Entre Margens, 10.

° ano | Caderno do Professor

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FICHA DE AVALIAÇÃO 6
Lê atentamente o texto que se segue e responde às questões formuladas.

O cavalo da noite
Apareceu de madrugada e ninguém sabia de onde vinha. Era um cavalo tão preto, tão preto que parecia azul, da cor das noites profundas. Tinha corrido sem destino pelas planícies do Alentejo. Quando avistou a brancura do nosso “monte”, parou. Veio depois bater com a pata à porta grande da cozinha. Fui eu que o ouvi primeiro e pus-me em bicos de pés para lhe abrir a porta. Ele viu que eu era pequeno, relinchou, aproximou de mim o focinho e lambeu-me a testa e os cabelos. Tinha nos olhos muito pretos uma água de amizade. Pedi que lhe dessem uma ração de aveia e o metessem na cavalariça. Como estava tão suado de galopar, enxugaram-lhe o corpo com uma manta e não tardou a deitar-se na palha para dormir. Os meus pais mandaram saber de quem seria o cavalo, mas dez léguas à volta do nosso “monte” ninguém o conhecia, de modo que o belo animal ficou a ser meu hóspede, à espera de que pudesse montá-lo. Tentavam aproveitá-lo para outros trabalhos e mandados, mas nem a sela ele deixava que lhe pusessem, a não ser com vários homens a agarrá-lo. Quando fiz sete anos, já então andava de burro, teimei com os meus pais para montá-lo. E o cavalo, que derrubava qualquer um, aceitou-me em cima do selim, deixou-me calmamente enfiar os pés nos estribos, pegar nas rédeas, e começou a andar a passo; depois, num galope muito suave, deu duas voltas ao “monte”, mostrando a todos que eu não corria o menor perigo na sua companhia. Assim nos tornámos amigos e aprendi a levá-lo pela rédea, ao lado do meu pai, até à ribeira, à hora em que o sol se deita nos pastos e a água fresca da rega corre pelas leiras da terra lavrada. Já lhe chamávamos todos o Cavalo da Noite, mas o meu pai batizou-o com o nome de Pégaso, que era um cavalo da Grécia antiga que voava sobre os montes à beira do mar. E ele realmente quase voava quando disparava a correr sozinho, de boca aberta, bebendo o vento. Ensinaram-me depois a fazer-lhe festas, a escovar-lhe o pelo até onde conseguia chegar e a dar-lhe torrões de açúcar. Principiei a falar com ele: – Pégaso, de onde vieste? Aqui ninguém te conhece. Percebes o que eu te digo? Gostas de mim? O cavalo acenava que sim com a cabeça, dava-me turras e lambia-me o cabelo e as orelhas, com a sua língua áspera. (…) Um dia, assim como tinha chegado, desapareceu de noite, libertando-se misteriosamente da cavalariça fechada à chave, onde os outros cavalos e muares1 permaneceram quietos até o feitor ir levar-lhes a ração da manhã. Passaram invernos e estios, muita coisa aconteceu, o meu pai foi promovido e já pensávamos até em ir habitar na capital, houve searas perdidas e outra seca grande,

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O teu texto deverá ter entre cem e cento e trinta palavras. personagem da história. A comunicação não se estabelece apenas com recurso à linguagem verbal.1. enxugaram-lhe o corpo com uma manta…” (ll. 4. 6. impotente para mudar o clima e as horríveis diferenças que havia entre pobres e ricos.° ano | Caderno do Professor 76 FICHA DE AVALIAÇÃO 6 que deixou muita gente à fome. 3.Entre Margens. simultaneamente. (ll. Caracteriza-o. substitui a conjunção assinalada por outra conjunção/locução com o mesmo valor. justificando os tempo(s) e modo(s) em que se encontram. Na frase “Como estava tão suado de galopar. “Tinha corrido sem destino pelas planícies do Alentejo. Dom Quixote. e também eu sofri com isso. os termos anafóricos utilizados para evitar a repetição do nome “cavalo”. 3. muar: híbrido de burro e égua ou de cavalo e burra. deve ser narrativo com recurso à descrição e ao diálogo e os verbos devem estar predominantemente no pretérito perfeito e no pretérito imperfeito do indicativo. (…) Urbano Tavares Rodrigues. I 1. 7.1. 3. dormi pouco a pensar nas prendas que me dariam e nas que eu desejava.. no quinto parágrafo. Transcreve a metáfora que. Explicita a relação que se estabelece entre o narrador e Pégaso. 910). em discurso indireto.1.” (ll. 2. 3. no terceiro parágrafo. com um exemplo do texto. Faz o levantamento das expressões temporais que mostram a progressão do tempo da história. 32-33) 140 Pontos 10 Pontos 15 Pontos 10 Pontos 15 Pontos 15 Pontos 10 Pontos 10 Pontos 15 Pontos 15 Pontos 10 Pontos 15 Pontos II Imagina um final para o conto que leste.4. 5. O narrador deste conto é. 3-4) 5. indicia a afinidade que se vai estabelecer entre o cavalo e o rapaz. 1.2. 3. 10. Classifica-o quanto à presença. a veracidade da afirmação de 4. Prova. 8. Encontra. Reescreve. Quando avistou a brancura do nosso „monte‟. 2008 (texto com supressões) 1. Faz o levantamento das formas verbais presentes no excerto. Localiza a ação no espaço.3.a ed. parou. 60 Pontos TOTAL: 200 Pontos . Na véspera dos meus treze anos. in A Última Colina. a única fala do rapaz. 4.

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