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GERAÇÃO GEOMÉTRICA E OTIMIZAÇÃO ESTRUTURAL DE RETICULADOS ESPACIAIS EM AÇO

Juarez Moara Santos Franco

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil, COPPE, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como Civil. Orientadores: Eduardo de Miranda Batista Alexandre Landesmann parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Doutor em Engenharia

Rio de Janeiro Julho de 2013

GERAÇÃO GEOMÉTRICA E OTIMIZAÇÃO ESTRUTURAL DE RETICULADOS ESPACIAIS EM AÇO Juarez Moara Santos Franco TESE SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA (COPPE) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE DOUTOR EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA CIVIL. Examinada por:

Prof. Eduardo de Miranda Batista, D.Sc.

Prof. Alexandre Landesmann, D.Sc.

Prof. Michèle Schubert Pfeil, D.Sc.

Prof. José Pinto Duarte, D.Sc.

Prof. Luiz Fernando Campos Ramos Martha, D.Sc.

Prof. Luciano Rodrigues Ornelas de Lima, D.Sc.

RIO DE JANEIRO, RJ  BRASIL JULHO DE 2013

Franco, Juarez Moara Santos Geração reticulados geométrica espaciais e otimização aço/Juarez estrutural Moara de em Santos

Franco.  Rio de Janeiro: UFRJ/COPPE, 2013. XIII, 178 p. 29, 7cm. Orientadores: Eduardo de Miranda Batista Alexandre Landesmann Tese (doutorado)  UFRJ/COPPE/Programa de Engenharia Civil, 2013. Referências Bibliográcas: p. 161  165. 1. Estruturas reticuladas em aço. 3. Algoritmos Genéticos. 2. Gramática da Forma. Miranda 4. Concepção

estrutural inspirada na natureza.
et al.

I. Batista, Eduardo de

II. Universidade Federal do Rio de Janeiro,

COPPE, Programa de Engenharia Civil. III. Título.

iii

se vestiu como qualquer um deles iv . em toda a sua glória..Olhai para os lírios do campo (.) nem mesmo Salomão..

retribuir às oportunidades que me foram concedidas. recebi de agências de fomento à pesquisa do governo brasileiro e do excepcional corpo docente da COPPE a oportunidade de aderir à pesquisa em Engenharia Civil. Ao meu orientador. Esta trabalho tem sido possível graças ao incentivo de professores. meus companheiros de andança nestes últimos anos. pelo modelo geométrico do Circo Voador. mas nunca ausentes. ferramenta essencial para formatação deste texto. Capes e CNPq. Ao engenheiro Daniel Taissum e à Tecton Engenharia. Aos professores Luiz Taborda. Aos professores Dinar Reis Zamith Camotim e José Pinto Duarte.Agradecimentos Arquiteto por formação. pela gentil acolhida e supervisão durante meu estágio doutoral na Universidade Técnica de Lisboa. dedicação e visão estratégica. Michèle Pfeil e Carlos Magluta. pelos exemplos de dinamismo e criatividade. pelos exemplos de lucidez. dentro dos limites estabelecido para esta Tese. sobretudo. por compartilhar disto comigo e não me obrigar a abdicar da esperança de encontrar. Espero. À FAPERJ. por me haverem iniciado em tópicos importantes desta pesquisa. por direcionar nossos objetivos a patamares progressivamente mais elevados. alternativas sustentáveis aos padrões de Arquitetura que o mundo nos tem imposto. Alexandre Landesmann. Eliane Santos e Paulo Anderson. v . instituições e amigos a quem agradeço: Ao meu orientador. Eduardo de Miranda Batista. pelas ferramentas computacionais a que me deu acesso. contribuir para o desenvolvimento do debate a que nos propusemos. Luciana Salgado e Ícaro Sol. prof. Aos colegas de pós-graduação. um dia. Eduardo Peldoza. pelo apoio nanceiro. prof. de me familiarizar com alguns de seus desaos e. pela convivência agradável e criativa destes anos de trabalho. Vocês por vezes estão distantes. À equipe de desenvolvimento do Coppetex. engenheiros Carlos Rossigali. À Tertuliano Franco. pelos anos que seguem. pela atenção tão gentil com certos aspectos de minha vida familiar.

O principal objetivo desta Tese é investigar o grau de inovação introduzido quando casos particulares deste compromisso são mediados por algoritmos de Inteligência Articial. A quarta linha de trabalho é dedicada a integrar os tópicos (i). (iii) algoritmos de busca e (iv) implementação computacional e visualização. (ii) funções de aptidão. (ii) e (iii) em uma única plataforma computacional. em que o corpo de pesquisadores da COPPE desempenha uma expressiva colaboração. Uma revisão bibliográca em História da Arquitetura permitiu legitimar a inclusão de formas observáveis na Natureza na linha (i). A Natureza também é referência na linha (iii) onde foram estudados dois Algoritmos Genéticos.) GERAÇÃO GEOMÉTRICA E OTIMIZAÇÃO ESTRUTURAL DE RETICULADOS ESPACIAIS EM AÇO Juarez Moara Santos Franco Julho/2013 Orientadores: Eduardo de Miranda Batista Alexandre Landesmann Programa: Engenharia Civil A concepção de uma estrutura é fundada no compromisso entre sua geometria e um largo espectro de vericações de segurança em Engenharia Civil. A linha (ii) é embasada em normas técnicas e em décadas de trabalho internacional de investigação numérica e experimental sobre estruturas metálicas formadas por paredes nas.Sc. A pesquisa foi desdobrada em quatro linhas: (i) modelagem do domínio de busca. um para a otimização de barras isoladas e outro para otimização de barras associadas.Resumo da Tese apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Doutor em Ciências (D. vi . Esta metodologia embasou a construção de dois modelos numéricos independentes.

Abstract of Thesis presented to COPPE/UFRJ as a partial fulllment of the requirements for the degree of Doctor of Science (D.Sc.)

GENERATION AND STRUCTURAL OPTIMIZATION OF STEEL TRUSS STRUCTURES

Juarez Moara Santos Franco July/2013

Advisors: Eduardo de Miranda Batista Alexandre Landesmann Department: Civil Engineering Structural steel design is based on compromise between a geometry and a large spectrum of verications in Civil Engineering. The main objective of this Thesis is to investigate the degree of innovation introduced when particular cases of this commitment are mediated by Articial Intelligence algorithms. The survey was split into four lines: (i) modeling of the search domain, (ii) tness functions, (iii) search algorithms and (iv) computational implementation and visualization. A review in History of Architecture allowed the inclusion of forms observable in Nature into line (i). Nature is also a reference for line (iii), where two Genetic Algorithms were studied. The line (ii) is based on technical standards and decades of international work of experimental and numerical investigation on thin-walled steel structures, where the body of researchers from COPPE plays a signicant collaboration. The fourth line of work is addressed for integrating lines (i), (ii) and (iii) into a single computing platform. This methodology supported the construction of two independent numerical models, one for optimization of open cold-formed steel proles and other for optimization of trussed girder structures.

vii

Sumário
Lista de Símbolos Lista de Abreviaturas 1 Apresentação 2 Contexto histórico
2.1 2.2 2.3

xi xiii 1 7

A concepção da geometria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 A vericação da estrutura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 A especialização de tarefas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22

3 Estratégias para modelagem geométrica
3.1 3.2 3.3

28

Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 Algumas ferramentas nativas em aplicativos CAD . . . . . . . . . . . 33 Parametrização clássica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

4 Algoritmos de busca
4.1 4.2

39

Algoritmo Genético clássico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Um Algoritmo Genético multiobjetivo: NSGAII . . . . . . . . . . . . 48

5 Modelo I: barras isoladas
5.1 5.2 5.3 Modelagem do domínio de busca 5.3.1 5.3.2 5.3.3 5.4 5.4.1 5.4.2 5.5 5.5.1 Análise de ambagem

52
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

Contexto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 Funções de aptidão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 . . . . . . . . . . . . . . 67 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69 Força axial de compressão resistente Momento etor resistente

Simplidade de implementação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 Tipologia U enrijecido com uma variável no vetor κ . . . . . . 73 Tipologia Z enrijecida com uma variável no vetor κ . . . . . . 75
customização

Facilidade de

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77

Tipologia sigma com κ2 variável . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 viii

5.5.2 5.5.3 5.6 5.6.1 5.6.2 5.6.3 5.6.4 5.6.5

Variação da tipologia sigma com a inclusão de variáveis no vetor θ . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 Variações da tipologia sigma com variáveis nos vetores κ e θ . 82 Otimização de colunas sem restrição de custo . . . . . . . . . 84 Otimização de colunas com restrição de custos . . . . . . . . . 86 Otimização de vigas sem restrição de custo . . . . . . . . . . . 86 Otimização de vigas com restrição de custo . . . . . . . . . . . 88 Otimização de viga-coluna com restrição de custo . . . . . . . 90

Capacidade descritiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84

6 Modelo II: barras associadas
6.1 Modelagem do domínio de busca 6.1.1 6.1.2 6.2 6.2.1 6.2.2 6.2.3 6.2.4 6.2.5 6.2.6 6.2.7 6.2.8 6.2.9 Modelagem geométrica com
scripting

92
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 . . . . . . . . . . . . . . 94

Modelo estrutural discreto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 Argumentos do programa Conversão do
input

Funções de aptidão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 Biblioteca de pers . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 Montagem do modelo inicial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104 Atribuição de propriedades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 Resistência de tubos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 106 Mapa de liberações locais reais e virtuais . . . . . . . . . . . . 107 Combinações de carga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107 Deslocamentos e esforços . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109

6.2.10 Envoltória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 6.2.11 Avaliação dos resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112 6.2.12 Arquivo de saída . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112 6.3 6.4 Algoritmos de busca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114 Validação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 6.4.1 6.4.2 6.4.3 6.4.4 6.5 6.5.1 6.5.2 6.5.3 6.5.4 6.6 Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119 Modelagens de ligações excêntricas . . . . . . . . . . . . . . . 121 Sensibilidade da estrutura à variação das excentricidades . . . 125 Otimização por Algoritmos Genéticos . . . . . . . . . . . . . . 129 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 Coluna de seção variável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135 Arco treliçado I . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 137 Arco treliçado II . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 140 Circo Voador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141

Modelagem geométrica simples

Modelagem geométrica parametrizada . . . . . . . . . . . . . . . . . . 143 ix

6. . . . . . .7. . . . . .2 Gramática de reticulado: exemplo I . . .4 Pórtico espacial . . . . . . . 152 7 Discussão e conclusões 8 Pesquisas futuras Referências Bibliográcas A Resistência de barras tubulares circulares sem costura B Combinações de carga C Coecientes de rigidez C. . . . . . . . . . . . . . . . . 177 x . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151 Gramática de reticulado: exemplo II .3 Pórtico plano . . . 176 C. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4 6. . . . . . . . . . . . . 149 6. . . 145 Cobertura com dois apoios contínuos . .6.7 Otimização dimensional sobre modelo gerado com TrussFromSurface. . . . . . . . . . . . .2 Treliça espacial . .1 6. . . . . . . . . . . . . . . . . . 175 C. . .6. . . . 174 C. 143 Cobertura com quatro apoios contínuos . . . . .1 6. . .3 6. . . . . . . . . . . . . . . . . 148 Modelagem geométrica por Gramática de Forma . . . .1 Treliça plana 156 159 161 166 172 174 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . variáveis discretas . . . . . . . . 147 Otimização simultânea sobre modelo gerado com CEC TrussFrom- . . . . .6. . . . .2 6. . . . . . .7. . . . . . . . . . . . . . . . .

p. 168 Módulo de elasticidade. Rd Nt . 168 Área bruta da seção transversal. p. p. p. p. 107 Área líquida efetiva da seção. p. p. 107 Constante torcional. p. p. 168 Força axial de tração solicitante de cálculo.Lista de Símbolos A Ae Ag An Ct E G Ix Iy J MR d MS d Nc . p. p. 168 Força axial de compressão resistente de cálculo. p. p. 101 Força cortante resistente de cálculo. 107 Momento etor resistente de cálculo. Sd Nt . 168 Força axial de tração resistente de cálculo. 107 Módulo de elasticidade ao cisalhamento. 101 Capacidade resistente de cálculo. 168 Fator de redução associado à ambagem local. p. 107 Momento de inércia em torno do eixo y. Sd Q Sd Sr VR d Área da seção. p. p. p. p. 168 Área líquida barra. 107 Momento de inércia em torno do eixo x. p. 168 Momento etor solicitante de cálculo. 168 xi . p. 168 Força axial de compressão solicitante de cálculo. 168 Ação solicitante de cálculo. Rd Nc . 168 Coeciente de redução da área líquida.

p. 101 δmax ∅ γm ν ρ θ(Sd .VS d N R χ δenv Força cortante solicitante de cálculo. 101 Valor de cálculo. 104 Conjunto dos números Reais. 168 Deslocamento máximo obtido pela envoltória das combinações de carga. p. p. 107 xii . 101 Diâmetro nominal do tubo. 168 Coeciente de poison. p. 168 Valor característico. 107 Função de interação das ações solicitantes. 104 Fator de redução associado à ambagem global. 107 Tensão de escoamento. p. p. 168 Tensão de ruptura. p. p. 107 Espessura do tubo. p. p. 168 Conjunto dos números Naturais. 107 Coeciente de ponderação da resistência. p. p. p. p. p. 107 Massa especíca. p. Sd ) fd fk fu fy t Deslocamento máximo prescrito.

Inteligência Articial. p. 17 p. p. Computer-Aided Design. p. 53 Retangular Hollow Section. 29 Finite Element Modeling and Postprocessing. 51 Algoritmo Genético. 4 p. 29 Computer-Aided Engineering. p. 107 Implementação em MATLAB que integra o código fonte do CUFSM com Shape Grammar(SG). Computação gráca. Finite Strip Method. 66 General Beam Theory. p. 40 Building Information Modeling. 107 xiii . p. 2 Perl Formado a Frio.Lista de Abreviaturas w AG BIM CAD CAE CG CHS CUFSM-SG vetor dos parâmetros que denem uma estrutura. 64 Circular Hollow Section. 4 DSM FEMAP c FSM GBT IA PFF RHS Direct Strength Method. p. p. p. 66 p. 66 p. p. p.

A especialização de tarefas encontra seu duplo na oferta de a elas. o formato dos arquivos prejudica o intercâmbio de dados entre aplicativos e. softwares e hardwares Prossionais mais experientes geralmente dedicam-se ao seu ofício sem o desgaste de assimilar a cada curto período um novo e caro pacote de programas e por isso recorrem à colaboração com técnicos. Os erros têm origens diversas. são esperadas falhas de comunicação quando cresce o número de participantes neste processo. softwares dedicados Em geral. computadores diminuíram horas de trabalho mas aumentaram o nível de especialização de tarefas. o renamento na compreensão do comportamento das estruturas (para criar e interpretar modelos numéricos seguros) e o domínio de em inexorável curso de obsolecência. demandam grande capacidade crítica para serem identicados e evitados. Computadores criaram e extinguiram postos de trabalho em Arquitetura e Engenharia. por consequência. por outro exigem mais qualicação. o planejamento de certas edicações é tarefa complexa demais para ser levada a cabo sem a colaboração de diversas equipes de especialistas. Sob este aspecto. onde a evolução acelerada das ferramentas computacionais desempenha um papel ambíguo. computadores afastaram ainda mais aqueles que 1 . Infelizmente. Isto oferece riscos porque estes dispositivos podem gerar rapidamente e em grande volume resultados fascinantes e persuasivos  além de incorretos. Se por um lado permitem que um homem sozinho realize o trabalho que antigamente era tarefa de muitos. Por vezes esta capacidade só pode ser adquirida através do prolongado manejo de outras vezes é prejudicada por eles. no espaço e na técnica: atualmente. a comunicação entre equipes isoladas de prossionais. O caráter deste compromisso varia no tempo. Nestes ambientes.Capítulo 1 Apresentação A concepção de uma estrutura é fundada no compromisso entre sua geometria e um largo espectro de vericações de segurança em Engenharia Civil. de falha humana a bugs nos aplicativos e softwares.

já estavam distanciados entre si por sua formação acadêmica. por exemplo. A compreesão precisa das origens. A quarta linha de trabalho é responsável por articular as plataformas computacionais das linhas (i). em que o corpo de pesquisadores da COPPE desempenha uma expressiva colaboração. ele ca limitado a um jogo gráco ou mesmo plástico. A Natureza também é referência na linha (iii) onde foram estudados dois Algoritmos Genéticos. do alcance e dos desdobramentos deste processo exigiria uma análise muito mais elaborada do que o escopo desta Tese permite. O objetivo geral da Tese coaduna-se com as posturas pautadas na experimentação e na busca de novas oportunidades: investigar o grau de inovação introduzido na concepção de sistemas de estruturas quando o compromisso entre sua geometria e vericações de segurança usuais em Engenharia Civil é mediado por algoritmos de Inteligência Articial (IA). Françoise Choay [2]. A linha (ii) é embasada em normas técnicas e em décadas de trabalho internacional de investigação numérica e experimental sobre estruturas metálicas formadas por paredes nas. (iii) algoritmos de busca e (iv) implementação computacional e visualização. Uma revisão bibliográca em História da Arquitetura permitiu legitimar a inclusão de formas observáveis na Natureza na linha (i). torna-se um produtor de imagens. (ii) funções de aptidão. Em sentido amplo. por sua vez. que rompe com a nalidade prática e utilitária da Arquitetura e o inscreve na estética intelectualista do escárnio e da provocação. O arquiteto. característica das artes plásticas contemporâneas. Teóricos e historiadores da Arquitetura já chamaram a atenção para este assunto em livros hoje clássicos. prestou-se ao estudo de otimização de reticulados e barras isoladas em estruturas metálicas. por outro lado. identica janelas de oportunidades no futuro da prossão de arquiteto e sua relação com ferramentas computacionais. A pesquisa foi desdobrada em quatro linhas: (i) modelagem do domínio de busca. por seus objetivos e pela linguagem usual de seus ofícios. apresenta uma perspectiva menos otimista: O engenheiro tende a substituir o arquiteto para conceber e construir na tridimensionalidade objetos através de todos os recursos da assistência eletrônica e da virtualização. Kolarevic [1]. que só trabalha agora em três dimensões ctícias. A integração destas quatro frentes de trabalho. as opiniões sobre o devir dos ofícios relacionados à construção civil se dividem em dois blocos. um agente de marketing ou de comunicação. (ii) e (iii). Esta metodologia embasou 2 . No melhor dos casos. por sua vez.

Figura 1. como seus objetos e objetivos foram estabelecidos. A organização desta Tese revela. ao menos como hipótese. adotar um conjunto demasiadamente restrito de vericações não contribuiria para o progresso do debate. a cada caso. a reinserção de formas observáveis na Natureza no repertório das soluções tecnicamente viáveis. a observação da Natureza foi fundamental para a concepção de estruturas. para todos os sistemas de estrutura. A alternativa intermediária adotada foi. com rebatimentos diretos sobre o repertório formal da Arquitetura. Quantas e quais vericações de Engenharia devem ser implementadas para que uma eventual inovação introduzida por IA tenha a mesma validade de um projeto dimensionado por métodos tradicionais? Mais ainda: a busca por estruturas ótimas e não triviais deveria restringir-se a critérios de desempenho estrutural ou abarcar também custos de fabricação. por outro lado. em boa medida. 1.1).a construção de dois modelos numéricos independentes (Fig. A dinâmica industrial que afetou este quadro de valores. uso e manutenção? Esgotar todas as possíveis vericações. fora de cogitação nesta investigação. é um fenômeno relativamente recente e não concluído.1: Modelos implementados nesta Tese A delimitação do tema foi condicionada por dilemas evidentes aos olhos de um prossional experiente. Por um longo período da Humanidade. um para a otimização de barras isoladas e outro para otimização de barras associadas. interpretar as soluções obtidas pelos algoritmos de busca e identicar tanto as inovações válidas quanto os problemas atribuíveis às vericações não implementadas. A adoção desta metodologia visou o fortalecimento do senso crítico e a identicação de prioridades entre futuras implementações. A compreensão da relação entre concepção geométrica e técnicas computacionais que já estavam disponíveis ao iniciar este trabalho legitimou. desde sempre. Como se pretende demonstrar. o caráter deste acordo varia ao longo da História em função das tecnologias disponíveis e dos modos de organização do trabalho. Este capítulo foi dividido em três partes: (i) concepção e representação da geometria. para todos os casos possíveis de solicitação esteve. Por outro lado. (ii) métodos para proposição 3 . O capítulo 2 traça um breve resumo das transformações do compromisso entre formas e vericações da estrutura.

Gramática da Forma (baseada em regras de fabricação). O segundo é uma implementação mais recente.de edicações seguras e (iii) organização social do trabalho de concepção e projeto estrutural. considerado uma implementação clássica. uma abordagem de modelagem geométrica pautada em conjuntos de regras. partindo de uma abordagem intuitiva do tema. Uma vez que as funções de aptidão estão baseadas em normas técnicas. um teste de validação e resultados numéricos obtidos pelo Mimesis. O capítulo 6 apresenta recursos. O capítulo 4 reporta dois Algoritmos Genéticos. o modelo computacional desenvolvido pelos trabalhos São de pesquisa desta Tese para otimização de reticulados planos e espaciais. a m de tornar sua leitura o mais autocontida possível. O teste de validação revelou obstáculos para a integração entre os 4 . A relação entre custos de fabricação e desempenho estrutural de PFF mediada por Inteligência Articial constitui a contribuição mais original deste trabalho. onde sua explicação não foi essencial para a compreensão do assunto. exploradas analogias formais e testados algoritmos de geração geométrica inspirados na Natureza. A última seção deste capítulo é dedicada a uma primeira aproximação da Gramática da Forma. com especial ênfase aos efeitos da especialização de tarefas. não se adequam facilmente à modelagem de domínios de busca. O primeiro. Os resultados obtidos indicam ganhos signicativos de resistência nas barras. Inicia-se pela constatação da variedade de ferramentas nativas de aplicativos comerciais CAD que. apesar de sua exibilidade. por se entender que sua apresentação deveria ser feita próxima de cada estudo de caso. que segue de perto o modelo da gramática gerativa proposta por Noam Chomsky [3]. elas foram transferidas para apêndices. realizada na pesquisa desta Tese e voltada para a otimização de pers de aço formados a frio (PFF). apresenta código binário e produz um único indivíduo ótimo. Análise de Flambagem e Algoritmos Genéticos são integradas pela primeira vez em um mesma plataforma computacional. A seguir são apresentados pequenos códigos desenvolvidos nesta pesquisa para a parametrização de estruturas especícas através de linguagem de script. baseada em codicação por números reais. O capítulo 3 apresenta técnicas e exemplos de modelagem geométrica de estruturas. Não foi dedicado um capítulo exclusivo para as funções de aptidão. O capítulo 5 apresenta a implementação CUFSM-SG. que atende simultaneamente a múltiplos objetivos e resulta em uma população de melhores resultados.

tanto em Arquitetura quanto em Engenharia. vericações de segurança em Engenharia Civil. A postura assumida foi a de aprender com aplicativos pré-existentes. de Engenharia Estrutural. Numerosas pesquisas em Engenharia valem-se desta ferramenta. os exemplos de concepção estrutural bio-inspirada integrada com Algoritmos Genéticos são escassos na literatura. John Frazer [4] tornou-se célebre por desenvolver projetos com estes algoritmos. em Arquitetura.modelos de barra isolada e de barras associadas. 5) onde todo o código-fonte está escrito em linguagem MATLAB c . otimização e interfaces grácas amigáveis. como programação funcional e conforto ambiental. O objetivo especíco deste estudo é preencher esta lacuna. O aplicativo (Cap. Isto foi levado a cabo em CUFSM-SG (Cap. é preciso clareza quanto ao signicado de otimização e quanto à capacidade de 5 .) quanto os agentes (equipe de Arquitetura. 6) ainda depende de um pré e pós processador comercial para a conversão do modelo geométrico de linhas em modelo estrutural de barras e para a visualização dos resultados. eciência.) frequentemente estão em conito. As primeiras estratégias de otimização por Algoritmos Genéticos foram desenvolvidas há mais de quarenta anos e a concepção estrutural inspirada na Natureza remonta à Antiguidade. o processo decisório. para o caso especíco de estruturas reticuladas de aço. obviamente. de gerenciamento de custos etc. foram excluídos porque requerem estudos especícos. Entende-se por estrutura ótima aquela que resulta de um processo automatizado de busca como a solução elegante de um problema técnico ao menor custo possível. para então escrever o código-fonte de aplicativos Mimesis homemade. A articulação entre modelagem geométrica. No caso de um aplicativo para estruturas ótimas inspiradas na Natureza. A multiplicidade de critérios que denem esta estrutura ótima impuseram simplicações ao escopo deste estudo. Tópicos essenciais na síntese da forma de uma edicação. A recente incorporação de técnicas de Computação Gráca baseados em OpenGL ao escopo da investigação abriu uma janela de oportunidade para a criação de uma ferramenta de pré e pós processamento. onde tanto os objetivos (elegância. custo etc. independente de qualquer aplicativo comercial e especialmente desenvolvida para a integração entre Gramática da Forma. No entanto. Uma parte considerável desta Tese foi dedicada à compreensão de ferramentas desenvolvidas originalmente em âmbitos separados de investigação. O pano de fundo de um estudo que faz uso de ferramentas de Inteligência Articial é. vericações em Engenharia e otimização esteve submetida ao equilíbrio entre a assimilação de aplicativos computacionais pré-existentes e a implementação de ferramentas autônomas.

1. econômicos e culturais de nosso tempo. Assim. Figura 1. ela não será encontrada. A disponibilidade de informações seguras para embasar as decisões de Arquitetura e Engenharia Estrutural ainda nas primeiras etapas de concepção ainda será objeto de muita investigação antes de se tornar uma prática corrente. se houver uma solução com menor custo fora do domínio imposto à busca.2) com a linguagem e os desaos técnicos.uma máquina de tomar decisões por um arquiteto ou um engenheiro. Este estudo propõe-se a contribuir de alguma maneira para a rearmação da tríade vitruviana original (Fig. enquanto engenheiros (também de um modo geral) enfatizam rmeza e utilidade do ponto de vista da estrutura. A falta de comunicação entre as equipes envolvidas na síntese da forma e na análise da estrutura tem raízes históricas e pode ser explicada por diferentes razões. Utilitas. é necessária uma ressalva quanto ao que foi obtido e aos horizontes de pesquisa. Em sentido literal. mas a consequência deste hiato converge em soluções que eventualmente sacricam algum aspecto da edicação e não raro culminam em demandas judiciais [6]. Venustas) não corresponde completamente à prática da Arquitetura no Brasil. este estudo desenvolve uma ferramenta computacional que procede a ajustes em uma dada concepção estrutural dentro da margem de variação que não afeta o conceito original. Em relação à Engenharia.2: Tríade vitruviana dividida entre especialistas 6 . a tríade vitruviana [5] (Firmitas. é tarefa de um arquiteto denir tanto o partido arquitetônico quanto a margem de variação aceitável. onde arquitetos (de um modo geral) se identicam com beleza e utilidade do edifício do ponto de vista do usuário. Em relação à Arquitetura. Isto implica que.

O ex-curador do museu do Louvre. A associação primeira a que nos leva a catedral é a oresta. um desdobramento dos dois primeiros: apontar a rápida transformação no quadro das tecnologias disponíveis e suas implicações no cenário da concepção bio-inspirada de estruturas. sintetizou este ponto de vista no prefácio de uma obra que se tornou clássica entre os historiadores da Arquitetura no Brasil [7]:  Toda a arte francesa. trazendo-nos de volta à terra e a seus frutos. pelas ferramentas matemáticas e pela divisão do trabalho. pela simples apresentação de precedentes. O terceiro e último objetivo é. Por mais lírica que seja. 7 . É recorrente que teóricos e historiadores europeus enfatizem a relação entre seu patrimônio histórico edicado e a Natureza. a arte gótica mantém fortes raízes com um solo. em última instância. é fruto de um longo intercâmbio com o Real. Isto situa a interpretação das suas intenções no incômodo terreno das suposições. o segundo objetivo é indicar a relação entre Arquitetura e o estágio da tecnologia disponível. uma vez que as principais fontes de informação são os edifícios que perduraram e o parecer de especialistas modernos. O primeiro objetivo deste capítulo é demonstrar que edifícios bio-inspirados são factíveis. A crítica deste pressuposto aparentemente simples raramente é discutido sistematicamente em História da Arquitetura. Germain Bazin. desde o surto romântico e gótico até o impressionismo.Capítulo 2 Contexto histórico Traçar um paralelo entre a observação de Natureza e a concepção de estruturas ao longo da História presta-se a três objetivos e esbarra em uma limitação: a carência de registros seguros que revelem em primeira mão as intenções dos arquitetos da Antiguidade. É dada atenção à relação entre a concepção formal e as limitações impostas pela expressão gráca.

1). O levantamento bibliográco deste trabalho não localizou no Brasil nenhuma obra de referência sobre a Natureza como fonte de inspiração para a concepção de estruturas. Na Natureza. a impressionante sensação de ausência de peso. onde a fantasia (como princípio) e a decoração (como meio) incorporaram-se a Arquitetura como instrumento de persuasão. para edicar sob inspiração da Natureza: simbolismo religioso. mimese. Lisboa. A produção europeia entre o Medievo e o início da Era Moderna foi muito rica em exemplos como a nave do Mosteiro dos Jerônimos (Fig. este efeito é simples de observar. obtida com uma adequada relação de cheios e vazios. Fonte: acervo do autor Nesta e tantas outras obras daquele perído. Por isso. foram selecionados exemplos que ponteiam a produção europeia. Os construtores do período gótico são. Diversos motivos são aventados para explicar a tendência dos povos. desde a Antiguidade. da abóboda até as fundações.1: Abóboda da nave do Mosteiro dos Jerônimos. quando se está entre 8 .Bazin enfatiza esta postura frente a Arte para. considerados o ponto culminante desta arte. exige uma bem cuidada transmissão de esforços através de nervuras. às vezes. Dispondo apenas de intuição e regras empíricas de dimensionamento. intuição estrutural. ergueram catedrais com acentuado sentido de ascensão e desmaterialização. em particular. estabelecer um contraste com o Barroco em geral e no Brasil. Figura 2. a seguir. 2.

que é uma composição recorrente na arte greco-romana.4). 2. Um exemplo mais recente é o edifício Turning Torso (Fig. 2. onde cabeça e membros são ignorados. O corpo humano é outra fonte de inspiração repetidamente usada na Arquitetura. (Fig. ligeiramente torcido.copas de árvores com poucas folhas (Fig. representa um tronco masculino e musculoso. 2. e a ampliação do aeroporto de Stuttgart. Pode-se intuir que. Nas cariátides gregas (Fig. os construtores expressavam a capacidade de sentir os esforços a que sua obra estava submetida. O torso. A recente ampliação do CENPES (Centro de Pesquisa da Petrobras).6) em que a analogia entre um torso e seu edifício é fortemente sugerido. 9 .2).2: Analogia estrutural com árvores. 2. o esforço de nossa espécie de se sustentar na vertical é transposto da maneira mais literal possível para os elementos estruturais de coluna. Figura 2. Calatrava divulgou um esboço (Fig. como se eles se identicassem com suas estátuas-colunas. no Brasil. Fonte: acervo do autor Estruturas tubulares oferecem oportunidades para a Arquitetura Contemporânea expressar esta analogia. 2. com este símbolo. do arquiteto espanhol Santiago Calatrava (1951  ).3) são apenas alguns exemplos.5).

Alemanha. não faria sentido edicar em aço por inspiração da Natureza. Esta licença é aceitável porque mesmo a matéria inorgânica partilha de certos processos de seleção que determinam sua forma por pressão do meio.4: Cariátides no museu do Louvre. o resultado apresenta uma linguagem distinta. mais do que a forma humana ou suas proporções. referências à Natureza na concepção de estruturas incluem fontes de inspiração não-orgânicas. esteve no centro das atenções do arquiteto. Eventualmente. Fonte: acervo do autor Observa-se que a sensação de movimento do torso. [8] Figura 2. tanto de seus precedentes artísticos quanto do entorno imediato. Ainda que sua inspiração seja o corpo humano a partir (presumivelmente) de uma reinterpretação pessoal da arte greco-romana. Se não fosse por isso.3: Cobertura do aeroporto de Stuttgart. 1991. 10 .Figura 2.

Figura 2.com Torso Building.2005. Fonte: Acredita-se que as pirâmides de Gizé tenham esta forma em decorrência do 11 .6: Esboços http://www.calatrava. Fonte: Figura 2.com para Turning Torso Building.calatrava.5: Turning http://www. Malmo.

7: Piramides do vale de Gize.org desejo de mimese Egito. Estes poucos exemplos. marinhas como edicações [9].wikipedia.wikipedia. sendo famoso pelas séries de esboços (Fig. sec XX A. http://pt.Figura 2. Fonte: com as dunas de areia do Egito. não muito diferente das pirâmides.org Também por inspiração de dunas de areia teria sido concebido o Observatório Eisntein. Fonte: http://pt. não fornecem ainda 12 2. Figura 2. distribuídos esparsamente por mais de 40 séculos de variadas tradições construtivas na história da Humanidade. Parece razoável supor que seus construtores notaram como os grãos de areia empilhados organizam-se em forma e proporção adequada à estabilidade do conjunto.8: Analogia estrutural com dunas de areia. Seu arquiteto. Erich Mendelsohn (1887-1953).C.10) onde reinterpreta dunas de areia e conchas . na Alemanha. é considerado um dos expoentes do Expressionismo na Arquitetura do século XX.

Qualquer explicação para este fenômeno é sujeita ao risco de ser parcial e condicionada pelos recursos que a fundamentam. design bio-inspirado.10: Esboços de Erich Mendelsohn [9] um quadro completo da precedência e da atualidade do tarefa inclui-se como sugestão de pesquisa futura. os conhecimentos de que esta pesquisa dispõe são relativos à expressão gráca em Arquitetura e a métodos computacionais em Engenharia.9: Observatório Eisntein. Assim como fatores tecnológicos e culturais convergiram em cada momento para tornar a inspiração na Natureza usual da Antiguidade ao início da Era Moderna. novas circunstâncias conduziram no século XX a uma Arquitetura marcada pela produção em larga escala e por espaços homogêneos. Até mesmo o período de maior atividade produtiva na obra de um arquiteto expressionista como Erich Mendelsohn é marcado em certo grau pelas características gerais da produção em escala. regulados. de modo que esta Os exemplos citados. Nomeadamente. ainda que em pouco número. 13 . ortogonais e modulados. são um testemunho suciente para os objetivos deste capítulo. Um catálogo exaustivo não caberia no escopo desta Tese. 1921 [9] Figura 2.Figura 2. Alemanha.

2. 2. O desenho na Figura 2. um dos expoentes da Arquitetura Expressionista Alemã. Enquanto a chamada indústria de ponta desenvolveu representações mais sosticadas (Fig. recorrentes em manuais de história da Arquitetura.karaya. e a Catedral de Reims. não foi capaz de suportar tipos mais elaborados de representação. entretanto. Figura 2. um empreendimento com tal nível de complexidade demandaria milhares de pranchas de desenho técnico em uma obra contemporânea. mas seus meios e objetivos eram diferentes. 2. Esta representação traduzia antes uma intenção do que uma ordem inequívoca e precisava ser interpretada no canteiro segundo a experiência e a habilidade do trabalhador. Para um observador moderno.11). erguida entre os séculos XIII  XVI (Fig. é atribuído ao escritório de Erich Mendelsohn.13).14). Exemplo disto são os desenhos do arquiteto Villard de Honnecourt (Fig.12. quando as tendências mais ecazes do desenho técnico industrial penetraram na manufatura e na construção civil [10]. Esta tradição. Fonte: www. rmou-se há poucos séculos.1 A concepção da geometria A capacidade de pensar e transmitir ordens inequívocas através de uma representação gráca codicada e padronizada é considerada um dos pilares na formação de qualquer prossional ligado ao ofício de edicar. Gerenciar tal volume de informação mobilizaria equipes com dezenas de arquitetos e engenheiros e a compatibilização de projetos complementares acarretaria todos os problemas de comunicação inerentes ao 14 . parece pouco provável que estes esboços tenham guiado a mão de trabalhadores no canteiro. o canteiro de obras. até hoje constituído por trabalhadores braçais e instrumentos elementares. por exemplo.11: Representação gráca em indústria de ponta.html Havia desenhos técnicos nos canteiros antes da Era Industrial. Seguramente.pl/en/rvresin/37/mig-27-ogger-1-72-1-48-detail-scale-aircraftdrawings-rv1023.2.

12: Representação gráca em canteiro de obras [9] intercâmbio de dados e informação entre especialistas e seus softwares. O trabalhador no canteiro moderno não deveria tomar decisões. o desenho técnico 15 . cujo objetivo consciente e manifesto é prever. pois o desenho técnico é (em princípio) uma ordem de execução inequívoca. Na prática.Figura 2. Figura 2. com trabalhadores de baixa qualicação e profusão de pranchas de desenho.13: Desenhos para a Catedral de Reims [10] Dois cenários são representados por esta comparação: (i) o canteiro medieval. com poucos desenhos e trabalhadores altamente qualicados e (ii) o canteiro moderno. até o último detalhe de um edifício antes de lançar suas fundações. Ao reduzir o espaço a planos. esta premissa não é completamente válida. se possível com precisão de milímetros.

confundidas na simultaneidade da representação gráca (daí a necessidade do projetista especicar também a metodologia construtiva). acredita-se que um grande e antigo repertório perdeu-se na Arquitetura durante a generalização do desenho técnico como instrumento de controle da mão de obra no canteiro.15).wikipedia. França.org pode induzir ao arbítrio e a confusão de leitura. sec XIII. (Fig. pode ocorrer dúvida quanto à sucessão correta das etapas de construção. se não for adotado um gerenciamento cuidadoso.Fonte: http://pt. Além de potencialmente confuso. navios e assim por diante. porque seu sistema métrico e ortogonal não se adapta a uma grande variedade de formas e materiais e porque a necessidade antecipada de registro incrementa os custos de gerenciamento de informação. este quadro ainda é válido na construção civil em geral e não foi profundamente afetado pelos sistemas CAD (Computer-Aided O product model. 16 . Do desenho do casco à análise estrutural do último parafuso da caldeira.14: Catedral de Reims. uma tecnologia ainda em desenvolvimento. mesmo por parte de prossionais experientes. Por conta disso. As referências mongianas do desenho técnico podem ser difíceis de aplicar no canteiro e. o desenho técnico é restritivo. com implicações tanto na liberdade formal quanto no gerenciamento de informações. Design ). Salvo experiências contemporâneas esporádicas. Existem modelos exclusivos para cada ramo da grande indústria. como desenvolvimento de aviões. 2.Figura 2. tudo deveria se concentrar em um único arquivo. carros. pode representar um ponto de inexão na expressão gráca da Arquitetura e Engenharia [6].

interações com limitações de outra ordem. a produção de espaços homogêneos. abordadas nas seções seguintes. 2. Edifícios emblemáticos como o museu de Bilbao (1997) e Walt Disney Concert Hall arquiteto Frank Gehry. Para a concepção de formas na Arquitetura.15: Na construção civil. 17 . há hoje recursos para o gerenciamento de informação no projeto de formas complexas. bem como aplicativos vetoriais com modelagem parametrizável capazes de gerar estas formas. zeram uso deste conceito em determinado estágio do seu desenvolvimento (Fig. Figura 2. Persistem.16: Product model para Walt Disney Concert Hall [1] Isto sugere que. ortogonais e modulados é cada vez menos uma necessidade imposta pelas ferramentas de representação.Figura 2. ao menos do ponto de vista da representação. o BIM (Building Gughenhein Product model de embarcação [1] product model foi rebatizado e popularizado como (2003).16). regulados. ambos do Information Modeling ). no entanto.

inclusive a greco-romana. 2010 De fato. como o templo de Poseidon (Fig. Segundo o arquiteto alemão Erich Mendelsohn [9]. que são difíceis de assimilar e empregar.2. estavam amparadas [9].2 A vericação da estrutura A fundação da École Polytechnique (1794). Face a esta diculdade. exigem a formação de prossionais especializados. A especialização de tarefas consolidou-se com a disseminação de ferramentas matemáticas para a predição aproximada do comportamento das estruturas. um dos expoentes do Expressionismo na Arquitetura do século XX. era baseado em regras rígidas de proporção entre o diâmetro do fuste e todas as outras parte do edifício [5]. primitivos de tentativa e erro ou fórmulas arbitrárias que. Fotograa: Marcelo Antoniazzi. os gregos foram grandes geômetras. mas não deixaram contribuição notável em outras áreas da matemática que dependesse de notação escrita. os construtores da Antiguidade estavam limitados pela sua carência de métodos seguros para predizer o comportamento de suas estruturas. Seu sistema não-posicional de representação numérica tornava difícil até mesmo operações aritméticas simples (note-se que os exemplos são completamente hipotéticos e a notação 18 . maÉcole des Beaux-Arts temático considerado pai da Geometria Descritiva e das são alguns dos marcos simbólicos da divisão do trabalho entre arquitetos e engenheiros na Era Industrial. A referência à Antiguidade abrange muitas tradições construtivas. Estas ferramentas.17). Figura 2. 2. na melhor das hipóteses. Tudo de que dispunham eram  métodos por longas gerações de observação e experiência. que foi registrado por tratadistas posteriores como Vitruvius. os engenheiros estruturais. Exímios construtores.17: Templo de Poseidon. Nesta seção são apresentadas algumas implicações deste processo. O método grego. sob liderança de Gaspar Monge. algumas de suas obras perduram até nossos dias. especializar as atividades de síntese da forma e análise da estrutura incorporou-se ao ofício de planejar uma edicação.

o cálculo innitesimal propriamente dito surgiu nas obras independentes de Newton e Leibnitz e se tornou peça chave no moderno cálculo de estruturas. design bio-inspirado.é inexata): νλβ − ιθ = τ η (2. Galileu Galilei publicasse Duas Novas Ciências. arquitetos e engenheiros. sintetizados. ela iria oferecer menos resistência à exão e ruptura.1) Os romanos igualmente desconheciam um sistema matemático que permitisse cômputos complicados: DCCXLII − CCCXXIX = CDXIII (2.1 e 2. onde se constatou que uma seção oca de um tubo de madeira ou de metal é muito mais resistente do que se fosse maciça. que carrega uma cabeça de trigo mais pesado do que o talo inteiro. uma das primeiras investigações sistemáticas [11] da Resistência dos Materiais. Esta é uma experiência que tem sido vericada e conrmada na prática. A compreensão matemática da Natureza permeia a obra de incontáveis pensadores. to- dos presentes no momento da fundação da Resistência dos Materiais como ciência. o amadurecimento do sistema decimal permitiu expressar 2. São perceptíveis nesta passagem alguns dos tópicos desta investigação: seções tubulares. Exemplos disso podem ser vistos em ossos de pássaros e em diversos tipos de caniços que são leves e altamente resistentes à exão e à ruptura. mas de uma forma compacta. 19 . minimização de massa. para um elemento com o mesmo comprimento e peso. No século seguinte. Para calcular seu comportamento estrutural. com manifesta inspiração na Natureza: São empregadas na arte (e com mais frequência na Natureza) milhares de operações cujo propósito é o incremento de resistência sem adição de massa. Ainda citando Mendelsohn [9]: Os materiais estruturais de hoje  aço e concreto armado  são compostos articiais. fosse constituída da mesma quantidade de material. A partir daí. Se uma haste de palha.2 como: 742 − 329 = 413 (2.3) O madurecimento desta notação permitiu que.2) Não foi senão no século IX. em 1638. que ocorreu a disseminação dos algarismos indoarábicos e do conceito de zero no Ocidente. ganho de resistência.

 (grifo do autor) A mesma pulsão fundamental ecoa em Galileu (séc XVII) e Mendelsohn (séc XX): a intuição de que a observação da Natureza e a compreensão cientíca de suas leis dão forma a uma expressão renovada na Arte e na Engenharia. Disto segue que os novos materiais estruturais. ) O princípio da Elasticidade é ditado pela Natureza. a Natureza como inspiração e mimese é muito mais evidente no exemplo da Catedral de Winchester. Inglaterra.org de Winchester. principalmente em protensão. é semelhante ao comportamento do aço e do concreto armado. . o módulo de elasticidade inuencia a estabilidade elástica do corpo e seus membros. projetado por Mendelsohn no séc.18: Catedral http://pt. reavalia-se  expressão e arquitetônica completamente diferente de tudo o que já se conheceu  No 2. no reino vegetal e animal. 2. em homens e plantas. devem necessariamente produzir uma expressão estrutural e arquitetônica completamente diferente de tudo o que já se conheceu. A Natureza o emprega em todos os organismos. XI (Fig. XX (Fig. ao se comparar uma catedral do séc. (. . as características da aparelhagem teórica do cálculo de estruturas ajudam a compreender esta aparente falta de correlação entre domínio 20 . Surpreendentemente. Fonte: Para Sérgio Ferro [10]. quando submetidos à expansão e contração. quando usados de acordo com seu potencial elástico. a teoria da elasticidade e o cálculo innitesimal. Investigações cientícas têm demonstrado que o comportamento dos músculos.métodos cientícos e matemáticos conáveis são uma necessidade absoluta. obra de construtores que desconheciam a resistência dos materiais. sec XI.wikipedia. entanto. Figura 2. ou seja.19).18) com um templo estrutural como uma interpretação abstrata e altamente pessoal do arquiteto.

1937. na tradição construtiva do século XX. porque as formas curvas não se inclinam facilmente diante desta aparelhagem teórica. deslocamentos e resistência dos materiais do que pela eciência do sistema estrutural. de ferramentas computacionais adequadas para a realização plena de seu projeto. As ferramentas computacionais. permite a predição do comportamento de estruturas com forma irregular. [9] técnico e liberdade formal. a torção (idem). a síntese da forma seria determinada antes pela capacidade de representação do desenho técnico do que por considerações plásticas. integrado a aplicativos com interface gráca amigável e continuamente aperfeiçoado. EUA. Concluise que Erich Mendelsohn teve a intuição correta quando relacionou Elasticidade e Expressão Estrutural. enfraqueceram a validade destas hipóteses. a exão (afastamento perpendicular ao eixo). 21 . etc. e a análise da estrutura seria dependente mais de sua capacidade efetiva de predição dos esforços.19: Templo da comunidade hebraica. Em oposição. entre outros fatores.Figura 2. o momento etor (dupla perpendicular ao eixo). O Método dos Elementos Finitos. baseado nos princípios de discretização de formas contínuas. disponíveis hoje a custos acessíveis a usuários fora da grande indústria. a tração (idem). Vários conceitos do cálculo estrutural têm base linear e ortogonal: a compressão (na direção do eixo). Sérgio Ferro sugere que. suas vantagens estruturais são evitadas com frequência. mas não dispôs.

arquitetos. isto signicou a substituição de um trabalhador altamente qualicado e apto a desempenhar múltiplas funções (entre elas algum poder decisório) para um perl de operário com baixa qualicação. ainda válida. Tabela 2.2. Tabela 2. destacou-se a tendência do canteiro de obras em assimilar.1: Especialização de tarefas na indústria Um homem estica o arame outro o retica e um terceiro o corta. Esta última premissa. . um quarto faz a ponta e um quinto prepara o topo para receber a cabeça. Contexto essencialmente idêntico é apresentado na Tabela 2. O autor desta descrição foi o economista clássico Adam Smith. engenheiros civis. colocá-la é uma função peculiar. 22 . (ii) economiza o tempo que em geral se perde passando de uma tarefa a outra e que (iii) as máquinas facilitam e abreviam o trabalho e permitem que um homem faça o trabalho de muitos [12].2.1. por vezes com algumas adaptações. são executadas por mãos diferentes. de estrutura. A especialização de tarefas permanece como um dos fundamentos da organização da produção desde a Revolução Industrial. De maneira correlata. Ilustrativo deste processo é a descrição de uma linha de montagem de alnetes na Inglaterra do século XVIII. que a resume deste modo:  (. embora em outras o mesmo homem às vezes execute duas ou três delas. os procedimentos mais ecientes da grande indústria. . onde um sistema de procedimentos e métodos instrui cinco operários a levarem concreto da betoneira até o ponto de aplicação [10]. altamente especializado em uma tarefa e sem poder para tomar decisões no curso da obra. em algumas fábricas. branquear os alnetes é outra e até alinhá-los num papel é uma coisa separada. isto signica que diversas equipes precisam interagir no processo de síntese da forma: empreendedores. é sustentada pela crença de que (i) isto aumenta a destreza de cada trabalhador individualmente. Na fase de planejamento da construção civil. empreiteiros. a cabeça exige duas ou três operações distintas. ) o importante na fabricação de um alnete é deste modo dividido em cerca de dezoito operações que.3 A especialização de tarefas Nas seções anteriores. a grande quantidade de novos conhecimentos adquiridos pela Humanidade após a Revolução Cientíca foi acompanhada pela progressiva especialização dos campos do saber e da formação acadêmica e prossional. Na transição do canteiro medieval para o moderno.

20: Interações entre projetistas de edicações [6] 23 .Tabela 2.20. Figura 2.2: Especialização de tarefas no canteiro Recepção do concreto no carrinho Transporta até o guincho Espera Recuperação do carrinho vazio de volta ao andar Fixação do carrinho cheio Volta à betoneira com o carrinho vazio Eventualmente. espera na betoneira Operário 3 Espera pelo carregamento do carrinho cheio e pelo descarregamento do carrinho vazio Subida Espera pelo descarregamento do carrinho cheio e pelo carregamento do carrinho vazio Descida Espera eventual pela chegada do carrinho cheio Operário 4 e 5 Retirada do carrinho cheio da plataforma do guincho Fixação do carrinho vazio Transporte do concreto até o local de utilização Espera eventual antes da utilização Descarregamento no local de utilização Volta à plataforma com o carrinho vazio Espera eventual pela chegada da plataforma trazendo um carrinho carregado Operário 1 e 2 de ar-condicionado. de instalações elétricas e sanitárias etc. Algumas interações possíveis são ilustradas na Figura 2.

Figura 2. ruim ou descoordenada e (iii) 43% das disputas mais comumente relacionadas com a construção são causadas por erros de interação entre o arquiteto e o engenheiro. 2. Os aplicativos disponíveis para cada especialidade da construção civil frequentemente são incacapazes de intercambiar dados (Fig. descoordenados ou carentes de informação essencial.21). na cidade do Rio de Janeiro.Para Lenz Jr. [6] as falhas inerentes a um sistema de comunicação tão complexo induzem prejuízos quanticáveis: (i) 30% do custo de uma construção atual pode ser atribuído ao desperdício. progressos signicativos sejam realizados no conceito de product model Embora aplicado à construção civil. (ii) 50 a 85% de todos os problemas de construção são causados por informação perdida. o que diculta a interação entre equipes. mas não signicam necessariamente aumento no uxo de informações entre especialistas. Os avanços da computação em termos de liberdade na síntese da forma e na capacidade de predição do comportamento da estrutura são produtivos no âmbito de cada disciplina. o que acontece em grande parte porque o projeto é descrito e comunicado por meio de desenhos muitas vezes incompletos. ilustra as diferenças de abordagem entre um projeto arquitetônico e um 24 .21: Interoperabilidade entre aplicativos comerciais [6] A estrutura metálica da passarela Estação Cidade Nova. não está disponível até o momento um aplicativo ou estrutura de dados robusta o suciente para reunir todas as informações de uma edicação em um único banco de dados com interface gráca 3D. que permita a vericação e compatibilização dos projetos de todas as equipes envolvidas.

projeto de estruturas de que trata este estudo. 2011. Figura 2. aproximadamente do mesmo ponto de vista da maquete eletrônica (Fig.23) logo após sua inauguração. Rio de Janeiro.jbmc. os arcos foram estabilizados lateralmente de modo a trabalharem em conjunto e os tirantes foram substituídos por barras mais robustas.22). 2. Na obra construída. Fonte: acervo do autor A maquete sugere que a intenção plástica do projeto arquitetônico fazia contraponto entre o corpo horizontal da passarela e os grandes arcos que dominam a composição. Fonte: www.22: Maquete da passarela da estação Cidade Nova. os arcos aparecem livres contra o céu. Rio de Janeiro. a independência 25 .br Figura 2. apenas sutilmente ligados ao corpo horizontal por tirantes muito nos. 2. 2011. Na concepção original.23: Passarela da estação Cidade Nova. Em resumo.com. a obra foi fotografada (Fig. Para efeito de comparação.

compartilham idéias e executam decisões conjuntas. a especialização de tarefas sem intercâmbio de informação entre os agentes aumenta os riscos de prejuízos simbólicos e nanceiros.visual dos arcos. sacricando a variedade e (iii) o modelo Toyota. • maior e sempre crescente variedade de produtos. O economista Jeremy Rifkin [13] estabelece três grandes esquemas de organização da mão de obra: (i) o modelo medieval. programadores de computador e operários interagem diretamente na planta. • metade do espaço necessário para linhas de fabricação e montagem. Um exemplo eloquente é a eciência da Japan's National Bycicle Company. Existem estratégias para combater estes riscos em dois níveis: (i) na centralização de informação (a exemplo do conceito de reorganização da produção e da mão de obra. engenheiros. (ii) o modelo fordista. Esta planta de trabalho alcançaria: product model ) e (ii) na • metade do esforço humano. • muito menos da metade do estoque no local. quando a transferência de tecnologia de países industrialmente mais avançados encontrou um sistema de produção ainda fortemente marcado pela herança cultural do período medieval. centro da composição inicial. atribuídos (i) ao dimensionamento da estrutura muito posteriormente à sua concepção ou (ii) à indisponibilidade de ferramentas ecazes para intercâmbio de dados entre todos os agentes envolvidos na síntese da forma desde o seu estágio conceitual. foi atenuada por necessidades estruturais. Fatores históricos especiais contribuíram para que os japoneses construíssem seu modelo híbrido entre medieval e fordista. Sua industrialização foi mais acelerada durante o século XX. a altos custos e se foca no atendimento a demandas especícas de cada cliente. que compatibiliza grande variedade e escala de produção com redução de custos. • metade do investimento em máquinas e ferramentas. que aumentou a produção e reduziu os custos. Na fábrica racionalizada japonesa. Casos semelhantes são. Isto resultou na capacidade da indústria de ponta japonesa de atender em larga escala às expectativas de clientes individuais. • menor índice de defeitos. • metade do tempo de projeto para o desenvolvimento de um novo produto. Nos 26 . em geral. que opera em pequena escala. No processo de tomada de decisões.

O produto. A empresa. Pelo contrário. acelerar o processo de concepção e análise de estruturas em pers formados a frio e customizar tanto quanto possível seus produtos. esta proposta exige a compreensão de mais algumas ferramentas computacionais pelas equipes de Arquitetura e Engenharia. Em relação (i) à especialização das tarefas no processo decisório e (ii)à incorporação da fabricação e montagem na fase de projeto conceitual de estruturas metálicas tubulares para a construção civil.postos desta companhia. os clientes são medidos e escolhem os itens que gostariam em suas bicicletas. Quanto à capacidade da indústria brasileira da construção em atender demandas especícas por baixo custo de produção e em larga escala. Não é a intenção deste trabalho centralizar todas as informações relativas a um edifício em um único arquivo. onde as peças são dimensionadas e ocorre a fabricação e montagem de acordo com os esforços solicitantes e a ergonomia adequada ao usuário. era entregue em três horas a partir do momento da inserção dos dados do cliente no computador. 27 . esta investigação foi enriquecida pelo intercâmbio direto com fabricantes de estruturas metálicas. aplicativos estes que irão gerar mais arquivos cujas extensões não são suportadas pelos aplicativos de outras especialidades. mas tenciona-se construir um modelo que de algum modo melhore a qualidade da informação que circula entre dois campos especialistas do saber. esta pesquisa tem um alcance menor do que o projeto product model e a experiência japonesa. Por outro lado. Os dados são enviados por computador para a linha de produção. A quantidade de informação a ser gerenciada não foi reduzida. passou fazer a entrega em uma semana. ao notar que os clientes se frustavam com a satisfação precoce de suas expectativas. as informações geradas pela mediação de um algoritmo multiobjetivo podem modicar o diálogo entre arquitetos e engenheiros. exclusivo. no sentido de quanticar os custos envolvidos nesta etapa da cadeia produtiva.

Capítulo 3 Estratégias para modelagem geométrica 3. Infelizmente. Dadas as diculdades inerentes à modelagem de domínios de busca de estruturas relativamente simples como o da Figura 3. à direita. foram gerados com o auxílio de linguagem de script em Rhinoceros c . a inserção de formas inspiradas na Natureza neste escopo poderia ser interpretada como uma complicação desnecessária. é legítima a pergunta: por que buscar referências em formas inspiradas na Natureza. os respectivos Modelos Estruturais Discretos (MED). um conhecido aplicativo comercial CAD. foram criados em FEMAP c . quando existe um elenco numeroso de arquitetos renomados 28 . não é simples modelar um domínio de busca com variáveis concernentes à Arquitetura e à Engenharia em um único aplicativo comercial. um programa comercial CAE onde o MGU é importado e recebe novos atributos (propriedades físicas dos materiais e propriedades geométricas das seções). Um exemplo simples de domínio de busca é ilustrado pelo tipologia de viga warren. o conjunto de todas as possíveis alternativas que partilham características requeridas pelo projeto. Além disso.1: xada uma distância entre apoios. uma variável contínua (inclinação da viga) e duas variáveis discretas (quantidade de pontos nodais sobre a corda e identicador numérico dos pers no catálogo de um fabricante) bastam para descrever toda e qualquer viga warren que pode ser produzida por uma montadora. apresentada na Figura 3.1. Os Modelos Geométricos Unilares (MGU).1 Apresentação Modelar um domínio de busca para estruturas signica prover. A representação de cada elemento neste conjunto engloba a denicão de seus atributos geométricos (tipicamente efetuada em ambiente CAD) e de atributos usualmente implementados nos sistemas CAE (Computer-Aided Engineering). de algum modo. à esquerda.

Portanto. (b) inc=27% e nós=3.Figura 3. sem consideração dos custos das ligações. como ilustrado na Figura 3. apesar de seu apelo estético. que nos organismos tendem a ser um processo contínuo de adição e subtração de matéria. estruturas articiais que adotassem esta referência seriam ecientes na proporção de suas semelhanças com a Natureza.2. Fonte: acervo do autor que prescindiram desta abordagem? A resposta mais simples e menos completa baseia-se na suposição de que as formas na Natureza são estruturas ecientes. de fabricação e de montagem. Contudo. enquanto em estruturas metálicas eles são um evento discreto (no sentido de que as formas assumem sua conguração denitiva ao nal da etapa de montagem) e pautado na associação de componentes pré-fabricados. A analogia formal com a Natureza. evolução e adaptação. existem dois defeitos nesse argumento. aperfeiçoadas desde sempre pela competição. A segunda resposta para a adoção da Natureza como referência é menos evidente e se baseia na viabilidade de abstração dos algoritmos que descrevem a forma dos seres vivos. por exemplo. Nomear esta adaptação como a versão 29 .1: Vigas Warren: (a) inc=27% e nós=1. Sua aplicação literal em Arquitetura teria pouca utilidade. foi originalmente desenvolvida para a descrição de vegetais [14] e é baseada em conjuntos de regras relativamente simples. alguns dos quais são de domínio público. tem alcance limitado a vericar compatibilidade entre modelagem geométrica e cálculo de estruturas com vericações restritas às barras. enquanto as edicações só adquirem utilidade pelo desvio de forças em função dos espaços connados por elas. Uma das variações da Gramática da Forma. mas o modelo pode ser facilmente modicado para a descrição de reticulados planos e espaciais mais próximos da realidade construtiva atual. A segunda falha no argumento diz respeito aos métodos construtivos. (c) inc=5% e nós=5. Os uxos de força tendem a procurar seu caminho mais curto entre o ponto de aplicação de ações externas e as reações de apoio nas formas da Natureza. O primeiro deles revela-se quando são comparados os caminhos das forças em estruturas naturais e articiais. mas capazes de descrever uma enorme variedade de espécies.

O modelo geométrico de uma estrutura reticulada composta pela associação de barras prismáticas é 30 . progressivamente mais abrangente. Em geral. Fonte: acervo ao autor Diversos aplicativos comerciais. os domínios de busca para barras associadas foram agrupados em três categorias: (i) tipologias tradicionais. Em vista disto. 3.2: Uma aplicação da gramática da forma de vegetais. estes programas permitem o desenvolvimento das mesmas idéias que seriam concebidas com instrumentos tradicionais de desenho. são capazes de criar modelos geométricos para estruturas. mas não é seu objetivo principal.denitiva de uma Gramática de Estruturas Reticuladas seria precipitado. mas ainda há muito por fazer antes que sua implementação esteja plenamente funcional. a Gramática da Forma é a abordagem mais promissora. das regras de fabricação e montagem de estruturas metálicas na modelagem de seu domínio de busca. Figura 3. a um custo de tempo menor ou a concepção de soluções que seriam proibitivamente trabalhosas para serem desenvolvidas por técnicas manuais. Renderizado em Rhinoceros c . usualmente empregados na Arquitetura para desenho técnico e maquetes eletrônicas.3) e sua otimização estrutural conduz a resultados instigantes. A proposição de reticuladas muito semelhantes aos seres vivos (Fig. como demonstrado em exemplos posteriores nesta Tese. Dentre todas as estratégias experimentadas e apresentadas a seguir. face ao que foi de fato implementado durante os trabalhos de pesquisa desta Tese. (ii) analogias formais e (iii) adaptação de algoritmos inspirados na Natureza. mas se aproxima de suas intenções e desdobramentos: a inclusão.

Macros reduzem o tempo necessário para passar instruções ao computador. não podem ser compilados. Por outro lado. estruturas contínuas muito nas. Analogamente. que não estão explícitas ao usuário comum. podem ser criados com pacotes oferecidos pelas empresas proprietárias dos 31 . são representadas por uma superfície contida em seu plano médio. Aplicativos grácos vetoriais oferecem um conjunto de ferramentas nativas. também muito comuns em editores de texto e planilhas eletrônicas. Certas funções dos programas vetoriais. planas ou curvas. os plugins. Tabela 3. mas não permitem ao usuário tomar decisões durante este processo. Fonte: acervo ao autor idealizado por linhas retas cujas extremidades coincidem com o centroide das seções nas extremidades dos elementos. são apenas arquivos de texto com instruções a serem obedecidas pelo programa principal. para criação e edição de linhas e malhas. Ferramentas compiladas desenvolvidas por usuários. Quando uma sequência estrita de tarefas é requerida frequentemente.1: Alguns aplicativos comuns e suas linguagens de Aplicativo AutoCAD Blender RhinoCeros 3DStudioMAX O loops scripting AutoLISP Python RhinoScript MAXScript Linguagem script reúne os recursos usuais de uma linguagem de programação (como e execução condicional) aos comandos do aplicativo para o qual foi desenvolScripts vido.3: Analogias formais com a Natureza. acessadas pelo usuário nal via menus e botões ou através de comandos escritos. a maioria dos aplicativos vetoriais dá suporte a uma linguagem de programação que extende as funcionalidades deste programa para o usuário nal. estes aplicativos permitem a gravação de comandos escritos em macros. os chamados programas de script .Figura 3. podem ser manipuladas através destas linguagens.

mas os scripts costumam ser preferidos por pesquisadores de plugins expressão gráca em Arquitetura.softwares comerciais. 32 . por serem quase tão versáteis quanto os e mais fáceis de desenvolver.

mas não necessariamente premeditadas pelo projetista. permitida pelo conceito de keyframe em animação. controlável através de parâmetros. uma vez que a interpolação pode dar origem a uma grande variedade de soluções intermédiárias que não foram imaginadas a princípio. foi empregado (Fig. usualmente empregada na modelagem da expressão facial de personagens de animação. O é aplicavél sobre conjuntos de linhas. Fonte: acervo ao autor morphing. morphing foi efetuado pela dupla 33 . Um modicador aplica uma transformação sobre o modelo geométrico. A Figura 3. Como elemento comum a todas estas estratégias está a interpolação de soluções em uma série temporal. que pode ou não Twisting. permutados e retirados até que se retorne ao modelo inicial.4 e por Calatrava em coincidir com o centro geométrico do objeto. Turnig Torso Building por exemplo. Os diversos modicadores nativos de um aplicativo podem ser aplicados em cadeia. Isto signica que ao menos três modelos geométricos devem estar prontos antes da aplicação do morphing : o modelo-base não é e os dois alvos para interpolação. Dois exemplos comuns são bending e twisting.5). através desta ferramenta. Um caso raro de estudos em projeto de residências com técnica de de arquitetos Kolatan & MacDonald [1]. Figura 3. tal como realiza torção sobre um eixo. 2.2 Algumas ferramentas nativas em aplicativos CAD As transformações geométricas descritas nesta seção foram acessadas via aplicativo comercial 3DStudio e são usualmente empregadas para modelagem geométrica e animação.5 apresenta uma supercíe obtida pela interpolação de duas outras. consiste basicamente na interpolação entre duas malhas que apresentam a mesma topologia. Partindo-se de geometrias bastante simples e fáceis de modelar.3. morphing uma boa técnica para trabalhar com modelos estruturais treliçados porque não Em Arquitetura é usado como processo criativo. é possivel obter formas complexas através de modicadores. Bending twisting provoca um arqueamento do modelo. Este recurso tem sido explorado por pesquisadores de expressão gráca e arquitetos como parte de um processo criativo no qual as alternativas intermédiárias entre duas soluções concebidas são selecionadas.4: Aplicação de A técnica de bending ao projeto de reticulados. ilustrado na Figura 3.

Fonte: acervo ao autor Outro exemplo de processo criativo baseado em técnicas de animação é a técnica de patch. No entanto. para propósito de otimização estrutural. como primeira tentativa de modelagem de domínios de busca. Isto rearma a hipotése [6] segundo a qual a interoperabilidade entre os sistemas comerciais CAD.6 apresenta três alternativas de composição baseadas nesta ferramenta. não foi bemsucedida a tentativa de vincular ecientemente os arquivos gerados por este aplicativo a outras ferramentas computacionais em sistema CAE. para esta Tese.5: Exemplo de modelagem por morphing.6: Exemplo de modelagem por patch. deciente. A Figura 3. Figura 3. CAE e CAM ainda é.Figura 3. que deforma um objeto enquanto este se move sobre uma curva [1]. Fonte: acervo ao autor Todas as guras desta seção foram gerados em 3DStudio. 34 . É uma estratégia útil para testar alternativas de composição arquitetônica que envolvem mais de uma subestrutura. via de regra.

Fonte: www:grimshaw-architects. esta técnica é capaz de gerar geometrias formalmente complexas ou transformar modelos geométricos iniciais mais simples. Como os acessam subrotinas do programa principal. com a mesma conguração porém com dimensões diferentes. 3. Isto diculta a construção de domínios de busca voltados a necessidades mais especícas. de algum modo. 1993. Adicionalmente. 3. os domínios de busca podem ser dependentes em maior ou menor grau de funções internas sobre as quais o usuário 35 .3. Inglaterra.2 também são consideradas exemplos de modelagem paramétrica.3 Parametrização clássica Parametrizar uma estrutura signica estabelecer funções que. Duas das scripting principais vantagens da modelagem geométrica de estruturas através de são (i) a velocidade com que as soluções são geradas e (ii) a possibilidade de estudar praticamente innitas alternativas através de parâmetros. associam um vetor de números reais a um caso particular dentro de um conjunto de soluções que partilham características em comum.com Um modo de desenvolver domínios de busca com acesso direto às funções e parâmetros é baseado nas linguagens de scripting para aplicativos CAD. como o simples exemplo de uma viga warren apresentado no início deste capítulo (Fig. fossem dispostos ao longo da estação (Fig.7) Figura 3. As técnicas descritas na seção 3. Duas desvantagens das técnicas de parametrização mais comuns são: (i) sua limitação a famílias de formas conhecidas scripts a priori e (ii) a necessidade de desenvolver e implementar uma nova função para cada tipologia de estrutura que se pretenda investigar. que caracterizam o domínio. onde a implantação da obra exigia que 36 arcos triarticulados.7: International Terminal Waterloo Station. Em 1993.1). mas nelas os usuários não têm acesso às funções matemáticas de geração da geometria. o escritório de arquitetura Nicholas Grimshaw and Partners demonstrou a versatilidade da técnica de modelagem paramétrica de reticulados espaciais no desenvolvimento do projeto do International Terminal Waterloo Station.

em um programa de otimização. . + a0 + bn y + bn−1 y n−1 + . é uma parametrização bastante semalhante As coordenadas a TrussFromSurface. com a diferença de que a forma da treliça espacial resulPode-se escrever. . Entre muitas outras experiências de parametrização clássica desenvolvidas nesta investigação. Apelidado de face. . . onde se combinam as chamadas superfícies NURBS (ferramenta nativa do aplicativo) com linhas retas. a parametrização do domínio de busca só é efetiva nos vetores relacionados à identicação numérica das barras em bibliotecas de pers. Esta estratégia é particularmente útil se. . b0 ) e minimizamos esta função. + b0 . dos pontos nodais são dadas por z = z (x. TrussFromSur- seu objetivo é gerar o modelo geométrico de estruturas de casca e reticulados espaciais (módulo de semi-octaedro) com formas orgânicas curvas. a representação matemática das superfícies gem de script. an−1 . Um dos experimentos desta Tese foi a modelagem de domínios de busca em scripts para Rhinoceros c . Figura 3. por exemplo. a0 . bn−1 . TrussFromSurface por sua vez. . y ) = an x + an−1 x + .8: Reticulado espacial gerado por TrussFromEquation. de tal modo que os pontos nodais das sub-estruturas coincidam. . . o que permite que as diretrizes em x e y sejam aproximadas para uma grande variedade de formas. . Embora os modelos geométricos gerados por TrussFromSurface são facilmente convertidos em MED. n n−1 n z (x. y ). . bn . . NURBS não está acessível ao programador em lingua- Por conta disto. escreve-se massa(an . Foram realizadas diversas experiências com a parametrização tradicional de estuturas para esta Tese. a que mais se aproximou de um exemplo de aplicação imediato foi baseada no projeto da cobertura metálica do Centro de Eventos do Ceará (Fig. .não tem controle. tante obedece a um polinômio de grau denido pelo usuário. 36 .

9: Reticulado espacial gerado pelo script hiperbólico 3. Fonte: acervo do autor Figura 3. Fonte: acervo do autor Trata-se de uma treliça espacial executada em pers formados a frio.10: Ensaios de resistência da cobertura do Centro de Eventos do Ceará. onde são identicáveis diversos conjuntos de substruturas. TrussFromEquation. Sua parametrização engloba cinco variáveis: inclinação da cobertura.11: Modelo geométrico parametrizado da cobertura do Centro de Eventos do Ceará. Parabolóide Figura 3. quantidade de módulos (cada módulo é constituído por 37 .Figura 3. altura das vigas transversais. quantidade de montantes nestas vigas.10).

Nos capítulos 5 e 6 serão apresentadas implementações com esta técnica. o Rhinoceros c . a abordagem de parametrização conhecida como Gramática da Forma oferece domínios de busca mais ricos do que as técnicas apresentadas até aqui. Como nos exemplos anteriores nesta seção.duas vigas transversais paralelas e vinculadas por subestruturas). quantidade de subestruturas que solidarizam as vigas principais em cada módulo e afastamento entre módulos. Sem dúvida. script foi escrito em 38 .

Como regra geral. são facilmente adaptáveis a quase todo tipo de problema de otimização. que descrevem o problema. Os algoritmos de busca são divididos em dois grandes grupos. Esta busca inclui um conjunto de regras que permitem alcançar o resultado sem efetuar a busca por todo o domínio. mas seu desempenho é bastante sensível a um conjunto de parâmetros determinados pelo utilizador e pelo desenho da função de aptidão. costumam ser especializados e apresentam um desempenho ruim quando são transpostos para um tipo de problema diferente daqueles para os quais foram desenvolvidos. Os métodos fortes. inspirado na teoria da 39 . Holland. onde n é o número de variáveis. Por outro lado. Começaram a ser sistematizados na década de 70 pelo pesquisador John Holland [15]. discretas ou contínuas. o que faz com que alguns autores o situem numa região intermediária entre métodos fortes e fracos. pois na maior parte dos casos de interesse prático o custo desse procedimento seria computacionalmente inviável. os métodos baseados em gradientes são sensíveis ao ponto de partida no espaço de busca. os algoritmos estocásticos (também chamados de métodos fracos em Inteligência Articial) têm a desvantagem de apresentar uma convergência mais lenta e menos precisa do que aqueles baseados em gradientes (métodos fortes). o que os torna especialmente exíveis e úteis quando existe pouco conhecimento prévio acerca do comportamento da função que se deseja investigar. os estocásticos e os baseados em gradientes.Capítulo 4 Algoritmos de busca Otimizar uma estrutura signica proceder a uma busca automatizada pela solução com o melhor desempenho dentro de um espaço de busca em Rn . Os métodos estocásticos têm também a vantagem de serem algoritmos de amplo espectro. havendo por isso o risco de convergência em um mínimo local. por outro lado. ou seja. que usou uma analogia entre (i) a transcrição dos cromossomos em proteína nas células e (ii) a conversão do código binário em informação nos computadores como o insight que deu origem aos Algoritmos Genéticos clássicos. Os Algoritmos Genéticos fazem parte da família dos métodos fracos.

capaz de abordar um grande número de problemas para os quais ainda não estavam desenvolvidos algoritmos especícos e satisfatoriamente rápidos. recordistas em corrida de curta distância e. Mesmo sem detalhar que diferenças seriam estas. Basicamente. Por alguma razão que não é relevante neste momento. desenvolveu um método geral. Estruturas 40 . foi efetuada através de duas variações de uma ferramenta de Inteligência Articial bastante difundida em otimização de estruturas em Engenharia.seleção das espécies. campeões de natação. salvo o parecer de um especialista. pressão do meio sobre seleção dos in- O exemplo seguinte deve ilustrar a idéia: a Figura 4. Figura 4. os Algoritmos Genéticos (AG). atletas negros e brancos que se destacaram em modalidades olímpicas. nesta investigação.1 organiza. é difícil reconhecer em um esqueleto humano as características que denem um ou outro tipo de atleta de alto desempenho. nas seções seguintes. em duas leiras.1: Recordistas olímpicos O conceito fundamental do AG é divíduos. de modo a permitir que aqueles com melhor desempenho transmitam suas características para as gerações seguintes. Infere-se que alguma diferença anatômica favorece a uns na natação e a outros na corrida mas. aceita-se que alterações sutis na estrutura do corpo humano podem desencadear ganhos de desempenho mecânico. Apreciadores do esporte irão reconhecer. Este capítulo inicia-se com uma explicação em nível bastante intuitivo para.2 como exemplo não foi aleatória. A mediação entre o domínio de busca e as funções de aptidão. entre os demais atletas. este algoritmo da Seleção Natural das Espécies consiste em simular a competição entre indivíduos. entre os indivíduos da primeira linha. todos campeões corredores são negroides e os nadadores de alto desempenho não são negroides. A escolha do esqueleto humano 4. avançar tanto quanto necessário sobre a explicação técnica dos algoritmos implementados.

3).org reticuladas expressivas concebidas nas últimas décadas seguem o mesmo princípio. EUA. suponha-se que uma população aleatoriamente constituída de negros e brancos seja levada para uma ilha isolada.calatrava. Fonte: http://www.Figura 4. Figura 4. 41 . Fonte: http://pt.3: Catedral de São João. 4.2: O esqueleto humano como estrutura.wikipedia. Embora não estejam disponíveis informação sobre o processo de otimização estrutural empregado por Calatrava. como a Catedral de São João do arquiteto Santiago Calatrava (Fig. a despeito do ineditismo da proposta. sua formação como engenheiro sugere que a proporção entre os elementos da estrutura assegura a estabilidade do conjunto. 1980.com Retornando ao tema dos atletas olímpicos.

Em um cenário alternativo. onde os ribossomos atuam como decodicadores. fosse preciso atravessar estes rios a nado. foi dada uma cadeia de base dois (preto e branco) para uma biblioteca de três elementos (caucasiano. se a ilha fosse totalmente cortada por rios repletos de crocodilos e. que se aplica tanto aos seres vivos quanto aos computadores de base binária. para alcançar comida. o conjunto de todas as características que denem um indivíduo. onde a única fonte de alimento na ilha são lebres muito ariscas e os humanos não dispõem de armas e meios para construir armadilhas. o genótipo inicia sua tradução em fenótipo no interior das células. onde a sequência A assume signicado através de um intérprete que a converte na sequência B. Mesmo que houvesse miscigenação completa nas primeiras gerações. O genótipo é um código. No glossário dos AG.Qual seria o perl da população depois de um número grande de gerações. Não existe relação universal entre os tamanhos da base e da biblioteca. sua aparência. ou seja. os constituintes das proteínas. transcrevendo a cadeia de bases orgânicas em cadeias de aminoácidos. nos seres vivos. uma sequência de milhares de elementos formada por bases orgânicas. negróide e miscigenado). haverá uma tendência à homogeneização das características herdadas das gerações anteriores. independentemente da população inicial da ilha. Nos seres vivos. O fenótipo é o produto da interação do meio com a manisfestação do genótipo. se não existir restrições ao acasalamento? Espera-se que. terão mais chances de transmitir suas características para a população que herdar a ilha. Aquele exemplo esquematiza o problema em uma das maneiras mais simples: um cromossomo com dois genes expressando três estados possíveis (chama-se alelo a cada um dos estados possíveis de um gene). é preciso uma sequência 42 . existem apenas quatro bases orgânicas e vinte aminoácidos. é sempre o decodicador que estabelece quantos elementos da sequência A são necessários para denir um elemento da sequência B. se nenhuma informação adicional sobre a ilha for conhecida. melhores corredores. Por volta de 1960 foi demonstrado que. um sistema de comunicação baseado em duas sequências de dados. após certo tempo toda a população convergiria para o tipo branco. isto signica decodicar uma cadeia de base quatro com uma biblioteca de vinte elementos. Nos seres vivos. a população nal seria determinada pela pressão do meio sobre a seleção dos mais aptos a transmitirem descendência. Este exemplo visa ilustrar que. No exemplo da ilha citado anteriormente. os brancos teriam melhores chances de sobrevivência. Para a maioria dos seres vivos conhecidos. Em outro cenário. O segundo conceito fundamental em AG é o de decodicadores. os negros. As características e a quantidade dessas proteínas irão afetar o conjunto de todas as características que denem um indivíduo. é chamado fenótipo.

Existem indícios textuais de que a Resistência dos Materiais. textos. que o computador armazena na memória e emprega internamente para calcular. Portanto. Fonte: http://pt. em origem. No momento em que o usuário requisita.wikipedia. • Armazenar os dados na memória. o matemático Von Neumann propôs uma arquitetura para computadores inspirada no sistema nervoso central dos seres humanos. imagem e som. os computadores acessavam os dados diretamente nos registros de input fornecidos pelos programadores. tal como estabelecida por Galileu Galilei.4). Com a arquiteinput tura em uso atualmente. • Acessar os dados na memória. Figura 4. Antes da arquitetura de Von Neumann. a arquitetura dos modernos computadores é. também foi inspirada na Natureza. Para facilidade de leitura. é mais uma vez apresentada a citação de Galileu [11] que atesta esta hipótese: São empregadas na arte (e com mais frequência na Natureza) milhares de operações cujo propósito é o incremento de resistência sem adição 43 . os computadores convertem o fornecido pelo usuário em um código de base 2.4: Código genético. bio-inspirada. 4. Esquematicamente. Na década de 1940. ambos os sistemas operam em três etapas: • Codicar a informação em dados.org A história dos modernos computadores tem um marco importante vinte anos antes que a transcrição do DNA fosse compreendida e também é marcada pela analogia com a Natureza. assim como os Algoritmos Genéticos. o codicador converte estes dados em base 2 para números.de três bases orgânicas para informar cada um dos 20 aminoácidos (Fig.

fosse constituída da mesma quantidade de material. Se uma haste de palha. Esta é uma experiência que tem sido vericada e conrmada na prática.de massa. Exemplos disso podem ser vistos em ossos de pássaros e em diversos tipos de caniços que são leves e altamente resistentes à exão e à ruptura. onde se constatou que uma seção oca de um tubo de madeira ou de metal é muito mais resistente do que se fosse maciça. para um elemento com o mesmo comprimento e peso. que carrega uma cabeça de trigo mais pesado do que o talo inteiro. mas de uma forma compacta. ela iria oferecer menos resistência à exão e ruptura. 44 .

de um modo geral. o pesquisador John Holland. usou a analogia entre a transcrição dos cromossomos em proteína nas células e a conversão do código binário em informação nos computadores como o insight que deu origem aos Algoritmos Genéticos clássicos. Quando aplicada a outros problemas. capaz de abordar um grande número de problemas para os quais ainda não havia algoritmos especícos e satisfatoriamente rápidos [16]. Cada solução xt i é avaliada de modo a informar sua aptidão e uma nova população (geração t + 1) é criada pela seleção dos indivíduos mais aptos da geração anterior. pela melhor solução. Um algoritmo é mais eciente quando alcança a melhor solução com menos amostras do espaço de busca. através de um espaço de soluções possíveis. 45 . Holland. Este algoritmo geral funciona satisfatoriamente bem quando transposto para diversos problemas de otimização. em fortes e fracas. da Universidade de Michigan. Uma estratégia é dita forte se for desenvolvida sobre pressupostos de um problema e solucioná-lo com baixo custo computacional.4. Frequentemente este espaço de busca é grande demais para permitir uma busca exaustiva (a capacidade de aumentar o espaço de busca sem comprometer o desempenho do algoritmo é chamada escalabilidade). O Algoritmo da Seleção Natural das Espécies é o seguinte: ALGORITMO DA SELEÇÃO NATURAL início t=0 inicie P(t) avalie P(t) enquanto (condição não atendida) faça início t=t+1 Selecione P(t) de P(t-1) Altere P(t) Avalie P(t) fim fim Onde P (t) = {xt . . inspirado na teoria da seleção das espécies. desenvolveu um método geral. Em Inteligência Articial. . xt n } é a população de indivíduos para geração t. as estratégias são classicadas.1 Algoritmo Genético clássico Na década de 70. a estratégia forte falha ou torna-se anti-econômica. Solucionar estes problemas compreende realizar uma busca automatizada.

ex. um vetor chamado cromossomo. A função objetivo pode ter implementação trabalhosa e demandar grande volume de processamento. Com estas denições estabelecem-se cinco aspectos básicos de um Algoritmo Genético: 1. O cromossomo é divido em genes. Métodos para criar a população inicial. aumentando a aptidão média da população até um certo patamar. é uma medida da interação do fenótipo com o meio. 4. 2. a um custo computacional maior do que uma estratégia forte. mantém a diversidade da população. Durante o curso de gerações sucessivas. Isto signica que a população converge em certas características. Métodos para lidar com as restrições do problema. aplicam-se a uma grande variedade de situações. Dentro de um grupo capaz de gerar descendência. que são trechos capazes de serem decodicados em elementos da biblioteca. desenvolvidas sem pressupostos de um problema especíco. tamanho da população. Na Natureza. a despeito das características dos elementos mais aptos das gerações anteriores. a convergência de toda a população para um mesmo fenótipo é um risco. O AG encontra-se em um meio termo entre as estratégias fortes e fracas: apenas um trecho do código-fonte do AG ( a função objetivo) assume as características de cada problema de otimização que ele aborda. Estrutura de dados. A representação dos cromossomos pode ser feita pela combinação de diferentes representações numéricas. a população é um subconjunto das soluções potenciais de um problema e cada indivíduo é identicado pela sua representação binária. pois a introdução de novos fatores de seleção poderia levar toda uma espécie ao colapso. Parâmetros (p. portanto. Esta aptidão. 3. 5. levando à estruturas de dados bem mais 46 . Quando pressionados pelo meio. as características em comum denem a espécie e certas diferenças denem o indivíduo. os cromossomos dos indivíduos mais aptos são recombinados entre si. Cada possível variação de um gene é um alelo. Mutações reduzem este risco pela introdução aleatória de pequenas modicações no código genético dos indivíduos que. Operadores genéticos.As estratégias fracas. o fenótipo de certos elementos deste grupo apresentarão mais aptidão para sobreviver e transmitir seu genótipo para a geração seguinte. número de gerações e probabilidade de aplicação dos operadores). Em termos computacionais.

O modo mais geral para a criação da população inicial é o preenchimento de S por um método randômico. 3. os operadores genéticos mais comuns são mutação e crossover. Decodicadores que evitam a criação de indivíduos que violem restrições. da-se à representação do cromossomo a designação genérica de estrutura de dados S . 47 . Para lidar com as restrições de um problema.complexas do que a representação binária dos AG clássicos. Michaelewicz [17] considera que esta tarefa permanece uma arte. Tendo isto em vista. Em AG. A mutação gera novos indivíduos por pequenas alterações em um único indivíduo (mi : S → S ) e o crossover procede à transformações de larga escala pela combinação de partes de dois ou mais indivíduos ( cj : S × · · · × S → S ). A imposição de penalidades. existem três estratégias principais: 1. 2. mesmo com o volume de esforços já despendidos em pesquisa para a parametrização destes valores. Algoritmos de reparo. Alguns autores consideram que não há método seguro para predição dos valores para os parâmetros a serem adotados em AG.

onde cada ponto representa uma estrutura de massa diferente. os Algoritmos Genéticos são em geral caracterizados por algumas desvantagens.5 apresenta uma população com três indivíduos. (ii) as funções de aptidão sejam contínuas e (iii) exista uma solução que maximize (ou minimize) simultaneamente todos os objetivos. mais eciente quando submetido à exão). um perl mais eciente quando submetido à compressão será diferente de outro. Este método foi inspirado no processo da evolução natural das espécies e. mas não existe um cavalo perfeito). por outro lado. Tome-se um problema hipotético de minimização de massa. O conceito de não-dominância é facilmente compreendido através de um exemplo simples.4. Algoritmos baseados em programação matemática. herda algumas imperfeições do seu modelo original (cavalos são o produto de muitos milhões de anos de evolução. por comodidade para pesquisa de referência. é voltado para problemas de otimização com múltiplos objetivos e obedece as regras de elaboração de uma fronteira de Pareto [19] pelo conceito de não-dominância. O conjunto de todos os elementos possíveis de uma população também é chamado domínio de busca. Este algoritmo. de domínio público. desde que (i) as derivadas das funções envolvidas sejam conhecidas. um caso de otimização com apenas um objetivo. podem oferecer como produto um indivíduo ou uma população inteira de resultados. Ante a complexidade em se obter derivadas contínuas das funções de resistência e dos conitos entre os objetivos. ou seja. os objetivos podem ser conitantes entre si (um valor de carga mais elevado pode estar associado a uma forma desnecessariamente cara. Contudo. Um indivíduo pode dominar uma parte da população e. será designado pelo seu nome original em Inglês [18] : Modied Non-Dominated Sorting Genetic Algorithm (NSGA-II). Algoritmos Genéticos apresentam as características adequadas para o desempenho da tarefa a um custo computacional aceitável: trabalham sobre populações de possibilidades. portanto. A Figura 4. diversos problemas de otimização de reticulados são difíceis quando abordados por programação matemática porque as funções relacionadas à resistência não são contínuas. como alto custo computacional e ausência de garantias sobre a obtenção dos valores ótimos globais.2 Um Algoritmo Genético multiobjetivo: NSGAII Entre os métodos computacionais de otimização mais conhecidos. ser dominado pela parte restante: o ponto C domina o ponto A porque 48 . onde todos os objetivos (mesmo os conitantes) são contemplados. ao mesmo tempo. oferecem um método eciente e seguro. O modelo empregado nesta Tese.

Todo o elemento parcialmente não-dominado em relação a um elemento do Pareto é elegível para a fronteira. pois domina o elemento B (contido 49 . Quando o objetivo é a minimização de massa.6: População com quatro indivíduos Claramente. 4. mas é dominado por B porque massaB < massaC . apenas o ponto B pertence à fronteira de Pareto neste exemplo. Figura 4. o elemento B é não-dominado e os demais são dominados por B (Fig. os pontos A e B são não-dominados para ao menos um objetivo. Sendo assim. Imagine-se agora um problema com dois objetivos: minimizar massa e deslocamentos de uma estrutura. O elemento D é parcialmente não-dominado.Figura 4. porém não para todos e por isso diz-se que A e B são parcialmente não-dominados em relação a um elemento contido no Pareto.6(a)). A fronteira de Pareto é um conjunto de indivíduos não-dominados do domínio de busca. A Figura 4.5: População com três indivíduos massaC < massaA . Portanto.6 apresenta o gráco de massa vs deslocamento deste caso. 4.6(b)). o ponto B domina toda a população. quando o objetivo é a minimização de deslocamentos. enquanto o ponto A não domina elemento algum. o elemento A é não-dominado e os demais são dominados por A (Fig.

50 . Para problemas de minimização.7. Os objetivos são elementos do vetor f. Soluções com maiores valores de np são sucessivamente armazenadas em outras fronteiras. Para integrar NSGA-II com um domínio de busca em estruturas. não é elegível ao Pareto. Quando todas as soluções foram ranqueadas. contido no Pareto. uma população P de candidatos na forma w é criada aleatoriamente e cada indivíduo é avaliado separadamente. Primeiro. A condição para que uma solução w seja incluída na fronteira de Pareto é que ela seja parcialmente não-dominada ao menos por um elemento desta mesma fronteira. com a nalidade de incrementar a diversidade na população. estabelece-se a associação entre um vetor de parâmetros w em cromossomos codicados no formato de números reais. O elemento C .no Pareto) pelo critério de deslocamentos. NSGA-II cria a primeira população de soluções por processo randômico. Um uxograma básico do NSGA-II é apresentado na Figura 4. portanto. para qualquer dos objetivos. onde p é a dimensão do vetor w. a cada qual se atribui um valor de rank . Mais detalhes e o código fonte completo do NSGA-II em linguagem MATLAB podem ser encontrados na referência [18]. é calculada a densidade (crowding distance ) em cada fronteira: às maiores densidades são atribuídos os menores valores de aptidão em cada fronteira. onde n é o número de objetivos. O NSGA-II emprega ranqueamento e densidade como medida da aptidão das soluções. O elemento C . A cada individuo p ∈ P são atribuídos dois valores: (i) np é a quantidade dos elementos em P que dominam p e (ii) Sp é a quantidade de elementos em P dominadas por p. Cada cromossomo é um vetor p-dimensional. por outro lado. é completamente dominado por D. Todas as soluções nas quais n -dimensional np = 0 são armazenadas na primeira fronteira e recebem rank = 1. o indivíduo w1 é parcialmente não-dominado pela solução w2 se existe ao menos uma entrada em f (w1 ) que seja menor do que a mesma entrada em f (w2 ).

7: Fluxograma básico do NSGA-II 51 .Figura 4.

a contemplar requisitos estruturais e construtivos. de maneira que o algoritmo será apresentado com mais detalhes do que os outros tópicos. bem como visualização. simplicidade para implementação computacional e facilidade de customização para necessidades especícas. úteis e competitivos.Capítulo 5 Modelo I: barras isoladas Este capítulo formaliza o domínio de busca que inclui a geometria de todos os pers de aço formados a frio (PFF) que podem ser fabricados e exclui qualquer geometria que não seja passível de fabricação. análise e optimização dos pers. Este trabalho introduz a noção de que a fabricação de PFF pode ser denida como uma linguagem. 52 . A Gramática PFF foi implementada por atende a três requisitos propostos por esta pesquisa: técnicas de scripting dentro de aplicativos computacionais pré-existentes. Um Algoritmo Genético é aplicado sobre este domínio para obter o conjunto das melhores soluções. voltados para Desenho Assistido por Computador (CAD) ou para Engenharia Assistida por Computador (CAE). Este estudo foi concebido para ser autocontido. (ii) Método das Faixas Finitas para análise elástica de ambagem. resistentes. Estas plataformas permitiram o desenvolvimento da gramática. que será doravante especicada simplesmente como Linguagem PFF. A Linguagem PFF capacidade descritiva. A caracterização deste conjunto é ponto de partida para o desenvolvimento de produtos inovadores. motivo pelo qual é apresentada uma revisão dos tópicos essenciais que estão integrados no tema apresentado: (i) Gramática da Forma. Os resultados revelam que geometrias inovadoras e com elevados valores de resistência podem ser obtidas a partir do conjunto nito de regras de fabricação prescritas nesta gramática. Trata-se de uma abordagem pouco comum em Engenharia Civil. (iii) Método da Resistência Direta e (iv) uma versão modicada de um Algoritmo Genético multiobjectivo baseado no conceito de não-dominância.

Esta estratégia permite aliar a ganhos na economia de produção em larga escala com adaptações às necessidades especícas. de forma que a encomenda de tubos com dimensões especiais acarreta mais custos.1 esclarece como. Experiência prossional em Engenharia é essencial no projeto tradicional das tipologias usuais para denir corretamente ângulos entre as paredes adjacentes das barras. existe um preço a ser pago pelo número exagerado de operações de dobra nos equipamentos disponíveis atualmente e PFF são difíceis de otimizar porque não existe uma função contínua que inclua a geometria do perl. pois o custo de customização de PFF é relativamente pequeno se comparado a outras alternativas. Parametrizar uma tipologia signica atribuir um vetor de números reais a cada caso particular dentro de uma família de pers. é esperado que o maior número de dobras em uma chapa induza ganhos na resistência das barras. Infelizmente. O estágio atual da tecnologia de fabricação oferece um conjunto nito de operações que podem ser aplicadas sobre chapas nas de aço para obtenção de PFF. a para53 . Cada tipologia em PFF é uma conguração espacial especíca entre paredes adjacentes. O processo de fabricação de pers de aço tubulares sem costura. o custo de fabricação e os comportamentos de ambagem e resistência. basta um número real x = {x ∈ R : 0 < x < 1} para descrever qualquer geometria entre todos os possíveis pers cantoneira se os raios das dobras forem desconsiderados. Por outro lado.5. A parametrização mais simples é efetuada para o perl cantoneira porque apresenta apenas duas paredes ortogonais. por exemplo. Em geral. dada uma chapa plana de largura p (onde p é o perímetro do perl). (iii) cálculo da resistência e (iv) algoritmo de busca. A Figura 5. Este problema é mais facilmente trabalhável quando organizado em quatro linhas de investigação: (i) modelagem do domínio de todos os PFF fabricáveis e somente estes. estabelecer proporções entre as partes e posicionar pequenas dobras que trabalhem ecientemente como enrijecedores intermediários. mas existem praticamente innitas maneiras de recombiná-las para produzir desde formas muito simples até geometrias consideravelmente complexas. favorece sua distribuição através de um catálogo pré-denido de pers.1 Contexto Pers de aço formados a frio são largamente empregados na construção civil. Parametrizar uma tipologia especicada é tarefa relativamente simples. se não houver nenhuma informação prévia acerca da tipologia. (ii) análise de ambagem. onde a prática geral associa um grande número de barras com pouca variedade de tipologias para criar estruturas leves e capazes de vencer grandes vãos.

21] e manuais de projeto. os conjuntos de todos os pers abertos. enquanto o conjunto B é uma extrapolação de C com dimensão 54 . tal como ilustrado na Figura 5. B é o subconjunto de A de todos os pers fabricáveis. Figura 5.2: Os três subconjuntos fundamentais para a construção de domínios de busca em PFF Os conjuntos A. de todos os pers fabricáveis e de todos os pers previstos em normas técnicas e manuais. respectivamente. a parametrização pode ser efetuada convenientemente se forem discriminados três subdomínios no universo de todas as formas planas de perímetro constante.1: O perl cantoneira ilustra o caso mais simples de parametrização entre os PFF metrização torna-se uma tarefa bastante mais difícil. principalmente se regras de fabricação precisam ser levadas em consideração. O conjunto C é nito e tem poucos elementos.2.Figura 5. De todo modo. B e C serão utilizados para designar. C é o subconjunto de B de todas as tipologias de PFF previstas em códigos [20. onde: A é o conjunto de todas as curvas planas abertas (não há interseções).

innita e exige um algoritmo gerador de formas para descrever um elemento qualquer dentro deste subconjunto. Além disso. Também os enrijecedores de borda e intermediários são obtidos com diculdade. O algoritmo gera metade do perl. Portanto. recozimento simulado. 23] O trabalho de Gilbert [24. A cada posição de dobra é atribuída uma variável que indica o ângulo entre os segmentos adjacentes. Figura 5.3(c)) é então submetido a diferentes algoritmos de busca.3(d) e (e)). 23] estipula uma chapa de perímetro constante (Fig. Este vetor de variáveis (Fig. por sua vez. sendo que o perl completo é obtido pelo espelhamento 55 . 5. 5. As formas obtidas por Leng são difíceis de fabricar e de associar em grandes estruturas (Fig. com algumas estratégias em comum: (i) algoritmos de busca (AG. 5. 25].4(a)) são partidos e recombinados aos pares para gerar novos pers (Fig. redes neurais entre outros) e (ii) funções de aptidão (Método da Resistência Direta com auxílio de aplicativos baseados no Método das Faixas Finitas). Pers gerados aleatoriamente e discretizados em segmentos de 1mm (Fig. Diversos trabalhos recentes na literatura abordaram este problema.3: Otimização de PFF segundo Leng [22.3(b)). 5. 5.4(b) e (c)). As diferenças mais importantes entre estes trabalhos reside na modelagem do domínio de busca. 5. Destaque-se que certos elementos em A não são fabricáveis e que há elementos em B que são desnecessariamente caros.3(a)) e dene sobre ela uma quantidade também constante de dobras igualmente espaçadas (Fig. programação matemática. como os segmentos apresentam comprimento constante. Leng [22. explora uma variação dos AG na qual os operadores genéticos atuam sobre o fenótipo dos cromossomos. o propósito prático do desenvolvimento de produtos inovadores em PFF é oferecer subconjuntos P ⊂ B com as maiores resistências aos menores custos possíveis. não são obtidos raios de dobra.

construído pelo formalismo da Gramática da Forma [26] e sua explicação é autocontida desde que se assuma o seguinte: 56 .4(d).4: Otimização de PFF segundo Gilbert [24. (e) e (f)). de implementação computacional sem um grande (potencialmente innito) número de casos condicionais para parametrizar cada possível tipolo- Facilidade de customização para necessidades especifícas. O gerador de formas de B deve apresentar três características: Simplicidade gia. Figura 5.da primeira metade. 25] Todas estas abordagens [2225] descrevem subconjuntos de A ou B . ele deve ser apto a desempenhar funções que variam a cada novo projeto. mas não estabelecem o conjunto B completamente. 5. Capacidade descritiva B. O trabalho de Gilbert também incide na impossibilidade de fabricação e montagem impostas pelas formas resultantes (Fig. para abranger todos e somente os elementos do conjunto O método computacional apresentado neste capítulo é dirigido para a otimização de pers abertos de aço formados a frio com maximização de resistência e minimização de custo com domínio de busca no conjunto B . pois não basta um perl ser fabricável.

que indicam a eciência com que aquela forma atende aos objetivos estabelecidos no projeto. É suposto que as duas funções compostas da Equação 5. por sua vez. ser validadas por programas experimentais. ângulos entre paredes adjacentes são designados pelo vetor θ. Portanto. ρ) (5. o módulo de elasticidade E . O primeiro caso é baseado em fórmulas fechadas obtidas pela teoria da estabilidade elástica. A sequência genérica destas transformações é chamada de vetor ϕ. especialmente no que tange a pers de aço formados por paredes nas. é argumento para funções de aptidão.1: w = w(ϕ.1) O perl w. Global (G) e Distorcional (D). um perl genérico w ∈ B pode ser representado pela Equação 5. θ. que provê cargas críticas associadas aos modos de deformação na ambagem de PFF: Local (L). NcR é a resistência nominal a compressão. são impostas aos cantos dobrados do PFF a cada operação de conformação da chapa de aço. o perímetro total da seção e o comprimento da barra são constantes). MR é a resistência nominal a exão simples Existem duas maneiras de se obter os valores de NcR e de MR : (i) por pré-computação da função H . nesta etapa. que são disseminadas 57 . • As resistências obtidas não precisam. Entende-se por barra fabricável aquela que é obtida de uma chapa de aço plana e contínua (sem furos) com dimensões conhecidas (neste estudo. o coeciente de Poisson ν . • Os solvers especializados em análise de ambagem e cálculo de resistência são admitidos como caixa preta. inevitavelmente. um terceiro vetor κ indica proporção entre as larguras das paredes e o vetor ρ indica os raios das curvas que.• Não é requerido ao leitor possuir conhecimentos avançados em engenharia de estruturas. que resultam em fórmulas simples para tipologias especícas ou (ii) por computação numérica de H . após uma sequência nita de transformações geométricas por dobras formadas a frio. κ.2 serão sempre válidas para a computação das resistências: Força axial: w → H (w) → NcR (H (w)) Momento etor: w → H (w) → MR (H (w)) onde: (5.2) H é a análise de ambagem.

5 é uma apresentação esquemática das duas diferentes abordagens. e como primeira aproximação. o algoritmo se presta a certos casos de otimização da resistência de vigas-colunas. tem-se uma otimização de vigas. Uma vez que CM . Fonte: acervo do autor Finalmente.3) w∈B A manipulação destes objetivos resulta em diferentes produtos: se apenas a Equação de NcR (w) for dasativada. a grandeza CM (w) que representa os custos de manufatura será adotada como função linear dos números de dobras em um perl. O segundo caso. NcR e MR estejam denidos. Se todos os objetivos forem simultaneamente requeridos. onde a computação explícita de H requer a solução de grandes problemas de autovalores para qualquer w ∈ B . é uma abordagem promissora para o desenvolvimento de produtos inovadores. Os três objetivos da Equação 5. onde o dimensionamento poderia ser realizado sem o auxílio de computadores. ou seja. tem-se um estudo de otimização de colunas. apenas a Equação MR (w) for oculta. no entanto. Figura 5. É impossível adotar a segunda abordagem sem solvers computacionais para H e existem excelentes ferramentas partilhadas gratuitamente por seus desenvolvedores através da Internet. Estes casos. são dirigidos ao projeto tradicional de engenharia. que requerem equações adicionais para o cálculo da resistência de vigas-colunas. por simplidade. pois é esperado que a forma com 58 . o processo de desenvolvimento de PFF inovadores é uma otimização multiobjectivo formalizada na Equação 5.através de normas técnicas e manuais de fabricantes.5: Funções para o cálculo de resistência (a) por fórmulas fechadas e (b) por solvers computacionais.3: Maximize NcR (w) Maximize MR (w) Minimize CM (w) Sujeito a (5. Neste capítulo. A Figura 5. se. onde a função H é mantida implícita.3 estão em conito entre si. a notação das funções compostas NcR (H (w)) e MR (H (w)) será abreviada para NcR (w) e MR (w).

Linguagem Esta metodologia segue. Encontrar ou demonstrar equivalências entre linguagens naturais e processos construtivos em Engenharia Civil ou métodos de dimensionamento estrutural está fora do escopo deste trabalho. A Linguagem PFF é um conjunto de sentenças. tal como apresentado na Tabela 5. nesta seção. de biblioteca de pers.2 Modelagem do domínio de busca A abordagem por Gramática da Forma interpreta o conjunto B como a PFF.6. como abstrações matemáticas derivadas de um ramo da teoria de grupos atribuída a Axel Thue [28]. tal como estabelecida por Stiny e Gips [27]. cada qual nita em comprimento e construída a partir de um conjunto nito de símbolos ou caracteres chamado Alfabeto PFF.6: Fluxograma elementar para desenvolvimento de PFF inovadores. A fabricação de qualquer barra de aço em perl formado a frio inicia-se com uma chapa plana. cada elemento a contemplar um objetivo em diferentes graus de eciência. Há muitas alternativas entre algoritmos publicados que procedem a otimização. O uxograma elementar para obtenção de bibliotecas de pers é apresentado na Figura 5. cuja geometria é sucessivamente substituída por uma nova geometria 59 . PFF A técnica apresentada nesta investigação representa o Alfabeto por caracteres. Os conceitos de linguagem e gramática devem ser entendidos.1. Figura 5. com pequenas adaptações. mas Algoritmos Genéticos (AG) aguram-se uma escolha particularmente adequada porque são capazes de oferecer um conjunto de resultados como solução. neste caso. o modelo original da Gramática Gerativa proposto por Chomsky [3] para descrever as estruturas sintáticas das linguagens naturais. O subconjunto P ⊂ B de melhores pers capturado em fronteira de Pareto por GA [19] será chamado. bem como a interpretação geométrica desta teoria.melhor desempenho estrutural sob compressão será diferente daquela com melhor desempenho sob exão ou um caso particular de combinação de compressão e exão e ambas serão diferentes da forma que implica no menor custo de fabricação. Fonte: acervo do autor 5.

Figura 5. se não de todas as tipologias previstas em norma técnicas. Incremente o ângulo entre elementos discretos de uma curva d Compute o comprimento do arco entre paredes planas através de operações de dobra. portanto.Tabela 5. Este corpus conjunto de sentenças é chamado o conjunto C da gramática. gramática e linguagem são denições cíclicas: a gramática é um dispositivo que gera todas as sentenças válidas em uma linguagem. Partindo-se da constatação O exame da Figura 5. do conjunto de regras 60 . linguagem. precisa de um ponto de partida. A construção de uma gramática. um panorama da maioria. é o conjunto (virtualmente innito) de todas as sentenças geradas por uma gramática. é imediato que é um corpus para a Gramática PFF. Note-se que. um conjunto de sentenças aceitas como válidas a priori.1: Alfabeto PFF e sua interpretação geométrica Alfabeto Interpretação geométrica F Desenhar um segmento plano V Parede do enrijecedor intermediário + Incremento do ângulo entre segmentos (variável) * Incremento do ângulo entre segmentos (constante) % Decremento do ângulo entre segmentos (constante) [ Início do primeiro segmento (antes de uma dobra) ] Fim do primeiro segmento (antes de uma dobra) < Início do segundo segmento (depois de uma dobra) > Fim do segundo segmento (depois de uma dobra) { Início de um segmento com simetria } Fim de um segmento com simetria ( Início de um segmento entre duas paredes de mesmo tamanho ) Fim de um segmento entre duas paredes de mesmo tamanho f Elemento discreto em uma curva Incremente o ângulo entre paredes planas . em última instância. por sua vez.7: Formas usualmente previstas por normas técnicas de dimensionamento de Pers Formados a Frio O estudo do corpus permite o estabelecimento de padrões.7 oferece de que as tipologias previstas em normas técnicas são fabricáveis. Este processo é convenientemente representado por um sistema de reescrita. onde um conjunto de regras determina como os segmentos da sentença serão modicados ao longo de uma sequência nita de substituições. a partir do qual as regras gramaticais sejam identicadas.

que caracterizam a correção das sentenças contidas nele e excluem as sentenças inválidas. A Gramática é um tipo de dispositivo que projeta um conjunto nito de sentenças válidas no conjunto innito de todas as sentenças de uma Linguagem. A
Gramática PFF,

portanto, gera todas as sentenças válidas da

Linguagem PFF

e

nenhuma das sentenças que sejam gramaticalmente inválidas. Esta abordagem herda algumas características do modelo original das gramáticas gerativas, destacadas por Chomsky [3]:

• Não existem aproximações estatísticas. Ou uma sentença é gramaticalmente correta ou é completamente inválida. Uma gramática é incapaz de gerar uma sentença quase correta, ou um conjunto constituído apenas majoritariamente por sentenças válidas. Isto implica que é impossível gerar um perl w por Gramática PFF se esta forma não é factível por regras de manufatura, mesmo que w conduza hipoteticamente a resistências mais elevadas; • A noção de sentença gramaticalmente correta não deve ser identicada com a de provida de signicado, pois uma sequência válida de símbolos pode resultar em geometrias com interseção entre as paredes. Um algoritmo simples, por analogia designado vericador semântico, exclui as geometrias sem sentido.
Qualquer sentença em C é obtida por substituições recursivas a partir de uma chapa plana inicial de dimensões conhecidas. A chapa inicial é chamada axioma e as transformações permitidas pela moderna tecnologia de dobra são regras gramaticais interpretadas como reescreva X como Y. A observação do
corpus

permitiu a que

identicação de seis regras simples para a fabricação de PFF, tal como ilustradas na Figura 5.8 e codicadas na Tabela 5.2. Todos os símbolos do
alfabeto PFF

não foram listados nesta Tabela seguem a regra da identidade (X → X ). Qualquer forma derivada do axioma por este conjunto de regras é lida como derivação da sentença w. O primeiro teste para validar uma gramática é derivar as sentenças contidas no
corpus.

Axioma Regra 1: Regra 2: Regra 3: Regra 4: Regra 5: Regra 6:

Tabela 5.2: Conjunto de regras da Gramática PFF +F Interpretação geométrica F →F Mantenha este segmento inalterado F → [F ] < uF > Dobre esta chapa em um ponto F → F (uF )uF Dobre esta chapa em duas posições F → [F ] < %v ∗ ∗v %F > Enrijecedor intermediário com duas paredes F → F (%v ∗ vv ∗ v %)F Enrijecedor intermediário com três paredes u → −f.f d.f.f. Discretize uma curva com quatro paredes planas

Uma breve inspeção permite constatar o seguinte: 61

Figura 5.8: Conjunto de regras para gramática PFF: (a) identidade, (b) dobras e (c) enrijecedores intermediários

• Todas as sentenças em C são geradas pelo conjunto de regras contidas na Figura 5.8; • É possível obter a mesma forma por diferentes derivações; • Obter desenhos corretos requer informações adicionais sobre ângulos, pois existem pers diferentes que seguem a mesma derivação, como exibido na Figura 5.9; • Nenhum perl especíco é denido sem informações sobre o tamanho relativo entre as paredes. Em outras palavras, o vetor ϕ determina as derivações, enquanto os vetores auxiliares θ, κ e ρ mantém as instruções de fabricação a salvo contra ambiguidades.

Figura 5.9: Pers diferentes podem obedecer à mesma derivação A derivação de sentenças pelo sistema de reescrita produz muito rapidamente cadeia de caracteres praticamente incompreensíveis aos olhos humanos, mesmo na derivação de formas simples do conjunto C . Por exemplo, a derivação do perl U enrijecido ilustrado na Figura 5.9a, baseada nas Tabelas 5.1 e 5.2, resulta na seguinte cadeia de caracteres:

Axioma: +F derivação 1: +{F(_f.fd.f.f.F)_f.fd.f.f.F} derivação 2: +{F(_f.fd.f.f.{F(_f.fd.f.f.F)_f.fd.f.f.F}) _f.fd.f.f.F}
62

Três derivações são o bastante para gerar a cadeia de caracteres que representa a Figura 5.10, mas nenhuma forma especíca é compreensível a olho nu nestas linhas de símbolos. Este exemplo revela como a interpretação computacional assume um papel central na
Gramática PFF.

Axioma: +F derivação 1: +{F(_f.fd.f.f.F)_f.fd.f.f.F} derivação 2: +{{F(_f.fd.f.f.F)_f.fd.f.f.F}(_f.fd.f.f.F) _f.fd.f.f.{F(_f.fd.f.f.F)_f.fd.f.f.F}} derivação 3: +{{{F(_f.fd.f.f.F)_f.fd.f.f.F}(_f.fd.f.f.F) _f.fd.f.f.[F]<%v**v%F>}(_f.fd.f.f.{F(%v*vv*v%)F}) _f.fd.f.f.{[F]<%v**v%F>(_f.fd.f.f.F)_f.fd.f.f. {F(_f.fd.f.f.F)_f.fd.f.f.F}}}
Desenvolver esta gramática não requer habilidades avançadas de programação, mas exige uma plataforma CAD relativamente robusta para compilação e debugging. Escrever o código fonte de um aplicativo CAD plenamente funcional, por outro lado, é um desao completamente distinto e envolve um grau de diculdade elevado. Felizmente, muitos aplicativos comerciais e de código-fonte livre oferecem linguagem de
script

que permitem o desenvolvimento destas estratégias de modelagem geoméGramática princípio da tartaruga.

trica. Uma vez que a plataforma esteja disponível, a implementação da
PFF

é concluída com facilidade através do

A tartaruga é

representada pelo trio ordenado (x, y, α), onde as coordenadas cartesianas representam a posição atual do cursor e sua face é orientada pelo ângulo α, chamada cabeça da tartaruga. Dada uma direção inicial e o tamanho de um passo, a tartaruga responde aos comandos representados por símbolos, como na Tabela 5.1, incluindo-se rotação, translação e mudança do comprimento do passo. Os modelos tridimensionais que ilustram a implementação computacional desta gramática foram gerados por técnicas de construção da
scripting

em Rhinoceros c [29, 30]. Prusinkiewicz [14] apresenta

detalhadamente o princípio da tartaruga e muitos pseudo-códigos que embasaram a
Gramática PFF.

5.3 Funções de aptidão
5.3.1 Análise de ambagem
Barras estruturais constituídas por paredes nas de aço são muito sensíveis aos fenômenos de ambagem, associados à ocorrência de complicados mecanismos de plasticação até atingir sua resistência nal. Isto é válido para o caso de barras de aço formadas por conformação a frio, que desenvolvem mecanismo de 63

que irá controlar o comportamento estrutural da barra. frequentemente tão grandes quanto o comprimento longitudinal da barra. O menor valor entre as cargas associadas a cada modo de ambagem identica o modo crítico. com a formação de mecanismo plástico. nalmente. As deformações deste modo irão se acentuar progressivamente até desenvolver linhas de plasticação na chapa. o modo de ambagem global (G) manifesta-se em comprimentos de onda muito maiores. que está em estreita correspondência com a compressão uniaxial de chapas planas.10: Interpretação geométrica da derivação anterior através do princípio da tartaruga 64 . Pers de aço formados a frio podem incorrer em três tipos diferentes de ambagem. através de uma análise prévia para identicação do modo crítico de ambagem da peça.11: (i) ambagem local (L). torção ou exo-torção. (ii) ambagem distorcional (D). Isto obriga o projetista a identicar as deformações que serão impostas à barra originadas da ambagem. o modo distorcional (D) ocorre em comprimentos de meia-onda maiores do que o modo local e. que se comporta como uma combinação de exão local da placa com deslocamentos dos vértices nas dobras do perl e (iii) ambagem global (G) que inclui modos de ambagem associados à exão. tal como ilustrado na Figura 5. O modo local (L) manifesta-se em pequenos comprimentos de meia-onda (na ordem de grandeza da largura da parede bw ).falha pela combinação das deformações (provocadas por ambagem elástica da peça) com as tensões de mecanismos plásticos localizados nas paredes do perl. como é o caso quando as condições de apoio são do tipo rotulado em ambas as extremidades. O fato de um modo de ambagem ser Figura 5.

Distorcional (D) e Global (G) A ambagem e a resistência de pers de aço formados a frio são investigadas em estreita consonância com a teoria da estabilidade elástica e com análises numéricas e experimentais. O CUFSM é distribuído como aplicativo executável em formato binário ou através do código-fonte em linguagem MATLAB.dominante não anula sua interação com os demais. todas as equações do DSM estão baseadas nas cargas de ambagem respectivamente associadas à compressão axial N ou momento etor M da barra em PFF. No entanto. (ii) ambagem distorcional Ndist e Mdist e (iii) ambagem global Ne e Me . com base em equações meticulosamente calibradas pela análise experimental. o Método da Resistência Direta (Direct Strength Method . Estas equações estão disponíveis para os ns práticos do cálculo estrutural em manuais e normas técnicas. O FSM é empregado nesta investigação com o auxílio de CUFSM [32].FSM) e a Teoria Generalizada de Vigas (General Beam Theory . Os desenvolvedores não apenas permitem como incentivam que o código-fonte seja empregado por outros grupos de pesquisa. tal como 65 . O CUFSM permite a análise de ambagem de qualquer tipo de barra em PFF. fundamentado em décadas de um esforço internacional de pesquisa. Em particular.GBT) são os métodos mais ecientes para resolver os problemas de ambagem elástica de pers formados a frio. permitindo o cálculo da resistência associada à interação entre diversos modos de ambagem. Figura 5. o que exige que os pesquisadores adquiram uma profunda compreensão destes mecanismos. como a natureza do mecanismo de falha em pers formados a frio está sempre relacionada com os já mencionados modos de ambagem. Atualmente. A identicação dos modos de ambagem requer análises de ambagem baseadas na solução de grandes problemas de autovetores.11: Os modos de ambagem Local (L). ou seja: (i) ambagem local Nl e Ml .DSM) [31] é reconhecido entre aqueles que melhor combinam simplicidade e precisão. o Método das Faixas Finitas (Finite Strip Method . a m de serem estabelecidas equações precisas para o cálculo da resistência. ferramenta computacional gratuitamente partilhada por seus desenvolvedores pela Internet.

13. a exemplo do aplicativo computacional GBTUL [33]. De maneira geral. (ii) momento 66 . o que permite ao usuário desenvolver seus aplicativos de acordo com seus próprios interesses e necessidades. como é o caso da presente investigação. Distorcional (D) e Global (G) obtidos pelo aplicativo CUFSM. Note-se que. o modo global é identicado pela equivalencia entre o comprimento da barra e o comprimento meia-onda ou através de fórmulas fechadas.13: Resultads da análise de ambagem através do Método das Faixas Finitas: modos de ambagem Local (L). a ferramenta CUFSM baseada no Método da Faixas Finitas oferece acesso imediato ao código-fonte.12 e 5. Figura 5. o modo global não está associado a um mínimo.13. Embora a GBT ofereça excelentes resultados para análise de ambagem. na Figura 5.05 Schafer [32] adverte que os seguintes casos de interesse prático na Engenharia não são contemplados pelo FSM (e. pelo CUFSM): (i) ocorrência de múltiplos ou indistintos modos de ambagem local ou distorcinal. sendo incluído para ns de comparação com os outros modos.ilustrado nas Figuras 5. versão 4.12: Discretização de um perl pelo Método das Faixas Finitas Figura 5. consequentemente.

o CUFSM apresenta-se como uma escolha adequada para problemas de otimização de PFF. comprimento de meia-onda. bem como pelos resultados desta pesquisa. é recomendável a leitura do trabalho de seus desenvolvedores [32]. As informações contidas nesta seção são sucientes para a compreensão dos resultados obtidos. Não é o objetivo deste trabalho propor novos desdobramentos ao FSM.3.05: (a) compressão uniaxial e (b) exão simples 5. Apesar destas limitações e da baixa velocidade do compilador MATLAB. Para maiores detalhes sobre fundamentos téoricos. a resistência de uma barra é produto da combinação entre ambagem elástica e mecanismos de plasticação. O CUFSM segue o conceito de interface com o usuário baseada em janelas. onde o gráco apresenta uma curva a relacionar fator de carga vs. os fatores de carga derivados do CUFSM (ou do aplicativo GBTUL para análise de ambagem 67 .14: Interface gráca do aplicativo CUFSM versão 4.2 Força axial de compressão resistente Como mencionado anteriormente.14. apresentados adiante. (iii) cálculo de barras com furos (bastante comuns em sistemas de estantes e prateleiras). como o demonstra um considerável número de artigos na literatura recente.14 ilustra uma típica janela de resultados. o que formalmente indica a variação da carga e modo de ambagem em função do comprimento da barra. através da conguração deformada dos pers: (a) ambagem distorcional em uma barra submetida a compressão uniaxial e (b) ambagem local para momento etor. os modos de ambagem são exibidos na mesma gura. relativa ao eixo principal da seção. As cargas críticas (ou fator de carga) de cada modo de ambagem (L ou D) são dadas pelos pontos mínimos da curva. tal como exemplicado na Figura 5. Para facilitar o entendimento.etor variável ao longo da barra. Portanto. Figura 5. instalação do aplicativo e manual de instruções. A Figura 5. que seria por si tema amplo demais para ser esgotado em uma única Tese.

776 λl λl (5. Local e Distorcional. Nc.5 e Nl é a ambagem local elástica obtida pelo CUFSM (ou outro aplicativo de análise de ambagem) λl = Nc.7.Re é denido na Equação 5. Uma vez que λ0 tenha sido denido. depende do fator de esbeltez λl explicitado na Equação 5. Ao se propor a otimização de PFF. 5 λ0 2 (5.4: λ0 = Afy Ne (5.de PFF) são dados de entrada para fórmulas simples. torção ou exo-torção. é preciso ressaltar que a resistência das barras é precisamente calculada para os casos de compressão axial ou exão. Isto posto. 658λ0 )Afy se λ0 ≤ 1. A força axial de compressão resistente para ambagem por exão.Rl = Nc.8.4) onde A é a área da seção transversal da barra.8 )( 0. As equações DSM para esforço axial de compressão apresentadas a seguir incluem os modos de ambagem Global.Re = ( 2 )Afy se λ0 > 1. que caracterizam as vigas-colunas.Re Nl (5. mas que não há até o momento um procedimento ou uma Equação precisamente destinada aos casos de combinação de esforços axiais e momentos etores.Re Nc.Re se λl ≤ 0. onde Nc. a força axial resistente de compressão para ambagem local é calculada pela Equação 5.7) A força axial de compressão resistente para ambagem distorcional D é calculada sem interações com os modos de ambagem L ou G e só depende do fator de esbeltez λdist explicitado na Equação 5.6. 5 0.Re = (0. um método de otimização para PFF que requeira o DSM como função de aptidão [2025] irá necessariamente abarcar uma ferramenta tal como CUFSM. fy é a tensão de escoamento do aço e Ne é a carga critíca de ambagem . 877 Nc. prescritas pelo DSM. a força axial de compressão relacionada à ambagem global é dada pela Equação 5.8 ) se λl > 0. também considerados os efeitos da interação não-linear LG entre as ambagens Local e Global.6) Uma vez que λl seja dada. 776 0. onde Ndist é a carga critica de ambagem 68 .5: Nc. torção ou exo-torção relacionadas ao modo global G é função do fator de esbeltez λ0 denido pela Equação 5.o valor mínimo entre as cargas de ambagem em exão.Rl = (1 − 0.5) A força axial de compressão resistente para ambagem local. 15 Nc. bem como a interação entre os modos Local e Global.

Nc. a força axial de compressão resistente para ambagem de uma barra em PFF é denida pelo menor entre os valores computados pela Equação 5. 278λ2 0 )Sfy se 0. a força axial de compressão resistente para ambagem distorcional é calculada pela Equação 5. Nc. Nc.Rdist =(1 − 1.Rl . 6 < λ0 < 1.8) Uma vez que Ndist seja obtido.10: NcR = min(Nc.9) Finalmente. 11(1 − 0.13.3.9. que inclui o efeito da interação não-linear entre ambagem local e global. 561 0. 561 λdist λdist (5.3 Momento etor resistente O momento etor resistente na ambagem global por exão de barras sem contenção lateral. portanto. onde MRe é dado pela Equação 5. 6.Rdist =Afy se λdist ≤ 0.distorcional da coluna.Rdist ) (5. depende do fator de esbeltez λ0 dado pela Equação 5. 69 . 336 Sfy MRe = 2 se λ0 ≥ 1. identicada como interação LG. nomeadamente o modo de ambagem lateral com torção.12) O momento etor resistente à ambagem local por exão. MRe =Sfy se λ0 ≤ 0.2 ) se λdist > 0. depende do fator de esbeltez λl na Equação 5. quando não ocorre a ambagem global da barra a resistência é limitada ao início do escoamento da seção transversal λ0 ≤ 0.2 )( 1. λ0 = Sfy Me (5. 25 Afy Nc.12 e Ml é o momento etor de ambagem elástica dado pelo CUFSM (ou qualquer outo aplicativo para análise de ambagem).11) Uma vez que seja dado λ0 .10) 5.11. λdist = Afy Ndist (5. o momento etor resistente à ambagem por exão global é calculado pela Equação 5.12 e. onde S é o módulo elástico da seção e Me é o momento crítico de ambagem lateral com torção. 6 MRe =1. obtida através do CUFSM (ou qualquer outro aplicativo para análise de ambagem).Re . 336 λ0 (5.

673 0. MRl .14) O momento etor resistente à ambagem distorcional por exão depende do fator de esbeltez λdist dado na Equação 5. MRdist ) (5.13) Quando λl é obtido.15. 776 0.λl = MRe MRl (5.15) Desde que λdist seja conhecido. 673 λdist λdist os valores das resistências calculadas pela Equação 5.17) 70 . 776 λl λl (5. λdist = Sfy Mdist (5.8 )( 0.8 ) se λl > 0. MRdist =Sfy se λdist ≤ 0. (5. onde Mdist é o momento crítico de ambagem dirtocional obtido pelo CUFSM (ou qualquer outro aplicativo para análise de ambagem). o momento etor resistente à ambagem local por exão é encontrado pela Equação 5. MRl =MRe se λl ≤ 0. o momento etor resistente à ambagem distorcional por exão é computada pela Equação 5.17. 15 MRe MRl =(1 − 0.14.16) Finalmente. 22 Sfy MRdist =(1 − )( ) se λdist > 0. o momento etor resistente à ambagem é denido pelo menor entre MR = min(MRe .16.

0.4 Simplidade de implementação Os resultados numéricos apresentados neste capítulo prestam-se a dois propósitos: (i) vericar a simplicidade de implementação. κ. seja no processo global de otimização (pelo incremento do domínio de busca). Para efeito de comparação. que habilita o usuário a informar os conjuntos de regras da e os parâmetros que identicam uma forma particular no universo dos pers fabricáveis. O CUFSM se encarrega de identicar os pontos colineares e atribui um signicado diferente entre pontos nodais de extremidade e pontos nodais intermediários. Chapas retangulares simples e pers do tipo cantoneira. As dimensões requeridas para os vetores θ. como apresentado a seguir. 0mm. 0mm. 3 e tensão de escoamento fy = 300MPa. coeciente de Poisson ν = 0. raio da dobra introduzida entre duas paredes planas ri = 3. Não existe um limite teórico para a dimensão de ϕ.5 foi modicado para gerar pers baseado no formalismo de Gramática PFF Shape Grammar (SG). 0mm de comprimento seja recursivamente divido por dois (um ponto nodal intermediário é incluído no ponto médio da parede). Apenas por critérios de análise estrutural. com respectivamente nenhuma e uma dobra. e ρ são dependentes do vetor ϕ (as denições deste vetores estão apresentadas no início deste capítulo). comprimento do perímetro do perl p = 280. mas por critérios práticos foram excluídas as geometrias com menos de 2 ou mais de 17 dobras. geometrias com números mais elevados de operação de dobra. o que ainda resulta em um domínio de busca extremamente grande. dado o perímetro p = 280. poderiam representar geometrias inexequíveis além de implicarem mais custos computacionais.5. a aplicativo CUFSM versão 4. o gerador de formas impõe que qualquer segmento plano com mais de 30. 0mm. As propriedades mecânicas nominais do aço também são dadas: Módulo de Young E = 210GPa. foram excluídos por critérios de análise de ambagem. situação na qual se espera que os modos L e D sejam predominantes na maioria dos casos.15 apresenta a caixa de diálogo do CUFSM-SG (nos trabalhos desenvolvidos durante esta pesquisa. seja na etapa de cálculo das funções objetivo (pelo incremento dos graus de liberdade). 0mm e comprimento longitudinal da barra L = 1219. A Figura 5. 0mm. 71 . a facilidade de customização e a capacidade descritiva da Gramátiva PFF proposta e (ii) avaliar a eciência da integração com as ferramentas computacionais adotadas para o cálculo das funções de aptidão e otimização. daí a notação CUFSM-SG). as seguintes dimensões foram mantidas constantes em todos os exemplos implementados: espessura da chapa plana de aço t = 1.

a tipologia do perl de aço formado a frio é ditada tanto pelo seu comportamento estrutural quanto por critérios funcionais.4. Por outro lado. bastando para isso que o usuário especique os parâmetros corretos (para a análise de ambagem uma forma particular) ou xe quais vetores serão constantes e quais serão variáveis no processo de otimização. onde geralmente restam poucas variáveis geométricas para proceder à otimização. A gramática da forma é uma abordagem mais geral: dado um conjunto de regras de fabricação. As Seções 5. através da corpus Gramática PFF. desenvolver uma parametrização especíca para cada tipologia implica um número potencialmente grande de casos condicionais. toda e qualquer barra PFF pode ser gerada pelo mesmo algoritmo.1 e 5.4.15: Janela de entrada de regras e parâmetros para a versão do CUFSM-SG. é um caso em que a gramática representa uma estratégia simples para dispensar a implementação de um grande número de casos condicionais.Figura 5.2 a seguir exploram o efeito das proporções entre as paredes do perl sobre a resistência das barras para duas tipologias conhecidas. Para integrar NSGA-II com a otimização de barras e estruturas reticuladas. Implementação em MATLAB Gramática PFF na Para a esmagadora maioria dos propósitos construtivos. Objetiva-se com isso demonstrar que a Gramática é apta a trabalhar dentro do de onde foi criada e para o qual existe um vasto conhecimento acumulado a m de atestar os resultados obtidos. Em diversas situações práticas existe apenas uma tipologia apta a atender uma demanda especíca. estabelece-se a interpretação de um elemento genérico w em cromossomos codi72 . Além disso.

ângulos e raios de dobra são constantes. −90. 0. κ e ρ. onde n é o número de objetivos. A condição para que uma solução w seja incluída na fronteira de Pareto é que ela seja parcialmente não-dominada ao menos por um elemento desta mesma fronteira. onde a proporção entre o comprimento da alma e a mesa é variável. 6 e (c) κ2 = 0. 5. o valor variável κ2 designa. −90.16: Modelos geométricos do perl U enrijecido com (a) κ2 = 0. o indivíduo w1 é parcialmente não-dominado pela solução w2 se existe ao menos uma entrada em f (w1 ) que seja menor do que a mesma entrada em f (w2 ). θ. κ2 ] Onde κ2 = {κ2 ∈ R : 0. −90. −90. 4 ≤ κ2 ≤ 0. Figura 5. 1. onde (5.18) ρ = 0.1 Tipologia U enrijecido com uma variável no vetor κ Seja w um perl U enrijecido. 4 (b) κ2 = 0. 8} e R é o espaço dos números Reais.16 auxilia o entendimento de como a variação da entrada κ2 afeta a forma do perl. ϕ = [3.18. 3.4. onde p é a soma da dimensão dos vetores ϕ. denido pelos vetores da Equação 5. −90] ρ = [3. a relação entre a mesa e a alma da seção. Se os raios de dobra não forem nulos. Os objetivos são elementos n -dimensional do vetor f . 0. 3. 3. como já mencionado.cados no formato de números reais. É evidente que 73 . 30] para três diferentes valores de κ2 .17 ilustra o signicado de κ2 para uma variação deste exemplo. 0. através da relação κ2 = bw /(bw + 2bf ). A Figura 5. 3] θ = [−180. Os modelos foram gerados em Rhinoceros c [29. 9. 8 O valor constante κ1 xa o comprimento dos enrijecedores de borda do perl através da relação κ1 = (bw + 2bf )/p. Cada cromossomo é um vetor p -dimensional. os comprimentos das mesas e da alma são compreendidos pelos segmentos planos entre as regiões curvas da barra. Para problemas de minimização. 0] κ = [0. A Figura 5.

17: Interpretação geométrica de κ1 e κ2 na derivação do perl U enrijecido nestas condições. Neste caso. O CUFSM-SG. Uma análise mais acurada destes sistemas revela que estes momentos ocorrem e que a Equação 5. onde a tipologia e suas restrições funcionais são conhecidas e há apenas uma variável em questão.18 mostra os efeitos de uma varredura com cinquenta pontos na variável κ2 sobre NcR (w) e MR (w). uma busca exaustiva oferece duas vantagens sobre a otimização: (i) o custo computacional é menor e (ii) é possível registrar a relação entre esta variável e o comportamento estrutural da barra. Além dos pontos de máximo não coincidirem. nos procedimentos de cálculo habituais. Ao se assumir que um domínio com cinquenta elementos seja suciente para conhecer o comportamento de todos os pers U que sejam fabricáveis e que atendam aos requisitos explicitados. um algoritmo de otimização é dispensável. o comportamento tipicamente não-linear da viga-coluna poderia ser substituído com segurança pela função linear de interação da Equação 5. perde capacidade em MR . poderia ser um ponto de partida para o dimensionamento manual de uma viga-coluna na qual os efeitos do momento etor não fossem predominantes. os objetivos são conitantes dentro do intervalo κ2 = {κ2 ∈ R : 0. O gráco na Figura 5.19 [21].18). O conjunto de todas as soluções nessa biblioteca de pers (Figura 5. eles costumam ser desprezados. foi habilitado a realizar buscas exaustivas. Este é o caso de treliças onde a adoção de excentridades nas ligações introduzem momentos etores em sistemas onde. 45 ≤ κ2 ≤ 0. 6}: se a barra ganha eciência em NcR . que relacionam uma variável a dois objetivos.Figura 5. Observa-se que os maiores valores de NcR estão associados aos menores de κ2 .19 per74 . também chamadas varreduras. além de otimizar. 6. ao passo que o maior valor de MR ocorre em κ2 = 0.

os esforços solicitantes de compressão e de exão. respectivamente. 75 . é apresentada a tipologia para um perl Z enrijecido. (ii) listagem dos parâmetros e das resistências.18: Varredura sobre a tipologia U enrijecido: (a) NcR (w) vs κ2 and (b) MR (w) vs κ2 manece válida quando o segundo termo é limitado superiormente a 10%. Os paramêtros que a denem estão apresentados na Equação 5.4. apenas com alteração de sinal em θ5 e θ6 . 5.3 e (iii) um arquivo com dados e resultados para cada perl na biblioteca.18). NS e MS representam.Figura 5. MS NS + ≤1 NcR MR A visualização das bibliotecas de pers (5. tal como a Tabela 5. tal como na Figura 5.20 e são praticamente idênticos ao do perl U enrijecido (Equação 5. Para demonstrar a simplicidade de gerar diferentes pers dentro do corpus.2 Tipologia Z enrijecida com uma variável no vetor κ Um dos objetivos principais da Gramática PFF é a modelagem de todos os pers fabricáveis com um único algoritmo.19 auxilia a compreender o efeito da variação de κ2 sobre a forma do perl Z.19) geradas pelo CUFSM-SG é possível por três maneiras distintas: (i) grácos de duas ou três dimensões relacionando variáveis e funções de aptidão. acessível para leitura e edição no CUFSM-SG e no CUFSM original.18. A Figura 5.

90 0.7 45 0.9 19 0.90 0.4 3. 0.9 21 0.7 44 0.90 0. .5 50 0.7 17 0.76 16.90 0. .55 28.58 27.9 2. .57 28.7 3.90 0.46 31.4 12 0. 3] θ = [−180.6 2.3 10 0. −90.6 15 0. 3. .90 0.79 14.90 0. .4 3.56 28.0 22 0.5 14 0.58 27.8 2.5 13 0. .48 31.90 0.8 2.90 0. −90.4 2. 8}. 90] ρ = [3.50 30.7 2. A comparação entre as Figuras 5.0 25 0. .2 apresentam a (5.0 24 0.90 0.3 11 0.1 . 42 0. .4.3 2.4 2.90 0. 9. 0.90 0.90 0.90 0.90 0.2 9 0.59 27.8 2.90 0.0 2.90 0.90 0.78 15.78 15.90 0.6 48 0.53 29.51 30.1 e 5.6 46 0.5 ϕ = [3.5 49 0.7 2.9 2.9 20 0. 0.4 2.47 31. .90 0.3 2. A despeito do fato de que os exemplos das Seções 5. −90.90 0.6 2. . 3.0 2.4 2.74 18.0 23 0.90 0.74 18.8 18 0.7 43 0. 3. 6.90 0.5 2.0 2.4.49 30.9 2. . 0] κ = [0.90 0.1 26 0.75 17. . 1.90 0.2 2.18 e 5.50 30.20) 76 . Os maiores valores de NcR (w) estão associados aos menores valores de κ2 e o ponto de máximo para MR ocorre quando κ2 = 0. .1 3.54 29.73 19.1 3.7 16 0.60 26.20 revela semelhanças e diferenças entre o comportamento dos pers U e Z. . 90.1 2.90 0.77 16.90 0.3: Parâmetros e resistências de pers U enrijecido ID κ1 κ2 NcR (kN ) MR (kN m) 8 0.54 29.6 47 0.90 0.46 31.52 29.Tabela 5. 4 ≤ κ2 ≤ 0. κ2 ] Onde κ2 = {κ2 ∈ R : 0.8 3.

Figura 5. mas muitos distintos para MR (Fig.18 e 5. O 77 .19: Modelos geométricos para pers Z gerados com (a) κ2 = 0. mas não é imposto a priori que uma tipologia seja a única solução possível.3 são dirigidos a problemas onde a geometria é restringida por alguma razão funcional. a comparação revela que os melhores pers U e Z apresentam resultados equiparáveis para NcR .20: NcR (esquerda) e MR (direita) em função da variável κ2 para perl Z enrijecidos 5.5.5. 8 mesma área de seção transversal. 6 e (c) κ2 = 0.5 Facilidade de customização Os exemplos das Seções 5. de modo a identicar soluções inovadoras. úteis e com resistências mais elevadas do que as geometrias usuais.Figura 5. 4 (b) κ2 = 0. O objetivo é customizar uma forma do perl.20). número de dobras e comprimento da barra.1 a 5. 5. Seja sigma-e-vizinhança um problema de otimização onde ao menos uma das paredes deve manter-se na direção vertical (alma do perl) e apresentar um enrijecedor intermediário no ponto médio. o comportamento estrutural dos pers é diferente: para este caso especíco.

que a manipulação de parâmetros através da Gramática PFF permite a solução de diferentes problemas de otimização. nos exemplos seguintes. apresentados a seguir. o comprimento de suas paredes foi escolhido de maneira a prover a ocorrência do modo de ambagem local ilustrado na Figura 5.5. Ressalte-se que o enrijecedor intermediário posicionado na alma do elemento possui dimensões constantes: embora não tenha sido isoladamente objeto de investigação. atenderia ao requisites funcionais do problema.22a. 9 Figura 5.3).5. (b) κ2 = 0. igualmente. É proposto.21. Figura 5. que o CUFSM-SG ofereça uma liberdade progressivamente maior na geração das formas. 1.22: Esquema de pers sigma (a) com enrijecedor intermediário eciente e (b) com enrijecedor intermediário ineciente 78 . a incluir a variação entre as paredes (seção 5.21: Modelos geométricos de pers sigma gerados em Rhinoceros c : (a) κ2 = 0. Os exemplos conrmam. mantido o mesmo algoritmo básico para todos eles. apresentada na Figura 5.problema proposto é chamado sigma-e-vizinhança porque a forma tradicional do perl sigma.2) e a variação também do comprimento do enrijecedor de borda (seção 5. 5 and (c) κ2 = 0.

9. 5. −90. 3. de acordo com as Figuras 5.23b).21. a eciência de um enrijecedor intermediário depende de sua geometria e resulta no incremento nos valores da ambagem local) conduziu ao incremento de 37. 1.23: (a)Resistência axial de compressão NcR (w) e (b) resistência de exão MR (w) de um perl sigma em função do parâmetro κ2 79 .5.8=1. 3. 3.16). (5. ϕ = [3. não detectado nos exemplos anteriores. tal como apresentado na Equação 5. 1. 5] θ = [−180.21) Figura 5. 1. 3. −90. −90.18b e 5.5% na força axial de compressão resistente NcR se comparado com o mais eciente perl U enrijecido (44/31. como apresentado na Figura 5. −90] ρ = [3. Como ilustrado na Figura 5.1 = 0.5.22a. Ainda para efeito de comparação.21. 0] κ = [0.38. 1 ≤ κ2 ≤ 0.23a) e 8% de ganho em MR (3.35/3. 0. κ2 ] Onde κ2 = {κ2 ∈ R : 0. 0. a introdução de um enrijecedor intermediário eciente nos pers sigma (como já mencionado. será mantido o procedimento de varredura sobre uma única variável. 0.18a e 5. −90. 9}. Em termos de Gramática PFF isto requer a simples introdução de ϕ7 = 5. com o intuito de demonstrar que também os valores de NcR possuem um ponto de máximo.1 Tipologia sigma com κ2 variável A tipologia sigma adiciona um enrijecedor intermediário no ponto médio de um perl U enrijecido (Fig.08 de acordo com as Figuras 5. Nesta seção o intervalo de κ2 foi ampliado. 1.

55] Onde θi = {θi ∈ R : −180 < i ≤ 180}.2 Variação da tipologia sigma com a inclusão de variáveis no vetor θ O gráco na Figura 5. 1. 0.22. 0. perímetro da seção transversal. ou seja. comprimento longitudinal da barra e propriedades mecânicas do material). o resultado foi obtido em uma hora. 1. A Tabela 5.22) . para manter vertical a parede com o enrijecedor intermediário. Este domínio aparentemente singelo abarca aproximadamente 1. 5] θ = [θ1 .25 mostram que os pers 80 (5. 9. 3. 1. 3. θ2 . As cinco entradas do vetor θ foram manipuladas de modo que apenas quatro delas sejam independentes. 3. como é apresentado na Equação 5. Figura 5.24. o problema levaria mais do que 540 anos de processamento contínuo para ser resolvido. como ilustrado na Figura 5.5. θ5 ] ρ = [3. este valor de κ2 é constante e o vetor θ (ângulo entre as paredes adjacentes) é variável.23a sugere que κ2 = 0. 1. Em uma varredura que demandasse 1 segundo por análise (um custo computacional aceitável.5. −(θ1 + θ2 ). 0. 55 xa a proporção mais eciente entre a mesa e alma deste perl sigma (tendo-se em vista as premissas adotadas por este estudo. 68 · 1010 possibilidades. dimensões especícas de espessura da chapa. No exemplo desta seção. θ4 . 0. 3. por Algoritmo Genético. 0] κ = [0. tomando-se em conta a capacidade de processamento dos computadores pessoais atuais).4 e a Figura 5.24: Geometria onde se impõe uma restrição funcional ϕ = [3.

5 1.2 Figura 5.3 126 -62 45.5. MR para pers sigmas modicados 81 .2 1.25 apresenta a fronteira de Pareto deste problema: estão relacionadas as funções de aptidão concernentes à resistência da barra.6 -52 -134 33. Nas Figuras 5.6 -49 -134 31.9 133 -52 43.2 3.2 3.8 3.2 3.5 -102 -139 43.5/44 = 1.2 -55 -132 35.6 -64 -126 40. Tabela ID 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 5.08 como se observa na comparação das Figuras 5.0 2.26a e 5.23a e 5.4 permitem a reconstrução das geometrias dos pers mais ecientes em Rhinoceros c . Os parâmetros da Tabela 5.customizados apresentam um ganho de 8% se comparados com o melhor perl na biblioteca de pers sigma tradicionais obtidos no exemplo da seção 5. respectivamente as melhores soluções para NcR e MR .1 (47.4: Parâmetros e θ1 θ2 θ3 156 -101 -56 -75 136 -61 -120 125 -5 132 -82 -50 -81 153 -72 -76 142 -66 149 -99 -50 -72 135 -63 -86 155 -69 -85 155 -70 resistência de pers sigma modicados θ4 θ5 NcR (kN ) MR (kN m) 118 -62 47.3 -62 -125 38. A fabricação não foi computada.7 1. A Figura 5.25: Fronteira de Pareto a relacionar NcR vs.25).2 3.3 3.4 -61 -126 37.26b.4. foram empregados os parâmetros dos ID 1 e 2 da Tabela 5. uma vez que foi adotada a premissa de que o custo é função linear da quantidade de dobras e estas foram mantidas constantes.

95}.27 apresenta a reconstrução do perl mais eciente a partir dos parâmetros fornecidos pela Tabela 5. κ1 = {κ1 ∈ R : 0.5.4: (a) ID1 e (b) ID2 5. 3. ϕ = [3.23. θ4 .1/47. 0] κ = [κ1 . 3. 3. 5] θ = [θ1 . 1. 8 < i ≤ 0. Os exemplos da série sigma-e-vizinhança apresentam uma progressão na liber- 82 . Os parâmetros estão apresentados na Equação 5. −(θ1 + θ2 ). 0. 0.5 revela que o valor máximo de NcR apresenta um ganho de 12% se comparado ao melhor perl da biblioteca gerada na seção 5. 0. a consideração simultânea de variáveis nos vetores κ e θ implica em um domínio de busca com 1. 1. Por outro lado. não foram obtidas melhorias signicativas em MR . κ2 ] onde: (5. 3. 4 < i ≤ 0. A Figura 5.5. θ5 ] ρ = [3.Figura 5.5.12) e 20% de ganho se comparado ao melhor perl sigma tradicional gerado na seção 5.3 Variações da tipologia sigma com variáveis nos vetores κeθ O terceiro exemplo da série sigma-e-vizinhança apresenta um domínio ainda maior do que o anterior. 80}.1 (53.1/44 = 1. κ2 = {κ2 ∈ R : 0.5.26: Modelos geométricos construídos sobre os parâmetros da Tabela 5.2 (53. 1.5 = 1.23) θi = {θi ∈ R : −180 < i ≤ 180}. Neste caso. 1. 68 · 1014 soluções e ao custo hipotético de 5.4 milhões de anos para ser resolvido com base na técnica de varredura e ao tempo usual de aproximadamente 1 segundo por análise. θ2 .20). A Tabela 5.

91 0.48 -2 127 2 0.61 -55 -53 10 0.91 0.0 -117 51 126 49. por conseguinte.59 -50 -56 5 0.1 -116 51 137 48.1 1.9 2.85 0.3 110 109 -131 44. os custos computacionais envolvidos na busca.9 108 109 -122 46.85 0.66 -38 -60 3 0.9 98 103 -157 40.90 0.0 1. pois oferecem uma série de informações ao problema de otimização que reduzem o domínio de busca tanto quanto possível à vizinhança da solução ótima e.90 0.27: Modelo geométrico do perl mais eciente quanto a NcR construído a partir dos parâmetros da talela 5.5 dade das formas obtidas com o auxílio de Inteligência Articial e ajudam a demonstrar como a experiência de um projetista desempenha um papel fundamental na otimização dos pers com nalidade prática.60 -50 -60 9 0.49 -3 120 4 0.Tabela 5.3 2.9 126 100 -135 43.0 3.48 -3 119 7 0. No caso desta série de exemplos.7 3.5 1.84 0.3 -114 67 110 52.3 2.5: Parâmetros e ID κ1 κ2 θ1 θ2 1 0.1 Figura 5. o comprimento dos enrijecedores de borda variou dentro de um intervalo no qual se sabe que eles desempenham satisfatoriamente bem sua função (apesar de não se saber a priori a dimensão exata em que são obtidos os resultados ótimos): enrijecedores muito curtos ou grandes demais não contribuiriam para o ganho de resistência das mesas e poderiam com83 .8 3. 64 -40 -86 6 0.90 0.66 -38 -60 resistência de pers sigma modicados θ3 θ4 θ5 NcR (kN) MR (kNm) -125 93 136 53.3 106 107 -138 48.3 1.85 0.3 98 103 -158 40.90 0.49 -3 117 8 0.

23 · 1055 elementos.24. θ17 ] ρ = [ρ1 .5. estes exemplos são valiosos para (i) demonstrar a capacidade descritiva da Gramática PFF e (ii) vericar se o Algoritmo Genético é capaz de encontrar uma solução ótima. κ e θ foram codicados em um cromossomo com 31 variáveis. Este domínio de busca inclui os pers investigados entre os exemplos das Seções 5. 5.6. o que resultou em um domínio com 2.6. Os resultados da otimização diferem entre si devido aos objetivos eleitos para cada caso dentro do Algoritmo Genético. κi = {κi ∈ R : 0. · · · . ϕ7 ] θ = [θ1 .5 foram computados com exatamente os mesmos parâmetros apresentados na Equação 5.6. · · · . Os vetores ϕ. · · · . já localizada nos exemplos anteriores.1 a 5.prometer a estabilidade do conjunto. · · · .3. ρi = 3. 9}. o problema é expresso da seguinte maneira: 84 . de modo que seria esperado que a otimização resultasse em pers com desempenho melhor ou equivalente.1 a 5. Todos os exemplos de 5.1 a 5. 0 5.1 Otimização de colunas sem restrição de custo Seja Ex6 um problema de otimização de PFF sem restrições funcionais ou Se a única função de aptidão tomada em consideração consideração de custo. Apesar das formas geradas por este método não possuírem propósitos construtivos. 1 < i ≤ 0. ϕ = [ϕ1 . quando o domínio de busca se torna ainda mais amplo.6. κ7 ] onde: (5.6.4.24) ϕi = {ϕi ∈ R : 1 ≤ i ≤ 5}. ρ17 ] κ = [κ1 .6 Capacidade descritiva As Seções 5. θi = {θi ∈ R : −180 < i ≤ 180}. for a força axial de compressão resistente.5 estão voltadas à otimização de pers sem qualquer restrição funcional ou contribuição prévia do projetista na manipulação dos parâmetros da gramática.

4.2 (40. existem apenas diferenças sutis na forma.8=1. o que implica ganhos de eciência na ambagem por torção. entre os pers de resistência mais elevada nesta biblioteca.5 = 1. o procedimento foi repetido duas vezes.29(a. A biblioteca que contém o melhor resultado está apresentada na Figura 5.5. A Figura 5.20). Este perl tem uma resistência 26% mais elevada do que o melhor perl U enrijecido obtido na seção 5. b. 1kN .75). As formas não pertencem a nenhuma tipologia pré-denida.3 (40.25) w∈B O Algoritmo Genético foi congurado para operar sobre populações de 200 indivíduos e com 20 gerações de processo evolutivo.28.1/33.26) e 20% mais elevado do que o perl Z mais eciente do exemplo na seção 5. Figura 5.1/31.1/ 53.1 (40. 85 .Maximize NcR (w) Sujeito a (5. O Algoritmo Genético frustrou as expectativas de encontrar um perl mais eciente sem o auxílio da experiência do projetista para guiar a escolha dos parâmetros e reduzir o domínio de busca.1 = 0. seu desempenho é 25% inferior ao melhor resultado entre os pers não convencionais obtidos no exemplo na seção 5.28: Força axial de compressão dos pers em uma biblioteca com 200 elementos O valor mais elevado da resistência nesta biblioteca é NcR = 40. Isto sugere que houve uma convergência prematura no processo de otimização. Por outro lado.4. c) mostra que. mas apresentam algumas características gerais típicas de barras PFF dimensionadas para resistir à compressão uniaxial: a proporção entre os eixos principais da seção I1 → 1) e a distância entre o (eixos de maior e menor inércia) tendem à igualdade ( I 2 centro de cisalhamento e o centro de massa tende a zero.

supostamente.31 são. 5.6.26) w∈B O resultado apresentado na Figura 5. o problema é formalizado do seguinte modo: Maximize NcR (w) Minimize CM (w) Sujeito a (5.6. Se apenas a resistência ao momento etor simples é tomada como função de aptidão. onde os custos não foram computados (38/40.95). as de mais alto valor de força axial de compressão resistente para geometrias com duas a oito dobras.3 Otimização de vigas sem restrição de custo Seja Ex8 um problema de otimização de vigas sem restrição funcional ou consideração de custo em função do número de dobras. em conito com a primeira.1. Se a resistência axial de compressão for uma das funções de aptidão.1=0.30 indica que a introdução de uma segunda função de aptidão.2 Otimização de colunas com restrição de custos Seja Ex7 um problema de otimização de colunas em PFF onde os ganhos de resis- tência devem ser comparados com os custos de fabricação. o problema é formulado como segue: 86 . altera a pressão evolutiva sobre a população.6. O perl de maior NcR nesta população é 5% menos eciente do que na biblioteca gerada pelo exemplo na seção 5.29: Três resultados em uma biblioteca de pers para otimização de colunas sem consideração de custo de fabricação 5. Os pers exibidos na Figura 5.Figura 5.

33. Três destes pers são apresentados na Figura 5.30: NcR (w) vs. Observa-se que há um maior número de dobras na região comprimida. 2kN m não supera os resultados obtidos no melhor perl não-convencional na seção 5. A Figura 5.32 mostra a biblioteca de pers obtida. com predominância de massa na região comprimida. As formas claramente não são relacionadas a nenhuma tipologia pré-denida. mas apresentam certas características que identicam uma viga dimensionada por métodos convencionais de projeto: o material tende a ser distribuído em duas mesas opostas pelo centroide da seção. 87 . entre as quais foi selecionada aquela que continha o indivíduo mais eciente. o processo evolutivo foi limitado a 20 gerações e o procedimento foi repetido por uma segunda tentativa.27) w∈B Como nos exemplos anteriores.Figura 5. a ferramenta de otimização em AG foi congurada para operar com 200 indivíduos.5.31: NcR (w) vs. onde o maior valor MR = 3. CM (w) em otimização de colunas: fronteira de Pareto Figura 5.3. o que representa ganho na capacidade resistente associada à ambagem local destas paredes. CM (w) em otimização de colunas: pers obtidos Maximize MR (w) Sujeito a (5.

32: Resistência nominal de exão para uma biblioteca de pers com 200 elementos Figura 5. onde os custos de fabricação não foram computados (2. 1 = 0.6. 7kN m é 11% menos eciente do que o correspondente melhor resultado obtido no exemplo anterior. 89 ).33: Três pers contidos na biblioteca gerada no problema Ex8 5.28) w∈B O procedimento é idêntico aos exemplos anteriores desta série e resulta nos pers apresentados na Figura 5.4 Otimização de vigas com restrição de custo Seja Ex9 um problema de otimização de vigas onde a resistência dos pers deve ser comparada com custos de fabricação. o problema é formulado como a seguir: Maximize MR (w) Minimize CM (w) Sujeito a (5. 75/3. 88 . Analogamente ao problema Ex7. Se a resistência à exão da barra deve ser levada em consideração. observa-se que a introdução de uma segunda função de aptidão conitante com a primeira modica o sentido da evolução da população: o perl com mais alto valor MR = 2.35.Figura 5.

A Figura 5. uma mesa na região tracionada e outra mesa na região comprimida.34: MR (w) vs. onde se concentra o material e o maior número de dobras. Não existe.34 revela que os resultados convergem para pers para 2.35: Perl de maior MR (w) nesta biblioteca de vigas com consideração de custos de fabricação 89 . Figura 5. o que se apresenta como uma possibilidade para investigação futura.35 apresenta o perl com maior resistência dentro desta biblioteca. a possibilidade de aplicar taxas de mutação ou recombinação diferenciadas para cada segmento do cromossomo. A Figura 5. nesta implementação do NSGA-II. CM (w) na otimização de vigas com consideração de custos de fabricação Figura 5. 6 e 10 dobras. Isto sugere que ocorreu pouca pressão sobre a variedade dos genes relacionados às operações de dobra. que conrma a tendência de pers que poderiam funcionar como vigas a se organizar em três regiões: uma única alma.

Como estão inclusas concomitantemente as funções de aptidão relativas a compressão axial e aos momentos etores (resultados válidos apenas para situações onde os efeitos etores tenham baixa participação nos esforços e.6. de modo que são descartadas para qualquer propósito prático. emprega-se a formulação completa desta implementação: Maximize NcR (w) Maximize MR (w) Minimize CM (w) Sujeito a (5. O presente trabalho indica. onde o domínio de busca foi pautado na experiência acumulada do projetista. que existem limitações na capacidade do AG em organizar soluções baseadas nas suas aptidões para diferentes objetivos.29) w∈B A visualização das relações entre estes objetivos demanda o gráco em 3D da Figura 5.6.5. portanto.19). há ainda um grande leque de possibilidades a serem exploradas no estudo de otimização de barras em PFF baseada nas regras gramaticais apresentadas anteriormente. Os valores mais elevados de resistência são equiparáveis aos resultados obtidos entre os exemplos seção 5. em qualquer destes ensaios. nenhum resultado mais eciente do que os obtidos na seção 5.1 a 5. A implementação do NSGA-II não foi capaz de localizar.5 Otimização de viga-coluna com restrição de custo Seja Ex10 um problema de otimização de barras em PFF. seja pela consideração de novas funções de aptidão.5. MR são extraticadas por seu correspondente número de dobras. como facilmente se constata pela observação da Figura 5. é preciso ressaltar que os exemplos desta série não possuem restrições de funcionais em sua forma. seja aplicável a Equação 5.37. seja pela introdução de novas regras.36. onde os valores de resistência devem ser comparados com os custos de fabricação.4. Por outro lado. também. sem restrição funcional. 90 .3. onde as curvas de NcR vs. Além disto.6.

36: Fronteira de Pareto a relacionar três objetivos: resistência axial de compressão NcR . resistência de exão MR e número de dobras CM Figura 5.Figura 5.37: Resultados contidos na biblioteca de vigas-colunas com restrição de custo CM 91 .

combinações de carregamento. vericações necessárias e relação entre custo computacional e acuidade dos resultados em função dos tipos de análise permitidas pelo aplicativo e (b) na fase nal. Esta cultura de projeto potencialmente resulta em prejuízos nanceiros e estéticos. A robustez do sistema oferece a possibilidade de conceber estruturas inspiradas na Natureza. julgamento da 92 . se houver uma solução com menor custo fora do domínio imposto à busca. Este capítulo é dedicado ao funcionamento do programa Mimesis e ao intercâmbio de dados entre os aplicativos necessários à elaboração do modelo geométrico. ela não será encontrada. É apresentada uma ferramenta numérico-computacional baseada em Algoritmos Genéticos e desenvolvida em linguagem FORTRAN. além de demandas judiciais.Capítulo 6 Modelo II: barras associadas Tradicionalmente. a determinação dos vetores de forças externas. O ocorrerá dentro da margem de variação denida pela Arquitetura. Entende-se por solução estrutural bio-inspirada a busca pela solução elegante de um problema técnico com o menor custo possível. através de soluções formais inspiradas na Natureza e de Algoritmos Genéticos (implementação form-nding Mimesis ). Logo. desempenho e custo são avaliados em fases de trabalho distintas por equipes de Arquitetura e de Engenharia Estrutural. Separadas por espaço físico. ferramentas computacionais e objetivos prossionais próprios. do processamento e da visualização de resultados. do modelo estrutural. É enfatizado o papel decisório da Engenharia nas primeiras fases do projeto e em sua vericação nal: (a)nas fases iniciais. forma. cujo objetivo é permitir que usuários avançados de sistemas CAD e CAE partilhem um mesmo otimizador multiobjetivo. onde critérios estéticos e de eciência interagem a um custo computacional aceitável. porque as diculdade de análise e cálculo costumam retardar a proposição rápida de alternativas nas primeiras fases do projeto arquitetônico. estas equipes trabalham com a hipótese de que as falhas de comunicação entre elas são inerentes ao seus ofícios.

O AG não substitui o julgamento de especialistas. optou-se pela sua inclusão em apêndices. análise estrutural e resistência de pers tubulares. mas pouco original. em FEMAP c . Este trabalho aborda três estratégias de otimização estrutural: (a) dimensionamento das seções. variáveis e restrições e (c) o algoritmo de otimização. modelagem do problema de otimização com objetivos. Sua implementação demandou uma revisão de tópicos essenciais de engenharia. em seu atual estágio de desenvolvimento. Figura 6. Os três componentes mais importantes do sistema são: scripting (a) modelagem geométrica e estrutural. propriamente dito. O Mimesis. seleção por torneio e operadores de mutação e crossover. onde o domínio inclui variáveis discretas e contínuas. onde os pers são tratados como variáveis discretas. São apresentados estudos de caso. Os módulos de otimização.1: Encadeamento de aplicativos em Mimesis 93 . apenas media o conito de objetivos entre duas disciplinas ao pesquisar soluções aceitáveis para ambas. elementos nitos de barras e dimensionamento estão integrados no mesmo código-fonte em FORTRAN. respectivamente por (b) em Rhinoceros c e Método dos Deslocamentos. é um programa de minimização de massa de estruturas tubulares altamente dependente da interface gráca de outros aplicativos. onde as variáveis são contínuas e (c) otimização simultânea (form-nding e dimensionamento). onde é otimizada uma função que rege a posição dos pontos nodais na conguração indeformada. ilustrando os algoritmos de geração geométrica e otimização. Nos trechos em que esta revisão exigiu notação matemática extensa. segundo diferentes estratégias. Sua formulação é considerada clássica. com codicação binária do cromossomo. (b) form-nding.relação custo-benécio das soluções obtidas. O Algoritmo Genético implementado neste trabalho foi desenvolvido para uso conjunto com softwares CAD e CAE. como o Método dos Estados Limites.

• Visualização e avaliação de resultados em CAE. • Otimização de pers e geometria por AG.1 Modelagem geométrica com scripting Segundo esta metodologia. a metodologia de projeto bio-inspirado precisa seguir quatro etapas: • Geração de modelo geométrico unilar em CAD com auxílio de • Criação de modelo estrutural discreto em CAE. em seu atual estágio de desenvolvimento. Por causa desta dependência.2: Ferramentas computacionais para concepção estrutural com Mimesis 6. Figura 6. é um programa de minimização de massa e ajuste de deslocamentos de estruturas tubulares altamente dependente da interface gráca de outros aplicativos.1 Modelagem do domínio de busca O otimizador Mimesis.6. Duas das principais vantagens da modelagem geométrica de estruturas através de scripting são (a) a velocidade com que as soluções são geradas e (b) a pos- sibilidade de estudar praticamente innitas alternativas através de parâmetros. scripts . a geração geométrica pressupõe conhecimento elementar de modelagem pelo Método dos Deslocamentos: idealização (a) de estrutura reticulada por linhas retas cujas extremidades coincidem com o centroide das seções nas extremidades das barras e (b) de elementos bidimensionais contínuos.1. (ver Fig.2). planos ou curvos. 6. por uma malha de elementos quadrangulares ou triangulares contida em seu plano médio. 94 .

z (x.Adicionalmente. onde os pontos nodais são dados por z = z (x. observadas as TrussFromEquation Figura 6. TrussFromEquation TrussFromEquation. por exemplo. Um terceiro script. . bn . a0 . . . a exemplo da Figura 6. y ) = an xn + an−1 xn−1 + . Os dois scripts principais deste trabalho foram apelidados de TrussFromEquation e TrussFromSurface. como o nome sugere. . Isto permite que as diretrizes em x e y sejam aproximadas para uma grande variedade de formas.1) onde x. + b0 (6. gera modelos geométricos a partir de expressões matemáticas. . . + a0 + bn y n + bn−1 y n−1 + . Esta estratégia é particularmente útil se. . b0 ) restrições do problema. Pode-se escrever. é capaz de gerar variações sobre a treliça projetada para a cobertura do Centro de Eventos do Ceará e executada pelo consórcio Andrade-Galvão.3. . TrussFromCEC é um exercício acadêmico.3: Geração geométrica pelo 95 script TrussFromEquation . . . y ). chamado TrussFromCEC. de tal modo que os pontos nodais em distintos sistemas estruturais coincidam. bn−1 . no programa de otimização. esta técnica é capaz de gerar geometrias formalmente complexas ou transformar modelos geométricos iniciais mais simples.1 (6. . Seus objetivos são gerar o modelo geométrico de estruturas de casca e reticulados espaciais (módulo de semi-octaedro) com formas curvas. escreve-se a função de massa da estrutura: W = f (an . y e z são as coordenadas cartesianas dos pontos nodais.2) está listado na e se procuram os valores para os quais esta massa é mínima. an−1 . . O pseudocódigo de Tabela 6. desde que sejam conhecidas suas correspondentes expressões matemáticas.

1: Script para geração geométrica sobre polinômios TrussFromEquation inicio estabeleça um domínio em R2 determine a densidade da malha em X e Y escreva a função z = z(x.z(x. Em compensação. pois permite que o projetista trabalhe com formas orgânicas que seriam difíceis form-nding.y. de escrever na forma de expressões matemáticas.4).4: Geração geométrica pelo script TrussFromSurface 96 .y)) loop loop crie um mapa de pontos nodais para a malha crie a malha crie as barras do banzo superior crie os pontos nodais do banzo inferior crie as barra do banzo inferior crie as diagonais da treliça m TrussFromSurface TrussFromSurface é um algoritmo para geração de reticulados espaciais sobre su- perfícies curvas e não-regulares.Tabela 6. quando se assume que a estrutura deve ser gerada por este meio (ver Fig.y) para cada intervalo em x para cada intervalo em y Solucione(x. 6.2. Figura 6. Seu peseudo-código está listado na Tabela 6. a otimização geralmente ca restrita ao dimensionamento das barras. as geometrias resultantes são mais difíceis de otimizar por Na metodologia usada nesta Tese. Do ponto de vista arquitetônico este algoritmo é mais vantajoso do que TrussFromEquation.

v) em Pt(x.y.2: Script para geração geométrica sobre superfícies TrussFromSurface NURBS inicio selecione uma supercie estabeleça esta supercie como domínio em R2 determine a densidade da malha em U e V para cada intervalo em U para cada intervalo em V Leve Pt(u.Tabela 6. a altura e inclinação da treliça principal e o afastamento mínimo entre módulos estruturais adjacentes. A parametrização deste modelo unilar admite. é aplicável a um projeto especíco. localizado na cidade de Fortaleza. a cobertura metálica do Centro de Eventos do Ceará. tão somente traduzem uma intenção inicial da geometria.z) loop loop crie um mapa de pontos nodais para a malha crie a malha crie as barras do banzo superior crie os pontos nodais do banzo inferior crie as barra do banzo inferior crie as diagonais da treliça m TrussFromCEC TrussOfCEC. a quantidade de treliças principais e secundárias. Os modelos gerados com o auxílio destes três scripts não permitem qualquer armação sobre eciên- cia estrutural das soluções. ao contrário dos scripts anteriores.5: Geração geométrica pelo script TrussFromCEC 97 . como variáveis. Figura 6.

que compreende o conjunto de tarefas para sua geração. Os arquivos de texto gerados pelo pré-processador costumam ser apenas uma longa listagem de números. As seções tubulares adotadas são comercialmente disponíveis. modicação e vericação de consistência. por si só. Neste trabalho exige-se uma sequência de conversão de formatos. visualização. as condições de carregamento e as condições de extremidade. Como descrito na seção anterior. para os quais é possível desenvolver subrotinas de conversão quando o fabricante disponibiliza a documentação adequada [34]. que importa modelos geométricos com o formato de intercâmbio DXF e exporta modelos de estruturas no padrão ASCII.6 foi gerado pelo script TrussfromSurface e convertido em modelo estrutural em FEMAP c .6: Modelo estrutural de domo. 98 . ainda podem ser exigir muito trabalho do projetista. mas a determinação das propriedades físicas e geométricas do pers. A extensão DXF é suportada pela maioria dos programas comerciais que fazem geração de geometria e o formato ASCII é facilmente empregado como input em aplicativos desenvolvidos na linguagem de programação FORTRAN. parte deste volume de trabalho pode ser reduzido se as tarefas de geração geométrica forem partilhadas com um aplicativo CAD e técnicas de scripting. que permitam que dados inicialmente gerados em CAD cheguem ao otimizador Mimesis e retornem ao pós-processador. nem todos com interface gráca amigável. Figura 6. Isto ocorre por meio de arquivos de texto no pré-processador.6. Pré-processamento em FEMAP c O exemplo da Figura 6.1.2 Modelo estrutural discreto A construção do modelo estrutural discreto é feita na fase de pré-processamento. Diversos aplicativos baseados no MEF possuem módulos de pré-processamento.

porém especícas. Microstation . sempre que é feita menção a um pré ou pós-processador. capaz de importar modelos geométricos com o formato de intercâmbio .6. que requerem experiência e habilidade do usuário destes programas. foram desenvolvidas algumas ferramentas simples. Estas ferramentas permitem a geração automática de malhas e a manipulação de linhas e superfícies através de muitas estratégias diferentes. O arquivo de texto . Sd ) ≥ 0 δenv ≤ δmax onde: (6. ou seja. Este trabalho empregou um esforço considerável para desenvolver uma subrotina capaz de separar os blocos de informação gerados pelo pré-processador e selecionar a informação relevante para o Mimesis. Neste trabalho.4) (6. Como o objetivo deste trabalho é o dimensionamento de estruturas com formas inovadoras. é Mimesis eciente para o tratamento de modelos matemáticos em ciência e engenharia. O Mimesis faz o dimensionamento de estruturas tubulares pela losoa do Mé- todo dos Estados Limites. visando minimizar a massa da estrutura. mas é dicil para o desenvolvimento de interfaces grácas. o é completamente dependente da interface gráca de outros programas. entre os quais estão o AutoCAD . As restrições desta busca são: Sd ≤ Sr θ(Sd .NEU gerado pelo pré-processador é uma longa listagem de números incompreensível sem um manual adequado [34].3) (6. A linguagem FORTRAN. Rhinoceros e 3DStudio .DXF e exportar modelos estruturais no formato de arquivos de texto ASCII. Muitos destes aplicativos são habitualmente usados em Arquitetura para elaboração de desenhos técnicos e maquetes eletrônicas. Por isso. busca aproximar o esforço solicitante de cálculo com a capacidade resistente de cálculo das barras. isto se refere aos recursos do FEMAP c . pela técnica de scripting.2 Funções de aptidão Existem diversos aplicativos comerciais capazes de gerar geometria de estruturas. na qual o aplicativo Mimesis é desenvolvido. um aplicativo comercial com interface gráca amigável.5) 99 .

O Mimesis não faz ajustes na relação de adjacência entre as barras. a resistência de tubos é calculada levando-se em conta as prescrições de normas técnicas [35. chamadas de parâmetros. tal como se apresenta na Tabela 6. O dimensionamento é efetuado levando-se em consideração a envoltória dos esforços solicitantes de todas as combinações últimas de carga habilitadas. O Mimesis também pode trabalhar como um processador simples de análise não linear incremental e interativa do modelo estrutural proposto pelo usuário. o que é denominado de otimização dimensional ou (ii) pelo ajuste das coordenadas espaciais dos nós da estrutura.Sd Sr θ(Sd . prediz o comportamento da estrutura sob o efeito destas combinações por análise estrutural e faz o dimensionamento por Algoritmo Genético. calcula combinações de carga.1 Argumentos do programa O usuário do Mimesis deve passar instruções para o programa via arquivo de texto. sem proceder ajustes. 6. mas pode proceder simultaneamente aos dois tipos de otimização implementados. conhecido na literatura como otimização topológica. Em resumo. o que denota otimização geométrica. este pseudocódigo é ligeiramente alterado. Mi- Esforços e deslocamentos são obtidos por um módulo baseado em análise estrutural.4 : Onde P (t) é uma população de treliças e a instrução Avalie P(t) contém a Parte II do primeiro pseudocódigo. Nas seções seguintes é detalhado o funcionamento de cada uma destas instruções. δenv é obtido pela envoltória de todas as combinações de serviço escolhidas pelo usuário do mesis. O pseudocódigo ilustrado na Tabela 6.3 ajuda a compreender a estrutura básica do Mimesis neste último caso: Quando trabalha na função de dimensiomento.2. estão listadas abaixo: 100 . para que o processamento ocorra como esperado. O objetivo de algumas destas instruções. 36]. o Mimesis reúne quatro funções: calcula resistência de tubos. Sd ) δmax δenv é ação solicitante de cálculo é a capacidade resistente de cálculo é uma função de interação das ações solicitantes é o deslocamento máximo prescrito é o deslocamento máximo obtido pela envoltória das combinações de carga Este dimensionamento é obtido através de duas estratégias independentes: (i) pela adequada combinação de pers catalogados em uma biblioteca.

DAT monte modelo básico para análise -Parte IIinício t=0 inicie P(t) avalie P(t) enquanto (condição não atendida) faça início t=t+1 Selecione P(t) de P(t-1) Altere P(t) Avalie P(t) m m -Parte IIIimprima output em .ANALISE DE RETICULADOS Tabela 6.NEU m 101 .3: Pseudocódigo para análise de reticulados inicio -Parte Ileia parâmetros de análise leia biblioteca de pers leia input: modelo estrutural em arquivo .NEU para .NEU para .NEU m Tabela 6.NEU converta o input de .4: Pseudocódigo para dimensionamento de reticulados SINTESE E ANALISE DE RETICULADOS inicio -Parte Ileia parâmetros de análise e otimização leia biblioteca de pers leia input: modelo estrutural em arquivo .DAT monte modelo básico para análise -Parte IIatribua propriedades físicas e geométricas calcule resistência das barras crie mapa de liberações locais calcule combinações de carga calcule deslocamentos e esforços de cada combinação de carga calcule envoltória de deslocamentos e esforços avalie a relação entre Sd e Sr -Parte IIIimprima output em .NEU converta o input de .

que pode ser acessado tanto pelo pré-processador quanto pelo Mimesis (Fig. 6. plano ou espacial) Tipo de análise (incremental ou incremental-iterativa) Número de incrementos Instruções para Método dos Estados Limites Quais combinações de carga estão ativadas Obviamente. no Mimesis. Figura 6.2 Biblioteca de pers A função desta instrução é acessar um arquivo com a coleção de pers e materiais catalogados pelo usuário e colocá-lo na memória temporária do computador.7). Uma vez criada.2. As bibliotecas de perl e material usadas pelo Mimesis são criadas no ambiente do pré-processador.7: Encadeamento de dados em É importante sublinhar que. a análise linear é processada quando o procedimento iterativo é desativado e o número de incrementos é limitado a 1.ESP). Mimesis as propriedades físicas e geométricas 102 . esta biblioteca ca armazenada em um arquivo de texto independente (. Os diversos tópicos que estas opções abrangem serão abordados adiante.Instruções para módulo geral de controle Nome do arquivo com a biblioteca de tubos Informar se o Mimesis irá operar `síntese' ou `análise' Em caso de síntese. informar se a estratégia é `dimensional' ou `geométrica' Denir a subestratégia: `independente' ou `funcional' Instruções para otimização Probabilidade de mutação Probabilidade de recombinação Quantidade de gerações Instruções para análise Informar o sistema estrutural (treliça ou pórtico. Algoritmos Genéticos podem decodicar uma sequência de bits contida no cromossomo de um indivíduo como o elemento de uma biblioteca pré-denida. 6.

O treliças segue esta losoa. o ID deste elemento na biblioteca. por exemplo. fazer a área da seção variar a intervalos pequenos entre dois extremos. Os blocos destacados na Tabela 6. (i) importar um arquivo de origem e separar suas informações em blocos e (ii) localizar os blocos importantes.do perl estão associadas a um número inteiro.2. exigir a aproximação da seção encontrada para dimensões disponíveis comercialmente. Esta abordagem tem a vantagem de fazer a busca. o Mimesis irá procurar primeiro o ID e. . . ID(n)' Propriedades físicas do perl (n) Diversos trabalhos anteriores sobre otimização de estruturas com Algoritmos Genéticos fazem uso de variáveis em R (conjunto dos números Reais). efetivamente. Algumas vezes é desejável fazer uma vericação rápida de um perl informando suas propriedades em um arquivo texto. de ponto utuante ou outras formas mais complexas. A opção pela busca no domínio em N (conjunto dos números Inteiros) acarreta as vantagens e desvantagens da estrutura de dados mais adequada a este conjunto. resgatar as informações necessárias e imprimi-las em um arquivo de saída.3 Conversão do input A tarefa de conversão de arquivos comprende duas etapas. recuperar as propriedades do perl (Tab. que só trabalha (em síntese e análise) com os n pers cadastrados na biblioteca. Na importação para Mimesis. gerando erros potenciais de avaliação. benchmark disponível para otimização de 6. Tabela 6. . é aceito que a estrutura de bits é mais eciente quando o domínio está em N e a de ponto utuante é mais adequada quando o domínio está em R.5: Esquema da biblioteca de pers ID(01) Propriedades físicas do perl (01) . através dele. os blocos de informação gerados pelo pré- processador são separados em arquivos de texto (. pela seção que minimiza a massa da estrutura mas a desvantagem de. mas isto não é possível no Mimesis. Ao prodeceder à análise e dimensionamento. . .txt) que cam armazenados temporariamente no disco rígido. ao nal deste processo. Isto permite. 6.6 são lidos e a 103 . Existe divergência na literatura sobre a inuência das estruturas de dados sobre a eciência do AG. Como primeira aproximação. Um cromossomo pode assumir a estrutura de bits.5).

6: Blocos de informação para conversão Blocos em FEMAP c Blocos em Mimesis header coord-sys text variables layer-data layer-data points curves surfaces volume materials materials properties properties nodes nodes elements elements contact-segment geometry-attach constrains loads loads groups views report-formats functions analysis-sets active-data references output-sets output-sets output-vectors output-vectors nameless1 nameless2 informação relevante é armazenada em arquivo texto. 6. Por m. Inci . que contém apenas os dados estritamente necessários para o Mimesis. (ii) direções globais da estrutura e (iii) elementos de barra. Cada ponto nodal ndi é identicado por um ID i. este arquivo texto. é levado para a memória temporária.Tabela 6. Carti } 104 (6.2.6) .4 Montagem do modelo inicial O modelo inicial da estrutura tubular compreende três conjuntos de instruções: (i) pontos nodais. para conferência. pela determinação cinemática e por coordenadas cartesianas: ndi = {i.

relj } onde: IDj é ID da barra são IDs dos pontos nodais da barra é ID das propriedades geométricas desta barra na biblioteca é ID das propriedades físicas desta barra na biblioteca indica liberações locais reais (6. independentemente das condições de extremidade.8. f isj . Incidj . As primeiras.8: Barras e pontos nodais Figura 6. geoj . o elemento é formulado como pórtico [36]. denidas pelo projetista. as segundas são denidas pelo da barra: sempre que lj ∅j Mimesis em função do comprimento lj e diâmetro ∅j ≤ 6.7) Incidj geoj f isj relj No exemplo da Figura 6. eliminando os graus de liberdade cujo deslocamento está impedido. Figura 6. Isto precisa ser denido pelo Mimesis 105 .O segundo conjunto de instrução numera os graus de liberdade da estrutura em ordem crescente. são úteis para a modelagem de estruturas onde os elementos de treliça são obtidos pela modicação de elementos de pórtico. Incid assume os seguintes valores: Incida Incidb Incidc 1 2 1 2 3 3 É estabelecida uma distinção entre liberações locais reais e virtuais.9: Direções globais da estrutura e restrições de extremidade O terceiro conjunto de instruções dene cada elemento elj : elj = {j.

2. durante o processo de otimização de treliças. a atribuição automática de pers tanto pode resultar em lj ∅j ≤ 6 quanto em lj ∅j > 6. a despeito de eventuais deslocamentos de corpo rígido (Fig.5 Atribuição de propriedades Esta instrução simplesmente usa os IDs associados a cada barra para resgatar suas propriedades físicas e geométricas nas bibliotecas correspondentes.porque.10). Em [36]. As propriedades resgatadas são as seguintes: Tabela A Ix Iy J ∅ t E G ν ρ fy fu 6. 6. resolve apenas a resistência das barras tubulares sem costura. Por esta razão. A instrução de cálculo da resistência de tubos. prescreve-se que. para cada indivíduo proposto pelo programa de otimização. nesta etapa do desenvolvimento do Mimesis.7: Propriedades resgatadas nas bibliotecas área da seção Momento de inércia em torno do eixo x Momento de inércia em torno do eixo y Constante torcional de Saint Venant Diâmetro nominal do tubo Espessura do tubo Módulo de elasticidade Módulo de elasticidade ao cisalhamento coeciente de poison massa especíca tensão de escoamento tensão de ruptura 6. 6.6 Resistência de tubos Usa-se notação CHS para denotar seções circulares e RHS para seções retangulares por serem siglas usuais em obras de referência [37]. Foi adotada a hipótese de que os momentos de inércia em relação aos eixos globais de X e Y não precisam ser atualizadas. o cálculo de resistência de cada barra é efetuado apenas uma vez a cada ciclo de análise. Deste modo. a relação ≤ 6 deve implicar na consideração da barra como elemento de pórtico. mesmo em modelos estruturais de treliça. são calculadas as resistências de força normal e cortante e de momento etor e torsor para cada elemento da estrutura.2. mesmo que o modelo inicial seja exclusivamente composto 106 lj ∅j .

A compilação destas normas está no apêndice A.Real ∧ Lib. este conjunto de instruções cria um mapa de liberações locais. que prevê critérios de desempenho para diferentes combinações de carga. o programa aplicará a operação lógica Lib. . Na formulação das matrizes de rigidez do elemento.8: Tabela 6.Figura 6.8) Caso a resposta seja f alse. Isto é simplesmente uma listagem das barras que indica se a formulação do elemento deverá ou não ser modicada. . .V irtual (6.2. é calculado como pórtico com as liberações locais necessárias.Real Lib. Esta instrução é válida quando a análise permite prever elemento de pórtico. o elemento é tal como indicado em projeto. 6. 6.8 Combinações de carga O Mimesis procede ao dimensionamento de estruturas pelo método dos Estados- Limites.8: Mapa de liberações locais Elemento Lib. . caso contrário. n False False Onde true indica a ocorrência de liberação local. .7 Mapa de liberações locais reais e virtuais Com base nas intruções passadas pelo projetista e nas dimensões dos tubos. isto assume a forma da Tabela 6. . Esquematicamente.Virtual 1 True True 2 True False 3 False True . . O projetista deve incluir o valor característico das ações variáveis no modelo estrutural 107 . São utilizadas as orientações normativas de [35] com as atualizações propostas em [36] referentes à curva χ (fator de redução associado à ambagem global). .10: Deslocamento de corpo rígido em CHS e RHS por elementos de treliça.2.

serão gerados quatro vetores diferentes de Fd . Com a análise de cada um.criado no pré-processador. recalculado no otimização. isto irá gerar quatro conjuntos de deslocamentos e esforços internos (Fig.11).9: Legenda dos sets de carregamento ação código legenda tempe vento trunc ocupa plc-1 plc-2 plc-3 plc-4 plc-5 plc-6 plc-7 plc-8 lugar prioridade espec comum Efeitos de temperatura Ação de vento Ações truncadas Uso e ocupação Edicações residenciais de acesso restrito Edicações comerciais.***** devem ser lidas como ação de uso e ocupação em edicação comercial. Por exemplo. garagens e sobrecargas em coberturas Pressão dinâmica do vento em estruturas em geral Variações uniformes de temperatura em relação à media anual local Passarelas de pedestres Vigas de rolamento de pontes rolantes Elementos estruturais que suportam vigas de rolamento de pontes rolantes Ação domimante na combinação Não deve ser considerada como ação especial nas combinaçãoes de carga ocupa.espec.comentário*} A opção `comentários' não afeta o cálculo das ações. depósitos. obedecendo a seguinte nomenclatura ao criar os carga: sets de nome(set) = {ação.plc_2.prioridade.9: Tabela 6. deve ser considerada ação especial e ação de vento agindo em edicação comercial. 6.***** e vento.espec. Por exemplo. os sets A única ação permanente considerada nesta implementação é o peso próprio da estrutura. de escritório e de acesso público Bibliotecas. Mimesis para cada indivíduo gerado pelo módulo de 108 . se estiverem habilitadas as seguintes combinações de carga. deve ser considerada ação especial.plc_2. arquivos. combinação última normal e combinação frequente de serviço. ocinas. As outras entradas assumem os valores previstos na Tabela 6.lugar.

os esforços internos em cada elemento. É empregada uma estrutura de análise simples. Para auxiliar o detalhamento desta instrução.condições iniciais Fd = combinação de carga desta análise zere deslocamentos na estrutura zere esforços internos nas barras .11: Sets de carga e resultados 6.2. São calculados primeiro os (i) efeitos do peso próprio em cada combinação de carga habilitada e (ii) depois disso são computados os efeitos das ações variáveis. com recurso incremental-iterativo (algoritmo de Newton-Raphson modicado) e mecanismo de save-restore.Parte II . a partir do estado de equilíbrio encontrado para as cargas permanentes.9 Deslocamentos e esforços Através das instruções listadas na Tabela 6. Na parte I. [U ] é o vetor de deslocamentos e [A] são os esforços internos nas barras. em função disto.processo incremental com mecanismo SAVE/RESTORE t=0 início t=t+1 [U ](t) = [U ](t − 1) [A](t) = [A](t − 1) [coord](t) = [coord](t − 1) inicio monte matriz de rigidez solucione sistema de equações KU = F Calcule [A] se (critério de convergência) [U ](t) = [U ] [A](t) = [A] senão rene o passo de carga m m Onde t é a quantidade de passos de carga já aplicados na estrutura.Parte I . é apresentado a seguir seu pseudo-código para análise de ações permanentes: Tabela 6.10 são obtidos os deslocamentos na estrutura e.10: Pseudocódigo para análise de ações permanentes .Figura 6. onde são 109 ANALISE DE AÇÕES PERMANENTES .

estão em equilíbrio com as ações externas na estrutura ou dentro de uma margem de erro tolerável. Este programa não calcula deslocamentos impostos na estrutura nem protensão nos tubos.9). Os deslocamentos em cada incremento de carga são encontrados pela resolução de um sistema de equações esquematicamente representado por: K −1 Fd = U O (6. o passo de carga é renado.10) Este resultado gera um novo conjunto de esforços internos. Se o erro excede as expectativas. presumivelmente mais próximo do equilíbrio com as forças externas. A cada etapa. Mimesis incorporou um procedimento de solução de equações em skyline. de forma a colocar a matriz de rigidez do elemento no sistema de coordenadas globais e (iii) adicionar a matriz de rigidez do elemento na matriz da estrutura. inicia-se o processo iterativo: o vetor {g } de desequilíbrio entre as forças internas e externas é utilizado para gerar um vetor de deslocamentos corretivos: K −1 g = U (6. Caso não ocorra convergência após um determinado número de iterações. A convergência ocorre quando os esforços internos nas barras. calculando os coecientes de rigidez diretamente nas coordenadas globais da estrutura [38]. usando o mapa de direções globais (Fig. calculados em função dos deslocamentos.9) Na prática.dadas as condições iniciais antes dos passos de carga. As matrizes de rigidez dos elementos são atualizadas durante o processo incremental. (ii) aplicação de uma matriz de rotação. simplesmente. Alternativamente. é selecionado o vetor de ações sobre os nós da estrutura. é equivalente ao carregamento distribuído nas barras (peso próprio). a inversão da matriz de rigidez é computacionalmente custosa. A montagem da matriz de rigidez atualizada da estrutura compreende três conjuntos de instrução: (i) cálculo dos coecientes de rigidez elástica e geométrica no sistema de coordenadas locais dos elementos (ver apêndice C). Se ocorrer 110 . as coordenadas dos pontos nodais e os esforços nas barras são atualizadas em função dos deslocamentos obtidos no incremento. algoritmo eciente para casos em que se aplicam matrizes simétricas e sem dispersão dos coecientes não-nulos. da adição paulatina do vetor de ações externas em pequenas etapas. aplicado nos nós da estrutura. Na parte II ocorre a montagem da matriz de rigidez da estrutura e a solução do sistema de equações que informa [U ]. Este vetor de forças. é possível eliminar a etapa (ii). 6. mas são mantidas durante o processo iterativo em um arquivo binário. O processo incremental consiste.8 e 6.

convergência. as envoltórias das combinações últimas denem a envoltória global de esforços internos. São determinadas duas envoltórias para cada combinação habilitada.10 Envoltória Um tipo de combinação de carga pode produzir vários sets de resultados. O critério de convergência é escrito como: {g }T {g } ≤ β onde: g é o desequíbrio de forças. que reúne os valores máximos absolutos das entradas de um conjunto de vetores. As envoltórias globais são o resumo (Fig.12) dos efeitos das combinações de carga sobre a estrutura. salvo as condições iniciais.11) F β é vetor de forças externas.2. {F }T {F } (6. 6. Por isso. em função do número de ações variáveis que sejam consideradas principais. é um valor de tolerãncia A instrução para análise de ações variáveis é idêntico ao de ações permanentes. para cada combinação é calculada uma envoltória. onde os vetores de deslocamento e de esforços iniciais são os efeitos do peso próprio.12: Envoltória de esforços e deslocamentos 111 . Elas serão comparadas com a resistência das barras para ns de dimensionamento automático. 6. Figura 6. os vetores de deslocamentos e esforços são atualizados. uma para deslocamentos e outra para esforços. As envoltórias das combinações de serviço geram a envoltória global de deslocamentos.

13). o modelo nal deve ser idêntico ao inicial.14) A expressão do desperdício custoA de massa na estrutura.15) Onde.12 Arquivo de saída O input do Mimesis é um modelo estrutural gerado por um pré-processador. 112 . é: n custoA = j =1 desperdicioj Sdj )mj Srj (6. alguns dados deste modelo serão tratados como variáveis independentes. segundo esta denição. resistência de cálculo e relação esforço/resistência.6. acrescentando-se os resultados das análises: deslocamentos nodais. O dimensionamento é expresso pelas seguintes inequações [35]: Sd ≤ Sr θ(Sd . de forma geral. outros não. desperdicioj = (1 − 6. esforços solicitantes. 6. Geralmente. que exibe gracamente os resultados (Fig. os dados em variáveis independentes estarão diferentes ao nal do processo e irão gerar um ou muitos modelos estruturais alternativos.13) (6. Durante o processo de otimização.2.neu) formatado de tal modo que pode ser lido pelo pós-processador. Sr ) ≥ 0 δenv ≤ δmax (6.11 Avaliação dos resultados A envoltória global de esforços fornece Sd e a envoltória global de deslocamentos indica δenv . O desperdicioj é a massa mj do elemento elj que poderia ser retirada sem afetar as restrições do problema de dimensionamento. Se o Mimesis trabalha somente em análise.2. Estes dados são impressos em um arquivo de texto (.12) (6.

pós-processamento em FEMAP c 113 .13: Análise de domo.Figura 6.

as variáveis de uma solução.19) Φk é a k-ésima função objetivo X é o vetor de variáveis. nos casos em que a posição dos pontos nodais do reticulado. Nr (Xi )min ≤ (Xi ) ≤ (Xi )max . são adequadas para descrever coecientes reais. tendo um catálogo de pers comercialmente disponíveis como referência. j = 1.17) X = [X1 . é regulada por expressões polinomiais. XNv ]T Satisfazendo gi (X ) ≤ 0. . são codicados em um único vetor com representação binária. por outro lado. .6. Variáveis discretas são uma abordagem pragmática em problemas práticos de dimensionamento. X2 . pode escolher aqueles que mais se aproximam da solução idealmente eciente. . A expressão geral de otimização é descrita do seguinte modo: Minimize Φk = Fk (X ). k = 1. As restrições. . sejam discretas ou contínuas. Variáveis contínuas. No Com (6. . . . na medida em que o projetista. Nr Onde (6. .3 Algoritmos de busca Em problemas de otimização podem co-existir variáveis discretas e contínuas. . mais do que isso. na conguração indeformada. . .18) (6. variáveis discretas envolvem custos computacionais reduzidos para o algoritmo de busca. . que podem ser contínuas ou discretas gi é a i-ésima restrição No é o número de objetivos Nv é o número de variáves Nr é o número de restrições Na implementação Mimesis. . . são aplicadas na forma de somatório de funções de penalização P (g ) sobre a aptidão dos indivíduos que as violam: 114 . i = 1. . seguindo a metodologia comum em AG. .16) (6.

m

Pk =
n=m

gn

(6.20)

onde n e m são o intervado das restrições aplicavéis ao k-ésimo objetivo, o que resulta na função de aptidão modicada:

Φk = Φk + Pk
nos trabalhos clássicos de [16] e [39].

(6.21)

Os Algoritmos Genéticos (AG) foram amadurecidos nas décadas de 70 e 80, Os primeiros algoritmos de otimização, desenvolvidos nas décadas de 60 e ainda em uso, eram dedicados a problemas de Economia e Engenharia de Produção mas, com o amadurecimento das ferramentas CAE, a partir da década de 70 foi possível integrar os algoritmos de otimização e análise. Em Algoritmos Genéticos, existe uma vasta produção cientíca relacionada à Engenharia de Estruturas. Entre outros, são considerados referência os trabalhos de [40], [41] e [42]. Na COPPE/UFRJ foram desenvolvidas teses sobre o tema, entre as quais os trabalhos de [43], [44] e [45]. Em Arquitetura, é bastante conhecida a obra de [4]. Algoritmos Genéticos são fáceis de implementar, não exigem profundo conhecimento prévio do que se pretende otimizar e são aplicáveis em um amplo espectro de problemas, principalmente aqueles para os quais não são conhecidos algoritmos ecientes. O método de busca é baseado em dois princípios elementares: codicação e pressão do meio. A codicação permite a relação biunívica entre duas representações do modelo estrutural, seu genótipo (um vetor de base binária que armazena as variáveis de projeto) e seu fenótipo (a representação idealizada completa da estrutura). Graças a esta dupla representação, é possível simular a pressão do meio, aplicando facilmente operadores de transformação sobre o genótipo e fazendo a avaliação da eciência do fenótipo de cada indivíduo. Em AG, codicação e pressão do meio interagem durante um processo iterativo de três etapas:

• Criação de uma população inicial de soluções randomicamente distribuídas no domínio de busca; • Combinação ou transformação dos indivíduos desta população, com vista a gerar um conjunto de soluções melhores e • Geração de novos conjuntos de soluções.
A implementação
Mimesis,

cujo esquema de funcionamento é apresentado na

Figura 6.14, tem as seguintes características principais: 115

Figura 6.14: Esquema básico de funcionamento do aplicativo

Mimesis

Pré-processamento Análise estrutural Dimensionamento

O

input

deve ser gerado no aplicativo FEMAP c ;

As rotinas para análise pelo Método dos Deslocamentos estão

contidas no código-fonte do programa; São obedecidas as normas brasileiras [21, 35, 36] para dimen-

sionamento de estruturas metálicas;

Form-nding

A função que rege a posição dos pontos nodais deve ser escrita em

uma subrotina especíca para cada projeto. Neste estudo, foi aplicado apenas um exemplo com expressão polinomial de grau 3 com duas variáveis;

Pós-processamento
FEMAP c .

As soluções otimizadas são visualizadas com resultados de

análise estrutural (esforços internos e deslocamentos) no pós-processador

Além destas características principais, o programa reúne também os seguintes recursos:

Agrupamento de pers

Aos elementos de barra reunidos no mesmo grupo serão

atribuídos os mesmos pers no processo de otimização. Isto obedece a uma prática corrente de projeto, que reconhece que uma grande variedade de seções encarece a fabricação e montagem da estrutura.

Bibliotecas
gular

Três bibliotecas de pers tubulares estão disponíveis e podem ser acesCircular, RectanSquare Hollow Section ).

sadas simultaneamente: CHS, RHS e SHS (respectivamente: e

As bibliotecas estão no formato padrão do

FEMAP c e podem ser acessadas tanto pelo pré-processador quanto pelo otimizador. (ver Fig.

??)

Análise

Estão disponíveis as opções de análise linear ou não linear, incremental

ou incremental-iterativa (algoritmo Newton-Raphson modicado). O usuário pode especicar a quantidade de incrementos na análise não-linear.

116

Método dos Estados Limites

É possível escolher as combinações de carga que

serão efetuadas. O programa calcula a envoltória dos deslocamentos (Estado Limite de Serviço) e esforços internos (Estado Limite Último) para proceder ao dimensionamento.

117

ao mesmo tempo. possua algum interesse além da mera comparação entre resultados obtidos por diversos aplicativos. a presente investigação parte do pressuposto de que o projeto de estruturas metálicas é fundamentado no compromisso entre a geometria do sistema de barras e um largo espectro de vericações em Engenharia Civil. foi eleito o tema das excentricidades em ligações de estruturas reticuladas. Adicionalmente. O primeiro deles é o escopo das funções de aptidão que resultariam em uma amostra minimamente signicativa do universo. Foram testadas diferentes estra- tégias de modelagem de ligações excêntricas em um aplicativo comercial e então estes resultados foram comparados entre si e com os produzidos pelo programa Mimesis. Foram escolhidas estruturas metálicas executadas com PFF porque elas deman118 . A solução intermediária adotada consiste em validar o programa através de um problema que englobe simultaneamente mais de um aspecto entre as implementações efetuadas e que. este trabalho impôs-se alguns dilemas. as hipóteses de cálculo consideram exclusivamente a ocorrência de esforços uniaxiais de compressão sobre as barras. portanto.4 Validação Como já mencionado em capítulos anteriores. não apresentar qualquer exemplo de teste levantaria dúvidas legítimas sobre a validade de todos os resultados apresentados posteriormente. usualmente. Embora a otimização tenha sido numericamente bem-sucedida. Trata-se. O segundo dilema diz respeito à validação dos modelos implementados: uma apresentação minuciosa de todos os testes possíveis tomaria muito espaço desta Tese com material sem conteúdo original. o produto revela a diculdade em compatibilizar geometricamente os pers otimizados estritamente por critérios de vericação estrutural e. com especial atenção para a introdução de momentos etores em sistemas onde. Ao estabelecer como meta descobrir se a mediação deste compromisso através de Inteligência Articial resultaria em formas inovadoras e mais ecientes do que as usuais. indica o volume de investigação que ainda há por realizar antes que a otimização de reticulados planos construídos em PFF integre os Modelos I e II desta Tese. a correção das subrotinas de liberação local e de um tipo de modelagem de ligações conhecido como oset.6. de uma oportunidade para vericar a acuidade do programa de análise linear de pórticos planos. de todas as possíveis vericações em Engenharia Civil. Para o m de validação. por conseguinte. A comparação conrmou a precisão dos modelos de análise implementados. procedeu-se a testes de varredura e de otimização sobre uma estrutura reticulada plana constituída pela associação de barras em Pers Formados a Frio (PFF). sabidamente vasto e complexo.

global G e distorcional D e porque a introdução de excentridades. As funções de aptidão foram (i) a minimização da massa do reticulado e (ii) a maximização do seu fator de carga. as duas estratégias mais comuns consistem em introduzir um elemento muito rígido ou estabelecer algum tipo de dependência linear entre deslocamentos dos pontos nodais de uma ligação excêntrica. os modelos mais comuns são os tipos  A ou  π . Este tipo de perl é particularmente apto a atender ao compromisso entre a produção em série e a possibilidade de customização da forma dos pers a um custo viável. também a considerar estas mesmas excentricidades. 6. D e G) e os deslocamentos admissíveis prescritos em norma. (ii) geometricamente. A primeira etapa do teste de validação consistiu em comparar estratégias de modelagem numérica e geométrica das ligações excêntricas em treliçados planos: (i) numericamente. onde os resultados são comparados com resultados numéricos obtidos no aplicativo comercial SAP2000 c . onde as variáveis sejam geométricas (as excentricidades nas ligações) e dimensionais (elementos contidos em uma biblioteca de pers pré-denida). é muitas vezes inevitável no projeto de fabricação deste sistema. A última etapa é uma demonstração da otimização de reticulados planos projetados com PFF. são geralmente relacionados ao catálogo de um fabricante no qual não existe possibilidade de customização a baixo custo. As restrições impostas ao problema foram a resistência das barras (calculadas pelo Método da Seção Efetiva [46].1 Metodologia Pers de aço formados a frio (PFF) oferecem vantagens para a execução de estruturas onde se deseja o menor peso próprio possível e baixo custo de fabricação de barras adaptadas a necessidades especícas. que as excentridades podem atuar como fatores negativos ou positivos sobre o desempenho da estrutura. A leveza e a liberdade de forma dos pers de chapa 119 . A segundo etapa do teste consiste na análise de sensibilidade (i) da distribuição dos momentos etores nas barras em função das excentricidades e (ii) dos deslocamentos na estrutura. como previsto na literatura. Constatou-se. como os pers tubulares sem costura e os pers laminados.4. considerados os três modos de ambagem: L.dam um estudo cuidadoso da resistência das barras. Outros processos de fabrica- ção. tanto no que tange aos deslocamentos quanto no que diz respeito aos fatores de carga em função dos esforços internos. devido às possíveis interações entre modos de ambagem local L.

A comparação 120 constraints e ligações em oset. no entanto. resultando em modelo de pórtico plano e. nestes casos. A primeira etapa da validação consiste em comparar os resultados dos esforços e deslocamentos. Para a análise elástica de vigas treliçadas. conforme ilustrado na Figura 6. são acompanhadas por um comportamento estrutural complexo. Quando submetidas à compressão ou exão. no entanto. devidamente combinados.na. local L e distorcional D. sendo estimada de forma aproximada com auxílio de equações de interação. a adoção de pequenas variações dimensionais pode alterar decisivamente a resistência da barra de uma maneira nem sempre intuitiva para o projetista. permitem identicar os modos de ambagem e prever com segurança a resistência de barras em PFF sob compressão centrada ou exão simples. 37. simplicando o procedimento de cálculo. idealizar as excentricidades das ligações. Programas comerciais de análise de estruturas oferecem outros recursos. 46] ou pelo Método da Resistência Direta [21. reduzindo o custo computacional e conduzindo a resultados consistentes. Nesse caso a análise deve levar em conta um modelo de barras com continuidade nas extremidades. a predição da resistência envolve o comportamento de viga-coluna. é preciso considerar a interação entre os seus modos de ambagem global G. 31] ou (ii) através de procedimentos computacionais com emprego dos métodos das faixas nitas ou da GBT (General Beam Theory) para os pers com seções transversais não habituais. que idealizam as excentricidades como dois pontos nodais entre . podem conduzir a eixos das diagonais não convergentes com os eixos dos banzos nos nós da estrutura. A maneira mais direta de idealizar uma ligação excêntrica é introduzir um elemento extremamente rígido entre os pontos nodais que não coincidem. ao mesmo tempo. Restrições impostas pela fabricação. as barras podem sofrer efeitos da exo-compressão e.15 [36. introduzindo assim momentos etores e reduzindo a resistência dos banzos comprimidos. 49]. Para avaliar adequadamente a resistência destas barras. obtidos quando a mesma treliça plana com ligações excêntricas é modelada de maneiras diferentes em um aplicativo comercial [49]. 47]. se os eixos dos elementos convergem nos pontos nodais é usual considerar todas as barras como elementos com extremidades rotuladas. Isto é possível para a maioria das tipologias empregadas atualmente através de fórmulas fechadas pelo Método da Seção Efetiva [21. o que pode ser feito com diferentes recursos de modelagem da estrutura. Adicionalmente. Estes métodos. tais como os quais existe uma dependência linear de deslocamentos [48.

2 m e 1. Na etapa seguinte foi efetuada uma comparação entre a distribuição de momentos etores nas barras e os deslocamentos de uma estrutura treliçada onde a única variável é a excentricidade das ligações. (ii) a técnica do elemento muito rígido apresenta resultados que variam segundo a magnitude da rigidez adotada no elemento de ligação e que (iii) a adoção de rigidezas extrememente elevadas induz a erros numéricos nos resultados da análise. é efetuada a comparação com o programa de análise desenvolvido nesta investigação. duas variáveis de projeto (magnitude das excentricidades e seleção de elementos em uma biblioteca de pers) são investigadas por Algoritmo Genético com o propósito de maximizar seu fator de carga e minimizar o desperdício de massa. Foi arbitrada uma excentricidade positiva e = 0. Por m. A estrutura biapoiada (Fig. 6. 4m de altura entre os eixos dos banzos. arbitrada positiva quando afasta a ligação do centro de massa do reticulado).Figura 6.15: Modelagem de ligações excêntricas em treliças atestou que (i) os recursos oset e constraints conduzem sempre aos mesmos resultados.16) apresenta vão de 19.4. O aço tem 121 . 6. Vericou-se que as excentricidades podem ser usadas a favor da estrutura (redução da magnitude dos deslocamentos) e que os momentos etores introduzidos pelas excentricidades devem ser levados em consideração no dimensionamento estrutural. Compreendidas as diferenças entre as diversas técnicas de modelagem de ligação e seus efeitos sobre o comportamento de uma estrutura treliçada plana.2 Modelagens de ligações excêntricas Elemento extremamente rígido O reticulado plano modelado nos exemplos desta seção foi analisado no programa comercial SAP2000 [49]. 2m (o sinal da excentricidade é uma coordenada local.

coeciente de Poisson ν = 0. como apresentado na Figura 6. com propriedades geométricas idênticas à seção do banzo e com módulo de elasticidade E múltiplo de E . 1012 e 1015 . para os quais foi adotado E com ordens mais elevadas de grandeza. exceto nos elementos de ligação nos nós. Modelo gerado em SAP2000 c A excentricidade nas ligações foi idealizada como um elemento rígido. 122 . Esta anomalia é atribuída à arquitetura dos computadores atuais e à maneira como são armazenados e processados números cuja proporção extrapola certa ordem de grandeza.5 12 A comparação (Tab 6. A exata ordem de magnitude em que este fenômeno ocorre depende do hardware. nas seguintes ordens de grandeza: 100 . 0GP a. Foram aplicadas cargas nodais de 10. Os resultados apresentados na Tabela 6. Isto sugere que outros métodos de modelagem deveriam ser considerados.16. mas a partir do teste 5 os resultados são claramente inconsistentes.11) entre os deslocamentos e esforços internos dos testes numéricos revela pequenas variações até o teste 4.11 são referentes ao elemento comprimido do banzo superior. 106 . 0kN na direção da gravidade ao longo do banzo superior. de modo a caracterizar o elemento muito rígido. Um usuário inexperiente não é capaz de estabelecer a combinação exata dos fatores que levam um computador a gerar respostas incorretas a partir de dados consistentes. Figura 6. Tabela 6. do software utilizado e do problema proposto.11: Relação entre E no Teste E 1 200 · 100 M P a 2 200 · 103 M P a 3 200 · 106 M P a 4 200 · 109 M P a 5 200 · 1012 M P a 6 200 · 1015 M P a elemento de ligação.16: Distribuição de momentos etores (a) sem excentricidade nos nós. 109 . (b) com excentricidades nos nós. 103 . esforços e deslocamentos F lecha(mm) N (kN ) M (kN mm) -41 -362 2434 -40 -362 2388 -40 -362 2388 -39 -361 2379 21 -194 2583 0 -0. 3 e módulo de elasticidade E = 200.

esforços axiais e deslocamentos numericamente idênticos. (ii) Constraint e (iii) Oset Teste Flecha (mm) N (kN) M (kNmm) 3 E = E · 10 -40 -362 2388 Constraint -40 -362 2388 Oset -40 -362 2388 A comparação entre as estratégias descritas nesta Sessão sugere a superioridade da dependência linear entre pontos nodais.Dependência linear entre deslocamentos nodais Uma segunda estratégia para modelar ligações excêntricas consiste em estabelecer um vínculo entre seus pontos nodais através da dependência linear de seus deslocamentos.13 dizem respeito a esforços e deslocamentos em um treliçado plano em função de um tipo de ação variável sobre a estrutura.16) e se comparam os esforços internos e deslocamentos. Quando se analiza o reticulado de teste deste trabalho (Fig. Este resultado valida a modelagem de ligações excêntricas e a análise linear de pórticos planos em Mimesis. Figura 6. nota-se a exata coincidência dos resultados.17: Distribuição de momentos etores calculado com o aplicativo Mimesis Os resultados da tabela 6. [51]) e a Tabela 6. Tabela 6. reduzem os graus de liberdade do problema e estão isentos dos erros numéricos do tipo descrito na seção anterior. O programa Mimesis foi habilitado com este recurso.12.13 compara os resultados com o SAP2000 c . os recursos para este abordagem são constraints e ligações em oset. que criam internamente um elemento idealmente rígido. No aplicativo SAP2000. A Figura 6. 6.12: Ligações excêntricas com (i) elemento rígido.17 mostra a distribuição de momentos no reticulado plano de teste analisado pelo Mimesis (visualização em FEMAP c . obtidos 123 . Estes testes foram realizados com o auxílio de um aplicativo comercial. A comparação dos resultados obtidos revela uma semelhança aceitável entre eles: diferença de 1% na distribuição de momentos. pois apresentam resultados mais previsíveis e são computacionalmente mais ecientes. conforme apresentado na Tabela 6. mas o algoritmo que descreve a dependência linear entre deslocamentos nodais é de domínio público [50] e pode ser facilmente implementado em qualquer programa de análise estrutural onde se tenha acesso ao código-fonte.

9999). Nota-se que a diferença entre os deslocamentos (echa máxima) e os esforços internos obtidos não é signicativa. esta conguração é denominada tipologia A (Fig.999). 6.Tabela 6.11 = 0. todavia. posicionando as extremidades das diagonais sobre os eixos dos banzos. Tabela 6.15 mostra a comparação entre os resultados das tipologias A e π obtidos com o aplicativo Mimesis. As matrizes de rigidez geométricas implementadas. Esta conguração será denominada aqui de tipologia π  (Fig. mas que o cálculo automático da massa da estrutura aponta um valor 15% superior na tipologia A.1% (45. é possível modelar as excentricidades com ligações em oset. Com isto em vista.999) e os momentos etores divergem em torno de 0. serão aproveitadas nos desdobramentos desta Tese em algoritmos para cálculo de autovetores.18a).18b). os esforços axiais diferem em torno de 0.06/45.06 -403930 -45.01% (2731524/2731552 = 0. a relação custo-benefício da análise linear favoreceu sua aplicação nos trabalhos de otimização.14) e o custo computacional é consideravelmente maior.14 levam em consideração o peso próprio da estrutura.1% (403930/404304 = 0. a literatura sugere que os eixos das diagonais sejam prolongados até sua interseção em um ponto nodal imaginário [47].13: Flecha máxima e esforços internos Mimesis Teste Flecha (mm) SAP2000 (oset) -40 Mimesis (oset) -40 obtidos dos programas SAP2000 e N (kN) -362 -362 M(kNmm) 2388 2363 por análise linear. Os algoritmos de análise não-linear implementados no Mimesis permanecem válidos para este tipo de estrutura mas a diferença entre os resultados obtidos é pequena (Tab. No presente trabalho. 124 . A Tabela 6.14: Diferença de Teste Análise linear Análise não-linear resultados entre análises Flecha (mm) N (N) -45. 6. 6.11 -404304 linear e não-linear M(Nmm) 2731524 2731552 Tipologia A e tipologia π Na modelagem geométrica de ligações excêntricas em sistemas treliçados formados por tubos de aço. Os resultados apresentados na Tabela 6. Alternativamente. A diferença entre deslocamentos está na ordem de 0. Esta tipologia pode introduzir dois erros de avaliação no programa Mimesis quando são consideradas excentricidades positivas: aumento do comprimento de ambagem e do peso próprio das barras diagonais.

há problemas de engenharia para os quais o melhor desempenho da estrutura é resultado da combinação de muitas variáveis. Z. pois não há garantias de que os pontos nodais das diagonais estejam posicionados sobre o centróide dos banzos. Como sabido. A tipologia π também não fornece a resposta exata.3 Sensibilidade da estrutura à variação das excentricidades Fator de carga em função dos deslocamentos O programa computacional Mimesis inclui módulos de (i) análise elástica linear e não-linear incremental e iterativa de treliças e pórticos planos e espaciais sob cargas estáticas. pois a massa da estrutura compõe a função objetivo no algoritmo de otimização do Mimesis.Figura 6.18: (a) Tipologia A. U enrijecido. (b) tipologia π Este diferença é relevante. (iii) fator de carga associado aos esforços internos e (iv) fator de carga associado aos deslocamentos. o número de variáveis está geralmente associado ao custo computacional e à precisão 125 . retangular ou quadrada) e perl de aço formado a frio (seção U. Z enrijecido e cartola). Estes dados integram o desenho de quatro funções de aptidão: (i) minimização da massa da estrutura. (ii) deslocamentos verticais. Na ausência de un critério mais preciso. dirigindo a busca pelas estruturas mais ecientes através de regras de pesquisa. O propósito dos algoritmos de otimização é reduzir o custo computacional. A resistência é calculada com base no projeto de norma brasileira para estruturas com tubos de aço [36] e na norma brasileira para dimensionamento de pers formados a frio [21].4. No caso de algoritmos estocásticos. deu-se preferência à tipologia π no desenvolvimento deste trabalho. Tabela 6.15: Teste Tipologia A Tipologia π Comparação Massa (kg) 2239 1948 de resultados para tipologias A e π Flecha (mm) N(kN) M(kNmm) -40 -362 2363 -39 -362 2304 6. (ii) cálculo automático da resistência de barras com perl tubular (seção circular. de modo que a busca exaustiva pelo domínio pode apresentar um custo computacional proibitivo.

22 variou na mesma ordem de grandeza (Fig. de modo a excluir variáveis que não afetam signicativamente o comportamento da estrutura. Isto signica que o fator de carga expresso na Equação 6. 0mm). a uma varredura sobre ele e xar os valores das demais variáveis. 0kN ao longo do banzo superior. 6. 6.dos resultados. No presente caso foi estabelecida uma varredura sobre a excentricidade nos nós do modelo estrutural de teste (Fig.22) Up é o deslocamento vertical máximo prescrito em norma Um é o deslocamento vertical máximo obtido na análise da estrutura Neste exemplo foram empregados pers cartola nos banzos.19) e cargas nodais de 1.20b).20a) mostra que as excentricidades nos nós podem afetar consideravelmente os deslocamentos. 126 .19: Treliça plana com pers formados a frio e excentricidade variável O gráco (Fig. perl U enrijecido nas diagonais (Fig. −18] (e é a excentricidade da ligação). fdesl = onde: Up Um (6. calculado Este fator indica a intensidade da ação sobre a estrutura que irá deformá-la até o limite prescrito em norma (neste estudo foi estabelecido A maneira mais direta de checar a necessidade de considerar um parâmetro é proceder Up = 77.16) para aferir a sensibilidade dos deslocamentos verticais e do seu correspondente fator de carga fdesl . onde o deslocamento é numericamente equivalente a 63% do resultado apresentado quando e = 100. O melhor desempenho neste exemplo ocorre no intervalo e = [−27.22. pela Equação 6. 0mm. Figura 6. 6. de forma que sua escolha deve ser criteriosa. 6.

127 . no entanto.23 em todas as barras é essencial para o desenho da função objetivo no Algoritmo Genético e permite obter soluções o mais leve possível sem violar restrições de segurança.21b. No exemplo das Figuras 6.23) NSd é a força axial resistente de cálculo. as barras com maior solicitação são facilmente identicáveis e empregadas como referência para o dimensionamento da estrutura. Para efeito de dimensionamento de pers formados a frio. NRd é a força axial solicitante de cálculo. esta avaliação pode não se tornar tão evidente. pois os momentos mais intensos podem ocorrer em barras onde a solicitação à compressão é menos pronunciada.16a). 6.Figura 6. mas na Figura 6. onde a interação é visualizada em cada barra.23 pode tornar menos intuitiva a localização das barras onde o dimensionamento está mais próximo de violar as restrições de resistência. A interação expressa pela Equação 6.20: Grácos de deslocamento (a) e fator de carga (b) em função das excentricidades Fator de carga em função dos esforços internos Em uma treliça onde não se consideram os efeitos da excentricidade sobre a distribuição dos momentos (Fig.21c.23 [21] é uma hipótese de calculo simplicada que considera uma interação linear entre esforços axiais e momentos etores: MSd NSd + < 1. MRd é a momento etor solicitante de cálculo. Se for considerada a redistribuição. os esforços de compressão e momento etor estão distribuídos segundo um padrão reconhecível. 0 NRd MRd onde: (6. MSd é a momento etor resistente de cálculo. O processo automatizado de cálculo da Equação 6.21a e 6. este padrão se torna menos regular. a Equação 6.

128 .24: fesf = onde: NR MR − NSg MR − NR MSg NSf MR + NR MSf (6. para obter o fator de carga fesf da estrutura através da Equação 6. 51 no intervalo e = [−37. Mais uma vez. (b) momento etor (M) e (c) dimensionamento considerando interação de esforços pela Eq. MSg momento etor resistente de cálculo pela ação do peso próprio.23 O objetivo da análise pode ser a estrutura que suporte o maior carregamento possível e não apenas a solução mais leve.21: (a) Esforço axial (N). 0].24) NSg é a força axial de tração solicitante de cálculo pela ação do peso próprio. o que valida sua inclusão como variável em um problema de otimização. MSf momento etor resistente de cálculo por ações variáveis. 0]. Conclui-se que a excentricidade das ligações pode desempenhar um papel decisivo sobre a eciência de treliças construídas com pers formados a frio. MR momento etor resistente de cálculo. 100.Figura 6. considerando-se resistência e esforços internos provocados pelo peso próprio e carregamentos. Aplicando a Equação 6.24 para determinar o fator de carga da estrutura e procedendo à varredura no intervalo e = [−100. NSf é a força axial de tração solicitante de cálculo por ações variáveis. 0. 0mm. é preciso checar a interação entre esforços para cada elemento de barra. reduzindo-se a 64% deste valor quando é adotada excentricidade positiva e = 100. Nota-se que o fator de carga é máximo fesf = 2. 0. 1. tanto no que diz respeito a deslocamentos quanto a fatores de carga. obtém-se o gráco da Figura 6.22. 6.

retangular e quadrada) e (ii) seis tipologias de pers abertos formados a frio (seção U. No caso de codicação de pers em um catálogo. como ilustrado na Figura 6. U enrijecido.4. sendo por isso importante manter a precisão das variáveis dentro de limites práticos de projeto.Figura 6. Z com enrijecedor a 45o . com um intervalo entre elas tão pequeno quanto especicado pelo operador.4 Otimização por Algoritmos Genéticos As variáveis de um problema de otimização podem ser assumidas como discretas (ex. Z. A geração dos fenótipos através de AG é chamada síntese e a avaliação dos indivíduos é um processo de análise. escolha mais apropriada dos elementos em um ou mais catálogos de pers) ou contínuas. (ii) geométrica. maior a quantidade de bits requerida para codicar o cromossomo e menor o desempenho do algoritmo. Quanto menor o intervalo especicado. que consiste na escolha automática dos pers. o Mimesis incorpora estratégias para a codicação de (i) três diferentes tipologias de pers tubulares (seção circular. coordenadas dos pontos nodais ou os componentes que denem os osets nas extremidades das barras). Até o momento.23 Na prática. mesmo as variáveis contínuas são tratadas internamente como discretas. que afeta a posição dos pontos nodais ou componentes do oset e (iii) topológica. que altera a condição de vizinhança entre os elementos de barra. cujas propriedades 129 .22: Fator de carga (fesf ) em função das excentricidades nas ligações 6. Z com enrijecedor a 90o e perl cartola). um número decimal é associado a cada elemento do conjunto e convertido em números binários para formar os cromossomos. Existem três estratégias de síntese: (i) dimensional. (ex.

3). [46]. foi empregado o programa computacional CUFSM [32]. No caso de PFF. é empregado o Método da Seção Efetiva fórmulas fechadas. o algoritmo de busca vai até a biblioteca correspondente buscar uma alternativa que melhore o desempenho da solução e calcula sua resistência de acordo com a prescrição de norma adequada. Quando o utilizador do aplicativo especica a tipologia de uma determinada barra. para a determinação da força axial distorcional elástica (Ndist ) e momento etor de ambagem distorcional elástica (Mdist ).4. Entretanto. adotar o perl de cada barra como uma variável discreta resultaria um domínio de busca com 2067 possibilidades. Como cada uma destas bibliotecas possui 20 pers cadastrados. Estes valores são armazenados nas bibliotecas e são acessados durante a execução do Algoritmo Genético. baseado no método das faixas nitas. sem a necessidade de chamada direta do programa CUFSM pelo Mimesis.Figura 6. capaz de prescrever a interação entre os modos de ambagem local e global (LG) por Nos pers onde é necessário considerar os efeitos do modo distorcional (D). a fabricação e montagem de estruturas 130 . a estrutura treliçada apresenta 16 barras no banzo inferior com perl cartola.23: Codicação dos pers e operação de crossover físicas e geométricas cam armazenadas em nove bibliotecas distintas. No exemplo de teste deste trabalho (seção 6. em condições reais. 17 barras no banzo superior também com esta tipologia e 34 barras nas diagonais com perl U enrijecido. é sabido que.

Deste modo. são os componentes dos osets osets no fenótipo do indivíduo sintetizado nos elementos de barra da estrutura inicial. o que reduz o universo de busca a 203 opções. A função-objetivo (a) é a combinação linear de dois argumentos (massa. deslocamento) e duas restrições (dimensionamento das barras. 35. Entendemos por desperdício (i) a massa de aço que poderia ser retirada da estrutura sem aumentar o risco da sua integridade física e funcional ou (ii) adicionada às barras solicitadas além das suas resistências.dirigem-se para o uso de uma pequena variedade de pers. θ(Sd . a consideração da excentricidade no domínio e = [−100. deslocamento máximo prescrito em norma). w1 massa de aço de um elemento de barra superdimensionado 131 .25) B' B v são os componentes vetoriais dos pelo AG. na forma da Equação B =B+v onde: (6. é o vetor de variação codicado no cromossomo. para que o mesmo perl seja atribuído a todos os elementos de barra do mesmo grupo pelo AG: banzo superior. O cromossomo de uma treliça em síntese geométrica codica o vetor de variação sobre os osets das diagonais da estrutura inicial. Sr ) é uma função de dimensionamento da barra [21. que passa a ter um caráter simultaneamente dimensional e geométrico. Sr ))w1 onde: (6. 0] a intervalos de 1.26: D = (1 − θ(Sd .26) D desperdício de massa de aço. os elementos de barra são identicados por camadas pelo utilizador. para que retornem à condição de segurança. 36]. banzo inferior e diagonais. Por sua vez. Expressamos o desperdício de massa pela Equação 6. maior o desperdício e menor o desempenho do indivíduo. 100. O desempenho do indivíduo é medido pela sua economia de massa: quanto mais distante do equilíbrio entre solicitação e resistência. 0. 0mm introduz uma quarta variável no problema. durante a otimização. Função de aptidão 1: minimizar massa Foram desenhadas duas funções-objetivo para este modelo: (a) minimizar massa e deslocamentos e (b) maximizar os fatores de carga.

o P enal1 = i=1 (1 + θ(Sd . Se o maior deslocamento vertical da estrutura excede o deslocamento prescrito em norma.29) Up é o deslocamento vertical máximo prescrito em norma. Sr ))wi (6. Um é o deslocamento vertical máximo obtido pela análise da estrutura. Por outro lado. Ao m do processo. pelo que se explica seu comportamento sem padrão denido na Figura 6. o fator de carga não estava incluído como objetivo.29): P enal2 = massaT ( onde: Up ) se Up > Um Um (6.25 mostra a evolução do processo evolutivo. se os esforços superam a resistência de uma barra. A Figura 6. Pelo ajuste de pers e excentricidades nas ligações.27) Onde nume é o número de elementos da estrutura que seu custo é penalizado de acordo com a Equação 6.24 mostra os super-indivíduos obtidos durante o processo de minimização de massa em AG (super-indivíduo é uma solução que apresenta um desempenho melhor que qualquer das predecessoras sintetizadas pelo AG). o algoritmo detectou uma solução 37% mais leve que o indivíduo inicial. neste exemplo. Sr ))wi (6. mas não possui elementos subdimensionados nem deformação além do permitido é escolhido como a solução do problema de otimização estrutural. massaT é a massa total de aço na estrutura.24. através do somatório da Equação 6. onde há um 132 .28) Onde k é a quantidade de barras que estão subdimensionadas. Note-se que.24. considerase a estrutura falhou completamente e a penalização é efetuada sobre a sua massa total (Eq. 6. o indivíduo que apresenta menor desperdício de massa. A aptidão dos indivíduos é a soma do custo com as penalidades que incidem sobre ele. O gráco da Figura 6.28 k não violam as restrições do problema.O desperdício total na estrutura é dado pela soma dos valores de desperdício para cada barra. Função de aptidão 2: maximizar fator de carga O desenho da função-objetivo para maximização do fator de carga é dado pela Equação 6.27: nume custo = i=1 (1 − θ(Sd .

Ambos os objetivos.24: Minimização de massa ganho de 48% no fator de carga com redução de 1% de massa em relação ao desenho inicial. dos pers forem calculados previamente ao processo de otimização e armazenados como propriedades nas bibliotecas. Figura 6. a otimização dimensional de reticulados executados em 133 . A comparação entre os resultados obtidos por Mimesis e Sap2000 c conrmam a precisão do algoritmo de análise linear de pórtico plano do programa implementado nesta Tese.25: Maximização do fator de carga por esforços Conclusões parciais Os resultados obtidos pela variação das excentricidades nas estruturas de treliças e pela vericação do seu desempenho conrmam que o dimensionamento pode ser afetado por este parâmetro. redução de massa e ganho de fator de carga em treliças projetadas com pers formados a frio. O indivíduo apontado como o mais eciente tem excentricidade negativa e = −48mm.Figura 6. Infelizmente. apresentam um custo computacional relativamente pequeno se a força de compressão e o momento etor de ambagem distorcional (respectivamente Ndist e Mdist ). A otimização estocástica por AG sugere que é possível obter estruturas mais ecientes pela redução criteriosa de sua massa.

por exemplo) mas são menos severas do que nas estruturas em PFF. que as dimensões de banzos e diagonais variem entre si. Por outro lado. Figura 6. Por esta razão. As restrições geométricas existem (uma diagonal não deve ser mais larga do que o banzo. portanto. mas a modelagem do domínio de busca não é adequado.26): A largura dos banzos superior e inferior são diferentes entre si e. incompatíveis com a largura das diagonais. estruturas reticuladas formadas por tubos sem costura admitem. no escopo desta Tese.26: Incompatibilidade geométrica na montagem da estrutura ótima em PFF 134 . no escopo desta Tese. 6. com um grau mais elevado de exibilidade. a otimização de estruturas projetadas em PFF.PFF conduziu a resultados geometricamente incompatíveis (Fig. Conclui-se que as funções de aptidão estão corretas. estará limitado a estruturas reticuladas tubulares. a modelagem do domínio de busca.

a despeito de sua complexidade formal ou diculdade de cálculo por métodos tradicionais [52. Foi empregada otimização dimensional.27).28). Foram testadas diversas discretizações da coluna como um meio de encontrar esta forma aproximada. Por conta disso. A economia de massa. deveria ser otimizada para um carregamento axial de 150 kN. 6. uma vez que não foi levado em consideração o custo de produção das peças. Na arquitetura.5 Modelagem geométrica simples Os procedimentos automatizados para geração do modelo geométrico e ajuste do modelo estrutural aumentam a liberdade de criação e reduzem o tempo para avaliação e incremento do desempenho estrutural. neste caso. com seção constante ao longo do eixo. Fonte: [8] Usando formulação de pórtico plano para perl tubular. objetos naturais podem novamente ser tomados como fonte de inspiração.27: Ordens gregas segundo Sérlio e aeroporto de Hamburgo.5. 6. 53]. bi-rotulada e com comprimento de 1000 mm entre apoios. também poderia ser obtida com procedimentos triviais de dimensionamento. É observado no gráco 135 . Figura 6. A coluna inicial (Fig.6. isto foi empregado tanto no período Clássico quanto no Contemporâneo (Fig. o Mimesis foi empre- gado para procurar a forma com menor massa que atendesse a um determinado carregamento.1 Coluna de seção variável Colunas de seção variável apresentam uma relação entre massa e resistência superior a colunas com seção constante. 6. Trata-se de um exercício teórico.

6. processo. Figura 6. A imagem mostra a relação entre o momento solicitante e o momento resistente ao longo da barra (foi considerada uma imperfeição geométrica inicial de 5% do vão). que mesmo a solução ótima desperdiça cerca de 23 % de massa. usando-se 3 elementos. se a seção for mantida constante.30). Como. 6.28: Elemento de pórtico com seção constante A discretização da mesma coluna do exemplo anterior. A discretização com 7 elementos conduziu a uma economia de massa de 4% em relação à coluna de seção constante (Fig. o momento tende a zero. apresenta o mesmo resultado nal (Fig. não indicou nenhum ganho signicativo.31). a partir deste momento. 6. O aumento da discretização. As diferenças entre as soluções durante o processo de busca são esperadas. o desperdício de massa nesta região aumenta.28 de massa e o desperdício da barra durante o processo evolutivo. na medida em que a seção aproxima-se das extremidades. devido à natureza probabilística do 136 .29).da Figura 6. A discretização com 16 elementos conduziu a uma economia de massa de 6% em relação à coluna de seção constante (Fig.

5. a eciência com que a estrutura 137 .Figura 6.30: Coluna discretizada com 7 elementos Figura 6.2 Arco treliçado I A forma de uma estrutura determina como as ações aplicadas sobre elas serão desviadas até os pontos de apoio. Por vezes.31: Coluna discretizada com 16 elementos 6.29: Coluna discretizada com 3 elementos Figura 6.

o programa modicou a forma para um arco ogival (Fig 6.32 foi submetido ao Mimesis para vericar a eciência desta forma. teoria recorrente na literatura especializada em História da Arquitetura. cerca de 90% da massa da estrutura é considerada desperdício pelo programa. comprovando o desempenho superior do sistema estrutural adotado no medievo sobre o sistema usado na Antiguidade Romana. Um arco pleno treliçado 6. exaustivamente empregado pelos romanos antigos em obras de arquitetura e engenharia. isoladamente.pode desempenhar esta tarefa é sacricada por fatores de ordem construtiva.35).32: Modelo inicial: arco pleno Sem que houvesse instrução neste sentido especíco.34) ao longo do processo evolutivo revela que. para testar a capacidade do programa de proceder à busca por uma solução eciente. 138 . sendo preciso considerar a combinação de otimização geométrica e dimensional em um único processo de busca. Figura 6. O gráco de massa e desperdício (Fig. o sistema de arcos plenos foi substituído por outro. empregando otimização geométrica (onde consira-se a modicação dos pontos nodais) . 6. O modelo geométrico inicial foi informado com uma conguração propositadamente desfavorável. Isto sugere que. No período medieval. baseado em arcos ogivais. do ponto de vista da distribuição de esforços. 6. Um conhecido exemplo é o arco pleno. mesmo com a otimização da forma.33). a otimização geométrica pode não ser sucientemente agressiva para reduzir a massa da estrutura. Estruturas tubulares recentes atingiram efeitos arquitetônicos similares (Fig.

34: Redução de massa no processo evolutivo do Arco I Figura 6.Figura 6.35: Catedral de Tui(Galiza) e Allen Lambert Gallery(Toronto) 139 .33: Modelo nal: arco ogival Figura 6.

37: Redução de massa no processo evolutivo do Arco II 140 .36 . o desperdício cai para cerca de 80% da massa (Fig. voltado unicamente para a redução de massa e sem considerar aspectos importantes como comportamento de ligações e custo de fabricação. Figura 6. A otimização de formas singulares pode requerer funções trabalhosas de serem implementadas e. Trata-se de mais um exercício teórico. A massa.5. Figura 6.6. Este resultado é ilustrativo da necessidade de serem incorporadas novas restrições ao Mimeses. é 45% inferior ao resultado obtido no exemplo anterior.37). pois o resultado obtido apresenta ângulos de difícil execução próximo aos apoios 6.3 Arco treliçado II A forma nal de uma estrutura submetida à otimização geométrica é afetada pela função de variação escrita pelo programador. de todo modo.36: Modelo nal: arco com achatamento na base Neste caso. resultados diferentes podem ser obtidos. 6. de acordo com as características da função. visando a proposição de modelos factíveis.

6.41) apresenta uma economia de massa de 4% em relação ao projeto dimensionado pela Tecton 141 .6. A Figura 6. o problema assume 69 variáveis. a independente e a funcional. antes e depois deste tipo de otimização. Isto acontece porque o Algoritmo Genético tende a ser menos eciente quanto maior o domínio de busca. apresentou resultados arquitetônicos irregulares e difíceis de executar. é esperado que o AG falhe ao lidar com domínios tão grandes. Neste exemplo.38: Modelo estrutural do Circo Voador A otimização independente. A otimização funcional (Fig. Figura 6. no Rio de Janeiro. na qual cada grau de liberdade é uma variável independente na função custo. 6.39 apresenta este treliçado. um dos arcos pôde ser isolado como substrutura e submetido ao Mimesis por duas estratégias de otimização geométrica. Com o modelo geométrico cedido pela Tecton Engenharia 6. produto do Algoritmo Genético. Sua estrutura é composta por um sistema de arcos treliçados trabalhando em conjunto com uma lona tensionada. sem quaisquer garantias de atingir máximos globais. revela uma geometria com pontas¡¡.5.40) apresentou o melhor desempenho computacional e um resultado arquitetônico aceitável. onde cada ponto nodal implica três variáveis (modicação ao longo de cada eixo no sistema tridimensional de coordenadas).4 Circo Voador O Circo Voador é uma casa de espetáculos situado no bairro da Lapa.38 e a orientação preliminar do engenheiro Daniel Taissum para a determinação das ações sobre a estrutura. Por ser um algoritmo probabilístico. A imagem da direita. O gráco de perda de massa no processo evolutivo (Fig. mostrou-se computacionalmente custosa. Considerando que cada uma destas variáveis pode assumir um entre cem valores discretos. onde o projeto original previa uma forma mais suave¡¡. o domínio do problema é representado por um conjunto com 10138 elementos.

39: Circo Voador. que desconsidera tópicos importantes de dimensionamento. Este é um resultado preliminar. Otimização geométrica funcional Engenharia.40: Circo Voador. Otimização geométrica independente Figura 6. 142 .Figura 6. como facilidade de execução e comportamento das ligações.

42(a)). Por razões arquitetônicas. numa das extremidades deste corpo. na Figura 6. segundo critérios arquitetônicos e construtivos (Fig. A 143 . Rio de Janeiro e Espírito Santo. comum nos estados de Minas Gerais. ajustando-se a densidade de barras até uma distribuição aceitável.6 Modelagem geométrica parametrizada 6. espécie da família das orquídeas.Figura 6. percebe-se um espaço circular. é especicado que estes pers pertençam à biblioteca CHS. As superfícies em cinza correspondem a um elemento de casca e as em verde representam superfícies translúcidas para iluminação natural. A concepção bio-ispirada da arquitetura. mas com o script TrussFromSurface ela pôde ser modelada rapidamente. Esta superfície deve ser sustentada uma treliça espacial que acompanha a forma da casca de concreto. tem-se a treliça espacial tal como modelada no préprocessador e.6. portanto. Na Figura 6.42(c)).42(b) vê-se que a forma da or apresenta um corpo longitudinal e. Com base neste esquema. possui três variáveis inteiras. Sobre as linhas radiais.43(a). cinco linhas radiais. a visualização dos resultados após a otimização. A geração geométrica de tal treliça é trabalhosa. São denidos três grupos de barras: (a) banzo inferior. 6. é gerado facilmente um modelo geométrico com formas orgânicas baseado em NURBS (Fig.43(b). 6. partindo desta referência. O problema de minimização de massa.1 Otimização dimensional sobre modelo gerado com TrussFromSurface.42(d)). (b) banzo superior e (c) diagonais.41: Circo Voador. 6. Perda de massa no processo evolutivo 6. mesmo com o uso habilidoso das ferramentas nativas de programas CAD. variáveis discretas Este exemplo é inspirado no vegetal Miltonia Clowesii (Fig. depende da simplicação da forma e sua reinterpretação em termos de um programa funcional. Na Figura 6.

44) revela que a concepção arquitetônica original dispendia cerca de seis vezes a massa da estrutura 144 .Figura 6. 6.43: Pré e pós-processamento comparação entre os modelos e o gráco de redução de massa (Fig.42: Concepção estrutural bio-inspirada: Miltonia Clowesii Figura 6.

6. ainda. a não ser pelas condições de apoio. a arquitetura hipote- 145 . mas neste caso limitou-se a dois exemplos de ordem 3: duas coberturas geometricamente idênticas. Em ambos os casos. deve-se minimizar também os deslocamentos horizontais.45: Apresentação arquitetônica inspirada na or Miltonia Clowesii 6. além dos esforços internos. tanto para esforço axial quanto para momento etor (em caso de estrutura de pórtico).44: Redução de massa no processo evolutivo Figura 6. Pela manipulação dos coecientes em ticamente deniu o seguinte: TrussFromEquation.2 Cobertura com quatro apoios contínuos TrussFromEquation é um script para Rhinoceros c capaz de gerar treliças espaciais nas quais z = f (x.6. 6.46 (b)). As condições de apoio são as seguintes: quatro apoios contínuos.46 (a)) e dois apoios contínuos e opostos (Fig. não devem haver apoios intermediários. Esta função pode ser escrita como um polinômio de qualquer ordem. O pós-processamento demonstra. A apresentação arquitetônica revisada (Fig. Ambas cobrem uma planta quadrada com 60000mm de vão onde. mostra a aparência da proposta após a otimização. por motivos de exibilidade do layout. y ). que equipamentos podem aplicar um carregamento nodal de 10kN na região indicada pela hachura cinza (Fig. a relação Solicitação/Resistência. em todo o perímetro da cobertura (Fig.otimizada.46). 6. Prevê-se. 6. a m de reduzir as reações horizontais nos apoios.45) Figura 6.

46: Esquema de carregamento e apoio. 0 M ax +0. 2 +5. −9. 66. 00. mas sua echa (δ = 340mm) excede o deslocamento máximo prescrito em norma (δ ≤ 240mm). 0 +20. a ser vencido por uma treliça espacial sem apoios intermediários.47(b) e no gráco da Figura 6. 0 −20. portanto. devem estar contidos no intervalo especicado na Tabela 6. denida pela Arquitetura −− x3 x2 x y3 y2 y M in −0.16. y ) = a1 (x/1000)3 + a2 (x/1000)2 + a3 (x/1000) + +a4 (y/1000)3 + a5 (y/1000)2 + a6 (y/1000) (6.30 e os domínios da Tabela 6. aplicando a função de variação da Equação 6. 2 −5. com um incremento de massa de apenas 0. como se observa na Figura 6. aplicados na Equação 6. 11. 0 +20. De fato.49 mostra a geração geométrica da solução em um programa de arquitetura. A solução da Figura 6.48. Esta redução atende.47(a) é de fácil geração geométrica. Os valores admissíveis neste vetor. 2 −5.16. O programa Mimesis. 00. atendendo aos limites de deslocamento da estrutra e a resistência das barras. 0 +0. −2. já com os parâmetros informados pelo Mimesis. minimizam os deslocamentos ao menor custo encontrado na busca. 0 O primeiro problema consiste em um vão de 60m.Figura 6. 3%. determinou o vetor a = [0. 0 −0.30. ainda segundo critérios arquitetônicos. Vista superior f (x. −1. o deslocamento máximo foi reduzido em aproximadamente 28% (238/331 = 0. 72) na relação entre o primeiro e o último superindivíduo. 61. A Figura 6. 2 +5. ao deslocamento máximo aceitável. 84. 11] como os parâmetros que.: Tabela 6.30) Deseja-se obter o vetor a que minimiza a massa da estrutura. 0 −20. 146 . com apoio vertical em todo o perímetro. 0.16: Domínio de cada variável contínua.

O programa 147 Mi- . A solução da Figura 6.Figura 6.50(a) é de fácil geração geométrica. mas sua echa (δ = 660mm) excede o deslocamento máximo prescrito em norma (δ ≤ 240mm).3 Cobertura com dois apoios contínuos O segundo problema consiste em um vão de 60m. com os parâmetros fornecidos pela otimização 6.6.47: Treliçado com quatro apoios: deslocamentos verticais Figura 6. com apoio vertical em dois lados opostos.48: Treliçado com quatro apoios: massa e deslocamento dos superindivíduos no processo evolutivo Figura 6.49: Treliçado com quatro apoios: geração geométrica em CAD. a ser vencido por uma treliça espacial sem apoios intermediários.

De fato. como se observa na Figura 6. 1. 00] como parâmetros que.6. −5. o são: script TrussFromCEC gera um modelo unilar sescript melhante à cobertura do Centro de Eventos do Ceará.30 com os domínios da Tabela 6.52 mostra a geração geométrica da solução em um programa de arquitetura. 10.mesis. o deslocamento máximo foi reduzido em aproximadamente 50% (660/334 = 0. já com os parâmetros informados pelo Mimesis. 00. 148 . aplicando a função de variação da Equação 6.50(b) e no gráco da Figura 6. A Figura 6.4 Otimização simultânea sobre modelo gerado com TrussFromCEC Como visto na seção 6. determinou o vetor a = [0.51: Treliçado com dois apoios: massa e deslocamento dos superindivíduos no processo evolutivo 6. o que signica que este intervalo de busca não contém soluções aceitáveis sob este critério. 4. 18. As variáveis deste • Inclinação da cobertura.16. 0.50: Treliçado com dois apoios: deslocamentos verticais Figura 6. minimizam os deslocamentos ao menor custo encontrado na busca.1. 03. ao custo de um incremento de massa na ordem de 1O deslocamento máximo ainda excede as prescrições de norma. Figura 6.1. −14.30.51. 00. 50). 98. aplicados na Equação 6. 00.

Isto demonstra que a solução inicial estava muito rígida. O vão entre apoios é de 55000mm. impedindo.54 mostra que houve uma redução de 67% de massa e um aumento de 96% no deslocamento máximo. nota-se que houve uma redução de dimensões dos pers e na altura do montante. • Quantidade de treliças secundárias. além do estritamente necessário. onde o conjunto de todas 149 .2. o que implica um deslocamento máximo δ ≤ 220mm. tem-se um conjunto de sete variáveis.52: Treliçado com dois apoios: geração geométrica em CAD.53(b)). 6. 6.53(a)) e a versão melho- 6. executada com perl de aço abertos formados a frio. O gráco da Figura 6. Na comparação entre a concepção inicial (Fig. rada por Algoritmo Genético (Fig.Figura 6. onde se tem seis grupos de pers (variáveis discretas) e tomando a altura do seu montante como variável contínua. • Afastamento mínimo entre módulos adjacentes. O estudo com seções tubulares difere do projeto original desta cobertura. que passou de 2000mm para 1500mm. a deformação da estrutura. • Altura do montante na treliça principal. Separando a treliça principal. com os parâmetros fornecidos pela otimização • Quantidade de treliças principais.7 Modelagem geométrica por Gramática de Forma A modelagem geométrica de reticulados espaciais pode obedecer aos mesmos princípios expostos para a gramática PFF na seção 5.

Dar-se-á. Alfabeto de Reticulados. Além disto. Alfabeto de Reticulados por 150 . Em primeiro lugar. cada qual nita em comprimento e construída a partir de um conjunto nito de símbolos ou caracteres chamado A técnica apresentada nesta investigação representa o caracteres.54: evolutivo TrussFromCEC : massa e deslocamento dos superindivíduos no processo as soluções que partilham das mesmas caracteristicas é descrito por um conjunto de regras. Os dois exemplos a seguir ilustram o estágio da articulação da Gramática de Reticulados com o Mimesis.53: TrussFromCEC : Conguração deformada da treliça principal (a) antes e (b) depois da otimização Figura 6. mais limitada do que a gramática PFF. A gramática de reticulados construída sobre este alfabeto é. não foram codicadas regras de fabricação ou montagem dentro dele. o gerador de formas da gramática PFF está implementado apenas em Rhinoceros c . não foi implementado um algoritmo semântico que exclua as geometrias impossíveis. este Alfabeto contém apenas instruções geométricas. Isto signica que poucas variáveis são passíveis de serem adotadas como argumentos para Otimização. Por último. como todos os casos de cálculo de estruturas em Mimesis. a título provisório. tal como apresentado na Tabela 6.17. o nome de Gramática de Reticulados ao conjunto de sentenças.Figura 6. sob vários aspectos. mas não menos importante.

como critério de parada. São dadas três variáveis dimensionais (pers das diagonais.Tabela 6. é função do número de variáveis e do número de casas decimais requeridas para codicar as variáveis reais em números binários. neste caso.55 é dada na Tabela 6. O arquivo com o Modelo Geométrico Unilar é gerado em Rhinoceros c .7. gera dois tipos de output : (i)uma tabela com os parâmetros e valores 151 . para que o Mimesis fosse habilitado a proceder a uma otimização genuinamente multiobjetivo com fronteira de Pareto. O Algoritmo Genético NSGAII foi reescrito da linguagem MATLAB para a linguagem FORTRAN. à semelhança do CUFSM-SG. O número de elementos da população. As funções de aptidão são as mesmas das seções anteriores para análise de reticulados. importado em FEMAP c e levado para otimização em Mimesis que. um número de gerações denido pelo usuário (200 gerações). das barras no plano inferior e das barras do plano superior do reticulado) e uma variável geométrica (a altura do reticulado pode variar entre 1000mm e 2000mm).18.1 Gramática de reticulado: exemplo I O conjunto de regras da gramática que gera a linguagem da estrutura apresentada na Figura 6. Foi estabelecido.17: Alfabeto de reticulados e sua interpretação geométrica Alfabeto Interpretação geométrica + Incremente em A graus o ângulo no eixo Z Decremente em A graus o ângulo no eixo Z ∼ Incremente em C graus o ângulo no eixo Z & Incremente em B graus o ângulo no eixo X ¢ Decremente em B graus o ângulo no eixo X Incremente em C graus o ângulo no eixo Y / Incremente em C graus o ângulo no eixo Y Incremente em D graus o ângulo no eixo Z ∗ Incremente em D graus o ângulo no eixo Z | Inverta sentido do vetor de orientação 1 Oriente no sentido positivo de X 2 Oriente no sentido positivo de Y 3 Oriente no sentido positivo de Z T Desenhar um segmento de comprimento T t Mova (sem desenhar) uma distância T Y Desenhar um segmento de comprimento Y y Mova (sem desenhar) uma distância Y U Desenhar um segmento de comprimento U u Mova (sem desenhar) uma distância U R Desenhar um segmento de comprimento R r Mova (sem desenhar) uma distância R [ Guarde coordenadas do ponto em uma pilha ] Acesse coordenadas do ponto em uma pilha 6.

20.19 permitem a visualização da fronteira de Pareto no gráco da Figura 6. 6. As funções de aptidão são as mesmas das seções anteriores para análise de reticulados. 6.57 é dada na Tabela 6. Os resultados apresentados na Tabela 6. das barras no plano inferior e das barras do plano superior do reticulado) e uma variável geométrica (a altura do reticulado pode variar entre 1000mm 2000mm).55: Reticulado espacial gerado por gramática de forma. O número de elementos da população. São dadas três variáveis dimensionais (pers das diagonais.Figura 6. é função 152 .2 Gramática de reticulado: exemplo II O conjunto de regras da gramática que gera a linguagem da estrutura apresentada na Figura 6.18: Conjunto de regras da Gramática PFF : exemplo I Axioma ! Regra 1: ! → 1[A Regra 2: B → bB Regra 3: B → ba] Regra 4: A → aA Regra 5: A → aa] Regra 6: ? → 2t1[OaB Regra 7: ? → 2t1[OaA Regra 8: J → [K ]T + T + [ M ]T + T Regra 9: K → [/Y [N ]\\Y ][2&Y Y] Y Regra 10: M → [ Y Y ][2| iiY ] Regra 11: N → 1 R + R + R + R Regra 12: a → J + t de funções de aptidão dos elementos contidos na fronteira de Pareto (Tab.7. Para este exemplo foram estabelecidos dois objetivos conitantes: minimização de massa (com penalização sobre as barras subdimensionadas) e minimização das deformaçãos por efeito de cargas pontuais aplicadas sobre todos os pontos nodais do plano superior da treliça. exemplo I Tabela 6. neste caso.19) e (ii) um arquivo para visualização de cada treliça da população resultante em FEMAP c .56.

000 204 43 2 16 15 19 1. . . Foi estabelecido.942 2. Figura 6.19: Parâmetros. . .56: Fronteira de Pareto. um número de gerações denido pelo usuário (200 gerações). . como critério de parada. . . . .000 2. . . 48 49 50 17 20 17 15 21 19 19 27 25 1. . . . . . massa e deslocamentos na fronteira de Pareto do Exemplo I ID perl 01 perl 02 perl 03 altura(m) massa(t) desl(mm) 1 23 23 28 2.Tabela 6. . .57: Reticulado espacial gerado por gramática de forma: exemplo II Para este exemplo foram estabelecidos dois objetivos conitantes: minimização 153 .000 47 97 75 162 64 87 Figura 6.952 47 162 3 17 15 19 1. . .942 47 162 . exemplo I do número de variáveis e do número de casas decimais requeridas para codicar as variáveis reais em números binários.

Tabela 6. Os resultados apresentados na Tabela 6. 154 .58.21 permitem a visualização da fronteira de Pareto no gráco da Figura 6.20: Conjunto de regras da Gramática PFF : exemplo II Axioma ! Regra 1: ! → 1[OaA Regra 2: B → bB Regra 3: B → bc] Regra 4: A → aA Regra 5: A → a] Regra 6: ? → M [OcbB Regra 7: ? → N [OaaA Regra 8: J → 2|T + T + T + T + T + T Regra 9: K → 2| + t + t Regra 10: M → 2t + t Regra 11: N → 2 − t + t Regra 12: P → 2|+ y |[Y ] + [Y ] + [Y ] + [Y ] + [Y ] + [Y ] Regra 13: Q → 1[R] + [R] + [R] + [R] + [R] + [R]1r + +R + R + R + R + R + R Regra 14: a → [J ][P i]K Regra 15: b → [J ][P Q]K Regra 16: c → [J ][P ]K Regra 17: d → [J ][P ]K Regra 18: D → dD Regra 19: ? → M [ddD Regra 20: ? → N [dD Regra 21: D → dd]? Regra 22: i → 1 + R + +R + +R de massa (com penalização sobre as barras subdimensionadas) e minimização das deformaçãos por efeito de cargas pontuais aplicadas sobre todos os pontos nodais do plano superior da treliça.

000 106 144 48 105 81 82 82 78 87 65 48 95 87 133 94 103 103 102 104 101 113 133 155 . . .995 34 165 3 11 7 12 1. .000 1.996 38 153 6 14 8 10 2. .Figura 6.000 2. .000 2. . . 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 21 22 14 21 19 19 19 18 19 16 14 16 17 10 15 13 14 14 13 14 12 10 17 21 10 18 17 16 17 17 18 15 10 1. .998 1.21: Parâmetros.000 154 84 2 10 7 12 1.998 2.000 1. massa e deslocamentos na fronteira de Pareto: exemplo II ID perl 01 perl 02 perl 03 altura(m) massa(t) desl(mm) 1 22 18 21 2. . .999 1. . .996 34 165 4 10 8 12 1. . .997 2.000 41 142 . .995 37 154 5 11 8 12 1. .997 2. .000 2. . .58: Fronteira de Pareto: exemplo II Tabela 6. .

Capítulo 7 Discussão e conclusões Da comparação entre os trabalhos recentes na literatura sobre otimização de PFF emergem duas dicotomias. Isto é possível porque a gramática atendeu aos requisitos de simplicidade de implementação. com ganhos na eciência dos pers obtidos. geometrias de pers. No entanto. a análise de sensibilidade incluída nestas ferramentas amplia a compreensão do projetista quanto ao comportamento estrutural das barras. existem 156 customização e capacidade descritiva. os ensaios realizados indicam que a experiência em engenharia inuencia decisivamente na redução dos custos computacionais. fabricáveis e compatíveis com a montagem de estruturas reticuladas e (ii) resistências de pers que não podem ser fabricados com a tecnologia atual e não são compatíveis entre si na montagem de estruturas reticuladas. custos e capacidade estrutural. mas não há qualquer razão para crer que a experiência acumulada não desempenhe um papel fundamental na otimização de barras em PFF. Os algoritmos integrados neste estudo para modelagem do domínio de busca. Em resumo. Por outro lado. Conclui-se que as dicotomias observadas entre as principais abordagens de dimensionamento de barras em PFF são um produto das técnicas sobre as quais se assentam e que gramáticas de forma oferecem uma ferramenta exível para a superação destas contradições. Um dos resultados da implementação da Gramática PFF foi constatar a exibilidade com que ela abrange ambas as abordagens (tipologias conhecidas e pers de forma livre) e transita gradualmente entre uma e outra. A capacidade estrutural das barras em PFF apresenta um comportamento não intuitivo que pode surpreender até mesmo engenheiros experientes. cálculo das funções de aptidão e otimização permitiram explorar interações entre regras de fabricação. A segunda dicotomia é re- presentada pela oposição entre Inteligência Articial (IA) e experiência prossional . De fato. facilidade para em engenharia. A primeira delas polariza a otimização entre (i) resistência das pers conhecidos. AI e experiência prossional não são excludentes e beneciam-se reciprocamente.

que está em desenvolvimento. Finalmente. nenhum dos quais é considerado em qualquer norma 157 . pois elas foram originalmente desenvolvidas para o cálculo de barras PFF com tipologias usuais. mesmo com as limitações que cada uma apresenta e que se procurou pontuar na apresentação de cada uma. também de interesse. reduz a qualidade dos resultados obtidos. • Hibridizar o Algoritmo Genético com técnicas de programação matemática. DG e LDG. A baixa velocidade do compilador empregado reduz o número de acessos do algoritmo de otimização à funções de aptidão. é preciso salientar duas questões que não foram incluídas no escopo deste trabalho mas afetam a avaliação do desempenho da metodologia apresentada: (i) As funções de aptidão foram assimiladas e empregadas tal como prescritas na literatura. (ii) Os algoritmos foram implementados em linguagem MATLAB. o desenvolvimento desta pesquisa requer a integração de Gramática de Forma. em lugar de manipulação de parâmetros.possibilidades ainda por investigar e que podem facilmente ser incluídas em próximos trabalhos: • Minimização de massa. portanto. (iii) Nenhum valor de resistência obtido neste estudo foi conrmado por métodos experimentais ou modelos numéricos baseados no Método dos Elementos Finitos. perímetro (largura da chapa antes das dobras) e da dimensão dos enrijecedores. Outros tópicos. dentro de um período factível de processamento e. Finalmente. em termos teóricos esta investigação também é dependente da evolução da capacidade de predição da resistência de barras PFF tal como proposto pelo Método da Resistência Direta. com estudos sobre o efeito da variação da espessura. especialmente para os casos de interação dos modos de ambagem LD. de modo a habilitar a procura de pers ótimos em domínios de busca extremamente grandes a custos computacionais factíveis. análise de ambagem. como o FORTRAN. • Investigação da inuência dos raios de dobra sobre a resistência. isolada e concomitantemente. A simples aplicação das equações DSM não deve ser admitida como resultado nal. irão demandar mais pesquisa no âmbito das implementações computacionais: • Implementar as restrições funcionais como regras da gramática. cálculo da resistência e Algoritmo Genético (ou outro algoritmo de IA) em um compilador computacional mais robusto do que o empregado neste trabalho. cuja velocidade de processamento é reconhecidamente inferior ao de compiladores mais robustos para processamento numérico. Tecnicamente.

ainda que muitos resultados neste sentido já estejam disponíveis através de investigação numérica e experimental [5456] O mesmo comentário é válido para o caso de vigas-colunas em barras de aço com pers abertos formados a frio para as quais. pois os custos não contabilizados poderiam ultrapassar os benefícios da otimização dimensional e form-ndig realizada pelo aplicativo Mimesis. quanto aos aspectos de fabricação e montagem.técnica. não foi conrmada uma solução pelo DSM. Ainda que esta seja uma estratégia recorrente na literatura sobre AG em Engenharia. A implementação destes critérios em uma otimização genuinamente multiobjetivo está no escopo futuro deste trabalho. Por sua vez. o que permite trabalhar com uma população de soluções aceitáveis. o que é útil do ponto de vista didático. a literatura especializada em estruturas tubulares condena o processo como anti-econômico. O sistema ainda é falho. Ainda no estágio atual deste trabalho. até o momento. pode-se visualizar os indivíduos mais aptos surgidos durante o processo evolutivo. através da implementação do NSGAII em FORTRAN. se não forem observados conjuntamente critérios de fabricação. nacional ou internacional. o aplicativo Mimesis procede à otimização multiobjetivo de estru- turas reticuladas metálicas. através de grácos. montagem e dimensionamento das ligações. tanto do ponto de vista da Arquitetura quanto da Engenharia Estrutural. 158 . no entanto. permitindo a concepção de formas inovadoras e ecientes do ponto de vista Estrutural. visando a redução de massa e ajuste dos deslocamentos. observados os critérios de dimensionamento das barras e deslocamento máximo da estrutura segundo as normas brasileiras. Também é possível oferecer alternativas ao projetista de estruturas. É igualmente possível relacionar a inuência de cada variável sobre os objetivos da otimização. As implementações realizadas até o momento apontam para possibilidade efetiva de integrar processos de CAD/Arquitetura e CAE/Engenharia em um único processo.

neste momento. No Modelo de Barras Associadas. Integrar as capacidades de ambos os conceitos de programação (orientada a objeto e procedural) em uma única plataforma não é uma realização original mas se agura. De fato. De maneira geral. Contudo. mas este não foi o caso do Modelo de Barras Associadas. as perpectivas mais empolgantes agora recaem sobre as funções de aptidão: (i) urge ganhar velocidade. seja através da conversão dos códigos existentes para linguagem de compiladores mais robustos. enquanto linguagens procedurais (como o FORTRAN) são especialmente aptas para a solução de problemas numéricos de grande escala. C e Python) são apropriadas para o desenvolvimento de interfaces grácas sosticadas. o desao premente é incorporar o código fonte da modelagem do domínio de busca. as linguagens orientadas a objeto (C++.Capítulo 8 Pesquisas futuras Esta pesquisa tem desdobramentos nas quatro linhas de investigação que ela integra. os recursos da modelagem do domínio de busca através da Gramática PFF ainda oferecem um vasto campo de experimentação. uma vez que o método da resistência direta apresenta-se adequadamente calibrado para tipologias usuais. No Modelo de Barras Isoladas. O Modelo de Barras Isoladas beneciou-se do fato de que muitos dos algoritmos necessários já estavam implementados ou poderiam facilmente ser convertidos para MATLAB. estes estudos já foram iniciados no Laboratório de Estruturas da 159 . tanto para o Modelo de Barras Isoladas quanto para o Modelo de Barras Associadas. das funções de aptidão e dos algoritmos de busca em uma única plataforma. como um pré-requisito fundamental para o progresso de uma pesquisa onde Gramática da Forma e vericações avançadas em Engenharia de Estruturas beneciem-se mutuamente. bastando-se para isso pequenas alterações no código-fonte. seja pela incorporação de outro método numérico para análise de ambagem e (ii) é preciso atualisar o algoritmo de cálculo das resistências.

Figura 8. em desenvolvimento. o qual não foi apresentado no corpo da Tese porque. o código-fonte de um pré/pos-processador escrito em linguagem C++. seja possível escrever uma gramática de reticulados projetados em PFF. A Figura 8. com o auxílio desta ferramenta.1 apresenta uma tela de apresentação deste programa. em seu estágio atual. capaz de acessar as rotinas de análise e dimensionamento em linguagem FORTRAN implementadas nas pesquisas referentes à presente Tese. Esta pesquisa inclui.COPPE/UFRJ. atráves de bibliotecas de vínculos dinâmicos (.1: Interface gráca para análise de reticulados 160 .dll). É esperado que. não apresenta grau signicativo de inovação. onde a compatibilidade geométrica entre os pers seja contemplada durante o processo de otimização.

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γm = 1. γm é o coeciente de ponderação da resistência. Força axial de tração O dimensionamento de tubos circulares sujeitos à tração deve atender à seguinte condição: 166 . Segundo o procedimento de cálculo pelo Método dos Estados-Limites. Em Estado Limite de Serviço. fk γm (A. o valor resistente de cálculo de uma seção é a razão fd = onde: fd é o valor de cálculo.1 para Estado Limite Último. O coeciente de ponderação da resistência. denido como o valor que tem menos de 5% de probabilidade de não ser atingido em um lote do material. por sua vez. os coecientes de ponderação são tabulados em A.1) fk é o valor característico. leva em consideração: • a variabilidade da resistência dos materiais • a diferença entre a resistência do material no corpo de prova e na estrutura • desvios construtivos e aproximações de cálculo Tratando-se de aço estrutural. 00.Apêndice A Resistência de barras tubulares circulares sem costura Esta seção trata dos critérios para cálculo da resistência de tubos circulares de aço sem costura. segundo critérios adotados por [35] e [36].

Logo.2) Nt . Ct = 1.4) Ae fy fu é a área líquida efetiva da seção transversal da barra. Rd = γa 2 Nt . Rd onde: Nt . Sd ≤ Nt . é a resistência ao escoamento do aço. é a força axial de tração resistente de cálculo.35 Excepcionais 1. (A.ruptura bagem e instabilidade Normais 1. 0.15 Nt . se a força de tração for transmitida diretamente para a seção por solda ou parafuso.3) (A.10 1. 167 . An = Ag e.5) Ct é um coeciente de redução da área líquida Se não houver furos na barra.10 1. Ae = Ag . (A.10 1. é a resistência à ruptura do aço.1: coecientes de ponderação para aço estrutural COMBINAÇÕES escoamento. A área líquida efetiva Ae é dada por A e = A n Ct onde: An é a área líquida barra (A. Rd A força axial resistente de cálculo é o menor entre os valores de escoamento da seção bruta ( A. Rd = onde: Ag é a área bruta da seção transversal da barra. Sd é a força axial de tração solicitante de cálculo. para este caso especíco.35 Especiais e de construção 1.Tabela A. am.4): A g fy γa 1 Ae fu Nt .3) e ruptura da seção líquida ( A.

Força axial de compressão
O dimensionamento de tubos circulares sujeitos à compressão deve atender à seguinte condição:

Nc , Sd ≤ Nc , Rd
onde: Nc , Sd é a força axial de compressão solicitante de cálculo;

(A.6)

Nc , Rd é a força axial de compressão resistente de cálculo. A força axial de compressão resistente de cálculo é dada pela expressão Nc , Rd = χQAg fy γa 1
(A.7)

onde: χ é o fator de redução associado à ambagem global

Q é o fator de redução associado à ambagem local
O fator de redução χ é dado na NBR8800:2008 por

χ=

0, 658λ0 se λ0 ≤ 1, 5 0, 877 λ2 0 se λ0 > 1, 5

2

Onde λ0 é dado pela expressão:

QAg Fy Ne O fator de redução Q associado à ambagem local é denido por: λ0 = Q= 1, 00
0,038 E D fy
t

(A.8)

se

D t

E ≤ 0, 11 f y E fy

se 0, 11

D t

E ≤ 0, 45 f y D t

(A.9)

Não é prevista a utilização de seções tubulares onde Fazendo c =
Dfy tE

E seja superior a 0, 45 f . y

e plotando o gráco de Q(c) × c (Fig. A.1), vê-se que não há

descontinuidade em Q. Para CHS, Ne segue a Equação da carga crítica de ambagem global:

π 2 EI (A.10) KL2 A Equação de χ apresentada em [35] mostra uma descontinuidade em λ = 1, 5, solucionada em [36] pela Equação alternativa: Ne =

168

Figura A.1: Fator de redução associado à ambagem local

χ=

1
,48 1 + λ4 0
1 2,24

(A.11)

As curvas propostas pela NBR8800 (χ) e pela nova norma de tubos [36] (χb ) podem ser comparadas na Figura A.2:

Figura A.2: Fatores de redução associados à compressão

Momento etor
Na vericação de momento etor, exige-se que

MSd ≤ MRd
onde: 169

(A.12)

MSd é o momento etor solicitante de cálculo; MRd é o momento etor resistente de cálculo O momento resistente de cálculo é expresso por       
Mpl γa1 1 0,02E ( D + fy )W γa1 t 1 0,33E ( )W D γa1
t

seλ ≤ λp seλp < λ ≤ λr seλ ≥ λr

MRd =

Onde λ e W (módulo de resistência elástico) são dados por:

D t 0, 07E λp = fy 0, 31E λr = fy 2I W = D λ =

(A.13) (A.14) (A.15) (A.16)

Força cortante
A força cortante resistente de cálculo é dada pela expressão:

VRd = 0, 5
Onde τcr é o valor máximo entre

τcr Ag γa1

(A.17)

τcr =

 ,6E   √1 L D
d

( t )4 0,78E
3 D 2 t

5

≤ 0, 60fy ≤ 0, 60fy

 

Momento torsor
O momento torsor resistente de cálculo é dado pelo maior entre os valores de

TRd =

  

1 1,23Wt E 5√L γa1 ( D ) 4 t D 1 0,60Wt E γa1 ( D ) 3 2
t

≤ ≤

0,6Wt fy γa1 0,6Wt fy γa1

Onde Wt , módulo de resistência à torsão, é expresso por

Wt = π (D − t)2

t 2

(A.18)

170

com o cortante sendo vericado à parte. cortante. 60 f τe τe é a tensão crítica elástica de cisalhamento 171 . vale a expressão de interação entre axial e etor. etor e torsor A interação entre esforços axial. 2 < 0. cortante. adota-se: θ(Sd . ocorre interação entre os diversos esforços solicitantes e resistentes.Interação de esforços Nos casos descritos a seguir. Se o cortante ocorre em duas direções. vale o maior valor encontrado entre estado-limite de escoamento e o estado-limite de instabilidade τRd = 0. Axial e etor Nos casos em que se considera apenas a interação entre esforço axial e momento etor. 2. 2. 0 se ≤ 1.60fy γa1 0. ( Quando 0 ≤ TSd TRd NSd VSd TSd 2 NSd + )+( + ) ≤ 1. etor e torsor é considerada sempre que TSd TRd ≥ 0. 0 se NSd NRd NSd NRd ≥ 0.60χfy γa1 Onde χ é o fator de redução associado à compressão com λ0 = y 0. 2 Axial. Sr ) = M ySd NSd 8 M xSd +9 ( M xRd + M NRd yRd M ySd NSd M xSd + ( + 2NRd M xRd M yRd ≤ 1.19) < 0. 0 NRd NRd VRd TRd (A.

k ) (B.5) 172 .k FGi.1) Combinações últimas especiais m n Fd = i=1 (γgi.k + j =2 (γqj ψ0j.k ) (B.k + j =1 (ψ2j FQj.k FGi.k ) (B.2) Combinações últimas de construção m n Fd = i=1 (γgi.k + j =2 (γqj ψ0j.4) Combinação quase permanente de serviço m n Fser = i=1 FGi.k + j =2 (γqj ψ0j FQj.k ) + γq1 FQ1.ef FQj.ef FQj.k ) + γq1 FQ1.k ) + γq1 FQ1.Apêndice B Combinações de carga As expressões para as combinações de carga obedecem a [35] Combinações últimas normais m n Fd = i=1 (γgi FGi.3) Combinações últimas excepcionais m n Fd = i=1 (γgi FGi.k ) + FQ.exc + j =1 (γqj ψ0j.k ) (B.k ) (B.ef FQj.

k + j =2 (ψ2j FQj.k + ψ1 FQ1.Combinação frequente de serviço m n Fser = i=1 FGi.6) Combinação rara de serviço m n Fser = i=1 FGi.k + FQ1.7) 173 .k ) (B.k + j =2 (ψ1j FQj.k ) (B.

1 Treliça plana As matrizes de rigidez elástica e geométrica dos elementos de treliça foram calculadas diretamente no sistema de coordenadas global [38]. pela facilidade de implementação e redução do custo computacional. Matriz de rigidez elástica Ke = onde: Se −Se −Se Se (C.3) Sg = N L λ2 −λxx λxy xy −λxx λxy λ2 xx (C.2) Matriz de rigidez geométrica Kg = onde: Sg −Sg −Sg Sg (C.4) 174 .1) Se = EA Lin λxx λxy λ2 xx λxx λxy λxy λxy (C.Apêndice C Coecientes de rigidez C.

λ2 xz      (C.7)   1 − λ2 xx −λxx λzy −λxx λxy N Sg = 1 − λ2 −λxy λxz xy L  sim.8) 175 .6) Matriz de rigidez geométrica Kg = onde: Sg −Sg −Sg Sg (C.C. 1 − λ2 xz      (C.5) Se =   λ2 xx EA  Lin λxx λxy λxx λxz λxy λxy λxy λxz   sim.2 Treliça espacial Matriz de rigidez elástica Ke = onde: Se −Se −Se Se (C.

10) sim.3 K4. de forma que sua inserção na matriz de rigidez global da estrutura depende da aplicação de matrizes de rotação.6 K5.4 K2.6 = = = = = K1.3 K3.6 = 1 K2.6 = F1 10                      (C.3 K3.3 Pórtico plano As matrizes de rigidez dos elementos de pórtico foram estabelecidas em suas coordenadas locais.5 K3.5 = − 12 L3 K3.3 = 6L 2 EI K3.5 K6.1 = EA L 12EI L3 4EI L EA L 12EI L3 4EI L K1.6 Ke =                      (C.6 K6. K3.6 K3.6 = − F30 176 .6 = − F 10 K2.C.6 K3.5 = K6.6 K 6 .3 K4.6 = − 6L 2 EI K2.3 = K5.3 K2.5 K5.6 K5.6 = 6EI L2 Matriz de rigidez geométrica                      onde: K2.4 = − EA L EI K2.5 = − 6L 2 EI K5.5 K3.2 Kg = K2.2               onde: K1. Matriz de rigidez elástica   K1.2 = 6F1 5L 2F1 L 15 6F1 5L 2F1 L 15 1 K2.5 = − F 10 1 K5.5 K2.2 K3.5 K5.9) sim.3 = F 10 1 K3. K2.5 = − 65F L 1L K3.4 K5.4 K2.6 = 2EI L K2.6 K2.5 K2.1      K2.

11) K9.11 K6.12 = − 6EI L2 y K9.12 K3.4 = GI L y K5.11 K12.5 K6.1 = EAx L EIz K2.11 = 4EI L z K12.2 = 12L 3 12EIy K3.9 K4.2      K 3 .8 K2.7 = − EA L z K2.7 K8.9 K10.5 K5.10 K 5 .6 = 6EI L2 y K3.9 K5.6 = 4EI L x K7.7 = EA L EIz K8.5 = 4EI L z K6.11 = − 6EI L2 K5.7 K 2 .8 = − 6EI L2 EIz K2.11 = 6EI L2 177 .5 = − 6EI L2 x K4.9 = − L3 2EIy L 12EIz L z K2.3 = L3 x K4.12 = z K8.8 K3.3      K4.10 K8.6 K3.10 = GI L3 y K11.6 K7.8 sim. K9.4 Pórtico espacial Matriz de rigidez elástica   K1.12 (C.11 K2.8 = − 12L 3 12EIy K3.1      K2.8 = 12L 3 12EIy K9.11 = K6.12                                                    Ke = onde: K1.10 = − GI L y K5.12 K6.12 = 4EI L x K1.9 = L3 x K10.12 = 6EI L2 y K3.9 = 6EI L2 z K6.C.4                                   K1.10 K11.

4 = K3.10 = − 2 +F L 2L Iy F1 1 +F K3.11 K4.8 = L 2 + L2 12 K1.6 K5.6 K 2 .10 = − I LAx Iy F1 1 K11.4      K3.9 K9.7 K1.1 = − F L 5 K1.12 K7. K9.12 K8.12 K9.7 = F L Iy F1 1 K5.11 K11.12 = − F −F 12 12 178 .10 = 2 −F L 2L F6 12 K9.9 K2.10 K6.4 = − I LAx F5 11 K4.8 = − 2 +F L 2L 6 12 K4.7 K2.12 = 6 +F L2 Ax 10 Iy F1 1 K9.11 K12.9 = + + F11 L2 Iz F1 1 K8.2 = − L 2 − 6 K1.6 K1.11 = − 4LA − 2LF 15 x Iz F1 1 − 2LF K12.9 K 3 .Matriz de rigidez geométrica   K1.10 K4.9 K 5 .11 K6.10 K5.9 = − 2 +F L 2L 5 11 K4.12 = − FL Iz F1 1 K2.10 = 2 −F L 2L 6 12 K10.7 = L 2 + L2 Iz F1 1 −F K2.11 K1.7 K6.5 = − F L F12 F6 K1.11 = F +F 12 12 F11 12 Iy F1 K5.12 = − 4LA 15 x Kg = K1.7 = F L 11 K1.8 K3.4                                   onde: 1 K1.6 = − 4LA − 2LF 15 x 5 11 K6.10 = F +F 12 12 1 K7.2 = − 12 − 65F L3 Ax L F12 F6 K2.9 = − 12 − 65F L3 Ax L x F1 K10.8 K5.5 K6.11 K10.5 = 6 L2 Ax 10 F6 12 K3.5 = − 4LA − 2LF 15 x 6 12 K5.8 K2.8 = K3.6 = − F − 12 Ix F1 K4.12 K2.3      K2.7 K7.12 (C.3 = L 2 + L2 1 K1.2 K1.8 K8.3 K3.8 K7.6 = 6 −F L2 Ax 10 F5 11 K2.5 K4.9 = F5 11 +F 2L 2L 12Iz F1 1 + 65F L3 Ax L F6 12 −F 2L 2L 12Iy F1 1 + 65F L3 Ax L 12 6 K4.12 K4.10 K1.10 = LAx K2.11 K3.12 = − 6 L2 Ax L Iy F1 1 K3.8 K1.8 = K7.12 = − 2LA + LF 30 x F12 F6 K7.9 K 4 .10 K3.5 = F +F 12 12 F6 12 K4.12                                                    sim.7 = F L Iz F1 1 K6.12 = F +F 12 12 5 K5.9 = − 6 − L2 Ax 6Iz F1 L2 Ax F5 L2 F1 10 F1 10 K6.10 K9.7 = − F L 11 K7.11 = − 2LA + LF 30 x 6 K6.9 K7.7 = − L 2 − L2 Iy F1 1 K3.11 = 6 +F L2 Ax 10 x F1 K4.8 = − 12 − 65F L3 Ax L Iy F1 1 K9.1 K1.11 = − 6 −F L2 Ax 10 5 11 K10.5 K4.8 = − L 2 − L2 12 K7.6 K3.11 = FL Iz F1 1 K8.3 = − 12 − 65F L3 Ax L F5 F11 K3.10 = − F −F 12 12 Iz F 1 1 K6.4 = K2.10 = − 2 +F L 2L 5 K4.12 = FL F5 11 K8.7 K6.6 = − F L F5 K1.9 = − L 2 − F12 L2 F11 L2 F5 F11 K1.11 = − F −F 12 12 Iy F1 1 K5.7 K4.2 K2.12 K6.5 K1.4      K4.10 K10.11 K5.12) F6 K1.11 = − FL Iz F1 1 K2.