CARTA ABERTA Questões para a PPP da “Casa Paulista” para o centro de São Paulo As entidades abaixo assinadas vêm

manifestar sua preocupação diante do lançamento da proposta de Parceria Público Privada formulada por empresas privadas para a Agência “Casa Paulista” do governo do Estado, ue recentemente contou com a adesão da Prefeitura, para a produção de !"#""" unidades $abitacionais na %rea central do &unic'pio de (ão Paulo# A proposta parece contemplar reivindicaç)es $ist*ricas dos setores ue atuam em defesa do direito + moradia no pa's, incluindo a provisão de $abitação popular no centro, o est'mulo a uma ocupação com mistura social e a combinação de subs'dios e cooperação entre ,nião, estados e munic'pios# &as tais con uistas podem não se tornar realidade, caso não se-am e uacionadas algumas uest)es essenciais# .al como se apresenta at/ o momento, a proposta não foi formulada no 0mbito de um plano $abitacional abrangente para a cidade e não contou com a participação de diversos segmentos da sociedade civil interessados no tema# 1% um descolamento em relação + situação de moradia na região, marcada por cortiços e ocupaç)es, alto 'ndice de idosos, moradores em situação de rua e trabal$adores informais, al/m da existência de um par ue edificado ocioso ue não cumpre sua função social# Al/m disso, o modelo adotado redu2 a intervenção $abitacional + construção e oferta de novas unidades e subs'dio + a uisição, negligenciando uest)es centrais como a pol'tica fundi%ria e outras formas de promoção do direito + moradia, como a locação social e a reabilitação de pr/dios subutili2ados# Considerando tratar3se de um pro-eto de intervenção urbana e não de uma pol'tica $abitacional abrangente 4 ue deve ainda ser formulada e debatida com a sociedade 4 ainda assim são nossos principais ob-etos de preocupação os seguintes pontos5 6# Ação habitacional sem pol tica habitacional5 entendemos ue embasar a política $abitacional para a %rea central em uma ação, modelada ou não como uma PPP, / uma maneira e uivocada de tratar um tema tão complexo, podendo acirrar os conflitos pela disputa fundi%ria diante do cen%rio de especulação imobili%ria ue testemun$amos em (ão Paulo# ,ma pol'tica efetiva deve vir precedida de um diagn*stico mais preciso do d/ficit e da inade uação $abitacional, da cidade e dos seus diferentes territ*rios, e da especificidade da %rea central# 7eve ainda vir acompan$ada de uma pol tica !undi"ria #ue lhe d$ suporte# !# %nde!inição das "reas de inter&enção e !ra'mentação das (E%S ) 5 a proposta delimita seis per'metros, mas não especifica uais os limites de um eventual decreto ue os torne su-eitos + desapropriação nem se eles serão integralmente submetidos aos planos de urbani2ação das 8E9(# Por outro lado, ignora a delimitação das 8E9( : ao não abord%3las de forma integrada, valendo3se, entretanto, de alguns de seus lotes# :# A PPP i'nora os Conselhos *estores das (E%S )+ conforme exigência estabelecida no cap'tulo da ;estão 7emocr%tica e Controle (ocial constante do P7E de !""!, em cada per'metro de 8E9( deve ser formado um Consel$o ;estor, eleito por representantes da sociedade, ue acompan$a e elabora um plano de urbani2ação do local# < pra2o apresentado para a implantação da PPP claramente ignora o tempo necess%rio + eleição e atuação dos Consel$os# =# %nde!inição sobre a e,ecução da desapropriação+ não est% clara a extensão das atribuiç)es do parceiro privado, no tocante + desapropriação dos im*veis afetados# > preciso esclarecer a uem cabe condu2ir as negociaç)es5 se ao agente privado caber% solicitar ao Poder Público as desapropriaç)es, ou se

e não de prioridade social# < único ente leg'timo para execução dos cadastros / o poder público# Assinam esta Carta Aberta .as de renda+ A falta de definição dos perfis sociais priorit%rios de atendimento pode dificultar o acesso da população de mais baixa renda + produção $abitacional.ecução das obras0 mesmo #ue pro&is/rio1 6"# %nde!inição #uanto ao crono'rama de atendimento das di!erentes !ai. o ue significa adoção de crit/rios de mercado. ameaça a permanência da atual população residente. locat%rios de baix'ssima renda ue não se en uadram no perfil socioeconDmico exigido pelas lin$as de financiamento existentes.clusão de se'mentos &ulner"&eis no cadastro reali2ado pela concession"ria+ A proposta delega ao concession%rio o cadastro e seleção dos benefici%rios. trabal$adores e usu%rios# I# %nde!inição #uanto ao atendimento habitacional pro&is/rio+ a proposta tamb/m / omissa uanto ao impacto das inter&enções na &ida da atual população moradora0 não de!inindo o atendimento #ue ser" o!erecido nas e&entuais remoções para a e. tendo em vista o pro'ressi&o encarecimento do preço da terra como conse uência da intervenção urbana# 66# E. mostra3se ptemerosa.rios para de!inição e controle da #ualidade da habitação social+ a proposta não apresenta os par0metros m'nimos de ualidade dos tipos $abitacionais. ue pode ser expulsa pela substituição do tecido existente e pela falta de alternativas ade uadas ao seu perfil# Al/m disso. cu-a legalidade foi amplamente uestionadaB# @este segundo caso. sem detal$ar tal categoria e definir crit/rios de verificação. prestadores de serviços. mesmo contando com amplo subs'dio# A prioridade dada a trabal$adores do centro. cabe esclarecer se o agente privado poder% fa2er desapropriaç)es para implantar outros usos. H!G $abitam im*veis alugados e cerca de FCG são trabal$adores informais# E# Risco de 'entri!icação+ a PPP est% formulada a partir da oferta de moradia e não da demanda real por $abitação existente no territ*rio# Portanto. incluindo comerciantes. veiculada como alternativa para uem mora na periferia e trabal$a no centro.rban'stica aplicada ao pro-eto @ova Au2. uma ve2 ue a maioria dos trabal$adores do centro / informal# @o caso da 8E9( : C "6E 3 (/ ?inserida no per'metro do Pro-eto @ova Au2B. nem se uer menciona a necessidade de sua definição a partir de um amplo processo de discussão e construção com os atores sociais envolvidos# < empreendedor deve atender a par0metros m'nimos para ue as necessidades $abitacionais se-am atendidas ade uadamente# F# %mpacto nas atuais ati&idades produti&as locais+ a proposta / omissa uanto ao impacto nas atividades econDmicas existentes nas uadras afetadas ?com/rcio e serviços. FCG da população possui renda inferior a : s#m#. ue não o $abitacional# C# Aus$ncia de de!inição do per!il dos bene!iciados 5 a proposta. a proposta não tra2 preocupaç)es em relação + permanência dos novos moradores de baixa renda na região central ap*s a a uisição das unidades# H# -alta de crit. de pe uenos empres%riosB durante todas as etapas de sua implantação# A falta de definiç)es claras sobre o seu destino.contar% com a prerrogativa de promovê3las diretamente ?tal como na lei da Concessão . assim como sobre as fases. est% descolada das caracter'sticas dos atuais moradores do territ*rio em condiç)es de inade uação $abitacional5 em grande medida. frentes e pra2os da obra tamb/m impacta negativamente os atuais ocupantes do territ*rio.

.3.odos 3 &&P.8 Consel$o .3.(P &ovimento de &oradia Para .estor 8E9( C"6E 4 Jrepresentantes de &oradia Krente de Auta por &oradia 3 KA& Aaborat*rio Espaço Público e 7ireito + Cidade 3 AabCidadeKA.(P Aaborat*rio de 1abitação e Assentamentos 1umanos 3 Aab1ab KA.Associação dos &oradores e Amigos da (ta 9figênia e Au2 3 A&<AA.