SAIRÉ

“DATAS E ACONTECIMENTOS”
MIGUEL PESSOA DAS NEVES

Sairé: “Datas e Acontecimentos”- Miguel Pessoa das Neves

APRESENTAÇÃO Esta monografia não tem grandes pretensões. Pretende apenas ser útil, registrando de forma simples, a origem, os fatos, acontecimentos e pessoas ilustres que construíram a história de Sairé. Dono de uma memória magnífica, o autor cursou apenas a 4ª série do 1º grau, reuniu amigos e informações das mais variadas fontes, no intuito de oferecer às atuais e futuras gerações, toda a garra, luta e abnegação daqueles que amaram, defenderam e edificaram o nosso município, a nossa cidade. Queremos salientar que nos sentimos privilegiados de ler, em primeira mão, esta pequena obra, pois o conhecimento sobre o nosso passado nos capacita na compreensão do nosso hoje, nos oferecendo os meios necessários para desvendarmos os desafios que ele nos propõe. De início, queríamos modificar o relato, transformando-o em livro, porém decidimos respeitar a forma de expressão peculiar de seu autor. Só defendemos o que amamos, por isso leiam tentando sentir a expressão sábia e afetuosa daqueles que viveram com intensidade cada passo desta história. Miguelzinho e demais colaboradores acolham fraternalmente nosso abraço. Silvana Barbosa e Rosa Soares Sobrinha e amiga Outubro/99

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ORIGEM DO POVOADO Em princípios do século 19, já havia um caminho, ligando a cidade de Vitória de Santo Antão, então povoado, ao povoado de Bonito, passando pelo então povoado de Gravatá, propriedade Urtiga, Riachão dos Torres, povoado Caiana, indo juntar-se ao caminho vindo de Bezerros na propriedade “Passagem”, a 500 metros da elevação “Boca da Mata”. Entre os anos de 1926/30, a Jiama Pinto Alves Cia, estabelecida como compras de café em Bonito, melhorou este caminho, transformando-o em rodagem, onde trafegavam caminhões e automóveis. Esta rodagem posteriormente foi ligada a Bezerros e Caruaru, transportando várias mercadorias, principalmente café. Na medida em que o mercado consumidor da Europa se expandia, aumentava-se as áreas cultivadas no interior da província de Pernambuco, sobretudo as atividades açucareiras. Engenhos foram fundados, intensificou-se também o cultivo da mandioca e do café no vale do Serinhaém, onde este tornara perene, através de seus afluentes, o riacho da Boa Vista, o Brejão e o Alexandria; isto já na Zona da Mata Sul. Enquanto no Agreste, às margens do Ipojuca intensificava-se a criação de gado, o cultivo do milho, feijão, mamona e algodão. Havendo um caminho, saindo do povoado de Bezerros e subindo a Serra do Retiro, atingindo a nascente do rio Serinhaém e daí marcando-o, passando pela elevação Boca da Mata e atravessando o dito rio, abaixo 500 metros desta elevação. Daí atingindo a propriedade Alexandria, em demanda ao sul da província. Por este caminho escoava grande parte das boiadas que se dirigiam ao sul, cujos tangerinos e cajueiros voltavam trazendo açúcar, raspadura, farinha, etc. No ano de 1925, um grupo de revolucionários liderados pelo tenente Cleto Campelo, depois de sublevar a cidade de Jaboatão, tomaram um trem e atacaram as cidades de Vitória de Santo Antão e Gravatá, havendo o referido oficial morrido nesta última cidade. Daí, o restante da tropa embarcou novamente, desembarcando na localidade “Topada”, hoje Insurreição, e fugiu em direção ao estado da Paraíba.

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DATAS E ACONTECIMENTOS 1859 No século passado, no ano de 1859, talvez feito pelos índios, havia um caminho vindo do sertão em demanda ao sul do estado, passando pela cuminhada do monte conhecido por “Boca da Mata”, onde se ergue a cidade de Sairé. Manoel Flamengo, residente no sul do estado, trouxe carta de posse tirada da Casa Grande de Frexeiras para fazer a demarcação de um terreno com aproximadamente 20 alqueires de terras às margens direita e esquerda do referido caminho, desde a planície do monte de Boca da Mata até a margem do rio Serinhaém. Ali instalou Flamengo a sua posse, dando início a algumas plantações e casa de moradia. Mais ou menos no ano de 1860, já havia pela vizinhança outros proprietários de terras ali existentes. Em fins do século passado, o senhor Miguel Grande, comprou uma parte de terra a Flamengo. Em 1896, existia um Cartório de Registro Civil no lugar “Passagem”, pertencente ao senhor José Bernardo Vieira, também proprietário no mesmo lugar. Podemos citar os nomes dos outros proprietários: Faustino José da Silva, Miguel Ribeiro, Antônio Silvestre, José Pequeno, João Dias, Manoel Santana, Felinto Gomes, Miguel Santana, Antônio Dourado, Joaquim Gonçalves, Francisco Laurentino, Francisco Barbosa, Manoel Paixão, Antônio Soares, Francisco Macambira, José Germano, Joaquim Manoel Ferreira Pontes, João Pessoa Souto Maior, José Bernardo Vieira, João Estevão e outros. Por solicitação do coronel José Pessoa Souto Maior, residente no lugar “Caiana”, chefe político, o sr. Miguel Bezerra do Nascimento e sua esposa dona Maria Joaquina do Amorim doaram um pedaço do terreno para que nele fosse erguida uma capela sob a invocação de São Miguel. Dias depois da doação, o coronel José Pessoa pediu ao Rvmo. Sr. Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Luiz de Brito, licença para que fosse construída a capela. A mesma foi concedida no dia 20 de abril de 1907. O coronel José Pessoa mandou confeccionar uma pedra de massa granítica pelo cidadão João Pessoa de Souto Maior. No dia 06 de maio de 1907, a pedra que ia servir de base vaio do lugar “Caiana”, da residência do coronel José Pessoa, em procissão, as 11 horas da manhã. A pedra foi ornamentada pela senhora Maria da Conceição Souto Maior Figueiredo. Já se encontrava no lugar em que ia ser colocada a referida pedra o Rvmo. Sr. Cônego Laurindo Justiniano Douetts, vigário da Paróquia de Bezerros, e grande foi o número de pessoas que se achavam presentes a esse acontecimento. Foram colocadas medalhas religiosas de prata, ouro, níquel e cobre, de diferentes valores e épocas do Brasil, que foram oferecidas por diversos senhores e senhoras. O coronel José Pessoa preparou um livro que serviu de ata para todos os paraninfos e pessoas presentes assinarem. O referido foi

1896 -

1907 -

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assinado pelos senhores casados e suas digníssimas esposas. Assinou em primeiro lugar o Rvmo. Cônego Duetts. Terminada a cerimônia religiosa, imediatamente deram início aos trabalhos, sendo encarregado o sr. Coronel José Pessoa. Ajudaram também os seus irmão João Pessoa de Souto Maior e Antônio Pessoa Souto Maior, os amigos Antônio Soares, Antônio Dourado, Luiz Rodrigues, Miguel Grande e muitos outros. Anexo ao terreno, o sr. João Sabido já havia instalado a primeira casa comercial de compras e vendas de cereais. A primeira casa de moradia pertencia ao sr. José Bernardo Vieira, Tabelião Público. No dia 09 de junho, a primeira missa na capela foi celebrada pelo cônego Laurindo Douetts. Houve também vários batizados, ficando as missas nas segundas-feiras de cada mês, dia em que eram realizadas as feiras. O povoado contava com 25 casas de moradia. No dia 17 de novembro do mesmo ano, foi inaugurada a Capela-Mor. A mesma é construída em estilo simples, porém muito elegante, medindo 5 metros e 14 centímetros de frente e 7 metros e 20 centímetros de fundo. Toda a madeira foi fornecida e doada pelo alferes José de Azevedo e Silva, proprietário do Engenho Itapegipe, no lugar “Riachão”, deste distrito. Foram realizados 137 batismos pelo cônego Douetts, até o dia em que ele celebrou aqui pela 7ª vez. Tendo, a seu pedido, ido morar na cidade de Vitória de Santo Antão, veio substituí-lo na Paróquia de Bezerros, em 1908, o vigário Alexandre Cavalcanti. O sino pequeno foi doado pelo sr. João Dias, no ano de 1907. Este sino ainda permanece na torre da Matriz. 1908 A Prefeitura de Bezerros construiu um pequeno mercado, onde eram vendidos os cereais nos dias de feira. O vigário Alexandre celebrou pela primeira vez no dia 29 de setembro de 1908. Nesse ano, o proprietário Manoel Pequeno instalou uma máquina de iluminação a carbureto no local. Iluminação com lâmpadas a álcool pertencentes ao major João Pessoa Souto Maior. O coronel José Pessoa trabalhou junto ao general Dantas Barreto e elevou o povoado à categoria de vila. O major João Pessoa adquiriu, para sua casa comercial, uma máquina registradora de caixa e um piano para sua família. Neste ano, o prefeito de Bezerros, tenente José Francisco de Figueiredo, construiu o cemitério público, sendo o terreno doado pelo sr. Faustino José da Silva. Foi construída a torre da capela e nave lateral. Por uma subscrição, foi comprado o sino grande pela importância de 700$000, sendo encarregado para isto o sr. Francisco Laurentino. Contribuições

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1914 -

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foram dadas por todos os habitantes da vila e circunvizinhos, chegando o sino nesta vila, no dia 08 de maio do ano de 1914. O major João Pessoa comprou um maquinismo (ou seja, um motor) para beneficiar café. 1915 1918 Neste ano foram concluídos todos os trabalhos da Igreja. O povoado já contava cerca de 120 casas cobertas de telha, não entrando pequenas casinhas de palaha, 7 casas comerciais, 2 escolas primárias, 3 casas de tecidos, 2 farmácias, 1 padaria, 1 mercado público, 1 banda de música – Sociedade Musical 11 de Agosto. O mercado com duas dependências, uma para o consumo de farinha, feijão, milho, etc. e a outra para o consumo de carne verde. Eram vendidos 3 a 4 bois por feira, sendo a feira realizada agora aos domingos. O major João Pessoa comprou, para uso da família, uma máquina de datilografia. Construção do segundo mercado público. Neste ano, eram professores o tenente José Idalino e dona Maria Magdalena de Jesus Vieira Torres. Conclusão do mercado público. Neste ano, a vila recebeu um sistema de abastecimento de água, através do major João Pessoa. Festa de São Miguel, dia 29 de setembro. Nesta mesma data, chega a São Miguel o 1º automóvel, pertencente ao sr. José Higino, residente na cidade de Bezerros. No dia 11 de dezembro, foi colocado na torre o sino grande e instalada a claderia a vapor, pertencente ao coronel Quinca Pontes, do Engenho Alexandria. O sr. Francisco Luiz, residente em Antas, dirigia um caminhão de carga e passageiros que conduzia os feirantes entre São Miguel e Bezerros. Neste ano, em maio, foi ladriada a capela de São Miguel. As despesas foram todas por conta dos habitantes da vila e circunvizinhos. O sr. Samuel Oliveira trouxe para São Miguel o primeiro telefone, ligando a vila com a cidade de Bezerros. Foi adquirido pelo sr. Severino Lins de Andrade um trator agrícola industrial para beneficiar os agricultores do distrito. Um automóvel Ford era pertencente ao sr. José Pessoa Sobrinho, residente na vila de São Miguel.

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Início da construção do Altar de São Miguel. Visita do sr. Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Miguel de Lima Valverde, e do bispo de Nazaré da Mata, Dom Ricardo Vilela. Foi concluído o Altar de São Miguel e celebrada missa no dia 28 de março de 1927. A pintura do altar coube aos senhores Jerônimo Pessoa de Albuquerque, João Bernardo Vieira e José Hilário. Visita do sr. Bispo e realização de crismas na capela de São Miguel. A primeira missa celebrada no altar pelo cônego Alexandre Cavalcanti, no dia 28 de maio de 1928, pela alma de Rufino Herculino e de todos que trabalharam para a construção da igreja. O major João Pessoa comprou para a capela uma linda banqueta e castiçais prateados e fez presente de uma âmbula. Da construção ficou encarregado o sr. José Pedro dos Santos. O major João Pessoa Souto Maior, em sociedade com diversos proprietários do distrito, entre eles os senhores Antônio Soares dos Santos, David Lins de Andrade, Antônio Pessoa de Albuquerque Melo, Severino Lins de Andrade, Antônio Pessoa Filho e José Idalino, organizou uma empresa telefônica ligando a vila às cidades de Bezerros, Camocim, São Joaquim e Bonito, além de diversas fazendas do distrito. O sr. José Germano da Silva fez presente de um boi para a capela de São Miguel, o qual foi vendido e, com este dinheiro, o major comprou duas lindas lâmpadas a álcool, em 24 de setembro de 1929. Havia, na vila de São Miguel, 2 automóveis, 3 caminhões de carga, 2 farmácias, 2 padarias, 3 lojas de tecidos, 2 times de futebol, 2 clubes carnavalescos, 2 tratores agrícolas, 2 escolas primárias, 2 tendas de funileiros, 2 oficinas de consertar sapatos, 2 marceneiros e 1 relojoeiro. Foi terminado o altar de Nossa Senhora da Conceição, na capela de São Miguel, no dia 15 de dezembro de 1930. Nesta data, chegou a imagem, a qual foi doada pelo major João Pessoa e família. O serviço de construção do altar foi feito pelo sr. Pedro Bezerra da Silva, residente em Caruaru. Neste mesmo ano, foi ladriada a sacristia da capela. A vila contava com 180 casas de moradia e 400 pessoas residentes. A imagem de Nossa Senhora da Conceição foi benta no dia 02/02/1931, havendo missa celebrada pelo cônego Alexandre Cavalcanti. Dos dias 03 a 11 de março, houve as Santas Missões, pregadas pelos frades capuchinhos: frei Félix de Olívola e frei Damião de Bozzano, havendo também o sacramento da crisma. Na data de 25 de janeiro de 1934, faleceu em Bezerros, com a idade de 69 anos, o coronel José Pessoa Souto Maior. Foi um sentimento

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profundo com a morte desse filho e benfeitor e fundador de nossa terra querida. Em sinal de gratidão, existe a estátua com seu nome gravado. 1935 1936 Foi feito um reparo na capela e rodapé pelo pedreiro João Manoel Sifrônio. Foi construído o altar do Coração de Jesus, pelo pedreiro Pedro Bezerra, pela diária de 10$000 réis, e cuja imagem foi oferecida pelo cidadão tenente Antônio Soares dos Santos. Foi benta no dia 20 de janeiro de 1937, pelo vigário, cônego Alexandre Cavalcanti e tendo custado 250$000. A imagem media 80 centímetros de altura. Até o ano de 1937, quatro filhos do então distrito de São Miguel foram prefeitos do município de Bezerros: o coronel José Pessoa Souto Maior (4 legislaturas), o capitão Antônio Soares de Oliveira (2 legislaturas), o tenente José Pessoa Sobrinho (1 legislatura) e Otávio Pessoa Souto Maior (1 legistura) e, ainda, João Pessoa Souto Maior, que foi nomeado prefeito interino. Foram conselheiros municipais: João Pessoa Souto Maior, Israel Lins de Andrade e o capitão coronel Joaquim Pontes. No dia 12/02/1939, perante os fiéis, foi realizada a Santa Missa pelo cônego Alexandre Cavalcanti e dada a benção ao Cruzeiro desta vila. As despesas da obra foram administradas por João Pessoa Souto Maior, que foi construída em dezembro de 1938. As despesas da obra importaram em 231$100 réis, por conta do sr. José Pedro dos Santos. A cruz de madeira calibrada veio da mata do mesmo José Pedro e foi feita por Jusino Costa, a uma diária de 7$000 réis. Trabalhou como pedreiro Antônio Silvestre, a uma diária de 7$000 réis. Sob a administração de João Pessoa Souto Maior, em março de 1939, foi forrada a capela de São Miguel e feita uma limpeza geral no templo. O forro, constituído de zinco, custou 1.152$000 réis, tendo sido compradas 100 telhas de zinco, com 720 pés, a 1$600 réis o pé. Trabalhou como mestre Francisco Branco, com o salário de 10$000 réis. As despesas todas somaram 2.186$000 réis (dois contos e cento e oitenta e seis mil réis), tendo sido a maior parte das despesas por conta de José Pedro dos Santos. Faleceu, com a idade de 66 anos, o sr. José Germano da Silva, residente no sítio Antas, no dia 29/06/1939. Primeiro rádio a bateria, de Diniz Miguel Pereira. Em 15 de setembro de 1940, foi feito pelo sr. José Pedro dos Santos um grande santuário de madeira por 100$000 réis e oferecido à capela de São Miguel, para a sacristia da mesma. Serviço de alto-falante comercial por Felipe Neri.

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Com a idade de 67 anos faleceu, aos sete de fevereiro de 1942, o major João Pessoa Souto Maior, deixando a comunidade de São Miguel com um sentimento profundo. Depois do coronel José Pessoa, foi ele quem mais trabalhou pelo progresso da vila de São Miguel. Seus últimos serviços prestados foram na capela, preparando a instalação para a festa de São Sebastião e São Miguel, a qual estava marcada para o dia 09 de fevereiro. São Miguel perdeu o nome, passando a se denominar Sairé. No dia 14 de julho deste ano, em sua residência, no sítio Antas, faleceu com 79 anos o cidadão Miguel Bezerra do Nascimento (conhecido por Miguel Grande). Missões pregadas pelos missionários capuchinhos frei Odorico e frei emanuel, de 11 a 18 de março de 1945, constituindo o maior movimento que houve em São Miguel, na parte religiosa. Criação da Paróquia de São Miguel Arcanjo, em Sairé, aos 25 de fevereiro, pelo Rvmo. e Exmo. Sr. Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Miguel de Lima Valverde. No dia primeiro de maio, pelas nove horas da manhã, chegou à vila de Sairé para tomar posse na paróquia o Rvmo. Padre Nestor Oliveira, acompanhado por diversos padres das paróquias vizinhas, inclusive o padre José Florentino, vigário da Paróquia de Bezerros, e o Rvmo. Cônego José Elias, da Paróquia de Gravatá, onde o padre Nestor era coadjutor. O vigário e sua comitiva foram saudados com uma grande girândola, pelo toque dos sinos da nova Matriz e por um dobrado executado pela Banda Musical 11 de Agosto, da vila de Sairé. Sem eguida, foi realizada a missa solene e lida a presente provisão. Terminado a solenidade religiosa, foi oferecido um almoço para o vigário, sua comitiva e seus convidados. À noite, a abertura do mês de maio, o qual muito participado pelos noiteiros e pelo povo, em geral. O padre Nestor levou o Apostolado da Oração, fundou a Cruzada Eucarística, formou um coral que tomou o nome de “Coral São Miguel”, formado por dez componentes. Alguns ainda cantando e alegrando o culto religioso em nossa Matriz. O padre Nestor permaneceu na paróquia até junho de 1948. Com a saída do padre Nestor, a paróquia ficou regida pelo padre José Florentino, padre de Bezerros, até 1949. A 25 de fevereiro, foi nomeado e tomou posse como vigário na paróquia o padre Carmelo R. Pinto de Abreu. Muito trabalhador, tanto na parte espiritual como material.

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Deixou marcos que nunca poderemos esquecer: o Centro Social de São Miguel, onde hoje funciona a nova Matriz; a rua Nova, que recebeu o nome Rua Miguel Bezerra do Nascimento. 1958 O padre Carmelo deixa a paróquia em julho deste ano, que passou a ser regida novamente pelo padre José Florentino, de Bezerros, até o ano de 1963. Neste ano, chegou à vila de Sairé a água da barragem do Brejão, sendo o prefeito de Bezerros o sr. Ubirajara Raposo Monteiro e o governador do estado, o Exmo. Sr. Cid Sampaio. Em janeiro deste ano, foi inaugurada a energia de Paulo Afonso em Sairé. A instalação na Matriz foi feita por intermédio de Maria do Amaral, com uma campanha para este fim. Foi nomeado como Vigário da Paróquia de Sairé o padre José Aragão Araújo, no dia 25 de maio de 1963, permanecendo até 1967. Muito trabalhou, deixando o Centro Social todo ladrilhado, algumas reformas na Matriz. Construiu a capela de São Silvestre, cujo terreno foi doado pelo sr. José Artur e sua esposa Alexandrina Celestino, conhecida por “Dona Duca” e João Lins de Andrade (Joãozinho). Conseguiu com alguns paroquianos a Via Sacra onde, nos tempos de Quaresma, são rezadas nas estações o exercício da Via Sacra na Sexta-Feira da Paixão. Em 20 de dezembro de 1963, pelo Decreto-Lei Nº 92, foi criado o município de Sairé, sendo o governador do estado o Sr. Miguel Arraes de Alencar. O autor do projeto foi o deputado estadual Dr. Adauto de Melo. A lei foi assinada no dia 23 de dezembro de 1963. A prefeitura foi instalada no dia 13 de março de 1964, sendo o prefeito nomeado o tenente Luiz Gonzaga de Oliveira e Silva, pelo Exmo. Sr. Governador Miguel Arraes de Alencar. A posse verificouse as 17 horas, com a presença de grande número de pessoas de nossa cidade, representantes do prefeito de Bezerros, sr. Alcides de Andrade Lima. Vereadores: Gaspar Bezerra de Carvalho, José Maximino de Souza. Foi nomeado por ato do sr. prefeito Luiz Gonzaga, Miguel das Neves Pessoa para o cargo de Tesoureiro. Por motivo da revolução de 31 de março, o prefeito foi demitido, ficando a prefeitura orientada pelo vereador José Maximino de Souza. A prefeitura continuou com o expediente normal. Em julho deste ano, o sr. governador em exercício, Dr. Paulo Guerra, nomeou o tenente Cláudio Bezerra da Silva para assumir a prefeitura. O mesmo residia em Recife e tomou posse no mesmo mês. Em dias de agosto, o sr. Airton José Vasconcelos assumiu a prefeitura até que houvesse eleições para os municípios recémcriados. O primeiro televisor de Sairé pertenceu ao sr. José Maximino de Souza (Zezinho Viana).

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Neste ano, no dia 25 de abril, houve eleições para os municípios recém-criados, sendo eleito pelo povo o sr. Severino Pessoa Pontes, o qual tomou posse no dia 20 de junho de 1965 e a Câmara dos Vereadores: srs. José Maximino de Souza, Onaci Souto Andrade, Santino Vieira da Silva, Luiz Antônio de Oliveira, Antônio Firmo de Vasconcelos, Francisco Bezerra das Neves, Pedro Francisco da Silva, Miguel Pedrosa dos Santos e Aírton José de Vasconcelos. Até junho de 1965, a prefeitura funcionou no prédio número 87 à praça de São Miguel, pertencente ao sr. João Antônio dos Santos. Antes da posse do prefeito Dino Pontes, Aírton Vasconcelos transferiu a prefeitura para o grupo escolar, cujo nome era: Escolas Reunidas João Pessoa Souto Maior. Para isso acontecer, o Estado outro grupo escolar com o mesmo nome. Com a administração do prefeito Severino Pessoa Pontes, o município começou a desenvolver-se. Na cidade, calçou as ruas principais, faltando apenas as ruas São Sebastião, Cleto Campelo e Dantas Barreto. Organizou a Delegacia de Polícia, construiu um grupo escolar na rua Cel. José Pessoa, ao lado esquerdo da estrada que vem da vizinha Barra de Guabiraba; construiu o matadouro público à margem da mesma e vários grupos escolares no interior do município. Criou uma escola de corte e costura que funcionou até 1971. Trouxe para a cidade a Junta de Alistamento Militar (digo, um posto), comprou para a prefeitura uma pick-up para transportar doentes para hospitais, etc. Conservou bem as estradas e vários pontilhões do município. Saída do padre José Aragão da paróquia de Sairé, em janeiro. Após a saída deste padre, ficou a paróquia entregue aos frades carmelitas da vizinha cidade de Camocim de São Félix, até janeiro de 1968. O Rvmo. padre Rogério Paiva Prata, capelão do Colégio Nossa Senhora das Dores, em Bezerros, foi nomeado para assumir a paróquia, onde ficou até 1973. Em 15 d enovembro de 1969, realizaram-se as eleições para prefeito, vice-prefeito e vereadores do município de Sairé. Dois candidatos apresentaram-se: José Maximino de Souza, eleito vereador em 1965, apoiado pelo prefeito Severino Pessoa Pontes, e Onací Souto Andrade, também eleito em 1965. O segundo foi eleito com a seguinte Câmara de Vereadores: Osmar de Albuquerque Pontes, Andrade Neves, Santino Vieira da Silva, Francisco Bezerra das Neves (Chico Jusino), José Batista dos Santos, Antônio Firmo de Vasconcelos e José Caetano Melo. Vice-Prefeito: Bibi Santana. A posse veirficou-se no dia 31 de janeiro de 1970. Criou o Ginásio Municipal, hoje Colégio Municipal e começou a construir a Maternidade Olília Mendonça Souto Maior e o CRUTAC. Eleições realizadas no dia 15 de novembro de 1972, candidato único apoiado pelo prefeito Onaci Souto Andrade, o sr. José Bezerra da

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Silva, conhecido como Bibi Santana. Com a Câmara de Vereadores: José Clóvis de Arruda, Antônio Firmo de Vasconcelos, José Batista dos Santos, José do Monte Ribeiro, José Ludgero Neto, Severino Pereira da Silva e Zacarias Ferreira da Silva. Antônio Luiz de Souza – Vice-Prefeito. Votaram 2.292 eleitores, sendo 964 votos brancos, obtendo 318 votos de frente. Construiu o Colégio Municipal São Miguel, etc. A posse se verificou no dia 31 de janeiro as 3 horas da tarde, havendo missa em ação de graças celebrada pelo Rvmo. sr. padre Rogério Paiva Prata, na Matriz de São Miguel. Compareceu às solenidades o deputado dr. Adauto José de Melo, juiz federal a quem Sairé deve sua emancipação política. Em março foi fundado o Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Sairé, por intermédio do padre Rogério Paiva Prata. Foi reconhecido no dia 09 de maio do mesmo. No dia 30 de maio de 1972, o prefeito Onaci Souto Andrade instalou o CRUTAC (Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária). 1973 No dia 02 de fevereiro, chegou à paróquia de São Miguel o irmão marista Miguel José da Silva. Aos vinte de cinco de março, em Caruaru, recebeu as ordens do diaconato, concedida pelo sr. bispo diocesano Dom Augusto Carvalho, ficando administrando a paróquia, batizando e assistindo casamentos. Na data 09 de junho, o diácono Miguel José da Silva foi ordenado sacerdote para assumir a paróquia, como vigário da mesma. A população do município contava com 17.201 habitantes, a superfície é de 92 km2. Atualmente, é de 13.714 habitantes, sendo 10.148 na zona rural e 3.566 na zona urbana. Violada a Matriz de São Miguel, na data de 15 de abril. Os ladrões levaram duas lindas imagens de madeira: Nossa Senhora da Penha e São Miguel – padroeiro de nossa paróquia. Sendo a imagem de Nossa senhora doada pelo major Antônio Pessoa e família e São Miguel, uma campanha com o povo. Existe uma esculpida pelo sr. Horácio José dos Santos, o conhecido Horácio Pequeno. Reforma do Centro Social. O padre Miguel reformou o Centro Social para a Matriz nova, dando aos fiéis mais acomodação nos atos religiosos nos tempos das celebrações, como seja: Mês de Maio, Festa do Padroeiro, Semana Santa, Missões, Crisma, etc. A mesma foi benta no dia 29 de setembro, dia da Festa do Padroeiro, pelo sr. bispo Dom Augusto Carvalho. No dia 20 de janeiro, a torre da matriz já estava terminada. Houve a festa de São Sebastião, havendo missa as dez horas. À tarde, as 16 horas, a tradicional procissão com as imagens de São Sebastião e São Miguel percorreu as principais ruas de nossa cidade. Frei Damião e frei Fernando pregaram missões de 13 a 20 de janeiro. Foi grande o movimento religioso nesses dias. Frei Damião recebeu o

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título de Cidadão Saireense na Câmara dos Vereadores do município. Festa de São Miguel. De 22 a 29 de setembro realizou-se a tradicional Festa de São Miguel. Às dezesseis horas, houve missa celebrada pelo sr. Bispo Dom Augusto Carvalho, frei Damião, monsenhor José Florentino, cônego Estanislau, cônego João Bosco Cabral, Pe. Geraldo de Bonito, Pe. Geraldo Oliveira, frei Paulo Cardoso, frei Aloísio, Pe. Geraldo de Capoeiras, Pe. José Aragão, Pe. Olivaldo e Pe. Miguel José da Silva, vigário da paróquia. Eleições de 15 de novembro. Eleito pela segunda vez para prefeito do município de Sairé o sr. Severino Pessoa Pontes e a Câmara de Vereadores: Osmar de Albuquerque Pontes, Andrade Neves de Lima, Severino Pereira da Silva, Izaias Ferreira da Silva, Braz Patrício da Silva, Possidônio João de Vasconcelos, José Batista dos Santos. A posse verificou-se em 31 de janeiro de 1977. Neste ano, foi instalado o serviço telefônico em Sairé, sendo o governador do estado o Exmo. sr. Moura Cavalcante e o prefeito do município o sr. José Bezerra da Silva (Bibi Santana). 1982 Em 15 de novembro, realizaram-se as eleições municipais para prefeito, vice-prefeito e vereadores. O prefeito Severino Pessoa Pontes, que vinha governando o município desde 1977, apresentou o candidato do PDS, José Bezerra da Silva Filho, conhecido por José de Bibi. Pe. Miguel José da Silva e Onací Souto Andrade apoiaram Everaldo Dias de Arruda, pelo PMDB. Este foi eleito com a maioria dos votos e a Câmara de Vereadores seguinte: João Germano da Silva (Bola), Severino Adelino Cabral Neto, José Hilton de Oliveira, Amaro Henrique de Freitas, Maria José Dias de Arruda, Valdomiro Marinho de Araújo, Osmar de Albuquerque Pontes, José Bezerra de Lima (Deda), Manoel Honorato de Lira Neto e Luiz Antônio de Oliveira (Luiz Quirino). Ficando na 1ª suplência Horácio Augusto da Silva, conhecido como Bacurau. Após dois anos, faleceu Amaro Henrique de Freitas, assumindo Horácio Augusto da Silva. A posse dos eleitos verificou-se no dia 31 de janeiro de 1983. Em tempo – Luiz Antônio de Oliveira assumiu o cargo de vice-prefeito. Estes ficaram à frente do município até dezembro de 1988. A Compesa, ou seja, o abastecimento d’água, foi inaugurado pelo Exmo. sr. dr. Marcos Maciel, sendo o prefeito do município o sr. Severino Pessoa Pontes (o saudoso Dino Pontes). Atualmente, a cidade conta com 1.300 ligações. O município conta 23 grupos escolares na zona rural, 2 grupos na cidade (o Marechal Costa e o Marcos Freire), 1 grupo estadual (Escolas Reunidas João Pessoa Souto Maior) e o Colégio São Miguel de 1º e 2º graus. Total de matrículas: 2.503 alunos. Realizou-se no dia 15 de novembro deste ano a eleição para prefeito, vice-prefeito e vereadores. Apresentaram-se três candidatos para disputarem o pleito: José Andrade Neves (Dadinho), apoiado pelo

1988 -

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prefeito Everaldo Dias de Arruda; José Bezerra da Silva Filho e Izaias Ferreira da Silva. Foi eleito José Andrade Neves, pelo PFL, e Valdomiro Marinho de Araújo – vice-prefeito. Formou-se a Câmara de Vereadores com nove senhores: Juarez Manoel da Silva (380 votos), Francisco Pergentino de Barros (318 votos), Possidônio João de Vasconcelos (168 votos), Carlos Henrique (Carlito – 179 votos), Severino Adelino Cabral Neto (170 votos), José Adelmo Leandro da Costa (225 votos), José Bezerra de Vasconcelos (166 votos), Luiz Henrique Bezerra Pimentel (231 votos) e Valdemar Rufino da Silva (160 votos). A posse dos eleitos verificou-se no dia 1 de janeiro de 1989, na Câmara de Vereadores do município. O primeiro ato do prefeito foi nomear Miguel Pessoa das Neves para o cargo de finanças, digo Secretário de Finanças da Prefeitura Municipal de Sairé. O prefeito José Andrade Neves, durante a gestão de quatro anos, deixou vários marcos existentes no município, podendo-se citar: aumento do hospital, creche municipal Maria da Paz de Lima Neves, praça Rosa Paixão, campo de futebol, etc. 1992 No dia 03 de outubro de 1992, realizaram-se as eleições para prefeito, vice-prefeito e vereadores. Pela segunda vez, foi eleito Everaldo Dias de Arruda, com a senhora Iraci Marinho de Araújo, e formando a Câmara os seguintes: Valdomiro Marinho de Araújo (484 votos), José Dias de Arruda (311 votos), Cláudio Alves da Silva (305 votos), Severino Adelino Cabral Neto (302 votos), Helcias Brasil da Fonseca (287 votos), José Ludgero Neto (280 votos), Francisco Pergentino de Barros ( 275 votos) e Luiz Henrique Bezerra Pimentel (260 votos). No dia 1 de janeiro de 1993, a Câmara deu posse ao prefeito e, em seguida, o sr. prefeito recebeu as chaves da prefeitura municipal. Na primeira gestão, o município muito se desenvolveu. Criou a Festa da Laranja, construiu a nova prefeitura, etc. Falecimento de Dino Pontes. Faleceu no dia 1 de maio, com a idade de 73 anos. O senhor Severino Pessoa Pontes (Dino Pontes), filho do sr. Severino Ferreira Pontes e Adriana Pessoa Pontes, residente na fazenda Limeira, município de Sairé / PE. Foi ele o primeiro prefeito eleito pelo povo, no dia 25 de abril de 1965. Tomou posse na Prefeitura Municipal de Sairé no dia 20 de junho do mesmo ano. Governou o município até 31 de janeiro de 1970. No dia 3 de outubro de 1976, foi eleito pela segunda vez. A posse verificou-se aos 31 de janeiro de 1977, governando até 1982. Dino Pontes é neto do Cel. José Pessoa Souto Maior, fundador de nossa querida Sairé, antiga São Miguel, como se lê no início deste relatório. No dia 3 de outubro, realizaram-se as eleições para prefeito, vice e vereadores do município de Sairé. Neste ano, concorreram ao pleito três candidatos: Valdomiro Marinho de Araújo, Izaias Ferreira da Silva e Zito Boy, sendo eleito Valdomiro Marino de Araújo, apoiado pelo prefeito Everaldo Dias de Arruda. Formando a Câmara de

1995 -

1996 -

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Vereadores, assim constituída: José Dias de Arruda (813 votos), Eduardo Afonso (663 votos), Iraci Marinho (555 votos), Biu de Valdemar (494 votos), Euclides Gomes (Kiba – 468 votos), Chiquinho da Massa (444 votos), Albino Geovane (352 votos), Luiz Henrique (342 votos) e Aluizio Adelino (307 votos). Vice-Prefeito: Cláudio Alves da Silva. TOTAL DE VOTOS Valdomiro 4.311 Izaias 3.552 Zito Boy 358 Brancos 292 Nulos 496 • Diferença de votos de Valdomiro para Izaias – 759 votos

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BANDEIRA DO MUNICÍPIO (1965)

Idéia de José Ernane Souto Andrade. Desenho de Edvaldo Souto Andrade. FAIXAS – uma vermelha em cima, uma branca ao centro, uma azul em baixo. Outras cores representando as cores do Arcanjo São Miguel, padroeiro da paróquia de São Miguel e município de Sairé. Em cima, à esquerda, há uma espada e, embaixo, à direita, uma balança, instrumentos utilizados pelo santo. No centro da bandeira, um círculo com o cruzeiro do sul. BRASÃO – Um círculo encimado por um balaio, Sairé, utilizado pelos índios, ladeado por dois galhos de café, principal produto do município. Abaixo uma plaqueta oval com o nome Sairé – PE, circulada por três faixas horizontais com três datas: 1907, 1911 e 1963. • 1907 – fundação da capela de São Miguel (06 de maio); • 1911 – elevação à categoria de vila, pelo general Dantas Barreto; • 1963 – elevação à categoria de cidade pelo Exmo. sr. governador Miguel Arraes de Alencar, sendo o autor do projeto o dr. Adauto José de Melo, deputado estadual. O município de Sairé deve sua emancipação a este ilustre deputado. OFICIAIS DO REGISTRO CIVIL 1º. José Bernardo Vieira; 2º. Manoel José dos Santos; 3º. José Teixeira de Abreu Peixoto; 4º. Onaci Souto Andrade.

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ANTIGOS PROFESSORES • • • • • • • • • • • • • • Maria José Machado; Joana Chaves; Maria Magdalena de Jesus Vieira Torres; José Idalino Figueiredo Lima; Herotides Pessoa Souto Maior; Julieta de Souza Barros; Áurea Maria do Nascimento; Antonina Silva; Débora Badaral; Isabel Moreira; Ernesto José de Menezes; Maria Antonieta Vieira; Maria de Lourdes Vieira; Maria Odete Vieira Torres. ANTIGOS COMERCIANTES • • • • • • • • • • • • • • João Sabido – 1º comerciante (1907) Luiz Rodrigues Manoel José dos Santos – Tabelião Moizés Geraldo de Oliveira João Pessoa das Neves José Pessoa Sobrinho Israel Lins de Andrade João Pessoa Souto Maior Joaquim Telina Antônio Caçula Diniz Miguel Pereira Manoel Ramos Joaquim Cardoso Filho Maximino Rufino COMISSÁRIOS DE POLÍCIA DO DISTRITO • • • • • • • • • Antônio Caçula Manoel Rodrigues de Souza Severino Dias de Souza José Pessoa Sobrinho Pulquério Cícero de Almeida Diniz Miguel Ferreira Severino Torres Galindo (Biu Dias) Severino Francisco do Nascimento (Severino do Brejo Novo) José Rodrigues

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Joaquim Cardoso Edvaldo Souto Andrade JUÍZES DE PAZ DO DISTRITO DE SÃO MIGUEL ATÉ 1960

1896 – José Azevedo e Silva 1898 – José Pessoa Souto Maior Filho 1904 – José Manoel Ferreira Pontes 1911 – Antônio Bezerra de Vasconcelos 1930 – Manoel Rufino Sátero dos Santos 1948 – José Germano Filho 1952 – Antônio Gonçalves Sobrinho 1958 – Maximino Rufino da Silva 1960 – Miguel Pessoa das Neves ENGENHOS DE AÇÚCAR E RASPADURA Nos anos antepassados, o distrito de São Miguel, hoje Sairé, contava com 25 engenhos para o fabrico de raspadura, sendo que o engenho Alexandria, pertencnete ao coronel Joaquim Pontes, fabricava açúcar e a tradicional e famosa aguardente de cabeça. A mesma era vendida ou distribuída para outros municípios. Limeira – Severino José Ferreira Pontes Água Branca – José Pontes Neto (Zuca Pontes) Caga Fogo – Luiz Pontes Alexandria – Cel. Quincas Pontes Serraria – José Florêncio de Barros Primavera – José Manoel de Albuquerque (senhor Badé) Sapucaia – Major Antônio Pessoa (Toinho Pessoa) Sapucaia – Cazuzinha Menino Cachoeira Grande – Júlio Latino Bezerra Cachoeira – João Bezerra de Vasconcelos (Janjão Maria) Boa Vista – José Maria do Nascimento Riachão – Lourenço Andrade Bezerra Barra de Boa Vista – Serapião Bezerra Leite (Sera) Barra de Penon – Isídio Ferreira Leite Capricho – Manoel Josino Boa Vista Baixa – Olavo Joaquim de Santana Boa Sorte – Francisco Ferreira Pontes Riachão do Itapegipe – José Azevedo e Silva Júnior Primavera – Severino Lins de Andrade Antas – Francisco Luiz Gia – Luiz Lulu Cedro – Antônio Vicente Sapucaia Alta – José Francisco da Silva Boa Vista – Francisco B. de Vasconcelos (Chiquinho) Brejo Novo – Manoel do Brejo Novo
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PREFEITOS DE SAIRÉ Luiz Gonzaga de Oliveira e Silva / 1964 – 1964 Cláudio Bezerra da Silva / 1964 – 1964 Airton José Vasconcelos / 1964 – 1965 Severino Pessoa Pontes / 1965 – 1970 Onaci Souto Andrade / 1970 – 1972 José Bezerra da Silva / 1973 – 1976 Severino Pessoa Pontes / 1977 – 1982 Everaldo Dias de Arruda / 1983 – 1988 José Andrade Neves / 1989 – 1992 Everaldo Dias de Arruda / 1993 – 1996 Valdomiro Marinho de Araújo / 1997 – 2001 Everaldo Dias de Arruda / 2002 – dias atuais HISTÓRICO DO POVOADO DE INSURREIÇÃO Em 1881, o Governo da Província de Pernambuco firmou contrato com os engenheiros ingleses Edivardo e Alfred de Monai, para assentamento de linha férrea Recife – Caruaru. Os trabalhos forma iniciados no mesmo ano, chegando à localidade Topada (hoje Insurreição) entre os anos 1894/95. Ali foi instalado um ponto de apoio para depósito de material e estacionamento de turma, ficando aquele local conhecido como Desvio, tornando-se parada obrigatória dos comboios que passavam por ali. No início de 1899, aquela linha denominada Estrada de Ferro Central de Pernambuco, administrada pelo Governo Federal, passou a ser administrada pela companhia inglesa Great Western, que decidiu tirar as paradas dos trens dali e, havendo por parte locais junto aos trabalhadores da estrada um protesto, que foi chamado pelos ingleses de “Insurreição”. Posteriormente, houve um entendimento entre as auotridades governamentais e a direção da companhia, ficou acertado fazer uma ligeira parada dos comboios ali, onde foi colocado um pequeno vagão móvel; com telefone e onde eram vendidas passagens e despachadas mercadorias. Atualmente, este vagão encontra-se no Museu do Trem, na antiga Estação Central do Recife.

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CRÔNICA ESCRITA POR AGENOR PESSOA DAS NEVES REFERENTE À MORTE DO EX-PREFEITO DINO PONTES Dino Pontes, como era conhecido por todos, foi o primeiro prefeito de Sairé, eleito pelo povo no dia 25 de abril de 1965. Deixa uma profunda dor no coração daqueles que o conheceram, homem simples como era, soube trabalhar em prol da cidade que lhe foi confiada para governar por duas vezes, quando percorremos o município encontramos serviços prestados por este que o povo escolheu. Dino Pontes eu conheci no ano de 1945 até esta data do seu falecimento. Nascido a 04 de fevereiro de 1922 no Engenho Limeira, filho do Sr. Severino Ferreira Pontes e de dona Adriana Pessoa Pontes. Era neto do Cel. José Pessoa Souto Maior, fundador do povoado de São Miguel. Batizou-se a 09 de outubro de 1922 pelo padre Antônio Ciríaco, foram padrinhos o Sr. Luiz Ferreira Pontes e dona Josefa Maria Pontes. Casou-se aos 13 de março de 1947 no Engenho Primavera com Dona Maria Neci Albuquerque, filha do casal José Manoel de Albuquerque e de Maria das Dores da Silva Albuquerque. O casamento foi efetuado pelo padre Nestor Oliveira, vigário da Paróquia de São Miguel Arcanjo. Foi Dino Pontes o primeiro ex-prefeito a falecer neste município de Sairé, no dia 01 de maio de 1995 e foi sepultado a 02 de maio de 1995. Seu corpo recebeu homenagens no prédio da Prefeitura Municipal de Sairé e, também, no plenário da Câmara Municipal de Vereadores, após a missa de corpo presente realizada na Matriz de São Miguel. Grande número de pessoas deram o último adeus após terem acompanhado pelas ruas da cidade o seu enterro até o cemitério local. Dino Pontes deixa a viúva e seus 10 filhos. Foi ele bom esposo, bom pai e amigo certo em todos os momentos. Morre o homem para o mundo e nasce para uma nova vida, a vida eterna onde vai gozar tudo o que ele fez de bom para todos os que nele confiaram. Sairé, 02 de maio de 1995. Agenor Pessoa das Neves

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PALAVRAS E AGRADECIMENTOS DO AUTOR Diante do exposto acima relatado, eu, Miguel Pessoa das Neves (Miguelzinho), sentindo-me como filho natural desta cidade que, apesar de pequena, é grandiosa no meu coração resolvi não por imperativos, mas por um dever de consciência, relatar bem pormenorizados fatos que vivificam a trajetória histórica deste município. Todavia, para escrever este trabalho, utilizei aquilo que é mais importante, que é a minha curiosidade pelas coisas da terra natal. E também devo a precisão de dados históricos a informações valiosas partidas de gentes solícitas e abnegadas, minha avó Mariana Pessoa Souto Maior e sua filha Pulciana Pessoa das Neves que, de maneira gentil e amorosa em tempos bem idos, nos ornavam com suas histórias e narrações de fatos que bem dignificam o passado não só desta cidade, mas de minha família que, modéstia à parte, é uma das mais tradicionais do agreste pernambucano. Procurei dar ao trabalho um aspecto narrativo e bem preciso na conexão cronológica. Reconheço também que, apesar de nunca ter galgado escadarias de universidades, porém, nunca faltou em meu mundo inteiro o amor pelas coisas de minha terra, pois foi nesta cidade junto com essa gente pacata e ordeira que, de maneira incomensurável, formei o meu espírito de cidadão. Agradeço também à ingente colaboração dos meus amigos Onaci, Edvaldo e Ernani Souto Andrade, como também a meu irmão Agenor Pessoa das Neves que, com suas experiências artísticas e literárias e, por que não dizer de heráldica, deram a Sairé uma conotação que ainda hoje, nos tmepos hodiernos, servem de exemplo para novas gerações desta terra, que venham a perpetuá-la. Termino a conclusão deste relatório, agradecendo de maneira veemente aquele que se encontra embuçado nas grandezas eternais. Sairé, 25 de outubro de 1999. Miguel Pessoa das Neves (Miguelzinho)

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ICONOGRAFIA

Altar-mor da Matriz de São Miguel Arcanjo

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Casa do início do século XX. Pertenceu a Onací Souto Andrade.

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Casa do início do século XX. Pertenceu a Georgina Pessoa Souto Maior.

Painel em relevo fixado na parede lateral da agência do Banco do Brasil, onde se representam a colheita da laranja e o buscapé, símbolos de Sairé.

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Busto do coronel José Pessoa de Souto Maior, falecido em 1934.

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Vista atual do sítio Limeira, antigo engenho de Sairé.

Vista atual do sítio Água Branca, antigo engenho de Sairé.

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Ruínas do antigo engenho Alexandria, que pertenceu a José Manoel Ferreira Pontes e posteriormente a seu filho Joaquim Manoel Ferreira Pontes. A casa retratada já não existe mais.

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Revisto e editado por: PAULO MARCELO PONTES (pmarcelopontes@gmail.com) Maio de 2009

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