ANTICANCRO

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do nosso corpo. Por outro lado, alimentam directamente o desen volvimento do cancro.

SEGUNDA PARTE

O cancro alimenta-se de açúcar O consumo de açúcar refinado subiu em flecha. Enquanto os nossos genes se desenvolveram num meio em que uma pessoa consumia, no máximo, 2 kg de mel por ano, o consumo humano de açúcar aumentou para 5 kg por ano em 1830, e para uns chocantes 70 kg por ano em finais do século xx.

VOLTAR À ALIMENTAÇÃO DE OUTRORA Os nossos genes ainda apresentam as marcas de desenvolvi mento de há várias centenas de milhares de anos, quando éramos caçadores-recolectores. Com o passar do tempo, foram-se adap tando ao ambiente dos nossos antepassados e, particularmente, às suas fontes de alimento, sem mudarem muito desde então.~’71 Actualmente, o nosso corpo ainda espera uma alimentação seme lhante à que fazíamos quando comíamos caça e produtos do meio que nos rodeava. Essa alimentação consistia em muitos vegetais e fruta, e, ocasionalmente, carne ou ovos de animais selvagens. Pro porcionava um equilíbrio entre os ácidos gordos essenciais (ómega 6 e ómega 3), muito poucos açúcares e nada de farinhas. (A única fonte de açúcar refinado para os nossos antepassados era o mel. Não comiam cereais.) Hoje em dia, as sondagens ocidentais sobre nutrição revelam que 56% das calorias que ingerimos provêm de três fontes que não existiam aquando do desenvolvimento dos nossos genes:~’81

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2000

açúcares refinados (açúcar de cana e beterraba, xarope de milho, frutose, etc.) farinha refinada (pão branco, massas brancas, arroz branco) óleos vegetais (feijão de soja, girassol, milho e gorduras trans)

Figura 12 — Alterações no consumo de açúcar refinado por pessoa: 2 kg por ano durante o Paleolítico (quando os nossos genes se desenvolveram); 5 kg por ano em 1830; 70 kg por ano em 2004.1181

Estas três fontes não contêm quaisquer minerais, proteínas,
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O biólogo alemão Otto Heinrich Warburg recebeu o Prémio Nobel da Medicina pela sua descoberta de que o metabolismo dos tumores malignos estava, em grande medida, dependente do consumo de glucose. (A glucose é a forma de açúcar digerido no organismo.) Aliás, a PET (tomografia por emissão de positrões)
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áreas do corpo que consomem mais glucose. Se uma área em parti cular se destacar por consumir demasiado açúcar, é muito provável que a causa seja o cancro. Quando ingerimos açúcar ou farinha refinada alimentos com elevado «índice glicémico» os níveis de glucose no san gue sobem rapidamente. O organismo liberta de imediato uma dose de insulina para permitir que a glucose entre nas células. A secreção de insulina é acompanhada pela libertação de uma outra molécula chamada IGF (ou somatomedina e), cujo papel consiste em estimular o desenvolvimento das células. Em suma, o açúcar alimenta os tecidos e fá-los crescer mais depressa. Além disso, a insulina e a IGF têm outro efeito em comum: promovem os factores inflamatórios, que, como vimos no capítulo 4, também estimulam o desenvolvimento das células e funcionam, por sua vez, como fertifizantes para os tumores. Hoje, sabemos que os picos de insulina e secreção de IGF estimulam directamente não só o desenvolvimento das células can cerosast193 como também a sua capacidade de invadir os tecidos cir cundantesi201 Além disso, injectando células de cancro da mama em ratos, os investigadores demonstraram que elas são menos sensíveis à quimioterapia quando o organismo do rato é estimulado pela pre sença de açúcarJ21~ Os investigadores conclufram que é necessário uma nova ordem de medicamentos para combater o cancro subs tâncias que baixem os picos de insulina e IGF no sangue. Sem esperar por essas novas moléculas, todos nós podemos cortar na quantidade de açúcar e farinha refinados que consumi mos no dia-a-dia. Está provado que a simples redução desses dois factores alimentares tem um rápido efeito nos níveis de insulina e IGF no sangue. Essa redução tem efeitos secundários, como uma pele mais saudável. A relação entre os níveis de açúcar no sangue e as inflama ções pode parecer forçada. Como poderiam um rebuçado, uma
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com doce afectar-nos fisiologicamente? No entanto, essa relação torna-se óbvia quando falamos de borbulhas. O Dr. Loren Cordain é especialista em Nutrição na Universidade do Cobrado. Quando lhe disseram que certos grupos da população com um estilo de vida muito diferente do nosso não tinham acne (provocada por uma inflamação da epiderme, entre outros mecanis mos), quis descobrir como isso podia acontecer. A afirmação parecia ridícula. A acne é um rito de passagem que afecta 80 a 95% dos adolescentes ocidentais. Para investigar, Cordain acompanhou uma equipa de dermatologistas na análise da pele de 1200 adolescentes isolados do resto do mundo, nas ilhas Kitavan, da Nova Guiné, e de 130 índios Ache, do Paraguai. Em ambos os grupos, não encontra ram quaisquer vestígios de acne. No seu artigo Archives of Derma tology, os investigadores atribufram a sua fantástica descoberta à alimentação dos adolescentes. Os regimes alimentares desses grupos contemporâneos isolados assemelha-se aos dos nossos antepassados distantes: nada de açúcar ou farinha refinados, logo, nada de picos de insulina ou IGF no sangueJ223 Na Austrália, os investigadores convenceram adolescentes oci dentais a experimentar um regime que restringia o consumo de açúcar e farinha refinada durante três meses. Em poucas semanas, os seus níveis de insulina e IGF diminuíram. Bem como a sua acne. [23, 243 Na segunda metade do século xx, um novo ingrediente enrai zou-se e alastrou qual erva daninha na alimentação ocidental: um xarope rico em frutose extraído do milho (uma mistura de frutose e glucose). O nosso organismo já tinha dificuldade em tolerar o açúcar refinado que consumíamos. Agora, não sabia como lidar com esse xarope de açúcar omnipresente nos alimentos processados. Este concentrado é um pouco o que o ópio é para as papoilas. Retirado da sua matriz natural (porque há frutose em todos os frutos) e mis turado com glucose, deixa de poder ser tratado pela insulina que
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danos colaterais. Torna-se tóxico.

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Minutos após o pequeno-almoço Figura 13 — O aumento de insulina (que estimula o desenvolvimento e alastramento das células cancerosas) em pessoas que consomem alimentos com um elevado índice glicémioo (linha contínua) ou com um baixo índice glicémico (linha tracejada).”5’

Há boas razões para crer que o aumento do consumo de açúcar contribui para a epidemia do cancro, já que está associado a uma explosão de insulina e IGF no nosso organismo. Foram utilizados ratos inoculados com células de cancro da mama, para comparar o efeito no desenvolvimento dos tumores de diferentes alimen tos com diversos níveis de açúcar no sangue. Após dois meses e meio, dois terços (16) dos 24 ratos cujo nível glicémico tinha picos frequentes haviam morrido, por oposição a apenas um dos 20 ao qual foi dada uma alimentação com baixo índice glicémico.[26) É claro que esta experiência nunca poderia ser realizada em seres humanos. Mas um estudo que compara a população asiática e a ocidental sugere o mesmo. Aqueles que fazem uma alimentação asiática, baixa em açúcar, tendem a ter cinco a dez vezes menos cancros de origem hormonal do que aqueles cuja alimentação é rica em açúcar e produtos refinados, como é típico da maior parte
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Além disso, é sabido que os diabéticos (doença caracterizada pelos elevados níveis glicémicos) correm um risco acima da média de vir a ter um cancro.[28] Num estudo americano-canadiano, a Dra. Susan Hankinson, da Faculdade de Medicina de Harvard, demonstrou que, num grupo de mulheres com menos de 50 anos, aquelas com um nível mais elevado de IGF tinham sete vezes mais probabilidade de desenvolver cancro da mama do que as que tinham um nível mais baixo)291 Outra equipa, constituída por investigadores de Harvard e da Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos EUA, e de McGffl, no Canadá, demonstrou o mesmo fenómeno em relação ao cancro da próstata. No grupo de homens estudado, o risco era até nove vezes maior para aqueles com níveis mais elevados de IGE~30 31] Estudos posteriores demonstraram que um elevado nível glicémico também está associado aos cancros do pâncreas, do cólon e dos ovários.t32-351 Toda a literatura científica aponta na mesma direcção: quem quiser proteger-se do cancro deve reduzir drasticamente o con sumo de açúcar processado e farinhas refinadas. Isto significa habituarmo-nos a beber café sem açúcar. (É mais fácil abdicar do açúcar no chá.) Significa ainda comer apenas duas ou três sobre mesas por semana. (Não há limites para o consumo de fruta, desde que não se lhe adicione açúcar ou xaropes.) Outra alternativa é usar substitutos naturais do açúcar que não provoquem um aumento da glucose ou da insulina no sangue (ver Quadro 4). Consumir pão de vários cereais (uma farinha misturada com flocos de aveia, centeio, sementes de linhaça, etc.) é também essen cial para reduzir a assimilação dos açúcares provenientes do trigo. Podemos também optar por pão feito com fermento tradicional («massa azeda»), em vez do mais comum fermento de padeiro, que faz subir muito mais os níveis de açúcar no sangue. Pela mesma razão, deve evitar-se o arroz branco e substitui-lo por arroz integral ou basmati, com índices glicémicos mais baixos. Acima de tudo,
é muito melhot como veremos no nn{tulo sobre ~1imentns n~r~

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combater o cancro, comer legumes e leguminosas (feijão, ervilhas, lentilhas). Não só o seu índice glicémico é muito mais baixo, como os seus poderosos fitoquímicos combatem o desenvolvimento do cancro a olhos vistos.

Elevado Índice Glicémico (evitar) Açúcar: branco ou amarelo; mel; xaropes: ácer; frutose, dextrose

Baixo Índice Glicémico (consumir à vontade) Extractos de açúcar naturais: néctar de agave, stevia (uma planta do Pacífico), xilitol, glicínia, chocolate preto (>70%) Mistura de cereais integrais: pão de mistura (não apenas trigo) ou pão tradicional (‘massa azeda»); arroz: integral, basmati ou tailandês; massas cozinhadas ai dente (de preferência de mistura), quinoa, flocos de aveia, milho painço, trigo-mourisco Lentilhas, ervilhas, feijão, batata-doce, inhame

Néctar de agave A equipa da Universidade de Sidney que criou o conceito de «índice glicémico» sugeriu recentemente um substituto natural para o açúcar branco, com um índice glicémico muito baixo: o néctar de agave. Extracto da seiva desse cacto (utilizado para fazer tequila), tem um sabor delicioso semelhante ao de um mel ligeiro. É três vezes mais doce que o açúcar branco, mas o seu índice glicémico é quatro a cinco vezes mais baixo que o do mel. Pode ser utilizado para adoçar chá, café, fruta e sobremesas, em vez do açúcar ou dos xaropes habituais. Farinhas brancas/refinadas: pão branco, arroz branco, massas brancas bem passadas, bolinhos, croissants, galetes de arroz

É essencial evitar doces e guloseimas entre as refeições.
Quando comemos bolachas (ou açúcar) entre as refeições, não há nada que bloqueie o aumento de insulina. Só a sua combinação com outros alimentos sobretudo fibras de legumes e fruta, ou gorduras boas, como azeite ou manteiga biológica reduz a assi milação de açúcar e os picos de insulina. Da mesma forma, certos alimentos, como a cebola, o alho, o mirtio, a cereja e a framboesa, reduzem o aumento dos níveis de açúcar no sangue.
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Batatas (excepto a rara variedade Nicola), sobretudo em puré Flocos de milho, arroz tufado (e a maior parte dos outros cereais de pequeno-almoço branqueados ou adoçados) Doces e geleias, fruta cozinhada em açúcar, fruta em xarope
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Papas de aveia, müesli, AlI Bran, Especial K

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uma alimentação baseada em alimentos de baixo índice glicémico não só reduz as probabilidades de progressão de um cancro, como foi provado por uma equipa de investigação do Hospital Hotel-Dieu, em
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Fruta no seu estado natural: sobretudo mirtilos, cerejas e framboesas, que ajudam a regular os níveis de açúcar no sangue (se necessário, utilizar néctar de agave para adoçar)

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Elevado Índice Glicémico (evitar) Bebidas adoçadas: sumos de fruta industriais, refrigerantes

Baixo Índice Glicémico (consumir à vontade) Água aromatizada com limão, tomilho ou salva Chá verde (sem açúcar, ou com néctar de agave), que combate directamente o cancro Um copo de vinho tinto por dia, à refeição Alho, cebolas, chalotas: quando misturados com outros alimentos, ajudam a baixar os picos de insulina

Álcool (excepto às refeições)

Quadro 4 — seleccione os alimentos de acordo com o seu índice glicémioo. (Em www.LaNutrition.fr137’ e página Internet da equipa de investigação da Universidade de Sidney, www.glycemiclndex.com)

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A cadeia alimentar em perigo Toda a gente tem uma amiga com peso a mais. Desde a infância que sempre foi gordinha. Apesar das múltiplas dietas e do exercício físico regular, a sua figura nunca foi «normal». Preocupa-se com as ancas largas que teimam em não emagrecer. Mesmo quando con segue seguir a dieta, não perde muito peso. E volta a recuperá-lo assim que deixa de fazê-la. No entanto, tem o cuidado de evitar a manteiga (há 20 anos que só come margarina). Pode até usar óleos polinsaturados de girassol ou canola «equilibrados» e frequentemente recomendados neles nutricionistas.

Um dos grandes mistérios da epidemiologia moderna, além do cancro, é a epidemia da obesidade. Depois do tabaco, a obesi dade é o segundo factor de risco mais elevado para o cancro. O elo entre a obesidade e o cancro só recentemente se tornou claro. Só agora começamos a compreender que têm uma origem comum. Olhemos, primeiro, para o mistério da obesidade. Entre 1976 e 2000, os Americanos baixaram consideravelmente o seu consumo de gorduras (11%) e até a sua ingestão total de calo rias (4%). Ainda assim, a obesidade continuou a aumentar assus tadoramente. Subiu 31% no mesmo períodoJ38~ O chefe do maior departamento de epidemiologia da nutrição, o Dt Walter Willett, de Harvard, resumiu a situação no seu sonoro artigo «As gorduras alimentares têm um papel preponderante na obesidade: NÃO».~39~ Aliás, o fenómeno do aumento da obesidade a par de uma diminui ção do consumo de gorduras, conhecido como «o paradoxo ameri cano», afecta agora toda a Europa e ainda mais Israel.~40~ Uma equipa de investigadores franceses foi a primeira a resol ver o mistério do paradoxo americano. Gerard Ailhaud, já com mais de 60 anos, com algum peso a mais e o olhar a brilhar de inteligência e curiosidade, partiu de uma observação simples; enquanto toda a gente culpava a comida de plástico e a falta de exercício fisico pela epidemia da obesidade, ele expôs uma falha no argumento. Nos Estados Unidos, a massa de tecido gordo nas crianças com menos de um ano duplicou entre 1970 e 1990... Num livro fascinante que conta a história das suas descobertas, Pierre Weill, bioquímico e agricultor, e um colega de investigação, recor dam uma frase do seu amigo Ailhaud: «Entre os seis e os onze meses de vida, não podemos culpar o McDonald’s, as guloseimas, ,a televisão e a falta de exercício físico!»~40~ Não, os bebés não comem demasiado. Continuam a receber a mesma quantidade deleite, seja da mãe ou em pó. Gerard Ailhaud e o seu colega Philippe Guesnet demonstraram que a alteração da constituição do leite desde 1950 é a responsável pela obesidade

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Legumes verdes, linhaça Óleo de linhaça, óleo de noz Peixe, carne, produtos lácteos e ovos biológicos
óleos vegetais (milho, girassol, etc.) Óleos hidrogenados carne, produtos lácteos, ovos não-biológicos

os ovos de galinhas criadas a milho (uma prática quase univer sal hoje em dia) contêm 20 vezes mais ómega 6 do que ómega 3. Os ovos da quinta grega onde foi criada, mantêm um equilíbrio de praticamente 1/1. [46]

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Figura 16 — Alterações na taxa de ómega 6/ómega 3 na cadeia alimentar entre 1960 e 2OOOl4Z46~ Figura 15 — O desequilíbrio entre os ácidos gordos ómega 3 e ómega 6 na nossa alimentação aumenta as inflamações, a coagulação e o desenvolvimento de células adiposas e cancerosas

As vacas não foram os únicos animais de quinta afectados por esta mudança. A alimentação das galinhas também mudou radicalmente. Os ovos sinónimo de alimento natural já não contêm os mesmos ácidos gordos essenciais que continham há 50 anos. A Dra. Artemis Simopoulos é unia importante nutricio nista americana que dirigiu o departamento de investigação da nutrição do Instituto Nacional de Saúde. Num estudo invulgar
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Além de a sua alimentação ter sido radicalmente alterada, os animais de quinta são, por vezes, tratados com hormonas como o estradiol e o zeranol para engordarem ainda mais depressa. [*] Estas hormonas alojam-se nos tecidos gordos e são expelidas no leite. Recentemente, introduziu-se uma nova hormona na criação pecuária, para estimular a produção de leite: a rBGH (hormona de crescimento bovina recombinante ou somatotropina bovina). A hormona actua nas glândulas mamárias da vaca, e pode aumen tar significativamente a produção de leite. Comum nos Estados
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generalizado, até há pouco tempo, a todo o tipo de hormonas para acelerar o crescimento dos animais de quinta.» Em todos os países há, claramente, uma relação directa entre a taxa de cancro e o consumo de carne, carnes frias e lacticínios. Pelo contrário, quanto mais rico for o tipo de alimentação de um país em legumes e leguminosas (ervilhas, feijão, lentilhas), mais baixa é a taxa de cancro.
Cancro da Mama (1/100 000)

Embora os estudos em animais e as sondagens epidemioló gicas em seres humanos não constituam prova, fornecem fortes indícios. Sugerem que, perturbando o equilíbrio da nossa ali mentação, criámos as condições ideais para o desenvolvimento do cancro. Se aceitarmos que o seu crescimento é estimulado, em grande medida, pelas toxinas do nosso meio, para combater o can cro temos de começar por desintoxicar o que comemos. Perante tantos indícios nesse sentido, aqui ficam algumas reco mendações simples para abrandar o desenvolvimento do cancro: 1. Consumir açúcar e farinhas refinadas com moderação; substitui-los por néctar de agave (ou outro) para adoçar, farinha de mistura para as massas e pão, ou pão feito com fermento tradicional (massa azeda). 2. Evitar todas as gorduras vegetais hidrogenadas gorduras trans (também em croissants e folhados feitos sem man teiga) e todas as gorduras animais carregadas de ómega 6. O azeite é uma excelente gordura vegetal que não contribui para as inflamações. A manteiga (não margarina) e o queijo equilibrados em ómega 3 também podem não contribuir.
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Figura 21— Há muito menos casos de cancro da mama e da próstata em países onde o consumo de produtos de origem animal é menor e o de legumes e leguminosas (ervi lhas, feijão, lentilhas) é maior. (Dados da base pública da AIIC sobre a taxa de cancro por faixa etária’”’ e de um estudo por países da Universidade da Califórnia em 5. Fran cisco sobre a proporção de produtos de origem animal e vegetal na alimentação)tS°I 1’]

Os ómega 3 estão presentes nos produtos biológicos prove nientes de animais alimentados em pastos ou cuja alimentação inclui a linhaça. Deveríamos optar sistematicamente por esses lípidos, que ajudam o nosso organismo a combater as doençasJ’~ Ao fazê-lo, ajudaremos também a devolver uma alimentação muito mais saudável aos animais que fazem parte da nossa cadeia ali
[*j ATENÇÃO: As carnes e ovos «biológicos não são necessariamente equilibrados em ómega 3. Se os animais foram alimentados apenas com milho e soja biológicos (em vez de erva), a sua carne e os seus ovos continuarão a ser excessivamente ricos nos pró-inflamatórios ómega 6. Para um equilibrio mais saudável de ácidos gordos, os animais devem ser alimentados em pastes ou a sua ração reforçada com linhaça.
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[*j Esta análise foi apresentada pela primeira vez pela Ora. Janet Plant, no seu livro

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mentar. Como benefício colateral, ajudaremos a diminuir a nossa dependência dos campos de milho e soja necessários para as rações dos animais. O milho e a soja consomem mais água, fertilizantes e pesticidas que contaminam mais o ambiente do que a maior parte das outras culturas.t57 58) f*] Finalmente, para concluir um programa de desintoxicação, temos de nos proteger do outro fenómeno prejudicial associado ao alastramento do cancro no Ocidente: o aumento de químicos cancerígenos no meio que nos rodela.

TERCEIRA PARTE

NÃO SE PODE SER SAUDÁVEL NUM PLANETA DOENTE Os ursos polares vivem longe da civilização. As grandes exten sões de neve e gelo de que precisam para sobreviver não se coadu nam com o desenvolvimento urbano ou a indústria. No entanto, de todos os animais do mundo, o urso polar é o mais contaminado pelos químicos tóxicos, a ponto de o seu sistema imunitário e as suas capacidades reprodutoras estarem ameaçados. Este grande mamífero come focas e peixes de grande porte, que, por sua vez, vivem de peixes mais pequenos, que se alimentam de peixes ainda mais pequenos, plâncton e algas. Os poluentes que despejamos nos rios e riachos vão todos parar ao mar. Muitos são «persistentes», o que significa que não se decompõem nem são assimilados pela biomassa da Terra e dos oceanos. Viajam pelo planeta durante anos e acumulam-se no fundo do mar. Também contaminam os animais que os inge rem (são «bio-acumulativos») e têm uma afinidade particular por gorduras. São o que os cientistas chamam «lipossolúveis», pelo que se encontram na gordura animal. Primeiro, infiltram-se na gordura dos peixes mais pequenos, depois, na dos maiores que comem os mais pequenos e, depois, no organismo dos ani mais que comem os peixes grandes. Quanto mais alta for a posi ção de um animal na cadeia alimentar, maior será a quantidade de POP (poluentes orgânicos persistentes) na sua gordura.t62t O urso polar está no topo da cadeia alimentar contaminada de um extremo ao outro. É, necessariamente, o mais afectado pela crescente concentração (ou «biomagnificação») de poluentes no meio ambiente.

ATENÇÃO:

As carnes e OVOS «biológicos» não são necessariamente equili brados em ómega 3. Se os animais foram alimentados apenas com milho e soja biológicos (em vez de erva, folhagem ou larvas naturais), a sua carne e os seus ovos continuarão a ser excessiva mente ricos nos pró-inflamatórios ómega 6 e pobres em ómega 3. Para um equilibrio mais saudável de ácidos gordos, ds animais devem ser alimentados em pastos ou a sua ração reforçada com linhaça. Procure os rótulos onde se lê «pasto natural» ou «rico em ómega 3». (Informação sobre produtores preocupados com a nutrição adequada dos animais está disponível em páginas da lnternet como www.eatwild.com e www.americangrassfed.com, ou junto de associações europeias, agrupados sob a categoria «TradiLin»)

[9 Actualmente, dois terços das calorias agrícolas produzidas para consumo provêm de apenas quatro