You are on page 1of 17

conslituíram apenas algumas batalhas na prolongada guerra de re§istência. em Bissau (Guiné) e Luanda (Angola).vos africanos das A resistência onticolonial na $rica portuguesa Os quatrocentos anus de presenca colonial de Portugal na África tôram marcados pela luta permanentr dos povos africanos. história da libertaçáo dós pc. conduziu à conquista das independências. no século XIX) se opuse59 . como o nào-pagamento de impostos. em Angola. e várias formas de desobediência ciúl. assim denominadai pela história colonial. tanto em Angola como em Moçambique -. As campanhas de pacificação dos povos afiicanos. e o império de Gaza. nos séculos )§4 a X\4II. greves de trabathadores portuários. Mas se as diversas formações sociais antigas (reinos do Kongo. Essas raízes manifestamse nas diiersas formas de resistência empregadas desde o século X\4 contra a presença dos portugueses.CÁPÍTULO 5 A luta de libertaçáo nacional na Africa e na Asia de língua portuguesa colônias portuguesas tem raízes mais profundas do que aquelas que se tornaram manifestas na sua fase contempo. Também foram instrumentos de luta contra o colonialismo português a produção literária de protesto e denúncia realizada no início ãeste século por intelectuais autóctones Principalmente em jornais natiüitas. a da luta armada de 1961 a 1975 que. Ngola e Matamba. em Moçambique. Ndongo.âneâ.

em quejovens intelectuais começararn a conscienúzar pane da populaçào dentro das mínimas possibilidades legais existenres. du Bois e George Padmore. nor. Cabo Verde e_ Sâo-Iomé e Príncipe).as fo_rmas de luta perrnitiriam fo{ar a unidade desses povos dentro das fronteiras impostas pelo colonialismo.as atratés d. a Liga Africana. impossibilitando-os de participar da üda ciúI. em Angola.eficazmente pela Liga Africana. desrita no relatório d. sob uma repressào crescente. primeiramente sob a forrna de movimentos culturais.sboa. décadas de 40 e 50. tanto em Angola quanto em Moçambique. Essa Liga Africana que Íuncionaaa em Li.{leira federaçõ.uos". gmpos de estudantes de diversas colônias (também êuiné-Bissau.td.o aários milhões dE indiaíd. para mais rzrrde nascerem na clandestinidade. E. também se organizavam em tomo de a.as as associações ir. mesmo que de forma dispesa devido à diversidade étnica e cultural doi povos afiicanos. teve um papel importante ao acolher.. B. uma delegaçáo da segunda sessão da Têrceira Conferência Paa-Africana. daãa a ausência de universidades em seus países de origem.o de tod. um debate no seió das notas gerações que participalam das associaçóes cultuáis legais Liga Nacional Africana. Os preparatiaos foram cond.uzid.ntes de 71 países assistiram à sessã. conüdas nas leis coloniais.sociaçôes cr_rlturais legais. Paralelamente a essa luta política de características locais. Uma dessas organizaçóes.irla. criada em lgtg.ó Congresso corto «uma aerde.ram heroicamente ao colonialismo. na qual esüveram presenres alguns dos nomes mais significaüvos do moümenlo pan-africano.o (le Lis-boa. ospanidos políticos que iriam conduzir a luta pela independÉncia. como W. que tinham emigrado para Portugal a fim de realizar estudos uniyersitáriós. tendo tido acesso í insorrção irrim.ígenas es|alhad. ' 60 . Nesse peíodo. pãdiam ter carteira de identidade). em 1923. em Moçambique visara denunciar todas as formas de discriminaçáo racial e social contra os indígenas e "a^ssimilados" (categoria juÍdica criada pelo colonialismo portr_rguês pala distinguir os africanos que. e Centro dos Negros.as cinm proaíncias da Africa portuguesa e representand. Este último descreveu muito bem esse momento ao afirmar: Os retüesenta.os .

por que a Liga Africana de Lisboa é o d. Se os processos mudaram formalmente.os. as mentalidades dos ge vernantes coloniais não se modificaram em relaçáo aos seus propósitos de inserir o africano no mundo do trabalho capitalista. antigo ministro das colônias.o moaimento d.éia d.adc frodutiaa baseia-se no trabalho d.o equíuocos. nxas muito dignamentq tud.i.os propósitos do colonialismo português no que se referia à exploração de seus teritóúos. EÍnxtr. O novo sistema de contrato foi posto em prática pelo decreto de 1930 que estabelecia que as populaçôes natir. isso significar.e tod. ao se recrutarem indiúduos para o r-ontrato de trabalho.PanaÍriruinisme .por assim d.olência e sem s( oloslar dos limit?s d. e fazer abrandar as lcis austerat.as as outras organizúções irulígenas e soube exprimir ao goaerno em termos nã.epoões a esB princÍpios pür razies dc raça.çã. obrigatório.ato d.z que se utilizaria o poder político tradicional.iaikzar os ind. em vez das auroridades admiiistrarivas coloniais.o fazer algum apelo à ai. e nao podemos adrnitir exc. 67 . indiúduais e domésticos". Um código indígena.a.uro.ize\ recebeu mand.reito a uiuer sem trabalhar Uma socied.o d. 35.e que nãn tân d.\ e rela- 61 .e Portry. no coro. inclutiae para os uagabund. estabelecido em 1928. Estada çõls dé poder ruL Guine-Bist. Se (Apud Cârlos Iópes.eae ser d. é preciso inatk'arlhcs comn preceito moral ebrunlar a id. Eis aqui. p.tu. em que "seriam respeitados seus usos e costumes sociais. Na verdade. nmunisw\ p.s apenas no bom sentido da palaara.ígmas.ito para e itar injustiço. subsútuindoo pelo "contrato".irigente d. m. Vejamos a afrrrnação de Vieira Machado. em 1943: pretendenxos c. veio abolir legalmente o trabalho forçado puro e simples.a Consliluiçào.) Mas esse fato não iria modificar .os negros da Africa Portuguesa. sem contud. ou (George Padrnore-.gal.as seriam govemadas por meio de um estatuto especial.o o que d.

cit. após a Segunda Guerra Mundial. Este último assim expressala os objetivos daquele cenro: Rncionakzar os smtimentos d. seja elr Político u. 35. a elzger um goasrno. falecido em 1963) e Mário Pinto de Ardrade (Angota).e o|ressã. que conta\â.lguns dos mais expressivos líderes dos moümentos de libertaçáo nacional: Amitcar Cabral (GuinéBissau e Cabo Verde). Agostinho Neto (Angola).olnniai.Em tsr o d.irein a eleger szus goüsrnantes.s a controlnr o sru Pó?rio destiào.lturuis r d.o ctrntinmte. Tbd.e se Pcrte?xc.as colônias da.o e despcrtar a consdSncia nacional atraaés dc uma análise dos furulamcntos ctr. talagia te. Os pouos d. Francisco Tenreiro (poeta natuml de Sáo Tomé e Príncipe. no senlido de nào se aler unicamenle a esses limites da legalidade e se manifestar por um direito dq liberação lotal das co}ônias.ruática di Poesia ln: Mário Pinro de Andrade. 9. p. op.iro. nem com as de 62 .o estrangeiro. o mesmo nível e se fez explicitar ainda por associações legais.tnperialisnr. sobretudo após a Segunda Guerra Mundial. como fica manifesto na declardçào do Quinto Congresso Pan-Africano de Manchester. entre seus firndadores. esse conceito dinamizou-se e desenvolveu-se na consciência dos seus líderes.) A consciência política e nacionalista dos povos das colônias portuguesas atingiu também. mas náo com as dos eshrdantes nele atuantes. Án aÍn*na" p. mas nesse momento rnais agressilas nos seus objetivos.er ao mundlt d.as as colônias druem übertar-se do i. comjovens estudartes que se torrrariam a.os a gov(rnor s? Pur si mtsmos. em 1945: Qaernnos o liberdodt c o diràlo d? lodos os p&.Se o espírito da sessáo da Terceira Conferência Pa-n-Africana era a lutâ dentro dos limites da legalidade contra as injusúças sociais. org. econôtnico. Em 1951 surgiu em Lisboa o Centro de Estudos Afiicanos. Afrmamos os dir?ilos dp lodos os poaos r. sem restrições impostos Pur poder estrange.) As autoridades metropolitanas do regime ditarorial enráo ügente em Porhrgal terminaram com as atiüdades do centro.. (GeorBe Padmore.

Marrocos.outros que deram continuidade à luta política artticolonial na Casa dos Estudantes do Império. wg'ro da rcr do conlrolo(lo.e a ermelho-cff4 a sao gotas do mzu sangue fdtas seiaa. rosto que rega a.o mnt. grand. !. Mas a luta comum criou projetos unitários. os intelectuais dedicaram-se sobretudo às atiúdades político-militares de seus partidos na l_uta pelas independências. cit. e o fechamento. usava a expressão literária para denunciar as injustiças e defender uma tomada de consciência de seus problemas.s Plnntaúes.. Se o colonialismo português na Africa teve lormas diferentes conforme o espaço ocupado no confronto com as populações locais. O poema "Monangamba".do. em 1964. e uma coleção de auroreÊ ulumarinos. constituir expressões intelectuais autônomas.o..e nã. como em Casablanca. em l8 de abril de 1961. O café uai ser tonado. Essa nova geração de intelectuais.Lrad. 194. Naquela roça grande tun café mad. da Casa dos Estudantes do Império. op. conhecida como "geração de 50". Mmsagrm butraatlterior haüa sido proibjda em Angola). Essa entidade. Ncgro da cm dotiontrata. criada em Lisboa como associação de estudantes das colônias. que: .uro e aquel. a prisáo de militantes e a fuga para o exterior de outros. teve um papel ilnporlante nos anos 60. türh. pisad. uai f rar ncgro. expressa muito bem esse momenlo: Naquela roça. org.. quc iniciamm o processo de . que veio a ter grande influência na mobilizaçáo e na formação política militante das nor.o. de Antonio Jacinto. p.) Com o início da luta armada nas diversas colônias.. Nela foi produáda uma noÉ revista.as geraçôes. também as respostas na luta pela independência das diversas colônias foram diferentes. contrariando a assimilação cultural preconüada pela política colonial úgente. I (In: Mário Pinto de Andrade.o tun chuaa é o suor d.

açã. reali- zada em Casablanca.Proclama a unid. apesar dâs suas especificidades.o imerliata do colonialismo portugt1ps e d. (Coúferênciâ dàs Organizaçôes Nacic> neúistas das Colônias Portuguesas. o que nem sempre se conseguiu após as independências. tentando uma unidade que superasse as diversidades étnicas naqueles pâíses.adc de açáo das Organizafies Nadonalistas no luta Por todos os mtios.o. Pa is.) A independência das colônias portuguesas Os moümentos unitários das colônias portugaresâs forzm um exemplo de eficácia na ação contra o colonialismo português duraDte o momento de luta. tinham diversos pontos comuns. forma dc opressã. 1961. duante a luta amada pela IibeÍlaçáo de seu país. un clos maiorcs lídêres ahicanos e dÍigente do Paniclo Aticano paÉ a lndependência da GuinéBissau e Cabo Verde (PAIGC). abril.) 64 . Os projetos revolucionários dos moúmentos nacionalistas que agiam nas diversas colônias portugaresas. novenbro de 1973.a Liberta@o dc toda o. (Le Couíiêr dê l'lJnêsco. em aista dú kquid. sobretudo aqueles tra- Amilcar Cabral.

mesmo no seio dos moúmentos de libertaçáo.o pcruo angolano.Astus e patrióticas d.duzidos em alguns aspectos organizacionais.nica de tod. Vejamos. Eram eles: Pintiro. outro moúmento nacionalista. fundado por Amilcar Cabral. no sul de Angola. a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNI-A). a criação de outro partido. na linha política e na açãb comum contra o mesmo inimigo. que enuncia esse prin. cípio em seu programa mínimo: União urgâ. em 1968. o PAIGC (Partido Afúcano para a Independência da Guiné e Cabo Verde).nos.ois países aírica. 65 .as as forças naciona. dirigida por Holden Rober-to e identificada emicamente com a população bacongo do norte de Angola e a sua diáspora na República do Za1Íe. gdtanlii a iguadadr dt todas as etnias dp Angola e relarçar o uniào ( o ajuda Íratffna ?ntrc ?los: Segundo.rnala esse programa diversos itens relativos à unidade da naÇão após a independência completa. no que se refere à unidade de ação em seu projeto político.] (Pmgrama N/taior do N4oümenro Popu lar de LibeÍaçào de Angola MPI"A-) - Paralelamente ao desenvolvimento da luta anticolonial conduzida pelo Moúmento Popular de Libertaçáo de Angola (MPIÁ)..a Guiné paia tiquidar dontiáaçao nkr nialista e inllerialista nesses d.) Especifrcaremos agora alguns pontos relativos ao programa maior do Movimento Popular de Libeftaçao de Angola (MPI-A). [. náo conseguiu transpor a fronteira tribal de seu grrpo. Afn. os oümbundos. de Jonas Savimbi.as as tentaüaas d. a Unita (Uniáo Nacional para a Independência Total de Ange la). por exemplo.o d. A unidade 'era o fundamento principal. i (Programa Político do PAIGC. sem contudo conseguir ultrapassar os ümites geográficos e étnicos a que estala confinada. Ainda em Angola. inwdifio absohtta dc tod. tÀmbém desencadeala a lLrta arrnada.as àlhas dÊ Cabo Verdc e todas as furças patrúíücas e nacionalistas d.iaisã. Aliás.e d..

ao Unita. a (Folha dz S. que tem Íorças sufici.PT-) um dos fatores que opõem. rcpresentando simbolicamente a construçao da identidade e unidade de un só povo acina das origens étnicas.entes "para lutar mais d. 13 / 11 / 1992. no sntanto. A guerra ciúl continua mesmo depois dos múltiplos acordos de paz e das primeiras eleições democráticas em 1992 (sob o controle da ONU).a da guerra ciail no país. Sauinbi ü2. Jonas Sauimbi. disse que adm.ad. mas nem por isso conúveram os desejos da Unita pelo poder esse é ainda Savimbi diz estar pronto para mais l0 anos de luta O presid.ez anos" en't guerra ciail.e oposiç.mte do mouimento d. Pauk.(Ediçáo do Departamento de Onenbçáo Bevolúcionáia IDOB] _ MPLA.e Angola Para int^erromper a retoru.ite aoltar negociafies mm o goaerno d.Canão-postal de Angola após a índependência.esse parüdo ao governo de Angolâ dirigido pelo MPI-A desdê a independência.) A independência de Angola (novembro de 1975) foi marcada por uma luta entre três partidos nacionalistas com linhas 66 . que deram útória ao partido do governo.

As lutas de libertação nas diversas colônias portuguesas obrigaram o govemo de Portugal a mobilizar um exército de milhares de homens que. sustentando uma guerra sem solução. O Brasil foi o primeiro país a reconhecer o governo de Algola com o MPI-A no poder O primeiro presidente foi o também Iíder do MPI-A.idpológicas diferentes: o MPI-A. tendo contudo de sustentar uma luta armada com a Renamo (partido de Reconstrução Nacional de Moçambique) . conduzia o próprio país a uma dependência crescente. de 1961 a 1974. e a F§IÁ e a Unita. Basta dizer que cerca de 43% do seu orçamento nacional era consagrado ao esforço de guetra.4s. Assim um Guerrilheiro angolano duante a luta de libeftaÇáo nacional. . Moçambique obteve sua independência com a Frelimo (Frente de Libertaçáo de Moçambique) no poder e sob a liderança de Samora Machel.) sas. Agostinho Neto. gmpo apoiado pela República da Africa do Sul a fim de desestabilizar o regime de orientação socialista de seu úzinho. A lula armada paía a obtençáo cla independêncía Íoi uma das caiactetísticas da descolonizaçâo nâs ex-colônias poílugue- p. com um alinhamento pró-ocidental.íLo nouvêau dossie AÍíique. de orientaçáo socialista.

Liberd.g qued. As Ilhas de Cabo Verde. e sobretud. não seru esPanto pür porle dr mu itos mililares que pela pi mtira uez uiam claro. negro.as. 4l .] A polth porên.moümento das Forçàs Armadas portuguesas.as nã. p.a da lrulia.o.a que as guerras erJt Afrita se i. d.am prolongarulo.o Poao: AÍrica.a. f..ucis ruáxi. at. Esse episódio ficou conhecido como a Revolução dos Cravos. Ergue-te e caminha..edid. A Guiné-Bissau proclamcu b sua independência em 24 de setembro de 1973. dcsprntigiad. Seu primeiro presidente foi Vasco Cabral. op . ] (Poema "Chegou â hora'. sotr o comando do Moümento de LibertaÇáo de São Tomé e Príncipe (MLSTP).'t'êríliâno Damha# in Mário Pinto de An&ade.\ ç^o" . O arquipélago de Sáo Tomé e Píncipe ascendeu à independência em 12 dejunho de 1975. obtiveram sua independência em separado.a Naçã.rnos do desastre. Justiça.ad.lho de África. As E A. do poeta cabo veríliano Kr. ergue-te. ] antes dc 1961.o à m. aPresentad. Aristides Pereira. finalmente confirmada em 1975 pelo novo governo democrático portiguês. escuta o clamor d.. as Forças Armad..e [ . mobilizou-se par-zr depor o governo ditatorial português em 25 de abril de 1974.ZS7 .. composto de oficiais que lutarzm nbs diversos territórios coloniais.fiicano Amilcar Cabral.o sram abErtamentc atingid. . irmão do grande líder e teórico a. as E A. assassinado durante a luta de libertação nacional. Um texto proveniente desse moümento refere+e a tal contexto: [. ümento das (Texto clandestino intitulado "O ml> ForÇas Armadas e a na25 apnd de Abil. p. que tinham conduzido a mesma luta sob o comando do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) .iaúrcio real d.1 68 . emjunho de 1975. descobriarn. [. no scu:llrestígio. . são mtão humilhadas. Seu primeiro presidente foi também um dos fundadores daquele partido. o sat d.as ao país como resPonsá. liderado por Manuel Pinto da Costa.

pondo fim ao Império colonial portuguê\. deve regressar ao domínio daquele país no ano 2000. que proclamou a independência em 28 de novembro de 1975. Damão e Diu. iniciando uma repressão genocida à resistência do povo maubere. a autoridade que se formara com a liderança da Fretilin Na Oceania.. situados na costâ oriÍlentâl da India.laves de Goa. em negociações recentes com o governo chinês. 69 .Dirs colônias portuguesas .u Ái4 os er. Divisão políIica atuat dâ Áhica (Ministéno da Educaçao da República poputar de Angota. Portugal retirou-se de Timor sem reconhecer ' seu dirigente Xanana Gusmão. Macau é a última colônia portuguesa que. os timorenses. foram anexados por este país em 1961. A Indonésia invadiu TimorLeste em 7 de dezembro. início da guerra colonial na AÍiica. (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente) e de Na China.

acreditamos que as \. Elas significam o fim das barreiras sociais e raciais. a desmitificação da inferioridade natural dos africanos e dos asiáticos. Há quem diga que as independências na maioria desses países foram um fracasso.CAPITT]I. imprimindo à história uma nor'a üda e um novo conteúdo. portuguesas. dificuldades essas historicament€ explicáveis. Náo deveríamos esquecer que esses países sáo resultado da herança colonial e que muitos deles adotaram os modelos políticos das antigas metrópoles. a miséria e a pobreza atingiram níveis mais altos que os conhecidos durante a época colonial. inglesas. de exploração e um futuro diferente a ser constmído. belgaie holandesas na lÚrica e na Asia representam um momento importante na história das nações que delas nasceram.antagens das independências são reais e numerosas. 70 . Simtrolizam um momento de separação entre um passado de humilhação. pois essa herança enlrou em confronto com a herança pré-colonial abafada durante a épóca colonial. os racistas voltarzm a reafirmar o velho mito da incapacidade naturzl desses povos em autogovemar-se. Aproveitando-se da situação. o desmantelamento do velho espectro da superioridade natural do brancb. Apesar das diÍiculdades pelas quais está passando a maioria dos países africanos e asiáticos.O 6 Conclusões s independências das anligas colônias fra-nce_sas. pois a üda material e espiritual de seus povos regrediu múto. de desumanização. A aplicaçào desses modelos hcrdados [oi um fracasso. a fome. A questão que hoje se coloca é saber se as independências afroasiáticas alcança-ram realmente essas lantagens.

que foi primeiro-ministro do primeiro governo independen- te do atual Zaire. primeiroministro de Uganda. no mesmo momento em que esses países estão sendo envolvidos com agressividade pelos inte. manutenÇáo de quadros e técnicos europeus em alguns postos-chaves. Foram derrubados o presidente Kuame Nkrumah. e Milton Obote.resses internacionais? O fim da dominaçáo colonial não signihca o Íim da influência dos antigos colonizadores. Essa . invesúmentos de capitais. os antigos colonizadores fizeram tudo parz ceder apenas na aparência e consen?r a substância. líderes das independências da Guiné-Bissau e de Moçambique. Através das independênciasjurídicas ou formais. a condiçáo de subdesenvolúdos a serem desenvolvidos. comojá foi frisado. depois das independências. líder da independência de Gana. nem pré-colonial? Como forjar uma unidade real de pensamento e de ação? Como curar as antigas feridas e eyitar as novas.).---= Hoje. Isso se deu. ESse fenômeno tem um nome: neocolonialismo-Ele se manifesta de diyersas maneiras: relações priülegiadas entre os antigos colonizadores e as elites dirigentes das no\zs nações progressilamente colocadas por eles no poder. científicas. O desenvolümento lhes seú trazido pela máo do mesmo mestre ocidental que o colonizou para civilizá-lo. Muitas vezes.r . etc. coloca-se a esses países a seguinte questao concreta: como construir um modelo político diferente que náo seja nem colonial. Os colonizados de ontem se tornzuann os subdesenvolvidos de hoje. eles ganharam. etc. Amilcar Cabral e Eduardo Mondlane. Dessa fonna. acordos militares e de cooperação científico-cultural. dependência econômica (transferência de tecnologia. atzvés das relações econômicas. entre outros. a altiga po tência colonial interfere para eliminarhomens polÍticos consi. Patrice Emery Lumumba. De fato. culturais e militares. Para salvaguardar seus interesses. Da categoria de selvagens e de primitivos a serem ciülizados. o que mudou? O que signifi71 . eles continuaram a orientar as eyoluções políticas e econômicas de suas antigas colônias. derzdos nacionalistas e pouco compreensivos aos interesses do Ocidente os que sáo contra a ordem neocolonial.ser por assassinato ou por afastamento de ' eliminaçào pode cargo políúco através de golpes de Estado. foram assassinados.

Mas elas representam apenas a primeira fase da independência total. que custaram muitas üdas e deixaram muitos traumas. entre outras fornas. as independências jurídicas foram grandes conquistas. pela invênÇãô de modelos políticos adequados à suas estruturas sociais e à suas realidades nacionais e regionais e pela conquista de igualdade no estabelecimento dos mecanismos que regulam as relaçôes intemacionais. ou sejal no estabelecimento daquilo que os políticos e especialistas' de relações internacionais costümam chamar de "no\. . que se fará.coú a fàmosa "missão civilizadora"? Ciúlizaçáo ou exploração? Desenvolyimento ou subdêsenvolümento*? Sucesso oü fracasso? Verdade ou menúra? Do ponto de üsta dos ex-colonizados.? ordem internacional".

Coordenação: Marly Rodrigues Maria Helena Simões Paes ro OIIÕRA A'IAf. .r àíÉ A REVOLTA DOS COLONIZADOS O processo de descolonimfio hdependhcias itaSiu fJ e as e da Ásia (ÁRLOS SERRANO KÁBENGEI MT]NANGA .-J . .

1995. Bibliogmfia. C..es parâ câtálogo sistêmáti@: Descolônização : Hislória : Ciênciâ poutica 325.ârmcchjc Capar Relrodução da "Batalha de Amba Alagi". Desculônr/açdo .íB Nos pEDDos TELEcRÁflcos BAsrA cnAR o cÓDIGo: AZSH 8524 N . 1895 capar Viettrã.lilotial. São. Almeidà virsítria S. SB BÍásil) A revotta dos colonizados : o processo de descolonização e as irdê_ pêÍlêrcias da África e dá Ásia / Carlos Serdo.iraor Mdiâ Luiza X. Aihcà . Múia Helena Simões ry' Tí 95-t027 cDD-325. Kâbengelc Munanga : c@rdênâção Múly RodrigEs.htdPndcdi\à. de Moraos Pmjeto qnirtco: Erhel Sútella Pmjptü BtdJko dp . d ât §Tlt.n. lIL Paes. Dâdo6 Internâciomis de Câtâlo8rsáo nâ Publicâção (CIP) .309 Série Hisúóriâ Geràl m Doaumentos 6di.Hislríâ Movimêntos de autoíomia e indelendênciâ 3' Ásiâ HistóÍiá Descotonr/àçào Alncá 4. Eriópiâ.309 1. Índi.& Cor ' de Lims Ltda . Movimêntos de autonomia e indêpendência . Todos os direitos r€servâdos.Paulo : Atual.zÍ. Isas J.q3Çop. Suplemenlâdo por rc1eiÍo de leituÍà. Múia H€lená Simões Paes. (Históna Seral em documenro. dpr: Çl^udta S.ntono Cab€llo Q. lÚúnú8a Kabengele.le t te dx Heúrique Félix Àss6r. Pilho José Ro8erio L.7.1'ili""'T. Riboirc/ReMto Nicolai prodtçao e. t€Íoy/Sigla/Cmâ Mapasr Sônià Vaz Filme (D.Â-ÉaE *ffir- . Souto Vera Lúciâ Pereira DeIa Rosa Eilitoração eletônid: Sil\in RegiÍa E. lqo1.@ Cdloq Setuo e Kabensele MunaÍ8â. zdrolial Shirley Gomes G. II Ro.j Bâldüino Fcrena Irite Diosrzmçôoi Iulià Natâo Prodwão qnirtca: r'.ão editorúli Ro§ângela F de Melo Rz.ni:":.lri8les. Marly.ar Prcparação . P):Did1ÊEditÍ. Ea-.rê rto: Noé G."f.A\ia l. ale Simone Mauício T.. (CâmaE Brâsileirà do LiYm. Cláudio Espósito Godov Asirtentu de prcdu. AÍaujo CldÊ d? aÍ.ll EDlroRA LIDA. t5BN 85 7056702 1 2 2.