"o ou retra#"o dos direitos sociais e civis e.ses e entre !pocas7 com as várias -rbitas de luta social e pol. e assinalei alguns aspectos que extravasam. mas tamb!m ! certo que as lutas pela expans"o e limita#"o de direitos. *ntretanto. com limites indecid.ricas de seus atributos e componentes. ao mesmo tempo. ou regime democrático7. para quest$es mais amplas. a algumas caracter. um fato que mencionei de passagem no in.cil definir crit!rios que possam ser aplicados a pa. ( condi#"o indecid. O claro que o que se demanda.ndole realista. descobrimos um aspecto comum a tudo isso< a a"enc#. por!m. pode ser usada como base para delibera#$es. como e em que áreas. debates. essas conex$es s"o aqui apresentadas apenas para sinali ar t-picos a serem explorados em futuros trabalhos. s"o travadas dentro do regime e. as várias dimens$es da democracia inevitavelmente extravasam para todos os aspectos em que a a"enc# está em 0ogo. *ssa esfera. e assim deverá continuar.ntese.tica.cio deste texto adquire especial relev:ncia< a atribui#"o universalista de liberdades pol.dico que o integra7 e. O ainda mais dif.novos. ?sto pode causar problemas para uma mentalidade geom!trica+ creio.ticas e a aposta includente geram possibilidades de habilita#"o de que todos os outros tipos de regime pol. Durante essas explora#$es. assim como para decidir se deve haver.

o significado de a"enc# e. por conseguinte. e seus resultados foram publicados em MoNman e O’Donnell 3455L7.H 4. >arl e IainSaring7 em uma s!rie especial do >ellogg ?nstitute. ?ppolito&O’Donnell 3no prelo7 e %artell e O’Donnell 3no prelo7. Quan )in . GC. 'hile e Aruguai e outro que examinou a situa#"o atual da inf:ncia. Qorgen *lNlit. responsabilidade e ra oabilidade atribu. M.ses inteiros. na (m!rica )atina. respectivamente. o uso particular do termo . . *ntre outros estudos patrocinados pelo >ellogg ?nstitute nos quais tive menor participa#"o. mas de que muito me beneficiei. 'onaghan. @idneB MarroS. E. estarem equivocadas. Oscar )andi. que o autor adota neste artigo. Dahl. . Peter IoodB. no [issenschafts entrum de %erlim. ocasi$es em que recebi valiosos comentários. O pro0eto foi coordenado por mim e por (braham )oSenthal. =er.da aos cidad"os pelo sistema legal no regime democrático. *sses pro0etos tamb!m dever"o ser publicados em livro proximamente.mia a pa. 'harles MillB. na 'ornell AniversitB. *sse pro0eto foi coordenado por mim e por =. %rasil. *rnesto Gar -n =ald!s. da AniversitB of Cotre Dame. F. especialmente da inf:ncia pobre. @eu principal produto foram artigos publicados em 455F 3'asta^eda. que ! sinteti ada pelo autor na palavra a"enc#. na reuni"o de agosto de 4555 da (merican Political @cience (ssociation U (P@(. (bal Iedina. Osvaldo ?a etta. Vobert Wishman. 3Vecebido para publica#"o em de embro de 45557 N-!. @cott IainSaring.ctor MoNman. J.ticas e os comentários de Iichael %rie.agente. Quan I.. Iartha Ierritt. *ssas cr. Qonathan PartlBn. incluo muitas opini$es sobre a .S: \ =ers$es anteriores deste artigo foram apresentadas em seminários reali ados na AniversitB of Corth 'arolina. ?ván QaNsic. que depois conclu.ticas est"o em O’Donnell 3455Fb+ 455J7. *sse pro0eto foi coordenado pelos co&autores do livro. em (tlanta. e tamb!m nos indica que vários importantes caminhos ainda est"o por trilhar. P!ctor @chamis. Pans&Qoachim )auth. =er na oitava e d!cima se#$es. onde podem ser solicitados. (grade#o tamb!m as cr. e no Pelen >ellogg ?nstitute. (dam Pr eSorsNi. @teven )evitsNB.se aplica por meton.ticas sociais na (rgentina. e principalmente na nota 6. Ceste texto. (shutosh =arshneB e Vuth ]immerling. est"o< um que analisou a situa#"o depois da democrati a#"o do *stado de %em&*star e das pol.. )uis Pásara. C"o encontrei em português uma palavra ou express"o que desse conta simultaneamente da presun#"o de autonomia. publicado pela primeira ve no %rasil em 45LL. Gerardo IuncN. ?sso nos sugere a import:ncia do regime e de sua defini#"o.consolida#"o democrática. Gabriela ?ppolito&O’Donnell.

(doto a express"o . K. 4.. que fa referência ao *stado e n"o mais apenas ao regime. 4F. L. Ias ainda resta muito por fa er.LJ. destacam&se as excelentes contribui#$es de 'ollier e 'ollier 345547 e VueschemeBer et alii 3455.ses que se democrati aram no quadrante Coroeste do mundo. a despeito do t. 'om o segundo atributo. mais a (ustrália e a Cova ]el:ndia.. @artori 3455J7 tamb!m criticou esse modo de proceder+ no entanto.D e passim7. Para uma proveitosa discuss"o desses procedimentos. 4K. Dentre os trabalhos reali ados com essa perspectiva e que focali am no todo ou em parte a (m!rica )atina. 4L. 4J. o qual. Pá uma formula#"o semelhante na página . tamb!m notou7. Iais adiante defino o que entendo por elei#$es limpas. 45. tanto em rela#"o 2 (m!rica )atina quanto para compará&la com outras regi$es do mundo. Ama exce#"o ! Cun 345LK7.ses originários. neste momento.pa. se afasta do minimalismo confesso de outras defini#$es aqui transcritas.tulo 3Iinimalist 'onception of DemocracB< ( Defense7. 46. =er O’Donnell 3455E+ 455Fb+ 4556a+ 4556b7+ os três primeiros est"o reunidos em O’Donnell 34555a7. Pr eSorsNi 3455L7 prop1s uma outra caracteri a#"o da democracia em um texto que. 45LK. 'om este termo. alguns autores se referem a defini#$es que pretendem focali ar exclusivamente o . conforme veremos a seguir  que sua defini#"o ! minimalista. Ias n"o precisamos nos deter nisso. ?mportantes reflex$es sobre as armadilhas da parcim1nia precoce ou in0ustificada encontram&se em >ing. mas o que ele di pode muito bem ser aplicado ao conceito de democracia. Iais recentemente. ver novamente 'ollier e )evitsNB 3455K7. 5.6. IuncN 3455L7 cont!m uma excelente discuss"o desse tema. critica @chumpeter por alegar  sem nenhuma consistência.minimalismo. 'omo esse significado equivale ao de . de elei#$es. . nossas opini$es sobre como enfocar os problemas s"o muito diferentes. Part discute defini#$es do direito.7. depois de chamar a aten#"o para essa omiss"o por parte da literatura 3que Peld. >eohane e =erba 3455F<. 44. esses autores introdu em um novo elemento. 4E.processo. 4D. como uma forma sint!tica de me referir aos primeiros pa. daqui por diante adotarei apenas o /ltimo termo ao mencionar esse tipo de defini#"o.

=er Pabermas 34556<.tica deliberativa. Ias nada disso ! feito G. Go povoH governa a si mesmo. Para evitar mal& entendidos. ainda. como a de [eingast 3455K7... determinando&se suas condi#$es de possibilidade.4. 'onsiderando&se que. e quando todos os cidad"os sensatos pensam em si mesmos. 3VaSls.H.. *ntre as várias defini#$es um tanto diferentes que Dahl formulou. a defini#"o de %eetham 3455E<647< . quando se trata de uma quest"o constitucional essencial ou de um assunto de 0usti#a básica. elas s"o parte integrante das democracias reais. em princ. al!m do mais.D7.duos privados e dependentes em cidad"os livres. na ausência de um terreno independente. está formulado no sub0untivo. a de @hapiro 34556<. Vecentemente.tica democrática e que.(ssim. a delibera#"o...'ada conceito dessa defini#"o ! explicado minuciosamente. Ou. por exemplo.. e interesses privados e parciais em bens p/blicos. .ticas p/blicas . . e por conseq9ência.sticas< . 455K<KKD7 Para comentários prudentes sobre várias teorias . =er.. exceto a palavra Tpoderiam’.H. da democracia.tima.cita 2s elei#$es.. .347 funcion-rios eleitos. resolve conflitos.D.567< . sabe&se que em casos desse tipo a afirma#"o deve ser especificada. o que poderia gerar um acordo racionalZ. Qohnson 3455L7 e Wearon 3455L7.E. da democracia. O mesmo vale para algumas defini#$es n"o prescritivas baseadas na teoria da escolha racional. se0a qual for a avalia#"o normativa das elei#$es que cada um dos autores fa . O controle sobre as decis$es governamentais de pol.pio.timo para a elabora#"o das leis’  p. sem que fiquem determinadas as condi#$es de possibilidade ou as implica#$es da ausência dessas condi#$es.nua e direta legisla#"o e de cria#"o de uma comunidade pol. idealmente. Mrata&se de um conceito modal que. 8uem determina. *ssa defini#"o. 3ênfases no original7. a meu ver.deliberativas. 44DH s"o aquelas com as quais todas as pessoas por elas afetadas poderiam concordar como part. que tamb!m ! pre0udicada pela proposi#"o de condi#$es hipot!ticas ideais. escolhi a que se encontra em Dahl 345L5<4. a defini#"o de %arber 345LF<4J47< . CiNlas )uhmann 3455L<46F7 contrap$e&se a esta e a outras defini#$es similares com argumentos que considero decisivos< . melhor será a democracia. Pabermas acrescenta< . o ato legal que expressa a opini"o da maioria ! uma lei leg. Desde >ant.pioH do governo pelo povo G. como legisladores se atêm 2 ra "o p/blica.o elemento central do processo democrático s"o os procedimentos da pol. 3ênfases minhas7.tica que se0a capa de transformar indiv..( essência da defini#"o de democracia está no controle popular do processo decis-rio coletivo por cidad"os iguais. mediante um processo participativo de cont.cipes de discursos racionais. tamb!m. . omite a referência pelo menos expl. Qohn VaSls prop1s uma defini#"o da lei leg. quanto mais deles houver.Os democratas est"o comprometidos Gcom o princ.. =er.(s /nicas normas de a#"o válidas Gentre as quais est"o as Tque estabelecem um procedimento leg. do tipo participativo.tima.Ama democracia forte.F7< . ver Iai 345567. ( poliarquia consiste das seguintes caracter. o diálogo e o debate têm um importante lugar na pol. a omiss"o pre0udica seriamente a utilidade de tais defini#$es. e como. gostaria de acrescentar desde logo que.. Ias isso n"o quer di er que uma esfera p/blica hipot!tica e ideali ada deva se tornar um componente da defini#"o ou um requisito para a democracia.. como outras de nature a prescritiva. Ca página 4DK. com a qual Pabermas disfar#a o problema.. todas as autoridades governamentais pertinentes agem de acordo com a ra "o p/blica. centrada nas limita#$es impostas aos governantes e nas garantias dos governados. O povo ! soberano+ em todas as quest$es da vida coletiva.

'omo vários autores discutiram esse tema recentemente 3)in e @tepan. 'om esta nota. Vefiro&me 2 existência de um dom. a partir de certo grau. devido a profundas diferen#as entre partidos no acesso aos recursos econ1micos./es li0res e limpas+ 3E7 os funcion-rios eleitos s"o escolhidos Ge removidos de seus cargos por procedimentos pac.nio territorial incontestado que define univocamente o eleitorado. ver IainSaring. Cote&se que. n"o fosse por isso. Para uma boa discuss"o desse e de outros assuntos relacionados. 2s ve es significativamente mais. 4554+ Pr eSorsNi et alii. 455F7. 'om isso. no entanto.7 elei.L. a super&representa#"o pode se tornar t"o acentuada que elimine toda aparência de vota#"o igualitária. como acontecia em certos parlamentos medievais. os cidad"os tamb!m têm o direito de formar associa#$es ou organi a#$es relativamente independentes. . embora se trate de uma precondi#"o estrutural das elei#$es competitivas mais do que de um de seus atributos. . . qualquer que fosse o n/mero de seus representantes e representados. no caso de um sistema de elei#$es plurais. entre elas partidos pol.6. nas quais a coer#"o ! comparativamente rara+ 3F7 praticamente todos os adultos têm o direito de concorrer a car"os p1&licos+ 3J li&erdade de e'press2o+ 367 existência de informa.EEH mediante elei#$es freq9entes e isentas. Pr eSorsNi me fe ver que o uso que fa#o do termo .decisivo.ticos independentes e grupos de interesse.veis7. 4555+ @amuels e @nBder. liberdade de 3acesso 27 informa#"o alternativa e liberdade de associa#"o. n"o o abordarei aqui. do que os de outros lugares 3em rela#"o 2 (m!rica )atina e 2 super&representa#"o de alguns distritos em certos pa. dariam provas de significativas clivagens sociais.nio.! constitucionalmente exercido por funcionários eleitos+ 3.2o alternati0a. *ssa advertência aponta.ses.irreversibilidade e' post. Para concreti ar seus vários direitos. inclusive os acima relacionados. . cada voto deve ser computado como um voto 3ou. denomino&as de liberdade de express"o.vel confus"o. 455L7. O que estou di endo ! que. um procedimento que gera uma /nica decis"o em um con0unto de alternativas dispon. poderia ser confundido com o significado que a palavra assumiu na literatura sobre a teoria da escolha social 3ou se0a. Veformulando um pouco as palavras de Dahl. . nos quais o voto era computado por estamentos.caráter decisivo. 4556<46&EK+ Offe. ver *lNlit e @vensson 3455K7.J. e a análise de )in 3455L7 sobre a democracia como um governo pro tempore. das elei#$es 3ver O’Donnell. espero ter dissipado essa poss. onde se pode encontrar uma discuss"o mais desenvolvida do tema7. poucas elei#$es s"o perfeitamente competitivas+ podem haver importantes restri#$es factuais. O preciso estabelecer uma outra condi#"o. um tema que n"o posso abordar neste artigo. assim como nos mercados. para a quest"o dos diferentes graus de democrati a#"o do regime.F.. 4556a. digamos assim.ficos  p. @"o exce#$es a discuss"o da . deixo de levar em considera#"o o complicado problema  n"o tenho nem espa#o nem conhecimentos para resolvê&lo aqui  das regras de agrega#"o de votos. na mesma quantidade de todos os demais7. GinclusiveH de fontes alternativas de informa#"o. 4556+ @chmitter. O claro que.K. *m uma conversa pessoal 30unho de 45557.2o. . Ias esses autores tratam apenas de alguns aspectos do que eu denomino de . das elei#$es democráticas em Pr eSorsNi et alii 34556<J47. . protegidas pela lei+ 3K7 autonomia de associa. no momento do escrut. que fa em com que votos de determinados distritos na realidade pesem mais. ou ent"o barreiras elevadas 2 forma#"o de partidos que.

'omo afirmam Pr eSorsNi 34554<. n"o serem competitivas. com as exce#$es 0á apontadas. esses autores n"o est"o falando de elei#$es. fa#o apenas uma discuss"o muito gen!rica das modalidades de exerc. mas neste momento n"o preciso discutir essa sutile a. O -bvio que essa possibilidade n"o ! ignorada nos estudos regionais ou por pa. Go /nico 0ogo existenteH. Iesmo que os agentes preve0am que as elei#$es em t4 ser"o competitivas.tica ! que. EK. de onde exercem uma autoridade legalmente definida sobre o resto da configura#"o.tica. e nada di sobre as modalidades de exerc. EJ. ver Garret-n 345LK+ 45L57 e =alen uela 3455. a democracia este0a consolidada 3como alega. de diferentes alturas. Ia uca 3455L7 argumenta convincentemente sobre a conveniência de fa er essa distin#"o  que vem desde (rist-teles. (dvirto que essa defini#"o está incompleta< trata exclusivamente dos padr$es de acesso a posi#$es superiores no governo. EE.dilema do prisioneiro. com n/mero fixo de intera#$es. ou que outros aspectos do regime 3como os que se sup$e existentes nos pa.5.cio da autoridade. E5. Diamandouros e Puhle 345567. EF.ses. a meu ver. ver 'opi e 'ohen 3455L7. apenas funcionários eleitos ocupam as montanhas mais altas. E6. @obre o caso do 'hile. ED.ses originários ainda sobrevivem nas vers$es contempor:neas dessa teoria.rica. E. (diante voltarei a tratar de certos aspectos dessa literatura e de seu desafortunado rompimento com a maior parte da sociologia e da ciência pol. Puntington. E4. (nálises desses temas podem ser encontradas em O’Donnell 34556a+ 4556b7. EL. O que caracteri a a democracia pol. ( probabilidade de tal continuidade n"o significa que ap-s C elei#$es desse tipo. *sse problema deu origem a uma enorme produ#"o de textos por parte dos te-ricos do direito.. @obre defini#$es em geral. todas interligadas mas relativamente independentes entre si. FD. se acharem que existe uma boa probabilidade de as elei#$es em t. tender"o a usar esse tipo de recurso extra&eleitoral 0á em t4..67 e )in e @tepan 34556<J7. bem como na r!plica de Gunther. mas da democracia como . 45547. ( bem di er. O mapa dessas montanhas ! o das organi a#$es que comp$em o aparelho de *stado. ( ra "o pela qual emprego este termo entre aspas ficará clara mais adiante.cio da autoridade ligada aos cargos. por exemplo. O’Donnell 3455Fa+ 4556a7 desenvolve essa argumenta#"o. tema que pretendo desenvolver em um futuro trabalho.7.ses originários7 este0am institucionali ados ou em processo de institucionali a#"o. Ias.citos 3nem sempre corretos7 sobre os pa. at! que ponto esses atributos de fato vigoram se0a uma quest"o de verifica#"o emp. neste artigo. the onl# "ame in town. *mbora. com um /nico caminho que leva at! o cume. como observado na nota JD. Ama boa imagem talve se0a a de uma cadeia de montanhas interligadas. O fato de n"o ter tido suficiente repercuss"o na teoria democrática di muito. por uma regress"o bem analisada nos estudos sobre o . sobre a tenacidade com que pressupostos impl. .

pelo menos.C"o foi em busca de comida que o povo saiu 2s ruas em 45L5 e 4554 na *uropa 'entral e Oriental.ses o t.. a igualdade perante a lei e um Poder Qudiciário independente e n"o discriminador. a reali a#"o de elei#$es nacionais.vel das liberdades pol. 'ontudo. FK.os direitos est"o permanentemente se ampliando e se restringindo.democráticos.ontal accounta&ilit#H. FJ.ticas 3e dos diferentes graus de competitividade de cada elei#"o. tema que como 0á afirmei n"o posso discutir neste artigo7. (martBa @en 3455E<EE&EF7 afirma com toda a ra "o< .o que a liberdade de palavra significa para a 0urisprudência americana contempor:nea n"o ! o que significava há cinq9enta ou cem anos atrás.sticas est"o presentes ou n"o no con0unto de casos gerados pela defini#"o realista e restritiva que proponho.aspira#$es 2 liberdade. como a responsabilidade p/blica hori ontal Ghori. F. al!m dos costumeiros atributos postulados pelas defini#$es realistas. Por exemplo.. ao contrário. *sse procedimento facilitaria o estudo..ses p-s&comunistas tamb!m se aplica a outras regi$es< . Polmes e @unstein 34555<4DF7.. Diamond 34555<447 inclui. Co entanto. afirmam que . (l!m disso.ses originários costumam aplicar crit!rios muito indulgentes 3basicamente. est"o muito difundidas. s"o essenciais para a maioria dos cidad"os nas novas democracias. C"o tenho d/vidas de que esses aspectos s"o altamente dese0áveis. mas tamb!m creio que. ao longo do tempo e entre os diversos casos. por!m. 4555 e Pinheiro. em ve de transformá&los em componentes da defini#"o de democracia.ses em fun#"o dos atributos que venho examinando 3como os da Wreedom Pouse7. Outros atores. 45557. n"o ve0o como evitar esse problema.sticas.. entre outros. (lguns casos se situam.E7 sobre sua pesquisa a respeito dos pa. sobretudo quando mantêm rela#$es amistosas com os governos destes /ltimos.. *sses autores acrescentam que . Por exemplo. sem a preocupa#"o de averiguar se há competitividade7 para conferir a outros pa. mas de liberdade. outras caracter. dado o caráter indecid. embora se0am operacionali a#$es bastante grosseiras dos conceitos sub0acentes. (s conclus$es de >lingeman e Pofferbert 3455L<.F4. (s classifica#$es de pa. a formula#"o exata dessa id!ia deve procurar captar a ambig9idade em ve de escondê&la ou eliminá&la. Ias uma melhor elucida#"o da defini#"o de regime democrático poderia minimi ar a dificuldade ou.sticas que Diamond postula. em uma ona de sombra entre esses dois p-los. seria mais proveitoso estudar at! que ponto essas e outras caracter. esclarecer em cada caso quais s"o seus aspectos problemáticos.tulo de . 3ênfase no original7 FF.. .@e uma id!ia básica cont!m uma ambig9idade essencial. @obre esse tema ver Vose e Iishler 345567. I!nde . essas classifica#$es n"o escapam do problema dos limites externos e internos que assinalo neste texto. por exemplo. %aseado em outro estudo que analisou um grande n/mero de entrevistas. F6. *mbora tratando de outro assunto 3os conceitos de igualdade7. [el el e ?nglehart 345557 concluem que as . os governos dos pa. independentemente de sua influência mais ou menos direta sobre as elei#$es competitivas 3ver. 3i&idem7 FE. das diferen#as e mudan#as produ idas nas caracter. exigem o respeito efetivo e generali ado a uma s!rie de direitos humanos. em sua defini#"o de . outros atores adotam crit!rios diferentes. por exemplo.democracia liberal.

mas 2 maneira como avaliavam as escolhas dos demais eleitores entre candidatos e partidos concorrentes. esperando com isso legitimar seus governos.vel de instru#"o secundária ou superior. como deixa claro o exemplo brasileiro exposto na nota anterior.FL. nesse ponto.democracias populares. *stou formulando uma ra "o de ordem epistemol-gica para o caráter indecid. >lingeman 3455L7 mostra dados a respeito do apoio 2 democracia . depende em sua efetividade das expectativas sub0etivas dos atores relevantes. Pá outras ra $es concorrentes que n"o tenho como discutir neste momento.ses originários esse risco foi atenuado por diversos arran0os institucionais. .7 JJ. Ias isso ! irrelevante neste ponto de minha argumenta#"o. L. e nas aberra#$es adotadas por muitos l._+ `frica. Am deles. em maio de 45557 me fe ver que. J4. =eremos.. suas conota#$es normativas positivas tamb!m se evidenciaram na maneira como os regimes comunistas se autodenominavam de . a institucionali a#"o da aposta depende diretamente dessas regras e ! relativamente independente das opini$es dos indiv.duos concretos.democracia autoritária.. por!m. Co entanto. (s m!dias regionais obtidas por esse autor s"o as seguintes< *uropa Ocidental.ticas.Os brasileiros sabem votarZ. no esplêndido oximoro que o 'hile de Pinochet inventou para designar seu regime 3. at! mesmo da maioria deles. para sua amplia#"o.como uma forma de governo. que nos pa. embora este0am todos legalmente obrigados a aceitar a aposta. 5D_+ *uropa Oriental. JE. com base em entrevistas reali adas nas antigas e muitas das novas democracias. estava claro para os entrevistados que a pergunta n"o se referia 2 mec:nica da vota#"o.os diversos ob0etos aos quais se pode aplicar corretamente um termo+ sua denota#"o. =oltarei a este tema mais adiante. 2 pergunta< . J. apesar de respaldado pelas regras 0ur..7. presumivelmente. JD. entre de embro de 4554 e 0aneiro de 455. *mbora a aceita#"o em geral desses direitos contribua para seu prolongamento no tempo e. L6_ e (ustráliaROceania. no passado e no presente. para convocar algum tipo de elei#"o. espantosos K5_ dos entrevistados responderam .C"o. *sta afirma#"o exige ressalvas em termos das legisla#$es civil e social que visam beneficiar setores desfavorecidos. *m uma pesquisa que reali ei na área metropolitana de @"o Paulo.dicas 3inclusive constitucionais7 que as sancionam.ses esses e"os que fa em ob0e#$es podem ser uma multid"o. *m alguns pa. *rnesto Gar -n =ald!s 3durante conversa reali ada em %onn. L6_+ (m!ricas do Corte e 'entral. o das elei#$es competitivas. JF.. *mbora nos /ltimos tempos o valor da democracia tenha subido no mercado mundial das ideologias pol. J6.vel dessa mat!ria. *ssa porcentagem subiu para LF_ entre os entrevistados de n.deres autoritários. 3Co contexto. Por extens"o entendem&se . LF_+ (m!rica do @ul. LE_. toco em dois tipos de institucionali a#"o que n"o s"o exatamente equivalentes. F5. L4_+ `sia. 3'opi e 'ohen 455L<65D7.

@obre essas resistências. Veis 345LF7 e >ohlberg 345L4+ 45LF7.tica.JK.H destinada a transferir o poder que está nas m"os da propriedade e da inteligência para as m"os de homens cu0a vida ! necessariamente devotada 2 luta cotidiana pela subsistência ! um dos maiores perigos. a conquista da democracia pol. 4554<5F7. Qá observei que vários autores discutiram com propriedade esse tema 3)in e @tepan. de outro. responsabilidade e ra oabilidade ao indiv.tica includente 3ver Pill. 4554+ Pr eSorsNi et alii. de um lado. evidentemente. alguns autores. [eber 3456L7. ( existência precoce do sufrágio em :mbito nacional revelou&se puramente nominal devido 2s rigorosas restri#$es impostas aos negros e . 455F7.. ver. muitos autores que se orientam por diversas perspectivas te-ricas. .. e nas teorias 0ur.. 455D+ Griffin. nem mesmo quanto ao sufrágio universal masculino. O interessante notar que. e nenhuma exce#"o pode ser moral ou 0uridicamente admiss. 6F. )ind eB e 'ampbell. (pesar de freq9entes declara#$es em contrário. 'omo disse Dahl 345L5<4DL7< .7. n"o s"o poucas as teorias da personalidade que. 45F57. Permet 345LE7 e Vosanvallon 3455. partindo de perspectivas pr-prias. Goldstein 345LE7. 6D. os *stados Anidos n"o s"o uma exce#"o a esse respeito. Ias na forma ampla em que defini o termo neste artigo. 4556+ @chmitter. 4556. na esteira do movimento dos direitos civis.voco. GeSirth 345KL+ 45567 e Dagger 3455K7. 455L7. por seu turno. compartilham essa vis"o de a"enc# 3ou autonomia7..dica e pol. 4556<46&EK+ Offe. =er ainda a interessante análise deste /ltimo autor e de outros psic-logos evolutivos em Pabermas 34556<446&45F7. implica a existência de um dom. principalmente. =er %enn 345KJ&K67+ 'rittenden 3455. assim como o livro pioneiro de >eB. J5.7+ Dahl 345L57+ DSorNin 345LL7+ Wit maurice 3455E7+ Gar -n =ald!s 3455E7+ Pabermas 3455D+ 45567+ Peld 345LK7+ >ufliN 3455F7+ VaSls 345K4+ 455E7+ MaBlor 345LJ7 e. Deixo para trabalhos posteriores a discuss"o da 0ustificativa normativa da democracia. 3)oSe apud Pirschman. Gruber e =onache 345KK7. entre outros. como Va 345L6+ 455F7.H considero que uma proposta G. Daqui por diante. Por outro lado. 64. 455F+ %ensel. ( esse respeito.ndios. usarei o termo a"enc# para indicar a presun#"o eRou atribui#"o  dependendo do contexto  de autonomia. tamb!m destacam o conceito e o desenvolvimento da a"enc# como elemento fundamental de suas respectivas concep#$es 3ver Pall.tico inglês contrário 2 )ei de Veforma de 4L6K. especialmente no sul do pa. JL. ver Pirschman 345547. remontam 2 @egunda Guerra Iundial ou 2 d!cada de 6D.. apesar de importantes diferen#as e da diversidade de suas terminologias. a meu ver convincentemente. 6. 'omo afirmou um pol.+ 456J7 concordam com essa vis"o+ ver. 'onsidero particularmente /teis algumas obras que prestam aten#"o expressa aos nexos entre as quest$es morais e filos-ficas implicadas no conceito de a"enc#..nio territorial inconteste que define o eleitorado de modo un.como sou liberal G.O 1nus da prova Gda falta de autonomiaH sempre recairá na reivindica#"o de uma exce#"o. tamb!m. O que. 6E. Ias ! um ponto de partida s-lido.vel na ausência de uma evidência muito contundente. Por isso. as psicologias evolutivas de Piaget 345E. .duo.s.

6L. @obre essas influências ver. *m sentido estrito. segue&se que a lei deve ter como ob0eto apropriado o bem&estar do con0unto da comunidade G.O interesse pol.ficas de %acon. Para uma análise que coincide com a minha no que se refere 2 import:ncia pol. tamb!m. 'omo escreveu [eber 3456L<LJ. ou como uma express"o legali ada da mais 0usta distribui#"o segundo a ordem das coisas..duos e 2 sua li&ertas. @obre esse tema. que em uma ampla resenha sobre esse tema defende a tese de que nos /ltimos pa.odo mereceria muito mais do que a referência de passagem que posso fa er aqui. de modo que as pessoas que os celebram devem ser capa es de dar seu consentimento G. Pobbes. que resume muito bem essa teoria< . =on [right 3455E<4KK7 comenta que. ver Galston 3455J7. .tica das id!ias de a"enc# no ?luminismo. ( influência das id!ias cient. =er.6J. uma manifesta#"o de suas potencialidades no estado de nature a. (p-s chamar a aten#"o para a revolu#"o copernicana contra o aristotelismo que os novos m!todos anal. GordleB 345547 e )ieberman 3455L7. rompe de maneira decisiva com o aristotelismo e o antigo direito natural. 65.. e dado que cada homem ! uma parte dessa totalidade perfeita que ! a comunidade. Descartes e.<4E67 KD.. que vincula direitos aos indiv. especialmente. ao contrário.ticos e experimentais representaram. 3apud >ellB.tica natural. transcreve uma passagem de um livro escrito em 46DE pelo 0urista inglês [illiam WulbecNe. Para uma discuss"o dessas concep#$es organicistas relativamente 2 (m!rica )atina. ver @tepan 345KL7./es de eq9idade dentro de uma sociedade pol.( principal base dos contratos ! o consentimento. 66. 6K..H o consentimento nasce do conhecimento e da livre vontade de um indiv.. CeSton sobre essas concep#$es nesse per. estamos diante de uma vis"o sub0etivista e naturalista. mas há divergências quanto ao que aconteceu nos pa.H.tico na unifica#"o do sistema legal desempenhou um papel dominante Gna ado#"o e expans"o do direito racional& formalH. 'omo disse @anto Momás de (quino< . ..a Cature a ! o&*eto. K4. 455. 'assirer 345J47 e GaB 34566a+ 4566b7 ainda s"o fontes indispensáveis. principalmente. diretamente de seu entendimento suficiente G. pensa os direitos como atributos de um indiv.ses que seguem o direito consuetudinário.H. Os historiadores do direito concordam que nos pa. Pamburguer 345L5<..ses essa influência 0á era forte no s!culo Y=??.ses regidos pelo direito civil a teoria do contrato baseada na vontade alcan#ou decisiva influência nos s!culos Y=? e Y=??. em conseq9ência. que concebia os direitos e a lei como rela.7< . %endix 3456F7+ DBson 345LD7+ Poggi 345KL7+ @pruBt 3455F7+ e MillB 345KJ+ 45LJ+ 455D7. >riegel 3455J<EL&E57 afirma com acerto< . Galileu.JK7.. *m lugar de uma teoria realista e ob0etivista do direito. 3ênfases no original7.Dado que a parte guarda com o todo a mesma rela#"o que o imperfeito tem com o perfeito.duo. a lei tem como ob0eto primeiro e principal o ordenamento do bem comum. o homem ! su*eito e a"ente 3ênfases no original7.duo.. Veferindo&se 2 concep#"o de Pobbes 3e de @pino a7 sobre os direitos sub0etivos.*ssa defini#"o.

455..ticos. 3<4447 KL. KK. (ssim. caracter. foi substitu. pelo uso inteligente.*stado. .. ver *sping& (ndersen 345LJ+ 455D7+ Pr eSorsNi 345LJ7+ Pr eSorsNi e @prague 345LL7+ Vothstein 3455L7+ VueschemeBer et alii 3455.odo moderno . K5. 4556+ Vosanvallon.H 3<4DK7 Gantes da Vevolu#"o WrancesaH a no#"o de autonomia GindividualH G.H a coer#"o ! exercida em grau considerável pelos proprietários privados dos meios de produ#"o e aquisi#"o. KF.c-digo legal. QanoSsNi 3455L<. Ias apenas entre os pa.Portanto. 3=an 'aenegem.. a forma#"o do *stado e a expans"o do capitalismo tiveram. *ssa generali a#"o omite importantes varia#$es entre pa.7 concorda com essa id!ia< . KJ. que desencadeara as guerras religiosas.cio do per. em outras regi$es. deixa&se ao Tlivre’ crit!rio das partes aceitar as condi#$es impostas pelos que s"o economicamente mais fortes gra#as 2 garantia legal de sua propriedade.. Co mercado de trabalho.dico abstrato.pio de cuius re"io eius reli"io.do pelo princ.o trabalho assalariado deslocou os sistemas de aprendi agem.duos.ses do quadrante Coroeste do mundo.sticas e conseq9ências menos ben!ficas.. K6. n"o Iarx.. em geral. 'omo assinalam (lford e Wriedland 345L6<. =oltaire e. sem restri#$es legais. a conseq9ência da liberdade contratual !. . Cote&se que as origens da moderna legisla#"o sobre a propriedade remontam ao direito romano. um s. o princ. como meio de obter poder sobre outros. foram concebidas como resultado da livre vontade dos indiv. (crescento que isso tamb!m foi produto da expans"o paralela do capitalismo..ses de direito consuetudinário era mais complexa do que descrevi aqui+ mas esses complicadores n"o desmerecem o fato de que as novas rela#$es de trabalho. em primeiro lugar.ses.. entendidas como derivadas do direito de propriedade ou do de contrato. 455E7. com a importante exce#"o da escravid"o no sul dos *stados Anidos.J7. *ste ! um outro tema importante do ?luminismo que foi transposto para as leis por influência de %entham..GCos s!culos Y=?? e Y=???H os direitos universais 2 propriedade eram protegidos pelos tribunais bem antes dos direitos sociais e pol. no qual a propriedade era definida como exclusiva e transfer. %eccaria.vel. Vosanvallon 3455.duo pode ser entendida como uma parte da hist-ria dos direitos civis G.<4. MillB 3455K<LK7 comenta que no in. as partes interessadas em obter poder no mercado tamb!m est"o interessadas nessa ordem legal G. . KE.7+ e Offe e Preuss 345547. Iontesquieu. principalmente. Pabermas.K.. Ca vasta bibliografia sobre essa tema.pio de ..H 0á fora formulada no direito civil.ficos independentemente da estrutura social e responsável por seus atos. portador de direitos espec.H. 4554+ MillB. 455D+ e Momlins. tamb!m.+ @teinfeld.. 455. escravid"o e trabalho dom!stico agregado sob os quais todos haviam trabalhado at! ent"o. mas que n"o s"o essenciais para minha análise..( hist-ria do aparecimento do indiv. e mesmo a. 3ver. Orth 3455L7 mostra que a rela#"o hist-rica entre trabalho e leis de propriedade e contrato nos pa. da propriedade no mercado. cu0a propriedade ! garantida pela lei G.um s.FD7. O autor dessas frases ! [eber 3456L<KED&KE47..DD7 escreve que< . Cessa !poca. Posteriormente.o aparecimento do *stado foi progressivamente constituindo o indiv.duo como um su0eito 0ur. a cria#"o de oportunidades de usar esses recursos.

LE. pelo que sei. e o direito 2 0usti#a. prestaram muita aten#"o a essa 0uridifica#"o das esferas civil e econ1mica. isso tamb!m foi atoado em outros pa.. para agir de acordo com regras..Manto o conceito de trabalho livre quanto a id!ia de contrato voluntário e consensual se baseiam no mesmo entendimento do que significa ser uma pessoa 0ur. (s institui#$es econ1micas do contrato e da propriedade 0á implicavam uma concep#"o da pessoa 0ur..'om a Vevolu#"o. Vehg 34556<xxi&xxii7 escreveu o seguinte comentário< . n"o foram muito diferentes dos que se desencadearam nos pa. praticamente. e o direito 2 0usti#a. Ias para um estudo sobre o caráter defensivo dos primeiros esfor#os reali ados na Wran#a 3os quais.7.tica.duo.dica como livre e igual. L..7.odo de forma#"o ! a da progressiva adi#"o de novos direitos a um status que 0á existia e que era considerado pertinente a todos os membros adultos da comunidade. Durante o s!culo Y?Y. )ocNe. o direito 2 propriedade e o de celebrar contratos válidos. todo o povo francês obteve acesso aos tribunais.. 0unto com as obriga#$es de freq9entar a escola. prestar servi#o militar.. Vousseau.H a constitui#"o 0ur. LJ. um ser dotado do poder de criar direitos e de adquirir propriedades.verdadeiramente confiáveis. e.L7 observa que .H foram ampliados.. (dam @mith e outros ilustres membros do ?luminismo prestaram 2 educa#"o como instrumento fundamental de habilita#"o do indiv. Iarshall 3456F<4L7 comenta que< . Iais cedo ou mais tarde. os direitos civis incluem . n"o deixa de ser significativa a grande aten#"o que 'ondorcet.ses originários. depende inteiramente da posse de uma faculdade que pode ser indistintamente descrita como a capacidade de agir tendo em vista os fins para a auto& regula#"o voluntária. Veferindo&se a esses direitos. >ronman 345LE<4FF7 acrescenta< ..desde Pobbes. L4... pagar impostos individuais e cumprir outros deveres 0á ent"o comuns aos cidad"os. foram iniciados vigorosos esfor#os educacionais para assegurar que esses setores sociais se tornassem . portanto. Wa endo um comentário a [eber. (mbos pressup$em que a personalidade 0ur. seu status como portador e criador de direitos.dica.LD. Cesse sentido.os direitos indispensáveis 2 liberdade individual  liberdade da pessoa. os direitos G. como as de Corth 345547 e Corth e [eingast 345L57.vel das rela#$es contratuais que regiam a economia burguesa. Pabermas 34556<. responder aos censos.. 3idem<4D&447. liberdade de palavra. o prot-tipo da lei em geral s"o as normas do direito privado burguês.a liberdade da pessoa. LF. (s análises neo&institucionalistas. que se baseia na liberdade de celebrar contratos e de adquirir propriedades. o direito 2 propriedade e o de celebrar contratos válidos. ver Vosanvallon 3455. ?sso teve a longo pra o importantes efeitos democrati adores.Ca tradi#"o do contrato social que vem de Mhomas Pobbes G.dica da sociedade baseada nos direitos individuais parecia ser uma extens"o plaus. possuidora de direitos iguais. De acordo com Iarshall 3456F<K4&K. . de pensamento e de religi"o..duo 2 condi#"o de a"enc# na esfera pol. de pensamento e de religi"o. liberdade de palavra.ses originários7.( hist-ria dos direitos civis em seu per. Woram estes< .dica do indiv. (l!m disso. 'omo escreve MillB 3455F<K7 a respeito da Wran#a< .

ticos s"o os de %obbio 345L5+ 455D7+ Gar -n =ald!s 3455E7+ )in 3455L7+ Preuss 345L67+ e @artori 345LK7. me refiro 2 capacidade efetiva de fa er escolhas e 2 gama de op#$es de que cada indiv. generali ados e bem documentados sentimentos contra a in0usti#a representada pelas profundas desigualdades e riscos a que estavam expostas as pessoas durante sua vida profissional e nos locais de trabalho. 455. ( análise pioneira foi feita. minha análise desse tema t"o complexo ! rudimentar. acompanhando e apoiando essa evolu#"o. em que 0amais existiu a profunda divis"o entre teoria do direito e teoria pol. LL.tica europ!ia. por [eber 3456L7.cio de indiv. L5.tica que deu origem. que variou significativamente nos pa..duo realmente disp$e. Malve eu deva esclarecer que essa bibliografia nos leva a dedu ir que a motiva#"o inicial de algumas pol. especialmente nos *stados Anidos. *sta foi outra longa e complexa evolu#"o.+ e MrebilcocN. mas confio que se0a suficiente para destacar a parte da hist-ria 0ur. eu tenha discord:ncias quanto 2 sua abordagem geral. 54. Qones 3455F<LL7 formula claramente essa id!ia< . 5D. 56.@e n"o tivesse existido a social&democracia e se tantas pessoas . *stou mais uma ve expondo de modo sumário uma hist-ria muito complicada. (nalisei essa quest"o em vários textos. quando falo em . 45K5+ =an 'aenegem. =er as referências bibliográficas da nota K5. 5.( autoridade pol. das d!cadas de JD e 6D.dica que me interessa. a concep#"o individualista da teoria consensual do contrato 3e de outros direitos em geral7 foi revista no sentido de uma vis"o mais relacional dos direitos 3ver Dagger. principalmente no seu timin" 3ver (tiBah. Mal como enuncia a se#"o 4EL do '-digo 'ivil (lem"o. ver Va 345L67. (nálises coincidentes encontram&se em %rubaNer 3455.ticas sociais foi a de agir preventivamente contra questionamentos populares ou a de obter benef. ver Ianin 3455J7... %ismarcN disse< .op#$es.7 e Preuss 34556b7. =ale notar que. mais uma ve . 5E. Outros trabalhos que real#am a estreita rela#"o entre os fatores 0ur. LK. C"o posso tratar neste texto de outros aspectos power+ena&lin" das 'onstitui#$es. 5J. especialmente em O’Donnell 3455La+ 45LL7. embora.dicos e pol.cios setoriais estreitos. Para uma cuidadosa análise das op#$es e sua conex"o necessária com a id!ia de a"enc#. (ludindo 2 introdu#"o de leis sociais . como 0á observei. 'ertamente n"o ! por acaso que tanto esses autores quanto eu mesmo nos tenhamos formado na tradi#"o 0ur. @obre isto. Ama exce#"o ! Pabermas 345L6+ 45LL+ 45567.pelo alto. 5F. 455E7. ver Pardin 345L57+ Polmes 3455J7+ %ellamB 345567+ Pabermas 345567+ e Preuss 34556b7.tica ! autoridade sobre e em benef.dica e pol.revolu#"o behaviorista. O livro de (lexander 3no prelo7 e o de Gould 345557 tratam com detalhes valiosos dos diversos padr$es e ritmos desses processos na *uropa Ocidental.L6. 455K<.ses originários. Ias essas leis n"o teriam sido formuladas se n"o respondessem a intensos.duos investidos de direitos. Ceste artigo. Para uma discuss"o desses processos institucionais.4 e passim7. 2 . Daqui por diante.

pelo menos nominalmente. n"o nos deve surpreender que em sua cuidadosa resenha de muitas defini#$es de democracia 'ollier e )evitsNB 3455K<FFE7 concluam que< .ticas ! a situa#"o muito mais desfavorável dos pa. as cr. 4D4.materiali a#"o da lei. 5K.7 cont!m um argumento na mesma linha.ticas da . Vessalto. ainda há muito o que estudar sobre esse tema. 2 esquerda e 2 direita. ver ?ppolito&O’Donnell 3no prelo7. ver %roSn.Pá . 455J7.ses coloniais e semicoloniais cercaram a ado#"o dos sistemas 0ur. a partir da Declara#"o dos Direitos Pumanos das Ca#$es Anidas. 3Meubner. Para uma análise desse tema e de outros assuntos pertinentes. entre o pa#s r(el e o pa#s l("al. Am livro de QaNsic 3no prelo7 a respeito de (ndr!s %ello e de sua grande influência na ado#"o e adapta#"o de várias correntes da legisla#"o europ!ia em vários pa. tendo em vista o caso do %rasil e do cone sul da (m!rica )atina. 4D. [eber 3456L7 denominou esses processos de . de 45FL. *sse ! outro processo hist-rico extremamente complexo ao qual s.ses nos quais as pol. as conseq9ências dessa ofensiva têm sido particularmente devastadoras. Ca maioria dos pa. 4DF. Cesse ponto.ses da (m!rica )atina no s!culo Y=?? tamb!m ! relevante. criando uma esp!cie de ius "entium que a maioria dos governos.amos reali ado sequer os modestos progressos que agora estamos alcan#ando no campo das reformas sociais. *ssa concep#"o foi memoravelmente inscrita na Declara#"o Aniversal dos Direitos Pumanos da Vevolu#"o Wrancesa e na Primeira *menda da 'onstitui#"o dos *stados Anidos. 4DE.. respeita. 3apud Goldstein. Vecentemente. e na seq9ência de numerosas conven#$es e declara#$es internacionais. Mrata&se de uma literatura bem conhecida que n"o ! fundamental para minha análise. foi incorporada ao direito internacional. Wlathman 345K. Cesse texto analiso a fragilidade do componente liberal dessas democracias assim como do que chamo de sua dimens"o republicana. no )este e no @ul.ses da (m!rica )atina atingidos por graves crises econ1micas e caracteri ados pela fragilidade dos seus sistemas 0ur. Por exemplo. 45L6+ Preuss. 55.contamina#"o 0ur.posso fa er aqui uma rápida referência.ticas sociais foram adotadas ou postas em prática apenas parcialmente. 45LE<EF67. (rgumentos nesse sentido podem ser encontrados em DaIatta 345LK7+ Wox 3455Fa+ 455Fb7+ Ceves 3455F+ no prelo7+ @chaffer 3455L7+ e O’Donnell 3455E+ 4556a+ 4555c7.ticas negligenciam seriamente os avan#os na igualdade obtidos em muitos aspectos por esses processos. por introdu irem no direito racional&formal regras e crit!rios n"o universalistas de 0usti#a substantiva. por exemplo.dico e de prote#"o social. Os antrop-logos do direito estudaram as fascinantes ambig9idades que nos pa. O argumento contrafactual que deveria moderar essas cr. 45L67 produ ida por esses processos legais se espalharam.dica. a atual ofensiva neoconservadora visa exatamente anular essas pol. n"o ter. no entanto.n"o a tivessem temido. (o que eu saiba. por!m. 4DD. Posteriormente. 5L. que essas cr.dicos europeus e sua inter&rela#"o com as ordens legais preexistentes 3sobre o caso do *gito.ticas parcialmente iguali antes. O’Donnell 3455E7 apresenta as inumeráveis discuss$es geradas por essa dis0un#"o.

4DL. convergem nesse aspecto< (lchourr-n e %ulBgin 345K47+ Wuller 345L47+ Pabermas 345567+ Part 345647+ ?ngram 345LJ7+ e >elsen 345FJ7. 44J. =olto a lembrar. 44D.. que isso n"o invalida a utilidade de enumerar as liberdades pol. cu0as perspectivas. *sse tema deu origem a interessantes ramifica#$es que n"o posso seguir aqui+ por outro lado.7 que. 4DK. Discuto esse tema em O’Donnell 3455E+ 4555c7. uma 0unta militar. Para uma análise mais detalhada. por decis"o unilateral. =er. tamb!m... *m todos os outros regimes pol. . um partido de vanguarda.ses esse . apesar de diversas. %rodB 3sobre o sistema carcerário7 e Garro e 'orrea @util 3ambos sobre o acesso aos tribunais7 mostram de maneira conclusiva que na (m!rica )atina esse entrela#amento ! seguidamente interrompido e.F7 fala da liberdade de acesso 2 informa#"o+ mas. n"o diretamente pertinente para minha análise. 44. 45L6+ 45LL7. 45557. inclusive as que regulam seus pap!is.indisponibilidade. um rei. GenclaustramentoH do sistema legal foi reali ado por oligarquias democráticas n"o includentes. caso contrário. haveria poderes essencialmente incontroláveis que poderiam anular de modo unilateral esses direitos e liberdades. os cap. estou deixando de lado o fato. de que em certos pa..divergências sobre que atributos s"o necessários para viabili ar a defini#"o Gde democraciaH. uma teocracia etc.47. 4D6. a defini#"o de Dahl 3nota .stica está intimamente ligada 2s salvaguardas dos direitos e liberdades que 0á comentei antes.ticas. =er Va 345L6+ 455F7 para uma excelente análise dessa liberdade como bem p/blico que caracteri a o contexto social geral. ! preciso que tamb!m ha0a livre produ#"o da informa#"o. @obre esse tema. 4556a+ e Pabermas. 444. Para uma análise minuciosa e desoladora desses e outros problemas semelhantes na (m!rica )atina contempor:nea. por!m. portanto. Domingo. 44F. para que ha0a livre acesso. 'omo afirma o pr-prio Dahl 345L5<. a lei perde eficácia 3ver.existem formas alternativas de informa#"o que s"o protegidas pela lei. pode anular ou suspender qualquer norma legal existente. tamb!m. O’Donnell 34555c7 para um desenvolvimento de minhas id!ias. esp. 4DJ. roundin" up. ver %obbio 345L5<FK7. *ssa caracter. do sistema legal para os governantes 3ver. Preuss. O isso que alguns te-ricos alem"es denominaram de .ticos há sempre algu!m 3um ditador. Para voltar a uma compara#"o contrastante. ver O’Donnell 34555b7. ver I!nde . Mrato desse aspecto sob a rubrica de hori. 4D5. consulte os seguintes autores. O’Donnell e Pinheiro 345557. .cia7.. Ca verdade.tulos escritos por 'hevignB 3sobre a pol.ontal accounta&ilit# Gresponsabilidade p/blica hori ontalH em O’Donnell 34555b7. Para uma vis"o coincidente. 44E.

_ em 45LD.ao contrário do que se passou nos pa..cio da d!cada de 5D. pelo que conhe#o. 4. I!nde .odo de trinta anos. conhecida pelo significativo nome de . da extrema pobre a em uma cidade brasileira ! o de @cheper&Pughes 3455. ( nutri#"o e os cuidados com a sa/de est"o entre esses meios.democraticidade.sticas da (m!rica )atina. Iostrei a importante verdade de que isto ! falso.. o n/mero de pobres na (m!rica )atina havia aumentado em K6 milh$es relativamente a 45KD 3dados extra. por!m.a de tra&alho. como no %rasil 3segundo informa uma reportagem da revista 3e*a. de 455K. tanto f. @obre um pa. Am estudo antropol-gico que descreve em detalhes as conseq9ências devastadoras.sicas quanto psicol-gicas. Vefiro&me 2 legalidade efetiva do *stado porque essas . e de uma perspectiva m!dico&biol-gica.dos de O’Donnell. o trabalho por conta pr-pria n"o diminuiu com a industriali a#"o. mas que padece desses males. Veferindo&se a um per. 45LL7 insistiu nessas caracter. .'ostuma&se di er que quando uma pessoa carece de bens materiais. muitas ve es acompanhada pela nega#"o pura e simples da . de tipo mafioso.+ 455E7. nas quais os funcionários do governo raramente ousam entrar. variada e desigual literatura sobre movimentos sociais estimulada pelas transi#$es do regime autoritário cont!m rica informa#"o sobre esse assunto.47 comenta que . onas pardas. Portes e @chauffler 3455E7+ Portes. as obras que levam em conta essa situa#"o n"o v"o muito al!m de uma ret-rica de den/ncia.446.s relativamente rico. podem alcan#ar KD mil quil1metros quadrados. estudos que tenham focali ado especificamente a quest"o que estou aqui propondo.D. entendida como a falta de recursos para a ingest"o alimentar m. 455Lb+ para maiores detalhes ver (ltimir 3455L7. cu0a conclus"o ! a de que a pobre a extrema afeta inclusive a capacidade para trabalhar< . =e0a os dados e a excelente análise de Dasgupta 3455E7.K_ da popula#"o urbana economicamente ativa estava ocupada no mercado informal+ e essa porcentagem tem aumentado progressivamente  era de FD.nima necessária.+ 455F7 sobre o mercado informal na (m!rica )atina. 44L. tamb!m. 'alcula&se que em 455J. ela possui um bem inalienável. coexistem de maneira complexa com a legalidade estatal.gono da Iaconha.47.H ( convers"o da for#a de trabalho potencial em for#a efetiva de trabalho pode ser feita quando a pessoa disp$e de meios para isso.. Mouraine 3esp. Discuss$es mais aprofundadas desse tema podem ser encontradas em Polston 345547+ Pásara 3455L7+ e O’Donnell 3455E7.ses avan#ados. a (rgentina. mas permaneceu constante durante esse per. =er. *m diversos trabalhos. F6_ da popula#"o da (m!rica )atina vivia em estado de pobre a 345J milh$es de pessoas ao todo7 e aproximadamente a metade destes em condi#$es de indigência. ver %or-n 3455J7..7. ( abundante. ver @tillSaggon 3455L7. ?sso n"o ! verdadeiro para todas as correntes da teoria da democracia. Portes 3455F<4. (lgumas dessas regi$es. (l!m do mais. em 455D. Por!m. O’Donnell 3no prelo7. 455E7 constituem um sistema de domina#"o de base territorial em que outros sistemas legais. a respeito de uma área do *stado de Pernambuco. C"o conhe#o. O’Donnell 3455Lb7 cont!m algumas especula#$es sobre esse tema. 455L<. 44K. 'astells e %enton 345L57+ VaNoSsNi 3455F7+ Voberts 3455F7+ e MoNman 3455. Para dados e análises sobre a (m!rica )atina. passou a FK_ em 45LJ e aumentou para J. 3ênfase no original7 =er a esse respeito os importantes trabalhos de @en 3esp.Pol. 445. 3como as denomino em O’Donnell.4_ em 455D 3Mhorp. G. 45JD&45LD. ver (. 455. O’Donnell e Pinheiro 345557 incluem detalhes. do regime.odo anterior. de outro modo n"o.. JJ. Co in.. sua for..7.

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*nsuite.. De cette analBse se d!tache la notion d’agencB. exceto onde está identificado. on procade 2 l’analBse critique de plusieurs d!finitions de d!mocratie.(! Democratic Theory and Comparative Politics Mhe present article is a revision of democratic theorB from the perspective of its inadequacies to account for the neS & and not so neS &. está licenciado sob uma )icen#a 'reative 'ommons 9nstituto de Estudos 5ociais e Políticos (9E5P da Uni0ersidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ . sont consid!r!es comme minimales ou processuelles. Mhe main grounding factor that results from these explorations is the conception of a"enc#. are deemed to be minimalist. or processualist+ and proposes a realistic and restricted. EeF Gords: democratic theorB+ comparative politics+ political theorB+ democracB R2S*+2 Théorie de la Démocratie et Politique Comparée Dans cet article on examine la th!orie de la d!mocratie en soulignant son insuffisance 2 expliquer les 0eunes d!mocraties ainsi que les moins 0eunes apparues dans la r!gion nord&ouest du monde. +ots-#&H: th!orie de la d!mocratie+ politique compar!e+ th!orie politique+ d!mocratie Modo o conte/do deste peri-dico. especiallB those that claiming to be @chumpeterian. Mhe connections of this topic Sith several others are then explored. car on la trouve surtout exprim!e. ou encore l’Otat dans sa dimension l!gale et certaines caract!ristiques du grand contexte social. although SidelB variable across cases. and Selfare rights+ the state. mais non pas minimale. democracies located outside the CorthSestern quadrant of the Sorld. cens!es suivre les id!es de @humpeter. civils et sociaux. including political. dans le sBstame 0uridique des d!mocraties actuelles. on examine les connexions de ce thame avec d’autres. as it is expressed in the legal sBstem of existing democracies. ?t begins bB examining various definitions of democracB. surtout celles qui. mainlB in its legal dimension+ and some features of the overall social context.>S!R. social. du r!gime d!mocratique. but not minimalist definition of a democratic regime. et propose une d!finition r!aliste et plus succinte. sous diverses variantes ce pendant. comme les droits politiques. Mout d’abord.