UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZÔNIA

GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA FLORESTAL
CAMPUS DE PARAUAPEBAS







Adubação das mudas no plantio e pós-plantio para espécies de Eucalyptus
urograndis e Paricá (Schizolobium amazonicum Huber ex Ducke) para o
estado do Pará


Docente: Gladis Jucoski
Discentes/Matrícula
Edilene de Souza / 20112008;
Orleice Patrícia / 20112044.




PARAUAPEBAS-PA,
2014
O paricá (Schizolobium amazonicum Huber ex Ducke) é uma espécie da família
Caesalpiniaceae de ocorrência natural na região Amazônica, com características similares ao
guapuruvu (Schizolobium parahyba (Vell.) Blake), espécie do mesmo gênero que ocorre
naturalmente na Mata Atlântica (ROSA, 2006). Tal semelhança tem feito com que alguns
pesquisadores as considerem variedades de uma única espécie, sugerindo ser o paricá o
Schizolobium parahyba var. amazonicum (Hubber ex Ducke) Barneby (BARNEBY, 1996;
SOUZA et al., 2003; ROSA, 2006; OHASHI, et al., 2010). Entretanto, outros autores
acreditam que as diferenças fenotípicas e morfológicas entre elas são suficientes para serem
consideradas espécies distintas (RIZZINI, 1971; CARVALHO, 2007). As principais
características que diferenciam o paricá do guapuruvu são que a primeira possui flores
menores, pétalas mais oblongas, rígidas e glabras, frutos e sementes bem menores, pedicelos
distintamente articulados e florescimento sem folhas (RIZZINI, 1971; SOUZA et al., 2003) .
Por se tratar de uma espécie pioneira, é capaz de se regenerar facilmente em áreas
abertas com alta intensidade de radiação solar, o que possibilita a esta espécie alta capacidade
de regeneração em áreas de clareiras na floresta. Tal característica potencializa o uso do
paricá para recuperação de áreas perturbadas ou degradadas na região Amazônica
(VENTURIERI, 1999). A espécie apresenta ainda capacidade de rebrota, embora essa
característica não venha sendo aproveitada nos plantios comerciais. Rosa (2006) verificou que
com altura do corte de 20 a 30 cm a espécie produz de um a quatro rebrotros, o que permite
que a espécie seja manejada com sucessivas rotações, reduzindo os custos de implantação.
A produção de mudas de paricá pode ser feita de duas maneiras: colocando-se as
sementes para germinar em canteiros (sementeiras) ou semeando-as diretamente na
embalagem plástica (sacola). É recomendada a adubação fosfatada e, se for o caso, com
adição de micronutrientes, que deve ser feita por ocasião do preparo das covas, em mistura
com a terra orgânica de enchimento.
No Pará, sua ocorrência natural limita-se a determinadas regiões de solos argilosos de
fertilidade química alta e sujeitos a compactação (DUCKE, 1949 apud MELO, R.R. 2012 ).
No entanto, são raras as informações encontradas na literatura atual sobre a nutrição
recomendável para o crescimento de Schizolobium amazonicum. De forma geral, as diferentes
espécies florestais nativas apresentam exigências nutricionais distintas e, como inexiste uma
recomendação específica para cada espécie, a maioria das recomendações é baseada na do
Eucalipto com algumas adaptações. Dentre os raros trabalhos de nutrição do Schizolobium
amazonicum, Locatelli et al. (2007) e Marques et al. (2004a), avaliando a omissão de
nutrientes em solução nutritiva, verificaram que o nitrogênio foi mais limitante ao
crescimento do Schizolobium amazonicum, seguido do fósforo. Segundo os mesmos autores,
o fósforo desempenhou função importante nos plantios de paricá, pois os maiores valores de
altura e DAP ocorreram quando foi utilizado o nível mais alto do nutriente (131,2 g P
2
O
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/planta). Marques (1990) chegou a conclusão semelhante, tendo obtido resultados satisfatórios
com a aplicação de 50 g/planta de NPK na formulação de 15-25- 12 e de 130 g/planta da
mesma formulação 60 dias após o plantio .





















REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BARNEBY, R.C. Neotropical fabales at NY: asides and oversights. Britonia, v.42, n.2, p.174-
187, 1996 .
CARVALHO, P.E.R. Paricá: Schizolobium amazonicum. Embrapa: Colombo, 2007, 8p.
(Circular Técnica 142) VENTURIERI, G.C. Reproductive ecology of Schizolobium amazonicum
Huber ex Ducke and Sclerolobium paniculatum Vogel (Leg. Caesalpinioidea) and its importance
in forestry management projects. In: SIMPOSIO SILVICULTURA NA AMAZONIA
ORIENTAL, 1999, Belém. Anais... Belém: EMBRAPA-CPATU/DFID, 1999. p.91-97 .
MARQUES, C. L. T. Comportamento inicial de paricá, tatajuba e eucalipto, em plantio
consorciado com milho e capim-marandu, em Paragominas, Pará. 1990. 92 f. Dissertação
(mestrado) – Universidade Federal de Viçosa.

MARQUES, T. C. L. L. S. M. et al. Cerne, Lavras, v. 10, n.2, p. 184-195, jul./dez. 2004

MELO, R.R. (2012) Avaliação de variáveis tecnológicas na produção de painéis LVL
confeccionados com paricá (Schizolobium amazonicum Huber ex. Ducke). Tese de Doutorado em
Ciências Florestais, Publicação PPGEFL.TD - 026/2012, Departamento de Engenharia Florestal,
Universidade de Brasília, Brasília, DF, 164p .
OHASHI, S.T.; YARED, J.A.G.; FARIAS NETO, J.T. Variabilidade entre procedências de paricá
Schizolobium parahyba var amazonicum (Huber ex Ducke) Barneby plantadas no município de
Colares – Pará. Acta Amazônica, v.40, n.1, p.81-88, 2010 .
RIZZINI, C.T. Árvores e madeiras úteis do Brasil: manual de dendrologia brasileira. Rio de
Janeiro: Editora Blücher, 1971. 294p .
SOUZA, C.R.; ROSSI, L.M.B.; AZEVEDO, C.P.; VIEIRA, A.H. Paricá: Schizolobium
parahyba var. amazonicum (Huber x Ducke) Barneby. Embrapa: Colombo, 2003, 12p.
(Circular Técnica 18) ROSA, L.S. Caracteristicas botanicas, anatomicas e tecnologicas do paricá
(Schizolobium amazonicum Huberr ex Ducke). Revista de Ciências Agrárias, n.46, p.63-79,
2006 .