Estabilidade de Taludes

RUPTURA PLANA

SUMÁRIO:
1.INTRODUÇÃO 2.TIPOS DE RUPTURAS 2.1.Métodos para Análise de Estabilidade 2.2.Ruptura Plana
• Deslizamento • Tombamento

1. INTRODUÇÃO
Os taludes são definidos como superfícies inclinadas de maciços terrosos, rochosos ou mistos (solo e rocha). Pode ser natural (originados de processos geológicos e geomorfológicos diversos), caso das encostas e vertentes, ou artificiais, quando apresentam modificações antrópicas, caso de cortes (estradas, mina a céu aberto), aterros, desmatamentos, introdução de cargas, etc. Atualmente, o estudo e controle da estabilidade de taludes e encostas podem ser relacionados a três grandes áreas de aplicação: construção e recuperação de grandes obras civis (rodovias, ferrovias, barragens, etc.); mineração e consolidação de ocupações urbanas em áreas de encostas.

1. INTRODUÇÃO
Projetos de mineração (mina a céu aberto) considera-se: Angulo talude X dimensionamento do projeto X economia na abertura Angulo do talude X economia – o mais ingrime possível p/ reduzir ao mínimo a quantidade de bota fora, mas evitando a perda de equipamentos ou de vidas. Projeto (dimensionamento bancadas): • Espaço para operação dos equipamentos; • Configuração taludes devem suportar o transporte de caminhões ou trens e vibrações causadas por desmonte por explosivos. Problema adicional – depósitos de estéril

PICO MINE
NE-SW VIEW

TAMANDUÁ MINE
NE-SW VIEW

Mir Mine – Russia – Diamond mine

1200 m

525 m

Kennecot – Copper Mine

La Escondida – Copper Mine

1. INTRODUÇÃO

A resistência dos maciços rochosos depende:
•Descontinuidades (> importância) •Resistência da rocha (tipo litológico e grau de alteração)
DESCONTINUIDADE Definição – plano de fraqueza na rocha, por meio do qual o material rochoso é estruturalmente descontinuo e apresenta uma menor resistência ao cisalhamento, podendo ser nula dependendo da espessura e natureza do preenchimento.

Características das descontinuidades que influenciam na resistência e deformabilidade dos maciços:
• Natureza da descontinuidade (falhas, juntas, planos de acamamento, discordâncias, foliação metamórfica, zonas de cisalhamento, fendas de tração e veios ou diques). • Orientação espacial das descontinuidades (direção e mergulho), relação entre as suas atitudes e a geometria dos taludes e encostas ; • Abertura, espaçamento, freqüência, rugosidade (irregularidades nas superfícies), persistência ou extensão, grau de alteração das descontinuidades, preenchimento (solo, cimentação, etc.); • Presença de água nas descontinuidades; • Cisalhamentos e movimentações anteriores. Baixa profundidade (tensões baixas) – deslizamento entre as descontinuidades

Resistência das paredes ao Cisalhamento (τ)
Fatores de controle: coesão (c), angulo atrito (φ) e peso específico (densidade) da rocha.

Resistência cisalhamento pico

Resistência cisalhamento residual

τ = c + σ .Tan φ

τ r = σ n tan φ r

Valores típicos de peso específico, ângulo de atrito (φ) e coesão (c) p/ solos e rochas.

Valores de atrito p/ rocha intacta, em zona de junta ou em zonas já cisalhadas

Influência das irregularidades no cisalhamento

Influência do preenchimento no cisalhamento

Ângulo mergulho X altura crítica (condição drenada)

Influência da água no cisalhamento
•Reduz a coesão

Influência do intemperismo na resistência(rocha)

2. TIPOS DE RUPTURAS
•As descontinuidades condicionam diretamente os mecanismos e a geometria das rupturas

2.1 Métodos para Análise de Estabilidade
Métodos analíticos: baseados na teoria do equilíbriolimite e nos modelos matemáticos de tensão e deformação; Métodos experimentais: empregando modelos físicos de diferentes escalas; Método observacional: calculados na experiência acumulada com a análise de rupturas anteriores (retroanálise, ábacos de projetos, opinião de especialistas, etc.); Método da projeção geológicas marcantes estereográfica: estruturas

Método gráfico: representação em escala do diagrama de forças atuantes

Métodos Analíticos para cálculo da estabilidade de taludes.

2.2 Ruptura Plana
Ocorre quando uma estrutura plana tem direção subparalela a do talude e mergulha com ângulo maior que o ângulo de atrito.

Deslizamento Devido a Carga Gravitacional
σ = (W .Cos ψ ) / A

Tensão normal

Resistência ao cisalhamento:

W .Cos ψ τ =c+ .Tan φ A R = cA + W .Cos ψ .Tan φ
Equilíbrio limite:

W .Sen ψ = cA + W .Cos ψ .Tan φ
Se c = 0 →

ψ =φ

Influência da Pressão d’Água
A pressão água na trinca aumenta linearmente com a profundidade e a força total V, devido a esta pressão da água atuando na face de trás do bloco, aciona para baixo do plano inclinado. Na superficie de deslizamento a distribuição da pressão d’água resulta numa força de sobrepressão U que reduz a força normal atuando através desta superfície. Resultando no decréscimo da estabilidade.

Condição de equilíbrio limite :
W . sen ψ + V = cA + (W . cos ψ − U ). tan φ

Reforço para Prevenir o Deslizamento
O tirante reduz a força perturbadora forçando o bloco para o plano > força normal e > resistência ao atrito.

Equilíbrio Limite: W . sen ψ + V − T . cos β = cA + (W . cos ψ − U + T . sen β ). tan φ Onde, T é a tração de carga exercida pelo tirante Para estabilizar β = φ

Fator de Segurança de um Talude (método analítico)
Bloco ⇒ força d’água + tirante Teoria do equilíbrio limite → massa na eminência de ruptura
FATOR DE SEGURANÇA
FS = Forças _ Re sistentes Forças _ atuantes

FS=1 – equilíbrio

limite

de

Medidas (>FS):

de

contenção

•Redução de U, V por drenagem •Aumentar a tensão no tirante •Redução do peso do bloco (W)

FS para projetos mineração=1,3 e para obras civis = 1,8.

Relação entre angulo do talude X altura do talude para diferentes materiais
Ruptura em material intacto de rocha maciça c/ camadas horizontalizadas Ruptura plana em descontinuidades como juntas planares ou planos de acamamento. Ruptura em degrau em blocos de rocha maciço tais como calcário. Ruptura circular em rocha densamente fraturada e em depósitos de rejeito de rocha Ruptura circular em solos e argilas – tipicamente em aterros de resíduos e taludes com sobrecarga

Ruptura plana c/ Juntas de Tração
Ruptura plana é rara em maciços rochosos A análise considera bidimensional. Condições para ruptura: •Direção dos planos ψp ~ ⁄⁄ ψf (±20o) • ψf > ψp •ψ p > φ •A resistência nas superf. laterais são desprezadas. Bloco deslizante é limitado por fatias com angulos retos a face do talude. uma condição

Análise para Talude com Fenda de Tração

H Ψf Ψp

= Altura total do talude = Ângulo da face do talude = Ângulo de superficie de ruptura = Profundidade da fenda de tração = Profundidade d’água na fenda de tração

Fenda no topo do talude

z zW

W

= Peso da rocha apoiada sobre a superficie de ruptura

U

= Força subpressão devido a pressão d’água na superficie ruptura

V

= Força horizontal devido a água na fenda de tração

Fenda na face do talude

Calculo F para Talude com fenda de tração
cA + (W . cos ψ p − U − V . sen ψ p ). tan φ Fresistente F = = Fatuante W . sen ψ p + V cos ψ p
Onde

A = (H − z ). cos ec ψ p

1 2 V = .γ W . zW 2

U =

1 .γ W . zW (H − z ). cos ec ψ p 2

Fenda de tração no topo Fenda tração talude de no

W =

1 2 .γ W .H 2 1 − ( z / H ) cot an ψ p . cot an ψ 2

[(

)

f

] ]

W =

1 γ W .H 2 (1 − z H )2 . cot an ψ p .(cot an ψ p . tan ψ f − 1) 2

[

γw – densidade da água

Comparação de geometrias do talude, profundidade da água e influência da resistência ao cisalhamento

FS =

(2.c γ .H ).P + [Q. cot ψ p − R.(P + S )]. tan φ
Q + R.S . cot ψ p
P = (1 − z H ). cos ec ψ
p

P,Q,R,S são adimensionais. Dependem da geometria e não das dimensões talude

(gráfico)

(gráfico) No topo: Q = 1 − ( z / H )2 cot anψ p − cot anψ f .senψ p

[(
[

)

]

(gráfico) (gráfico)

Na face: Q = (1 − z H )2 cos ψ .(cot an ψ . tan ψ p p

f

− 1)

]

R=

γ W zW z . . γ z H

(geométrico)

S =

zW z . .sen ψ z H

p

(gráfico)

Valores das razões P, Q, S para diversas geometrias de taludes

Influência da água subterrânea na estabilidade
a. Talude seco (completamente drenado) U=V=0
F = c. A + cot an ψ p . tan φ W . sen ψ p

ou

F =

2c P . + cot ψ p . tan φ γH Q

b. Talude seco com água na junta de tração (chuva intensa durante periodo curto de tempo) com U=0.
F = c. A + (W . cos ψ p − V . sen ψ p ). tan φ W . sen ψ p + V . cos ψ p

ou

F =

2 c γH .P + (Q . cot ψ p − RS ). tan φ Q + RS . cot ψ p

c. Água na junta de tração e na superficie de deslizamento (rocha fortemente fraturada) d. Talude saturado com recarga pesada

Profundidade crítica da junta de tração
Influência da prof. da junta de tração (z) e da prof. da água(zw) na estabilidade. •Considerando talude seco temos a prof. da junta de tração crítica será:
z crit H = 1 − cot ψ f . tan ψ p

•Posição da junta de tração:
bcrit = H cot an ψ f . cot an ψ p − cot an ψ p

Figura

Profundidade e localização crítica da junta de tração

Profundidade da junta de tração para um talude seco

Localização da junta de tração para um talude seco

Exemplo de junta de tração em Mina a Céu Aberto

Exemplos

2.3 Tombamentos
• Características principais: • Definição: giro para fora do talude de uma massa de solo e/ou rocha sobre um ponto na base devido a estruturas geológicas com grandes mergulhos (figura); • Velocidade variável (extremamente lenta a extremamente rápida) • Pode ser por flexão ou dobra (chevron), dependendo da geometria e resistência do material) • Tombamentos de detritos devido a erosão no sopé

Tipos tombamentos
Direto (dobra): centro de gravidade fica fora da linha de base do bloco – momento crítico de tombamento.

Flexural: ocorre quando uma camada de rocha aflora no talude e a tensão principal paralela a face do talude induz o deslizamento entre as camadas o que provoca a fratura da rocha intacta e resulta no tombamento.

Condições para deslizamento e tombamento
se c=0 Desliza : ψ > φ Tomba: bloco alto e esbelto (h>b), o vetor peso (W) pode cair para fora da base b, e quando isso acontecer o bloco tende a tombar

Bloco estável, tende a não tombar ou deslizar Bloco desliza tomba. porém não

Bloco pode tombar e deslizar.

Bloco tomba desliza.

porém

não

Tombamento flexural

Deslizamento entre as camadas

Esforço cisalhante entre os blocos.

Tombamento flexural

Exercício 1
Considerando um bloco, com peso de 100 MN, que repousa sobre um plano de deslizamento numa mina a céu aberto. Qual deve ser o angulo deste plano para que o fator de segurança seja igual 1,3 (F=1,3), sendo o talude drenado (seco), sem coesão e ângulo de atrito de 45o?

Resolução 1
Sendo: ψ=? c= 0 φ= 45 o FS = 1,3 W = 100 MN Então:
c. A + (W . cos ψ ). tan φ 100 . cos ψ . tan 45 FS = → 1,3 = W . sen ψ 100 . sen ψ 1 1 = 1,3 ∴ = tan ψ tan ψ 1,3 ψ = 37,56859 o → 1,3 = cot ψ

Exercício 2
Considerando o mesmo talude com plano de deslizamento mergulhando a 40o. Qual deve ser a força aplicada ao tirante em sentido horizontal para que o fator de segurança aumente para 2,5.

Resolução 2
Considerando: ψ = 40 o T=? FS = 2,5 β = horizontal = 40 o
c. A + (W . cos ψ + T . sen β ). tan φ FS = W . sen ψ − T . cos β Então:
100 . cos 40 + T . sen 40 . tan 45 2 ,5 = → 100 . sen 40 − T . cos 40

76 ,604 + 0,6427 .T 2 ,5 = 64 , 279 − 0,766 .T

160,697-1,915.T = 76,604+0,6427.T → 84,092 = 2,558.T

T = 32,876 MN

Exercício 3
Análise de ruptura plana (análise paramétrica) sendo: H=30m cj=50 kN/m2 ψf=60o φj=30o γ=26 kN/m3 ψp= 30o Com fenda de tração seca no topo do talude 9m atrás da face c/ prof. 15m(z). Calcular ainda para profundidades d’água de zw/z = 0,5 e 1 e traçar gráfico em função de F.

Resolução 3
Para z w/z = 0 (talude seco) P= ? (gráfico) ⇒
15 z = = 0 ,5 H 30 ψ p = 30 o → P=1

z Q=? (gráfico) ⇒ = 0,5 ψ p = 30 o e ψ f= 60 o → Q = 0,36 H R=? (calculo) ⇒ R =

γ w zw z . . =0 γ z H

zw z 0 15 S= ? (gráfico) ⇒ . = . = 0 ψ p = 30 o → S=0 z H 15 30

FS =

(2 .c γ .H ).P + [Q . cot ψ p − R.(P + S )]. tan φ
Q + R .S . cot ψ p

2 .50 /( 26 .30 ). 1,0 + ( 0,36 . cot 30 o ). tan 30 o FS = = 1,356 ≈ 1,36 0,36

Para z w/z = 0,5 P= ? (gráfico) Q= ? (gráfico)
z 15 = = 0 ,5 H 30

ψ p= 30 o → P=1

z = 0,5 ψ p= 30 o e ψ f= 60 o → Q = 0,36 H
10 7 ,5 15 γ w zw z . . = . . = 0,09615 26 15 30 γ z H

R=? (cálculo) R = S= ? (gráfico)

zw z 7 ,5 15 . = . = 0, 25 ψ p= 30 o → S=0,13 z H 15 30

FS =

(2.c γ .H ).P + [Q. cot ψ p − R.(P + S )]. tan φ
Q + R .S . cot ψ p

2 .50 /( 26 .30 ). 1,0 + [ 0,36 . cot 30 o − 0,09615 .(1 + 0,13 )]. tan 30 o FS = = 1,115 ≈ 1,12 o 0,36 + 0,09615 .0,13 . cot 30

P a ra z w /z = 1 (trin c a s a tu ra d a ) P = ? (g rá fic o ) ⇒ Q = ? (g rá fic o ) ⇒
z 15 = = 0 ,5 H 30

ψ p= 3 0 o

→ P=1

z = 0 , 5 ψ p = 3 0 o e ψ f = 6 0 o → Q = 0 ,3 6 H
10 15 15 γ w zw z . . = . . = 0 ,1923 γ z H 26 15 30

R = ? (c á lc u lo ) ⇒ R = S = ? (g rá fic o ) ⇒

zw z 15 15 . = . = 0 , 5 ψ p = 3 0 o → S = 0 ,2 6 z H 15 30

2 . 50 /( 26 . 30 ). 1, 0 + [ 0 , 36 . cot 30 o − 0 ,1923 .( 1 + 0 , 26 )]. tan 30 o FS = = 0 , 779 ≈ 0 , 78 0 , 36 + 0 ,1923 . 0 , 26 . cot 30 o

z w /z
0 0 ,5 1 ,0

R
0 0 ,0 9 6 1 5 0 ,1 9 2 3

S
0 0 ,1 3 0 ,2 6

FS
1 ,3 6 1 ,1 2 0 ,7 8

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