Um Exercício Comparatista da Leitura Queer: Reflexões em torno d’El beso de la mujer araña, de Manuel Puig Anselmo Peres Al s!

RE"UM#: a articulação de uma epistemologia queer permite pensar a textualidade como o lugar de encenação de uma ficção política que questiona os regimes heteronomativos do sexo e do gênero, e propõe uma estratégia de resistência baseada tanto nos corpos e nos prazeres quanto nas políticas de representação e reinvenção das masculinidades e das feminilidades. omando os pressupostos feministas, os estudos narratol!gicos e a teoria"epistemologia queer como sustentação te!rica, realiza#se uma leitura crítica do romance El beso de la mujer araña. $ partir de uma retomada dos princípios da narratologia, investiga#se também de que forma %ou formas& o texto narrativo configura#se como espaço de negociação de uma perspectiva queer sobre a nacionalidade, a sexualidade e o gênero na enunciação liter'ria. (este sentido, a literatura reescreve tanto o corpo sexual, tido como o lugar da sub)etividade individual, quanto o corpo social"nacional, entendido como uma ficção reguladora das sociabilidades corporais e sexuais. PALA$RA"%C&A$E: literatura comparada* narratologia* teoria queer* +anuel ,uig* El beso de la mujer araña %romance&.

'()R#*U+,#: PR#)#C#L#" *E LE')URA
A noção de -ueer (ation ou -ueer .iterature é universal, pós-nacional, transnacional ou, simplesmente, é algo irrelevante nesta discussão? Ou, em outras palavras, ! pertin"ncia ou
/

0outor em .iteratura 1omparada %,rograma de ,!s#2raduação em .etras da 3niversidade 4ederal do 5io 2rande do 6ul&. ,rofessor#.eitor de .íngua ,ortuguesa, .iteraturas .us!fonas e 1ultura 7rasileira no 8nstituto 6uperior de 1iência e ecnologia de +oçambique %861 9+&. 1olaborador do 1entro 1ultural 7rasil#+oçambique %+aputo : +oçambique&, onde atua ministrando cursos de .iteratura 7rasileira, 1ultura .atino#$mericana e oficinas de 5edação 1riativa.

processo que se deu durante o século C8C. silenciada pelos imperativos heteronormativos. poderia ser feita através de três DprismasE ou DgestosE diferentes. as hist!rias de caça continuarão indefinidamente a glorificar os feitos e sucessos dos caçadores %$1. $ articulação de um pro)eto interpretativo queer mobiliza. .ugo $chugar. implica em articular um gesto interpretativo complexo. /HI= e /IH>& tem se dedicado aos estudos sobre autobiografia como gênero liter'rio. /HF?. o francês .32$5. além do lugar a partir de onde se fala. que vêm ganhando terreno no campo da teoria liter'ria <. ?@#>A&. pelo menos. de maneira a )ustificar a escolha por uma determinada estratégia de leituraG /& $ primeira possibilidade seria a de uma leitura que aposta em um biografismo %por vezes superficial& como fator determinante para a construção de uma interpretação das obras liter'rias. ratar da homossexualidade. p.e)eune %/HF/. como toda construção. apont'#los. relativas a su)eitos sociais historicamente silenciados por ocasião do estabelecimento dos cBnones liter'rios nacionais na $mérica . ais estudos não têm nada em comum com o biogra%ismo raso aqui criticado* pelo contr'rio.atina. três dimensões discursivasG o lugar a partir de onde se %ala . ?F&. como gesto de honestidade intelectual. $ aposta te!rica em uma poética queer de bases comparatistas procura compreender as linhas de força em confronto por ocasião da representação dessas identidades sexuais subversivas. até que os leões tenham os seus pr!prios historiadores. p. <==>. 1abe.hilippe .32$5. mas tão < 0esde a década de F=. (ão se fala aqui dos estudos sobre a autobiografia e a literatura confessional. dadas as variantes possíveis para o estabelecimento de um pro)eto interpretativo. $ leitura de um romance latino#americano. #lanetas sem $oca& 0e acordo com um provérbio africano.atina. <==>. o lugar a partir de onde se lêE %$1. e o lugar te&tual no qual se articula e se negocia o capital simbólico mobilizado pela representação liter'ria. o qual destacaria a tra)et!ria pessoal da vida dos escritores como a chave interpretativa mais adequada para se pensar na representação da homossexualidade. etnia e outras troubled identities? %. o lugar a partir de onde se l" e se interpreta. supõe.não nos temas de g"nero. $chugar salienta que Da reflexão ou a construção da $mérica . as reflexões sobre o estatuto da autobiografia vêm possibilitando importantes insig ts para a crítica liter'ria comprometida com as políticas identit'rias.

<& $ segunda possibilidade é dada por uma leitura DfechadaE. DlésbicaE. de 2regorK Qoods %/HHH&. que centra a intencionalidade do autor como a principal fonte dos sentidos do texto. $o ler os textos liter'rios de maneira a#hist!rica. isto é. tais como as que sugerem Dleituras gaKsE do livro bíblico de (amuel %ver. por exemplo. ou das leituras de sonetos de 6haMespeare com vistas a DsugerirE uma tem'tica de conteNdo homossexual implícito. sua Dhist!riaE cai em um impasse. bem como o fato de que a representação do amor entre iguais recebe tratamentos distintos em culturas distintas. 6e na proposta de nNmero / o autor é supervalorizado. /HHI.iterature. DhomossexualE ou DqueerE. conseqPentemente. privilegia#se o autor empírico como o lugar de articulação de valores. isto é. $pesar de istor+ aparecer no título da obra de Qoods.simplesmente do biografismo que busca indiscriminadamente estabelecer paralelos entre a obra liter'ria e a vida do escritor. a leitura de (amuel sugerida por 05$L9. p. um problema de ordem te!rica emerge aquiG uma vez que a noção de DtradiçãoE mobilizada por ele é aquela formulada por . ais leituras. de 5obert 0raMe %/HHI&. dos sentidos abrigados sob a égide de significantes como DgaKE. ficando a leitura e a interpretação a ele subordinados. no campo simb!lico. contudo. $ idéia de tradição formulada por 7loom inspira#se diretamente na idéia de superação de um autor DpaiE por parte de um como os estudos de gênero e a crítica p!s#colonial. 9m outras palavras. 0ois estudos de destaque. na proposta de nNmero < é a interpretação. @#/I&. o leitor"receptor do texto que é supervalorizado. . podem ser nomeados como sintom'ticos de tal orientação críticaG ) e *a+ . no Bmbito das tradições liter'rias ocidentais. os diferentes investimentos políticos mobilizados pelo uso de cada um desses termos. $paga#se também. e A -istor+ o% *a+ . J risco de tal pro)eto é que este implica em um psicologismo interpretativo.arold 7loom. apagando#se assim os processos de negociação.istorici'ada. não deixam de ter sua importBncia.anon. em detrimento da intencionalidade do autor. corre#se o risco de essencializar a homossexualidade como uma categoria imut'vel através do tempo. sintom'ticas de um primeiro esforço crítico com vistas a dar visibilidade Os representações da homossexualidade na literatura. de maneira des. exclusivamente baseada na tem'tica do romance.

p. a partir da formulação de novos valores através da negociação no campo cultural. ao ler o texto simplesmente como DsintomaE da vida psíquica do autor. /HHHA&. em uma espécie de Dcomplexo de Rdipo liter'rioE %7. /HH/.ogo. uma política baseada na performatividade da intervenção social realizada simbolicamente pelos artefatos culturais. a partir deste gesto de leitura. $ limitação do pro)eto interpretativo nNmero / %que poderia ser descrito como biogra%ista& é a de minimizar a plurivalência dos sentidos do texto liter'rio. delineia#se algo que pode ser descrito como uma Dpolítica afirmativa das identidades sexuaisE. <==/. a materialidade do texto liter'rio é tomada em suas relações com os lugares de enunciação e interpretação. sem desvincular a obra de suas relações com o tempo hist!rico. )' descrita pela crítica feminista como uma met'fora falocêntrica e patriarcal. a experiência do autor se vê refratada no texto liter'rio por ele escrito. AF#H>&. 9sta perspectiva privilegia a subversão textual das representações das identidades de gênero e de sexualidade tanto quanto o questionamento dos arran)os hegemTnicos da família burguesa %declinada em termos heteronormativos&. inspirada. (esta proposta. h' apossibilidade de uma leitura que valoriza a textualidade como potencialidade de intervenção pol/tica e social. . e levar tal experiência em consideração no momento da leitura pode contribuir em muito para um pro)eto crítico#interpretativo. privilegia#se a materialidade do texto. ao tentar )ustificar os sentidos atribuídos ao texto através de uma onipotente intencionalidade do autor ou de recair em interpretações psicologizantes. em certos aspectos.$2(J(. $ idéia de uma Dpaternidade textualE.ostula#se. o qual tenta superar seu antecessor. Jbviamente. torna#se ainda mais inadequada ao se falar em um regime de identidades sexuais historicamente rechaçadas pela heteronormatividade. (o pro)eto interpretativo nNmero <. nos .JJ+.autor DfilhoE. 6eria a Dpaternidade textualE uma met'fora suficiente para descrever a relação autor#texto em uma tradição liter'ria escrita por homens homossexuaisS @& 4inalmente. J problema situa#se na supervalorização da intencionalidade do autor como a Nnica : ou a mais importante : via de acesso para a compreensão do texto liter'rio %1J+. $s três modalidades de leitura descritas acima possuem suas limitações. .

isto é. 8ndo mais além. p. em poucas palavras. J pro)eto interpretativo de nNmero @. as políticas performativas de resistência e subversão denotam Da potentiallK revolutionatK inaptitude : perhaps inherent in gaK desire : for socialitK as it is MnoVE %7956$(8. F/&. $inda segundo 7ersani. tal como formulada por Uudith 7utler %<==A.atina. 0e maneira curiosa e sintom'tica. uma norma social para se viver as pr'ticas homossexuais. implicaria em um gesto de desonestidade intelectual não sinalizar as críticas que tais estudos sofrem no campo acadêmico. $o se investir em políticas assimilacionistas. odavia. instituindo#se assim a DhomonormatividadeE. /HH=&. Dressignification cannot destroK* it merelK presents to the dominant culture spectacles of politicallK impotent disrespectE %7956$(8. um imperativo metropolitano que remete Os particularidades do movimento gaK de países desenvolvidos europeus e norte#americanos. garante#se a visibilidade e a legitimidade para gaKs e lésbicas* por outro. como uma Dhomossexualidade normativaE. as if an undermining Vere enough to establish and direct political . p. três anos antes de 7ersani as formularG Dthe goal of this analKsis then cannot be pure subversion. marcada por outras contingências identit'riasG a de raça %branca& e a de classe social %burguesa& %0322$(. de acordo com os seus críticos. no fato de que a teoria da performatividade. nas rasuras da transnacionalidade do movimento homossexual. de evidente matriz p!s#estruturalista.resultados alcançados com a mesma estratégia por outros grupos socialmente subalternizados.eo 7ersani. <==<&. /HH@. $inda que se)a a postura adotada no presente trabalho. ?/&. tais como as pertenças raciais e nacionais. este pro)eto pode recair em uma Dguetização minoritaristaE cu)o efeito é o de essencializar as identidades sexuais. apagam#se outras importantes diferenças constitutivas da identidade. as quais não se mostram necessariamente as mais adequadas para se pensar questões de sexualidade e sociabilidade na $mérica . a pr!pria Uudith 7utler responde a estas questões. por um lado. /HH@. pode#se ainda observar. J grande pre)uízo de um pro)eto interpretativo calcado nas premissas dos estudos queer estaria. 0e acordo com . <==A& e 9ve LosofsMK 6edgVicM %/HI?. supostamente ruiria com a plataforma conquistada pelos movimentos sociais cu)o ob)etivo foi a liberação sexual. mostra#se mais de acordo com uma postura interpretativa alinhada com os estudos queer. 9sta homonormatividade pode ser descrita.

sob a rubrica do parentesco. Jutro importante estudo que deve ser aqui mencionado é o de Uonathan (ed Latz. 9m (traig t 1it a )1ist2 3ueer ) eor+ and ) e (ubject o% -eterose&ualit+. volume de artigos organizado por 1alvin homas. mopping.. esta Dreformulação do parentescoE deve ser entendida no sentido de um dilatamento da noção. como forma de designar o desvio de comportamento sexual caracterizado pela atração sexual por uma pessoa do mesmo sexo.95. intitulado A 4nvenção da -eterosse&ualidade %/HH>&.struggle..95. in much the same VaK as men have not had to thinM of themselves as being gendered and Vhites not had to thinM of themselves as racedE % . de Lraft#9bing. <F&. em uma defesa pNblica da homossexualidade W. J primeiro uso pNblico da palavra de LertbenK eterose&ual ocorreu na $lemanha em /II=. reading and becoming legendarKE %73 . todas na quarta edição alemã de #s+c opatia (e&ualis. $o contr'rio do que afirma . $ pergunta ret!rica é respondida em seguidaG Din the re%ormulation o% 0ins ip. surge somente em /II=G WLarl +ariaY LertbenK usou publicamente pela primeira vez o seu novo termo omose&ualit+ no outono de /I>H. /HH>. p. Latz faz um levantamento. D. p. associando#os O perversão não#procriativa %L$ ]. <==A.95. por sua vez.J+$6. os esforços políticos implicados nas teorizações dos estudos queer vêm produzindo importantes formulações na redefinição mesma das identidades heterossexuais. como eu observei. através de investigação nos manuais de psiquiatria e psicopatologia.eterossexualE. /HH@. the redefinition of the Zhouse[ and its forms of collectivitK. D6exual . mencionou os eterose&uals de Lraft#9bing. eterose&ual passou em três anos para o inglês. \ia Lraft# 9bing. in particular. .erversionE. <==<. (aquele ano. em um folheto anTnimo contra a adoção da lei da %ornicação antinatural em toda a $lemanha 3nida. averiguando as datas nas quais as palavras DhomossexualE e DheterossexualE aparecem pela primeira vez. $ proclamação pNblica da existência do homossexual precedeu a revelação pNblica do heterossexual.eo 7ersani.Y -eterose&ual fez a seguir quatro aparições pNblicas em /IIH.omossexualE e DhomossexualismoE surgem em /I>H. >A&. arran)os familiares que não este)am calcados no modelo heteronormativo de família nuclear. p. Liernan. /HH@. to rethinM the terms that establish and sustain bodies that matterSE %73 . o artigo do 0r. p. D. chegando pela primeira vez O $mérica em /IH<. al como se pode depreender de obra posterior da fil!sofa estadunidense %73 . de maneira a poder incluir. observa#se o questionamento da heteronormatividade a partir de um locus de enunciação queerG Dstraights have had the political luxurK of not having to thinM about their sexualitK. <A=&. also. p. /=<#/@=&. mothering. WXY 7ut hoV. <A=#<A/&.

tal caminho investigativo esbarra em um grande problemaG o fato de que consider'vel parte dos escritores latino#americanos que se viram escrevendo sobre temas relacionados Os sexualidades não#heterossexuais %em particular. o qual afirma ter se inspirado na relação que vive com 7aKlK para escrever seu romance. a homossexualidade não era um traço determinante na constituição de suas identidades liter'rias. separado da sua antiga esposa e pai de duas filhas. ao menos em suas afirmações pNblicas com relação O questão %7966$. . . constru/da&. p. p.' que se acrescentar a esse repNdio da escrita autobiogr'fica os imperativos homof!bicos no contexto latino#americano. e que tal DinvençãoE é posterior O DinvençãoE da DhomossexualidadeEG 8sso deu início a uma tradição de um século na qual o anormal e omosse&ual foram apresentados como um enigma e o normal e eterosse&ual presumidos. bissexual.or um lado. /HHF. +artín. que se apaixona por 4elipe 7roVn. intitulado 8i amado 8ister $9 %<==>&. advindos tanto das direitas situacionistas dos governos ditatoriais quanto das esquerdas revolucion'rias oposicionistas na década de F=. e não uma suposta Dinaptidão revolucion'riaE.$ssim. autor de Onde andar! 6ulce 7eiga? %/HH=&. . 5eflexões como as de homas e Latz sinalizam o potencial político dos estudos queer. sobre a homossexualidade masculina& rechaçou reiteradamente qualquer possibilidade de identificação entre suas vidas pessoais e suas obras liter'rias.uis 1orbacho. é assumida por . /HH>. e em outras ocasiões ao erotismo normal e procriativo. para escritores como o argentino +anuel . >>&. . um maduro escritor peruano. /HI?.uig. <=I&. 8ndependentemente de ser o traço biogr'fico importante ou não na constituição dos sentidos articulados em um romance. conta a hist!ria de um )ovem )ornalista argentino. autor do romance El beso de la mujer araña %/HF>& ou brasileiro 1aio 4ernando $breu. p. da mesma maneira que 7aKlK inspirou#se em amigos e parentes para escrever os dele. período em que vem a pNblico o @ J romance de estréia de . ademais de explícita. o novo termo eterosse&ual ganhou o mundo. $ associação entre o fictício 4elipe 7roVn e o escritor Uaime 7aKlK. um escritor como o peruano Uaime 7aKlK. F#/F* ^$L95. tal como afirma 7ersani. (as Nltimas décadas do século C8C. tornar pNblico e normalizar o novo ideal heterossexual %L$ ]. o qual vem logrando sucesso com seus romances e com sua carreira de apresentador de televisão. Os vezes ligado O perversão não#procriativa.uis 1orbacho @.or outro. autor do romance 5o se lo digas a nadie %/HHA& declaram#se publicamente como bissexual. $ teoria de 6igmund 4reud a)udou a fixar.uís 1orbacho. o autor sugere que a categoria analítica DheterossexualidadeE foi historicamente DinventadaE %isto é. mantém uma convivência bastante amistosa com sua ex#esposa e suas duas filhas e : ao menos até o final de <==> : mantivesse uma relação de domínio pNblico com o )ornalista argentino .

mais do que essa intencionalidade do autor.$. é pertinente ressaltar que. mesmo que reivindique a neutralidade&. a possibilidade de abordar a política em seus textos. 8sto implica afirmar que a questão não é a realização de uma leitura política ou enga)ada a partir de determinados valores %afinal. de maneira muitos dos escritores latino#americanos tiveram de buscar. . é a performatividade semi!tica do texto liter'rio a principal respons'vel pela articulação e produção dos sentidos.uig. p. /HH<. a literatura e a cultura %U$+96J(. obviamente. 3ma vez que o potencial significativo de um texto não pode ser dado somente como decorrência da intencionalidade de um autor empírico. toda leitura o é. na ficcionalização de temas fant'sticos. ao mesmo tempo. $ supervalorização da intencionalidade do autor no exercício da crítica e da interpretação liter'ria denota o desconhecimento de que tanto o trabalho do crítico quanto o do leitor são indissoci'veis das condições hist!ricas que os determinam como su)eitos sociais de seu tempo. o que )' levou críticos como Uosé $mícola a considerar tal romance como obra de :eltliteratur %$+_1J. mas o fato de que a crítica liter'ria é um trabalho consciente de seu comprometimento com uma determinada concepção política do que vem a ser a arte. admitir a autobiografia como forma liter'ria legítima seria o mesmo que outorgar audiência Os vozes subalternizadas pelas tendências políticas dominantes.romance El beso de la mujer araña9 9m tal con)untura hist!rica. /?#/=@&. # E"CR')#R%ARA(&A E "UA" )E'A" )E-)UA'" A veces una palabra puede obrar milagros9 %+anuel . não é e nem se pretende neutro ou isento. na medida em que as representações neles presentes se fazem a partir de um locus enunciativo que. questões estéticas %e"ou formais& e pol/ticas. 4az#se importante ressaltar que este trabalho não toma o texto liter'rio apenas em suas especificidades liter'rias* ele também pensa o texto liter'rio como um artefato cultural a articular. El beso de la mujer araña& El beso de la mujer araña dispõe de uma vasta fortuna crítica.

ittérature .anesi para a .atina. em trabalhos contemporBneos sobre a estruturação narrativa do romance.uig como obra modelar a tratar a vivência da homossexualidade na $mérica . os essencialismos em torno da figura do guerrillero e do maricón são desmontados e questionados. . C8C&9 al ponto coloca dois problemas para a presente an'lise comparatista.ara<bes et A%ricaine du ==>me (i>cle . sobre o papel das notas de rodapé. cabe mencionar o estudo realizado por 0aniel 7alderston %<==<.uig. ou ainda. anotações e investigações realizadas por . como também um con)unto de pré-te&tos.atino-Américaine. cu)a principal função é a manutenção e o estudo dos manuscritos liter'rios latino#americanos do século CC. El beso de la mujer araña é o quarto romance de +anuel . considerado o grande intelectual do movimento homossexual australiano. ?>A#?FA& a respeito das notas de rodapé. têm colaborado para redimensionar a compreensão da literatura latino#americana e suas relações com os cBnones da literatura ocidental.1$ CC&.olección Arc ivos.<==<. des .atino-Américaine. des . 3ma das descobertas mais relevantes realizadas por 7alderston no referido artigo foi a de que a maior parte das notas sobre homossexualidade baseia#se não em uma exaustiva pesquisa bibliogr'fica sobre o assunto.iberation %/HH@&.olección Arc ivos é um pro)eto da Association Arc ives de la . p. (o romance de . como se acreditou durante muito tempo. de autoria de 0ennis $ltman. $ título de ilustração.uig durante o processo de elaboração de El beso de la mujer araña. Js volumes da coleção.ara<bes et A%ricaine du ==>me (i>cle %$. odavia. incluindo não apenas as diferentes variantes manuscritas e datilografadas.uig.` pro)eto da Association Arc ives de la . al edição configura#se como obra crítica de cunho genético#filol!gico. $s polêmicas notas de rodapé também suscitam interpretações divergentes. é no ano de <==< que surge uma edição desse romance de importBncia singularG trata#se da edição crítica organizada por Uosé $mícola e Uorge . isto é.. 9m primeiro lugar. . organização não#governamental patrocinada pela 3(961J. p.ittérature . mas em apenas um livro. organização não#governamental da 3(961J. alicerçado em apontamentos tomados por +anuel . h' que se resistir O tentação de considerar o romance de .uig paralelamente O escrita do romance. intitulado -omose&ual2 Oppression and . 1umpre assinalar que. amparados por uma mirada genética na organização das edições críticas. obrigando o leitor a saltar do texto Dde cimaE ao texto Dde baixoE durante grande parte A $ . na medida em que desestabilizam a linearidade da narrativa.ublicado em /HF>. esta documentação pré#textual tem propiciado importantes insig ts críticos.

/HI?. +íriam . foi também traduzida DsemiologicamenteE para o teatro por seu pr!prio autor %inconformado com as adaptações que haviam sido feitas de sua obra até então& bem como para o cinema.uig tem de considerar. $ repercussão do filme. foi premiado com o Jscar de melhor ator para . /<? min&. @? mm. trazendo Qilliam . 5aul Uulia. ao menos em parte. . no cen'rio mundial. . J filme? de 7abenco.urt.er o romance de . El beso de la mujer araña conseguiu.éctor 7abenco.eal +aia e 4ernando orres %7rasil e 9stados 3nidos. em um espaço de tempo relativamente curto. 2iordano subscreve a afirmação de Uosé $mícola ao reconhecer o romance ? O $eijo da 8ul er Aran a ?@iss o% t e (pider :omanA9 0ireçãoG .éctor 7abenco. después de la muerte de .or fim. ao resistir reiteradamente aos lugares para ele designados pela crítica. (ão bastando ter sido traduzida para mais de quinze idiomas. <==<. Uosé .ires.do romance. Qilliam . o livro instaura uma problem'tica an'loga O postura crítica queer. a imensa fortuna crítica que vem sendo publicada nos Nltimos trinta anos. $pesar da resistência de El beso de la mujer araña Os tentativas de uma leitura definitiva.Y ni los que se multiplicaron todavía con maKor intensidad en los Nltimos aaos.uig através de uma perspectiva que o coloca contra todas as formas de normalização identit'ria corrobora a afirmação de $lberto 2iordanoG Dni los estudios críticos que acompaaaran su desarollo W. (uno .urt..eVgoK. a utilização do discurso direto elide a presença de um narrador tal como é definido tradicionalmente pela narratologia. +ilton 2onçalves. foi um evento de consider'vel monta para reavivar o interesse da crítica sobre a obra de +anuel ..uig en /HH=. impossibilitando a fixação de uma leitura Nnica. . pelo cineasta .uig ao longo da segunda metade da década de I=. pudieron desplazar a esa obra WEl beso de la mujer arañaY del lugar excéntrico que # invent'ndolo # vino a ocuparE %28J52$(J.urt no papel de +olina e 5aul Uulia no de \alentín. 9lencoG 6Tnia 7raga. argentino radicado no 7rasil.uig. p. ou como ponto de partida. recobre#se de uma Daura queerE. A>@&. consagrar#se simultaneamente como best-seller comercial e como obra de :eltliteratur. . nas quais a política de resistência O normalização identit'ria é valorizada. -ualquer trabalho crítico a respeito da obra de . 1omo um artefato cultural a desafiar a fixação de uma leitura unívoca e de uma identidade textual planificada.

considerado uma de suas bases > raduzindo literalmente. cabe citar a utilização do discurso direto como principal modalidade na construção de seus romances. 0aí a familiaridade do escritor argentino com as convenções do roteiro cinematogr'fico. definidos como Dromaces 'gua#com açNcarE.uig ao cBnone latino# americano. comentado.uig forma parte del canon de lo que deve ser leído.uig hace parte de lo que las instituciones pertinentes establecen que es el Zcanon de la literatura latinoamericana[E %28J50$(J. dentro dos estudos liter'rios. odavia. .inematogra%ia di Coma em /H?>. $ vertente crítica que hesita em atribuir aos romances de . basicamente. tendo inclusive estudado no .uig son sabrosos. 9ntre estes elementos. F/<&. foi a emergência de paradigmas críticos. . /HH<. la literatura de . AF/&. h' que ressaltar que o evidente pertencimento de . o Dromance cor#de#rosaE pode ser equiparado aos romances melodram'dicos. Jutro ponto importante a colaborar para a canonização da obra.8$(9. .9. K estudiado de nuestro continenteE %28J50$(J. as quais reverberam na sua escrita.como obra canTnica dentro da literatura latino#americanaG Ddesde hace m's de una década. como bngela 0ellepianeG Dlos libros de . p. <==<. alicerçados em tendências como a p!s# modernidade. 0e ahí a que sean creaciones liter'rias haK mucha diferenciaE %09. p. emotivos.olección Arc ivos visibilizaria o processo de assimilação do seu romance pelo cBnone. p. <==<.entro (perimentale di . 8sto se deve.uig o status de literatura lança mão do fato de que o autor utiliza deliberadamente um registro de escrita muito pr!ximo O língua oral.uig ter sido escolhido como um dos autores a figurar dentro da . ou o car'ter de :eltliteratur de El beso de la mujer araña. como assinala 2iordano. o fato de . desiguales en su construcci!n novelesca. de radionovelas melodram'ticas e do romance folhetinesco.' mesmo quem hesite em atribuir valor liter'rio aos seus romances. a crítica feminista e os estudos subalternosG Dsostenida en la posibilidad de representar los valores propuestos por estos programas críticos. humorísticos. sugerido por $mícola. AF=&. antes de se entregar O literatura. não configuram uma postura de unanimidade crítica. J recurso. 4inalmente. . O intenção de incorporar na sua obra elementos do cinema hollKVoodiano..uig tentou trabalhar como cineasta. $ficcionado pelo cinema hollKVoodiano das décadas de A= e ?=. conhecido na $rgentina como novela rosaB.

a partir de uma pr'tica textual. os livros de . findaria por constituir um importante deslocamentoG repensar a constituição das identidades pessoais. ) e $uenos Aires A%%air9 1ontudo. ao cruzar teorizações acerca da escrita liter'ria. superego e id. isto é. p.uig de)! durante el proceso previo K paralelo a la redacci!n de la novela&. agrega#se ainda o recurso do it'lico para marcar o monólogo interior e o pensamento introspectivo dos personagens em determinados momentos da narrativa. como por exemplo.uig. ainda que tenha suas limitações. al met'fora. /HI/ e <==<* F J recurso Os notas )' havia sido utilizado por . ainda ho)e. $ met'fora freudiana identificada por $mícola. continua a produzir inquietação por parte dos estudiosos de sua obraG as notas de rodapéF. fazem referência a documentos factuais. donde constantemente se alude a un espacio tridimensional simult'neo para el decurso narrativo de los capítulos de la novela %$+_1J. no discurso direto de \alentín e de +olina* o inconsciente %id& est' sinalizado pelos momentos de introspecção. é nesse romance que . é bem# sucedida ao ressaltar a importBncia da interface entre a dinBmica narrativa e os temas articulados na obra de . não chega a surpreender ao ser utilizado em El beso de la mujer araña9 1ontudo. importantes diferenças merecem ser assinaladas. Uosé $mícola. $ dimensão consciente %ego& emerge nas falas. não é apenas uma inferência baseada no olhar crítico. <==<. 9sta Dmet'fora freudianaE.uig em seu romance anterior. marcados textualmente pelo recurso do it'lico* por fim.uig utiliza uma outra estratégia que.erbert +arcuse e Late +illet. contudo. o superego est' representado nas notas de rodapé.or lo menos. a maior parte deles foi produzida em um contexto no qual os ecos do estruturalismo francês se faziam ainda presentes na postura te!rica hegemTnica dentro dos estudos liter'rios %9]-3955J. e mesmo coletivas.$. do exercício da escrita liter'ria.estilísticas desde suas obras anteriores.uig. ainda que possa ser questionada. as quais correspondem ao discurso acadêmico e Os vozes autorizadas no mundo exterior O cela. . 9sforços críticos para compreender a articulação narrativa de El beso de la mujer araña abundam. isto é. uma vez que em El beso de la mujer araña as notas. CC#CC8&. 9sta variação tripartite dos registros de escrita sinaliza uma primeira dimensão metaf!rica do romanceG a clivagem da identidade individual em ego. além de serem muito mais extensas. ao analisar os manuscritos originais de . cs falas em discurso direto que dão a conhecer os personagens e Os notas de rodapé. el intento autorial que se lee en los bosque)os que hemos denominado D$rticulaciones (arrativasE %un grupo de anotaciones manuscritas sumamente sugerentes que . declara que a met'fora freudiana sinalizaG .

AH=&. \alentín. de certa maneira.uig utiliza#se quase que exclusivamente do discurso direto. +olina ocuparia o lugar do narradorG Dpasa como si +olina. no sentido de evidenciar Del alcance ideol!gico del tratamiento de la escrituraE %9]-3955J. <==<. . por ocasião do discurso articulado nas notas de rodapé. p. um narrador externo.oo0 out %or +oursel% : at pleases me is paradise %Uohn Qaters. 1omo si +olina supliera la Zausencia[ del narrador representando su papel o la funci!n de la instancia narradoraE %9]-3955J. +ilagros 9zquerro realiza um exaustivo estudo descritivo dos diferentes recursos estilísticos empregados pelo autor em El beso de la mujer araña. . pero que éste no hace. usurpam a função da voz narrativa. A (ARRA+. para compreender os resultados de se associar uma perspectiva queer com a leitura do mesmo. <==<. é mister reavaliar determinados aspectos formais do romance. o que equivale a dizer que um narrador DausenteE ou DobnubiladoE estaria implícito. sem a intervenção de um narrador. . p.ara ela. hiciera todo lo que incumbe al narrador borrado. $ an'lise de 9zquerro atribui a presença de dois narradores do romanceG um narrador obnubilado pela voz de +olina %equivalente a um narrador#personagem& e um segundo. (este movimento discursivo de contar hist!rias para seu companheiro de cela. Demale )rouble& 9m D6haahrazad ha muertoG las modalidades narrativasE. particularmente.ogo. AIF&. J romance de . nos momentos em que +olina recria filmes hollKVodianos da década de quarenta para seu interlocutor.L955. al narrar.# *# C#RP# P#R UM (ARRA*#R "EM C#RP# 4 got lots o% problems Demale trouble 8a+be 4Em t1isted Demale trouble -e+F (pare me +our morals . /HIF&. os personagens +olina e \alentín.

?=<&. $o construir a categoria de narrador borrado %que poderia ser traduzida como Dnarrador ausenteE. ao afirmar a existência de dois narradores e nenhum Denfoque ou ponto de vistaE. <==<. <==<. interior de los persona)es. la del Dpunto de vistaE o Dfocalizaci!nE del narrador. p. $quí. la convenci!n se rompe K se sustituKe por otra diferenteG la ruptura aparece seaalada por el cambio tipogr'fico %9]-3955J. aparezca fragmentada. <==<. W. <==<.. AH>&. la funci!n narradora. $ tese de que h' dois narradores %ou um narrador fragmentado& e nenhuma focalização é improcedenteG a noção de %ocali'ação é muito mais apropriada para dar conta desta Dheterogeneidade narrativaE do romance do que a de uma suposta voz narrativa. que generalmente se mantiene idéntica a lo largo de un texto. $inda que proponha uma interpretação an'loga O que ser' aqui apresentada. 6e trata. discorda#se aqui da posição de 9zquerro. ?=<&. $firma elaG W9n El beso de la mujer araña Y la instancia narradora no aparece ba)o sus formas usualesG narrador impersonal o narrador en primera persona. la trascripci!n de un mon!logo supone una visi!n sub)etiva. p.eK. de una pura convenci!n narrativa. p.Y 9ntonces no haK DenfoqueE o Dpunto de vistaE del narrador. ou ainda. todas funciones de la narraci!n %9]-3955J. desmembradaE %9]-3955J. uma vez que o argumento que prega a autonomia dos personagens no romance de . não chega a ter grande papel na construção de sua an'lise.8nteressa retomar aqui não apenas a conclusão a que chega 9zquerro como também os argumentos que a possibilitaramG Dno es pues fortuito que. 8sso fica particularmente evidente quando 9zquerro se ocupa da descrição dos mon!logos interiores dos personagensG 9videntemente. tem#se como conseqPência o apagamento dos diferentes níveis de focalização. conflictiva. ou ainda. sino la presencia inmediata K absoluta de los persona)es que asumen. solos.uig não d' conta das notas de rodapé. sin embargo. como Dnarrador apagadoE&. $ categoria de focalização. por supuesto. portadora del signo de la . $ssim.. quando 9zquerro se ocupa do papel desta voz narrativa DfragmentadaE %9]-3955J. AII#H&. 9l narrador se borra tras la ficci!n de una asimilaci!n total a cada uno de los personages sucesivamente. os quais são reduzidos O condição de mera convenção narrativa. na de Dvoz narrativaE. 3ma vez que a focalização é respons'vel pela maneira através das quais os fatos são apresentados. ela se configura como elemento estratégico para desestabilizar a autoridade unívoca de um narrador . mencionada brevemente por 9zquerro. cabe destacar que este raciocínio est' embasado na categoria de DnarradorE. p. en una novela que pone en escena tantos aspectos del poder represivo.

uig. o que se estabelece é )ustamente um movimento de %ocali'ação interna. J efeminamento de +olina e a sua orientação sexual colaboram para que \alentín não reconheça a imaginação de +olina como um procedimento cognoscente v'lido para compreender a tortura. bem como a sua inscrição na cultura como significante social. na qual a legitimidade do discurso científico é subvertida e substituída pelo discurso DcientíficoE de um personagem. o narrador externo %extradiegético& das notas de rodapé abre espaço para que o livro (e&ualidad + revolución %título sintom'tico da DrevoluçãoE que o narrador alme)a para a questão da homossexualidade& apresente uma possibilidade para que se compreenda a homossexualidade como um ato de insubordinação frente Os hierarquias opressivas a delinear a DcoerênciaE das identidades de sexo e de gênero. o ideologema do corpo refrata os discursos médico. as questões aí articuladas não são audíveis nem perceptíveis para os outros personagens. as notas de rodapé estabelecem uma dobra textual e&terna O fabulação %mas interna O hist!ria e O narrativa&. que delega a focalização interna a diferentes consciências no decorrer do romance. os quais são . 0epois de uma extensa tarefa de revisão bibliogr'fica com relação ao tema da homossexualidade.aralelamente O ação apresentada no enredo. o investimento na escrita e em seu potencial dis)untivo com relação aos saberes hegemTnicos é evidenciado pela dobra textual que divide El beso de la mujer araña em dois. que toma como base a temporalidade necess'ria para o estabelecimento dos di'logos entre +olina e \alentín. .or ocasião dos Dmon!logosE de \alentín e +olina. . R através de um focalizador externo.ara +anuel . registrados em it'lico no romance. ao mesmo tempo em que \alentín considera a sua pr!pria imaginação como recurso dotado de validade epistemol!gica para conhecer a verdade sexual do corpo de seu companheiro de cela. característica fundamental do estabelecimento de um focalizador interno. 1omo função textual e pluridiscursiva. apesar de se configurarem como mon!logos. (o romance de +anuel .uig. importa problematizar o regime bin'rio dos corpos sexuados.externo %ou de um narrador impersonal. . ora de \alentín. categoria mobilizada pela autora&. que a autoridade monolítica de um narrador impessoal é questionada. na medida em que tais Dmon!logosE não passam da verbalização dos pensamentos. ora de +olina* e. )urídico e psiqui'trico sobre os limites do corpo biol!gico.

?@#>A. como estratégia para legitimar a enunciação de seu narrador %que subscreve a idéia de que a homossexualidade pode configurar um posicionamento revolucion'rio&. p. 7elo .uig. na composição de um personagem.uig se d'. . . /HH=. o qual.os manuscritos. 0ennis.L'#/RA0'A $7593. <==<.iberation. . $1.isleK (ascimento. (eV ^orMG (eV ^orM 3niversitK .auloG 1ompanhia das . mesmo estando mergulhado profundamente nos pressupostos de uma masculinidade heterossexual.tomados como determinantes na constituição do gênero. uma vez que é através da tortura do corpo que o aparato estatal repressivo tenta disciplinar o guerrilheiro. coloca os significados instituídos pelo discurso ficcional em paridade com o discurso científico sobre a homossexualidade.382. +anuel. contudo.etras. Onde andar! 6ulce 7eiga? 6ão . $+_1J.'.ress. . .eões.. o narrador de .iteratura e . +olina. Uosé.anesi. no qual se)a possível a síntese entre a revolução política e a revolução sexual. El beso de la mujer araña9 9dici!n crítica coordenada por Uosé $mícola K Uorge . ao subsumir a identidade de seus personagens ao questinamento dos limites do corpo biol!gico %em +olina& e do corpo político %em \alentín& sugere que as imposturas com relação O performatividade do gênero embaçam a legibilidade cultural de certos corpos. 8nG . a despeito da materialidade do seu corpo biol!gico masculino. <==>.$. /HH@. tem uma aguda percepção do corpo como um lugar de resistência política. $ subversão do ideologema do corpo em . $.uig reivindica um terceiro espaço de produção de saber. J investimento no corpo como signo de resistência política também é operacionalizado na construção do personagem \alentín. o qual transita entre o gênero masculino e o gênero feminino. . . .32$5.1$ CC. ao deslocar o narrador para as notas de rodapé. 1açadores e .orizonteG 34+2.istoriadoresG a prop!sito das políticas da mem!ria e do esquecimento.ugo. 8nG #lanetas sem $oca2 Escritos E%"meros sobre Arte.ultura. 1aio 4ernando. +$(. -omose&ual2 Oppression and .uig. +é)icoG $. $o mascarar o locus do narrador através da criação de uma DpersonagemE sex!loga. rad. .

entur+9 (eV ^orMG he . El beso de la mujer araña9 9dici!n crítica coordenada por Uosé $mícola K Uorge . Uudith. 73 . +é)icoG . <==/. +anuel.anon9 6an 0iego and .e +irailG 8nstituto de 9studios . <==A. A AngHstia da 4n%lu"ncia9 /HH/.-Cio9 (Nmero A.avra. .J596. 5io de UaneiroG 1ivilização 7rasileira.$.$2(J(. 7$^. 6exualidad K revoluci!nG en torno a las notas de El beso de la mujer araña9 8nG . 73 .JJ+. <==@. El beso de la mujer araña9 9dici!n crítica coordenada por Uosé $mícola K Uorge .uís. 5o se lo digas a nadie9 7arcelonaG . 5enato $guiar. #a.orizonteG 34+2. F#/?.eo. /HHA.ispanoamericanos. ddddd. p.95. 8s Linship $lVaKs $lreadK .95. 1J+. p.os $ngelesG 31.382.laneta. /HHI.382.ress. Cevista do 6epartamento de . 5io de UaneiroG 2rKpho.arcourt 7race. J $utor. bngela. ) e :estern .& (panis American Aut ors2 ) e )1entiet . +arcelo 6ecron. p..^. 05$L9. Uudith. /HHF. 3niversité de oulouse#.ondonG 5outledge. . ddddd. /HH?. #roblemas de *"nero2 Deminismo e a (ubversão da 4dentidade9 rad. 7966$. . ddddd. p.etras da #G.J. p. 3ue raconter cEest apprendre J mourir2 essa+ dEanal+se dE 9l beso de la mu)er araaa. 7. <==<. 8nG . $odies ) at 8atter. 09.ress. <==A. @#/I. -omos9 1ambridgeG . 6haarazad ha muertoG las modalidades narrativas. ) e *a+ . 5obert.anesi.ondonG 5outledge.0956 J(.isa. 73 . /HH@. <==<.arvard 3niversitK . ddddd.anon2 *reat $oo0s Ever+ *a+ 8an ( ould Cead9 (eV ^orMG $nchor . +anuel .eterosexualS 8nG Gndoing *ender9 .9.omum9 7elo . AF#H>. /HI/. rad. 7956$(8. Uudith. +ilagros. $rthur (estroVsMi. Gndoing *ender9 .ondonG 5outledge. Uaime. F=>#F/<.anesi. ?>A#?FA.arold.isp'nicos e .. +anuel. 9]-3955J. .. /HH<.7$. Qilson 1ompanK. 8i amado 8ister $9 7arcelonaG 9gales. 8nG O 6emInio da )eoria2 . 0aniel. +é)icoG $. ) e 5e1 -omonormativit+2 ) e (e&ual #olitics o% 5eoliberalism9 .ondonG . 8nG 4. /=<#/@=. Q. <==>.8$(9. -uero brincar livre nos campos do 6enhorG uma entrevista com 1aio 4ernando $breu. 5io de UaneiroG 8mago.uig. /HHA.iteratura e (enso .95. bngel %9d. 0322$(. $ntoine. 1J57$1.1$ CC. p. .

5aul Uulia. AIF#?=<.ress. +anuel. (uspended Dictions9 3rbana and 1hicagoG . /HI?. he 3niversitK of 8llinois . /<? min&. 1olin. Qilliam .ress. +é)icoG $.arisG 6euil. 8nG . 6ão . El beso de la mujer araña9 9dici!n crítica coordenada por Uosé $mícola K Uorge . 3na literatura fuera de la literatura. /HI? ddddd.arisG $. . 9ve LosofsMK. <==<. /HF/. A>@. 1lara 4ernandes. /HH>.arisG 6euil. ddddd. /HI= ddddd. /HH<.evine em 8anuel #uig + la mujer araña9 7arcelonaG 6eix 7arral. 6eptember.ondonG ^ale 3niversitK . /HH=. @? mm. . p.arisG 6euil.auloG btica. A -istor+ o% *a+ . +íriam . 2regorK. /HHH.9U93(9. L$ ]. Uonathan (ed.ucille.loset9 7erMeleKG 3niversitK of 1alifornia . 9ntrevista publicada na revista 4ntervie1.anesi. 9lencoG 6Tnia 7raga. 28J50$(J.éctor 7abenco.EAutobiograp ie en Drance9 . 8oi Aussi. ) e Epistemolog+ o% ) e .ellis 6iqueira.urt.9\8(9. . 6uzanne Uill#. QJJ06. $lberto. . . KEest un autre2 lEautobiograp ie de la littérature au& médias9 . %9d. \alter . ddddd. 6902Q81L. .1$ CC.uig.eVgoK. $et1een 8en2 Englis . /HI?. O $eijo da 8ul er Aran a ?@iss o% t e (pider :omanA9 0ireçãoG . <==<. /HF>.382. A 4nvenção da -eterosse&ualidade9 rad. /HI>.iterature2 ) e 8ale )radition .ress. 1alvin. p. 4redric. L955. <===. p.. $ 8nterpretaçãoG $ .eal +aia e 4ernando orres %7rasil e 9stados 3nidos.ress. 8nG ddddd.hillipe. ^$L95. $xiomatic.iterature and 8ale -omosocial 6esire9 (eV ^orMG 1olumbia 3niversitK . El beso de la mujer araña9 7arcelonaG 6eix 7arral. he . U$+96J(. /HIF. /HF?.1$ CC.eaven and . . Uosé . /?# /=@. +anuel. . Liss of the 6pider QomanG +anuel . +ilton 2onçalves. <==<.ires.iteratura como $to 6ocialmente 6imb!lico.$. 8nG O 4nconsciente #ol/tico. <=I.e #acte Autobiograp ique9 . p.& (traig t 1it a )1ist2 3ueer ) eor+ and t e (ubject o% -eterose&ualit+9 3rbana and 1hicagoG he 3niversitK of 8llinois .ress.J+$6. rad. 0aniel. /#>@. (uno . (eV .382.. p. 5io de UaneiroG 9diouro.

understood as a fiction that balances bodK and sexual sociabilities.ABSTRACT: he articulation of a queer epistemologK alloVs us to thinM about textualitK as a place of dramatization of a politic fiction that questions the heteronormative patterns of sex and gender. literature reVrites both the sexual bodK. it is also studied in Vhich VaK %or VaKs& the narrative is configured as a space of negotiation. from a queer perspective. sexualitK and gender in the enunciation of these novels. aMing feminist assumptions. KEYWORDS: comparative literatureL . and proposes a strategK of resistance based both on bodies and pleasures and on politics of representation and reinvention of masculinities and femininities. it is made a critical reading of @iss o% t e (pider :oman %/HF>&. 8n this sense.atin-American literatureL narratolog+L queer t eor+L 8anuel #uigL Liss of he 6pider Qoman ?novelA9 . seen as the place of individual sub)ectivitK. and the social"national bodK. hrough the principles of narratologK. narratologK and queer theorK"epistemologK as theoretical basis. of nationalitK.

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