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TEORIA DA NORMA INCRIMINADORA


É a norma de direito manifestada pela vontade do Estado em definir infração
penal e cominar respectiva pena (sanção). Há também outras normas penais que
preveem princípios e institutos aplicáveis às normas penais incriminadoras.
O Código Penal atual é de 1940. Atualmente necessidade de prever crimes
que à época não existiam, por exemplo, os crimes da informática.

A norma penal é formada por dois preceitos: o preceito primário que faz a
descrição do tipo penal e o preceito secundário que determina a pena. Exemplo:
(art. 121 CP) “matar alguém”, “reclusão de 6 a 20 anos”.

Para positivar a norma penal, utiliza-se a técnica legislativa “moderna”,
caracterizada por ser descritiva. Ela descreve a conduta ( matar alguém).

Binding, teórico alemão considerava o direito penal como acessório, ou seja,
não era principal, não tinha caráter sancionador. Previa a existência de regras
supralegais e os diferentes ramos do direito seriam chamados em cada caso.

Von Liszt: (1851-1919) defendia o caráter indissociável entre o preceito
primário e o preceito secundário. O direito penal é autônomo, sancionador, sendo a
teoria aceita atualmente.

As fontes do Direito Penal podem ser de produção material ou substancial,
ou seja, provém do órgão competente da União (pertencente ao Poder Legislativo,
Poder Executivo ou Poder Judiciário; os Estados não podem criar ou extinguir tipos
penais existentes). O Art 22, I CF determina “Compete privativamente à União
legislar sobre: I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário,
marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho”, ou podem ser de produção formal
ou de conhecimento: modo pelo qual o direito penal se exterioriza.

Texto da lei é o comando normativo enquanto norma é o comportamento
social, valor, observância, por exemplo, fazer fila. Os costumes e princípios gerais
do direito esclarecem a utilização da lei.

As leis penais podem ser classificadas em dois tipos. As leis incriminadoras
são as que têm preceito primário e secundário. Caracterizam-se por serem
exclusivas, imperativas, anteriores à prática do crime, gerais, ou seja, “erga omnes”,
e impessoais, dirigidas contra todos. As leis não incriminadoras são permissivas ou
finais, complementares ou explicativas. Por exemplo, os artigos 1 ao 120 do CP.

Normas penais em branco são aquelas leis onde o preceito, no que
concerne ao conteúdo, é indeterminado, sendo determinada apenas a sanção, por
isso necessitam de outra disposição legal para serem completadas. As em sentido
lato ou homogêneo são a soma de lei penal e lei, as em sentido estrito ou
heterogêneo são o resultado de lei penal somada a portaria, decreto etc., e as ao
avesso correspondem a lei penal e lei penal.

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Os costumes e os princípios gerais do direito auxiliam a interpretação das leis
penais. Quando a lei for omissa, o juiz decide o caso de acordo com a analogia, os
costumes e os princípios gerais do direito. A analogia ocorre com maior incidência,
mas só pode ser aplicada em bonam partem, ou seja, que não prejudica o réu.

Interpretar a lei penal significa extrair da norma penal o seu exato alcance.
Quando é feita pelo órgão encarregado pela elaboração do texto que elaborou a lei,
dizemos que a interpretação é autêntica ou legislativa. Quando é feita por
doutrinadores, é doutrinária ou científica.

Quanto ao meio empregado na interpretação, pode ser gramatical, ou seja,
literal ou lógico, ou seja, teleológico, em relação ao sistema.

O resultado da interpretação pode ser declarativo onde há correspondência
entre interpretação e o que a lei diz, restritivo nos casos em que a lei foi além do
que queria e a interpretação deve restringir seu alcance, ou extensivo, nos casos
em que a lei ficou aquém de sua vontade.

O PRINCÍPIO IN DÚBIO PRO REO só se aplica no campo da prova.
Esgotada a interpretação sem que se tenha conseguido extrair o significado da
norma, adota-se a interpretação mais favorável ao réu.

A ANALOGIA consiste em aplicar a uma hipótese não regulada por lei
disposição relativa a um caso semelhante. Onde há a mesma razão, aplica-se o
mesmo direito. É considerada legal quando o caso é regido por norma semelhante e
jurídica quando a hipótese é regulada por princípio extraído do ordenamento
(jurisprudência). Só é aceita in bonan parte, para beneficiar o réu. In malem
partem é proibida.


PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

Art 1º, CP: “não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia
cominação legal”.
Tem como base constitucional o art 5º, XXXIX CF “não há crime sem lei
anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”.

O princípio da legalidade compreende a reserva legal, ou seja, só lei de
competência exclusiva da União (Congresso Nacional) pode criar leis penais e o
principio da anterioridade que determina que a lei deve ser anterior à prática ilícita.
Irretroatividade da lei, in malem partem. É uma garantia constitucional e um meio de
se evitar o excesso estatal.

O princípio da taxatividade determina que a lei penal deve ser
pormenorizada, clara, de fácil entendimento, específica. O legislador ao descrever
uma conduta ilícita e sua pena, deve observar os princípios da dignidade humana, a
lei deve estar de acordo com os princípios constitucionais, da anterioridade e da
reserva legal. Também é necessário haver conteúdo material de crime (vida, bem,
liberdade) e conteúdo formal, a conduta deve se encaixar no tipo penal e o contexto
deve forjar o conteúdo.
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PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE DA LEI PENAL

A lei penal deve ser anterior à conduta, consistindo uma garantia individual. O
código penal assim determina no art 2º: “Ninguém pode ser punido por fato que lei
posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os
efeitos penais da sentença condenatória.” Seu fundamento constitucional é o art 5º,
XL da CF “a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”
O efeito da anterioridade é a irretroatividade da lei pena.

LEI PENAL NO TEMPO

A lei penal nasce com a promulgação e publicação e deixa de existir por sua
derrogação ou revogação: entre esses dois limites situa-se a eficácia da lei.
Promulgada passa a ter executoriedade e publicada torna-se obrigatória para todos.
A regra da lei penal do tempo é sua irretroatividade, exceto quando
beneficiar o réu. No entanto a lei processual não retroage, tem aplicação imediata no
processo na etapa em que ele se encontra, REGIT ACTUM, art 2º CPP “A lei
processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos
realizados sob a vigência da lei anterior.”

A Vigência da lei é o fenômeno pelo qual a lei rege todos os atos sob sua
vigência. Em regra o período de vacatio legis é de 45 dias, salvo disposição em
contrário. Entrada em vigor com seu nascimento e só pode ser revogada por outra
lei penal.
A revogação pode ser expressa, quando a lei revogadora expressamente
assim dispõe ou tácita, quando a nova lei trata do mesmo assunto que a lei anterior.

A lei penal posterior mais severa é irretroativa, a lei penal posterior mais
branda é retroativa (atua sobre situações passadas, antes da vigência da lei) e a lei
anterior mais benéfica é ultra-ativa (atua sobre situações futuras, depois da vigência
da lei).
Tem competência para aplicar lei mais benéfica o juiz 1º grau, o tribunal
competente em grau de recurso e o juiz das execuções criminais.

De acordo com o art 3º CP “A lei excepcional ou temporária, embora
decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a
determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência”, existem leis de
vigência temporária. São as leis excepcionais, editadas em momento de cólera
(guerra, calamidade) que vigem até o término das circunstâncias que as
determinaram e as leis temporárias que não expressam quando cessam seus efeitos
São ultra-ativas: terão aplicação para os atos realizados durante sua vigência
mesmo após sua revogação.




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TEMPO DO CRIME

Art 4º CP
Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro
seja o momento do resultado.

A Teoria da atividade adotada no CP brasileiro considera o momento da
ação independente do resultado. É importante para aferir a imputabilidade do
agente.

O CONFLITO APARENTE DE NORMAS é o conflito aparentemente existente
entre duas normas aplicáveis ao mesmo fato. Os princípios que norteiam a
resolução do conflito aparente são a especialidade (lei especial derroga a lei geral),
da subsidiariedade (lei primária derroga lei subsidiária), da consunção (fato mais
grave consome (absorve) o menos grave), e o da alternatividade (o conflito se dá
dentro da norma, e não entre normas). Não há hierarquia entre os princípios citados.


LEI PENAL NO ESPAÇO

Art 5º CP: Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras
de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as
embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo
brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações
brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente,
no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de
aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se
aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente,
e estas em porto ou mar territorial do Brasil.

Em decorrência da soberania, a lei penal vige no espaço territorial de um Estado,
pelo que todo fato criminoso praticado no seu âmbito fica sob o império daquela.

Questões acerca da limitação da eficácia da lei penal no espaço

1- Princípio da Territorialidade: lei nacional rege todos os fatos penais que
venham a ser cometidos nos limites de suas dimensões por agente brasileiro
ou não. Adotado pela maioria dos países. Como não soluciona todos os
problemas, foram adotados outros princípios como:

2- Princípio da Nacionalidade (ou personalidade): aplica-se a lei penal do país
de origem do delinqüente, pouco importando onde o fato foi praticado.
Depreendem-se os seguintes requisitos: a) o sujeito ativo do delito deve ser
nacional, b) o delito deve ser praticado no estrangeiro, c) os sujeitos passivos
podem ser nacionais ou estrangeiros, d) a lei aplicável é a do sujeito ativo do
delito, ou seja, a do nacional.


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3- Princípio da Defesa (real, ou de proteção ou da ordem jurídica interessada):
deve-se levar em conta a nacionalidade do bem jurídico ofendido pelo crime,
sem se cogitar nacionalidade do agente ou do local onde foi praticado. Atos
executados no estrangeiro contra: a) a nação em seus interesses vitais, b)
bens jurídicos dos nacionais. Depreendem-se os seguintes requisitos: a) o
sujeito ativo do crime pode ser nacional ou estrangeiro, b) o delito deve ser
cometido no estrangeiro, c) o sujeito passivo é o Estado ou seus nacionais, d)
a lei aplicável é a do sujeito passivo.

4- Princípio da Justiça Universal (ou cosmopolita ou da comunidade
internacional): o criminoso é julgado e punido onde for detido, segundo as leis
desse país, não se levando em conta o lugar do crime, a nacionalidade do
autor ou o bem jurídico lesado. Depreendem-se os seguintes requisitos: a) o
sujeito ativo pode ser nacional ou estrangeiro, b) o delito pode ser cometido
em qualquer Estado, c) o sujeito passivo pode ser nacional ou estrangeiro, d)
a lei aplicável pode ser a de qualquer Estado.

5- Princípio da Representação (ou da bandeira ou do pavilhão): determina a
aplicação da lei brasileira a que pertencer a aeronave e embarcações
privadas em que o crime tenha sido cometido. (art. 7º, II, “c” do CP)

6-
Território
a) significado geográfico: espaço compreendido entre as fronteiras
nacionais.
b) Significado jurídico: espaço onde o país exerce sua soberania. Abarca
solo, subsolo, mar territorial (12 milhas marítimas de largura), espaço
aéreo (coluna atmosférica), navios e aeronaves, de natureza particular,
em alto-mar ou no espaço aéreo correspondente ao alto-mar, navios e
aeronaves de natureza pública, onde quer que se encontrem, além de
rios e lagos internacionais, canais e portos etc.
Barcos salva-vidas e destroços = vale lei da bandeira.

Crimes praticados em embarcações ou aeronaves estrangeiras em território nacional
= aplicável a lei brasileira.

Lei penal em relação às pessoas

* Imunidades diplomáticas
- tem inviolabilidade pessoal
- não pode ser preso
- não se submete a processo, SEM autorização de seu país.

* Sedes diplomáticas
- são dotadas de inviolabilidade (Convenção de Viena)
- Não são extensão do território, mas mantém a soberania do Estado

* Extensão da imunidade
- agentes diplomáticos
- familiares de diplomatas
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- funcionários de organizações internacionais
- chefe estrangeiro em visita ao país (inclui comitiva)
* empregados particulares NÃO gozam de imunidade

Inviolabilidade do Advogado – Lei 8.906/ 04 – EOAB
- Imunidade judiciária extensiva às partes (defesa e acusação)
- Alcança a difamação ou injúria
- Não alcança calúnia
- Não abrange ofensa proferida contra o juiz.
calúnia: imputação de fato ilícito a outrem, sabendo que é falso
difamação: imputação de fato ofensivo à reputação
Injúria: qualidade negativa, xingamento



EXTRATERRITORIALIDADE DA LEI PENAL

Art 7º CP Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro I - os
crimes a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; b) contra o
patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de
Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou
fundação instituída pelo Poder Público; c) contra a administração pública, por quem
está a seu serviço d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no
Brasil; II - os crimes: a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a
reprimir; b) praticados por brasileiro; c) praticados em aeronaves ou embarcações
brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e
aí não sejam julgados,
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda
que absolvido ou condenado no estrangeiro,
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso
das seguintes condições: a) entrar o agente no território nacional; b) ser o fato
punível também no país em que foi praticado; c) estar o crime incluído entre aqueles
pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; d) não ter sido o agente absolvido
no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; e) não ter sido o agente perdoado no
estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais
favorável.
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra
brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior:
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; b) houve requisição do Ministro da
Justiça

Princípio da extraterritorialidade: aplicação da lei brasileira a fatos ocorridos no
exterior.

Formas
Incondicionada – lei brasileira aplicada SEMPRE
Art 7º, I Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: I - os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; b) contra o patrimônio ou a fé
pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa
pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público;
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c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; d) de genocídio, quando o
agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil;

Condicionada - só será aplicada a lei brasileira se satisfeitas as condições
indicadas no § 2º alíneas “a” e “b”, § 3º.
Art 7º, II e § 3º

Princípios para a aplicação da Extraterritorialidade

1) Nacionalidade ou personalidade ativa (inc. II, “b”)
- Crime praticado por brasileiro

2) Nacionalidade ou personalidade passiva (§ 3º)
- Quando o brasileiro for vítima.

3) Real, defesa ou proteção (inc. I, “a”, “b”, “c”)
- Contra Presidente da República ou bem de interessa da União.

4) Justiça Universal (cosmopolita, jurisdicional universal, repressão universal) (inc. I,
“d”. II, “a”)
- Quando o Brasil por tratados ou convenções internacionais é obrigado a
punir determinados crimes.

5) Representação (inc. II, “c”)
- Crimes praticados em aeronaves ou navios privados e não julgados em
países estrangeiros

§ 2º: Condições de Procedibilidade

§ 3º: Hipótese de extraterritorialidade condicionada

Extradição
- É o envio de uma pessoa para outro Estado para ser julgado e cumprir pena.
- É o instrumento jurídico pelo qual o Estado soberano envia uma pessoa (não
nacional) para outro Estado soberano para ser julgada e cumprir pena.

Deportação
- É a retirada compulsória de um estrangeiro do território nacional porque aqui está
de forma ilegal. (pode voltar depois de “arrumar” sua situação)

Expulsão
- É a retirada do estrangeiro do território nacional em razão de comportamento
atentatório contra a soberania nacional ou depois de ter cumprido pena no país (não
poderá voltar)






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Princípios e condições da extradição

1) Quanto ao DELITO:

- Princípio da legalidade: especificado em Tratado ou Convenção

- Princípio da especialidade: deve ser julgado pelo fato que motivou a
extradição (pelo país solicitante)

- Princípio da identidade da norma: o pedido de extradição deve consistir em
crime também no país no qual a extradição foi solicitada.

2) Quanto à PENA e à AÇÃO PENAL:
(alguns desses princípios são flexíveis)

- Princípio da comutação: impedimento de se aplicar a pena de morte e
prisão perpétua. (preso no máximo 30 anos pq a lei brasileira deve ser respeitada)

- Princípio da jurisdicionalidade: proíbe o Tribunal de Exceção (Tribunal
criado posteriormente ao crime, para julga-lo)

- Princípio do “non bis in idem”: impede a extradição se o Brasil for
igualmente competente para julgar o fato.

- Princípio da reciprocidade: expulsão do território nacional um delinqüente.


Limitação da extradição

- Brasileiro nato: IMPOSSÍVEL.

- Brasileiro naturalizado: 2 hipóteses:
- crime praticado antes da naturalização.
- a qualquer tempo se comprovado o envolvimento com tráfico de
droga


Competência

- crimes de extradição julgado pelo STF


Crimes que impedem a extradição (de acordo com a doutrina)

- religiosos
- de imprensa
- fiscais
- puramente militar
- crime político ou de opinião: vedação expressa (art. 5º, LII da CF)
* todo ato lesivo à ordem política, social ou jurídica interna ou externa do Estado.
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* No código Penal Militar: homossexualismo é tipificado como PEDERASTIA.


Eficácia da sentença penal estrangeira (art 9º CP)

- A sentença estrangeira produz alguns efeitos no Brasil. Não depende de condição:

* Reincidência: o indivíduo tem um crime cometido no exterior ou no Brasil.

* Detratação: cômputo da pena. Diminuição do tempo cumprido. Conta-se o
tempo da pena cumprido no exterior, a partir de prova idônea (sentença traduzida)


Homologação da sentença

- Para que tenha eficácia e produza as mesmas conseqüências que a lei brasileira,
lhe atribui:

* obrigar a reparação do dano, restituição ou outros efeitos civis. (depende da
parte interessada)

* sujeitar o sentenciado à medida de segurança. Medida de Segurança não é
pena, é internação.

- Só será executada desde que exista tratado de extradição com o país que
proferiu a sentença.
- Na falta: requisição do ministro da Justiça.
- Competência: STJ


LUGAR DO CRIME

Art 6º CP: Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou
omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o
resultado.

Teorias
Atividade (ação): lugar do crime é o da ação ou omissão, sendo irrelevante a
produção do resultado.

Resultado (ou do efeito): lugar do crime é onde se produziu o resultado,
sendo irrelevante a conduta.

Ubiqüidade (mista): tanto o lugar da conduta quanto do resultado.
- Importância: fixar a competência do processo penal nos chamados
“crimes à distância” (a ação é praticada em um lugar e o resultado em outro. Ex.
crime por internet em que o indivíduo modifica ficha de doente)


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CONTAGEM DO PRAZO PENAL

Art 10 CP
O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os
anos pelo calendário comum.

- Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum.

- Inclui o dia do começo.

- Prescrição e decadência

Prazos processuais
Art 798, § 1º CPP:
Todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptórios, não se
interrompendo por férias, domingo ou dia feriado. § 1º Não se computará no prazo o
dia do começo, incluindo-se, porém, o do vencimento.

- Contagem do mês e ano:
* são contados como períodos que compreendem um número determinado de
dias (pouco importa quanto sejam os dias do mês)

-Prazo penal: extinção da pretensão punitiva. Conta-se o dia do começo
-Prazo processual: prática de um ato processual. Conta-se o 1º dia útil subseqüente.


























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TEORIA DO CRIME








CRIME
-Vontade
-Finalidade
-Consciência
-Exteriorização
-Ação
-Omissão -Dolosa
-Culposa -Conduta

-Resultado
-Nexo Causal
-Tipicidade


-Fato
Típico




Excludentes de ilicitude
- Legítima defesa (L.D.)
- Estado de necessidade (E.N.)
- Exercício regular do Direito (E.R.D.)
- Estrito cumprimento do dever legal (E.C.D.L.)

-Ilícito


Culpabilidade = pressuposto para aplicação de pena.

- Conceito de crime, 3 aspectos:

*Aspecto material: todo fato humano que, propositadamente ou descuidadamente
lesa ou expõe a perigo bens jurídicos considerados fundamentais pela coletividade.

* Aspecto formal: é a subsunção de conduta ao tipo penal. Considera-se infração
penal tudo aquilo que o legislador descreve como tal, pouco importando seu
conteúdo.

* Aspecto analítico: crime é todo fato típico e ilícito (positivado na lei brasileira).
Concepção bipartida – fato típico e ilícito.


TEORIAS

1) Naturalística ou causal
- Chamada “teoria clássica” (Von Liszt). Surge num contexto de crítica ao governo
absoluto. Influência de Rousseau e Montesquieu.

- Não se analisa o aspecto subjetivo.
- Dolo e culpa na culpabilidade
- Concepção tripartida: fato típico, ilícito (antijurídico) e culpável


2) Finalista da ação
- Aprimoramento da Teoria Clássica (Wetzel)
- Dolo e culpa – fato típico
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- A ação deve ter finalidade: o dolo e a culpa devem estar na conduta
- Culpabilidade: simples reprovação do Estado
- Ausência de culpabilidade (inimputável). Damásio: ato praticado por menor.



FATO TÍPICO

- É o fato material que se amolda perfeitamente aos elementos constantes do
modelo previsto na lei penal.
- Elementos: conduta, resultado, nexo causal, tipicidade.

CONDUTA

Ação ou omissão humana consciente e voluntária dirigida a uma finalidade.
- Ação (comportamento positivo): comissão
- Omissão (comportamento negativo): abstenção, não fazer
vontade
consciência
exteriorização
finalidade

- só os humanos são dotados de vontade
- enquanto interiorizada: irrelevante penal
- Iter Criminis (caminho do crime)
1- cogitação 2- preparação (não se pune)
3- execução 4- consumação (se pune)

- “tentativa”: início da execução, mas interrompida por condições alheias à vontade
do agente.


- Vontade e finalidade
- dolosa: quando a vontade atinge a finalidade (resultado querido)
- culposa: quando a vontade não atinge a finalidade (resultado não querido)



Teorias da Conduta

*Teoria Clássica (teoria tripartida do crime: ação, típica, culpável
- excessivo apego à lei
- igualdade formal
- lei se cumpre, não se discute, não se interpreta
- crime: é uma estrutura lógico-objetiva (observável)
- pouco importa se há ou não conteúdo (aspecto subjetivo) de crime
- Crime:
* fato típico e antijurídico: aspectos objetivos
* culpável: aspecto subjetivo

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* Teoria Neoclássica (ou neo-Kantiana)
- quebra do dogma: vontade e finalidade não estão na culpabilidade
- Há tipos penais em que suas definições legais, o seu significado, não
se pode obter a partir da observação
- Algumas condutas não poderiam ser tipificadas a partir da mera
observação.

- Ex: coisa alheia (objetivo), indevidamente (subjetivo)
- Conclusão: sem finalidade subjetiva, é impossível dizer se foi
praticado o tipo penal

- Culpabilidade:
* dolo
* culpa
* imputabilidade
* potencial consciência da ilicitude
* inexigibilidade de conduta diversa (inserido pela teoria neo-clássica)
(ex. gerente de banco coagido devido a seqüestro da família)

* Teoria Finalista da Ação

(...faltei......)

Da Conduta:
- vontade
- finalidade
- consciência
- exteriorização

- É a realização material da vontade humana mediante a pratica de um ou mais atos.
- Ato = parte da conduta
* plurissubsistente: vários atos (muitas facadas)
* unisubsistente: um ato (uma facada)
- Ausência de voluntariedade (ato reflexo): acarreta ausência de conduta.

1- Coação moral irresistível (VIS COMPULSIVA)
- não exclui a conduta
- há resíduo de vontade
- vontade viciada
* Finalidade, exteriorização e consciência – existem; vontade existe, mas é
viciada. Ex. caixa de supermercado c/ família seqüestrada.

* Conseqüência: afasta a culpabilidade (não será penalizada)

2- Coação física (VIS ABSOLUTA)
- usa violência, força física
- não há vontade
- exclui a conduta

* Conseqüência: afasta a tipicidade (fato típico)
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- Formas de conduta:
- AÇÃO: positivo, volitivo
- OMISSÃO: negativo, abstenção


Teorias da conduta OMISSIVA

1- Naturalística (clássica)
- considera a omissão um comportamento “positivo” (ação)
- aquele que se omite dá causa ao resultado

- Críticas à teoria clássica:
* Omissão é um NADA. Logo quem fez nada, não pode responder por
nada.
* Não interfere no nexo causal.
(Na realidade, o omisso pode interferir no processo causal e evitar o
resultado, mas isso é diferente de afirmar que o omisso foi seu causador.


2- Normativa
- dever de agir. A norma estabelece o dever de agir.
- relevância da omissão para o Direito Penal
* NON FACERE: (não fazer), inerente da omissão
* QUOD DEBEATUR (aquilo que tinha o dever de fazer)

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu
causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir para evitar o resultado.
O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.

- Dever jurídico de agir:
a) dever legal (pai-filho)
b) dever de garantidor (responsabilidade: babá, salva-vidas)
c) ingerência da norma

- Se o agente estiver numa dessas 3 situações, responde pelo
RESULTADO (por ex. homicídio), se não, responde por “omissão”.


Formas de conduta omissiva

1- Crimes omissivos próprios
- respondo pela OMISSÃO, não pelo resultado porque o agente não se
enquadra nas hipóteses do “dever jurídico de agir”.
Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança
abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente
perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:

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2- Crimes omissivos impróprios, comissivos impuros, espúrios,
comissivo por omissão
- o agente tem o dever jurídico de agir
- responde pelo RESULTADO (dolo ou culpa)
- Ex. patrão não entrega equipamento de segurança ao trabalhador


3- Omissivos por comissão (menos importante)
- ação geradora da omissão
- não é reconhecida por grande parte da doutrina



Requisitos da omissão
- conhecimento da situação típica
- consciência, por parte do omitente, de seu poder de ação para a execução
da ação omitida (dolo de omissão)
- possibilidade real, física de levar adiante a ação exigida (não patrimonial)


RESULTADO

Modificação do mundo exterior provocada pela conduta.

- Teorias

1- Naturalística: é a modificação provocada no mundo exterior pela conduta.
- Ex: perda patrimonial, conjunção carnal, morte
- Nem todo crime tem resultado naturalístico, pois há infrações penais que
não produzem qualquer alteração.

- Classificação das infrações penais de acordo com o RESULTADO
(não confundir com o conceito de crime – formal, material, analítico)
CRIMES MATERIAIS: consumação com o resultado
- Ex. homicídio – morte/ roubo – diminuição patrimônio
- Regra: todo crime material admite “tentativa” (quando não há
consumação)

CRIMES FORMAIS: há previsão de resultado naturalístico, mas não
se exige para a consumação
- Em regra: não cabe “tentativa”
- Exceção: quando possível cindir a execução. Ex; tentativa de
seqüestro
- Regra prática: “com o fim de”
Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer
vantagem, como condição ou preço do resgate

CRIMES DE MERA CONDUTA: não há resultado nem previsão de
resutado.
- Regra: não cabe “tentativa”
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro:
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2- Jurídica ou normativa: resultado é toda lesão ou ameaça de lesão a um
interesse penalmente relevante.
- Quando não houver resultado naturalístico não há crime.



NEXO CAUSAL

- Elo de ligação concreto, físico, material e natural entre a conduta e o resultado.
- A conduta deu causa ao resultado.
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu
causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido

- Constatação objetiva: não se avalia dolo ou culpa.

- Teorias

1- Teoria da equivalência dos antecedentes (conditio sine qua non)
- qualquer conduta que contribua para o resultado é causa idônea
- se estiver na cadeia da causalidade é causa idônea para o reultado
- art 13 “caput” CP: causa é toda ação ou omissão anterior que contribui para
a produção do resulltado.
- REGRESSUS INFINITUM
* Procedimento de eliminação hipotética
* Limite: conduta adveio de ação ou omissão culposa ou dolosa.
* Chamado nexo normativo

2- Teoria da causalidade adequada
- Só é causa a condição idônea à produção de resultado
- Necessidade de lei
- Segundo as leis da causalidade
- Dificuldade: prever todas as possibilidades causais em lei

- Nexo causal: só tem relevância nos crimes cuja consumação depende do
resultado. (crimes materiais)

- Nos delitos em que o resultado é impossível (mera conduta) e naqueles que,
embora possível (o resultado) é irrelevante para sua consumação (crimes formais) –
Não há falar em nexo causal, mas apenas em nexo normativo entre a conduta e o
agente.

- Assim:







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CRIME MATERIAL

há resultado naturalístico Nexo causal
CRIME OMISSIVO
PRÓRPIO
inexiste resultado
Nexo normativo
(o nexo está na lei) CRIME MERA CONDUTA

inexiste resultado
CRIME FORMAL

Resultado naturalístico
irrelevante
CRIME OMISSIVO
IMPRÓPRIO
Nexo causal por ficção
jurídica

- Nexo causal por ficção jurídica: a lei estabelece o nexo entre a conduta omissiva e
o resultado sempre que estiver presente o DEVER JURÍDICO DE AGIR (art. 13, §2º,
CP- dever legal, dever garantidor, ingerência da lei), responde pelo resultado, desde
que praticado com dolo ou culpa.


Superveniência causal

Art. 13 § 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por
si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou

Causa: é toda condição que atua paralelamente à conduta interferindo no processo
causal.

- Espécies de causa:
* dependente
* independente

- causa dependente: é aquela que, originando-se da conduta insere na linha normal
do desdobramento causal da conduta.
- firma o nexo causal
- há uma dependência de modo que sem a anterior não haveria a posterior

- causa independente: é aquela que foge ao desdobramento causal da conduta,
produzindo, por si só o resultado.
- Sub-espécies:

* absolutamente independente
- não se origina da conduta
- se comporta como se, por si só, produzisse o resultado
- não tem relação com o resultado
Espécies:
* pré-existente: existe antes da conduta
* concomitante: ao mesmo tempo que a conduta
* superveniente: atua após a conduta, conseqüência:
- rompe o nexo causal
- responde ao atos até então praticados


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* relativamente independente
- origina-se da conduta
- comporta-se como se, por si só, tivesse produzido o resultado
- tem relação com a conduta apenas porque dela se originou
Espécies:
* pré-existente: atua antes do resultado
* concomitante: concomitante com a conduta
* superveniente: condicionalidade adequada, conseq:
- rompe o nexo causal
- responde pelos atos até então praticados
- art. 13, §1º CP



TIPICIDADE

- Fato típico: é a descrição abstrata da conduta humana feita pormenorizadamente
pela lei penal e corresponde a um fato criminoso.

- Função garantista: direito à liberdade.
- Postulado do princípio da Reserva Legal.

- Elementos do tipo
* Núcleo: verbo
* Elementos normativos: qualidade exigida em alguns casos.
Ex. sujeito ativo / sujeito passivo
* Objeto material: objeto do crime. Objeto é aquilo que a lei visa proteger.
Ex. coisa alheia, documento


- Espécies de tipo
* permissivos ou justificadores: excludentes de ilicitude
* incriminadores: descreve um crime e prevê pena.


- Conceito de tipicidade
É a justaposição entre a conduta e o modelo descrito na lei (tipo penal).
- Tipicidade = enquadramento jornal
- Adequação típica = enquadramento jornal + análise subjetiva (dolo ou culpa)


- Fases da tipicidade
* Fase da independência do tipo
- desvinculado da ilicitude
- tem função descritiva
- sem nenhum conteúdo valorativo

* Fase do caráter indiciário da ilicitude
Não há distância entre o fato típico de ilicitude
- 1º momento: fato típico
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- 2º momento: ilícito

* Fase do tipo como essência da ilicitude
- transforma o tipo em tipo injusto
- confusão dos conceitos de tipo e ilicitude


- Derivação da teoria
- dos elementos negativos do tipo

* Adequação típica:
- enquadramento de conduta ao tipo penal.

* Adequação típica de subordinação imediata:
- direta correspondência entre a conduta e o tipo legal.

* Adequação típica de subordinação mediata:
- não há uma direta correspondência
- normas de extensão
* temporal: tentativa
* pessoal: concorrência de pessoas (art. 29 CP)


- Espécies de tipo quanto aos seus elementos

* tipo normal: contém os elementos objetivos

* tipo anormal: além dos objetivos, contém elementos subjetivos e normativos.
- Ex. art 158 CP


- Tipo penal nos crimes dolosos
Vontade consciente de realizar os elementos constantes do tipo penal.
- Dolo é o elemento psicológico da conduta.
- Conduta é um dos elementos do fato típico.
- Logo, dolo é um dos elementos do fato típico.


- Elementos do DOLO
- consciência
- vontade


- Fases da conduta
- interna: irrelevante penal
- externa: exteriorização da conduta


- Teorias
- Vontade: é a vontade de realizar a conduta e produzir o resultado.
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- Representação: é a vontade de realizar a conduta, prevendo a possibilidade
de o resultado ocorrer sem, contudo desejá-lo. Basta prever a possibilidade do
resultado.

- Assentimento ou consentimento: dolo é o assentimento do resultado, isto
é, a previsão do resultado com a aceitação dos riscos de produzi-lo.

- Para concurso de pessoas, aparecem 3 figuras:

- AUTOR: pratica o verbo do tipo.
- CO-AUTOR: é aquele que diretamente ajuda o autor a praticar o verbo do
tipo. Ex. segura a vítima.
- PARTÍCIPE: é o que induz, instiga ou auxilia na prática do verbo do crime.
Ex. mandante de homicídio.


- Tipo fundamental e tipos derivados

* Fundamental ou básico: descrição mais simples, essencial do crime.
- É a descrição no “caput”.

* Derivados: se formam a partir do tipo fundamental, com destaque de
circunstâncias que agravam ou atenuam a pena.


- Tipo penal nos CRIMES DOLOSOS

- Conceito: é a vontade consciente de realizar os elementos constantes do tipo
penal. (mesmo quando há coação da vontade, há resquício de vontade)

* Dolo é o elemento psicológico da conduta.
* Conduta é um dos elementos do fato típico.
* Logo, dolo é um dos elementos do fato típico.


- Fases da conduta
- interna (irrelevante penal)
- externa (exteriorização da conduta que passa a existir no mundo real)


- Teorias

- Vontade: vontade de realizar a conduta e produzir resultado.

- Da representação: é a vontade de realizar a conduta, prevendo a
possibilidade do resultado ocorrer, sem contudo desejá-lo.
* Basta o agente representar.
* Não é adotada no CP brasileiro.

- Do assentimento ou consentimento:
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* Dolo é o assentimento do resultado, isto é, a previsão do resultado
com a aceitação dos riscos de produzi-lo.

- Teorias adotadas no CP
Art. 18 - Diz-se o crime:
Crime doloso
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo;
* teoria da vontade
* teoria do assentimento


- Espécies de dolo
* NATURAL: puramente psicológico, sem qualquer juízo de valor.

* NORMATIVO: dolo da teoria clássica (onde o dolo era elemento da
culpabilidade)
- consciência da ilicitude como elemento do dolo.

* DIRETO ou DETERMINADO: vontade de produzir o resultado.

* INDIRETO ou INDETERMINADO: o agente não quer diretamente o
resultado, mas aceita a possibilidade de sua produção (eventual) ou não se importa
de produzir este ou aquele resultado (alternativo).

* DANO: vontade de produzir uma lesão ao bem jurídico (resultado material).

* PERIGO: vontade de exposição a perigo do bem jurídico. (não há dano
material)
- Perigo abstrato ou presumido: a lei prevê a situação de perigo e
procura evitar o dano. Ex: formação de quadrilha ou bando, porte de arma de fogo.
- Perigo concreto: cabe juízo de valoração. A partir do caso concreto,
perceber se a conduta expôs o bem jurídico a perigo. Ex: art 134, abandono de
recém-nascido.

* ESPECÍFICO: visa um fim específico (tipos anormais)
- tipos anormais = têm elemento objetivo e subjetivo (com o fim de)

* DOLO GERAL, ERRO SUCESSIVO OU ABERRATIO CAUSAE: o agente
pratica uma conduta acreditando atingir o resultado. Em seguida pratica novo ataque
ao bem jurídico acreditando ser mero exaurimento, mas acarreta a consumação do
fato.


- Tipo penal nos CRIMES CULPOSOS

- Elemento normativo de culpa.
- Chamado de tipo aberto (o código não especifica a conduta)



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- Elementos do fato típico culposo

* conduta * previsibilidade objetiva
* resultado * ausência de previsão
* nexo causal + * quebra de dever jurídico de cuidado
* tipicidade - imprudência (ação)
- negligência (omissão)
- imperícia (inaptidão técnica em profissão
ou atividade)


- Espécies de culpa

- inconsciente (total imprevisibilidade)
- consciente (perceptível, mas o agente tem certeza que não vai ocorrer)
- imprópria (por equiparação) – assimilação
* erro do tipo escusável

- Dolo e culpa: são elementos subjetivos da conduta.
- Tipos penais dolosos = fechados
- Tipos penais culposos = abertos


- Dolo eventual X culpa consciente

- Dolo eventual: o agente ASSUME, na sua conduta , o risco de produzir o resultado.
(“dane-se”)
- Culpa consciente: o agente prevê a possibilidade do resultado, mas TEM
CERTEZA que não vai acontecer. (“não vai acontecer”)

- A diferença entre eles é uma questão de enfoque.
- São situações limítrofes
- Necessidade de análise do caso concreto.


- Graus de culpa

- leve, levíssima, grave, gravíssima (distinção sem efeito prático)
- Não há distinção de grau de culpa (ao contrário do dolo em que há diferenciação
de pena)
- Culpa é culpa. O resultado pode ser mais ou menos grave, mas a culpa é vista de
maneira única pela doutrina.


- Compensação de culpa

- NÃO EXISTE EM DIREITO PENAL.



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- Concorrência de culpas
- Cada agente responde pela sua culpa, pela sua conduta, concorrentemente.
- Ex; motorista na contramão devagar, bate com outro na mão correta, em alta
velocidade.

- Culpa nos delitos omissos impróprios (art 13 CP – não fazer quando havia
dever jurídico de agir)


- Participação no crime culposo

1) Teoria do domínio do fato: como não há descrição de um fato principal (tipo penal
aberto), não há falar em “participação”. Há falar em “autoria”.
- Todos respondem como autor.
- Teoria menos usada.

2) Teoria restritiva de autoria: mesmo o tipo penal sendo aberto (genérico), há
visualização de uma conduta principal e atribuição de participação.
- Teoria mais usada, portanto....
- É POSSÍVEL PARTICIPAÇÃO NO CRIME CULPOSO.

Concurso de pessoas:
Autor= pratica o verbo do tipo
Co-autor
Partícipe= induz, instiga ou auxilia (forma mediata))


- Crime Preterdoloso (preterintencional)

- Conceito: é aquele em que o legislador, depois de descrever uma conduta típica,
com todos os seus elementos, acrescenta-lhe um resultado, cuja ocorrência acarreta
um agravamento da sanção penal.

- crime qualificado pelo resultado = é crime único e resulta da fusão de duas ou mais
infrações penais autônomas.

- é um crime COMPLEXO (soma de 2 condutas ilícitas. Ex. latrocínio)

- Há um fato antecedente (preter) com um resultado conseqüente.











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- Espécies de crime qualificado pelo resultado

Elemento subjetivo
ANTECEDENTE
Elemento subjetivo
SUBSEQUENTE


Dolo


Dolo

Latrocínio

Culpa

Culpa
Art. 256 - Causar desabamento ou
desmoronamento, expondo a perigo a vida, a
integridade física ou o patrimônio de outrem:


Culpa

Dolo
Art. 135 - Deixar de prestar assistência,
quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à
criança abandonada ou extraviada, ou à
pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou
em grave e iminente perigo; ou não pedir,
nesses casos, o socorro da autoridade
pública:
Atropelamento + omissão de socorro

Dolo
(na lesão)


Culpa
(na morte)

PRETERINTENCIONAL
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a
saúde de outrem: § 3° Se resulta morte e as
circunstâncias evidenciam que o agente não
quís o resultado, nem assumiu o risco de
produzí-lo:

- Crime qualificado pelo resultado = gênero
- crime preterintencional = espécie do gênero

Questão de concurso: crime qualificado pelo resultado é a mesma coisa que crime
preterintencional?
* NÃO. O crime preterintencional, caracterizado pelo dolo na conduta
antecedente e culpa na conduta subsequete é um espécie de crime qualificado pelo
resultado que possui outras modalidades, por exemplo, o latrocínio em que há dolo
na conduta antecedente (roubo) e na subseqüente (morte).

- Todo crime qualificado pelo resultado, o agente responde pela conduta
antecedente e a conduta subseqüente agrava a pena.


ERRO DE TIPO

- Conceito: trata-se de um erro incidente sobre SITUAÇÃO DE FATO ou RELAÇÃO
JURÍDICA descritos:
* no elementar ou circunstâncias de tipo incriminador
* no elementar de tipo permissivo
* nos dados acessórios irrelevantes para a figura

- Elementar = expressão que, se for retirada da descrição, deixa de existir o tipo, ou
ele se desloca para outro tipo.
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- Erro = falsa percepção da realidade.

Exemplos de erro de tipo

1) erro incidente sobre SITUAÇÃO DE FATO descrita como elementar do tipo
incriminador
* sobre situação concreta, real.
* essa realidade está no tipo penal.
* conseqüência: exclui o dolo.
Ex. A pega guarda-chuva de B que era idêntico.

2) erro incidente sobre RELAÇÃO JURÍDICA descrita como elementar do tipo
incriminador
* erro incide sobre situação jurídica.
* essa situação se encontra no tipo como elementar.
* conseqüência: exclui o dolo.
Ex: Art. 236 - Contrair casamento, induzindo em erro essencial o outro contraente, ou
ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior:


3) erro incidente sobre SITUAÇÃO DE FATO descrito como elementar do tipo
permissivo (lícito)
* consequência: afasta a ilicitude

4) erro incidente sobre circunstância do tipo incriminador.
* incide sobre SITUAÇÃO CONCRETA como circunstância do tipo.
* conseqüência: NÃO exclui o dolo – responde pelo crime.


5) erro sobre dado irrelevante.
* conseqüência: NÃO exclui o dolo – responde pelo crime.
Ex: A queria matar B, erra e mata C (irmão gêmeo).


Diferença ERRO DE TIPO e DELITO PUTATIVO por erro de tipo

- Erro de tipo = o agente não sabe que está cometendo um crime, mas acaba por
praticá-lo.

- Putativo por erro de crime = o agente quer praticar um crime, mas em face do erro,
desconhece que está cometendo um irrelevante penal.








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Formas de erro de tipo




ERRO DE TIPO

ESSENCIAL
(sobre elementar)
Afasta o DOLO
- invencível (desculpável)
Afasta a CULPA
- vencível (indesculpável)
Responde por CULPA, se
houver previsão

ACIDENTAL
(sobre circunstância)
(responde pelo CRIME)
NÃO afasta o DOLO


PUTATIVO por erro de tipo
Afasta a ILICITUDE

- Formas de erro de tipo

* erro de TIPO ESSENCIAL
- incide sobre elementares e circunstâncias
- características: impede o agente de compreender o caráter criminoso do
fato ou de conhecer a circunstância.
- exclui o dolo

invencível (desculpável, não pode ser evitado) – exclui a culpa
vencível (indesculpável, poderia ser evitado se o agente
empregasse mediana prudência) – NÃO exclui a culpa – responde
pela culpa, se houver previsão.

- Descriminantes putativas
- exclui a ILICITUDE, causa excludente de ilicitude
- descriminante = é a causa que descrimina, isto é, exclui o crime, exclui a
ilicitude do fato típico.
- putativa = imaginário

- Compreende:
* Legítima defesa putativa
* Estado de necessidade putativo
* Exercício regular do direito putativo
* Estrito cumprimento do dever legal putativo

* erro de TIPO ACIDENTAL
- incide sobre dados irrelevantes da figura típica
- agente sabe que está cometendo crime – apreciação de caráter criminoso
do fato
- erro que não traz nenhuma conseqüência jurídica
- NÃO exclui o dolo



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- Espécies de erro de tipo acidental

1) Erro sobre OBJETO: objeto material do crime é a pessoa ou coisa sobre a
qual recai a conduta. Ex. subtrai ouro ao invés de diamante.

2) Erro sobre PESSOA: recai sobre pessoa que pretende atingir. Ex. queria
matar A e mata B, irmão gêmeo

3) Erro na EXECUÇÃO do crime – “ aberratio ictus” (desvio de golpe)
- unidade simples. Responde como se tivesse atingido a pessoa visada (com
todas as circunstâncias). Ex. A queria matar B, erra o tiro e mata C que passava
pelo local.

- unidade complexa. Aplica-se o concurso formal (aumenta-se a pena (+
grave) de 1/6 a 1/2). Ex. A queria matar B, lesão em B e mata C que passava pelo
local.


4) RESULTADO DIVERSO do pretendido – aberratio criminis

- o agente pretendia atingir um bem jurídico, mas por erro na execução,
acarreta bem diverso
- bens jurídicos DISTINTOS

- unidade simples. Responde pelo resultado produzido e se previsto como
crime culposo. Ex. A joga pedra na janela e atinge pessoa. Responde por lesão
corporal culposa.

- unidade complexa. Aplica-se o consórcio formal (1/6 a 1/2).

OBS: se o resultado previsto como culposo for MENOS grave ou se o crime
não tiver modalidade culposa, não se aplica regra do aberratio criminis.
Ex. A joga pedra na janela e quebra vidro, atinge e mata pessoa.


5) Erro sobre NEXO CAUSAL ou aberratio causae (dolo geral ou dolo sucessivo)



ILICITUDE

É a contradição entre a conduta e o ordenamento jurídico, pelo qual a ação ou
omissão típicas tornam-se ilícitas.

1) Verificação se o fato é típico ou não.

2) Se típico, verificar se é ilícito.



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CULPABILIDADE

É a possibilidade de se considerar alguém culpado pela prática de uma infração
penal (conceito negativo de reprovação).

É juízo de censurabilidade e reprovação sobre alguém que praticou um fato típico e
ilícito.

Não é elemento do fato típico, mas pressuposto para imposição de
pena.

Afere-se apenas se o agente deve ou não responder pelo crime
cometido.




































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Classificação dos crimes

CRIME CONCEITO EXEMPLO

comum

- é o que pode ser praticado por qualquer pessoa.


- art 129: lesão corporal

próprio
- é o que exige determinada qualidade no sujeito
ativo
- admite autoria mediata, participação e co-autoria
- aborto (exige mulher grávida)
- art 312 peculato (exige que
seja func. Público)

de mão-
própria
- somente pode ser realizado pelo agente em
pessoa. Não admite delegação ou mandato.
- crime infungível
- só admite participação
- art 342 CP: falso testemunho.
- art 240 CP: adultério
- art 323CP: abandono de cargo
público

de dano
- aquele que se consuma com a lesão efetiva a
um bem jurídico. A ausência de dano pode
caracterizar tentativa ou indiferente penal.

- art 129: lesão corporal

de perigo
- se consuma com o simples perigo criado ao
bem jurídico da vítima, sem produzir um resultado
efetivo de dano
- art 131 CP: contágio de
moléstia grave
- art 137 CP: rixa

de perigo
abstrato

- consuma-se com a simples conduta, sendo
desnecessário demonstrar perigo.
- art 135 CP: deixar de prestar
assistência
- art 288 CP: formação de
quadrilha

de perigo
concreto

- Precisa ser demonstrado, depende de
comprovação
- são subsidiários em relação aos
correspondentes crimes de dano
- art 131 CP: praticar atos capaz
de transmitir moléstia grave
- art 132 CP: expor saúde ou
vida de outrem a perigo
- art 250: causar incêncio,
expondo....

material
- exige para sua produção um resultado
naturalístico
- cabe “tentativa”
- art 121 CP: homicídio
- furto

formal
- não há necessidade de ocorrência de resultado
naturalístico.
- art 140: injúria
- art 154: violação de segredo
profissional

de mera
conduta
- ação ou omissão bastam para constituir o
elemento objetivo da figura típica penal
- não cabe “tentativa”
- art 150: violação de domicílio
- porte ilegal de arma

permanente
- aquele cuja consumação se prolonga no tempo,
dependente da atividade do agente
- art 148 CP: seqüestro
- art 159 CP: sequestro mediante
resgate

falho
- ou tentativa acabada e perfeita.
- esgota toda a ação executória, mas não
consuma o crime


vago
- aquele em que o sujeito passivo não tem
personalidade jurídica. (coletividade, sociedade)
- atentado violento ao pudor
- art 210: violação de sepultura

ação
múltipla
- o tipo penal que contém várias modalidades de
conduta e, mesmo que o agente pratique duas ou
mais, haverá apenas um único crime.
- art 122 CP: “induzir, instigar ou
auxiliar...”
- art 180 CP: “adquirir, receber,
transportar, conduzir, ocultar...”

de atentado
- ou empreendimento.
- pune com a mesma pena tanto o crime
consumado quanto o tentado
- art 352 CP: fuga ou tentativa
de fuga de preso