Interpretação e Integração do Negócio Jurídico

Relativamente à matéria de interpretação e integração dos negócios jurídicos contrapõe-se
duas grandes posições: uma subjectivista e outra objectivista.
As posições subjectivistas defendem que o negócio deve valer conforme a vontade do
seu autor , que perante o desentendimento entre declarante e declaratário quanto ao sentido
da declaração negocial prevalece o sentido dado pelo primeiro.
Na perspectiva objectivista, a declaração negocial deve ser interpretada conforme o
sentido que desta se depreendesse de acordo com as circunstâncias do caso.


236.º Código Civil
O professor Pedro Pais Vasconcelos adopta a posição subjectivista, dizendo que do
nº1 do artigo 236.º podemos retirar que o sentido juridicamente relevante é aquele que do
comportamento do declarante possa ser deduzido por um declaratário normal, colocado na
posição do autor da declaração, desde que esse sentido não contrarie a expectativa razoável
do autor da declaração. Atribui assim á expressão ‘’salvo se este não poder razoavelmente
contar com ele’’ uma protecção à vontade do declarante.
O Professor afirma que se o autor não pode contar razoavelmente com o sentido
objectivo que foi atribuído à declaração, não lhe pode ser imputado subjectivamente um
sentido que ele desconhece. Esta é uma maneira de defender o autor da declaração que não
foi completamente claro na demonstração da sua vontade.


O professor Menezes Cordeiro defende que em primeiro lugar perante uma declaração
de vontade o destinatário deve esforçar-se por conhecer o seu significado real. Há que atender
a um sentido objectivamente variável, isto é, para cada caso há que construir a posição do real
declaratário ou seja do destinatário normal, aquilo que este poderia retirar da declaração
atendendo à globalidade do contrato, à totalidade do comportamento das partes, à
particularização das expressões verbais, ao princípio da conservação dos actos e à primazia do
fim do contrato. Quanto à expressão ‘’salvo se este não poder razoavelmente contar com ele’’,
o Professor defende que não deve o destinatário ser sacrificado em nome do que se pode
imputar ao declarante, e que só deve ser entendida como uma ressalva destinada a resolver
por via interpretativa, o erro evidente ou as incapacidade acidental ou falta de consciência da
declaração patentes. Só estas figuras podem valer ao declarante.



Na minha opinião no caso de divergência quanto ao sentido da declaração negocial
deve-se ter em conta o sentido que um declaratário normal (participante médio no tráfego
jurídico) apreenderia da declaração de acordo com as circunstâncias do caso. Assim, não vale
nem o sentido que o declarante entendeu nem o que o foi entendido pelo declaratário, mas
sim o que um declaratário homem médio interpretaria. Deste modo o declarante é
responsável por emitir uma declaração que mostre eficientemente a sua real vontade. A
expressão ‘’salvo se este não poder razoavelmente contar com ele’’ tem um teor de protecção
quanto ao declarante, pois pode existir negligência por parte do declaratário, no entanto,
deverá aplicar-se apenas a situações de erro evidente, incapacidade acidental ou falta de
consciência da declaração, pois não é justo que o declaratário seja sacrificado pelo que se
pode imputar ao declarante.