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ZONEAMENTO DE RISCO DE ESCORREGAMENTO DAS ENCOSTAS
OCUPADAS POR VILAS OPERÁRIAS COMO SUBSÍDIO À ELABORAÇÃO DO
PLANO DE GERENCIAMENTO DE ÁREAS DE RISCO DA ESTÂNCIA
CLIMÁTICA DE CAMPOS DO JORDÃO - SP

AGOSTINHO TADASHI OGURA
1
FABIANA CHECCHINATO SILVA
1
AUGUSTO JACKIE DO NASCIMENTO LOPES VIEIRA
2

1
IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo
Av. Prof. Almeida Prado, 532, São Paulo, SP, CEP 05508-901
2
Fundação Alphaville
R. Cauaxi, 293, Alphaville, Barueri, SP, CEP 06454-943
atogura@ipt.br; fabiana@ipt.br; guto@alphaville.com.br

OGURA, A. T.; SILVA, F. C.; VIEIRA, A. J. N. L. Zoneamento de risco de escorregamento das encostas
ocupadas por vilas operárias como subsídio à elaboração do plano de gerenciamento de áreas de risco da
estância climática de Campos do Jordão - SP. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE DESASTRES NATURAIS,
1., 2004, Florianópolis. Anais... Florianópolis: GEDN/UFSC, 2004. p. 44-58. (CD-ROM)

RESUMO
Este artigo apresenta aspectos metodológicos referentes aos trabalhos de mapeamento de risco realizados em
Campos do Jordão, município do Estado de São Paulo. O estudo realizado teve como ponto de partida o
reconhecimento dos processos ocorridos nas encostas das áreas urbanas municipais. São apresentados e
descritos parâmetros geomorfológicos, geológico-geotécnicos e de intervenções antrópicas utilizados para a
determinação do grau de risco de setores de encosta nas chamadas vilas operárias. É apresentada também a
proposta de um plano municipal de atuação nas áreas de risco de escorregamentos.
Palavras-chave: escorregamentos, áreas de risco, mapeamento de risco, Campos do Jordão.

ABSTRACT
This paper presents methodological aspects related to the landslide risk mapping of Campos do Jordão City,
located in São Paulo State. These works were conducted especially considering the widespread accidents of
landslides occurred in January, 2000, in the urban area. In order to determine the specific risk level of the
slopes in the urban area, geomorfological, geotechnical and man-made actions were used as parameters.
Also, it was proposed a plan for the management of landslide risk areas to help increase the safety of the
people living in.
Key-words: landslides, risk areas, risk mapping, Campos do Jordão.

1. INTRODUÇÃO
Em janeiro de 2000, o município da Estância Climática de Campos do Jordão foi
severamente atingido por acidentes de escorregamentos. Após participarem dos trabalhos
de atendimento emergencial pós-desastre, técnicos do IPT foram contratados para realizar
trabalhos visando a recuperação das áreas atingidas. Dentre as diversas atividades
desenvolvidas, destacam-se os estudos de análise de risco geológico para a identificação
dos diferentes compartimentos de risco de escorregamentos presentes nas encostas das
vilas operárias e as correspondentes proposições de medidas gerais e específicas de
recuperação e prevenção de acidentes. Este trabalho apresenta o roteiro utilizado no estudo
de análise de risco, os produtos obtidos e o Plano de Gerenciamento de Áreas de Risco de
Escorregamentos desenvolvido a partir desses estudos.
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2. ASPECTOS GERAIS SOBRE O PROBLEMA DE INSTABILIDADE DE
ENCOSTAS EM CAMPOS DO JORDÃO
O Planalto de Campos do Jordão, onde se situa a cidade de Campos do Jordão, é
um dos planaltos cristalinos que constituem o Planalto Atlântico no Estado de São Paulo.
Esse planalto apresenta-se tectonicamente elevado, em cotas topográficas superiores a
1.500 metros de altitude, e maturamente dissecados. Os processos intempéricos atuantes na
denudação dos terrenos e na conformação da paisagem ajudaram a formar um relevo local
bastante acidentado. O modelado atual, fortemente condicionado pelas estruturas e
litologias presentes na área, caracteriza-se pela presença de morros altos e de anfiteatros de
erosão com planícies aluvionares restritas onde se encontram depósitos de argila orgânica
de espessuras variadas.
As características geológicas e geotécnicas dos depósitos de argila orgânica e o seu
comportamento bastante sensível a intervenções antrópicas bruscas que alteram as suas
condições de equilíbrio original têm condicionado processos de instabilização notáveis na
área urbana do município de Campos do Jordão. Em 2002, na Vila Abernéssia, ocorreu um
processo de instabilização de encostas condicionado pela presença de uma camada de
argila orgânica em anfiteatro restrito de drenagem. Esse processo teve origem a partir da
execução de obras de escavação que modificaram a condição de estabilidade original
causando a instabilização do terreno, provocando trincas de tração, degraus de abatimento
e rupturas remontantes na porção superior adjacente e esforços compressivos na porção de
base.
Além desses processos condicionados pela presença de argila orgânica, ocorrem
freqüentemente escorregamentos do tipo planar raso (Foto 1) em encostas de alta
declividade natural, induzidas pelas intervenções advindas da ocupação urbana
inadequada, e deflagrados por eventos de chuvas intensas. Nos estudos realizados no
âmbito deste trabalho foram priorizadas as áreas de risco ocupadas pela população de
baixo poder aquisitivo, sujeitas a acidentes de escorregamentos do tipo planar raso.
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Foto 1 - Acidentes associados a escorregamentos planares rasos no bairro do Britador.

3. ASPECTOS METODOLÓGICOS DO MAPEAMENTO DE RISCO
Os trabalhos de mapeamento de risco de processos de escorregamentos realizados
pelo IPT foram precedidos de intensas discussões com dirigentes do Poder Público
Municipal e tiveram como objetivo geral, a produção de subsídios técnicos para a
montagem de um Plano Municipal de Gerenciamento de Áreas de Risco de
Escorregamentos. Esse plano nortearia as ações municipais de controle da ocupação de
encostas e de recuperação e melhoria das condições de habitação das vilas operárias
gravemente atingidas pelos acidentes de 2000.
Para atender aos objetivos propostos, dois tipos de mapeamento de risco foram
realizados: o mapeamento geral de risco com a identificação das áreas de maior e menor
risco de escorregamentos presentes na mancha urbana do município, tendo como produto a
Carta de Risco de Escorregamentos da Área Urbana de Campos do Jordão (IPT, 2002),
elaborado na escala de 1:25.000; e o mapeamento detalhado com a setorização de risco das
localidades mais afetadas pelos escorregamentos ocorridos em 2000 que propiciou a
identificação e delimitação, numa escala de grande detalhe, dos compartimentos com
diferentes graus de risco em cada uma das vilas operárias. A seguir serão apresentados os
aspectos metodológicos e as atividades específicas referentes ao trabalho de zoneamento
de risco.


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3.1 Definição e delimitação das áreas a serem mapeadas
Sete bairros denominados de vilas operárias, localizados na região central da cidade
e ocupados pela população de mais baixa renda, foram indicados pela prefeitura municipal
como as áreas de estudo: Vila Santo Antônio, Morro do Britador, Jardim das Andorinhas,
Vila Albertina, Vila Sodipe, Vila Nadir e Vila Paulista Popular. Essas áreas de ocupação
de encosta foram severamente atingidas pelos escorregamentos ocorridos em janeiro de
2000, que causaram a morte de 10 pessoas e a destruição de muitas moradias. Esses bairros
constituem as principais áreas de grau de risco alto indicadas na Carta de Risco de
Escorregamentos da Área Urbana de Campos do Jordão.

3.2 Reconhecimento das tipologias dos processos ocorrentes e dos cenários de risco de
escorregamentos
O reconhecimento dos acidentes de escorregamentos ocorridos em 2000 propiciou
uma compreensão clara das tipologias dos processos de escorregamentos ocorrentes em
diferentes setores de encosta nos diversos bairros operários, bem como permitiu avaliar os
respectivos cenários de risco de acidentes em termos de magnitude dos processos
esperados, raio de alcance, volumes mobilizados, energia e impacto destrutivo. O
reconhecimento prévio dos locais mais atingidos e o estudo dos processos ocorridos e dos
danos causados foram importantes para a definição dos parâmetros de análise de risco e
para o estabelecimento do grau de risco de cada setor analisado.

3.3 Definição dos parâmetros de zoneamento de risco
Sob o ponto de vista metodológico, os distintos setores de risco foram delimitados
levando-se em conta os fatores condicionantes naturais como morfologia dos terrenos e a
declividade natural das encostas, e os fatores antrópicos como a forma de intervenção
física nas encostas com a geração de taludes de corte e aterro, as coberturas superficiais
decorrentes dessas movimentações de terra (aterros lançados), o padrão construtivo das
moradias e aspectos relacionados a modificações no escoamento das águas superficiais
decorrentes das intervenções urbanas, notadamente o sistema viário e sistemas de
drenagem.
Para a delimitação dos setores, procurou-se considerar a malha viária existente com
o objetivo de facilitar a identificação dos limites espaciais dos setores. A setorização de
risco preliminar foi desenvolvida a partir da análise da compartimentação geomorfológica
dos terrenos e os trabalhos de identificação e análise dos distintos setores de risco
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basearam-se em trabalhos de escritório e vistorias de campo, visando conseguir o máximo
de informações de interesse para a descrição da situação presente em cada compartimento
de encosta. As informações obtidas permitiram uma avaliação do cenário de risco geral de
cada setor, bem como a identificação de situações pontuais de instabilização das encostas e
a proposição de medidas específicas de controle e prevenção de acidentes.

3.3.1 Zoneamento geomorfológico
O zoneamento geomorfológico das áreas foi realizado por meio de um primeiro
esboço traçado preliminarmente em trabalhos de escritório, usando-se fotos recentes e
bases topográficas, e considerando os processos e acidentes ocorridos nas encostas de cada
vila operária. Após essa fase, foram conduzidos levantamentos de campo para precisar os
limites anteriormente obtidos resultando em uma setorização de caráter geomorfológico.
No âmbito desse trabalho, foram reconhecidos os seguintes compartimentos e sub-
compartimentos geomorfológicos:
a) Terrenos de topo de morro;
b) Trechos de encosta superior;
c) Trechos de encosta inferior;
d) Trechos de fundo de vale; e
e) Grotas de erosão associadas a linhas de drenagem de alta energia.

3.3.2 Declividade
Mapas de declividade foram gerados (Figura 1), para cada vila operária, com a
finalidade de se obter uma visualização mais clara desse importante condicionante para
processos de escorregamentos planares rasos. Essas áreas, quando observadas no mapa e
cruzadas com os eventos ocorridos em 2000 apontam, claramente, que os locais onde
ocorreram os acidentes mais graves constituem as porções de encosta nas quais
predominam declividades superiores a 30 graus. Nesses trechos, houve uma grande
concentração de rupturas de grande extensão e alta energia de deslocamento e impacto
destrutivo. Os terrenos que apresentam um predomínio de encostas com declividade
natural superior a 30 graus são, portanto, bastante suscetíveis à ocorrência desses processos
de instabilização.

3.3.3 Intervenções antrópicas nas encostas
Além das condições naturais do meio físico, as ações antrópicas foram fator
preponderante para a ocorrência dos acidentes verificados em 2000. De uma maneira geral,
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o processo de ocupação das encostas nos bairros operários tem-se desenvolvido por meio
de cortes e aterros para a formação dos patamares onde são construídas as moradias. Os
cortes modificam a geometria natural das encostas e dão origem a taludes íngremes de
alturas variáveis, que causam o desconfinamento das porções de encosta situadas a
montante. Por outro lado, os aterros representam “depósitos” de material terroso lançado
nas encostas, provenientes das escavações realizadas nos taludes de corte. Esses aterros
recobrem as camadas mais superficiais de solo e constituem materiais de estabilidade
precária (Figura 2).

Figura 2 – Perfil esquemático de instabilização de encostas ocupadas por moradias de
baixo padrão construtivo em patamares de corte e aterro; Fonte: Pellogia,
1994
1
.

1
SS = solo superficial; ssp = solo saprolítico; BF = “bota-fora”; V = camada de vegetação superficial
encoberta; LX = vazadouro de lixo; R = Rupturas no “bota-fora”; C = corte; A = aterro; L = lançamento de
águas servidas; F = fossas rasas; Cr = cobertura remobilizada.
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Figura 1 – Mapa de declividade dos bairros Santo Antônio, Britador e Andorinhas.
51
Intervenções desse tipo, associadas à forma de implantação das moradias, são
responsáveis pela situação de instabilidade generalizada dos terrenos ocupados por
assentamentos espontâneos. Nas porções de encosta de perfil retilíneo ou suavemente
convexo, de alta declividade natural, as coberturas de solo são de forma geral rasas,
alcançando no máximo 2 metros de profundidade. Os escorregamentos ocorrentes nesses
setores de encosta são predominantemente do tipo planar raso (Foto 2).

Foto 2 – Detalhe da destruição causada pelos escorregamentos ocorridos em patamares de
corte e aterro no bairro do Britador.

3.3.4 Padrão construtivo das moradias
O padrão construtivo das residências nas áreas mapeadas é outro fator que foi
considerado tendo em vista a maior ou menor vulnerabilidade da edificação em caso de
ocorrência de escorregamento. Nas vilas operárias de Campos de Jordão as piores situações de
risco referem-se às edificações construídas com baixos recursos, com o uso de madeira, nos
piores trechos de encosta, sem a mínima condição de fundação.

3.3.5 Precariedade da infra-estrutura urbana
O baixo grau de urbanização nessas áreas representa outro aspecto importante a ser
considerado na questão da ocorrência de escorregamentos, principalmente no que tange à
ausência ou deficiência dos sistemas de drenagem superficial. Locais de convergência e
concentração natural das águas superficiais, tipificadas pelas grotas de erosão e anfiteatros de
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drenagem, apresentam suscetibilidade elevada de ocorrência de processos de instabilização de
encostas de médio e grande porte. O escoamento concentrado induzido pelo sistema viário
(Figura 3) e a ausência, má concepção ou deficiência na implantação dos sistemas de
drenagem, são responsáveis por diversas situações de risco de instabilização de encostas. Os
locais com deficiência no sistema de drenagem constituem situações preocupantes sob o ponto
de vista de risco, haja vista a possibilidade de ocorrência de acidentes de grande extensão e de
grande impacto social e econômico. Por outro lado, são as áreas urbanas mais passíveis de
serem consolidadas, desde que se realize a regularização e ordenamento do escoamento das
águas pluviais, por meio do correto dimensionamento do sistema de drenagem urbana local.

3.4 Classificação de graus de risco
Os setores de risco foram classificados em 4 classes de risco, segundo a caracterização
apresentada a seguir:
- Setores de grau de risco baixo: terrenos cuja suscetibilidade de ocorrência de
processos de instabilização de encostas é naturalmente baixa. Os riscos porventura existentes
relacionam-se com situações pontuais induzidas por intervenções do tipo corte e aterro. Os
setores de grau de risco baixo compreendem geralmente áreas que apresentam condições
morfológicas e geotécnicas favoráveis para a ocupação urbana.
- Setores de grau de risco moderado: trechos de encostas que apresentam
suscetibilidade natural a processos de escorregamentos e onde as condições da ocupação
urbana apresentam certa precariedade em relação às intervenções antrópicas. Compreendem
setores que apresentam trechos de encosta suscetíveis a processos de onde podem ocorrer
acidentes de escorregamentos esparsos. São áreas nas quais o planejamento do adensamento
urbano e a implantação de melhorias urbanas podem garantir condições seguras de habitação e
menor vulnerabilidade à ocorrência de acidentes.

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Figura 3 – Mapa de fluxo modificado de escoamento superficial das águas pluviais.
56
- Setores de grau de risco alto: trechos de encostas onde predominam a alta
suscetibilidade a processos de escorregamentos induzidos pela ocupação, associada a taludes
de corte e aterro e problemas de drenagem superficial. A vulnerabilidade à ocorrência de
acidentes é geralmente relacionada com situações pontuais, mas é grande o número dessas
situações. Nos setores de grau de risco alto podem ocorrer acidentes de escorregamentos de
caráter generalizado. Compreendem setores onde a maior parte dos terrenos apresentam
encostas de alta declividade natural, superior a 20 graus, e alta concentração de moradias, nos
quais somente a adoção de medidas de melhoria da infra-estrutura urbana e a fiscalização
contínua e rigorosa do uso e ocupação dessas áreas podem garantir condições seguras de
habitação.
- Setores de grau de risco muito alto: compartimentos de encostas que apresentam
condições naturais muito favoráveis à ocorrência de processos de instabilização de grande
porte. Esses setores compreendem compartimentos e sub-compartimentos morfológicos onde
as condições do meio físico são favoráveis à ocorrência de processos de instabilização de
encostas de grande poder destrutivo. Constituem os locais onde ocorreram os mais graves
acidentes de escorregamentos em 2000. Nos setores de muito alto risco deve haver máxima
restrição de seu uso para habitações de padrão construtivo precário.

4. PLANO DE GERENCIAMENTO DE ÁREAS DE RISCO
O Plano de Ação proposto visa fornecer diretrizes para a gestão da ocupação de
encostas e a redução de acidentes de escorregamentos. O Plano abrangeria um conjunto de
medidas estruturais e não-estruturais, e seria composto dos seguintes programas:

4.1 Programa de Urbanização de Áreas de Risco
Esse programa abrange um conjunto de medidas de caráter essencialmente estrutural,
composto basicamente por obras de infra-estrutura urbana e serviços públicos básicos, a serem
implementados, nas áreas de risco de escorregamentos.
A realização dessas obras e serviços tende a solucionar grande parte dos principais
problemas de instabilização de encostas presentes nas áreas de risco, na medida em que os
projetos possam abranger obras subordinadas, tais como estabilizações localizadas e sistemas
de drenagem das águas pluviais. Esse programa foi concebido considerando-se a carência de
obras de infra-estrutura urbana, e a importância das mesmas enquanto obras de consolidação
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geotécnica. Considerou-se também ser inviável projetar e realizar uma série de obras pontuais
independentes. Nesse sentido, as obras previstas no Programa de Urbanização de Áreas de
Risco devem idealmente abranger a área de risco como um todo, podendo integrar
intervenções para a contenção de taludes localizados.

4.2 Programa de Intervenções Emergenciais e de Controle da Expansão Urbana
Esse programa abrange ações de caráter de Defesa Civil e de controle da expansão
urbana, onde as medidas principais são a remoção permanente de moradias situadas em setores
de muito alto risco e o “congelamento” desses setores, visando impedir a instalação de novas e
piores situações de risco de escorregamentos.
O programa é principalmente adequado para as áreas de risco de escorregamentos,
onde a ocupação apresenta-se ainda não consolidada, com um número relativamente pequeno
de moradias de baixo padrão construtivo. Em alguns setores de ocupação de encostas, torna-se
mais viável, por uma questão de custo/benefício, o gerenciamento do risco por meio da
remoção de um conjunto de moradias ao invés da realização de obras de urbanização. As áreas
verdes e áreas públicas invadidas devem ser objeto de ações relacionadas com este programa.
As ações de remoção da população sob risco, principalmente aquela instalada irregularmente
em áreas públicas e institucionais, devem ser respaldadas por instrumentos jurídicos
convenientes.
O controle da expansão urbana nas áreas de risco estudadas deve ser realizado
buscando também fiscalizar e impedir a ocupação irregular nos setores de maior risco de
ocorrência de acidentes.

4.3 Programa de Monitoramento de Situações Potencialmente Perigosas para a
Ocorrência de Acidentes de Escorregamentos
Esse programa visa diminuir a possibilidade de ocorrência de acidentes de
escorregamentos por meio de ações de vistoria permanente das áreas de risco, buscando
observar situações e feições indicativas de instabilização dos terrenos. Esse trabalho pode ser
realizado pela Guarda Municipal, em parceria com a Defesa Civil, durante o período chuvoso,
mais crítico para a ocorrência de acidentes. Parcerias podem ser feitas com a Coordenadoria
Estadual de Defesa Civil – CEDEC, da Casa Militar do Governo do Estado, buscando integrar
ações conjuntas de Defesa Civil, tanto operacionais quanto de preparação.
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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A maior parte dos estudos realizados neste projeto tiveram como objetivo diagnosticar
as diferentes situações de risco de escorregamentos relacionados com as ocupações de encosta
na área urbana do município de Campos do Jordão.
Espera-se que as orientações técnicas apresentadas possam trazer subsídios ao poder
publico municipal para a formulação de políticas públicas relacionadas com a ocupação das
encostas dos morros da cidade. Espera-se mais ainda, que as comunidades carentes que se
encontram em áreas de risco sejam efetivamente beneficiadas nas condições de segurança e
habitação, por meio de ações continuadas de melhoria da infra-estrutura urbana nos morros.
Os acidentes de escorregamentos em Campos do Jordão são fortemente induzidos pelas
intervenções humanas, apesar do pano de fundo geológico e geomorfológico responsável pela
topografia acidentada e pela dinâmica energética dos processos geológicos superficiais. Por
essa razão, a mudança dos padrões atuais da forma de uso e ocupação dos terrenos a ser ditada
pelo poder público municipal deve propiciar melhorias na segurança e qualidade de vida de
parcela significativa da população jordanense que habita os morros da cidade.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS DO ESTADO DE SÃO PAULO – IPT.
Assessoria Técnica para a estabilização das encostas, recuperação da infra-estrutura
urbana e reurbanização das áreas de risco atingidas por escorregamentos na área
urbana do município de Campos do Jordão. Relatório Técnico 64.399.5v. IPT, São Paulo,
2002.

PELLOGIA, A. U. G. As coberturas remobilizadas: depósitos tecnogênicos de encostas
urbanas no município de São Paulo. Revista Solos e Rochas, São Paulo, v.17, p.125-129,
1994.