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Kelton Gabriel 2004 O surrealismo no urbano de Curitiba O objetivo desse trabalho, é pois, identificar onde e quais são os objetos

(quadros, monumentos, casas, artistas...) que expressão em sua existência – espacialmente vinculada a cidade de Curitiba - aspectos do surrealismo. O déficit da presente abordagem concretiza-se na inteligível presença da figura do esteta contrapondo a do geógrafo. No entanto pode-se mesclar diferentes fenômenos oriundos da Arte com o espaço geográfico, com isto deixa-se claro que há soberania da ciência geográfica em relação ao objeto de estudo do presente trabalho. 1 Em todo trabalho científico surgem vários impulsos que nos incitam a deslocar o objetivo. Aqui teremos dois grandes “inimigos” na tentativa de definir, sem a concepção holística das correntes pós-modernas, o nosso objeto. A primeira é o deslumbre do objeto que nos provocaria a olharmos a arte como artistas, e não como geógrafos. O segundo é relacionado ao perigo de entrarmos no estudo do espaço como linguagem, que nos levaria a comportarmos como psicanalistas e deixaríamos a interpretação do objeto como geógrafos e passaríamos a estudar as possibilidades infinitas da interpretação, onde estaríamos numa interface com a psicologia social. É preciso retermos e abordarmos nosso objeto como geógrafos, pois só assim poderemos atingir a grande justificativa desse trabalho, que é proporcionar aos artistas, psicanalistas, filósofos e poetas uma visão geográfica do objeto. 2 A grande intenção de estudarmos o surrealismo como sendo uma definição da Arte, é justamente não tornar o trabalho tão amplo a ponto de ser considerado inútil. Vendo que se levantássemos todos o objetos que estão caracterizados em todas as correntes estética-literárias que ramificam a Arte, seria o mesmo que identificarmos todos os objetos que compõe o espaço urbano de Curitiba, pois ao nível da semiótica toda a existência está classificada em algum ponto das correntes filosóficas. Porém nem todas as existências estão classificadas na corrente que propomos analisar, eis uma justificativa. O objeto de estudo será interpretado como um integrante do espaço geográfico, e nada mais do que isso. Se ele influência ou é influenciado por outros objetos de outras correntes dispersas no espaço-tempo não cabe nesse trabalho levantarmos. O objeto será totalmente um elemento da paisagem urbana, porém um elemento surreal, um elemento que traz em si a particularidade da neutralidade no quotidiano, isto é, que não possuí uma função definida na produção ordinária. Nosso trabalho em si não é relevante, porém ele ganha valor nas mãos de outras ciências, como por exemplo a psicanálise, que pode-se usufruir da abordagem geográfica sobre um objeto de âmbito surreal para possíveis análises do espaço como uma expressão de um determinado arranjo de arquétipos, que seria de suma importância para a performance da organização do inconsciente em terrenos maquínicos abstratos. O surrealismo é a facção da linguagem que leva o homem na dimensão mais próxima possível dos arquétipos. Sendo os arquétipos um grande retentor da atenção de grande parte das ciências humanas, tais como a antropologia, psicologia, psicanálise, lingüística, semiótica, semiologia, etnologia... etc., fica evidente o potencial do presente trabalho, no simples fato de expressar, pela linguagem geográfica, a toda comunidade científica afim que: “o que existe de surrealismo na Cidade de Curitiba é isto e isso. O que isso e isto significam, é com vocês”. Sendo esse trabalho de natureza descritiva, como nos propõe a geografia tradicional, portanto calcada em métodos positivistas, seria plausível compreende-la como uma fenomenologia da percepção o que nos abriria um leque de conexões com todas as áreas do paisagismo urbano, tais como a arquitetura e a estética. Impedindo desta maneira as ambigüidades do levantamento subjetivo de um estudo qualitativo, que no presente trabalho não terá grande valor, por motivos já explanados.3 Como já foi falado a subjetividade não será relevante, porém será de extrema importância na identificação da Arte surrealista. O que queremos dizer é que cada interpretação não será analisada, mas sim comparada com outras, e sendo diferentes, a Arte toma a característica principal do surrealismo, pois a multidimensionalidade da expressão e do significado gerados pela Arte é a forma explícita do surrealismo.

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Não seria impossível dizermos que trata-se da Geografia da Arte. Primeiro a disciplinaridade depois a interdisciplinaridade, pois ao nosso ver não haveria um bom desempenho da segunda sem a primeira. 3 Temos em mente que todos os objetos que propormos identificar nesse trabalho pode ser que estejam numa realidade burguesa ou de classe média, no entanto esse desfalque nas classes econômicas deve ser analisado posteriormente pela sociologia ou numa visão marxista dentro da própria Geografia Crítica. Porém isso não seria título para uma pragmática capitalista, pois haverão artistas do surrealismo que não estão vinculados a nenhuma classe social, tais como os artistas de rua.

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