AULA

08
Leg. Tributária
Prof. KACHEL

INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS
- A responsabilidade por infrações tributárias é
objetiva, independendo da intenção com que foram
praticadas e da efetividade, natureza e extensão dos
efeitos do ato, salvo disposição em contrário (CTN, art.
136).
- Isto não é totalmente pacífico. A responsabilidade
poderá ser excluída se o contribuinte ou responsável
puder provar que não houve descuido ou negligência,
nem intenção de lesar o Fisco.
- Nesta situação, ocorre uma inversão do ônus da
prova. O Fisco não precisa provar dolo ou negligência
para impor a penalidade. Basta o fato objetivo. O
contribuinte ou responsável, porém, poderá afastar
eventualmente a autuação, provando ausência de
culpa.
- As sanções tributárias administrativas podem
consistir em multa, apreensão de mercadorias, veículos
ou documentos, perda de mercadorias, proibição de
contratar com o poder público, sujeição a sistema
especial de fiscalização, prisão administrativa, etc.

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- A multa pode ser moratória (sem caráter de
penalidade especial) ou de consistir em multa-sanção
(com caráter de penalidade).
- A prisão administrativa só cabe nos casos de
depositário infiel, ou seja, responsável que deteve o
tributo e não o repassou para o Fisco, como pode
ocorrer, por exemplo, no IR retido na fonte (Art. 319,
I, do CPP).
- Atualmente a prisão administrativa só pode ser
decretada pelo juiz competente (CF, art. 5º, LXI).
- A penalidade pela infração tributária administrativa
pode ser excluída por denúncia espontânea,
acompanhada do pagamento devido e dos juros de
mora (CTN, art. 138).
Casos de responsabilização
administrativa.

pessoal

na

esfera

- Às vezes a responsabilidade pela infração
administrativa é atribuída apenas à pessoa física que
executou o ato, e não ao contribuinte ou responsável.
- São casos em que o executor material do ato procedeu
com excesso de poder ou fraude à lei, lesando o Fisco e,
ao mesmo tempo o contribuinte ou responsável.
- Trata-se de pessoas que agem contra os seus patrões,
ou sócios, ou contra seus representados ou comitentes.

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- Por exemplo, o pai que, assim agindo, lesa o interesse
do filho menor, o tabelião que lesa o Fisco e as partes,
ou o diretor que prejudica a sociedade que dirige
(CTN, art. 137, II).
- A responsabilidade pela infração tributária
administrativa deixa, então de ser objetiva e passa a
ser pessoal e subjetiva, respondendo pelas sanções o
executor material do ato, e não o devedor originário do
tributo.
Responsabilidade por crimes tributários
(Crimes contra a ordem tributária, Lei nº 8137/90 e
Decreto nº 2730/98).
- Tratando-se de infração tributária penal, seguem-se
as regras do direito penal.
- Em princípio, autor de crime só pode ser pessoa
física, com mais de 18 anos.
- Nos crimes praticados através de associação ou
sociedade, vigora a regra de que sujeito ativo do delito
não será a pessoa jurídica, mas a pessoa física que
através dela praticou o ato.
- A responsabilidade penal, portanto, em regra, é
sempre pessoal, da pessoa física.
- Há uma exceção, porém, referente às infrações penais
contra o meio ambiente. Nestas, a e apenas nestas, pode
uma pessoa jurídica vir a responder por ilícito penal,

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cometido por decisão de seus dirigentes, no interesse ou
benefício da mesma (Lei 9.605/98).

Elisão, Evasão, Conluio.
- A elisão consiste na economia lícita de tributos,
deixando-se de fazer determinadas operações ou
realizando-as de forma menos onerosa possível para o
contribuinte.
- Trata-se de ação perfeitamente lícita,
“planejamento tributário” ou “economia fiscal”.

de

- Adílson Rodrigues Pires cita como exemplo de elisão,
“o engarrafamento de certa bebida, em recipiente de 3
litros, à alíquota de 8%, ao invés do engarrafamento
em recipiente de 1 litro, à alíquota de 10%.
- A evasão, ao contrário, consiste na lesão ilícita do
fisco, não se pagando tributo devido, ou pagando-se
menos que o devido, de forma deliberada ou por
negligência.
- Para alguns autores a evasão proposital poderia
ocorrer por sonegação (Crimes de sonegação fiscal, Lei
nº 4.729/65) ou por fraude.
- A sonegação teria lugar após o fato gerador, com a
ocultação do fato perante o fisco e o não pagamento do
tributo.

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- A fraude (na evasão) seria arquitetada antes do fato
gerador, com artifícios e simulação no sentido de
afastar a incidência do tributo.
- A distinção não parece adequada, pois a sonegação
pode ter também conotação fraudulenta.
- O conluio, por sua vez, consiste no ajuste de duas ou
mais pessoas para a prática de evasão fiscal.
Síntese das formas de redução tributária
ELISÃO – economia fiscal lícita.
(planejamento tributário)
EVASÃO – economia fiscal ilícita.
(fraude, sonegação)
CONLUIO – ajuste para economia fiscal ilícita.

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PARTE ESPECIAL DO CÓDIGO PENAL (Arts. 121 a
359).
DOS CRIMES CONTRA ...
- A Administração Pública:
(PRATICADO POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO)
PECULATO (apropriação indébita) – Apropriar-se o
funcionário público de dinheiro, valor ou bem móvel.
CONCUSSÃO (Coação) – Exigir vantagem indevida.
CORRUPÇÃO PASSIVA – Solicitar ou receber
vantagem indevida ou promessa de tal vantagem.
PREVARICAÇÃO – Retardar ou deixar de praticar,
indevidamente, ato de ofício.
(PRATICADO POR PARTICULAR):
RESISTÊNCIA – DESOBEDIÊNCIA - DESACATO –
CORRUPÇÃO ATIVA – CONTRABANDO OU
DESCAMINHO.

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- A Administração da Justiça: Fraude Processual.

PENSAMENTO
“É graça divina começar bem. Graça maior persistir
na caminhada. Mas a graça das graças é não desistir
nunca.”
Dom Hélder Câmara, religioso brasileiro.

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