AULA 29/02/2012

DIREITO DO TRABALHO

RELAÇÃO DE TRABALHO

1- TRABALHO AUTÔNOMO:

Não existe subordinação, assume os riscos do trabalho.

Ex: advogado.

 Parasubordinado: é um trabalhador que está no meio do caminho entre a
subordinação e autonomia, está em uma zona cinzenta.

2- TRABALHADOR EVENTUAL:

 É uma pessoa que trabalha com todos os requisitos do art. 3º da CLT menos o
requisito de habitualidade. Neste não há vinculo de emprego.

(Art. 3º, CLT) – Considera-se empregado toda pessoa física que
prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a
dependência deste e mediante salário.

Parágrafo único - Não haverá distinções relativas à espécie de
emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual,
técnico e manual.

Ex: Diarista.

 Trabalho com contrato a prazo: este tem vínculo com o empregador durante o
tempo de contrato definitivo.

 Contrato Temporário: previsto na lei 6019/74. É uma relação triangular onde
existe um empregado uma tomadora de serviço e uma ETT (Empresa de
Trabalho Temporário).











Empregado Empresa
Tomadora
ETT (Empresa de Trabalho
Temporário)


(Art. 1º, Lei 6.019/74) – “É instituído o regime de trabalho temporário,
nas condições estabelecidas na presente Lei”.

(Art. 2º, Lei 6.019/74) – “Trabalho temporário é aquele prestado por
pessoa física a uma empresa, para atender à necessidade transitória
de substituição de seu pessoal regular e permanente ou à acréscimo
extraordinário de serviços”.

 Trabalhador Avulso: não tem habitualidade. Neste, existe também uma relação
triangular. Em cima do triangulo está o OGMO (órgão gestor de mão de obra)
ou o Sindicato e embaixo o trabalhador avulso e a empresa tomadora
(operador portuário) de serviços.













 Entre o OGMO e o trabalhador não existe relação de trabalho, esta relação
se caracteriza com a tomadora do serviço (operador portuário) prestado.

 O rol de trabalhadores avulso é taxativo.

 Esta previsão não está na lei trabalhista e sim na lei previdenciária (art. 9º,
VI, decreto nº 3.048/99).

(Art. 9º, VI, Decreto nº 3.048/99) – São segurados obrigatórios da
previdência social as seguintes pessoas físicas:

VI - como trabalhador avulso - aquele que, sindicalizado ou não, presta
serviço de natureza urbana ou rural, a diversas empresas, sem vínculo
empregatício, com a intermediação obrigatória do órgão gestor de mão-
de-obra, ou do sindicato da categoria, assim considerados:

 Existe o avulso portuário e o avulso não portuário que é o carregador de
mercadorias.

 O trabalhador avulso é equiparado ao empregado comum. (Art. 7º, XXXIV,
CF/88).



Empregado Empresa
Prestadora de Serviços
(Operador Portuário)
OGMO (Órgão Gestor de Mão
de Obra)
(Art. 7º, XXXIV, CF/88) – São direitos dos trabalhadores urbanos e
rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo
empregatício permanente e o trabalhador avulso.

 Trabalho ou Trabalhador Voluntário: trabalhador voluntário é uma pessoa física
que exerce seus serviços sem remuneração para entidade publica de qualquer
natureza ou instituição privada sem finalidade lucrativa. A diferença do
trabalhador voluntário para o empregado é a onerosidade. Este tem lei própria
(lei 9.608/98).

(Art. 1º, Lei 9.608/98) – Considera-se serviço voluntário, para fins
desta Lei, a atividade não remunerada, prestada por pessoa física a
entidade pública de qualquer natureza, ou a instituição privada de fins
não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais,
científicos, recreativos de assistência social, inclusive mutualidade.

Parágrafo único. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício,
nem obrigação de natureza trabalhista previdenciária ou afim.

3- ESTÁGIO:

 Estagiário não é empregado, não tem vinculo de emprego e não tem contrato
de trabalho. A Lei 11.788/08 é a lei regula o estágio.

(Art. 1º, Lei 11.788/08) – “Estágio é ato educativo escolar
supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que
visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que
estejam freqüentando o ensino regular em instituições de
educação superior, de educação profissional, de ensino médio,
da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental,
na modalidade profissional da educação de jovens e adultos”.

 Sujeitos: Pode estagiário qualquer pessoa que esteja cursando ensino
superior, ensino médio, ensino profissionalizante, educação especial e
últimos anos do ensino fundamental na modalidade de educação de
jovens e adultos (conhecido como supletivo).

 Espécies: Existe duas espécies de estágio, o obrigatório e o não
obrigatório. O obrigatório é aquele necessário para obtenção do
diploma e faz parte do currículo acadêmico e o estagio não obrigatório
é aquele livre e facultado o aluno. No estagio não obrigatório deve
(obrigatoriamente) ser fornecido uma bolsa-auxílio, auxílio transporte
ao estagiário.

 Requisitos da não configuração do vinculo:

1- Matrícula e freqüência regular no curso.

2- Deve ser celebrado um termo de compromisso que envolve o estagiário a
empresa e a instituição de ensino.

3- Deve haver compatibilidade entre a atividade e a disciplina cursada pelo
estagiário.

 Direitos do Estagiário:

1- Seguro contra acidentes pessoais em nome do estagiário.

2- Respeitar as normas de saúde e segurança do trabalho.

4- Bolsa e auxílio transporte.

5- Pode fornecer outros benefícios por liberalidade. Ex: vale alimentação, plano
de saúde, etc.

6- Estagiário não é segurado obrigatório da previdência. Ele é segurado facultativo
do RGPS (Regime Geral da Previdência Social).

 Jornada do Estagiário:

 20hs por semana para educação especial ensino fundamental e EJA (Ensino de
Jovens e Adultos).

 6h diárias para: ensino superior, educação superior, ensino profissionalizante e
ensino médio.

OBS: a jornada pode ser de 40hs por semana quando o curso combine teoria e prática
nos períodos em que não houver aulas teóricas presenciais.

 Duração: o prazo máximo é de 02 (dois) anos, exceto portador de
deficiência, neste caso o contrato pode superar 02 dois anos.

 Recesso: estagiário tem direito de recesso após 01 ano de trabalho,
sendo este de 30 dias. Caso não trabalhe 01 ano completo terá direito
ao recesso proporcional.

OBSERVAÇÕES GERAIS:

OBS1: A empresa tem que nomear um supervisor para supervisionar até 10 estagiários.

OBS2: A instituição de ensino é obrigada a nomear um professor orientador, o
professor tem que ser da área do estágio.

OBS3: No caso de contratação irregular de estagiário pela administração pública não
caracteriza vínculo de emprego (OJ SDI-I, 366, TST).

ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL Nº 366, SDI-I, TST – Estagiário.
Desvirtuamento do contrato de estágio. Reconhecimento do
vínculo empregatício com a administração pública direta ou
indireta. Período posterior à constituição federal de 1988.
Impossibilidade:

“Ainda que desvirtuada a finalidade do contrato de estágio
celebrado na vigência da Constituição Federal de 1988, é
inviável o reconhecimento do vínculo empregatício com ente da
Administração Pública direta ou indireta, por força do art. 37, II,
da CF/1988, bem como o deferimento de indenização
pecuniária, exceto em relação às parcelas previstas na Súmula
nº 363 do TST, se requeridas”.

OBS4: É possível a contratação de estagiário estrangeiro desde que respeitado o
período do visto do estagiário aqui no Brasil.

4- EMPREGADO DOMÉSTICO:

 Este não é regido pela CLT (art. 7º, CLT), ele tem lei própria (lei 5859/72).

(Art. 7º, CLT) – Os preceitos constantes da presente Consolidação
salvo quando fôr em cada caso, expressamente determinado em
contrário, não se aplicam:

 Aos empregados domésticos, assim considerados, de um modo
geral, os que prestam serviços de natureza não-econômica à pessoa
ou à família, no âmbito residencial destas;

(Art. 1º, Lei 5859/72) – “Ao empregado doméstico, assim
considerado aquele que presta serviços de natureza contínua e de
finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial
destas, aplica-se o disposto nesta lei”.

 É uma pessoa física que presta serviço com pessoalidade com onerosidade com
subordinação e continuidade. O empregado presta serviço para outra pessoa
física ou sua família no âmbito residencial desta e sem finalidade lucrativa.

OBS1: a não eventualidade e menos rigoroso do que a continuidade.

 Será considerado empregado doméstico quem trabalha 03 (três) ou mais vezes
por semana. Menos de 03 (três) se considera trabalhador eventual.

OBS2: âmbito residencial não é só a casa e sim casa e suas extensões. Isto quer dizer
que empregado doméstico não é apenas aquela pessoa que arruma a casa e sim
qualquer atividade doméstica como por exemplo:

Ex: caseiro, babá, enfermeiro que cuida de idoso, motorista, etc.

OBS3: a atividade exercida não pode ter finalidade lucrativa. Qualquer atividade
lucrativa contamina a relação de emprego doméstico.

 Direitos do Empregado Doméstico:

Art. 7º Parágrafo Único, CF/88.

(Art. 7º, CF/88) – São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais,
além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores
domésticos os direitos previstos nos incisos IV, VI, VIII, XV, XVII,
XVIII, XIX, XXI e XXIV, bem como a sua integração à previdência
social.

 MACETE – SAISA DEDE LILI AFA PRESO

SA – Salário Mínimo
ISA – Irredutibilidade Salarial
DE – Décimo Terceiro
DE – Descanso Semanal Remunerado
LI – Licença Maternidade
LI – Licença Paternidade
A – Aviso Prévio
F – Férias
A – Aposentadoria
PRESO – Previdência Social

OBS1: O FGTS é facultativo, mas se for pago tem direito ao seguro desemprego.

OBS2: Tem direito a estabilidade da gestante pelo art. 4 a lei 5589/72 30 dias de férias.

OBS3: Vedação a descontos (salários não podem sofrer descontos por habitação, etc).

EXCEÇÃO: pode descontar o valor da habitação do salário se por acaso a habitação não
for na casa e se vier expresso no contrato de trabalho.