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ARTIGO INéDITO

Aplicação clínica da mola “T” do grupo B para retração dos dentes anteriores
Clinical application of group B T-loop spring for retraction of anterior teeth

Renato Parsekian MARTINS* Alexandre Antonio RIBEIRO** Sergei Godeiro Fernandes Rabelo CALDAS*** Isabela Parsekian MARTINS**** Lídia Parsekian MARTINS*****

Resumo A TAS (Técnica do Arco Segmentado) representa uma alternativa à mecânica de deslizamento, muitas vezes dificultada pela incerteza da quantidade de força de atrito envolvida em cada sistema de forças utilizado. Nesse contexto, sabe-se que poucos cursos de Ortodontia no Brasil têm ensinado efetivamente a filosofia e o modo de trabalhar com a TAS. Portanto, este trabalho procura elucidar a forma de raciocínio das relações entre força e momento manipuladas na TAS, bem como mostrar a forma de confecção e utilização de mola “T” do grupo B, onde objetiva-se a movimentação recíproca dos segmentos posterior e anterior e, por fim, apresentar um caso clínico tratado com esse tipo de mecânica.

Abstract SAT (Segmented Arch Technique) represents an alternative to sliding mechanics, often complicated by uncertainty in the amount of frictional forces involved in each force system used. In this context, it is known that a few orthodontics courses in Brazil have effectively taught the philosophy and how to work with SAT. Thus, this paper objective to clarify the manner of thinking the relationship between force and momentum handled in SAT, as well as show how to manufacture and use the Group B T-Loop spring, that objective to move both anterior and posterior segments, and, finally, present a case report treated with SAT.

Palavras-chave: Ortodontia corretiva. Biomecânica. Fechamento de espaço ortodôntico.

Keywords: Corrective orthodontics. Biomechanics. Orthodontic space closure.

Como citar este artigo: Martins RP, Ribeiro AA, Caldas SGFR, Martins IP, Martins LP. Aplicação clínica da mola “T” do grupo B para retração dos dentes anteriores. Rev Clín Ortod Dental Press. 2011 ago-set;10(4):72-80.

» Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros, que representem conflito de interesse, nos produtos e companhias descritos nesse artigo.

* Professor dos cursos de especialização em Ortodontia FAEPO/UNESP e FAMOSP/ GESTOS. ** Mestre em Ortodontia UFRJ. Doutorando em Ortodontia UNESP/Araraquara. *** Mestre e Doutorando em Ortodontia UNESP/Araraquara. **** Mestranda em Ortodontia UNESP/Araraquara. ***** Professora do Departamento de Clínica Infantil da Faculdade de Odontologia de Araraquara, UNESP, Araraquara, Brasil.

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Rev Clín Ortod Dental Press. 2011 ago-set;10(4):72-80

Quando comparada a uma alça em gota. logo. 2011 ago-set. citam-se as giroversões. foi gerado o desenho da mola “T”. uma convenção usual de sinais para momentos e forças será empregada. A proporção M/F ideal para o movimento de translação é de 10/1mm (ver Conceituação da Relação Momento/Força a seguir). que nada mais é do que uma alça vertical com uma quantidade significativa de fio em sua porção apical. Nesse sentido. extrusão do grupo dentário anterior. onde a coroa se movimenta no sentido da força e o ápice se movimenta no sentido oposto. 7mm e 6mm. lançou-se mão de dobras de pré-ativação nas molas “T” de modo que a relação M/F ficasse cada vez maior. Martins LP Introdução A etapa clínica de fechamento de espaços durante o tratamento ortodôntico. Normalmente. apesar de boa parte continuar realizando as pré-ativações por dobras. em função da grande influência que Marcotte teve na disseminação da TAS no país14.mm (Fig. em função da altura do tubo vertical anterior (Fig. Baseia-se em conceitos físicos de biomecânica para adequar o sistema de forças a serem utilizadas individualmente em cada paciente. determinando. Nesse contexto.Ormco Co. em proporção menor. de acordo com a necessidade de ancoragem de cada caso. ao invés de 10mm distante dele. Em 1982. o objetivo deste trabalho é mostrar a forma de utilização/ativação da mola “T” do grupo B pré-ativada por curvatura. Rev Clín Ortod Dental Press. Estudos já demonstraram que quanto maior a quantidade de fio na região apical das alças de retração. o beta-titânio (β-Ti). como uma alternativa à já existente mecânica do arco contínuo. EUA). é a fase de maior manipulação biomecânica por parte do ortodontista. a única marca comercial disponível era o TMA® (Titanium Molidbenium Alloy .11. o momento horário é negativo e o momento anti-horário é positivo. maior a proporção momento/força. respectivamente5. Comprimento gengival (G) Orelhas da alça Diâmetro da mola (D) Hastes verticais da mola Altura da mola (H) Hastes horizontais da mola Distância da alça até a inserção anterior (B) Comprimento total da mola (L) Figura 1 A mola “T” e suas estruturas. isto é. Burstone2 propôs as molas “T” confeccionadas com uma liga diferente do aço inoxidável. Através desse conhecimento. seria desejável que o canino exemplificado se movimentasse por translação.15.. e toda força ou momento no sentido de vestibularizar as coroas tem um sinal positivo.10(4):72-80 73 . bem como exibir um caso clínico tratado com esse tipo de mecânica. Charles Burstone. Ribeiro AA. A esse tipo de movimento. No Brasil.9. ao redor de 2/1mm e 5/1mm nas molas em gota e “T”. dessa forma. o tipo de movimentação que acontecerá naquele sistema ortodôntico montado1. Toda força ou momento no sentido de retroinclinar a coroa dos dentes tem um sinal negativo. dá-se o nome de inclinação descontrolada. 1). Glendora. Para que isso ocorra. sem dúvida alguma. pode-se aplicar a força de -100gf passando pelo CRes do canino. não há rotação. Junto à magnitude da força e momento utilizado. a técnica do arco segmentado (TAS) foi formalmente proposta pelo Dr. entre outros. No início da década de 90. Caldas SGFR. as molas “T” utilizadas pela maioria dos clínicos são pré-ativadas por dobras. Entre os efeitos colaterais mais frequentes passíveis de ocorrer. A aplicação dessa força resulta numa movimentação de inclinação onde o CRot está levemente acima do CRes. inclinações mesiais ou distais das coroas dentárias.Martins RP. CONCEITUAÇÃO DA RELAÇÃO Momento/FORÇA Nos exemplos dados a seguir. com dimensões de 10mm de comprimento gengival (G) e com as duas alturas verticais (H) diferentes. Burstone deixou de pré-ativar suas molas por dobras e passou a pré-ativá-las por curvatura4. Nos diagramas apresentados de um canino superior. Martins IP. a constância dos mesmos é a terceira das variáveis a serem controladas pelo clínico. a força age fazendo com que o canino se movimente de corpo e. 2) e ambos agem no CRes do canino. menor sua relação carga/deflexão e maior a tendência à movimentação por translação6. não se deseja nenhum tipo de inclinação. A força de retração é negativa e a de protração é positiva. em 19661. ela gera um momento de -1000gf. Na época. e o CRot encontra-se no infinito. tornando-se um momento crítico e difícil no sentido da observação clínica dos efeitos colaterais atuantes em cada mecânica empregada. Quando uma força ortodôntica de -100gf é aplicada a um canino a 10mm de seu CRes. No CRes. como a mesma não produz momento. Isso influenciou um número grande de clínicos. apresenta uma baixa proporção M/F quando ativada. A proporção momento/força (M/F) é um desses conceitos físicos mais importantes durante o movimento dentário porque estabelece a relação entre a quantidade de movimentação coronária e radicular dos dentes ou segmentos dentários envolvidos.

Pode-se utilizar a seguinte fórmula para correlacionar-se a DIB e o L: DIB = L – (ativação horizontal da mola) Quando a alça é posicionada centralizada em relação à DIB ou ao L (Fig. FECHAMENTO DE ESPAÇOS DO GRUPO B As molas “T” utilizadas para o fechamento de espaços nos grupos de ancoragem do tipo B são aquelas onde a sua pré-ativação é simétrica.mm.mm. Entretanto. Quanto maior for a pressão aplicada ao periodonto. controlando a perda de ancoragem. Ao se aplicar uma força de 100gf junto a um momento de um binário de 1000gf. Assim. 3). concluindo-se que essa relação M/F de 10/1mm (1000gf. e. é pouco utilizada na TAS. mais rápido um dente se movimentará. o momento resultante no CRes. e em verde. o momento da força (-1000gf. pois altera muito as angulações dentárias e envolve movimentações desnecessárias dos ápices radiculares. fazendo com que o canino se movimente por translação. Dessa forma. onde o CRot está levemente acima do CRes. quanto ativada.mm M= 0 gf. causando o mesmo efeito no CRes. A composição desses dois movimentos. já que eles ocorrem ao mesmo tempo.mm) é totalmente anulado (Fig. dada uma mesma força horizontal. concentrando muita pressão na região apical8. a explicação mais básica sobre como a TAS controla as movimentações dentárias. só resta a força de -100gf agindo no CRes.mm CRes M= -1000 gf. Figura 3 Um canino submetido a uma força de -100gf (seta azul) a 10mm de seu CRes e mais um binário de 1000gf.17 causa uma menor deformação do que a inclinação. Figura 4 Uma mola “T” simétrica e centralizada pode gerar M/F simétricos em α e β. vê-se o momento da força. Assim. 74 Rev Clín Ortod Dental Press. a mola só irá gerar momentos simétricos nos tubos dos segmentos α e β se ela estiver posicionada centralizada em relação ao comprimento total da mola (L) (Fig. mm/100gf) é necessária para produzir. resulta em uma movimentação de inclinação descontrolada. CRes CRot CRes 10mm -100gf CRes -100gf CRes 100gf ∞ CRot CRes 10mm 100gf M= -100gf. A correta manipulação das relações M/F pode produzir os diferentes tipos de movimentos mencionados.ARTIGO INéDITO Aplicação clínica da mola “T” do grupo B para retração dos dentes anteriores Entretanto. ou a sua deformação (até um determinado ponto). Sabe-se que a translação.16.10(4):72-80 . Em vermelho. Esses. A inclinação descontrolada. um sistema de forças equivalente pode ser aplicado ao braquete. o momento do binário. e vice-versa. é impossível apenas com Ortodontia convencional (sem utilização de mini-implantes) aplicar força que passe pelo centro de resistência do canino. Nessa situação exemplifica-se um momento gerado pelo binário no braquete de 1000gf. independentemente de qual tipo de movimento estará sendo induzido em uma extremidade (inclinação. Sendo assim. a mola “T” gera momentos iguais (binários dentro dos braquetes) e opostos em ambas as extremidades. translação ou correção radicular). e consequentemente a ancoragem anteroposterior no fechamento de espaços.mm e uma força de -100gf aplicada sobre o braquete para retração do canino.17. por sua vez. 4). à distância interbraquetes (DIB). um sistema de forças equivalente à aplicação de uma força no CRes. por distribuir melhor a pressão no periodonto10. mas em sentidos opostos. o mesmo estará ocorrendo na extremidade oposta. apesar de gerar pressões mais altas no periodonto do que a inclinação controlada. as proporções entre os momentos produzidos e a força horizontal (M/F) gerados pela mola também são iguais. 1) e. um dente movimentado por translação tem uma velocidade menor de movimentação do que se o mesmo fosse inclinado3.mm CRes 100gf Figura 2 A força horizontal provoca uma translação e o momento causa uma rotação no CRes do canino. é baseada na quantidade diferencial de estresse aplicada ao ligamento periodontal.8. em amarelo. Consequentemente. num braquete a 10mm do CRes. 2011 ago-set. se movimenta por translação. fazendo com que ambos segmentos contribuam de maneira semelhante para o fechamento dos espaços. consequentemente. geram diferentes pressões no ligamento periodontal18 e podem ser modificados a fim de diminuir ou aumentar a velocidade da movimentação dentária durante o fechamento de espaços12.mm M= 1000 gf. através da utilização de M/F de intensidades diferentes ou similares entre os dentes ou grupos de dentes.

7 8.mm 1179.88 53.1 200.3 227. Clinicamente.2 0. força horizontal e vertical.5 1. Ribeiro AA. Hanley7. momentos e proporções de M/F em α e β mensuradas de uma maneira controlada para cada meio milímetro de desativação7.4 1741.0 1.40 53.7 64. uma característica interessante faz com que a M/F aumente.8 6. o que inclina de maneira controlada os segmentos α e β. 1). e os momentos gerados em ambas as extremidades não são mais iguais e opostos.6 1402.6 12.9 1864. (Fonte: Burstone. Van Steenbergen.mm 1179. momento produzido em α e em β. o sistema de forças é ligeiramente diferente dos experimentais.0 -2.2 2014.0 4.5 4. conforme o espaço se fecha mais 1mm.4 2098.3 0.4 1967.7 8.5 7.20 58. 6) ou através da reativação da mola “T”. portanto.8 Mα/ Fh mm 33. 1995).84 54.6 6. ∆ mm 0.5 -0. proporção M/F produzida em α e em β.0 3.5 173.0 Mα gf. Clinicamente. Essa diferença nos momentos faz com que forças verticais opostas sejam geradas em ambas as extremidades.9 -0.56 57.7 -3.9 1989.6 -16.0 311.4 1836. translação e inclinação radicular acontecerão antes do que indicado pela Tabela 1.4 -0. de forma simétrica e por curvatura.2 F/∆ gf/mm 53.5 5. a M/F precisa ser diminuída.40 55.2 21. As colunas determinam.0 2048.6 1808. mensurado numa DIB=23mm.5 2.0 2. equilibrando o sistema de forças.0 -15. Rev Clín Ortod Dental Press.5 20.0 0.5 3. pois níveis de força horizontal caem numa velocidade maior que os níveis de momentos gerados.5 1261.1 1908.7 10.7 1670.5 1478.1 Fv gf 0.2 13. essa mola produz uma M/F de 6/1mm.0 1686. O posicionamento de qualquer alça ou dobra em relação à distância interbraquetes é muito crítica no que diz respeito ao sistema de forças gerado em suas extremidades. após 3-4mm de fechamento de espaços. Tabela 1 Sistema de forças médio.7 8.8 -17. Com esses dados.6 341. Assim.0 5. após 3mm de desativação. Martins IP.7 16.1 0.9 9. Portanto.2 -12.2 1583.3 0.7 -11.5.8 -8. através da adição de um elástico em cadeia sobre a mola.1 7.10(4):72-80 75 .0 255. Inicialmente.3 -0. verticais.9 (MαMß)/Fh gf -1.3 6. Conforme o espaço se fecha e a mola desativa.0 0.4 1750. Martins LP Como dito anteriormente.2 1504.6 1347.2 283.2 Mß/ Fh mm 35.6 91. eles se tornam diferentes e opostos.0 6.7 145.1 11. ambos os segmentos começam a transladar. Isso proporciona uma estimativa científica para a utilização dessas molas clinicamente.3 1917. caso a manutenção do sistema de forças seja desejada.017” X 0. pré-ativações adequadas para cada tipo de movimento foram desenvolvidas para cada tipo de mola “T” existente.9 15. a molas “T” utilizadas na TAS já tiveram suas forças horizontais. respectivamente. Caldas SGFR.12 54. de uma mola “T” de dimensões 7mm (H) por 10mm (G) construída com fio 0.9 -5.96 Figura 5 Mola “T” posicionada sobre o template após as tentativas de ativação.Martins RP.6 1428. pode-se avaliar os movimentos que essa mola induz aos dentes em função de sua desativação.6 -9. diferencial de M/F e variacão de força por 0. com seu formato estabilizado e pronta para ser instalada.7 -6. Fazendo isso.8 1551.025” de β-Ti e pré-ativada com 100% de intensidade.9 Fh gf 0. Portanto. pois a mola gera proporções M/F próximas de 10/1mm e.0 7. ativação. pré-ativada de acordo com a Figura 5 (100% de pré-ativação)7.56 55. 2011 ago-set. pois a inclinação inicial a que os segmentos são induzidos nos primeiros milímetros de desativação faz com que o nível dos momentos aumente19 e.3 -14. isso pode ser realizado aumentando-se a força horizontal sem alterar os momentos gerados pela mola.1 0. com proporções M/F ao redor de 12/1mm (Tab. automaticamente a alça da mola “T” fica deslocada para distal. não se pode simplesmente reativá-la para distal e dobrar sua extremidade.4 Mß gf. a 6mm de ativação.5 6. os segmentos começam a ter suas inclinações radiculares corrigidas.32 53.3 5. (Fig. ela deve ser reativada igualmente para posterior e anterior.5 1325.6 118.0 37.7 1622.7 8. ao se reativar uma mola “T” simétrica centralizada.56 56.2 9.7 -0.5mm de desativação. Por meio de pesquisas. ao se reativar uma mola “T” simétrica centralizada. onde B/L = 0. Pode-se ver na Tabela 17 os dados obtidos na desativação da mola “T” simétrica e centralizada.

colocada em posição neutra e a tentativa de ativação ser refeita quantas vezes for necessário. deve-se ter acesso aos seus dados mecânicos. Figura 7 A distância interbraquetes (DIB) é mensurada do tubo auxiliar do molar até o tubo cruzado. sempre que se utiliza um template. é necessário saber qual mola “T” será utilizada: dependendo das dimensões. e entre a alça e o tubo cruzado (criss-cross) ou o braquete de Burstone. 8). Para o fechamento de espaços no grupo B. Com essas variáveis definidas. a pré-ativação convencional de 100% (23mm de raio) é utilizada (Fig. Pré-ativando uma mola “T” simétrica centralizada Em primeiro lugar. as quantidades de fio antes e depois da alça são iguais e são definidas a partir da seguinte formula: B = L /2 Uma vez determinadas as distâncias que serão utilizadas. do calibre do fio e da liga. 5). Normalmente. ainda. 2) Para eliminar o cruzamento das hastes verticais na posição neutra (formato que a mola adquire quando suas hastes horizontais são colocadas paralelas às posições que elas assumirão quando a mola for encaixada nos acessórios. ela deve ser reajustada. Uma vez determinada qual pré-ativação será utilizada e qual é a sua ativação inicial. que contém as M/F desenvolvidas pela mola. ou até o tubo do braquete de Burstone. procede-se da seguinte forma: 1) Com um alicate de Marcotte. somente momentos6). 76 Rev Clín Ortod Dental Press. Após esses passos. deve-se utilizar um alicate de Marcotte para abrir as orelhas internas da mola simetricamente (Fig. deve-se determinar a intensidade da pré-ativação em função da M/F. é utilizado o gráfico proposto por Burstone et al. até que ela finalmente se encaixe sobre o template. de modo a ficar passiva. em função da ativação e da pré-ativação. 4) Checar se a mola se encaixa sobre o template após a tentativa de ativação (Fig. precisa-se medir a DIB do paciente (Fig.ARTIGO INéDITO Aplicação clínica da mola “T” do grupo B para retração dos dentes anteriores Figura 6 Após 3-4mm de fechamento de espaço. 3) Realizar a tentativa de ativação (puxar as extremidades da mola até a sua ativação prevista). a ativação horizontal utilizada é convencionada em 5mm. 7) e definir a quantidade de fio entre o tubo do primeiro molar e a alça. após a tentativa de ativação. Isso é necessário para o posicionamento centralizado da mola. estará pronta para ser pré-ativada. a mola deve ser ajustada na boca do paciente. Se isso não ocorrer. até que as hastes verticais se mantenham paralelas quando a mola é colocada em posição neutra. 10). por curvaturas7. É muito importante observar que. Entretanto. a partir daí. Elásticos em cadeia podem ser uma boa ideia para se aumentar a força sem alterar os momentos gerados pela mola. 9).7.15 ou. 2011 ago-set. uma ativação horizontal de 6mm é utilizada para a mola pré-ativada por curvatura. o dispositivo ortodôntico precisa se mostrar semelhante ao mesmo. Pré-ativação por curvatura Uma vez definida a ativação desejada. conformar as hastes horizontais da mola sobre a circunferência definida (no exemplo. sem a presença de estresses residuais. 1) e. então. assim. De forma a evitar que o passo 4 seja refeito várias vezes. Obviamente. pode-se sobrefazer as curvaturas e ajustes necessários. visto que a alteração de um desses parâmetros tem efeitos difíceis de serem estipulados de maneira empírica. definir-se qual será a intensidade da pré-ativação utilizada. A pré-ativação simétrica das molas “T” do grupo B pode ser realizada por meio de dobras concentradas14. é necessário que se aumente a força horizontal da mola. Para isso. de 23mm). deve-se fazer uma marcação (utilizar marcador permanente) em β e confeccionar um stop de 90º em sentido oclusal em α na distância calculada (Fig. se for necessário. e. a mola pode se encontrar mais próxima ao formato do template. mas sem que nenhuma força seja gerada pela mesma. antes de utilizar uma mola “T” pré-calibrada.10(4):72-80 . Na mola “T” centralizada. as molas podem gerar diversos sistemas de força. pode-se determinar a ativação da mola em função da força horizontal desejada (Tab. Na pré-ativação por dobras concentradas.

pode-se medir a quantidade de fio das hastes horizontais posterior e anterior à mola “T”. de forma a não superestimar os stops e. Ribeiro AA.0mm) 75% (30. a retração parcial pode ser indicada num momento anterior à retração dos incisivos20.5mm) 100% (23. MANIPULAÇÃO DOS EFEITOS NA RETRAÇÃO DE CANINOS Existem determinadas situações onde alguns dentes podem ou precisam ser movimentados individualmente de forma parcial ou total.7mm) 50% (46. Um seria a possível perda de ancoragem desnecessária. O nível de força sugerido para a inclinação controlada dos caninos é de 120-160gf e. como nos casos de uma má oclusão de Classe II subdivisão onde há um grande apinhamento entre o canino e o incisivo lateral. gerando um grande estresse aos ápices radiculares. Em ambas as situações. secundariamente.5mm. a posição dos caninos e a falta de espaços podem fazer com que os incisivos sejam vestibularizados durante a fase de nivelamento e alinhamento. de modo a compensar a posição neutra. o stop anterior deve ser somente demarcado). Em casos específicos onde há uma significativa discrepância de comprimento da arcada e inclinação mesial dos caninos. se o braquete de Burstone for utilizado. uma força horizontal menor do que a utilizada para translação deve ser utilizada. Quando a retração de caninos for necessária. a ativação utilizada para retração em massa não deve ser a mesma para a retração dos caninos.0mm) Figura 9 As intensidades de pré-ativação em função de um raio de circunferência. No grupo A. a régua mede 8. Há também situações onde a retração total dos caninos pode ser necessária. portanto. é necessário que ela tenha uma Rev Clín Ortod Dental Press.21. o nível da força horizontal aplicada e o controle da rotação dos caninos. onde o canino está muito vestibularizado e o tratamento é executado com a extração unilateral de um primeiro pré-molar superior. A mensuração deve ser feita a partir da união das hastes verticais. que gera uma força de 160gf (Tab. deve-se utilizar uma mecânica do grupo B ou A. e os caninos se encaixam nessa categoria. uma mola “T” pré-ativada simetricamente e deslocada para posterior (B/L = 0. Quando isso não é feito. do posicionamento axial do canino. Raio (mm) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 125% (18.10(4):72-80 77 . dependendo primariamente do nível de ancoragem necessária e. já que na vestibularização com fios de nivelamento a inclinação é descontrolada. 2011 ago-set. O outro problema seria a movimentação desnecessária imposta aos incisivos. o que pode ser um fator predisponente a uma maior reabsorção radicular. consequentemente. dois pontos devem ser levados em consideração. gerando dois problemas. B) Mola “T” com os stops em α e em β demarcados (um tubo vertical será usado em α.5mm para ambas as extremidades. Caldas SGFR. Sendo assim. Martins LP A B Figura 8 A) Com uma régua. subestimar a ativação — aqui. 2).0mm) 25% (92.75) pode ser utilizada com uma ativação horizontal de 2. Figura 10 Abertura simétrica das orelhas internas da mola “T”. Entretanto.Martins RP. já que os incisivos vestibularizados teriam que ser retraídos por uma distância maior. já que estresses mais alto podem favorecer a perda de ancoragem7. Martins IP.

017” X 0. Outra estratégia seria a utilização de um fio 0.5 10. proporção M/F produzida em α e em β. Se uma lingualização do canino for desejada. Van Steenbergen.0 3.9 4.3 F/∆ gf/mm 62.5 4. dobras de antirrotação são necessárias.mm 1103.5 59. momento produzido em α e em β.mm de momento dada uma mesma ativação.3 61.9 (MαMß)/Fh gf -0. a antirrotação deve ser colocada próxima ao segmento β. a mola “T” foi reativada (Fig 13A.2 58.5mm de desativação.5 6.0 3. já que os momentos produzidos por uma pré-ativação “standard” (100%) seriam excessivamente altos quando a mola é pouco ativada. Após parte dos espaços ser fechada.3 1305.6 128. uma mola “T” centralizada e pré-ativada por curvatura foi instalada para a retração em massa dos 6 dentes anteriores (Fig.1 -3. ∆ mm 0.8 67.0 1859.016” X 0.0 4.1 -70.6 2220.0 97. a dobra de antirrotação também estará.1 12.7 -59. que estavam perdidos devido à reabsorção externa.022” de β-Ti para a confecção da mesma mola “T” utilizada para a retração em massa. suas posições axiais devem ser avaliadas e. 1995).016” X 0.025”. A utilização dos braquetes de Burstone nos caninos possibilita a reativação da mola de forma igual em α e em β.8 1979.4 -36.3 -29. vestibularizando ou lingualizando os caninos. Hanley7.0 35.10(4):72-80 .2 -3. Os efeitos dessas compensações podem ser avaliados previamente à instalação da mola.9 279.0 0.9mm.7 6.025” de β-Ti e pré-ativada com 100% de intensidade.0 5. D).025” (slot 0. a correção radicular do canino pode ser realizada da mesma forma que a correção radicular em massa.1 -3. força horizontal e vertical. de forma simétrica e por curvatura. A força horizontal gerada será em torno de 30% mais baixa7. é importante que se faça uma compensação no segmento oposto2 para que não ocorram forças laterais.ARTIGO INéDITO Aplicação clínica da mola “T” do grupo B para retração dos dentes anteriores menor intensidade de pré-ativação (75%).1 -3.0 8.1 1243.0 -3.5 1276. O segundo efeito a ser discutido é a rotação dos caninos.3 1366. Por fim. o arco lingual foi removido e um fio de aço 0.3 18. As colunas determinam. ao invés de 100%. Mas como nas situações em que a mola “T” é utilizada no grupo A ela está deslocada para posterior (pré-ativação simétrica) ou para anterior (pré-ativação assimétrica).5 -65.0 5. onde B/L = 0.7 -3.3 4. o que não deixa de ser uma pré-ativação em outro plano espacial. Após a retração dos caninos.6 CASO CLÍNICO DE RETRAÇÃO EM MASSA NO GRUPO B As Figuras 12A e 12B mostram uma paciente que teve seus primeiros pré-molares inferiores extraídos.9 20. Após o nivelamento e alinhamento com fios contínuos.5 7.2 61. Uma pré-ativação de 75%.5 1214.75. 2011 ago-set.8 9.3 249.6 60.1 -2.017” X 0. Elas são realizadas através da torção das hastes verticais da mola. de forma a fazer com que os binários sejam equivalentes.8 341.9 2457.7 Mß/ Fh mm 33. parte da antirrotação deve ser removida e uma curvatura deve ser aplicada próxima a α.8 1217.5 1191. dada uma mesma ativação horizontal e pré-ativação.5 3. e ambos os segmentos foram unidos por um arco lingual passivo de fio de aço 0. Após o fechamento dos espaços com um excelente controle das inclinações axiais do segmento.2 6. e precisa ser ajustada. se a distância intercaninos deve aumentar. gera aproximadamente uma diminuição de 300gf.2 -42.0 -54. (Fonte: Burstone.025”.018”).017” X 0.8 2570. caso haja necessidade.5 1734.8 6.mm 1103.1 -14. diferencial de M/F e variacão de força por 0.0 Mα/ Fh mm 33.9 Fv gf 0. junto a dois incisivos centrais superiores.0 -6. ela gera um momento que rotaciona o canino (mesial para vestibular e distal para lingual).0 7. 13C. Para contrabalancear esse efeito.9 61. sem alterar a M/F. mensurado numa DIB=23mm.5 2.0 1. Com os dentes anteriores também consolidados em um segmento de fio de aço 0. Conforme o espaço é fechado.2 1331. sem a necessidade da remoção da mola.022” foi utilizado para corrigir quaisquer irregularidades que existissem entre os segmentos (Fig.3 189.4 61. a força horizontal diminui em torno de 60gf por milímetro.1 -3.0 1345.4 8. D).6 7. a antirrotação deve ser maior anteriormente.1 -74.7 2102.0 309.6 1203. respectivamente. B).1 -3.6 219. de uma mola “T” de dimensões 7mm (H) por 10mm (G) construída de fio 0.4 61. 11).4 Fh gf 0. Se o efeito desejado for manter o canino vestibulolingualmente onde se encontra.6 -2. 12C.0 2.6 62. observando-a em sua posição neutra por uma vista oclusal. os dentes posteriores foram unidos por um fio de aço 0.0 12.1 15. Portanto.5 5.017” X 0.9 9.8 2339. elásticos em cadeia adicionados por cima da mola podem ser uma boa opção (Fig. 6). parcial ou total.3 -22.7 1227.5 159.5 1. Tabela 2 Sistema de forças médio. ativação.4 1607.0 Mα gf.1 -3.1 1476.4 1361.6 61.13 do que a da mola produzida com um fio de calibre 0.4 4.5 9.1 371.9 -49. 78 Rev Clín Ortod Dental Press. de forma que elas fiquem com mais ou menos 120º de ativação7 (Fig.0 1357. Como a força de retração é aplicada lateralmente ao CRes dos mesmos.5 Mß gf.7 1367.

Martins LP A B Figura 11 A) Antirrotação aplicada através da torção das hastes verticais da mola. Martins IP. Ribeiro AA. A B C D Figura 13 A. B) Mola “T” pré-ativada por dobras e com antirrotação adicionada. B) Fotos laterais após dois meses de retração. C. B) Paciente do sexo feminino. é nivelada e alinhada com fios contínuos e possui algumas adaptações nas colagens para compensar a extração dos centrais e a posterior transformação de laterais em centrais. D) Fechamento de espaços concluído e arco contínuo utilizado para a consolidação da arcada inferior. D) Segmentos inferiores consolidados com fios rígidos.10(4):72-80 79 .Martins RP. C. 2011 ago-set. caninos em laterais e pré-molares em caninos. arco lingual passivo e mola “T” instalada. A B C D Figura 12 A. previamente à colagem dos braquetes. quando as molas são reativadas. A arcada superior. enquanto isso. Rev Clín Ortod Dental Press. Caldas SGFR.

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